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1 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – SEED/MEC UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE PROGRAMA DE FORMAÇÃO

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – SEED/MEC UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

RITA DE CASSIA ANTUNES

MÍDIAS VERSUS BULLYING:

CONSTRUÇÃO COLETIVA DE UMA CULTURA DE PAZ

Santa Cecília, 2010

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RITA DE CASSIA ANTUNES

MÍDIAS VERSUS BULLYING:

CONSTRUÇÃO COLETIVA DE UMA CULTURA DE PAZ

Monografia apresentada ao Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação, da Universidade Federal do Rio Grande, como requisito para a obtenção do Título de Especialista em Mídias na Educação. Orientadora: Marise Xavier Gonçalves

Santa Cecília, 2010

obtenção do Título de Especialista em Mídias na Educação. Orientadora: Marise Xavier Gonçalves Santa Cecília, 2010

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Folha aprovação

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Ao meu marido José Alcemir e minha filha, Sofia Catherine.

AGRADECIMENTOS

4 Ao meu marido José Alcemir e minha filha, Sofia Catherine. AGRADECIMENTOS

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- Há tantos a agradecer, por tanto se dedicarem a

mim, não somente por terem ensinado, mas por terem me ensinado a refletir. A palavra mestre, nunca fará justiça aos professores dedicados, aos quais, sem nominar terão meu eterno agradecimento.

- A Minha Família, que nos momentos de minha

ausência dedicados ao estudo, sempre fizeram entender que o futuro é feito a partir da constante dedicação no presente.

- Aos meus amigos e amigas, colegas de trabalho,

minha segunda família, que fortaleceram os laços da igualdade, num ambiente fraterno e respeitoso. Jamais lhes esquecerei.

- Por final, Àquele, que me permitiu tudo isso, ao

longo de toda a minha vida, e não somente nestes anos como estudante. A você, meu DEUS, obrigada. Reconheço cada vez mais em todos os meus momentos, que você é o maior Mestre que uma pessoa pode conhecer e reconhecer!

Reconheço cada vez mais em todos os meus momentos, que você é o maior Mestre que

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6 Ama-se mais o que se conquista com esforço. Benjamin Disraeli

Ama-se mais o que se conquista com esforço. Benjamin Disraeli

RESUMO

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RESUMO 7 O presente trabalho monográfico apresenta uma discussão acerca do uso de mídias na educação,

O presente trabalho monográfico apresenta uma discussão acerca do uso de mídias na educação, com enfoque direcionado às tecnologias disponíveis na escola, interagindo com o tema Bullying, como instrumento forte no trabalho de se criar, na escola, uma cultura de paz. Vários autores dão sustentação a este trabalho, destacando aqui a presença de Vygotsky, Almeida e Moran. A importância de um projeto trabalhado no coletivo fica evidente durante toda a leitura, demonstrando que, quando há a participação da comunidade escolar, os resultados podem ser surpreendentes.

Palavras chave: Bullying; Mídias; Prevenção à violência.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1- imagem do blog da escola

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Figura 2 - História em quadrinhos: “O Patinho Feio”

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Figura 3 - Charge: Respeito

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Figura 4 - Charge

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Figura 5 - Charge: “O Passarinho Perdido”, retratando o tema solidariedade

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Figura 6 – Material produzido pelos alunos

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Você gostou do filme “O Som do Coração”, que assistimos usando o vídeo e o aparelho multimídia?

Gráfico 2 – Você sabe o que significa a palavra “bullying”?

Gráfico 3 – Você já presenciou (viu) algum ato de violência na sua escola?

Gráfico 4 – Você já sofreu algum tipo de violência na escola?

Gráfico 5 – Se sofreu violência, que tipo de violência você foi vítima?

Gráfico 6 – Antes da participação neste projeto, você já havia utilizado os computadores da escola?

Gráfico 7 – Você gostaria que os professores trabalhassem mais com os alunos no laboratório de informática, usando os computadores e a internet?

SUMÁRIO

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1. INTRODUÇÃO

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11

 

Objetivos

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Objetivo geral

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Objetivos específicos

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Justificativa

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2.

REFERENCIAL TEÓRICO

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2.1. O USO DAS MÍDIAS NA ESCOLA

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2.1.1. Linguagens e a escola: busca pela aprendizagem

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2.1.2. Tecnologias aplicadas à educação na visão de alguns autores

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2.1.3. Mídia Eletrônica: o blog

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2.1.4. Mídia Televisão

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2.2. PROCURANDO ENTENDER A CULTURA PARA ENTENDER A

CULTURA DE PAZ

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3. METODOLOGIA

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4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

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4.1. O Blog

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4.2. A TV e o Vídeo

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4.3. Mídia Impressa

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4.4. Mudanças de Atitudes

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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

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6. REFERÊNCIAS

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APÊNDICES

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APÊNDICE 1- Autorização para desenvolver o projeto na escola

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APÊNDICE 2- Termo de consentimento livre e esclarecido

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APÊNDICE 3- Autorização do professor

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APÊNDICE 4- Questionário aos alunos

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1. INTRODUÇÃO

APÊNDICE 4- Questionário aos alunos 53 1. INTRODUÇÃO Bullying é uma palavra de origem inglesa, adotada

Bullying é uma palavra de origem inglesa, adotada em muitos países

para definir o desejo consciente e deliberado de maltratar outra pessoa e

colocá-la sob tensão. Também é um termo que conceitua os comportamentos

agressivos e antissociais. Em inglês, refere-se à atitude de um bully (valentão).

O bullying é um fenômeno mundial tão antigo quanto a própria escola.

Fante (2005 apud NOVA ESCOLA, 2008), afirma que esse termo é utilizado

para “descrever atos de violência física ou psicológica contra alguém em

desvantagem de poder, sem motivação aparente e que causa dor e humilhação

a quem sofre. É uma das formas de violência que mais cresce no mundo”. O

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bullying pode acontecer em diversos ambientes, como escolas, universidades, famílias, entre vizinhos e também nos locais de trabalho. Num primeiro momento, pode parecer uma brincadeira sem graça, passando a ser rotineiro, a seguir, nos diversos ambientes. Um apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa. Crianças e adolescentes que passam constantemente por humilhações ou são motivos de chacotas pelos colegas da escola podem ter queda no rendimento escolar, transformar o sofrimento em doenças psicossomáticas e sofrer algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade. Ainda Fante, na mesma obra, comenta: “se observa, também, uma mudança de comportamento. As vítimas ficam isoladas, se tornam agressivas e reclamam de alguma dor física, justamente na hora de ir para a escola”. As testemunhas também acabam sofrendo com os fatos, pois tem medo de represálias e isso gera insegurança nas mesmas; acabam omitindo o que viram, com receio de que, em seguida, sejam elas mesmas o alvo dos agressores, passando a conviver com essa rotina que, aos poucos, vai parecendo normal dentro da escola. O bullying, de fato, sempre existiu. O que ocorre é que, com a influência da televisão e da internet, os apelidos pejorativos foram tomando maiores proporções. “O fato de ter consequências trágicas, como mortes e suicídios, além da falta de impunidade, proporcionaram a necessidade de se discutir de forma mais séria o tema” (SCHELB, 2007 apud NOVA ESCOLA, 2008). Ansiedade, baixa autoestima, depressão, abandono dos estudos, aparecem como características bem comuns entre suas vítimas. Muitas vezes, o bullying é uma prática de exclusão social cujos alvos costumam ser as pessoas retraídas e inseguras e isso acaba, por vezes, fazendo com que não peça ajuda, ficando à mercê dos valentões da escola. Além de traços psicológicos específicos, as vítimas desse tipo de agressão apresentam algumas particularidades em comum: obesidade, baixa estatura, deficiência física. As agressões podem ainda abordar aspectos culturais, étnicos e religiosos. “Também pode acontecer com um novato ou uma menina bonita, que acaba sendo perseguida pelas colegas” (SCHELB, 2007 apud NOVA ESCOLA, 2008).

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Normalmente quem pratica este tipo de violência são justamente os alunos que se acham líderes da turma ou da escola, os “mais populares”, aqueles que gostam de colocar apelidos nos jovens mais frágeis. O que se observa é que estes alunos, que gostam de chamar atenção para si e fazem este tipo de brincadeira, de forma rotineira, também precisam de ajuda psicológica, pois poderão desenvolver atitudes que, na idade adulta, comprometerão mais fortemente seu modo de ser e agir, às vezes apresentando um comportamento de assediador moral no trabalho e, pior ainda, utilizando-se de violência e adotando atitudes delinquentes ou

criminosas. Abramovay (2009), em reportagem cedida à revista Época, cita que As mulheres passaram a participar de forma ativa nas gangues, a ter

é uma reprodução do que aconteceu na sociedade: a

participação social da mulher aumentou em todos os campos, inclusive dentro

estudantes que se unem por alguma questão de intolerância

ou rebeldia, mas com apenas alguns elementos de gangues, porque estudantes têm atração por essa ideia”. Sejam meninos, meninas, todos são vítimas em potencial e a sociedade precisa ocupar-se de diretrizes e ações concretas para mobilizar as comunidades, tanto escolares como da sociedade civil organizada, procurando alternativas para combater este mal que cresce dia a dia no cotidiano do entorno escolar. O objetivo principal deste trabalho monográfico foi, então, criar um blog para a Escola de Educação Básica EEB. Profª Dilma Grimes Evaristo para, através dele, discutir e concretizar ações no combate aos problemas causados pelo bullying escolar. Esse blog passou a servir como um espaço informativo e de troca de informações entre a comunidade escolar. Para complementar esse objetivo, foram elaborados programas e ações, na escola, voltados para a promoção de uma cultura de paz, eventos esses que foram divulgados através da Rádio Serrana FM (rádio comunitária) como uma forma de criar espaços de reflexão sobre bullying escolar, junto à população de Santa Cecília, no Estado de Santa Catarina - SC.

das gangues

mais presença

são

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JUSTIFICATIVA

A necessidade de apresentar uma monografia, como um dos requisitos para obtenção do título de especialista no curso “Mídias na Educação”, onde o tema pesquisado devia, obrigatoriamente, envolver o uso das mídias, foi um dos fatores incentivadores para o desenvolvimento desse projeto, no qual propus a criação de um espaço onde se pudesse refletir sobre os danos causados pelo bullying escolar. Percebe-se que, apesar de ser um problema sério, existente em todas as escolas e motivo de muitas evasões, pouco se comenta sobre ele. Os profissionais da EEB. Profª Dilma Grimes Evaristo, da Cidade de Santa Cecília, interior de SC, em conversas informais, solicitaram ajuda no sentido de combater os índices de violência na escola e no seu entorno, pois os atos de vandalismo e atitudes agressivas estavam prejudicando muito o desenvolvimento dos trabalhos com os alunos. Quando detectada essa prática dentro da escola, os profissionais precisam estar suficientemente instrumentalizados e fortalecidos para tentar conter, de imediato, o bullying, encaminhando o aluno para o serviço de apoio psicológico ou pedagógico existente na escola ou nos serviços de saúde da cidade, inclusive propondo ao grupo de alunos, se possível, alternativas para que sejam superados estes problemas e todos passem a adotar estratégias diferentes de ensino. Depois de várias reflexões, decidi assumir o desafio de ajudar o grupo e parti, então, para o desenvolvimento do blog e, a partir da criação deste, desencadeamos várias ações dentro e fora da escola, visando o resgate de valores éticos e morais e o desenvolvimento de uma cultura de paz.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. O USO DAS MÍDIAS NA ESCOLA

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2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1. O USO DAS MÍDIAS NA ESCOLA 15 Nos espaços que nos cercam

Nos espaços que nos cercam e nos quais estamos inseridos cotidianamente, temos a presença de várias mídias, entre elas o rádio, o material impresso, a TV e o vídeo e, ainda, a informática, mídias essas que, no âmbito escolar, podem vir a contribuir sobremaneira no processo de ensino aprendizagem de uma forma dinâmica e inovadora. Abordarei, a seguir, o uso das mídias em geral e o uso das mídias na escola, como forma de otimizar o ensino e a aprendizagem.

2.1.1. Linguagens e a escola: busca pela aprendizagem

A sociedade é marcada pela utilização da linguagem visual, escrita e multimídia, linguagens estas que são utilizadas pela maioria das mídias que conhecemos. A linguagem visual, manifestada através de textos ou imagens, se apresenta diariamente quando nos deslocamos para o trabalho, para a escola, para fazer compras, ir ao banco, etc., ou seja, nas inúmeras ocupações cotidianas nos deparamos com o mundo da escrita e da imagem. As principais linguagens utilizadas pelos meios de comunicação são a escrita e imagem. As imagens, em especial, são muito exploradas por apresentarem elementos emotivos fortes: cores, formas, expressões e evocações imediatas que conseguem captar a atenção de cada um de nós. Também se constitui em um excelente recurso para sistematizar elementos de apresentação em outras linguagens, o que nos permite uma gama maior de interpretações e reinterpretações. As imagens podem ser trabalhadas de formas diferenciadas, dependendo do recurso tecnológico utilizado. A imagem de uma foto, por ser imóvel, recorta um fato e o isola de seu contexto. Dessa forma, uma única imagem pode ser aproveitada como material pedagógico dentro de várias temáticas. Ao contrário disso, as imagens em movimento estão inseridas num contexto do qual não podem ser desvinculadas, pois retratam as

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particularidades da situação ou do fato que apresentam. (PENTEADO, 1991 apud SARTORI et al, 2002, p. 65). Toda imagem é uma produção cultural, contribuindo para a significação ideológica de uma determinada época, mesmo quando essa ideologia é contestada. Assim, por trás das grandes cadeias de produção – jornal, publicidade, propaganda, computação, revista, cinema, televisão – estão sempre os interesses pessoais, políticos e econômicos de uma sociedade, e esses fatos não podem ser ignorados pelo sistema educacional. Neste contexto, aparece a linguagem multimídia, que é a integração de textos, sons e imagens de uma forma não estática. Essa linguagem é encontrada no CD-ROM, na Internet e na realidade virtual, sendo sua criação atrelada ao surgimento do computador. Segundo Greenfield (1988, p. 108),

Ao contrário da palavra escrita, o rádio tem dinamismo auditivo; pode apresentar o som em tempo real, com todas suas qualidades dinâmicas. A TV e o cinema acrescentam a qualidade do dinamismo visual. Entretanto, não são nem interativos nem programáveis. O computador baseia-se no dinamismo da TV, mas reúne estas duas qualidades.

Nessa linguagem multimídia, a relação entre emissor e receptor não é estática e passiva, ao contrário, permite a participação ativa do receptor (mesmo que essa participação já esteja previamente definida pelos programadores). Enquanto na televisão e no rádio, a programação já vem pronta e a mensagem é unidirecional, os computadores possibilitam a interferência do usuário de forma bidirecional. Apesar de ser conhecida pelos professores e pelos alunos, a linguagem multimídia é pouco utilizada na escola, que tende a assumir uma postura de indiferença e resistência em relação ao seu uso em sala de aula, mesmo ciente da presença das várias linguagens em nosso universo cultural. As crianças de hoje são constantemente desafiadas a fazer a leitura dessas novas tecnologias, deslocando o interesse dos textos escritos para outros que utilizam os aspectos sonoros e visuais, ou a combinação desses elementos com as formas verbais. É premente, então, que a escola se utilize dos recursos e identifique, junto com seus alunos, a subjetividade presente nas mensagens e informações veiculadas, que nem sempre se mostram explícitas.

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Mesmo quando as pessoas estão familiarizadas com as linguagens, o

professor deverá focar o lúdico e incitar o imaginário dos alunos. A utilização e construção de um blog, por exemplo, pode permitir aos alunos, nos dias atuais, uma discussão, com linguagem coloquial, um pouco diferente do que cultua a norma culta, fazendo com que interajam e discutam assuntos e informações que são de seus interesses. É crescente a utilização deste meio eletrônico e virtual, em sala de aula ou fora dela, servindo tanto como material de discussão de conteúdos das disciplinas, de temáticas específicas ou de grupos de afinidade. A interatividade não é meramente um produto da tecnicidade informática. Diferentes estudos têm se preocupado em demonstrar as possibilidades de interação em ambientes educacionais on-line, estabelecendo relações entre o ambiente e o usuário, o papel do professor, o papel do aluno e os fatores psicopedagógicos. A noção de educação para as mídias abrange todas as maneiras de

estudar, de aprender e de ensinar em todos os níveis [

e em todas as

circunstâncias, a história, a utilização, a criação e avaliação das mídias, enquanto artes plásticas e técnicas, bem como o lugar que elas ocupam na sociedade, seu impacto social, as implicações da comunicação midiatizada, a participação e a modificação do modo de percepção que elas engendram, o papel do trabalho criador e o acesso às mídias (BELLONI, 2001, p. 12). Educar, para as mídias, implica em percebê-las além das práticas meramente instrumentais de manipulação das mesmas, caracterizado pelo tecnicismo redutor e acrítico. Por outro lado, praticar uma educação para as mídias só é possível, como reconhece Belloni (2001, p. 13), através de um “salto qualitativo na formação de professores, uma mudança efetiva no sentido de superar o caráter redutor na utilização da tecnologia educacional, sem perder suas contribuições, para chegar à comunicação educacional”.

]

A chegada das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC)

na escola evidencia desafios e problemas relacionados aos espaços

e aos tempos que o uso das tecnologias novas e convencionais

provoca nas práticas que ocorrem no cotidiano da escola pública. Para entendê-los e superá-los, é fundamental reconhecer as potencialidades das tecnologias disponíveis e a realidade em que a escola se encontra inserida, identificando as características do trabalho pedagógico que nela se realiza, seu corpo docente e discente, de sua comunidade interna e externa. Esse reconhecimento

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favorece a incorporação de diferentes tecnologias (computador, internet, TV e vídeo, etc.) na escola e na prática pedagógica e a outras atividades escolares nas situações em que possam trazer contribuições significativas (ALMEIDA e MORAN, 2005).

A utilização das mídias e da informática na educação pode ampliar a capacidade de pensar e compreender. Educadores e escola têm que olhar para as tecnologias como ampliadoras da capacidade de pensar do homem; têm que saber lidar com estas novas metodologias, pois essas tecnologias constituem um desafio a todos os educadores e a todo sistema educacional. A escola deve ser um ambiente rico em recursos que possibilitem ao aluno a construção de seu conhecimento, seguindo seu estilo individual de aprendizagem. O professor, para contar com as TICs, não deve ser um mero transmissor de conhecimentos e, sim, um guia, um parceiro do aluno na busca e na interpretação crítica de informações. Segundo Demo (2006, p. 19),

Vivemos um momento de transformação, tendo em vista as mudanças introduzidas pelas TICs. Há uma necessidade de um novo modelo de educação. O computador ajuda o aluno a transformar informação em conhecimento, proporcionando o desenvolvimento da inteligência individual e coletiva, conduzindo a sua aprendizagem, podendo estabelecer relações entre os assuntos e a realidade que os cerca. Assim a interação da informática com a educação provoca uma mudança na abordagem pedagógica vigente.

2.1.2. Tecnologias aplicadas à educação na visão de alguns autores

Vários são os autores que tratam sobre o uso das tecnologias na educação. Freire (1993, p. 9), já dizia: “ninguém educa ninguém, como, tampouco, ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, midiatizados pelo mundo”. Nesta linha de pensamento, busco associar ideias de outros autores e, focada na citação de Freire, destaco a midiatização do mundo externo, que vai facilitar a ocorrência do processo de construção subjetiva do conhecimento; sendo assim, penso que as tecnologias, como ferramentas midiáticas, podem contribuir neste processo. Para buscar conhecimento, através destas mediações instrumentais que são materializadas nas tecnologias, Lévy (1993, p. 7), ressalta que:

Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, o trabalho e a própria inteligência dependem na verdade, da

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metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos.

O autor destaca, ainda, a análise sociotécnica, em que considera a técnica como construção social, afirmando que: “na escala de uma vida humana os agenciamentos sociotécnicos constituíam um fundo sobre o qual se sucediam os acontecimentos políticos, militares ou científicos. Ainda:

Tudo começou a mudar com a revolução industrial, mas apesar das análises de Marx e alguns outros, o segredo permaneceu bem guardado. O século XX só elaborou reflexões profundas sobre motores e máquinas operatrizes, enquanto que a química, os avanços da impressão, a mecanografia, os novos meios de comunicação e de transporte, a iluminação elétrica transformavam a forma de viver dos europeus e desestabilizavam os outros mundos. O ruído dos aplausos ao progresso cobria as queixas dos perdedores e mascarava o silêncio do pensar (LÉVY, 1993, p. 4).

Percebe-se, na citação acima, o quanto as técnicas estiveram e estão intimamente ligadas a formação da organização social, bem como os sistemas sociotécnicos estiveram presentes ao longo da história da humanidade.

2.1.3. Mídia eletrônica: o blog

O blog foi a ferramenta da mídia informática escolhida para trabalhar o bullying, neste trabalho. Para Barros (2005),

Os blogs representam uma excelente oportunidade para educadores promoverem a alfabetização através de narrativas e diálogos. As

características dos blogs, como o espaço personalizado que fornece

e os links dentro de uma comunidade on-line, criam um excelente

contexto de comunicação mediada por computador para expressão individual e interações colaborativas, no formato de narrativas e diálogos.

Já Bull (2003), acrescenta que “este espaço virtual, ao apresentar espaços limitados, obriga os estudantes a condensarem seus textos e demonstrarem como pensam, enquanto trabalham como leitores e escritores”. Hewitt (2007, p. 21) também enriquece os conhecimentos acerca dos blogs comentando que

A blogosfera está evoluindo a um ritmo inacreditavelmente acelerado,

abocanhando bom número de leitores, mas ainda há excelentes oportunidades entre centenas de milhões que precisam olhar além da

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TV para perceber que há um acesso mais rápido, mais específico,

mais emocionalmente satisfatório à informação [

está a caminho, mas já aconteceu. A informação está sendo absorvida de formas novas e inacreditavelmente diferentes a partir de fontes novas e até recentemente desconhecidas. (HEWITT, 2007, p.

A mudança não

]

25).

Franco (2005), em trabalho apresentado no XVI Simpósio Brasileiro de Informática na Educação, em 2005, acrescenta que as falas de Bull e Hewitt apontam para a importância dos blogs, pois

Estimulam o compartilhamento de comunicação interativa e o imediatismo, pois tão logo se publica algo em um blog, ele aparece na rede, o que inicia o sistema de comentários e respostas e, ainda, a participação ativa, já que o blog proporciona a oportunidade de discutir temas de sala de aula, complementando-os, pensando sobre o assunto e respondendo, o que induz uma maior participação de todos os estudantes. Os espaços de escrita eletrônica podem ampliar a motivação e ensinar habilidades do mundo real, como a narração de histórias, que os alunos passam a dominar como narrablogs, o que oferece aos estudantes a possibilidade de verificar como trabalham os escritores e sendo, também, uma forma menos exigente para que os alunos se empenhem na criação de textos.

Um autor, também de renome no cenário das comunidades científicas, que aborda sobre as tecnologias na educação é Valente (1998), ao tratar sobre o uso do computador, apresenta a seguinte citação:

Quando o educando reflete sobre o que foi produzido pelo computador, por exemplo, se seus comandos foram corretos ou não, se a máquina conseguir realizar a operação que lhe foi solicitada, ele está refletindo sobre determinado conceito envolvido na solução de um problema, ou nas estratégicas para sua resolução (VALENTE, 1998, p. 10).

Nesta ótica, o autor vê o quanto a tecnologia poderá ajudar os alunos a desenvolverem formas de raciocínio, que possam auxiliar na construção do conhecimento, resolução de situações do cotidiano, podendo tornarem ágeis, lógicos, flexíveis e cooperadores. O que buscamos, enquanto professores, é trabalhar com nossos alunos num processo de colaboração, onde estes tenham o seu tempo adequado para a aprendizagem e, nessa diversidade de tempos e ritmos diferentes, valemo- nos da interação entre os mesmos para que acorra, de fato, um processo de apropriação do conhecimento. Segundo Vigotsky, apud Fernandes et al (1981, p. 11),

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A natureza social da aprendizagem reflete o fato de que muitas aprendizagens ocorrem em grupos. Compartilhar a aprendizagem com outros pode se algo estimulante e enriquecedor. Os processos psicológicos superiores, tais como a representação simbólica, são processos de natureza dialógica, cuja construção se dá através do jogo de relações semióticas, propiciado pelos agentes da cultura e pelos produtos culturais, em particular, a linguagem.

O blog, nesse contexto, torna-se uma das formas de aprendizagem coletiva, construída dia a dia pelos professores e alunos. A exemplo de outras escolas, que também utilizaram e utilizam o blog, este passou a fazer parte da EEB. Profª Dilma Grimes Evaristo com grande sucesso. Sigo, então, com a análise do uso das mídias na escola, enfocando um pouco o uso da TV e vídeo no processo ensino aprendizagem.

2.1.4. Mídia Televisão

Entre os meios de comunicação de massa, o que tem o maior público é a televisão, basta olhar uma cidade do alto de um prédio para observar a quantidade de antenas de TV nos telhados. Sua presença é “quase obrigatória” nos lares. Eco (1997, p. 363), filósofo contemporâneo, lembra que

Uma educação através da imagem tem sido típica de toda sociedade absolutista e paternalista do Antigo Egito à Idade Média. A imagem é o resumo visível e indiscutível de uma série de conclusões a que se chegou através da elaboração cultural e a elaboração cultural que se vale da palavra transmitida por escrito e apanágio da elite dirigente, ao passo que a imagem final é construída para a massa submetida. Nesse sentido, têm razão os maniqueus: há na comunicação pela imagem algo de radicalmente limitado, de insuperavelmente reacionário. E, no entanto, não se pode rejeitar a riqueza de impressões e descobertas que, em toda a história da civilização, os discursos por imagens deram ao homem.

Na verdade, a televisão não é boa nem má. O bem e o mal são pontos de vista e o seu uso precisa ser analisado dentro de cada contexto. A maneira como a TV é utilizada pode fazer com que seja um instrumento de aprendizagem ou de alienação, por exemplo. Como acontece com qualquer outro meio de comunicação, o que aparece na televisão já não é perfeitamente a realidade, mas um relato, uma representação dessa realidade, segundo algum ponto de vista, seja do diretor de programação, do emissor da notícia ou

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de qualquer outro elemento ou pessoa que possa interferir quanto à maneira de se ver e de se transmitir a mensagem. Essas interferências, na realidade, também são causadas por recursos e características da transmissão, tais como o enquadramento de imagens, o texto e a música que acompanham a cena, além das paisagens, que muitas vezes são cenários montados, o que abre possibilidades até para se inventar um determinado clima ou sensação. A programação televisiva transforma seus programas de qualquer natureza em espetáculos de grande eficácia, algumas vezes até de forma cética, o que chama atenção, atrai e prende o olhar. De acordo com Nunes (1998, p. 63),

Uma reflexão sobre televisão educativa é tentar, através da televisão como um meio de apoio para o ensino, mostrar caminhos possíveis para a solução de problemas por demais complexos. Um problema se refere ao fato que estes programas são gravados e emitidos a pontos diferentes, ou seja, lugares e estados diferentes, só que a linguagem e os exemplos utilizados são os mesmos. Nós não conhecemos o público consumidor dos produtos educativos. Toda a estrutura de um programa televisivo segue a mesma estrutura rígida que o professor recebe e dá em classe.

Assim, acredita-se que é possível desenvolver atividades fazendo uso da linguagem televisiva, seja analisando algum programa ou utilizando-a como complemento de algum conteúdo em discussão. Basta, para tanto, que o professor selecione, previamente, o material de acordo com os temas

estudados. É importante que o professor ajude o aluno a interpretar os códigos televisivos, a ideologia implícita em cada programa, identificando que tipo de mensagem se quer transmitir e utilizando-a em favor da aprendizagem, na sala de aula. No atual contexto em que vivemos, já não é mais possível pensar uma educação dicotomizada do grande avanço das tecnologias postas neste século

XXI.

Dentre outros autores, Moran 1 tem sido o estudioso das tecnologias na comunicação e educação, com grande destaque. Numa visão humana e humanizante, pontua as tecnologias como altamente benéficas para a comunicação humana e ressalta uma de suas mais célebres afirmações: “a tecnologia é a extensão da inteligência humana” (MORAN, 1998, p. 18).

1 José Manuel Moran é doutor em comunicação e professor da Universidade de São Paulo – USP. Tem contribuído para importantes estudos na área de educação e tecnologias, atuando como consultor, conferencista e escritor de várias obras e artigos (N.A.).

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A partir desta afirmação, confirma-se que as tecnologias de mediação,

nos processos de construção de conhecimento, poderão desempenhar papel

importante como meio ou como ferramentas que venham a contribuir para a

interação entre os sujeitos dos processos de aprendizagem. Assim posto, o

autor abre, nas suas afirmações, um enfoque não apenas tecnicista para o uso

das tecnologias na educação, mas oportuniza uma reflexão bem apurada, no

que se refere à comunicação pessoal, intrapessoal e social na atividade

pedagógica.

Moran (1995) nos diz que o uso da TV e do vídeo pode mostrar várias

funções, tais como: informativa, motivadora, de expressão, avaliadora,

investigadora, recreadora e de multilinguagem. Na citação que segue, ele

ressalta:

O vídeo está umbilicalmente ligado à televisão e a um contexto de lazer e entretenimento, que passa imperceptivelmente para a sala de aula. Vídeo, na cabeça dos alunos, significa descanso e não “aula”, o que modifica a postura, as expectativas em relação ao seu uso. Precisamos aproveitar essa expectativa positiva para atrair o aluno para os assuntos do nosso planejamento pedagógico. Mas, ao mesmo tempo, saber que necessitamos prestar atenção para estabelecer novas pontes entre o vídeo e as outras dinâmicas da aula.

Nesta perspectiva, o autor vê o vídeo como uma tecnologia bastante

significativa para contribuir na prática pedagógica; se usado de forma

adequada, metodológica, com os objetivos bem definidos, passa a ser uma das

mais versáteis ferramentas tecnológicas na educação.

A partir do exposto acima, transponho a reflexão para o dia a dia da vida

escolar e das comunidades das escolas públicas, onde nos deparamos com

tantos problemas sociais, que acarretam sérias interferências na

aprendizagem. Ao pensar sobre estes problemas, um leque de questões

maiores vai tomando forma, questões essas que poderão materializar as ações

educativas na escola que, ao inserir as tecnologias midiáticas, poderão

contribuir para otimizar estas ações, cumprindo sua função social, visando uma

cultura de paz.

cumprindo sua função social, visando uma cultura de paz. 2. PROCURANDO ENTENDER A CULTURA PARA ENTENDER

2. PROCURANDO ENTENDER A CULTURA PARA ENTENDER A CULTURA DE PAZ

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Há uma variedade de definições de cultura, apresentadas tanto pelo

senso comum como por diferentes ciências e cientistas. Estudar a cultura é estudar um código de símbolos partilhados pelos membros dessa cultura. O homem é o herdeiro de um longo processo cumulativo, que reflete o conhecimento e a experiência adquirida pelas inúmeras gerações que o

antecederam. É a partir das relações sociais e do contexto histórico em que vive um determinado povo que a cultura se transforma.

As nossas atitudes frente a grupos sociais, com os quais convivemos

nas grandes ou pequenas cidades, muitas vezes, repletas de resquícios de atitudes etnocêntricas, acabam por rotular e aplicar estereótipos 2 para nos dirigir às diferenças que confrontamos em nosso cotidiano. Assim, a diferença deixa de ser uma ameaça e passa a ser uma alternativa. A diferença deixa de ser a hostilidade do “outro” e passa a ser a possibilidade de o “outro” abrir-se para o “eu”. Aí será possível uma cultura de paz, um novo momento, um novo direcionamento para as questões que hoje, como o bullying, afligem nossa sociedade. “Os relacionamentos na escola se constituem em um dos indicadores utilizados para medir e qualificar o clima escolar, o qual pode ser definido como a qualidade do meio interno de uma organização” (ABRAMOVAY, 2003, p.

324).

A qualidade das relações sociais estabelecidas entre alunos,

professores, dirigentes escolares e demais funcionários, ao lado da gestão

escolar e dos demais fatores que exercem influência sobre o comportamento de toda a comunidade escolar, contribuem para a existência de um melhor ou pior clima escolar. Ao considerar a escola como um espaço privilegiado de socialização, especialmente por constituir-se em um local de encontro de adolescentes e jovens, é que as relações tornam-se mais abrangentes.

3. METODOLOGIA

que as relações tornam-se mais abrangentes. 3. METODOLOGIA 2 Entendo por “estereótipos” os clichês ou chavões

2 Entendo por “estereótipos” os clichês ou chavões aplicados a gestos ou comportamentos considerados estranhos (N.A.).

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Por se tratar de uma pesquisa envolvendo seres humanos, foram necessários alguns procedimentos éticos antes de dar início ao desenvolvimento da mesma. Inicialmente, encaminhei requerimento à direção da instituição de ensino envolvida (apêndice 1), solicitando autorização para a realização da minha pesquisa, com as séries finais (5ª a 8ª séries) do Ensino Fundamental, professores, equipe pedagógica e direção da EEB. Profª Dilma Grimes Evaristo, onde desenvolvi a pesquisa. Após o aceite da direção da escola, convidei os pais das crianças envolvidas na pesquisa para uma reunião, na qual expliquei a proposta de pesquisa e, aos que aceitaram, solicitei a assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido (apêndice 2), para que seus filhos pudessem participar, além de autorizar o uso dos dados obtidos, onde ficou garantido e preservado o anonimato das crianças, utilizando nomes fictícios, se necessário, e citando falas das mesmas, no relatório final. A partir das autorizações feitas, dei início à pesquisa, propriamente dita. Em uma reunião envolvendo todo o corpo docente e administrativo, explanei o objetivo do projeto e obtive a pronta colaboração desses profissionais, que assinaram a autorização (apêndice 3) para atuarem no desenvolvimento do mesmo. Trabalhamos, também, no sentido de aprofundar o tema bullying, com o livro da escritora Cleo Fante 3 , especialista em bullying, que conheci durante uma palestra em Lages, SC, discutindo amplamente o tema. Acreditava ser viável uma pesquisa exploratória, na comunidade escolar em questão, uma vez que a sociedade precisa estar alerta para o que vem acontecendo com várias crianças que não querem mais frequentar a escola, muitas delas apáticas, por vezes agressivas e isoladas em si mesmas; esse comportamento novo e prejudicial à ela pode estar associado ao bullying escolar. Selltiz et aI. (1967, p. 63) definem pesquisa exploratória como aquela que

3 Cleo Fante é pedagoga e historiadora, pioneira nos estudos e nas publicações sobre o tema bullying escolar, no Brasil. Autora do programa antibullying “Educar Para a Paz”. Vice- presidente do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar - Cemeobes, Brasília/DF. Consultora educacional, docente e coordenadora de cursos de capacitação e pós-graduação em bullying escolar. A autora tem realizado palestras sobre bullying em todo o Estado de Santa Catarina, voltadas para instrumentalizar os educadores para o enfrentamento do problema (N.A.).

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Tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições. Seu planejamento é, portanto, bastante flexível, de modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. Na maioria dos casos, essas pesquisas envolvem: (a) levantamento bibliográfico; (b) entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; e (c) análise de exemplos que "estimulem a compreensão".

O tipo de pesquisa a que me propus, sugeria que me integrasse ao grupo de pessoas envolvidas com o problema preocupante, como se não tivesse a experiência da situação real que elas tinham a oferecer; desempenhei um papel ativo, na realidade dos fatos observados, levando em conta o que os implicados diziam e faziam, esclarecendo, quando necessário os vários aspectos relativos a situação, sem impor minhas próprias concepções. A preocupação fundamental era de que a participação das pessoas implicadas no problema investigado fosse absolutamente necessária. Para minha surpresa, a pesquisa exploratória transformou-se numa pesquisa ação, pois os dados foram emergindo e a comunidade escolar foi envolvendo-se de tal forma que acabamos “revolucionando”, se assim se pode dizer, a forma de pensar e agir na escola e em toda comunidade escolar. Devido a proposta inicial da pesquisa de provocar, nos alunos, a discussão sobre o bullying, através do blog e, com isso, verificar o nível de entendimento deles sobre o tema, traçar metas para minimizar o problema e também resgatar valores, optei por projetar um filme 4 que estimulasse o processo de explosão de ideias. Com o auxílio de colegas professores utilizamos um aparelho multimídia para projetar o filme “O Som do Coração”, que retrata, com muita pertinência, o amor de um filho por sua família; no decorrer do filme aparecem alguns casos de bullying. Após a exposição do filme “O Som do Coração”, foi oportunizado um debate, onde todos os alunos participaram, dando suas opiniões. Já em sala de aula, a professora de Língua Portuguesa solicitou aos alunos que produzissem um texto, onde ficassem registrados seus sentimentos em relação ao filme.

4 A projeção do filme foi a dinâmica escolhida para “quebrar o gelo” ou, seja, a maneira de me aproximar mais do grupo de alunos, pois estou em exercício na sede da Secretaria Municipal de Educação e, de alguma forma, necessitava ser conhecida e conquistar a confiança dos alunos para, posteriormente, desencadear todas as atividades propostas (N.A.).

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Outras atividades foram realizadas juntamente com a professora de Língua Portuguesa, objetivando trabalhar várias histórias, com enfoque no incentivo aos valores morais. As histórias propostas e trabalhadas, com suas respectivas abordagens, foram: “As Mil e Uma Noites” – amor, “Damon e Pítias” - valor da amizade, “Vidas Secas” - valor da esperança, “Cinderela” – valor da humildade, “O Patinho Feio” - valor do respeito, “Hércules” - valor do

trabalho, “Estrela de Jóias” - valor da solidariedade. A partir desse trabalho interdisciplinar surgiram outras produções de textos, e histórias em quadrinhos, os quais estão postados no blog. Sob a responsabilidade da professora de Artes, os alunos desenvolveram atividades como: charges, cartazes, desenhos e também confeccionaram um informativo para distribuição na comunidade, onde explicaram de que forma o bullying acontece. Como o bullying, tema em questão, motivaria uma discussão para “além muros” da escola, os pais foram convidados a participar de uma palestra onde pretendíamos informá-los, esclarecendo o assunto a ser trabalhado, a fim de tomarem conhecimento do que seria conversado e trabalhado com seus filhos

a partir daquele momento. Normalmente as reuniões com os pais, na escola, não tem uma participação massiva dos mesmos, mas independente desse histórico, reservei

a maior sala da escola para recebê-los: o refeitório. Surpresa geral! A palestra sobre bullying, proferida pelo Promotor da Comarca de Santa Cecília, Dr. Raul

Gustavo Juttel aconteceu num refeitório lotado, tendo a participação efetiva dos pais, moradores na comunidade Guilherme Granemann Rauen, em sua grande maioria pessoas humildes, que trabalham na lavoura, num serviço braçal e cansativo, mas não impeditivo para participarem de um tema que lhes chamou

a atenção e, mais ainda, para prestigiar a presença de um promotor na escola.

Ao final da palestra, foi aberto espaço para perguntas e distribuído material impresso para os presentes, que participaram ativamente. Na semana seguinte à palestra com os pais, então, convidamos os alunos e os professores de 5ª à 8ª séries para assistirem um vídeo explicativo sobre o bullying. Optamos por trabalhar cada turma separadamente, para que pudéssemos desencadear um debate onde todos saíssem entendendo, com

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maior profundidade, o assunto. Após a projeção do vídeo e as explicações necessárias, os alunos receberam uma cartilha, em forma de gibi, abordando um possível caso de bullying, um folheto informativo sobre o bullying - suas causas e consequências - além de um marca texto. Esse material começou a ser distribuído pelo Governo do Estado de Santa Catarina em todas as escolas estaduais e, casualmente, a campanha do Governo coincidiu com o início da pesquisa, dando um motivo a mais para trabalhar no tema bullying. Nesse momento a mídia impressa passou a fazer parte, também, das atividades propostas Dando sequência ao estímulo inicial proporcionado pelo filme, os alunos foram levados ao laboratório de informática, onde pesquisaram vários sites que falavam algo sobre o bullying. Após as pesquisas feitas, digitamos os textos produzidos pelos alunos em sala de aula, com a professora de Língua Portuguesa, e passamos a desenvolver atividades em relação ao blog, objetivo principal do estudo em questão. Exploramos as possibilidades de interação no blog criado 5 e postamos atividades e fotos de todo o trabalho desenvolvido até então.

Na continuação das atividades aplicamos, aos alunos de 5ª à 8ª séries, um questionário (apêndice 4), num total de 246 questionários. Nesse instrumento haviam perguntas elaboradas para obter informações sobre a forma como eles entendiam o bullying e se sabiam da existência dessa prática na escola. O questionário continha questões fechadas, com respostas objetivas (sim ou não). Os resultados obtidos serão analisados no próximo capítulo. Os dias foram se sucedendo e, na continuidade das aulas, palestras, filmes, reuniões, discussões, um grupo de alunos nos procurou porque desejava contribuir de uma forma diferente no combate ao bullying e, por iniciativa própria, as turmas de 8ª série se organizaram por grupos e fizeram um roteiro para pequenas apresentações de teatro falando sobre o tema. Os esquetes foram apresentados para as outras turmas como forma de aprofundar a assunto e engrandeceram a proposta inicial. Como forma de valorizar a iniciativa, todas as atividades do teatro foram fotografadas, filmadas e postadas no blog. Em menos de um mês o trabalho realizado na escola com os alunos e com os pais foi chamando a atenção de toda a comunidade. Por esse motivo,

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fui convidada a dar uma entrevista na Rádio Serrana FM, rádio comunitária do Município de Santa Cecília, SC. Essa entrevista foi muito importante, pois oportunizou a divulgação do trabalho realizado até então. Devido ao envolvimento maciço dos alunos, convidei os alunos da 8ª série para participarem da entrevista, dando suas versões sobre os problemas advindos do bullying escolar e as vantagens de uma educação voltada para uma cultura de paz. Acredito que, quanto mais for divulgado o trabalho realizado, tanto a comunidade local quanto a de outras cidades e estados do país terão a possibilidade de conhecer e apreciar o que de bom tem sido feito num município de pequeno porte, como Santa Cecília e, por que não, tentar aplicar em suas realidades.

Cecília e, por que não, tentar aplicar em suas realidades. 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES Ao iniciar

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Ao iniciar a pesquisa, na qual tinha o objetivo de criar um blog para, a partir dele, desencadear o debate e as ações voltadas para uma cultura de paz, abordando o assunto bullying, tinha em mente plantar uma pequena semente que poderia vir a tornar-se uma árvore frondosa, num futuro próximo. Para

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alegria geral, já no lançamento do projeto tivemos a adesão de todos os funcionários da escola. O que era, inicialmente, intenção de trabalhar com alunos e professores das séries finais do ensino fundamental se avolumou e todos os graus de ensino, a equipe pedagógica e a direção da escola passaram a debater o assunto e, de uma forma ou outra, participar das atividades. Procuramos dinamizar o uso dos recursos tecnológicos disponíveis na escola e das diversas mídias existentes. Nas atividades realizadas durante o desenvolvimento da pesquisa, pude observar que todos se empenharam em fazer um trabalho de qualidade e oferecer, aos alunos, oportunidades que até então não haviam sido oferecidas. No primeiro contato com os alunos foi primordial o uso da mídia vídeo para que assistissem ao filme que abordava, com muita veemência, a questão do amor de um filho pela sua família e trazia, em vários momentos, situações de bullying. O retorno dado pelos alunos foi imediato, sendo que a grande maioria gostou muito de assistir a um filme na própria escola, o que pode ser observado no gráfico a seguir:

escola, o que pode ser observado no gráfico a seguir: Gráfico 1 – Você gostou do

Gráfico 1 – Você gostou do filme “O Som do Coração”, que assistimos usando o vídeo e o aparelho multimídia?

Após assistirem ao filme, foi aplicado um questionário a todos os alunos, para que pudesse avaliar o quanto eles já sabiam sobre o bullying e o encaminhamento que seria dado, a partir do conhecimento citado por eles. O filme deflagrou uma série de discussões e atividades. Era notória a emoção de muitos alunos, que comentavam, em pequenas rodas, algumas cenas do filme, as músicas e a violência apresentada em algumas cenas. A utilização da mídia vídeo traduz a versatilidade dos aparelhos que podem ser utilizados com maestria na escola, nas salas de aula. Longhi (1985, p.27) destaca:

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O replay e a possibilidade de variar sua velocidade mostram-nos como crescem as flores, como correm os cavalos, como se movimentam as moléculas e como se reproduzem os insetos. As diversas combinações de computador, videotape, microfilme e outras formas de gravação visual e oral fornecem-nos equipamentos para repetir muitos eventos importantes do desenvolvimento da humanidade.

Longhi já previa a entrada de novos recursos que possibilitariam um recurso a mais, auxiliando no processo de ensino-aprendizagem e o vídeo ou DVD, junto ao aparelho multimídia, possibilitam que essas imagens sejam acrescidas de uma maior qualidade e realidade, inspirem curiosidade e proporcionem a aprendizagem. O gráfico abaixo ilustra o percentual das respostas dadas no questionário, onde ficou constatado que praticamente todos os alunos envolvidos na pesquisa sabiam o que significava o bullying, fazendo do projeto iniciado um grande aliado à toda comunidade para continuidade de ações antibullying.

toda comunidade para continuidade de ações antibullying. Gráfico 2 – Você sabe o que significa a

Gráfico 2 – Você sabe o que significa a palavra “bullying”?

O bullying, componente de atitudes agressivas, podendo ser repetitivas, que são ocasionadas por uma intenção ou motivação evidente, individualmente ou em grupos de interesse, tem causado sofrimento e angústia dentro da escola e fora dela. No gráfico a seguir, pode-se observar que mais da metade do público pesquisado já havia presenciado ato(s) de violência dentro da escola, fazendo com que essas ações acabassem por interferir, constantemente, no cotidiano escolar.

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32 Gráfico 3 – Você já presenciou (viu) algum ato de violência na sua escola? Os

Gráfico 3 – Você já presenciou (viu) algum ato de violência na sua escola?

Os atos de violência são comuns nas escolas, sejam elas na periferia ou na região central das cidades. Isto não difere das escolas públicas ou particulares. A violência dentro ou fora da escola ainda é algo preocupante. Pelas informações obtidas na escola, esta comunidade é carente, há muitas famílias com problemas de relacionamento, de desemprego e de uso de drogas, o que pode acentuar a questão da violência no entorno da mesma. Estatisticamente, muitas vezes, quem agride é ou foi vítima de um ambiente familiar desregrado, agressivo, sendo este ambiente o modelo estereotipado de referência de relacionamentos. Conforme Beaudoin et AL (2008, p. 17)

Como o bullying e o desrespeito são problemas que se repetem por todo o país e em uma variedade de escolas, acreditamos que não faz sentido nos concentrarmos no ato isolado de cada indivíduo envolvido, ou em um fator selecionado. O que propomos é uma abordagem muito mais ampla que não ponha a culpa nem na cultura isoladamente, nem nos indivíduos (sejam estes agressores, pais ou educadores). Em outras palavras, é uma abordagem que leva em conta a interação entre muitos fatores maiores que contribuem para esses problemas e que examina como estes fatores são sentidos no contexto exclusivo da vida dos alunos.

Em relação à violência, como mostra a figura 4, há a possibilidade de os resultados estarem um tanto mascarados, provavelmente pelo medo de revelar situações que podem ser constrangedoras, receio de ser motivo de chacota entre o grupo ou outras. Apesar dos dados poderem não expressar a realidade, o número de crianças que foram vitimizadas na escola é respeitável.

dos dados poderem não expressar a realidade, o número de crianças que foram vitimizadas na escola

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Gráfico 4 – Você já sofreu algum tipo de violência na escola?

O tema em questão requer atenção especial, principalmente por ser o bullying uma violência silenciosa. Quem protagoniza estas cenas, normalmente, são pessoas do sexo masculino, que, em uma sociedade machista, que valoriza o “sexo forte”, acaba dando, ao agressor, um símbolo de virilidade. Beaudoin et al (2008, p. 17-18) nos esclarece que

o respeito, a tolerância e a apreciação desenvolvem-se com maior eficácia quando os jovens são atraídos a um ambiente que manifeste esse tipo de filosofia e que capacite pessoalmente a tomar decisões melhores a despeito das lutas que enfrentam em suas vidas.

Na mesma linha de pensamento, Gustavo Heidrich (Nova Escola, Gestão Escolar, 2009) diz que

os muros pichados e os vidros quebrados são apenas um dos cenários de um drama presente em muitas escolas. Enquanto do lado de fora o tráfico de drogas e as gangues envolvidas com roubos e homicídios pressionam para entrar - e não raro encontram brechas -, do lado de dentro, alunos e professores são agentes e vítimas de agressão física e verbal e de uma lista enorme de atos violentos.

Entre os tipos de violência sofrida pelos alunos integrantes da pesquisa, a violência física teve um número respeitável de alunos vitimizados. Conforme demonstrado na figura 5. Sessenta por cento dos alunos sofreram atos físicos violentos, que podem ser enquadrados em ações como chutar, empurrar, socar, beliscar e bater. A violência moral, segundo 25 % dos alunos entrevistados, fez com que alguns colegas trocassem de sala de aula e outros até de escola. Vinte e quatro alunos confirmaram ter sofrido difamações, rumores e calúnias, nos bastidores escolares. A violência psicológica, com um índice de 15%, referida por 15 alunos, foi definida através de apelidos pejorativos, intimidação, pressão de colegas, atos de discriminação, exclusão, perseguição, chantagem, ameaças, entre outros.

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34 Gráfico 5 – Se sofreu violência, que tipo de violência você foi vítima? De acordo

Gráfico 5 – Se sofreu violência, que tipo de violência você foi vítima?

De acordo com o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, todos os direitos infanto-juvenis fundamentais, como o direito à vida, à saúde, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à educação, entre outros. Neste sentido, as escolas do Estado de Santa Catarina já dispõem do “Programa de Combate ao Bullying”, instituído pela Lei nº 14.651/2009, que define ações para a prevenção e o enfrentamento dessa prática por meio de atividades interdisciplinares e da participação comunitária. Dessa forma, acredito que a linha de trabalho proposta está no caminho certo e que proporcionará, ainda, muitas possibilidades de atividades que envolvam a participação da comunidade dentro da escola, para que, juntos, possamos enfrentar os problemas advindos da violência com maior conhecimento de causa.

Como estava trabalhando com um número expressivo de alunos da escola e o objetivo principal era trabalhar através de um blog, inseri uma pergunta que me daria condições de avaliar como estava se dando o acesso dos alunos aos computadores na escola. Os números que surgiram foram preocupantes, pois quase metade dos alunos disse não conseguir frequentar a sala de informática da escola, porque esta possui apenas um laboratório, há menos de um ano, e conta somente com 10 microcomputadores para atender todo o alunado, como nos confirma o gráfico da fig. 6:

todo o alunado, como nos confirma o gráfico da fig. 6: Gráfico 6 – Antes da

Gráfico 6 – Antes da participação neste projeto, você já havia utilizado os computadores da escola?

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Esforços da Secretaria Municipal de Educação e da escola estão sendo envidados no sentido de adquirir novos equipamentos, para ampliação do laboratório. Este grupo gestor elaborou um projeto e o encaminhou ao

Ministério da Educação (MEC), solicitando mais computadores para a escola, uma vez que quase metade do público pesquisado (48%) ainda não havia utilizado esta tecnologia na escola. As mais novas mídias, às vezes, se tornam um problema se não forem

bem utilizadas. Ponte (1992, p. 32) afirma: “

ser tanto uma contribuição positiva quanto negativa para o processo de ensino e aprendizagem, dependendo da forma como for utilizado”. O desafio é enorme para o professor, pois dependendo do trabalho executado, os alunos serão mais ou menos autônomos ou passivos, demonstrando maior ou menor interesse ou desinteresse pela máquina. Para este profissional converge a busca da superação, do paradoxo, da sedução, paradoxo esse que poderá ser desmistificado com a superação do deslumbramento; deverá se dar com a compreensão do mundo que nos é apresentado dentro dessa tecnologia. A segunda pergunta feita em relação à informática foi: você gostaria que os professores trabalhassem mais com os alunos no laboratório de informática, usando os computadores e a internet? Ficou evidente, através das respostas, a vontade dos alunos em frequentar o laboratório de informática. Após a elaboração do projeto, esse dado ficou mais evidente e a própria escola começou a organizar-se, procurando fazer o agendamento do local disponível, privilegiando a aprendizagem de conteúdos também na sala de informática, oportunizando assim, este espaço para todos os alunos, alguns horários por semana.

o computador, por si só, pode

alguns horários por semana. o computador, por si só, pode Gráfico 7 – Você gostaria que

Gráfico 7 – Você gostaria que os professores trabalhassem mais com os alunos no laboratório de informática, usando os computadores e a internet?

Sleiman (2008, p. 28) afirma:

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Não adianta colocar o computador na sala de aula e não ensinar a

É preciso abordar esses novos

conceitos, mostrar que existem benefícios e igualmente perigos na

Na era da informação, é justamente ela que está mal

trabalhada no âmbito educacional para a prevenção de riscos eletrônicos, tanto para a escola quanto para os professores, os pais e os alunos.

internet. [

usá-lo de maneira segura [

].

]

A presença do professor, na sala informatizada, faz com que o conhecimento se dê de forma organizada, direcionada. As ofertas de sites na internet são imensuráveis e muitos alunos podem desviar do tema sugerido, pois são muitos os links atrativos, com um visual colorido e agradável. A utilização do computador e da internet fomentam a curiosidade da criança, do aluno e, por esse motivo, a escola e seus profissionais devem estar preparados para esta jornada que se avizinha, dando suporte e conhecendo o real trato do uso de equipamentos e tecnologias que afloram e chegam com rapidez na escola.

4.1. O Blog

O blog é um dos espaços criados para divulgar as ações da escola, utilizando a mídia informática e o uso da Internet. Ali são postadas todas as atividades realizadas durante a execução do projeto, sob a responsabilidade das professoras da escola, que também auxiliam a mantê-lo atualizado com informações relevantes do trabalho escolar. Como educadores, é importante divulgar o trabalho realizado, pois muitas atividades positivas estão sendo feitas, muitos projetos inovadores tem sido fomentados. Após coletados e organizados os dados, fizemos uma exposição para toda a comunidade escolar, onde foram debatidos os resultados e levantadas propostas de atividades, em cada esfera de atuação. Todas as discussões foram colocadas no blog, especialmente criado para esse fim - http://escoladilmaevaristo.blogspot.com (figura 1) - e também foram postadas as atividades realizadas na escola, as fotos dos eventos, bem como as observações dos alunos durante a aplicação do projeto sobre bullying.

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37 Figura 1- imagem do blog da escola Todas as atividades sobre bullying foram fotografadas para

Figura 1- imagem do blog da escola

Todas as atividades sobre bullying foram fotografadas para postagem no blog e publicadas num informativo impresso, que contou com a colaboração dos alunos da 5ª e 6ª série, além da equipe pedagógica da escola. Esse impresso foi distribuído na comunidade ceciliense, para que esta tomasse conhecimento do projeto e tivesse melhores condições de se engajar, refletir e buscar soluções conjuntas, a fim de diminuir a incidência do bullying escolar. Os alunos gostaram muito dessa nova proposta, se sentiram co- participantes e vários escreveram comentários no blog, alguns dos quais estão transcritos abaixo:

Eu acho muito legal o projeto da professora Rita de Cássia de banir o

bullying da escola. Aqui mudou para melhor o comportamento dos alunos depois deste projeto (Esmeralda);

Eu achei muito bom este projeto da professora Rita. Muda a vida das

pessoas. Muitas amizades, muitas pessoas se juntam para falar sobre o bullying e ficam contra a violência (Quartzo Rosa);

Eu acho que todo o debate sobre o bullying está mudando muito o

comportamento de crianças principalmente as que praticavam o bullying. Os alunos dessa escola eram muito violentos. Mas eles já estão mudando o comportamento depois deste trabalho (Turquesa);

O projeto bullying é muito especial. Tem alguns alunos que se

aproveitavam dos outros que são mais quietos e não gostam de se envolver em brincadeiras sem graça na escola. Agora já estão mais tranquilos (Turmalina);

Eu acho que o debate sobre o bullying está fazendo as crianças aprenderem que não podem caçoar dos outros, que isso é bullying. Eles têm que aprender a respeitar as diferenças (Diamante);

Mudou muita coisa depois do início deste projeto sobre o bullying. A professora Rita propôs esse projeto para nos ajudar. Acho que com esse incentivo os alunos vão melhorar muito. Ela deve continuar

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porque este trabalho já está fazendo a diferença na nossa escola (Safira);

Obrigada queridos alunos, pelas palavras de carinho que vocês estão me dispensando. Quero e vou ficar sempre acompanhando o desenvolvimento de todas as outras atividades (Profª RITA).

7.2. A TV e o vídeo

A TV faz parte da grande maioria dos lares brasileiros, sendo uma das mídias de massa, um instrumento de comunicação que permite realizar a comunicação enquanto processo social 6 . A televisão tem a capacidade de preencher lacunas no ensino e pode ser útil para melhorar a transmissão e a apreensão do conhecimento, sendo instrumento de mudança, na sociedade atual.

Quanto ao uso da TV, nesse trabalho, entendo que é a partir dela que informações podem ser repassadas, os costumes disseminados, as “manias” ressaltadas e a educação transmitida. É com a ajuda da televisão, aqui servindo como recurso para introduzir o tema bulling entre os alunos, que podemos tratar sobre assuntos difíceis, servindo de alerta para toda a sociedade. Lazar (1999, p. 99-100) diz que:

Toda educação, na realidade, subentende uma adaptação ao meio ambiente. É nessa adaptação que a família, depois a escola e também a televisão devem ajudar o indivíduo. Mas qual é o objetivo final dessa ação? Trata-se de tornar a criança apta para seu futuro, ajudá-la a se preparar, a tornar-se um ator social, um bom pai ou simplesmente um cidadão útil e responsável.

Após assistirem ao vídeo, foi estimulado um debate sobre o tema e cada aluno recebeu um material impresso, produzido pela Promotoria Pública do Estado de Santa Catarina, que tem sido grande parceira da E.E.B. Profª Dilma Grimes Evaristo, da Secretaria Municipal de Educação e do Município de Santa Cecília.

7.3. Mídia Impressa

6 O que caracteriza uma mídia de massa é a difusão em massa, que se dirige à massa, a todo mundo. É justamente essa a sua dinâmica. A televisão pode atingir toda uma população, para não dizer todo o planeta. (LAZAR, 1999, p. 89).

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A mídia impressa, assim como a TV e o vídeo, possui um grande poder

de penetração em todas as camadas da população. Dependendo do nível de conhecimentos de cada pessoa, esta poderá buscar uma leitura mais ou menos aprofundada, porém é certo que uma revista, livro, cartaz, folder, entre

outros, com alto estímulo visual (cores, formas, letras, imagens, etc) atrairão ao olhar até da pessoa menos atenta.

A preocupação com o bullying estava atingindo níveis preocupantes e,

por esse motivo, a Promotoria Pública do Estado de Santa Catarina elaborou material impresso para desencadear a discussão sobre o problema, a partir dessa mídia. Do material elaborado consta uma cartilha com o título “Bullying, isso não é brincadeira”, em forma de gibi, que retrata um possível caso de bullying, folders e marca-textos em papel, todos eles com orientações para as crianças, para as famílias e para as escolas. Todo esse material foi distribuído nas palestras para os pais e para as crianças, reforçando, mais ainda, o combate ao bullying. Na sequência dos fatos, desencadeados nas primeiras atividades, foi criada uma parceria com o “Jornal Popular”, da cidade de Santa Cecília, que passou a publicar matérias sobre o projeto. A dimensão da proposta foi se avolumando e, devido ao sucesso alcançado com o trabalho realizado na escola, os resultados foram publicados na revista “Projetos Brasil 2010”, 2ª edição, de circulação nacional, pertencente ao Grupo GlobalPed, da cidade de Marechal Cândido Rondon, Paraná.

7.4. Mudanças de Atitudes

Ao longo do trabalho realizado, muitos foram os avanços em relação à prevenção e combate ao bullying escolar. Os pais, professores e direção

perceberam as crianças mais felizes, brincando além do costumeiro e notaram, também, que as brigas entre elas reduziram consideravelmente; quando uma criança passava por outra e ouvia algum comentário maldoso, logo dizia: isso é bullying, não pode!

A seguir, ilustro alguns dos resultados até então obtidos com o trabalho

realizado, através das figuras 2 a 6. É possível observar as diferentes formas

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com as quais as crianças perceberam a necessidade de mudança de atitudes e de comportamento. Os desenhos serão analisados um a um:

e de comportamento. Os desenhos serão analisados um a um: Figura 2 - História em quadrinhos:

Figura 2 - História em quadrinhos: “O Patinho Feio”

Em relação às atividades realizadas de forma integrada e interdisciplinar, surgiram excelentes produções dos alunos. As figuras 2 e 3 foram construídas a partir da história do Patinho Feio, que tinha o objetivo de trabalhar a questão do respeito em todas as suas dimensões, respeito e valorização das diferenças, sejam estas de raça, cor, sexo, entre outras.

diferenças, sejam estas de raça, cor, sexo, entre outras. Figura 3 – Charge: Respeito Muitos são

Figura 3 – Charge: Respeito

Muitos são os desafios a serem enfrentados em relação à discriminação, pois os clichês 7 do tipo: a mulher bonita é tachada de burra, o inteligente é xingado, pois causa inveja aos que não gostam de estudar, o engraçado também é gordinho e aquela pessoa que não tem atributos é “sem sal”, ou

7 Um clichê (do francês cliché), chavão ou lugar-comum é uma expressão idiomática que, de tão utilizada e repetida, desgastou-se e perdeu o sentido ou se tornou algo que gera uma reação má, em vez de dar o efeito esperado (pt.wikipedia.org/wiki/Clichê).

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seja, há um longo caminho a percorrer até se eliminar, na comunidade, esses clichês. Outro aspecto bastante forte a ser analisado é o medo que, muitas vezes, faz com que vítimas de bullying não denunciem seus agressores, pois como analisa a filósofa Marilena Chauí (2000, p 368):

É comum se ouvir e repetir expressões do tipo: "ter medo é próprio da

natureza humana" e "ele é corajoso, não tem medo de nada". Ou então, "é da natureza humana chorar na tristeza" e "homem não

chora". "As mulheres são naturalmente sensíveis" e assim por diante. Essas expressões mostram, claramente, duas questões: uma que aponta a natureza humana como universal e igual, independente do tempo e lugar, e outra que apresenta a diferença de natureza entre homens e mulheres, pobres e ricos, brancos e negros, índios e judeus. As diversas culturas, sempre em processo de mudança, diferenciam os seres humanos pela riqueza de seus valores, símbolos

e regras. E isso tudo aparece e é transmitido no agir cotidiano.

Ao se falar em pluralidade cultural, não se está enfatizando apenas o estudo e o respeito ao que se costuma considerar diferente ou pertencente a outras culturas, fora do território nacional, mas as diferenças étnicas e culturais, as desigualdades sócio-econômicas, as relações sociais discriminatórias e excludentes presentes no território nacional e que compõem os diversos grupos sociais. Cada ser humano é único, já que apresenta características que lhes são particulares. A não compreensão desta diversidade provoca atitudes discriminatórias, como muito bem representou a charge da figura 4, criada por um aluno participante do projeto sobre o bullying:

por um aluno participante do projeto sobre o bullying: Figura 4 - Charge O tema solidariedade

Figura 4 - Charge

O tema solidariedade foi abordado através da clássica história “Estrela de Jóias” durante as aulas de Língua Portuguesa, e fez com que o debate se

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aprofundasse em torno do seu significado, o qual nos revela que é uma palavra de dimensões cada vez mais grandiosa, que tem como sinônimos: fraternidade, igualdade, justiça e amor. Chalita (2003, p. 181) diz ser

a solidariedade um dos símbolos máximos da nobreza de caráter, exercício do bem fazer, possibilidade concreta de crescimento, conceito que propicia a amplitude dos horizontes mais variados, reunião de gestos, atitudes e ações capazes de tornar o mundo melhor.

O que escreveu Chalita, sobre solidariedade, foi muito bem representado graficamente por um aluno da 8ª série, conforme mostra a figura 5. Esse tema, assim como os demais, foi amplamente discutido em sala de aula.

como os demais, foi amplamente discutido em sala de aula. Figura 5 – Charge: “O Passarinho

Figura 5 – Charge: “O Passarinho Perdido”, retratando o tema estudado: solidariedade

Várias são as possibilidades de trabalhos interdisciplinares que podem ser realizados numa escola. Aproveitando o tema, a professora de Artes instigou a imaginação de seus alunos e disponibilizou muitos materiais diversificados, os quais estes pequenos “artistas” transformaram em cartazes de diversas formas para exposição em toda escola, fazendo com que todos tomassem conhecimento das atividades que estavam sendo realizadas e do engajamento de toda a equipe da escola, como nos mostra a figura 6:

Figura 6 - Material produzido pelos alunos 43 No momento em que o aluno cria

Figura 6 - Material produzido pelos alunos

43

No momento em que o aluno cria seu próprio conhecimento, incentivado pelo professor e auxiliado pelas mídias, como foi o caso nesse trabalho monográfico, se percebe o quanto pode ser gratificante, para ambos, investir em conhecimento, transformando lenta e continuamente a realidade que está posta.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

a realidade que está posta. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao lançar o projeto na EEB. Profª Dilma

Ao lançar o projeto na EEB. Profª Dilma Grimes Evaristo tinha o objetivo de, a partir da criação de um blog - e de outras atividades que pudessem surgir, incentivar a comunidade escolar a debater o assunto bullying. Nos primeiros diálogos com os professores já foi uma surpresa a efetiva participação dos mesmos. O que era para ser um projeto de aplicação nas séries finais do ensino fundamental avançou e proporcionou a participação aos outros graus de ensino da escola, sendo também trabalhado, com menor profundidade, na educação infantil e séries iniciais, o que fez com que todos os alunos da escola lessem, estudassem e debatessem o assunto, como também todos os profissionais que desempenham algum tipo de função na unidade escolar. Tivemos, por exemplo, o depoimento da professora do pré-escolar de que uma aluna, de apenas cinco anos de idade, chamou a atenção de um colega, pois o mesmo estava empurrando outro coleguinha na ida para o lanche. Isso demonstra que o projeto desenvolvido começou a apresentar resultados positivos imediatamente após o início de seu lançamento. Como exerço o cargo de supervisora escolar na sede da Secretaria Municipal de Educação e não possuo um vínculo diário com os alunos em sala de aula, a estratégia de introduzir o tema bullying com um filme, utilizando o

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projetor multimídia como recurso deu certo, pois os alunos assistiram com muita atenção ao filme proposto e a TV e o vídeo, enquanto mídia, mostrou-se uma valiosa ferramenta na aprendizagem. Foi muito bom constatar o envolvimento dos alunos no desenvolvimento do projeto em todas as suas etapas. Houve participação ativa dos mesmos e vários alunos demonstraram capacidade de liderança de uma forma muito positiva, pois sempre estavam à frente do seu grupo incentivando e demonstrando que eram capazes de desenvolver trabalhos relevantes na sua comunidade, dando bons exemplos aos demais colegas. O desenvolvimento do blog, no laboratório de informática, foi bastante concorrido, uma vez que os 10 equipamentos disponíveis não conseguiram atender toda a demanda de alunos de 5ª à 8ª series. Trabalhamos no contra- turno com grupos de alunos, conforme o cronograma que a professora da sala de informática já tinha em andamento e, mesmo assim, não conseguimos fazer com que todos os alunos envolvidos no projeto pudessem auxiliar no desenvolvimento do blog. Os alunos que trabalharam no laboratório de informática se sentiram enormemente recompensados, pois todos os momentos foram fotografados e era impressionante a reação de felicidade quando, em seguida, fazíamos a postagem daquela foto no blog, demonstrando a valorização de sua participação, além de percebermos que o nosso aluno, cada vez mais, está ávido por novos recursos para o seu aprendizado. O que chamou muito a atenção é que uma atividade foi desencadeando outra e isso foi avolumando o projeto, pois eu não possuía muito tempo para estar na escola, o que dificultou um pouco o processo, fazendo com que se prolongasse a sua conclusão, mas, em contrapartida, íamos constatando, pouco a pouco, os comentários sobre o blog e seus efeitos positivos no comportamento dos alunos. A participação na entrevista da rádio também surpreendeu pela desenvoltura com que os alunos falaram, tendo segurança nas suas colocações, pois tinham vivenciado as mesmas. O trabalho que realizaram na sala de aula serviu de exemplo para toda comunidade ceciliense e municípios vizinhos, os quais nos convidaram, posteriormente, a ministrar palestras sobre o tema.

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Muito gratificante foi receber e conversar com a quase totalidade dos pais dos alunos da EEB. Profª Dilma Grimes Evaristo, moradores de uma comunidade economicamente carente, muitos deles responsáveis pela família, pessoas que saem de madrugada para o trabalho braçal e voltam no início da noite para a casa, tudo isso para conquistar os parcos recursos para o sustento de sua família, na maioria das vezes bastante numerosa. O sofrimento e o cansaço estão estampados nos semblantes desses pais, os quais, de sol a sol, estão a sobreviver da maneira como lhes é possível, porém todo esse sacrifício não os fez esmorecer e participaram ativamente da reunião. Quando conversamos, recebemos os agradecimentos por parte deles pelo esclarecimento e trabalho desenvolvido na escola e, então, percebemos a grandiosidade de suas falas, a experiência e esperança de dias melhores para si e seus filhos, constatando, mais uma vez, um início de mudança de comportamento dessa comunidade. Vários foram os desafios, mas com certeza serviram de base para que pudéssemos pensar em muitos outros projetos a serem desencadeados nas nossas escolas, principalmente fazer com que o corpo docente enfrente a tecnologia que está disponível e passe a utilizá-la de forma efetiva nas suas salas de aula. A utilização das mídias na educação, oficialmente iniciada num projeto do Governo Federal chamado “TV Escola” e, posteriormente fomentada pelo projeto Mídias na Educação, um projeto mais amplo que nos dá uma visão maior das possibilidades do uso das mídias na escola. É possibilitando a utilização destes, na escola, que podemos iniciar um novo tempo de mudança de rumos e da aprendizagem como centro do processo escolar, com todos estes recursos que estão chegando. Seja o uso da TV, do DVD, do aparelho multimídia, da rádio, da informática, enfim, seja qual for o instrumento de uso, esses recursos podem e devem colaborar para o aprimoramento e ampliação dos horizontes do processo ensino aprendizagem que está posto na sociedade global. Nós, enquanto profissionais da educação, somos responsáveis diretos deste processo, que deve fomentar e aguçar a curiosidade e criatividade do aluno, tornando-o cidadão do mundo, a partir dos recursos e mídias utilizadas na escola.

46

No caso deste trabalho, “a semente foi lançada”, o “pontapé inicial” foi dado. Para que as mudanças ocorram é necessário iniciar e, com a “bola rolando”, os resultados já começaram a ser colhidos.

6. REFERÊNCIAS

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6. REFERÊNCIAS 47 ABRAMOVAY, Miriam. Cotidiano das escolas: entre violências . Brasília : UNESCO, 2009. ALMEIDA,

ABRAMOVAY, Miriam. Cotidiano das escolas: entre violências. Brasília : UNESCO, 2009.

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APÊNDICES

50

APÊNDICES 50

APÊNDICE 1

51

APÊNDICE 1 51 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE PROGRAMA MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

Prezada Senhora,

Como acadêmica do Curso de Pós Graduação em Educação à

Distância Mídias na Educação, solicito autorização para desenvolver, nesta

escola, o Projeto de Pesquisa intitulado “MÍDIAS VERSUS BULLYING:

CONSTRUÇÃO COLETIVA DE UMA CULTURA DE PAZ”.

O projeto será realizado com os alunos de 5ª a 8ª séries do

Ensino Fundamental, professores e toda a equipe pedagógica da escola

através de filmes, desenvolvimento e interpretação de estórias, atividades

interdisciplinares, aplicação de questionário aos alunos e atividades no

laboratório de informática visando a criação coletiva de um blog. O período

para desenvolvimento do mesmo deverá ocorrer nos meses de março 2010 a

julho de 2010.

No aguardo de seu parecer, subscrevo-me,

Atenciosamente

Rita de Cassia Antunes

Ilma Srª Alvadória Sélles Bordignon Diretora da E.E.B. Profª Dilma Grimes Evaristo Santa Cecília - SC

APÊNDICE 2

52

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE PROGRAMA MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Prezado aluno

Sou a professora Rita de Cassia Antunes e estou realizando uma pesquisa intitulada “MÍDIAS VERSUS BULLYING: CONSTRUÇÃO COLETIVA DE UMA CULTURA DE PAZ”, vinculada ao Curso de Educação à Distância em Mídias na Educação. A pesquisa tem como objetivos:

- Construir, coletivamente, um blog na E.E.B. Profª Dilma Grimes Evaristo; - Elaborar programas e ações na escola, voltados para a promoção de uma cultura de paz; - Utilizar a Rádio Serrana FM (rádio comunitária) como uma forma alternativa de reflexão sobre o bullying escolar, junto à população de Santa Cecília; Neste sentido, gostaria de contar com a sua participação. Se você tiver alguma dúvida em relação ao estudo antes ou durante seu desenvolvimento, ou ainda desistir de fazer parte dele, poderá entrar em contato comigo pessoalmente. Se você estiver de acordo em participar, posso garantir que as informações fornecidas serão confidenciais, sendo que seu nome não será utilizado em nenhum momento. As informações coletadas poderão ser utilizadas em publicações como livros, periódicos ou divulgação em eventos científicos. Sua participação poderá contribuir para a melhoria no processo ensino aprendizagem, pela utilização das mídias no cotidiano da sala de aula.

Atenciosamente,

Rita de Cassia Antunes

Consentimento Pós-Informação

, a pesquisa “MÍDIAS VERSUS BULLYING: CONSTRUÇÃO COLETIVA DE UMA CULTURA DE PAZe concordo em participar da mesma. Nome do participante (aluno):

Assinatura do participante:

Eu,

fui esclarecido(a) sobre

Assinatura da responsável:

Santa Cecília, SC, março de 2010. APÊNDICE 3

53

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE PROGRAMA MÍDIAS NA EDUCAÇÃO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO

Autorização

Autorizo a minha participação no Projeto de Pesquisa intitulado

BULLYING VERSUS CONSTRUÇÃO COLETIVA DE UMA CULTURA DE

PAZ”, da professora Rita de Cassia Antunes, que frequenta o Curso de

Especialização à Distância em “Mídias na Educação”, da Universidade Federal

do Rio Grande, RS.

Os dados obtidos serão lidos, analisados e resultarão numa monografia,

necessária para obtenção do título de Especialista.

Estou ciente de que meu nome e os dados levantados nestas consultas

serão mantidos em sigilo e, no relatório, terei minha identidade preservada.

Terei, ainda, liberdade de desistir a qualquer momento do processo, sem

sofrer qualquer tipo de discriminação.

Professor(a)

APÊNDICE 4

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APÊNDICE 4 54 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – SEED – MEC UNIVERSIDADE

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – SEED – MEC UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

ORIENTADORA: MSc. MARISE XAVIER GONÇALVES PÓS-GRADUANDA: RITA DE CASSIA ANTUNES PROJETO: MIDIAS VERSUS BULLYING - CONSTRUÇÃO COLETIVA DE UMA CULTURA DE PAZ SÉRIE:

QUESTIONÁRIO

1- Você gostou do filme “O Som do Coração”, que assistimos usando o vídeo e o aparelho multimídia?

SIM (

)

NÃO (

)

2- Você sabe o que significa a palavra bullying?

SIM (

)

NÃO (

)

3- Você já presenciou (viu) algum ato de violência na sua escola?

SIM (

)

NÃO (

)

4- Você já sofreu algum tipo de violência dentro da escola?

SIM (

)

NÃO (

)

5- Se respondeu “sim” na pergunta nº 4, qual o tipo de violência você sofreu?

Violência física (

)

Violência moral (

)

Violência psicológica (

)

6- Antes da participação neste projeto, você já havia utilizado os computadores da escola?

SIM (

)

NÃO (

)

7- Você gostaria que os professores trabalhassem mais com os alunos no laboratório de informática, usando os computadores e a internet?

SIM (

)

NÃO (

)