Você está na página 1de 44
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE IPORÁ CURSO: GEOGRAFIA EDNA MARIA FERREIRA DE ALMEIDA

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS

UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE IPORÁ

CURSO: GEOGRAFIA

EDNA MARIA FERREIRA DE ALMEIDA

ACESSIBILIDADE URBANA:

Estudo de caso do centro urbano de Iporá/GO

Iporá GO

2008

EDNA MARIA FERREIRA DE ALMEIDA

ACESSIBILIDADE URBANA:

Estudo de caso do centro urbano de Iporá/GO

Trabalho apresentado à Coordenação Geral de Trabalho de Conclusão de Curso da Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Iporá, no curso de Geografia, como requisito parcial para a obtenção do título de licenciada em Geografia. Orientadora: Professora Ms. Jackeline Silva Alves

Iporá/GO

2008

EDNA MARIA FERREIRA DE ALMEIDA

ACESSIBILIDADE URBANA: Estudo de caso do centro urbano de Iporá/GO

Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura Plena em Geografia da

Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Iporá, como requisito parcial

para a obtenção do título de licenciada em Geografia. Aprovada em 28 de novembro de

2008, pela Banca Examinadora constituída pelos seguintes professores:

Profª. Ms. Jackeline Silva Alves Orientadora UEG - Iporá

Prof.ª Esp. Selma Regina Gomes Examinadora - UEG - Iporá

Profº. Esp. Divino José Lemes Examinador UEG Iporá

AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradeço a Deus por me proporcionar a vida. À minha mãe, amigos e familiares pelo incentivo e força principalmente nos momentos mais difíceis, À minha orientadora Prof a. Ms. Jackeline Silva Alves pelo incentivo ao produzir este trabalho e pelas palavras amigas e incentivadoras, às vezes duras, mas que levarei comigo pelo resto da vida. Às minhas amigas Josi, Cherli e Lilia pela alegria de tê-las conhecido e pelos momentos de felicidade e descontração no decorrer do curso, Enfim, todos que contribuíram de forma direta e indireta para a realização desta monografia.

“Não basta saber, é preciso também aplicar; Não basta querer, é preciso também fazer.”

(Johann Wolfganc Von Goethe)

RESUMO

Acessibilidade resulta-se em possibilidade de utilização com segurança e autonomia de edificações, espaço mobiliário e equipamentos urbanos. Este presente trabalho mostra a discussão da acessibilidade no centro urbano de Iporá, sendo que buscamos investigar os aspectos da mesma, denotando especial atenção a acessibilidade para deficientes físicos (cadeirante) e daqueles que possui mobilidade reduzida. Sabemos que o planejamento da cidade é de grande importância na edificação da cidade, pois a justiça social começa pelo planejamento da cidade. O foco principal da pesquisa consistiu em evidenciar se o centro urbano desta cidade foi ou não preparado para garantir a acessibilidade aos deficientes físicos (cadeirantes). O presente trabalho foi desenvolvido com os seguintes procedimentos metodológicos: levantamento e revisão de material bibliográfico que trata sobre o tem em pauta. Pretende-se que os resultados alcançados com o desenvolvimento da pesquisa, possam ser levados a conhecimento do poder público local, e que este diagnóstico possa auxiliá-los nas tomadas de decisões, no que concerne a adoção de medidas voltadas ao planejamento e implementação de políticas públicas que possam auxiliar na resolução do problema levantado.

Palavras-chave: Acessibilidade Urbana, Planejamento Urbano e Cidadania.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

A.B.N.T Associação Brasileira de Normas Técnicas A.S.D.E.F Associação dos Deficientes físicos de Iporá C.O.N.A.D.E Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência C.O.R.D.E Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência C.R.E.A-GO Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Goiás I.B.G.E Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística I.P.T.U. Imposto Predial Territorial Urbano O.N.U Organização das Nações Unidas P.S.F Programa Saúde da Família N.B.R Norma Brasileira de Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos.

LISTA DE FIGURAS

1. Mapa de localização

de Iporá

12

2. Quadro de prazos de cumprimento do Decreto

23

3. Mapa de acessibilidade em Iporá

29

4. Figura do estacionamento da rodoviária

36

5. Figura

da

rampa da Rodoviária

36

6. Figura da Academia Pública do lago por do sol

37

7. Figura da rampa existente na Academia

37

8. Calçada localizada na Avenida Esmerindo Pereira

38

9. Calçada localizada na Avenida Esmerindo Pereira

39

10 Calçadas localizadas na Avenida Esmerindo Pereira

39

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

09

CAPÍTULO I

1.

HISTORIOGRAFIA DE IPORÁ

12

CAPÍTULO II

2.

ACESSIBILIDADE URBANA: JUSTICA SOCIAL NA CIDADE

17

2.1 Como se organizou o conceito de uma sociedade

20

2.2 A Situação das Pessoas com Deficiência na América Latina

22

2.3 Legislação

24

2.4 Planejamento com Acessibilidade

26

CAPÍTULO III

3.

ASPECTOS DA ACESSIBILIDADE URBANA EM IPORA

28

3.1

A Associação dos deficientes físicos de Iporá ASDEF

31

CONSIDERAÇÕES FINAIS

40

REFERÊNCIAS

42

INTRODUÇÃO

Não há como negar que as cidades brasileiras cresceram de forma desordenada, e em sua maioria, sem a adoção de medidas voltadas ao planejamento e ordenamento das mesmas. Tal situação é ainda mais recorrente quando se trata de

cidades pequenas ou cidades médias, pois nestas é bastante comum observar a ausência do planejamento urbano.

A expansão desordenada e não planejada do espaço urbano acaba por

comprometer os padrões estabelecidos para se garantir a acessibilidade urbana. De tal

modo, entendemos que melhorar os aspectos da acessibilidade urbana deveria constituir-se em uma das preocupações dos planejadores que atuam no planejamento das cidades. Iporá é uma pequena cidade do interior do estado de Goiás, estando a

mesma situada na mesoregião denominada Centro-Oeste goiano, ou microrregião de Iporá. Segundo dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia I.B.G.E. (2007) Iporá possui cerca de 31.060 habitantes em seu total.

A população deste município é essencialmente urbana, haja vista, que a

população rural é composta por apenas 2.744 habitantes, enquanto que a população urbana é de 28.316habitantes. Apesar de ser uma cidade pequena, Iporá é uma cidade bastante representativa no contexto da microrregião em que se insere, pois concentra regionais

de diversos órgãos tanto da esfera federal quanto estadual, repartições públicas, comércio e serviços de saúde e educação, e ainda entidades de classe da sociedade civil, exercendo influência sobre os demais municípios que compõem a microrregião. Mesmo reconhecendo sua importância local, há que se considerar que esta cidade enfrenta sérios problemas de ordem sócio-econômica que se traduzem através da carência de infra-estrutura, moradias e índice bastante elevado de desemprego em função do poder público não se empenhar em atrair tais investimentos. Neste trabalho, buscamos investigar os aspectos da acessibilidade urbana em Iporá/GO, denotando-se especial atenção aos aspectos da acessibilidade para os deficientes físicos (cadeirantes) e daqueles que possuem mobilidade reduzida.

O foco principal da pesquisa consiste em evidenciar se o centro urbano

desta cidade foi ou não preparado para garantir a acessibilidade aos portadores de necessidades especiais (cadeirantes). Buscamos ainda investigar se os cadeirantes

encontram no centro urbano iporaense condições favoráveis à sua mobilidade, conforme lhes é assegurado por direito. Partimos da hipótese de que por ser uma cidade de pequeno porte e não planejada com fim de atender a acessibilidade, na cidade encontram-se edificações e estabelecimentos comerciais que não garantem as condições adequadas para o uso dos deficientes, evidenciando assim o descumprimento da Lei da Acessibilidade (Lei n° 10.098), a qual estabelece normas e critérios básicos para promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência física ou com mobilidade reduzida mediante a eliminação de barreiras e obstáculos nas vias de espaços públicos, mobiliário e nas construções e reformas de edifícios. Com base no exposto é que se buscou confirmar ou refutar a hipótese elaborada para a investigação. Quanto ao recorde espacial adotado para o desenvolvimento da proposta, delimitamos apenas o centro urbano da cidade. Justificam-se tal recorte espacial, tendo em vista, ser a área da cidade onde concentram maior quantidade de equipamentos públicos, serviços, comércios, agências bancárias, enfim equipamentos e serviços dos quais rotineiramente usufruem todos os citadinos. A motivação principal em trabalhar com essa temática se justifica pelo fato de ser residente na cidade de Iporá, e observar o cotidiano dos cadeirantes, por conviver com os e ao mesmo tempo observar a realidade dessas pessoas com deficiência física. Ressaltam-se ainda a inexistência de outros trabalhos, acadêmicos que tratem sobre esse assunto, em especifico para a cidade em questão. Pretende-se que os resultados que os resultados alcançados com o desenvolvimento pesquisa possam ser levados ao conhecimento do poder público local, e que este diagnóstico possa auxiliá-los na tomada de decisões, no que concerne a adoção de medidas voltadas ao planejamento e implementação de políticas publicas que possam auxiliar na resolução do problema levantado. O presente trabalho foi desenvolvido, ancorado nos seguintes procedimentos metodológicos: levantamento e revisão de material bibliográfico que trata sobre o tema, ressaltando aqui a carência de estudos sobre esta temática tratada a luz da Geografia. Dentre as obras utilizadas destaca-se a contribuição dos trabalhos realizados por Souza (2003), que muito nos auxiliou no entendimento sobre a importância do planejamento na cidade; Lefbvre (2001) que trata sobre a importância do direito a cidade, direito este garantido por lei; Santos (2005); Carlos (1992) que aborda como a cidade é organizada; Alves (2007) que mostra um pouco sobre a produção do espaço urbano iporaense e os

processos de segregação existente nesta cidade; Gomes (2006) que retrata a cidadania como direito do cidadão que habita na cidade, dentre outros artigos que tratam à temática em pauta. Foi de suma importância à leitura e a compreensão da Lei que versa sobre a Acessibilidade, a Lei de nº 10.098, sancionada em 19 de dezembro de 2.000. Buscamos juntos à prefeitura de Iporá levantar dado que pudessem subsidiar a nossa discussão. Contudo, a prefeitura municipal não possui uma Secretaria de Planejamento e isto dificultou muito o desenvolvimento do trabalho, sendo então pertinente registrar a falta de arquivos que tratem sobre o histórico da cidade, a desinformação de carência de dados que tratem sobre acessibilidade por parte da prefeitura.

Contribui significativamente para a realização da pesquisa os trabalhos de campo realizados na cidade. Entrevistas realizadas com Eliaine A. auxiliar administrativa do CREA-GO de Iporá, com engenheiros da prefeitura, e também depoimentos de cadeirantes residentes em Iporá; permitiu-nos relacionar o referencial teórico e a realidade empírica no que diz respeito aos aspectos da acessibilidade urbana na cidade.

O trabalho está organizado em três capítulos. No primeiro capítulo buscamos resgatar a historiografia da cidade de Iporá, ressaltando neste a importância do planejamento nas cidades. No segundo capítulo são tecidas considerações a respeito da acessibilidade urbana, focando como surgiu a questão da acessibilidade, sua situação na América Latina, no Brasil e em Goiás, o que nos permitiu entender o conceito de acessibilidade e a importância do planejamento contemplando a acessibilidade. No terceiro capítulo buscamos diagnosticar a atual situação da acessibilidade urbana em Iporá, mostrando os equipamentos públicos que são acessíveis ou não, correlacionando ás situações verificadas em campo com os depoimentos de cadeirantes residentes na cidade.

1 - CONHECENDO UM POUCO SOBRE IPORÁ

O município de Iporá está situado na mesoregião denominada Centro-Oeste goiano ou microrregião de Iporá, no Estado de Goiás, está localizado a 16º 28’ Latitude Sul e 51º05’ Longitude Oeste,

Tem-se na Figura 1 a localização do município no contexto da microrregião em que se insere.

MAPAS DE LOCALIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE IPORÁ-GO 53º 52º 51º 50º 49º 48º 47º 46º
MAPAS DE LOCALIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE IPORÁ-GO
53º
52º
51º
50º
49º
48º
47º
46º
13º
13º
N
14º
14º
15º
15º
16º
16º
17º
17º
18º
18º
19º
19º
53º
52º
51º
50º
49º
48º
47º
46º
Município de Iporá
FONTE: Adaptado de IBGE
ADAPTAÇÃO: Washington Silva Alves
MUNICÍPIO DE IPORÁ 51º25’ 51º20’ 51º15’ 51º10’ 51º05’ 51º00’ N 16º20’ 16º20’ 16º25’
MUNICÍPIO DE IPORÁ
51º25’
51º20’
51º15’
51º10’
51º05’
51º00’
N
16º20’
16º20’
16º25’
16º25’
16º30’
16º30’
16º35’
16º35’
51º25’
51º20’
51º15’
51º10’
51º05’
51º00’
Perímetro Urbano
FONTE: Adaptado de IBGE
ADAPTAÇÃO: Washington Silva Alves

Para conhecer um pouco sobre a cidade de Iporá, há que se retroceder no tempo buscando elementos que melhor permitam compreendê-la. Vale acrescentar que são poucos os registros escritos que remontam a historia da cidade, destacando neste aspecto as obras de Gomis de 1998, que buscam nos mostra sua história e fazermos uma viagem ao tempo de Pilões a Iporá. Conforme registra a historiografia da região, Iporá originou-se oficialmente na fundação do arraial de Pilões, situado à margem direita do rio Claro em 1748, iniciando com a construção da Paróquia do Senhor Jesus Bom Fim. Segundo Alves (2008) a origem do município de Iporá esteve ligada a mineração no séc.XVIII, quando da transferência do Distrito de Rio Claro (antigo Comércio Velho) para onde hoje é Iporá. Posteriormente em 1833 o Arraial de Pilões foi elevado a Distrito da capitania Vila Boa, passando-se chamar Rio Claro. Na Revolução de 1.830 o domínio da oligarquia dos coronéis cai, e o Dr. Pedro Ludovico assume o governo de Goiás. Em 1.936 acontecem à fundação de Itajubá, por iniciativa de Odorico Caetano, Joaquim Paes de Lemes e seu filho, sendo que o Mestre Osório cuidou dos procedimentos burocráticos de transferência do Distrito de Rio Claro para o local com o nome de Itajubá. Apenas em 1.938 a mudança do Distrito de Rio Claro para Itajubá foi oficializada através do Decreto Lei nº. 557 de 30 de março com atuação de Israel de Amorim que assume a coordenação da mudança. Por volta de 1940 Israel de Amorim começa a coordenar o processo de urbanização e desenvolvimento, assumindo o comando político, tendo posteriormente se preocupado com os aspectos estéticos da futura cidade. O mesmo contratou dois engenheiros de Goiânia, para fazer o loteamento e elaborar um projeto urbanístico moderno e com perspectivas para o futuro. Por recomendação de Amorim, o projeto previa ruas e avenidas largas e muitas praças destinadas para jardins e áreas de lazer. Notoriamente Iporá é uma das poucas cidades do Brasil que tiveram uma fundação planejada com afirma Gomis 1998.

Em 1943 Itajubá tem o nome mudado para Iporá e em 1.948 é emancipado em 19 de novembro, 200 anos após fundação de Pilões e 10 anos após fundação de Itajubá.

Iporá como muitas cidades interioranas sofre com problemas de ordem infra-estrutural, econômica e com a baixa oferta de emprego. Ainda assim, é considerada cidade pólo no contexto da microrregião em que se insere, pois aloca regionais de diversos órgãos federais e estaduais, aglutina comércios e serviços, que atendem não só a demanda local como também de municípios circunvizinhos, tais como Diorama, Amorinópolis, Ivolândia, Israelândia e Jaupaci entre outros, exercendo assim

influência sobre os mesmos. Nas cidades pequenas, é notável a ausência da adoção de medidas voltadas ao planejamento urbano, comprometendo então a efetivação da acessibilidade na cidade. Se a cidade não é planejada para todos independente de suas limitações ou deficiências,

a acessibilidade se torna algo inexistente naquele espaço.

O Plano Diretor tem grande importância e influencia no planejamento da

cidade. Este documento é uma exigência constitucional para municípios com mais de 20.000 habitantes, sua elaboração e execução objetiva uma melhor qualidade de vida para todos os habitantes da cidade. Para ser elaborado o Plano Diretor e necessário a iniciativa da prefeitura

e a discussão com a comunidade, estando o mesmo elaborado posteriormente é votado

na Câmara Municipal e transformado em lei, ressaltando que o que se espera do plano é

que o mesmo apresente diretrizes para investimentos em saneamento básico, coletivo, saúde, educação e equipamentos urbanos que beneficiem toda a população.

A cidade de Iporá ainda não possui seu plano diretor. Tal documento foi

elaborado por uma equipe coordenada por Rute Cabral e apresentado à Câmara Municipal, contudo, não foi aprovado, em função de divergências políticas dentro da câmara municipal conforme informou a Coordenadora do mesmo. Novas reuniões deverão acontecer no ano de 2009 tendo em vista aprová-lo. Neste documento (ainda não aprovado) em seu Capítulo IV, é abordada a questão da mobilidade e acessibilidade urbana, assegurando uma política de

sensibilização e promoção da acessibilidade, promovendo a eliminação de barreiras arquitetônicas, proporcionando o acesso e a inclusão social. Segundo a Coordenadora da equipe do Plano Diretor, este capítulo foi construído com base na lei de acessibilidade urbana e estatuto da cidade.

Conforme Souza (2003), o planejamento deve oferecer promoção no desenvolvimento sócio-espacial, resultando em uma mudança social positiva, e conseqüentemente uma melhoria na qualidade de vida, para todos que habitam na cidade.

Nesse sentido, podemos ressaltar a importância do planejamento no ordenamento da cidade, independente que esta seja grande, média ou de pequeno porte; pois aquelas que são de pequeno porte como é o caso de Iporá, se planejadas de forma correta, com consciência social e com acessibilidade, estas poderão se desenvolver e ter seus problemas minimizados. Para realização do trabalho proposto se fizeram necessários o entendimento de alguns conceitos relacionados à Geografia como, por exemplo, o de cidadania, que tem feito parte da história da sociedade. Para Gomes (2006) no próprio conceito de cidadão já existe uma matriz territorial, sendo que o conceito de cidadania possui um componente espacial em sua base, pois quando se trata dessa expressão já é evidenciado a preocupação em relação a justiça social, onde podemos citar a justiça na cidade, oportunizando ao cidadão, usufruir da cidade de uma forma igualitária, levando em conta a idéia de que qualquer pessoa que habita na cidade, tem o direito de usufruir do espaço público da mesma independente de suas limitações físicas. Cada pessoa na situação de cidadão tem seus direitos, direitos estes de exercer sua cidadania e viver na cidade com plena dignidade. Segundo Gomes (2006, p.162):

o espaço público é antes de mais nada, o lugar, a praça, a

rua o shopping, qualquer tipo de espaço, onde não haja obstáculo á possibilidade de acesso e participação de qualquer tipo de pessoa.

] [

Com base no exposto podemos dizer que todos esses espaços públicos devem oferecer condições de utilização pelo cidadão. Para o autor o acesso ao espaço público só acontece, a partir do momento em que esse espaço possa contemplar a acessibilidade e ao mesmo tempo respeitar as diferenças de cada pessoa, como por exemplo, a pessoa com deficiência física.

Quando o deficiente (cadeirante) é impossibilitado de ter acesso e usufruir determinados espaços públicos, conseqüentemente o mesmo não esta exercendo o seu direito à cidade, ou seja, o direito de praticar a sua cidadania, ficando de tal modo excluso da condição de cidadão, seres humanos merecedores de tratamento igualitário. Outro conceito igualmente importante é o de planejamento, pois o mesmo nos permite entender o quanto é importante planejar a utilização do espaço no qual estamos inseridos. O planejamento deve visar uma melhor qualidade de vida, cidadania e dignidade a todos que participam da cidade. Para Lopes (2003) planejar é preparar para uma gestão futura deste espaço, para o autor o planejamento objetiva mais justiça social e conseqüentemente melhor qualidade de vida, oportunizando ao citadino gozar de uma melhor qualidade de vida, e garantindo justiça social. Quando se planeja com consciência social, pensando e refletindo sobre as diferenças de cada indivíduo, este planejamento poderá contribuir para o exercício da cidadania.

Pensando na importância da acessibilidade na cidade, buscamos no capítulo a seguir o entendimento de o que é acessibilidade, como surgiu e sua atual situação no mundo e no Brasil, entendo um pouco também sobre a legislação vigente em nosso país, que trata sobre a mesma.

2 - ACESSIBILIDADE URBANA: JUSTIÇA SOCIAL NA CIDADE

Este capítulo foi elaborado para mostrar e nos trazer o entendimento sobre a acessibilidade urbana, mostrando a importância da mesma; como surgiu; como tem sido trabalhada e qual a importância de planejar com acessibilidade. A cada pessoa na condição de cidadão é garantido desfrutar dos direitos civis e políticos, vivendo decentemente e possuindo direitos iguais conforme assegurado pela Constituição Federal Brasileira (1988) que resguarda a todos os cidadãos esses direitos, sendo um deles o de ir e vir livremente sem restrição a sua acessibilidade. Em conformidade com a legislação vigente e as normas de acessibilidade propostas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT NBR 9050/ 2004, (que foi elaborada pelo Comitê Brasileiro da Acessibilidade, pela comissão de edificações e meio), segundo proposto nesta norma a acessibilidade significa a possibilidade de utilização com segurança e autonomia de edificações, espaço mobiliário e equipamentos urbanos que são todos os bens públicos e privados, destinados à prestação de serviços necessários ao funcionamento da cidade e seus elementos.

Com base no que se dispõem tal legislação, há que se considerar que no planejamento e edificação da cidade, devem ser eliminadas todas as barreiras que impeçam o cidadão de circular e utilizar espaços públicos, edificações, etc.; isto independente de qualquer limitação. Segundo Sanches (1996) apud Lima (1998, p. 21) a acessibilidade é um fator que permite a avaliação da facilidade de acesso da população de uma determinada área, à oportunidade de emprego e ao equipamento social da cidade facilitando o acesso aos espaços de utilização pública. Uma cidade sem barreiras possibilita ao seu cidadão exercer sua cidadania, participando ativamente da vida da cidade, podendo utilizar o espaço sem nenhuma restrição à sua mobilidade, sendo assim um cidadão que usufrui da cidade, exercendo seus direitos garantidos por lei e acima de tudo tendo suas diferenças respeitadas. A cidade para ser acessível, deve proporcionar ao cidadão possibilidades diversas, oferecendo ao mesmo as condições mínimas, porém necessárias, para que citadinos com deficiência física de se locomover com maior facilidade e sem transtornos ou restrições em seus deslocamentos pela cidade.

Para Tagore & Sikdar (1995) apud Lima (1998, p. 23), a acessibilidade resulta em um potencial de oportunidade de integração de cada ponto e todos os outros, permitindo se locomover com facilidade de um ponto ao outro, oportunizando ao cidadão o exercício da cidadania, integrando o mesmo na sociedade urbana oferecendo oportunidade a todos de uma forma igualitária. Nesta perspectiva, podemos dizer que o planejamento é de grande importância na edificação da cidade, pois se a cidade é planejada com vistas a atender o bem estar social, logo possibilitará aos seus cidadãos viver com mais conforto e bem estar.

Segundo Carlos (1992, p. 45)

A cidade enquanto construção humana, produto social materializado e trabalhado, o modo de ocupar a determinados

lugares da cidade se dá partindo da necessidade de realização de determinadas ações, sendo elas de produzir, consum ir,

habitar, de viver [

].

Isto nos leva a compreender que a cidade enquanto construção humana necessita que os cidadãos que estão inseridos possam produzir ocupando esse espaço e desfrutando das condições oferecidas pela mesma, ou seja, condições de exercerem seus direitos de cidadania. O espaço citadino é composto pelas diversidades humanas, ou seja, uma população heterogênea que habita no mesmo espaço, e que em tese tem direitos iguais enquanto sociedade, ao mesmo tempo em que necessita de uma estrutura que possa atender as necessidades de todos que a usufruem. Partindo da idéia de um espaço acessível, é correto dizer que os cadeirantes necessitam que o espaço esteja adequado e acessível ao seu deslocamento, permitindo aos mesmos desfrutar e usufruir do espaço sem nenhuma restrição a sua mobilidade. Para Lefbvre (2001, p. 116) o direito a cidade afirma-se como apelo, como uma exigência, onde existem necessidades por parte do cidadão de viver em sociedade exercendo seus direitos e deveres, respeitando a individualidade de cada um e conseqüentemente desenvolvendo a acessibilidade. A expressão “direito a cidade” viabiliza a idéia de que o desenho urbano necessita ser incluso proporcionando a acessibilidade, oferecendo ao cidadão a

oportunidade de participação em sociedade, a oportunidade de se locomover pela cidade e usufruir de todos os equipamentos urbanos independente de suas limitações.

2.1 - Como se organizou o conceito de uma Sociedade Inclusiva?

O conceito de sociedade inclusiva é bastante recente. O mesmo têm sido

mencionado a partir de 1995, em traduções e textos, assim como em palestras que tratam sobre o assunto, e em especial o desafio da implementação de normas universais de equiparação de oportunidades que privilegia a pessoa com deficiência física. Sendo mais recente que os conceitos de Educação Inclusiva, mercado de trabalho inclusivo e turismo inclusivo, os quais começaram a serem aplicados na década de 80 nos Estados Unidos e Europa. Em âmbito internacional a Organização das Nações Unidas O.N.U. - foi a primeira entidade a cunhar de forma explícita a expressão de uma sociedade para todos, sendo que a mesma está registrada na resolução 45/91 da Assembléia Geral das Nações Unidas de1991. A partir de então, os documentos da O.N.U. vem sendo lembrado constantemente à meta de uma sociedade para todos em torno do ano 2.010 (Sassak,

1997).

A origem do conceito de acessibilidade foi lançada pela própria O.N.U. em

1.981 quando realizou o ANO INTERNACIONAL DAS PESSOAS DEFICIENTES, reconhecendo os direitos das Pessoas com deficiência, sendo um primeiro passo, oportunizando para que todos participassem com igualdade na sociedade. Esse conceito ganhou força e obteve êxito durante a década das Nações Unidas para Pessoas Portadoras de Deficiência (1983 - 1992) graças ao documento Programa Mundial de Ação, relacionado às mesmas. Este documento aborda o conceito de equiparação de oportunidades para o deficiente físico.

Em 20/12/93 a Assembléia Geral da O.N.U. adotou o documento Normas sobre Equiparação de oportunidades para pessoas com deficiência, preceituando que as mesmas devem receber o apoio e oportunidades que necessitam dentro das estruturas comuns de educação, saúde, emprego e serviços sociais.

O conceito de sociedade inclusiva, já vem sendo trabalhado em diversas

partes do mundo, como conseqüência do processo da implementação dos princípios de inclusão, na educação, no mercado de trabalho, na recreação, no esporte e turismo.

E pertinente acrescentar que todas essas implementações de inclusão, carecem de um planejamento voltado para atender as diferentes necessidades dos cidadãos que usufruem desse espaço, facilitando a vida de todos que vivem na cidade.

2.2 - A situação das Pessoas com Deficiência na América Latina

A história das pessoas com deficiência na América Latina, como no resto do mundo, é uma história marcada pela exclusão, discriminação e pela violação dos direitos humanos, pois a temática inclusão não tem sido vista como direitos humanos, ou seja, direito de cidadão, sendo que os organismos nacionais de direitos humanos em muitos paises da América Latina não têm trabalhado esse tema com enfoque adequado, como afirma Gatjens. Existem poucos estudos, pesquisas, estatísticas e dados que ofereçam um panorama sobre as pessoas com deficiência e como se encontra os direitos humanos deste segmento populacional.

É importante ressaltar que grande parte das pessoas portadoras de

necessidades especiais não usufrui dos serviços de saúde e de reabilitação, salientando

que muitos dos edifícios que oferecem tais serviços são carentes de Acessibilidade. (GATJENS, 2.007).

O exercício de liberdade e cidadania das pessoas com deficiência na

América Latina é afetado, principalmente pelos problemas de acessibilidade que ocorrem no entorno urbano, em edificações públicas ou privadas, ou de uso público. (GATJENS, 2.007). Nenhum país da América proíbe pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida se locomover em determinados espaços, mas mesmo assim não é possível essa locomoção em função das barreiras que tornam muitos lugares inacessíveis. A maioria dos países possui normas que asseguram que os edifícios sejam acessíveis às pessoas com deficiência; contudo, tais normas e especificações nem sempre são cumpridas, faltando critérios técnicos para construir a acessibilidade. Apenas para ilustrar o exposto, constroem-se rampas que são excessivamente inclinadas; sanitários que não são acessíveis, as calçadas não são rebaixadas, etc. Faz necessário que a sociedade e também que os planejadores reflitam sobre este ponto da legislação, que na maioria das vezes não é colocada em prática para a edificação de espaços acessíveis. A falta de acessibilidade impede/limita o direito de circulação, em nossas cidades. Na América, poucos são os países que impulsionam alguns avanços nesta área. Brasil, Jamaica e Colômbia contam com sistemas de ônibus acessível em algumas

cidades. Em casos como Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Costa Rica e Venezuela o transporte é parcialmente acessível. No Brasil temos que admitir que ainda há um longo caminho a ser percorrido. Avanços significativos estão sendo alcançados em nosso país, contudo existe grande dificuldade na uniformização propostas num país de grande extensão

como o Brasil, pois é necessário levar em consideração a desigualdade cultural e econômica de nosso país, entre regiões e também entre as cidades. Assinada no Brasil em março de 2007 a Convenção da ONU aguarda a ratificação do Congresso Nacional.

O texto foi aprovado pela câmara dos deputados. Segundo a titular maior da

Coordenadoria Nacional para Integração de Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE), destaca que a convenção representará um avanço para a legislação brasileira, fortalecendo as políticas para as pessoas com deficiência direcionada para ampliar as medidas de acessibilidade. Para o presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (CONADE), Alexandre Carvalho Baroni, fazer com que as políticas para os deficientes físicos sejam efetivadas em todo o país será um grande desafio. Para ele, a convenção mudará a lógica de que a deficiência não é um problema individual, ao determinar a responsabilidade de toda a sociedade para a superação da limitação de

pessoas com deficiência. Em Goiás, podemos notar que a Acessibilidade também tem tido avanços nesse sentido. Para Siqueira, (2008) “O tamanho da democracia pode ser medida pelo

tamanho de acessibilidade que ela possui.” Nesta ótica podemos perceber que em Goiás também não é diferente, sendo que têm acontecido também preocupações e providências nesse sentido.

O Brasil possui uma legislação ampla na área de acessibilidade. Em Goiânia

capital do estado, já se encontram contempladas várias iniciativas, visando melhor qualidade de vida da população com deficiência como afirma Siqueira. Para ela a Lei Orgânica municipal coloca Goiânia como um município

fundamentado em plena cidadania, tendo como objetivo a promoção de bem estar a todos os citadinos de Goiânia, ela lembra também que existe carência de regulamentação em sua efetiva aplicação de tais iniciativas.

2.3 Legislação

O sistema legislativo pode ser encarado como uma fonte primária para se

estabelecer acessibilidade de uma maneira ampla, a todos os cidadãos. O Decreto nº

5.296 de 2 de novembro de 2004 que regulamenta as leis de acessibilidade de 10.048 e

10.098.

A Lei nº. 10.048 sancionada em 8 de novembro de 2000 dá prioridade:

- ao atendimento às pessoas com deficiência; idosos com idade igual ou

superior a 60 anos, gestantes, lactantes e pessoas acompanhadas por criança de colo.

- obriga as repartições públicas, e instituições financeiras a dispensar

atendimento prioritário por meio de serviços individualizados às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

- determina reserva de assentos em transporte coletivo.

- orienta que compete às autoridades a adoção de normas de construção e

licenciamento assegurando acessibilidade em logradouros e sanitários públicos, como em bens e edifícios de uso público.

- Define doze meses para que sejam produzidos veículos com embarque facilitado e um sistema de transporte coletivo acessível.

- prevê multas.

A lei de nº. 10.098, sancionada em 19 de dezembro de 2.004 estabelece

normas gerais de critérios básicos para a promoção de acessibilidade das pessoas com

deficiência física e com mobilidade reduzida. Para fins de acessibilidade é considerado:

- Edificações de uso público: aquele administrado por entidades da

administração pública direto ou indireto, ou por empresas prestadoras de serviços

públicos.

- Edificações de uso coletivo: aquelas destinadas as atividades de natureza comercial, cultural, turística, recreativa, social, religiosa, educacional, industrial e de saúde.

- Edificações de uso privado: aquelas destinadas a habitação, que podem ser classificada como unifamiliar ou multifamiliar. Podemos vermos no quadro 2 os prazos de cumprimento deste decreto:

 

PRAZOS DE CUMPRIMENTO DO DECRETO

 

Principais abordagens do decreto

Onde se aplica

Aplicação

Prazo

para

Início

da

implantação

vigência

 

Imediata

Acessibilidade arquitetônica e urbanística

Concepção e a implantação de projetos arquitetônicos e urbanísticos; vias; logradouros públicos; espaços de uso público; praças; parques; entorno e interior das edificações de uso público e coletivo em torno e áreas internas de uso comum nas edificações de uso privado multifamiliar; adaptação de bens culturais; imóveis; mobiliários e equipamentos urbanos.

Sim

Imediato

2/12/2004

 

Edificações administradas por entidades da administração pública, direta e indireta ou por empresas prestadoras de serviços públicos e destinados ao público em geral; locais de reunião, esporte, espetáculos, conferências; instituições de ensino público.

Não 30

2/6/2007

2/12/2004

meses após

Nas edificações de uso público já existentes

a

publicação

Nas edificações de uso coletivo já existentes

Teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásio de esporte, casa de espetáculos, salas de conferência; instituições de ensino privado.

Não 48

2/12/2008

2/12/2004

meses após

 

publicação

Acessibilidade na habitação de interesse social

Edificação de uso multifamiliar e habitação de interesse social.

Sim

Imediato

2/12/2004

Acessibilidade aos bens culturais e imóveis.

Patrimônio público, espaços destinados à cultura.

Sim

Imediato

2/12/2004

Figura 2: Prazos de Cumprimento do Decreto

A Norma Brasileira de Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos públicos (NBR 9050) da ABNT foi revisada em 2.004, a mesma e responsável pelas normas técnicas aplicadas nas edificações. Nota-se que as cidades como espaço de convivência humana, denotam a necessidade de ser democrática, permitindo o acesso de todos os cidadãos a todos os equipamentos que a cidade oferece ao seu povo.

2.4 - Planejamento com Acessibilidade

Para que se garantam as condições de Acessibilidade no mundo e em nosso país, o planejamento da cidade é uma condição fundamental na edificação da mesma, pois este é realizado visando estritamente o bem estar social, oportunizando enxergar a cidade numa ótica diferente da que está acostumado a ver, penetrando no cotidiano dos deficientes e principalmente no que diz respeito ao direito de participar da cidade. Para Souza (2003) o planejamento visa a melhoria na qualidade de vida dos cidadãos correspondente à satisfação de todos atendendo as necessidades básicas ou não, promovendo justiça social e propiciando aos cidadãos o acesso aos equipamentos culturais urbanos independentes de suas condições de mobilidade, oferecendo ao mesmo tempo, um tratamento igualitário, digno e respeitoso, e acima de tudo proporcionando ao citadino, justiça social. Quando pensamos em um espaço acessível, pensamos na idéia de proporcionar mobilidade autônoma e assegura a eliminação de barreiras físicas e arquitetônicas.

E ainda um espaço que garanta o direito de ir e vir e consequentemente

evitando a exclusão das pessoas com deficiência, tornando evidente que a justiça social

começa pelo planejamento da cidade. Conforme Souza (2003), no caso dos portadores de paraplegia, a única forma de lhes garantir o acesso a vários equipamentos é reconhecer sua desigualdade específica, e ao mesmo tempo reconhecer sua igualdade como cidadão merecedor de tratamento digno e respeitoso. O autor afirma também a necessidade de meios de acesso diferenciado tais como (rampas, corrimões, banheiros apropriados etc.), que permitem ao deficiente gozar do seu o direito a cidade, ou seja, o direito de usufruir deste espaço com dignidade.

É importante salientar que o acesso do deficiente físico no espaço urbano

tem sido um dos maiores desafios a serem vencidos, a saber, constitui-se direito de cada

um possuir esse espaço, independente de suas limitações. É notável também que quando a cidade é acessível há uma relação harmoniosa entre habitantes e os equipamentos urbanos, o que é saudável para os habitantes que reside neste espaço.

Pensando na importância do planejamento para a edificação da cidade, é considerada ainda a importância deste para a eliminação de barreiras e obstáculos ao citadino com deficiência física, buscamos no capítulo que segue mostrar ao leitor os aspectos da acessibilidade em Iporá, cujo foco principal de observação foi o centro urbano desta cidade.

3 - ASPECTOS DA ACESSIBILIDADE EM IPORÁ

Este capítulo foi elaborado com base nos trabalhos campos realizados no centro urbano de Iporá, onde pudemos não só observar o cotidiano dos cadeirantes, mas também mapear os locais que são considerados pelos mesmos acessíveis ou não acessíveis.

Verificou-se ainda que alguns equipamentos públicos/ privados apesar de apresentarem acessíveis, são considerados pelos seus usuários inacessíveis tendo em vista algumas barreiras que apresenta. Sabemos que a acessibilidade é um desafio a ser vencido no Brasil e em muitos outros países. Neste sentindo, é pertinente dizer que Iporá não esta isento a este desafio, pois como ocorre em muitas cidades brasileiras, nesta cidade é comum observar dificuldades e carências no que diz respeito à acessibilidade urbana para as pessoas com deficiência.

Acreditamos que tal situação possa ser melhor entendida pela ausência do planejamento. A leitura e compreensão do referencial teórico que embasa as considerações postas neste trabalho, bem como a realização das observações em campo, nos permitiram identificar os principais pontos da cidade que podem ou não ser considerados acessíveis, conforme pode ser visto pelo leitor na Figura 3, apresentada a seguir.

Auxiliou também no entendimento das questões que norteiam a acessibilidade em Iporá depoimentos do ex-presidente da Associação dos deficientes físicos de Iporá - ASDEF o Sr. Wanderley Alves.

Esta associação no momento não encontra se em funcionamento. Contamos também com depoimentos da Eliane A. auxiliar administrativa do CREA-GO de Iporá, para entendermos como essa temática tem sido tratada pelo conselho a fim de entendermos qual importância que o mesmo tem dado ao aspecto da acessibilidade em Iporá. Conversamos também com o Engenheiro da prefeitura responsável pelas obras públicas construídas pela mesma visando investigar qual a importância que a prefeitura tem dado aos aspectos da acessibilidade na cidade. Foi de grande relevância para o trabalho ouvir os cadeirantes residentes na cidade e que usufruem cotidianamente da mesma, para entendermos a real situação da acessibilidade urbana em Iporá, e para compreender a realidade dos próprios deficientes e como estes se comportam e se sentem na cidade.

3.1 A Associação dos deficientes físicos de Iporá ASDEF

Segundo informações prestadas pelo ex-presidente da ASDEF, Wanderlei Alves, a mesma foi fundada em 16 de março de 1985 sendo decretada municipal em 2/11/1985 pelo Conselho Municipal através da lei. 489/85 e decretada pública pela lei estadual 10.634 em 23 de março de 1986. Vale ressaltar que até os dias atuais esta foi à única associação desta natureza que existiu em Iporá. A ASDEF no momento encontra-se inativa, mas durante o seu período de atuação ofereceu grandes contribuições para o deficiente físico de Iporá, contribuições estas como cadeiras de rodas, muletas e acima de tudo apóia à dignidade.

Tudo originou a partir de reuniões do conselho da igreja católica, a mesma dava o maior apoio, sendo que a partir dessas reuniões surgiu a idéia de criar uma associação dos deficientes em Iporá (ASDEF), lembrando que o cursilho da igreja e responsável pela questão assistencial.

A associação surgiu devido à presença de deficiente físico na cidade, alguns

destes até membros da igreja, e também por não haver nenhuma associação desta

natureza, surgindo à idéia de apoiar uma associação.

A associação tinha o objetivo inserir os deficientes físicos na sociedade

iporaense. (A ASDEF se preocupava com todos os tipos de deficiências (auditiva, visual, mental e a deficiência física) - que envolvia também os cadeirantes).

Durante o período em que esteve ativa, ela chegou a ter 600 associados, os deficientes físicos representava 40% desse total, e os cadeirantes em torno de 10% a 15% destes 40%.

A ASDEF não tinha sede própria e funcionava nas casas das pessoas que

faziam parte de sua diretoria. A diretoria era composta por presidente, vice-presidente, secretaria e o tesoureiro. A associação era mantida por patrocínios que a própria

diretoria buscava junto à igreja católica. Os associados participavam ativamente das reuniões e eventos promovidos pela mesma. De acordo com ex-presidente, era muito difícil manter a associação em função da falta de apoio da sociedade e até mesmo da prefeitura. O mesmo afirmou ainda que com muita dificuldade e persistência, conseguiram ganhar um terreno da

prefeitura para construção da sede da ASDEF, mas devidos ás dificuldades financeiras enfrentadas pela associação não foi possível construir a sede. No ano de 1998 a ASDEF se tornou inativa, por falta de apoio financeiro e por dificuldades na própria gestão. Como afirma o ex-presidente a escritura do terreno encontra-se até hoje com ele, e ele faz todos os anos a declaração da associação junto à receita federal, pois a ASDEF existe apenas não esta ativa. De acordo com informações levantadas junto ao CREA-GO de Iporá, a funcionária Eliaine afirmou haver grande preocupação com acessibilidade urbana na cidade de Iporá, e o CREA-GO tem oferecido cursos de conscientização e capacitação profissional em todo estado de Goiás, a mesma afirma existir grande dificuldade em relação à prefeitura, sendo que as prefeituras municipais são as maiores responsáveis pela acessibilidade urbana na cidade, pois o CREA, pode apenas interferir na edificação em si, não podendo interferir na organização da cidade através do planejamento, citando as calçadas e etc. Existem dificuldades e falta de interesse dos gestores em relação a causa, pois por mais que os engenheiros estejam conscientes, os gestores são os principais responsáveis porque não basta apenas acessibilidade nas edificações em si ,há necessidade também das calçadas estarem no padrão que promova a acessibilidade. Todas as cidades com o porte de Iporá, necessitam possuir seu Código de Posturas municipal, sendo que este código objetiva a postura dentro do município. Através da observação do Código de Postura a prefeitura não pode aprovar o projeto de nenhuma edificação que não esteja dentro dos padrões de postura que a cidade necessita, ou seja, os padrões que esteja de acordo com a necessidade de todos os citadinos independente de suas limitações físicas. Iporá não possui esse código de postura, tanto que o próprio CREA desconhece a existência desse código de postura em Iporá, ressaltando ainda que as edificações que estão sendo feitas na cidade que contemplam a acessibilidade são por conscientização dos profissionais e não por influência da prefeitura. Segundo Eliaine, existe uma grande dificuldade em relação aos gestores municipais, a mesma afirma-se que esses gestores têm tentado resistir no que se trata acessibilidade em Iporá. O representante do CREA afirma que foi elaborado um projeto de parceria com a prefeitura para expansão da acessibilidade e fiscalização da mesma,

projeto este que será apresentado ao próximo gestor que administrará Iporá nos próximos quatro anos (gestão 2009 a 2012). De acordo com as informações prestadas pelo engenheiro da prefeitura Luiz O. a temática acessibilidade começou a trazer preocupações, para a cidade há 2 anos devido a lei estar no auge e especificamente por se tratar de lei que é cobrada dos profissionais da engenharia. Surgindo a partir daí preocupações no que diz respeito ao espaço acessível em Iporá. O mesmo afirmou ainda que todas as edificações feitas pela prefeitura e até mesmo as reformas todas elas contemplam a acessibilidade, tendo rampa, banheiros adaptados para o deficiente físico (cadeirantes) isso a partir de há dois anos atrás. Ele afirma estar sempre preocupado com a acessibilidade, pois muitas vezes conscientiza os gestores municipais da importância da mesma, e já mandou propostas nesse sentido, mas há uma grande dificuldade em Iporá, devido à cidade não ter o código de postura que é total iniciativa de gestores , pois só assim a situação melhoraria, sendo assim, haveria fiscalização e prefeitura fiscalizando poderia cobrar das pessoas envolvidas.

Ele nos relatou também que a questão das calçadas tem que ser iniciativa do gestor, pois ele como engenheiro só pode interferir na obra em si, e não no planejamento das calçadas, ele relata que as calçadas também têm que contemplar a acessibilidade.

O Engenheiro diz se sentir limitado, pois o que pode fazer é apenas

conscientizar e mostrar ao gestor a importância da acessibilidade em Iporá, não podendo interferir na gestão da cidade e fazer as edificações que são realizadas pela prefeitura de uma forma que contemple a acessibilidade.

A partir dos relatos e depoimentos de cadeirantes residentes em Iporá,

pudemos notar a grande dificuldade que os mesmos enfrentam em seu cotidiano. No geral, eles afirmam o grande problema da inacessibilidade em Iporá. Muitos dos cadeirantes disseram que quase não saem de casa, ou quando o fazem é nos momentos mesmo de grande necessidade; porém outros disseram sair com freqüência e que gostam de lazer.

Os cadeirantes levantaram o problema da utilização dos equipamentos públicos, pois existem lugares como bancos, agências lotéricas que são acessíveis, mas que as calçadas que dão acesso aos mesmos impedem o acesso a estes locais.

Outro problema sério é a falta de conscientização da sociedade iporaense,

pois é bastante comum observar que nos poucos lugares da cidade onde existem rampas que dão acesso aos estabelecimentos, estes na maioria das vezes não podem ser usados, por estarem obstruídos, pois as pessoas estacionam seus carros e motos nestes pontos impedindo que o cadeirante tenha acesso a determinados locais.

O cadeirante Sr. V.B.P. de 60 anos, afirma que até algum tempo atrás era

muito mais difícil de locomover; ele afirma que na atualidade tem melhorado, mas que

mesmo assim a cidade não oferece acessibilidade e por esse motivo só sai de casa quando realmente é necessário.

Os deficientes relataram não só o problema dos equipamentos de administração pública, mas também dos estabelecimentos comerciais (supermercados, farmácia e lojas), pois nestes é comum observar degraus que limitam a entrada dos estabelecimentos dificultando o acesso do cadeirante a estes locais.

A cadeirante M.D. de 40 anos nos conta que gosta de sair de casa, é

independente, mas encontra muitas dificuldades em locomover pela cidade. A mesma afirma que muitas vezes é barrada em determinados locais, mas sua ousadia não permite abaixar a cabeça, ao contrário se sente estimulada a lutar ainda mais pelos seus diretos e por sua dignidade de cidadã. Ela também questiona sobre as calçadas que dificulta ainda mais o acesso aos equipamentos públicos.

O jovem D.R.V. de 27 anos, relatou que gosta muito de sair de casa, gosta

da balada e não deixa a deficiência tirar sua alegria de viver. Para ele o maior problema

é a falta de conscientização da população e dos gestores municipais, ele afirma que a maior dificuldade são as calçadas que não são rebaixadas, o que dificulta o acesso aos estabelecimentos que contempla a acessibilidade. Ele fala também que alguns deficientes são acomodados, pois nem sempre lutam pelos seus direitos. Os cadeirantes no geral, afirmam que a cidade não contempla a acessibilidade urbana e que nos poucos estabelecimentos que são acessíveis, as condições das calçadas são precárias não permitindo o acesso aos mesmos. Eles reforçam que os gestores municipais não se preocupam muito com a situação e não oferecem projetos que apóia o deficiente físico na cidade de Iporá. Dos pontos que foram observados e mapeados que aparecem na Figura 2 apresentada, pode dizer que:

O Banco do Brasil, segundo os deficientes é totalmente acessível, por possuir rampas que permite o acesso do cadeirante, O mesmo tem portas largas que

facilita a entrada com a cadeira de roda, ressaltando aqui que o mesmo encontra-se em

reforma em sua parte externa, reforma que tem visado uma melhor acessibilidade, pois anteriormente o banco não oferecia solo tátil, para o deficiente visual o que esta sendo feito no presente momento,

O banco Bradesco é totalmente acessível, por possuir rampa de fácil acesso

o que facilita a entrada no banco, mas em função da calçada não ser rebaixada há dificuldade em chegar até agência.

A Caixa Econômica Federal é totalmente acessível, a calçada é rebaixada, a

porta é larga, lembrando que não há rampas, mas a calçada é acessível, o que permite o

cadeirante a exercer seus direitos de ir e vir.

Já o Banco Itaú, possui uma aparência de acessibilidade, oferecendo rampas

de acesso, barra de apoio e solo tátil, no entanto os deficientes afirmam que o mesmo não é acessível devido à rampa ser muito inclinada e não possibilitar ao cadeirante o

acesso dentro do banco, eles afirmam também que dentro do banco não há total acessibilidade.

O Posto de Saúde da Família P.S.F. é totalmente inacessível, sendo

impossível ao cadeirante adentrar neste espaço em função do enorme degrau na entrada

do P.S.F.

Os Correios, segundo os cadeirantes tornou-se acessível depois da reforma

que ocorreu durante este ano, sendo que o mesmo possui rampa que possibilita ao cadeirante ter acesso a esse espaço.

As lotéricas Campeãs da sorte são totalmente inacessíveis, devido o enorme

degrau existente. Já a bolão da sorte é totalmente acessível, oferecendo rampas de

acesso.

O Banco do povo, os cadeirantes afirmam que este é mais ou menos

acessível, pois mesmo com dificuldade conseguem usar a rampa. Outro equipamento citado pelos cadeirantes é o terminal rodoviário que não contempla nenhuma acessibilidade, pois não há como o cadeirante ter acesso a este espaço, devido estacionamento estar em situação deplorável como podemos ver na figura abaixo.

Figura 4. Entrada do Estacionamento do Terminal Rodoviário. Autora: ALMEIDA, E.M.F. Trabalho de Campo/ Outubro/2008

Figura 4. Entrada do Estacionamento do Terminal Rodoviário.

Autora: ALMEIDA, E.M.F. Trabalho de Campo/ Outubro/2008.

A única rampa que dá acesso ao terminal rodoviário é muito inclinada e impossibilita o cadeirante a ter acesso ao terminal de forma autônoma, na figura a seguir podemos visualizar a situação:

na figura a seguir podemos visualizar a situação: Figura 5. Única rampa existente é a que

Figura 5. Única rampa existente é a que dá acesso ao espaço da Rodoviária Autora: ALMEIDA, E.M.F. Trabalho de Campo/ Outubro/2008

Existem outros equipamentos que não estão localizados dentro da área delimitada para estudo, porém, não poderíamos deixar de apontar tendo em vista que foram bastante citados nas falas dos cadeirantes.

Um destes espaços é o Lago Pôr-do-sol, cartão postal da cidade e Iporá. Neste espaço recentemente foi edificada uma academia pública, que não oferece nada de acessibilidade devido a rampa ser muito inclinada e não permitir que o cadeirante usufrua da mesma e tenha acesso ao espaço como podemos ver na foto a seguir:

e tenha acesso ao espaço como podemos ver na foto a seguir: Figura 6. Academia Pública

Figura 6. Academia Pública do Lago pôr-do-sol. Autora: ALMEIDA, E.M.F. Trabalho de Campo/ Outubro/2008.

Autora: ALMEIDA, E.M.F. Trabalho de Campo/ Outubro/2008. Figura 7. A única rampa existente no local que

Figura 7. A única rampa existente no local que dá acesso à academia. Autora: ALMEIDA, E.M.F. Trabalho de Campo/ Outubro/2008.

Um outro ponto citado é o Hospital Municipal que possuía uma rampa de acesso muito íngrime, impedindo ao cadeirante ter acesso a esse espaço, e quando tinha era com bastantes dificuldades. Este prédio encontra-se no momento em reforma, e segundo o engenheiro responsável pela obra, à edificação se tornará totalmente acessível e que ate os banheiros serão adaptados, ou seja, após a reforma o hospital será totalmente acessível. Outro problema muito citado pelos cadeirantes em seus depoimentos foram as calçadas que encontra se em condições deploráveis impedindo os deficientes de ter acesso a determinados espaços.

os deficientes de ter acesso a determinados espaços. Figura 8. Calçada localizada na Avenida Esmerindo Pereira

Figura 8. Calçada localizada na Avenida Esmerindo Pereira centro urbano da cidade.

Autora: ALMEIDA, E.M.F. Trabalho de Campo/ Outubro/2008.

Figura 9. Calçada localizada na Avenida Esmerindo Pereira centro urbano da cidade. Autora: ALMEIDA, E.M.F.

Figura 9. Calçada localizada na Avenida Esmerindo Pereira centro urbano da cidade. Autora: ALMEIDA, E.M.F. Trabalho de Campo/ Outubro/2008.

Autora: ALMEIDA, E.M.F. Trabalho de Campo/ Outubro/2008. Figura 10. Calçada localizada na Avenida Esmerindo Pereira

Figura 10. Calçada localizada na Avenida Esmerindo Pereira centro urbano da cidade. Autora: ALMEIDA, E.M.F. Trabalho de Campo/ Outubro/2008.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O conceito de “direito a cidade” estabelecido pela constituição Federal de 1988, implica propostas que consolida a idéia de uma cidade inclusiva proporcionando acessibilidade ao deficiente físico, mas infelizmente esse direito a cidade nem sempre é respeitado.

Em Iporá não e diferente, no decorrer de nossa pesquisa pudemos perceber que a cidade caminha para uma cidade acessível, porém, ainda falta muita a ser feito, pois mesmo os estabelecimentos que contemplam a acessibilidade, as calçadas que lhes dão acesso não oportunizam tanta facilidade. Podemos observar durante a pesquisa um grande desinteresse por parte dos gestores municipais em relação à causa. É evidenciado o descumprimento da lei de acessibilidade no centro urbano de Iporá, pois as calçadas não são rebaixadas, impedindo o cadeirante de ter acesso aos poucos espaços que são acessíveis na cidade. Notamos também segundo os depoimentos que nos foram cedidos, que os únicos espaços que contemplam acessibilidade são por conscientização dos próprios profissionais da engenharia e não por interesse da prefeitura. Quanto às calçadas, é importante ressaltar que mesmo os engenheiros estando conscientes, eles por si só não podem interferir na obra em si, sendo que as calçadas são total responsabilidade e iniciativa dos gestores municipais, iniciativa essa que não acontece em Iporá. Observamos que se torna fundamental a conscientização e capacitação dos profissionais que planejam, a respeito da importância de conhecer, informar e atender a legislação vigente. Para que a acessibilidade seja de fato contemplada é necessária a elaboração de um Plano Diretor que contemple a acessibilidade e garanta a qualidade dessas ações, começando a planejar não só por estética, mas para beneficiar a todos que residem em Iporá.

A respeito das calçadas, talvez fosse viável que a prefeitura fizesse todas as calçadas de forma acessível, sendo que o serviço seria ressarcido a prefeitura juntamente com recolhimento do IPTU. Outra proposta nesse sentido seria a prefeitura fiscalizar e aplicar penalidades a quem não estiver dentro da conduta exigida.

Outro fator interessante que não podemos deixar de falar que é a conscientização da sociedade da importância de uma cidade acessível, lembrando que se a idéia da acessibilidade for absorvida pelos profissionais e população, teremos no futuro uma cidade acessível e todo equipamento adaptado, abrindo caminho para uma existência mais digna, respeitando as diferença de cada cidadão e ao mesmo tempo promovendo o “direito a cidade”. Por fim acreditamos ser de extrema necessidade que a prefeitura programe um Código de Postura em Iporá, que estabeleça parceria com CREA e comece a fiscalizar todas as edificações, cobrando dos envolvidos.

REFERÊNCIAS:

ALVES, Jackeline Silva. A Produção do Espaço Urbano e a Segregação Sócio Espacial em Iporá/GO, Iporá 2.008, artigo publicado no 1º encontro de Divulgação Científica do Oeste Goiano: a iniciação científica na formação do profissional; disponível UEG Iporá.

CARLOS, Ana Fani A. A cidade. São Paulo 1992

Dia Nacional da Luta da pessoa com Deficiência em Programa de TV. Disponível em www.sentidos.uol.com.br

GATJENS, Luiz Fernando Autorga. A situação das pessoas com deficiência na América latina (Tradução Sassak, Komeu Kazumi) Brasília, Brasil 2.007.

GOMES, Paulo César da Costa. A condição urbana: ensaios geopolíticos da cidade. 2ª ed. RJ. Betrande Brasil 2006

GOMIS, M.A. Uma Viagem de Pilões a Iporá. UEG, 1998.

LEFEBVRE, Henry. O Direito A Cidade. São Paulo: Centauro, 2001.

LIMA, Renato da Silva. Expansão Urbana e Acessibilidade: Caso das Cidades Médias Brasileiras. Dissertação (mestrado em engenharia de transportes) São Carlos, Universidade de São Paulo, 1998.

SANTOS, Miltom. A Urbanização Brasileira. 5ª ed. São Paulo: Edusp, 2005.

SASSAKI, Romeu. Como se chegou ao conceito de uma sociedade inclusa. Digitado

em SP, por Maria Amélia (Diretoria para Assuntos Internacionais) em 12 de Março de

2006.

SIQUEIRA, Cidinha. Cidade Acessível Democracia Plena. Guia de acessibilidade de Goiânia. Clonne 2.008.

Convenção da ONU classifica como discriminação a falta de acessibilidade para pessoas com deficiência. Disponível em www.direito2.com.br

IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) 2007

Lei de Acessibilidade lei de nº 10.098

NBR- 9050

Lei de nº 10.048

SOUZA, Marcelo Lopes de. Mudar a cidade: Uma Introdução Crítica Ao Planejamento E Gestão Urbanos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Betrand Brasil, 2003.