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Agricultura para o Futuro Produção Animal Manual do Formando

Agricultura para o Futuro

Produção Animal

Manual do Formando

Agricultura para o Futuro Produção Animal Manual do Formando
Agricultura para o Futuro Produção Animal Manual do Formando
Agricultura para o Futuro Produção Animal Manual do Formando
Agricultura para o Futuro Produção Animal Manual do Formando
Agricultura para o Futuro Produção Animal Manual do Formando
Agricultura para o Futuro Produção Animal Manual do Formando
Produção Animal Ficha técnica Autores • António Marques (coord.) • Leonardo Opitz (coord.) • Mónica

Produção Animal

Ficha técnica

Autores

• António Marques (coord.)

• Leonardo Opitz (coord.)

• Mónica Afonso (coord.)

• Abel Costa

• Bento Rocha

• Joaquim Oliveira

• Maria José Mota

• Paula Oliveira

Design Gráfico e CD-ROM

• ECTEP, Lda.

Produção Animal Índice Produção Animal 1. Introdução 1 2. O Sector Agrícola em Portugal 3

Produção Animal

Índice

Produção Animal

1. Introdução

1

2. O Sector Agrícola em Portugal

3

3. Algumas Especificidades da Formação Profissional Agrícola

5

4. Caracterização do Público-alvo

7

5. Pressupostos de Elaboração do Manual de Produção Animal

11

6. Identificação do Curso

15

Área Profissional :

15

Curso: Produção Animal – Bovinos e Pequenos Ruminantes

15

Saída Profissional:

15

Nível de Formação:

15

Objectivos Gerais de Formação

16

Estrutura Curricular e Componentes de Formação

17

Síntese Programática

18

Época Ideal de Desenvolvimento

19

Sequência Pedagógica

20

Organização da Formação

21

7. Avaliação

23

Avaliação Formativa

23

Avaliação Somativa

24

 

Módulo 01

25

Morfologia

25

8.1. Introdução

25

8.2. Bovinos

27

8.2.1. Cabeça

27

8.2.2. Tronco

29

8.2.3. Membros

31

8.3.

Ovinos e Caprinos (Pequenos Ruminantes)

35

8.3.1. Cabeça

35

8.3.2. Tronco

37

8.3.3. Membros

38

8.4.

Raças Autóctones em Portugal

41

8.4.1. Raças Autóctones de Bovinos

41

 

8.4.1.1. Raça Barrosã

42

8.4.1.2. Raça Arouquesa

43

Produção Animal 8.4.1.4. Raça Maronesa 46 8.4.1.5. Raça Galega ou Minhota 47 8.4.1.6. Raça Cachena

Produção Animal

8.4.1.4. Raça Maronesa

46

8.4.1.5. Raça Galega ou Minhota

47

8.4.1.6. Raça Cachena

48

8.4.1.7. Raça Alentejana

49

8.4.1.8. Raça Marinhoa

51

8.4.1.9. Raça Mertolenga

51

8.4.1.10. Raça Preta

52

8.4.1.11. Raça Brava

53

8.4.2.

Raças Autóctones de Ovinos

53

8.4.2.1. Bordaleira de Entre Douro e Minho

54

8.4.2.2. Churra Badana

55

8.4.2.3. Churra Galega Mirandesa

55

8.4.2.4. Churra da Terra Quente

56

8.4.2.5. Bordaleira da Serra da Estrela

57

8.4.2.6. Mondegueira

57

8.4.2.7. Merina da Beira Baixa

58

8.4.2.8 Merina Branca

59

 

8.4.2.9.

Merina Preta

59

8.4.2.10. Saloia

60

8.4.2.11. Campaniça

61

8.4.2.12. Churra Algarvia

62

8.4.2.13. Galega Bragançana

62

8.4.3 Raças Autóctones de Caprinos

63

8.4.3.1. Algarvia

63

8.4.3.2. Bravia

63

8.4.3.3. Charnequeira

64

8.4.3.4. Serpentina

65

8.4.3.5. Serrana

65

Módulo 02

67

Alimentação e Nutrição

67

9.1. Bovinos

67

9.1.1.

Anatomia do aparelho digestivo

67

9.1.1.1. Boca

68

9.1.1.2. Esófago

69

9.1.1.3. Estômago

69

9.1.1.3.1. Estômago

70

9.1.1.3.2. Retículo ou Barrete

70

9.1.1.3.3. Omaso ou Folhoso

71

Produção Animal 9.1.2. Princípios básicos da digestão 72 9.1.3. Constituição dos alimentos para animais

Produção Animal

9.1.2. Princípios básicos da digestão

72

9.1.3. Constituição dos alimentos para animais

73

9.1.3.1. Tipos de alimentos dos bovinos:

73

9.1.3.2. Descrição dos Alimentos de Base ou Fibrosos

73

9.1.4.

Alguns Princípios Básicos na Alimentação dos Bovinos

75

9.1.4.1. Volume de Alimentos

75

9.1.4.2. Apetência

75

9.1.4.3. Digestibilidade

76

9.1.4.4. Fibra

76

9.1.4.5. Matéria seca

76

9.1.4.6. Energia

77

9.1.5.

Métodos de distribuição de alimentos

79

9.1.5.1. Pastoreio

79

9.1.5.2. Livre serviço

80

9.1.5.3. Manjedoura

80

9.1.6.

Alimentação

81

9.1.6.1. Arraçoamento

82

9.1.6.2. Rendimento alimentar

97

9.2. Ovinos e Caprinos (Pequenos Ruminantes)

103

9.2.1

Anatomia do aparelho digestivo

103

9.2.1.1 Boca

103

9.2.1.2 Faringe

104

9.2.1.3 Esófago

104

9.2.1.4 Estômago

105

 

9.2.1.4.1

Pança

105

9.2.1.4.2

Barrete

105

9.2.1.4.3

Folhoso

105

9.2.1.4.3

Coagulador ou Coelheira

106

9.2.2 Princípios básicos da digestão

106

9.2.3 Constituição dos Alimentos para Pequenos Ruminantes

107

9.2.3.1 Água

108

9.2.3.2 Minerais

108

9.2.3.3 Gorduras ou lipidos

108

9.2.3.4 Açucares

108

9.2.3.5 Proteínas

109

9.2.3.6 Vitaminas

109

9.2.4.

Alimentação

109

Módulo 03

115

Reprodução e Melhoramento Genético

115

Produção Animal 10.1. Introdução 115 10.2. Reprodução e Melhoramento Genético em Bovinos 117 10.2.1

Produção Animal

10.1. Introdução

115

10.2. Reprodução e Melhoramento Genético em Bovinos

117

10.2.1

Noções de anatomia dos aparelhos reprodutores

117

10.2.1.1 Aparelho reprodutor feminino

117

10.2.1.2 Aparelho Reprodutor Masculino

120

10.2.2

Noções de fisiologia reprodutiva

125

10.2.2.1 Aspectos fisiológicos do aparelho reprodutor masculino

125

10.2.2.2 Aspectos fisiológicos do aparelho reprodutor feminino

127

10.2.3

Ciclo éstrico

131

10.2.3.1. Proestro

131

10.2.3.2. Estro

131

10.2.3.3. Metaestro

131

10.2.3.4. Diestro

132

10.2.4

Maneio reprodutivo

133

10.2.4.1

Gestação

133

10.2.5. Retenção Placentária da Vaca

138

10.2.5.1 Origem da retenção placentária

140

10.2.5.2 Puerpério

142

10.2.5.3 Detecção dos cios em bovinos

142

10.2.6

Técnica de inseminação artificial

143

10.2.6.1. Detecção de cios

143

10.2.6.2. Tempo transcorrido depois do parto

146

10.2.6.3. Estado do aparelho reprodutor

146

10.2.6.4. Técnica da inseminação

147

10.2.7

Noções Básicas de Genética e Melhoramento Genético Animal

152

10.2.7.1 Noção de genética

152

10.2.7.2 Influência do meio ambiente

153

10.2.7.3 Genótipo e Fenótipo

153

10.2.7.4 Material genético

154

10.2.7.5 Transmissão do material genético

155

10.2.8

Melhoramento genético animal

156

10.3.

Reprodução e Melhoramento Genético em Pequenos Ruminantes

159

10.3.1 Introdução

159

10.3.2 Noções de fisiologia reprodutiva em ovelhas e cabras

159

10.3.2.1

Aspectos reprodutivos da ovelha

160

10.3.3

Técnicas reprodutivas

163

10.3.3.1 Inseminação Artificial

163

10.3.3.2 Sincronização dos cios

170

Produção Animal 10.3.4.2 Parto 173 10.3.5 Planeamento reprodutivo ao longo do ano 173 10.3.5.1 Época

Produção Animal

10.3.4.2

Parto

173

10.3.5

Planeamento reprodutivo ao longo do ano

173

10.3.5.1 Época de cobrição

173

10.3.5.2 Preparação para a cobrição

175

10.3.5.3 Prática da cobrição

176

10.3.6

Melhoramento Genético (e selecção)

178

10.3.6.1

Selecção

179

10.3.6.2.

O cruzamento

181

Módulo 04

187

Maneio

187

11.1. Introdução

187

11.2. Maneio de bovinos

189

11.2.1

Identificação e registo

189

11.2.1.1.

Marcas Auriculares

189

11.2.1.2

Passaporte

190

11.2.1.3

Livro de Registo de Existências e Deslocações de Bovinos

191

11.2.1.4

Base de Dados Informatizada

191

11.2.2. Desmame e Aleitamento Artificial

192

11.2.3. Corte e Manutenção dos Cascos

195

11.2.4. Administração de Medicamentos

199

11.2.5. Detecção de cios

205

11.2.6. Parto

209

11.2.7. Instalações

221

11.2.7.1. Localização

222

11.2.7.2. Orientação

222

11.2.7.3. Alojamento

223

11.2.7.4. Ventilação

223

11.2.7.5. Paredes

224

11.2.7.6. Telhados

224

11.2.7.7. Pavimentos

225

11.2.7.8. Pesébres

225

2.7.9. Manjedoura

226

11.2.7.10. Bebedouros

226

11.2.7.11. Compartimento de quarentena

227

11.2.7.12. Maternidade

227

11.2.7.13. Viteleiro

228

11.3.

Maneio de Pequenos Ruminantes

229

11.3.1 Identificação e registos

229

Produção Animal   11.3.1.2. Brinco auricular 231 11.3.1.3 Marcação no velo 232 11.3.1.4

Produção Animal

 

11.3.1.2.

Brinco auricular

231

11.3.1.3

Marcação no velo

232

11.3.1.4

Agrafos e botões metálicos

232

11.3.1.5

Placas e coleiras

233

11.3.1.6

Sistema electrónico

233

11.3.2.

Aleitamento Artificial

235

11.3.2.1.

Métodos e modo de administração

236

11.3.3. Rejeição de crias e Adopção de Órfãos

238

11.3.4. Corte de Caudas

240

 

11.3.4.1.

Processos de remoção de caudas

240

11.3.5.

Tosquia

243

11.3.5.1. Local de tosquia

244

11.3.5.2. Cuidados com os animais

245

11.3.5.3. Cuidados a ter com a lã após a tosquia

246

11.3.6.

Descorna

246

11.3.6.1. Métodos e procedimentos de descorna:

247

11.3.6.2. Vantagens da descorna

249

11.3.7.

Castração

249

11.3.7.1. Métodos de castração

250

11.3.7.2. Vantagens da castração

252

11.3.8.

Corte e Limpeza de Cascos

252

11.3.8.1. Como proceder ao corte e limpeza dos cascos?

253

11.3.8.2. Como evitar que os pequenos ruminantes coxeiem?

255

11.3.8.3. Exame do Olho

255

11.3.9.

Cio dos ovinos

256

11.3.10. Cio nos caprinos

257

 

11.3.11. Parto

258

11.3.12. Instalações

259

 

11.3.12.1.

Extensivo ou simples pastoreio

260

11.3.12.2 Intensivo

260

11.3.12.3. Ovil ou capril

260

11.3.12.4. Portas

262

11.3.12.5. Janelas

262

11.3.12.6. Manjedoura

262

11.3.12.7. Bebedouros

263

11.3.12.8. Cercas

263

11.3.12.9. Pedilúvios

264

11.3.12.10. Enfermaria ou sala de quarentena

265

Módulo 05

267

Produção Animal Ordenha 267 12.1. Ordenha de Bovinos 267 12.1.1. Anatomia da glândula mamária dos

Produção Animal

Ordenha

267

12.1.

Ordenha de Bovinos

267

12.1.1. Anatomia da glândula mamária dos bovinos

267

12.1.2. A ordenha

271

 

12.1.2.1. A ordenha manual

271

12.1.2.2. A ordenha mecânica

274

12.1.2.3. As principais operações

279

12.2.

Ordenha nos pequenos ruminantes

283

12.2.1. Anatomia da glândula mamária da ovelha e da cabra

283

12.2.2. A ordenha

284

 

12.2.2.1. A ordenha manual

285

12.2.2.2. A ordenha mecânica

286

Anexo 1

289

Fichas de Consolidação da Aprendizagem

289

Anexo 2

341

 

Glossário

342

Anexo 3

352

 

Bibliografia

352

Produção Animal 1. Introdução O presente manual é um recurso pedagógico, desenvolvido no âmbito do

Produção Animal

1. Introdução

O presente manual é um recurso pedagógico, desenvolvido no âmbito do Projecto

AGRICULTURA PARA O FUTURO, com o co-financiamento do POEFDS – Programa Operacional Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (4.2.2. – Desenvolvimento

de Estudos e Recursos Didácticos). È fruto de um trabalho desenvolvido por uma equipa

multidisciplinar de Técnicos, especializados em Produção Agrícola e Animal, com larga experiência na Formação Profissional para o sector Agrícola, pelo que, todos eles, enquanto equipa, contribuíram, com legitimidade, para a concepção e o desenvolvimento deste

trabalho, por referência e “à medida” dos perfis esperados da população-alvo do curso de Produção Animal – Bovinos e Pequenos Ruminantes.

Ao longo de mais de um ano de pesquisa, reflexão, debate e trabalho no desenvolvimento

deste curso e dos seus conteúdos, centrados no objectivo de criar um manual bem estruturado, de qualidade científica que, num cenário de rápidas mudanças tecnológicas e organizacionais, vá de encontro ás necessidades efectivas do conjunto de agentes que intervêm no processo formativo (Formandos, Formadores e Equipas Pedagógicas).

O quadro de referência é, actualmente e cada vez mais, o da valorização dos recursos humanos, em que os indivíduos assumem um papel pró-activo na construção dos seus próprios percursos de vida (pessoais, profissionais e sócio-económicos), assumindo-se competitivamente numa sociedade e numa economia cada vez mais globalizante e fundada

no conhecimento.

Neste contexto, a formação profissional assume relevância estratégica, como instrumento potenciador e facilitador de conhecimentos e competências que contribuem decisivamente para a redução dos défices de qualificação profissional e dos problemas de inserção profissional, promovendo a introdução de novas tecnologias e a mudança nos ciclos produtivos, rentabilizando os processos, dinamizando os sectores e contribuindo para a, necessária e tão desejada, competitividade da nossa economia. Visando, não só a redução dos desequilíbrios actuais, mas essencialmente a antecipação de desafios vindouros, cabe à formação profissional dar o exemplo, renovando-se, actualizando-se, criando novas metodologias, técnicas, programas e suportes pedagógicos. Pretendemos que este manual seja, nesse sentido, um contributo válido e efectivo.

Produção Animal 2

Produção Animal

Produção Animal 2. O Sector Agrícola em Portugal A agricultura, sendo um sector produtivo de

Produção Animal

2. O Sector Agrícola em Portugal

A agricultura, sendo um sector produtivo de extrema importância no tecido sócio- económico do nosso país (representa, de acordo com dados do AGRO.CES – Centro de Estudos Sociais do Programa AGRO 1 , 15% do total de emprego e 10% do total das importações e exportações nacionais), é também, pelas suas características, uma realidade multifacetada e heterogénea. De facto, não obstante a existência de políticas nacionais e europeias que representam eixos de orientação mais ou menos genéricos, as políticas têm, necessariamente, que ser adaptadas, por referência ás especificidades locais, implicando, obviamente, um enfoque mais “micro”. Considerando o nosso país, com uma dimensão territorial bastante pequena comparativamente com outros países da Europa, a percepção da realidade do sector agrícola implica que se adopte uma perspectiva multidimensional, que considere as especificidades biológicas, climáticas e dos solos, as estruturas e os tipos de produção, as dimensões das propriedades e os contextos culturais, vivenciais e sócio-económicos da vida dos agricultores de cada uma das regiões agrárias que compõem, actualmente, o tecido nacional.

A abordagem adoptada no presente manual pretende ser universal, na perspectiva de ser uma ferramenta útil ao agricultor de Beja como ao de Amarante, ao da Guarda e ao do Bombarral. Não obstante este esforço de homogeneização das temáticas, não nos demitimos da responsabilidade de, em alguns tópicos, termos dado um enfoque especial à região de Entre Douro e Minho, local de intervenção, por excelência, dos nossos técnicos. Tal situação ocorre, muitas vezes, de forma inconsciente e noutras, por necessidade de objectivação das matérias.

A região de Entre Douro e Minho apresenta características essencialmente minifundiárias, caracterizadas por produções diversificadas, com incidência na Produção Animal, Horticultura e Vitinivicultura. As produções diversificadas constituem um modelo atípico de exploração agrícola na medida em que não apresentam nenhuma cultura dominante; são produções simultâneas e diversificadas quanto ao tipo e modo de exploração, assim como quanto aos produtos. No Entre Douro e Minho, produz-se vinho (com destaque para o vinho verde), carne e leite, hortícolas, frutas, cereais (em especial, milho), forragens, verificando-se que a maioria das explorações produzem em simultâneo dois ou mais tipos de culturas.

1 AGRO.CES (2001), Informação Agro-Económica in INOFOR (2002), O Sector da Agricultura em Portugal – Evolução das Qualificações e Diagnóstico das Necessidades de Formação, Lisboa, INOFOR.

Produção Animal 4

Produção Animal

Produção Animal 3. Algumas Especificidades da Formação Profissional Agrícola Da análise SWOT realizada pelo INOFOR

Produção Animal

3. Algumas Especificidades da Formação Profissional Agrícola

Da análise SWOT realizada pelo INOFOR no âmbito da análise do sector agrícola em Portugal 2 ,, verifica-se que os pontos fortes incidem sobre as condições edafo-climáticas, a diversidade de culturas, o esforço de modernização do sector e os modos de saber e fazer tradicionais e aprofundados. Como pontos fracos, destacam-se o baixo nível de habilitações e qualificações da população agrícola, os problemas de desertificação e o envelhecimento populacional, as dificuldades de fixação das camadas jovens nas actividades agrícolas, o fraco desenvolvimento da tecnologia de produção e a pouca profundidade e desarticulação das cadeias formação / investigação / difusão da inovação. Como é possível aferir, um dos grandes handicaps do sector incide, sem dúvida, nos recursos humanos. Perante tais cenários, a formação profissional poderá ser, sem dúvida, um instrumento de eficácia estratégica para o desenvolvimento do sector agrícola.

No entanto, a formação profissional agrícola reveste-se de algumas particularidades que importa, neste contexto, realçar. Entre vários condicionalismos, surgem desde logo características intrínsecas (o carácter sazonal da actividade agrícola e, consequentemente, a definição de períodos óptimos para o estudo de determinadas culturas, as condições práticas existentes nas explorações agrícolas, que comprometem a realização de tarefas inerentes a determinado perfil profissional em condições ideais) e características relativas ao público- alvo (os hábitos de trabalho -“vícios”- que provêm muitas vezes de largos anos de experiência de trabalho, a pouca disponibilidade para colocar os agricultores em contextos formativos de sala, dificuldade essa que acresce se a formação for demasiado intensiva, uma vez que dificulta a conciliação da formação com o exercício diário das suas actividades profissionais). Isto implica que, no planeamento de qualquer acção formativa a desenvolver neste sector, se adoptem estratégias e metodologias formativas adequadas à cultura em estudo e às características da população alvo a abranger, de forma a desenvolver acções que actuem ao nível dos saberes e das competências técnicas dos agricultores, contribuindo, efectiva e eficazmente, para o desenvolvimento e dinamização do sector.

2 INOFOR (2002), O Sector da Agricultura em Portugal – Evolução das Qualificações e Diagnóstico das Necessidades de Formação, Lisboa, INOFOR

Produção Animal 6

Produção Animal

Produção Animal 4. Caracterização do Público-alvo A abordagem e enfoques pedagógicos a adoptar deverão, portanto,

Produção Animal

4. Caracterização do Público-alvo

A abordagem e enfoques pedagógicos a adoptar deverão, portanto, consubstanciar-se claramente num diagnóstico de necessidades formativas que se fundamente nas necessidades de desenvolvimento do sector e nas características da população-alvo.

Todas as estatísticas apontam para o facto de estarmos perante uma população predominantemente caracterizada por baixos níveis de escolaridade e de qualificação. Este é aliás, como já foi focado, um dos grandes entraves ao desenvolvimento do sector agrícola.

De facto, quando analisamos os indicadores sócio-demográficos, quer numa perspectiva de unidade territorial, quer numa perspectiva sectorial, a esmagadora maioria da população activa do sector agrícola possui habilitações ao nível do 1º ciclo. Obviamente que estas habilitações já registaram um aumento comparativamente com estudos de décadas anteriores. È evidente, quando se comparam os dados dos censos 1991 e os 2001, que ocorreu uma evolução positiva no nível de habilitações da população. No entanto, esta evolução ocorre de forma demasiado lenta e o nível habilitacional actual continua a revelar- se manifestamente insuficiente face aos desafios de competitividade com que se deparam actualmente as sociedades.

Mais preocupante ainda é verificarmos que, associados a baixos níveis de escolaridade, estão os níveis de qualificação. De acordo com um estudo desenvolvido pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade, em 1997 3 , cerca de 65% dos trabalhadores do sector agrícola não possuíam qualquer tipo de qualificação profissional e apenas 15% apresentavam qualificação profissional.

Por outro lado, verifica-se uma tendência de envelhecimento da população agrícola. De acordo com o mesmo estudo, 61,2% da população possui mais do que 35 anos, dos quais 41% possui mais do que 45 anos. Este facto é, também, um reflexo da desertificação por parte das camadas mais jovens de algumas regiões do país, com características rurais.

Com base em dados do EUROSTAT de 2000, Portugal apresentava 32% de empregados agrícolas com mais de 65%, o que é manifestamente superior aos 8% da média europeia. Na faixa etária dos 55 aos 64 anos, Portugal apresenta 26,7% de activos, ao passo que a média europeia se situava nos 18,4%. No que respeita aos jovens, a média da comunidade

3 Ministério do Trabalho e Segurança Social - Direcção Geral de Estudos, Estatística e Planeamento (1997) in INOFOR (2002), O Sector da Agricultura em Portugal – Evolução das Qualificações e Diagnóstico das Necessidades de Formação, Lisboa, INOFOR

Produção Animal europeia aponta para 8,6% de jovens que se dedica à actividade agrícola, o

Produção Animal

europeia aponta para 8,6% de jovens que se dedica à actividade agrícola, o que é bastante superior à média portuguesa (4%).

Em suma, em resultado de análises documentais (indicadores estatísticos, estudos diagnósticos, publicações, etc.) e do mercado de trabalho (levantamentos de necessidades formativas da população local, dos agentes empregadores e dos organismos públicos e privados das políticas de emprego e formação) e, obviamente, com base no trabalho de proximidade e experiência de terreno por parte da MARQUIFOR e dos técnicos que intervieram na concepção deste manual, estamos em condições de definir, sucintamente, o perfil esperado do público-alvo deste curso:

1. No que respeita à estrutura etária, estimamos abranger indivíduos com idades compreendidas entre os 16 e 65 anos, em idade activa, embora com maior incidência a partir dos 35 anos. O escalão etário predominante deverá ser o dos 45 aos 54 anos.

etário predominante deverá ser o dos 45 aos 54 anos. 2. No que respeita à estrutura

2. No que respeita à estrutura etária e ao sexo, estimamos encontrar indivíduos de ambos os sexos, embora com ligeira predominância do sexo feminino.

e ao sexo, estimamos encontrar indivíduos de ambos os sexos, embora com ligeira predominância do sexo
Produção Animal 3. Relativamente ao nível académico, este manual destinar-se-á predominantemente a indivíduos com

Produção Animal

3. Relativamente ao nível académico, este manual destinar-se-á predominantemente a indivíduos com escolaridade igual ou inferior ao 9º ano, com ligeira predominância do 6º ano. Esta estrutura apresenta indicadores ligeiramente elevados comparativamente com a caracterização real dos activos do sector. Tal facto explica-se por uma tendência de maior adesão à formação por parte de indivíduos com maior nível de formação escolar.

parte de indivíduos com maior nível de formação escolar. 4. Tal como é representado pelo gráfico

4. Tal como é representado pelo gráfico seguinte, estima-se abranger essencialmente agricultores, quer sejam empresários, não-empresários ou mão-de-obra familiar. Os assalariados (permanentes ou eventuais) são minoritários (16%), em resultado da falta de iniciativa empresarial na promoção de acções de formação dirigidas aos trabalhadores. A expectativa relativamente à abrangência de outras profissões é meramente marginal (4%).

aos trabalhadores. A expectativa relativamente à abrangência de outras profissões é meramente marginal (4%). 9
Produção Animal 5. No que respeita aos tipos de produção das explorações de origem dos

Produção Animal

5. No que respeita aos tipos de produção das explorações de origem dos Formandos, estima-se que sejam maioritariamente do tipo diversificado / indiferenciado. Por outras palavras, que se dediquem à produção de várias culturas em consociação.

/ indiferenciado. Por outras palavras, que se dediquem à produção de várias culturas em consociação. 10
Produção Animal 5. Pressupostos de Elaboração do Manual de Produção Animal Em termos gerais, a

Produção Animal

5. Pressupostos de Elaboração do Manual de Produção Animal

Em termos gerais, a população portuguesa revela poucos recursos de competitividade comparativamente com outros países da união europeia. Mesmo os recentes 10 países que integraram a União Europeia, apesar de enfermidades que lhes trouxeram atrasos económicos, sociais e até de exercício pleno de cidadania, apresentam hoje mais indicadores de potencial de desenvolvimento.

A situação difícil que atravessa a agricultura no nosso país é, hoje, um facto indesmentível. A questão central que se coloca actualmente é: O que fazer para tornar a nossa produção agrícola competitiva, num contexto europeu e numa economia cada vez mais à escala global?

Na nossa óptica, a agricultura é um dos sectores em que o país deverá apostar decisivamente. A nossa capacidade produtiva no sector agrícola está, neste momento, sub- aproveitada. Temos os recursos humanos, as condições edafo-climáticas e a fertilidade do solo. Temos a vontade política que tem vindo a determinar o sector agrícola como área prioritária de investimento. Exemplos disto têm sido os diversos programas de incentivos comunitários e nacionais à produção agrícola: implementação de modos de produção que garantam a qualidade produtiva (produção integrada, produção biológica), determinação de produtos prioritários em termos regionais, apoios à promoção de acções de formação profissional especializada para activos agrícolas e, ainda, o apoio à instalação de jovens empresários agrícolas.

No contexto actual do país, a formação profissional é um instrumento fundamental para o reforço da competitividade de todos os sectores, em especial o sector agrícola, que neste âmbito revela uma particular situação de carência. A formação profissional contribuirá decisivamente para dotar as empresas de competências adequadas ás mudanças que há muito se proclamam para o sector agrícola. E não deverá direccionar- se em exclusividade a nenhum segmento específico de mão-de-obra, deverá ser o mais abrangente possível, dando respostas concretas e adequadas a gestores de topo, quadros intermédios e a trabalhadores (mais ou menos especializados).

Este curso procura, na sua essência, adequar-se a este imperativo de abrangência. Procurámos, na sua elaboração, linguagens objectivas, concisas, directas. Mais do que um manual científico, este é um manual na “óptica do utilizador”. Pretende-se que

Produção Animal constitua uma ferramenta, manejável e capaz de responder a problemas práticos, quotidianos com

Produção Animal

constitua uma ferramenta, manejável e capaz de responder a problemas práticos, quotidianos com que se deparam os activos agrícolas.

Pretende-se que seja um auxiliar pedagógico pertinente, a distribuir em acções de formação profissional a desenvolver no futuro. A sua correspondência estratégica com o manual do Formador contribuirá para maior sucesso nas acções de formação profissional que se desenvolvem no sector, permitindo uma maior eficiência e eficácia na abordagem dos conteúdos. A sua estrutura, modular, permitirá a adopção deste manual em cursos monográficos: Pecuária – Bovinos de Carne e Pecuária - Pequenos Ruminantes ou, em alternativa, em determinados módulos que são abordados individualmente noutros cursos (por exemplo, Empresários Agrícolas). Neste sentido, julgamos tratar-se de um manual com elevado índice de utilidade e transferabilidade, com capacidade para se adaptar e ajustar a diversos contextos formativos e a um público-alvo diversificado, dentro dos perfis padrão que caracterizam os activos do sector agrícola.

A formação deverá também, na medida das suas possibilidades, contribuir para o imprescindível rejuvenescimento do sector, criando conteúdos apelativos e em formatos tecnológicos capazes de atrair os jovens, contribuindo assim para a alteração do quadro de referência actual, que tem remetido a actividade (e a formação profissional) agrícola para uma posição pouco inovadora sob o ponto de vista tecnológico.

Nesta perspectiva, a actualização técnica de conteúdos, em formatos tecnologicamente actuais, com utilização ambivalente na formação presencial e na formação on-line é, na nossa óptica, um passo determinado no sentido da modernização.

A possibilidade de consulta on-line de todos os conteúdos, de realização de testes de consolidação da aprendizagem, de diálogo com o Formador e com outros Formandos, na forma síncrona e assíncrona é uma abordagem exequível e inovadora na formação profissional agrícola, a que se acrescenta a vantagem de possuir correspondência directa com as matérias abordadas em contexto de formação.

Pelas características da população alvo a abranger nesta tipologia de formação e pela especificidade da actividade agrícola, com os seus condicionalismos sazonais e maior incidência no saber-fazer do que no saber-saber, a formação puramente on-line parece um horizonte ainda um pouco longínquo e economicamente pouco rentável.

No entanto, importa à formação profissional preparar-se para os novos desafios, disseminando novas formas de fazer e contribuindo para a mudança das mentalidades. Assim, a disponibilização dos recursos pedagógicos on-line é, na nossa óptica, a

Produção Animal abertura de novas possibilidades para a formação profissional agrícola que, a médio-prazo, nos

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abertura de novas possibilidades para a formação profissional agrícola que, a médio-prazo, nos permitirão formar activos agrícolas on-line (tanto no regime misto como no regime de tutoria on-line). As linhas estratégicas de organização da formação profissional agrícola devem, portanto, procuram, em termos gerais, atingir os seguintes objectivos:

difundir novos conhecimentos tecnológicos e promover a utilização de novas técnicas no sector;

aprofundar e aperfeiçoar conhecimentos científicos e técnicos junto dos agricultores activos, tornando-os mais aptos no desenvolvimento da sua actividade e rentabilizando as suas culturas;

desenvolver as competências profissionais inerentes ao perfil profissional;

contribuir para o desenvolvimento de competências gerais, nas áreas da gestão empresarial, preservação do ambiente e das paisagens, higiene e bem estar animal, transformação e comercialização de produtos e formas de associativismo;

incutir nos agricultores um espírito mais empreendedor e inovador, sensibilizando-os para a necessidade de imprimir uma maior dinâmica e competitividade no sector;

sensibilizar toda a população ligada ao sector para as necessidades e vantagens de execução dos trabalhos agrícolas por respeito ás normas de higiene, saúde e segurança na execução de trabalhos agrícolas.

As metodologias de formação que defendemos pretendem trabalhar ao nível das competências que as pessoas, por via dos seus percursos, foram desenvolvendo ao longo da sua vida. A aprendizagem faz-se, na nossa óptica, por via do indispensável encaixe dos novos saberes no conjunto de saberes que as pessoas foram adquirindo ao longo da sua vida, muitos deles adquiridos de forma não-formal ou mesmo informal.

Para isso, é imprescindível criar ambientes de aprendizagem onde se possam reunir as condições adequadas para proporcionar aos Formandos experiências / actividades motivadoras que correspondam ás suas expectativas (sendo, portanto, facilitadoras da aprendizagem), tendo como objectivo final o desenvolvimento de competências adequadas ao perfil funcional e profissional do operador agrícola.

Produção Animal 14

Produção Animal

Produção Animal 6. Identificação do Curso Área Profissional 4 : 621 – Produção Agrícola e

Produção Animal

6. Identificação do Curso

Área Profissional 4 :

621 – Produção Agrícola e Animal

Curso: Produção Animal – Bovinos e Pequenos Ruminantes

Saída Profissional:

Operador Pecuário

Nível de Formação:

nível 2

Nível 2 - Profissional que executa, mediante supervisão e acompanhamento de técnico qualificado, as tarefas inerentes à função de operador pecuário.

4 de acordo com a Classificação Nacional das Áreas de Formação (2000) do CIME – Comissão Interministerial para o Emprego

Produção Animal Objectivos Gerais de Formação Os objectivos de formação definidos para este curso são, em termos

Objectivos Gerais de Formação

Os objectivos de formação definidos para este curso são, em termos gerais:

1. Conhecer a anatomia, fisiologia, comportamento e patologia dos animais domésticos explorados economicamente;

2. Conhecer os processos de criação, maneio, exploração, reprodução e sanidade dos animais com quem trabalha, garantindo a sua saúde e bem-estar, bem como as características de qualidade, higiene e segurança alimentar;

3. Planificar, organizar e executar as actividades com vista ao aumento da produtividade e à optimização da produção;

4. Registar dados técnicos indispensáveis à gestão da produção como cio, gestação, produção, apetite e comportamento;

5. Proceder correctamente à recolha e armazenamento do leite, utilizando, adequada e eficazmente, os materiais e os equipamentos necessários, realizando a sua manutenção quotidiana;

6. Conhecer as regras de segurança, higiene e saúde no trabalho

7. Conhecer as regras de preservação do ambiente.

Produção Animal Estrutura Curricular e Componentes de Formação Módulo CT PS TOTAL 1 - Morfologia

Produção Animal

Estrutura Curricular e Componentes de Formação

Módulo

CT

PS

TOTAL

1 - Morfologia de Bovinos e Pequenos Ruminantes

12

06

18

Morfologia de Bovinos

06

03

12

Morfologia de Pequenos Ruminantes

06

03

09

2 - Alimentação e Nutrição de Bovinos e Pequenos Ruminantes

15

09

24

Alimentação e Nutrição de Bovinos

09

06

15

Alimentação e Nutrição de Pequenos Ruminantes

06

03

09

3 - Reprodução e Melhoramento Genético

36

12

48

Reprodução e Melhoramento Genético de Bovinos

18

12

30

Reprodução e Melhoramento Genético de Pequenos Ruminantes

18

00

18

4 - Maneio de Bovinos, Ovinos e Caprinos

24

21

45

Maneio de Bovinos

15

12

27

Maneio de Pequenos Ruminantes

09

09

18

5 - Ordenha de Bovinos e Pequenos Ruminantes

12

09

21

Ordenha de Bovinos

06

06

12

Ordenha de Pequenos Ruminantes

06

03

09

Avaliação Final

03

00

03

TOTAL

102

57

159

Produção Animal Síntese Programática No módulo 1 - Morfologia de Bovinos e Pequenos Ruminantes ,

Produção Animal

Síntese Programática

No módulo 1 - Morfologia de Bovinos e Pequenos Ruminantes, descreveremos os

componentes morfológicos que permitem dividir e classificar as peças anatómicas por forma

a caracterizar cada animal – Bovinos e Pequenos Ruminantes. De forma mais genérica, abordaremos também as raças autóctones.

No módulo 2 - Alimentação e Nutrição de Bovinos e Pequenos Ruminantes, falaremos sobre a nutrição animal, iniciando o tema com a abordagem fisiológica do aparelho digestivo para depois explorar os aspectos relacionados com as rações e os tipos de alimentação mais adequados a cada animal.

Ao longo do módulo 3 - Reprodução e Melhoramento Genético, começaremos por caracterizar os sistemas reprodutores feminino e masculino, abordando os aspectos fundamentais da reprodução e do melhoramento genético. Finalmente, exploramos as técnicas de inseminação artificial e formas de actuação no sentido da rentabilização produtiva da exploração.

O módulo 4 - Maneio de Bovinos, Ovinos e Caprinos abordará as práticas de maneio que

habitualmente mais se executam, enumerando técnicas e formas de intervir correctas, orientadas para a melhoria contínua do bem estar animal.

Finalmente, no módulo 5 - Ordenha de Bovinos e Pequenos Ruminantes, caracterizaremos fisiologicamente a glândula mamária e abordaremos as várias fases da ordenha, mecânica e manual.

Produção Animal Época Ideal de Desenvolvimento O curso de Produção Animal não está sujeito à

Produção Animal

Época Ideal de Desenvolvimento

O curso de Produção Animal não está sujeito à definição de épocas ideais de desenvolvimento, uma vez que os conteúdos a abordar não implicam a necessidade de estarem reunidas condições edafo-climáticas específicas.

Obviamente que, para demonstrar uma inseminação artificial, por exemplo, é imprescindível que se verifique o cio do animal a inseminar. Mas, neste caso, mais do que épocas ideias de desenvolvimento da formação, trata-se da necessidade de reunião de condições pedagógicas adequadas ao conteúdo a abordar.

Produção Animal Sequência Pedagógica Apesar de não existirem condicionalismos edafo-climáticos que determinem

Produção Animal

Sequência Pedagógica

Apesar de não existirem condicionalismos edafo-climáticos que determinem épocas ideias de desenvolvimento dos módulos, é de salientar que no curso de Produção Animal – Bovinos e Pequenos Ruminantes existem precedências em termos de sequência pedagógica.

Assim, os módulos 2 - Alimentação e Nutrição e 3 - Reprodução e Melhoramento Genético têm precedência obrigatória do módulo 1 - Morfologia. O módulo 4 – Maneio tem precedência dos módulos 2 e 3.

têm precedência obrigatória do módulo 1 - Morfologia. O módulo 4 – Maneio tem precedência dos
Produção Animal Organização da Formação A formação será, nesta fase, presencial e em grupo ,

Produção Animal

Organização da Formação

A formação será, nesta fase, presencial e em grupo, havendo no entanto, abertura para o um acompanhamento mais individualizado sempre que um ou mais Formandos sintam dificuldades acrescidas relativamente ao resto do grupo.

Os conteúdos temáticos estão estruturados numa lógica modular, com duas componentes: componente cientifico tecnológica e componente prática simulada. A primeira será essencialmente teórica e visa a aquisição por parte dos Formandos de conhecimentos teóricos específicos inerentes à estrutura curricular. A segunda prevê a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos na formação, procurando estabelecer uma relação directa e eficiente entre a teoria e a prática.

Atendendo ao facto destes cursos se dirigirem a activos agrícolas, para quem a formação em sala é particularmente penosa e tratando-se de áreas de formação onde, de facto, a demonstração prática e o domínio do saber-fazer se revestem de particular importância, este curso contempla uma componente de formação prática acentuada (cerca de 40% da carga horária total do curso).

As sessões teóricas decorrerão em sala de aula e as sessões práticas serão, sempre que necessário, ministradas em explorações agrícolas com características adequadas à temática.

A metodologia a adoptar será essencialmente demonstrativa e activa, com espaço para uma forte dinâmica de grupo, no sentido de promover a interacção e o intercâmbio de experiências profissionais. Nas sessões práticas serão privilegiadas as actividades de ensaio ou experiência de processos, as demonstrações e as visitas de estudo que contemplem a observação de explorações e modelos tipo.

Produção Animal 22

Produção Animal

Produção Animal 7. Avaliação A avaliação da formação é um parâmetro cada vez mais importante

Produção Animal

7. Avaliação

A avaliação da formação é um parâmetro cada vez mais importante quando se pretende garantir uma boa execução da formação. Nenhuma entidade está interessada em promover ou desenvolver formação sem se assegurar que essa representará, de facto, uma mais valia para os Formandos. Seja co-financiada ou não, a formação envolve sempre custos para as entidades e, nessa medida, importa medir e interpretar, de forma rigorosa, até que ponto as acções contribuem para a resolução ou prevenção de problemas e se, de facto, os objectivos delineados aquando da sua concepção são deveras atingidos.

Avaliação Formativa

A avaliação formativa tem efeitos sobre o próprio processo de formação e não exclusivamente sobre os resultados, permitindo o conhecimento da progressão na aprendizagem e constituindo o ponto de partida para a definição de estratégias de recuperação e/ou aprofundamento.

A auto-avaliação é um parâmetro imprescindível, estimulando o Formando a concentrar-se no alcance das suas aspirações em relação à formação e permite-lhe verificar se os conhecimentos que adquiriu correspondem às suas expectativas.

Paralelamente a estes instrumentos de avaliação serão utilizadas outras técnicas de avaliação tais como observação sistemática e a análise de tarefas realizadas, tendo em conta o referencial de competências definido. Todas estas técnicas de avaliação implicam, necessariamente, o registo dos resultados da sua aplicação.

No presente manual, apresentamos dois exemplares de testes de consolidação das aprendizagens por módulo, que funcionam num duplo sentido: como instrumentos de consolidação das aprendizagens e como processo de auto-avaliação do Formando relativamente aos seus progressos e ás suas necessidades de aprofundamento das matérias.

Nesta mesma perspectiva, apresentamos alguns exemplos de actividades que podem ser desenvolvidas em contexto formativo: trabalhos individuais ou de grupo, estudos de caso, demonstrações práticas, etc. O objectivo é que o Formando contacte, desde logo, com hipóteses de aprofundamento prático das matérias, numa perspectiva auto-didacta.

Produção Animal Avaliação Somativa Por último, a avaliação somativa funciona como síntese e consequência da

Produção Animal

Avaliação Somativa

Por último, a avaliação somativa funciona como síntese e consequência da conjugação de todos os momentos e instrumentos utilizados dentro do processo de formação. Esta avaliação servirá de base às decisões sobre a certificação, indicando se o nível de aproveitamento do Formando no final do seu percurso formativo.

O registo de avaliação final e o certificado de formação serão documentos de cariz formal onde constará o resultado quantitativo do processo formativo de cada Formando.

Em termos de registo de avaliação, cada formador no final de cada módulo realizará um relatório de avaliação somativa da aprendizagem individual de cada Formandos, que deverá reflectir uma apreciação dos diferentes momentos de avaliação e terá em linha de conta outros elementos ligados à assiduidade, participação, interacção grupal e interesse demonstrados pelos Formandos ao longo da formação. Estes relatórios serão debatidos em reunião com toda a equipa pedagógica e será, obviamente, dando o feed-back a cada um dos Formandos.

Produção Animal 8.1. Introdução Módulo 01 Morfologia P ode-se considerar o significado da palavra morfologia

Produção Animal

8.1. Introdução

Módulo 01 Morfologia

P ode-se considerar o significado da palavra morfologia como o estudo das formas dos seres vivos. Aplicando o termo à Produção

Animal, entende-se como o estudo do exterior dos

animais, permitindo conjecturar sobre o valor destes e sobre a respectiva aptidão.

sobre o valor destes e sobre a respectiva aptidão. Bovino Macho A morfologia tem sido uma

Bovino Macho

A morfologia tem sido uma área cuja importância e especialização tem vindo a crescer nos últimos

anos, devido ao facto de servir de base ao melhoramento genético. O melhoramento genético tem permitido aumentar a produtividade e

longevidade dos animais ao longo das gerações, através da definição de caracteres morfológicos para as aptidões de carne e de leite, transformando-os em caracteres de grande relevância económica. A produção de leite tem sido o sector onde o estudo morfológico das vacas leiteiras mais se tem desenvolvido.

morfológico das vacas leiteiras mais se tem desenvolvido. Bovino Arouquês A classificação morfológica dos animais,

Bovino Arouquês

A classificação morfológica dos animais, identificando as suas qualidades e os seus defeitos, possibilita ao produtor um conhecimento exacto do tipo funcional dos animais da sua exploração. É com base nestas informações que se fazem os emparelhamentos mais adequados para se obterem, ao longo das sucessivas gerações, animais mais produtivos. É também com base nestas informações que os agricultores seleccionam e adquirem os seus animais em feiras e leilões de gado.

O corpo do bovino divide-se em três partes: cabeça, tronco e membros. No entanto, o que interessará mais ao criador será a sua parte visível pois é pela observação do exterior de um animal que se obtêm alguns dados importantes sobre o mesmo.

Produção Animal Este módulo não pretende constituir-se como um estudo exaustivo sobre morfologia das espécies

Produção Animal

Este módulo não pretende constituir-se como um estudo exaustivo sobre morfologia das espécies pecuárias, mas sim abordar algumas questões que visam uma melhor compreensão e um melhor reconhecimento da importância do estudo da morfologia dos animais.

Produção Animal 8.2. Bovinos 8.2.1. Cabeça A cabeça é um órgão essencial do bovino. Tal

Produção Animal

8.2. Bovinos

8.2.1. Cabeça

A cabeça é um órgão essencial do bovino. Tal como no Homem, é na cabeça que se localizam os mais essenciais órgãos dos sentidos (visão, audição, gosto e olfacto). É através dela que o animal inicia as funções respiratórias e alimentares

essenciais à sua sobrevivência. Para além disso, é na cabeça que se localizam alguns órgãos acessórios como dentes e cornos, utilizados frequentemente como meios de defesa e

ataque.

utilizados frequentemente como meios de defesa e ataque. Cabeça O exterior da cabeça é composto por:

Cabeça

O exterior da cabeça é composto por: fronte, chanfro, focinho, orelhas, fontes, olhos, faces,

ventas, ganachas, entreganachas, nuca, garganta, parótidas e boca.

Em geral, a cabeça dos bovinos é bastante volumosa, sendo normalmente maior no macho do que na fêmea. A fronte ocupa na cabeça dos bovinos mais de metade da área superior da face anterior. É limitada em cima pela nuca, em baixo pelo chanfro, e lateralmente pelos olhos e fontes.

em baixo pelo chanfro, e lateralmente pelos olhos e fontes. No touro, a cabeça é curta

No touro, a cabeça é curta e larga, principalmente na parte

superior, oferecendo assim uma base para a implantação dos cornos. A vaca possui uma cabeça mais estreita e cornos mais finos e curtos.

Cabeça do Bovino Frísio

Na região superior da nuca, entre os cornos, existe uma protuberância coberta de pêlos, a que se chama marrafa, esta região situa-se entre os cornos. O chanfro é limitado pela testa

e lateralmente pelas faces, e em baixo pelo focinho. O focinho é uma ampla área bem

definida, desprovida de pêlos, que se confunde com o lábio superior, sempre húmido, onde

se destacam as ventas.

Produção Animal A boca dos bovinos é bem larga e nela se desenham lábios grossos

Produção Animal

A boca dos bovinos é bem larga e nela se desenham lábios grossos e pouco móveis. O lábio

superior projecta-se para além do lábio inferior.

As orelhas estão colocadas atrás e por baixo dos cornos. São em geral largas e bem abertas, dirigidas para o lado e um tanto pendentes.

Os olhos situam-se entre a testa, o chanfro e a face e são protegidos por duas espessas pálpebras. Devem ser vivos, salientes e brilhantes, pois demonstram um animal com saúde e vigor. A abertura palpebral é bem rasgada e aberta. As pupilas são elípticas e a íris escura.

e aberta. As pupilas são elípticas e a íris escura. Cabeça do Bovino Minhoto As faces

Cabeça do Bovino Minhoto

As faces são limitadas pelo chanfro, pelos olhos, fontes, parótidas, ganachas e boca.

As ventas abrem-se aos lados do focinho, são pouco móveis e estreitas.

As ganachas, desenhadas em convexidade, têm por base óssea o bordo inferior do osso mandibular.

Entre as ganachas situa-se o canal das ganachas ou entreganachas, de onde se destaca uma prega de pele pendente, a barbela, que nos animais de boa qualidade deve ser um tanto reduzida.

A nuca situa-se imediatamente atrás da marrafa.

A garganta localiza-se inferiormente, entre a cabeça e o pescoço. As parótidas têm uma

situação lateral e estabelecem a transição entre as tábuas do pescoço e a cabeça.

Situado entre a cabeça e o tronco, o pescoço é mais ou menos alongado na maioria dos nossos animais, como acontece com o touro. O pescoço dos bovinos é espesso, bastante curto e dispõe-se horizontalmente.

como acontece com o touro. O pescoço dos bovinos é espesso, bastante curto e dispõe-se horizontalmente.

Pescoço

Produção Animal A pele do seu bordo inferior prolonga-se numa ampla dobra descaída, que desce

Produção Animal

A pele do seu bordo inferior prolonga-se numa ampla dobra descaída, que desce desde a

face até ao cilhadouro, a que se chama barbela. Existe uma diferença notável na conformação do pescoço do touro e da vaca. O pescoço do macho é bastante mais grosso, facto que é devido a uma maior espessura das peças musculares e a uma forte acumulação de gordura no bordo superior da região. O pescoço da fêmea é bem menos espesso, apresentando-se o bordo superior estreito e um tanto afilado e a sua barbela é bastante mais reduzida.

O pescoço é limitado em cima por um bordo superior, encontrando-se atrás com o garrote.

No bordo inferior encontra-se a barbela, que em algumas raças especializadas é pouco desenvolvida. Às faces laterais chama-se tábuas. A garganta ocupa a dobra que a cabeça

faz com o pescoço.

8.2.2. Tronco

O tronco é a mais volumosa das partes que constituem o corpo dos bovinos. Situado entre os

membros anteriores e posteriores, comporta no seu interior a maioria das peças viscerais que compõem os aparelhos cujas funções são indispensáveis à vida do animal.

cujas funções são indispensáveis à vida do animal. Tronco Tronco do Bovino Entre o pescoço e

Tronco

funções são indispensáveis à vida do animal. Tronco Tronco do Bovino Entre o pescoço e o

Tronco do Bovino

Entre o pescoço e o dorso, existe um pequeno relevo a que se chama cernelha. O dorso é a zona que se situa logo atrás da cernelha e se prolonga em superfície pela parte posterior do corpo, até à região lombar. Ladeado pelas costelas, o dorso tem por base óssea as ultimas vértebras dorsais. Nos bovinos, especialmente nos de boa qualidade, o dorso é, em, geral rectilíneo, comprido e largo.

Produção Animal O lombo , área também denominada região dos rins , situa-se no prolongamento

Produção Animal

O lombo, área também denominada região dos rins, situa-se no prolongamento do dorso e termina na garupa. Lateralmente é limitado pelos flancos. Nos animais perfeitos e de boa qualidade o lombo é bastante móvel, comprido e largo.

Logo atrás do lombo situa-se a garupa, entre o lombo, (que lhe fica à frente), a nádega e a cauda (que ficam atrás) e limita-se em baixo com as coxas (em baixo).

ficam atrás) e limita-se em baixo com as coxas (em baixo). Garupa Nos bovinos, a garupa

Garupa

Nos bovinos, a garupa deve ser ampla e volumosa, ou seja, bem comprida e larga e revelando espessas massas musculares, que podem traduzir grande potência muscular. Assim, é um bom indicador para os animais utilizados para o trabalho agrícola, assim como revelam a existência de maior quantidade de carne de

boa qualidade alimentar. Também as vacas leiteiras devem apresentar uma garupa bem larga, pois isso traduz uma estrutura óssea bastante ampla. Por outras palavras, uma bacia óssea bem desenvolvida é indicativa de partos mais fáceis e evidencia a existência de largo espaço para albergar um volumoso úbere.

Às regiões laterais, onde a garupa atinge maior largura, chama-se ancas ou quadris.

À região mais anterior e inferior do tronco, que representa a continuação do pescoço e corresponde ao peito, chama-se peitoral. O peitoral deve ser bastante largo, sendo indicativo de uma boa capacidade pulmonar. É a partir do peitoral que a barbela toma maior dimensão.

Entre o peitoral e o ventre e situado entre as costelas, fica o cilhadouro. Esta face inferior do corpo é, na sua maior parte, ocupada pelo abdómen, ventre e barriga. Sendo que nos bovinos o ventre fica sempre volumoso, este facto torna-se especialmente evidente aquando

da

gestação e depois do parto, evidenciando-se logo após a primeira parição.

Os

costados ocupam a larga área lateral anterior que corresponde às costelas. Limita-se em

cima pelo dorso e à frente com a parte superior dos membros anteriores. Nos bovinos de boa qualidade, os costados são amplamente arqueados, o que reflecte boa cavidade respiratória.

O flanco, também chamado vazio, é representado por uma depressão, com regular

concavidade, ficando logo atrás do costado. Os flancos são limitados superiormente pelos lobos, inferiormente pelo ventre, à frente pela área posterior do costado e atrás pela anca, pela coxa e pela virilha.

Produção Animal A cauda , que tem por base óssea a parte terminal da coluna

Produção Animal

A cauda, que tem por base óssea a parte terminal da

coluna vertebral, ou seja, as vértebras caudais, é o

apêndice móvel que se situa no prolongamento da garupa.

A cauda divide-se em três segmentos: a base ou raiz, o

troço e a borla (ponta).

O ânus é o orifício posterior do tubo digestivo, situando-se

logo abaixo da base da cauda.

do tubo digestivo, situando-se logo abaixo da base da cauda. Cauda O períneo é a região

Cauda

O períneo é a região que se situa entre as nádegas,

situando-se desde o ânus até aos órgãos genitais.

8.2.3. Membros

desde o ânus até aos órgãos genitais. 8.2.3. Membros Membros Os membros dos bovinos designam-se por

Membros

Os membros dos bovinos designam-se por membros anteriores (situados na parte da frente do animal) e posteriores (situados na parte de trás).

Nos bovinos, os dois membros anteriores funcionam como verdadeiras colunas de sustentação. Se observarmos os animais parados, com os membros na vertical, poderemos imaginar que esses dois membros anteriores funcionam como ponto de apoio de uma balança, promovendo o equilíbrio entre a parte dianteira e a parte traseira do animal. Os membros anteriores, devido à sua capacidade

de verticalidade, suportam o peso mais facilmente do que os membros posteriores.

Os membros anteriores funcionam também como um elemento necessário para a deslocação, ainda que os membros essenciais para a impulsão do animal em andamento sejam os membros posteriores. Por outro lado, com o animal parado, é visível que os membros posteriores não se situam em tão rigorosa verticalidade: vários segmentos se obliquam, especialmente as porções correspondentes à coxa e à perna. Normalmente os membros posteriores estão mais ou menos paralelos.

Os bovinos servem-se do membro anterior como sinal de ameaça, mediante a execução de um movimento de escavação do solo.

Na produção de carne, o valor comercial do membro anterior varia conforme a região geográfica, pese embora a norma que define que a porção situada acima do cotovelo, por

Produção Animal ser mais amplamente musculada, é bem mais valiosa que a localizada mais abaixo,

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ser mais amplamente musculada, é bem mais valiosa que a localizada mais abaixo, onde os músculos são alongados e muito estreitos e a presença de compridos tendões fibrosos é frequente.

Componente exterior do membro anterior

é frequente. Componente exterior do membro anterior Membro Anterior A região superior do membro anterior, tem

Membro Anterior

A região superior do membro anterior, tem por base o escápulo. A cartilagem de prolongamento denomina-se de espádua ou . A espádua encosta-se à porção anterior do tórax e dispõe-se entre a cernelha (que fica acima) e o braço (que se situa abaixo), formando um ângulo que constitui o ombro (encontro ou ponta da espádua), região que tem por base a articulação escápulo-umeral.

região que tem por base a articulação escápulo-umeral. Espádua do Membro Anterior A espádua é nos

Espádua do Membro Anterior

A espádua é nos bovinos uma região curta e bastante

móvel.

O braço tem por base óssea o úmero. O antebraço tem

por base óssea o rádio e a porção do cúbito que se lhe solda.

O codilho ou cotovelo faz ângulo com o braço e faz um

relevo. A porção mais saliente do codilho chama-se ponta

do codilho.

Nos bovinos, o antebraço é curto, espesso e um tanto inclinado para dentro. O joelho, situado entre o antebraço e a canela, é a primeira região da mão. Nos bovinos é bastante volumoso e encontra-se desviado para dentro.

Produção Animal Abaixo do joelho situa-se a canela , que tem por base óssea o

Produção Animal

Abaixo do joelho situa-se a canela, que tem por base óssea o metacarpo, região onde se situa o tendão.

base óssea o metacarpo, região onde se situa o tendão. Canela do Membro Anterior A canela

Canela do Membro Anterior

A canela termina interiormente por uma dilatação, o boleto, que tem por base a articulação do metacarpo com a primeira falange.

À região que separa a pata da pele, onde se encontram pêlos, em geral compridos e grosseiros, chama-se coroa e ao local entre esta e o boleto chama-se quartela.

As regiões que se seguem, relativamente aos membros anteriores, repetem-se no que respeita aos membros posteriores, pelo que serão descritas mais adiante.

Os membros posteriores funcionam por excelência como órgãos propulsores, ou seja, como agentes principalmente responsáveis pela deslocação do animal, se bem que a sua função de sustentação do tronco seja também notável.

Esta função de propulsão, que obriga ao uso de uma força suficientemente potente para operar a progressão de toda a massa corporal do animal, leva a que, em animais de grande porte (como o touro), sejam estes os membros de maior poder de força muscular.

A impulsão do corpo resulta da acção intrínseca das grandes massas musculares que guarnecem a coxa e da particular inserção de alguns músculos extensores.

Exterior do membro posterior

de alguns músculos extensores. Exterior do membro posterior Membro Posterior A região superior do membro é

Membro Posterior

A região superior do membro é dominada, no seu volume, pela coxa, área que se situa abaixo da garupa, limitada à frente pelo flanco, atrás pela nádega e abaixo pela soldra.

Produção Animal Logo atrás da garupa e da coxa, descendo desde a base da cauda

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Logo atrás da garupa e da coxa, descendo desde a base da cauda até à corda do curvilhão, situa-se a nádega, constituída pelo musculo semi-tendinoso. Abaixo da coxa segue-se a perna, curta e volumosa.

Abaixo da coxa segue-se a perna , curta e volumosa. Corda do Curvilhão Unhas O curvilhão

Corda do Curvilhão

segue-se a perna , curta e volumosa. Corda do Curvilhão Unhas O curvilhão ou jarrete ,

Unhas

O curvilhão ou jarrete, muito volumoso nos bovinos, constitui-se

como a primeira região do pé. A corda do curvilhão corresponde ao tendão de Aquiles do Homem e é sobre ela que se exerce uma potente tracção que leva o animal a impulsionar o corpo durante a marcha.

Logo abaixo do curvilhão, dispõem-se a canela ou cana. Nos

bovinos a canela do membro anterior é mais curta do que a do membro posterior. A canela do membro anterior articula-se para trás, ao passo que a canela do membro posterior se articula para

a frente.

A quartela é curta e grossa. Ao espaço situado entre a quartela e

cada uma das unhas, chama-se coroa. A coroa está geralmente

revestida de pêlos compridos e um tanto grosseiros.

O dos bovinos é constituído por dois dedos, cujas extremidades são guarnecidas pelas unhas. A unha pode considerar-se dividida numa porção anterior, a pinça, e outra posterior, o talão. A pele que forra o espaço interdigital é muito fina e macia. As unhas dos bovinos devem ser íntegras, de volume proporcional, lisas e polidas.

Produção Animal 8.3. Ovinos e Caprinos (Pequenos Ruminantes) Caprinos O s nomes da morfologia dos

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8.3. Ovinos e Caprinos (Pequenos Ruminantes)

Animal 8.3. Ovinos e Caprinos (Pequenos Ruminantes) Caprinos O s nomes da morfologia dos pequenos ruminantes

Caprinos

O s nomes da morfologia dos pequenos ruminantes assemelham-se muito às dos bovinos. A sua configuração é que é completamente diferente, tipificando a cabra como animal leve, ágil, nervoso, elegante e esperto, em oposição ao bovino que,

de uma maneira geral, é pesado, pachorrento, largo, triste e apático.

Independentemente da raça, todos os caprinos e ovinos têm traços e regiões comuns. As regiões agrupam-se em três partes: cabeça, tronco e membros.

8.3.1. Cabeça

partes: cabeça , tronco e membros . 8.3.1. Cabeça Cabeça A cabeça é o local onde
partes: cabeça , tronco e membros . 8.3.1. Cabeça Cabeça A cabeça é o local onde

Cabeça

A cabeça é o local onde se situam todos os órgãos dos sentidos: a audição, o olfacto, a visão e o gosto, sendo também o local onde se encontra o encéfalo (revestido por forte caixa craniana), do qual depende o bom funcionamento de todo o organismo.

Para além de ser órgão indispensável para as funções respiratórias e alimentares do animal, serve também de órgão de defesa e ou ataque, através dos cornos e dos dentes.

Produção Animal Caprino Apesar de ser uma região do corpo com elevada importância funcional, a cabeça tem

Produção Animal Caprino Apesar de ser uma região do corpo com elevada importância funcional, a cabeça

Caprino

Apesar de ser uma região do corpo com elevada importância funcional, a cabeça tem normalmente baixo valor comercial.

Nos ovinos, a cabeça do macho é mais volumosa que a da fêmea, apresentando-se mais ou menos convexa conforme as raças.

A fronte é também mais larga nos machos, convexa nos dois sentidos, e desprovida de marrafa. A fronte dos caprinos é mais comprida que a dos ovinos.

Nem todos os pequenos ruminantes apresentam cornos, sendo estes mais frequentes nos machos de ambas as espécies. Nos ovinos estes são em espiral ou torcidos em forma de saca-rolhas, ao passo que nos caprinos são, em geral, dirigidos para cima.

O chanfro nos ovinos é bastante convexo, curto e estreito, as orelhas são enroladas e pendentes, e a ponta do nariz mal se distingue das regiões que lhe são vizinhas.

No que diz respeito aos olhos, a íris dos ovinos apresenta uma cor amarelo claro e a dos caprinos uma cor azulada, as pálpebras destes animais são bastante finas, existindo junto à comissura interna de cada um dos olhos um saco cutâneo, vulgarmente denominado de lacrimeiro.

Na região anterior da cabeça encontra-se a fronte ou testa, que nos ovinos pode ser mais ou menos coberta de lã; o chanfro ou cana das ventas, e o focinho ou ponta do nariz.

Na região posterior encontramos as entreganachas ou canal das ganachas, as ganachas, e a barbada que principalmente nos caprinos machos apresenta grande pilosidade.

nos caprinos machos apresenta grande pilosidade. Ovino A região lateral apresenta orelhas , olhais ,

Ovino

A região lateral apresenta orelhas, olhais, região orbital, faces e ventas ou narinas.

No carneiro o pescoço é comprido, arredondado e orientado obliquamente. A cernelha é baixa e a sua grossura varia conforme a raça, sendo mais evidente nos animais melhorados.

Na cabra o pescoço é achatado lateralmente e mais levantado que nos ovinos. No primeiro terço do bordo inferior do pescoço dos caprinos, podemos encontrar com bastante frequência dois apêndices a que vulgarmente se chama pendelocos.

Produção Animal 8.3.2. Tronco Tronco O tronco dos pequenos ruminantes apresenta regiões que têm denominações

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8.3.2. Tronco

Produção Animal 8.3.2. Tronco Tronco O tronco dos pequenos ruminantes apresenta regiões que têm denominações

Tronco

Produção Animal 8.3.2. Tronco Tronco O tronco dos pequenos ruminantes apresenta regiões que têm denominações

O tronco dos pequenos ruminantes apresenta regiões que têm denominações iguais às dos

bovinos, por nós já estudadas anteriormente, variando apenas na conformação ou amplitude.

O tronco é também a região mais volumosa do animal.

O tronco é também a região mais volumosa do animal. Tronco de Ovino No tronco existe

Tronco de Ovino

No tronco existe a cernelha, situada entre o

pescoço e o dorso, na parte superior membro anterior.

do

O dorso situa-se atrás da cernelha e prolonga-se em superfície pela parte posterior do corpo até à região lombar. Deste modo, o lombo encontra-se no prolongamento do dorso e termina na garupa, sendo limitado lateralmente pelos flancos.

A garupa situa-se entre o lombo, que lhe fica à frente, a nádega e a cauda que lhe ficam

atrás e limita-se em baixo pelas coxas. Às regiões laterais onde a garupa atinge maior largura chama-se ancas.

O peitoral situa-se entre os braços, sendo limitado à frente pelo pescoço, e atrás pelo

cilhadouro, liga-se ao membro anterior através de uma dobra de pele fina a que se chama axila.

O

cilhadouro está situado entre as costelas, o peitoral e o ventre. O ventre é a face inferior

do

corpo.

Produção Animal Os costados ou costelas estão limitados por cima pelo dorso e à frente

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Os costados ou costelas estão limitados por cima pelo dorso e à frente pela parte superior dos membros anteriores.

O flanco situa-se atrás do costado, limitado superiormente pelo lombo, inferiormente pelo

ventre, à frente pelo costado e atrás pela anca, coxa e virilha.

A cauda é o apêndice móvel que se situa no prolongamento da garupa.

Nos caprinos, tanto o lombo como a garupa são estreitos, os costados são achatados mas a altura e o comprimento das paredes da cavidade torácica são de boa dimensão. Nos ovinos,

o lombo e os costados são arredondados.

Nos machos, as bolsas testiculares são pendentes, sendo que nos ovinos estão cobertas de lã. Na cabra e na ovelha, o úbere é composto por duas mamas, encontrando-se por vezes mamilos supranumerários na face anterior do úbere. O úbere da ovelha é arredondado, globuloso e as tetas são de forma cilíndrica e muito volumosas. O úbere da cabra apresenta tetos compridos, e é mais pendente que o da ovelha.

8.3.3. Membros

e é mais pendente que o da ovelha. 8.3.3. Membros Membros anteriores Os membros anteriores dos

Membros anteriores

Os membros anteriores dos pequenos ruminantes correspondem aos membros superiores do Homem, devido à sua verticalidade. Os membros anteriores são, sobretudo, órgãos de sustentação e estão ligados indirectamente à coluna (não existe clavícula). Os membros anteriores têm também uma função de defesa e de ataque.

A espádua ou é a região superior do membro anterior, encosta-se à porção anterior do

tórax e dispõe-se entre a cernelha (acima) e o braço (abaixo), formando com ele um ângulo aos lados do peito, que constitui o ombro.

Produção Animal Braço e Antebraço do Ovino O braço tem por base óssea o úmero

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Produção Animal Braço e Antebraço do Ovino O braço tem por base óssea o úmero ,

Braço e Antebraço do Ovino

O braço tem por base óssea o úmero, continua pela espádua,

ajustando-se ao tronco.

O antebraço tem por base óssea o rádio e a porção do cúbito que

se lhe solda. Apresenta-se em continuidade para baixo do braço e

destaca-se bem do tronco. A face interna do antebraço chama-se terço.

Chama-se codilho ao relevo formado pelo ângulo do antebraço, com o braço em posição posterior. À porção mais saliente do codilho chama-se ponta do codilho, assentando numa base óssea dada pelo olecrâneo.

O joelho está situado entre o antebraço e a canela é a primeira região. Tem por base óssea

as extremidades do cúbito, do rádio, as cabeças dos metacarpos e os ossos do carpo.

Abaixo do joelho temos a canela que tem por base óssea o metacarpo e termina interiormente por uma dilatação, o boleto.

A coroa é a região que separa a pata da pele, onde se encontram pêlos em geral compridos

e grosseiros. A quartela é o local entre a coroa e o boleto.

No carneiro, a espádua é curta ao passo que na cabra é mais comprida e estreita. Nos ovinos, o antebraço é fino e comprido e o codilho pouco saliente e inclinado. Nos caprinos, o antebraço é direito e bem mais alongado do que nos ovinos. O joelho dos ovinos é pouco volumoso, duro e deslocado para trás.

alongado do que nos ovinos. O joelho dos ovinos é pouco volumoso, duro e deslocado para
alongado do que nos ovinos. O joelho dos ovinos é pouco volumoso, duro e deslocado para

Membros posteriores

Produção Animal Os membros posteriores caracterizam-se por apresentarem uma forte e volumosa musculatura, sendo um

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Produção Animal Os membros posteriores caracterizam-se por apresentarem uma forte e volumosa musculatura, sendo um

Os membros posteriores caracterizam-se por apresentarem uma forte e volumosa musculatura, sendo um órgão com uma função eminentemente propulsora. Por vezes os animais utilizam estes membros como forma de ataque.

Na fêmea, os ossos da bacia têm elevada importância no aspecto reprodutor, formando a cintura pélvica. Esta região do animal tem normalmente um elevado valor comercial.

A coxa está situada abaixo da garupa, limitada à frente pelo flanco,

atrás pela nádega e termina em baixo na soldra. Atrás da garupa situa-se a nádega e descendo desde a base da cauda até à corda do curvilhão.

Membros posteriores

A soldra é a região que corresponde à articulação fémuro-tibial rotuliana. A porção da pele

que une a soldra ao ventre chama-se prega da soldra.

A perna localiza-se entre a soldra e o curvilhão. A face interna da perna e a sua continuação

pela parte livre da coxa chama-se bragada.

O curvilhão ou jarrete constitui a primeira região do pé. A face anterior do curvilhão chama-

se prega, e a saliência posterior que corresponde ao extremo do calcâneo, nó do curvilhão.

A canela situa-se abaixo do curvilhão, ao nível da articulação do tarso com o metatarso. A

quartela é um estreitamento que fica abaixo do boleto tomando o nome de dobra da quartela na sua face interna. O espaço situado entre a quartela e cada uma das unhas chama-se coroa. A coroa está geralmente revestida de pêlos compridos e grosseiros. O é constituído por dois dedos cujas extremidades são guarnecidas de unhas.

Nos ovinos, a perna é comprida e pouco volumosa e nos caprinos é comprida e delgada. No carneiro o curvilhão é pouco volumoso. A canela dos ovinos é comprida e a dos caprinos é mais curta. Na quartela dos ovinos existe um sulco na face anterior onde começa a divisão digital, abrindo-se no fundo deste sulco um canal ao qual se chama canal biflexo. O pé dos caprinos tem um menor diâmetro lateral.

Produção Animal 8.4. Raças Autóctones em Portugal A s raças autóctones são, idealmente, em termos

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8.4. Raças Autóctones em Portugal

A s raças autóctones são, idealmente, em termos de produção animal, a resposta natural e harmónica do Homem e do Ambiente às razões circunstanciais do Tempo. Em cada época, as raças autóctones representam o traço dominante do

perfil pecuário do País e valem, pela sua especialidade, como elementos significativos da identidade nacional. Só por isso, justificam cuidada gestão, tendo em vista a necessária conciliação das exigências de rentabilização da produção com a prevenção das características das espécies.

8.4.1. Raças Autóctones de Bovinos

A cor do pêlo é a principal característica que distingue cada uma das raças. Assim a pelagem dos bovinos podem ser agrupadas em três classes:

Pelagens simples – pêlos de apenas uma coloração, não se distinguindo matrizes de nenhuma classe.

Pelagens duplas – pêlos de duas cores diferentes, que podem estar mescladas ou em manchas.

Pelagens triplas – é um tipo de pelagem raro em bovinos puros, sendo mais comum em animais cruzados ou em raças sintéticas.

tipo de pelagem raro em bovinos puros, sendo mais comum em animais cruzados ou em raças

Tipos de Pelagens

Produção Animal 8.4.1.1. Raça Barrosã O bovino Barrosão é o animal mais emblemático da bovinicultura

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8.4.1.1. Raça Barrosã

Produção Animal 8.4.1.1. Raça Barrosã O bovino Barrosão é o animal mais emblemático da bovinicultura portuguesa,

O bovino Barrosão é o animal mais emblemático da

bovinicultura portuguesa, sendo o único no mundo.

O planalto do Barroso deu-lhe o nome, mas é no

Minho que esta se expande, chegando até aos concelhos da Maia e do Porto e substituindo outra raça dominante - a raça Galega.

Raça Barrosã Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

Explorado na produção leiteira e trabalho, foi, porém, como produtor de carne que se este bovino se tornou famoso. Apresentando preços diferenciados nos mercados de Lisboa e Porto, esta raça conseguiu impor-se no exigente mercado inglês.

A raça barrosã é uma raça de montanha, embora apresente boa capacidade de resposta nas tradicionais condições do regime pastoril (pastos de montanha e campo/prado).

Considerando os padrões de produtividade que a produção animal actualmente prossegue, esta raça, extremamente valiosa pela sua adaptação ao seu meio de exploração e pelas qualidades intrínsecas, tem resistido, até agora, às variações e necessidades que o mercado tem imposto. No entanto, num futuro próximo, só uma orientação realista e de produção sustentada pode evitar o seu desaparecimento.

Actualmente, esta raça é explorada unicamente nas funções trabalho e carne. A raça apresenta aspectos morfológicos muito peculiares, sendo ainda hoje difícil proceder ao seu enquadramento no meio das restantes raças bovinas.

A cabeça é curta e larga, encimada por forte cornamenta em lira. Possui fronte quadrada, deprimida ao centro, com pronunciada saliência da região orbitaria. Com chanfro direito, arredondado e pouco saliente, revela boca larga, de lábio superior desenvolvido, focinho negro, largo, um pouco grosso, tendendo para o arrebitado.

Possui orelhas de tamanho médio, orladas de pêlos quase sempre escuros e providos interiormente de outros compridos e chifres muito desenvolvidos em

escuros e providos interiormente de outros compridos e chifres muito desenvolvidos em Aspecto da Cabeça Barrosã

Aspecto da Cabeça Barrosã

Produção Animal comprimento e em espessura, com uma secção aproximadamente elíptica. A raça barrosã evidencia

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comprimento e em espessura, com uma secção aproximadamente elíptica.

A raça barrosã evidencia pescoço curto, bem ligado à cabeça e à espádua e uma barbela

desenvolvida, pendente sob a garganta, que se decota na origem do pescoço para depois cair largamente no peito, aproximando-se dos joelhos.

O tronco apresenta a cernelha larga e pouco saliente com o costado bem arqueado e peito

largo e descido. A região dorso-lombar é medianamente comprida, larga e horizontal, bem ligada à garupa, com ventre pouco volumoso.

A garupa é horizontal, larga e comprida, por vezes mais larga do que comprida, com boa

largura isquiática. As nádegas descidas, sub-convexas, com coxas regularmente largas e musculadas, culminam numa cauda de inserção média, terminada por regular borla de pêlos, em regra escuros.

Com membros de extremidades livres, pouco desenvolvidas, bem aprumados, pouco ossudos, esta raça revela unhas escuras, rijas, pequenas e arredondadas.

A cor do pêlo é castanho-claro, com tendência para a cor de palha ou para o acerejado, em

especial na região do Minho.

Finalmente, os bovinos de raça barrosã são animais muito harmoniosos e belos, com temperamento muito dócil e olhar nostálgico, captando a simpatia de quem neles repara.

8.4.1.2. Raça Arouquesa

A denominação desta raça tem origem no facto de se tratar de

uma raça característica das Terras de Arouca, embora ainda a sua área de exploração se estenda, hoje, pelos distritos do Porto, Aveiro e Viseu. Mais concretamente, diz-se na região de Arouca que esta espécie se instalou em regiões onde só um animal com estas características de frugalidade e rusticidade poderia adaptar-se, ficando onde a vaca frísia não se poderia adaptar.

ficando onde a vaca frísia não se poderia adaptar. Bovino Macho A Arouquesa é uma raça

Bovino Macho

A Arouquesa é uma raça serrana de tripla função. Esta prestimosa raça, ajustada ao seu

difícil meio de exploração, oferece aos seus produtores a qualidade da sua carne. São animais cuja rusticidade se torna bem evidente na valorização que fazem dos pobres

Produção Animal recursos alimentares existentes na sua região de criação. Habituados ás condições climáticas

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recursos alimentares existentes na sua região de criação. Habituados ás condições

climáticas agrestes que por vezes enfrentam, estes animais são dos mais resistentes às agressões do meio ambiente, atingindo frequentemente os dezasseis a dezoito anos de vida

útil (no caso das fêmeas).

No aspecto geral, são animais de pequeno porte e de corpulência mediana. Apresentam cabeça grossa, curta, com pertuberância frontal pouco pronunciada e uma fronte larga, ligeiramente deprimida no centro, com perfil sub-côncavo, marrafa curta ou ausente. Revelam chanfro curto, direito e algo deprimido nas suturas maxilo-nasais, focinho escuro e marginado por orla de pêlos brancos até às comissuras labiais.

Possuem orelhas de alta inserção, tamanho médio e bem dirigidas, providas de pêlos mais compridos e escuros nos bordos e olhos grandes, bem aflorados e circundados por pequena auréola de pêlos brancos, pestanas e pálpebras escuras. Apresentam faces triangulares, ganachas convexas e bem afastadas, face espaçosa, nuca larga e pouco saliente.

São detentores de cornos de tamanho médio, grossos na base e de secção elíptica, horizontais na base recurvando-se ligeiramente para trás e depois para diante com crescimento, levantando as pontas para cima e para fora.

O tronco apresenta cernelha larga e de reduzida

proeminência, dorso largo e pouco comprido, lombo

largo e robusto, linha dorso-lombar direita ou

levemente enselada, garupa mais comprida que larga

e de aresta sagrada pronunciada e ligeiramente

inclinada. Possuem peito largo, costado alto e bem

arqueado e abdómen volumoso, sem ser ventrado.

alto e bem arqueado e abdómen volumoso, sem ser ventrado. Aprumos Bovino Arouquês Apresentam espáduas largas,

Aprumos Bovino Arouquês

Apresentam espáduas largas, inclinadas e bem musculadas, coxas largas e não muito musculadas nos machos inteiros, nádegas de mediano comprimento e não muito convexas. Evidenciam membros curtos e grossos na parte livre, providos de largas articulações e terminados por cascos negros, rijos e debruados em cima por pequena orla de pêlos pretos.

Com pescoço curto, grosso e bem ligado com a cabeça e as espáduas, revelam um bordo superior direito e horizontal e um bordo inferior moderadamente embarbelado.

A pelagem apresenta cor castanha com vários tons, desde o claro-palha até ao castanho propriamente dito (flava, acerejada e avermelhada). Nos touros a pelagem escurece na cabeça, pescoço, espáduas e coxas.

Produção Animal 8.4.1.3. Raça Mirandesa A região de origem desta raça é Alcatim, concelho de

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8.4.1.3. Raça Mirandesa

A região de origem desta raça é Alcatim, concelho de Miranda do Douro. Entre 1955 e 1972 verificou-se uma grande expansão desta raça, aumentando assim o seu solar para Vimioso, Mogadouro, Bragança, Vinhais e Macedo de Cavaleiros.

A inacessibilidade das terras de Miranda,

agronomicamente muito pobres e de clima agreste,

deu origem a uma forte identidade regional, bem

expressa na sua actividade básica, a criação de gado.

E nesta actividade destacou-se o aperfeiçoamento desta espécie de bovinos, reconhecida pelas suas notáveis qualidades de animal de trabalho, que lhe franquearam fama e preferência, verificando-se a sua difusão noutras terras transmontanas e beiroas, atravessando para sul o limite do Rio Tejo.

e beiroas, atravessando para sul o limite do Rio Tejo. Raça Mirandesa Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt As suas

Raça Mirandesa Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

As suas qualidades de animal de carne já foram reconhecidas no século passado e hoje, pesem embora as transformações que a bovinicultura sofreu, mantém-se como uma das nossas principais raças produtoras de carne de qualidade.

Os animais desta raça apresentam nuca larga, levantada e proeminente e chifres brancos com extremos ofuscados, delgados, de pequena envergadura, acabanados e de pontas reviradas para cima e para fora.

Com uma fonte sub-côncava e olhos aflorados e baixos, possuem pescoço curto, grosso com

uma barbela que, pelo menos nos touros, se insere logo sob o beiço inferior e vem até aos

joelhos, entre os quais pende.

Com um tronco de costado redondo, a raça mirandesa apresenta uma cernelha baixa, um dorso direito e uma garupa abaulada. Possui uma cauda levantada, curta e bem fornecida.

Ao nível dos membros, estes são curtos e delgados abaixo do joelho. Os membros posteriores apresentam-se direitos e os anteriores com joelhos desviados para dentro. Têm coxas convexas.

Esta raça apresenta pelagem cor castanha retinta nos touros, castanha mais ou menos escura, com tendência centrifuga dos aglomerados pigmentados, nos bois e vacas.

Produção Animal São animais harmoniosos, com temperamento vivo mas dócil, de tamanho grande e formato

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São animais harmoniosos, com temperamento vivo mas dócil, de tamanho grande e formato compacto.

8.4.1.4. Raça Maronesa

O nome da raça responde à toponímia da região da sua área de criação: a Serra do Marão.

É uma raça de montanha, sendo o trabalho a sua aptidão mais dominante.

Os bois desta raça eram tradicionalmente muito apreciados na zona vinhateira do Douro, por serem rijos, robustos, trepando seguros pelos caminhos acidentados da região. As vacas são regulares produtoras de leite e a carne das suas crias é muito apreciada.

de leite e a carne das suas crias é muito apreciada. Bovino Maronês Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt
de leite e a carne das suas crias é muito apreciada. Bovino Maronês Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

Bovino Maronês Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

Morfologicamente apresentam cabeça curta, seca e expressiva, ampla na porção craneal e larga na porção facial. Revelam uma fronte plana, com ligeira depressão central, mais evidenciada devido às suas protuberâncias orbitárias e uma marrafa abundante de pêlos curtos e lisos.

O seu chanfro é recto. A inserção dos cornos é mediana; são projectados para os lados na

horizontal e, de seguida, para a frente e para baixo, de tal forma que o tronco do corno fica paralelo ao chanfro, as pontas dirigem-se para cima e para fora. Os olhos são grandes e ligeiramente salientes. As orelhas são bem inseridas.

Esta raça apresenta um pescoço medianamente musculado e de bordo superior convexo, em especial nos machos; nas fêmeas o pescoço é fino e direito. Para ambos os sexos, a barbela

é bem desenvolvida, com pregas e de perfil contínuo desde o vértice do ângulo da entre ganacha até ao cilhadouro.

Possui um tronco bem proporcionado, de cernelha ligeiramente saliente e linha dorso-lombar ligeiramente curvada com a consequente elevação da região da cauda, principalmente nos animais adultos. O seu peito é estreito, tórax profundo e costelas bem arqueadas. A garupa é

Produção Animal larga, na região bi-ilíca e muito estreita na bi-isquiática. O ventre é grande

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larga, na região bi-ilíca e muito estreita na bi-isquiática. O ventre é grande e os flancos extensos. Os membros são de longitude média de ossos finos e de estrutura anatómica perfeita. As unhas são pequenas, duras e pigmentadas. Os aprumos são correctos.

A cor do pêlo é originariamente preta, com listão dorsal avermelhado, embora actualmente,

devido à influência genética, predominem fêmeas castanhas, com grau de tonalidade escura em função das regiões corporais (pescoço, espádua e barbela, ventre e terço posterior).

A forma é regular nas fêmeas e nos machos jovens. Os machos adultos apresentam o terço

anterior mais desenvolvido do que o posterior. A aparência é fina sem ser, contudo, frágil.

8.4.1.5. Raça Galega ou Minhota

A raça Galega teve origem no Minho, mais concretamente no distrito de Viana do Castelo e

foi-se expandindo para os distritos vizinhos de Braga

e do Porto. Muitos exemplares passaram para além

fronteiras, devido à uma fase de forte exportação de animais para Inglaterra. Actualmente, na zona do Galego, é pouco provável que se encontre algum animal que não evidencie influências de outras raças pelo que a grande a dificuldade actual não está na apreciação do grau de pureza da raça mas sim na avaliação do seu grau de abastardamento.

As características morfológicas da raça galega são as seguintes: a cabeça é um pouco comprida abaixo dos olhos e geralmente mais direita do que convexa no chanfro. A fronte é larga e ligeiramente convexa. O chanfro é geralmente rectilíneo, comprido e soldado aos nasais em abóbada circular. O focinho é pequeno e ligeiramente convexo nos bordos externos.

é pequeno e ligeiramente convexo nos bordos externos. Raça Galega Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt Cabeça da Raça

Raça Galega Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

bordos externos. Raça Galega Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt Cabeça da Raça Galega Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt Estes

Cabeça da Raça Galega Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

Estes animais têm olhos superficiais e de expressão

vagamente triste e orelhas de inserção alta, com tamanho regular e providas no interior de pêlos grossos e compridos. Evidenciam cornos de tamanho médio, com pontas afogueadas, saindo quase horizontalmente para os lados, desviando-se um pouco para trás, voltando-se depois para diante e com pontas reviradas para cima e para fora no ultimo terço do seu comprimento.

Produção Animal Possuem pescoço curto e grosso, um pouco descaído, pouco embarbelado na parte superior,

Produção Animal

Possuem pescoço curto e grosso, um pouco descaído, pouco embarbelado na parte superior, mas bastante sobre o peitoral.

O tronco apresenta a cernelha saliente, com o costado alto mas pouco arqueado e peito largo. A região dorso-lombar é quase recta, mas um tanto estreita, com o ventre um pouco volumoso. A garupa é alta, com ancas salientes e bem musculadas. As nádegas são quase rectas e regularmente desenvolvidas, com coxas largas e musculadas e a cauda é comprida, de inserção alta e regularmente encabelada.

Os membros são altos, de articulações pouco salientes, bem aprumados, terminados por unhas largas e fortes. A pelagem é clara que vai desde a cor palha ao vermelho muito claro.

São animais harmoniosos, com temperamento dócil e de fácil maneio.

8.4.1.6. Raça Cachena

dócil e de fácil maneio. 8.4.1.6. Raça Cachena Raça Cachena Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt crescem pastos

Raça Cachena Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

crescem pastos abundantes.

Esta raça encontra-se nas zonas mais altas das serras:

Peneda, Soajo e Amarela, no seio do Parque Nacional da Peneda Gerês.

É uma raça de extrema rusticidade, que passa a maior parte do ano em pastoreio livre na serra, acompanhando os agricultores nas suas periódicas subidas às brandas, onde condições de clima e declive pouco acentuado permitem a ocorrência de solos mais profundos, onde

Morfologicamente, esta raça apresenta uma cabeça comprida e um perfil recto. Revela um chanfro recto, arredondado e pouco saliente, de boca larga, de lábio superior desenvolvido, focinho negro, largo e um pouco grosso. Apresentam chifres muito desenvolvidos, de secção circular, que saem para cima e para os lados tomando a forma de parafuso ou saca-rolhas.

O pescoço é curto, bem ligado à cabeça e à espádua e a barbela é bem desenvolvida. Possui orelhas de tamanho médio.

e a barbela é bem desenvolvida. Possui orelhas de tamanho médio. Raça Cachena Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt 48

Raça Cachena Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

Produção Animal A sua cernelha é pouco saliente, o costado é arqueado e o peito

Produção Animal

A sua cernelha é pouco saliente, o costado é arqueado e o peito medianamente largo e descido. A região dorso-lombar é curta, estreita e horizontal; ligada à garupa com ventre volumoso. A garupa é comprida e descaída. As nádegas são mal musculadas e pouco desenvolvidas, tendo a cauda inserção alta, terminando por uma borla de pêlos escuros.

Possui membros de extremidades livres, pouco desenvolvidas, mal aprumados, terminando com unhas escuras, pequenas e arredondadas.

Esta raça apresenta pelagem castanho-claro, tendendo para a cor de palha ou acerejado. Há alguns anos atrás havia muitos destes animais com tonalidades de castanho muito mais escuro que durante os meses de Verão “abriam a cor”, passando de castanho escuro a castanho aberto.

São bovinos muito pequenos, talvez os mais pequenos do Mundo, com uma índole bravia, não escondendo a sua condição de semi-selvagem.

8.4.1.7. Raça Alentejana

As informações escritas sobre esta raça são escassas.

Os bovinos da raça Alentejana têm origem no Alto e Baixo Alentejo. Actualmente o bovino Alentejano ainda se mantém como raça pura nas regiões de Portalegre, Évora, Beja e Setúbal.

pura nas regiões de Portalegre, Évora, Beja e Setúbal. Devido a uma grande evolução nos últimos

Devido a uma grande evolução nos últimos

anos da exploração no Alentejo, que se deve a razões de natureza económica e social, verificou-se a utilização de reprodutores de

raça tipo carne, que substituíram quase por completo a tradicional raça Alentejana. No entanto, os animais ainda existentes são ainda em número suficiente para preservar e melhorar a raça.

Raça Alentejana Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

Esta é uma raça de tipo longilíneo, representada por animais rústicos, energéticos e mansos, que no passado recente eram utilizados na produção do trabalho. Por outro lado, de acordo com os resultados de alguns testes realizados recentemente, esta raça tem caracteres que permitem uma boa produção de carne.

Produção Animal Morfologicamente apresenta a cabeça com a fronte ligeiramente convexa, sobretudo no sentido

Produção Animal

Morfologicamente apresenta a cabeça com a fronte ligeiramente convexa, sobretudo no sentido transversal. Orelhas bem inseridas, horizontais e revestidas de pêlos compridos na face interna. Olhos à flor das faces. O chanfro é ligeiramente convexo, ou mesmo recto, e bem delimitado, com faces secas, deixando o focinho destacado. Focinho desenvolvido, com espelho de coloração idêntica à das restantes mucosas ou ligeiramente pigmentado.

O pescoço, nos machos, é espesso, curto e horizontal, provido de barbela, que se prolonga

em larga dobra desde o mento até ao cilhadouro, tendo apenas uma pequena retracção depois de passada a zona da garganta. Nas fêmeas, é muito menos espesso, de bordo superior estreito e barbela menos desenvolvida.

O tronco apresenta a cernelha de largura média e pouco saliente. A região dorso-lombar é

comprida e medianamente larga. A garupa também é comprida, de boa largura anterior e regularmente musculada. A cauda apresenta-se fina, caindo regularmente em curva suave a

partir da sua inserção e terminando numa borla bem encabelada. O peito apresenta-se relativamente destacado. O costado é alto, pouco convexo, apresentando-se gradualmente mais alargado e arredondado à medida que se aproxima da região abdominal. Possuí flanco curto.

Os membros apresentam tamanho e grossura médios e regularmente aprumados, com coxa larga e comprida, embora com massas musculares pouco profundas. A nádega é descida e tende para uma forma convexilínea. As extremidades (mãos e pés) são sólidas e com largas articulações.

A pelagem é de cor castanha, podendo ir do castanho-claro ao castanho-escuro. Existe uma

característica particular que se reflecte na existência de cor preta, em maior ou menor

extensão, nas regiões da cabeça, pescoço e extremidades.

Produção Animal 8.4.1.8. Raça Marinhoa O solar do gado Marinhão ocupa uma área bem demarcada

Produção Animal

8.4.1.8. Raça Marinhoa

O solar do gado Marinhão ocupa uma área bem demarcada no distrito de Aveiro. Esta raça foi moldada numa região conhecida por Marinha, de onde recebeu o nome.

numa região conhecida por Marinha, de onde recebeu o nome. Bovino Macho Marinhão Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt Esta

Bovino Macho Marinhão Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

Esta raça é fundamentalmente obtida à custa de uma das outras raças autóctones - o Mirandês, embora a morfologia dos animais existentes deixe

por vezes, perceber que na sua constituição existe a influência de outras raças, principalmente da Galega ou Minhota.

de outras raças, principalmente da Galega ou Minhota. Raça Marinhoa Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

Raça Marinhoa Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

Morfologicamente, são bovinos de cabeça comprida

e achatada, com cornos pequenos e mucosas

escuras. Apresentam um perfil sub-côncavo.

O seu abdómen é volumoso, mas não ventrudo. O

dorso e os costados são compridos, largos e fundos. Os membros são musculados, fortes e revelam bons aprumos. A pelagem é castanha clara, tendendo para o palha.

Esta

temperamento dócil.

raça

é

caracterizada

por

animais

de

grande

porte,

formas

harmoniosas

e

de

8.4.1.9. Raça Mertolenga

Esta raça é originária de Mértola e de Alcoutim, existindo actualmente nos distritos de Beja, Évora, Portalegre, Santarém e Setúbal.

Actualmente esta raça é quase exclusivamente utilizada na produção de carne em regime de sequeiro, tanto em raça pura, como em cruzamentos industriais. Por vezes é também utilizada em espectáculos taurinos, desempenhando o papel de «chamariz» para recolha dos touros (vulgarmente designadas por chocas). As crias têm um fraco desenvolvimento. Esta raça é muito perecível de cruzamento com outros animais de raça, como é o caso da Charolesa, Andaluza e Limousine. Têm-se verificado uma diminuição dos efectivos puros, mesmo em manadas consideradas puras.

Produção Animal Raça Mertolenga Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt A Mertolenga é uma das raças portuguesas cuja carne

Produção Animal

Produção Animal Raça Mertolenga Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt A Mertolenga é uma das raças portuguesas cuja carne
Produção Animal Raça Mertolenga Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt A Mertolenga é uma das raças portuguesas cuja carne

Raça Mertolenga Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

A Mertolenga é uma das raças portuguesas cuja carne tem a denominação de origem.

São animais de corpulência média e perfil recto ou sub-convexo. A cabeça apresenta cornos finos, de secção elíptica. A cor da pelagem é vermelha, rosilho mil flores, vermelho malhado e malhado de vermelho.

8.4.1.10. Raça Preta

A raça preta é uma raça oriunda do Alto Alentejo, com características mal definidas. As razões da sua criação e o profissionalismo dos seus criadores imprimiram-lhe características de homogeneidade e padrões morfo-funcionais de qualidade.

Esta raça apresenta pelagem uniformemente negra e mucosas pigmentadas. O seu perfil é recto e a cabeça apresenta cornos em gancho alto.

O seu perfil é recto e a cabeça apresenta cornos em gancho alto. Raça Preta Fonte:

Raça Preta Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

Produção Animal 8.4.1.11. Raça Brava Os bovinos da raça Brava pertencem a uma arcaica variedade

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8.4.1.11. Raça Brava

Os bovinos da raça Brava pertencem a uma arcaica variedade zoológica. Existem em quase todo o mundo, à excepção da Península

Ibérica, sul de França, México e alguns países

da

América do Sul.

O

bovino Bravo é um animal completo, de

valiosa aptidão psicofísica e com atributos bio

temperamentais.

aptidão psicofísica e com atributos bio temperamentais. Raça Brava Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt Esta raça

Raça Brava Fonte: www.pecuaria.no.sapo.pt

Esta raça apresenta pelagem conforme as castas de origem, embora seja preferencialmente

de cor preta e com plumagem.

Apresenta um perfil sub-convexo, com cornos finos predominantemente em forma de gancho.

Têm um temperamento nervoso e agressivo e evidenciam investidas nobres.

8.4.2. Raças Autóctones de Ovinos

Em Portugal, a exploração de raças autóctones de ovinos e caprinos ainda desempenha um importante papel de desenvolvimento económico para as populações rurais, apesar do número de animais ter diminuído de forma significativa nos últimos anos.

Temos assim como cores: o branco, o preto, o castanho (variando em todos tons), o interpolado (por vezes, com aparência de ruça ou fulvo) e ainda o malhado (malhas nos cabos e no curvilhão) e o listado (na linha dorsal, no dorso-lombar e nos flancos).

Nos ovinos, a lã é a fibra que constitui a cobertura protectora externa dos ovinos. Assim, a lã ajuda a conservar a temperatura do corpo e, juntamente com o ar que está entre as suas fibras, não deixa arrefecer a pele.

Produção Animal As raças ovinas também podem ser caracterizadas pela cor da lã: branca, cinzenta

Produção Animal

As raças ovinas também podem ser caracterizadas pela cor da lã: branca, cinzenta e pretas (saragoças). As lãs brancas encontram-se em maior quantidade, com variações do branco puro ao branco sujo. As mais alvas são as mais apreciadas.

Para além da cor, as lãs dividem-se em três tipos:

lã merina - é a lã do tipo mais fino;

lã cruzada - grosseira;

é menos

fina

que a

anterior numa escala que varia até à lã

lã churra - é a lã mais grosseira.

∑ ∑ ∑ ∑ lã churra - é a lã mais grosseira. Tipos de lãs 8.4.2.1.
∑ ∑ ∑ ∑ lã churra - é a lã mais grosseira. Tipos de lãs 8.4.2.1.

Tipos de lãs

8.4.2.1. Bordaleira de Entre Douro e Minho

Tipos de lãs 8.4.2.1. Bordaleira de Entre Douro e Minho Raça Bordaleira de Entre Douro e

Raça Bordaleira de Entre Douro e Minho Fonte: www.spoc.pt

Os animais da raça Bordaleira de Entre Douro e Minho são extremamente heterogéneos, tanto nos aspectos morfológicos como nos reprodutivos e produtivos.

Os motivos de tal heterogeneidade radicam na herança genética de outras populações ovinas (originárias da Galiza, Trás-os-Montes e Alentejo), na inexistência de selecção e na diversidade das estratégias alimentares adoptadas.

A raça apresenta cor da lã branca.

A cabeça é pequena e adelgaçada para o focinho. Apresenta-se geralmente deslanada, podendo existir uma poupa frontal. As orelhas são curtas e horizontais. O perfil fronto-nasal é recto. Os cornos, frequentes nos machos mas raros nas fêmeas, são curtos, em espiral incompleta e apertada junto à cabeça. O pescoço tem má ligação ao tronco. Está recoberto de lã em toda a superfície. Por vezes, existe uma pequena barbela.

Produção Animal 8.4.2.2. Churra Badana Esta raça representou a população ovina com maior efectivo no

Produção Animal

8.4.2.2. Churra Badana

Esta raça representou a população ovina com maior efectivo no Interior Norte do País, assumindo destacada importância no todo do rebanho nacional. Ocupou a terra quente transmontana e desceu abaixo do Douro, onde sofreu alterações de corpulência e sofreu as designações de marialveira, lapeira e churra do campo.

Foi considerada uma raça de tripla função, destacando-se na produção lanar, já que pelas suas boas características rivaliza com as melhores lãs alentejanas. Hoje, o reduzido efectivo e o pouco cuidado na escolha dos carneiros apontam para a sua extinção.

na escolha dos carneiros apontam para a sua extinção. Raça Churra Badana Fonte: www.spoc.pt Esta raça

Raça Churra Badana Fonte: www.spoc.pt

Esta raça é criada em regime extensivo. Possuem cor branca, pigmentação acastanhada mais ou menos escura nas zonas deslanadas e evidenciam um velo extenso mas aberto, com lã do tipo churro. Os machos apresentam normalmente cornos com a forma de espiral, mais ou menos aberta. São animais de pequena corpulência.

8.4.2.3. Churra Galega Mirandesa

As terras de Miranda mantiveram-se fechadas, devido ás condicionantes de ordem geográfica, o que as diferenciou culturalmente e também ao nível dos tipos de produção animal.

e também ao nível dos tipos de produção animal. Raça Galega Mirandesa Fonte: www.spoc.pt Na zona

Raça Galega Mirandesa Fonte: www.spoc.pt

Na zona do planalto, criou-se um genótipo ovino, sóbrio, muito rústico, de lã churra, coabitante com a cabra e as vacas mirandesas e ajustado ao aproveitamento dos restolhos do centeio e pastos espontâneos pobres. Hoje,

tem vindo a perder importância e, por isso, encontra-se em regressão. O seu desaparecimento, a ocorrer, constituirá perda de atributos zootécnicos muito procurados, designadamente o ciclo éstrico permanente e a capacidade maternal.

Produção Animal No que diz respeito ao sistema de reprodução, estes ovinos têm cobrição natural,

Produção Animal

No que diz respeito ao sistema de reprodução, estes ovinos têm cobrição natural, sendo que, na maioria dos efectivos, o macho está todo o ano com as fêmeas.

Estes animais possuem cor branca, sendo os indivíduos pretos pouco frequentes. Possuem pigmentação preta ou castanha escura circundando os olhos, as orelhas e os lábios (nos

animais pretos estas manchas são brancas). Apresentam velo extenso, relativamente pesado

e lã de apreciável qualidade que não recobre a cabeça e as extremidades dos membros. A lã

é do tipo churro. Os machos têm cornos em forma espiralada e de secção triangular.

É uma raça de corpulência pequena.

8.4.2.4. Churra da Terra Quente

de corpulência pequena. 8.4.2.4. Churra da Terra Quente Esta raça, com reconhecimento recente, é a raça

Esta raça, com reconhecimento recente, é a raça que actualmente possui maior valor numérico e a que mais rendimento proporciona à lavoura local. Revela grande capacidade produtiva em carne, lã e leite, assumindo-se assim como raça de tripla função.

Ajusta-se perfeitamente aos recursos naturais e práticas agrícolas da Terra Quente Transmontana, existindo alguns concelhos da Região de Vila Real e da Guarda.

Raça Churra da Terra Quente Fonte: www.spoc.pt

Os indicadores produtivos exibidos justificam que se aproveite

este animal no fomento da ovinicultura nacional. Esta ovelha representa um material genético rico e repleto de potencialidades.

Em relação às características morfológicas, possuem cor branca, velo extenso e pesado, que não recobre a cabeça, nem as extremidades dos membros. Têm lã do tipo churro. Ambos os sexos possuem cornos, em espiral mais ou menos aberta, rugosos e de secção triangular.

Apresentam corpulência pequena.

Produção Animal 8.4.2.5. Bordaleira da Serra da Estrela Raça Bordaleira da Serra da Estrela Fonte:

Produção Animal

8.4.2.5. Bordaleira da Serra da Estrela

Produção Animal 8.4.2.5. Bordaleira da Serra da Estrela Raça Bordaleira da Serra da Estrela Fonte: www.spoc.pt

Raça Bordaleira da Serra da Estrela Fonte: www.spoc.pt

Esta é a principal e melhor raça de aptidão leiteira do País e a segunda de maior importância numérica no mapa étnico ovino nacional. Contribui com a maior parte do leite utilizado no fabrico do conhecido “Queijo da Serra” (lacticínio que tem zona

de

produção demarcada e que está sujeito à certificação oficial

de

qualidade).

A

manutenção e melhoramento desta raça constituem uma

segura capitalização, com óptimos resultados à vista não só pela garantia da genuinidade do queijo, mas também pelo acréscimo da produtividade média por ovelha.

Todos os elementos disponíveis vaticinam que as acções de melhoramento da raça, já empreendidas, venham a constituir um êxito, e lhe reservem um papel de relevo no futuro da ovinicultura nacional.

São animais de ciclo éstrico permanente, com cobrição natural geralmente na Primavera e com uma segunda época em Setembro e Outubro.

Possuem cor branca ou preta, com velo não muito extenso, que não recobre a cabeça, as extremidades dos membros, a barriga e o bordo inferior do pescoço. Possuem lã do tipo cruzado fino. Ambos os sexos possuem cornos, enrolados em espiral mais ou menos aberta e alongada, rugosos e de secção triangular. Apresentam corpulência média.

8.4.2.6. Mondegueira

É uma das três raças ovinas autóctones de aptidão dominantemente leiteira. A sua produção é utilizada no fabrico de “Queijo da Serra”, numa das zonas da área demarcada e mais conhecida pela excelência deste famoso lacticínio.

Os indicadores disponíveis indicam a importância deste ovino no xadrez étnico nacional, isto apesar de ter permanecido à margem de uma actuação programada para avaliar as suas potencialidades.

à margem de uma actuação programada para avaliar as suas potencialidades. Raça Mondegueira Fonte: www.spoc.pt 57

Raça Mondegueira

Fonte: www.spoc.pt

Produção Animal A forma "generosa" como tem transmitido as suas potencialidades produtivas a outras populações

Produção Animal

A forma "generosa" como tem transmitido as suas potencialidades produtivas a outras populações demonstra o seu elevado valor genético.

São animais de cor branca, que por vezes apresentam os lábios pigmentados de preto ou castanho. Têm velo de extensão mediana, pouco tochado, que não recobre a cabeça, as extremidades dos membros e a barriga. Apresentam lã do tipo churro. Ambos os sexos possuem cornos, em espiral mais ou menos aberta, rugosos e de secção triangular.

São animais de corpulência média.

8.4.2.7. Merina da Beira Baixa

de corpulência média. 8.4.2.7. Merina da Beira Baixa Raça Merina Branca Fonte: www.spoc.pt Esta raça descende

Raça Merina Branca Fonte: www.spoc.pt

Esta raça descende dos rebanhos serranos transumantes que, procedentes da Serra da Estrela e de Leão e Castela, invernaram na zona beirã onde desembocavam as canadas que a ligavam aquelas regiões.

Esta raça explora-se na tripla função (carne, leite e lã), sendo mesmo a nossa ovelha de lã fina (merina) que melhores performances leiteiras exibe.

O seu leite é transformado no famoso queijo de Castelo Branco. No entanto, esta notável raça vive em intima dependência dum meio muito difícil, em desvantagem perante outras mais propagandeadas.

Possuem velo muito extenso e tochado, que recobre a cabeça, todo o pescoço, o ventre, os membros quase até às unhas e os testículos. Têm lã do tipo merino extra a merino forte.

Os machos possuem cornos espiralados, rugosos e de secção triangular.

È uma raça de corpulência pequena.

Produção Animal 8.4.2.8 Merina Branca O merino sido o material genético a que se pediu

Produção Animal

8.4.2.8 Merina Branca

O merino sido o material genético a que se pediu resposta adequada às renovadas exigências do mercado. Na actualidade, esta raça apresenta possibilidades de vir a competir internacionalmente na produção de carne, bastando, para isso, que o programa de melhoramento genético em curso não sofra interrupções comprometedoras dos resultados já alcançados e que indiciam grandes performances produtivas. O modelo animal pretendido é a síntese dos

melhores caracteres que se conhecem das raças europeias de filiação étnica exclusivamente merina.

europeias de filiação étnica exclusivamente merina. Raça Merina Branca Fonte: www.spoc.pt Estes animais possuem

Raça Merina Branca Fonte: www.spoc.pt

Estes animais possuem cor branca, velo muito extenso e tochado, recobre a cabeça, todo o pescoço, o ventre, os membros quase até às unhas e os testículos.

Possuem lã do tipo merino extra a merino forte. Somente os machos possuem cornos, enrolados em espiral mais ou menos fechada, rugosos e de secção triangular.

São animais de corpulência média.

8.4.2.9. Merina Preta

São animais de corpulência média. 8.4.2.9. Merina Preta Raça Merina Preta Fonte: www.spoc.pt Os merinos pretos

Raça Merina Preta Fonte: www.spoc.pt

Os merinos pretos são uma estirpe histórica da península, embora hoje, pela sua raridade, sejam uma relíquia zootécnica.

Estes ovinos são um exemplo vivo a favor da manutenção de reservas genéticas, pois, neste caso, a pigmentação do seu velo retirou-lhe de tal forma a importância, que o seu efectivo se encontra no limiar da extinção. Para o evitar, é imprescindível contar com o

empenhamento dos criadores organizados em associações e dispor dum programa de avaliação e gestão da raça que conjugue as acções em curso nos estabelecimentos oficiais e apoie os criadores desta raça.

Produção Animal Estes animais são caracterizados por possuírem cor preta, velo muito extenso e tochado,

Produção Animal

Estes animais são caracterizados por possuírem cor preta, velo muito extenso e tochado, que recobre a cabeça, todo o pescoço, o ventre, os membros quase até às unhas e aos testículos. Possuem lã do tipo merino extra a merino forte.

Os cornos, frequentes nos machos, são enrolados em espiral mais ou menos fechada, rugosos e de secção triangular.

Apresentam corpulência média.

8.4.2.10. Saloia

Ovino originário das terras saloias, migrou para a península de Setúbal, onde se mantém actualmente. É uma das quatro raças ovinas de aptidão leiteira do País, muito afectada, porém, pela urbanização crescente da sua área de exploração.

O seu leite é utilizado no fabrico artesanal de

queijos regionais, de que se destacam o de Azeitão e o Saloio.

regionais, de que se destacam o de Azeitão e o Saloio. Raça Saloia Fonte: www.spoc.pt O

Raça Saloia

Fonte: www.spoc.pt

O futuro desta raça enfrenta alguns problemas, mas a valorização do leite pode contribuir

para resolvê-los, desde que se promova o melhoramento da raça dentro do seu potencial produtivo, tornando a sua exploração compatível com outras utilizações do solo.

Possuem cor branca frequentemente com tons amarelados, apresenta a cabeça acastanhada. Têm velo bem tochado, relativamente extenso e pesado, que não recobre a cabeça e as extremidades dos membros. Possuem lã do tipo merino médio a cruzado médio.

Os machos têm cornos fortes, rugosos e de secção triangular, em forma de espiral mais ou menos aberta, nas fêmeas quando existem têm o aspecto de foice.

São animais com corpulência pequena.

Produção Animal 8.4.2.11. Campaniça É uma das raças rústicas portuguesas, exploradas na tripla função: carne,

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8.4.2.11. Campaniça

É uma das raças rústicas portuguesas, exploradas na tripla função: carne, leite e lã. Produz em qualidade como nenhuma outra, apesar da agressividade do meio onde tradicionalmente era explorada. Nos dias de hoje, os padrões de crescente produtividade visados nas produções unitárias ovinas, têm vindo a sacrificar este genótipo, adequado a zonas muito difíceis.

sacrificar este genótipo, adequado a zonas muito difíceis. Raça Campaniça Fonte: www.spoc.pt Devido cruzamento, sem

Raça Campaniça

Fonte: www.spoc.pt

Devido

cruzamento, sem se cuidar da sua manutenção, esta raça aponta para uma extinção, o que constituirá perda irreparável e perniciosa para o meio frágil em que pode ser explorada.

ao

seu

uso

como

base

de

Normalmente são animais de cor branca, sendo raros os exemplares pretos. Apresentam velo extenso e bem tochado, que só não recobre a cabeça e as extremidades dos membros.

Possuem lã do tipo cruzado fino.

Os cornos evidenciam-se nos machos, com uma forma de espiral aberta, grossos. Aparecem por vezes nas fêmeas, mas são rudimentares.

São animais de corpulência pequena.

Produção Animal 8.4.2.12. Churra Algarvia Raça Churra Algarvia Fonte: www.spoc.pt É um tipo de ovino

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8.4.2.12. Churra Algarvia

Produção Animal 8.4.2.12. Churra Algarvia Raça Churra Algarvia Fonte: www.spoc.pt É um tipo de ovino único

Raça Churra Algarvia Fonte: www.spoc.pt

É um tipo de ovino único ao sul do Tejo, de lã churra, destacando-se pelo seu grande porte, pelos bons índices reprodutivos e de crescimento dos borregos. A produção de carne é o objectivo da produção desta ovelha.

Na zona do litoral e do barrocal algarvios, esta é uma raça bastante implantada.

Possuem cor branca, com pigmentação em forma de manchas na ponta do focinho, em volta dos olhos, nas orelhas e nas patas. Têm velo pouco extenso e pouco tochado, que não recobre a cabeça, o bordo inferior do pescoço, a barriga e as extremidades dos membros. Possuem lã do tipo churro. Ambos os sexos possuem cornos fortes, espiralados, de secção triangular e rugosos. Apresentam corpulência elevada.

8.4.2.13. Galega Bragançana

A ovelha bragançana ocupa a terra fria transmontana, correspondente ao espaço montanhoso das serras do Montesinho, Nogueira e Coroa. Agrupada numa raça ambiental muito rústica, é explorada principalmente para a produção de carne e lã.

explorada principalmente para a produção de carne e lã. Esta raça desempenhou um papel importante na

Esta raça desempenhou um papel importante na economia

regional, tendo ultimamente sofrido forte regressão, que só uma alteração no sistema de exploração e o melhoramento zootécnico podem suster.

Raça Galega Bragançana Fonte: www.spoc.pt

Quanto aos caracteres morfológicos, predomina a cor branca, manchas pretas ou castanhas em volta dos olhos no focinho e nas orelhas. Possui velo pouco extenso e de superfície irregular, que não recobre a cabeça, o terço anterior do pescoço e a barriga e os cabos. Produzem lã do tipo churro. Os cornos são frequentes nos machos.

É uma raça com corpulência elevada, embora com acentuada desproporção de altura do tórax em relação ao solo (pernalteiros).

Produção Animal 8.4.3 Raças Autóctones de Caprinos 8.4.3.1. Algarvia Cabra Algarvia Fonte: www.spoc.pt Hoje é

Produção Animal

8.4.3 Raças Autóctones de Caprinos

8.4.3.1. Algarvia

8.4.3 Raças Autóctones de Caprinos 8.4.3.1. Algarvia Cabra Algarvia Fonte: www.spoc.pt Hoje é uma das raças

Cabra Algarvia

Fonte: www.spoc.pt

Hoje é uma das raças caprinas autóctones mais destacadas no xadrez étnico nacional e a base de uma organização que conjuga produções e fabrico de queijo, viabilizando decisivamente a caprinicultura algarvia. A determinação dos promotores do empreendimento e o seu conhecimento do sector, vaticinam um

futuro promissor para este precioso animal, com capacidade para responder com eficácia ás crescentes exigências zootécnicas. Isto sem contar as raízes geográficas, que se manifestam pela sua

admirável adaptação ás condicionantes ambientais difíceis.

Em relação aos caracteres morfológicos, predomina a cor branca, com pêlos castanhos de vários tons, ou pretos que podem agrupar-se em manchas ou disseminar-se irregularmente.

Ambos os sexos têm cornos, geralmente largos na base, dirigidos para cima, um pouco para trás, divergentes para os lados e espiralados, por vezes aparecem animais mochos.

Apresentam corpulência média.

8.4.3.2. Bravia

mochos. Apresentam corpulência média. 8.4.3.2. Bravia Raça Bravia Fonte: www.spoc.pt Nas serranias minhotas vive,

Raça Bravia

Fonte: www.spoc.pt

Nas serranias minhotas vive, em perfeita harmonia com este meio difícil, uma população caprina, bem diferenciada dos restantes agrupamentos étnicos autóctones.

O isolamento a que esteve condicionada e as hostis incidências climáticas marcaram as suas particularidades, semelhantes ás da extinta cabra branca do Gerês, o que

nos leva a crer que ela descende desta cabra, pois os recursos pastoris de que se alimenta são, como antigamente, muito parcos e comuns à área onde uma, perseguida pelo Homem se extinguiu, enquanto a outra por ele protegida, se mantém.

Produção Animal A extrema sobriedade e rusticidade da Bravia permitem-lhe ter uma importância relevante na

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A extrema sobriedade e rusticidade da Bravia permitem-lhe ter uma importância relevante na economia das populações serranas, sendo por isso insubstituível neste meio.

No que diz respeito aos seus caracteres morfológicos, domina a cor preta ou a castanha, com malhas de localização variável. Os cornos observam-se em ambos os sexos, pequenos finos, erectos, ou ligeiramente curvados para trás. Possuem corpulência média.

8.4.3.3. Charnequeira

Estamos perante a segunda raça autóctone caprina que, a par da serrana, durante muitos anos, povoou o País, complementando-se ambas pelas suas particulares aptidões a meios diferentes.

Esta raça tem características mais rústicas que a serrana e revela-se mais ajustada aos incultos e ao aproveitamento dos parcos recursos alimentares que a charneca e os matagais lhe proporcionavam.

alimentares que a charneca e os matagais lhe proporcionavam. Raça Charnequeira Fonte: www.spoc.pt As alterações

Raça Charnequeira

Fonte: www.spoc.pt

As alterações culturais e a crescente ocupação do solo motivaram a sua regressão, subsistindo apenas numa pequena zona Alentejana e no Sul das Beiras. Mas é de registar que os criadores souberam ajustar o animal às novas condições e às exigências de uma maior produtividade. O caminho está encetado, faltando agora a convergência de esforços e meios para que a cabra Charnequeira ocupe o lugar a que tem direito pelas suas potencialidades, de que são testemunho as variedades Beiroa e Alentejana.

Em relação aos caracteres morfológicos, apresentam cor preta ou castanha, observando-se malhas com localização variável alguns animais. Ambos os sexos têm cornos pequenos finos, erectos ou ligeiramente curvados. Apresentam corpulência média.

Produção Animal 8.4.3.4. Serpentina Raça Serpentina Fonte: www.spoc.pt Esta cabra substituiu a Charnequeira quando o

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8.4.3.4. Serpentina

Produção Animal 8.4.3.4. Serpentina Raça Serpentina Fonte: www.spoc.pt Esta cabra substituiu a Charnequeira quando o

Raça Serpentina

Fonte: www.spoc.pt

Esta cabra substituiu a Charnequeira quando o habitat desta foi modificado por uma maior mobilização do solo. Embora ainda se destine a um meio difícil, já dispõe de cabris cobertos e alimentos mais nutritivos.

A sua expansão nos últimos vinte anos atingiu a bordadura serrana do sul e poente alentejanos. Neste momento, está a sofrer assinalável erosão genética, com prejuízo na sua capacidade de produtora de carne. Espera-se que as acções zootécnicas em curso corrijam esta situação.

É uma grande raça aberta com variabilidade, capaz de produzir mais sem alterações muito profundas nos factores de produção. Morfologicamente têm cor branca ou creme com listão preto, o ventre é preto, assim como a parte interna das orelhas, o focinho e as extremidades dos membros. Possuem cornos largos e juntos na base, dirigidos para cima e para trás, divergentes nas extremidades e sensivelmente espiralados.

Apresentam corpulência elevada.

8.4.3.5. Serrana

É um dos agrupamentos étnicos iniciais dos nossos caprinos autóctones. Estas cabras são ainda conhecidas sob a designação de cabras da Serra da Estrela, estrelenses e nalgumas regiões por guedelhudas, galruscas e mansas. É uma das nossas raças caprinas leiteiras mais importantes e a raça autóctone de maior efectivo. Perante as medidas recentemente adoptadas e a investigação em curso, tudo indica um futuro promissor para esta cabra.

em curso, tudo indica um futuro promissor para esta cabra. Raça Serrana Fonte: www.spoc.pt Em relação

Raça Serrana

Fonte: www.spoc.pt

Em relação aos caracteres morfológicos, são animais de cor preta, castanha e russa e podem apresentar manchas amarelas. Têm cornos de secção triangular, rugosos, dirigidos para trás, paralelos ou divergentes. Existem bastantes indivíduos mochos. Apresentam corpulência média e é possível distinguir quatro ecótipos diferentes: Jarmelista, Da Serra, Ribatejano e Transmontano.

Produção Animal 66

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Produção Animal 9.1. Bovinos Módulo 02 Alimentação e Nutrição 9.1.1. Anatomia do aparelho digestivo S

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9.1. Bovinos

Módulo 02 Alimentação e Nutrição

9.1.1. Anatomia do aparelho digestivo

S

ucintamente, a função do aparelho digestivo é a de transformar os alimentos ingeridos em compostos químicos que possam ser absorvidos pela corrente

sanguínea, a fim de serem usados como nutrientes dos vários tecidos que formam o

corpo do animal.

nutrientes dos vários tecidos que formam o corpo do animal. Aparelho digestivo O aparelho digestivo dos

Aparelho digestivo

O aparelho digestivo dos bovinos é composto por:

Boca

Esófago

Estômago

Produção Animal 9.1.1.1. Boca A boca constitui o início do tubo digestivo, sendo a porta

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9.1.1.1. Boca

A boca constitui o início do tubo digestivo, sendo a porta de entrada dos alimentos, onde se

processa a mastigação dos mesmos.

A boca é composta pelos os lábios (superior e inferior), pela língua e pelos dentes.

A língua é um órgão musculoso, carnudo, áspero e muito móvel, que tem como principais

funções a apreensão dos alimentos e a produção de saliva (através das glândulas salivares), que auxilia a mistura do bolo alimentar.

Os dentes estão implantados no maxilar superior e inferior. A fórmula dentária de um bovino adulto é 006/406 pois não possuem incisivos no maxilar superior, nem caninos em nenhum dos maxilares.

O maxilar superior tem seis molares implantados de cada lado e o maxilar inferior tem, de

cada lado, quatro dentes incisivos e seis molares, num total de trinta e dois dentes.

No maxilar superior, em vez de dentes incisivos, o bovino possui uma almofada gengival, coberta por uma mucosa bucal dura e resistente. Conforme a idade do bovino, os dentes incisivos podem ser classificados como primeira dentição (dentes de leite), segunda dentição ou definitivos.

Identificação dos dentes incisivos

ou definitivos. Identificação dos dentes incisivos Arcada Dentária Inferior Conforme se pode ver na figura, os

Arcada Dentária Inferior

Conforme se pode ver na figura, os dentes incisivos da arcada dentária inferior denominam- se pinças, primeiros médios, segundo médios e cantos.

Produção Animal A substituição da dentição de leite para a definitiva, acontece: ∑ aos 18

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A substituição da dentição de leite para a definitiva, acontece:

aos 18 meses começam a mudar os pinças;

aos 2,5 anos começam a mudar os primeiros médios;

aos 3,5 anos começam a mudar os segundos médios;

aos 4,5 anos começam a mudar os cantos.

médios; ∑ aos 4,5 anos começam a mudar os cantos. As glândulas salivares que se situam
médios; ∑ aos 4,5 anos começam a mudar os cantos. As glândulas salivares que se situam
médios; ∑ aos 4,5 anos começam a mudar os cantos. As glândulas salivares que se situam

As glândulas salivares que se situam na boca são responsáveis pela produção de saliva em grandes quantidades, que irão contribuir para a lubrificação dos alimentos ingeridos pelo animal.

9.1.1.2. Esófago

É um tubo composto por duas membranas, sendo de fácil dilatação ao longo da maior do seu

comprimento. Destina-se à condução dos alimentos, nos dois sentidos (mastigação e

ruminação).

9.1.1.3. Estômago

sentidos (mastigação e ruminação). 9.1.1.3. Estômago 1. Cárdia; 2. Pança; 3. Barrete; 4. Folhoso; 5. Coagulador

1. Cárdia; 2. Pança; 3. Barrete; 4. Folhoso; 5. Coagulador 6. Piloro; 7. Goteira esofágica

O estômago é um órgão volumoso, situado no abdómen do bovino. Nas suas extremidades,

comunica com o esófago (através da cardia) e com o intestino (através do piloro).

Produção Animal Os bovinos denominam-se poligástricos pois têm o estômago dividido em quatro compartimentos e

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Os bovinos denominam-se poligástricos pois têm o estômago dividido em quatro compartimentos e utilizam a fibra, celulose e o azoto não proteico dos alimentos.

Tal como já foi referido anteriormente, o estômago do bovino está dividido em quatro compartimentos, separados mas em permanente comunicação uns com os outros. Esses compartimentos são:

Pança ou Rúmen;

Retículo ou Barrete;

Omaso ou Folhoso;

Abomaso ou Coagulador.

9.1.1.3.1. Estômago

A pança ou rúmen é um compartimento grande, musculoso, de paredes não muito grossas,

mas resistentes. Ocupando aproximadamente 80 % do volume disponível no abdómen, a pança ou rúmen recebe os alimentos vindos da boca através do cardia (orifício do esófago).

Tem como principal função o armazenamento e a decomposição dos alimentos através da flora microbiana característica do rúmen. O rúmen contribui decisivamente para a digestão dos alimentos, revelando grande eficiência nas partes duras do bolo alimentar.

È pela acção do rúmen que o bovino é designado como animal ruminante. Um animal

ruminante distingue-se pela possibilidade de submeter os alimentos a vários processos de mastigação e ruminação. Os ruminantes conseguem aproveitar muito bem os alimentos grosseiros que ingerem (ex: palhas e fenos), mediante o processo de ruminação. As contracções do rúmen, provocadas por acto reflexo, originam o retorno dos alimentos à boca para uma segunda mastigação e para uma nova impregnação em saliva (ruminação).

A massa resultante da ruminação denomina-se bolo.

9.1.1.3.2. Retículo ou Barrete

A parede interna do retículo ou barrete é formada por pregas em forma de favos de mel. A

sua principal função é o armazenamento adicional de alimentos e a retenção de corpos estranhos que podem causar lesões no animal.

Produção Animal 9.1.1.3.3. Omaso ou Folhoso O omaso é constituído por grossas paredes musculares, com

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9.1.1.3.3. Omaso ou Folhoso

O omaso é constituído por grossas paredes musculares, com uma estrutura semelhante a

lâminas, sobrepostas como se fossem um livro.

Tem como função a absorção de cerca de 40 a 60% da água contida nos alimentos e a retenção de minerais, ácidos gordos e fibra, prolongando a fermentação do bolo antes deste passar ao coagulador.

9.1.1.3.4. Abomaso ou Coagulador

O abomaso ou coagulador é considerado o verdadeiro estômago do animal. É constituído

por um reservatório em forma de pêra, mais ou menos alongada, composta por uma mucosa mole, vermelha e esponjosa, que segrega o suco gástrico. É no coagulador que os

alimentos já transformados em bolo alimentar sofrem as fermentações microbianas que caracterizam a digestão.

O bolo passa para o intestino delgado (que num adulto tem cerca de 40 metros de comprimento), onde é misturado com suco pancreático e bílis, sendo a parte nutritiva absorvida pela corrente sanguínea e a restante expelida para o exterior através do intestino grosso, na forma de fezes e urina.

Na primeira fase de vida, os ruminantes são considerados monogástricos pois utilizam apenas o coagulador, para onde o leite segue directamente através da goteira esófagica, que só funciona para este alimento. Nesta fase de desenvolvimento, 80% do espaço do estômago é ocupado pelo coagulador.

80% do espaço do estômago é ocupado pelo coagulador. 1. Pança; 2. Barrete; 3. Folhoso; 4.

1. Pança;

80% do espaço do estômago é ocupado pelo coagulador. 1. Pança; 2. Barrete; 3. Folhoso; 4.

2. Barrete;

3. Folhoso;

80% do espaço do estômago é ocupado pelo coagulador. 1. Pança; 2. Barrete; 3. Folhoso; 4.

4. Coagulador

Produção Animal 9.1.2. Princípios básicos da digestão A digestão é um conjunto de fenómenos que

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9.1.2. Princípios básicos da digestão

A digestão é um conjunto de fenómenos que resulta na transformação dos alimentos no aparelho digestivo, decompondo-os em substâncias químicas, mais assimiláveis, a fim de poderem ser absorvidos pela corrente sanguínea do animal, integrando-os no organismo do animal.

O objectivo da digestão dos alimentos é o fornecimento de componentes directamente utilizados pelas células para formação de novos constituintes celulares, reconvertendo a energia dos alimentos (energia bruta), em energia digestível, a fim de a tornar utilizável no desenvolvimento, na formação e na produção do animal.

Para que essa transformação ocorra é necessário que os alimentos sofram uma primeira mastigação (de forma a reduzir o seu tamanho) e uma fermentação no rúmen (através da flora microbiana).