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PROJETO DE ILUMINAÇÃO INDUSTRIAL

Neste capítulo serão mostrados os passos para a execução de um projeto de iluminação de uma indústria, de maneira simplificada e resumida, de forma que para estudos mais complexos, outras referências devem ser consultadas.

1.1

Conceitos e grandezas fundamentais

1.1.1

Fluxo Luminoso

É chamado fluxo luminoso a radiação total emitida em todas as direções por uma fonte luminosa ou fonte de luz que pode produzir estímulo visual. Estes comprimentos de onda estão compreendidos entre 380 a 780 nm. Sua unidade é o lumen (lm). As lâmpadas conforme seu tipo e potência apresentam fluxos luminosos diversos:

lâmpada incandescente de 100 W: 1000 lm;

lâmpada fluorescente de 40 W: 1700 a 3250 lm;

lâmpada vapor de mercúrio 250W: 12.700 lm;

lâmpada multi-vapor metálico de 250W: 17.000 lm

1.1.2

Iluminância ou Iluminamento

Iluminância ou Iluminamento é a relação entre o fluxo luminoso incidente em uma superfície e a superfície sobre a qual este incide, ou seja é a densidade de fluxo luminoso na superfície sobre a qual este incide. A unidade é o LUX, definido como o iluminamento de uma superfície de 1m² recebendo de uma fonte puntiforme a 1m de distância, na direção normal, um fluxo luminoso de 1 lúmen, uniformemente distribuído. Exemplos de iluminância:

Dia ensolarado de verão em local aberto » 100.000 lux

Dia encoberto de verão » 20.000 lux

Dia escuro de inverno » 3.000 lux

Boa iluminação de rua » 20 a 40 lux

Noite de lua cheia » 0,25 lux

Luz de estrelas » 0,01 lux.

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1.2

Tipos de lâmpadas típicas de instalações industriais

1.2.1

Fluorescentes tubulares

De alta eficiência e longa durabilidade.

São encontradas nas versões Standard (com eficiência energética de até 70lm/W, temperatura de cor entre 4.100 e 6.100K e índice de reprodução de cor de 85%) e Trifósforo (eficiência energética de até 100lm/W, temperatura de cor entre 4.000 e 6.000K e índice de reprodução de cor de 85%).

A performance dessas lâmpadas é otimizada através da instalação com reatores eletrônicos e luminárias especiais.

São usadas em áreas comerciais e industriais.

1.2.2

Vapor metálico

São lâmpadas com altíssima eficiência energética, excelente reprodução de cor, longa durabilidade e baixa carga térmica.

Sua luz é muito branca e brilhante.

Tem versões de alta potência (maiores que 2kW) e de baixa potência (de 70 a 400W), formato tubular com diversas bases (soquete).

(de 70 a 400W), formato tubular com diversas bases (soquete). Figura 1.1 - Lâmpadas de Vapor
(de 70 a 400W), formato tubular com diversas bases (soquete). Figura 1.1 - Lâmpadas de Vapor

Figura 1.1 - Lâmpadas de Vapor Metálico (internet)

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1.2.3 Vapor de sódio

Com eficiência energética de até 130lm/W;

Longa durabilidade.

Com formatos tubulares e elipsoidais, emitem luz branca dourada e são utilizadas em locais onde a reprodução de cor não é um fato importante, como em estradas, portos, ferrovias e estacionamentos;

como em estradas, portos, ferrovias e estacionamentos; Figura 1.2 - Lâmpadas de Vapor de Sódio (internet)
como em estradas, portos, ferrovias e estacionamentos; Figura 1.2 - Lâmpadas de Vapor de Sódio (internet)

Figura 1.2 - Lâmpadas de Vapor de Sódio (internet)

1.2.4 Vapor de mercúrio e Lâmpadas Mistas

Vapor de mercúrio tem aparência branca azulada, eficiência de até 55lm/W e potências de 80 a 1.000W, são normalmente utilizadas em vias públicas e áreas industriais;

Lâmpadas mistas - compostas por um filamento e um tubo de descarga, funcionam em tensão de rede de 220V, sem uso de reator. Via de regra, representam alternativa de maior eficiência para substituição de lâmpadas incandescentes.

1.3 Calculo Luminotécnico para Indústria

Para estudos de luminotécnica, a referência brasileira é a NBR5413 - Iluminância de interiores, a qual indica os itens necessários para uma boa iluminação de uma gama muito grade de ambientes como hospitais, cervejarias, fundições etc. Porém este material se ate no foco de uma indústria típica de forma que a Tabela 5.1 já fornece as iluminâncias necessárias para o estudo a que este material se dispõem.

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4 Tabela 1.1 - Iluminâncias por classe de tarefas visuais (NBR5413, adaptado) De posse dos valores

Tabela 1.1 - Iluminâncias por classe de tarefas visuais (NBR5413, adaptado)

De posse dos valores de luminância necessária para o local em específico, basta utilizar algum software para executar o estudo luminotécnico. Os programas citados abaixo são gratuitos e já fazem todos os cálculos utilizando luminárias comerciais a escolha do projetista.

1.3.1

DIALux

O DIALux é um software destinado ao cálculo de iluminação interna e externa, desde os cálculos mais simples até os mais avançados. É completamente gratuito e amplamente utilizado atualmente por profissionais em todo o mundo. Está disponível em mais de 26 idiomas diferentes em todo o mundo, inclusive o português. O software apresenta visualização 3D fotográfica realística do ambiente, com a possibilidade de criação de filmes para apresentação do trabalho. Importa e exporta arquivos DXF e DWG de todos os softwares CAD disponíveis no mercado.

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5 Figura 1.3 – Imagens do DIALux (internet) 1.3.2 SOFTLUX 2.2 Software de cálculo luminotécnico fornecido
5 Figura 1.3 – Imagens do DIALux (internet) 1.3.2 SOFTLUX 2.2 Software de cálculo luminotécnico fornecido

Figura 1.3 – Imagens do DIALux (internet)

1.3.2 SOFTLUX 2.2

Software de cálculo luminotécnico fornecido gratuitamente pela ITAIM ILUMINAÇÃO via cadastro no site da empresa. Programa rápido, simples e prático, ideal para ambientes com plantas baixas quadradas ou retangulares. Se comparado ao DIALux tem muito menos funções, como não suporta simulações com luminárias nas paredes, somente no teto, e plantas não retangulares, porém é uma excelente opção aos cálculos tradicionais.

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DUTOS E FERRAGENS

2.1

Eletrodutos Rígidos

Em instalações elétricas industriais são utilizados eletrodutos de PVC ou de ferro

galvanizado, em ambos os casos são geralmente utilizadas instalações aparentes.

Os eletrodutos de ferro galvanizado não devem possuir costura longitudinal e suas

paredes internas devem ser perfeitamente lisas, livres de quaisquer pontos resultantes de uma

galvanização imperfeita. Também cuidados devem ser tomados quanto às luvas e curvas.

Quaisquer saliências podem danificar a isolação dos condutores.

A utilização de eletrodutos deve seguir os seguintes critérios:

a) Dentro de eletrodutos só devem ser instalados condutores isolados, cabos unipolares ou

cabos multipolares, admitindo-se a utilização de condutor nu em eletroduto isolante

exclusivo, quando tal condutor destinar-se a aterramento.

b) Em instalações internas onde não haja trânsito de veículos pesados, os eletrodutos de

PVC devem ser enterrados a uma profundidade não inferior a 0,25 m.

c) Em instalações externas sujeitas a tráfego de veículos leves, os eletrodutos de PVC

devem ser enterrados a uma profundidade não inferior a 0,45 m. Para profundidades

inferiores, é necessário envelopar o eletroduto em concreto.

d) Em instalações externas sujeitas a trânsito de veículos pesados, os eletrodutos de PVC

devem ser enterrados a uma profundidade não inferior a 0,45 m, protegidos por placa de

concreto ou envelopados. Costuma-se, nestes casos, utilizar eletrodutos de ferro

galvanizado.

e) Os eletrodutos aparentes devem ser firmemente fixados a uma distância máxima de

acordo com a Tabela 8.1.

Distância máxima entre elementos de fixação de eletrodutos rígidos.

Eletrodutos Metálicos

 

Eletrodutos Isolantes

 
   

Diâmetro

 

Distância

Tamanho do

eletroduto (pol.)

Distância da

fixação (m)

nominal

(mm)

Tamanho do

eletroduto (pol.)

da fixação

(m)

1/2 - 3/4

3

16

- 32

1/2 - 1 1/4

0,9

1

3,7

40

- 60

1 1/2 - 2 1/2

1,5

1 1/4 - 1 1/2

4,3

75

- 85

3 - 4

1,8

2 - 2 1/2

4,8

 

>= 3

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Tabela 2.1 – Espaçamento entre suporte de eletrodutos (Instalações Elétricas Industriais, Mamed)

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f)

É vedado o uso, como eletroduto, de produtos que não sejam expressamente apresentados comercialmente como tal.

g)

Somente devem ser utilizados eletrodutos não-propagantes de chama.

h)

A taxa máxima de ocupação em relação à área da seção transversal dos eletrodutos não deve ser superior a:

 

53% no caso de um único condutor ou cabo;

31 % no caso de dois condutores ou cabos;

40% no caso de três ou mais condutores ou cabos;

 

i)

Não deve haver trechos contínuos (sem interposição de caixas de derivação ou aparelhos) retilíneos de tubulação maiores do que 15 m para linhas internas e de 30m

 

para áreas externas às edificações.

2.2

Eletrodutos Flexíveis

Uma boa opção a montagem convencional de eletrodutos, com suas caixas de derivação, curvas etc. é a utilização de eletrodutos flexíveis, estes de dividem basicamente em dois tipos, metálicos e de PVC.

2.2.1 Eletrodutos Flexíveis Metálicos

Popularmente conhecido por Seal-tube, este tipo de eletroduto possui vantagens relevantes como facilidade de instalação e possibilidade de movimentação da instalação. A Figura 8.1 mostra este eletrotudo com um respectivo conector.

8.1 mostra este eletrotudo com um respectivo conector. Figura 2.1 – Eletroduto flexível metálico e conector

Figura 2.1 – Eletroduto flexível metálico e conector (catálogo Sociedade paulista de tubos flexíveis ltda)

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2.2.2 Eletrodudos Flexíveis de PVC

Os eletrodutos flexíveis corrugados são fabricados em PVC auto-extinguível. Devido a sua praticidade e elevada resistência diametral, são principalmente utilizadas em alvenaria ou ramais subterrâneos. Os eletrodutos de cor amarela são de classificação leve, 320N/5cm e devem ser usados em paredes e similares, já os de cor cinza ou azul, são de esforço mecânico médio, 750N/5cm e podem ser usados em lajes ou pisos. Uma variável importante destes eletrodutos é o Polietilieno de Alta Densidade, ou PEAD. Este tipo de eletroduto deve ser utilizado para ramais subterrâneos. A Figura 8.2 mostra os tipos de eletrodutos corrugados.

A Figura 8.2 mostra os tipos de eletrodutos corrugados. Figura 8.2 – Eletroduto corrugados

Figura 8.2 – Eletroduto corrugados (http://mapasa.ind.br/eletrodutos.htm)

2.3

Eletrocalhas

Bandejas, leitos, prateleiras e eletrocalhas são dutos amplamente utilizados em instalações elétricas devido ao baixo custo de aquisição, ventilação natural e principalmente pela facilidade e versatilidade em sua instalação. Normalmente são modulares, constituídas de várias peças que podem ser encaixadas constituindo uma grande rede de dutos sem a necessidade de cortar peças ou outro tipo de adaptação.

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A aplicação de eletrocalhas devem seguir os seguintes princípios:

a) Cabos unipolares ou multipolares podem ser instalados em qualquer tipo de eletrocalha;

b) Os cabos devem ser dispostos, preferencialmente, em uma única camada. Porém admite-se a disposição em várias camadas desde que o material combustível representado pelo cabo (isolação, capa etc.) não ultrapasse o limite estabelecido pela NBR 6812 - Fios e cabos elétricos – Queima vertical (fogueira) – Método de ensaio.

c) Admite-se instalação de condutores isolados em eletrocalhas com paredes perfuradas e/ou tampas desmontáveis sem o auxílio de ferramentas em locais só acessíveis a pessoas advertidas ou qualificadas.

d) É conveniente ocupar a eletrocalha com no máximo 35% de sua área útil.

ocupar a eletrocalha com no máximo 35% de sua área útil. Figura 2.3 – Eletocalha e

Figura 2.3 – Eletocalha e derivações (http://mapasa.ind.br/eletrocalha.htm)

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DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO EM BT

3.1

FUSÍVEL

O fusível é um dispositivo de proteção contra as correntes de curto-circuito. Sua atuação

é baseada no elemento fusível, que é um condutor geralmente de cobre, prata ou estanho, de pequena seção que se funde ao ser atravessado por uma corrente de valor maior que a

estipulada

atuação.

pela

sua

curva

de

Os fusíveis podem ser classificados:

a) Quanto à capacidade de interrupção: em fusíveis retardados, para proteção de motores e máquinas em geral ou ultra-rápidos, para proteção de equipamentos eletrônicos sensíveis;

b) Quanto ao nível de tensão: de baixa ou alta tensão;

c) Quanto à forma construtiva: Diazed (diametral) ou NH.

Os fusíveis de efeito retardado são fabricados para suportar uma corrente maior que sua corrente nominal durante um certo tempo. Assim, durante a partida de um motor, em que a corrente alcança valorõs maiores do que as de trabalho, os fusíveis não queimam. Em outro tópico, vamos aprender como usamos a curva dos fusíveis para dimensioná-los. A Figura 3.1 mostra um fusível Diazed, que são fabricados no valores nominais de corrente 2,4, 6, 10, 16, 20, 25, 35, 50 e 63 A.

no valores nominais de corrente 2,4, 6, 10, 16, 20, 25, 35, 50 e 63 A.

Figura 3.1 – Fusível diazed (catálogo WEG)

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Os fusíveis NH são fabricados de 4 até 630 A. Por questões econômicas, sempre que possível, é preferível que se use fusíveis Diazed.

econômicas, sempre que possível, é preferível que se use fusíveis Diazed. Figura 3.1 – Fusível NH

Figura 3.1 – Fusível NH (catálogo WEG)

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3.2 RELÉ TÉRMICO

Também chamado de relé de sobrecarga ou bimetáfico, seu funcionamento baseia-se no princípio da dilatação térmica dos metais e o relé funciona como um equipamento de proteção contra sobre corrente.

como um equipamento de proteção contra sobre corrente. Figura 3.2 – Relé térmico (catálogo Schneider) 3.3

Figura 3.2 – Relé térmico (catálogo Schneider)

3.3 DISJUNTOR DE BAIXA TENSÃO

Um disjuntor é um equipamento que une as funções do relé térmico e do fusível e tem mais a função se seccionadora, desta forma ele protege contra correntes de curto circuito, sobre carga e também interrompe o circuito.

de curto circuito, sobre carga e também interrompe o circuito. Figura 3.4 – Mini Disjuntor (catálogo

Figura 3.4 – Mini Disjuntor (catálogo Terasaki)

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3.3.3 Capacidade de interrupção e corrente de curto circuito

A capacidade de curto circuito dos disjuntores de proteção nem sempre consta dos projetos elétricos, ou por desconhecimento dos seus autores, ou mesmo por negligência com relação ao assunto, resultando em instalações falhas e muito perigosas, mantendo, para piorar, uma total "aparência" de que são corretas. A capacidade de interrupção de um disjuntor representa o valor máximo da corrente de curto circuito (Icc) que o fabricante do disjuntor assegura que o mesmo pode suportar sem sofrer avarias. Se tais valores forem superados na ocorrência de um curto circuito, o respectivo disjuntor de proteção, ao invés de manter a integridade da instalação poderá colar seus terminais mantendo a corrente de curto circuito ou, até mesmo, "explodir". Na Tabela 9.1 estão expostos valores de disjuntores da General Eletric padrão NEMA, todos de 70A trifásicos.

Mod. TQC

5kA/220V

R$

47,49

Mod. THQC

10kA/220V

R$

58,64

Mod. THHQC

22kA/220V

R$

77,78

Mod. TED

25kA/240V

R$ 127,58

Mod. THED

65kA/240V

R$ 200,77

Tabela 3.1 – Valores de disjuntores com diferentes Icc (GE Sist. Industriais - Lista dez/02)

Nota-se que quanto maior a corrente de curto-circuito, mais caro é o disjuntor, o que indica que o mesmo é mais resistente e robusto. Para tensões diferentes de trabalho como 380V ou 440V, a Icc do mesmo modelo de disjuntor pode ser diferente. Um ponto importante é que o valor da Icc calculado para um quadro deve ser considerado tanto para o disjuntor geral quanto para os parciais. Se a Icc de um quadro for 8kA, e for instalado um disjuntor geral de 10kA e disjuntores parciais (de saída) de 5kA, significa que, em caso de curto circuito, o disjuntor de saída que sofreu o curto pode ser danificado, desligando então o disjuntor geral do quadro, que derrubará todas as cargas alimentadas neste quadro e não apenas onde houve o curto circuito. Apresentamos a seguir exemplos hipotéticos de correntes de curto circuito em função da potência dos transformadores que alimentam as instalações.

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14 Figura 3.5 – Exemplo de estudo de Icc (http://www.fasorial.com.br/artigos.htm)

Figura 3.5 – Exemplo de estudo de Icc (http://www.fasorial.com.br/artigos.htm)

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A tabela refere-se a transformadores de força trifásicos mais neutro aterrado, com tensão de saída de 220/127V.

kVA

In (A)

Icc(kA)

30

79

2,3

45

118

3,4

75

197

5,6

112,5

295

8,4

150

394

11,3

225

590

13,1

300

787

17,5

500

1312

29,2

750

1968

39,4

1000

2624

52,5

1500

3936

65

Tabela 3.2 – Valores de Icc para transformadores WEG (dado fornecido pela empresa)

Porém esta corrente de curto-circuito é exatamente nos terminais de BT do transformador, e faltas posteriores a este local devem ser calculadas novamente, porém já pode-se prever que serão faltas correntes menores.

3.3.4 Demais características

Com o avanço da tecnologia várias funções foram agregadas a certos tipos de disjuntores, como o acionamento remoto, monitoramento dos contatos, manoplas, travas de segurança etc. dando ao disjuntor a função de automação, além da função de proteção.

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3.3.5 Especificação Sumária

A aquisição de um disjuntor, para utilização em um determinado ponto do sistema, requer que sejam discriminados os seguintes elementos, no mínimo:

• corrente nominal de operação;

• capacidade de interrupção (Icc);

• tensão nominal;

• freqüência nominal;

• faixa de ajuste dos disparadores;

• tipo (tennomagnético, limitador de corrente, somente magnético ou somente térmico);

• acionamento (manual ou motorizado).

Para proteção de circuito com cargas resistivas, utiliza-se disjuntores Curva B, para cargas resistivas e Indutivas, Curva C e para cargas puramente indutivas e grande corrente de partida, Curva D. A diferença entre as curvas é o efeito de retardo de disparo, semelhante aos fusíveis diazed usados para partirem motores, como já foi estudado anteriormente.

para partirem motores, como já foi estudado anteriormente. Figura 3.6 – Tipos de curvas de disjuntores

Figura 3.6 – Tipos de curvas de disjuntores (Instalações Elétricas, Cotrim)

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E os valores comerciais dos disjuntores monofásicos em AMPÉRES são: 0,5, 1, 2, 4, 6,

10, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63 e raramente acima disso. Para disjuntores trifásicos: 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63, 70, 80, 90, 100, 125, 150, 175,

200, 225, 250, 300, 350, 400, 500 do fabricante .

até correntes elevadas em torno de 6000A, dependendo

3.4 DISJUNTOR – MOTOR

Os disjuntores-motor possuem as mesmas características básicas de um disjuntor termomagnético convencional, juntamente com a característica de retardo dos fusíveis retardados e o ajuste da corrente de desarme por sobrecarga. Normalmente, os disjuntores-motor possuem acionamento por alavanca rotativa e indicação de disparo (TRIP). A Figura 9.9 mostra um disjuntor motor da Siemens.

(TRIP). A Figura 9.9 mostra um disjuntor motor da Siemens. Figura 3.7 – Disjuntor Motor Siemens

Figura 3.7 – Disjuntor Motor Siemens (fotografada pelo autor)

3.5 PROTEÇÃO E COORDENAÇÃO

A elaboração de um esquema completo de proteção de uma instalação elétrica industrial

envolve várias etapas, desde a escolha dos dispositivos até a calibração destes. Porém em todos os estudos de proteção, para este ser completo, deve atender os seguintes itens:

a) Seletividade

b) Exatidão e Segurança

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da tensão envolvida e dos dispositivos escolhidos pelo projetista.

As proteções necessárias de uma instalação ou de equipamentos são:

a) Proteção contra curto circuito;

b) Proteção contra sobrecorrente.

Desta forma tanto a instalação (cabos, fios etc.) quanto os equipamentos devem ter no mínimo estas duas proteções individualmente, ou seja, a proteção da instalação e a proteção do equipamento.

Para a proteção de equipamentos, é necessário o conhecimento das características deste, como por exemplo se é um equipamento eletrônico ou analógico. Um exemplo típico desta classificação é a diferença da proteção de um soft-starter e uma chave de partida. A chave de partida já é a proteção do motor, e a proteção de um motor elétrico é de atuação lenta, como disjuntores motores ou fusíveis retardados. Já a proteção para o soft-starter necessita ser rápida, como fusíveis ultra-rápidos ou disjuntores magnéticos. Geralmente, os equipamentos industriais já possuem um quadro com a proteção respectiva adequada ou é indicado no manual do equipamento as proteções necessárias conforme mostra a Figura 9.10.

as proteções necessárias conforme mostra a Figura 9.10. Figura 3.8 – Ligações de força do SSW04

Figura 3.8 – Ligações de força do SSW04 (Manual do Soft-starter, WEG)

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Já para a proteção de instalações industriais em BT, ou seja os cabos, o processo pode ser resumido na escolha do disjuntor termomagnético e sua calibração. A equação abaixo indica como dimensionar a corrente:

I CABO * I DISJUNTOR I DO CIRCUITO

* - I do cabo já considerando as correções dos fatores de temperatura, agrupamento etc.

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EXECUÇÃO DO PROJETO ELÉTRICO

4.1

Dados para elaboração de um projeto

4.1.1

Condições de Fornecimento de Energia Elétrica

Cabe à concessionária local prestar ao interessado as informações que lhe são pertinentes, quais sejam:

garantia de suprimento da carga, dentro de condições satisfatórias;

variação da tensão de suprimento;

tensão de fornecimento;

tipo de sistema de suprimento: radial, radial com recurso etc.;

capacidade de curto-circuito atual e futuro do sistema;

impedância reduzida no ponto de suprimento.

4.1.2 Características das Cargas

Estas informações podem ser obtidas diretamente do responsável pelo projeto técnico industrial, ou por meio do manual de especificações dos equipamentos. Os dados principais são:

a) Motores

potência;

tensão;

corrente;

freqüência;

número de pólos;

número de fases;

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ligações possíveis;

regime de funcionamento.

b) Fornos a arco

potência do forno;

potência de curto-circuito do forno;

potência do transformador do forno;

tensão;

freqüência;

fator de severidade.

c) Outras cargas

Aqui ficam caracterizadas cargas singulares que compõem a instalação, tais como máquinas acionadas por sistemas computadorizados, cuja variação de tensão permitida seja mínima e, por isso, requerem circuitos alimentadores exclusivos ou até transformadores próprios - aparelhos de raios X industrial e muitas outras cargas tidas como especiais que devem merecer um estudo particularizado por parte do projetista.

4.3 Levantamento de Carga

4.3.1 Consumo e Demanda de uma instalação

- Consumo Consumo refere-se ao registro do quanto de energia elétrica foi consumida durante determinado período. No cálculo das faturas é considerado o período mensal e este é expresso em kWh (quilo watts hora).

- Demanda Demanda corresponde ao consumo de energia dividido pelo tempo adotado na verificação. Conforme legislação brasileira é determinado para fins de faturamento que este período seja de 15 minutos. A demanda também serve para dimensionar o transformador da instalação elétrica em análise.

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4.3.2 Fator de Demanda

RReellaaççããoo eennttrree ddeemmaannddaa mmááxxiimmaa eemm uumm iinntteerrvvaalloo ddee tteemmppoo ee ccaarrggaa iinnssttaallaaddaa ((nnoommiinnaall))

f dem

=

D

max

div

i

= 1, n

D

nom

i

sseennddoo

((oobbsseerrvvaarr qquuee ooss ddooiiss iitteennss ddeevveemm eessttaarr eessttaarr nnaa mmeessmmaa uunniiddaaddee))

D

nom

i aa ppoottêênncciiaa nnoommiinnaall ddaa ccaarrggaa ii eemm WW oouu VVAA ee

D

max

div

aa ddeemmaannddaa mmááxxiimmaa ddaa ccaarrggaa

PPooddee sseerr ddeeffiinniiddoo ppaarraa

uumm ssiisstteemmaa

ppaarrttee ddee uumm ssiisstteemmaa

uummaa ccaarrggaa

GGeerraallmmeennttee 11 ((ff ddeemm >>11 ssiiggnniiffiiccaa ooppeerraarr ccoomm ssoobbrreeccaarrggaa))

O fator de demanda é um item muito importante em uma instalação elétrica, pois é através deste que se obtém a demanda real da instalação e consequentemente o dimensionamento do transformador da instalação, disjuntores geral e condutores. Porém a obtenção deste fator não é algo preciso, varia muito de acordo com a instalação elétrica, o que geralmente é feito é utilizar um fator de demanda baseado na experiência do profissional ou utilizar tabelas com valores aproximados por concessionárias.

4.4

Simbologia

Todo o projeto necessita de uma simbologia para representar os componentes deste, porém este item não encontra um senso comum em projetos elétricos ao redor do mundo, pois a simbologia diverge em alguns itens. No Brasil, por exemplo, existe uma simbologia “usual” e também a da NBR5444, conforme Figura 10.1. Ambas as simbologias podem ser utilizadas em projetos ou até serem acrescentadas, caso algum não contemplem algum item do projeto. Na prática, o que define a simbologia do projeto é a legenda do mesmo, cabe ao projetista descrever e desenhar os itens contidos no projeto, porém usa-se o bom senso de “não inventar” novos símbolos.

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22 Figura 10.1 – Simbologia usual e simbologia conforme NBR5444 (Instalações Elétricas Industriais, João Mamede

Figura 10.1 – Simbologia usual e simbologia conforme NBR5444 (Instalações Elétricas Industriais, João Mamede Filho)

4.5 Diagrama unifilar e quadro de cargas

Diagrama Unifilar é a representação de um ou mais circuitos de forma resumida e compacta, porém, com todos os dados necessários para a análise completa do circuito. Todo Diagrama Unifilar deve conter no mínimo os seguintes itens:

Tensões aplicadas no circuito;

Condutores dos circuitos;

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Bitola dos condutores do circuito;

Corrente nominal dos disjuntores;

Tipo de disjuntores (mono, bi ou trifásicos);

Detalhes dos componentes de medição;

Detalhes dos componentes de conexão (muflas, pára-raios, aterramentos);

Indicação dos componentes de proteção.

Quadro de cargas é um resumo das cargas instaladas separadas por circuitos, onde neste resumo são nominados os circuitos que acompanham suas respectivas cargas. Geralmente o quadro de cargas faz parte do diagrama unifilar.

As Figuras 4.2 e 4.3 mostram o diagrama unifilar de uma empresa, contemplando a média e baixa tensão, com quadro de carga.

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24 Figura 4.2 – Diagrama unifilar da SE (desenhado pelo autor)

Figura 4.2 – Diagrama unifilar da SE (desenhado pelo autor)

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25 Figura 4.3 – Diagrama unifilar BT (desenhado pelo autor)

Figura 4.3 – Diagrama unifilar BT (desenhado pelo autor)

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4.6 Desenho e detalhamento do projeto

Após o levantamento do layout da instalação, planta baixa e munido da simbologia da instalação elétrica industrial é elaborado o desenho do projeto elétrico. O desenho do projeto elétrico é um item muito importante do projeto, pois ele auxilia na execução de obras e também precisa ser de fácil entendimento, caso este necessite ser aprovado pelo cliente ou por concessionárias. Os desenhos do projeto pode ser dividido em diferentes tipos:

1. Projeto estrutural;

2. Projeto de força;

3. Projeto de Iluminação;

4. Projeto de comunicação;

5. Aterramento e SPDA;

6. Detalhes da Instalação.

Nem sempre as pranchas dos projetos ficam limitadas a estes 6 itens, podem ter mais ou menos itens ou até uma mescla destes, dependendo da complexidade da instalação. Atenção especial deve ser dada a prancha de detalhes da instalação, pois deve se partir do pré-suposto que o profissional que irá executar o projeto não tenha familiaridade com este tipo de trabalho. Este paradoxo é necessário para a elaboração de um bom projeto, pois quanto mais detalhado for o projeto, menores são as chances de erros na interpretação e na execução deste.

A Figura 10.4 mostra como pode ser feito um bom detalhamento de uma parte do projeto.

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27 Figura 4.4 – Detalhamento dos dutos para ligação de motor (Instalações Elétricas Industriais, João Mamede

Figura 4.4 – Detalhamento dos dutos para ligação de motor (Instalações Elétricas Industriais, João Mamede Filho)

4.7 Memorial descritivo

É importante a elaboração de um memorial descritivo para o projeto, pois neste podem ser descritos detalhes e informações que não são contemplados nas pranchas, desta forma, o conjunto de pranchas e memorial descritivo completam o projeto elétrico. Os itens necessários para um memorial descritivo são:

Finalidade do projeto;

Descrição sumária da obra (área construída, situação, atividade desenvolvida, etc.);

Resumo da potência instalada e demanda provável;

Especificação dos condutores;

Especificação dos dispositivos de proteção;

Especificação da malha de aterramento;

Memorial de cálculo;

Especificações de montagem e de segurança (NR10 e demais);

Lista de materiais.;

Demais detalhes em função do tipo de instalação e tipo de norma (particularidades das instalações conforme normas).

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4.8 Programas para elaboração de projetos elétricos

Hoje em dia existem muitos programas com a plataforma CAD (desenho assistido por computador, computer-aided design) para desenho de projetos elétricos e tendo em vista que para a elaboração do desenho em si o programa não necessita de muitos recursos, alguns cuidados devem ser tomados na escolha do software de desenho elétrico, como por exemplo:

Custo da aquisição do programa;

Finalidade do projeto;

Complexidade do projeto;

Suporte técnico do fabricante;

Com a concorrência cada vez mais acirrada os programas de CAD, antes somente utilizados para desenhos, agora agregam cada vez mais funções como dimensionamento de componentes e elaboração de listas de materiais. Tarefas que geralmente tomam muito tempo do projetista, agora podem ser executadas com maior rapidez. Desta forma é muito recomendável que o projetista faça uma boa pesquisa antes de decidir o programa a ser utilizado para os projetos.