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FESAM – CURSO DE ADMINISTRAÇÃO


1. Campo de Atuação da Contabilidade
Warren Buffet diz que a Contabilidade é a “linguagem dos negócios”, o idioma das
empresas. E ele não deixa de ter razão, visto que a Contabilidade é uma ciência
que fornece organiza as informações financeiras importantes para a gestão e a
tomada de decisões em toda entidade que lida com recursos monetários.
A Contabilidade é hoje um instrumento vital que deve ser conhecido por todos que
se interessam pela lucratividade das organizações, sejam elas orientadas para o
lucro ou para finalidades sociais.
Em um mercado altamente competitivo e seletivo, a sobrevivência das
organizações, seu crescimento e seu destaque frente aos concorrentes passa
muitas vezes pela sua capacidade de gestão financeira e das decisões a serem
tomadas no dia-a-dia da empresa. A eficácia desse processo depende da qualidade
das informações que o sistema contábil oferece aos administradores e da
capacidade de leitura e compreensão destes balanços, demonstrativos, fluxos e
todas as ferramentas e outputs que são oferecidos pelo departamento contábil da
empresa.
A contabilidade pelo seu conjunto de princípios, normas e procedimentos próprios
é uma ciência com objetivo de conhecer a situação patrimonial das pessoas e as
suas mutações.
"É a ciência que estuda e controla o patrimônio das entidades mediante o registro,
a demonstração Expositiva e a interpretação dos fatos nele ocorridos, com o fim de
oferecer informações sobre sua composição e variações, bem como sobre o
resultado econômico decorrente da gestão da riqueza patrimonial" (Hilário Franco)
"É a ciência que estuda e pratica as funções de orientação, de controle e de
registro relativo aos fatos da administração econômica".
(1º Congresso Brasileiro de Contabilidade - 1924)
OBJETO DA CONTABILIDADE
É o patrimônio, estudando seus aspectos dinâmicos e estáticos.
Aspectos estáticos: É a composição e os valores dos seus diversos elementos.
Aspectos dinâmicos: As mutações patrimoniais no tempo.
OBJETIVO DA CONTABILIDADE
O objetivo da contabilidade é permitir o estudo e o controle dos fatos decorrentes
da gestão do patrimônio das entidades econômicos - administrativas.
FINALIDADE DA CONTABILIDADE
A principal finalidade da contabilidade é permitir a obtenção de informações
econômicas e financeiras acerca da entidade, através do planejamento e controle.
Planejamento - consiste em adotar um modelo de ações dentre diversos outros
possíveis. Pode abranger toda a entidade, com a mudança do comportamento até
hoje adotado ou apenas parcialmente, dependendo do objetivo maior da
organização.
Controle - está ligado à análise da obediência das definições adotadas pela
organização, verificando o desempenho da empresa e se suas metas foram
atingidas.
CAMPO DE ATUAÇÃO DA CONTABILIDADE:

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O campo de atuação da Contabilidade abrange todas as entidades econômico-
administrativas, até mesmo as pessoas de direito público, como a União, os
Estados, os Municípios, as Autarquias etc.
Entidades econômico-administrativas: são organizações que reúnem os seguintes
elementos: pessoas, Patrimônio, titular, ação administrativa e fim determinado.
As entidades econômico-administrativas são classificadas:
1. Entidades com fins econômicos (empresas) - visam o lucro.
2. Entidades com fim sócio-econômico (instituições) - visam superávit que
reverterá em benefício de seus integrantes. Ex.: associações de classe
3. Entidades com fins sociais - (instituições) - visam atender às necessidades da
coletividade a que pertençam. Ex.: União, os Estados e os Municípios.
TÉCNICAS CONTÁBEIS
Para atingir sua finalidade são utilizadas as seguintes técnicas contábeis:
a) ESCRITURAÇÃO - É a técnica pela qual as ocorrências com efeitos no patrimônio
são registradas.
b) DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS - São os relatórios onde nos apresentamos a
situação patrimonial das empresas, a composição dos itens patrimoniais e os
aspectos positivos e negativos da empresa.
c) ANÁLISE DE BALANÇOS - É a técnica pela qual se determina a capacidade de
pagamento da empresa, o grau de solvência, a evolução da empresa, a estrutura
patrimonial e outras
d) AUDITORIA - Verifica ou revisa os registros, demonstrações e procedimentos
adotados para a escrituração, visando a avaliar a adequação e a veracidade das
situações memorizadas e expostas.
1.1. A contabilidade como Sistema de Informação e Controle
Todo sistema que, usando ou não o recursos da tecnologia da informação,
manipula e gera informações pode ser considerado um sistema de
informações.
O sistema de informações gerenciais de uma empresa tem como objetivo
integrar todos os processos, cabendo à gerência a responsabilidade de operá-
lo de forma consequente. Entre os seus demais elementos – a saber:
marketing, produção recursos humanos e logística – está o sistema de
informações contábeis, como mostra a figura a seguir:

Entradas Processamento Saídas


Fatos Registro / Demonstrações
contábeis Análise contábeis
Figura 1: Sistema de Informação Contábeis

Vejamos cada um dos elementos que compões um sistema de informações


contábeis:
Entradas (inputs): são os fatos contábeis que se podem mensurar econômica e
financeiramente numa empresa e que corresponde a transações diversas,
como compra e venda de mercadorias, pagamento de salários, recebimento de
vendas à vista ou a prazo.

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O processamento ocorre em duas etapas:
• Registro de fatos nos livros contábeis, como por exemplo o diário, onde
se lançam as transações por ordem cronológica, e o razão, onde estas
são registradas separadamente por tipo de evento;
• Análise e conciliação dessas informações.
O registro dos fatos contábeis nos livros competentes é feito mediante a
codificação utilizada para classificar os eventos segundo suas particularidades.
Essa codificação é denominada contas contábeis, e o conjunto das diversas
contas constitui o plano de contas contábeis.
Saídas (outputs): consistem nas demonstrações contábeis, que, na prática, são
o retrato da situação econômica e financeira das empresas perante a
sociedade. Segundo a Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6404/76), tais
demonstrações incluem:
• O balanço patrimonial;
• A demonstração do resultado do exercício;
• A demonstração das origens e aplicações de recursos;
• A demonstração das mutações do patrimônio líquido.
A contabilidade é um sistema por excelência; mais especificamente, um
sistema de informação e avaliação visando fornecer demonstrações e análises
de natureza econômica, financeira, física e de produtividade com relação à
entidade objeto de contabilização.
A entidade é a própria empresa em si. O usuário da informação contábil pode
ser toda pessoa física ou jurídica que tenha interesse em avaliar a situação e o
progresso de determinada entidade, seja esta uma empresa com finalidades
lucrativas ou não, ou mesmo um patrimônio familiar.
Existem dois tipos de usuários das informações contábeis: internos e externos.
Cada um desses usuários está interessado num determinado tipo de
informação, como se vê a seguir:

Usuário Informação desejada

Acionista Minoritário Fluxo regular de dividendos

Fluxo de dividendos, valor de mercado da ação, lucro por


Acionista Majoritário
ação

Acionista
Fluxo de dividendos mínimos ou fixos
preferencial

Governo Valor adicionado, produtividade, lucro tributável

Clientes Pós-venda dos bens adquiridos

Fornecedores/Empres
Geração de fluxos de caixa futuros
tadores

Alta e média Retorno sobre o ativo, retorno do patrimônio líquido,


administração liquidez, endividamentos

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Liquidez, geração de fluxos de caixa futuro capaz de
Empregados em geral
assegurar aumentos/manutenção dos salários

Observando o fluxo apresentado anteriormente, podemos dizer que o


processamento das informações contábeis ocorre da seguinte forma:

Usuários
externos

Fatos Fatos Informações


contábeis contábeis contábeis
Observados Registrados Demonstraç
Classificados Conferidos ões
Coletados Conciliados contábeis

Usuários
internos

Figura 2: Processamento das Informações Contábeis

Os fatos contábeis passíveis de registro dividem-se em duas categorias, a


saber:
• Fatos permutativos, que não alteram a situação patrimonial das
empresas;
• Fatos modificativos, que alteram a situação patrimonial.
No registro dos fatos adota-se o método das partidas dobradas, segundo o qual
para toda origem de recurso deverá haver uma aplicação de recurso
correspondente.
O fluxo de recursos passíveis de registro mostra que os recursos da empresa
são aplicados de uma ou de outra forma, como se vê na figura 3:

Aplicações Origens
(para onde vão os (de onde vem os
recursos) recursos)
Figura 3: Fluxo de Recursos da Empresa

Suponha que algumas pessoas, tendo decido iniciar as atividades de uma


empresa, integralizaram o sue capital social em forma de estoques. Essa
formação inicial será assim representada:

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Aplicaçõ
Origens
es

Estoque Capital
s Social

As origens são os recursos das empresas, os quais provem de duas fontes


principais: capitais próprios e capitais de terceiros.
Os capitais próprios são os recursos cedidos às empresas pelos sócios ou
acionistas, assim como os lucros gerados na própria atividade.
Os capitais de terceiros são os recursos obtidos com alheios, representados por
créditos concedidos por fornecedores na aquisição de bens ou serviços,
financiamentos de instituições financeiras e outras obrigações contraídas em
decorrência do próprio funcionamento das entidades, obrigações que deverão
ser pagas em prazos e condições previamente fixados.
As origens são efetivamente aplicadas nas operações, sejam elas principais ou
acessórias. Assim, tais aplicações são efetuadas da seguinte forma:
• Em capital de giro: são aplicações feitas no ativo circulante através de
bens e direitos, compreendendo as disponibilidades, aplicações
financeiras, créditos, estoque e outros ativos, cujo prazo de realização
ocorre no período considerado de curto prazo.
• Em capital fixo: são aplicações feitas em bens ou direitos do permanente,
podendo ser tangíveis ou intangíveis.
Eis como se realizam as aplicações e as origens:

Aplicações Origens

Capital de terceiros e
Bens e Direitos
próprio

A Informação contábil
A contabilidade é uma linguagem universal única e um instrumento para a
eficiente alocação de recursos, donde sua importância numa economia de
mercado de capitais. Torna-se legítima através das demonstrações contábeis.
Esses demonstrativos são assim definidos, sucintamente:
Balanço patrimonial (BP): mostra a situação econômica e financeira da empresa
num dado momento, ou seja, o resultado das transações envolvendo seus bens,
direitos e obrigações.
Demonstração dos resultados do exercício (DRE): apresenta o resultado do
confronto entre receitas, custos e despesas.
Demonstrações das mutações do patrimônio líquido: revela as variações
ocorridas no patrimônio líquido da empresa, bem como a causa delas e o efeito
que tiveram sobre esse patrimônio.
Demonstração das origens e aplicações de recursos (DOAR): fornece
informações precisas sobre o fluxo de recursos gerados pela empresa e a forma
pela qual estão sendo aplicados.

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CONCEITOS BÁSICOS
Antes de seguirmos, vale a pena compreendermos alguns conceitos que serão
bastante utilizados neste curso.
Gastos: todos os dispêndios efetuados pelas organizações representam gastos
que, conforme suas características, podem dividir-se em: custos, despesas,
investimentos, perdas, gastos operacionais e gastos não-operacionais.
Custos: São os gastos efetuados com a produção dos bens e/ou a prestação de
serviços. Por exemplo, com matérias-primas, mão de obra, etc.
Despesas: trata-se dos gastos que, direta ou indiretamente, contribuem para a
geração de receitas. Incluem-se aí as despesas administrativas, comerciais,
gerais e financeiras.
Investimentos: são todos os gastos visando expandir as instalações ou mesmo
as atividades da empresa. Por exemplo, os gastos com a compra de imóveis,
máquinas e equipamentos.
Perdas: correspondem aos gastos anormais ou involuntários efetuados pela
empresa e que constituem todo o imprevisto ocorrido num certo período.
Gastos operacionais: representam as parcelas referentes ao ciclo operacional
da empresa, ou seja, aquelas vinculadas aos produtos ou serviços que
constituem os objetos da organização. Assim, há que se considerar como gastos
operacionais aqueles referentes aos custos, às despesas e aos investimentos.
Gastos não-operacionais: representam as parcelas que não se incluem no ciclo
operacional da organização, isto é, aquelas vinculadas a atividade ou evento
extraordinário, fora dos objetivos da empresa. Consideram-se, portanto, gastos
não-operacionais aqueles não previstos, ou seja, as perdas.
Receitas: evento causado pela venda de bens e serviços, bem como pelo
rendimento de aplicações financeiras.
Ganhos: representam o acréscimo do patrimônio líquido que não gera
acréscimo no resultado.
Desembolso: trata-se do pagamento referente a um gasto qualquer.

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1.2. O Patrimônio Empresarial
Analisemos o balanço patrimonial da empresa Gol Linhas Aéreas de 31/12/2005:
ITENS 31-dez-05 ITENS 31-dez-05
$ mil $ mil
ATIVO PASSIVO

ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE


Disponibilidades 129.304 Empréstimos e Financiamentos 54.016
Contas a Receber 568.848 Fornecedores 73.924
IR e CSLL Diferidos 20.022 Obrigações sociais 316.002
Estoque 40.683 IR, CSLL e Tributos 57.186
Aplicações Financeiras 739.731 Dividendos a pagar 101.482
Outros 48.119 Outras contas a pagar 50.916
1.546.707 653.526
REALIZÁVEL LONGO
PRAZO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO
IR e CSLL Diferidos 62.121 Empréstimos e Financiamentos 29.415
Outros 65.171
127.292 29.415

PERMANENTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO


Investimentos 1.829 Capital 989.562
Imobilizado 580.028 Reservas de Capital 29.187
Reservas de Lucros 547.755
Outros 6.411
581.857 1.572.915

TOTAL DO ATIVO 2.255.856 TOTAL DO PASSIVO 2.255.856

Como já comentado, o balanço patrimonial é uma demonstração financeira


importante e obrigatória para as empresas.

Ele mostra a situação econômica e financeira da empresa em um dado


momento. No nosso exemplo, vemos a situação da empresa Gol no dia
31/12/2005. O Balanço Patrimonial é um “retrato” do patrimônio da empresa.

O conceito de “patrimônio líquido” requer visão específica da riqueza das


empresas. Quando alguém olha um balanço patrimonial sem conhecer
Contabilidade, normalmente fica encantado ao constatar que Ativo e Passivo
“batem” com a precisão de centavos.

Talvez o encanto desapareça se verificarmos que Ativo e Passivo são a mesma


coisa vista por dois ângulos distintos e que, portanto, têm de ser iguais. O nível
de riqueza por ela empregado para produzir rendas pode ser medido por dois
enfoques distintos:

(1) Bens e direitos possuídos, ou seja, seu Ativo;

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(2) Total das fontes de recursos utilizadas para a aquisição dos ativos.

A riqueza, entretanto, é a mesma. Distingue-se, apenas, de onde ela veio e para


onde ela foi.

É essencial que vejamos no balanço patrimonial o retrato de uma


movimentação de recursos. Estes foram fornecidos por fontes que estão
retratadas no seu lado direito – o Passivo – e foram aplicados na aquisição de
bens e direitos que estão retratados no Ativo (lado esquerdo). Esta é a visão
específica da empresa necessária para a compreensão do conceito de
“patrimônio líquido”.

A empresa recebe fundos de duas fontes básicas:

(1) Obrigações, ou dívidas, constituídas por recursos que são emprestados à


empresa, contribuindo, durante certo prazo, para financiar as aquisições de
bens e direitos realizados;

(2) Recursos próprios da empresa (ou de seus proprietários) que estão


financiando o Ativo, geralmente com prazo indeterminado.

Assim, podemos enunciar a definição de Patrimônio Líquido como sendo a


diferença entre o Ativo (soma dos bens e direitos possuídos por uma empresa)
e o montante das obrigações dessa empresa. Uma equação simples e muito útil
nos ajudará a reter essa definição:

B + D – O = PL (equação 1)

Onde:

B = Bens

D = Direitos

O = Obrigações

PL = Patrimônio Líquido

Reescrevendo a equação 1, temos:

B + D = O + PL (equação 2)

O lado esquerdo da equação (B + D) representa o total de aplicações realizadas


(expressas pelos seus respectivos custos) em determinado momento na vida da
empresa. O lado direito (O + PL) representa dois tipos de fontes de recursos
utilizadas para financiar essas aplicações, sendo estas duas naturezas distintas:
recursos de terceiros (O) e recursos próprios (PL).

Em resumo, podemos montar o seguinte esquema:

B+D = O + PL

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Obrigações + Patrimônio
Bens + Direitos =
Líquido

Aplicações de
= Fontes de recursos
recursos

ATIVO = PASSIVO

1.3. A Contabilidade e as Finanças Empresariais

As atividades financeiras (tesoureiro) e contábeis (controller) estão intimamente


relacionadas e com frequência se sobrepõem. Na verdade, nem sempre é fácil
distinguir entre administração financeira e contabilidade. Em empresas de
pequeno porte, o controller comumente ocupa função financeira, e em
empresas grandes muitos contadores estão envolvidos em diversas atividades
da área financeira. Entretanto, existem duas diferenças básicas entre finanças e
contabilidade: uma está relacionada à ênfase em fluxos de caixa, e a outra, à
tomada de decisões.

Ênfase em fluxos de caixa

A função primordial do contador é produzir e divulgar dados para a mensuração


do desempenho da empresa, avaliando sua posição financeira, e para o
pagamento de impostos. De acordo com certos princípios padronizados e
geralmente aceitos, o contador prepara demonstrações financeiras que
reconhecem receitas no momento da venda (quer tenha sido recebido
pagamento quer não) e reconhecem despesas quando são realizadas. Esse
enfoque é conhecido pelo nome de regime de competência.

O administrador financeiro, por outro lado, dá mais ênfase aos fluxos de caixa,
na entrada e saída de caixa. Ele mantém a solvência da empresa planejando os
fluxos de caixa necessários para que ela cumpra suas obrigações e adquira os
ativos necessários para alcançar seus objetivos. O administrador financeiro usa
o regime de caixa para reconhecer as receitas e despesas somente no que diz
respeito às entradas e saídas efetivas. Independentemente de lucro ou prejuízo,
uma empresa precisa ter um fluxo suficiente de caixa para saudar suas
obrigações.

Exemplo:

A Marina Tucuju, uma pequena revendedora de barcos de pesca, vendeu um


barco por R$ 40.000 no ano passado. O barco foi comprado durante o ano ao
custo de R$ 36.000. Embora a empresa tenha pago integralmente o custo do

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barco durante o ano, no final do ano ela ainda não tinha recebido os R$ 40.000
de seu cliente. A visão contábil do desempenho da empresa durante o ano é
oferecida pela demonstração de resultado, e a visão financeira, pelo fluxo de
caixa, a seguir:

Visão Contábil Visão financeira


(regime de (regime de caixa)
competência)
Marina Tucuju
Demonstração do Marina Tucuju
resultado Demonstração do fluxo de caixa
do ano encerrado em do ano encerrado em 31/12
31/12
Receita de $ Entrada de caixa
$0
venda 40.000
(Custos) ($ (Saída de caixa)
($ 36.000)
36.000)
Lucro Fluxo líquido de
$ 4.000 ($ 36.000)
caixa

Num sentido contábil, a Marina Tucuju é rentável, mas em termos de fluxo


efetivo de caixa é um fracasso financeiro. A falta de fluxo de caixa da empresa
resultou do saldo de contas a receber, ainda não pagas, no valor de R$ 40.000.
Sem entradas adequadas de caixa para saldar seus compromissos, ela não
sobreviverá, qualquer que seja o nível de seus lucros.

Como mostra o exemplo anterior, os dados baseados o regime de competência


não descrevem completamente as circunstâncias em que se encontra uma
empresa. Portanto, o administrador financeiro deve ir além das demonstrações
financeiras para identificar problemas existentes ou futuros. Evidentemente, os
contadores estão cientes da importância dos fluxos de caixa, e os
administradores financeiros usam e compreendem as demonstrações
financeiras baseadas no regime de competência. No entanto, os
administradores financeiros, ao se concentrarem nos fluxos de caixa, devem ser
capazes de evitar a insolvência e ajudar a empresa a atingir seus objetivos
financeiros.

Tomando decisões

A segunda diferença básica entre finanças e contabilidade tem a ver com a


tomada de decisões. Os contadores dedicam a maior parte de sua atenção à
coleta e à apresentação de dados financeiros. Os administradores financeiros
avaliam as demonstrações contábeis, produzem dados adicionais e tomam
decisões com base em sua avaliação dos retornos e riscos correspondentes.
Evidentemente, isso não quer dizer que os contadores nunca tomem decisões
ou que os administradores financeiros jamais coletem dados. Ao contrário,
significa apenas que os focos da atenção da contabilidade e da área de finanças
são muito distintos.

Balanço Patrimonial
Ativo Passivo
Circulante Circulante
Ativo Fixo Recursos

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de Longo
Prazo
Tomando
Tomando
decisões
decisões
de
financeira
investimen
s
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