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CNJ: 0001092-20.2011.5.09.0594
TRT: 02462-2011-594-09-00-5 (RO)
PODER JUDICIÁRIO
JUSTIÇA DO TRABALHO
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 9ª REGIÃO
7ª TURMA
HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS  ASSISTENCIAIS  -
EXTENSÃO  AO  SINDICATO  QUE  FIGURA  COMO
SUBSTITUTO  PROCESSUAL  -  POSSIBILIDADE. De
acordo com a nova redação da Súmula nº 219, item III, do C.
TST, "são devidos os honorários advocatícios nas causas em
. que o ente sindical figure como substituto processual"
Assim, considerando que a entidade sindical declarou a
insuficiência econômica dos empregados substituídos, faz jus
aos benefícios da justiça gratuita e também ao pagamento de
honorários advocatícios. Recurso do sindicato autor a que se
dá provimento, no particular.
V  I  S  T  O  S, relatados e discutidos estes autos de
, provenientes da RECURSO  ORDINÁRIO MM.  02ª  VARA  DO  TRABALHO  DE
, sendo Recorrente ARAUCÁRIA - PR SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS
INDÚSTRIAS DE REFINAÇÃO, DESTILAÇÃO, EXPLORAÇÃO E PRODUÇÃO
DE  PETRÓLEO  NOS  ESTADOS  DO  PARANÁ  E  SANTA  CATARINA
e Recorrido . SINDIPETRO PR/SC PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRÁS
I. RELATÓRIO
Trata-se de ação trabalhista ajuizada em 13.10.2011 pelo
Sindicato dos Trabalhadores Nas Indústrias de Refinação, Destilação, Exploração e
Produção  de  Petróleo  nos  Estados  do  Paraná  e  Santa  Catarina  SINDIPETRO
em face de . PR/SC Petróleo Brasileiro S.A. - PETROBRÁS
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Postula a entidade sindical, na qualidade de substituto
processual, o pagamento de gratificação extraordinária concedida aos ocupantes de cargos
gerenciais (gerentes, supervisores, coordenadores e consultores) a todos os empregados
com contrato de trabalho em vigor em julho de 2010 e que não foram beneficiados pela
parcela, incidente sobre todas as verbas com natureza salarial, além de reflexos.
Requereu, ainda, que a reclamada seja responsabilizada por eventuais recolhimentos
fiscais, bem como a concessão dos benefícios da justiça gratuita e o pagamento de
honorários assistenciais.
A reclamatória trabalhista foi ajuizada em 13.10.2011.
A reclamada, em sede de defesa, arguiu preliminar de
impossibilidade jurídica do pedido e, no mérito, sustentou a improcedência dos pedidos
formulados na petição inicial (fls. 108/128).
A sentença de fls. 229/238, complementada pela decisão de
embargos declaratórios de fls. 243/245, proferidas pelo Exmo. Juiz do Trabalho Carlos
, julgou improcedentes os pedidos, e dispensou o recolhimento de Martins  Kaminski
custas processuais.
Inconformado, recorre o sindicato autor às fls. 247/258,
postulando a reforma da sentença quanto aos seguintes itens: a) gratificação
extraordinária; b) justiça gratuita; e c) honorários.
Não foram recolhidas custas processuais.
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Após decorrido o prazo para apresentar contrarrazões, a
reclamada apresentou a petição de fl. 265, em que informa ter protocolado a resposta ao
recurso em outros autos.
É o relatório.
II. FUNDAMENTAÇÃO
1. ADMISSIBILIDADE
Presentes os pressupostos legais de admissibilidade,
do recurso ordinário do sindicato autor. CONHEÇO
Após decorrido o prazo para apresentação de contrarrazões, a
reclamada Petrobrás S.A. peticionou nos autos, informando que havia protocolado a
resposta ao recurso no dia 02.05.2012, no processo 0085400-23.1999.5.09.0654. A
recorrida anexou à petição o recibo de petição eletrônica de fl. 266 e as contrarrazões às
fls. 267/278, comprovando o protocolo no processo errado.
Considerando que a reclamada não foi diligente quanto aos
autos a que se referiam as contrarrazões, impõe-se reconhecer a intempestividade da
medida.
Vale lembrar que no sistema de peticionamento eletrônico a
responsabilidade pela digitalização e pelos dados informados é exclusiva dos usuários,
nos termos do artigo 4º da Lei nº 9.800/1999, do artigo 11, II, da IN TST nº 30/2007 e do
artigo 7º, II, do Provimento Presidência/Corregedoria 3/2010 deste E. Tribunal.
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Art. 4º da Lei 9.800/1999: "Quem fizer uso de sistema de transmissão
torna-se responsável pela qualidade e fidelidade do material
transmitido, e por sua entrega ao órgão judiciário."
Art. 11, II, da IN TST nº 30/2007: "São de exclusiva responsabilidade
dos usuários: [...] II - a equivalência entre os dados informados para o
envio (número do processo e unidade judiciária) e os constantes da
petição remetida."
Art. 7º, II, do Provimento Presidência/Corregedoria 3/2010 deste E.
Tribunal: "São de exclusiva responsabilidade dos usuários com
certificação digital: [...] II - a equivalência entre os dados informados
para o envio (número do processo, nome das partes e unidade
judiciária) e os constantes da petição remetida, que deverá conter
numeração no canto inferior direito de cada página."
Ante o exposto, das contrarrazões NÃO  CONHEÇO
anexadas à petição de fl. 265, porque intempestivas.
2. MÉRITO
GRATIFICAÇÃO EXTRAORDINÁRIA
Pretende o sindicato autor a reforma da sentença, para que se
condene a Petrobrás ao pagamento da gratificação extraordinária a todos os empregados
que não receberam a parcela em julho de 2010, além de reflexos.
Sustenta, em síntese, que "o pagamento da gratificação
extraordinária pela ré, pelo seu caráter salarial e geral, ausente razoável e justificável
eleição de gerentes, supervisores, coordenadores e consultores, deve ser considerado ato
discriminatório, devendo a ilicitude ser reparada mediante a extensão do mesmo critério
(fl. 255). remuneratório aos demais empregados da empresa"
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Argumenta, ainda, que por se tratar a Petrobrás de sociedade
de economia mista, cujo ingresso de empregados se dá através de concurso público, os
salários e as promoções são estabelecidos objetivamente no Plano de Cargos e Avanço de
Carreira (PCAC), de forma que não haveria liberalidade ou discricionariedade para
estabelecer "outros mecanismos alheios às modalidades de remuneração coletiva a
(fl. 251). justificar diferenciação dos demais trabalhadores"
Destaca a entidade sindical que "o exercício de cargo de
confiança pode justificar salário contratual mais elevado em relação a outros
empregados; porém não permite a conclusão de que outras gratificações de caráter geral
(fl. 252), razão pela qual aduz que não sejam estendidas a todos os empregados" "a
preferência por remunerar apenas cargos elevados pela Petrobrás não é legítima, pois
(fl. 253). há distinção de um grupo de trabalhadores de menor cargo na empresa"
De acordo com o recorrente, "se todos os trabalhadores
concorreram para os bons resultados da empresa, não há justificativa para a
diferenciação, prática que colide com os valores constitucionais que visam nivelar e
(fl. 253), além do que a prática adotada pela Petrobrás teria diminuir as desigualdades"
acentuado a já excessiva diferenciação salarial entre o maior e o menor salário na
empresa.
Aduz, ainda, que a reclamada praticou ato antissindical, pois
estabeleceu o pagamento da gratificação extraordinária aos gerentes,
supervisores, coordenadores e consultores de forma unilateral, quando estavam em curso
as negociações para a renovação do acordo coletivo de 2010.
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Por fim, reitera que "ao contemplar apenas gerentes com a
remuneração, esvaziou e desmobilizou a categoria para as reivindicações coletivas de
natureza econômica. Uma vez agraciada a gerência, por óbvio que isso induziu a divisão
da categoria e, por outro lado, fez com que gerentes exercessem pressão sobre os
(fl. 255). empregados para não prosseguirem na mobilização"
A pretensão do sindicato foi indeferida pelo Juízo de
primeiro grau, nos seguintes termos:
"Com razão a ré. Inicialmente se deve destacar que por se tratar de
gratificação extraordinária, não habitual, não integra a remuneração para
reflexos em outras parcelas salariais (férias com gratificação adicional e
13º salário) ou mesmo FGTS.
Quanto à base de cálculo, embora não impugnada pela ré, considerando
que os empregados que não foram contemplados com a gratificação
extraordinária não exercem função de confiança, não recebem
gratificação de função ou de gerência, complemento da remuneração
mínima gerencial. Enfim, em eventual acolhimento do pedido, a base de
cálculo deverá ser definida com base nas parcelas salariais percebidas
pelos beneficiários no mês de julho de 2010.
Para o Juízo, todavia, não há vedação legal ao pagamento da
gratificação extraordinária levada a efeito pela ré, cuja natureza jurídica
é de empresa de economia mista, sujeitando-se 'ao regime jurídico
próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e
obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários', nos termos do
inciso II, parágrafo 1º do artigo 173 da Constituição da República.
Portanto, embora as empresas públicas estejam sujeitas às disposições
do Capítulo VII (artigos 37 e seguintes) da Constituição da República,
que trata da administração pública, os seus empregados não são
considerados servidores públicos, sujeitando-se ao regime da CLT.
Também ao contrário do que afirma a petição inicial, a gratificação
extraordinária não se caracteriza como remuneração com natureza de
caráter geral, porque foi paga especificamente aos empregados
ocupantes de cargos ou funções de confiança, sem relação com os
lucros, mas objetivando remunerar de forma extraordinária os
trabalhadores que para a empresa constituem a cadeia de comando e,
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portanto, devem ser remunerados de forma diferenciada em relação aos
demais.
Somente haveria violação aos princípios da igualdade e da não
discriminação se a gratificação fosse concedida apenas a alguns
ocupantes de cargo de confiança ou a parte dos trabalhadores sem
observar determinados requisitos, como, por exemplo, excluindo parte
dos demais que exerçam as mesmas funções. O artigo 461 da CLT
estabelece os requisitos para a equiparação salarial.
A concessão de gratificação a determinado grupo de empregados que
apresentem as mesmas características - o exercício de função de
confiança, por exemplo - não importa discriminação salarial, mas
exercício do poder diretivo, porque a designação para tais cargos
constitui discriminação legítima, decorrente do poder diretivo do
empregador. O fundamento objetivo para tal discriminação é a intenção
do empregador em remunerar de forma diferenciada os trabalhadores
que ocupam os cargos de direção, gerência e liderança, essenciais para o
funcionamento empresarial.
Vale ressaltar que consoante o demonstrativo das importâncias fixadas
mediante acordo coletivo de trabalho a título de PLR, os ocupantes de
cargos de confiança, que naturalmente percebem os maiores salários,
foram beneficiados, proporcionalmente, com valores menores, o que
justifica a decisão de conceder gratificação extraordinária àqueles
trabalhadores que, em razão da sua posição na escala hierárquica, mais
se esforçam para o atingimento das metas.
Assim, não se trata de ato antissindical, mas simples deliberação
empresarial objetivando beneficiar com uma gratificação especial
determinada categoria de empregados, sem qualquer discriminação com
relação aos demais, porque se tratam de categoria distinta - ocupantes de
função de confiança em níveis gerenciais, de supervisão, coordenação e
consultoria.
Mesmo considerando a proximidade entre o pagamento da gratificação
extraordinária e a data-base da categoria, se deve ter em mente que os
ocupantes de funções de confiança representam o empregador,
justificando a pretensão da ré em objetivar a sua satisfação até mesmo
em razão do maior desgaste que porventura viessem a enfrentar durante
as negociações e eventual paralisação.
Observa o Juízo que não há muito tempo apreciou demanda envolvendo
paralisação ocorrida durante as negociações da data-base em que se
provou que os ocupantes de funções de confiança participaram da
equipe de contingência destinada a suprir trabalhadores que aderissem à
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paralisação, sendo razoável presumir que se não tivessem tratamento
diferenciado, talvez não se dispusessem a sacrifícios.
Tratou-se de meio democrático: os trabalhadores, por convocação do
sindicato, procurando forçar a ré a atender suas reivindicações e esta
procurando manter a produção, se valendo dos ocupantes de função de
confiança que, ainda que objetivando manter os seus postos e, por
conseguinte, os benefícios financeiros, envidaram esforços para a
manutenção dos serviços. Não se trata de ato antissindical, mas a
tradicional disputa entre capital e trabalho.
Consoante ensinamento de ANTONIO CELSO BANDEIRA DE
MELLO, há ofensa ao preceito constitucional da isonomia quando:
I - a norma singulariza atual e definitivamente um destinatário
determinado ao invés de abranger uma categoria de pessoas, ou uma
pessoa futura e indeterminada;
II - A norma adota como critério discriminador, para fins de
diferenciação de regimes, elemento não residente nos fatos, situações ou
pessoas por tal modo desequiparadas. É o que ocorre quando pretende
tomar o fator "tempo - que não descansa no objeto - como critério
diferencial;
III - A norma atribui tratamentos jurídicos diferentes em atenção ao
fator de discrímen adotado que, entretanto, não guarda relação de
pertinência lógica com a disparidade de regimes outorgados;
IV - A norma supõe relação de pertinência lógica existente em abstrato,
mas o discrímen estabelecido conduz a efeitos contrapostos ou de
qualquer modo dissonantes dos interesses prestigiados
constitucionalmente;
V - A interpretação da norma extrai dela distinções, discrimens,
desequiparações que não foram professadamente assumidas por ela de
modo claro, ainda que por via implícita. (O Conteúdo Jurídico do
Princípio da Igualdade, Malheiros Editores, SP, 2010, 3ª Ed., 18ª
Tiragem, págs. 47/48).
A se admitir as argumentações do requerente, ao empregador estaria
vedado estabelecer salários ou benefícios distintos para determinados
cargos, ainda que os considere imprescindíveis para a sua atividade
empresarial. Não poderia premiar aqueles que mais se esforçassem e,
presumivelmente, mais contribuíssem para o sucesso do
empreendimento.
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Observe-se que até mesmo no serviço público há normas de incentivo
que resultam em diferenciação remuneratória, como, por exemplo,
determinado adicional salarial para os servidores que concluem
pós-graduação em áreas afins à atividade, pelo princípio de que o maior
conhecimento acadêmico resulta em maior perfeição técnica na
execução das atividades.
Dessarte, desde que a norma não seja restrita a pessoas determinadas,
mas a uma categoria de pessoas, não há discriminação ou violação ao
princípio da igualdade. No exemplo acima haveria violação se a norma
limitasse o benefício aos pós-graduados de determinada instituição ou
área de conhecimento sem vinculação com o serviço.
Em síntese, o princípio da isonomia preceitua que sejam tratadas
igualmente as situações iguais e desigualmente as desiguais, não
havendo mácula no procedimento adotado pela ré, em conceder a
gratificação extraordinária a todos os seus empregados que em julho de
2010 exerciam função de confiança.
Rejeitam-se os pedidos."
Analiso.
É incontroverso, nos autos, que em julho de 2010 a Petrobrás
efetuou, de forma unilateral e por mera liberalidade, o pagamento de gratificação
a todos os empregados ocupantes de cargo de confiança, tendo por base a extraordinária
remuneração recebida por estes.
Os termos da contestação apresentada pela Petrobrás às fls.
108/128 permitem concluir que o pagamento da referida gratificação foi pautado em um
único critério: o exercício da função de confiança.
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Consta da defesa que "a gratificação foi paga integralmente
a todos os ocupantes de cargos de confiança em 01 de julho de 2010, não importando se
exerciam ou não tais funções no ano de 2009, sem guardar relação com a contribuição
(fl. 113). de cada empregado para o lucro da empresa"
Portanto, resta analisar se o critério utilizado pela reclamada
implica a alegada discriminação salarial.
De início, cumpre destacar que a gratificação extraordinária
paga aos ocupantes de cargo de confiança não se confunde com o pagamento de
participação nos lucros e resultados, mormente considerando que esta última foi
negociada mediante acordo coletivo de trabalho e paga a todos os empregados que
estiveram em exercício no ano de 2009, à exceção daqueles dispensados por justa causa
(cláusula 1ª, parágrafo 3º, do ACT de fls. 35/42).
A gratificação extraordinária, por outro lado, não foi
pactuada mediante negociação coletiva e estendeu-se somente aos empregados que, como
já dito, ocupavam cargos de confiança.
Não tenho dúvidas de que é facultado ao empregador
conceder gratificações ou melhorias a determinados empregados, levando em
consideração a complexidade das atividades desenvolvidas. Todavia, mostra-se
indispensável a transparência quanto aos critérios adotados, sob pena de estabelecer
políticas salariais diferenciadas, com o desmerecimento daqueles empregados que
também prestam serviços para a empresa, segundo as metas a serem atingidas, as quais,
por óbvio, demandam esforços de toda equipe.
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Registre-se que, levando em consideração os diversos tipos
de atividades, a empresa reclamada possui uma escala de salários diferenciados, conforme
se observa às fls. 100/101. Consequentemente, qualquer alteração na sistemática de
remuneração precisaria ser explicitada e divulgada a todos os funcionários, até mesmo
por questões éticas, bem como para se evitar descontentamentos e desestímulos, com
reflexos na produção e resultados.
Nesta esteira, SAMUELSON registra: "a discriminação se
alimenta de si própria e induz a certas profecias auto-realizáveis: quando pisoteados por
muito tempo, os membros de todo grupo discriminado começam a demonstrar
menosprezo a si mesmos e dúvidas acerca de suas capacidades potenciais que refletem as
da sociedade dominante que os cerca. Daí, a reprodução das desigualdades decorrentes,
embora sob o fogo cruzado da regras anti-segregação" (ROSSETT, José Paschoal, 1941.
. Introdução à Economia; José Pachoal Rossetti, 20ª ed.. Atlas/2003, p. 285)
Frise-se que no mundo empresarial contemporâneo a
produção é o resultado do esforço coletivo. Os mais diversos setores da empresa e as mais
diversas atividades se desenvolvem dentro de critérios de interdependência; seria, mais ou
menos, uma espécie de vasos comunicantes, indispensáveis e imprescindíveis para o bom
desempenho do empreendimento.
EVARISTO DE MORAES FILHO e ANTONIO CARLOS
FLORES DE MORAES observam: "Como já destacava Goetz-Briefs, outro não é o
objeto da empresa, como um grupo de pessoas, trabalhando em conjunto, sob um plano
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organizado e uma direção unitária, tendo em vista a produção de bens e prestação de
serviços para troca" (MORAES Filho Evaristo de, 1914. Introdução ao direito do trabalho; Evaristo
. de Moraes Filho, Antonio Carlos Flores de Moraes - 5ª ed. revista e atual. LTr/1992, p. 131)
Assim, a política salarial deve ser vista a partir de uma
concepção do ponto de vista humano e ético, e não exclusivamente sob o aspecto
econômico, onde, por vezes, valoriza-se alguns em detrimento de muitos. Todos os
empregados, guardadas as devidas proporções, são importantes, razão pela qual devem
ser valorizados, merecendo, se não idêntico, tratamento assemelhado, já que não se pode
ver o empreendimento produtivo de forma segmentada ou absolutamente verticalizada.
Quanto ao conceito de Justiça, NICOLA ABBAGANANO
anota: "Mesmo a interpretação feita por Kant da definição romana reduz a J. ao respeito
a uma norma já estabelecida: 'Se aquela fórmula fosse traduzida por 'dar a cada um o
que é seu', estaria dizendo, pois não é possível dar a alguém o que já tem. Para ter
sentido devia ser assim expressa: inclui-se numa sociedade em que a cada um possa ser
garantido o que é seu contra qualquer outro'" (Lex justitiae) (ABBAGNANO, Nicola, 1901.
. Dicionário de filosofia; Nicola Abbagnano; tradução Alfredo Bosi - 2ª ed. Martins Fontes/1998, p. 594)
O que se busca, segundo o conceito de justiça apontado e
dentro do critério proporcionalidade, é a garantia, a certeza de que não se deve dar
tratamento tão desigual a ponto de se traduzir em injustiça com aqueles que no dia-a-dia
também são essenciais para se colocar em prática determinada política empresarial.
A igualdade deve ser traduzida como reciprocidade, ou seja,
o que o empresário espera de seu empregado e o que este espera daquele? A empresa:
todos devem engajar-se na busca do resultado. O empregado: segundo o critério da
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proporcionalidade, deseja ver-se inserido nas vantagens salariais e melhorias de emprego
criadas pela empresa.
Quanto ao critério proporcionalidade, oportuno destacar a
lição de GUSTAV RADBRUCH: "A justiça comutativa, sendo a justiça que tem lugar
entre pessoas com igual direitos, pressupõe necessariamente um ato anterior de justiça
distributiva pelo que se reconheceu aos interessados o seu igual direito, a mesma
capacidade de comércio, o mesmo status" ( Filosofia do Direito, 6ª ed. - tradução e prefácios do in
Prof. L. Cabral de Moncada da Universidade de Coimbra Arménio - Amado - Editor, Sucessor - Coimbra -
. 1979 - p. 89)
O que se defende não é a igualdade de tratamento de forma
absoluta, mas que se estenda a todos os empregados, por questões de equidade, ética e
jurídica, igual política salarial, tendo como elemento diferenciador apenas o quantitativo
(valor), a ser observado segundo os níveis de carreira de cada funcionário, já que a
empresa deve ser vista dentro do conceito de unidade, quer quanto à sua organização e
estrutura, quer quanto aos seus fins, sob pena de ofensa ao conceito de justiça distributiva
e com prevalência da concentração de renda e riqueza (não é possível a igualdade
absoluta, no entanto, é preciso diminuir o máximo possível as desigualdades).
GUSTAV RADBRUCH, quanto ao dilema justiça e
equidade, faz alusão a ARISTÓTELES e diz: "E o mesmo ARISTÓTELES sugeriu-nos a
solução deste dilema ao afirmar que a justiça e a equidade não são afinal valores
diferentes, mas caminhos diferentes para chegar ao mesmo único valor jurídico. A justiça
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considera o caso individual no ponto de vista da norma geral; a equidade procura achar
a própria lei do caso individual, para depois a transformar também numa lei geral, visto
. ambas tenderem por natureza, em última análise, para a generalização" ( p. 91) op. cit.
Saliente-se ainda, que o poder potestativo do empregador é
marcado pela discricionariedade e jamais pela arbitrariedade, já que esta não tem lugar
num Estado Democrático de Direito.
No caso, a Petrobrás admite que o único critério utilizado
para diferenciar os contemplados pela gratificação extraordinária dos empregados
que considerou não serem merecedores da referida parcela foi o exercício de função de
confiança.
Ademais, cumpre destacar que não se trata de alteração da
, mas de benesse concedida para apenas um grupo de trabalhadores, uma política salarial
única vez, sem qualquer explicação.
Assim, questiona-se: o que tais empregados teriam feito de
tão extraordinário para receber a tal gratificação?
Nem se diga que a fidúcia especial que lhes é dispensada
autorizaria o tratamento diferenciado que receberam, na medida em que se tratam de
trabalhadores que já recebem remuneração superior, além de gratificação pelo exercício
da função em si.
Afora isso, não há, nos autos, qualquer menção a um
maior engajamento, participação em algum projeto específico ou atuação diferenciada dos
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empregados ocupantes dos cargos mais elevados na empresa, que justifique terem sido
agraciados com a gratificação extraordinária em detrimento dos demais.
É incontestável que determinadas profissões exigem maiores
investimentos que outras; que talentos, habilidades e experiências também contam.
Entretanto, entendo que era ônus da reclamada demonstrar o elemento diferenciador ou
discriminador de forma objetiva, isto é, precisa. Quando não se declina a motivação, é de
se presumir a discriminação, por ferir a possibilidade de acesso às oportunidades e
vantagens.
Entendo que o fato de o artigo 173, § 1º da Constituição da
República prever a sujeição das empresas públicas, sociedades de economia mista e de
suas subsidiárias ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos
direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários (CF, art. 173, § 1º, II),
não obsta a aplicação dos princípios que norteiam a Administração Pública.
Assim sendo, a divulgação de critérios se mostraria
indispensável para dar publicidade e moralidade ao ato, especialmente em se tratando de
vantagem concedida unilateralmente, aparentemente sem qualquer justificativa e sem a
participação da entidade sindical.
Frise-se que, como bem observou o sindicato autor, a
gratificação extraordinária foi criada e concedida aos empregados exercentes de função de
confiança apenas dois meses antes da celebração do Termo Aditivo ao Acordo Coletivo
de Trabalho 2009 (firmado em 28.09.2010).
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Ora, se a empregadora e a entidade sindical estavam às
vésperas da negociação coletiva, por que não incluir a discussão acerca da gratificação
extraordinária entre os temas a serem assentados no ACT?
A impressão que se tem é que de que a reclamada criou uma
gratificação extraordinária sem que houvesse uma reflexão profunda sobre o assunto, sem
divulgar a questão perante os demais empregados e às esconsas da entidade sindical, o
que é de todo reprovável.
Os fatos narrados na sentença, referentes à participação dos
ocupantes de cargo de confiança em equipe de contingência destinada a suprir
trabalhadores durante eventual paralisação decorrente das negociações sindicais
curiosamente não foi lembrada pela empregadora como motivo justificador do pagamento
da gratificação extraordinária.
A Petrobrás limita-se à singela alegação de que o critério de
pagamento eleito - todos os empregados exercentes de função de confiança - seria
suficiente, por si só, para legitimar a discriminação, com o que não posso concordar.
Com efeito, a gratificação em discussão, deveria ser
concedida, proporcionalmente, segundo o Plano de Cargos e Salários, a todos
os empregados da empresa, já que, de uma forma ou de outra, estavam envolvidos na
consecução dos objetivos propostos.
Por todo o exposto, , para condenar a reformo  a  sentença
reclamada ao pagamento da gratificação extraordinária a todos os empregados
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substituídos processualmente pelo sindicato autor e que não foram beneficiados com a
parcela em julho de 2010, cujo contrato de trabalho estava em vigor na referida data,
observada a base territorial da entidade sindical.
Considerando que não houve impugnação específica ao
critério de cálculo informado na petição inicial, estabeleço que a gratificação
extraordinária equivale a 60% sobre o valor total da remuneração referente a julho de
2010, devidamente corrigida, o que abrange todas as parcelas de natureza salarial
constantes do demonstrativo de pagamento referente ao mês em questão.
Conforme constou da sentença, por óbvio que rubricas como
gratificação de função gerencial e complemento de remuneração mínima gerencial não
integrarão ao base de cálculo da parcela, pois é incontroverso, nos autos, que os
empregados que não foram agraciados pelo benefício em questão não exerciam função de
confiança.
Nos termos do art. 457, § 1º, da CLT, as gratificações
ajustadas também integram o salário, no entanto não há que se falar em incidência de
reflexos, ante a ausência de habitualidade.
Em atenção à fundamentação expendida pelo sindicato autor
em suas razões recursais, observo que, nos termos do art. 8º, inciso III, da Constituição
Federal, o sindicato representa a categoria profissional de forma ampla,
independentemente de autorização individual dos trabalhadores ou de apresentação de rol
de substituídos. Ou seja, a Constituição Federal não condiciona a propositura da ação à
apresentação de rol de substituídos.
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Destarte, tratando-se de direito individual homogêneo, a
partir da origem comum dos interesses dos substituídos, a identificação dos empregados
beneficiados pelo julgado se dará por ocasião da fase de liquidação.
Ante a omissão da CLT no que tange à execução de
sentenças proferidas em sede de ação coletiva, devem ser aplicadas as regras da Lei
8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor) - que contém normas gerais sobre a
defesa de direitos e interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos -, as quais são
compatíveis com os princípios do direito do trabalho (CLT, art. 8º, parágrafo único).
JUSTIÇA GRATUITA
Insurge-se o sindicato-autor contra a sentença que indeferiu
o pedido de concessão do benefício da justiça gratuita, ao argumento de que atua em
nome dos empregados substituídos, os quais sustenta que não teriam condições de
demandar em juízo, sem prejuízo de seu sustento e de seus familiares.
Consta da sentença recorrida:
"No Processo do Trabalho, a assistência judiciária gratuita é prevista,
atualmente, pelo parágrafo 3 o, do artigo 790 da CLT, alterado pela Lei
10.537, de 27-8-2002, que fixa os requisitos para aplicação excepcional
do princípio da sucumbência e o direito à isenção de custas, nesta
Justiça Especializada, assim expressando:
'É facultado aos Juízes, órgãos julgadores e presidentes dos tribunais do
trabalho de qualquer instância conceder, a requerimento ou de ofício, o
benefício da justiça gratuita, inclusive quanto a traslados e instrumentos,
àqueles que perceberem salário igual ou inferior ao dobro do mínimo
legal, ou declararem, sob as penas da lei, que não estão em condições de
pagar as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua
família'.
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Presume-se pobre aquele que perceba até dois salários mínimos ou
declare, de próprio punho, não dispor de condições econômicas para
demandar sem prejuízo do sustento próprio ou da família. Neste caso,
independentemente de estar assistido pelo respectivo sindicato, aplica-se
a sucumbência, usualmente inexistente no Processo do Trabalho.
Além de os substituídos perceberem remuneração superior ao dobro do
salário mínimo, não apresentam declaração de próprio punho, de que
não dispõem de condições econômicas para demandar, não
preenchendo, por conseguinte, os requisitos para a concessão da
assistência judiciária gratuita.
Incabível a aplicação do Código Civil, ante a existência de regra própria
no Processo do Trabalho.
Rejeita-se."
Merece reforma.
Os benefícios da justiça gratuita têm lugar nos casos em que
o interessado, pessoalmente ou por meio de procurador (OJ 304 da SDI-I do C. TST),
declare não ter condições de pagar as custas e demais despesas processuais, sem prejuízo
do sustento próprio ou da família (Lei n.º 5.584/1970 e Lei n.º 1.060/1950).
O artigo 790, § 3º, da CLT, determina que "É facultado aos
juízes, órgão julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho de qualquer instância
conceder, a requerimento ou de ofício, os benefícios da justiça gratuita àqueles que
perceberem salário igual ou inferior ao dobro do mínimo legal, ou declararem, sob as
penas da lei, que não estão em condições de pagar as custas do processo sem prejuízo do
sustento próprio ou de sua família".
No caso, o sindicato autor declarou, na petição inicial, a
insuficiência de recursos financeiros dos empregados substituídos (fl. 14), presumindo-se
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pois, a insuficiência econômica, não tendo sido produzida nenhuma prova capaz de elidir
tal presunção de veracidade.
Saliente-se que, consoante orienta a OJ nº 331 da SDI-1 do
C. TST, é "desnecessária a outorga de poderes especiais ao patrono da causa para
firmar declaração de insuficiência econômica, destinada à concessão dos benefícios da
justiça gratuita".
Ademais, a assistência judiciária é uma das garantias
constitucionais viabilizadoras do direito de acesso à justiça, daí ser dever do Estado
deferi-la, sempre que a parte, mediante simples afirmação, declarar que não se encontra
em condições de pagar as custas do processo.
Nesta esteira, já decidiu o C. TST:
"[...] 2. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS ASSISTENCIAIS. EXTENSÃO
AO SINDICATO SUBSTITUTO PROCESSUAL. POSSIBILIDADE. A
qualidade de substituto processual do sindicato, por si só, não afasta a
possibilidade de condenação ao pagamento de honorários advocatícios,
por atender ao requisito da assistência judiciária gratuita sindical (a
substituição, como se sabe, é um plus sobre a mera representação).
Configurado também o segundo requisito (substituídos com necessidade
econômica que comprometa sua postulação judicial própria), incide a
parcela classicamente adotada pela ordem jurídica (Lei 5.584/70;
Súmula 219/TST). No presente caso, o Regional não nega a existência
de declaração do estado de insuficiência econômica dos substituídos na
forma exigida no art. 14, § 1º, da Lei 5.584/70, nas Súmulas 219 e 329 e
na OJ 305 da SBDI-1, todas do TST. O pedido foi indeferido apenas por
entender aquele Dt. Colegiado que, na condição de substituto
processual, não cabe ao Sindicato invocar o estado de miserabilidade
dos empregados substituídos para efeito de se ver agraciado com o
benefício da gratuidade da justiça e os honorários advocatícios.
Portanto, preenchidos os requisitos para concessão dos honorários
advocatícios, nos termos das Súmulas 219 e 329/TST. Recurso de
revista conhecido e provido no aspecto. "
(RR-117740-64.2007.5.05.0035, Relator Ministro: Mauricio Godinho
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Delgado, Data de Julgamento: 07.12.2010, 6ª Turma, Data de
Publicação: 17.12.2010)
Destarte, , para conceder ao sindicato reformo  a  sentença
autor (substituto processual), os benefícios da justiça gratuita.
HONORÁRIOS
De acordo com a nova redação da Súmula nº 219 do C. TST,
são devidos honorários advocatícios nas causas em que o ente sindical figure como
substituto processual (Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011):
"SÚMULA 219. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. HIPÓTESE DE
CABIMENTO.
I - Na Justiça do Trabalho, a condenação ao pagamento de honorários
advocatícios, nunca superiores a 15% (quinze por cento), não decorre
pura e simplesmente da sucumbência, devendo a parte estar assistida
por sindicato da categoria profissional e comprovar a percepção de
salário inferior ao dobro do salário mínimo ou encontrar-se em
situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo do
próprio sustento ou da respectiva família.
II - É cabível a condenação ao pagamento de honorários advocatícios
em ação rescisória no processo trabalhista.
III - São devidos os honorários advocatícios nas causas em que o ente
sindical figure como substituto processual e nas lides que não derivem
." da relação de emprego (destaquei)
Desse modo, , para condenar a reformo  a  sentença
reclamada ao pagamento de honorários advocatícios, no importe de 15% sobre o valor
líquido da condenação (OJ 348/SDI-1/TST).
JUROS DE MORA, CORREÇÃO MONETÁRIA,
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E IMPOSTO
DE RENDA
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Em razão do acolhimento parcial da pretensão recursal,
impõe-se estabelecer os seguintes critérios de incidência de juros de mora, correção
monetária, contribuições previdenciárias e imposto de renda.
Juros de mora a partir do ajuizamento da ação (artigo 883 da
CLT e artigo 39 da Lei 8.177/1991) e correção monetária na forma da lei, observando-se
os fatores de atualização monetária previstos na tabela expedida pela Assessoria
Econômica do E. TRT, devendo ser utilizados aqueles do mês em que se tornou exigível a
parcela (ou seja, julho de 2010).
Os recolhimentos previdenciários são devidos por ambas as
partes (art. 195, incisos I e II da Constituição Federal e art. 11 da Lei nº 8.212/1991) e
deverão ser apurados pelo regime de competência (mês a mês), observadas as verbas de
natureza salarial que integram o salário-de-contribuição, as tabelas e alíquotas vigentes às
épocas próprias. Deverá a reclamada proceder ao recolhimento da quota-parte que
incumbe aos trabalhadores, autorizada a dedução do crédito ora reconhecido.
O imposto de renda deve ser apurado na forma prevista no
art. 12-A da Lei 7.713/1988, acrescido pelo art. 44 da Lei 12.350/2010, excluindo-se,
ressalvado o posicionamento deste Relator, os juros de mora da base de cálculo do
imposto.
Por todo o exposto, ao DOU  PROVIMENTO  PARCIAL
recurso ordinário do sindicato autor, para: a) condenar a reclamada PETROBRÁS S.A.
ao pagamento da gratificação extraordinária a todos os empregados substituídos
processualmente pelo sindicato autor, e que não foram beneficiados com a parcela em
julho de 2010, cujo contrato de trabalho estava em vigor na referida data, observada a
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base territorial da entidade sindical; b) conceder ao sindicato autor os benefícios da justiça
gratuita.; c) condenar a reclamada ao pagamento de honorários advocatícios, no importe
de 15% sobre o valor líquido da condenação (OJ 348/SDI-1/TST); e d) estabelecer
critérios de incidência de juros de mora, correção monetária, contribuições
previdenciárias e imposto de renda.
III. CONCLUSÃO
Pelo que,
ACORDAM os Desembargadores da 7ª Turma do Tribunal
Regional do Trabalho da 9ª Região, por unanimidade de votos, CONHECER
Por igual votação, DO  RECURSO ORDINÁRIO DO SINDICATO AUTOR. NÃO
das contrarrazões, porque intempestivas.  CONHECER No mérito, por maioria de votos,
vencido parcialmente o Desembargador Tobias de Macedo Filho, DAR-LHE
, para, nos termos da fundamentação: a) condenar a PROVIMENTO PARCIAL
reclamada    ao pagamento da gratificação extraordinária a todos os PETROBRÁS S.A.
empregados substituídos processualmente pelo sindicato autor, e que não foram
beneficiados com a parcela em julho de 2010, cujo contrato de trabalho estava em vigor
na referida data, observada a base territorial da entidade sindical; b) conceder ao sindicato
autor os benefícios da justiça gratuita; c) condenar a reclamada ao pagamento de
honorários advocatícios, no importe de 15% sobre o valor líquido da condenação (OJ
348/SDI-1/TST); e d) estabelecer critérios de incidência de juros de mora, correção
monetária, contribuições previdenciárias e imposto de renda.
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Custas invertidas, no montante de R$ 2.000,00 (dois mil
reais), calculadas sobre o valor que provisoriamente se arbitra à condenação, de R$
100.000,00 (cem mil reais).
Intimem-se.
Curitiba, 03 de julho de 2012.

BENEDITO XAVIER DA SILVA
RELATOR

rbr
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