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Antropologia III

Prof. Dominique Tilkin Gallois
Júlia Audujas Pereira - 8573835 - noturno
RESENHA: O Totemismo Hoje

O totemismo é tomado por Lévi-Strauss como uma maneira de provar que há formas
de pensar comuns a todos os humanos. Para isso ele começa querendo desvendar a
forma como era encarado o totemismo para vários antropólogos anteriores a ele.
O esforço do autor caminha no sentido de evidenciar o que seria a "ilusão totêmica",
ou seja, refuta a abordagem de Frazer, cuja tentativa era de fundamentar o totemismo
como sistema e explicar sua origem. Mostrando como outros antropólogos como Lowie,
Goldenweiser, Kroeber e Boas também desacreditavam da realidade deste fenômeno.
Assim como demonstrado no trecho em que Boas diz:
“Mas as maneiras pelas quais se manifesta são tão diversas em cada parte do
mundo, as semelhanças são tão superficiais, e os fenômenos podem aparecer
em tantos contextos sem relação alguma com a consangüinidade real ou
suposta que é absolutamente impossível enquadrá-los numa única categoria.”
(Boas apud. Lévi-Strauss, p.99)
Então, Lévi-Strauss retoma a posição de cada um desses antropólogos sobre o
totemismo, deixando em evidência como esse fenômeno foi utilizado para legitimar um
discurso que colocava a soberania das sociedades "civilizadas" sob as sociedades
"primitivas". Por isso que o autor caminha por toda sua obra tentando "desmistificar" o
totemismo e, com isso, mostrar que este modo de pensar é comum a todos.
Para isso, ele retoma a ideia que construíram em torno da histeria, juntamente com
o totemismo. Pois a histeria era vista como algo natural ou biológico do primitivo e este
era o motivo da sua "confusão mental", evidenciada pela falta de capacidade em
conseguir classificar coerentemente sua realidade, misturando o mundo humano, social
com o natural, dos animais e plantas.
Ele, então, vai expondo suas críticas às abordagens de vários autores sobre o
totemismo. Como por exemplo, Malinowski. Para Lévi-Strauss tal autor aborda o
totemismo com uma "perspectiva biológica, psicológica e não etnológica". Além de
pegado elementos de instituições diferentes para construir o "conceito" de totemismo.
Outro autor que refuta é Durkheim, pois sua visão de sociólogo, defendia que a
razão humana não é empírica, mas construída socialmente. Então, o fenômeno de um
clã, escolher uma espécie de animal para representá-los, era explicado por conta de que,
primeiramente, ocorria "sentimentos individuais de pertença", logo após isso virava rituais
coletivos, para que, por fim, se concretizasse em um objeto representativo do grupo.
Entretanto, Lévi-Strauss argumenta que para um clã escolher determinada espécie,
ele precisa conhecer toda a natureza, classificá-las totalmente, para, então, escolher
apenas uma que a represente. Mostrava que a razão humana não era exterior ao homem.
É nesse sentido que Radcliffe Brown é apresentado pelo autor como o antropólogo
que mais chegou próximo à compreensão do totemismo. Pois Radcliffe Brown interpretou
tal fenômeno como sendo sistema de oposições e correlações. Além de que com o seu
método comparativo, diz Lévi-Strauss: "permitiu a antropologia formular proposições
gerais" (Lévi-Strauss, p.107).
Assim, Lévi-Strauss chega à conclusão de que as antigas correntes antropológicas
que encaravam o totemismo como expressão da confusão mental dos "selvagens", não
estavam vendo que o totemismo é simplesmente um pensamento lógico, no qual busca
expressar as relações sociais sob o universo da natureza.
Tal modo de pensar coloca em questão duas relações: a relação metonímica - que é
estabelecida quando um tótem representa um clã - e a relação metafórica - que está na
oposição entre dois sistemas de diferenças (natural e social e as oposições que
estabelecem entre si).
Por conta de todos os argumento que Lévi-Strauss expõe, o livro Totemismo Hoje
deu grande contribuição à antropologia e ao pensamento crítico, pois coloca em igualdade
valores das sociedades tradicionais e contemporâneas; mostrando como há fenômenos
comuns a todos. O totemismo, então, pode ser visto na atualidade, tanto quanto em tribos
antigas, pois o mesmo é uma "série de conexões lógicas que unem relações mentais"
(Lévi-Strauss, p.104).