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Fundações Profundas

Aplicações numéricas

8. APLICAÇÕES NUMÉRICAS

Como complemento aos exercícios anteriormente incluídos nos capítulos anteriores, seguem- se algumas aplicações numéricas que se entendem pertinentes.

8.1. Exemplos de determinação da capacidade de carga em estacas

8.1.1. Cálculo da carga à rotura da estaca de betão armado

Cálculo da carga à rotura da estaca de betão armado da figura seguinte:

à rotura da estaca de betão armado da figura seguinte: Fig. VIII/1 – Cálculo da carga

Fig. VIII/1 – Cálculo da carga à rotura de uma estaca de betão armado.

Resolução:

1)

Q rot = Q p + Q lat - W

em que:

Q rot = carga de rotura da estaca;

Q p = carga de ponta

Q lat = carga por atrito lateral;

W = peso da estaca.

- Cap.VIII/1 -

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2)

Qp= A base . Qp

Para a determinação do valor da carga de ponta (Qp), podemos socorrer-nos de duas expressões, uma baseada na formulação teórica desenvolvida por Meyerhof (especialmente deduzida para estacas) e uma outra segundo Terzaghi (com aplicação mais apropriada em fundações superficiais)

Temos assim, segundo cada um destes autores:

Meyerhof

q p = c. Nc + q . Nq

Assume-se o seguinte desenvolvimento das linhas de rotura:

Assume-se o seguinte desenvolvimento das linhas de rotura: Fig. VIII/2 - Desenvolvimento das linhas de rotura

Fig. VIII/2 - Desenvolvimento das linhas de rotura (Meyerhof).

Terzaghi

q p = 1,3 . c . Nc + q . Nq

Assume-se o seguinte desenvolvimento das linhas de rotura:

Assume-se o seguinte desenvolvimento das linhas de rotura: Fig. VIII/3 - Desenvolvimento das linhas de rotura

Fig. VIII/3 - Desenvolvimento das linhas de rotura (Terzaghi).

Nc e Nq são factores de capacidade de carga;

c

é a coesão;

q

é a tensão no solo, ao nível da ponta da estaca.

- Cap.VIII/2 -

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3)

Q lat = ò 0 Df t 0 . Per dz

t 0 = ca + K . sv . tg d

em que:

ou

t 0 = ca + sh . tg d

ca – adesão;

K – coeficiente de impulso de terras

d - coeficiente de atrito solo – estrutura

Temos pois:

W = 0.25 2 x 13.5 x 25 = 21.1 KN

Q

lat 1 = Ú 0 3.5 30 x (4 x 0.25)

dz = 30 x 4 x 0.25 x 3.5 = 105 KN

Q

lat 2 = Ú 3.5 13.5 20 x (4 x 0.25)

dz = 20 x 4 x 0.25 x 10 = 200 KN

Q

lat

= Q lat 1 + Q lat 2 = 305 KN

Para o valor da carga de ponta (Q p ), atendendo a que a extremidade da estaca se encontra situada a uma profundidade de 10 m (> 4B=1.0m), no extracto de solo com influência na determinação daquela grandeza, podemos admitir o desenvolvimento das linhas de rotura segundo Meyerhof. E então, ter-se-à:

u = 0

Nc = 10 Ÿ Nq = 1

q

p = cu . Nc + q . Nq = 25 x 10 + q x 1

(Situação não drenada)

como

q

= 3.5 x 20 + 10 x 19 = 260 KPa,

q

p = 25 x 10 + 260 x 1 = 510 KPa

Q

p = A base . q p = 0.25 2 x 510 = 31.9 KN

Q

lat (305 KN) >> Q p (31.9 KN) Trata-se de uma Estaca Flutuante

- Cap.VIII/3 -

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Atendendo às grandezas dos deslocamentos necessários para que se mobilizem as resistências por atrito lateral (da ordem dos 5 a 10 mm) e de ponta (0.1B = 25 mm, para estacas cravadas e 0.3B = 75 mm, para estacas moldadas “in situ”), vai-se desprezar a contribuição do valor de Q p no cômputo final da Carga à rotura da estaca.

de Q p no cômputo final da Carga à rotura da estaca. \ Q r o

\ Q rot = Q p + Q lat - W =

@0

= 305 – 21.1 @ 284 KN

8.1.2. Cálculo da capacidade de carga da estaca de madeira

Determinar a capacidade de carga da estaca de madeira representada, sendo o peso específico da estaca ?=15 KN/m 3 .

sendo o peso específico da estaca ?=15 KN/m 3 . Fig. VIII/4 - Capacidade de carga

Fig. VIII/4 - Capacidade de carga de uma estaca de madeira.

Resolução:

1) Q rot = Q p + Q lat - W

2) Q p = A base . q p

3)

Q lat = ò 0 Df t 0 . Per dz

- Cap.VIII/4 -

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t 0 = ca + K . sv . tg d

ou

t 0 = ca + sh . tg d

W = P x 0.20 2 / 4 x 9.00 x 15 = 4.24 KN

Neste caso, temos a ponta da estaca na fronteira entre dois extractos de solo de características diferentes. Por este motivo é preferível utilizarmos a formulação de Terzaghi, para a determinação da carga de ponta.

Vamos no entanto e, por uma questão meramente académica, resolver o exercício pelas duas vias, para assim podermos ver qual o procedimento a seguir, na hipótese de querermos utilizar a teoria de Meyerhof.

Assim:

   

-

Segundo Terzaghi:

- Segundo Meyerhof:

 

’ = 35

Nc

; Nq = 41

 

’ = 25 (toma-se o mais desfavorável

   

dos dois ’, ou então o valor

médio)

 
 

’ = 25

Nc

; Nq = 36

 

q’ = 4.5 x 17.5 + 4.5 x (19.2 – 10) =

= 120.15 KPa

 

q

=0 p = 1,3 . c’ . Nc + q’ . Nq

=0

p = 1,3 . c’ . Nc + q’ . Nq

=0

=0 q p = c’ . Nc + q’ . Nq

q p = c’ . Nc + q’ . Nq

 

= q’ . Nq

 

=

q’ . Nq

= 120.15 x 41

= 120.15 x 36

 

= 4926.15 KPa

 

=

4325.4 KPa

- Cap.VIII/5 -

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Q p = A base . q p =

P x 0.15 2 / 4

= x 4926.15

= 87.05 KN

Q p = A base . q p =

= P x 0.15 2 / 4

= 76.44 KN

x 4325.4

Vê-se que, neste caso, a utilização da formulação de Meyerhof conduz-nos a um valor mais conservador do que o resultante da aplicação da teoria de Terzaghi.

Vamos pois, como já atrás tínhamos indicado, adoptar o valor dado por Terzaghi.

Q lat = ò 0 Df t 0 . Per dz

c’ = 0 ca’ = 0

=0

0 D f t 0 . Per dz c’ = 0 fi ca’ = 0 =0

t 0 = ca + K . sv . tg d

estaca cravada de madeira

K = 1.5

d = 2/3 ’ = 16.7

Para a camada de solo 1, tem-se:

t 01 = K . sv . tg d = 1.5 x 39.38 x tg 16.7 =

= 17.72 KPa

Q lat1 = Ú 0 4.5 t 0 . Per

dz = 17.72 x ( P x 0.225 ) x 4.5 =

= 56.36 KN

0.25 0.225 0.175 0.15
0.25
0.225
0.175
0.15

t 02 = K . sv . tg d = 1.5 x 99.38 x tg 16.7 = 44.72 KPa

- Cap.VIII/6 -

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Q lat2 = Ú 4.5 9.0 t 0 . Per dz = 44.72 x ( P x 0.175 ) x 4.5 = 110.64 KN

Q lat = Q lat1 + Q lat2 = 56.36 + 110.64 = 167.00 KN

\ Q rot = Q p + Q lat - W =

= 87.05 + 167.00 – 4.24 @ 250 kN

Nota: Se pretendêssemos determinar o valor da carga admissível, em função da carga de rotura determinada e, pela utilização de um factor de segurança (que, para o caso de actuação apenas de cargas verticais, é usual considerar com o valor 3), faríamos:

Q adm = Q rot / F s

8.1.3. Cálculo da carga à rotura de uma estaca de betão armado, com atrito negativo

Determinar a carga à rotura da seguinte estaca de betão armado:

a carga à rotura da seguinte estaca de betão armado: Fig. VIII/5 - Carga à rotura

Fig. VIII/5 - Carga à rotura de uma estaca de betão armado.

- Cap.VIII/7 -

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Considerando o aterro recente e com “cu”= 0.

Resolução:

Como o aterro é recente, a argila ainda está em fase de consolidação, o que vai originar a formação do seguinte mecanismo de funcionamento (atrito negativo):

do seguinte mecanismo de funcionamento (atrito negativo): Fig.VIII/6 - Mecanismo de funcionamento de uma estaca

Fig.VIII/6 - Mecanismo de funcionamento de uma estaca (atrito negativo)

Notas:

O atrito negativo surge sempre que se tem um solo argiloso em consolidação;

Um solo com um cu = 10 KPa é péssimo (quase que poderíamos afirmar que, se o sujeitarmos a uma ligeira vibração ele se liquefaz), pelo que não é lícito considerar a configuração de rotura de Meyerhof (no exemplo em estudo), pois esta argila não conseguiria resistir praticamente nada;

Devemos, sempre que possível, tentar cravar as estacas no terreno resistente, de um valor mínimo igual a 4D (D = diâmetro, ou menor dimensão da estaca), para assim ser possível mobilizar uma maior capacidade de carga (podendo ao mesmo tempo utilizar a teoria de Meyerhof).

1) Q rot = Q p - Q lat - W

de Meyerhof). 1) Q r o t = Q p - Q l a t -

devido ao atrito negativo

2) Q p = A base . q p

- Cap.VIII/8 -

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No caso em estudo e, atendendo a todas as razões já apontadas, vamos ter que aplicar a formulação de Terzaghi.

3)

Q lat = ò 0 Df t 0 . Per

dz

t 0 = ca + K . sv . tg d

Temos pois:

ou

t 0 = ca + sh . tg d

W = P x 0.50 2 / 4 x 27.00 x 25 = 132.54 KN

3)

Para o aterro virá:

Estaca em betão

K = 1.0

e

d’ = 3/4 ’ = 22.5

Solo solto

c’ = 0 ca’ = 0

sv :

sv (z=2.0m) = 19.0 x 2.0 = 38 KPa

t 01 = ca + K . sv . tg d

= 0 + 1.0 x 19 x tg 22.5 =

= 7.87 KPa

`

- Cap.VIII/9 -

38 KPa t 0 1 = ca + K . s ’ v . tg d

19 KPa

38 KPa

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Q lat1 = ò 0 Df t 0 . Per dz

= Ú 0 2.0 7.87 x 1.57 dz =

= 7.87 x 1.57 x 2.0 =

= 24.71 KN

Para a camada de argila virá:

Estaca em betão

e

Solo argiloso

u = 0

fi d u = 0

cu < 50 KPa ca = 0,8 . cu = 8 KPa

fi d u = 0 cu < 50 KPa fi ca = 0,8 . cu =

t 02 = ca + sh . tg du

= 0

= 8 + 0 =

= 8 KPa

Q lat2 = ò 0 Df t 0 . Per dz

= Ú 2 27 8 x 1.57 dz =

= 8 x 1.57 x 25 =

= 314.00 KN

Q lat = Q lat (aterro) + Q lat (argila) =

= 24.71 + 314.00 =

= 338.71 KN

- Cap.VIII/10 -

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2) Segundo Terzaghi:

f’ = 35

Nc

; Nq = 41

q p = 1,3 . c’ . Nc + q’ . Nq

= q’ . Nq

; Nq = 41 q p = 1,3 . c’ . Nc + q’ . Nq

=0

= [19 x 2.0 + (18 – 10) x 25.0 ] x 41

= 9 758 KPa

Q p = A base . q p

= P x 0.5 2 / 4 x 9 758 =

= 1915.98 KN

\ 1) Q rot = Q p - Q lat - W

= 1915.98 - 338.71 - 132.54 =

@ 1445 KN

Q adm = Q rot / F s

= 1445 / 3 =

Nota:

@ 481 KN

Por vezes, em situações de evidente ocorrência de “atrito negativo”, é frequente, a fim de o minimizar, envolver as estacas com produtos asfálticos.

- Cap.VIII/11 -

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8.1.4. Cálculo da capacidade de carga de um Grupo de Estacas

Para um agrupamento de estacas, deve-se verificar a condição:

Afastamento entre estacas 3 ou 4

3 ou 4
3 ou 4

Para um agrupamento de estacas, deve-se sempre verificar a segurança do grupo (como

um todo) e do somatório de cada uma das estacas consideradas individualmente, tomando-se depois o valor mais desfavorável.

1)

2)

Temos que fazer as seguintes duas verificações:

Q grupo = å Q estacas ;

Q grupo = Q p (grupo) + Q lat (grupo) + W (grupo)

Exemplo

Na figura seguinte representa-se uma fundação composta por um maciço de encabeçamento

composto por 6 estacas de betão armado cravadas, tendo cada uma secção quadrada com 30

cm de lado e 20 m de comprimento.

- Cap.VIII/12 -

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Fundações Profundas Aplicações numéricas Fig. VIII/7 - Fundação com maciço de encabeçamento de um grupo

Fig. VIII/7 - Fundação com maciço de encabeçamento de um grupo composto por seis estacas de betão armado cravadas

Considerando a actuação das seguintes acções:

Peso próprio (superestrutura, incluindo o maciço de encabeçamento)

Sobrecarga

Vento

N

= 800 KN

N = 300 KN

N = 100 KN

M

= 100 KNm

M = 50 KNm

M = 300 KNm

Verifique a segurança, utilizando a metodologia do Eurocódigo n.º 7 (EC7).

(Os valores dos parâmetros de resistência apresentados, são os característicos)

Resolução:

I) Estados limites últimos (ELU)

apresentados, são os característicos) Resolução: I) Estados limites últimos (ELU) rotura : - Cap.VIII/13 -

rotura:

- Cap.VIII/13 -

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Caso B:

g g = 1.35

 

g q = 1.5

g m = 1.0

Sobrecarga:

Y 0 = 0.4

Vento:

Y

1 = 0.3

Y

2 = 0.2

Combinação de acções:

Comb. 1:

Acção variável de base – Sobrecarga:0.3 Y 2 = 0.2 Combinação de acções: Comb. 1 : S d = g g

S d =

g g S g + g q (S q + Y 0w S w )

W estaca = 0.3 2 x (21 – 1.0) x 25 = 45 KN

N g = (800 + 6 x 45) = 1070 KN

(21 – 1.0) x 25 = 45 KN N g = (800 + 6 x 45)

peso da superestrutura

Y 0 = 0.4

Y 1 = 0.2

Y 2 = 0

N sd = 1.35 x 1070 + 1.5 x (300 + 0.4 x 100) = 1954.5 KN

M sd = 1.35 x 100 + 1.5 x (50 + 0.4 x 300) = 390 KNm

Comb. 2:

Acção variável de base – Vento:= 1.35 x 100 + 1.5 x (50 + 0.4 x 300) = 390 KNm Comb.

S d =

g g S g

+ g q (S w + Y 0q S q )

N sd = 1.35 x 1070 + 1.5 x (100 + 0.4 x 300) = 1774.5 KN

M sd = 1.35 x 100 + 1.5 x (300 + 0.4 x 50) = 615 KNm

- Cap.VIII/14 -

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Como não se pode concluir, desde já, qual das duas combinações é a mais desfavorável, teremos que efectuar a verificação para as duas situações:

Comb. 1:

1.30 N 1 N 1
1.30
N 1
N 1
para as duas situações: Comb. 1 : 1.30 N 1 N 1 A B N 1

A

B

N 1 = binário de forças equivalente à actuação do momento M

N sd(A) = 1954.5 / 6 + N 1 / 3 = 1954.5 / 6 + (390 / 1.3) / 3 = 425.8 KN

N sd(B) = 1954.5 / 6 - N 1 / 3 = 1954.5 / 6 - (390 / 1.3) / 3 = 225.8 KN

Comb. 2:

N sd(A) = 1774.5 / 6 + N 1 / 3 = 1774.5 / 6 + (615 / 1.3) / 3 = 453.4 KN

N sd(B) = 1774.5 / 6 - N 1 / 3 = 1774.5 / 6 - (615 / 1.3) / 3 = 138.1 KN

\ N sd = 453.4 KN

(pois que, de todos é o mais desfavorável)

Temos, agora, que fazer duas verificações: Uma para cada estaca isoladamente e, outra para o conjunto das seis estacas.

- Cap.VIII/15 -

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Então:

1)

Verificação isolada:

u calc = Cu / g m = 4.0 / 1.0 = 40 Kpa

Ca = 0.8 Cu = 0.8 x 40 = 32 KPa

m = 4.0 / 1.0 = 40 Kpa Ca = 0.8 Cu = 0.8 x 40

(tira-se da tabela)

Nota:

Embora tenhamos uma argila, só vamos fazer o estudo “a curto prazo” (situação não drenada), por não dispormos de parâmetros para o estudo “a longo prazo” (situação drenada).

para o estudo “a longo prazo” (situação drenada). u = 0 fi d = 0 Q

u = 0 fi d = 0

Q lat = Ú 1 21 t 0 . Per dz = 0 t 0
Q lat = Ú 1 21
t 0 . Per
dz
= 0
t 0 = ca + s’ h . tg d = 32 Kpa

(ensaio não drenado)

Q lat = Ú 1 21 32 x (4 x 0.30) dz = 768 KN

Como o comprimento do fuste é de 20 m e 4B = 1.20 m, podemos utilizar a teoria de Meyerhof e, então:

- Cap.VIII/16 -

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u = 0

Nc = 10

Nq = 1

Q p = A base . q p

q p = cu . Nc + q . Nq

q p = 40 x 10 + 18 x 21 x 1 = 778 KPa

Q p = A base . q p = 0.30 2 x 778 = 70.02 KN

(como a ponta da estaca está no mesmo estrato que todo o fuste e, atendendo às diferenças de

deslocamentos necessários para mobilizar a Q p e a Q lat , vamos considerar Q p @ 0 )

vindo, então:

Q Rd = Q p + Q lat -

no cálculo de N sd , aquando da tipificação das acções.)

(o peso, à luz do EC7, é uma acção e, portanto já o considerámos

= 0 Q Rd = Q p + Q lat =
= 0
Q Rd = Q p + Q lat =

= 768 KN > N sd (= 453.4 KN) fi $ segurança

2)

Verificação em grupo:

s d (= 453.4 KN) fi $ segurança 2) Verificação em grupo: Fig. VIII/ 8 –

Fig. VIII/ 8 – Verificação em grupo

- Cap.VIII/17 -

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Aplicações numéricas

solo - solo Ca = Cu = 40 KPa

Aplicações numéricas solo - solo fi Ca = Cu = 40 KPa t 0 = 40

t 0 = 40 KPa

Q lat(1) = Ú 1 21

40 x (2 x 1.0 + 4 x 0.8)

dz = 4 160 KN

solo-estaca Ca = 0.8 Cu = 32 KPa

x 0.8) dz = 4 160 KN solo-estaca fi Ca = 0.8 Cu = 32 KPa

t 0 = 32 KPa

Q lat(2) = Ú 1 21 32 x (10 x 0.3)

dz = 1 920 KN

Q Rd = Q lat(1) + Q lat(2) = 6 080 KN > N sd (Combinação 1) (= 1 954.5 KN) fi $ segurança

Teríamos agora que fazer as mesmas verificações para o caso C do EC7. Vamos só anotar alguns valores:

Caso B:

g g = 1.0

g q = 1.5

g m (Cu) = 1.4 Cu calc = 28.6 KPa

Comb. 1:

Acção variável de base – Sobrecarga: :

N sd = 1580 KN

M sd = 355 KNm

\ N sd (máx.) = 354.4 KN

Comb. 2:

Acção variável de base – Vento: :

N sd = 1550 KN

M sd = 580 KNm

\ N sd (máx.) = 407.1 KN

- Cap.VIII/18 -

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1)

Verificação isolada:

Q Rd = Q lat = 549.9 KN > N sd (máx.) (= 407.1 KN) fi $ segurança

2)

Verificação em grupo:

Q Rd = 4 348.4 KN > N sd (Combinação 1) (= 1 580 KN) fi $ segurança

II) Estados limites de utilização (ELUt)

$ segurança II) Estados limites de utilização (ELUt) deformação : Combinações raras: S d = S

deformação:

Combinações raras:

S d = S g + S q1 + Y 1 S q2

Comb. 1:

Acção variável de base – Sobrecarga: :

N sd = (800 + 6 x 45) + 300 + 0.2 x 100 = 1 390 KN

Comb. 2:

Acção variável de base – Vento: :

N sd = (800 + 6 x 45) + 100 + 0.3 x 300 = 1 260 KN

Notas:

assentamento é calculado para uma fundação equivalente, localizada a 1/3 da altura das estacas, que se considera estar solicitada pela mesma carga e possuir uma área igual à da envolvente do grupo de estacas.

(vertical:horizontal).

Para

o

cálculo

das

tensões,

considera-se

uma

degradação

de

cargas

de

2:1

Para solos incoerentes considera-se: DH = DH i

Para solos coerentes (argilosos) considera-se: DH = DH i + DH c.p

Em que:

DH i = assentamento imediato;

DH c.p = assentamento por consolidação primária.

- Cap.VIII/19 -

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Fundações Profundas Aplicações numéricas Fig. VIII/9 – Determinação de assentamentos No nosso caso, visto

Fig. VIII/9 – Determinação de assentamentos

No nosso caso, visto estarmos em presença de um solo coerente, teremos então:

DH = DH i + DH c.p

(B

+ Z) = 1.6 + 2 x Z / 2 = 1.6 + Z

(L

+ Z) = 2.5 + Z

q 0 = 1390 / (1.6 x 2.5) = 347.5 KPa

Ds Z = N sd / [(B+Z).(L+Z)]

Ds Z = 0.1 x q 0

1390 / [(1.6+Z).(2.5+Z)] = 0.1 x 347.5

Z = 4.3 m @ 5.0 m

fi Ds Z = N sd / [(B+Z).(L+Z)] = 1390 / [(1.6+2.5).(2.5+2.5)] = 67.8 KPa

- Cap.VIII/20 -

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Cálculo do DH:

DH (1/4) = q 0 x B’ x (1-N 2 ) / Em [ I 1 + (1 – 2N) / (1 – N) x I 2 ] x I F

) / Em [ I 1 + (1 – 2N) / (1 – N) x I

H/B =

I 1 = 0.688

L/B = 1.56

I 2 = 0

L/B = 1.56 (@ 1)

 

N = 0.5

I F @ 0.54

D/B = 14 / 1.6 = 8.8

DH (1/4) = 347.5 x 0.80 x (1 – 0.5 2 ) / 50 E3 x (0.688 + 0) x 0.54 @ 0.00155 m

fi DH i = 4 x DH (1/4) = 4 x 0.00155 = 0.0062 m = 6.2 mm

Cálculo do DH c.p :

DH c.p = H x m v x Ds

= 5.0 x 0.001 x 67.8

= 0.339 m

\ DH = DH i + DH c.p @ 35 cm >

DH limite

D H c . p @ 35 cm > D H l i m i t

$ seg

Ter-se-ia que reformular as dimensões das estacas ou, do grupo de estacas a utilizar.

- Cap.VIII/21 -

Fundações Profundas

Aplicações numéricas

Fundações Profundas Aplicações numéricas Fig. VIII/10 – Factores de capacidade de carga em função do ângulo

Fig. VIII/10 – Factores de capacidade de carga em função do ângulo de atrito.

- Cap.VIII/22 -

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Aplicações numéricas

Fundações Profundas Aplicações numéricas Fig. VIII/ 11 – Factores de capacidade de carga – Fundação directa

Fig. VIII/ 11 – Factores de capacidade de carga – Fundação directa superficial e rugosa segundo Terzaghi.

( D

f

£

B

)

- Cap.VIII/23 -

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Fundações Profundas Aplicações numéricas Fig. VIII/12 – Factor de capacidade de carga em estacas segundo

Fig. VIII/12 – Factor de capacidade de carga em estacas segundo Meyerhof.

- Cap.VIII/24 -

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8.1.4.1. Parâmetros para o cálculo da resistência lateral de uma estaca

AREIAS:

(Só para estacas cravadas)

(K; d)

TIPO DE ESTACA

 

K

d

Solos soltos

Solos densos

Metálica

0.5

1.0

20º

Betão

1.0

2.0

3/4

Madeira

1.5

4.0

2/3

D r =

( e máx – e ) / ( e máx – e mín )

ARGILAS:

(Meyerhof)

D r < 33% solto ou pouco compacto

33% < D r < 66% média compacidade

D r > 66% denso

K =

1.5 K 0 – Estacas cravadas

0.75 K 0 – Estacas moldadas

(Adesão : Ca)

TIPO DE ESTACA

Cu < 50 KPa

Cu > 50 KPa

Metálica

0.5

Cu

20

KPa

Betão

0.8

Cu

30

KPa

Madeira

1.0

Cu

50

KPa

Valores médios do deslocamento para a mobilização da máxima resistência

Resistência por:

 

Deslocamento necessário

Atrito lateral

 

5 a 10 mm

Ponta

0.1

D – para estacas cravadas

0.3 D – para estacas moldadas “in situ”

em que:

D = diâmetro da estaca

- Cap.VIII/25 -

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8.1.5. Determinação da Capacidade de carga em estacas pré-fabricadas e cravadas – Fórmulas Dinâmicas:

Existem várias expressões, relacionando diversos parâmetros, com vista à determinação da capacidade de carga de estacas pré-fabricadas e cravadas.

A relação básica que preside, no essencial, a todas elas, pode ser descrita como:

Energia aplicada = Energia útil + Energia perdida

ou seja:

P m x H = R d x e + perdas

em que:

P m = peso do martelo (ou pilão);

H = altura efectiva de queda do martelo;

R

d = resistência dinâmica;

e

= nega (quantidade de estaca que penetra no terreno, por cada pancada do pilão)

NOTA:

Em obra, a nega (da ordem de grandeza de 1 a 2 mm por pancada), é habitualmente convertida para um conjunto de, normalmente, 10 pancadas.

De entre as várias expressões que pretendem traduzir esta relação, destacamos as seguintes:

Sanders:

Q u = W x H / s

Engineering News:

Q u = 166.64 x E / (s + 2.54)

- Cap.VIII/26 -

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Boston Building code:

Q

u = 141.64 x E / (s + 2.54 x ( W p / W r ) 1/2 )

 

com:

Q

u = capacidade de carga em KN;

E

= energia por pancada em KNm;

s

= penetração média, em mm, por pancada para os 150 mm finais da cravação;

W

p = peso da estaca;

W

r = peso do pilão (mínimo permitido W p / W r = 1.0).

Referiremos ainda as equações de:

Hiley, normalmente conhecida como:

R u = ( Whh) / (s + c / 2)

que também pode ser escrita da seguinte forma:

R u = [ 2mWhh + (ms) 2 ] 1/2 – ms

com m = R u ’ / c

onde:

R u = resistência última a ser vencida pela cravação;

W = peso do martelo;

h = altura efectiva de queda do martelo, (= K x altura efectiva de queda livre do martelo);

h = eficiência do golpe do martelo, que é função do coeficiente de restituição e da relação P /

W

(onde P = peso da estaca + capacete + coxim, etc.), e é igual à razão entre a energia depois

do

impacto e a energia de impacto do martelo;

s

= nega, ou penetração da estaca por golpe;

c

= compressão total temporária = c c + c p + c q , em que.

C

c = compressão temporária do coxim, capacete,

;

- Cap.VIII/27 -

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C p = compressão temporária da estaca;

C q = compressão temporária ou compressão elástica do solo durante a cravação da estaca.

Herkules, conhecida como:

com:

P = (QhK)/e

P

= carga admissível;

Q

= peso do martelo;

h

= altura de queda;

e

= penetração para os últimos 50 golpes;

K = 1.2 para queda livre, 1.0 para martelos de simples efeito e 0.7 para martelos de duplo efeito.

Vamos exemplificar a aplicação das fórmulas dinâmicas, resolvendo um exercício com o recurso à fórmula de Hiley.

O procedimento para a utilização desta fórmula, na forma da raiz quadrada, deve ser:

1.

Adoptar um valor para a resistência última de cravação R u ;

2.

Utilizar este valor para determinar o valor total de m (para a fórmula de determinação de

c);

3.

Determinar Whh;

4.

Calcular R u , mas, se o resultado diferir do valor adoptado para R u , repetir o processo até

ser alcançada a igualdade, que poderá ser considerada razoável, quando os dois valores forem da mesma ordem de grandeza.

Exemplo:

Uma estaca tem uma secção transversal de 400 x 400 mm e comprimento de 22 m.

- Cap.VIII/28 -

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Esta estaca deve ser cravada através de camadas variáveis, até uma camada espessa de pedregulho para uma nega final de 2.5 mm / golpe, utilizando um martelo de acção simples de 30 KN. A altura de queda do martelo é 1.5 m.

Qual é o valor da resistência última de cravação R u , se na estaca é utilizado coxim e

protector de madeira, cujo peso produz uma força de 5.4 KN (martelo de acção simples K

= 0.9).

Resolução:

Força produzida pelo peso da estaca

= 0.4 x 0.4 x 22 x 25 = 88.0 KN

Força produzida pelo coxim e protector de madeira

= 5.4 KN

å = 93.4 KN

P

/ W = 93.4 / 30 = 3.1, quando e = 0.25 e h = 0.3 (do ábaco);

h

= 0.9 x 1.5 = 1.35 m = 1350 mm;

Adoptemos R u = 1000 KN

Virá então:

R u / A = 1000 / ( 0.40 x 0.40) = 6250 KPa = 6.25 N / mm 2

- Cap.VIII/29 -

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Fundações Profundas Aplicações numéricas Fig. VIII/13 - Coeficientes para uso da fórmula de Hiley. Desprezível Do

Fig. VIII/13 - Coeficientes para uso da fórmula de Hiley.

Desprezível

Do ábaco tiram-se:

c c

= 2.2 mm ;

c p = 7.9 mm ; c q = 2.3 mm

e, portanto c = c c + c p + c q = 12.4 mm

- Cap.VIII/30 -

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R u = ( Whh) / (s + c / 2) = (30 x 1350 x 0.3) / (2.5 + 12.4 / 2) =

= 1396.6 KN

Como este valor difere do valor que arbitrámos para R u ’, vamos arbitrar novo valor e recorrendo a um processo iterativo, fazer nova verificação:

Seja R u = 1200 KN

R u / A = 1200 / ( 0.40 x 0.40) = 7500 KPa = 7.5 N / mm 2

Do ábaco tiram-se:

c c

= 2.8 mm ;

c p = 9.5 mm ; c q = 2.85 mm

e,

portanto c = c c + c p + c q = 15.15 mm

e,

assim, tem-se:

R u = ( Whh) / (s + c / 2) = (30 x 1350 x 0.3) / (2.5 + 15.15 / 2) @

@ 1206 KN

(o que já, por si, não difere muito com o valor de R u ’ arbitrado)

para o valor de m, teremos:

m = R u ’ / c = 1206 / 15.15 = 79.6

R u = [ 2mWhh + (ms) 2 ] 1/2 – ms =

= [ 2 x 79.6 x 30 x 1350 x 0.3 + (79.6 x 2.5) 2 ] 1/2 – 79.6 x 2.5 =

@ 1206 KN

Minorando o valor de R u através de um factor de segurança de 1.5, obtemos a carga admissível da estaca, que será então:

R s = 1206 / 1.5 = 804 KN

- Cap.VIII/31 -

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8.1.6. Dimensionamento da armadura das estacas pré-fabricadas e cravadas

O dimensionamento da armadura de uma estaca pré-fabricada e cravada é condicionado pela

operação de levantamento e transporte, tendo em consideração o seu peso próprio acrescido de uma quantidade (a que alguns autores chamam de “factor de impacto”) que pretende traduzir os esforços originados pela suspensão da estaca com uma grua. Considera-se para este factor de impacto um coeficiente de 100%. Assim, a acção actuante, para o dimensionamento da armadura deste tipo de estacas, é igual ao dobro do seu peso próprio.

EXEMPLO:

Adoptando dois pontos de levantamento, de modo a que o momento flector seja mínimo, consideremos a estaca de 22 m de fuste e com uma secção de 0.40x0.40m, do exemplo

anterior.

Para que haja uma semelhança entre os valores absolutos dos momentos negativos e positivos, irá considerar-se a colocação dos pontos de suspensão da estaca, de tal forma que cada ponto diste das extremidades 4.55 m, sendo portanto a distância entre estes mesmos pontos de 12.9

m.

portanto a distância entre estes mesmos pontos de 12.9 m. Tem-se, então: p.p. = 25 x

Tem-se, então:

p.p. = 25 x 0.40 x 0.40 = 4.0 KN / m

q = 4.0 x 2 = 8.0 KN / m

M

sd - = 1.5 x 8.0 x 4.55 2 / 2 = 124.2 KNm

M

sd + = -124.2 + 1.5 x 8.0 x 12.9 2 / 8 = 125.4 KNm

- Cap.VIII/32 -

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O

momento flector de dimensionamento será então: M sd = 125.4 KNm

O

esforço transverso de dimensionamento será: V sd = 77.4 KN

Se considerarmos a utilização de um aço da classe A 400 NR e um betão da classe B25,

teremos:

b = 0.40 m; h = 0.40 m; d = 0.35 m (considerando um recobrimento de 5 cm)

A s = 12.28 cm 2 8 16

(= 3 16 / face)

A sw = armadura mínima = 4.0 cm 2 / m (s £ 0.19 m)

8 // 0.15 m.

mínima = 4.0 cm 2 / m (s £ 0.19 m) fi 8 // 0.15 m.

Fig. VIII/14 – Armadura da estaca

O afastamento dos varões da armadura transversal foi determinado considerando-os como

cintas de pilares: af. longitudinal).

(sendo o menor dos diâmetros dos varões da armadura

£ 12

Dever-se-à fazer agora a verificação da capacidade resistente à compressão simples da estaca, com a armadura considerada e tomada como se de um pilar se tratasse.

Tem-se então:

N Rd = 0.85 f cd A c + f syd A s =

= 0.85 x 13.3 E-1 x 40 x 40 + 348 E-1 x 16.10 =

= 2369 KN

- Cap.VIII/33 -

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Considerando um g f = 1.5, obtém-se para o valor da carga normal de serviço:

P = 2369 / 1.5 = 1579 KN

Podemos pois, comparando com o valor da carga admissível da estaca do exemplo anterior (o das fórmulas dinâmicas, em que se tinha obtido R s = 804 KN), verificar que a armadura assim dimensionada é suficiente.

Pode-se concluir, portanto, que o dimensionamento deste tipo de estaca está, como já se havia referido, condicionado às operações de levantamento e transporte.

8.1.7. Dimensionamento da armadura das estacas moldadas “in situ”:

Para o dimensionamento estrutural de uma estaca moldada “in situ” tem, normalmente, apenas que se considerar a garantia das percentagens mínimas de armadura, pois que aqui não se colocam os problemas do transporte e manuseio, que se verificam no caso das estacas pré- fabricadas e cravadas.

EXEMPLO:

Dimensionemos a armadura para a estaca moldada “in situ”, do exemplo n.º 6.1.1., considerando a utilização de aço da classe A 400 NR e betão da classe B 25 :

Resolução:

Secção quadrada igual a 0.25 x 0.25 m.

Armadura longitudinal mínima (considerando que estamos a tratar de um pilar) = 0.6% x 25

x 25 = 3.75 cm 2

A s = 3.75 cm 2 4 12

A sw = armadura transversal mínima = 6 // 0.10 m

N Rd = 0.85 f cd A c + f syd A s =

= 0.85 x 13.3 E-1 x 25 2 + 348 E-1 x 4.52 =

= 863.9 KN

- Cap.VIII/34 -

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Considerando um g f = 1.5, obtém-se para o valor da carga normal de serviço:

P = 863.9 / 1.5 = 575.9 KN

Comparando com o valor da carga à rotura da estaca do exemplo em questão (em que se tinha obtido R rot = 284 KN), verifica-se que a armadura assim dimensionada é suficiente.

verifica-se que a armadura assim dimensionada é suficiente. Fig. VIII/15 – Armadura da estaca NOTA: Normalmente

Fig. VIII/15 – Armadura da estaca

NOTA:

Normalmente as estacas moldadas “in situ” mais usuais, são de secção circular, tendo a armadura transversal disposta em forma de hélice. O raciocínio seria, no entanto, em tudo idêntico ao apresentado neste exemplo, tendo apenas que se respeitar as disposições

construtivas relativas a pilares de secção circular (A smín =6 10, neste caso).

8.2. Exemplo do cálculo de um poço de fundação

Seja uma parede de 50 cm de espessura, transmitindo ao solo 80 KN de carga por metro. A distância (eixo a eixo) dos poços é de 4.0 m.

O terreno pode suportar 0.30 MPa .

A profundidade a que se situa o solo resistente é de 4.0 m.

Resolução:

Distribuição das cargas:

Peso da parede (nos 4.00m de comprimento): P = 4.0 x 80 = 320 KN

- Cap.VIII/35 -

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Peso do poço de área S e altura H = 4.0 m:

P’ = SH x 24= 96 S

O terreno suporta 300 KPa

Logo:

320 + 96 S = 300 S S @1.57 m 2 Diâmetro do poço = (4 x 1.57 / P) 1/2 = 1.41 m

Diâmetro do poço = 1.45 m

NOTAS SOBRE O CÁLCULO DOS POÇOS:

- É usual desprezar-se o atrito lateral do terreno com as paredes dos poços. Alguns autores

consideram-no, parcialmente, e admitem-no suficiente para equilibrar o peso do poço, ficando assim, apenas por resolver a carga actuante no topo;

- Em certos terrenos, o atrito lateral será mesmo suficiente para equilibrar a totalidade do peso do poço e da acção actuante no topo.

NOTA SOBRE O ENCHIMENTO DOS POÇOS:

- O enchimento é normalmente executado em betão, às vezes ciclópico, para poços de grandes dimensões, sendo dispensado o recurso a qualquer tipo de armadura.

- Cap.VIII/36 -