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AMAR

[…] o soneto “Amar!”, o qual tem 14 versos, 2 quartetos e 2 tercetos, totalizando
4 estrofes. É possível verificar, escandindo o poema, que os versos são decassílabos,
pois, respectivamente, o primeiro e ultimo versos do poema são separados da seguinte
forma: Eu/que/ro a/mar/ a/mar/ per/di/da/mente e Que/ me/ sai/ba/ per/der/ pra/ me/
en/contrar, para isso, só é necessário fazer a contagem desses dois versos. A poetisa
segue os padrões rítmicos com ABAB na primeira estrofe, ABBA na segunda estrofe,
CCD nas terceira e quarta estrofes. Observando esses seguimentos e o tema abordado
por Flor, é notável que ela escreveu com base nas características neorromânticas,
período que permitiuque os autores se espelhassemno romantismo .
Só pelo título do poema percebe-se que o amor é o tema abordado. O tempo
verbal é o presente (“quero amar”), e em alguns momentos leva do presente para o
futuro (“E se um dia hei-de ser pó”). Flor começa o poema com a palavra “Eu” entende-
se que ela narra algo que sente, que vem dela, uma mulher, e por isso pode ser levado
em conta que é um certo dom-juanismo feminino.
Na primeira estrofe, Flor, escreve o amor de tal forma que se torna algo
extraordinário, magnífico e amar sem restrições é algo tão necessário que leva à vontade
de viver intensamente. Como se proferisse, aproveitar intensamente os momentos
amando, e ainda, eu amo perdidamente então ame perdidamente também.
Há um momento de contradição, quando ela banaliza o amor, a portuguesa sofreu
tanto que ama de qualquer jeito, o verso “Amar só por amar” exemplifica essa
afirmação.Também há uma liberdade no poema, a qual expressa amar livremente e não
ficar presa a algo ou a alguém. Esse amor às vezes é insignificante que chega ao ponto
de amar as pessoas e ao mesmo tempo não amar, ao citar “Amar! Amar! E não amar
ninguém!”.
Pode-se dizer que a palavra amar iniciado com maiúscula é uma empolgação da
poetisa, mas depois é como se ela voltasse a “realidade” e percebesse que já viveu uma
vida cheia de amores e que não estava presa a nenhum, então entra o terceiro “amar”
iniciado com letra minúscula. Nessa estrofe, a palavra amar é repetida 5 vezes. A
presença de iniciais maiúsculas nas palavras “Este”, “Aquele”, e “Outro”, entende-se
que realmente se refere a pessoas importantes que passaram na vida dela, mas sem certo
compromisso, podem até se referir aos seus três casamentos.
Na segunda estrofe, não interessa recordar ou esquecer, o que importa é amar aqui
e ali sem se prender a apenas um amor. Percebe-se que há uma redução na repetição da
palavra amar, a qual ela cita apenas uma vez, na qual se refere que não tem como amar
alguém durante toda a vida, quem falar isso falta com a verdade. Flor defende que o
amor não é algo que prende, mas algo que liberta. E ela faz um convite ao leitor para
cantar à vida.
Seguindo para a terceira estrofe, começa assim: “Há uma primavera em cada
vida”. Levando em conta que a primavera se refere à estação, é a época que mais
floresce do ano e é a estação do amor, por isso, todos têm um momento que mais flora,
que ama de forma mais intensa. E levando em conta a primavera como uma fase da
vida, pode-se dizer que é a faze juvenil, a fase que mais se ama. Então, esse delirante
florescimento se dar na juventude.
“É preciso cantá-la assim florida”, quem canta é porque está alegre, cante à
primavera, cante ao amor mesmo, se houver tristeza no coração, pois a nossa voz foi
dada por Deus para ser usada nas canções. Os jovens devem cantar, pois é nessa fase
que o amor está florescendo.
Na quarta e ultima estrofe é alertado que se deve aproveitar porque um dia a morte
vem e não vai adiantar mais querer amar. A portuguesa se sentia atraída pela morte, mas
aproveitava a vida para amar. E ainda, Flor tem uma capacidade de amar tão grande,
mas não é correspondida e por isso que ela vive amando um e outro, para um dia
encontrar o amor que a entenda.
Flor tornou-se conhecida, pois, a maioria de sua poesia eram sonetos que falavam
da solidão, tristeza, saudade, sedução, desejo, morte e amor, tema que prevalecia. (…)

Bibliografias

ESPANCA, Florbela, 1894-1930. Poemas de Florbela Espanca / estudo introdutório,
organização e notas de Maria Lúcia Dal Farra. – São Paulo: Martins Fontes, 1996.

MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa. – 19 ed. São Paulo: Cultrix, 1983.

MOISÉS, Massaud. A Literatura Portuguesa através dos textos. 15 ed São Paulo:
Cultrix, 1985.

http://flavianegoncalves.blogspot.pt/2012/04/interpretacao-do-soneto-amar-de.html [acesso
em 29/05/14]
ANÁLISE DO POEMA "AMOR", de Florbela Espanca
Na obra poética de Florbela Espanca, o amor é visto de uma forma arrebatadora e a busca pelo
mesmo é desenfreado tornando-se necessidade vital, o qual gera um prazer de viver amando
constantemente.
Florbela neste soneto faz uma alusão ao tempo presente, dando voz a um Eu consciente em
relação à fugacidade do tempo e por isso, utiliza a temática da expressão carpe diem para exigir
o seu direito de amar, como é perceptível no seguinte trecho:
Eu quero amar, amar perdidamente!

Tem-se no soneto a representação de um Eu feminino livre das imposições sociais a proporção
em que expressa sua vontade de poder amar várias pessoas sem ter que se prender a alguém:

[...]Este e Aquele, o Outro e toda a genteAmar!Amar!E não amar ninguém!

Como se sabe a primavera poder ser usada como metáfora da juventude. Assim pode se fazer
uma leitura dos versos florbelianos da seguinte maneira: é imprescindível aproveitar a
juventude, enquanto somos jovens.
Florbela Espanca ao usar tal expressão já mencionada, argumenta e se posiciona de forma
contrária a afirmação de que o amor tem que ser eterno:

Quem disser que se pode amar alguémDurante a vida inteira é porque mente!

Pode-se fazer uma comparação no que diz respeito ao significado da expressão carpe diem com
o poema Amar respectivamente nos primeiros versos do primeiro terceto:
Há uma Primavera em cada vida:É preciso cantá-la assim florida, [...]

Portanto, pode-se afirmar que o poema Amar traz a representação de uma mulher sensual,
erótica, que exterioriza através do poema suas inquietações no que diz respeito às limitações
dadas a mulher em seu contexto:
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nadaQue seja a minha noite uma alvorada,Que me saiba
perder... pra me encontrar...
http://desvendandoapoesia.blogspot.pt/2010/01/analise-do-poema-amor-de-florbela.html

[…]
CARACTERÍSTICAS DA OBRA

Conforme reflete sobre a temática das poesias de Florbela Espanca, José Régio (1995) postula que é
recorrente a inquietação que permeia a obra da mesma. Essa insaciabilidade com relação à vida e ao
amor se materializam em textos permeados, também, por eroticidade, em sonetos intensos cujos versos
retratam o interior da alma de uma mulher viva, intensa, ardente e complexa, a qual, enquanto humana,
também não está livre de idealizações do amor e do homem amado, aos anseios da mulher daquela
época, bem como, de igual modo, não está livre de momentos de extremo pessimismo e desilusão. Nas
palavras de Régio (1995, p. 188-89), “[...] Também, lendo a sua poesia, se nos vai impondo esta
impressão de não caber ela em si: de transbordar, digamos, dos limites de uma personalidade”.
É esse “transbordamento” do “eu interior” de Espanca, talvez, um dos elementos fundamentais que
constroem a qualidade e a unicidade de sua obra, a qual retrata a sensibilidade e os anseios de uma
mulher cujos sentimentos não encontram limites, o que evidencia, da mesma forma, o quão torturada foi a
sua alma, visto que os casamentos fracassados e a sua morte trágica permitem inferir que em toda a sua
vida, Florbela Espanca buscou encontrar o amor, mesmo que não fosse amada, como retrata a poetisa
em poemas como “Sonho Vago”[3] e “Amar!”.


3 ANÁLISE DO POEMA “ AMAR” DE FLORBELA ESPANCA

A produção literária de Florbela Espanca, segundo afirma Régio (1995, p. 176-177), exala perfeição,
apuro formal, clareza, sensibilidade, “grandeza estética” e imaginação. Um de seus principais poemas, o
soneto “Amar!”, de acordo com Moisés (1995), foi publicado postumamente no livro “Charneca em Flor”,
de 1931, e expressa uma das temáticas mais recorrentes na obra de Florbela Espanca: a busca
incessante pelo amor.


Amar! – Florbela Espanca

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

O poema “Amar!”, de Florbela Espanca, é um soneto composto por versos decassílabos. Nele, há a
presença de rima, disposta da seguinte forma: no primeiro quarteto, ABAB; no segundo quarteto, por sua
vez, ABBA; no primeiro terceto, CCD e no segundo terceto, CCD. Desse modo, a palavra “perdidamente”,
no primeiro verso, rima com a palavra “gente”, no terceiro verso; a palavra “além”, no segundo verso, rima
com a palavra “ninguém”, no quarto verso. No segundo quarteto, a palavra “indiferente” (verso 5) rima
com a palavra “mente” (verso 8); a palavra bem (verso 6), rima com a palavra “alguém” (verso 7). No
primeiro terceto, a palavra “vida” (verso 9), rima com a palavra “florida” (verso 10), e a palavra “cantar
(verso 11), rima com a palavra “encontrar” (verso 14); a palavra “nada” (verso 12), rima com a palavra
“alvorada” (verso 13). Todos os versos do soneto são decassílabos, com 10 sílabas métricas cada (como
pode-se notar no segundo verso, a/mar/só/por/a/mar/a/qui/a/lém).
O próprio título do poema, cabe frisar, acompanhado de uma exclamação, remete a uma ideia, a
um insight, a um alarde para um sentimento tão importante, que é o amor.
Ao analisarmos os primeiros quatro versos (primeiro quarteto), é perceptível o desejo incontrolável que
arrebata o espírito do eu lírico, de modo que o mesmo deseja, perdidamente, amar (verso 1), mesmo que
esse sentimento se construa apenas pelo simples propósito de senti-lo, e mais nada (verso 2). No terceiro
verso, afirma que o seu amor é livre, e busca amar a qualquer pessoa (“Mais Este e Aquele, o Outro e
toda a gente...”) apenas pela sensação que é causada ao ser tomada pelo amor. Essa concepção de
liberdade amorosa rompe com o conservadorismo da época e insere elementos de erotismo na poesia de
Florbela. No quarto verso, torna a expor a inconstância e a instabilidade do amor, pois, por mais que se
ame, pode-se, no fundo, não se amar verdadeiramente alguém.
No segundo quarteto, nos verso 5 considera que pouco importa se o amor é recordar um momento ou
esquecê-lo. No 6° verso, fala sobre a complexidade do sentimento, que pode ser atrelar alguém a alguma
pessoa ou libertá-lo de algo. Pode ser bom ou pode ser ruim, mas o amor é necessário. Reforça que o
amor dedicado a uma única pessoa não é perene, e não acredita que se possa amar apenas uma pessoa
durante toda uma vida (versos 7 e 8), o que expõe a inconstância de sua alma, humana, que anseia por
um turbilhão de sentimentos intensos e que está propícia a novos arrebatamentos no decorrer da vida.
No primeiro terceto, nos versos 9, 10 e 11, considera ser necessário aproveitar a vida ao máximo pois, “se
Deus nos deu voz/ foi pra cantar” (verso 11), ou seja: por analogia, se nós, humanos, somos capazes de
amar intensamente, não apenas uma, mas várias pessoas durante a vida, devemos então aproveitar essa
capacidade e amar sem nos prendermos a qualquer obstáculo. Essa ideia remete ao ideal árcade, o
“Carpe Diem”, que prega que o homem deve aproveitar o dia, aproveitar a vida.
No último terceto (versos 12, 13 e 14), afirma que, se um dia a morte lhe levar (12), que seja essa noite
(morte, verso 13), um nascer do sol, uma alvorada, um novo começo, pois teria vivido, então,
intensamente, sem se prender a dogmas, apenas à liberdade de amar, à liberdade de sua alma. Encerra
o poema ao reafirmar o seu desprendimento a um sentimento tido como perene, estando ela, pois,
sempre aberta a novos amores, a novos arrebatamentos que podem tomar conta de seu ser (“Que me
saiba perder... pra me encontrar”, verso 14).
Diante disso, vemos que Florbela Espanca foi uma poetisa à frente do seu tempo, pois, através de sua
poesia, expressava as vontades da mulher, a qual ainda era reprimida na época em que viveu; vontades
essas que, comumente. não eram bem aceitas pela sociedade. Florbela foi, então, atrevida em sua
poesia visto que, enquanto humana, se entregava aos seus desejos e anseios, sem se importar com o
choque causado pela sua poesia, que é, sobretudo, sincera e real.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com as leituras que exploramos neste estudo, a obra de Florbela Espanca consolida uma
verdadeira explosão de sentimentos, de modo que a autora não se atem, em sua poesia, ao pudor da
época em que vivia. Como afirma Moisés (1980, p. 312), vemos, na obra da poetisa, uma mulher com
sensibilidade exacerbada, a qual torna os seus textos uma verdadeira retratação dos sentimentos
intensos que afligem a sua alma.
A melancolia presente em quase todas as suas obras nos remete à ideia de sofrimento e dor. Enfatiza,
desse modo, a identidade múltipla, o drama da época relacionado ao comportamento feminino e seu
desejo de ser uma pessoa feliz, aspectos da instabilidade/complexidade da alma, perceptíveis no texto
de Florbela Espanca.
Através do poema “Amar!” podemos ver, então, algumas características que predominam na escrita
dessa autora. A poetisa lusitana interpreta personifica na escrita a sua autocrítica e constrói, assim, a
unicidade de sua obra, imortalizada pelo tempo.


REFERÊNCIAS

ESPANCA, Florbela. AMAR. Disponível em: <http://www.prahoje.com.br/florbela/?p=252>. Acesso em: 4
de setembro de 2011.

ABDALA JUNIOR, Benjamin; PASCHOALIN, Maria Aparecida. História social da literatura
portuguesa. 3. ed. São Paulo: Ática, 1990.


MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa. 16ª. ed. São Paulo: Cultrix, 1980.
______. A Literatura Portuguesa através de Textos. 24ª. ed . São Paulo: Cultrix, 1995.
RÉGIO, José. Ensaios de interpretação crítica: Camões, Camilo, Florbela, Sá Carneiro. Brasília: Porto,
1980. 244 p.



[1] Graduanda do VII Semestre do curso de Letras da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC.
Bolsista de Iniciação Científica na modalidade ICB/UESC.

[2] Graduando do VII Semestre do curso de Letras da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC.
Bolsista de Iniciação Científica na modalidade FAPESB. Tradutor e revisor da revista acadêmica EIDEA
(UESC) e membro do corpo editorial do Grapiúba- jornal dos estudantes de Letras da UESC.

[3] Esse poema, de Florbela Espanca está disponível no sítio: < http://www.luso-
poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=229> Acesso em: 2 de setembro de 2011.

In Florbela Espanca em perspectiva
01/06/2012 - Juliana de Oliveira Melo e Laurenci Barros
Esteveshttp://www2.uefs.br:8081/girlene/verArtigo.php?idArtigo=34

URGENTEMENTE
Neste poema ressalta um tom apelativo: o sujeito poético lança um apelo a toda a
humanidade. É logo a partir do título que ele nos atira um grito urgente em que reclama a
harmonia. Esse grito percorre todo o poema: além da repetição do vocábulo "urgente", os
verbos "inventar", "multiplicar" e "descobrir" sugerem, também, a necessidade de expandir o
amor e contribuem para reforçar a ideia que defende desde o início - espalhar a harmonia no
mundo, começando pelos homens.
Há ainda, outras expressões que remetem para a necessidade de fazer prevalecer o amor
sobre a humanidade: "um barco no mar", a sugerir a salvação, uma vez que esse sentimento
também pode salvar o Homem da destruição iminente; o mesmo é sugerido pelas expressões
"inventar a alegria", "multiplicar os beijos, as searas", "descobrir rosas e rios / e manhãs
claras" que servem para despertar a vontade de aumentar a amizade, a felicidade e a
fraternidade. A última expressão simboliza ainda a beleza, a alegria e a presença do outro. O
verbo "permanecer" conota a insistência e a necessidade de se construir um ambiente
fraterno e amigável.
Há, todavia, muitos elementos que sugerem a oposição ao amor e que, por isso, é preciso
destruir, destacando-se o "ódio / solidão e crueldade / alguns lamentos / muitas espadas", "o
silêncio", a "luz impura". De facto, a negatividade que envolve este vocabulário serve para
destacar a vantagem da sobreposição do amor, em detrimento destes aspectos negativos que
ameaçam o mundo. E se estes vocábulos sugerem o disfórico, os verbos também adquirem
valores opostos. Assim, "inventar" e "permanecer" remetem, respectivamente, para a
necessidade de voltar a construir a amizade e a fraternidade, partindo do nada para aí não
existir impureza, e para a ideia de persistência, de luta constante, para que a esperança não se
apague e a "luz impura" se imponha "até doer". Já o verbo "destruir" encerra uma conotação
negativa, embora no contexto se reporte à destruição de todos os aspectos impeditivos à
implantação desse amor, assumindo, deste modo, um valor positivo.
Há outras palavras que devemos descodificar, porque o seu valor semântico se associa à
mensagem que o sujeito poético pretende transmitir. O nome "barco", símbolo da viagem que
permitirá a fuga e a consequente salvação, enquanto "espadas" indica sentimentos contrários
e sugere a guerra, o ódio, a violência; a palavra "silêncio" remete para o isolamento, a solidão,
a falta de comunicação; "rosas" significam beleza, harmonia, amor, pureza e os "rios" e as
"manhãs claras" apontam para a felicidade, a alegria e a paz. Sendo Eugénio de Andrade um
artista da palavra, não é de estranhar que utilize uma linguagem rica e variada, seleccionando
o vocabulário que lhe permite transmitir o seu apelo e as razões por que o faz. Serve-se,
também, de um conjunto de recursos de estilo que servem a sua intencionalidade: a anáfora e
as repetições, a traduzir a insistência do apelo ("É urgente o amor. / É urgente um barco no
mar. / É urgente destruir certas palavras";"É urgente o amor , é urgente permanecer".); as
antíteses, para apresentar duas realidades distintas e permitir a opção pela mais benéfica para
a humanidade ( destruir / inventar; descobrir / permanecer); as aliterações em "s" e em "r", a
sugerirem a reflexão e a preocupação (destruir certas palavras; lamentos;
espadas... solidão; searas;silêncio... urgente; amor; barco; mar...); as hipérboles, usadas
primeiramente como forma de acentuar a destruição e depois para acentuar a urgência do
amor ("É urgente destruir / certas palavras, / ódio, solidão e crueldade, / alguns lamentos, /
muitas espadas"; " É urgente inventar alegria, / multiplicar os beijos, as searas, / é urgente
descobrir rosas e rios / e manhãs claras."); a metáfora, que serve para exprimir o valor
simbólico à mensagem ("É urgente um barco no mar."...)
Concluindo, poder-se-á afirmar que todos os processos usados pelo poeta concorrem para
clarificar a mensagem que o poema encerra: sem amor não há futuro nem harmonia no
mundo. O próprio título da obra, de onde foi tirado este poema, "Até amanhã" conota a
esperança e a persistência da necessidade de inventar e construir o amor.
(2013, 05). Análise formal do poema "urgentemente" de eugénio de
andrade.TrabalhosFeitos.com. Retirado 05, 2013, de
http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/An%C3%A1lise-Formal-Do-Poema-Urgentemente-
De/929525.html
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