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CAMPUS CATALÃO

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
OBRAS DE TERRA
Tópico:
Introdução ao Estudo das Obras de Terra
Revisão Básica de Mec. dos Solos
1
Desenho Técnico I - Prof. John Eloi – profjohneloi@gmail.com
Desenho Técnico I - Prof. John Eloi
2
Conteúdo da Aula
Apresentação da Disciplina
(ementa, programa, regras...)
Obras de Terra
Conceito e suas formas
Ilustração de Exemplos
Revisão básica dos conceitos de Mecânica dos Solos
Tensões Totais e Efetivas em maciços de solo
Círculo de Mohr
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3
Obras de Terra
Conceito
Toda e qualquer estrutura civil que utiliza o solo como elemento
construtivo e funcional;
Solo pode ser natural ou alterado artificialmente
Tipos de Obras de Terra
Barragens de Terra e de Enrocamentos
Taludes: Urbanos, Rodoviários e Encostas Naturais
Contenções
Muros de Arrimo
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Exemplo de Obras de Terra
Barragens de Terra
Exemplo Itaipu – Binacional
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Exemplo Barragem Itaipu
Barragem
de Terra a
Esquerda
Barragem
de Terra a
Direita
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Exemplo de Obras de Terra
Barragens de Terra
Exemplo Itaipu – Binacional
Barragem de terra da margem direita
Escavação em terra 23.628 x 10³ m³
Escavação em rocha 31.963 x 10³ m³
Escavação submersa 858 x 10³ m³
Escavação subterrânea 33 x 10³ m³
Argila compactada 6.482 x 10³ m³
Enrocamento 15.000 x 10³ m³
Concreto e Estrutural com
refrigeração
12.600.000 m³ ou 31.500.000 t
Concreto compactado a rolo 25 x 10³ m³
Cimento 2.516.104 t ou 2.516 x 106 kg
Aço 481.074 t
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Exemplo de Obras de Terra
Barragens
Barragens de Terra
Exemplo Itaipu – Binacional
Barragem terra direita
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Exemplo de Obras de Terra
Barragem de Enrocamento – Seção Típica
Seção típica de barragem de enrocamento com núcleo de argila vertical (Assis, 2002)
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Obras de Terra
Contenções
Cortinas Atirantadas e Estacas
Justapostas
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Contenções em Estacas Cravadas e Estroncadas
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Obras de Terra
Muros de Arrimo
Muros de Arrimo em Contrafortes
Exemplo Contrafortes
(Molieterno, 1980)
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Terra Armada
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Solo Reforçado com Geossintéticos
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Obras de Terra
Contenção em Solo Reforçado
Asa Sul – 702 – Brasília/DF – Canova Engenharia
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Obras de Terra
Contenção em Solo Reforçado
Asa Sul – 702 – Brasília/DF – Canova Engenharia
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Túneis
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Travessia da Baía de Tóquio
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Pavimentação – Relação com Obras de Terra
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Definição de Solo
Pontos de Vista Diferentes para:
Engenharia Civil
Massa constituída de partículas sólidas, gases e
líquido
Geologia
Material originado pelo intemperismo
(deterioração com o tempo) das rochas, por
ações mecânicas e químicas,
Agronomia
O Solo é um conjunto de materiais minerais,
contem matéria orgânica, água e ar
normalmente localizados a superfície da terra
devido à atividade biológica e a capacidade de
suportar a vida das plantas. (Wikipedia
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Intemperismo
Químico
Físico
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Ciclo das
Rochas
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Ígneas
Granito,
basalto
Basalto
Granito
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Sedimentares
Calcário
Arenito
Varvito com seixos pingados
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Ígneas
Granito,
basalto
Metamórficas
Sedimentares
Calcário
Filito
Mármore
Granito
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Intemperismo
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Solos Residuais
+
+
Colúvio
Solo residual maduro
Solo residual jovem
Saprólito
Solos Transportados
- Glaciais: transporte e
deposição de geleiras;
- Aluviais: tranportados
por água corrente e
depositados
- Coluviais: movimento de
solo por gravidade,
deslizamento.
- Eólicos: transportados e
depositados pelo vento.
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Classificação Genética dos Solos
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Fatores Influentes na Formação dos Solos
- Tipo de rocha;
- Vegetação;
- Relevo;
- Clima
Climas Úmidos e Quentes
Abundância de água
Intemperismo Químico > Intemperismo
Físico
pH Baixo
Grande desenvolvimento de vegetação
Abundância de minerais alterados
Cores avermelhadas
Climas Quentes e Secos
Evaporação >Precipitação
Cristalização de sais
pH Alcalino
Intemperismo Físico > Intemperismo
Químico
Abundância de minerais inalterados
Climas Temperados
Reações químicas retardadas
Acumulação de matéria orgânica
Produção de ácidos orgânicos
Cores acinzentadas
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Escala granulométrica
Comportamento
ATRITO
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Solos Finos
Gibsita
Gibsita
Sílica
Sílica
Gibsita
Gibsita
Sílica
Sílica
Sílica
Sílica
Gibsita
Gibsita
Sílica
Sílica
Sílica
Sílica
Potássio
Caulinita
Ilita
Montmorilonita
Ligações químicas e físicas Forças
Coesivas Coesão combinada com
atrito interno entre partículas!
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Resumo Índices Físicos do Solo
Vv = volume de vazios
Va = volume de ar
Vw = volume de água
Vs = volume das partículas
sólidas
V = Volume total da amostra
Ma = massa de ar
Mw = massa da água
Ms = massa das partículas de
solo
M = massa total da amostra
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Granulometria dos Solos
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 100
Diâmetro dos grãos (mm)
%

q
u
e

p
a
s
s
a
c
A
B
PENEIRAMENTO
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Granulometria dos Solos
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Sedimentação
Densímetro
- Densidade da suspensão
- Profundidade
Textura
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 100
Diâmetro dos grãos (mm)
%

q
u
e

p
a
s
s
a
c
A
B
Forma da curva:
A – Contínua
B – Uniforme
C – Descontínua
Desuniforme /Bem graduada
Uniforme / Mau graduado Descontínua (aberta)
Solos Grossos
Solos finos
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Estrutura
Solos Grossos
Solos finos
Compacta
Fofa
Compacta
Dispersa
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Desenho Técnico I - Prof. John Eloi
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Tensões no Solo
Tensões Geostáticas
Tensão Total -
Poro-pressão –
Tensão Efetiva –
σ
u
´ σ
Tensões no Solo
O comportamento do solo quando submetido a carregamento pode ser melhor
visualizado, quando se imagina o solo composto por 3 fases físicas:
-sólidos
-líquido
-gasoso
Altas tensões nos contatos;
Tensões resultantes de duas
parcelas T e N.
Aimpossibilidade de se
determinar áreas e forças leva
a uma simplificação: tensões em
um meio contínuo.
N
F
T
N
F
T
N
F
T
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Tensões no Solo
O somatório das componentes normais ao plano,
dividida pela área total que abrange as partículas
que estão em contato, é definida como tensão
normal, dada por:
A somatória das forças tangenciais, dividida pela
área, é denominada tensão cisalhante, dada por:
área
T Σ
= τ
área
N Σ
= σ
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Tensões Geostáticas
h
A
Tensões
geostáticas
carregamento externo
Pressão neutra
γ
γ γ
σ ⋅ =
⋅ ⋅
=

= = h
A
h A
A
V
A
N
Exemplo 1 Calcular as tensões no
perfil de solo abaixo:
3
/ 16 m kN = γ
3
/ 21 m kN = γ
NT
0
-3m
-7m
ܰ = peso do elemento solo; γ = peso espec. do solo
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Poropressão
h
w
A
Tensões na água
Poropressão
Pressão Neutra
w w
h u γ ⋅ =
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Tensões Efetivas
Terzarghi identificou que a tensão normal total num plano
qualquer deve ser considerada como a soma de duas parcelas:
Tensão transmitida pelos contatos entre partículas, chamada tensão efetiva
(σʹ ou )
Pressão da água denominada pressão neutra ou poropressão.
o A partir dessa constatação Terzarghi enunciou o Princípio das Tensões
Efetivas
OBS.:
Todos os efeitos resultantes de variações de tensões no solo (compressão, distorção e
resistência ao cisalhamento) são devidos a variações de tensão efetiva.
σ
u − =σ σ
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Conceito de Tensão Efetiva
1- Repouso – Com água até a superfície superior da esponja as tensões resultam do
peso da esponja e da pressão da água.
2- Aumento efetivo de tensão - Com a ação do peso sobre a esponja as tensões no
seu interior são majoradas, haverá uma deformação e uma expulsão de água do seu
interior.
3- Aumento neutro de pressão - Com o aumento do nível de água as tensões no
interior da esponja também aumentam porém a esponja não se deforma.
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Exemplo 2 Calcular as tensões efetivas no perfil de solo
abaixo:
3
/ 19 m kN = γ
3
/ 16 m kN = γ
NT
0
-3m
-7m
3
/ 21 m kN = γ Pedregulho
Areia fina
Argila mole
-10m
NA
-1m
Qual é a tensão efetiva no nível 5m?
Qual a tensão efetiva a uma profundidade de 9,5m?
Qual a poropressão no nível 7m?
Qual é a tensão total no nível 8m?
Exercício
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Ação da água capilar no solo
A água apresenta comportamento diferenciado em função da
superfície na qual ela está em contato.
Tensão Superficial – diferença de pressão na interface água-
ar, que causa diferença de tensões que é equilibrada pela
resultante da tensão superficial
Fenômeno da ascensão em tubos capilares
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A altura da ascensão capilar
(considerando a superfície de
contato sendo vidro e estando
limpa e o fluido ser água) pode
ser determinada da seguinte
forma:
Peso de água num tubo com raio r e
altura de ascensão capilar h
c:
Ascenção capilar
ω
γ π ⋅ ⋅ ⋅ =
c
h r P
2
Considerando a tensão superficial T atuando em toda
superfície de contato:
Igualando as duas equações, temos que:
T r F ⋅ ⋅ = π 2
ω
γ ⋅

=
r
T
h
c
2
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Exemplo – Ascenção Capilar
A tensão superficial da água, a 20º C, é de 0,073
N/m
2
. Pela equação apresentada, conclui-se que,
em tubos com 1 mm de diâmetro, a altura de
ascensão é de 3 cm. Para 0,1 mm, 30 cm; para
0,01 mm, 3 m.
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Capilaridade nos Solos
Da mesma forma que nos tubos capilares, a água nos vazios do
solo, na faixa acima do nível d’água, mas com ele comunicando,
está sob uma pressão abaixo da pressão atmosférica.
A altura de ascensão capilar depende do tamanho dos vazios do
solo e pode chegar a até 10m em argilas
Pressão nos pontos:
A: P
atm
B e C:
D:
E:
F:
Tensão Superficial?
z P
atm
⋅ +
ω
γ
atm
P
) (
ω
γ ⋅ −
c atm
h P
atm
P
Capilaridade nos Solos
Perfis de ascensão capilar
A partir do solo seco
A partir do solo saturado
A situação da água capilar no solo
depende do histórico do depósito.
• Solo seco – h
c
depende do tamanho
das partículas, e de seus dos vazios.
• Solo saturado – com o rebaixamento
do nível freático.
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Meniscos capilares independentes do nível d’água
Água não se comunica com o
lençol freático;
Ex.: umidade entre placas de
vidro;
Coesão aparente – seca ou
saturada as areias perdem esta
parcela de resistência;
Nas argilas levam a elevadas
pressões , o que é parcela
importante da resistência.
(Estabilidade de taludes e
escavações)
Tensão de sucção – estudo da
mecânica dos solos não saturados
Partícula 1
Partícula 2
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Exemplos
Um terreno é constituído de uma camada de areia fina fofa, com
γ
n
=17kN/m
3
, com 3m de espessura, acima de uma camada de
areia compacta com γ
n
=19kN/m
3
, e espessura de 4m, apoiada
sobre um solo de alteração de rocha. O nível freático encontra a
1m de profundidade. Calcule as tensões verticais no contato areia
grossa e o solo de alteração, a 7m de profundidade.
Se ocorrer uma enchente no terreno do exercício anterior que
eleve o nível de água até a cota +2m acima do terreno, quais
seriam as tensões no contato areia grossa e o solo de
alteração? Compare os resultados.
Nesse mesmo terreno dos exercícios anteriores determine as
tensões na profundidade de 0,5m, considerando que a areia
está saturada por capilaridade.
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