Você está na página 1de 190

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Reitor:

Profa. Titular SUELY VILELA SAMPAIO

Vice-Reitor:

Prof. Titular FRANCO MARIA LAJOLO

ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS

Diretor:

Prof. Titular FRANCISCO ANTONIO ROCCO LAHR

Vice-Diretor:

Prof. Titular ARTHUR JOSÉ VIEIRA PORTO

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE ESTRUTURAS

Chefe do Departamento:

Prof. Titular CARLITO CALIL JUNIOR

Suplente do Chefe do Departamento:

Prof. Titular SÉRGIO PERSIVAL BARONCINI PROENÇA

Coordenador de Pós-Graduação:

Prof. Associado MARCIO ANTONIO RAMALHO

Coordenadora de Publicações e Material Bibliográfico:

MARIA NADIR MINATEL e-mail: minatel@sc.usp.br

Editoração e Diagramação:

FRANCISCO CARLOS GUETE DE BRITO MASAKI KAWABATA NETO MELINA BENATTI OSTINI TATIANE MALVESTIO SILVA

Departamento de Engenharia de Estruturas Escola de Engenharia de São Carlos – USP Av. Trabalhador Sãocarlense, 400 – Centro CEP: 13566-590 – São Carlos – SP Fone: (16) 3373-9481 Fax: (16) 3373-9482 site: http://www.set.eesc.usp.br

Caro leitor

EEDDIITTOORRIIAALL

Os Cadernos de Engenharia de Estruturas têm publicado artigos que possam interessar a pesquisadores, consultores, engenheiros civis, arquitetos e alunos de graduação e pós-graduação. A presente edição publica, em caráter especial, um conjunto de trabalhos apresentados no III Encontro sobre Pesquisa de Doutorado na Área de Engenharia de Estruturas (ENDOSET 2006). Esse conjunto é constituído por 43 resumos expandidos que mostram um espectro das pesquisas em desenvolvimento no âmbito do Departamento de Engenharia de Estruturas (SET/EESC/USP) nos últimos dois anos, em nível de doutorado e pós-doutorado. Como o leitor poderá perceber, esse espectro é bastante amplo, mostrando a diversidade dos temas e possibilidades de aplicação dos projetos de pesquisa em andamento no SET/EESC/USP. Os estudos desenvolvidos envolvem tanto a pesquisa acadêmica pura como os trabalhos com inserção imediata na prática da Engenharia de Estruturas. Espera-se que o objetivo do ENDOSET, que é o de promover a mais ampla divulgação e discussão dos trabalhos em andamento no SET/EESC/ USP, possa se estender através das páginas dos Cadernos, permitindo ao leitor informar-se e interagir com os autores dos trabalhos, através das ferramentas de comunicação hoje disponibilizadas pela Internet. Aproveita-se a oportunidade para agradecer à comissão organizadora e os participantes do III ENDOSET. Fica aqui expresso o agradecimento especial à Pró Reitoria de Pesquisa da USP e à Belgo/Grupo Arcelor pelo patrocínio.

Márcio R. S. Corrêa Editor

SSUUMMÁÁRRIIOO

ESTRUTURAS DE CONCRETO E DE ALVENARIA

Estudo numérico e experimental da compressão de peças de alvenaria estrutural Alexandre Alves de Freitas & Marcio Antonio Ramalho

 

1

Desenvolvimento de técnicas híbridas de reforço de pilares de concreto armado por encamisamento com compósitos de alto desempenho Alexandre Luis Sudano & João Bento de Hanai

 

5

Desenvolvimento de unidades de alvenaria estrutural produzidas com agregados reciclados de concreto Alexandre Marques Buttler & Márcio Roberto Silva Corrêa

 

9

Otimização de pavimentos de edifícios em concreto pré-moldado Augusto Teixeira de Albuquerque & Mounir Khalil El Debs

13

Análise teórica e experimental de alvenaria de blocos vazados de concreto Claudius de Sousa Barbosa & João Bento de Hanai

17

Comportamento de ligações viga-pilar parcialmente resistentes a momento fletor mediante chumbadores grauteados Eduardo Aurélio Barros Aguiar & Mounir Khalil El Debs

21

Avaliação do comportamento da aderência entre barras de aço e concretos auto-adensáveis Fernando Menezes de Almeida Filho & Ana Lúcia Homce de Cresce El Debs

25

Consideração da ductilidade em pilares esbeltos de concretos de alta resistência Francisco Aguirre Torrico & José Samuel Giongo

29

Projeto de estruturas multi-piso reticuladas em concreto pré-moldado Joaquim Eduardo Mota & Mounir Khalil El Debs

33

Juntas em pavimentos de concreto Lezzir Ferreira Rodrigues; Libânio Miranda Pinheiro & Gilson Natal Guimarães

37

Ensaios de cisalhamento em lajes alveolares Luciano Carlos Montedor; Libânio Miranda Pinheiro & Marcelo de Araújo Ferreira

41

Análise experimental estática e dinâmica da rigidez de ligações de elementos pré-moldados de concreto sujeitas a danificação progressiva Sandra Freire de Almeida & João Bento de Hanai

45

Reforço à flexão de vigas de concreto armado com PRFC aderido a substrato de transição constituído por compósito cimentício de alto desempenho Vladimir José Ferrari & João Bento de Hanai

49

Análise da distribuição das ações verticais entre paredes de alvenaria estrutural Wilson José da Silva & Márcio Roberto Silva Corrêa

53

ESTRUTURAS DE CONCRETO E DE ALVENARIA E ESTRUTURAS METÁLICAS

Estudo de ligações mistas viga-pilar Silvana De Nardin & Ana Lúcia Homce De Cresce El Debs

 

57

Efeito de esbeltez e da resistência do concreto no confinamento de pilares mistos preenchidos: resultados experimentais Walter Luiz de Andrade de Oliveira & Ana Lúcia Homce de Cresce El Debs

61

ESTRUTURAS DE MADEIRA

 

Influência das irregularidades existentes na geometria de peças estruturais de madeira roliça na determinação do seu módulo de elasticidade longitudinal André Luis Christoforo & Francisco Antonio Rocco Lahr

65

Estudo de elementos estruturais roliços de madeira André Luiz Zangiácomo & Francisco Antonio Rocco Lahr

 

69

Vigas mistas de concreto-MLC reforçada com fibra de vidro José Luiz Miotto & Antonio Alves Dias

 

73

Barras de aço coladas utilizadas em tabuleiros mistos de madeira e concreto para pontes Júlio Cesar Molina & Carlito Calil Junior

 

77

Confiabilidade estrutural de pontes laminadas protendidas de madeira Malton Lindquist & Carlito Calil Junior

 

81

Estudo do comportamento dinâmico de passarelas de madeira Pedro Gutemberg de Alcântara Segundinho & Antonio Alves Dias

 

85

ESTRUTURAS METÁLICAS

 

Vigas mistas constituídas por perfis formados a frio e laje pré-moldada Daniela Lemes David & Maximiliano Malite

 

89

Análise numérica, teórica e experimental de ligações viga mista-pilar William Oliveira Bessa & Roberto Martins Gonçalves

 

93

MATERIAIS E MECÂNICA DOS MATERIAIS

 

Blocos de concreto aparentes de alto desempenho José Américo Alves Salvador Filho & Jefferson Benedicto Libardi Libório

 

97

O

concreto de alto desempenho aplicado às construções de sistemas de

 

armazenagem sob baixas temperaturas Sandra Maria de Lima & Jefferson Benedicto Libardi Libório

 

101

A

carbonatação em vigas de concreto armado sob tensão

 

Valdirene Maria Silva & Jefferson Benedicto Libardi Libório

 

105

MECÂNICA DAS ESTRUTURAS

 

Modelo estocástico de pressões para a estimativa da confiabilidade de silos

 

esbeltos

 

Andrés Batista Cheung & Carlito Calil Junior

 

109

Modelo de dissipação concentrada para estruturas em concreto armado com a consideração de deformações residuais e ciclos de histerese Francisco Adriano de Araújo & Sérgio Persival Baroncini Proença

113

Análise da punção em pavimentos de edifícios de concreto armado Isabella Andreczevski Chaves & Wilson Sergio Venturini

 

117

Interação solo-estrutura em edifícios com fundação profunda: método numérico e resultados observados in situ Magnólia Maria Campêlo Mota; Libânio Miranda Pinheiro & Nelson Aoki

 

121

MECÂNICA DAS ESTRUTURAS E MÉTODOS NUMÉRICOS

 

Análise não-linear de estruturas de barras de concreto armado Caio Gorla Nogueira & Wilson Sergio Venturini

 

125

MÉTODOS NUMÉRICOS

Desenvolvimento de software paralelo para análise dinâmica não linear geométrica de estruturas Célia Leiko Ogawa Kawabata & Wilson Sergio Venturini

 

129

Algoritmos para formulação de elementos finitos unidimensionais dinâmicos Celso de Carvalho Noronha Neto & José Elias Laier

133

Formulação posicional do método dos elementos finitos para pórtico não linear geométrico 2D Daniel Nelson Maciel & Humberto Breves Coda

137

Análise da interação solo-estrutura via combinação MEC/MEF Dimas Betioli Ribeiro & João Batista de Paiva

 

141

Formulação do Método dos Elementos de Contorno para a análise de placas considerando-se a não-linearidade geométrica Leandro Waidemam & Wilson Sergio Venturini

145

Desenvolvimento de modelos numéricos para análise de problemas de interação de domínios bidimensionais Luciano Gobo Saraiva Leite & Wilson Sergio Venturini

 

149

Método dos Elementos Finitos generalizados e Método da Separação aplicados à análise de múltiplas fissuras Michell Macedo Alves & Sérgio Persival Baroncini Proença

 

153

Identificação de fissuras em vigas metálicas usando dados modais Oscar Begambre & José Elias Laier

 

157

Estudo e desenvolvimento de código computacional para análise de impacto entre estruturas tridimensionais levando em consideração efeitos térmicos Rogério Carrazedo & Humberto Breves Coda

161

Elementos finitos híbridos de tensão com enriquecimento nodal Wesley Góis & Sérgio Persival Baroncini Proença

 

165

Análises poro-elasto-plásticas de sólidos reforçados com emprego do MEC Wilson Wesley Wutzow; Wilson Sérgio Venturini & Ahmed Benallal

169

ISSN 1809-5860

ESTUDO NUMÉRICO E EXPERIMENTAL DA COMPRESSÃO DE PEÇAS DE ALVENARIA ESTRUTURAL

Alexandre Alves de Freitas 1 & Marcio Antonio Ramalho 2

Resumo

O trabalho objetiva estabelecer numericamente a curva tensão x deformação para elementos não grauteados de alvenaria: prismas, “paredinhas” e paredes. Serão utilizados os parâmetros obtidos em ensaios de compressão axial dos componentes (blocos e corpos de prova de argamassa) como dados de entrada do programa computacional. O trabalho experimental, já concluído, forneceu o comportamento (curva tensão x deformação) de todos componentes necessário à calibração do modelo numérico, como também dos elementos em alvenaria. O procedimento numérico não linear, a ser utilizado, baseia-se na danificação não local dos materiais envolvidos e será validado pelos resultados experimentais obtidos.

Palavras-chave: alvenaria, análise experimental, análise numérica.

NUMERICAL AND EXPERIMENTAL STUDY OF THE COMPRESSION OF STRUCTURAL MASONRY ELEMENTS

Abstract

The work deals with the numeric establishment to the stress x strain behavior for non grounted masonry elements: prisms, “small walls” and walls. Will be used the parameters gotten in axial compression tests in components (blocks and mortar specimens) as computational program data input. The experimental work already concluded supplied the behavior (strain x stress curve) of all components necessary to the numerical model calibration, as well as masonry elements. Nonlinear numerical procedure, to be used, is based in non local dam of the involved materials and will be validated by experimental results.

Keywords: masonry, experimental analyze, numerical analyze.

Linha de Pesquisa: Estruturas de Concreto e de Alvenaria.

1 Doutorando em Engenharia de Estruturas - EESC-USP, alefrei@yahoo.com.br 2 Professor do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, ramalho@sc.usp.br

de Engenharia de Es truturas da EESC-USP, ramalho@sc.usp.br Cadernos de Engenharia de Estruturas , São Carlos,

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 1-4, 2006

2

Alexandre Alves de Freitas & Marcio Antonio Ramalho

1 INTRODUÇÃO

O conhecimento do comportamento estrutural da alvenaria através de

procedimentos numéricos que utilize apenas as características dos seus componentes

é importante por muitas razões. A principal delas porque é mais fácil e econômico

ensaiar componentes (blocos, tijolos, corpos de prova de argamassa) do que elementos (prismas, paredes, etc.). Além disso, é possível prever a carga de ruptura para muitas associações desses componentes usando apenas procedimentos teóricos. Evidentemente isso poderá levar a uma economia significativa, evitando ensaios numerosos na determinação da carga de ruptura à compressão de elementos

em alvenaria.

2 METODOLOGIA

Pode-se dividir a pesquisa, a título prático, em duas etapas. A primeira referente ao trabalho experimental e a segunda relacionada ao estudo numérico.

A primeira etapa da pesquisa foi completamente desenvolvida. De forma geral,

a metodologia utilizada foi: entrar em contato com fabricantes de blocos, executarem

prismas, paredinhas e corpos de prova (CPs) de argamassa. Finalmente, com auxílio dos técnicos do laboratório, realizar os ensaios de compressão axial utilizando as dependências do laboratório do Departamento de Engenharia de Estruturas (EESC – USP).

A segunda etapa (a ser desenvolvida) envolverá a utilização de um programa

computacional que utilize as principais características dos materiais obtidos nos ensaios a fim de se estabelecer numericamente a resposta estrutural da alvenaria.

3 DESENVOLVIMENTO

Serão apresentados o trabalho experimental realizado, como também as atividades a serem desenvolvidas no prosseguimento da pesquisa.

3.1 Trabalho experimental

O trabalho experimental caracterizou-se pela utilização de blocos e

argamassas com diferentes propriedades. Foram realizados ensaios de compressão

axial com controle de deslocamento na Máquina Universal de Ensaios para a obtenção do comportamento pós-pico de tensão.

Para cada traço de argamassa 1:1:6 (A1) e 1:0,5:4,5 (A2) foram moldadas três séries, que vão de 1 a 3 para argamassa A1 e de 4 a 6 para A2. Cada série foi composta por dois prismas (um de dois blocos e outro de três blocos), uma paredinha

e 3 CPs de argamassa. Para cada material de bloco (cerâmico, concreto e sílico-calcário) foram

moldados 6 prismas de dois blocos, 6 prismas de três blocos, 6 paredinhas e 18 CPs

de argamassa. Considerando duas classes de blocos de concreto (4,5 e 8,0 MPa)

mais os blocos cerâmicos (6 MPa) e sílico-calcários (10MPa), teve-se um total de 24

prismas de dois blocos, 24 prismas de três blocos, 24 paredinhas e 72 CPs de argamassa.

3.2 Pesquisa a ser desenvolvida

Resta à continuação desse trabalho (segunda etapa) o estabelecimento

numérico da curva tensão x deformação até a carga de ruptura para prismas, paredes

e paredinhas através dos parâmetros obtidos experimentalmente em seus

componentes. De forma geral adotar-se-ão os seguintes aspectos na segunda etapa

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 1-4, 2006

Estudo numérico e experimental da compressão de peças de alvenaria estrutural

3

Tensão (kN/cm2)

Tensão (kN/cm2)

Tensão (kN/cm2)

Tensão (kn/cm2)

Tensão (kn/cm2)

Tensão (kn/cm2)

Tensão (kN/cm2)

Tensão (kN/cm2)

Tensão (kn/cm2)

Tensão (kn/cm2)

da pesquisa:

Método dos elementos finitos. Utilização do programa FEAP;

Com os gráficos tensão x deformação de blocos e CPs de argamassa, retirar informações ligadas às propriedades elásticas, assim como constantes plásticas e energia de fratura;

Modelo material em duas fases; estratégia de micromodelagem;

Modelo de fissuração distribuída.

4

RESULTADOS OBTIDOS

Serão apresentados os resultados obtidos no trabalho experimental relacionados às curvas tensão x deformação obtidas para elementos e componentes de alvenaria. As curvas mostradas são representativas do comportamento para a maioria dos componentes / elementos e CPs de argamassa ensaiados.

4.1 Componentes e elementos sílico-calcários(10MPa)

Tensão x Deformação

-1,05 Transdutores -0,85 -0,65 -0,45 -0,25 -0,05 0,000 -0,005 -0,010 -0,015 -0,020 -0,025 -0,030
-1,05
Transdutores
-0,85
-0,65
-0,45
-0,25
-0,05
0,000
-0,005
-0,010
-0,015
-0,020
-0,025
-0,030

Deformação

a)

Tensão x Deformação

-1,10

 
-1,10   Transdutores
-1,10   Transdutores

Transdutores

-0,90

-0,70

-0,50

-0,30

   
-0,30    

-0,10

-0,10  
 

-0,001

-0,003

-0,006

-0,008

Deformação

b)

-0,011

-0,013

Tensão x Deformação

-1,00 Transdutores -0,85 -0,70 -0,55 -0,40 -0,25 -0,10 -0,001 -0,003 -0,004 -0,006 -0,007 -0,009
-1,00
Transdutores
-0,85
-0,70
-0,55
-0,40
-0,25
-0,10
-0,001
-0,003
-0,004
-0,006
-0,007
-0,009

Deformação

c)

Tensão x Deformação

-0,90 Transdutores -0,80 -0,70 -0,60 -0,50 -0,40 -0,30 -0,20 -0,10 0,00 0,000 -0,003 -0,005 -0,008
-0,90
Transdutores
-0,80
-0,70
-0,60
-0,50
-0,40
-0,30
-0,20
-0,10
0,00
0,000
-0,003
-0,005
-0,008
-0,010
-0,013
-0,015

Deformação

d)

Figura 1 - Gráficos tensão x deformação para: a)Bloco b)prisma 2bl c)prisma 3bl d)paredinha.

4.2 Componentes e elementos de concreto (4,5MPa)

Tensão x Deformação Tensão x Deformação -0,85 -0,70 Transdutores -0,75 Transdutores -0,60 -0,65 -0,50
Tensão x Deformação
Tensão x Deformação
-0,85
-0,70
Transdutores
-0,75
Transdutores
-0,60
-0,65
-0,50
-0,55
-0,40
-0,45
-0,35
-0,30
-0,25
-0,20
-0,15
-0,10
-0,05
0,00
0,000
-0,005
-0,010
-0,015
-0,020
-0,025
-0,030
0,000
-0,002
-0,004
-0,006
-0,008
-0,010
Tensão (kn/cm2)

Deformação

a)

Deformação

b)

Tensão x Deformação

-0,60

-0,50

-0,40

-0,30

-0,20

-0,10

0,00

Transdutores x Deformação -0,60 -0,50 -0,40 -0,30 -0,20 -0,10 0,00 0,000 -0,001 -0,002 -0,003 -0,004 -0,005 Deformação

0,000

-0,001

-0,002

-0,003

-0,004

-0,005

Deformação

c)

Tensão x Deformação

-0,55

-0,45

-0,35

-0,25

-0,15

-0,05

Transdutores Tensão x Deformação -0,55 -0,45 -0,35 -0,25 -0,15 -0,05 0,000 -0,002 -0,003 -0,005 -0,006 -0,008 Deformação

0,000

-0,002

-0,003

-0,005

-0,006

-0,008

Deformação

d)

Figura 2 - Gráficos tensão x deformação para: a)Bloco b)prisma 2bl c)prisma 3bl

d)paredinha

4.3 Componentes e elementos de concreto (8MPa)

Tensão x Deformação

-1,35 -1,15 Transdutores -0,95 -0,75 -0,55 -0,35 -0,15 0,000 -0,002 -0,004 -0,006 -0,008 -0,010 Deformação
-1,35
-1,15
Transdutores
-0,95
-0,75
-0,55
-0,35
-0,15
0,000
-0,002
-0,004
-0,006
-0,008
-0,010
Deformação

a)

-1,10

-0,90

-0,70

-0,50

-0,30

-0,10

Tensão x Deformação

Transdutores -1,10 -0,90 -0,70 -0,50 -0,30 -0,10 Tensão x Deformação -0,001 -0,002 -0,004 -0,005 -0,007 Deformação b)

-0,001

-0,002

-0,004

-0,005

-0,007

Deformação

b)

-0,008

-0,010

-0,011

Tensão x Deformação -0,90 -0,80 -0,70 Transdutores -0,60 -0,50 -0,40 -0,30 -0,20 -0,10 0,00 0,000
Tensão x Deformação
-0,90
-0,80
-0,70
Transdutores
-0,60
-0,50
-0,40
-0,30
-0,20
-0,10
0,00
0,000
-0,002
-0,004
-0,006
-0,008
-0,010
Deformação

c)

Tensão x Deformação

-0,80 Transdutores -0,70 -0,60 -0,50 -0,40 -0,30 -0,20 -0,10 0,00 -0,002 -0,005 -0,007 -0,010 -0,012
-0,80
Transdutores
-0,70
-0,60
-0,50
-0,40
-0,30
-0,20
-0,10
0,00
-0,002
-0,005
-0,007
-0,010
-0,012
Tensão (kn/cm2)

Deformação

d)

Figura 3 - Gráficos tensão x deformação para: a)Bloco b)prisma 2bl c)prisma 3bl d)paredinha.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n., p. 1-4, 2006

4

Alexandre Alves de Freitas & Marcio Antonio Ramalho

Tensão (kN/cm2)

Tensão (kN/cm2)

Tensão (kN/cm2)

Tensão (kN/cm2)

Tensão (Kn/cm2)

4.4 Componentes e elementos cerâmicos (6 MPa)

Tensão x Deformação Tensão x Deformação -0,49 -1,00 -0,42 -0,85 Transdutores -0,35 Transdutores -0,70
Tensão x Deformação
Tensão x Deformação
-0,49
-1,00
-0,42
-0,85
Transdutores
-0,35
Transdutores
-0,70
-0,28
-0,55
-0,21
-0,40
-0,14
-0,25
-0,07
-0,10
0,00
0,000
-0,003
-0,006
-0,009
-0,012
-0,015
0,000
-0,002
-0,004
-0,006
-0,008
-0,010
Deformação
Deformação
Tensão (kN/cm2)

a)

b)

Tensão x Deformação -0,43 Transdutores -0,37 -0,31 -0,25 -0,19 -0,13 -0,07 -0,01
Tensão x Deformação
-0,43
Transdutores
-0,37
-0,31
-0,25
-0,19
-0,13
-0,07
-0,01

Tensão x Deformação

-0,30 -0,25 Transdutores -0,20 -0,15 -0,10 -0,05 0,00
-0,30
-0,25
Transdutores
-0,20
-0,15
-0,10
-0,05
0,00
 

0,000

-0,002

-0,004

-0,006

-0,008

-0,010

0,000

-0,002

-0,004

-0,006

Deformação

-0,008

-0,010

-0,012

Deformação

c)

d)

Figura 4- Gráficos tensão x deformação para: a)Bloco b)prisma 2bl c)prisma 3bl

d)paredinha.

4.5 Análise do Comportamento dos CPs de argamassa

As argamassas apresentaram comportamento semelhante nos ensaios de compressão axial, independente do traço utilizado. O comportamento característico pode ser visto na figura 5.

Tensão x Deformação

-0,70 -0,60 Transdutores -0,50 -0,40 -0,30 -0,20 -0,10 0,00 0,000 -0,004 -0,008 -0,012 -0,016 -0,020
-0,70
-0,60
Transdutores
-0,50
-0,40
-0,30
-0,20
-0,10
0,00
0,000
-0,004
-0,008
-0,012
-0,016
-0,020
-0,024

Deformação

Tensão x Deformação

-0,41 -0,35 -0,29 Transdutores -0,23 -0,17 -0,11 -0,05 -0,001 -0,005 -0,009 -0,013 -0,017 -0,021 -0,025
-0,41
-0,35
-0,29
Transdutores
-0,23
-0,17
-0,11
-0,05
-0,001
-0,005
-0,009
-0,013
-0,017
-0,021
-0,025

Deformação

a) Figura 5 - Gráficos tensão x deformação para argamassas:

5 CONCLUSÕES PARCIAIS

a)A1

b)

b)A2.

Notou-se nos ensaios utilizando blocos sílico-calcários a possibilidade de obter toda curva tensão x deformação de forma bem definida para materiais quase frágeis até a fase de amolecimento, tanto para blocos isolados como para os elementos executados com estes. Do mesmo modo, foi possível obter o trecho referente ao pós-pico de tensão nos ensaios com blocos isolados de concreto e cerâmico, porém, a queda de tensão algumas vezes foi acentuada e o rompimento brusco. Já o comportamento dos prismas e paredinhas caracterizou-se por uma queda de tensão menos acentuada. Essa situação confirma o que se espera da alvenaria quando da presença das juntas de argamassa. De forma geral, os resultados obtidos no trabalho experimental foram coerentes com os observados na literatura. O estudo realizado na etapa 1 faz parte de uma pesquisa mais ampla que engloba a obtenção do comportamento da alvenaria a partir de procedimentos numéricos utilizando conceitos da mecânica da fratura e comportamento não-linear dos materiais. É importante ressaltar que os resultados obtidos até então serão fundamentais para a calibração do procedimento numérico a ser utilizado na segunda etapa desse trabalho.

6 AGRADECIMENTOS

Ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico) pela bolsa de Doutorado concedia. À FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) pelo auxílio financeiro prestado ao desenvolvimento da pesquisa experimental.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 1-4, 2006

ISSN 1809-5860

DESENVOLVIMENTO DE TÉCNICAS HÍBRIDAS DE REFORÇO DE PILARES DE CONCRETO ARMADO POR ENCAMISAMENTO COM COMPÓSITOS DE ALTO DESEMPENHO

Alexandre Luis Sudano 1 & João Bento de Hanai 2

Resumo

Na maioria das vezes, o reforço de pilares de concreto armado é feito por encamisamento com concreto armado, de alta resistência ou não, ou com polímeros reforçados com fibras (PRF). O objetivo central desta pesquisa é caracterizar os mecanismos resistentes e de deformação inerentes às principais técnicas de reforço de pilares de concreto armado e desenvolver técnicas híbridas de encamisamento com compósitos de alto desempenho. Com base neste conhecimento, pretende-se ainda propor uma metodologia geral para seleção de técnicas de reforço.

Palavras-chave: reforço de pilares de concreto armado, confinamento, concreto de alta resistência, compósito cimentício, compósito polimérico.

HYBRID TECHNIQUES DEVELOPMENT TO STRENGTHEN REINFORCED CONCRETE COLUMNS BY HIGH PERFORMANCE COMPOSITES JACKETING

Abstract

Most of the time, the strengthening of reinforced concrete columns is made by jacketing it with reinforced concrete, of high strength or not, or with fiber reinforced polymers (FRP). The main objective of this research is to characterize the resistant and deformation mechanisms of the main techniques of strengthening reinforced concrete columns and to develop hybrid techniques of jacketing with high performance composites. Based on this knowledge, is intended to propose a general methodology for selection of the better strengthening technique.

Keywords: strengthening of reinforced concrete columns, confinement, high strength concrete, cimenticious composites, polymeric composites.

Linha de Pesquisa: Estruturas de Concreto e de Alvenaria.

1 Doutorando em Engenharia de Estruturas - EESC-USP, alsudano@sc.usp.br 2 Professor do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, jbhanai@sc.usp.br

de Engenharia de Es truturas da EESC-USP, jbhanai@sc.usp.br Cadernos de Engenharia de Estruturas , São Carlos,

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 5-8, 2006

6

Alexandre Luis Sudano & João Bento de Hanai

1

INTRODUÇÃO

O reforço de pilares de concreto armado tem passado por mudanças significativas nos últimos anos. Tais mudanças devem-se, sobretudo ao desenvolvimento de novos materiais e respectivas técnicas de reforço, como os compósitos poliméricos de fibras sintéticas (de carbono, aramida, vidro, etc.), os concretos de alta resistência e outros compósitos cimentícios de elevado desempenho.

Numa primeira abordagem, pode-se dizer que os mecanismos resistentes associados às principais técnicas de reforço são:

aumento da seção transversal: acréscimo de materiais que proporcionam esforços resistentes na mesma direção do esforço solicitante principal, e que portanto incrementam diretamente a capacidade portante do pilar. Exemplos: perfis ou chapas de aço, camisa de concreto;

confinamento do concreto: aumento da resistência do concreto pela introdução de pressões laterais de confinamento. Exemplo: encamisamento com compósito de fibra de carbono (PRFC);

interação de componentes: atuação solidária entre substrato (pilar original) e reforço por meio de mecanismos adequados de transferência de esforços. Exemplo: no caso de encamisamento com concreto e armadura transversal adequada, há contribuição do material acrescentado, do pilar original (núcleo) e do efeito de confinamento.

Tanto no caso de reforço como no caso de dimensionamento de estrutura nova, interessa conhecer as propriedades de deformação de cada um dos materiais envolvidos, assim como os mecanismos que regem a sua interação e daí a deformabilidade do conjunto. É também importante prever a forma de ruína do pilar, sendo desejável a ruína dúctil.

Na maioria das vezes, o reforço de pilares de concreto armado é feito por encamisamento. Ainda nesta primeira abordagem, considere-se as principais técnicas de encamisamento: com concreto armado, sendo este de alta resistência ou não, e com polímeros reforçados com fibras (PRF). Estas técnicas assim como outras não mencionadas têm suas vantagens e inconvenientes. Como cada problema de reforço a ser enfrentado tem suas particularidades técnicas, e a forma de intervenção depende também das condições locais, de recursos disponíveis e de construtibilidade, a escolha da melhor solução depende de uma análise mais abrangente.

Em termos de pesquisa e inovação tecnológica, interessa conhecer cada vez melhor os mecanismos de resistência e de deformabilidade das técnicas existentes, e desenvolver novos materiais e novas técnicas, eventualmente combinando materiais e mecanismos.

Numa segunda abordagem, discute-se preliminarmente as possibilidades de desenvolvimento de técnicas híbridas, com aplicação de compósitos poliméricos e cimentícios de alto desempenho. A oferta de conhecimentos científicos mais aprofundados e de um elenco ampliado de alternativas tecnológicas é uma meta do presente projeto de pesquisa.

Pretende-se com esta pesquisa desenvolver a caracterização dos distintos mecanismos resistentes e de deformação associados às diversas técnicas de reforço de pilares e a sistematização desses conhecimentos; desenvolver pesquisas sobre técnicas híbridas de reforço, inclusive modelos de análise teórica; e desenvolver estudos sobre novos compósitos de alto desempenho. Pretende-se também propor uma metodologia geral de seleção de técnicas de reforço, baseada na viabilidade técnica, e, possivelmente, em estudos sobre custos, construtibilidade, confiabilidade, adequação tecnológica.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 5-8, 2006

Desenvolvimento de técnicas híbridas de reforço de pilares de concreto armado por

7

2 METODOLOGIA

A metodologia empregada nesta pesquisa baseia-se, inicialmente, numa extensa revisão bibliográfica, na qual pretende-se elucidar os mecanismos resistentes e de deformação das diversas técnicas de encamisamento de pilares de concreto. Em uma segunda etapa serão realizadas simulações experimentais a fim de obter dados suficientes para a aferição e extrapolação de simulações numéricas de pilares, de diversas formas de seção transversal, reforçados com diferentes técnicas de reforço. Com os resultados da simulação experimental e numérica, pretende-se elaborar um roteiro prático para a escolha da melhor técnica de reforço aplicada a uma determinada situação.

3 DESENVOLVIMENTO

Até o momento foi realizada uma vasta revisão bibliográfica para trazer a tona os problemas existentes nas diversas técnicas de reforço comumente utilizadas. Para atingir este objetivo foram abordados assuntos os seguintes assuntos: Confinamento de pilares, englobando formas não convencionais de reforço, reforço com camisa de PRF pré-tracionada, comportamento do PRF em incêndio e taxa de deformação lateral; Pilares de concreto reforçado com fibras de aço e seus modelos de cálculo; Tenacidade e Ductilidade.

Tendo em vista os problemas levantados na revisão bibliográfica, elaborou-se um plano piloto de ensaios para caracterizar tais problemas e verificar a viabilidade de algumas propostas iniciais de reforço. A seguir, são descritos os ensaios realizados e seus objetivos centrais:

Para avaliar a eficiência da associação de diferentes tipos de fibra no PRF, foram realizados ensaios em corpos-de-prova cilíndricos de 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura encamisados com uma e duas camadas de fibra de carbono (CPC e CPCC, respectivamente), com uma e duas camadas de fibra de vidro (CPV e CPVV, respectivamente), com uma camada de fibra de carbono e uma de fibra de vidro (CPCV), e com uma camada de fibra de vidro e uma de fibra de carbono (CPVC).

Para avaliar o desempenho de diferentes tipos de reforço, foram realizados ensaios em modelos circulares, inicialmente com 15 cm de diâmetro e 60 cm de altura, sendo este o modelo de referência (MSC), posteriormente encamisado com uma camada de fibra de carbono (MFC) ou encamisado com concreto, aumentando assim o seu diâmetro para 20 cm. Já estes modelos foram encamisados com concreto de alta resistência (MCAR), concreto de alta resistência reforçado com fibras de aço (MCARF), concreto de alta resistência reforçado com fibras de aço e encamisado com fibra de carbono (MCARFC), e concreto de alta resistência reforçado com fibras de aço e encamisado com fibra de vidro (MCARFV). Foi também feita uma tentativa de fazer o reforço com uma camisa de PRF pré-moldada e posteriormente preenchida com um graute expansivo para mobilizar o efeito de confinamento sem a necessidade de deformação axial adicional.

Baseado nos resultados destes ensaios será elaborada uma nova série de ensaios, agora definitiva, para fornecer dados suficientes para uma simulação numérica para poder extrapolar estes resultados e servir de subsídio para a formulação de uma “rotina” prática de escolha da técnica de reforço a ser empregada para cada situação.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 5-8, 2006

8

Alexandre Luis Sudano & João Bento de Hanai

4 RESULTADOS OBTIDOS

Na Figura 1 (a) são apresentados os resultados dos ensaios dos corpos-de- prova. Percebe-se claramente que os resultados não estão de acordo com o que se esperava, uma vez que a resistência do corpo-de-prova com duas camadas de fibra de carbono foi menor que a do corpo-de-prova com apenas uma. Estas anomalias ocorreram em função da dificuldade encontrada no capeamento com enxofre por causa da superfície irregular do corpo-de-prova após o encamisamento. Já o gráfico da Figura 1 (b) apresenta a relação de reforço (relação entre a força instantânea dos modelos e a máxima força do modelo de referência). Neste caso, como era de se esperar, o modelo que apresentou a maior relação de reforço foi o MCARFC, porém deve-se chamar atenção que neste caso houve um aumento de cerca de 78% na área da seção transversal do pilar original, o que é inadmissível em algumas situações. Já o modelo com a camisa pré-moldada foi se rompeu antes do ensaio, em função da expansão excessiva do graute, e por isso deverá ser refeito.

Tensão x Deformação Axial

-35 -30 -25 -20 -15 CP_C -10 CP_CC CP_CV CP_V -5 CP_VC CP_VV 0 0,0
-35
-30
-25
-20
-15
CP_C
-10
CP_CC
CP_CV
CP_V
-5
CP_VC
CP_VV
0
0,0
-0,2
-0,4
-0,6
-0,8
-1,0
-1,2
-1,4
-1,6
Tensão (MPa)
Relação de reforço

Deformação Axial (%)

(a)

-4

-3

-2

-1

0

Relação de reforço x Deformação Axial M_SC M_FC M_CAR M_CARF M_CARFV M_CARFC 0,0 -0,2 -0,4
Relação de reforço x Deformação Axial
M_SC
M_FC
M_CAR
M_CARF
M_CARFV
M_CARFC
0,0
-0,2
-0,4
-0,6
-0,8
-1,0
-1,2

Deformação Axial (%)

(b)

Figura 1 – Resultado dos ensaios dos corpos-de-prova e dos modelos.

5 CONCLUSÕES PARCIAIS

Como conclusões parciais tem-se que o sistema de capeamento com enxofre deve ser evitado nos ensaios definitivos e que, com dados obtidos até agora pode-se concluir que questões relativas a deformação axial adicional e aumento da área da seção transversal do pilar a ser reforçado devem, obrigatoriamente, fazer parte da estratégia de determinação da melhor técnica a ser empregada no reforço de pilares. Tais questões devem ser mais bem detalhadas com o andamento da pesquisa.

6 AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem e salientam que o desenvolvimento deste trabalho só está sendo possível graças o apoio da FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – na forma de ajuda financeira concedida por meio da bolsa de Doutorado.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 5-8, 2006

ISSN 1809-5860

DESENVOLVIMENTO DE UNIDADES DE ALVENARIA ESTRUTURAL PRODUZIDAS COM AGREGADOS RECICLADOS DE CONCRETO

Alexandre Marques Buttler 1 & Márcio Roberto Silva Corrêa 2

Resumo

Os resíduos de concreto gerados em fábricas de pré-moldados apresentam um excelente potencial para serem reciclados, devido a sua homogeneidade e presença insignificante de contaminantes quando comparados aos resíduos de construção e demolição. Diante disto, o objetivo deste trabalho foi avaliar diferentes tipos de resíduos de concreto gerados em uma fábrica de pré-moldados e, em uma segunda etapa, verificar as propriedades físicas e mecânicas de blocos estruturais de concreto produzidos com estes materiais. De maneira geral, as propriedades físicas dos blocos de concreto foram influenciadas pela presença da fração reciclada; apesar disso, todas as unidades atenderam aos requisitos prescritos pelas normas técnicas vigentes.

Palavras-chave: agregados reciclados de concreto, blocos de concreto com agregados reciclados, propriedades físicas e propriedades mecânicas.

DEVELOPMENT OF STRUCTURAL MASONRY UNITS PRODUCED WITH RECYCLED CONCRETE AGGREGATES

Abstract

The concrete wastes generated at precast concrete plants have a large recycling potential because of its homogeneity and insignificant presence of contaminants when compared to construction and demolition wastes. The purpose of this study was to evaluate different types of concrete wastes generated at precast concrete plant and also to verify the physical and mechanical properties of structural concrete blocks produced with these materials. The physical properties of concrete blocks were influenced by presence of recycled fraction. Despite of that the units satisfying the requirements prescribed by the existent standards.

Keywords: recycled concrete aggregates, concrete blocks with recycled aggregates, physical properties and mechanical properties.

Linha de Pesquisa: Estruturas de Concreto e de Alvenaria.

1 Doutorando em Engenharia de Estruturas - EESC-USP, buttler@sc.usp.br 2 Professor do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, mcorrea@sc.usp.br

de Engenharia de Es truturas da EESC-USP, mcorrea@sc.usp.br Cadernos de Engenharia de Estruturas , São Carlos,

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 9-12, 2006

10

Alexandre Marques Buttler & Márcio Roberto Silva Corrêa

1 INTRODUÇÃO

Um dos grandes entraves para a utilização de agregados reciclados de resíduos de construção e demolição refere-se a sua grande heterogeneidade. Por outro lado, para os resíduos de concreto de fábricas de pré-moldados, o processo de beneficiamento pode ser considerado simplificado, uma vez que são constituídos basicamente de rejeitos de concreto provenientes de elementos rejeitados pelo controle de qualidade, sobras de concreto fresco e unidades danificadas durante o transporte e estocagem.

Dentre os possíveis campos de utilização para os agregados reciclados de concreto, a produção de blocos estruturais de concreto surge como uma opção viável pelas seguintes razões: a) os blocos de resistência mais elevadas (12MPa), utilizados em edifícios de até 12 andares, correspondem a um concreto de baixa resistência (25MPa em CPs cilíndricos); b) o processo de adensamento e vibração empregado na fabricação dos blocos permite o emprego de dosagens com baixo consumo de cimento, reduzindo os problemas de retração; c) a possibilidade de emprego de resíduos de concreto de baixa resistência, como, por exemplo, os resíduos do próprio bloco, uma vez que as exigências de resistência do artefato não são elevadas; d) a utilização do resíduo em uma atividade de alto valor agregado (produção de artefatos de concreto), permitindo, dessa maneira, uma valorização do material e seu emprego na produção de outros elementos.

2 METODOLOGIA

Os materiais empregados para a fabricação dos blocos de concreto foram caracterizados seguindo as recomendações das Normas Brasileiras. O aglomerante utilizado na pesquisa foi o cimento CP-V-ARI-PLUS. O aditivo empregado para a produção dos blocos de concreto foi um aditivo plastificante – Rheomix 610 da MBT (Master Builder Technologies). Os agregados reciclados de concreto foram provenientes de dois tipos de resíduos com as seguintes características: a) resíduos de vigotas de concreto: resíduos oriundos de concretos de média resistência (fc = 35MPa), elevado consumo de cimento, boa qualidade e porcentagem de contaminantes inferior a 1%; b) resíduos de blocos de concreto: resíduos oriundos de concretos de baixa resistência (10-25MPa), baixo consumo de cimento, elevado consumo de pó-de-pedra, baixa qualidade e porcentagem de contaminantes desprezível. Os resíduos foram processados em um britador de mandíbulas e separados em duas frações distintas: graúda (2,4<x<9,5mm) e miúda (x<2,4mm).

3 DESENVOLVIMENTO

Os blocos foram produzidos em uma vibro-prensa da marca Piorotti, com controle dos tempos de produção (alimentação, vibração e compactação da máquina). A cura aplicada foi a térmica com duração de quatro a cinco horas e regime isotérmico (600C – 670C). As unidades produzidas apresentavam dimensões nominais de 140mm x 190mm x 290mm (largura x altura x comprimento), com espessura de parede variável ao longo da altura.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8 n. 32, p. 9-12, 2006

Desenvolvimento de unidades de alvenaria estrutural produzidas com agregados

11

Para a definição dos traços a serem produzidos, foram moldados corpos-de- prova cilíndricos utilizando concretos de consistência seca com ou sem a adição de agregados reciclados. De posse desses resultados, foram definidos dezoito traços para a fabricação dos blocos estruturais (4,5MPa; 8,0MPa e 12,0MPa), com a incorporação de agregados miúdos e graúdos reciclados. Para cada grupo/classe de resistência foram definidos três consumos de cimento: Grupo 4,5 (120 kg/m 3 ), Grupo 8,0 (150 kg/m 3 ) e Grupo 12,0 (220 kg/m 3 ). Para as dosagens com agregados reciclados procurou-se manter o mesmo consumo de cimento das dosagens de referência.

4 RESULTADOS OBTIDOS

O cumprimento aos limites impostos pelos códigos normativos, quanto às propriedades físicas, são condições essenciais para um correto desempenho dos blocos de concreto sem o surgimento de futuras patologias. Todas as unidades produzidas terão que obedecer a estes limites, principalmente, quanto às propriedades de absorção de água e retração por secagem.

Os resultados das propriedades de absorção de água e retração por secagem são apresentados na figura 1.

 

1,30

Resultados relativos (reciclados/referência

1,50

Resultados relativos (reciclados/referência

1,25

Resultados relativos (reciclados/referência 1,25   1,45
 

1,45

Resultados relativos (reciclados/referência 1,25   1,45

1,20

1,40

1,15

1,35

1,10

1,30

1,25

1,05

1,20

1,00

1,15

0,95

1,10

0,90

1,05

0,85

1,00

0,80

RGV-

RGV-50%

RMV-33%

RGB-50%

RMB-33%

RGV-100%

RGV-50%

RMV-33%

RGB-50%

RMB-33%

100% (1)

(2)

(3)

(4)

(5)

 

(1)

(2)

(3)

(4)

(5)

 
 
  4,5 MPa 8 MPa 12 MPa     4,5 MPa 8 MPa 12 MPa

4,5 MPa

  4,5 MPa 8 MPa 12 MPa     4,5 MPa 8 MPa 12 MPa

8 MPa

  4,5 MPa 8 MPa 12 MPa     4,5 MPa 8 MPa 12 MPa

12 MPa

   
4,5 MPa

4,5 MPa

4,5 MPa

8 MPa

  4,5 MPa 8 MPa 12 MPa     4,5 MPa 8 MPa 12 MPa

12 MPa

(a)

(b)

(1) Dosagem com 100% de agregados graúdos reciclados de vigota em substituição ao agregado graúdo natural; (2) Dosagem com 50% de agregados graúdos reciclados de vigota em substituição ao agregado graúdo natural; (3) Dosagem com 33% de agregados miúdos reciclados de vigota em substituição ao agregado miúdo natural; (4) Dosagem com 50% de agregados graúdos reciclados de bloco em substituição ao agregado graúdo natural; (5) Dosagem com 33% de agregados miúdos reciclados de bloco em substituição ao agregado miúdo natural

Figura 1 – Resultados relativos - (a) absorção de água, (b) retração por secagem.

Na figura 2, podem ser observados os resultados de resistência à compressão e resistência à tração indireta.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8 n. 32, p. 9-12, 2006

12

Alexandre Marques Buttler & Márcio Roberto Silva Corrêa

1,30 1,20 1,10 1,00 0,90 0,80 0,70 0,60 RGV-100% RGV-50% RMV-33% RGB-50% RMB-33% (1) (2)
1,30
1,20
1,10
1,00
0,90
0,80
0,70
0,60
RGV-100%
RGV-50%
RMV-33%
RGB-50%
RMB-33%
(1)
(2)
(3)
(4)
(5)
4,5 MPa
8 MPa
12 MPa
Resultados relativos
(reciclados/referência)

(a)

1,20 1,10 1,00 0,90 0,80 0,70 0,60 RGV-100% RGV-50% RM V-33% RGB-50% RM B-33% (1)
1,20
1,10
1,00
0,90
0,80
0,70
0,60
RGV-100%
RGV-50%
RM V-33%
RGB-50%
RM B-33%
(1)
(2)
(3)
(4)
(5)
4,5 M Pa
8 M Pa
12 M Pa

(b)

Figura 2 – Resultados relativos - (a) resistência à compressão, (b) resistência à tração indireta.

5 CONCLUSÕES PARCIAIS

Em

relação

aos

conclusões parciais:

resultados

obtidos

foram

estabelecidas

as

seguintes

Para a propriedade de absorção de água, os blocos com agregados reciclados de vigota apresentaram valores significativamente maiores comparativamente às unidades de referência devido à argamassa porosa que se encontra aderida ao agregado reciclado; já para as unidades com agregados reciclados de bloco, os valores de absorção de água foram considerados semelhantes aos obtidos para as unidades de referência devido à adoção de tempos maiores de vibro-prensagem visando o aumento da coesão da mistura. De maneira geral, todas as unidades cumpriram com os requisitos normativos prescritos para esta propriedade.

Para a propriedade de retração por secagem, todas as unidades cumpriram com os requisitos normativos que estabelecem uma retração máxima de 0,065%. Apesar disso, devido à porosidade do agregado reciclado de vigota e bloco, os valores de retração das unidades com agregados reciclados foram significativamente maiores comparativamente aos blocos de referência.

Para as propriedades de resistência à compressão e tração indireta, pode-se dizer que os valores obtidos para as unidades com agregados reciclados foram próximos e até semelhantes aos obtidos para as unidades de referência.

De maneira geral, independentemente da taxa de substituição e da qualidade do resíduo, os blocos com agregados reciclados apresentaram um desempenho satisfatório, sendo que apenas as propriedades físicas foram afetadas significativamente pela presença da fração reciclada.

6 AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP – pelo auxílio financeiro que propiciou as condições necessárias para o desenvolvimento desta pesquisa.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8 n. 32, p. 9-12, 2006

ISSN 1809-5860

OTIMIZAÇÃO DE PAVIMENTOS DE EDIFÍCIOS EM CONCRETO PRÉ-MOLDADO

Augusto Teixeira de Albuquerque 1 & Mounir Khalil El Debs 2

Resumo

As estruturas em concreto pré-moldado utilizam elementos mais modulados e padronizados, logo as técnicas de otimização podem gerar uma boa economia devido à produção em série. Entre as técnicas de otimização em engenharia estrutural os algoritmos genéticos (AG’s) têm sido reconhecidos como uma forte tendência. Este trabalho busca o desenvolvimento de um sistema de apoio à tomada de decisão na escolha da solução estrutural para edifícios em concreto pré-moldado utilizando AG’s. Pretende-se desenvolver uma otimização integral desde a escolha do layout estrutural até o detalhamento dos elementos.

Palavras-chave: algoritmos genéticos, concreto pré-moldado, otimização.

FLOOR OPTIMISATION IN PRECAST CONCRETE BUILDING USING GENETIC

Abstract

The precast concrete structures utilize more modular and standardized elements then the optimization techniques can improve economics gain because of series production. Among the optimization techniques in structural engineering design, genetic algorithms (GA) have been recognized as a trend. This work presents initial results from a decision support system developed using GA for optimize the floor structural design of a precast concrete building. It is done a structural integrated optimization since the structural layout (columns position, directions and spans for beams and hollow cores) until the complete elements detailing (dimensions and reinforcement).

Keywords: genetic algorithms, optimization, structural design, precast concrete.

Linha de Pesquisa: Estruturas de Concreto e de Alvenaria.

1 Doutorando em Engenharia de Estruturas - EESC-USP, augustoa@sc.usp.br 2 Professor do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, mkdebs@sc.usp.br

de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, mkdebs@sc.usp.br Cadernos de Engenharia de Estruturas , São Carlos, v.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 13-16, 2006

14

Augusto Teixeira de Albuquerque & Mounir Khalil El Debs

1 INTRODUÇÃO

Muitas pesquisas têm lidado com a aplicação de técnicas de otimização ao projeto de estruturas pré-moldadas, que é uma união bastante pertinente já que as estruturas pré- fabricadas são mais moduladas e padronizadas e feitas em linha de produção. Este aspecto torna mais fácil a modelagem matemática do problema de otimização e produz economia em escala quando os resultados ótimos são alcançados.

Dentre as várias técnicas de otimização os algoritmos genéticos (AG’s) vem se destacando como uma excelente ferramenta e por isso será utilizada neste trabalho. O primeiro trabalho desenvolvido utilizando AG’s no âmbito da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP) foi o doutorado de CASTILHO (2002).

O objetivo geral da pesquisa é desenvolver um programa em Fortran para otimização estrutural do pavimento de edifícios em concreto pré-moldado, utilizando AG e tendo o custo como função objetivo. Este programa será denominado SATD (sistema de apoio à tomada de decisão).

Pretende-se, a partir de um pavimento retangular com dimensões (x e y ) e carregamentos definidos, adotar como variáveis de projeto: (a) da configuração estrutural, o número de vãos e a direção das vigas e lajes e (b) dos componentes, as dimensões e armaduras das peças.

2 METODOLOGIA

Várias etapas caracterizarão este trabalho:

a) Extensa pesquisa bibliográfica nos assuntos: algoritmos genéticos, aplicações de métodos de otimização em engenharia estrutural e dimensionamento dos elementos pré-fabricados utilizados em edifícios;

b) Pesquisa junto aos arquitetos, projetistas de estruturas e fabricantes sobre quais os sistemas estruturais mais adequados para os diversos edifícios em concreto pré-moldado;

c) Parceria junto à fábrica T&A para se fazer um levantamento sobre o funcionamento da indústria, as características da produção, transporte e montagem, bem como da composição de custos;

d) Formulação do modelo, onde a partir dos dados de entrada se define o sistema estrutural e otimiza-se a configuração estrutural juntamente com a otimização dos elementos (vigas e lajes);

e) Desenvolver um programa em Fortran para implementação do algoritmo de otimização;

f) Aplicações, análise dos resultados e conclusões.

3 DESENVOLVIMENTO

O SATD é um sistema de apoio à tomada de decisão na busca da configuração estrutural de edifícios de múltiplos pavimentos com planta retangular em concreto pré- moldado, utilizando-se a técnica dos algoritmos genéticos. O sistema fornece ao usuário todos os dados necessários, desde a configuração estrutural até o detalhamento dos elementos.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 13-16, 2006

Otimização de pavimentos de edifícios em concreto pré-moldado

como

quantidades de vigas e lajes de um pavimento.

Entende-se

configuração

estrutural

4 RESULTADOS OBTIDOS

a

definição

das

direções,

15

vãos

e

Para aferir a consistência do SATD foram feitos 3 exemplos. Salienta-se que a função custo que está implementada é simplificada e ainda não contempla as particularidades de fabricação, montagem, transporte e o impacto da estrutura nos sistemas de instalação e arquitetura.

4.1 Exemplo 1

Baseado no projeto da Figura 1 (PRIOR, 1993) fez uma série de processamentos no SATD tendo como dados de entrada as dimensões do pavimento (30,48 m x 60,96 m) e a restrição de distância mínima entre pilares nas duas direções de 7,62 m.

mínima entre pilares nas duas direções de 7,62 m. Figura 1 – Layout estrutural ATLSS report.

Figura 1 – Layout estrutural ATLSS report. Fonte – PRIOR, R. (1993).

Em todos os processamentos obteve-se como melhor alternativa a mesma configuração adotada na Figura 1 que foi a primeira opção adotada pelo ATLSS report (PRIOR, 1993). Este fato demonstra a consistência do sistema, por repetir em todos os processamentos a mesma solução estrutural, além de demonstrar eficiência já que se trata de uma alternativa sabidamente eficiente. Apresenta-se na Figura 2 as dimensões das vigas e lajes adotadas pelo sistema.

2 as dimensões das vigas e lajes adotadas pelo sistema. Figura 2 – Dimensões dos elementos

Figura 2 – Dimensões dos elementos adotadas pelo SATD.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 13-16, 2006

16

Augusto Teixeira de Albuquerque & Mounir Khalil El Debs

Foram feitos inicialmente 12 processamentos variando-se os operadores do AG. Foram feitas variações no tamanho da população, na quantidade de gerações, na taxa de mutação e de cruzamento. Estas variações foram feitas simultaneamente e em separado, além de alguns processamentos que tiveram seus operadores mantidos fixos.

A maior variação do valor da aptidão do melhor indivíduo encontrada, nos 12 processamentos, foi de apenas 1,73 % atestando assim a uniformidade do algoritmo.

Posteriormente fizeram-se 20 processamentos variando-se o número de gerações e o tamanho da população separadamente. Observa-se que para a situação de 3000 gerações a curva apresenta um resultado mais coerente, já que diminui com o acréscimo do tamanho da população. Diante disso, adotou-se para os outros processamentos 3000 gerações e uma população de 700 indivíduos.

5 CONCLUSÕES PARCIAIS

Após o exemplo apresentado no item anterior foram feitos mais dois exemplos utilizando projetos já concluídos. Os três exemplos processados mostraram a robustez e a aplicabilidade do SATD, em todos eles a mesma escolha feita pelo engenheiro foi adotada automaticamente pelo programa. Desta forma os resultados do SATD estão atingindo seu objetivo de fornecer subsídios para facilitar o processo de decisão do usuário, já que realiza vários estudos comparativos, automaticamente, para o engenheiro.

6 AGRADECIMENTOS

À CAPES pela concessão da bolsa de estágio de doutorado no exterior e à FUNCAP pela concessão da bolsa de doutorado.

7 REFERÊNCIAS

CASTILHO, V. C. (2002). Otimização de componentes de concreto pré-moldado protendidos mediante algorítmos genéticos. Tese (Doutorado) – Escola de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo.

PRIOR, R. et al. (1993). Identification and preliminary assessment of existing precast concrete floor framing systems. Bethlehem, Lehigh University. (ATLSS Report 93-07).

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 13-16, 2006

ISSN 1809-5860

ANÁLISE TEÓRICA E EXPERIMENTAL DE ALVENARIA DE BLOCOS VAZADOS DE CONCRETO

Claudius de Sousa Barbosa 1 & João Bento de Hanai 2

Resumo

O objetivo do presente trabalho é trazer uma contribuição, para o desenvolvimento

científico da Tecnologia de Alvenaria Estrutural, no sentido de: 1) identificar e interpretar teórica e experimentalmente os efeitos de forma (geométrica) e de distribuição de tensões em blocos vazados de concreto; 2) no ensaio de blocos isolados, analisar o efeito de confinamento no topo e na base, em função dos distintos processos

de acabamento; 3) desenvolver um método de determinação da rigidez axial de blocos

isolados; 4) analisar o efeito da resistência e da deformabilidade das argamassas de assentamento no comportamento estrutural de prismas e paredes; 5) estabelecer correlações, ou pelo menos identificar os fatores inter-dependentes, entre os parâmetros usuais referentes aos materiais e o comportamento estrutural de blocos, prismas e paredes.

Palavras-chave: blocos vazados de concreto, prismas, paredes, análise teórica, análise experimental.

THEORETICAL AND EXPERIMENTAL ANALYSIS OF HOLLOW CONCRETE BLOCK MASONRY

Abstract

The present research aims to improve the knowledge about the masonry structures in sense of: 1) to identify the stress distribution throughout the hollow concrete blocks by experimental and theoretical analyses; 2) to analyze the confinement effect in block tests due the distinct top and bottom flat process; 3) to develop a method to determine the axial stiffness of blocks; 4) to identify the effect of strength and deformability of the mortar joint in structural behavior of masonry elements; 5) to establish correlations between the machanical properties of materials and the masonry elements.

Keywords: hollow concrete blocks, prisms, walls, experimental analysis, numerical analysis.

Linha de Pesquisa: Estruturas de Concreto e Alvenaria.

1 Doutorando em Engenharia de Estruturas - EESC-USP, claudius@sc.usp.br 2 Professor Titular do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, jbhanai@sc.usp.br

de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, jbhanai@sc.usp.br Cadernos de Engenharia de Estruturas , São Carlos, v.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 17-20, 2006

18

Claudius de Sousa Barbosa & João Bento de Hanai

1 INTRODUÇÃO

Apesar do desenvolvimento científico relacionado às Estruturas de Alvenaria nas últimas décadas, os métodos de dimensionamento e verificação da segurança estrutural baseiam-se em dados empíricos em muitos aspectos. Para a aplicação de um conceito em estados limites, por exemplo, é necessário isolar e conhecer melhor cada uma das variáveis que intervêm no comportamento estrutural em serviço e estado limite último. É preciso estabelecer coeficientes de ponderação a essas variáveis, como os coeficientes de minoração da resistência dos materiais, coeficientes de ponderação relativos à correlação de resistências dos corpos-de-prova de blocos e argamassas de assentamento, à transposição de situações peculiares à produção/controle dos blocos, aos efeitos de ações de longa duração, aos efeitos de escala e de forma, etc. É necessário também definir coeficientes de segurança para situações específicas.

As dificuldades encontradas na interpretação do comportamento estrutural de uma simples parede são muitas, principalmente devido à heterogeneidade dessas estruturas, conforme relata Lourenço (2006). O presente trabalho visa contribuir nesse sentido, tornando mais claro os conhecimentos existentes e detalhando o comportamento dos elementos de alvenaria a partir das propriedades mecânicas do concreto e argamassa.

2 METODOLOGIA

Realizam-se ensaios com blocos, prismas e paredinhas com a moldagem de blocos em laboratório utilizando fôrmas especialmente projetadas com boa precisão dimensional. A idéia central e diferenciada do que se conhece neste aspecto refere-se ao uso do mesmo concreto, de consistência plástica, com o qual serão moldados tanto os blocos como os corpos-de-prova cilíndricos. Com isso, pretende-se estabelecer correlações entre os resultados experimentais em conjunto com uma análise teórica do comportamento estrutural dos blocos, utilizando-se os mesmos materiais, que serão adensados e curados da mesma forma. A caracterização das propriedades mecânicas do concreto e argamassa dar-se-á por meio de ensaios de corpos-de-prova para obtenção da resistência à compressão, resistência à tração e módulo de elasticidade além de parâmetros não-lineares.

Buscar-se-á um modelo numérico que represente o comportamento dos elementos de alvenaria, utilizando os dados obtidos experimentalmente, com a utilização do código computacional DIANA, baseado no Método dos Elementos Finitos.

3 DESENVOLVIMENTO

A partir dos dados obtidos durante a análise experimental, apresentados por Barbosa (2005), estão sendo desenvolvidos modelos numéricos para representar o comportamento de blocos, prismas e paredes submetidos à compressão axial e, paralelamente, realizada análise detalhada dos resultados teóricos e experimentais.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 17-20, 2006

Análise teórica e experimental de alvenaria de blocos vazados de concreto

19

4 RESULTADOS OBTIDOS OU ESPERADOS

Espera-se obter correlação ou pelo menos identificar fatores inter- dependentes entre a resistência e comportamento das estruturas de alvenaria e as propriedades mecânicas dos materiais que as constituem. Estas propriedades implementadas em um modelo numérico fornecem boa previsão da resistência de prismas, conforme gráfico da Figura 1. Realizaram-se três abordagens numéricas:

estado plano de tensões (PS), estado plano de deformações (PE) e um modelo tridimensional (3D) que fornecem distintas respostas.

tridimensional (3D) que fornecem distintas respostas. Figura 1 – Curva força-deformação expe rimental e

Figura 1 – Curva força-deformação experimental e numérica de prismas.

5 CONCLUSÕES PARCIAIS

A partir das propriedades mecânicas dos materiais constituintes, conseguiu-se estabelecer um modelo numérico para previsão da resistência de prismas de blocos vazados de concreto. Podem ser obtidos resultados satisfatórios em relação aos ensaios com blocos isolados e paredes.

Dependendo da estratégia de modelagem adotada, distintas forças teóricas, modos de ruína e comportamento dos elementos de alvenaria são obtidos, influenciados pelo estado de tensão a que estão submetidos.

6 AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à FAPESP, pela bolsa de estudos e auxílio à pesquisa, e à CAPES, pela bolsa (Doutorado Sanduíche) concedidos.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 17-20, 2006

20

Claudius de Sousa Barbosa & João Bento de Hanai

7

REFERÊNCIAS

BARBOSA, C. S. (2005). Resistência e deformabilidade de blocos vazados de concreto, prismas e paredes e suas correlações com as propriedades mecânicas do material constituinte. Relatório no. 2. FAPESP (Processo: 04/00382-1).

LOURENÇO, P. J. B. B. (1996). Computational strategies for masonry structures. The Netherlands: Delft University Press.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 17-20, 2006

ISSN 1809-5860

COMPORTAMENTO DE LIGAÇÕES VIGA-PILAR PARCIALMENTE RESISTENTES A MOMENTO FLETOR MEDIANTE CHUMBADORES GRAUTEADOS

Eduardo Aurélio Barros Aguiar 1 & Mounir Khalil El Debs 2

Resumo

Nesta pesquisa pretende-se estudar o comportamento da ligação viga-pilar, mediante chumbadores grauteados, parcialmente resistente a momento fletor, em estruturas de concreto pré-moldado. O foco da pesquisa será a análise teórica e experimental do mecanismo resistente do chumbador e sua influência no comportamento global da ligação. Será analisada principalmente a influência da inclinação do chumbador na determinação da resistência da ligação, além da influência do seu diâmetro e da resistência à compressão do concreto.

Palavras-chave: estruturas de concreto, concreto pré-moldado, ligação viga-pilar, ligação semi-rígida, ligação viga-pilar parcialmente resistente a momento fletor.

BEHAVIOR OF PARTIAL MOMENT RESISTANT BEAM-TO- COLUMN CONNECTIONS THROUGH GROUTED DOWELS

Abstract

In this research the behavior of partial moment resistant beam-to-column connections through grouted dowels in precast concrete will be studied. The focus of the research will be the theoretical and experimental analysis of the resistant mecanism of the dowels and its influence in the global behavior of the connection. The influence of the inclination of the dowels on the resistance of the connection will be analyzed, and the influence of its diameter and the concrete compressive strength.

Keywords: concrete structures, precast concrete, beam-to-column connection, semi- rigid connection, partial moment resistance beam-to-column connection.

Linha de Pesquisa: Estruturas de Concreto e de Alvenaria

1 Doutorando em Engenharia de Estruturas - EESC-USP, eduardoaguiar@arquitetura.uema.br 2 Professor do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, mkdebs@sc.usp.br

de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, mkdebs@sc.usp.br Cadernos de Engenharia de Estruturas , São Carlos, v.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 21-24, 2006

22

Eduardo Aurélio Barros Aguiar & Mounir Khalil El Debs

1

INTRODUÇÃO

As ligações são regiões de comportamento complexo e ainda pouco conhecido, onde ocorrem concentrações de tensões consideráveis, e portanto, necessitam de grande atenção ao serem concebidas. Segundo ORDONEZ et al. (1974), a influência das ligações no concreto pré-moldado é tão grande que alguns especialistas afirmam que a dificuldade de projetá-las e de executá-las é que têm impedido a substituição dos métodos construtivos convencionais pelo sistema pré- moldado.

A necessidade de se entender o comportamento das ligações, em especial as

ligações semi-rígidas, passa a ser de fundamental importância para o desenvolvimento de um projeto estrutural econômico e que garanta a estabilidade global do sistema.

Uma das maneiras de se entender esse comportamento é o conhecimento dos componentes ativos das ligações. A avaliação das características de deformação e de resistência de cada componente individualmente e a associação desses componentes para analisar o comportamento da ligação como um todo, possibilitam a determinação do comportamento de uma grande variação de ligações.

É oportuno lembrar que o conhecimento dos componentes ativos das ligações

é de fundamental importância quando se deseja propor modelos analíticos simplificados que representem o comportamento da ligação semi-rígida.

Dando continuidade à linha de pesquisa sobre ligações semi-rígidas, desenvolvida no Departamento de Estruturas da Escola de Engenharia de São Carlos, em particular a tese de doutorado de MIOTTO (2002) e a dissertação de mestrado BALDISSERA (2006), no presente trabalho se propõe realizar um estudo teórico e experimental do comportamento de um componente fundamental da ligação viga-pilar que é o chumbador.

O chumbador pode ser entendido como um componente da ligação, inserido

no concreto, capaz de transmitir esforços de cisalhamento entre elementos. Essa

transferência de esforços gera um estado de tensões não-uniformes no concreto, submetendo o chumbador a um esforço de flexão máximo junto à interface.

Em função do estado de tensões apresentado e dependendo das dimensões, posicionamento e da resistência do chumbador, além também da resistência e aderência do concreto que o envolve, alguns modos de ruptura podem ser previstos. Dentre esses modos de ruptura, pode-se citar a formação de rótulas plásticas na seção de máximo esforço de flexão do chumbador.

O modelo teórico para a determinação da capacidade máxima do chumbador à

flexão foi desenvolvido por HφJLUND-RASMUSSEN (1963) apud FIB (2003), com base na teoria da plasticidade, para chumbadores retilíneos. A formulação foi apresentada tendo como variáveis alguns parâmetros obtidos experimentalmente, e desta forma, a obtenção desses parâmetros ainda é objeto pertinente de pesquisas.

O estudo teórico-experimental proposto visa um aprofundamento na influência

da inclinação dos chumbadores na determinação da resistência e da rigidez das ligações semi-rígidas de elementos pré-moldados, tendo como motivação a grande diferença de resultados obtidos nos estudos experimentais realizados por MIOTTO (2002) e BALDISSERA (2006).

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 21-24, 2006

Comportamento de ligações viga-pilar parcialmente resistentes a momento fletor

23

2

METODOLOGIA

Para a realização da pesquisa, foi necessária a idealização de um modelo físico, composto de três prismas de concreto, sendo que dois destes possuem as mesmas dimensões e estão ligados a um prisma maior por meio de dois chumbadores solidarizados por chapas de aço, porcas e arruelas, conforme ilustrado na “Figura 1”.

Na análise experimental serão avaliadas previamente três inclinações para os chumbadores, além de três diâmetros comerciais diferentes. As inclinações a serem analisadas serão de 0 o , que representa o chumbador normal à interface entre o consolo e o pilar, 45 o e 60 o . Os diâmetros estudados serão de 16mm, 20mm e 25mm, e, para verificar a influência da resistência do concreto no comportamento do chumbador, os espécimes serão confeccionados com pelo menos dois valores diferentes de resistência à compressão.

dois valores diferentes de resistência à compressão. (a) perspectiva do modelo (b) corte longitudinal do modelo

(a) perspectiva do modelo

(b) corte longitudinal do modelo

Figura 1 – Modelo físico idealizado.

Na ligação viga-pilar existe também a influência da reação de apoio da viga, responsável pela mobilização de forças de atrito horizontais, que também será simulada com a aplicação de cargas horizontais em alguns modelos. Na pesquisa deverão ser confeccionados 15 modelos físicos distintos.

Os modelos serão construídos em escala real 1:1 e deverão ser submetido a carregamentos unidirecionais e também a carregamentos cíclicos, sendo que neste ultimo caso a carga máxima aplicada não chegará próximo ao valor previsto para a ruptura. Os modelos serão instrumentados, sendo colocados extensômetros elétricos para medição das deformações dos chumbadores, além de transdutores e relógios comparadores.

Além da análise experimental descrita, serão realizadas também modelagens numéricas dos espécimes via Método dos Elementos Finitos (MEF), onde serão avaliadas as influências de diversos parâmetros no comportamento da ligação.

Na etapa de modelagem numérica será utilizado o programa computacional DIANA release 9, que tem o Método dos Elementos Finitos como base para o seu

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8 n. 32, p. 21-24, 2006

24

Eduardo Aurélio Barros Aguiar & Mounir Khalil El Debs

sistema de análise. Posteriormente os modelos numéricos serão calibrados com base nos resultados obtidos no programa experimental.

3 DESENVOLVIMENTO

A pesquisa ainda está em fase inicial, onde está sendo realizada a revisão bibliográfica, além do detalhamento para a confecção dos modelos físicos a serem ensaiados. Inicialmente está prevista a confecção de três modelos, com as três inclinações de chumbadores a serem analisadas, para a realização do ensaio piloto.

4 RESULTADOS OBTIDOS OU ESPERADOS

É esperado que a capacidade de carga dos modelos confeccionados com chumbadores inclinados seja superior aos confeccionados com chumbadores retilíneos. Com relação à deformabilidade, espera-se que os modelos confeccionados com chumbadores inclinados apresentem valores de deslocamentos inferiores aos confeccionados com chumbadores retilíneos.

5 CONCLUSÕES PARCIAIS

Como conclusões, espera-se avaliar os mecanismos de resistência e de deformabilidade mobilizados com a alteração na inclinação dos chumbadores.

Uma vez conhecidos esses mecanismos, espera-se que os modelos analíticos propostos consigam reproduzir a influência da inclinação dos chumbadores no comportamento global da ligação, possibilitando a determinação de sua resistência e rigidez.

6 AGRADECIMENTOS

À Universidade Estadual do Maranhão UEMA, pela concessão de bolsa de estudos de Doutorado pelo programa PICDT/CAPES.

7 REFERÊNCIAS

BALDISSERA, A. (2006). Estudo experimental de uma ligação viga-pilar de concreto pré-moldado parcialmente resistente a momento fletor. 149p. São Carlos. Dissertação (Mestrado) - Escola de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo.

FÉDÉRATION INTERNATIONALE DU BÉTON - FIB (2003). Structural connections for precast concrete buildings. Lausanne, Suíça (Texto provisório).

MIOTTO, A. M. (2002). Ligações viga-pilar de estruturas de concreto pré- moldado: Análise com ênfase na deformabilidade ao momento fletor. 234p. São Carlos. Tese (Doutorado) - Escola de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo.

ORDONEZ, J. A. F. et al. (1974). Prefabricacion teoria y prática. Barcelona. v.2.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 21-24, 2006

ISSN 1809-5860

AVALIAÇÃO DO COMPORTAMENTO DA ADERÊNCIA ENTRE BARRAS DE AÇO E CONCRETOS AUTO-ADENSÁVEIS

Fernando Menezes de Almeida Filho 1 & Ana Lúcia Homce de Cresce El Debs 2

Resumo

O concreto auto-adensável surgiu da necessidade de se dispensar o difícil e oneroso

trabalho de vibração do concreto, sendo definido como um material capaz de fluir dentro de uma fôrma, passando pelas armaduras e preenchendo a mesma, sem o uso de

equipamentos de vibração. Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo experimental

da aderência aço-concreto, utilizando concreto do tipo auto-adensável, mediante

ensaios monotônicos de flexão em vigas seguindo o modelo padrão do Rilem-Ceb-Fip

(1973). De acordo com os resultados, o comportamento dos modelos de viga foi similar ao comportamento de modelos de referência em concreto convencional, mostrando que

o concreto auto-adensável possui características semelhantes ao concreto convencional, com as vantagens da trabalhabilidade no estado fresco.

Palavras-chave: aderência, concreto auto-adensável, arrancamento, vigas, ensaios.

EVALUATION OF THE BOND BEHAVIOR BETWEEN STEEL BARS AND SELF-COMPACTING CONCRETE

Abstract

Self-compacting concrete (SCC) origin was due to the need to avoid the difficult and expensive process of concrete vibration. It has been defined as a material capable to flow inside a formwork, passing through the reinforcement and filling it completely, without using of any special equipment. This research is characterized as an experimental study of steel-concrete bond, using SCC, through beam tests standardized

by Rilem-Ceb-Fip model. According to the results, the behavior of the beams tests were

very similar to the reference beams with ordinary concrete, with the well know

advantages for the SCC in fresh state.

Keywords: bond, self-compacting concrete, pull-out, beams, tests.

Linha de Pesquisa: Estruturas de Concreto e de Alvenaria.

1 Pós-doutorando em Engenharia de Estruturas - EESC-USP, ffilho@sc.usp.br 2 Professor do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, analucia@sc.usp.br

de Engenharia de Es truturas da EESC-USP, analucia@sc.usp.br Cadernos de Engenharia de Estruturas , São Carlos,

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 25-28, 2006

26

Fernando Menezes de Almeida Filho & Ana Lúcia Homce de Cresce El Debs

1 INTRODUÇÃO

Desde o início da utilização do concreto armado, a aderência entre aço e concreto tem sido objeto de estudo de diversos pesquisadores. Essa interação entre os materiais é o mecanismo que caracteriza o concreto armado, pois a condição de que haja aderência entre a superfície da barra de aço e o concreto adjacente define o comportamento das estruturas obtidas.

Com o passar dos anos, houve um grande desenvolvimento tecnológico dos materiais empregados na construção civil, dando origem aos concretos de alto desempenho e do tipo auto-adensável, que dispensa a etapa de vibração no canteiro de obras. No estudo da aderência, entretanto, pouco foi observado com relação ao comportamento dessa ligação com a utilização de concretos auto-adensáveis.

O concreto auto-adensável, ou CAA, é uma mistura que pode ser adensada

em qualquer local na fôrma, apenas por meio da acomodação devida ao seu peso próprio e sem necessidade de vibração. Do mesmo modo, pode ser definido como um concreto capaz de fluir dentro de uma fôrma, passando pelas armaduras e preenchendo a mesma, sem o uso de equipamentos de vibração. Assim, o uso do CAA aumenta a produtividade, reduz a mão de obra exigida e melhora o ambiente de trabalho (Gomes, 2002).

O objetivo geral desta pesquisa foi estudar o comportamento da aderência

aço-concreto mediante ensaios de vigas submetidas à flexão, onde o concreto a ser estudado era do tipo auto-adensável. A principal motivação para a realização desta pesquisa se fundamentou na necessidade de maiores informações a respeito do comportamento da aderência em concretos de alta resistência e em vigas submetidas à flexão; e, por haver ausência de dados a respeito, da tecnologia de concretos auto- adensáveis no país e de sua influência no comportamento da aderência aço-concreto (Almeida Filho, 2006).

2 METODOLOGIA

A metodologia adotada para esta pesquisa consistiu de uma investigação

experimental sobre o comportamento de modelos de viga, padronizados pelo Rilem- Ceb-Fip (1973), com barra de aço de 10 mm, utilizando concretos auto-adensáveis de 30 e 60 MPa de resistência à compressão na data do ensaio. O modelo de viga foi instrumentado de acordo com a normativa citada onde se utilizavam dois LVDT´s para medir o deslizamento da barra (Figura 1). Após os ensaios, os modelos foram comparados com modelos similares confeccionados em concreto convencional de mesma resistência à compressão.

3 DESENVOLVIMENTO

Para a elaboração da composição do concreto auto-adensável, foi utilizada a proposta de Gomes (2002), a qual propõe para a elaboração do traço a otimização separada da pasta, esqueleto granular e concreto. A Tabela 1 ilustra o traço utilizado para o concreto auto-adensável e para o concreto convencional.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 25-28, 2006

Avaliação do comportamento da aderência entre barras de aço e concretos

27

Tabela 1 – Composição do traço e resultados para o estado fresco do CAA

Material

CC1

CC2

CAA1

CAA2

Ensaios

CAA1

CAA2

Cimento (kg)

365,3

488,3

338,8

365,1

Cone de Abrams

Areia (kg)

883,9

766,6

854,8

815,3

Espalhamento (cm)

67,5

61,0

Brita (kg)

942,3

942,4

919,1

876,7

T 50 (s)

1,0

1,0

Água (kg)

260,8

227,0

273,6

146,1

Caixa-L

SP/C(%)

---

---

0,4%

0,75%

T 60 (s)

1,0

1,0

Filler (kg)

---

---

101,6

146,1

RB

0,95

0,9

Sílica ativa (kg)

---

---

---

36,5

Funil-V

f cm (MPa)

32,0

50,2

30,1

53,3

T v (s)

1,5

2,0

A Figura 1 ilustra o layout dos modelos de viga e o seu ensaio.

Atuador Trecho com Perfil metálico aderência (10φ) Viga LVDT LVDT Barra de aço
Atuador
Trecho com
Perfil metálico
aderência (10φ)
Viga
LVDT
LVDT
Barra de aço
aderência (10φ) Viga LVDT LVDT Barra de aço Figura 1 – Modelo esquemático da viga e

Figura 1 – Modelo esquemático da viga e modelo durante ensaio.

As vigas utilizaram barras de aço de 10 mm de diâmetro onde a tensão de escoamento, determinada a partir de ensaios, foi igual a 576 MPa e E s igual a 207,05 GPa.

4 RESULTADOS OBTIDOS

A Figura 2 ilustra os resultados dos ensaios de viga com barra de 10 mm em

concreto convencional e concreto auto-adensável.

50 45 40 35 30 25 20 15 V-CAA-C30-B10 V-CC-C30-B10 10 V-CAA-C60-B10 5 V-CC-C60-B10 0
50
45
40
35
30
25
20
15
V-CAA-C30-B10
V-CC-C30-B10
10
V-CAA-C60-B10
5
V-CC-C60-B10
0
0
5
10
15
20
25
30
35
40
Força (kN)

Flecha (mm)

20 18 16 15 14 10 12 0,00 0,05 0,10 0,15 V-CAA-C30-B10 5 V-CC-C30-B10 V-CAA-C60-B10
20
18
16
15
14
10
12
0,00
0,05
0,10
0,15
V-CAA-C30-B10
5
V-CC-C30-B10
V-CAA-C60-B10
V-CC-C60-B10
0
Tensão de aderência (MPa)

012345

Deslizamento (mm)

Figura 2 – Comportamento dos ensaios de viga.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 25-28, 2006

28

Fernando Menezes de Almeida Filho & Ana Lúcia Homce de Cresce El Debs

O comportamento dos modelos de viga esteve de acordo com a literatura

técnica, onde os modelos com menor resistência à compressão do concreto apresentaram ruptura por deslizamento da barra, enquanto que para os modelos com maior resistência à compressão ocorreu o escoamento da barra de aço, independente do tipo de concreto utilizado. Foi constatado que as tensões de aderência foram maiores para os modelos com maior resistência à compressão. Ainda, O comportamento das vigas, ou seja, o comportamento dos diagramas força vs . deslizamento e força vs . flecha foi semelhante, independente do tipo de concreto utilizado, foi muito semelhante, demonstrando que o CAA trabalha de forma semelhante ao CC.

5 CONCLUSÕES

De acordo com os resultados dos ensaios de viga, em CC e em CAA, a forma de ruptura foi semelhante em ambos os casos, mostrando que o comportamento do CAA no estado endurecido é semelhante ao do CC. Ainda, o ensaio de viga é o que melhor caracteriza o fenômeno da aderência para as estruturas usuais em concreto armado, porém é de difícil execução, devendo ser reservado para casos específicos.

Portanto, pode-se afirmar que o comportamento da aderência entre as barras de aço e o concreto auto-adensável é equivalente ao do concreto convencional, podendo para a sua avaliação serem utilizados os mesmos procedimentos aplicados ao concreto convencional.

6 AGRADECIMENTOS

O grupo de pesquisa gostaria de expressar seu agradecimento a FAPESP, a

CAPES e ao CNPq pelo auxílio financeiro. Ainda, aos técnicos do Laboratório de Estruturas e às empresas Holcim, Brasil Minas S.A., Elken e Grace Brasil pela doação de material para a realização dos ensaios.

7 REFERÊNCIAS

ALMEIDA FILHO, F. M. (2006). Contribuição ao estudo da aderência entre barras de aço e concretos auto-adensáveis. 291p. São Carlos Tese (Doutorado) - Escola de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo.

GOMES, P. C. C. (2002). Optimization and characterization of high-strength self- compacting concrete. 140p. Barcelona. Tese (Doutorado) - Universitat Politècnica de Catalunya, Escola Tècnica Superior D’Enginyers de Camins, Canals i Ports de Barcelona.

RILEM-FIP-CEB. (1973). Bond test for reinforcing steel: 1-Beam test (7-II-28 D). 2- Pullout test (7-II-128): Tentative recommendations. RILEM Journal Materials and Structures, v. 6, n. 32, Mar./Apr., p. 96-105.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 25-28, 2006

ISSN 1809-5860

CONSIDERAÇÃO DA DUCTILIDADE EM PILARES ESBELTOS DE CONCRETOS DE ALTA RESISTÊNCIA

Francisco Aguirre Torrico 1 & José Samuel Giongo 2

Resumo

Serão realizados ensaios de aproximadamente 35 pilares retangulares de concreto de alta resistência (CAR), rotulados nas suas extremidades. Quatro fatores serão analisados, a esbeltez, a excentricidade, a resistência à compressão do concreto e a taxa de armadura transversal. A falha de colunas esbeltas excentricamente carregadas de CAR poderá ser provocada por esmagamento do concreto comprimido, ou pela instabilidade da coluna esbelta. O modelo será baseado numa análise da estabilidade que incluí as características não-lineares da curva momento-curvatura das seções da coluna. Os resultados analíticos serão comparados com os resultados experimentais, com resultados numéricos e com os valores obtidos usando a ACI318: 2005 entre outras normas.

Palavras-chave: pilares, resistência à compressão; análise de estabilidade; analise não linear.

CONSIDERATION OF THE DUCTILITY IN HIGH RESISTANCE CONCRETE SLENDER COLUMNS

Abstract

Tests of 35 high-strength concrete (HSC) pin-ended columns with rectangular sections will be carried out. Four factors will be analyzed, the slenderness, the eccentricity, the concrete compressive strength and the ratio of transversal reinforced steel. The failure of eccentrically loaded slender HSC columns will be caused either by compressive crushing of concrete, or by the instability of the slender column. The model is based on a stability analysis that includes the nonlinear moment-curvature characteristics of the column sections. The analytical results will be compared with the experimental results, with numerical results and with the values predicted using ACI318: 2005 among others concrete codes.

Keywords: columns; compressive strength; stability analysis; nonlinear analysis.

Linha de Pesquisa: Estruturas de Concreto e de Alvenaria.

1 Professor da UPB e UMSS, faguirre@upb.edu. 2 Professor Doutor do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, jsgiongo@sc.usp.br.

Engenharia de Estruturas da EESC-USP, jsgiongo@sc.usp.br. Cadernos de Engenharia de Estruturas , São Carlos, v. 8,

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 29-32, 2006

30

1 INTRODUÇÃO

Francisco Aguirre Torrico & José Samuel Giongo

O uso do CAR com resistências a compressão que excedem 50 MPa está tornando-se popular. Na maioria dos casos as principais aplicações do CAR é em pilares, que permite que suas seções transversais sejam menores obtendo-se espaços mais rentáveis e que podem incluir a consideração dos efeitos de esteltez. Em alguns casos os projetistas estruturais estão impossibilitados de obter vantagens do material por causa da insuficiente informação, não foram feitas pesquisas relevantes. Desta maneira, surgiu a necessidade de pesquisar novas tecnologias, novos materiais, e modelos matemáticos mais realistas.

Considerando o CAR e a ductilidade, a USP, na Escola de Engenharia de São Carlos, vem fazendo importantes pesquisas teóricas e experimentais, entre as últimas relacionadas aos pilares curtos estão: Lima (1997), e Vanderlei (1999), nestes a técnica de ganho de ductilidade é estudada através do confinamento pela armadura transversal. Lima Jr. (2003) adicionaram fibras metálicas ao concreto buscando melhorar a ductilidade do CAR.

O dimensionamento atual encontrado na norma brasileira NBR 6118:2003 (ABNT,

2004), com respeito a este fenômeno, restringe-se basicamente a concretos

convencionais.

É necessário considerar ainda que ensaios de pilares esbeltos não foram realizados em nenhuma universidade brasileira e certamente virão a aportar em muito a futuros trabalhos com a mesma linha de ação.

2 MÉTODO EMPREGADO

Será realizado um programa experimental, onde primeiramente serão estudadas as propriedades mecânicas do CAR, por meio de ensaios de corpos-de- prova, e também com o objetivo de obter as equações da parte ascendente e

descendente da curva σ x ε. Os modelos matemáticos a serem empregados incluirão

o uso de estes diagramas realistas. Para a execução desta primeira etapa será

inicialmente feito um estudo da dosagem do concreto elaborando curvas de dosagem.

Na segunda etapa serão analisados nos pilares 4 fatores de influencia, a resistência do concreto (60 MPa e 100 MPa aos 28 dias), excentricidade (1 cm e 3 cm), taxa de armadura transversal (concreto confinado e não confinado) e esbeltez (70 e 100), para cada combinação de variáveis vai se obter 2 réplicas totalizando 32 pilares, a

este total serão somados alguns pilares de referencia com um concreto de resistência

de 25 MPa. Serão necessários 4 moldes metálicos reaproveitados umas 10 vezes.

Para a elaboração do CAR são necessários os seguintes materiais:

Cimento CP V ARI, com um consumo superior a 450 kg/m 3 de concreto.

Dois tipos de agregado graúdo, por exemplo, pedra britada número 1 e pedrisco e as quantidades de cada um deles provem do estudo de empacotamento, deverá também ser considerado o coeficiente volumétrico das britas CV > 0,2.

Um tipo de areia, por exemplo, de granulometria média e a quantidade em função do teor de argamassa necessária para obter um concreto coeso.

Aditivo químico superplastificante tipo Glenium 51 (polímero de éter carboxílico) da MBT ou outro similar compatível com o cimento a ser empregado. A proporção será

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 29-32, 2006

Consideração da ductilidade em pilares esbeltos de concretos de alta resistência

31

de 0,5 a 0,7% (em relação á quantidade de material cimentante) conforme será estabelecido no ensaio do miniabatimento de tronco cone (ensaio de Kantro), considerando uma adequada trabalhabilidade (consistência de 120 ± 20 mm) com uma relação a/agl. entre 0,25 a 0,35.

Aditivo mineral do tipo sílica ativa oriunda da fabricação de ligas ferro silício ou silício metálico, a quantidade a ser empregada poderá ser de 10% em substituição volumétrica do cimento.

Em relação ás armaduras, estas deverão ter uma tensão de escoamento superior a 500 MPa. Suas propriedades mecânicas serão obtidas experimentalmente.

Também está previsto realizar análise numérica utilizando um programa que considere a não linearidade física (NLF) e geométrica (NLG) do elemento, incorporando no programa os modelos matemáticos obtidos.

3 DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

Inicialmente serão realizados 2 a 3 ensaios piloto de pilares esbeltos sujeitos a flexo-compressão até a ruína ou perda de estabilidade, um deles de concreto convencional e o outro ou outros de concreto de alta resistência. Os ensaios serão realizados na máquina INSTRON que pode ensaiar pilares de até 370 cm de comprimento, os ensaios serão com controle de deslocamento, com uma taxa de deformação de 0,002 mm/s e quando estiver perto dos 70% da força relativa a fora última de 0,001 mm/s que é a mínima permitida pelo equipamento.

Para estes ensaios as forças serão aplicadas utilizando as placas de apoio do tipo

facas (“knife bearing”) empregadas nos ensaios de Lima Jr. (2003) Com estas placas

se permite gerar excentricidades de força de até 6 cm, e o giro máximo pode ser de

até 15 o para cada lado.

O objetivo de estes ensaios é de identificar o problema fisicamente e ajustar, os

modelos teóricos para simular a ruptura, ver se é possível incluir mecânica da fratura

no estudo, e também para ajustar os futuros ensaios experimentais.

Conforme mostra a Fig. 1, os pilares serão instrumentados com extensômetros de resistência (SG) e leitores de deformação linear (LVTD).

resistência (SG) e leitores de deformação linear (LVTD). Figura 1 – Detalhe da instrumentação e seção
resistência (SG) e leitores de deformação linear (LVTD). Figura 1 – Detalhe da instrumentação e seção

Figura 1 – Detalhe da instrumentação e seção do pilar.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 29-32, 2006

32

Francisco Aguirre Torrico & José Samuel Giongo

A etapa seguinte consiste nos ensaios dos outros pilares, com o mesmo procedimento da primeira etapa e com os fatores anteriormente mencionados.

Na etapa analítica vai-se utilizar um programa computacional com base no método dos elementos finitos que inclua a ruptura do esmagamento do concreto, a deformação plástica excessiva das barras e a instabilidade do pilar, incorporando as modificações necessárias do modelo matemático em estudo.

4 RESULTADOS ESPERADOS

Para o CAR e utilizando analise de regressão, serão obtidos valores particulares das resistências e também correlações entre a resistência a tração e compressão, módulo de deformação em função da resistência a compressão e as equações da curva ascendente e descendente dos diagramas σ x ε.

Serão preparadas tabelas e gráficos com os resultados obtidos, mostrando a influencia de cada um dos fatores citados anteriormente, assim como de outros fatores como plano de ruína, destacamento do cobrimento, deformação e flambagem das barras da armadura, etc. Pretende-se, para pilares de CAR, elaborar gráficos, tabelas de dimensionamento e expressões para serem utilizadas na pratica, comparando estes valores com as normas e com a literatura existente.

5 CONCLUSÕES PARCIAIS

No estudo analítico com o método geral entre outros, é necessário trabalhar com diagramas σ x ε realistas do CAR na consideração das NLF e NLG de forma rigorosa, pois seu comportamento é diferente a dos concretos convencionais.

Possivelmente se tenha perda do cobrimento para pilares com excentricidades pequenas.

Pretende-se determinar uma eficiência de confinamento obtida pela taxa de armadura transversal. O confinamento pode não ser importante para grandes excentricidades.

6 REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. (2004). Projeto de Estruturas de Concreto, NBR 6118:2003. ABNT 2004, Rio de Janeiro. CHEN, W. F. (1982). Plasicity in reinforced concrete. New York: Ed. McGraw-Hill, 474 p. CRISFIELD, M. A. (1997). Non-linear finite element analysis of solids and structures. London: Ed. Wiley. 345 p. LIMA, F. B. (1997). Pilares de concreto de alto desempenho: Fundamentos e experimentação. São Carlos. Tese (Doutorado) - Escola de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo. LIMA JÚNIOR, C. H. (2003). Avaliação da ductilidade de pilares de concreto armado, submetidos à flexo-compressão reta com e sem adição de fibras metálicas. São Carlos. Tese (Doutorado) - Escola de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo. VANDERLEI, R. D. (1999). Análise experimental de pilares de concreto armado de alto desempenho sob flexo-compressão reta. São Carlos. Dissertação (Mestrado) - Escola de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo. STANDARD BUIDING CODE. (2005). Building Code Requirements for Structural Concrete-(ACI 318:2005). Farmington Hills.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 29-32, 2006

ISSN 1809-5860

PROJETO DE ESTRUTURAS MULTI-PISO RETICULADAS EM CONCRETO PRÉ-MOLDADO

Joaquim Eduardo Mota 1 & Mounir Khalil El Debs 2

Resumo

O objetivo desta pesquisa é o de fornecer critérios e apresentar procedimentos de análise que permitam o projetista de estruturas pré-moldadas de concreto, verificar, de forma prática e confiável, sistemas do tipo multi-piso reticulado. Está prevista a consideração das particularidades deste tipo de sistema estrutural, com o exame da estabilidade nas fases de montagem e final da estrutura levando em conta as não linearidades física e geométrica, a presença de ligação viga pilar do tipo semi-rígida, e ainda o efeito do tempo nos diagramas de esforços devido à mudança de vinculação dos elementos ao longo do processo construtivo.

Palavras-chave: concreto pré-moldado, estruturas multi-piso, ligações semi-rígidas, instabilidade global, esforços internos dependentes do tempo.

DESIGN OF PRECAST MULTI-STOREY BUILDINGS SKELETAL STRUCTURES

Abstract

The objective of this research is to present some design criteria and procedures for practical and reliable analysis of precast concrete multi-storey building structures. The research includes the particularities of this structural system and the stability verification in the assemblage and in the final phase take account of the presence of the physical and geometrical nonlinearities, the use of semi-rigid beam-column connection and also the effect of the time-dependent internal forces created by the modification of the connections between elements during the constructions steps.

Keywords: precast concrete, multi-storey buildings, semi-rigid connections, global instability, time-dependent effects.

Linha de Pesquisa: Estruturas de Concreto e de Alvenaria.

1 Doutorando em Engenharia de Estruturas - EESC-USP, joaquim@sc.usp.br 2 Professor do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, mkdebs@sc.usp.br

de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, mkdebs@sc.usp.br Cadernos de Engenharia de Estruturas , São Carlos, v.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 33-36, 2006

34

Joaquim Eduardo Mota & Mounir Khalil El Debs

1 INTRODUÇÃO

As estruturas pré-moldadas, no início preferencialmente direcionadas para obras industriais, vêm sendo usadas nos últimos anos, com cada vez mais freqüência, em sistemas do tipo multi-piso destinados a atividades como estabelecimentos comerciais, edifícios residenciais, estacionamentos, escolas, hospitais e etc.

A estrutura multi-piso do tipo esqueleto com ligações articuladas da Figura 1 é a concepção atualmente mais usual no Brasil. Quando a altura total deste tipo de edificação ultrapassa 12m, a garantia de sua estabilidade passa a exigir pilares com dimensões e armaduras tais que inviabilizam estas estruturas, quer do ponto de vista econômico quer do ponto de vista arquitetônico. Tornar este tipo de estrutura mais competitiva e viável economicamente requer de seu projetista o estudo de alternativas para o seu enrijecimento, além da utilização de procedimentos de análise mais refinados de forma a aferir a eficiência de sua estratégia.

de forma a aferir a eficiência de sua estratégia. Figura 1 – Estrutura pré-moldada tipo esqueleto.

Figura 1 – Estrutura pré-moldada tipo esqueleto.

Neste contexto, estuda-se, particularmente neste trabalho, a eficiência da utilização de ligações vigas-pilar do tipo semi-rígida que apresentam em termos de deformabilidade um comportamento intermediário entre a ligação rígida e a articulada.

Complementam a pesquisa, a apresentação de técnicas numéricas para a análise da estabilidade deste tipo de estrutura, considerando as não linearidades físicas e geométricas presentes além do efeito do tempo (fluência) nos diagramas de esforços devido à mudança de vinculação dos elementos ao longo do processo construtivo. A perspectiva é a de oferecer uma metodologia moderna de análise e que possa ser incorporada na atividade cotidiana de projeto.

2

METODOLOGIA

2.1

Tratamento das ligações semi-rígidas

Em linha com a filosofia exposta no texto FIB (2003), pretende-se apresentar uma proposta de automatização dos métodos dos componentes utilizados na determinação da deformabilidade de uma ligação viga-pilar. Propõe-se uma formulação geral utilizando-se um modelo mecânico, Figura 2, que considera a extremidade da viga como uma chapa rígida vinculada ao pilar por molas cuja rigidez representa a contribuição de cada componente: chumbador, armadura integrativa, almofada, etc. Estaticamente tem-se um problema com três graus de liberdade, os

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 33-36, 2006

Projeto de estruturas multi-piso reticuladas em concreto pré-moldado

35

três movimentos de corpo rígido no plano, e que admite uma solução matricial simples.

no plano, e que admite uma solução matricial simples. a) Modelo Real b) Modelo Mecânico c)

a) Modelo Real

b) Modelo Mecânico

c) Modelo de Cálculo

Figura 2 – Representação de uma ligação semi-rígida.

No modelo de cálculo da estrutura a ligação será representada por uma barra fictícia de comprimento nulo, nós j e k da figura 2c, cuja matriz de rigidez é obtida diretamente da matriz de rigidez do modelo mecânico.

A qualidade desta solução está naturalmente sujeita à calibração dos valores das rigidezes das molas a partir dos resultados de ensaios da própria ligação e de cada componente individualmente. O comportamento da ligação será suposto linear até se atingir um patamar que caracteriza o seu limite de plastificação.

2.2 Consideração da não linearidade física e geométrica

Para a consideração da não linearidade física, a idéia básica é a de se trabalhar com o conceito de rigidez secante, conforme FRANÇA (1991), quer para análises em serviço como para as análises de estado limite último. De uma forma geral, a rigidez secante é estabelecida como uma redução da rigidez bruta da peça por meio da expressão:

EI

sec

=α×

E I

c

(1)

Na análise de estabilidade global de estruturas reticuladas têm-se adotado

0,80 no caso de

ligações rígidas. Para ligações semi-rígidas espera-se naturalmente que a assuma algum valor intermediário que deverá ser estabelecido em função do grau de rigidez da ligação e de parâmetros físicos dos pilares. Ainda dentro deste tema da não linearidade física, uma contribuição desta pesquisa é o estudo das vantagens da utilização de protensão centrada nos pilares pré-moldados visando o aumento da rigidez secante e, portanto, da estabilidade global da estrutura. Para a consideração da não linearidade geométrica utiliza-se um procedimento não incremental iterativo discutido em MOTA (1986) que determina a resposta não linear pela combinação de alguns modos de flambagem da estrutura. Este procedimento tem como atrativo a apropriação por parte do analista das cargas críticas da estrutura que podem servir como balizadores com relação à grandeza dos efeitos de 2ª ordem.

para os pilares, a = 0,40 no caso de ligações articuladas e

a

=

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 33-36, 2006

36

Joaquim Eduardo Mota & Mounir Khalil El Debs

2.3 Efeito do tempo nos diagramas das solicitações

Devido a seqüência construtiva, uma parte da carga permanente de uma estrutura pré-moldada atua antes das ligações viga-pilar, rígida ou semi-rígida, serem efetivadas. No tempo t=0 temos, portanto, diagramas de esforços isostáticos. Uma vez efetivada a ligação o diagrama isostático migrará parcialmente, devido à ação da fluência, para um diagrama hiperestático. Este assunto é abordado, por exemplo, por GHALI (1994). Nesta proposta busca-se estabelecer uma solução prática e simplificada através, por exemplo, de equações do tipo:

S

,

g

=

a

(

S

g hiper

,

)

+

b

(

S

g iso

,

)

onde a

+ =

b

1

(2)

é

o diagrama isostático instalado no tempo t=0 e

tempo t= oo. Os coeficientes a e b deverão ser determinados em função dos parâmetros de fluência e relaxação dos mecanismos da ligação e do material dos elementos estruturais interligados.

é o diagrama de momento final no

S

g hiper

,

é o diagrama hiperestático se a ligação existisse desde o início;

S g,

S

g iso

,

3 DESENVOLVIMENTO

Atualmente os modelos numéricos estão em fase final de implementação computacional sendo o passo seguinte a realização de testes comparativos com resultados obtidos em análises mais sofisticadas e em pesquisas experimentais.

4 AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à CAPES, à Universidade Federal do Ceará e ao Departamento de Estruturas da EESC pelo apoio fundamental para o desenvolvimento desta pesquisa.

5 REFERÊNCIAS

FIB (2003). Guide to good practice: Structural Connection for Precast Concrete Buildings. FIB Commission C6: Prefabrication TG 6.2 Connections. (texto provisório).

FRANÇA, R. L. S. (1991). Contribuição ao estudo dos efeitos de segunda ordem em pilares de concreto armado. São Paulo. Tese (Doutorado) - Escola Politécnica - Universidade de São Paulo.

GHALI, A.; FAVRE, R. (1994). Concrete Structures. 2. ed. London: E & FN Spon.

MOTA, J. E. (1986). Aplicação do Método da Superposição Modal na Análise Estática Não Linear de Estruturas. Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado) – COPPE - Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 33-36, 2006

ISSN 1809-5860

JUNTAS EM PAVIMENTOS DE CONCRETO

Lezzir Ferreira Rodrigues 1 ; Libânio Miranda Pinheiro 2 & Gilson Natal Guimarães 3

Resumo

Este trabalho apresenta estudo sobre juntas transversais em pavimentos de concreto simples. Serão abordados os mecanismos de transferência de carga entre as placas apoiadas sobre material elástico, considerando dispositivos de transferência com barras de seção circular e quadrada, placas quadradas e discos metálicos. O estudo da eficiência das juntas transversais segue a metodologia da American Concrete Pavement Association-ACPA (1991), no qual a eficiência é medida em função dos deslocamentos do bordo carregado e do não carregado. Ensaios laboratoriais foram realizados com a aplicação de carregamentos monotônicos e repetidos, em um dos lados da junta, seja ela moldada ou serrada. Os comportamentos dos dispositivos de transferência serão analisados para a determinação da eficiência do mecanismo de transferência.

Palavras-chave: pavimentação, pavimentos de concreto, junta transversal, barra de transferência, carregamento repetido.

JOINTED REINFORCED CONCRETE PAVEMENTS

Abstract

This paper presents a study on transverse joints in concrete pavements. Load transfer mechanisms between pavements under elastic support will be studied, considering transfer devices such as circular and square dowels, diamond plates and disk plates. The joint efficiency is calculated following the methodology of the American Concrete Pavement Association-ACPA (1991), where efficiency is measured as a function of deflections on both loaded and unloaded sides. Tests were done using monotonic and repetitive loading on one side of the joint, be it molded or sawed. The behavior of the transfer deviced will be analysed to determine the efficiency of the transfer mechanism.

Keywords: paving, concrete pavements, joint, dowel bar, cyclic loading.

Linha de Pesquisa: Estruturas de Concreto e de Alvenaria.

1 Doutoranda em Engenharia de Estruturas - EESC-USP, lezzir@sc.usp.br

2 Professor do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, libanio@sc.usp.br 3 Professor da Escola de Engenharia Civil da UFG, gilson@eec.ufg.br

da Escola de Engenharia Civil da UFG, gilson@eec.ufg.br Cadernos de Engenharia de Estruturas , São Carlos,

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 37-40, 2006

38

Lezzir Ferreira Rodrigues; Libânio Miranda Pinheiro & Gilson Natal Guimarães

1 INTRODUÇÃO

As juntas são executadas nos pavimentos de concreto para permitir expansão e contração das placas, surgidas principalmente pelas variações de temperatura ambientais e variações de temperatura causadas pela fricção dos pneus. Quando dotada de dispositivos, propicia a transferência de cargas, reduz o deslocamento relativo da junta carregada, além de facilitar a construção dos pavimentos e a acomodação do movimento restringido.

As juntas podem provocar uma redução sensível na vida do pavimento, caso não estejam devidamente dimensionadas para suportar as solicitações. Segundo o guia da AASHTO (1993), há em geral três tipos de juntas: junta de retração, junta de expansão e junta de construção.

Para se medir a performance das juntas, a ACPA (1991) usa a eficiência E

baseada

carregado d , dada pela eq. (1).

nos

u

deslocamentos

E=

2d

u

d

L

+d

u

x100

medidos

2 METODOLOGIA

do

lado

carregado

d

L

e

do

lado

não

 

(1)

Os ensaios experimentais realizados tiveram como objetivo principal o estudo do comportamento estrutural de juntas transversais de pavimentos de concreto simples, serradas e moldadas, quando submetidas a carregamentos monotônicos e repetidos. As principais variáveis dos ensaios foram: variação da seção armada do dispositivo de transferência, espessura das placas de concreto e tipo de carregamento aplicado.

Foram confeccionados modelos de concreto simples, que simulavam partes de uma pista trafegável de pavimento rígido. Essas partes, compostas por duas placas justapostas, eram interligadas por dispositivos que serviam de pontos de transferência de esforços, posicionados na junta. Esses dispositivos são: barra de seção circular φ =12,5mm, barra de seção quadrada de lado 10mm, ambos de aço

ASTM A36, placa metálica quadrada de lado 11,5cm e disco metálico com φ =16,3cm,

ambos de chapa SAC-41 e espessura 6,3mm.

As dimensões dos modelos são apresentadas na Figura 1a, tanto para juntas moldadas quanto serradas. Os dispositivos de transferência foram dispostos a h / 2 da face superior da placa e posicionados por meio de espaçadores metálicos. A Figura 1b apresenta o posicionamento do carregamento em um bordo da placa, apoiada sob fundação elástica, composta por lençóis de borracha natural. A espessura da camada de base corresponde a 14cm. A reação na camada suporte será medida nas duas faces da junta, por meio de células de carga embutidas na fundação.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 37-40, 2006

Juntas em pavimentos de concreto

39

Juntas em pavimentos de concreto 39 Figura 1 – (a) geometria das placas; (b) posic ionamento
Juntas em pavimentos de concreto 39 Figura 1 – (a) geometria das placas; (b) posic ionamento

Figura 1 – (a) geometria das placas; (b) posicionamento do carregamento aplicado Seção AA’.

3

DESENVOLVIMENTO

Para a concretagem dos modelos, foram confeccionadas oito fôrmas metálicas desmontáveis e reutilizáveis, apresentadas na Figura 2a, com o posicionamento dos dispositivos de instrumentação. A Figura 2b apresenta a disposição do esquema de ensaio, após a concretagem dos modelos. A instrumentação contou com relógios comparadores, atuador hidráulico, placa de distribuição de carga, sistema de reação, extensômetros elétricos de resistência e célula de carga, ligados a um sistema de aquisição de dados.

de carga, ligados a um sistema de aquisição de dados. (a) (b) Figura 2 – Procedimento

(a)

de carga, ligados a um sistema de aquisição de dados. (a) (b) Figura 2 – Procedimento

(b)

Figura 2 – Procedimento experimental: (a) concretagem em fôrmas metálicas; (b) placa sobre camada de borracha e força aplicada em um lado da junta.

4 RESULTADOS PARCIAIS

Na data do ensaio, a resistência do concreto à compressão, nas placas P1 a P8, ficou entre 19 MPa e 24 MPa, e a resistência à tração na flexão foi de 2,1 MPa. A tensão média de escoamento dos aços utilizados foi cerca de 345 MPa. Foi considerado escoamento no sistema de transferência quando pelo menos um dos dois dispositivos de transferência atingiu o escoamento.

A Figura 3 fornece a eficiência dos modelos ensaiados estaticamente e com junta serrada. As placas P5 e P6, por problemas nos ensaios, deverão ser re- ensaiadas.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 37-40, 2006

40

Lezzir Ferreira Rodrigues; Libânio Miranda Pinheiro & Gilson Natal Guimarães

100 95 90 85 80 75 70 P1 P2 65 P3 P4 60 P7 55
100
95
90
85
80
75
70
P1
P2
65
P3
P4
60
P7
55
P8
50
0
50
100
150
200
250
300
350
400
Eficiência (%)

Carga (kN)

Figura 3 – Eficiência dos modelos.

Este trabalho faz parte da tese de doutorado (Rodrigues, 2006), com término previsto para agosto de 2007.

5 CONCLUSÕES PARCIAIS

O emprego dos dispositivos de transferência nas placas com junta serrada proporcionou uma melhora considerável na transferência de carga, do lado carregado para o lado não carregado, visto que placas sem esses dispositivos entram em colapso com cargas menores. O limite inferior para eficiência das juntas, segundo a ACPA (1991), é de 75%, e, para as placas estudadas, apenas a P4 apresentou valor na ordem de 73%, sendo os restantes entre 80% e 90%, até o colapso das peças.

6 AGRADECIMENTOS

À CAPES, à FAPESP e ao CNPQ, pelas bolsas e pelos auxílios.

7 REFERÊNCIAS

AMERICAN ASSOCIATION OF STATE HIGHWAY AND TRANSPORTATION OFFICIALS (1993). AASHTO. Guide for Design of Pavement Structures. Washington DC, EUA.

AMERICAN CONCRETE PAVEMENT ASSOCIATION – ACPA (1991). Design and construction of joints for concrete highways (ISO60-01P). Concrete Paving Technology, Portland Cement Association.

RODRIGUES, L. F. (2006). Juntas em pavimentos de concreto. Tese (Doutorado) – Escola de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo. (Em andamento)

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 37-40, 2006

ISSN 1809-5860

ENSAIOS DE CISALHAMENTO EM LAJES ALVEOLARES

Luciano Carlos Montedor 1 ; Libânio Miranda Pinheiro 2 & Marcelo de Araújo Ferreira 3

Resumo

Neste artigo são apresentados alguns resultados experimentais de PACPs (lajes alveolares protendidas), obtidos na empresa CASSOL PREFABRICADOS, de Curitiba, e que fazem parte da tese que vem sendo desenvolvida pelo autor principal deste documento. Apresentam-se os resultados de PACPs de 20 cm de espessura, em que a aplicação de força se dá a 2,5h do apoio, segundo recomendações do manual da FIP. São relacionadas, também, as possíveis configurações de fissuras, para este tipo de ensaio, bem como a sugestão de se mudar a distância de aplicação da força, em relação ao apoio, para melhor avaliação do comportamento dessas lajes ao cisalhamento.

Palavras-chave: lajes alveolares, cisalhamento, ensaios.

SHEAR TESTS IN HOLLOW CORE SLABS

Abstract

In this paper are presented some experimental results of PACPs (hollow core slabs) that were obtained in the company CASSOL PREFABRICADOS from Curitiba, and that are part of the thesis that has been developed by the main author of this document. Results of tests of PACPs of 20 cm of height are showed, in which the application of the load occurs at 2,5h from the support, according to recommendations of the manual of FIP. The possible cracks configurations for this type of test are also related, as well as the suggestion of changing the distance of load application, relative to the support, for better evaluation of these slabs behaviour under shear.

Keywords: hollow core slabs, shear, tests.

Linha de Pesquisa: Estruturas de Concreto e de Alvenaria.

1 Doutorando em Engenharia de Estruturas - EESC-USP, montedor@sc.usp.br

2 Professor do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, libanio@sc.usp.br 3 Professor do Departamento de Engenharia Civil - DECiv-UFSCar, marceloaferreira@uol.com.br

Civil - DECiv-UFSCar, marceloaferreira@uol.com.br Cadernos de Engenharia de Estruturas , São Carlos, v. 8, n.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 41-44, 2006

42

Luciano Carlos Montedor; Libânio Miranda Pinheiro & Marcelo de Araújo Ferreira

1 INTRODUÇÃO

Lajes alveolares protendidas (PACPs) são elementos pré-moldados comumente utilizados em tabuleiros de edifícios. Os alvéolos (núcleos) reduzem o peso da estrutura e, em combinação com a protensão, são capazes de cobrir grandes vãos. São especialmente projetados para resistir ao cisalhamento e ao momento fletor. Entretanto, existem muitas aplicações em que esses elementos estão também sujeitos a esforços de torção, como pisos com aberturas e pisos com extremidades inclinadas significantes [BROO, H.; LUNDGREN, K. & ENGSTRÖM, B. (2004)].

Na prática, eles são ligados entre si por juntas longitudinais, que são grauteadas no próprio local. A força é transversalmente distribuída entre os elementos por meio de chaves de cisalhamento, nas juntas longitudinais (STANTON, 1992).

O painel alveolar possui grande flexibilidade de utilização, de modo que ele é aplicável aos principais tipos de sistemas construtivos, tais como: alvenaria, concreto

e metal (FIP, 1992). No entanto, não existe a adoção sistemática de métodos

analíticos para determinação de procedimentos de projeto, como puncionamento, cisalhamento e torção, que são parâmetros cuja consideração é essencial para que os pisos compostos por esses elementos tenham melhor desempenho. Sendo assim, justifica-se a pesquisa por meio de ensaios de cisalhamento em PACPs, no sentido de que não existe padronização desses procedimentos técnicos, e a pesquisa foca em aprofundar o entendimento relacionado a esses elementos, no sentido de fornecer, de algum modo, parâmetros para novas pesquisas no assunto.

2 METODOLOGIA

Para atingir os objetivos propostos neste projeto, adotou-se a seguinte

metodologia:

a) Revisão bibliográfica: nesta etapa tem-se coletado o máximo de

informações, com relação aos elementos de lajes alveolares, a partir da utilização de recursos como: acervo da Biblioteca Central da Escola de Engenharia de São Carlos

– USP; acervo da biblioteca do Sistema Integrado de Bibliotecas – SIBI – USP;

acesso à rede Internet, para outras pesquisas e para comunicação com orientadores

e pesquisadores do assunto.

b) Experimentação física: toda a investigação experimental tem sido realizada

na CASSOL PREFABRICADOS, unidade Curitiba – PR, pelo autor do projeto auxiliado por uma equipe de quatro funcionários daquela empresa.

c) Avaliação dos resultados obtidos de forma experimental e comparação

desses resultados com aqueles presentes na bibliografia internacional (etapa em que

o trabalho se encontra).

d) Efetuar modelos numéricos para a análise do comportamento dos

elementos de lajes alveolares, confrontando com os resultados dos ensaios, para servir de parâmetro para futuros ensaios. Se a análise numérica apresentar resultados próximos daqueles obtidos pela experimentação física, pode-se dizer que há consistência entre a análise numérica e os resultados experimentais. Dessa forma, pode ser utilizada como ferramenta para a balização de projeto e análise estrutural.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 41-44, 2006

Ensaios de cisalhamento em lajes alveolares

43

3 DESENVOLVIMENTO

Até esta etapa foram realizados apenas alguns ensaios de apoio padrão, nome dado ao ensaio realizado para a avaliação do comportamento ao cisalhamento em PACPs (FIP, 1992), em lajes sem capa, de altura 20 cm, com carga aplicada a uma distância 2,5h do apoio, onde h corresponde à altura do PACP. O sistema de aplicação de força é mostrado na Figura 1.

O sistema de aplicação de força é mostrado na Figura 1. a) Pórtico para aplicação de

a) Pórtico para aplicação de força

mostrado na Figura 1. a) Pórtico para aplicação de força b) Leitura dos resultados (transdutores) Figura

b) Leitura dos resultados (transdutores)

Figura 1 – Sistemas de aplicação de força e de leitura de resultados.

4 RESULTADOS OBTIDOS

Na Figura 2, podem ser observados alguns dos resultados dos ensaios de apoio padrão, realizados até a elaboração deste artigo. O termo “peças sem capa corrigido” é utilizado para destacar que foi realizada a correção dos valores iniciais, a qual deve ser efetuada em função da movimentação inicial do pórtico até a carga de 18,5 kN. Na Figura 3 são apresentadas as possíveis configurações de fissuras, neste tipo de ensaio.

configurações de fissuras, neste tipo de ensaio. Figura 2 – Resultados dos ensaios de apoio padrão.

Figura 2 – Resultados dos ensaios de apoio padrão.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 41-44, 2006

44

Luciano Carlos Montedor; Libânio Miranda Pinheiro & Marcelo de Araújo Ferreira

Libânio Miranda Pinheiro & Marcelo de Araújo Ferreira a) Fissuração por cisalhamento b) Fissuração por flexão

a) Fissuração por cisalhamento

Marcelo de Araújo Ferreira a) Fissuração por cisalhamento b) Fissuração por flexão Figura 3 – Possíveis

b) Fissuração por flexão

Figura 3 – Possíveis configurações de fissuras.

5 CONCLUSÕES PARCIAIS

Com relação à Figura 2, nota-se uma discrepância dos valores de força máxima obtidos em cada ensaio de apoio padrão, oscilando entre 90 e 150 kN. Porém, o comportamento pós-ruptura é bastante semelhante em todos os casos.

O ensaio pode apresentar dois tipos de ruptura, quando da aplicação da força:

ruptura por cisalhamento do concreto, com fissuras inclinadas (Figura 3a) e por flexão ou por escorregamento dos cabos, com fissura vertical (Figura 3b). Isso se deve à distância da força em relação ao apoio, que no caso dos PACPs é de 2,5h .

Propõe-se, para as próximas etapas, a realização dos ensaios com aplicação da força em outras posições (mais próximas do apoio), para melhor avaliação do mecanismo de cisalhamento dessas lajes, bem como ensaios de lajes com capa.

6 AGRADECIMENTOS

À CAPES e ao CNPq, pelas bolsas de doutorado e de pesquisador, respectivamente; à CASSOL PRÉFABRICADOS, pela realização e pelo custeio dos ensaios; ao aluno de Mestrado em Construção Civil do DECiv/UFSCar, Neiton Santos Fernandes, pela ajuda na realização dos ensaios e na avaliação dos resultados.

7 REFERÊNCIAS

BROO, H.; LUNDGREN, K.; ENGSTRÖM, B. (2004). Shear and torsion in prestressed hollow core units: Finite element analyses of full scale tests. Submitted to Structural Concrete.

ELLIOTT, K. S. (2001). Precast concrete structures. Oxford, Butterworth- Heinemann: Elsevier Science.

FÉDÉRATION INTERNATIONALE DE LA PRÉCONTRAINTE [FIP] (1992). Guide to good practice: quality assurance of hollow core slab. Published by Seto Ltd. London/UK.

STANTON, J. F. (1992). Response of hollow-core slab floors for concentrated loads. PCI Journal, v. 37, n. 4, p. 98-113.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 41-44, 2006

ISSN 1809-5860

ANÁLISE EXPERIMENTAL ESTÁTICA E DINÂMICA DA RIGIDEZ DE LIGAÇÕES DE ELEMENTOS PRÉ-MOLDADOS DE CONCRETO SUJEITAS A DANIFICAÇÃO PROGRESSIVA

Sandra Freire de Almeida 1 & João Bento de Hanai 2

Resumo

Esta pesquisa propõe o desenvolvimento da análise da deformabilidade de estruturas de concreto em função de níveis crescentes de danificação e suas ligações, focalizando a semi-rigidez das ligações de elementos pré-moldados. Os objetos específicos de estudo são principalmente as ligações viga-coluna com capacidade de transmissão de esforços normais e de flexão. Estuda-se também a possibilidade de utilização de elementos de ligação constituídos por compósito de fibra de carbono. Métodos experimentais de análise estática e dinâmica deverão ser empregados, tanto no que se refere à introdução de danos quanto à observação do comportamento vibracional. Métodos teóricos como o da Mecânica do Dano Contínuo e o Método dos Elementos Finitos fazem parte da metodologia.

Palavras-chave: concreto pré-moldado, ligações, análise dinâmica, dano progressivo.

DYNAMIC AND STATIC EXPERIMENTAL ANALYSIS OF CONCRETE PRECAST CONNECTIONS STIFFNESS SUBJECTED TO PROGRESSIVE DAMAGE

Abstract

This research assesses precast concrete structures deformability and their connections throughout a damage process. It focuses on the semi-rigid connections between precast concrete elements, especially beam-to-column connections, which transmit axial force and bending moment. The use of connections made with carbon-fiber composites has also been studied. Static and dynamic experimental analysis methods will be taken to introduce damage as well as to investigate the dynamic behavior. Continuum Damage Mechanics and Finite Element Method are the theoretical methods used.

Keywords: precast concrete, connections, dynamic analysis, progressive damage.

Linha de Pesquisa: Estruturas de Concreto e de Alvenaria.

1 Doutoranda em Engenharia de Estruturas - EESC-USP, salmeida@sc.usp.br 2 Professor Titular do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, jbhanai@sc.usp.br

de Engenharia de Estruturas da EESC-USP, jbhanai@sc.usp.br Cadernos de Engenharia de Estruturas , São Carlos, v.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 45-48, 2006

46

Sandra Freire de Almeida & João Bento de Hanai

1

INTRODUÇÃO

As estruturas de concreto pré-moldado caracterizam-se por apresentar facilidade e rapidez durante a execução e melhor qualidade dos elementos. Porém, a necessidade de realizar as ligações é um dos principais problemas enfrentados neste tipo de estrutura. As ligações são de fundamental importância tanto para a produção (execução dos elementos adjacentes, montagem e realização das ligações), como para o comportamento global da estrutura. Usualmente na análise estrutural, as ligações são idealizadas com vinculação ideal (articuladas ou rígidas), porém o comportamento real pode ser considerado como intermediário entre esses extremos, ou seja, que existe deformabilidade das ligações, transmissão parcial de momentos e possibilidade de deslocamento relativo entre os elementos (ligação semi-rígida).

A análise dinâmica tem-se revelado um método de grande importância na

avaliação da integridade e da segurança estrutural, complementa os ensaios estáticos e fornece informações integradas a respeito da rigidez e do amortecimento do sistema. Tem sido utilizada para: estimar parâmetros estruturais, determinar a localização e extensão de danos, avaliar a rigidez equivalente de elementos danificados, detectar mudanças na deformabilidade, e ponderar sobre o envelhecimento de estruturas. A utilização de ensaios não-destrutivos dinâmicos pode representar uma vantagem na obtenção dos valores de deformabilidade, pois não é necessário levar o modelo físico a ruptura, e como o comportamento dinâmico é direcionado pelas propriedades dos elementos e pelas ligações entre eles, qualquer alteração ocorrida nos elementos ou variação das condições das ligações, provoca um efeito direto nas propriedades dinâmicas do sistema como um todo.

O estudo da fissuração progressiva de elementos estruturais de concreto, que

se manifesta com o aumento do carregamento, pode ser aprimorado com a utilização de modelos constitutivos baseados na Mecânica do Dano, que é adequada para analisar o comportamento de materiais que apresentam microfissuração. As equações constitutivas devem ser formuladas incluindo-se uma variável que quantifica o processo de microfissuração do material (Nóbrega, 2004). A variável de dano é diretamente relacionada à redução progressiva das propriedades do material, sendo possível acompanhar a evolução do processo de deterioração do material, a partir da estrutura íntegra até a macrofissuração.

O objetivo geral da pesquisa é o desenvolvimento da análise da deformabilidade de estruturas de concreto em função de níveis crescentes de danificação do concreto e suas ligações com armaduras e insertos metálicos, focalizando a semi-rigidez das ligações de elementos pré-moldados. Os objetivos específicos são: a) determinar o amortecimento, os modos de vibração e a freqüência natural de corpos-de-prova e modelos físicos de elementos e ligações, de forma a estabelecer critérios dinâmicos para avaliação do estado de danificação do material; b) realizar a análise modal completa de elementos simples (vigas e pilares isolados), e posteriormente, de uma estrutura composta por tais elementos, de tamanho reduzido, inclusive utilizando ligação constituída por compósito de fibra de carbono; c) determinar a rigidez de diversos tipos de ligação pelo método direto, variando o tipo de material; d) comparar os resultados experimentais com os numéricos obtidos via discretização da estrutura pelo MEF, com modelos fundamentados na Mecânica do Dano Contínuo; e) obter os parâmetros necessários para a modelagem das estruturas de concreto com a utilização dos modelos de dano de Mazars e La Borderie.

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 45-48, 2006

Análise experimental estática e dinâmica da rigidez de ligações de elementos

47

2 METODOLOGIA

Métodos experimentais de análise estática e dinâmica serão empregados, tanto no que se refere à introdução de danos por meio de ações repetidas quanto à observação do comportamento vibracional provocado por excitações aleatórias ou na forma de varredura de freqüências. A modelagem numérica também será realizada, com a aplicação do Método dos Elementos Finitos e da Mecânica do Dano Contínuo.

3 DESENVOLVIMENTO

A pesquisa encontra-se na fase de planejamento dos ensaios experimentais. Nessa etapa preliminar foram realizados ensaios-piloto para a verificação do funcionamento do esquema de ensaio dinâmico e das condições de contorno, com a utilização dos equipamentos disponíveis no Laboratório de Estruturas, em modelos em escala real. Foi analisada a possibilidade de determinar a rigidez da ligação pelo método direto (Nóbrega, 2004), por meio dos valores de aceleração medidos. Esses ensaios não-destrutivos foram feitos com Baldissera (2006), que desenvolveu um estudo experimental sobre o comportamento de uma ligação viga-pilar parcialmente resistente a momento fletor, onde foram utilizados chumbadores inclinados. Foram ensaiados 2 modelos físicos: com pilar intermediário e com pilar de extremidade.

com pilar intermediário e com pilar de extremidade. a) Desenho esquemático do modelo E (Baldissera, 2006).

a) Desenho esquemático do modelo E (Baldissera, 2006).

a) Desenho esquemático do modelo E (Baldissera, 2006). b) Ensaio com sinal aleatório. c) Vista geral

b) Ensaio com sinal aleatório.

E (Baldissera, 2006). b) Ensaio com sinal aleatório. c) Vista geral do modelo com pilar intermediário.

c) Vista geral do modelo com pilar intermediário. Ensaio dinâmico.

Figura 1 – Características dos modelos ensaiados [Medidas em centímetros].

Os ensaios dinâmicos foram realizados nos modelos no estado íntegro e após a ruptura (realização do ensaio estático). O método de ensaio consistiu na obtenção das freqüências naturais da estrutura, por meio de uma varredura de freqüências – sinal de excitação aleatório. Conhecidas as freqüências da estrutura, era aplicado um sinal senoidal de freqüência igual à 1ª freqüência natural. Nessa etapa, foram utilizados 2 acelerômetros, posicionados de forma que fosse possível obter pela diferença dos valores medidos alguma informação sobre deformabilidade da ligação.

4 RESULTADOS OBTIDOS – ENSAIOS-PILOTO

Alguns dos resultados obtidos nos ensaios-piloto, com os modelos estrutura de concreto pré-moldado, em escala real, são apresentados na Tabela 1.

da

Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, v. 8, n. 32, p. 45-48, 2006

48

Sandra Freire de Almeida & João Bento de Hanai

Tabela 1 – Resultados dos ensaios-piloto

 

MODELO COM PILAR INTERMEDIÁRIO

MODELO COM PILAR DE EXTREMIDADE

Condição do modelo

Íntegro

Fissurado

Íntegro

Fissurado

Freqüência natural do primeiro modo

4,375 Hz

4,141 Hz

3,516 Hz

3,281 Hz

Amplitude (aceleração)

0,001283 g

0,002324 g

0,002179 g

0,003297 g

Rigidez da ligação (lado direito)

---

5013,1 kN.m/rad

---

10161,9 kN.m/rad

Rigidez da ligação (lado esquerdo)

---

1747,4 kN.m/rad

---

9015,5 kN.m/rad

5 CONCLUSÕES PARCIAIS

Os resultados obtidos foram muito diferentes dos obtidos por Baldissera (2006), que realizou ensaios estáticos nos mesmos modelos. Essas diferenças foram

atribuídas às interferências ocorridas durante a realização do ensaio dinâmico, tais como: à vibração da estrutura de reação durante a excitação do modelo na freqüência de ressonância; à obtenção dos valores de aceleração no domínio da freqüência, enquanto deveria ter sido feito no domínio do tempo; e à medição do valor da força dinâmica, que foi feita antes do ensaio e não durante. Com essas ponderações, acredita-se que os ensaios-piloto contribuíram consideravelmente para a pesquisa, pois forneceram dados importantes para uma melhor identificação do problema e para

o

planejamento das novas séries de ensaios.

6

AGRADECIMENTOS

À FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) pela concessão da bolsa de doutorado. À aluna Alice Baldissera e ao prof. Mounir El Debs pela oportunidade e permissão para a realização dos ensaios dinâmicos nos modelos físicos estudados por ela.

7 REFERÊNCIAS

ALMEIDA, S. F.; HANAI, J. B. (2006). Relatório Científico n°1 – FAPESP – Bolsa de Doutorado (Processo 05/52149-1). Título da pesquisa: “Análise experimental estática