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A HOMOCISTEÍNA E O CÉREBRO

Pesquisadores de todo o mundo estão agora investigando a


homocisteína para descobrir qual o papel que ela pode estar
desempenhando em outras doenças.

Alguns dos estudos mais interessantes examinaram o efeito da


homocisteína sobre o cérebro – mais especificamente sobre o
cérebro em processo de envelhecimento.

Na próxima seção, farei um breve resumo de algumas das


descobertas mais curiosas e daquilo que desponta no horizonte à
medida que passamos a saber mais sobre o amplo papel que a
homocisteína pode ter em doenças que vão deste o mal de
Alzheimer até a artrite.

Mal de Alzheimer e a homocisteína

Uma das mais devastadoras, temidas e freqüentes doenças do


cérebro é o mal de Alzheimer. Nessa condição de demência
orgânica, a capacidade do cérebro de se lembrar de
acontecimentos recentes começa a diminuir e outras capacidades
mentais vão sendo gradualmente perdidas no decorrer de alguns
meses ou anos. O resultado final dessa doença é uma pessoa idosa
incapaz de reconhecer parentes próximos, incapaz de cuidar de si
mesma e incapaz de executar as mais simples tarefas.

Embora o mal de Alzheimer acometa usualmente idosos, em geral


quando a pessoa entrou na casa dos 70 anos ou ainda mais tarde,
ela pode ocorrer mais cedo, particularmente quando a família tem
histórico de causa subjacente do mal de Alzheimer, mas há alguns
fatores que parecem predispor certas pessoas, incluindo histórico
familiar, consumo elevado de gorduras e variação numa proteína
encontrada no sangue (ApoE4). Além disso, os resultados de um
estudo realizado pela Oxford University e publicado em 1998
demonstraram que a homocisteína pode estar envolvida. Nesse
estudo, o nível elevado de homocisteína do sangue ao lado de
deficiências nutricionais de ácido fólico e vitamina B12 foram
relatados como importantes fatores de risco do mal de Alzheimer.
Essas novas informações sugerem que se controlarmos os níveis
de homocisteína por meio da ingestão da dieta da Revolução do
Coração e de suplementos nutricionais, podemos prevenir essa
terrível doença. Sem dúvida nenhuma, vale a pena tentar.

Confirmando essas descobertas, outros estudos também


demonstraram que muitas vítimas do mal de Alzheimer têm
deficiência de vitamina B12. infelizmente, para esses doentes, o
tratamento com vitamina B12 é ineficaz na reversão de danos
cerebrais. Descobriu-se também que outras condições anormais do
cérebro em idosos, incluindo confusão e outros tipos de demência,
estão associadas a níveis baixos de vitamina B12 no sangue. A boa
notícia é que alguns desses pacientes efetivamente respondem ao
tratamento com vitamina B12.

Deficiências vitamínicas e o cérebro

Estudos recentes da função cerebral de modo geral demonstram


claramente que níveis elevados de homocisteína do sangue estão
associados à perda da capacidade mental – incluindo redução da
capacidade de memória, dificuldades de linguagem e percepção
mais lenta. Em estudos, indivíduos com deficiência de vitamina B6,
ácido fólico e vitamina B12 tiveram desempenho insuficiente em
testes de certas funções mentais em comparação com indivíduos
sem deficiências vitamínicas. Conforme explicado anteriormente,
essas deficiências vitamínicas elevam os níveis de homocisteína do
sangue. Isso, por sua vez, prejudica a função cerebral ao afetar a
atividade e a sobrevivência de células nervosas do cérebro.

Um exemplo interessante da relação da homocisteína com o


cérebro remonta à homocistinúria. Se você se lembrar do capítulo 1,
a descoberta original da homocistinúria resultou do exame de níveis
de homocisteína na urina de crianças com retardamento mental.
Existe mais de uma forma de homocistinúria, cada uma delas com
uma causa diferente. Em um tipo, a vasta maioria das crianças
vítimas desse mal são retardadas mentais. Essas crianças não
receberam ajuda na forma de tratamento para redução dos níveis
de homocisteína. Mas, em outro tipo, causado por uma deficiência
de metilenotetraidofolato redutase, algumas das crianças doentes
têm sintomas mentais muito parecidos com os da esquizofrenia. Em
uns poucos casos, esses sintomas diminuíram expressivamente ou
desapareceram com o tratamento com ácido fólico.

Nem estudo recente de pacientes com esquizofrenia, descobriu-se


que aproximadamente metade deles tinha níveis notavelmente
elevados de homocisteína do sangue em comparação com sujeitos
normais. Estudos anteriores haviam demonstrado que muitos
esquizofrênicos metabolizavam anormalmente a metionina. Como
você deve lembrar, a metionina é convertida em homocisteína no
organismo. Em experimentos, quando uma grande dose de
metionina é injetada ou administrada por via oral, os sintomas da
esquizofrenia são expressivamente exacerbados. Isso ocorre
porque a metionina imediatamente eleva os níveis de homocisteína
do sangue, embora não esteja claro como exatamente a
homocisteína afeta o cérebro. Embora esses estudos demonstrem
uma relação entre homocisteína e esquizofrenia, até o momento
não se desenvolveu nenhuma terapia eficaz para tratamento ou
prevenção da doença por meio do uso da dieta alimentar ou de
suplementos. Em alguns casos, a dieta da Revolução do Coração
pode ser de potencial ajuda nessa doença ao reduzir os níveis de
homocisteína.

Deficiências de vitamina B6, ácido fólico e vitamina B123,


particularmente em idosos, têm sido associada a uma ampla gama
de distúrbios e anormalidades mentais, incluindo depressão,
irritabilidade, confusão e convulsões. Pesquisas recentes
demonstraram a presença de deficiência de ácido fólico em cerca
de um terço dos pacientes com distúrbios psiquiátricos agudos.
Curiosamente, o tratamento com ácido fólico (ácido
metiltetraidrofólico) diminui os sintomas esquizofrênicos e
depressivos.

A deficiência de vitamina B12 em idosos causa uma variedade de


sintomas neurológicos e psiquiátricos, incluindo sensações
anormais, confusão mental, perda de memória, marcha insegura,
fraqueza e depressão. Parece que aqui os níveis elevados de
homocisteína no sangue têm seu papel, sendo que a terapia com
vitamina B12 mostrou-se eficaz no tratamento de pacientes idosos
com deficiências até mesmo limítrofes.

A deficiência de vitamina B6 causa irritabilidade, convulsões,


confusão e depressão em bebês e adultos. Medicamentos que
causam dos níveis de homocisteína do sangue pela inibição da
capacidade do organismo de utilizar a vitamina B6, como certos
antibióticos, causam muito desses sintomas mentais como efeitos
colaterais, e o tratamento com vitamina B6 melhora
tremendamente esses sintomas. De novo, a deficiência de vitamina
B6 causa a elevdação dos níveis de homocisteína após as
refeições, ocasionando função cerebral anormal durante meses ou
anos.

Avanços recentes no entendimento do funcionamento do cérebro


trouxeram explicações de como a homocisteína pode causar ampla
variedade de anormalidades da função cerebral e nervosa. Quando
animais recebem a injeção de grandes doses de homocisteína, eles
entram com convulsão, e algumas crianças com homocistinúria
também sofrem de convulsões. No organismo, a homocisteína é
convertida em duas substâncias relacionadas, o ácido homocistéico
e o ácido sulfínico. Essas duas substâncias aceleram a transmissão
de sinais e impulsos neurais. Pior ainda: elas se opõem à ação de
certos neurotransmissores inibitórios, causando anormalidades
generalizadas da função cerebral e nervosa. Uma das formas pelas
quais a homocisteína causa toxidade ao cérebro é pela
superestimulação dos receptores das membranas (receptores N-
metil—D-aspartato), levando o cálcio a se acumular nas células
nervosas, neutralizando a ação do óxido nítrico e aumentando a
produção de radicais de oxigênio. Em linguagem simples, isso
significa que a elevação da homocisteína – quer associada a
deficiências de vitaminas do complexo B, tratamento
medicamentoso, mal de Alzheimer ou ao processo normal de
envelhecimento – ajuda a danificar os tecidos nervosos do cérebro,
os nervos e a medula espinhal. (Livro “O Fator Homocisteína”, Dr
Kilmer McCully, pág. 174).