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Nilson de Oliveira Melo Neto

O DÌREÌTO AUTORAL NO ÂMBÌTO DA ÌNTERNET:
A Amplitude da Divulgação da Obra em face do Controle da Distribuição
Recife
2005
UNÌVERSÌDADE CATÓLÌCA DE PERNAMBUCO
CENTRO DE CÌÊNCÌAS SOCÌAÌS
DEPARTAMENTO DE CÌÊNCÌAS JURÍDÌCAS
CURSO DE DÌREÌTO
O DÌREÌTO AUTORAL NO ÂMBÌTO DA ÌNTERNET:
A Amplitude da Divulgação da Obra em face do Controle da Distribuição
Nilson de Oliveira Melo Neto
Orientadora: Prof. Dra. Maura Gomes de Souza
Recife
2005
Nilson de Oliveira Melo Neto
O DÌREÌTO AUTORAL NO ÂMBÌTO DA ÌNTERNET:
A Amplitude da Divulgação da Obra em face do Controle da Distribuição
Orientadora: Prof. Dra. Maura Gomes de Souza
Recife
2005
Monografia de conclusão do curso de
Bacharelado em Direito, com o objetivo de
esclarecer sobre a adequação da legislação
atual referente a direito autoral no que
concerne, especificamente ao seu uso
perante a rede mundial de computadores,
denominada internet, visando apresentar o
conflito entre a amplitude proporcionada por
este meio à divulgação pelos autores de
suas obras e a dificuldade destes autores de
obterem seus direitos autorais.
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo apresentar as duas faces da divulgação de
obra intelectual através da rede mundial de computadores, denominada
internet. Ao mesmo tempo em que a internet é uma poderosa aliada do autor
no que tange à divulgação de sua obra, pois, com os computadores de todo
mundo interligados, em poucos segundos uma música, por exemplo, é
transmitida de um ponto a outro do mundo a custo baixíssimo, podendo este
arquivo ser reenviado a outro usuário com a mesma facilidade e preservando-
se todas as qualidades do original. Artistas obtêm assim um meio rápido, fácil e
de acesso universal de divulgar seu trabalho, seja ele uma música, uma
fotografia, um filme, ou até mesmo um livro, dentre outros. Contudo, essa
facilidade de passar adiante uma obra dificulta o controle das cópias, e
conseqüentemente, inviabiliza o pagamento de direito autoral pela cópia. A
pesquisa é feita baseada em literatura a respeito do tema direito autoral de
forma geral, bem como estudos sobre o direito e à internet e ainda textos
específicos sobre o tema do direito autoral no âmbito da internet recolhida de
bibliografia tradicional e textos oriundos da internet. No decorrer do trabalho foi
visto que a legislação, em especial a brasileira, foi formulada de modo a conter
as inovações tecnológicas como a internet de modo que obras disponibilizadas
na rede não ficassem desprotegidas, se sujeitando às normas em geral sobre
direito autoral, contudo, essa proteção não impede que os arquivos contendo
as obras do autor sejam repassados nem estabelecem meios de controle do
número de exemplares dessas obras, tornando-se ineficientes no geral. Com
isso observa-se a necessidade de nova regulamentação, que se refira
especificamente aos arquivos de computador em formato digital criando
mecanismos técnicos de controle de cópias. Algumas tentativas de controle de
cópias aconteceram, porém os usuários de internet sempre descobrem uma
maneira de desarmar a proteção, para permitir a distribuição sem controle. A
proteção contra cópias, entretanto, não é derivada de lei, mas simples ato de
empresas que visam inibir a produção de cópias não autorizadas. A lei deve,
contudo, criar mecanismos que punam quem quebrar essas proteções. Nesse
ponto o legislador brasileiro, seguindo preceitos de convenções e tratados
internacionais, prima pela segurança jurídica dos direitos autorais com normas
que prevêem inclusive a proteção em tecnologias que venham a ser criadas e
penas para quem quebrar códigos de proteção. Muito embora as leis existam, a
falta de fiscalização contribui para que criminosos fiquem impunes e quem
perde com isso é o autor, e a sociedade, pois se o autor não recebe
corretamente seus direitos autorais se desestimula e não produz, e sem
produção artística a sociedade como um todo fica mais pobre.
Palavras-Chave
1) Título 2)Direito Autoral 3)Direito e Ìnternet
Sumário
RESUMO
SUMÁRÌO
ÌNTRODUÇÃO
1. Evolução Histórica do Direito Autoral
1.1. A Origem da Propriedade sobre o bem intelectual
1.2. A Evolução do Direito do Autor no Mundo
1.3. O Direito Autoral no âmbito Nacional
2. Controle da Propriedade Ìntelectual
2.1. O Bem Ìmaterial e sua Distribuição
2.2. O Controle da Propriedade Ìntelectual no Brasil.
2.2.1. O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição
2.2.2. Da Arrecadação e Distribuição
2.3. A Reprodução Ìlegal de Obras Ìntelectuais ÷ A Pirataria
3. Direitos Autorais e a Ìnternet.
3.1. A Distribuição da Obra Ìntelectual na Ìnternet
3.1.1. Meios de Distribuição na Ìnternet
3.1.2. O Controle de Cópias na Ìnternet
3.2. A adequação das Leis do Direito Autoral à Ìnternet
3.2.1. Adequação de Lei Atual à Ìnternet.
3.2.2. A Concessão de Direitos Autorais ÷ A Licença Creative Commons
3.2.3. A Distribuição Ìlimitada e a Proteção ao Direito Autoral.
CONCLUSÕES
REFERÊNCÌAS
ANEXOS
- SÌGLAS
- GLOSSÁRÌO
Introdução
Os avanços da tecnologia vêm cada vez mais proporcionar um alcance
maior no acesso às informações. O advento da internet possibilitou a qualquer
indivíduo expor seus trabalhos na rede para que o mundo inteiro tenha acesso
de maneira rápida e fácil. Músicos, cineastas, escritores, desenvolvedores de
softwares, dentre tantos outros autores intelectuais, utilizam a grande rede para
dar publicidade às suas obras com um baixo custo de divulgação e assim
poder mostrar seu trabalho em busca do reconhecimento por parte da massa
consumidora. Um dilema, entretanto, permeia esse universo de distribuição
barata para um número muito grande de pessoas: Como controlar a
distribuição das obras intelectuais na internet? Como obter a devida
recompensa pelo árduo trabalho de criação? Essas dúvidas é que levam o
autor a temer a divulgação de abrangência quase imensurável que a internet
proporciona, o medo de ter sua obra distribuída sem controle, ou até mesmo
usurpada por outrem que obteve a obra através da internet e passa a distribuí-
la a terceiros como sua. Para que haja um controle efetivo é necessário
adequar a legislação vigente às nuances da era digital e impossíveis de serem
previstas nos tempos pré-internet.
Este trabalho se destina a traçar as vantagens e os riscos da distribuição
de obras intelectuais na internet. Tentar-se-á mostrar as vantagens de um autor
de obra intelectual divulgar seu trabalho, seja este um filme, um romance, uma
música, uma peça publicitária ou um programa de computador, através da
internet, por meio de compartilhamento de arquivos entre usuários ou através
de websites. Em contrapartida serão abordados os riscos que corre o mesmo
autor de ter sua obra distribuída, executada ou manipulada sem o seu
consentimento, criando-se novas obras a partir daquelas preexistentes ou até
mesmo de ver sua obra sendo distribuída por outrem como sendo de autoria
deste.
É intenção desta monografia elucidar algumas questões suscitadas
sobre controle e distribuição dos Direitos Ìntelectuais no âmbito da Internet e
como adequar a Legislação vigente no Brasil e no âmbito internacional com a
nova tecnologia de compartilhamento na rede, sabendo que é esta posterior à
criação da maioria das leis pertinentes ao Direito Autoral, porque mesmo com
as previsões da atual Lei de Direitos Autorais brasileira, a Lei n.º 9.610 de
19/02/1998, sobre a proteção das obras intelctuais "expressas por qualquer
meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que
se invente no futuro¨
(1)
existem nuances na internet que só podem ser
solucionadas com uma regulamentação específica. No caso do Brasil será
explicitada a forma de controle e arrecadação da distribuição de obras
intelectuais através do ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição)
e como este poderá se adequar à realidade da Ìnternet.
Para uma melhor compreensão do assunto será apresentado um breve
delineamento histórico da evolução do Direito do Autor desde a pré-história do
Direito Autoral com as normas morais de respeito ao autor da obra intelectual
até as mais modernas leis e tratados sobre o tema, passando pela "criação¨ do
copyright e dos royalties. O trabalho prossegue tratando de como é feito o
controle da arrecadação e distribuição de obras intelectuais, enfatizando-se o
caso do Brasil. Em seguida serão mostradas as vantagens de se distribuir a
obra intelectual na internet e os riscos que correm os autores ao divulgar seus
trabalhos na rede, tanto o Brasil quanto a realidade mundial serão abordados.
Por fim tentar-se-á apresentar soluções para a otimizar a validade do direito
autoral, preservando os direitos autorais tanto na esfera patrimonial como na
moral, no âmbito da rede mundial de computadores - internet
Para a produção do presente trabalho foi utilizada a literatura pertinente
ao tema, tanto a tradicional, através de livros e artigos de jornais e revistas
como a consulta aos mais variados websites que tratam do tema.
Trata-se de um tema ainda pouco explorado e por isso de pouca
literatura a respeito, o que torna este projeto ao mesmo tempo árduo e
interessante, visto que abre um imenso leque a respeito dos rumos que podem
ser tomados no sentido da proteção ao autor no âmbito eletrônico. Apesar de,
regra geral, a interpretação da Lei se adaptar ao surgimento de novas
tecnologias, como é o caso da internet, sempre haverá lacunas a serem
preenchidas, pois nem tudo prevê a Lei. Como não pôde prever o
compartilhamento direto entre usuários. Como fará a Lei para controlar tais
ações? Várias podem ser as soluções apresentadas, mas em maior número
estarão os meios de burlá-las.
Neste sentido, de buscar uma proteção efetiva para os autores que
vêem na internet um meio de sair do anonimato, podendo por si bancar a
divulgação de suas obras, é que se guia esta monografia. Buscando, através
da interdisciplinaridade de diversas áreas do Direito e a Ìnformática soluções
conciliatórias para que os artistas divulguem suas obras, os consumidores
destas obras tenham acesso, pagando menos por isto e que ainda assim
fomente a produção de novas obras, o que poderia não ocorrer caso não se
remunerasse devidamente os titulares dos direitos.
Evolução Histórica do Direito Autoral
1.1. A Origem da ro!riedade so"re o #em Intelectual
O Direito Autoral, ensina Carlos Alberto Bittar é "o ramo do Direito
Privado que regula as relações jurídicas advindas da criação e da utilização
econômica de obras intelectuais estéticas e compreendidas na literatura, nas
artes e nas ciências¨
1
entretanto este ramo do direito tal como o conhecemos
hoje, é de recente criação, uma "invenção¨ da modernidade, nenhum autor
antigo ou medieval sabia da existência dos Direitos Autorais, apesar de autores
hoje consagrados como Shakespeare e Molière receberem compensações
financeiras pelas peças que produziram, estas recompensas tinham natureza
de pagamento pelas obras encomendadas, não subsistindo a noção de
propriedade imaterial da obra.
A primeira noção de propriedade sobre um bem derivado de criação de
espírito remete a Roma, entretanto o reconhecimento pela produção daquela
obra era todo o mérito que recebia o autor, cabendo aos copistas a
remuneração pelo trabalho de copiar as obras para que fossem lidas por um
maior número de pessoas. Aos autores restava apenas a sanção moral, de
repúdio pela sociedade caso alguém se apresentasse como autor da obra de
outrem. Afirma Eduardo J. Vieira Manso que "ainda que sem efeitos jurídicos
patrimoniais, nem pessoais (como a prisão, por exemplo), já se considerava um
verdadeiro ladrão quem apresentasse como sua a obra de outrem¨
2
sendo
denominado de plagiarus quem o fizesse comparando o contrafator com quem
cometia o furto de pessoas livres, definido como plagium por uma lei do
1
BÌTTAR, Carlos Alberto. DIREITO DE AUTOR. 3.ª ed. São Paulo: Forense Universitária, 2001.
p.08.
2
MANSO, Eduardo J. Vieira. O QUE DIREITO AUTORA!. São Paulo: Brasiliense, 1987. p. 9
segundo século antes de Cristo. Alguns autores falam da actio in"uriarium, que
significa o direito de ação pelo não direito, ainda dos tempos romanos como um
ancestral do direito autoral. Pela actio in"uriarium, caberia ação contra tudo
aquilo que se fizesse sem direito, ou seja, poderia ser utilizada para reprimir
todos os atentados contra os direitos morais de nossos dias, e entre estes
pode-se dizer que estão os direitos autorais tutelados pelo Direito Positivo
vigente.
Pode-se considerar a invenção da imprensa por Hans Guttemberg, em
1436, o "ponto de eclosão" dos direitos autorais. Com a descoberta da
imprensa e a conseqüente facilidade na obtenção da reprodução dos trabalhos
literários, surgiu também a concorrência das edições abusivas. Daí o interesse
em reprimi-las, pois o autor, ou seu sub-rogado em direito, que antes tinha pelo
menos um controle sobre a reprodução das obras, decorrente da pose do
manuscrito original, passou a perdê-lo, uma vez que cada possuidor de uma
cópia impressa podia, com toda facilidade, reproduzi-la. Só após a invenção da
imprensa é que os monarcas passaram a outorgar alguns privilégios e favores
aos autores para a exploração econômica da obra, por determinado tempo,
geralmente consistiam em monopólios com validade de 10 anos. Esses
privilégios entretanto eram relativos aos editores e não.aos autores. "Esses
privilégios partias do pressuposto, em boa-fé, de que os esses editores já
haviam obtido autorização dos autores para a publicação da obra, restando
apenas a do governante¨.
3
A primeira lei conhecida sobre direitos de autor apareceu na Ìnglaterra,
em 1710, baixada pela Rainha Ana, devido a insuficiência do sistema e a
necessidade de assegurar-se a remuneração dos autores. O Copyright Act
(Direito de cópia ou reprodução) foi um ato de estímulo da Cultura, onde
Coroa, ou seja o Rei, daí o surgimento da palavra royalty# confere aos autores
e compradores o direito às cópias de seus livros pelo prazo de 21 anos após
registro formal, contados à partir da data de impressão, sendo as obras não
impressas protegidas apenas por 14 anos. Antes, entretanto, o !icensing Act
3
MANSO, Eduardo J. Vieira. Ob. cit. p. 13-14.
(Ato de Licença), de 1662, proibia a impressão de qualquer livro que não
estivesse licenciado ou registrado devidamente.
Na França começaram a assentar o direito do autor à sua produção,
para garantir a remuneração pelo seu trabalho à partir de 1777, em seguida
duas leis de 1793 vieram para reconhecer os direitos exclusivos de permitir a
execução de peças e de propriedades de escritos, composições musicais ee
pinturas. Com a Revolução Francesa, em 1789, e suas lutas pelos direitos
individuais trouxe à tona a primazia do autor sobre a obra. O Droit $%auteur
enfoca "os aspectos morais, o direito que o autor tem ao ineditismo, à
paternidade e à integridade de sua obra, que não pode ser modificada sem seu
consentimento. Mesmo que um autor ceda seus direitos patrimoniais referentes
à sua obra, ele conserva em sua esfera esses direitos morais, que são
inalienáveis e irrenunciáveis. A proteção se estende por toda a vida do autor e
até mesmo após sua morte, transferindo-se todos os direitos patrimoniais e
morais para seus herdeiros e sucessores legais¨
4

É desta formatação de origem britânica e francesa que em sua essência
perdura até hoje que se extrai o conceito atual de Direito do Autor como um
conjunto de prerrogativas de ordem não patrimonial e de ordem pecuniária que
a lei reconhece a todo criador de obras literárias, artísticas e científicas de
alguma originalidade, no que diz respeito à sua paternidade e ao seu ulterior
aproveitamento, por qualquer meio durante toda a sua vida e aos sucessores,
ou pelo prazo que ela fixar.
4
GANDELMAN, Henrique. DE &UTE'(ER& ) I*TER*ET+ DIREITO, AUTORAI, *A ERA
DI&ITA!. 4. ed. Record: Rio de Janeiro, 2001. p. 33.
1.$. A Evolução do Direito do Autor no %undo
A partir da Revolução Francesa diversos países começaram a criar leis
que regulamentava no âmbito internacional os Direitos do Autor. No ano de
1840, realizou-se pela primeira vez, uma Convenção Ìnternacional para a
proteção do direito autoral, entre as altas partes contratantes do Reino da
Sardenha e do Ìmpério da Áustria, recebendo a assinatura do Príncipe de
Metternich, em Viena, na data de 22 de maio do referido ano. Aderiram
também a esta Convenção: os Ducados de Parma, de Modena, de Lucca, o
Grão-Ducado de Toscana, o Reino das Duas Sicílias e o Estado Pontifício.
No ano de 1886, as principais potências européias enviaram seus
embaixadores à cidade de Berna, na Suíça, onde se reuniram para elaborar os
fundamentos de uma União Ìnternacional, adotando todas uma lei básica, geral
e uniforme, firmando a Convenção Ìnternacional de Berna, para a proteção das
obras artísticas, literárias e científicas. Revisões foram feitas em Paris (1896),
Berlim (1908), Roma (1928), Bruxelas (1948), Estocolmo e Paris novamente
(1971, modificada em 1979). Os Estados Unidos da América, com a sua
"Federal Copyright Act" de 1790, não se entrosa com nenhum dos sistemas
vigentes, e a proteção só se inicia quando a obra é inscrita, com todas as
formalidades, na Biblioteca do Congresso de Washington. Contudo a proteção
não se dirige ao autor da obra mas a quem fez o registro. Obriga ainda a esta
lei a impressão ou reimpressão da obra em oficinas situadas dentro do território
americano, como uma medida protecionista à classe dos gráficos, às
tipografias e às indústrias relacionadas com o ofício. Assim, os Estados Unidos
não puderam aderir à Convenção de Berna. O Brasil assinou este tratado
sendo aprovado pelo Decreto Legislativo n.º 94/1974 e promulgado em 1975
pelo Decreto n.º 75.699, da Presidência.
Outro importante tratado foi o da Convenção Universal de Genebra,
realizado pela UNESCO em setembro de 1952, revista em Paris em 1971,
também contando com a assinatura do Brasil, aprovada pelo Decreto
Legislativo n.º 55/1975 e promulgada pelo Decreto n.º 76.905 de 1975 da
Presidência.
O Brasil também é signatário de outros Tratados e Convenções
internacionais como o da Convenção de Roma, de 1961, para a proteção dos
artistas intérpretes ou executantes, dos produtores de fonogramas e dos
organismos de radiodifusão, aprovada em 1964 e promulgada em 1965, a
Convenção de Genebra para a proteção de produtores de fonogramas ,de
1971, aprovada e promulgada em 1975, o TRÌP's (Acordo sobre aspectos dos
direitos de Propriedade Ìntelectual relacionados ao comércio), um diploma que
possui vários artigos sobre direito autoral, inclusive no que concerne à proteção
de programas de computadores, aprovado e promulgado em 1994. Além dos
tratados da OMPÌ sobre atualização do direito autoral e normas relativas às
interpretações, execução e fonogramas o TODA (WCT) e o TOEÌF (WPPT),
ainda não aprovados pelo congresso nem sancionado pela presidência.
Na América o primeiro esforço se deu em 1889 em Montevidéu, no
Congresso Ìnternacional de Direito Privado, ratificado na mesma cidade em
1939. Outras Convenções foram realizadas no México (1902), Rio (1906),
Buenos Aires (1910), Havana (1928, pra revisar a de Buenos Aires) e
Washington (1946) que substituiu as demais.
Como se percebe, o Direito Autoral atravessou intenso desenvolvimento
até alcançar o "status¨ que possui hoje. Na verdade, por mais desrespeito ao
Direito Autoral que se possa constatar em determinado país, tem ele, hoje,
pelo menos, uma regulamentação protetora. Ìsto para enfatizar a legitimidade e
o alcance dos Direitos Autorais, seja nos mais variados países, das mais
variadas formas de governo e, sem subjugar-se a qualquer ideologia,
permanece soberano, como um direito construído e conquistado com muita
dificuldade e, de uma vez por todas, consolidado na sociedade
contemporânea.
1.&. O Direito Autoral no 'm"ito (acional
Atualmente os Direitos Autorais são regulamentados no Brasil pelo
inciso XXVÌÌ do art. 5.º da Constituição Federal de 1988 e pela Lei nº 9.610/98,
a LDA, entretanto antes da promulgação desta lei um grande número de
decretos, leis e dispositivos constitucionais já haviam tratado do tema, de
maneira não sistemática, o que até hoje provoca dúvidas e informações
conflitantes.
A respeito de Direito Autoral a primeira disposição legal que se tem
notícia é a Lei que instituiu os cursos jurídicos no Brasil em 11 de agosto de
1827, onde assegurava aos mestres nomeados a publicação de seus
compêndios por dez anos. Entretanto valia apenas para os mestres das
faculdades de direito em São Paulo e em Olinda, não alcançando os demais
autores brasileiros. Em seguida, em 1831, com o Código Criminal, foi instituído
o delito de Contrafação (art. 261), que era punida com a perda de exemplares
Sucessivas tentativas de regulamentação do direito do autor foram feitas
em 1856, 1875, 1861 e 1893, entretanto nenhuma obteve êxito, pois o
pensamento dominante à época era influenciado pela doutrina francesa de que
idéias gerais não poderiam ser objeto de propriedade, não podendo portanto
ser regulada. Em 1891, com a primeira Constituição Republicana, o Brasil
adotou normas positivas de direitos autorais, através do §26 do art. 72, incluído
nos direitos individuais, sendo mantida pelas constituições posteriores, com
exceção à de 1937. Logo em seguida foi publicada a Lei n.º 496 de 1.º de
agosto de 1896, a chamada Lei Medeiros Albuquerque, que regulamentava o
dispositivo constitucional que tratava do tema. Entretanto esta lei, apesar da
inspiração na lei belga, era desatualizada em relação às leis européias que
tratavam de propriedade do autor, mas perdurou até o advento do Código Civil
de 1917, quando o direito autoral no país teve algum progresso estrutural,
embora tenha perdido sua autonomia legislativa ao ser considerado pelo
código como um tipo de propriedade, a Propriedade Literária, Científica e
Artística.
Em 14/12/73 foi editada a Lei n.º 5.988, chamada de Lei de Direitos do
Autor, que regulamentou o direito do autor no país seguindo as
recomendações dos doutrinadores que defendiam que pela especificidade e
multiplicidade de aspectos deveria ser tema tratado em lei autônoma.
Com o advento da Constituição Federal de 1988 o direito autoral ganhou
posição de destaque ao ser colocado na parte pertinente aos Direitos e
Garantias Fundamentais, garantindo aos autores o direito exclusivo de
utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos
herdeiros, bem como o direito à proteção às participações individuais em obras
coletivas e o direito de fiscalização do aproveitamento econômico de suas
obras, por si ou por associações que o devidamente representarem, que
geraram princípios norteadores da lei atual sobre a matéria.
A atual Lei de Direitos Autorais (LDA), de 19 de fevereiro de 1998,
"inaugura uma nova série de conquistas no plano dos direitos do autor. O
caráter pioneiro dos institutos albergados no seio da Lei n.º 5.988, de 14.12.73,
foi mantido, bem como mantido foi o direcionamento dos princípios
constitucionais introduzidos com a Carta Magna de 1988. Alterações
substancias foram inseridas, e isto principalmente no que concerne ao aspecto
tecnológico (como é o exemplo do § 1.º, do art. 7.º) e à abolição normativa da
CNDA, mas a textura fundamental dos direitos em tela, patrimoniais e morais
do autor, foi mantida.¨
5
A nova lei de direito do autor brasileira, de fato prima pela coerência e
abrangência, inclusive a tecnologias futuras, em sua elaboração, entretanto, a
internet exige aprofundamentos e especificidades resultantes da peculiaridade
em que transitam as obras, surgindo conflitos que não podem ser previstos
pela lei atual, com veremos a seguir.
5
BÌTTAR, Carlos Alberto. Ob. Cit. p.15.
)ontrole da ro!riedade Intelectual
$.1. O #em Imaterial e sua Distri"uição
Ensina a Professora Maura Gomes de Souza que "o objetivo do Direito
do Autor é disciplinar as relações jurídicas entre o criador e sua obra, desde
que de caráter estético, em função seja da criação (direitos morais) seja da
respectiva inserção em circulação (direitos patrimoniais) e a todos os que, no
circuito correspondente, vierem a ingressar, o Estado, a coletividade como um
todo, o explorador econômico, o usuário e o adquirente de exemplar.¨
6
Portanto
ao Direito Autoral cabe a proteção do Bem Ìmaterial fruto da imaginação do
autor. É esse bem que necessita de Proteção Jurídica especial, por especial
ser a sua maneira de distribuição. Segundo Maria Helena Diniz
7
"os bens
incorpóreos não tem existência tangível e são relativos aos direitos que as
pessoas físicas ou jurídicas têm sobre as coisas, sobre os produtos de seu
intelecto ou contra outra pessoa, apresentando valor econômico, tais como: os
direitos reais, obrigacionais, autorais.¨ (sem grifo no original).
Por serem bens em que a existência é intangível, possuem, por sua
natureza, um modo diverso de distribuição, já que tais bens possuem a
faculdade de serem transmitidos sem que o autor, o possuidor original, perca a
posse desse bem, ou seja, a distribuição é feita através da reprodução da obra
intelectual. O que aparentemente se demonstra como uma vantagem ao
possuidor dos direitos autorais, na verdade não o deixa de ser, reflete também
um problema para o autor, já que uma vez transmitido, é possível a
reprodução, e até a retransmissão, de sua obra sem o seu consentimento, pois
6
SOUZA, Maura Gomes de. O CONTRATO DE DÌREÌTO AUTORAL. Recife: Fundação
Antônio dos Santos Abranches ÷ FASA, 2002. p.26
7
DÌNÌZ, Maria Helena. CURSO DE DÌREÌTO CÌVÌL BRASÌLEÌRO. v. 4. São Paulo: Saraiva,
2000. p. 193.
para isto basta que novo possuidor da obra reproduza por conta própria a obra
que está em seu poder.
Cada tipo de obra intelectual possui um meio próprio de distribuição,
embora haja meios que suportem mais de uma categoria de obra intelectual. A
música, ou fonograma, é originalmente veiculada no rádio, nos concertos e nos
discos (incluindo-se aqui o CD e o disco de vinil dentre outros) e fitas
magnéticas, entretanto com o advento da televisão e do cinema a música
tornou-se peça indispensável nesses "novos¨ meios de comunicação, até na
era do cinema mudo havia música, normalmente conduzida por músicos dentro
da sala de exibição. Hoje em dia com os avanços da tecnologia a música se faz
presente até nos aparelhos de telefone celular, tanto na forma de campanhias
monofônicas (onde apenas uma nota é tocada por vez, mais comum nos
primeiros aparelhos de telefonia celular) como nas atuais campanhias
polifônicas onde são tocadas as obras de determinado artista como se fosse
um rádio, às vezes com qualidade até melhor que este. Não pode-se deixar de
falar na internet, que hoje é o maior meio de circulação de músicas (sendo a
maioria no formato MP3) e o DVD, sucessor das antigas fitas de VHS, que
reproduzem tanto filmes como shows de músicas, onde o fonograma é peça
indispensável.
Outra categoria de bens imateriais é a dos textos de qualquer natureza,
publicados em jornais, revistas, livros ou na internet. Textos científicos ou
literários tem ainda valor fundamental na cultura contemporânea sendo a base
de conhecimento, mesmo que não sejam os impressos em papel, cada vez
mais sendo substituídos por publicações na internet. Fotografias artísticas,
peças de design, assim como filmes e softwares fazem parte dos bens
protegidos pelas leis do Direito Autoral, em especial a Lei 9.610/98 e a Lei
9.609/98, esta última que trata da proteção a programas de
computador/softwares.
Apesar dos meios analógicos ainda persistirem na distribuição de
material autoral, sendo inclusive onde se originam algumas bens como a
pintura em telas ou as esculturas, o meio digital vem sendo cada vez mais
utilizado, tanto para a transmissão das obras como para a sua produção, em
especial os discos digitais (CD áudio, CD-ROM, DVD, MD etc.) e cada vez em
maior número na internet.
$.$. O )ontrole da ro!riedade Intelectual no #rasil
$.$.1. O Escritório )entral de Arrecadação e Distri"uição *E)AD+
A representação e execução de obras é regulamentada pelo Capítulo ÌÌ
do Título ÌV da LDA, pelos arts. 68 e seguintes. O art. 68 em seu caput veda a
execução pública de obras protegidas pelo direito autoral sem a prévia
autorização expressa do detentor dos respectivos direitos, delegando em seu §
3.º ao Escritório Central a tarefa de arrecadar os valores devidos pela utilização
da obra, ou seja os direitos autorais, que na definição da própria LDA são bens
móveis, portanto com valor econômico. O artigo 97 da mesma Lei dispõe em
seu caput que "para o exercício e defesa de seus direitos, podem os autores e
os titulares de direitos conexos associar-se sem intuito de lucro¨. Filiando-se a
essas associações, estas tornam-se mandatárias dos associados para os atos
necessários à defesa, dentro ou fora do juízo, dos direitos autorais bem como
da cobrança, entretanto podem os associados praticarem tais atos, com o
prévio aviso à Associação. No que toca particularmente à arrecadação dos
direitos autorais e sua distribuição aos pertinentes autores esta é feita perante
o Escritório Central, instituído conforme art. 99 da LDA.
Na Lei anterior (Lei n.º 5988/73), havia a previsão de um conselho
superior com a função de fiscalizar a aplicação das leis e tratados
internacionais sobre direitos autorais, bem como o funcionamento das
associações e do ECAD podendo, para isso, editar normas para regular o
funcionamento das associações e dos sistemas de cobrança, além de
funcionar como arbitro nas questões pertinentes a direitos autorais, dentre
outras funções. A nova lei excluiu a figura do CNDA sem instituir outro órgão
para a supervisão controle ou fiscalização sobre as associações que ganharam
autonomia e sendo dispensadas de qualquer autorização para funcionar no
país.
O ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) é uma
sociedade civil de natureza privada, sem fins lucrativos, originalmente instituído
pela lei 5.988/73, mas mantido pela LDA atual. É "um escritório organizado
pelas associações de autores e demais titulares a elas filiados e/ou
representados para centralizar a arrecadação e a distribuição de direitos
autorais e conexos decorrentes da execução pública de obras musicais e/ou
lítero-musicais e de fonogramas, nacionais e estrangeiros, em todo o território
nacional, inclusive através da radiodifusão ou transmissão por qualquer
modalidade e da exibição cinematográfica.¨
8

O ECAD é dirigido e administrado pelas associações que o integram,
sendo atualmente composto por 6 associações efetivas (ABRAMUS, AMAR,
SBACEM SOCÌNPRO, SÌCAM e UBC) e 6 associações administradas (ABRAC,
ACÌMBA, ANACÌM, ASSÌM, ATÌDA e SADEMBRA), sendo o órgão responsável
pela proteção dos direitos de execução pública de obras musicais tanto
nacionais como estrangeiras. Ìsto porque, as associações que o compõem,
mantêm contratos de representação com várias sociedades congêneres em
todo o mundo, garantindo aos titulares estrangeiros suas devidas
remunerações quando da utilização de suas obras em nosso território. De
acordo com esses contratos as sociedades estrangeiras tem a obrigação
recíproca de controlar a utilização de obras brasileiras nos países contratantes
de forma a garantir a remuneração dos autores nacionais pela execução de
suas obras no exterior.
$.$.$. Da Arrecadação e Distri"uição
Como já foi visto, para a execução de uma obra intelectual, seja ela uma
peça de teatro ou uma música, é necessária a prévia autorização de seu autor,
para isto o pretenso usuário se dirige ao ECAD, que representa o titular, para
requerer esta utilização. Ao obter a autorização para a execução pública, o
8
<http://www.ecad.org.br/> acesso em 17/03/2005 às 17h47.
usuário fica obrigado a fornecer os meios para que se verifique a veracidade
dos elementos que servirão de base de cálculo para estipulação da
remuneração, bem como os dados necessários para a futura distribuição dos
direitos arrecadados. Os dados fornecidos pelo usuário servirão de base para a
criação de um cadastro que servirá para enquadra-lo em diferentes categorias
de usuários que se sujeitarão a à formas de cobrança específica pra cada
categoria.
O ECAD possui um Regulamento de Arrecadação, aprovado por sua
Assembléia Geral, que representa a vontade dos titulares de obras musicais e
de fonogramas. Esse Regulamento especifica os parâmetros de cobrança a
que estão sujeitos todos os usuários de músicas.
Usuário, conforme definido pelo Regulamento de Arrecadação,
elaborado pelas associações e aplicado ao ECAD, é toda pessoa jurídica ou
física que utilizar obras musicais, lítero-musicais, fonogramas, através da
comunicação pública, direta ou indiretamente, por qualquer meio ou processo
similar, e será classificado levado em conta o tipo de atividade econômica e
freqüência de utilização das obras musicais.
Com o devido cadastro e enquadramento do usuário será determinada a
"forma de cobrança - em razão do parâmetro físico ou em função de percentual
incidente sobre a receita bruta. Quer seja por parâmetro físico, quer seja por
percentual sobre a receita bruta, o pagamento da retribuição autoral deve ser
efetuado previamente. A partir do cadastramento e da fixação do valor da
retribuição autoral, o estabelecimento passa a receber boleto de pagamento de
direitos autorais emitido por instituição bancária que, quitado, autoriza a
utilização de música durante todo o mês ou para determinado evento.¨ É
importante ressaltar o disposto no art. 24 do estatuto do Escritório, que remete
aos parágrafos 3.º e 4.º do art. 99 da LDA ao obrigar o recolhimento de valores
por depósito bancário, sendo vedado aos fiscais receber quaisquer quantias
dos empresários, a qualquer título. Essa visa a segurança da arrecadação
devida evitando fraudes. Os boletos emitidos são de duas ordens, mensais, em
caso de usuários freqüentes e cadastrados, ou avulso, para o caso de usuários
eventuais. Ao ECAD é vedado conceder isenções ou deduções aos usuários
na cobrança de direitos autorais de execução pública, salvo quando
devidamente autorizado pelo titular.
Para o cálculo do valor devido é utilizada a tabela contida no
Regulamento de Arrecadação, com valores expressos em UDA. A UDA
(Unidade de Direito Autoral) é a unidade de valor criada pelo ECAD e pelas
associações para servir de base de cálculo para a cobrança da retribuição
autoral fixada com base em parâmetro físico. O valor unitário é sempre
determinado pela Assembléia Geral do Escritório sendo reajustada
periodicamente.
O Regulamento de Arrecadação do ECAD prevê três tipos de
distribuição do valor arrecadado, são eles: direta, indireta e indireta especial. A
distribuição direta é feita em razão das utilizações musicais relativas a
shows/eventos, carnaval, reveillon, espetáculos circenses, obras musicais
exibidas em TV aberta e, exibição cinematográfica, e baseados em planilhas de
gravação e/ou roteiros musicais, fornecidos pelo promotor do show ou obtida
através da gravação do evento pelo ECAD. A distribuição indireta,
propriamente dita, se caracteriza pela utilização do critério amostral, e é
utilizada para distribuição do arrecadado através das emissoras de rádio e tv e
da sonorização de ambientes, inclusive bares e boates com música ao vivo,
sendo que neste caso, como forma de incentivar a música ao vivo, é dado um
desconto de 33% no valor arrecadado pela execução de direitos autorais. A
distribuição direta especial é obtida através da arrecadação em grandes
eventos populares como o carnaval e o São João, é feita baseada na gravação
de bailes e festejos populares. Dos valores arrecadados, 18% são destinados
ao ECAD para sua administração, as associações retêm 7% do valor total e o
restante (75%) é repassado para seus titulares filiados.
O método usado pelo ECAD, principalmente no que tange à distribuição
indireta, é falha, pois centra-se apenas em rádios e televisões que alcançam
grandes públicos e essas difusoras concentram sua programação em artistas
de grande apelo popular deixando os compositores de menor conhecimento, ou
que façam sucesso em determinada região do país, longe do centro Rio - São
Paulo, onde a maior parte das amostragens é feita, desprotegidos e passíveis
de não receber a remuneração pela veiculação de sua obra. A arrecadação do
ECAD funciona melhor quando se trata de espetáculos musicais onde são
entregues as planilhas com as músicas executadas. O ECAD, entretanto, não
pode ser encarado como o maior vilão na arrecadação dos direitos autorais. É
um órgão privado, formado por associações de compositores e executores de
obras, que por sua vez são constituídas dos titulares dos direitos autorais,
cabendo a estes associados fiscalizar a atuação dessas associações, e
conseqüentemente do ECAD, visto que outorgaram poderes a essas
associações para cuidar da defesa de seus direitos autorais. É importante
ressaltar que o art. 98, parágrafo único da LDA, permite ao titular associado
praticar qualquer ato de defesa de sues direitos ou cobrança desde que
comunique previamente à associação que é filiado. Assim, cabe ao associado
a conscientização no que tange à proteção dos seus direitos, se o ECAD é
deficitário deve-se, através das associações, cuidar para que medidas para
uma proteção mais abrangente pelo ECAD dos direitos autorais sejam tomadas
buscando a proteção efetiva de qualquer detentor de direito autoral que tenha
sua obra executada sem sua autorização prévia.
O provento relativo aos direitos autorais, contudo, não se exaure nos
valores arrecadados e distribuídos pelo ECAD, cabe a este escritório controlar
o uso de obras sem a prévia autorização do autor, como já exposto
anteriormente. Contratos de uso de direitos autorais podem ser firmados entre
o autor e o usuário pra a utilização da obra, através destes contratos usuário
pode utilizar a obra intelectual enquanto o autor tem garantida a receita pela
utilização de sua obra, nesse caso "a remuneração dos criadores depende dos
negócios realizados e dos respectivos contratos, prevendo-se sistema de
pagamento fixo ou de valor relacionado à vendagem da obra¨
9
$.&. A ,e!rodução Ilegal de O"ras Intelectuais - A irataria
9
SOUZA, Maura Gomes de. Ob. Cit. p. 30.
A pirataria é a "atividade de copiar ou reproduzir, bem como utilizar
indevidamente ÷ isto é, sem a expressa autorização dos respectivos titulares ÷
livros ou outros impressos em geral, gravações de som e/ou imagens,
so-twares de computador, ou ainda, qualquer outro suporte físico que contenha
obras intelectuais protegidas¨
10

A pirataria é um problema que atinge não só os detentores dos direitos
autorais, mas também ao Estado que deixa de arrecadar os impostos que
seriam pagos com a circulação legal das obras, as empresas e produtores de
obras intelectuais e até mesmo o público que ao utilizar produtos de qualidade
duvidosa, corre o risco de danos aos seus equipamentos de reprodução, tais
como o aparelho de DVD ou de CD.
Por isso a pirataria é combatida com afinco, visando a diminuição da
cópia ilegal. Carlos Alberto Bittar propõe uma regulamentação da reprografia
no sentido de inibir a cópia ilegal. A proposta é "baseada na idéia de cobrança
de direitos por cópia extraída - já adotada hoje em dia em alguns países, em
acordos intercategoriais - que seria efetivada na extração mediante
preenchimento em formulário próprio, para a identificação do titular, da obra e
do número de páginas copiadas. Os recursos seriam carreados para o fundo
próprio e, posteriormente, distribuídos entre os titulares, procedendo-se a
fiscalização pelos mecanismos do setor e controle pelas entidades
correspondentes.¨
11
. Esta proposta depende de regulamentação das lojas de
reprografia, mas é uma medida interessante no combate à pirataria de livros.
No que tange às cópias de DVD e CD, o rigor no combate às "empresas¨
que pirateam, aliado à diminuição nos custos de produção e divulgação das
obras tornariam o preço dessas obras mais acessível, desestimulando o
consumidor a comprar o produto falsificado, optando pelo original, por primar
pela qualidade. No tocante à produção, uma diminuição nos custos da
fabricação de um disco já é vislumbrada para um futuro próximo devido às
10
GANDELMAN, Henrique. Ob. Cit. p. 86.
11
BÌTTAR, Carlos Alberto. Ob. Cit. p. 68.
tecnologias de gravação que tornam cada vez mais fácil e acessível para
qualquer grupo ou produtor, em relação à distribuição e divulgação da obra, a
internet, já hoje em dia, é uma grande aliada, por alcançar de forma
instantânea milhares de pessoas.
Direitos Autorais e a Internet
&.1. A Distri"uição da O"ra Intelectual na Internet
A internet, a rede que interliga computadores de todo o mundo, sem
sombra de dúvidas é uma realidade na sociedade atual. A inclusão digital se
alastra facilitando o acesso de qualquer pessoa às informações
constantemente atualizadas na grande rede, o que a torna uma fonte de
conhecimentos sem precedentes na história da comunicação. Conhecendo a
amplitude proporcionada pela internet, muitos autores de obras intelectuais
vislumbraram nela um modo rápido, fácil e barato de divulgar sua produção
artística por oferecer uma oportunidade de alcançar o maior número de
pessoas com o menor custo e trabalho, muitas vezes sem necessidade de
intermediários.
&.1.1. %eios de Distri"uição na Internet
As formas de se divulgar um trabalho na internet são diversas. Um autor
pode, por exemplo, utilizar sites de grandes portais para fazer a divulgação de
sua obra, seja ela um disco de música, um livro impresso ou uma peça de
teatro. Esses portais podem disponibilizar as obras tanto para consulta, quando
a obra é disponibilizada no site, mas sem a possibilidade de se efetuar um
$ownloa$, como ocorre, por exemplo, com as rádios e televisões virtuais, que
retransmitem a programação da emissora convencional através da internet, ou
até mesmo no caso de emissoras de rádio e televisão exclusivas para a grande
rede. Outra forma de disponibilizar conteúdo sem o $ownloa$ é fazendo uso,
no caso das músicas e vídeos, da tecnologia stream que possibilita o usuário
ver ou escutar a obra, ou parte dela, sem, entretanto, retê-la em seu
computador, ou utilizando de proteções anti-cópia que impedem que o usuário
possa copiar imagens ou textos da internet. O acesso pode ser enquadrado em
duas categorias, os ambientes de livre acesso, onde qualquer usuário pode
ver, ler, ou ouvir uma obra intelectual ou fonograma sem que para isso seja
necessário qualquer inscrição ou o pagamento de taxas; e o ambiente de
acesso controlado, onde através de inscrição no provedor e pagamento de
taxas o usuário tem acesso ao conteúdo do portal, tanto para ler, ouvir, ou ver
quanto para obter uma cópia.
É possível, também, a venda dessas obras por lojas virtuais, trazendo
comodidade aos consumidores. Empresas que lidam com informática costuma
disponibilizar seus so-twares em suas páginas na internet, estes programas
podem ser "baixados¨ pelo usuário para o computador que paga à empresa por
uma licença de uso. Existem Pode-se ainda, e aí é que se encontra a
verdadeira revolução na distribuição de obras pela "rede¨, fazer a publicação da
obra na própria internet, seja um livro, uma música ou até mesmo filmes. Como
exemplo pode-se citar o famoso escritor de livros de terror, o norte-americano
Stephen King, que publicou um livro inteiro através da internet. O livro foi
vendido por cerca de dois dólares através de uma página na internet, e estima-
se que cerca de quinhentos mil exemplares da obra ,iding t.e #ullet (em
tradução literal algo como "Montando a Bala¨) tenham sido vendidos apenas no
primeiro fim de semana após a publicação. É, também, bastante comum a
distribuição gratuita de faixas de discos de artistas, em formato digital, com o
objetivo de mostrar ao público o novo trabalho do compositor ou da banda de
modo que o consumidor se interesse e busque adquirir o álbum tradicional.
Algumas bandas, principalmente estrangeiras, possuem convênios com
grandes corporações de informática onde através de seus sites disponibilizam
faixas, ou até mesmo um disco inteiro na internet que podem ser compradas,
do mesmo jeito que os so-twares, o usuário faz o $ownloa$ e mediante o
pagamento de uma taxa obtém a licença para escutar a música. O site
americano iTunes
12
, já oferece esse tipo serviço, disponibilizando músicas de
artistas consagrados, no formato digital ACC ou MP3, protegidas pelos direitos
autorais, as faixas "baixadas¨ podem ser escutadas diretamente no computador
ou transmitidas para um aparelho, denominado iTune, que as armazena como
se fosse um grande CD. Essas licenças geralmente não permitem que o
usuário compartilhe os arquivos adquiridos. No Brasil vários artistas optam por
disponibilizar todas as faixas de seu álbum de graça na internet, embora nada
impeça que, seguindo a idéia de Stephen King, algum compositor decida
disponibilizar seu disco mediante o pagamento de um determinado valor, como
é feito no exterior.
O grande problema encontrado pelos autores, entretanto, é a realizada
entre usuários. Valdir de Oliveira Rocha Filho afirma que a internet atual
"supera o conceito de mera rede de computadores pessoais e corporativos
interligados por provedores de acesso e transforma-se rapidamente numa
grande base de dados que podem ser encontrados e intercambiados de foram
descentralizada, com a utilização da tecnologia denominada P2P (peer to peer)
ou pessoa a pessoa, usuário a usuário¨
13
. Essa tecnologia permite que um
usuário tenha acesso aos arquivos que se encontram no computador de outro,
permitindo assim a troca de arquivos sem intermediários. Essa troca é bastante
benéfica para os usuários, entretanto vai contra qualquer ordenação do direito
autoral, pois o usuário possuidor da obra, não possui a propriedade deste, e,
portanto, não tem a permissão do autor para retransmiti-la. Neste sentido
ensina a professora Maura Gomes de Souza quando, referindo-se ao
computador afirma que na ¨condição de aparato reprodutor de textos, imagens
e sons, incidem os computadores no âmbito da denominada 'reprografia' ÷
produção mecânica de obras intelectuais em série, pelos processos possíveis
(cenografia, microfilmagem, computação, gravação eletrônica em vídeo ou fita).
Prática que ao envolver criação protegida pelo Direito do Autor, e não contar
com a devida autorização, fere os direitos autorais¨.
14
12
http://www.apple.com/itunes/, acesso em 30/03/2005 à 16:34.
13
ROCHA FÌLHO, Valdir de Oliveira. Violação de Direitos de Propriedade Ìntelectual Através da
Ìnternet. Ìn: O DIREITO E A I*TER*ET. ROCHA FÌLHO, Valdir de Oliveira; BARRETO, Ana
Carolina Horta et al. (coord.) Rio de Janeiro: Forense, 2002. p. 165
14
SOUZA, Maura Gomes de. Ob. cit. p. 51
Aponta Manoel J. Pereira dos Santos que "quando a utilização
informática da obra intelectual se faz dentro do âmbito do computador pessoal
do usuário, tal ato se inclui na categoria de uso provado, sendo portanto em
princípio lícita. Assim sendo, é possível ao usuário ver, ler ou ouvir a obra
intelectual que se encontra disponibilizada em ambiente de acesso livre. Cabe,
porém, a ressalva de que ao usuário não é permitido reproduzi integralmente
essa obra, seja para armazenamento em seu computador, seja para
transferência a terceiros, porque tal ato viola o disposto no art. 46, ÌÌ da Lei
9.610/98¨.
15
Diante da realidade da distribuição sem limites que é proporcionada
pelas mais modernas tecnologias de ligação entre usuários Valdir de Oliveira
Rocha Filho afirma que "essa nova realidade da internet coloca em pauta
diversas questões complexas relativas à proteção dos direitos imateriais, que a
legislação brasileira atual contempla de forma às vezes tangencial, mas que
por si só não é suficiente para resolver os conflitos que se apresentam, visto
que as novas tecnologias digitais inviabilizam grande parte das medidas
judiciais até aqui eficientes na repressão à utilização indevida de obras e
signos em suportes físicos intangíveis. Os direitos autoral e industrial estão
entre os que certamente serão transformados pelos fatos sociais. As estruturas
de remuneração por cópia ou execução de obras estão mudando. As
sociedades arrecadadoras deverão se adaptar aos novos tempos¨.
16
Agora não só as rádios e televisões, que inclusive já alcançaram a
internet, ou casas de shows, bares e festas populares são preocupações das
sociedades de autores, o controle da distribuição de obras na internet cresce
num ritmo que em pouco tempo essas transmissões virtuais superará as
convencionais devendo-se buscar formas alternativas, pertinentes à nova
realidade, para garantir aos autores o que é de seu direito.
15
SANTOS, Manoel J. Pereira dos. O Direito Autoral na Ìnternet. Ìn: DIREITO E I*TER*ET+
Rela./es 0ur1$icas na socie$a$e in-ormati2a$a. GRECO, Marco Aurélio; MARTÌNS, Ìves
Gandra. (coord.) São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001. p. 146.
16
ROCHA FÌLHO, Valdir de Oliveira. Ob. Cit. p. 165.
&.1.$. O )ontrole de )ó!ias na Internet
A facilidade de uma obra transitar no meio digital coloca em dúvida a
possibilidade de se cobrar os direitos autorais na internet, pois uma obra
disponibilizada na rede pode ser copiada infinitamente e sem o controle do
autor. Visando coibir a disseminação incontrolada de obras sem a autorização
do autor, ou pelo menos buscando fornecer a este meios de controlar as obras
distribuídas, várias medidas foram criadas para obter-se uma tentativa de
controle de cópias digitais.
Partindo da própria tecnologia, diversos métodos foram criados para
impedir a cópia indiscriminada. Diversos websites possuem proteções que
impedem o usuário de copiar para si o conteúdo disponibilizado na página.
Essas proteções, entretanto se limitam àquilo que for disponibilizado em
determinada página, geralmente úteis para impedir que textos ou imagens
sejam armazenadas no computador do usuário.
Obras "baixadas¨, ou seja, aquelas que o usuário, legal ou ilegalmente
copiou para o seu computador, não se sujeitam a essa proteção. Para isso
surgiram várias tecnologias como o DOÌ (Digital Object Ìdentifier) lançado pela
AAP (Associação de Editoras Americanas) em conjunto com a CNRÌ
(Corporação para Ìniciativas de Pesquisas Nacionais dos Estados Unidos), que
se propõe a identificar uma peça de direito intelectual através de uma rede
digital e é formado por um código de identificação inserido no objeto digital que
em conjunto com uma base de dados se presta a fornecer informações sobre a
obra, seja ela um texto, uma imagem, um arquivo de áudio ou vídeo ou um
software. O DOÌ pode inclusive ser utilizado como ferramenta do comércio
eletrônico, por possibilitar ao usuário ao acessar o DOÌ ser direcionado a uma
página da internet onde ele poderá fazer o $ownloa$ de um arquivo ou obter
uma licença para utilizá-lo.
Outro método de controle das cópias digitais é através dos recurso,
vulgarmente denominado de "tatuagem¨ que permite ao autor controlar a
distribuição de sua obra, obtendo a localização do objeto digital após sua
disponibilização no ambiente virtual. Esse sistema funciona inserindo-se um
código que acompanha o objeto digital permitindo o monitoramento de cópias,
ou transferências da obra.
A diferença principal entre as duas tecnologias está em que enquanto o
DOÌ apenas fornece informações sobre a obra a "tatuagem¨ monitora o objeto
digital enviando ao autor dados que permitam controlar o destino da obra. Com
isso dá-se início à DRM (Gerenciamento Digital de Direitos Autorais), pois
através de tecnologias como Content&uar$, que são inseridas nos objetos
digitais tornando-se parte dele, permite-se o gerenciamento dos direitos
autorais, pois permite saber a localização da obra e se foram feitas cópias dela,
além disso o DRM fornece informações sobre qual conteúdo está sendo
disponibilizado, quem o está disponibilizado, de que maneira e para qual
finalidade, por quanto tempo e em que condições, assim, permite controlar se o
usuário poderá, no caso de um livro por exemplo, apenas lê-lo na tela, ou se
poderá imprimi-lo, e se puder imprimi-lo quantas vezes isso é possível, além de
proibir a transferência do arquivo entre usuários.
Esses recursos tecnológicos, aparentemente resolveriam a questão das
cópias indevidas das obras em formato digital, mais uma vez a tecnologia se
mostra ao lado dos autores, porém, não são realmente tão eficientes assim,
isso porque existem pessoas que levam a vida com o objetivo de quebrar
esses códigos de proteção, são os chamados crac3ers. Com a quebra dos
códigos a proteção dada pelo DRM se desfaz, tornando a obra novamente
passível de cópias indiscriminadas. Valdir de Oliveira Rocha Filho fala que "há
os que duvidam da inviolabilidade de documentos e arquivos na internet e há
os que dedicam seu tempo à criação de meios de invasão de base de dados e
quebra de códigos e distribuição não autorizadas de obras alheias¨.
17
Ações
criminosas como as dos crac3ers contribuem para dificultar a devida
remuneração dos autores pelos seus direitos autorais.
&.$. A adequação das /eis do Direito Autoral 0 Internet
17
ROCHA FÌLHO, Valdir de Oliveira. Ob. Cit. p. 166.
Apesar de todos os desenvolvimentos obtidos no campo da informática
no sentido de permitir aos autores e detentores de direitos autorais o controle
de suas obras após a disponibilização no meio digital, nenhuma tecnologia é
suficientemente segura. "Piratas¨ virtuais batalham contra as técnicas de
proteção apresentadas, quebrando códigos e licenças de uso e reproduzindo
ilegalmente obras digitais. Assim, recorre-se às medidas legais, tanto
cautelatórias, de proteção, como medidas judiciais, com sanções efetivas para
aquele que lesa os direitos autorais. Levando em conta que a evolução da
tecnologia cria casos que a lei não pode prever, busca o legislador fornecer a
devida segurança ao autor, visando o estímulo de produção de novas obras,
através da adequação das leis ao surgimento de casos específicos de
desrespeito ao direito autoral digital.
&.$.1. Adequação de /ei Atual 0 Internet.
A LDA atual, a Lei n.º 9.610/98, especificamente em seu art. 7.º, garante
aos autores e aos titulares de direitos autorais a proteção às criações que
sejam "expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível
ou intangível, conhecido ou que se venha a inventar no futuro¨.
18
A redação que
foi dada ao artigo demonstra a preocupação que teve o legislador em
assegurar aos detentores de direitos autorais que a veiculação de uma obra em
qualquer meio que venha ser criado será protegido pelas regras dessa lei, seja
ele físico ou virtual, englobando-se aí a internet. Essa disposição por si só é
suficiente para garantir que a internet não seja uma terra sem lei, no que tange
aos direitos autorais.
O Art. 29 da LDA, que trata da autorização do autor para a utilização da
obra se refere, no inciso VÌÌ, à distribuição de obras ou produções através dos
18
Art. 7.º Caput da Lei 9.610/98.
recursos de telecomunicações abrange a distribuição eletrônica, que pode ser
aplicável à distribuição de objetos digitais na internet.
No plano internacional os tratados da OMPÌ, sobre direito do autor e
sobre interpretações ou execuções de fonogramas, ambos de 1996, dispõem
que as partes signatárias devem promover uma proteção jurídica adequada,
bem como sanções jurídicas eficazes com o objetivo de proteger as medidas
tecnológicas adotas pelos titulares de direitos autorais no exercício de seus
direitos, que visem restringir atos que não sejam autorizados pelos autores ou
permitidos pela lei e punir efetivamente atos de sabotagem contra essas
medidas, especialmente no que concerne à supressão ou alteração, sem a
autorização do titular, de qualquer informação eletrônica sobre a gestão de
direitos ou à distribuição, radiodifusão ou comunicação pública sem autorização
de exemplares de obras, interpretações ou execuções, ou fonogramas, quando
for sabida que foi feita a supressão ou alteração, não autorizada, da informação
eletrônica sobre essa gestão. Como a inserção das informações relativas à
gestão de direitos é facultativa, as obrigações de proteção legal dessas
medidas só se aplicam quando os dados de proteção à gestão de direitos
forem inseridos voluntariamente pelos interessados.
Atento a essa determinação o legislador brasileiro estatuiu no art. 107
que além de perder o equipamento, responderá por perdas e danos quem
"alterar, suprimir, modificar ou inutilizar, de qualquer maneira, dispositivos
técnicos introduzidos nos exemplares das obras e produções protegidas para
evitar ou restringir sua cópia; distribuir, importar para distribuição, emitir,
comunicar ou puser à disposição do público, sem autorização, obras,
interpretações ou execuções, exemplares de interpretações fixadas em
fonogramas e emissões, sabendo que sinais decodificados e dispositivos
técnicos foram suprimidos ou alterados sem autorização; suprimir ou alterar,
sem autorização, qualquer informação sobre a gestão de direitos; distribuir,
importar para distribuição, emitir, comunicar ou puser à disposição do público,
sem autorização, obras, interpretações ou execuções, exemplares de
interpretações fixadas em fonogramas e emissões, sabendo que a informação
sobre gestão de direitos foi suprimida ou alterada sem autorização¨.
19
Observando que o conceito de reprodução constante no art 5.º da LDA
inclui "qualquer armazenamento permanente ou temporário por meios
eletrônicos ou qualquer outro meio de fixação que venha a ser desenvolvido¨
20
,
constata-se que o preceito contido no incisos do art. 107 se estendem às
reproduções digitais, sendo portanto abrangidas pela lei.
Na medida em que prevê a adequação da Lei a meios de comunicação e
transmissão de dados ainda não existentes, abrange a LDA a internet, fazendo
com que o regulamento atualmente vigente no Brasil a enquadre em sua área
de atuação, desfazendo a idéia que se tem que a obra autoral que for
disponibilizada na "rede¨ não está protegida pelo direito. Do ponto de vista cível
é possível a cobrança efetiva dos direitos autorais, inclusive exigindo-se de
quem indevidamente utilizar obra protegida sem a autorização dos detentores
dos direitos, a indenização moral e patrimonial cabível, nos termos dos artigos
24 a 45 da LDA.
No âmbito penal a Lei n.º 10.695 de 01/07/2003 atualizou os artigos 184
e 186 do Código Penal adequando-o à nova LDA, abrangendo também a
internet ao dispor que incorre nas penas do art. 184 quem violar os direitos do
autor e os que lhe são conexos, estes definidos pela LDA. Ìnteressante a
redação dos parágrafos do art. 184, ao se aproximar dos termos contidos na lei
autoral brasileira quando dispõe: "§ 1
o
Se a violação consistir em reprodução
total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, !or qualquer meio ou
!rocesso, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem
autorização expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor,
conforme o caso, ou de quem os represente: Pena ÷ reclusão, de 2 (dois) a 4
(quatro) anos, e multa¨
21
(grifo nosso). Ou ainda o parágrafo 3.º que se
assemelha à redação do art. 29, VÌÌ da LDA quando comina pena quando "a
violação consistir no oferecimento ao público, mediante ca"o1 fi"ra ótica1
19
Art. 107, incisos Ì a ÌV da Lei 9.610/98.
20
Art. 5.º, ÌV da LDA.
21
Art. 184, § 1.º do Código Penal Brasileiro.
sat2lite1 ondas ou qualquer outro sistema que !ermita ao usuário reali3ar
a seleção da o"ra ou !rodução !ara rece"45la em um tem!o e lugar
!reviamente determinados !or quem formula a demanda, com intuito de
lucro, direto ou indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do autor,
do artista intérprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem os
represente: Pena ÷ reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa¨.
22
(grifo
nosso)
O parágrafo 4º, do art. 184 do CPB, isenta de pena quem praticar
qualquer dos atos constantes nos parágrafos do artigo em conformidade com o
disposto nos artigos 46 a 48 da LDA que se referem às limitações aos direitos
autorais, inovando ao permitir a cópia de obra intelectual ou fonograma, em um
só exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou
indireto.
As alterações trazidas pela lei 10.695/2003 contribuem para um controle
mais rígido do direito autoral, inserindo a lei penal no âmbito das tecnologias
mais recentes, como é o caso da internet, inclusive introduzindo no Código de
Processo Penal medidas condizentes com os preceitos contidos na LDA, em
consonância com as inovações do Código Penal. Essas atualizações nas leis
conferem aos detentores de direitos autorais segurança jurídica em qualquer
meio que sua obra venha a circular.
&.$.$. A )oncessão de Direitos Autorais 5 A /icença Creative Commons
Estabelecida a proteção jurídica dos direitos autorais, pode o autor
dispor de alguns desses direitos no âmbito da internet, ou mesmo fora dela,
com o objetivo de difundir seu trabalho. A concessão de licenças pelo autor ao
disponibilizar as obras na rede tendem a criar nos usuários uma "simpatia¨ que
estimula os usuários a consumir a obra daquele autor.
22
Art. 184, § 3.º do Código Penal Brasileiro.
Uma desses pacotes de licenças é o projeto Creative Commons, criado
pela Universidade de Stanford, sendo adaptado às leis brasileiras pela
Fundação Getúlio Vargas. Através dessas licenças pode o autor disponibilizar
seu trabalho indicando quais as concessões que são feitas para o uso da obra.
A Creative Commons parte do pressuposto que o direito autoral proíbe
qualquer uso da obra não autorizado previamente pelo autor, assim, através da
licença o autor passa a permitir algumas utilizações da obra, podendo em
certos casos o usuário alterá-la.
"O Creative Commons é um projeto que tem por objetivo expandir a
quantidade de obras criativas disponíveis ao público, permitindo criar outras
obras sobre elas, compartilhando-as. Ìsso é feito através do desenvolvimento e
disponibilização de licenças jurídicas que permitem o acesso às obras pelo
público, sob condições mais flexíveis. (...) Existem diversas modalidades de
licença, cada uma concedendo direitos e deveres específicos. (...) Muda-se,
assim, de 'todos os direitos reservados' para 'alguns direitos reservados',
garantindo-se a existência de uma universalidade de bens intelectuais criativos
acessíveis a todos, que é condição fundamental para qualquer inovação
cultural e tecnológica ¨.
23
Em linhas gerais trata-se de uma autorização prévia do autor,
geralmente não onerosa, para a utilização de suas obras pelos usuários, o que
difere, no entanto, é a possibilidade de o autor escolher, de forma prática, as
licenças que irá permitir. Geralmente essas licenças têm como finalidade o
estímulo a produções culturais baseadas na derivação de uma obra protegida
pelos direitos autorais.
&.$.&. Distri"uição Ilimitada e a roteção ao Direito Autoral
Utilizar a internet como meio para a divulgação da obra intelectual
proporciona ao autor um alcance imensurável para o seu trabalho, alcance
23
http://www.direitorio.fgv.br/cts/projetos.html#cc acesso em 30/03/2005 às 08h36.
esse que feito através de métodos tradicionais custaria mais tempo, e,
conseqüentemente, mais dinheiro, encarecendo a obra o que a tornaria menos
acessível ainda ao público, o que, segundo alegam alguns usuários, é a causa
da reprodução de cópias não autorizadas, a chamada pirataria. A facilidade ao
acesso das obras na internet, entretanto, deu a falsa impressão de que as
obras ali expostas estavam livres de direitos autorais, portanto passíveis do uso
indiscriminado sem a autorização do autor. Uma obra disponibilizada, mesmo
que gratuitamente, na rede possui proteção do direito do autor e deve seguir as
regras estabelecidas pela lei. A concessão, através de licenças, pagas ou
gratuitas, facilita o acesso e utilização dessas obras.
Faz-se necessário, entretanto, um rígido controle e fiscalização por parte
dos órgãos competentes, sejam eles o governo ou as associações de autores,
para que os direitos autorais, que encontram na lei a proteção para que
subsistam, não se percam na imensidão da internet. A mesma tecnologia que
facilita a reprodução indiscriminada produz armas capazes de controlar as
cópias digitais, definindo com segurança, pode-se falar numa segurança maior
até que a presente no meio analógico, os direitos cabíveis ao autor da obra.
Como em toda a sociedade, também no meio digital, há pessoas dispostas a
infringir o direito alheio, a lei protege esses direitos e seus titulares, cabe a
quem for responsável aplicar a lei, impedindo a violação dos direitos e de forma
a sempre estimular a produção intelectual artística e científica.
)onclus6es
,efer4ncias
1. 7e"sites
< www.ebookcult.com.br/ebookzine/drm.htm> acesso às 16h16 de 30/03/05.
<www.apple.com/itunes> acesso em 30/03/2005 às 16h34.
<www.creativecommons.org> acesso em 29/03/2005 às 20h13.
<www.direitorio.fgv.br/cts/projetos.html#cc> acesso em 30/03/2005 às 08h36.
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Ane8os
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A#,A%:S ÷ Associação Brasileira de Música
A)) ÷ Advanced Áudio Coding (Código Avançado de Áudio)
A)I%#A ÷ Associação de Compositores e Ìntérpretes Musicais do Brasil
A%A, ÷ Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes
A(A)I% ÷ Associação Nacional de Autores, Compositores, Ìntérpretes e Músicos
ASSI% ÷ Associação de Ìntérpretes e Músicos
A;IDA ÷ Associação dos Titulares de Direitos Autorais
)) ÷ Creative Commons
)D ÷ Compact Disc
)(DA ÷ Conselho Nacional de Direitos Autorais
)(,I ÷ Corporation for National Research Ìnitiatives (Corporação para Ìniciativas de Pesquisas
Nacionais)
)# ÷ Código Penal Brasileiro, Decreto-Lei n.º 2.848 de 07/12/1940
DOI ÷ Digital Object Ìndentifier (Ìndentificador de Objeto Digital)
D,% ÷ Digital Rights Management (Gerenciamento Digital de Direitos Autorais)
D<D ÷ Digital Versatile Disc
E)AD ÷ Escritório Central de Arrecadação
/DA ÷ Lei de Direitos Autorais, Lei n.º 9.610 de 19/02/1998
%D ÷ Mini Disc
%& ÷ Moving Picture Expert Group Áudio ÷ Layer 3
O%I ÷ Organização Mundial de Propriedade Ìntelectual
$ ÷ Peer to Peer (Par para Par)
SADE%#,A ÷ Sociedade Administradora de Direitos de Execução Musical do Brasil
S#A)E% ÷ Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música
SI)A% ÷ Sociedade Ìndependente de Compositores e Autores Musicais
SO)I(,O ÷ Sociedade Brasileira de Administração e Proteção de Direitos Ìntelectuais
;ODA *7);+ ÷ Tratado da OMPÌ sobre Direito do Autor (WÌPO Copyrigth Treaty)
;OEI= *7;+ ÷ Tratado da OMPÌ sobre Executores Ìntérpretes e Fonogramas (WÌPO
Performances and Phonograms Treaty)
;,I ÷ Agreement on Trade-Related Aspects of Ìntellectual Property Rights (Acordo sobre
Aspectos dos Direitos de Propriedade Ìntelectual Relacionados ao Comércio)
:#) ÷ União Brasileira de Compositores
:DA ÷ Unidade de Direito Autoral
<HS ÷ Video Home Sistem
$. 9/OSS>,IO
A)) ÷ formato de arquivo digital protegido pelos direitos autorais de acordo com a AAP
utilizado, principalmente, no sistema iTUNES.
Actio Injuriarium ÷ ação romana contra a ofensa à moral, sendo considerado por alguns
autores a origem dos direitos de personalidade.
)ontent9uard ÷ tecnologia que permite, através de um código denominado XrML, aos autores
administrar e proteger conteúdos próprios como livro, música e vídeo distribuídos na Ìnternet.
)o!?rig.t ÷ direito de reprodução de obra intelectual.
)rac@er ÷ programa ou pessoa que se destina a ilegalmente quebrar proteções digitais
tornando-as vulneráveis, causando danos e prejuízos aos sistemas protegidos.
)reative )ommons ÷ projeto que visa pré-definir no momento da disponibilização da obra
intelectual ao público quais direitos o autor resguarda e quais concede ao usuário.
DOI ÷ tecnologia que visa enviar informações sobre o conteúdo de um objeto digital.
DoAnload ÷ transferência de um arquivo digital de um computador a outro.
D,% ÷ Gerenciamento digital dos direitos autorais através de tecnologias de identificação de
objetos digitais, tais como o DOÌ ou ContentGuard.
=onograma ÷ toda fixação de sons de uma execução ou interpretação ou de outros sons, ou
de uma representação de sons que não seja uma fixação incluída em uma obra
audiovisual.
$B
Internet ÷ rede que interliga computadores de todo o mundo.
I;:(E ÷ Tecnologia de distribuição de músicas protegidas pelo direito autoral pela internet
através do $ownloa$ pago de obras em formato ACC.
%& ÷ formato mais popular de arquivo digital de áudio.
$ ÷ tecnologia que permite a ligação direta entre dois computadores, através da internet,
sem necessidade de um servidor central.
ortal ÷ reunião de sites de variados conteúdos.
,o?alties ÷ compensação financeira pelo exercício de direitos de exploração de um bem,
notadamente de marcas e patentes.
25
SoftAare ÷ programa de computador.
7e"site ÷ local na internet que dispõe conteúdo.
24
Art. 5.º, ÌX da Lei n.º 9.610/98.
25
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Fundação Antônio dos Santos Abranches ÷ FASA, 2002.