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Quando os criadores apresentam obras de outros criadores:

Perceber a expansão da noção inframince é no mínimo enriquecedor para pesquisas no campo da arte, território de coexistência de todas as áreas do conhecimento humano.

Referências

Duchamp, Marcel (1998). Notas. Madrid: Tecnos, ISBN: 84-309-1701-2. Stolf , Maria Raquel da Silva (2008) “Assonâncias de Silêncios: entre a palavra pênsil e a escuta porosa.” Informática na Educação Teoria e Prática [Consult.2011/01/26] Disponivel em http://seer.ufrgs.br/index.php/InfEducTeoriaPratica/ Cardoso, J.S. (2003) “A Quarta Dimensão” Duas Colunas nº 11, mai 2004. [Consult. 2011/01/21] Disponível em

http://www.virose.pt/tudela/tex4dimensao.html

Actas do II Congresso Internacional Criadores Sobre outras Obras - CSO’2011

Pintar é como contar uma história: a pintura de Ricardo Paula à luz das teorias da narratividade de Óscar Gonçalves

Ana Isabel Tudela Lima Gonçalves de Sousa *

Abstract: This paper intends to present Ricardo Paula’s painting according to the narrative theories, developed, in Portugal, since 80’s, by Óscar Gonçalves. It w ill be emphasized the close connection betw een the psychologist discourse and the artist one, revealed in his paintings. Keywords: narrative theories; memory; identity; artistic practice.

Resumo: Este artigo pretende apresentar a pintura de Ricardo Paula sob a perspectiva das teorias da narratividade, desenvolvidas, em Portugal, desde os anos 80, por Óscar Gonçalves. Será enfatizada a conexão estreita entre o discurso do psicólogo e o do artista, revelada nas suas pinturas. Palavras chave: teorias da narratividade; memória; identidade; prática artística.

Dois percursos: a mesma procura. Ricardo Paula, 46 anos, nasceu em Maputo e cresceu em Lisboa. Óscar Gonçalves, 52 anos, é do Porto, nado e criado. Designer de formação, planificador gráfico de cinema e televisão, Ricardo Paula desde cedo se dedicou à pintura. Psicólogo de formação, profe ssor catedrático na Universidade do Minho, Óscar Gonçalves desde cedo mostrou um fascínio pela psicologia. No início dos anos 80, Ricardo Paula expunha os primeiros quadros e Óscar Gonçalves publicava os primeiros artigos. O pintor ensaiava metáforas visuais em desenhos e pinturas que deixavam antever a expressividade do traço,

paradoxalmente subtil e intensa, que viria a caracterizar a sua obra; o professor e investigador reflectia e escrevia sobre o uso de metáforas

discursivas na

terapia

cognitiva,

o

que

daria

lugar

às teorias

da

narratividade,

que

por

sua

vez

o

conduziriam

à

investigação

em

neurociências. Ao longo dos anos 90, o trabalho de ambos intensifica-se e consolida-se. Ricardo Paula opta por dedicar-se por inteiro à pintura, as exposições multiplicam-se, expõe individualmente, ganha vários prémios,

* Portugal, artista visual (pintura e tapeçaria instalativa). Mestre em Educação Artística, licenciada em Pintura e graduada (8º grau) em Música. Professora na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e bolseira de doutoramento da FCT.

Quando os criadores apresentam obras de outros criadores:

é notícia (Cruz, DN, 1996; Silva, DN, 1997); Óscar Gonçalves publica

dezenas de artigos, é autor de livros no âmbito da psicologia cognitiva,

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de nós mesmos e da nossa existência mudam também. Aquilo que ontem interpretámos de uma maneira, hoje interpretamos de outra, dando-lhe

realiza conferências, integra o corpo docente de universidades europeias

um significado diferente, e só assim é que a vida continua a fazer sentido.

americanas. Com percursos diferentes, à primeira vista paralelos, estes dois homens partilham, possivelmente desde sempre, a mesma procura: a compreensão da natureza humana. É no virar do século, início de 2000, que os percursos de ambos se cruzam, não explicita mas implicitamente,

e

Nós damo-lhe o sentido que lhe falta, completando-a com a nossa imaginação. E assim se estabelece a coerência entre o que fomos e o que somos, que nunca é coincidente. 2. As diferentes dimensões da narrativa na pintura de Ricardo

se

compararmos o discurso de um, o pintor, sobre a sua própria obra, e

Paula

o

discurso do outro, o professor e investigador, sobre o papel das

2.1

A dimensão analógica

narrativas na construção do conhecimento e da identidade, por todos

nós, seres humanos.

da

narratividade Ricardo Paula (RP) vê a pintura como uma maneira de contar

histórias, de falar sobre as coisas. Essas ‘coisas’ são as suas memórias. A pintura é, para ele, uma forma de recriar as memórias, de as contar a si mesmo e aos outros. Se, por um lado, a pintura consiste numa reinterpretação da existência, de acontecimentos que o pintor vi veu; por outro lado, intérpretes são também os espectadores, co-autores. Segundo

o pintor, todas as pessoas vivem de memórias, as coisas vivem de

memórias, e as construções que fazemos também. O universo de sonhar, pensar e criar já vem de há muito tempo e existe potencializado em toda

a gente: ‘se perguntarem a qualquer pessoa onde é que fica a rua tal, ela

consegue desenhar uma rua vista de cima, como se estivesse a sobrevoá- la’ (RP, Entre Nós, RTP2, 2003). No caso do artista plástico, essa informação, que ‘todos os seres humanos têm a capacidade de recolher,’

é processada, recriada e expressa de um outro modo, através das obras. É curioso relacionar esta reflexão com a definição de narrativa de Óscar Gonçalves (OG). Para o autor (2000), é através da narrativa que organizamos, tornamos coerente, damos significado e recriamos as nossas vidas. ‘Para conseguir construir uma coerência para a natureza caótica da experiência, o indivíduo necessita de a organizar narrativamente’ (p. 43). Assim, a nossa vida é constantemente reconstruída por nós, através das histórias que contamos. Estas histórias vão sendo modificadas à medida do que nos acontece, o que significa que estamos permanentemente a reinterpretar a nossa existência. Os intérpretes somos nós. Se nós mudamos, as interpretações que fazemos

1.

Pintar

é

como

contar

uma

história

e

as

teorias

Narrar é fixar um acontecimento com uma linguagem que é analógica à própria experiência. Neste sentido, a narrativa é ‘uma quase organização onomatopaica da experiência’ (OG, 2000: 47). Transposto isto para a obra de RP, as suas séries não correspondem a relatos de acontecimentos, mas a analogias organizadoras de significação de

experiências. Um quadro ou uma série não representa pois O acontecimento em si, mas um discurso narrativo análogo, que o pintor criou para o interpretar e comunicar.

2.2 A dimensão temporal

Qualquer narrativa é estruturada pela dimensão temporal. Sendo o sujeito a estabelecer os marcadores temporais, o potencial criativo das

narrativas é múltiplo, uma vez que ‘as sequências estão abertas ao estabelecimento de diferentes ritmias’ (idem: 50). Assim, a temporalidade da narrativa é um meio de introduzir significação no fluxo do tempo, variando esta de acordo com a sequência que lhe damos. Assim, por exemplo, a série Desencantados (1997) obedece a uma sequência coerente com a construção narrativa da experiência, que origina uma significação. A Ira surge antes do Arrependimento, e Assim como nós perdoamos é a obra conclusiva. Nas diversas séries apresentadas em exposições como O céu por quase nada (2001), Um encontro num poema (2002), A minha rua (2003), Fim de tarde (2005) e Pedro e o Lobo (2010) (figuras 1-10) este fluxo temporal é evidente.

2.3 A dimensão contextual

As narrativas visuais que RP tece não surgem do acaso, fazem parte do seu contexto vivencial. Segundo OG (2000: 53), as narrativas aproximam as pessoas das suas experiências, possibilitando um conhecimento simultaneamente complexo e pragmático. Complexo porque resultam de experiências localizadas num ponto matematicamente quase impossível,

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que só se compreende à luz da ‘matriz narrativa individual’; e pragmático porque proporcionam à pessoa instrumentos fundamentais ‘para proactivamente assumir a autoria da sua experiência.’ RP recorre às memórias de infância (enquanto filho e pai), recriando-as sob um duplo contexto, composto em parte pela recordação do contexto das experiência que viveu, no momento em que as viveu, e em parte pelo contexto criado quando as reconstrói.

2.4 A dimensão gestáltica

Na narrativa, como em qualquer processo de organização perceptiva, o ser humano procura significar aquilo que vê através da construção de um cenário coerente. Na sua pintura, RP organiza a diversidade da experiência, conferindo-lhe uma ‘totalidade significadora’ (OG, idem). Para tal, é essencial a selectividade da memória: ‘As memórias têm a vantagem de ter um filtro. As memórias são sólidas. Cada memória é essencial daquela colheita’ (RP, Entre Nós, RTP2, 2003). É esta capacidade de selecção, que tem a ver com o processo de memorização e esquecimento, que permite construir um todo coerente. Quando RP recria uma experiência, realiza uma síntese mental do vivido, transposta para a tela através de um processo de ênfase/exclusão de diferentes aspectos do mesmo acontecimento.

2.5 A dimensão significadora

Organizar narrativamente a experiência é, essencialmente, dar-lhe um

significado. As narrativas possibilitam a manutenção de uma certa ambiguidade e liberdade no modo como o sujeito dá sentido e constrói significados para as suas vivências. A partir da mesma experiência podem construir-se narrativas múltiplas, uma vez que a experiência é por si só múltipla. Logo, a narrativa não é uma maneira de encontrar significados, mas antes de construir significados, múltiplos. É através deste pintar como contar uma história, que RP vai atribuindo constantemente significado à sua existência.

2.6 A dimensão cultural

RP evoca provérbios (A galinha da vizinha, 1997), lengalengas (Rei, capitão, soldado, ladrão, 2001), fábulas (Pedro e o Lobo, 2010), jogos (A dança das cadeiras, 2006), tradições (Carta ao Pai Natal, 2001), costumes (O Domingo, 2003; Meninos do circo, 2001), brincadeiras (A casa das bonecas, 2008; Histórias e princesas, 2002; A hora do chá, 2001; Corridas com a sombra,

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2001) e obras literárias ( A Alice e as outras , 2009), fruto de uma vivência e memória colectivas.

, 2009), fruto de uma vivência e memória colectivas. Figuras 1-3. Série Pedro e o Lobo
, 2009), fruto de uma vivência e memória colectivas. Figuras 1-3. Série Pedro e o Lobo
, 2009), fruto de uma vivência e memória colectivas. Figuras 1-3. Série Pedro e o Lobo

Figuras 1-3. Série Pedro e o Lobo, de Ricardo Paula (2010). Da esquerda para a direita, de cima para baixo: O Pedro, A Fuga, O Aviso. Óleo s/ tela. 110x50cm, 100x140 cm, 120x80cm respectivamente. Fotos gentilmente cedidas pelo pintor.

Quando os criadores apresentam obras de outros criadores:

Quando os criadores apresentam obras de outros criadores: Figuras 4-6. Série Pedro e o Lobo ,
Quando os criadores apresentam obras de outros criadores: Figuras 4-6. Série Pedro e o Lobo ,
Quando os criadores apresentam obras de outros criadores: Figuras 4-6. Série Pedro e o Lobo ,

Figuras 4-6. Série Pedro e o Lobo, de Ricardo Paula (2010). Da esquerda para a direita, de cima para baixo: A Discussão, O Plano, O Caminho. Óleo s/ tela, 70x150cm, 60x150cm, 100x140cm. Fotos gentilmente cedidas pelo pintor.

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Internacional Criadores Sobre outras Obras - CSO’2011 Figuras 7-8. Série Pedro e o Lobo , de
Internacional Criadores Sobre outras Obras - CSO’2011 Figuras 7-8. Série Pedro e o Lobo , de

Figuras 7-8. Série Pedro e o Lobo, de Ricardo Paula (2010). Da esquerda para a direita, de cima para baixo: No Limite da Luz, O Reencontro. Óleo s/ tela, 100x140 cm, 120x80cm, respectivamente. Fotos gentilmente cedidas pelo pintor.

Quando os criadores apresentam obras de outros criadores:

Quando os criadores apresentam obras de outros criadores: Figuras 9-10. Série Pedro e o Lobo ,
Quando os criadores apresentam obras de outros criadores: Figuras 9-10. Série Pedro e o Lobo ,

Figuras 9-10. Série Pedro e o Lobo, de Ricardo Paula (2010). Da esquerda para a direita, de cima para baixo: O Triunfo, A Festa II. Óleo s/ tela, 100x150cm, 160 x 90 cm, respectivamente. Fotos gentilmente cedidas pelo pintor.

Para RP ‘estas histórias são fantásticas porque têm uma carga cultural, que já não se sabe onde começou, nem onde vai acabar’ (RP, Entre Nós, RTP2, 2003). É a conjugação da memória pessoal e colectiva que nos aproxima a sua pintura. A dimensão cultural da narrativa permite tornar a experiência comum (OG, 2000). Quem conhece o provérbio A galinha da vizinha é sempre melhor que a minha relaciona-o com a obra do mesmo

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nome (1997), e interpreta-la como uma alusão à inveja; quem sabe o que

é uma tourada compreende obras de Júlio Pomar ou Picasso que a

representam, quem não sabe poderá relacioná-las com outro ritual, de outra cultura. Como RP salienta: ‘isto viveu de uma forma para mim, vai viver de outra forma para outra pessoa, noutra parede, noutra casa, interpretado de outra maneira’ (RP, idem). 2.7 A dimensão criativa Para OG (2000), a realidade é essencialmente inerte até ser encontrada

e significada pelo sujeito criador. A narrativa, enquanto processo de

figuração simbólica, ‘acrescenta às coisas tudo aquilo que elas só potencialmente são enquanto não encontram os processos de construção

criativa do narrador’ (p. 59). No momento de construção simbólica da experiência, a pessoa deixa de ser vítima de uma qualquer realidade, exterior ou interior, porque é capaz de a construir, de modo criativo, na sua multipotencialidade. RP, enquanto narrador, não reage de modo neutro à experiência, é um construtor intencional e proactivo da mesma. Conclusão A pintura de RP, poética narrativa baseada no reinterpretar e recriar de memórias, pode ser enquadrada nas teorias da narratividade, constituindo uma forma de o pintor construir continuamente a sua identidade, e apresentando ao mesmo tempo a possibilidade dos fruidores construírem as suas próprias narrativas, que estruturam e dão significado às suas vidas. Pareceu-nos interessante estudar a obra de RP pela clara relação entre aquelas teorias e a sua própria reflexão sobre a prática artística. No entanto, é evidente que estas teorias podem ser aplicadas na análise da obra de outros artistas, pintores e não só, o que se apresenta como um desafio estimulante. O discurso sobre a narrativa aproxima-se, aliás, do discurso estético contemporâneo sobre a obra aberta (Umberto Eco, 1989), sendo a complementaridade destas perspectivas algo que se nos apresenta como um potencial objecto de investigação futura.

Referências

Cruz, Ana Bela (1996) O ano do pintor Ricardo Paula. Diário de noticias, 5 de Abril. Eco, Umberto (1989) Obra aberta. Lisboa: Difel. Gonçalves, Óscar F. (2000) Viver narrativamente: A Psicoterapia como Adjectivação da Experiência. Coimbra: Quarteto Editora.

Quando os criadores apresentam obras de outros criadores:

Paula, Ricardo (2010) O Pedro e o Lobo. Catálogo. Lisboa: Galeria Palpura. Paula, Ricardo (2005) Fim de tarde. Catálogo. Oeiras: Quinta da Encosta Arte Contemporânea. Paula, Ricardo (2003) A minha rua. Catálogo. Amadora: Galeria Municipal Artur Bual. Paula, Ricardo (2002) Um encontro num poema. Catálogo. Lisboa: Galeria Galveias.

por quase nada. Catálogo. Lisboa: Cordoaria

Paula, Ricardo

(2001)

O

céu

Nacional.

Paula, Ricardo (1997) Desencantados. Catálogo. Loures: Centro Cultural da Malaposta. Santos, Raquel e Paula, Ricardo (2003) Entrevista a Ricardo Paula, Entre-nós, RTP2, Fevereiro.

Silva, José

Mário

(1997). Feios, Porcos e Maus,

Diário

de

Notícias, 7 de

Novembro.

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Antonio García Romero, el artista al servicio de la sociedad

Jose Antonio Aguilar Galea * & Ana María Gómez Cremades **

Abstract: Under the concept of “artist” w e must consider another kind of professionals w ho are actively developing this original practice as w ell, even though they are more significant in the technical profile than in the creative one. This article presents, from a close and direct perspective, a variety of profiles that characterize the production of one of these “other artists,” w ith the already w ell-know n classical debate regarding artists and craftsmen in the background. Keywords: sculpture, imagery, art/nature, casting.

Resumen:

profesionales que desarrollan activamente esta práctica, aunque en ellos sea más significativo el perfil técnico que el esencialmente creativo. Este articulo presenta desde una perspectiva cercana y directa los distintos perfiles que caracterizan la producción de uno de esos “otros artistas,” con la discusión ya clásica entre artistas y artesanos de fondo. Palabras clave: escultura,imaginería, arte/naturaleza, reproducción.

Bajo

la

noción

de

“artista”

también

debemos

conside rar

a

otros

Introdución

Como dato preliminar debemos constatar que no existe ningún

publicación que aborde la producción de este

estudio

artista/profesional de la escultura. La obra de este extremeño nacido en Villafranca de los Barros (Badajoz) en 1942 es desconocida dado que no

ha realizado exposiciones individuales ni es muy extensa, siendo más célebre por su faceta técnica que por su quehacer plástico. Nacido en el seno de una familia bastante numerosa, su formación académica la realiza en Sevilla, iniciándola en la Escuela de Artes Aplicadas y Oficios Artísticos, para después ingresar en la Facultad de Bellas Artes de esta ciudad. En este centro se especializa en escultura, materia que tras doctorarse imparte comenzando una andadura como profesor en este centro universitario que comprenderá treinta años.

ni

* Espanha, Escultor. Doctor en Bellas Artes. Departamento de Escultura e Historia

de las Artes Plásticas, Facultad de Bellas Artes, Universidad de Sevilla. ** Espanha, actriz, directora de doblaje, artista visual. Licenciada en Bellas Artes en las especialidades de Escultura (Sevilha, Espanha) e Design Gráfico (Bruxelas, Bélgica). Estudos de Arte Dramática na Escuela Superior de Arte Dramático (ESAD) de Sevilha.