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DOSSIÊ TÉCNICO

DOSSIÊ TÉCNICO Figura 2 – Farmácia de manipulação Fonte: (FARMÁCIA DE MANIPULAÇÃO GALENICA, 2011) 2 OBJETIVO

Figura 2 Farmácia de manipulação Fonte: (FARMÁCIA DE MANIPULAÇÃO GALENICA, 2011)

2 OBJETIVO

Este dossiê visa oferecer informações sobre o Gerenciamento de Resíduos em farmácias com manipulação mediante os aspectos da legislação vigente, desde o momento de sua geração até sua destinação final visando minimizar o impacto ambiental e aumentar a segurança do trabalhador, bem como garantir a qualidade sanitária dos produtos farmacêuticos.

3 ASPECTOS LEGAIS

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei Nº 12.305, de 02 de

agosto de 2010 está regulamentada e dispõe sobre a gestão integrada e o gerenciamento dos resíduos sólidos, determinando as responsabilidades do poder público, dos geradores e aos instrumentos econômicos aplicados (BRASIL, 2010).

Mais do que suprir lacuna legislativa sobre o assunto, essa política altera o modelo de gerenciamento existente, introduzindo conceitos como a diferenciação entre resíduos e rejeitos, a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e a logística reversa, impondo novas obrigações e formas de cooperação entre o poder público e o setor privado (PEDRO, 2011).

Até a criação da PNRS a gestão adequada de resíduos, considerando o uso eficiente de recursos naturais, visando reduzir e prevenir a poluição, proteger e recuperar a qualidade do meio ambiente e da saúde pública, seguia os preceitos da Política Nacional de Meio Ambiente da Lei Nº 6.938, de 1981(Adaptado de FIRJAN, 2006).

A Lei Nº 9.605 de 1998, Lei de Crimes Ambientais, dispôs a nível federal, sobre a

especificação e sanções aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, o que engloba o gerenciamento inadequado de resíduos sólidos. As multas previstas podem chegar a R$ 50 milhões e as penas de reclusão de cinco anos (FIRJAN, 2006).

3.1 Responsabilidade civil decorrente de danos ao meio ambiente

O parágrafo 3º, do art. 225, da Constituição Federal de 1988 estabeleceu que (BRASIL,

1988):

] [

infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,

independentemente da obrigação de reparar os danos causados (BRASIL,

1988).

As condutas e atividades lesivas ao meio ambiente sujeitarão aos

Esta norma constitucional que se destacou no capítulo referente ao meio ambiente, iniciou as responsabilidades nas esferas administrativas, civil e criminal das pessoas físicas e

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Gerenciamento de resíduos em farmácia com manipulação

jurídicas, pois determinadas condutas podem configurar um crime ou contravenção penal,

evoluindo ainda no sentido de atribuir a mesma importância tanto ao ressarcimento quanto

à reparação (GUSMÃO, 2011).

Isso significa que a gestão inadequada de resíduos pode levar seus responsáveis ao pagamento de multas e a sanções penais (prisão, por exemplo) e administrativas. Além disso, o dano causado ao meio ambiente, como poluição de corpos hídricos, contaminação de lençol freático e danos à saúde, devem ser reparados pelos responsáveis pelos resíduos (FIRJAN, 2006).

A reparação do dano, na maioria dos casos, é muito mais complicada tecnicamente e

envolve muito mais recursos financeiros do que a prevenção, isto é, do que os investimentos técnico-financeiros na gestão adequada de resíduos (FIRJAN, 2006).

4 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS

4.1 Resíduos sólidos

Os resíduos sólidos conforme a classificação da NBR 10.004 (ABNT, 2004), são:

Resíduos que no estado sólido ou [semissólido], que resultam de atividades da comunidade de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d'água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis, em face à melhor tecnologia disponível (ABNT, 2004).

A NBR 10.004 da ABNT (2004) tem como objetivo classificar os resíduos sólidos quanto

aos seus riscos em potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, para que possam ser gerenciados adequadamente. O quadro I apresenta esta classificação:

adequadamente. O quadro I apresenta esta classificação: Quadro I – Classificação dos resíduos Fonte: NBR

Quadro I Classificação dos resíduos Fonte: NBR 10.004 (2004)

4.2 Resíduos sólidos de saúde

Resíduo Sólido de Serviço de Saúde ou RSS, por definição, é o resíduo resultante de atividades exercidas por estabelecimento gerador que, por suas características, necessitam de processos diferenciados no manejo, exigindo ou não tratamento prévio para a disposição final (CUSSIOL, 2008).

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Conforme a RDC Nº 306, de 7 de dezembro de 2004 da ANVISA, as farmácias com manipulação estão enquadradas como geradores de RSS:

] [

animal, inclusive os serviços de assistência domiciliar e de trabalhos de campo; laboratórios analíticos para produtos de saúde; necrotérios, funerárias e serviços onde se realizem atividades de embalsamento; serviços de medicina legal; drogarias e farmácias inclusive as de manipulação; estabelecimentos de ensino e pesquisa na área de saúde; centros de controle de zoonoses; distribuidores de produtos farmacêuticos, importadores, distribuidores e produtores de materiais e controles para diagnóstico in vitro; unidades móveis de atendimento à saúde, serviços de acupuntura; serviços de tatuagem, dentre outros similares (BRASIL, 2004).

Todos os serviços relacionados com o atendimento à saúde humana ou

Os RSS são classificados em cinco grupos, de acordo com a característica principal do resíduo e potencial de risco, conforme as resoluções Nº 306/2004 da ANVISA e Nº 358/2005 do CONAMA. O quadro 2 apresenta a classificação dos RSS:

do CONAMA. O quadro 2 apresenta a classificação dos RSS: Quadro 2 – Classificação dos resíduos

Quadro 2 Classificação dos resíduos sólidos de saúde Fonte: (ANVISA, 2004; CONAMA, 2005)

Em uma farmácia com manipulação o controle de produção e administração dos estoques deve ser bem planejado, a fim de diminuir os resíduos gerados e evitar os desperdícios (MELO, 2009).

O Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) é uma ferramenta eficaz para minimizar a quantidade de resíduos gerados e proporcionar o encaminhamento seguro, de forma eficiente, visando a proteção dos trabalhadores, a preservação da saúde pública, dos recursos naturais e do meio ambiente Leitão (2007 apud MELO, 2009).

Um PGRSS em farmácias com manipulação deve assegurar a gestão dos resíduos adequadamente, desde a geração até a disposição final, contemplando as seguintes etapas:

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Classificação; Manejo; Segregação; Acondicionamento; Identificação; Transporte; Armazenamento; Tratamento; Coleta; e Disposição final.

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