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EDIÇÃO LISBOA SEX 29 NOV 2013

Prazo de inscrição na prova de avaliação de professores alargado p8

na prova de avaliação de professores alargado p8 Desempregados que antecipem a reforma vão ser mais

Desempregados que antecipem a reforma vão ser mais penalizados

Aumento da idade da reforma para os 66 anos vai penalizar as pensões antecipadas pagas aos desempregados que rescindiram por mútuo acordo Opinião Hélder Rosalino sai em defesa da convergência Economia, 20 e 52

Rosalino sai em defesa da convergência Economia, 20 e 52 PAULO PIMENTA ESTALEIROS DE VIANA “QUE
PAULO PIMENTA ESTALEIROS DE VIANA “QUE O NATAL DO SENHOR MINISTRO SEJA IGUAL AO NOSSO”
PAULO PIMENTA
ESTALEIROS DE VIANA
“QUE O NATAL DO SENHOR
MINISTRO SEJA IGUAL AO NOSSO”
Reportagem, 24
ípsilon
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ADÈLE E O DESEJO

UTOPIA E DECEPÇÃO NO NOVO FILME DE ABDELLATIF KECHICHE

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+ 6,95€ Poção Mágica: pa ver cupão contracapa “Constitucional desempenha hoje papel de um senado” O

“Constitucional desempenha hoje papel de um senado”

O bastonário da Ordem dos Advogados está de saída. Marinho e Pinto diz, em entrevista, que o TC resvalou “para o movediço terreno da política” p2 a 4

“para o movediço terreno da política” p2 a 4 Frio agrava-se e pode ter efeitos graves

Frio agrava-se e pode ter efeitos graves na saúde

Autoridades emitem alertas. A partir de amanhã, e pelo menos até quinta-feira da próxima semana, as temperaturas vão baixar ainda mais p6

Câmara arrasou dezenas de barracas de mendigos

Serviços de Higiene Urbana da Câmara de Lisboa, com o apoio da Polícia Municipal, despejaram em contentores de lixo cerca de 30 abrigos precários Local

Direito de resposta:

Guilherme Silva e um processo na Madeira

Guilherme Silva responde a artigo “Advogado-deputado faz adiar julgamento de desvio de 6,6 milhões para partidos”, publicado no dia 18 de Novembro p16

ISNN:0872-1548

Ano XXIV | n.º 8633 | 1,60€ | Directora: Bárbara Reis | Directores adjuntos: Nuno Pacheco, Miguel Gaspar, Pedro Sousa Carvalho | Directora executiva Online: Simone Duarte | Directora de Arte: Sónia Matos

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DESTAQUE

| PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013

ADVOGADOS

‘Constitucional desempenha papel de um senado’

Em 2008 Marinho e Pinto venceu pela primeira vez as eleições para bastonário e chamavam-lhe “o defensor dos advogados descamisados”. De saída, mantém uma visão critica da Justiça

Entrevista

Ana Henriques

P rovou manteiga pela primeira vez no início da adolescência. Antes untava o pão com azeite e alho, petisco que continua entre os seus

favoritos — com um bocadinho de

salsa por cima, realça. A terminar

o segundo e último mandato, o

mais truculento bastonário que os advogados tiveram mora de segunda a sexta num hotel, “para não criar raízes em Lisboa”. Diz que tem uma vida regrada,

emociona-se quando conta como

o seu nascimento quase o matou

a ele e à mãe e defende que é tão

contranatura usar o sexo só para procriação como fazê-lo apenas por prazer. Assume-se como sendo de esquerda, tendo militado na UEC durante ano e meio. Avô três vezes, percebe-se que foi com algum desgosto que viu uma das filhas deslumbrar-se com os néons

da capital para ir trabalhar para

o escritório do seu antecessor

Rogério Alves, em vez de ocupar o lugar que deixou vago na advocacia

coimbrã. Sobre o seu futuro não abre o jogo e mesmo quando fala em voltar ao jornalismo some-se- lhe da voz a convicção. Marinho e Pinto, de 63 anos, liga a televisão que tem no gabinete, onde desfilam imagens da ocupação de ministérios que

se seguiu à manifestação contra a aprovação do OE. Ao entardecer teima em entrar pelo gabinete — que ocupa há quase seis anos na

Ordem dos Advogados — o som de um concerto improvisado numa carrinha da CGTP, que juntou duas ou três dezenas de curiosos defronte da Ginjinha do Rossio.

É um país muito diferente do de

2008, quando ganhou as eleições

para bastonário pela primeira vez

e lhe chamavam o defensor dos

advogados descamisados. Como encara o momento que Portugal está a atravessar? Vivemos uma situação explosiva de ataques aos direitos, às condições económicas das pessoas, como não há memória. Só pode ter mau resultado. Este Governo apresentou-se às eleições com um

programa radicalmente diferente do que está a executar. É uma fraude política gigantesca, com a

está a executar. É uma fraude política gigantesca, com a qual o Presidente da República é

qual o Presidente da República é conivente.

O Presidente tem mandado

diplomas para o Constitucional. Não é isso que está em causa. Quando se enganam assim os

eleitores, defrauda-se a democracia

e perde-se a legitimidade. A

democracia exige respeito pelos eleitores. Não é apresentarmos uma proposta em campanha e executarmos outra oposta.

É isso que as pessoas sentem:

que os políticos prometem uma coisa e fazem outra. Nunca aconteceu com esta densidade. Dantes faziam

promessas que não cumpriam. Este Governo derrubou o anterior

e quando se apanhou no poder

fez exactamente o que prometeu

que nunca iria fazer e que acusou

o outro de querer: retirar os

subsídios de férias e de Natal, diminuir os vencimentos dos funcionários públicos, as pensões dos idosos. E o programador desta política, o anterior ministro das Finanças, fugiu. Ele fugiu! Adere à tese de que é preciso evitar a violência que aí vem? Não sou dos que a desejam. Mas muitas vezes é a única forma

de dar escape às tensões que se acumulam. Olhe-se para a

ocupação dos ministérios, para os

polícias à porta do Parlamento. É toda uma revolta mais ou menos contida, mais ou menos reprimida que tem alastrado.

Qual é o salário médio de um advogado neste momento? Há quem ganhe milhões em negócios com o Estado e com

a banca. Outros ganham umas

centenas de euros por mês. Se não for um génio nem tiver

familiares na advocacia, um jovem que comece sozinho vai viver

à custa dos pais durante anos.

Todos os anos há dois a três mil jovens a querer entrar na Ordem.

Para trabalharem com quem?

Os advogados serão obrigados

a dar formação às torrentes de

licenciados que as universidades põem cá fora, a maioria dos quais impreparados. Que conselho dá aos jovens? Que fujam a sete pés dos cursos de Direito, que são um engano que vão pagar muito caro. Hoje o ensino de Direito mercantilizou- se, perdeu a dignidade. Acredito que haja maiores critérios de rigor nas universidades públicas

do que na maioria das privadas

— mas também há públicas más.

Por outro lado, o próprio Governo tem programas vergonhosos de desjudicialização da justiça — os

tribunais arbitrais, os centros de mediação, os julgados de paz. Processos que durante séculos foram tramitados por juízes, como os inventários, de repente foram entregues a notários, a

conservadores, a profissionais que nem sequer são licenciados em Direito — o que diminui a necessidade social de advogados.

O objectivo é baixar o número

de pendências nos tribunais. Eu também consigo fazer baixar as pendências nos hospitais, se os proibir de aceitar doentes. Mas é isso que a sociedade quer, impedir

os cidadãos de ir a tribunal? Não é bom ter alternativas ao litígio judicial?

Claro que não, porque a justiça é, por definição, pública. Se as partes não se entendem, porque é que

o Estado as obriga a fazerem as

pazes, em vez de resolver o litígio?

O momento que marca a passagem

da humanidade da barbárie à civilização é aquele em que o Estado chama a si o monopólio da

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013 |

DESTAQUE |

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MIGUEL MANSO

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013 | DESTAQUE | 3 MIGUEL MANSO administração da justiça. Quando exercida

administração da justiça. Quando exercida por privados, será sempre

mais favorável aos que são cultural

e economicamente mais fortes. Os

pseudojuízes dos tribunais arbitrais ganham num único processo o que os do Estado não ganham em dois anos. Que evolução sofreu a justiça nestes seis anos? Não houve. Desenhou-se a hipótese, em 2010, de uma evolução positiva com o desenho do mapa judiciário então proposto,

que estava a dar bons resultados nas comarcas-piloto. Mas este Governo, que tem uma tendência morbidamente compulsiva para

o mal, acabou com ela. Fechar

tribunais só traz prejuízos. Nega

o acesso à justiça às populações

do interior e obriga-as, nalguns casos, a precisarem de dois dias, se usarem transportes públicos, para chegarem a um tribunal. Dois dias, no séc. XXI! Passam a noite no hotel? Nas escadas do tribunal? Debaixo de uma ponte? É uma política de terra queimada. É dizer às pessoas do interior: “Amanhem- se, façam justiça pelas próprias mãos, porque o Estado não está interessado em proporcionar-vos

os mecanismos de paz social que dá aos grandes centros urbanos.” Os litígios rurais têm uma

dignidade menor? Isso é uma postura das elites urbanas decadentes, que não compreendem a dimensão da honra e da dignidade das pessoas nos pequenos litígios, muitas vezes criadora de grandes tragédias. Por um palmo de terra que não vale sequer dez euros morre-se e mata- se nalgumas zonas do país. Já teve essa conversa com Passos Coelho? Tinha boa impressão dele quando era líder da oposição, mas depois falei com ele e fiquei desiludido.

Não tem coragem para pôr cobro às medidas alucinadas da ministra

da Justiça. Há muito que a devia ter substituído. Só do mapa judiciário apresentou seis ou sete versões diferentes, para manter a malta distraída. As futuras secções de proximidade dos tribunais não vão resolver o problema? Os tribunais são órgãos de soberania previstos na Constituição, não são lojas do cidadão. Se estas secções são tribunais, têm de ter um

magistrado titular, nem que só lá vá uma vez por semana. Senão são uma mentira, uma ofensa

à dignidade constitucional dos

tribunais. Se for avante, é o mais perigoso retrocesso civilizacional das últimas cinco ou seis décadas. Será por isto que juízes e magistrados do Ministério Público criticaram o mapa judiciário? Criaram sindicatos para defender os seus vencimentos, privilégios e comodidades. Não para garantir direitos e melhor justiça aos cidadãos. É verdade que os juízes ganham pouco, mas, bolas!, em época de crise não podem isentar- se dos sacrifícios. No Tribunal Constitucional é diferente: a maioria não tem uma cultura

corporativa, dado não serem juízes de carreira. Acontece que se deixaram resvalar para o movediço terreno da política. Hoje o Constitucional está a ser chamado a desempenhar um papel que não é genuinamente de um tribunal. Então é de quê? De uma segunda câmara parlamentar ou de um senado. E isso é mau. Impediu que alguns cortes mais gravosos avançassem. Tenho dúvidas sobre esta visão quase sacralizadora da Constituição, que parece só permitir governar à esquerda ou ao centro, quando devia ser maleável

e permitir governar à direita e à esquerda. Eu sou um homem de

esquerda, mas estou a falar como jurista. Quando a Constituição estabelece que todos têm direito

à habitação, isso gera, na esfera

jurídica de cada cidadão, o direito

a que o Estado lhe dê uma casa?

Claro que não! Podem aumentar-se indiscriminadamente os impostos aos privados, mas não retirar algumas regalias aos funcionários públicos? Sou contra os cortes, mas o que é escandaloso é que os sacrifícios não sejam repartidos igualitariamente. E isso significa exigir mais dos que podem dar mais e nada exigir a quem não pode dar nada. Os privilégios da ADSE, por exemplo: nunca ninguém questionou esta desigualdade dos cidadãos no acesso à saúde.

Porque é que os partidos políticos estão isentos de todos os impostos? Porque fazem as leis em benefício

próprio!

Nunca conseguiu tornar incompatível o exercício da advocacia com a função de

incompatível o exercício da advocacia com a função de Se o novo mapa judiciário for avante,

Se o novo mapa judiciário for avante, é o mais perigoso retrocesso civilizacional das últimas cinco ou seis décadas

Passos Coelho não tem coragem para pôr cobro às medidas alucinadas da ministra da Justiça. Há muito que a devia ter substituído

da Justiça. Há muito que a devia ter substituído Ver entrevista completa em www.publico.pt deputado. Quem
da Justiça. Há muito que a devia ter substituído Ver entrevista completa em www.publico.pt deputado. Quem

Ver entrevista completa em www.publico.pt

deputado. Quem faz leis na Assembleia da República não deve ter clientes privados interessados nessas leis.

Se vai para ministro, presidente de câmara ou para director-geral tem de suspender a advocacia. Por que

é quem vai para deputado não tem

essa obrigação? Na feitura das leis traficam-se grandes interesses. Ora

o estatuto dos advogados é uma lei

da Assembleia da República que os deputados nunca alteraram.

É

uma das suas frustrações não

o

ter conseguido?

É. Gostava de ter podido ficar mais um mandato? Gostava de não ter sido obrigado a fazer este segundo mandato. Estou muito cansado e tive graves prejuízos profissionais. A minha conta bancária tem menos 30

e tal mil euros do que quando

tomei posse em Janeiro de 2008. Era colaborador do Expresso e advogado, tinha os meus clientes. Pela primeira vez um bastonário dos advogados teve um salário. De quanto? Algumas centenas de euros abaixo dos cinco mil. Quando entrei, o meu ordenado era igual ao de procurador-geral da República, mas agora é inferior, porque ele foi aumentado e eu não. Além disso, a Ordem ainda lhe paga alojamento em Lisboa. Parte dessas despesas. Pago 60

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e eu não. Além disso, a Ordem ainda lhe paga alojamento em Lisboa. Parte dessas despesas.

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DESTAQUE

| PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013

ADVOGADOS

euros de alojamento por noite num hotel que não é de luxo. Nisso gastei à Ordem 10 ou 12 mil euros em seis anos. As despesas do meu cartão de crédito são muito inferiores às dos meus antecessores. Disse na campanha eleitoral que a remuneração era uma condição para assumir o

cargo, porque não tenho fortuna. O meu sucessor fará o que entender. Quando cheguei, havia em caixa 800 mil euros, ao meu sucessor deixo quase seis milhões.

O que vai fazer a seguir?

Dormir um mês ou dois para um canto qualquer. Depois depende do humor com que acordar. Desafiaram-no para concorrer a câmaras municipais. Desde que estou na Ordem fui convidado por três partidos diferentes para me candidatar a presidente de cinco câmaras. Uma era Amarante, outra Coimbra. Claro que rejeitei. Então ia abandonar a Ordem? Nem que me dessem o lugar de Presidente da República. Até porque este segundo mandato foi de raiva. Depois dos ataques golpistas que me fizeram alguns advogados no primeiro disse: “Então vou a jogo,

ides levar comigo mais três anos!”

E tive maioria absoluta, em vez de

regressar ao meu escritório em

Coimbra, às minhas aulas e ao meu jornalismo.

Já se imaginou Presidente da

República?

Não, as pessoas é que falam muito nisso. Quando terminar este segundo mandato, ficarei livre para

ser o que quiser sem dar satisfações

a ninguém. Candidatei-me a

bastonário porque achava que a justiça estava podre nos tribunais. Ainda está? Está. Alguns magistrados esforçam- se muito para a dignificar, sem o conseguir.

E como se endireita?

Introduzindo uma componente de responsabilidade no estatuto dos magistrados. E proibindo as pessoas de serem juízes antes dos

35 ou 40 anos, porque é necessária maturidade. Num julgamento, 90% nada tem a ver com direito — mas com perceber quem está a dizer a verdade e quem está a mentir. Escreveu que se recorda do momento em que saiu da vagina ensanguentada da sua mãe. Como é possível?

A frase não é essa [vai ao

computador verificar. Emociona-

se, os olhos enchem-se de

lágrimas]. Não é para entender. São espasmos da zona mais profunda da nossa alma. Eu e a minha mãe estivemos ambos moribundos

e sobrevivemos [volta ao tom

combativo]. Os filhos não se fazem por download, está a perceber? Para mim é tão contra-natura dizer

que o sexo só serve para procriação como usá-lo só para o prazer. Por si passaram, nestes seis anos, três ministros da tutela

e dois procuradores-gerais da

República. Como os avalia?

No início tive relações algo difíceis com Alberto Costa, mas ele percebeu que eu não era aliciável. As coisas na Ordem costumavam- se compor com umas avenças, uns contratos. Comigo não, eu tinha suspendido a advocacia. A pior

ministra foi esta: não dialoga e foi traiçoeira, está-lhe na massa do sangue. Combinava comigo uma coisa e mandava informação para

a comunicação social do contrário.

Alberto Martins ia ser um bom ministro, se o Governo não tivesse caído. Já não apanhou António Costa como ministro. Não. Esse é o criador de alguns dos piores males da justiça portuguesa. Ele e o José Miguel Júdice, que foi

seu mandatário para a Câmara de Lisboa e rasgou o cartão do PSD

para ir facturar na frente ribeirinha. Estava ali montado um dos mais

gigantescos negócios de comissões

e luvas de que há memória. Houve uma parte saudável do Partido

Socialista que correu com ele. Pode acreditar-se num político como António Costa? Só quem não tiver

memória.

E os procuradores-gerais da

República?

Pinto Monteiro é um homem de uma integridade absoluta. A ministra da Justiça queria exonerá-lo antes do final do

mandato. Cavaco Silva é que não deixou. Tenho esperanças em Joana Marques Vidal, tem tido uma postura muito correcta, nomeadamente no que respeita a degenerescências como a violação do segredo de justiça.

Mesmo na trapalhada de

Angola?

Nunca controlou a situação, porque

o Ministério Público não está

verdadeiramente hierarquizado. Os seus agentes agem em roda livre, como se fossem juízes. E muitos

estão permanentemente em estado de conspiração e insubordinação contra a hierarquia.

CANDIDATOS

CANDIDATOS Elina Fraga 43 anos Vasco Marques Correia 48 anos Raposo Subtil 52 anos Jerónimo Martins

Elina Fraga

43

anos

CANDIDATOS Elina Fraga 43 anos Vasco Marques Correia 48 anos Raposo Subtil 52 anos Jerónimo Martins

Vasco Marques Correia

48

anos

Elina Fraga 43 anos Vasco Marques Correia 48 anos Raposo Subtil 52 anos Jerónimo Martins 62

Raposo Subtil

52

anos

Vasco Marques Correia 48 anos Raposo Subtil 52 anos Jerónimo Martins 62 anos Guilherme Figueiredo 57

Jerónimo Martins

62

anos

48 anos Raposo Subtil 52 anos Jerónimo Martins 62 anos Guilherme Figueiredo 57 anos Jorge Neto

Guilherme Figueiredo

57

anos

48 anos Raposo Subtil 52 anos Jerónimo Martins 62 anos Guilherme Figueiredo 57 anos Jorge Neto

Jorge Neto

56

anos

Cinco homens e uma mulher disputam lugar de bastonário

Ana Henriques

C inco homens e uma mulher disputam hoje o lugar de bastonário dos advogados que Marinho e Pinto deixa- rá vago em Janeiro, naque- la que é uma das eleições

mais concorridas de sempre. Alguns deles têm processos con- tra os adversários em tribunal, ou não estivessem todos habituados a tratar a justiça por tu. Com 43 anos, Elina Fraga faz parte do grupo dos “bastonáveis”: foi quem reuniu mais assinaturas de suporte à sua candidatura e conta ainda com o apoio de Marinho e Pinto, de cuja equipa tem feito parte. A seu des- favor jogam as penas disciplinares que lhe foram aplicadas pela pró- pria Ordem dos Advogados e muito recentemente anuladas pelo tribu- nal. Em causa está o facto de ter recebido mil euros de uma cliente — soma que acabou por ter de res- tituir — para lhe tratar de um pro- cesso. Dois anos depois ainda não havia resolvido o assunto, tendo a mulher acabado por prescindir dos seus serviços. A defesa dos profissionais que não estão enfeudados aos podero- sos escritórios e aos grandes inte- resses político-económicos é uma das promessas desta transmontana que já desempenhou funções au- tárquicas pelo CDS e pelo PSD em Mirandela. Se vencer, será a segun- da vez que os advogados têm uma mulher a representar os seus inte- resses, depois de, no início dos anos 90, Maria de Jesus Serra Lopes ter ocupado o cargo. Do lado de lá da barricada nestas eleições está Vasco Correia. Com o ex-ministro das Finanças Medina Carreira como mandatário, o até aqui presidente do conselho distri- tal de Lisboa da Ordem considera os últimos seis anos uma “deriva in- sana” e quer “a politiquice e a par- tidarite fora da Ordem”. Das suas propostas fazem parte a criação de um observatório para denúncia de casos de discriminação e exclusão social. Outro dos críticos da gestão que agora termina é Raposo Sub- til, que quer “reatar a colaboração

institucional com o Ministério da Justiça”. Tem também um nome de peso entre os seus apoiantes: o ex-bastonário Rogério Alves, com quem trabalhou já na Ordem. Chegou a ser deputado do PSD

e secretário de Estado da Defesa, mas hoje Jorge Neto é o candidato por quem torce a comunista Odete Santos. Pugna pelo rigor na fisca- lização da formação dos docentes

dos cursos de Direito e está contra

a remuneração do bastonário im-

posta por Marinho e Pinto quando tomou posse, em 2008, posição que partilha com Raposo Subtil. Se ga-

nhar, colocará o seu colega Ricardo Sá Fernandes à frente da comissão para os direitos humanos da Ordem.

foi precisamente a dirigir este de-

partamento, mas já com Marinho e Pinto no início do segundo manda- to, em 2011, que esteve o candida- to que se segue, Jerónimo Martins. Acabou por ser destituído do cargo pelo próprio bastonário, que invo-

cou perda de confiança – tal como já tinha sido feito ao próprio Marinho

e Pinto pelo antigo bastonário José Miguel Júdice, era o advogado de Coimbra precisamente presidente da comissão de direitos humanos. “Não é por muito falar o actual

bastonário — e se fala — que a Ordem

é mais reconhecida e respeitada.

Bem pelo contrário”, diz Jerónimo Martins, que defende que o exer-

cício do cargo de bastonário deve ser remunerado, embora sujeito a limites.

O toque cultural desta disputa

dá-o Guilherme Figueiredo, que foi comissário na Fundação Serral-

ves e está hoje à frente da Fundação Júlio Resende. Presidente do con- selho distrital do Porto da Ordem, este amante das artes defende, tal como Elina Fraga, a incompatibili- dade entre a função de deputado

e o exercício da advocacia – ou de

qualquer outra profissão. Caso ven- ça, a comissão dos direitos huma- nos será entregue a uma das actuais estrelas da advocacia portuguesa, Rui Patrício. Vai ser uma noite longa: os re- sultados da escolha dos 29 mil ad- vogados portugueses só devem ser conhecidos amanhã, quando a ma- drugada for alta.

E

MAIOR GRUPO SEGURADOR PRIVADO As seguradoras da ESFG foram eleitas pela Exame como as melhores
MAIOR GRUPO SEGURADOR PRIVADO As seguradoras da ESFG foram eleitas pela Exame como as melhores

MAIOR GRUPO SEGURADOR PRIVADO

As seguradoras da ESFG foram eleitas pela Exame como as melhores em 2013

da ESFG foram eleitas pela Exame como as melhores em 2013 A Tranquilidade e a BES
da ESFG foram eleitas pela Exame como as melhores em 2013 A Tranquilidade e a BES

A Tranquilidade e a BES Vida, companhias de seguros da Espírito Santo Financial Group (ESFG), foram eleitas pela revista Exame como as Melhores Grandes Seguradoras dos ramos Não Vida e Vida, respetivamente, em 2013.

Este prémio reafirma a liderança da ESFG como o maior grupo segurador privado em Portugal, com 19,4% de quota de mercado.

Uma liderança que representa um resultado consolidado de 57% do total do setor dos seguros em Portugal, sendo 88% no Ramo Não Vida e 56% no Ramo Vida, no primeiro semestre de 2013, segundo dados do Instituto de Seguros de Portugal.

O reconhecimento no presente, dá-nos confiança no futuro.

6 | PORTUGAL | PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013

Frio agrava-se nos próximos dias e pode ter efeitos graves na saúde

A partir de amanhã, e pelo menos até quinta-feira da próxima semana, as temperaturas vão baixar ainda mais. A população deve preparar-se para uma possível onda de frio, segundo especialista do IPMA

Meteorologia Alexandra Campos

Um casal de idosos de Vinhais (Bra- gança) foi descoberto sem vida em casa, no sábado, supostamente in- toxicado por gases libertados por uma braseira deixada a arder para aquecer a habitação. O alerta foi da- do pelos vizinhos, que estranharam não ver os idosos há alguns dias e trataram de avisar a GNR. As auto- ridades suspeitam que o casal mor- reu durante o sono, intoxicado pelo monóxido de carbono libertado por uma braseira deixada a arder, numa altura em que o Nordeste Transmon- tano regista temperaturas negativas durante a noite. Os dois idosos terão sido as primeiras vítimas mortais in- directas do fenómeno que o Institu- to Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) classifica como “episódio prolongado de frio”. Um fenómeno que se pode trans- formar numa onda de frio já na pró- xima semana, uma vez que as tempe-

raturas vão descer ainda mais a partir de amanhã e continuarão assim du- rante alguns dias, explicou ao PÚBLI- CO a meteorologista Ilda Novo. Tec- nicamente, para se considerar que estamos perante uma onda de frio,

é preciso que as temperaturas per-

maneçam cinco graus abaixo da mé- dia, durante seis dias consecutivos. Nos próximos dias, e pelo menos até 5 de Dezembro, segundo o IPMA, prevê-se a continuação de tempera- turas mínimas baixas, inferiores a 5 graus na generalidade do território, com valores entre os quatro graus ne- gativos e os dois graus nas regiões do interior. “Estamos sob a influência de

uma massa de ar frio transportado do interior da Europa Central. É uma si- tuação persistente que, acompanha- da pelo vento e céu limpo, faz com que haja um arrefecimento nocturno significativo”, explica Ilda Novo. Mesmo sem estarmos a atravessar uma vaga de frio, as temperaturas baixas que se têm feito sentir um pouco por todo o país já levaram a Autoridade Nacional de Protecção Ci- vil (ANPC), o IPMA e a Direcção-Geral de Saúde (DGS) a emitir uma série de alertas e recomendações à popula- ção no início desta semana. Porque

o frio pode ter consequências graves

se as pessoas, sobretudo as mais vul- neráveis, não se precaverem.

ADRIANO MIRANDA
ADRIANO MIRANDA

Temperaturas poderão atingir os quatro graus negativos nas regiões do interior do país

Especial atenção aos idosos e sem-abrigo

Guião dos cuidados a ter com o tempo frio

T endo em conta a continuação de tempo frio, com “acentuado

arrefecimento nocturno”,

A ANPC e a DGS alertam também para o problema das intoxicações e dos incêndios em habitações, devido à má

a

Autoridade Nacional de

utilização de lareiras e braseiras ou avarias em circuitos eléctricos

e

para o piso escorregadio

Protecção Civil (ANPC) e a Direcção-Geral da Saúde (DGS) pedem especial atenção aos “grupos populacionais mais vulneráveis”, como crianças, idosos e pessoas com doenças crónicas e aos sem-abrigo. Recomendam sobretudo uma atenção redobrada “por parte

devido à formação de geada, em especial nas regiões do interior. Recomendam que se evite a exposição prolongada ao frio e às mudanças bruscas de temperatura e o uso de várias camadas de roupa folgada

das famílias e vizinhos e das redes sociais de proximidade” às situações de pessoas idosas

e

adaptada à temperatura

ambiente, além da protecção

das extremidades do corpo

em condição de maior isolamento.

e

(usando luvas, gorro, meias quentes e cachecol).

“As casas estão pouco adaptadas ao frio e as pessoas tentam compen- sar este problema. É necessário que tenham grandes cuidados com larei- ras, salamandras, braseiras e equipa- mentos de gás. Devem desligar tudo quando vão dormir e não ter a casa toda calafetada e fechada, mas sem- pre arejada”, avisa a subdirectora-ge- ral da Saúde, Graça Freitas. “A morte silenciosa é evitável”, sublinha a mé- dica, remetendo para as recomenda-

ções efectuadas pela DGS e que po- dem ser consultadas em www.dgs.pt. O frio pode matar e até mata mais do que o calor em Portugal. Não por- que provoca directamente mortes por enregelamento ou hipotermia, como acontece noutros países, mas de uma forma indirecta, devido a in-

toxicações, acidentes, quedas, pneu- monias. No Inverno, além do frio, a gripe é outro factor que tem um im- pacto no aumento da mortalidade, lembra Paulo Nogueira, da DGS. Há mesmo um fenómeno que está

neste momento a ser estudado por especialistas, a elevada taxa de mor- talidade por pneumonia, que, em Portugal, é o dobro da média euro- peia. Quando o relatório sobre as do- enças respiratórias foi apresentado, no início de Outubro, a responsável por este programa na DGS adiantou que os picos de internamento por pneumonia coincindiram com a ac- tividade gripal, mas sublinhou que não se pode atribuir a elevada mor- talidade exclusivamente à gripe. Um estudo efectuado em 2004 pela Universidade de Dublin conclui que Portugal era um dos países da União Europeia onde se morria mais por falta de condições de isolamento e aquecimento nas casas. Segundo esta investigação, que foi realizada em 14 países europeus e analisou as potenciais causas da mortalidade no Inverno, Portugal tinha “a maior taxa (28%) de excesso de mortalidade”, seguido da Espanha e da Irlanda, ambos com 21%.

8 | PORTUGAL | PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013

MEC prolonga prazo de inscrição na avaliação de docentes contratados

O prazo terminava ontem, mas os professores sem vínculo têm agora até 2 de Dezembro para se inscreverem na prova. Segundo o Ministério da Educação e Ciência, há 37 mil inscritos

Educação Maria João Lopes

O Ministério da Educação e Ciência

(MEC) prolongou até 2 de Dezembro

o prazo de inscrição na prova de ava-

liação de conhecimentos e capacida- des, obrigatória para os docentes não integrados na carreira docente que queiram candidatar-se a dar aulas no próximo ano lectivo. De acordo com o comunicado di- vulgado pelo MEC, inscreveram-se até ao momento cerca de 37 mil pro- fessores — no total serão cerca de 45 mil os professores contratados que terão de fazer esta prova, caso quei- ram candidatar-se a dar aulas no pró- ximo ano lectivo. “Atendendo às especificidades dos candidatos, foram alargados os locais de realização da prova e prorrogado até dia 2 de Dezembro o prazo de inscrição na mesma. Os docentes já inscritos poderão alterar o local ini- cialmente indicado, se assim o pre- tenderem”, adianta ainda o comuni- cado. O prazo inicial para inscrição nesta prova terminava ontem, mas, de acordo com a nota do MEC, a al- teração foi publicada no mesmo dia em Diário da República. A prova é constituída por duas par- tes: a componente comum da prova, agendada já para 18 de Dezembro, visa, segundo a tutela, “avaliar a ca- pacidade para mobilizar o raciocínio lógico e crítico, bem como a prepa- ração para resolver problemas em domínios não disciplinares”. A com- ponente específica deverá realizar- se entre 1 de Março e 9 de Abril e pretende “avaliar o domínio dos co- nhecimentos e capacidades especí-

cos essenciais para a docência em cada grupo de recrutamento e nível de ensino”. Apesar da forte contestação que a prova tem merecido por parte dos professores e estruturas sindicais, ontem, no final da reunião de Con- selho de Ministros, Nuno Crato mos- trou-se confiante de que a prova se vai realizar. Adiantou ainda que “sai-

rá em breve” a portaria que tornará

obrigatória a realização de exames a Matemática — seja Matemática A, B ou Matemática Aplicada às Ciências Sociais — e Português no acesso aos cursos superiores que formam os fu- turos professores de 1.º e 2.º ciclos e educadores de infância.

MIGUEL MANSO
MIGUEL MANSO

Professores contratados vão ter mais quatro dias para se inscreverem na prova de avaliação

Mobilidade dos professores abre nova guerra entre MEC e Fenprof

N a sequência da greve dos

professores às avaliações

dos alunos, o Ministério da

Educação e Ciência (MEC)

aceitou, em Junho passado, que no âmbito da requalificação dos trabalhadores da função pública nenhum docente do quadro poderia ser transferido para uma distância superior a 60 quilómetros da sua residência, sem o seu acordo. Mas a lei relativa à antigamente designada “mobilidade especial”

“não respeita o compromisso, nem estabelece ainda os critérios em que aquela pode ser accionada”, denunciou ontem a Federação Nacional de

dentro do quadro de zona pedagógica a que pertencem

ao omitir, na legislação que entra em vigor no próximo

ou a que pertence a sua escola”;

domingo, o tal limite dos 60

frisa que estas são indicadas

e

pelo docente, “pelo que a questão da distância não se coloca”. “Apenas caso não seja possível obter colocação na sequência deste procedimento pode haver lugar à colocação administrativa ao abrigo da Lei 12A/2008 na sua redacção actual, na qual é aplicada a regra dos 60 quilómetros prevista para toda a função pública”, esclarece.

Já a Fenprof reafirma que “a mobilidade disfarçada de requalificação” vai afastar “professores da carreira já a partir do próximo ano lectivo” e promete apresentar queixa na Procuradoria-Geral da República contra o MEC. Denuncia o “profundo desrespeito pela acta negocial assinada entre

o

ministério e as organizações

quilómetros. “Por iniciativa da administração, pode ocorrer

a

mobilidade de docentes

para outro estabelecimento de educação, ensino ou zona pedagógica, independentemente do concurso, com fundamento em interesse público decorrente do planeamento e organização da rede escolar, sendo aplicados

os procedimentos definidos em diploma próprio”, escreve a

Fenprof, citando o artigo 37.º da lei. “O MEC só não escreveu que

 

a

administração pode pegar

Professores. O MEC desmente-o. Através do gabinete de

imprensa, mantém que os “professores dos quadros (de escola, de quadro e de zona pedagógica) que não tenham componente lectiva atribuída devem indicar uma ou mais escolas da sua preferência

num professor e colocá-lo onde muito bem entender porque parecia mal, mas é exactamente isso que significa o artigo 37.º”, denunciou Mário Nogueira, dirigente da federação, em

sindicais de professores”,

declarações ao PÚBLICO. Graça Barbosa Ribeiro

Da reunião de Conselho de Minis- tros resultou também um diploma que pretende centrar a formação contínua dos professores nas maté-

rias científicas que leccionam, tendo em conta as necessidades das escolas

e a “melhoria dos resultados dos alu-

nos”. “Já existe formação contínua de professores, mas neste momento com este regime jurídico, com estes objectivos, esta formação passa a estar mais centrada na escola, mais

centrada nas matérias que são leccio- nadas e mais centrada na melhoria de resultados dos alunos”, ressalvou

o ministro sobre o diploma que visa

dotar as entidades formadoras e as escolas de “autonomia acrescida”, quer no domínio pedagógico, quer no que respeita à organização da for- mação considerada “prioritária”. Crato enquadrou estas alterações num “processo global” que o mi- nistério está a adoptar “com vista à dignificação da profissão docente”. Outra das peças do processo passa pela “revisão das habilitações para a docência”, pretendendo-se reforçar a formação dos futuros professores nas áreas científicas que vão leccionar:

“Para um professor de Português, são necessárias mais horas de forma- ção em Português, para um profes- sor de Geografia são necessárias mais horas de formação em Geografia, e por aí adiante”, explicou, frisando que este projecto de decreto-lei está neste momento em consulta pública no Conselho de Escolas e Conselho Nacional de Educação.

Foi ainda aprovado outro diploma que regulamenta o regime de avalia- ção, certificação e adopção dos ma- nuais escolares dos ensinos básico e secundário, com o objectivo de “des-

burocratizar” processos. “É um di- ploma que simplifica os procedimen- tos e, com isso, reduz a despesa do Estado e agiliza todo o processo de certificação de manuais”, explicou. Ontem, o ministro Nuno Crato dis- se ainda que haverá novas reuniões com o Conselho de Reitores da Uni-

versidades Portuguesas para tentar resolver o diferendo que opõe os representantes das instituições de

ensino superior ao Governo. Esta se- mana, para além de Crato, também

o primeiro-ministro participou num

encontro com os reitores que protes- tam contra os cortes previstos para

o sector no Orçamento do Estado

(OE) 2014.

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PORTUGAL |

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013

Há falhas na intervenção junto dos jovens acompanhados pela Justiça

Nove em cada dez têm pelo menos uma perturbação psiquiátrica e 31% consomem substâncias, revela estudo. Maioria dos 217 jovens entrevistados cometeram crimes contra pessoas

Justiça juvenil Andreia Sanches

Aos 16 anos, pouco mais, muitos acumulam duas, três, quatro psico- patologias distintas — perturbações de comportamento, de personali- dade, de défice de atenção. Em 31% dos casos o consumo de substâncias está presente. Por serem menores e terem cometido actos graves, qua- lificados na lei como crime, estão internados em centros educativos ou são regularmente acompanhados por um técnico da Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP). É o retrato da saúde men- tal destes jovens que é feito num es- tudo que foi apresentado ontem, em Lisboa. Mais de nove em cada dez dos que foram entrevistados têm pelo menos uma perturbação psiquiátrica, “o que é um dado astronómico”, diz Daniel Rijo, professor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Edu- cação da Universidade de Coimbra, um dos autores do trabalho que in- tegra o PAIPA — Programa de Avalia- ção e Intervenção Psicoterapêutica no âmbito da Justiça Juvenil, promo- vido pela DGRSP e co-financiado pela Comissão Europeia. Isto não significa, contudo, que estes jovens, que o Estado tenta reeducar, este- jam necessariamente a ser alvo de um tratamento psicoterapêutico profundo e regular, continua. Em 85% da amostra — mais de 200 rapazes — a perturbação principal diagnosticada é uma das chamadas “perturbações disruptivas do com- portamento”. “O que quer dizer que é uma perturbação grave, em que o comportamento do sujeito está tão desregulado que ele se mostra emo- cionalmente instável, impulsivo, sem pensar muito bem nas conse- quências do que faz, sendo capaz de ser agressivo, sem grande censura e sem grande autocontrolo.” Mais: “Metade dos jovens têm mais do que um diagnóstico diferen- te de perturbação, são indivíduos em grande sofrimento e altamente perturbados.” Na abertura do seminário destina- do a debater os resultados do projec- to PAIPA, no ISCTE, o director-geral de Reinserção e Serviços Prisionais, Rui Sá Gomes, apresentou a ques- tão, da seguinte forma: são jovens

Prevalência de perturbações mentais em jovens agressores

Perfil dos jovens

 

Nível socioeconómicos, em %

 

Prevalência global de perturbações psiquiátricas, em %

91,2

 
  81,1

81,1

     
     

Amostra

217

Idade

16,6

 

18,9

 

8,8

Anos de escolaridade

6,19

     
   

Número de anos reprovados

3,02

Baixo

Médio

Com psicopatologia

Sem psicopatologia

Número de diagnósticos na amostra total

 

Crimes cometidos

Prevalência por tipo de perturbação Em %

Sem diagnóstico

1 diagnóstico

 

Contra a vida

em sociedade

18 % 77,9
18
%
77,9

3,7

Tráfico de

estupefacientes

0,5

Contra

 

Humor

Consumo de

substâncias

Psicóticas

Psicóticas

diagnósticos

4

ou mais

 
15,2
15,2
31,3
31,3

1

 
8,8 14,3 34,1 % 17,1 25,7
8,8
14,3
34,1
%
17,1
25,7
 

Perturbações

 

Ansiedade

disruptivas

20,3
20,3

Tiques

 
77,4
77,4
Ansiedade disruptivas 20,3 Tiques   77,4   1 , 9 3 diagnósticos 2 diagnósticos
 

1,9

3

diagnósticos

2 diagnósticos

propriedade

Contra pessoas

Nota: dados recolhidos a partir de entrevistas a jovens que esão a cumprir medidas tutelares educativas de internamento e de acompanhamento educativo

Fonte: "A prevalência das perturbações mentais em jovens agressores intervencionados pelo Sistema de Justiça Juvenil Português", Univ. Coimbra/DGRSP

PAULO PIMENTA
PAULO PIMENTA

Muitos jovens têm mais que um diagnóstico diferente de perturbação

cujas “vulnerabilidades são muito mais vastas do que aquelas de que se fala habitualmente — económicas, sociais, etc.” Contudo, o Sistema Nacional de Saúde não tem capacidade de res- posta, há listas de espera para con- sultas e não há consenso sobre o próprio modelo de intervenção, foi referido no seminário. “O combate à delinquência juvenil tem de ser fei- to em parceria entre as autoridades judiciárias e o Serviço Nacional de Saúde. Caso contrário, nunca have-

rá resultados positivos”, dizia, no início desta semana, Licínio Lima, o subdirector da DGRSP, em decla- rações à Lusa. Segundo Daniel Rijo, “os miú- dos de alguns centros educativos, próximos de zonas urbanas com mais recursos, como Lisboa, Por- to, Coimbra, podem ter acesso a uma intervenção na saúde mental, mas, noutras zonas, é mais difícil consegui-lo”. “Estes miúdos são vistos pela psiquiatria, pela pe- dopsiquiatria, mas depois não há

intervenção psicoterapêutica – ou seja, não há a continuidade, nem a intensidade do acompanhamento que devia haver”. “Na Justiça juvenil, já temos uma intervenção altamente especializada ao nível da educação”, prossegue. “Os centros educativos têm currícu- los alternativos, cursos adequados, uma componente de formação pro- fissional muito desenvolvida. Falta- nos agora uma intervenção mais for- te, mais intensa e mais generalizada da parte da saúde mental.” Em Setembro, segundo a DGRSP, havia dez centros educativos e 271 jovens internados em regime aber- to, semiaberto ou fechado (a Lei Tu- telar Educativa prevê que a medida de internamento, decretada pelos tribunais, possa ser executada em diferentes regimes, conforme o ca- so). Daniel Rijo diz que “não basta agir só porque o miúdo cometeu um acto com relevância do ponto de vista do sistema de Justiça juvenil”. “Há uma necessidade de melhoria do seu fun- cionamento, a todos os níveis. Por isso é que estes miúdos têm tantos problemas aditivos e de consumo de substâncias, abandono escolar pre- coce, baixa escolaridade. Falharam muitas coisas na vida destes miúdos,

não foi apenas o facto de terem co- metido um crime.”

Não esperar pela prisão

De acordo com o estudo feito para o PAIPA, muitos jovens alvo de in- tervenção acumulam retenções na

escola (três em média) e provêm (em 81% dos casos) de classes socioeco- nómicas baixas. A maioria (77,9%) cometeu crimes contra pessoas. Com a idade, as perturbações ten- dem a aumentar. “E quase 50% dos jovens do subgrupo dos que têm 18 anos ou mais já têm uma perturba- ção anti-social da personalidade, o que significa que já houve uma evo- lução de uma perturbação de con-

duta para uma perturbação mais grave e mais difícil de mudar.”

O ideal é que a intervenção psi-

coterapêutica se faça o mais cedo possível. “E não estarmos à espera

de que eles vão parar à prisão mais tarde para uma intervenção que se- rá progressivamente mais difícil e custosa.”

O estudo A prevalência das per-

turbações mentais em jovens agres- sores intervencionados pelo Sistema de Justiça Juvenil Português abran- geu 217 rapazes que foram alvo das duas mais graves medidas tutelares previstas na lei, o internamento e o acompanhamento educativo. Para além do estudo, a equipa testou um modelo de intervenção psicoterapêutica, que foi ensaiado em 12 sessões, com 17 miúdos, feitas por psicólogos da Universidade de Coimbra e da DGRSP. Daniel Rijo diz que os primeiros resultados são positivos. “Houve mudança clínica significativa em 50% a 60% dos casos.” Actualmente não há nenhuma de- finição oficial que permita à priori dizer: é este tipo de intervenção que se deve ter com os miúdos. Nem há um consenso, mesmo entre a comu- nidade científica, sobre um mode- lo. Devia haver e há organizações internacionais que estão a fazer alguma pressão no sentido de pro- por guidelines para a intervenção. “Neste momento, cada serviço que está em colaboração com cada cen- tro educativo faz um bocadinho o que entende e sabe fazer. Mas em Portugal não temos muitos serviços especializados para trabalhar com adolescentes com perturbação”, re- mata o professor universitário.

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013 | PORTUGAL |

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Aposta na prevenção faz sistema de saúde português subir oito lugares em ranking

Saúde Romana Borja-Santos

Portugal ocupa 16.ª posição entre 34 países europeus avaliados pela Health Consumer Powerhouse, uma organização europeia

O sistema de saúde de Portugal é con-

siderado o 16.º melhor entre 34 ava- liados num relatório feito por uma organização europeia de consumi- dores, o que demonstra uma grande recuperação em relação à edição de 2012, em que ficou apenas em 25.º.

A subida, explica a Health Consumer

Powerhouse, deve-se sobretudo ao facto de terem sido alterados alguns critérios que passaram a valorizar mais a aposta que os países fazem na prevenção. No Índice de Assistência Médica Europeu (EHCI, na sigla em inglês), feito pela organização sueca desde 2005, Portugal conseguiu obter 671 pontos em 1000, quando no ano pas- sado se tinha ficado pelos 589. O índi- ce é construído a partir da avaliação da informação fornecida pelos doen- tes, que é cruzada com vários indi-

fornecida pelos doen- tes, que é cruzada com vários indi- Portugal estava em 25.º em 2012

Portugal estava em 25.º em 2012

cadores como taxas de mortalidade, taxas de infecção hospitalar, dados de acesso como listas de espera para consultas e cirurgias, entre outros. Direitos e informação aos utentes, resultados, prevenção, alcance dos serviços e entrada de medicamentos inovadores no mercado são outros dos pontos avaliados. A classificação é traduzida em cinco áreas: direitos e informação

dos pacientes, listas de espera para tratamento, prevenção, âmbito e al- cance dos serviços prestados e a área farmacêutica. No relatório, que foi apresentado ontem em Bruxelas, o sistema de saúde holandês foi consi- derado o melhor, com 870 pontos.

Na classificação seguem-se a Suíça, Islândia, Dinamarca, Noruega, Bélgi- ca, Alemanha, Luxemburgo, França, Finlândia, Suécia, Áustria, Escócia, Inglaterra, Irlanda e República Checa. Assim, se olharmos para o gráfico de barras do relatório, aparentemente Portugal só surge em 17.º lugar e não em 16.º. Porém, segundo explicou ao PÚBLICO, por email, a presidente da organização, Arne Bjornberg, esta di- ferença acontece pela desagregação do Reino Unido em Escócia e Ingla- terra — o que acontece pela primeira vez — pelo que a classificação oficial para efeitos comparativos é o lugar 16.º. Depois de Portugal surgem a Es- lovénia, Espanha, Croácia, Itália, Es- lováquia, Estónia, Lituânia, Chipre, Grécia, Malta, Macedónia, Hungria, Albânia, Bulgária, Polónia, Letónia, Roménia e Sérvia — esta última com apenas 451 pontos. “Houve alterações na configuração do EHCI desde o ano passado que ex- plicam parcialmente a classificação de Portugal. O mais evidente é que foi dado um maior peso à prevenção, com um novo conjunto de indicado- res”, explica Arne Bjornberg, num comunicado. Na mesma nota, deixa-se o alerta de que as meras análises anuais não reflectem o trabalho dos sistemas de saúde ao longo do tempo.

Breves Caso FaceOculta Mário Lino não será julgado por falsidade de testemunho A Relação de

Breves

CasoFaceOculta

Mário Lino não será julgado por falsidade de testemunho

A Relação de Coimbra decidiu que o ex-ministro das Obras Públicas Mário Lino não será julgado por um crime de falsidade de testemunho, no âmbito do processo Face Oculta. Mário Lino foi acusado de ter mentido quando prestou declarações enquanto testemunha, nas várias fases processuais do processo Face Oculta, que tem como arguidos personalidades como Armando Vara, ex- administrador do BCP, José Penedos, ex-presidente da REN, e o seu filho Paulo Penedos.

Justiça

Evadido da cadeia de Castelo Branco foi ontem recapturado

Um dos reclusos que fugiram do Estabelecimento Prisional de Castelo Branco no dia 17 foi recapturado ontem no Alentejo, confirmou ao PÚBLICO fonte da Directoria do Centro da Polícia Judiciária (PJ). A detenção, que ocorreu numa operação levada a cabo por aquela directoria da PJ visou o foragido mais jovem interceptado no Gavião, distrito de Portalegre, a mais de 60 quilómetros de Castelo Branco. Olavo, detido ontem, tem 27 anos e estava em fuga há 11 dias. A operação da PJ contou com a colaboração da GNR de Gavião e Nisa.

RAFA RIVAS/AFP
RAFA RIVAS/AFP

Guardia Civil espanhola deteve Saturnino “Canceliñas”

Detido cadastrado que sequestrou médico português

Justiça Pedro Sales Dias

“Canceliñas” foi interceptado pela polícia quando caminhava na Estrada Nacional 550, em Redondela, Pontevedra

O cidadão espanhol que sequestrou,

no início deste mês, um médico em

Arcos de Valdevez, Portugal, foi de- tido ontem, pelas 13h, em Redonde- la, província de Pontevedra, Galiza, confirmou ao PÚBLICO fonte da Ga- binete de Comunicação da Policia Nacional de Espanha. A mesma fon-

te remeteu para mais tarde esclare-

cimentos sobre as circunstâncias em que ocorreu a detenção. O galego, de 45 anos, Saturnino Marcos Cerezo “Canceliñas”, conhe- cido por fugas aparatosas e eficazes de várias cadeias, é considerado muito perigoso pelas autoridades espanholas. De acordo com o jornal Faro de

Vigo, foi interceptado pela polícia quando caminhava pela Estrada Nacional 550. O suspeito terá sido

avistado pelos agentes que depois pararam e confirmaram a sua iden- tificação. A detenção ocorre após 21 dias em fuga. “Canceliñas” deverá agora, se- gundo o jornal La Voz de Galicia,

ser entregue à Guardia Civil que in- vestiga desde o inicio o sequestro

e que, aliás, deteve o seu cúmplice

português, Álvaro Miguel dos Santos Barbosa, há cerca de duas semanas.

Álvaro, de 32 anos, foi detido em Vigo e está actualmente em prisão preventiva, em Espanha. Terá sido naquela mesma estra- da, segundo os jornais espanhóis, que os suspeitos haviam deixado o automóvel de gama alta em que ti- nham sequestrado, por carjacking,

o clínico de 62 anos.

O médico António Veloso foi se-

questrado no supermercado Pingo Doce de Arcos de Valdevez, seguin- do no interior da viatura até Espa- nha onde acabou por ser libertado.

Durante o trajecto, terá sido obriga- do pelos sequestradores a levantar no multibanco milhares de euros.

A Directoria do Norte da Polícia

Judiciária, no Porto, está encarre- gada da investigação dos contornos do sequestro em Portugal.

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PORTUGAL |

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013

O “único” Partido Socialista com 37% nas sondagens é o PS, avalia Vitorino

Antigo comissário europeu e ex-ministro do Governo de António Guterres defendeu o “cumprimento imperativo” do programa de assistência e criticou a “pressão” feita sobre o Tribunal Constitucional

Partidos Maria Lopes e Nuno Sá Lourenço

Não deixou de ser um elogio à li- derança de António José Seguro.

O ex-ministro da Defesa e antigo

comissário europeu António Vito- rino assinalou ontem o facto de o partido liderado por Seguro estar, actualmente, “com o melhor re- sultado dos partidos socialistas no espaço europeu” depois do desa- bafo de Mário Soares sobre o PS. Numa entrevista à TSF, na qual foi questionado sobre a aparente inca- pacidade de o principal partido da oposição descolar nas sondagens, Vitorino considerou “surpreenden-

tes” algumas das críticas feitas à li- derança socialista. “Porque, se olhar para o panorama europeu, o único Partido Socialista que está na oposi- ção e que tem uma indicação de voto

na ordem dos 37% é o PS português.

O que se aproxima mais deste nú-

mero é o Partido Trabalhista inglês, que tem 33%. Se olhar aqui para a vizinha Espanha, o PSOE tem 28% de indicações de voto. E o próprio SPD alemão, que acabou de disputar eleições, teve um resultado bastante

medíocre de 26%, isto é, três pontos acima do que tinha tido nas anterio- res eleições”, sustentou.

O reparo do antigo responsável

político surgiu um dia depois de o

ex-Presidente ter dito, no lançamen-

to de um livro que, “se o PS fosse um

bocadinho mais activo, tinha 90%,

com certeza”. Ainda assim, o ex-co- missário europeu reconheceu que

“o PS, neste momento, não é ainda

a alternativa que pudesse motivar

uma alteração radical do panorama político português”. Da parte da direcção do PS não houve qualquer reacção oficial. Mas

o secretário nacional Eurico Dias as-

sumiu ao PÚBLICO que Mário Soa- res “é livre de fazer o que entende”, assistindo ao antigo chefe de Esta- do o direito de ter “um espaço de intervenção que o PS não tem de

estar sempre a comentar”. Apenas

acrescentou que, na sua opinião, a expressão dos 90% “não podia ser levada à letra”.

O distanciamento de António Vi-

torino em relação a algumas posi- ções socialistas também se verifica nas questões europeias, sendo de

ADRIANO MIRANDA
ADRIANO MIRANDA

Mário Soares criticou a actual liderança socialista, dando a entender que deve ser mais activa no combate ao Governo

“O único Partido Socialista que está

na oposição e que

tem uma indicação de voto na ordem dos 37% é o PS

português”

António Vitorino Ex-ministro da Defesa e ex-comissário europeu

destacar a defesa determinada do cumprimento imperativo do pro- grama de ajustamento acordado com a troika . “A verdade é muito simples: nós temos absolutamente que concluir o programa de assis- tência financeira até Junho de 2014”, defende o socialista António Vito- rino. E deixa um aviso que é diri- gido também (e muito) aos que no PS têm levantado a voz para usar como bandeira os falhanços do Go- verno: “Para a credibilidade do pa- ís, é necessário que não se suscite qualquer dúvida sobre a capacida- de que temos de pagar a dívida.” O também antigo juiz-conselheiro do Tribunal Constitucional conside- ra que tem havido sobre o TC uma “deriva de pressão que não se justi- fica”. E faz questão de citar um tra- balho do PÚBLICO para afirmar que “não há nenhuma relação directa” entre a variação dos juros da dívida

pública no mercado secundário em função das decisões do TC. Vitorino, porém, não tem dúvidas:

“Os juros subiram, e muito, para um nível quase equiparável àquele em que estavam quando pedimos as- sistência financeira [Marco de 2011] durante a crise governamental pro- vocada pela demissão do ministro Vítor Gaspar e depois pela irrevo- gabilidade da decisão do ministro Paulo Portas. Aí [no início de Julho deste ano] sim, os juros subiram a sério e ainda estamos a pagar es- se preço”, aponta o socialista. A tendência para o actual Governo responsabilizar aquela instituição, colocando-a “no pelourinho como o culpado pela subida dos juros da dívida pública portuguesa, além de uma falsidade, é uma ignomínia”. Há duas palavras sobre a dívida que “queimam” os lábios de Vito- rino, como o próprio admite: rees-

truturação e mutualização. “Uma reestruturação da dívida tal como sucedeu na Grécia significa que os credores não vão reaver tudo o que emprestaram. E portanto eu não fa- lo de reestruturação e acho muito perigoso que responsáveis políticos portugueses andem a falar de segun- do resgate ou de reestruturação. Se quiser, no limite, eu falo de um rees- calonamento no tempo, semelhante àquele que já ocorreu e que pode ainda ser levado mais além.” Sobre a mutualização o socialista diz que são já aplicadas duas formas de mutualização, através da inter- venção do BCE e o mecanismo eu- ropeu de estabilidade. “O problema é que não chega. Porque é preciso, além disso, em relação à dívida acu- mulada, dar uma garantia de que ela será paga” — para que não haja contágio de novo, como aconteceu com a Grécia.

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013 |

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PCP afirma que protesto das polícias é mais importante que “ilegalidade” da invasão da escadaria do Parlamento

Manifestação Teresa Camarão

Comunistas reuniram- se com a Comissão Coordenadora dos Sindicatos das Forças de Segurança

Uma semana depois da manifesta- ção de todas as forças de segurança do país que ficou marcada pela su- bida da escadaria do Parlamento, o

PCP fala da “justeza” dos objectivos destes trabalhadores, enquanto os polícias prometem mais acções de protesto enquanto não receberem respostas do Governo. No dia em que o líder do partido comemora nove anos à frente do PCP, Jerónimo Sousa recebeu na se- de do partido, na Rua Soeiro Pereira Gomes, em Lisboa, a Comissão Coor- denadora Permanente dos Sindicatos

e Associações dos Profissionais das

Forças e Serviços de Segurança. De acordo com o presidente da direcção da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, Paulo Rodri- gues, o encontro serviu para revelar ao partido “a ideia muito exacta” da- quilo que é o sentimento e as reivin- dicações das forças de segurança. A intenção é que o PCP possa, de algu- ma forma, “ajudar os polícias a sair desta situação para que a segurança dos portugueses não fique fragiliza- da”, acrescentou. O secretário-geral do PCP assumiu

a preocupação do partido em relação às condições sociais e profissionais dos agentes de segurança pública e saudou a dimensão da manifestação do passado dia 21, “a sua grandeza e

da manifestação do passado dia 21, “a sua grandeza e Líder do PCP está preocupado com

Líder do PCP está preocupado com condições dos polícias

os seus objectivos”, assumindo que

a subida da escadaria do Parlamento não é o assunto fundamental a ser discutido. De acordo com Jerónimo

de Sousa, as forças de segurança su- biram “uns degraus acima no pro- testo e na indignação”. Citando um poema de Brest, o líder comunista realçou que “todos falam do rio que

é violento, mas nunca falam das mar-

gens que o apertam”, dando a enten-

der que a violência parte do Governo

e não dos manifestantes.

O dirigente comunista considerou

fundamental a “justeza” dos objecti- vos que levaram agentes de todas for-

ças de segurança do país à manifesta- ção que se realizou há uma semana às portas da Assembleia da República. “O que é mais violento? Não será mais violenta a destruição de vidas,

a destruição também de condições

para uma vida digna por parte destes profissionais?”, questionou o secre- tário-geral do PCP. E referiu ainda que o Governo, que “está sempre a

invocar deveres e regras”, esquece

a missão de respeitar “simultanea-

mente” os direitos de quem exerce uma “função tão sensível”.

À saída do encontro, o líder sindi-

cal Paulo Rodrigues informou que as acções de protesto são para continu- ar “dentro da legalidade” e com “res- ponsabilidade” até que a Comissão Coordenadora obtenha por parte do Governo “respostas de acordo com aquilo que espera”. E fez ainda saber que os profissionais da polícia não podem aceitar “que o Governo con- tinue a ignorar” os seus problemas. O

líder sindical dos polícias deixou crí- ticas ao Executivo, afirmando que “a ilegalidade [das decisões de Passos Coelho] é tanta que vai prejudican- do os direitos dos profissionais e os próprios profissionais já não sabem bem até onde vai a legalidade e a ile- galidade”.

E insistiu: “As ilegalidades que têm

sido cometidas contra os profissio- nais são muito maiores que aquela pequena ilegalidade de subir uns de- graus da escadaria da Assembleia da República.” As forças de segurança reivindicam a manutenção dos sub- sídios de fardamento, o acesso a me- lhores condições de saúde e o recuo nos cortes salariais e no diploma que promete colocá-los lado a lado com

a função pública. No dia 11 de De-

zembro a Comissão Coordenadora Permanente dos Sindicatos e Asso-

ciações dos Profissionais das Forças

e Serviços de Segurança reúne com o

PSD, não havendo ainda nem respos-

ta nem data marcada para um even- tual encontro com o CDS-PP.

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2013-2014
*NA REGIAO DA GRANDE LISBOA

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PORTUGAL |

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013

RUI GAUDÊNCIO

14 | PORTUGAL | PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013 RUI GAUDÊNCIO Ministro da Presidência garante que

Ministro da Presidência garante que o Governo não tem “plano B”

Governo avisa que chumbo de cortes nas pensões implicará “soluções mais gravosas”

Orçamento do Estado Maria João Lopes

“Qualquer cenário de não execução do Orçamento de 2014 será seguramente um cenário mais prejudicial”, disse Marques Guedes

O ministro da Presidência, Marques

Guedes, associou ontem um eventual chumbo dos cortes nas pensões da Caixa Geral de Aposentações (CGA) pelo Tribunal Constitucional (TC) ao incumprimento de metas orçamen- tais para 2014 e do ajustamento das contas públicas, alertando que Go- verno terá de encontrar “soluções”,

eventualmente “mais gravosas”. Na conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros, Marques Guedes ressalvou, no en- tanto, que o Governo não tem um “plano B” para o caso de os cortes nas pensões pagas pela CGA serem declarados inconstitucionais, depois do pedido de fiscalização preventiva do Presidente da República. “Não existe plano B, o que existe

é, como o Governo tem reafirmado

várias vezes, a consciência plena de que, se por alguma razão, o país não puder executar o Orçamento de 2014, seguramente terá de encontrar solu- ções, mas o Governo acha que todas elas são bastante mais gravosas”, de-

clarou, sublinhando que “qualquer cenário de não execução do Orça-

mento de 2014 será seguramente um cenário mais prejudicial”. O ministro adiantou também que

o Governo já enviou mesmo para o

TC a fundamentação dos cortes nas pensões da CGA, com os argumentos

a favor da constitucionalidade do di- ploma. Argumentos que, na opinião do executivo, “são perfeitamente

justificativos quer da constituciona- lidade do diploma, quer da funda- mentação da sua essencialidade e do cumprimento das regras da equidade

e da proporcionalidade”, afirmou.

Ao contrário, na fundamentação do pedido de fiscalização preventiva, o Presidente considerou que esses cor- tes constituem um imposto e têm ca-

rácter definitivo.

Declarações de Passos

Confrontado com o facto de o pri- meiro-ministro, Passos Coelho, ter assegurado, em Londres, que “o país não vai parar”, se os cortes nas pen- sões forem chumbados pelo TC, Mar- ques Guedes considerou que “não há contradição absolutamente ne- nhuma” entre isso e a ausência de

um “plano B”. “Qualquer que seja a decisão do tribunal haverá sempre seguramente soluções”, ressalvou. Mas alertou: “O que eu reafirmo, co- mo o Governo tem dito e o senhor primeiro-ministro também, é que quaisquer soluções que passem pe-

la não execução dos compromissos que Portugal tem será sempre muito mais penalizador para os portugue-

ses.” Frisou que esse cenário será so- bretudo penalizador para “os mais

desfavorecidos”. Marques Guedes disse que já “foi explicado muitas vezes” as razões

que levam o Governo a assumir que

a eventual inconstitucionalidade dos

cortes nas pensões equivale a um in- cumprimento das metas estabeleci- das para 2014. O ministro defendeu que o “ajustamento de parte do sec- tor público” está por fazer e passa

por “alterações como aquelas que

o Governo tem vindo a propor” na

massa salarial da função pública e nas pensões. “Se no programa de ajustamento não se mexer naquilo que mais pe- sa na estrutura da despesa pública,

massa salarial e pensões, não vai ser possível atingir o ajustamento de que

o país precisa. Trata-se de uma ques-

tão de essencialidade”, sublinhou. E recordou que o país já esteve numa situação que deve evitar: “A última coisa que queremos é voltar à situa- ção em que estávamos em 2011, em

que não era um problema de haver um ajustamento ou uma convergên- cia de pensões, era um problema de não haver num prazo de um mês dinheiro para pagar pensões nem salários.” E defendeu que o Estado não pode gastar mais do que o tem. com Lusa

ANMP satisfeita com possibilidade de acumular verbas dos fundos comunitários

Autarquias Rita Brandão Guerra

Privatização da água não é uma prioridade para o Governo. A garantia foi deixada ontem ao socialista Manuel Machado

O novo presidente da Associação

Nacional de Municípios Portugue-

ses (ANMP), Manuel Machado, e o mi- nistro adjunto e do Desenvolvimen-

to Regional, Miguel Poiares Maduro,

“abriram portas” ontem na reunião

de cerca de uma hora na presidência

do Conselho de Ministros, em Lisboa. “Foi uma reunião que nós considera- mos importante. Foram abertas por- tas e estruturada uma metodologia

de trabalho, abordámos as questões

mais importantes que hoje preocu- pam o poder local e sentimos que, da parte do senhor ministro, houve abertura e prepararam-se soluções que permitem resolver uma parte dos problemas que temos elencado ao Governo”, disse o socialista. Manuel Machado, que é também presidente da Câmara de Coimbra, abrandava assim o tom em relação ao Governo, depois de, no sábado, quando tomou posse no congresso em Santarém, ter considerado que a confiança entre o executivo e os mu- nicípios estava quebrada, reclaman- do uma nova postura do executivo na

relação com os municípios. A ANMP levava na agenda o próxi- mo QREN (2014-2020), a lei das finan- ças locais, a lei dos compromissos e a privatização da água. Ao que o PÚBLICO apurou, os autarcas rece-

beram sinais positivos de que existi-

rá um regime de transição do actual

QREN (2007-2013) para o próximo, que permitirá, nomeadamente, a uti- lização de verbas que não tenham sido executadas no actual quadro

de apoio. Isso permitirá, na prática, às autarquias acumular verbas e não perder projectos que possam ainda não ter sido executados. No sábado, Manuel Machado já ti- nha alertado que o fecho do actual quadro comunitário de apoio iria ser

“extremamente complicado”, exi- gindo uma “atenção redobrada”. O socialista demonstrava preocupação também com o novo pacote finan-

ceiro, denominado Portugal 2020,

e que reserva para Portugal 21,2 mil milhões de euros. Ao que o PÚBLICO apurou, a priva-

tização das águas terá sido outro dos temas abordados no encontro, com

a ANMP a receber garantias de que

a questão não é prioritária na agen-

da de privatizações do Governo. Já em Novembro, o ministro da tutela, Jorge Moreira da Silva, afirmara que

a privatização do sector das águas “é uma possibilidade”, mas não “uma inevitabilidade”. Ontem, Manuel Machado concluiu

a reunião com Poiares Maduro com

optimismo e prometeu já para hoje um parecer dos autarcas sobre as propostas do executivo. “Vou opti- mista com o resultado do trabalho que hoje foi feito. Alguns aspectos vão ser resolvidos e outros já foram resolvidos hoje, nomeadamente as- pectos da lei das finanças locais; são questões técnicas mas são relevan- tes”, disse Manuel Machado. Mas há, pelo menos, uma batalha por vencer. Chama-se lei dos com- promissos e a ANMP continua a con- siderar indispensável revogá-la. “É um empecilho que nada ajuda a re-

solver”, alertou Manuel Machado.

MIGUEL MANSO
MIGUEL MANSO

Manuel Machado, novo líder da ANMP, reuniu-se com o Governo

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013 | PORTUGAL |

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Tribunal de Contas propõe multas para os governantes da Madeira

Auditoria detecta ilegalidades em empreitadas no valor de 22,7 milhões de euros adjudicadas pelo executivo de Jardim. Em causa está uma “potencial ofensa ao princípio da concorrência”

Autonomias Tolentino de Nóbrega

O Tribunal de Contas vai aplicar mul- tas no montante de 15.700 euros aos sete actuais membros do Governo Regional da Madeira, ao antigo se- cretário do Equipamento Social e ao director de infra-estruturas por incumprimento do Código dos Con- tratos Públicos em 11 empreitadas no valor global de 22,7 milhões de euros. As infracções cometidas são “passí- veis de configurar ilícitos geradores de responsabilidade financeira”, concluiu a secção regional do TC na Madeira, no relatório da auditoria en- viado para o Ministério Público para procedimento judicial. No documento divulgado ontem, conclui-se que o modelo de avaliação das propostas para realização das empreitadas “não observa a discipli- na normativa plasmada no Código dos Contratos Públicos” e “tal inob- servância concretiza uma potencial ofensa ao princípio da concorrência por ser susceptível de ter afastado do procedimento outros eventuais interessados”. Face às ilegalidades verificadas, o Tribunal de Contas recomenda à en- tidade adjudicatária das obras, a vice- presidência do governo regional, que em futuros concursos de empreita- das explicite devidamente “as exac- tas condições de atribuição das pon- tuações da escala gradativa e delas dê conhecimento aos concorrentes”. E lembra aos governantes visados, por terem deliberado “favoravelmente a adjudicação de todas as obras”, que com o pagamento das referidas mul- tas “extingue-se o procedimento ten- dente à responsabilidade financeira sancionatória”. A vice-presidência do Governo ma-

DR
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O reforço da protecção marítima da praia da Calheta é uma das obras onde foram detectadas ilegalidades

deirense, em comentário às ilegalida- des detectadas na auditoria, recorda que o Tribunal de Contas visou, pre- viamente, os respectivos contratos públicos, em que “o critério de adju- dicação adoptado foi o da proposta economicamente mais vantajosa”. Alega ainda que “o modelo de avalia- ção das propostas foi elaborado com a convicção de que respeita todas as normas do Código dos Contratos Públicos”. “As supostas ilegalidades

identificadas pelo Tribunal de Con- tas no referido relatório devem-se a diferentes interpretações das normas jurídicas do Código dos Contratos Públicos relativas à elaboração do modelo de avaliação de propostas”, conclui o governo madeirense. O incumprimento das normas da contratação pública foi detectado em 11 empreitadas. Em particular, a regu- larização e canalização do ribeiro da Carne Azeda e canalização dos ribei-

ros de Santana e Água de Mel, ambas adjudicadas à Socicorreia por 360 mil e 2,9 milhões de euros, respecti- vamente. À AFA, foram entregues a reabilitação da ribeira de Santa Luzia (4,4 milhões), o reforço da protecção marítima da praia da Calheta e es- tabilização do talude do Garachico (3,9 milhões e 1,5 milhões), e ainda a reabilitação da ribeira de João Go- mes e a intervenção nas ribeiras de Santa Luzia e de João Gomes, ambas

contratadas com o consórcio Zagope, AFA e Tecnovia por 2,7 milhões de euros e 37 mil euros. A regularização da ribeira do Vasco Gil (3,2 milhões) foi atribuída à José Avelino Pinto, as- sim como a canalização do ribeiro das Eiras, no Caniço (872 mil euros), enquanto a regularização do ribeiro da Capela foi para a Tecnovia (845 mil euros). Já a intervenção na ribeira de S. João foi adjudicada à Tâmega por dois milhões.

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16 | PORTUGAL | PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013

Breves Reforma do Estado CCP quer reforma do IRS e plafonamento na Segurança Social O

Breves

Reforma do Estado

CCP quer reforma do IRS e plafonamento na Segurança Social

O

presidente da Confederação

do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) considerou “positivo” o encontro de ontem com o vice-primeiro- ministro sobre o guião da reforma do Estado. “A confederação sempre defendeu que a reforma do Estado ultrapassa os cortes de salários ou de custos”, afirmou João Vieira Lopes no final da reunião. Defendendo que o guião é “um ponto de partida interessante”, o presidente da CCP disse haver abertura de Paulo Portas para debater sectorialmente temas como os impostos. A reforma do

IRS é uma das reivindicações que João Vieira Lopes levou

a Portas. “A reforma do IRC

é insuficiente, o IRS é uma

área muito importante”, disse. Outro tema em que há convergência é o plafonamento na Segurança

Social. “Sempre defendemos

a

essência de um pilar privado

e

plafonamento, mas só com

crescimento da economia por

causa da quebra de receitas”, afirmou. O plafonamento implica um desvio das contribuições para o privado

e

está previsto no guião para

quando a economia crescer

a

2%.

Madeira

Ex-PS Aires Pedro já recolhe assinaturas para o LIVRE

O

madeirense Aires Pedro

que disputou a corrida à liderança do PS com António José Seguro nas eleições de 13 Abril está a dinamizar o

projecto de constituição do partido LIVRE na Madeira.

À

Lusa, o advogado, que

diz estar “desfiliado do PS desde Junho”, afirma que “tem havido uma adesão interessante” das pessoas na Madeira e em cinco dias recolheu 60 assinaturas.

DR
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José Faria e Costa quer facilitar acesso dos cidadãos à provedoria

Provedoria de Justiça à procura de novas instalações

Justiça Mariana Oliveira

Serviços instalados num palacete antigo em Lisboa, onde nos últimos anos

foram gastas centenas de milhares de euros em obras

A Provedoria de Justiça informou

ontem que está à procura de novas instalações, justificando a intenção

de mudar com as dificuldades de

acesso dos cidadãos ao actual edi-

fício, um palacete antigo localizado na Lapa, em Lisboa.

O comunicado foi emitido na se-

quência de uma notícia do Expres- so, que dá conta que desde 2009

foram gastos pelo menos 635 mil euros em obras no edifício da Lapa,

património da Assembleia da Repú- blica. A assessora de imprensa da provedoria, Catarina Simões, não confirma nem desmente os valores, salientando que as obras foram es- senciais para o funcionamento da

provedoria naquelas instalações e para a segurança de trabalhadores

e utentes.

Os últimos relatórios anuais da provedoria dão conta das sucessi- vas obras realizadas, especificando- se no balanço de 2010 a existência de problemas estruturais no edifí- cio que levaram o então provedor Alfredo José de Sousa a pedir um

parecer ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Essa institui- ção concluiu que existiam proble- mas que afectavam a estabilidade dos pisos de madeira, para além de ter detectado uma infestação por térmitas subterrâneas.

O provedor dizia no relatório,

apresentado em 2011, que as obras que estavam em curso nessa altura eram “essenciais para a segurança das pessoas que aí trabalham e pa- ra a conservação das instalações”. No ano seguinte, dá-se conta que a

recuperação foi concluídas em 2011

e no último balanço apresentado

este ano adianta-se que, em 2012, foram realizadas “pequenas obras de manutenção”, nomeadamente a

substituição das janelas frontais do edifício. Os relatórios não especifi- cam o valor das obras.

Falta de transportes

“As actuais instalações são de di- fícil acesso a um vasto número de

pessoas que procuram a provedo- ria para apresentar pessoalmente as queixas e que têm dificuldade em fazê-lo por escrito e ou por via electrónica”, afirma a provedoria na nota. E acrescenta: “A falta de transportes públicos, a dificulda- de no estacionamento e o acesso pedonal obstaculizado pelo esta- cionamento de viaturas sobre os passeios, a que acresce ainda a particular topografia da zona, são factores de desmotivação, que difi-

cultam o acesso directo do cidadão

à provedoria.”

O provedor de Justiça, José Faria e

Costa, que tomou posse no final de Julho deste ano, adianta que preten- de encontrar um edifício que tam- bém permita resolver as deficientes condições de trabalho, que, segun- do avança a nota, se tornaram “pe-

quenas para o número de pessoas que trabalham na instituição”.

O provedor diz não pretender

comprar novas instalações, mas efectuar uma permuta com outro edifício também pertencente ao Es-

tado, que venha a vagar.

DIREITODERESPOSTA

“Advogado-deputado faz adiar julgamento de desvio de 6,6 milhões para partidos”

O Público, na sua edição de 18 do

corrente, publicou a págs. 13, com

particular destaque e chamada de 1.ª página, artigo da autoria de Tolentino de Nóbrega em que refere

o facto do signatário intervir como

advogado em processo pendente na Secção Regional da Madeira do Tribunal de Contas, respeitante às

subvenções atribuídas aos Partidos, através dos Grupos Parlamentares das Assembleias Legislativas.

A esse propósito, e com violação

de todos os deveres deontológicos

de jornalista a que se aludiu, afirma aquele vosso colaborador, a meu respeito: “Guilherme Silva, na qualidade de legislador, propôs

e aprovou na Assembleia da

República uma alteração à lei de financiamento dos partidos que

transfere do Tribunal de Contas para o Tribunal Constitucional

a competência para fiscalizar as

subvenções concedidas pelas assembleias legislativas regionais.

O efeito retroactivo dessa norma de

“natureza interpretativa” será agora alegado pelos líderes parlamentares

e deputados únicos demandados

para reclamar o “perdão” dos 6,6 milhões de euros”.

Antes de mais importa fixar temporalmente os factos:

— A alteração à Lei do

Financiamento dos Partidos a que

o

vosso colaborador alude (que

havia constado de diploma de

2009 aprovado por unanimidade e vetado pelo Presidente da República por razões alheias à presente questão), decorreu do Projecto-Lei 317/XI do PCP que foi discutido, na generalidade, conjuntamente com o Projecto-Lei 299/XI, do BE, no Plenário da Assembleia da República de 23 de Junho de 2010.

— Baixaram à Comissão de

Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, para

discussão na especialidade, vindo a ser objecto de votação final global no Plenário de 4 de Novembro de

2010.

Ora, o processo em que não podia, sequer, antever que iria

intervir como advogado, iniciou-

se na Secção Regional da Madeira

do Tribunal de Contas, dois anos

depois, mais precisamente em 2 de Julho de 2012, e só em 24 de

Setembro de 2012 foi o signatário constituído advogado nos autos, por deputados de diferentes Partidos.

E asseguro tal patrocínio,

convicto da razão que lhes assiste, com muito gosto e “pro bono”,

com a tranquilidade e o conforto de quem não tem, nem nunca teve, quer no processo, quer nas alterações legislativas em causa, o menor interesse pessoal.

Acresce ser completamente falsa

a afirmação de que teria, enquanto

deputado (legislador), “proposto”

e “aprovado” a referida alteração

à Lei do Financiamento dos

Partidos, pois, a mesma decorreu do referido Projecto de Lei do PCP e de alterações propostas, na especialidade, pelo PS. Acontece que não tive qualquer intervenção naqueles trabalhos pelo que não votei tais alterações, nem as

podia ter aprovado. Aliás, da lista de presenças anexa à Acta n.º 10/XI/2.ª da reunião da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, de 2

de Novembro de 2010, em que

foram votadas aquelas alterações, constata-se que nela não participei. Mas não ficam por aqui as falsidades do escrito em causa.

Refere-se ainda que a Assembleia Legislativa terá aprovado Decreto- Legislativo “sob parecer do

advogado Guilherme Silva”, diploma que veio a ser considerado inconstitucional. Ora, não tive

nisso qualquer intervenção como advogado e, muito menos, emiti qualquer parecer a tal propósito. O que se discute, e o Parlamento, como lhe competia, aclarou, é uma

questão de interpretação jurídica, que dividiu o próprio Conselho

Consultivo da Procuradora Geral

da República, sobre caber, ao Tribunal de Contas ou ao Tribunal Constitucional, a fiscalização das subvenções atribuídas aos Partidos, por via dos Grupos Parlamentares, tanto na Assembleia da República como nas Assembleias Legislativas das Regiões Autónomas. Claro que o Parlamento está habituado à crítica fácil de “preso

por ter cão e preso por não ter”. Na verdade, quando se coíbe de aclarar a Lei, como aconteceu no caso da limitação de mandatos dos

autarcas, é criticado por se demitir das suas obrigações. Quando, com superiores preocupações institucionais, aprova Lei, em termos que merecem

a nossa total concordância,

para prevenir um conflito de competências entre o Tribunal de Contas e o Tribunal Constitucional em matéria tão delicada como a do financiamento partidário, é igualmente criticado.

Agradecia, pois, a V. Exa. que, nos

termos dos artigos 24.º a 26.º da Lei de Imprensa, se digne promover

a publicação integral do presente

texto, com o destaque e chamada de 1.ª página, correspondentes aos do artigo a que se reporta.

Guilherme Silva

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LOCAL |

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013

Governo desistiu de loja do cidadão para substituir a dos Restauradores

O espaço previsto para a estação fluvial do Terreiro do Paço já não vai abrir e os utentes da loja dos Restauradores, que fechará a 31 de Dezembro, terão de engrossar as filas das lojas das Laranjeiras e Marvila

Serviço público Inês Boaventura

Que a Loja do Cidadão dos Restau- radores, em Lisboa, tinha os dias contados já se sabia há muito, mas o anúncio de que o seu encerramento vai acontecer no dia 31 de Dezembro trouxe uma novidade: a de que o Go-

verno desistiu de abrir uma nova loja do cidadão no Terreiro do Paço. Maria Manuela Leitão Marques, ex-secretária de Estado da Moder- nização Administrativa do PS, critica

o fecho daquele equipamento sem a

criação de uma alternativa e diz que “os portugueses não podem dormir descansados se querem continuar a ter lojas do cidadão”. Foi o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul

e Regiões Autónomas quem fez che-

gar à comunicação social a informa- ção de que a Loja do Cidadão dos Restauradores vai fechar as portas no último dia deste ano. Em comuni- cado, o sindicato insurgiu-se contra essa medida do Governo, comentan- do que é assim que este faz a reforma do Estado, “lesando os utentes e os trabalhadores”. Mas aquilo que o sindicato não sabia é que o Governo desistiu de abrir uma loja do cidadão no ter- minal fluvial do Terreiro do Paço, intenção que tinha sido anunciada em meados de 2012. Segundo foi dito na altura, o novo equipamento teria 150 metros quadrados (área que con- trasta com os 1400 metros quadrados dos Restauradores) e seria uma loja de segunda geração, com um balcão multiusos no qual seria possível tra- tar de vários assuntos. A notícia da desistência foi trans- mitida ontem ao PÚBLICO, através da assessoria de imprensa do secretário de Estado para a Modernização Ad- ministrativa, João Pedro Cardoso da Costa. “Não irá abrir uma nova loja do cidadão no terminal fluvial no Ter- reiro do Paço, ou no Cais do Sodré, em Lisboa, para substituir a Loja do Cidadão dos Restauradores”, diz-se numa resposta escrita a perguntas formuladas na véspera. “No curtíssimo prazo, as alterna- tivas consistem, desde logo, na utili- zação das valências da Loja do Cida- dão das Laranjeiras e da nova Loja do Cidadão de Marvila, que abriu em 2012”, diz a secretaria de Estado. Se-

ENRIC VIVES-RUBIO
ENRIC VIVES-RUBIO

Sindicato está preocupado com o futuro dos cerca de 100 trabalhadores da loja dos Restauradores

“Espaços do Cidadão” não são alternativa

Maria Manuela Leitão Marques aponta limitações do modelo anunciado pelo executivo

M aria Manuela Leitão Marques sublinha que as lojas do cidadão são “um modelo ganhador”,

pensar que nos próximos dez ou 15 anos vamos poder oferecer todos os serviços públicos de grande procura de forma desmaterializada”,

considerando “espantoso que se

vá desinvestir nos serviços que os cidadãos mais procuram”.

salienta. A antiga governante conclui que os “Espaços do

O

actual Governo já anunciou

Cidadão” tal como têm vindo

a intenção de criar uma rede de “Espaços do Cidadão”, nos

quais as pessoas terão acesso

a

ser anunciados podem, na

melhor das hipóteses, ser “um outro canal, interessante”, mas

a

postos de “atendimento

incapaz de substituir serviços que “exigem presença física” como a emissão de cartões de cidadão e passaportes. O actual secretário de Estado para a

Modernização Administrativa transmitiu ao PÚBLICO que o

digital assistido”. Frisando que

não conhece esse modelo em pormenor, a ex-secretária de Estado da Modernização Administrativa dos executivos de José Sócrates deixa um aviso:

“Se é pura mediação, com um mediador para as pessoas que não conseguem usar os serviços online, então não é suficiente para ser uma alternativa” às lojas do cidadão como a dos Restauradores. “Não podemos

novo modelo já foi apresentado aos presidentes de câmara da Área Metropolitana de Lisboa.

A

assessora de João Cardoso

da Costa acrescenta que esse

modelo foi “genericamente muito bem acolhido”.

gundo a sua assessora de imprensa,

o equipamento nos Restauradores,

que ainda no ano passado se dizia ser utilizado diariamente por cinco mil pessoas, tinha “mais de 3000 so- licitações diárias”, às quais era “in- capaz de prestar um serviço público de qualidade”. O PÚBLICO perguntou quantos uti- lizadores tem a loja das Laranjeiras e quais os serviços disponíveis em Mar- vila, ambas apontadas pelo Governo como alternativas à dos Restaurado- res, mas não teve resposta. Maria Manuela Leitão Marques, a

ex-secretária de Estado da Moderni- zação Administrativa nos governos

de José Sócrates que tutelou as lojas do cidadão, não dispõe de números actualizados, mas lembra-se de a lo-

ja das Laranjeiras ser uma das que

mais procura tinham em todo o país. Aumentar o número de pessoas que ali se dirigem, avisa, “será tornar as Laranjeiras num inferno”.

Quanto ao equipamento de Marvi- la, diz que tanto quanto sabe essa é uma loja “coxa”, que não dispõe de

alguns dos serviços mais procurados pelos cidadãos. Em sua opinião, es- sa só poderá ser uma alternativa se

o Governo investir na melhoria do

espaço, transferindo para lá alguns

dos serviços que estão actualmente nos Restauradores. Seja como for, a ex-secretária de Estado defende que o melhor seria

abrir, como estava previsto nos exe- cutivos que integrou e como chegou

a ser anunciado pelo actual Governo,

uma nova loja “na mesma área” da- quela que vai fechar a 31 de Dezem- bro. Com o objectivo, sustenta, de fazer com que seja acessível a quem está em Lisboa, mas também a quem se desloca à cidade vindo da Margem Sul ou da Linha de Sintra. Nesse sentido, Maria Manuela Lei- tão Marques considera que o Terreiro do Paço “era uma boa localização”. Quanto à exiguidade do espaço diz que “já era muito bom” se a nova loja albergasse “as âncoras, os serviços que os cidadãos mais procuram e de que precisam mais vezes”, como a Segurança Social, os Serviços de Fi- nanças e a emissão de documentos como o Cartão de Cidadão. Também Luís Esteves, dirigente do sindicato que revelou o fecho dos Restauradores, condena a não cria- ção de uma nova loja em Lisboa. “As pessoas qualquer dia não têm servi- ços aos quais recorrer. É a loucura

total”, diz, frisando que o espaço das Laranjeiras “não tem capacidade” para receber mais pessoas.

O dirigente sindical não era favo-

rável à escolha do terminal fluvial do Terreiro do Paço, por considerar que se tratava de “um espaço mui- to exíguo e sem condições para os

utentes”. Ainda assim, Luís Esteves afirma que isso era melhor do que nada: “Ainda daria alguma resposta

a alguma coisa.”

O sindicato também está preocu-

pado com o futuro dos funcionários

da loja dos Restauradores e diz que,

a quase um mês do fecho anunciado,

estes ainda não dispõem de respostas cabais sobre o seu futuro. Segundo números não oficiais obtidos pelo

sindicato, trabalham ali cerca de 80 pessoas, distribuídas por perto de dez serviços.

A secretaria de Estado para a Mo-

dernização Administrativa transmitiu ao PÚBLICO que “os sete trabalhado- res da Agência para a Modernização Administrativa serão recolocados noutros serviços” dessa entidade. “Todos os outros trabalhadores dos serviços públicos presentes na loja

regressarão aos seus serviços de ori- gem”, acrescenta a mesma fonte.

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013 | 19

Câmara de Lisboa arrasou dezenas de barracas de mendigos e arrumadores

Imigração José António Cerejo

Serviços de limpeza com o apoio da Polícia Municipal, despejaram em contentores de lixo, cerca de 30 abrigos precários de pedintes

Não foi no pino do Verão, nem nos moldes habituais de intervenção dos serviços de acção social do municí- pio. Na quarta-feira da semana passa- da, dia em que a temperatura mínima atingiu os 8º, os serviços de Higiene Urbana da Câmara de Lisboa, com o apoio da Polícia Municipal, deitaram por terra um acampamento precário de ciganos romenos, que estava ins- talado por baixo de um viaduto do Eixo Norte-Sul, junto a Sete Rios. A operação decorreu durante a manhã, altura em que as dezenas de pessoas que ali pernoitavam há algu- mas semanas se encontrava ausentes, espalhadas pela cidade, a mendigar e a arrumar carros. Ao fim da tarde, ao regressarem, os homens e mulheres que ali dormiam, cozinhavam e se aqueciam em numerosas fogueiras visivéis das vias rápidas que envol- vem aquela terra terra de ninguém, não encontraram nada. Nem as barracas feitas de canas secas atadas com trapos e cobertas de caixotes de papelão espalmados, nem os haveres que não tivessem le- vado consigo, ou escondido nalgum buraco, como fazem com frequência, nem o muito lixo que lá se encon- trava. Nada. Tudo tinha desparecido. Fi- caram apenas os montículos de pe- dras e as cinzas que haviam sobrado das fogueiras da véspera. A reporta- gem do PÚBLICO esteve lá na manhã seguinte e estava à vista que algo ti- nha acontecido. Se o grupo tivesse abandonado o local por sua iniciati- va, como faz por vezes, quando opta por se estabelecer noutros locais, ou regressar temporariamente à Romé- nia, as barracas estariam de pé e o lixo permaneceria no local. No dia seguinte, sexta-feira, o ter- reno já voltara, porém, a ter sinais de vida. Uma dezena de estruturas de canas já estava meio montada (ver foto). Ao fim do dia desta quarta-feira já eram novamente largas dezenas, as barracas, as fogueiras e os maltra- pilhos que ali se encontravam. Questionado logo na quinta-feira sobre o desparecimento das bar- racas, o gabinete do vereador João Afonso, responsável pelo pelouro da

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DR

Dois dias depois da operação as barracas estava a ser reerguidas

Acção Social da Câmara de Lisboa, respondeu que, nem os serviços da autarquia, nem a Polícia Municipal, tinham tido qualquer intervenção no local na véspera. Todavia, no dia seguinte, o coman- dante da Polícia Municipal confir- mou tudo por escrito. Sim, a polícia esteve no local para “dar apoio aos funcionários da CML na limpeza do terreno”. O texto explica que “foram retiradas cerca de trinta construções clandestinas”, acrescentando que os ocupantes do espaço tinham-no “cheio de lixo diverso, nomeadamen- te colchões velhos, roupas imundas e fezes humanas.” “Todo o material foi retirado, foi

depositado num contentor de reco- lha de resíduos, para posteriormen- te ser reciclado”, explica a polícia. A polícia informa ainda que, no mesmo local, já foram este ano efectuadas operações semelhantes a 16 de Janei- ro, 5 de Março, 8 de Abril, 5 de Junho, 23 de Setembro, 24 de Outubro. Contactada ontem pelo PÚBLI- CO, uma assessora do vereador João Afonso reafirmou que os serviços de Acção Social não tiveram qualquer conhecimento da operação do dia 20. O vereador da Higiene, Duarte Cordeiro, disse, por seu lado, que nestes casos esses serviços intervêm sempre. Desta vez isso não aconteceu.

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Conselho Geral | conselhogeral@ipp.pt Horário: 9h às 12h - 14h às 17h

COMISSÃO ELEITORAL EDITAL

Cumprindo o disposto na alínea b) do n.º4 do artigo 8.º do respetivo Regula- mento Eleitoral para Eleição do Presidente do Instituto Politécnico do Porto, procedeu a Comissão Eleitoral à verificação da admissibilidade da Candida- tura única apresentada, nos termos do Regulamento supra mencionado e com base nas normas legais aplicáveis.

Foi admitida a Candidata a seguir mencionada:

Maria do Rosário Gambôa Lopes de Carvalho

Porto, 20 de novembro de 2013. A Presidente do Conselho Geral, Manuela Melo.

2 A 31 DE DEZEMBRO
2 A 31 DE DEZEMBRO

2 A 31 DE DEZEMBRO

BOLSAS DE CURTA DURAÇÃO

Concurso para atribuição de bolsas nas seguintes áreas: Antropologia, Arquitectura, Artes Plásticas, Conservação e Restauro, Design, Fotografia, História, História da Arte e Museologia.

Poderão concorrer:

Asiáticos que pretendam realizar cursos, estágios ou visi- tas de estudo em Portugal; Portugueses que pretendam realizar cursos, estágios ou visitas de estudo em países asiáticos. Será dada prioridade às candidaturas cujos projectos possam dar origem à realização de actividades no Museu do Oriente.

Informações e formulários em www.foriente.pt | info@foriente.pt T: 213 585 200 | F: 213 534 746

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Tel. 966 044 599

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ECONOMIA |

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013

Desempregados que antecipem reforma penalizados com novas regras

Aumento da idade da reforma para os 66 anos, que o Governo vai discutir com os parceiros sociais, penaliza as pensões antecipadas pagas aos desempregados que rescindiram por mútuo acordo

Pensões

Raquel Martins

Além dos trabalhadores que estão no

activo, o aumento da idade da refor- ma para os 66 anos em 2014 também irá afectar os desempregados que rescindiram por acordo e venham a pedir a reforma antecipada.

A proposta de decreto-lei que al-

tera as regras de acesso à pensão a partir do próximo ano mantém a possibilidade de os desempregados pedirem a reforma antecipada, des- de que cumpram um conjunto de requisitos, nomeadamente estarem no desemprego há mais de um ano

e a receber subsídio. Mas se no caso

do desemprego involuntário não há qualquer alteração no regime em vi- gor, já os desempregados que rescin- diram por acordo e tiveram direito a

subsídio verão o valor da sua pensão baixar por via do aumento da idade da reforma. No caso em que o despedimento resulta de uma rescisão amigável, os desempregados que pedirem a refor- ma antecipada têm uma penalização no valor da pensão que corresponde

a 3%, multiplicado pelo número de

anos entre os entre 62 e 65 anos, que até aqui era a idade legal da reforma. No máximo, e de acordo com os cál- culos do economista da CGTP Eugé- nio Rosa, a penalização poderia atin- gir os 9%. Com o aumento da idade legal da reforma, a penalização será maior e poderá chegar aos 12%. Este factor de redução será anula- do, tal como actualmente, mas ape- nas quando o beneficiário atingir a idade normal de acesso à pensão. Ou seja, além de terem uma penalização

maior, ela durará mais tempo do que agora.

O aumento da idade da reforma

também terá reflexos nas condições

de atribuição da reforma antecipada, quando for desbloqueada no sector privado, e na atribuição do com- plemento solidário para idosos que passa a ter como referência a nova idade. As regras também se aplicam

à função pública.

O Governo começa a discutir o

diploma com os parceiros sociais na próxima segunda-feira, durante

uma reunião da Concertação Social.

A ideia é que a idade da reforma pas-

sa para os 66 anos em 2014 e daí em diante passará a ser determinada

BARBARA RAQUEL MOREIRA
BARBARA RAQUEL MOREIRA

Aumento da idade da reforma tem sido criticado pelos parceiros sociais

Carreiras longas com reforma antes dos 66

O s trabalhadores com

e poderão, no próximo

carreiras contributivas mais

longas serão beneficiados

em quatro meses por cada ano civil que exceda os 40 de carreira contributiva”, refere o diploma. Ou seja, quem no próximo ano tiver 41 anos de descontos pode reformar-se aos 65 anos e oito meses. O diploma cria um travão e prevê que dessa redução não pode resultar uma idade de acesso à pensão inferior aos 65 anos. Por exemplo, no próximo ano, a idade da reforma será de 66 anos, mas um trabalhador que tenham 65 anos e tenha 43 de descontos, poderá reformar- se. Os quatro anos além dos 40 de contribuições permitem-lhe reduzir em 12 meses a idade de acesso à reforma.

ano, reformar-se com menos de 66 anos. Esta é uma das salvaguardas que o Governo faz no decreto-lei que vai discutir com os parceiros sociais e que altera o regime de pensões em Portugal. Na proposta, o Governo cria

um mecanismo de redução da

idade de acesso à pensão para os trabalhadores com carreiras contributivas mais longas. “Na data em que o beneficiário

perfaça 65 anos, a idade normal de acesso à pensão é reduzida

pelo factor de sustentabilidade (cal- culado com base no indicadores da esperança média de vida). A proposta do Governo prevê que “após 2014 a idade normal de acesso à pensão va- ria em função da esperança média de vida” e terá como referência os 66 anos de 2014. Porém, o PÚBLICO sabe que, embora isso não esteja previsto na proposta enviada aos parceiros, a intenção do Governo é que isso só aconteça em 2016, deixando a ida- de da reforma nos 66 anos também em 2015. A proposta também não apresen- ta qualquer estudo sobre a evolução da idade da reforma no futuro, mas num documento a que o PÚBLICO teve acesso, o Governo estima que só em 2029 a idade da reforma chegará aos 67 anos. Até lá, deverá aumentar a um ritmo anual de um mês, apro- ximadamente.

O secretário-geral da CGTP, Arménio

Carlos critica a proposta e garante que a central vai opor-se, por “to- dos os meios”, ao aumento da idade da reforma. “Precisamos de dar sus- tentabilidade financeira às funções

sociais do Estado e particularmente à segurança social”, declarou à Lusa. Também o líder da UGT, Carlos Sil- va, rejeita o aumento da idade da re- forma, porque “entendemos que não faz sentido” e porque a alteração da forma de cálculo do factor de susten- tabilidade “vai retirar um critério de certeza e de segurança em relação à forma como a idade legal da reforma

é calculada”, salientou. Quando recentemente o Governo anunciou, na Concertação Social, que pretendia aumentar a idade legal de acesso à reforma, as confederações patronais criticaram a medida por dificultar a renovação dos quadros das empresas.

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013 | ECONOMIA |

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Ministério das Finanças é o mais atrasado nos concursos para dirigentes públicos

Estado Raquel Martins e Raquel Almeida Correia

A tutela de Maria Luís Albuquerque, que queria dar o exemplo nesta área, tinha até quarta-feira 30 concursos por avançar

O Ministério das Finanças é o que

regista maior atraso no lançamento de concursos para dirigentes do Es- tado. De acordo com informações cedidas pela Comissão de Recru- tamento e Selecção para a Admi-

nistração Pública (Cresap), a tutela de Maria Luís Albuquerque, que se comprometeu a dar o exemplo nes-

ta área, tinha ainda 30 procedimen-

tos concursais por avançar. O prazo para os fazer chegar ao organismo presidido por João Bilhim termina hoje, mas o responsável da Cresap assume que será dada “uma tole-

rância de mais uns dias” aos vários ministérios.

O objectivo da Cresap é que todos

os concursos sejam lançados até ao

nal do ano para que os processos sejam encerrados até ao Verão de 2014. Para isso deu um prazo aos ministérios para que lhe fizessem chegar os concursos até final de No- vembro. Quarta-feira, estavam ainda

por lançar um total de 92 concursos para dirigentes da Administração Pública. Destes, 30 diziam respeito

a cargos sob a alçada do Ministério

das Finanças e 20 são da responsa- bilidade do Ministério do Emprego

e da Segurança Social. Em entrevista ao PÚBLICO, a pu- blicar na próxima segunda-feira, o presidente da Cresap explicou que “se nota enormes carências na área do orçamento, da administração tributária e da secretaria-geral” do Ministério das Finanças, que,

tal como João Bilhim tinha referi- do quatro meses após a criação da comissão, “queria dar o exemplo” no lançamento destes concursos.

O responsável ressalvou que os

procedimentos da responsabili- dade do secretário de Estado da Administração Pública, que pro- moveu a criação da Cresap, estão todos lançados. “Não há nada das áreas de Hélder Rosalino que não esteja cá e a intenção é que o pro- cedimento concursal chegue ao fim

até ao final do ano”. Esta era, aliás,

a data limite no calendário da co-

missão para concluir todos os 336 concursos que faltava abrir quan-

do tomou posse, em Maio de 2012. Fonte oficial do Ministério das Finanças lembra que “já lançou vários concursos” e está a ultimar “a preparação dos processos ten- dentes a solicitar a abertura dos que ainda faltam”. E garante que cumprirá a lei. Também a tutela de Pedro Mota Soares garante que lançará os concursos até ao final do ano e lembra que os atrasos se devem à nova orgânica do Gover-

no, que passou para a Segurança Social a tutela do Emprego, nome- adamente do Instituto do Emprego e Formação Profissional.

Tolerância de tempo

João Bilhim já avisou todos os mi- nistérios que, apesar de poderem não estar concluídos, todos os pro-

cedimentos têm de ser publicados em Diário da República até 31 de De- zembro. E, para que tal aconteça, concedeu ao Governo um prazo que termina hoje para fazerem chegar as aberturas de concursos à Cresap. Porém, não é certo que tal aconteça, tendo em conta os 92 que estavam

em atraso até quarta-feira. O presi- dente da Cresap explicou que, “po- de ser dada uma tolerância de mais algum tempo”. A lei determina que se os concur- sos não estiverem concluídos a 31 de Dezembro de 2013, “cessam as co- missões de serviço e as designações em regime de substituição, sendo as funções dos titulares dos cargos de direcção superior asseguradas

em regime de gestão corrente até à designação de novo titular”. Mas a Cresap considera que o diploma dei-

xa margem para que os dirigentes se

mantenham em substituição depois dessa data, desde que o concurso já tenha sido lançado, como precisou ao PÚBLICO João Bilhim. “Até 31 de Dezembro o procedi- mento concursal tem de ser lança- do, mas se não estiver os dirigentes deixam de estar abrangidos pela ex- cepção e entram no regime geral, que estabelece que ninguém pode estar mais de 90 dias em substitui- ção. Ou seja, no dia 1 de Janeiro, to- do aquele que esteja em regime de substituição para além desse prazo não pode receber salário na quali- dade de substituto”, alerta o presi- dente da Cresap. Dos 336 concursos para diri- gentes superiores do Estado, 95 já foram concluídos e 149 estão em curso. Os 92 lugares que estão à espera de concurso dizem respei- to a serviços e organismos de to- dos os ministérios. Na Agricultura também há 14 concursos por lançar e, na Saúde, dez. Os restantes têm menos de oito lugares para preen- cher por concurso, destacando-se os casos da Justiça e dos Negócios Estrangeiros, que têm apenas dois procedimentos por avançar. Além do recrutamento de diri- gentes da administração pública, a Cresap também é responsável pela avaliação dos nomes propostos pe- lo Governo para liderar empresas e outras entidades do Estado, como os reguladores e os agrupamentos dos centros de saúde. Neste caso, não há lugar a concurso. Os membros do executivo sugerem candidatos e a comissão dá pareceres, que não são vinculativos, sobre a adequação do seu perfil ao cargo.

RUI GAUDÊNCIO

sobre a adequação do seu perfil ao cargo. RUI GAUDÊNCIO Organismo liderado por João Bilhim já

Organismo liderado por João Bilhim já concluiu 95 concursos

Novas regras da requalificação começam domingo e rescisões terminam amanhã

Função pública

Requalificação com alterações entra em vigor no fim-de-semana em que acaba o primeiro programa de rescisões amigáveis

As novas regras para a requalificação dos trabalhadores da administração pública entram em vigor domingo, de acordo com o diploma publicado ontem em Diário da República. A lei, reformulada após ter sido chumbada pelo Tribunal Consti- tucional em Agosto, já não inclui a hipótese de despedimento mas in- troduz cortes profundos a quem fi- que inactivo. Quem esteja abrangido pelo processo de requalificação até 12 meses (seguidos ou interpolados) ganha 60% da remuneração-base, com tecto máximo de três IAS (Inde- xante de Apoios Sociais, correspon-

dente a 419 euros) e um tecto mínimo que corresponde ao salário mínimo nacional. Após os 12 meses entra-se numa segunda fase, agora sem termo predefinido, e a compensação passa

a ser de 40% da remuneração-base,

com um tecto máximo de dois IAS (o mínimo mantém-se). Esta nova versão da requalificação foi aprovada apenas com os votos dos partidos da maioria. A aprovação do novo diploma ficou envolta em alguma polémica, depois de a 11 de Outubro a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, ter dado razão a um requerimento do PCP, apoiado pela restante oposição, adiando a discussão das alterações à legislação. As novas regras foram depois apro- vadas na especialidade pela maioria PSD/CDS-PP, com muitas críticas da oposição à proposta e ao processo de discussão e acusações do PCP por

o Governo estar a ir muito além do

expurgo das inconstitucionalidades com as mudanças que introduziu na proposta reformulada. Com a primei- ra versão do diploma, o Governo pre- tendia poupar 119 milhões de euros em 2014, valor que agora está nos 59 milhões. E, se no curto prazo o Go- verno poupa dinheiro com as indem- nizações que teria de pagar, acabou por falhar na sua estratégia de cortes de despesa a médio-longo prazo.

Poucas rescisões

Uma outra medida que o Governo está a implementar para reduzir a factura salarial com os trabalhado- res da função pública é o recurso às

os trabalhado- res da função pública é o recurso às Governo quer menos funcionários no Estado

Governo quer menos funcionários no Estado

rescisões amigáveis. Amanhã é o úl- timo dia para os trabalhadores com

funções administrativas e auxiliares decidirem se querem deixar o seu emprego no Estado. Ontem, o Correio da Manhã noti- ciou que apenas tinham dado entra- da cerca de 2600 pedidos de resci- são, dos quais 1300 receberam luz

verde dos respectivos serviços. Em entrevista recente ao PÚBLICO, e quando até ao final de Outubro es- tavam contabilizados 1750 pedidos,

o secretário de Estado da Adminis-

tração Pública, Hélder Rosalino, fazia um balanço “muito positivo”, dizen- do que o programa estava a correr “dentro das expectativas”. No Verão, o Governo apontou co- mo meta a redução de cinco mil a 15 mil funcionários. No entanto, expli- cou depois Rosalino, esse objectivo não se refere apenas aos assistentes técnicos e operacionais, mas foi es- tabelecido tendo em conta os vários programas de rescisões deste ano e que vão continuar no próximo ano. Para já, neste momento está ain-

da a correr um programa paralelo de rescisões de professores e outro para os trabalhadores dos Estabele-

cimentos Fabris do Exército. Depois,

e conforme o PÚBLICO já noticiou, o

Governo está a preparar um progra-

ma dirigido aos técnicos superiores e

a outras carreiras profissionais mais

qualificadas, como é o caso do sector da Saúde.

O secretário de Estado já reconhe-

ceu que está a lançar estes programas “em contraciclo” e de crise no merca- do de trabalho no sector privado. “Se

o programa de rescisões fosse feito

há dez ou 15 anos, quando a econo- mia estava a crescer, teríamos muito mais adesões”, enfatizou.

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ECONOMIA |

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013

Perdas potenciais dos swaps activos agravam-se para 1600 milhões

Os 69 contratos que já foram cancelados este ano permitiram poupanças de 456 milhões, mas deste valor apenas 78 milhões foram descontos “efectivos”

Empresas públicas Raquel Almeida Correia

As perdas potenciais dos swaps que ainda existem nas empresas públi- cas subiram para mais de 1600 mi- lhões de euros no final do primeiro semestre. Dos contratos vivos, a maioria pertence à Metro de Lisboa e o risco de prejuízo mais elevado está concentrado nos derivados vendidos pelo Santander, que está em litígio com o Estado português. Apesar de a liquidação antecipada de 69 transacções ter melhorado os resultados das empresas, provocou uma derrapagem nos tectos máxi- mos de endividamento. O relatório divulgado ontem pela Direcção-Geral do Tesouro e Finan- ças (DGTF) mostra que, em Junho deste ano, existiam 56 swaps activos em 13 empresas do Estado. Destes, 23 estão na esfera da Metro de Lis- boa e outros oito foram subscritos pela TAP. No conjunto do sector dos transportes, existem um total de 44 derivados, com perdas potenciais de 1426,7 milhões de euros (ou seja,

378

milhões de euros das poupanças anunciadas pelo Governo não são “reais”, já que correspondem a reservas feitas pelos bancos quando vendem derivados

88,6% do risco de prejuízo global, que só se torna real quando os con- tratos chegam ao fim). As perdas potenciais acumuladas, até Junho, pelos 56 swaps vivos re- presentam uma subida de cerca de 100 milhões face aos cálculos do Go- verno, quando foi concretiza a liqui- dação antecipada de 69 contratos. Nessa altura, foi referido que o ris- co de prejuízo remanescente era de 1500 milhões, depois de outra fatia de 1500 milhões ter sido eliminada com o cancelamento de derivados no primeiro semestre deste ano. Do risco de prejuízo que ainda permanece nas 13 empresas públi- cas, a grande fatia é da responsabili-

dade do Santander. Este banco, que está em litígio com o Estado portu- guês por não ter sido possível um

acordo entre as partes para liquidar contratos, tem mais de uma dezena de swaps activos, com perdas poten- ciais que rondam os 1200 milhões de euros. O restante montante está re- partido por instituições financeiras internacionais, mas também nacio- nais, como o BES, BCP e CGD. Apesar de já ter cancelado 69 derivados e de pretender fechar as operações do Santander, chegando

a acordo com o banco ou por via da

acção judicial que a instituição inter- pôs em Londres, não se sabe ainda o que acontecerá aos restantes swaps que estão ainda activos. Uma parte, que não é considerada problemáti- ca, permanecerá nas carteiras das empresas até atingir a maturidade.

O relatório divulgado pela DGTF

mostra ainda que a liquidação de contratos no primeiro semestre te- ve reflexos imediatos nas contas do Sector Empresarial do Estado. Se,

por um lado, reduziu os prejuízos fi- nanceiros, que por exemplo no sec- tor dos transportes passaram de 334 para 128,6 milhões no espaço de um ano, aumentou o endividamento, já que as empresas tiveram necessi- dade de contrair crédito para pagar

o cancelamento dos derivados aos

bancos. A dívida financeira cresceu 5,9% no primeiro semestre, ultra- passando o tecto máximo de 4% que está definido para 2013.

De 500 para 78 milhões

Apesar de o Governo ter sempre fa- lado de poupanças de 500 milhões de euros alcançadas com a liquida- ção de 69 contratos, grande parte deste valor diz respeito às reservas que foram libertadas pelos bancos e que estavam associadas aos custos e riscos dos derivados que venderam. Informação enviada pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) ao Parlamento mos- tra que, afinal, a poupança “efecti- va” foi de apenas 78 milhões, o que corresponde a um desconto de 5,7% (quando a percentagem indicada pe- lo executivo era de 31%).

A diferença de valores é explicada

pelo facto de os 500 milhões inclu-

de valores é explicada pelo facto de os 500 milhões inclu- Ministra das Finanças foi ouvida

Ministra das Finanças foi ouvida ontem na última audição da comissão de inquérito aos swaps

“O que andou a fazer durante um ano, senhora ministra?”

A última audição da comissão de inquérito aos swaps, que contou com a presença da ministra

as perdas potenciais superavam os 3300 milhões de euros. A governante respondeu que

saída do anterior presidente,

foi necessário esperar para que

o

actual (João Moreira Rato)

o

agravamento do risco de

assumisse funções, visto que este, por exigências do sector

financeiro, foi obrigado a fazer um intervalo entre as antigas funções no Morgan Stanley e as futuras responsabilidades. Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, criticou o facto de o Governo ter anunciado poupanças de 500 milhões, sem referir que estas incluíam as reservas libertadas pelos bancos. A ministra recorreu

das Finanças, foi um palco de acusações, à semelhança do que aconteceu desde o

início. Socialistas, comunistas

prejuízo deve ser limitado aos contratos cancelados e que, por isso, desde o início do mandato, agravou-se apenas em 330

e

bloquistas acusaram Maria

milhões. Muito longe dos 1500 milhões de diferença, se for tido em conta o conjunto de operações subscritas. A ministra, que voltou a ser acusada pelos socialistas de prestar

Luís Albuquerque de inacção e omissão. PSD e CDS optaram por enaltecer os feitos do Governo. A governante só adiantou que, nas negociações com o Santander,

posição do Estado e do banco

a

“continuam muito distantes”. “O que andou a fazer durante um ano, senhora ministra?”, questionou a deputada do PS Ana Catarina Mendes, numa crítica ao facto de o executivo, que tomou posse em Junho de 2011, só ter concretizado a liquidação de swaps no início

deste ano, numa altura em que

“declarações contraditórias”, assumiu que “pode ter parecido”,

mas “não houve contradições”. Do lado do PCP, Paulo Sá questionou Maria Luís Albuquerque sobre o facto de

a

uma comparação com uma

fábrica de sapatos para afirmar que o desconto de 31% com

o

cancelamento de swaps “é

o

IGCP ter ficado “79 dias sem

efectivo”. A fechar a audição,

presidente”, quando a ministra entendia haver “urgência” em encontrar uma solução. A ministra explicou que, face à

o

deputado do PSD Adão

Silva ainda elogiou Maria Luís

Albuquerque pela “prudência, bom senso e sabedoria”.

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013 | ECONOMIA |

23

DANIEL ROCHA

PÚBLICO, SEX 29 NOV 2013 | ECONOMIA | 23 DANIEL ROCHA írem reservas designadas por credit

írem reservas designadas por credit value adjustment (CVA), que diz res- peito às provisões feitas pelos ban- cos para proteger o risco de as em- presas incumprirem nos pagamen-

tos, e por funding value adjustment, ligado ao custo de financiamento das operações. Estas reservas correspon- deram a cerca de 380 milhões das poupanças alcançadas, dos quais 326 milhões estão associados a CVA

e os restantes 52 milhões a FVA. Um relatório da Unidade Técni- ca de Apoio Orçamental, conhecido

quinta-feira, concluiu que o cance- lamento antecipado de swaps irá penalizar o défice durante 12 anos.

A análise explica que, apesar de os

pagamentos feitos pelas empresas públicas terem sido compensados pelos ganhos de 40 swaps do IGCP que também foram liquidados, as maturidades dos contratos são di- ferentes. E, por isso, o organismo conclui que “embora os efeitos se compensem, o impacto líquido no saldo das administrações públicas para efeitos dos défices excessivos deverá ser favorável até 2018 e des- favorável entre 2019 e 2030”.

Breves Barómetro Mais empresas constituídas em Outubro A constituição de empresas subiu 15,5% em Outubro,

Breves

Barómetro

Mais empresas constituídas em Outubro

A

constituição de empresas

subiu 15,5% em Outubro, em comparação com o mesmo mês de 2012, segundo o Barómetro da Informa D&B

divulgado ontem. A evoluir de forma positiva esteve também

o

número de insolvências,

que desceu 15,1% face ao período homólogo, e as dissoluções de empresas, que caíram 16,8% no mesmo mês, mantendo-se a tendência de queda nos dois casos desde o início do ano.

Telecomunicações

Zon Optimus financia--se em 110 milhões junto do BEI

A

Zon Optimus assinou ontem

um contrato de financiamento de 110 milhões de euros, a oito anos, com o Banco Europeu de Investimento (BEI). Em

comunicado enviado à CMVM,

o

CEO da Zon Optimus,

Miguel Almeida, frisou que o empréstimo constituirá “um forte apoio” para o grupo “continuar a desenvolver e melhorar a competitividade da sua rede de nova geração”, num quadro de “integração activa” das redes fixa e móvel.

Minas

Exploração em

Moncorvo depende “apenas” do Estado

O

novo presidente da Câmara

de Torre de Moncorvo, Nuno

Gonçalves (PSD), defendeu ontem que a viabilidade da exploração do minério de ferro naquele concelho depende “apenas” da vontade do Estado em levar para a frente o projecto. “As minas têm viabilidade, desde que o Estado queira acreditar neste projecto da forma como um

anterior ministro da Economia

o

entendia, ou seja, fulcral.”

Privatizações sob controlo em áreas estratégicas

Empresas públicas

Objectivo, diz o Governo,

é salvaguardar activos

essenciais para a defesa

e segurança, como o

aprovisionamento, do país

A energia, os transportes e as comu-

nicações são as áreas de interesse nacional estratégico em que o Go- verno pode impedir a privatização

para assegurar a segurança nacional

e o aprovisionamento, segundo um diploma aprovado ontem em Con- selho de Ministros.

A formalização da iniciativa acon-

tece dois anos depois de ter termi-

nado o prazo exigido pela lei para a criação deste regime, que ficou pre- vista por ocasião da revisão da lei- quadro das privatizações em Agosto de 2011, após um acordo com o PS.

O Governo propõe ainda estabele-

cer um “procedimento” subsequen-

te de certas operações que resultem

na “aquisição de controlo, directo ou indirecto, por entidades de paí-

ses terceiros à União Europeia”, lê- se no comunicado do Conselho de Ministros. Com esta iniciativa, o Governo pode opor-se a uma operação de

privatização, através de decisão fun-

damentada, desde que conclua que essa operação pode por em causa

a defesa e a segurança nacional ou

a segurança do aprovisionamento

do país sem serviços fundamentais para o interesse nacional.

O PS tinha vindo a fazer várias

críticas ao Governo e pede mesmo

a suspensão do processo de priva-

tização dos CTT, alegando, precisa- mente, a inexistência da lei. Após o Conselho de Ministros, Marques Guedes afirmou que o atraso na aprovação do novo regi- me ficou a dever-se à oposição dos credores internacionais. “Esta ma- téria teve desde o início a oposição

da troika, e continua a ter”, afirmou, acrescentando que esta salvaguar- da é vista pelos credores como uma forma de repor as famosas golden shares que o Estado utilizou anos

a fio em muitas empresas públicas

estratégicas. Marques Guedes adiantou que, agora, o Governo pode desencade- ar um procedimento de oposição às privatizações num prazo de 30 dias, sendo depois notificados os deten- tores dos activos, e no prazo de 60

dias toma uma decisão final sobre a privatização. Lusa

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