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Daltonismo

O daltonismo (também chamado de discromatopsia ou discromopsia) é uma
perturbação da percepção visual caracterizada pela incapacidade de diferenciar todas ou
algumas cores, manifestando-se muitas vezes pela dificuldade em distinguir o verde do
vermelho. Esta perturbação tem normalmente origem genética, mas pode também
resultar de lesão nos orgãos responsveis pela visão, ou de lesão de origem neurol!gica.
O dist"rbio, #ue era desconhecido até ao século $%&&&, recebeu esse nome em
homenagem ao #u'mico (ohn )alton, #ue foi o primeiro cientista a estudar a anomalia
de #ue ele mesmo era portador. *ma vez #ue esse problema est geneticamente ligado
ao cromossoma $, ocorre mais fre#uentemente entre os homens (no caso das mulheres,
ser necessrio #ue os dois cromossomas $ contenham o gene an+malo).
Os portadores do gene an+malo apresentam dificuldade na percepção de determinadas
cores primrias, como o verde e o vermelho, o #ue se repercute na percepção das
restantes cores do espectro. Esta perturbação é causada por aus,ncia ou menor n"mero
de alguns tipos de cones ou por uma perda de função parcial ou total destes,
normalmente associada - diminuição de pigmento nos fotoreceptores #ue dei.am de ser
capazes de processar diferencialmente a informação luminosa de cor.
Mecanismo
/ores primrias no sistema 012
3s tr,s cores primrias são captadas pelos cones e combinam-se formando uma imagem
colorida
3 retina humana possui tr,s tipos de células sens'veis - cor, chamadas cones. /ada um
deles é sens'vel a uma determinada fai.a de fre#u,ncias do espectro luminoso (mais
precisamente ao picos de fre#u,ncia situados a 456 nm (azul-violeta), 785nm (verde) e
776nm (verde-amarelo).
3 classificação dos cones em 9vermelho9, 9verde9 e 9azul9 (012) é uma simplificação
usada por comodidade para tipificar as tr,s fre#u,ncias alvo, embora não corresponda -
sensibilidade real dos fotoreceptores dos cones. :odos os tons e.istentes derivam da
combinação dessas tr,s cores primrias.
3s tonalidades vis'veis dependem do modo como cada tipo de cone é estimulado. 3 luz
azul, por e.emplo, é captada pelos cones de 9bai.a fre#u,ncia9. ;o caso dos dalt+nicos,
algumas dessas células não estão presentes em n"mero suficiente ou registam uma
anomalia no pigmento caracter'stico dos fotoreceptores no interior dos cones.
Tipos de daltonismo
;ão e.istem n'veis de )altonismo, apenas tipos. <odemos considerar #ue e.istem tr,s
grupos de discromatopsias= >onocromacias, Dicromacias e Tricromacias Anómalas.
3 Dicromacia, #ue resulta da aus,ncia de um tipo espec'fico de cones, pode apresentar-
se sob a forma de=
- Protanopia (em #ue h aus,ncia na retina de cones 9vermelhos9 ou de 9comprimento
de onda longo9, resultando na impossibilidade de discriminar cores no segmento verde-
amarelo-vermelho do espectro). O seu ponto neutro encontra-se nos 46?nm. @
igualmente menor sensibilidade - luz na parte do espectro acima do laranAa.
- Deuteranopia (em #ue h aus,ncia de cones 9verdes9 ou de comprimento de onda
intermédio, resultando, igualmente, na impossibilidade de discriminar cores no
segmento verde-amarelo-vermelho do espectro).:rata-se uma das formas de daltonismo
mais raras(cerca de 5B da população masculina), e corresponde -#uela #ue afectou
(ohn )alton (o diagn!stico foi confirmado em 5667, através do e.ame do );3 do seu
globo ocular). O seu ponto neutro encontra-se nos 46?nm.
- Tritanopia (em #ue h aus,ncia de cones 9azuis9 ou de comprimento de onda curta,
resultando na impossibilidade de ver cores na fai.a azul-amarelo).
3 Tricromacia anómala resulta de uma mutação no pigmento dos fotoreceptores dos
cones retinianos , e manifesta-se em tr,s anomalias distintas=
- Protanomalia (presença de uma mutação do pigmento sens'vel -s fre#C,ncias mais
longas (9cones vermelhos9). 0esulta numa menor sensibilidade ao vermelho e num
escurecimento das cores perto das fre#C,ncias mais longas (#ue pode levar - confusão
entre vermelho e preto). 3tinge cerca de 5B da população masculina.
- Deuteranomalia (presença de uma mutação do pigmento sens'vel -s fre#C,ncias
intermédias (9cones verdes9)). 0esulta numa maior dificuldade em discriminar o verde.
D responsvel por cerca de metade dos casos de daltonismo.
- Tritanomalia (presença de uma mutação do pigmento sens'vel -s fre#C,ncias curtas
(9cones azuis9). Eorma mais rara, #ue impossibilita a discriminação de cores na fai.a do
azul-amarelo. O gene afectado situa-se no cromossoma F ao contrrio das outras
tricromacias an!malas, em #ue a mutação genética atinge o cromossoma $.
*m tipo raro de daltonismo é a#uele em #ue h uma 9cegueira9 completa para as cores=
o mundo é visto a preto e branco e em tons de cinza. ;esse caso, estamos perante a#uilo
a #ue se d o nome de visão acromtica.
Genética
3 mutação genética #ue provoca o daltonismo sobreviveu pela vantagem dada aos
dalt+nicos ao longo da hist!ria evolutiva. Essa vantagem advém, sobretudo, do fato de
os portadores desses genes possuirem uma melhor capacidade de visão noturna, bem
como maior capacidade de reconhecerem elementos semi-ocultos, como animais ou
pessoas disfarçadas pela sua camuflagem.
/omo o daltonismo é provocado por genes recessivos localizados no cromossomo $
(sem alelos no G), o problema ocorre muito mais fre#Centemente nos homens #ue nas
mulheres. Estima-se #ue HB da população seAa portadora do dist"rbio, embora apenas 5
B das mulheres seAam atingidas.
Genótip Fenótipo Detalhes
o
X
D
| X
D
>ulher com visão
normal
@omozigota não portadora do gene an+malo ()),
normal)
X
D
| X
d
>ulher com visão
normal
@eterozigota portadora do gene an+malo ()d,
normal)
X
d
| X
d
>ulher dalt+nica @omozigota recessiva (dd, dalt+nica)
X
D
| Y
@omem com visão
normal
@emizigoto dominante (), normal)
X
d
| Y @omem dalt+nico @emizigoto recessivo (d, dalt+nico)
;o caso de um indiv'duo do se.o masculino, como não aparece o alelo ), bastar um
simples gene recessivo para #ue ele seAa dalt+nico, o #ue não acontece com o se.o
feminino pois, para ser dalt+nica, uma mulher precisa ter os dois genes recessivos dd.
• Ie a mãe não for dalt+nica nem portadora ())) e o pai possuir visão normal
()), nenhum dos descendentes ser dalt+nico nem portador.
• Ie a mãe possuir visão normal ())) e o pai for dalt+nico (d), nenhum dos
descendentes ser dalt+nico, porém as filhas serão portadoras do gene ()d).
• Ie a mãe for portadora do gene ()d) e o pai possuir visão normal ()), h a
probabilidade de 7JB dos filhos serem dalt+nicos e 7JB das filhas serem
portadoras do gene.
• Ie a mãe for portadora do gene ()d) e o pai for dalt+nico (d), 7JB dos filhos e
das filhas serão dalt+nicos.
• Ie a mãe for dalt+nica (dd) e o pai possuir visão normal ()), todos os filhos
serão dalt+nicos (d) e todas as filhas serão portadoras ()d).
• Ie a mãe for dalt+nica (dd) e o pai também (d) 5JJB dos filhos e filhas também
serão dalt+nicos.
Diagnóstico
Eigura do teste de &shihara, método utilizado para diagnosticar o daltonismo. O n"mero
H somente é v'sivel para as pessoas de visão normal
E.istem tr,s métodos para se diagnosticar a presença do daltonismo e determinar em
#ue grau ele est afetando a percepção das cores de uma pessoa=
• Anomaloscópio de Nagel - /onsiste em um aparelho onde o indiv'duo #ue vai
ser e.aminado tem seu campo de visão dividido em duas partes. *ma delas é
iluminada por uma luz monocromtica amarela, en#uanto a outra é iluminada
por uma diversas luzes monocromticas verdes e vermelhas. O e.aminado deve
tentar igualar os dois campos, alterando a razão entre a intensidade das luzes
vermelha e verde, e modificando a intensidade da luz amarela.
• Lãs de Holmgreen - /onsiste na avaliação da capacidade de separar
determinados fios de lã em diversas cores.
• Teste de cores de shihara - /onsiste na e.ibição de uma série de cartKes
pontilhados em vrias tonalidades diferentes. Esse é o método mais
fre#uentemente utilizado para se diagnosticar a presença do daltonismo,
sobretudo nas defici,ncias envolvendo a percepção das cores vermelho e verde.
*ma figura (normalmente uma letra ou algarismo) é desenhada em um cartão
contendo um grande n"mero de pontos com tonalidades #ue variam ligeiramente
entre si, de modo #ue possa ser perfeitamente identificada por uma pessoa com
visão normal. <orém um dalt+nico ter dificuldades em visualiz-la.
/omo o teste de &shihara não pode ser utilizado por crianças ainda não alfabetizadas,
desenvolveu-se um método secundrio onde os cartKes, em vez de n"meros e letras,
cont,m desenhos de figuras geométricas, como #uadrados, c'rculos e triLngulos, #ue
podem facilmente ser identificados por crianças em idade pré-escolar.
Tratamento
3tualmente não e.iste nenhum tipo de tratamento conhecido para esse dist"rbio. <orém,
um dalt+nico pode viver de modo perfeitamente normal, desde #ue tenha conhecimento
das limitaçKes de sua visão. O portador do problema pode, por e.emplo, observar a
posição das cores de um semforo, de modo a saber #ual a cor indicada pela lLmpada.
/omo na idade escolar surgem as primeiras dificuldades com cores, sobretudo em
desenhos e mapas, os pais e professores devem estar atentos ao problema, evitando
constranger e traumatizar a criança. <ode ser frustrante para uma criança ter a certeza de
#ue est vendo algo em determinada cor, en#uanto todos os colegas e a professora
afirmam #ue ela est errada.
Adapta!"es
<ara um dalt+nico, navegar em Mebsites coloridos da &nternet pode ser uma e.peri,ncia
não muito agradvel. 3lguns te.tos podem estar ileg'veis, ou mesmo a leitura dos
grficos pode ser impossibilitada devido o es#uema de cores utilizado. <ara possibilitar
a leitura destes te.tos e grficos foi desenvolvido por um dalt+nico o libcolorblindN5O
um softMare #ue faz transformaçKes nas cores no sentido de permitir #ue cores d"bias
seAam colocadas em posiçKes diferentes do espectro de cor, de forma a tornarem-se
diferenciveis por um dalt+nico. O programa de acessibilidade do 1nome, gnome-mag,
tem suporte a esse softMare e fornece uma maneira intuitiva de ativar e desativar os
filtros.
3lgumas cidades A possuem semforos adaptados para os portadores de daltonismo
(#uer condutoresP#uer peKes), #ue apresentam uma fai.a branca ao lado da luz amarela,
possibilitando ao dalt+nico distinguir #ual a cor do sinal aceso pela posição da luz
(acima ou abai.o da fai.a).
Qpis de cores podem ter o nome de cada cor gravada em seu corpo de modo a facilitar
sua identificação.
#uriosidades
Os dalt+nicos são incapazes de discernir as sete cores de um arco-'ris
• O daltonismo pode representar uma vantagem evolutiva sobre as pessoas
portadoras de visão normal, tal como descrito num artigo publicado pela 22/
Online. N?O
• *ma pes#uisa feita por cientistas da *niversidade de /ambridge demonstrou
#ue algumas formas de daltonismo podem, na verdade, proporcionar uma visão
mais aprimorada de algumas cores.
• )urante a ?R 1uerra >undial se descobriu #ue os soldados dalt+nicos tinham
mais facilidade para detectar camuflagens ocultas na mata.
• Os dalt+nicos possuem uma visão noturna superior a de uma pessoa com visão
normal.
• Eles também são capazes de identificar mais matizes de violeta #ue as pessoas
de visão normal.
• 3 maioria dos dalt+nicos não sabe #ue possui esta anomalia.
• 3 percepção das cores varia muito de uma pessoa com daltonismo para outra.
• O pintor %incent van 1ogh sofria de daltonismo.
• 3 incid,ncia de daltonismo é maior entre os descendentes de europeus.
• Os dalt+nicos v,em, em média, entre 7JJ a HJJ cores.
• ;ormalmente as cores prediletas de #uem tem esta alteração genética são o azul
ou ro.o, por serem cores vivas.
• <ara os dalt+nicos o arco-'ris não possui F cores.