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Recomendações:

Estudos Bíblicos - TEOLOGIA

DEFINIÇÕES:

- HERMENÊUTICA: A palavra hermenêutica significa explicar, interpretar ou expor.

Do grego ερμηνευειν − hermeneuein = INTERPRETAR. Nas Escrituras é usado em quatro versículos: João 1.42; 9.7; Hebreus 7.2 e Lucas 24.27. O termo Hermenêutica, portanto, descreve simplesmente a prática da interpretação.

- EXEGESE: do Grego εξηγησιs − exégesis ek+egéomai, penso, interpreto, arranco

para fora do texto. Não se trata de pôr algo no texto (eis-egesis) e sim de tirar o que já existe no texto (ex-egesis).

Uma das Funções do pastor ou pregador leigo é explicar (interpretar) a Bíblia Ne 8.8 “A missão do intérprete é servir de ponte entre o autor do texto e o leitor“. (J.Martínez, Hermeneutica Biblica, p. 34)

ALGUNS TERMOS IMPORTANTES E SEUS SIGNIFICADOS

- Antilegomena = Escritos bíblicos que em certo momento foram questionados;

- Apócrifos = Livros supostamente do Antigo Testamento, mas que não possuem

embasamento para comprovar a autenticidade quanto a seu caráter profético;

- Cânon = Do grego “kánon”, e do hebraico “kaneh”, regra; lista autêntica dos Livros considerados como inspirados;

- Epístolas = Cartas;

- Evangelho = Boas Novas;

- Homologomena = Livros bíblicos aceitos por todos e que em momento algum foram questionados;

- Paráfrase = Tradução livre ou solta, onde o objetivo é traduzir a ideia e não as palavras;

- Pseudo-epígrafos =

desenvolvem sobre uma base verdadeira, seguindo caminhos fantasiosos;

Falsos

escritos.

Livros

não

bíblicos,

cujos

escritos

se

- Septuaginta = LXX de Alexandria. Bíblia traduzida para o grego por judeus e gregos de Alexandria, incluindo os Livros apócrifos;

Marizete Lopes de Menezes

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-

Sinópticos =

Síntese.

Os

três

primeiros

evangelhos

são

chamados

de

 

evangelhos sinópticos, pois sintetizam a vida de Jesus de forma harmoniosa;

- Testamento = Aliança, Pacto, Acordo;

 

- Tradução = Transliteração de uma língua para outra;

 

Variantes = Diferenças encontradas nas diferentes cópias de um mesmo texto, mediante comparação. Elas atestam o grau de pureza de um escrito;

-

-

Versão = Tradução da língua original para outra língua.

 

PRESSUPOSTOS BÁSICOS QUE DEVEMOS TER PARA FAZER UMA BOA EXEGESE. (ninguém faz exegese sem pressupostos)

A

existência

Deus existe e atua na história. Milagres e profecia são possíveis. Portanto, podemos interpretar os relatos da atividade sobrenatural de Deus como história e não mito.

de Deus

 

Revelação

Deus se revelou progressivamente. A revelação não foi dada de uma única vez. Portanto, devo ler o texto bíblico comparando as suas diferentes partes considerando a unidade.

Progressiva

 

Inspiração e

Os escritores bíblicos foram movidos pelo Espírito, de tal forma que seus escritos são inspirados por Deus. Portanto, são autoritativos e infalíveis.

Autoridade

História da

A Bíblia deve ser lida como o registro dos atos redentores de Deus na história. Portanto, a Bíblia deve ser lida, não como um manual de ciências, astronomia, geografia ou física, mas como um livro teológico.

Redenção

 

Cristo

Devemos ler a Bíblia sabendo antecipadamente que Cristo é a substância de todos os tipos e símbolos do AT, do pacto da graça e de todas as promessas. Cristo, portanto, é a própria substância, centro, escopo e alma das Escrituras.

 

Cânon

O cânon protestante das Escrituras é a coleção feita pela Igreja de livros que ela reconheceu que foram dados pela inspiração de Deus. Cada livro deve ser lido e entendido dentro deste contexto canônico, que é o contexto apropriado para a interpretação.

 

ATITUDES ERRADAS FRENTE À BÍBLIA

 

O RACIONALISMO coloca a mente humana acima da revelação divina. Tira tudo o que é tido como sobrenatural, como os milagres.

-

 

-

O MISTICISMO coloca os sentimentos ou a experiência humana acima da

revelação de Deus. O neo-pentecostalismo extremado, por exemplo, que aceita as

“novas revelações” em detrimento às Escrituras.

 

Marizete Lopes de Menezes

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O ROMANISMO põe a igreja acima da Bíblia. A tradição e as declarações papais “ex cátedra”, tem a mesma autoridade da Bíblia.

-

-

AS SEITAS elevam os escritos de seu fundador acima das Escrituras. Ex:

Mormonismo, Tabernáculo da fé, Adventismo, Testemunhas de Jeová etc.

-

A ALTA CRÍTICA coloca as pressuposições do crítico liberal acima da Bíblia.

Colocam às Escrituras em pé de igualdade com qualquer outro livro. Ou a Bíblia está acima de qualquer livro ou não é o livro de Deus.

-

A NEO-ORTODOXIA diz que a Bíblia não é a Palavra de Deus, senão que se

transforma em Palavra de Deus quando fala ao coração do leitor. De maneira sutil, se transmite assim a autoridade das Escrituras ao leitor, onde à luz de “seu coração” se

quando Deus fala e quando não. (contra Jr 17.9).

-

OUTRAS “ESCRITURAS” – Com frequência se diz que a Bíblia é só mais um

livro sagrado. Afirma-se que as outras religiões também têm suas escrituras autoritativas. É evidente que nenhuma destas «escrituras», com exceção do Alcorão, pretende ser uma revelação de Deus.

VERDADE DE DEUS

REVELAÇÃO

INSPIRAÇÃO

PRESERVAÇÃO

 

TRADUÇÃO

INTERPRETAÇÃO

POVO DE DEUS HOJE

Estágios da Verdade Divina

Como a verdade chegou até nós

*A VERDADE ABSOLUTA existe na mente de Deus

*Pela REVELAÇÃO a verdade vem à mente do escritor numa forma antropomórfica

*Pela INSPIRAÇÃO essa revelação se torna Escritura que é infalível e inerrante

*Pela PRESERVAÇÃO temos os presentes textos que devem ser comparados para serem exatos em sua essência

Marizete Lopes de Menezes

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*Pela TRADUÇÃO obtemos nossas versões no vernáculo que nós tentamos tornar essencialmente fiéis

*Pela INTERPRETAÇÃO a revelação vem à mente dos leitores apresentando a verdade original que veio da mente de Deus

OS DISTANCIAMENTOS:

- Distanciamento temporal A Bíblia está séculos distante de nós.

- Distanciamento contextual Os livros da Bíblia foram escritos em várias situações diferentes.

- Distanciamento cultural O mundo em que os escritores da Bíblia viveram já não existe.

- Distanciamento lingüístico As línguas em que a Bíblia foi escrita também já não existem.

- Distanciamento autorial Os autores já estão mortos.

A natureza

distanciamentos:

divina

da

Bíblia,

por

sua

vez,

provoca

outros

tipos

de

- Distanciamento natural a distância entre Deus e nós é imensa.

- Distanciamento espiritual somos pecadores.

- Distanciamento moral é a distância que existe entre seres pecadores e egoístas e a pura e santa Palavra que pretendem esclarecer.

HISTÓRIA DA HERMENÊUTICA PRINCÍPIO

- Esdras – Ne 8.8 “Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia”. No tempo de Cristo, a exegese judaica podia classificar-se em 4 tipos:

1.

Método Literal referido como peshat (despir, depenar). Não se procurava um sentido além da passagem bíblica.

2. Interpretação Midráshica rabi Hillel. Era mais espiritualista perdendo a visão do texto.

3. Interpretação Pesher comunidades de Qumran. Era midráshica mais com enfoque escatológico. Mais aplicação do que interpretação.

Marizete Lopes de Menezes

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4. Exegese Alegórica o verdadeiro sentido jaz sob o significado literal das Escrituras. O alegorismo foi desenvolvido pelos gregos. Os rabinos usavam às vezes peshat, outras vezes, midrash.

-

Filo (c. 20 a.C. c. 50 d.C.) Acreditava que o significado literal era para os

imaturos e o alegórico para os maduros. Filo considerava a história de Adão e Eva uma fábula. E outras passagens como mito.

HISTÓRIA DA HERMENÊUTICA

Do 2º ao 4º século

- Escola de Alexandria

 

Clemente

Origines

- Escola de Antioquia

 

Luciano

Em termos práticos, Alexandria nos ensina a ter cautela com a interpretação dos “espirituais”. Antioquia nos ensina: Evitar a subjetividade descontrolada

PAIS LATINOS AGOSTINHO E JERÔNIMO

Principais Características Hermenêuticas

-

Preferência pelo Literal

Contexto histórico

- Intenção autoral

- Alegorias ocasionais

- Escritura com Escritura

- Regra de Fé da Igreja

REGRAS DE INTERPRETAÇÃO DE AGOSTINHO

1. O intérprete deve possuir fé cristã autêntica;

2. Deve-se ter em alta conta o significado literal e histórico da Escritura;

3. A Escritura tem mais que um significado e, portanto, o método alegórico é adequado;

4. Há significado nos números bíblicos;

Marizete Lopes de Menezes

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5. O A. T. é um documento cristão, porque Cristo está retratado nele;

6. Compete ao expositor entender o que o autor pretendia dizer;

7. O intérprete deve consultar o verdadeiro credo ortodoxo;

8. Um versículo deve ser estudado em seu contexto, e não isolado dos demais que o cercam;

9. Se o significado de um texto é obscuro, nada na passagem pode constituir matéria de fé ortodoxa;

10. O Espírito Santo não toma o lugar do aprendizado necessário para se entender a Escritura. O intérprete deve conhecer hebraico, grego, geografia e outros assuntos;

11. A passagem obscura deve dar preferência à passagem clara;

12. O expositor deve levar em consideração que a revelação é progressiva.

(na prática, Agostinho renunciou à maioria de seus princípios e inclinou-se para uma alegorização excessiva).

AS ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO

- As

mosteiros

escolas

de

teologia

nas

catedrais.

Surgem

como

contraponto

aos

- O judeu Rashi (Rabi Salomão bem Isaque 1040-1105) Comentarista da Bíblia Hebraica e Talmude Babilônico

- Publicação da obra de Maimônides (1135-1204) “Guia para os perplexos“. A lei pode ser aplicada e interpretada literalmente

- Surgimento das ordens mendicantes Francisco de Assis Interpretação literal dos Evangelhos.

- Tradução das Escrituras para o vernáculo João Wycliffe (1328-1384) Tradução da Vulgata latina para o inglês.

O ressurgimento na Idade Média do interesse do método gramático-histórico contribuiu para a Reforma.

IDADE MÉDIA (Séc. 5º ao 16º)

Prevaleceu o Sistema de Interpretação Difundido por Alexandria. Antecipou os princípios histórico-gramaticais dos Reformadores

- João Cassiano (435 AD) Quadriga:

Marizete Lopes de Menezes

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Histórico ou literal o sentido óbvio do texto

Alegórico ou cristológico sentido mais profundo. Aponta para Cristo

Tropológico ou moral conduta do cristão

Anagógico ou escatológico o que o cristão devia esperar

- As Escrituras possuem diversos sentidos

Bernardo de Claraval

Nicolau de Lira

Boaventura

O MÉTODO DE CALVINO

A Hermenêutica de Lutero Entre a hermenêutica medieval e a obra de Calvino, devemos situar o trabalho e Martinho Lutero (1438-1546). Com o afã de viver de acordo com o modelo de Agostinho (354-430), Com a Reforma a Bíblia toma o lugar que antes pertencera à hierarquia Católico Romana. Lutero não se viu livre da alegoria. Seu trabalho, contudo, trouxe inestimáveis contribuições à igreja cristã.

Calvino e seu uso do método Histórico-Gramatical

- Calvino faz um uso mais desenvolvido do método histórico-gramatical. Ele tenta

levá-lo às últimas consequências e manter uma coerência metodológica ao analisar textos do Novo e do Antigo Testamento. Por estas razões não é exagero dizer que ele foi o maior pensador de seus dias e o grande exegeta da Reforma.

- Princípios da Hermenêutica de Calvino

1. Renúncia à alegorese e enfática denúncia da mesma como sendo uma arma de

deturpação do sentido da Escritura.

2. Ênfase no sentido literal do texto Calvino defende que cada texto tem um, e

somente um, sentido, que é aquele pretendido pelo autor humano. Ele esclarecia aos seus leitores que há passagens que são nitidamente figurativas e outras simbólicas, estas devem ser interpretadas como demonstra ser a intenção do autor.

3. Dependência da operação do Espírito Santo para a correta interpretação da

Bíblia.

4. Valorização do estudo das línguas originais para melhor compreensão do ensino

sagrado.

5. Tipologia equilibrada, evitando impor a textos veterotestamentários simbolismos

que eles não suportam.

Marizete Lopes de Menezes

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6. A melhor arma para interpretar a Bíblia é a própria Bíblia Este tem sido considerado o princípio áureo da hermenêutica reformada.

OS REFORMADORES: CARACTERÍSTICAS

- Ênfase no Literal

- Iluminação do Espírito Santo

- Estudos das Escrituras Escritura com Escritura

- Intenção Autoral

- Uso de Outras Fontes

- Linguagem Figurada

- Os reformadores desenvolveram um sistema de interpretação que representou um rompimento radical com a hermenêutica alegórica medieval.

- Rejeição do método alegórico e ênfase no sentido literal, gramático-histórico do texto.

- Uma passagem só tem um sentido, e esse é literal.

- A necessidade da iluminação do Espírito Santo

- O homem é caído A Escritura é divino-humana

- A necessidade de se estudar às Escrituras

- A Bíblia é um livro humano. Divino quanto a origem. A intenção do autor humano

- Possui passagens obscuras que precisam ser esclarecidas

- Necessidade de uma teologia sistemática

MODERNIDADE

Racionalismo

X

Empirismo

Descartes

Locke

Spinoza

Berkeley

Leibniz

Hume

Mesmo sendo teoricamente contrárias entre si, as duas filosofias concordavam que Deus tem de ficar de fora do conhecimento humano.

Marizete Lopes de Menezes

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- Impacto do Iluminismo

Rejeição dos Milagres Distinção entre Fé e História Erros nas Escrituras Exegese Controlada Pela Razão

- Surgimento das Metodologias Críticas Críticas das Fontes Crítica da Forma Crítica da Redação

PÓS-MODERNISMO

O Iluminismo e Racionalismo

- O surgimento do Método Histórico-Crítico da Bíblia está associado às mudanças que ocorrem no pensamento humano e, consequentemente, na cosmovisão da época.

Iluminismo: Início do Séc. XVIII

- Revolta contra a religião institucionalizada

Filosofias:

Racionalismo: Descartes, Spinoza e Leibniz Empirismo: Locke, Berkeley e Hume Deus: uma hipótese desnecessária

Teologia: Deísmo: Deus não intervém na história (Início da teologia liberal).

Características:

- Rejeição do sobrenatural e da revelação

- O sobrenatural não invade a história

- História: resultado de causa e efeito

- Os relatos históricos da Bíblia são construções do povo de Israel e da Igreja Primitiva

- A exegese é controlada pela razão

- - Razão: a medida suprema da verdade

- - Fé + Racionalismo = Método Histórico-Crítico

RESUMO DA HISTÓRIA DA INTERPRETAÇÃO

- Na Idade Antiga - Alegoria

- Na Idade Média - Dogma

- Na Reforma - Escritura

- Pós-Reforma - Confissões

- Período Moderno - Razão

Marizete Lopes de Menezes

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COMPARATIVO ENTRE AS ESCOLAS

   
 

Escola de Alexandria

Escola de Antioquia

Pais Latinos

 

Época

Entre os séculos II e IV

Início do século IV

Entre os séculos IV e V

   

Surgimento

Baseada nas filosofias de Heráclito e Platão, que influenciaram Filo.

Fundada por Luciano de Samosata, em oposição consciente ao método alegórico de Alexandria.

Pais da Igreja, cujas obras foram escritas em latim.

 
 
 

Tipo de Interpretação proeminente

Alegórica

Literal

 

Literal, com algumas inconsistências.

 

Principais características

Huponóia o verdadeiro sentido está além das palavras

Atenção ao sentido literal do texto

Favoreciam a interpretação literal

 
 

Abordagem gramático-

Davam atenção ao contexto histórico da passagem

Alegorese dizer uma coisa em termos de outra

histórica

Uso de tipologia

 

Procurar descobrir sentido oculto, o qual é revelado somente aos “espirituais”.

Às vezes, alegorizavam

Buscar a intenção do autor

o V. T.

 
 

Passagens obscuras

Teoria buscar o sentido mais que literal, permanecendo fiel ao sentido literal.

devem ser interpretadas à luz das mais claras

Principais

Clemente de Alexandra

Teófilo de Antioquia

Tertuliano

 

representantes

 
 

Orígenes

Deodoro de Tarso

Jerônimo

 

Teodoro de Mopsuéstia

Agostinho

João Crisóstomo.

Ticônio

Conclusões

Diminui o caráter histórico das passagens bíblicas

Enfatiza o caráter histórico das passagens, mantendo-se fiel ao sentido original dos textos.

Influenciou a Igreja ocidental, em especial a obra de Agostinho, visto como um precursor das ideias da Reforma.

 
 

Implicações Práticas

Ter cautela com o uso de alegorias, ultrapassando o sentido simples, claro e evidente das Escrituras.

Ter cautela para evitar o extremo de buscar somente o sentido do texto no passado, sem aplicá-lo ao presente.

Evitar que pressupostos pessoais (preconceitos) possam influenciar na interpretação das Escrituras.

 
 

Marizete Lopes de Menezes

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PERÍODO

SÉC

ESCOLA

FILOSOFIA

NOMES

CARACTERÍSTICAS

I

 
           

N

II-III

ALEXANDRIA

Platonismo

Clemente de

Alegórica; Uso do Platonismo; Vários níveis de sentido.

T

   

Alexandria

E

Orígenes

N

PÓSAPOSTÓLICO

IV

ANTIOQUIA

 

Luciano de Samosata Deodoro de Tarso João Crisóstomo

Gramático-histórica; Theoria Oposição à Alexandria; Intenção do autor.

Ç

     

Ã

O

 

IV-V

PAIS LATINOS

Neo-

Ticônio

Interpretação literal; Por vezes alegorizavam o Texto; Exegese dominada pelas questões teológicas.

 

Platonismo

Agostinho

A

Jerônimo

U

Tertuliano

T

 

O

           

R

D

LINHA

ALEGÓRICA

João Cassiano Gregório, o Grande

4 sentidos da Escritura; Desejo de justificar os dogmas da Igreja; Analogia da fé

I

I

A

A

   

L

C

R

           

IDADEMÉDIA

VI-

LINHA

Aristote-

Monges de São Victor Tomás de Aquino

Surgimento das escolas de teologia; Contato com estudiosos judeus (Rashi); Abordagem gramático- histórica.

O

 

XVI

GRAMÁTICO-

lianismo

N

HISTÓRICA

P

I

 

R

A

O

           

D

REFORMA

XVI

GRAMÁTICO-

Calvino

Rejeição do método alegórico Gramático- histórico; Escritura com Escritura Iluminação do Espírito Santo.

U

   

HISTÓRICA

Lutero

Ç

Ã

O

           

D

PÓSREFORMA

XVII

ESCOLASTICI

Turretini

Controvérsias; Confessionalismo; Sistematização; Controle da teologia sobre exegese; Cristo como centro

das Escrituras; Interpretar para aplicar.

   

SMO E

John Owen

O

PURITANISMO

Richard Baxter

R.

Th. Goodwin

Sibbes

M.

Henry

T

E

X

T

O

MODERNO

XVII-

HISTÓRICO-

Racionalism

Keil

Diacrônicas; Razão como critério e métodos como

 

XX

CRÍTICA

o e

Stäudlin

Métodos

Empirismo

J.

Eichhorn

ferramenta; Separação entre teologia e exegese, os 2 testamentos; Abandono da

produzidos:

Strauss

Crítica das

Marizete Lopes de Menezes

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Fontes, Forma, Ernesti inspiração e inerrância. Redação, etc. J. Semler F. Baur H. Günkel R.
Fontes, Forma,
Ernesti
inspiração e inerrância.
Redação, etc.
J.
Semler
F.
Baur
H.
Günkel
R.
Bultmann
PERÍODO SÉC ESCOLA FILOSOFIA NOMES CARACTERÍSTICAS O S XX NOVA CRÍTICA LITERÁRIA Existencialismo T. S.
PERÍODO
SÉC
ESCOLA
FILOSOFIA
NOMES
CARACTERÍSTICAS
O
S
XX
NOVA CRÍTICA LITERÁRIA
Existencialismo
T.
S. Elliot
Aspectos literários
E
PÓS
x
Texto é autossuficiente
N
MODERNO
positivismo
Intenção autoral e
contexto histórico são
irrelevantes.
T
I
D
O
ESTRUTURALISMO
F.
Saussure
“Lange e Parole”
Estrutura linguística
comum a todos os
idiomas. O sentido está
no texto, em sua
estrutura.
E
S
T
S
Á
I
N
READER RESPONSE
Hermenêuticas de Libertação
Hermenêuticas Feministas
Filosofia
H-G Gadamer
A verdade é relativa.
Hermenêutica não é
método, mas
epistemologia (filosofia).
Fusão de Horizontes.
Importância dos
pressupostos.
N
C
hermenêutica
O
R
O
L
N
E
I
I
A
T
O
R
DESCONSTRUCIONISMO
Jacques
Derrida
Não há verdade
absoluta. Pluralidade da
verdade. Suspeita.
Achar rupturas no texto
para desconstruí-lo
O AUTOR COMO DETERMINANTE DO SIGNIFICADO
O significado é aquele que o escritor, conscientemente, quis dizer ao produzir
o texto. É importante verificar o que o autor disse em outro escrito. O que Lucas
registrou em seu Evangelho poderá ser mais esclarecedor se comparado com Atos,
outro registro de Lucas. Devemos levar em conta os idiomas da época: aramaico,
hebraico e grego. Eles possuem um significado que não pode variar. Por outro lado, o
texto está limitado ao que o autor disse exatamente? Por exemplo: lemos em Efésios
5.18: “Não vos embriagueis com vinho”. Alguém poderia dizer: “Paulo proíbe que nos

Marizete Lopes de Menezes

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embriaguemos com vinho, mas acho que não seria errado embriagar-se com cerveja, rum, ou outra droga”. Os escritos do apóstolo vão além de sua consciência, embora essas implicações não contradigam o significado original, antes fazem parte do texto e seu objetivo. Compreendemos então o mandamento paulino como um princípio, pois mesmo que o autor não esteja ciente das circunstâncias futuras, ele transmitiu exatamente a sua intenção.

O TEXTO COMO DETERMINANTE DO SIGNIFICADO

Alguns eruditos afirmam que o significado tem autonomia semântica, sendo completamente independente do que o autor quis comunicar quando o escreveu. De acordo com esse ponto de vista, quando um determinado escrito se torna literatura, as regras normais de comunicação não mais se lhe aplicam, transformou-se em texto literário. O que o texto está realmente dizendo sobre o assunto? Analisando o relato em Marcos 4.35-41 Qual é o objetivo do texto? Informar sobre a topografia do mar da Galileia ou o mal tempo naquela circunstância? Seu objetivo era falar sobre Jesus Cristo, Filho de Deus. O significado que Marcos queria transmitir está claro: “Mas quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (4.41). O autor queria transmitir que Jesus de Nazaré é o Cristo, o Filho de Deus. Ele é o Senhor e até mesmo a natureza está sujeita a ele!

O LEITOR COMO DETERMINANTE DO SIGNIFICADO

Segundo essa perspectiva, o que determina o significado é o que o leitor compreende do texto. O leitor atualiza a interpretação do texto. Leitores distintos encontram diferentes significados, isso porque o texto lhes concede permitir essa multiplicidade. É relevante o que pensa o leitor? Isto poderia influenciar o sentido do texto? Se compreendermos que há diferença de interpretação entre um leitor crente e outro que é ateu, a resposta é sim! Contudo, é necessário que o leitor esteja em condições de entender o texto. Ao verificar como as palavras são usadas nas frase, como as orações são empregadas nos parágrafos, como os parágrafos se adequam aos capítulos e como os capítulos são estruturados no texto, o leitor procurará compreender a intenção do autor. O texto, em sua íntegra, ajudará o leitor a compreender cada palavra individualmente. Assim sendo, as palavras, ou conjunto de palavras, ajudam a compreender o todo.

O PROCEDIMENTO EXEGÉTICO ERRADO

- O procedimento errado.

Ler o que muitos comentários dizem com sendo o significado da passagem e então aceitar a interpretação que mais lhe agrade.

Este procedimento é errado pelas seguintes razões:

a) encoraja o intérprete a procurar interpretação que favorece a sua preconcepção;

Marizete Lopes de Menezes

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b) forma o hábito de simplesmente tentar lembrar-se das interpretações oferecidas. Isto para o iniciante, frequentemente resulta em confusão e ressentimento mental a respeito de toda a tarefa da exegese. Isto não é exegese, é outra forma de decoreba e é muito desinteressante e perigoso. Os comentaristas não são infalíveis.

O péssimo resultado e mais sério do “procedimento errado” na exegese é que próprio interprete não pensa por si mesmo. As convicções que você mesmo buscou e absorveu ficam pra vida toda.

CINCO REGRAS CONCISAS

- interpretar lexicamente. É conhecer a etimologia das palavras, o

desenvolvimento histórico de seu significado e o seu uso no documento sob

consideração.

- interpretar sintaticamente: o interprete deve conhecer os princípios gramaticais

da língua na qual o documento está escrito, para primeiro, ser interpretado como foi

escrito.

- interpretar contextualmente. Deve ser mantida em mente a inclinação do

pensamento de todo o documento. Então pode notar-se a “cor do pensamento”, que cerca a passagem que está sendo estudada.

- interpretar historicamente: o interprete deve descobrir as circunstâncias para um determinado escrito vir à existência.

- interpretar de acordo com a analogia da Escritura. A Bíblia é sua própria intérprete, diz o princípio hermenêutico.

APRENDA A EXAMINAR O CONTEXTO

- Contexto Imediato

A. Leia a passagem em pelo menos 3 traduções diferentes.

B. O que precede e se segue imediatamente à passagem?

C. Há algumas definições fornecidas pelo contexto imediato?

D. Qual é o argumento principal do capítulo inteiro?

E. Qual é o ponto principal da própria passagem?

F. Qual é o entendimento consistente da passagem no contexto?

- Contexto Amplo

A. A minha interpretação faz essa passagem contradizer com

1. O próprio autor?

Marizete Lopes de Menezes

Estudos Bíblicos - TEOLOGIA

2. Outras passagens bíblicas?

3. Com o bom senso?

B. Quais outras passagens na Escritura lançam luz sobre os assuntos levantados nessa passagem?

ALGUMAS PERGUNTAS IMPORTANTES:

1. Quem escreveu/falou a passagem e para quem era endereçada?

2. O que a passagem diz?

3. Existe alguma palavra ou frase nesta passagem que precise ser examinada?

4. Qual é o contexto imediato?

5. Qual é o contexto mais amplo exposto no capítulo e no livro?

6. Quais são os versículos relacionados ao assunto da passagem e como eles afetam

a compreensão desta?

7. Qual é o fundo histórico e cultural?

8. Qual a conclusão que eu posso tirar desta passagem?

9. As minhas conclusões concordam ou discordam de áreas relacionadas nas

Escrituras ou com outras pessoas que já estudaram esta passagem? 10. O que eu posso aprender e aplicar à minha vida?

UM PROCEDIMENTO HERMENÊUTICO DE 6 PASSOS

- 1º Passo: Análise Histórico-Cultural e Contextual

Consideramos o ambiente histórico-cultural do autor para melhor compreendermos suas alusões e objetivos.

- 2º Passo: Análise Léxico-Sintática

Visa compreendermos a definição das palavras (lexicologia) e sua relação com as outras (sintaxe) para que entendamos melhor o sentido texto. Neste momento é fundamental um bom conhecimento de português e, se possível, de grego e hebraico.

- 3º Passo: Análise Teológica

Consideramos o nível de conhecimento teológico do público alvo na época em que o texto foi escrito, levando em conta os textos correlatos para seus primeiros destinatários.

- 4º Passo: Análise Literária

Identifica a forma ou método literário utilizado numa passagem em particular (metáforas, antropomorfismos etc.) visando uma interpretação mais adequada.

- 5º Passo: Comparação com Outros Intérpretes

Comparar o produto dos quatro passos acima com trabalhos de outros intérpretes sobre do mesmo texto.

- 6º Passo: Aplicação

Traduzir o significado original do texto, obtido pelos 5 passos acima, para a nossa própria época e cultura.

Marizete Lopes de Menezes

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10 PROPÓSITOS DAS CITAÇÕES DO A. T.

1. Mostrar como certos eventos cumpriram predições do A.T. (Ex: Mt 21.4 e Zc 9.9).

2. Para apoiar uma verdade expressada no N.T. (Rm 1.17 e Hc 2.4).

3. Para aplicar um acontecimento do A.T. a Cristo (Mt 2.15 e Os 11.1).

4. Para mostrar um paralelo com algum acontecimento do A.T. (Ro 8.36 e Sl 44.22).

5. Para utilizar as mesmas palavras que o A.T. (Mt 27.46 e Sl 22.1).

6. Para aplicar um princípio do A.T. a uma situação do N.T. (Ro 9.15 e Ex 33.19).

7. Para apoiar uma verdade expressada no N.T. (Mc 10: e Gn 2.24).

8. Para explicar mais plenamente uma verdade do A.T. (Mt 22.43-44 e Sl 110.1).

9. Para mostrar que um acontecimento do N.T. está de acordo com um princípio do A.T. (At 15.16-17 e Amós 9.11-12).

10. Para esclarecer um princípio ou uma verdade do N.T. (Ro 10.16 e Is 53.1).

ANÁLISE LÉXICO-SINTÁTICA

a)

Determinar a forma literária geral

-

Sentido Literal: Coroa de ouro na cabeça do rei

-

Sentido Figurativo: Não me chame de coroa, pois eu sou muito novo.

-

Sentido Simbólico: “vi uma coroa de 7 pontas que eram 7 nações”.

b)

Observar as divisões naturais do texto

-

Divisões em versículos e capítulos (úteis na localização de passagens) dividem o

texto

de modo antinatural.

n

Algumas versões mantêm a numeração, mas organizam o texto em parágrafos.

Atos

8:1 depende completamente de Atos 7:60.

c) Observar os conectivos dentro de parágrafos e sentenças

d) Determinar o sentido das palavras (Ex: carne)

e) Como determinar o sentido das palavras?

n Entender os estilos diversos. Determinar se a palavra está sendo utilizada como parte de uma figura de linguagem ou não.

n Estudar passagens paralelas.

ANÁLISE HISTÓRICO-CULTURAL E CONTEXTUAL

a) Determinar o contexto histórico-cultural geral

• Situação política, econômica e social;

• Costumes relacionados ao texto em questão;

• Nível de comprometimento espiritual do “público alvo”

Marizete Lopes de Menezes

Estudos Bíblicos - TEOLOGIA

b) Contexto histórico-cultural específico e objetivos de um livro:

• Quem foi o autor? Qual era seu ambiente e sua experiência espiritual?

• Para quem estava escrevendo? (crentes fiéis, crentes em pecado, incrédulos, apóstatas, etc.).

• Qual foi a finalidade (intenção) do autor ao escrever este livro?

c) Desenvolver uma compreensão do contexto imediato

• Entender como o livro é organizado (montar um esboço por assunto);

• Saber contextualizar a passagem em análise na argumentação corrente o autor;

• Saber identificar a perspectiva do autor:

I. Numenológica: Perspectiva Divina, absoluta (geralmente relacionadas a questões morais);

II. Fenomenológica: Perspectiva humana, relativa (relacionadas a questões naturais, físicas).

d) Distinguir passagens descritivas de prescritivas

• A ação de Deus numa passagem narrativa nem sempre significa que Deus sempre opera deste modo com os crentes.

• Ações humanas descritas na Bíblia, se não forem claramente aprovadas por Deus, devem ser avaliadas. A Bíblia também registra os erros dos homens de Deus.

e) Distinguir o núcleo de ensino de uma passagem de detalhes incidentais

Ex: Uma vez que o filho pródigo voltou para o Pai sem a necessidade de um mediador, então alguém poderia concluir que Jesus não é essencial para a salvação.

f) Definir a quem se destina cada promessa, sentença, ordenança, etc.

REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO As regras de interpretação se dividem em quatro categorias: gerais, gramaticais, históricas e teológicas. É necessário que o estudante da bíblia se familiarize com essas regras básicas de interpretação.

 

1.

1.

Princípios gerais de interpretação:

Regra 1: Trabalhe partindo da pressuposição de que a Bíblia tem autoridade.

Regra 2: A Bíblia é seu intérprete; a Escritura explica melhor a Escritura.

Regra 3: A fé salvadora e o Espírito Santo são-nos necessários para compreendermos e interpretarmos bem as Escrituras.

Regra 4: Interprete a experiência pessoal à luz da escritura, e não a Escritura à luz da experiência pessoal.

Regra 5: Os exemplos bíblicos só têm autoridade quando amparados por uma ordem.

Marizete Lopes de Menezes

Estudos Bíblicos - TEOLOGIA

Regra 6: O propósito primário da Bíblia é mudar as nossas vidas, não aumentar o nosso conhecimento.

Regra 7: Cada cristão tem o direito e a responsabilidade de investigar e interpretar pessoalmente a Palavra de Deus.

Regra 8: A história da Igreja é importante, mas não decisiva na interpretação da Escritura.

Regra 9: As promessas de Deus na Bíblia toda estão disponíveis ao Espírito Santo a favor dos crentes de todas as gerações.

 

1.

2.

Princípios gramaticais de interpretação:

Regra 10: A Escritura tem somente um sentido, e deve ser tomada literalmente.

Regra 11: Interprete as palavras no sentido que tinham no tempo do autor.

Regra 12: Interprete a palavra em relação à sua sentença e ao seu contexto.

Regra 13: Interprete a passagem em harmonia com o seu contexto.

Regra 14: Quando um objeto inanimado é usado para descrever um ser vivo, a proposição pode ser considerada figurada.

Regra 15: Quando uma expressão não caracteriza a coisa descrita, a proposição pode ser considerada figurada.

Regra 16: As principais partes e figuras de uma parábola representam certas realidades. Considere somente essas principais partes e figuras quando estiver tirando conclusões.

Regra 17: Interprete as palavras dos profetas no seu sentido comum, literal e histórico, a não ser que o contexto ou a maneira como se cumpriram indiquem claramente que têm sentido simbólico. O cumprimento delas pode ser por etapas, cada cumprimento sendo uma garantia daquilo que há de seguir-se.

 

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3.

Princípios históricos de interpretação:

Regra 18: desde que a Escritura originou-se num contexto histórico, só pode ser compreendida à luz da história bíblica.

Regra 19: Embora a revelação de Deus nas Escrituras seja progressiva, tanto o V.T. como o N.T. são partes essenciais desta revelação e formam uma unidade.

Regra 20: Os fatos ou acontecimentos históricos se tornam símbolos de verdades espirituais, somente se as Escrituras assim os designarem.

 

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4.

Princípios teológicos de interpretação:

Regra 21: Você precisa compreender gramaticalmente a Bíblia, antes de compreende-la teologicamente.

Regra 22: Uma doutrina não pode ser considerada bíblica, a não ser que resuma e inclua tudo o que Escritura diz sobre ela.

Regra 23: Quando parecer que duas doutrinas ensinadas na Bíblia são contraditórias, aceite ambas como escriturísticas, crendo confiantemente que elas se explicarão dentro de uma unidade mais elevada.

Regra 24: Um ensinamento simplesmente implícito na Escritura pode ser considerado bíblico quando uma comparação de passagens correlatas o apoia.

Marizete Lopes de Menezes