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NOVO CURSO PARA CARREIRA JURÍDICA
Direito Penal
Rogério Sanches
1
DIREITO PENAL: CONCEITO

a) Aspecto Formal / Estático: Direito Penal é o
conjunto de normas que qualifica certos
comportamentos humanos como infrações
penais, define os seus agentes e fixa sanções
a serem-lhes aplicadas.

b) Aspecto Material: O Direito Penal refere-se a
comportamentos considerados altamente
reprováveis ou danosos ao organismo social,
afetando bens jurídicos indispensáveis à
própria conservação e progresso da sociedade.

c) Aspecto Sociológico/Dinâmico (TJ/PR):
Direito Penal é mais um instrumento de
controle social visando assegurar a necessária
disciplina para a harmônica convivência dos
membros da sociedade.

Aprofundando o enfoque sociológico

- A manutenção da paz social demanda a
existência de normas destinadas a estabelecer
diretrizes.
- Quando violadas as regras de conduta, surge
para o Estado o dever de aplicar sanções (civis
ou penais).
- Nessa tarefa de controle social atuam vários
ramos do Direito.
- Quando a conduta atenta contra bens
jurídicos especialmente tutelados, merece
reação mais severa por parte do Estado,
valendo-se do Direito Penal.
- O que diferencia a norma penal das demais é
a espécie de consequência jurídica (pena
privativa de liberdade).


DIREITO PENAL: MISSÃO

Na atualidade, a doutrina divide a missão do
Direito Penal em:

1- MISSÃO MEDIATA

a) Controle Social
b) Limitação ao Poder de Punir do Estado
OBS.: Se de um lado, o Estado controla o
cidadão, impondo-lhe limites, de outro lado é
necessário também limitar seu próprio poder de
controle evitando a hipertrofia da punição.

2- MISSÃO IMEDIATA

A doutrina diverge: (MP/MG - 1ª fase)

1ª Corrente: a missão do Direito Penal é
proteger bens jurídicos (Funcionalismo de
Roxin).
2ª Corrente: a missão do Direito Penal é
assegurar o ordenamento jurídico, a vigência
da norma (Funcionalismo de Jakobs).












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2- Quanto ao ESPAÇO: Em regra, aplica-se
a lei penal aos fatos ocorridos no território
nacional (Princípio da Territorialidade – art.
5º C.P.).

“Art. 5º, C.P. - Aplica-se a lei brasileira, sem
prejuízo de convenções, tratados e regras de
direito internacional, ao crime cometido no
território nacional.”

3- Quanto ao TEMPO: O direito de punir não
é eterno (a maior prova dessa afirmação é a
prescrição – limite temporal do direito de
punir).

OBS.: O direito de punir é monopólio do
Estado, ficando proibida a justiça privada.

A justiça privada pode caracterizar o crime de
exercício arbitrário das próprias razões (art.
345 C.P.).

“Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos,
para satisfazer pretensão, embora legítima,
salvo quando a lei o permite:

CUIDADO! Há um caso que o Estado tolera
a punição privada paralela à punição
estatal: ESTATUTO DO ÍNDIO (art. 57 da lei
nº 6001/73)

“Art. 57. Será tolerada a aplicação, pelos
grupos tribais, de acordo com as instituições
próprias, de sanções penais ou disciplinares
contra os seus membros, desde que não
revistam caráter cruel ou infamante, proibida
em qualquer caso a pena de morte.”



“Estatuto de Roma - Artigo 1º - O Tribunal - É
criado, pelo presente instrumento, um Tribunal
Penal Internacional ("o Tribunal"). O Tribunal
será uma instituição permanente, com
jurisdição sobre as pessoas responsáveis pelos
crimes de maior gravidade com alcance
internacional, de acordo com o presente
Estatuto, e será complementar às jurisdições
penais nacionais. A competência e o
funcionamento do Tribunal reger-se-ão pelo
presente Estatuto.”



DIREITO PENAL SIMBÓLICO

A LEI, NECESSÁRIA, NASCE SEM
QUALQUER EFICÁCIA SOCIAL.
EX: CRIA-SE O TIPO PENAL COM PENA
DESPROPORCIONAL

VELOCIDADES DO DIREITO PENAL

Idealizadas por Silva Sánchez.
Trabalha com o tempo que o Estado leva para
punir o autor de uma infração penal mais ou
menos severa.







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1ª VELOCIDADE: Enfatiza infrações penais
mais graves, punidas com pena privativa de
liberdade, exigindo procedimento mais
demorado, observando todas as garantias
penais e processuais.

2º VELOCIDADE: Flexibiliza direitos e
garantias fundamentais, possibilitando punição
mais célere, mas, em contrapartida, prevê
penas alternativas.

3º VELOCIDADE: Mescla a 1ª velocidade e a
2ª velocidade.

- Defende a punição do criminoso com pena
privativa de liberdade (1ª velocidade).
-Permite, para determinados crimes, a
flexibilização de direitos e garantias
constitucionais (2ª velocidade).


FONTES DO DIREITO PENAL

Lugar de onde vem (fonte material) e como se
exterioriza (fonte formal) o Direito Penal.

1- FONTE MATERIAL (“fábrica”)
É a fonte de produção da norma (órgão
encarregado de criar o Direito Penal): UNIÃO
(artigo 22, I, C.F.).

“Art. 22. Compete privativamente à União
legislar sobre:

I - direito civil, comercial, penal, processual,
eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico,
espacial e do trabalho;”

IMPORTANTE!

Lei complementar pode autorizar o Estado a
legislar sobre Direito Penal incriminador no seu
âmbito.

“Art. 22, parágrafo único. Lei complementar
poderá autorizar os Estados a legislar sobre
questões específicas das matérias
relacionadas neste artigo.”

FONTES DO DIREITO PENAL

2- FONTE FORMAL (“propagar o produto
fabricado”)

É o instrumento de exteriorização do Direito
Penal, o modo como as regras são reveladas
(fonte de conhecimento ou cognição).



2- FONTES FORMAIS

a) Imediatas (Doutrina Moderna)
a.1) LEI
- Fonte formal imediata.
- Único instrumento normativo capaz de criar
infrações penais e cominar sanções.

a.2) CONSTITUIÇÃO FEDERAL

- Fonte formal imediata.
- Muito embora não possa criar infrações
penais ou cominar sanções, a C.F. nos revela o
Direito Penal estabelecendo patamares
mínimos (mandado constitucional de
criminalização) abaixo dos quais a intervenção
penal não se pode reduzir.










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# Pergunta (fase oral MP/SP):
Se a C.F. é superior à lei, porque ela não
pode criar infrações penais ou cominar
sanções?

Em razão de seu processo moroso de
alteração.

EXEMPLOS DE MANDADOS
CONSTITUCIONAIS DE CRIMINALIZAÇÃO:

“Art. 5º, XLII, CF - A prática do racismo
constitui crime inafiançável e imprescritível,
sujeito à pena de reclusão (patamares
mínimos), nos termos da lei; (a lei é quem cria
o crime de racismo e comina a sua pena).”

“Art. 5º, XLIV, CF - Constitui crime inafiançável
e imprescritível (patamares mínimos) a ação de
grupos armados, civis ou militares, contra a
ordem constitucional e o Estado Democrático;”



- Ex: O legislador não poderia retirar o
crime de homicídio do ordenamento jurídico,
porque a C.F./88 garante o direito à vida.
- Com base no mandado constitucional de
criminalização implícito questiona-se a
legalização do aborto.





2- FONTES FORMAIS

a) Imediatas (Doutrina Moderna)
a.4) JURISPRUDÊNCIA
- Fonte formal imediata.
- Revela Direito Penal, podendo ter inclusive
caráter vinculante.

Ex: “Art. 71 C.P. - Quando o agente, mediante
mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou
mais crimes da mesma espécie e, pelas
condições de tempo (jurisprudência propõe 30
dias), lugar, maneira de execução e outras
semelhantes, devem os subseqüentes ser
havidos como continuação do primeiro, aplica-
se-lhe a pena de um só dos crimes, se
idênticas, ou a mais grave, se diversas,
aumentada, em qualquer caso, de um sexto a
dois terços.”

2- FONTES FORMAIS

a) Imediatas (Doutrina Moderna)









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a.5) PRINCÍPIOS

- Fonte formal imediata.
- Não raras vezes, os Tribunais absolvem ou
reduzem penas com fundamento em princípios.
- Ex: Princípio da Insignificância – causa de
atipicidade.

a.6) ATOS ADMINISTRATIVOS

- Fonte formal imediata quando
complementam norma penal em branco.
- Ex: Lei de drogas é complementada por uma
Portaria da ANVISA.

2- FONTE FORMAL

b) Mediata (Doutrina Moderna)
b.1) DOUTRINA
# COSTUMES?

- São classificados como fontes informais do
Direito Penal.
- O assunto será aprofundado no estudo do
Princípio da Legalidade.

INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL

O ato de interpretar é necessariamente feito
por um sujeito que, empregando
determinado modo, chega a um resultado.

1- Interpretação quanto ao SUJEITO
(ORIGEM)

a) Interpretação autêntica (ou legislativa)
- É aquela fornecida pela própria lei.
- Ex: Art. 327 C.P. (conceito de funcionário
público).


“Art. 327, C.P. - Considera-se funcionário
público, para os efeitos penais, quem, embora
transitoriamente ou sem remuneração, exerce
cargo, emprego ou função pública.

§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem
exerce cargo, emprego ou função em entidade
paraestatal, e quem trabalha para empresa
prestadora de serviço contratada ou
conveniada para a execução de atividade típica
da Administração Pública.

b) Interpretação doutrinária (ou científica)
- É a interpretação feita pelos estudiosos.
- Ex: Livro de doutrina.

c) Interpretação jurisprudencial
- É o significado dado às leis pelos Tribunais.
- Pode ter caráter vinculante.



INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL

2- Interpretação quanto ao MODO

a) Gramatical / Filológica (TJ/ MS) / Literal
- Considera o sentido literal das palavras.

b) Teleológica
- Perquire a intenção objetivada na lei.

c) Histórica
- Indaga a origem da lei.

d) Sistemática

Interpretação em conjunto com a legislação em
vigor e com os princípios gerais do Direito.

e) Progressiva (ou evolutiva)
- Busca o significado legal de acordo com o
progresso da ciência.

INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL

3- Interpretação quanto ao RESULTADO

a) Declarativa / Declaratória

É aquela em que a letra da lei corresponde
exatamente àquilo que o legislador quis dizer
(nada suprimindo, nada adicionando).








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b) Restritiva

A interpretação reduz o alcance das palavras
da lei para corresponder à vontade do texto.

c) Extensiva (+ cai no concurso)

Amplia-se o alcance das palavras da lei para
que corresponda à vontade do texto.


ATENÇÃO! A doutrina cita, ainda, duas
espécies de interpretação:

1- INTERPRETAÇÃO “SUI GENERIS”
Se subdivide em:

a) EXOFÓRICA: o significado da norma
interpretada não está no ordenamento
normativo.

Exemplo: art. 20 C.P. (“tipo”) – quem define o
que é tipo legal é a doutrina – e não a lei.

“Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do
tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a
punição por crime culposo, se previsto em lei.”

b) ENDOFÓRICA : o texto normativo
interpretado empresta o sentido de outros
textos do próprio ordenamento normativo
(interpretação muito utilizada nas normas
penais em branco).

Exemplo: art. 237 C.P. – a expressão
“impedimento para casamento” é interpretada
de acordo com o Código Civil.

”Art. 237 - Contrair casamento, conhecendo a
existência de impedimento que lhe cause a
nulidade absoluta:

Pena - detenção, de três meses a um ano.”

2- INTERPRETAÇÃO CONFORME A
CONSTITUIÇÃO

- A Constituição informa e conforma as normas
hierarquicamente inferiores.
- Assume nítido relevo dentro da perspectiva
do Estado Democrático de Direito.

INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA:
Aprofundando

# Admite-se interpretação extensiva contra o
réu?

1ª Corrente (Nucci e Luiz Regis Prado): É
indiferente se a interpretação extensiva
beneficia ou prejudica o réu (a tarefa do
intérprete é evitar injustiças).

- A C.F./88 não proíbe interpretação extensiva
contra o réu.

2ª Corrente (Luiz Flávio Gomes / Defensoria
Pública): Socorrendo-se do Princípio do “in
dubio pro reo”, não admite interpretação
extensiva contra o réu (na dúvida, o juiz de
interpretar em seu benefício)

- “Estatuto de Roma - Artigo 22.2- A previsão
de um crime será estabelecida de forma
precisa e não será permitido o recurso à
analogia. Em caso de ambiguidade, será
interpretada a favor da pessoa objeto de
inquérito, acusada ou condenada.”

Exemplo1: Art. 121, § 2º, I, II e IV C.P.
Exemplo2: Art. 306 C.T.B.

Para Rogério Greco:










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I - mediante paga ou promessa de
recompensa, ou por outro motivo torpe;

III - com emprego de veneno, fogo, explosivo,
asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel,
ou de que possa resultar perigo comum;

IV - à traição, de emboscada, ou mediante
dissimulação ou outro recurso que dificulte ou
torne impossível a defesa do ofendido;
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.”

ART. 306, C.T.B.

“Art. 306. Conduzir veículo automotor com
capacidade psicomotora alterada em razão da
influência de álcool ou de outra substância
psicoativa que determine
dependência: (Redação dada pela Lei nº
12.760, de 2012)

ATENÇÃO! A INTERPRETAÇÃO
ANALÓGICA não se confunde com
ANALOGIA

ANALOGIA

- Não é forma de interpretação, mas de
integração.
- Pressupõe lacuna.

- Parte-se do pressuposto de que não existe
uma lei a ser aplicada ao caso concreto,
motivo pelo qual é preciso socorrer-se de
previsão legal empregada à outra situação
similar.

PRESSUPOSTOS DA ANALOGIA NO
DIREITO PENAL

a) Certeza de que sua aplicação será favorável
ao réu (analogia “in bonam partem”).

b) Existência de uma efetiva lacuna a ser
preenchida (omissão voluntária do legislador).

Exemplo1: Art. 181, I C.P. – (o legislador não
lembrou da união estável – possível analogia
“in bonam partem”).

Exemplo2: Art. 155 § 2º C.P. – Furto
Privilegiado (não é aplicável ao roubo, uma vez
que a intenção voluntária do legislador é não
privilegiar esse tipo de crime).

ART. 181, I C.P.

“Art. 181 - É isento de pena quem comete
qualquer dos crimes previstos neste título, em
prejuízo: (Vide Lei nº 10.741, de 2003)

I - do cônjuge, na constância da sociedade
conjugal;

ART. 155 § 2º C.P.

Furto

Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem,
coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de
pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode
substituir a pena de reclusão pela de detenção,
diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar
somente a pena de multa.



PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PENAL

Podemos estudar os Princípios do Direito
Penal formando 4 grupos:

1º Princípios relacionados com a MISSÃO
FUNDAMENTAL DO DIREITO PENAL

2º Princípios relacionados com o FATO DO
AGENTE

3º Princípios relacionados com o AGENTE
DO FATO







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4º Princípios relacionados com a PENA



1º Princípios relacionados com a MISSÃO
FUNDAMENTAL DO DIREITO PENAL

1.1- Princípio da EXCLUSIVA PROTEÇÃO
DOS BENS JURÍDICOS

- O Direito Penal deve servir apenas e tão
somente para proteger bens jurídicos
relevantes.

CONCEITO DE BEM JURÍDICO:

- É um ente material ou imaterial, haurido do
contexto social, de titularidade individual ou
metaindividual, reputado como essencial para a
coexistência e o desenvolvimento do homem
em sociedade.





1º Princípios relacionados com a MISSÃO
FUNDAMENTAL DO DIREITO PENAL

1.2- Princípio da INTERVENÇÃO MÍNIMA

O Direito Penal só deve ser aplicado quando
estritamente necessário, de modo que sua
intervenção fica condicionada ao fracasso das
demais esferas de controle (caráter
subsidiário), observando somente os casos de
relevante lesão ou perigo de lesão ao bem
jurídico tutelado (caráter fragmentário).

IMPORTANTE! O princípio da insignificância
é desdobramento lógico de qual
característica da intervenção mínima?

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

- É um princípio limitador do Direito Penal.
- Causa de ATIPICIDADE MATERIAL

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA DE
ACORDO COM OS TRIBUNAIS
SUPERIORES (STF / STJ):

- Requisitos: (para decorar: “prol”)

1- Ausência de periculosidade social da ação
2- Reduzido grau de reprovabilidade do
comportamento.
3- Mínima ofensividade da conduta do agente
4- Inexpressividade da lesão jurídica causada.

OBSERVAÇÕES SOBRE O PRINCÍPIO DA
INSIGNIFICÂNCIA







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1- STF e STJ: para aplicação do princípio da
insignificância, consideram a capacidade
econômica da vítima (STJ-Resp. 1.224.795).

2- Há julgados no STF e STJ (prevalece)
negando o princípio da insignificância para o
reincidente, portador de maus antecedentes,
ou o criminoso habitual (STF-HC 107.674; STJ-
Resp. 1.277.340).

3- Prevalece no STF e no STJ não ser possível
o princípio da insignificância no furto
qualificado (falta o requisito do reduzido grau
de reprovabilidade do comportamento).

4- STF e STJ não admitem o princípio da
insignificância nos crimes contra a fé pública,
mais precisamente moeda falsa (STF-HC
105.829).

OBSERVAÇÕES SOBRE O PRINCÍPIO DA
INSIGNIFICÂNCIA

5- STF admite o princípio da insignificância nos
crimes contra a Administração Pública
praticados por funcionário público. STJ não
admite.

No entanto, STF e STJ admitem o princípio da
insignificância nos crimes contra a
Administração Pública praticados por
particulares.


6- Prevalece que STF e STJ não admitem o
princípio da insignificância no porte de drogas
para uso próprio.

7- STF e STJ não admitem o princípio da
insignificância em nenhuma forma de tráfico.

8- STF e STJ têm decisões admitindo o
princípio da insignificância nos crimes
ambientais (há importante divergência sobre o
assunto).



2º Princípios relacionados com o FATO DO
AGENTE

2.1- Princípio da EXTERIORIZAÇÃO ou
MATERIALIZAÇÃO DO FATO
O Estado só pode incriminar condutas
humanas voluntárias, isto é, fatos.

ATENÇÃO! Veda-se o Direito Penal do
autor: Consistente na punição do indivíduo
baseada em seus pensamentos, desejos e
estilo de vida.

O Direito Penal brasileiro é um DIREITO
PENAL DO FATO.

Ex: “Art. 2º CP - Ninguém pode ser punido por
fato que lei posterior deixa de considerar crime,
cessando em virtude dela a execução e os
efeitos penais da sentença condenatória. ”

O nosso ordenamento penal, de forma
legítima, adotou o Direito Penal do fato, mas
que considera circunstâncias relacionadas







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ao autor, especificamente quando da
análise da pena.

Ex: Mendicância (art. 60 L.C.P. – abolido) – era
Direito Penal do autor.

2º Princípios relacionados com o FATO DO
AGENTE

2.2- Princípio da LEGALIDADE
Analisaremos na próxima aula.

2º Princípios relacionados com o FATO DO
AGENTE

2.3- Princípio da OFENSIVIDADE /
LESIVIDADE

Exige que do fato praticado ocorra lesão ou
perigo de lesão ao bem jurídico tutelado.

-CRIME DE DANO: ocorre efetiva lesão ao
bem jurídico.
-CRIME DE PERIGO: basta risco de lesão ao
bem jurídico.

a) Perigo abstrato: o risco de lesão é
absolutamente presumido por lei.
b) Perigo concreto: o risco deve ser
demonstrado.

- Temos doutrina entendendo que o crime
de perigo abstrato é inconstitucional.
Presumir prévia e abstratamente o perigo
significa, em última análise, que o perigo
não existe.

- Essa tese, no entanto, hoje não prevalece
no STF. No HC 104.410, o Supremo decidiu
que a criação de crimes de perigo abstrato
não representa, por si só, comportamento
inconstitucional, mas proteção eficiente do
Estado.

Ex.: Embriaguez ao volante – STF decidiu que
o ébrio não precisa dirigir de forma anormal
para configurar o crime – bastando estar
embriagado (crime de perigo abstrato).

Ex.: Arma desmuniciada – STF – jurisprudência
atual – crime de perigo abstrato – demanda
efetiva proteção do Estado.
3º Princípios relacionados com o AGENTE
DO FATO

3.1- Princípio da RESPONSABILIDADE
PESSOAL

Proíbe-se o castigo pelo fato de outrem. Está
vedada a responsabilidade coletiva.

DESDOBRAMENTOS:

a) Obrigatoriedade da individualização da
acusação
É proibida a denúncia genérica, vaga ou
evasiva (Promotor deve individualizar os
comportamentos).
Atenção: Nos Crimes Societários, os Tribunais
flexibilizam essa obrigatoriedade.

b) Obrigatoriedade da individualização da pena

3º Princípios relacionados com o AGENTE
DO FATO

3.2- Princípio da RESPONSABILIDADE
SUBJETIVA

Não basta que o fato seja materialmente
causado pelo agente, ficando a sua
responsabilidade condicionada à existência da
voluntariedade (dolo/culpa).

Em síntese, está proibida a responsabilidade
penal objetiva.

ATENÇÃO: Concurso de delegado da
polícia civil / DF – 2ª fase - Temos doutrina
anunciando dois casos de responsabilidade
penal objetiva (autorizadas por lei) :

1- Embriaguez voluntária

Crítica: A teoria da “actio libera in causa” exige
não somente uma análise pretérita da
imputabilidade, mas também da consciência e
vontade do agente.

2- Rixa Qualificada

Crítica: Só responde pelo resultado agravador
quem atuou frente à ele com dolo ou culpa,
evitando-se responsabilidade objetiva.








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3º Princípios relacionados com o AGENTE
DO FATO

3.3- Princípio da CULPABILIDADE

- Postulado limitador do direito de punir.
- Só pode o Estado impor sanção penal ao
agente imputável (penalmente capaz), com
potencial consciência da ilicitude (possibilidade
de conhecer o caráter ilícito do
comportamento), quando dele exigível conduta
diversa (podendo agir de outra forma).

3.4- Princípio da ISONOMIA

“Art. 5º, ‘caput’ CF: Todos são iguais perante a
lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos
termos seguintes:”

Isonomia Substancial (e não formal)

- Deve-se tratar de forma igual o que é igual
e desigualmente o que é desigual.
- O STF, julgando a ADC nº 19 afastou as
alegações de que o tratamento especialmente
protetivo conferido à mulher pela lei nº
11.340/06 violaria a isonomia. Nesse
julgamento foi observado que o princípio
constitucional é o da isonomia substancial.

3º Princípios relacionados com o AGENTE
DO FATO

3.5- Princípio da PRESUNÇÃO DE
INOCÊNCIA

Convenção Americana de Direitos Humanos -
Artigo 8º .2: “Toda pessoa acusada de um
delito tem direito a que se presuma sua
inocência, enquanto não for legalmente
comprovada sua culpa. Durante o processo,
toda pessoa tem direito, em plena igualdade,
às seguintes garantias mínimas:”

Art. 5º, LVII C.F. – “ninguém será
considerado culpado até o trânsito em
julgado de sentença penal condenatória;”

- Adota o princípio da presunção de inocência
ou de não culpa?

Concurso da Defensoria Pública: não trabalha
com o princípio da presunção de não culpa (só
com o princípio da presunção de inocência).

Demais concursos: trabalham com os
princípios como sinônimos (presunção de
inocência ou não culpa).

DESDOBRAMENTOS DO PRINCÍPIO DA
PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA

a) Qualquer restrição à liberdade do
investigado ou acusado somente se admite
após a condenação definitiva

Atenção! A prisão provisória é cabível quando
imprescindível.
Prisão provisória = imprescindibilidade

“Art. 312 CPP: A prisão preventiva poderá ser
decretada como garantia da ordem pública, da
ordem econômica, por conveniência (quando
imprescindível para) da instrução criminal, ou
para assegurar a aplicação da lei penal,
quando houver prova da existência do crime e
indício suficiente de autoria. (Redação dada
pela Lei nº 12.403, de 2011).”

b) Cumpre à acusação o dever de demonstrar
a responsabilidade do réu (e não a este
comprovar sua inocência)

c) A condenação deve derivar da certeza do
julgador (“in dubio pro reo”)
O princípio do “in dubio pro reo” é um
desdobramento da presunção de inocência.

Ex: Súmula vinculante 11- “Só é lícito o uso de
algemas em caso de resistência e de fundado
receio de fuga ou de perigo à integridade física
própria ou alheia, por parte do preso ou de
terceiros, justificada a excepcionalidade por
escrito, sob pena de responsabilidade
disciplinar civil e penal do agente ou da
autoridade e de nulidade da prisão ou do ato
processual a que se refere, sem prejuízo da
responsabilidade civil do Estado.”










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4º Princípios relacionados com a PENA

4.1- Princípio da DIGNIDADE DA PESSOA
HUMANA
4.2- Princípio da INDIVIDUALIZAÇÃO DA
PENA
4.3- Princípio da PROPORCIONALIDADE
4.4- Princípio da PESSOALIDADE
4.5- Princípio da VEDAÇÃO DO “BIS IN IDEM”


PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
(Princípio relacionado com o fato do agente)

1- INTRODUÇÃO

Art. 5º , II, C.F. – “ninguém será obrigado a
fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão
em virtude de lei;”
Art. 5º, XXXIX, C.F. – “não há crime sem lei
anterior que o defina, nem pena sem prévia
cominação legal;”
Art. 1º, C.P. - “Não há crime sem lei anterior
que o defina. Não há pena sem prévia
cominação legal.”

Quais documentos internacionais tratam do
princípio da legalidade?

a) Convênio para a Proteção dos Direitos
Humanos e Liberdades Fundamentais (Roma –
1950).
b) Convenção Americana de Direitos Humanos
(1969).
c) Estatuto de Roma (1998).

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

2- CONCEITO

Real limitação ao poder estatal de interferir na
esfera das liberdades individuais (daí sua
inclusão na Constituição Federal e nos
Tratados Internacionais).

LEGALIDADE =

3- FUNDAMENTOS DO PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE

3.1- Fundamento Político
Vincula o Poder Executivo e Judiciário a leis
formuladas de forma abstrata (impede o poder
punitivo arbitrário).

3.2- Fundamento Democrático

Representa o respeito ao princípio da divisão
de poderes.

Compete ao Parlamento a missão de elaborar
leis.

3.3- Fundamento Jurídico

Lei prévia e clara produz importante efeito
intimidativo.

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

Art. 1º CP - “Não há crime sem lei anterior que
o defina. Não há pena sem prévia cominação
legal.”

Crime: abrange contravenção penal?
Pena: abrange medidas de segurança?

Conclusão: Não há infração penal (crime +
contravenção) ou sanção penal (pena +
medida de segurança) sem lei anterior.

Art. 3º Código Penal Militar: “As medidas de
segurança regem-se pela lei vigente ao tempo
da sentença, prevalecendo, entretanto, se
diversa, a lei vigente ao tempo da execução.”

5- DESDOBRAMENTOS DO PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE

a) NÃO HÁ CRIME OU PENA SEM LEI

Princípio da reserva legal:
- lei ordinária (regra)
- lei complementar

# Medida Provisória pode criar crime?

Não sendo lei, mas ato do Poder Executivo
com força normativa, a Medida Provisória não
cria crime e não comina pena.

# É possível Medida Provisória versando
sobre Direito Penal não incriminador?
Medida Provisória pode extinguir a







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punibilidade?

Lembrando: o Art. 62, § 1º, I, “b” C.F. proíbe
Medida Provisória versando sobre Direito Penal
(matéria incluída pela EC 32/01).

“Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o
Presidente da República poderá adotar
medidas provisórias, com força de lei, devendo
submetê-las de imediato ao Congresso
Nacional. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)

§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias
sobre matéria:

I - relativa a:
b) direito penal, processual penal e processual
civil;”

A doutrina diverge:

1ªC: Com o advento da EC 32/01, ficou claro
que Medida Provisória não pode versar sobre
Direito Penal (incriminador ou não
incriminador).
- Prevalece entre os constitucionalistas.



5- DESDOBRAMENTOS DO PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE

b) NÃO HÁ CRIME OU PENA SEM LEI
ANTERIOR

- Princípio da anterioridade.
- Proibição da retroatividade maléfica da lei
penal (a retroatividade benéfica é garantia
constitucional).

c) NÃO HÁ CRIME OU PENA SEM LEI
ESCRITA

- Proíbe-se o costume incriminador.
# Para que serve o costume no Direito Penal?
- Para a interpretação.
- O costume interpretativo / “secundum legem”
exerce importante missão no Direito Penal –
atua dentro dos limites do tipo penal.
Ex: Art. 155, § 1º, C.P.: Repouso noturno.

# Costume pode revogar infração penal?

Discute-se na contravenção do jogo do bicho.

1ªC: Admite- se o costume abolicionista ou
revogador da lei nos casos em que a
infração penal não mais contraria o
interesse social deixando de repercutir
negativamente na sociedade.

- Conclusão: Para esta corrente, jogo do bicho
não mais deve ser punido, pois a contravenção
foi formal e materialmente revogada pelo
costume.

2ªC: Não é possível o costume
abolicionista. Entretanto, quando o fato já
não é mais indesejado pelo meio social, a
lei não deve ser aplicada pelo magistrado.

- Conclusão: Jogo do bicho, apesar de ser
formalmente contravenção, não serve para
punir o autor da conduta, pois materialmente
abolida.

3ªC (Prevalece): Somente a lei pode revogar
outra lei. Não existe costume abolicionista.

- Conclusão: jogo do bicho permanece infração
penal, servindo a lei para punir os







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contraventores enquanto não revogada por
outra lei.

ATENÇÃO! STF/STJ adotaram a 3ªC e
decidiram que o crime de violação de
direitos autorais (art. 184 ,§ 2º, C.P.)
permanece vigente (formal e
materialmente).

5- DESDOBRAMENTOS DO PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE

d) NÃO HÁ CRIME OU PENA SEM LEI
ESTRITA

Proíbe-se a utilização da analogia para criar
tipo incriminador (analogia “in bonam partem” é
possível).

Ex.: Art. 155 § 3º CP, abrange sinal de TV à
cabo?

“§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia
elétrica ou qualquer outra que tenha valor
econômico.”

A 2ª Turma do STF, no julgamento do HC
97.261 declarou a atipicidade da conduta do
agente que subtrai sinal de TV à cabo
asseverando ser impossível a analogia
incriminadora com o crime de furto de energia
elétrica.

5- DESDOBRAMENTOS DO PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE

e) NÃO HÁ CRIME OU PENA SEM LEI
CERTA

- Princípio da Taxatividade (ou da
determinação).
- Exige-se clareza dos tipos penais.
- Doutrina entende que o art. 288-A C.P. viola o
princípio da taxatividade.

“Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar,
manter ou custear organização paramilitar,
milícia particular, grupo ou esquadrão com a
finalidade de praticar qualquer dos crimes
previstos neste Código: (Incluído dada pela Lei
nº 12.720, de 2012)”

5- DESDOBRAMENTOS DO PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE

f) NÃO HÁ CRIME OU PENA SEM LEI
NECESSÁRIA

- Desdobramento lógico do princípio da
intervenção mínima.
- Nesse contexto revogou o crime de adultério,
sedução (e não o costume).





PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
X
TIPO ABERTO e NORMA PENAL EM
BRANCO

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
- Exige edição de lei certa, precisa e
determinada.











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TIPO ABERTO

- É espécie de lei penal incompleta.
- Depende de complemento valorativo (dado
pelo juiz na análise do caso concreto).

NORMA PENAL EM BRANCO

- Espécie de lei penal incompleta.
- Depende de complemento normativo (dado
por outra norma).