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Projecto de Estruturas de um Edifício Pedro Oliveira Gonçalves de Almeida Machado Dissertação para obtenção

Projecto de Estruturas de um Edifício

Pedro Oliveira Gonçalves de Almeida Machado

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Civil

Júri

Presidente:

Prof. José Manuel Matos Noronha da Câmara

Orientador:

Prof. Pedro Guilherme Sampaio Viola Parreira

Vogal:

Prof. António José da Silva Costa

Outubro 2010

AGRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer em primeiro lugar ao Professor Pedro Parreira, pela disponibilidade e orientação neste trabalho.

A todos os meus colegas da ViaTúnel P.G.F. que sempre estiveram disponíveis para me ajudar em

todas as matérias.

Aos meus amigos, por não se esquecerem de mim apesar dos tempos em conjunto que tive de abdicar para concluir este trabalho. Aos meus amigos “ex-colegas” de curso, com os quais muito aprendi e cujas noites de estudo partilhadas foram fundamentais ao longo de todo este percurso académico.

À minha família, que sempre me incentivou e me “empurrou” nas alturas em que mais precisei. Um

agradecimento especial aos meus tios por estarem sempre presentes, ao meu pai pela insistência e à

minha mãe pelo carinho.

À minha avó e ao meu avô.

i

PROJECTO DE ESTRUTURAS DE UM EDIFÍCIO

RESUMO

Pretende-se com este trabalho apresentar as diferentes fases de um projecto de estruturas de um edifício, desde a sua concepção inicial até à fase final de dimensionamento. Desta forma, são percorridas ao longo do processo as fases de Concepção da Solução Estrutural, Pré- Dimensionamento, Análise Sísmica e Dimensionamento, tendo sido apenas dimensionados os elementos estruturais sujeito a flexão composta – pilares, núcleo e lajes pré-esforçadas, e vigas sujeitas a flexão simples.

Para tal, foi desenvolvido um programa de pós-processamento que permite a verificação de secções rectangulares simetricamente armadas à flexão bi-composta e a verificação de secções em “H” ou “T” à flexão composta.

O objectivo do documento desenvolvido consiste assim na aplicação da plataforma de conhecimentos teóricos adquirida ao longo do curso na actividade prática do projecto de estruturas.

Uma vez que a realidade da actividade do projecto de estruturas actual é baseado na aplicação de ferramentas de processo automático de dados, foi naturalmente utilizado um programa tridimensional de elementos finitos na modelação do edifico. No entanto, foram igualmente utilizados métodos tradicionais ao longo do processo, nomeadamente na fase de pré-dimensionamento, na validação do modelo e na avaliação crítica dos resultados.

Os Critérios Gerais de Dimensionamento considerados, com base na regulamentação em vigor em Portugal – RSA, REBAP e Eurocódigos, bem como as Hipóteses de Cálculo consideradas na verificação aos estados limites últimos e estados limites de serviço dos elementos estruturais são detalhadamente enunciados ao longo do trabalho.

Os desenhos de betão armado e pré-esforço dos elementos estruturais dimensionados, bem como os desenhos de dimensionamento do edifício encontram-se em Anexo.

Palavras-chave: Projecto de Estruturas; Flexão Composta; Pré-Dimensionamento; Modelação; Análise Sísmica; Dimensionamento.

iii

STRUCTURAL DESIGN OF A BUILDING

ABSTRACT

The aim of this work is to present the different phases of a building’s structural design, from its initial conception through to final design. Thus, the Structural’s Design Solution, Pre-Design, Seismic Analysis and Design phases are covered throughout the process, having only been designed structural elements subject to compound bending – columns, core and pre-stressed slabs, and beams subject to simple bending.

For this, a post-processing program that verifies the safety of rectangular cross-sections with symmetrical rebar subject to compound bending in both directions and also “H” or “T” cross-sections subject to compound bending in one direction was developed.

Given this, the purpose of the developed document consists on the application of the theoretical knowledge platform obtained over the course on the practice activity of structural design.

Once, nowadays, structural design is based on the current use of automatic data processing applications, a three-dimensional finite elements program was used in its development. However, traditional methods were also used throughout the process, particularly at the pre-designing phase, in model validation and critical assessment of results.

Design General Criterias, based on Portuguese regulation in use – RSA, REBAP and Eurocodes, as well as the Calculation Assumptions considered in structural elements Ultimate Limit States and Serviceability Limit States verification are set out in detail throughout the document.

Detailed reinforced concrete and pre-stress design drawings of the designed structural elements, as well the building’s general design, can be the found in Appendix.

Keywords: Structural Design; Compound Bending; Pre-Design; Modeling; Seismic Analysis; Design.

v

ÍNDICE

1 INTRODUÇÃO

1

1.1 BASES ARQUITECTÓNICAS

2

1.2 ORGANIZAÇÃO

3

2 SOLUÇÃO ESTRUTURAL

5

3 CRITÉRIOS GERAIS DE DIMENSIONAMENTO

11

3.1 SEGURANÇA ESTRUTURAL – REGULAMENTAÇÃO

11

3.2 VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA EM RELAÇÃO AOS ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS

11

3.3 VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA EM RELAÇÃO AOS ESTADOS LIMITES EM SERVIÇO

14

3.4 ACÇÕES

17

3.5 COMBINAÇÕES DE ACÇÕES

26

3.6 MATERIAIS E RECOBRIMENTO

27

3.7 CAPACIDADE RESISTENTE DO SOLO

28

4 P-DIMENSIONAMENTO

29

4.1 LAJES

29

4.2 VIGAS

33

4.3 PILARES

36

4.4 FUNDAÇÕES

39

4.5 MUROS DE SUPORTE

40

4.6 ESCADAS

42

5 MODELAÇÃO DA ESTRUTURA

43

5.1 GEOMETRIA

44

5.2 ELEMENTOS ESTRUTURAIS

45

5.3 CONDIÇÕES DE FUNDAÇÃO

49

5.4 ACÇÕES

49

5.5 PORMENORES DE APLICAÇÃO

51

5.6 VALIDAÇÃO DO MODELO

52

6 ANÁLISE SÍSMICA

55

6.1 COMENTÁRIOS AO COMPORTAMENTO SÍSMICO DO EDIFÍCIO EM ESTUDO

55

6.2 FREQUÊNCIAS, FACTORES DE PARTICIPAÇÃO DE MASSA E MODOS DE VIBRAÇÃO

57

6.3 COEFICIENTE SÍSMICO

62

7 HIPÓTESES DE CÁLCULO PARA A VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA

63

7.1 VERIFICAÇÃO AOS ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS

63

7.2 VERIFICAÇÃO AOS ESTADOS LIMITES EM SERVIÇO

79

vii

8

ANÁLISE DE ESFORÇOS E VERIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS ESTRUTURAIS

81

8.1 VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA DE ELEMENTOS P-ESFORÇADOS

82

8.2 VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA DE LAJES

93

8.3 VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA DE VIGAS

98

8.4 VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA DE PILARES

102

8.5 VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA DO NÚCLEO

104

9

CONCLUSÃO

105

BIBLIOGRAFIA

107

viii

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1.1 – Modelo tridimensional desenvolvido

Figura 2.1 – Representação esquemática dos eixos de pilares no edifício na planta de

1

arquitectura do piso 0

6

Figura 2.2 – Pilar PB4

6

Figura 2.3 – Pilar PC4

6

Figura 2.4 – Pilar PD4

6

Figura 2.5 – Geometria das lajes nervuradas de blocos de cofragem recuperável aligeiradas

 

7

Figura 2.6 – Perspectiva 3d de um capitel numa laje aligeirada de cocos

8

Figura 3.1 – Limitação das extensões numa secção

11

Figura 3.2 – Diagrama de tensão-deformação (parabóla-rectângulo) para o betão à

compressão

12

Figura 3.3 – Diagrama de tensão-deformação para o aço à tracção e compressão

12

Figura 3.4 – Restantes cargas permanentes no piso 0

20

Figura 3.5 – Restantes cargas permanentes no piso 1

20

Figura 3.6 – Restantes cargas permanentes no piso 2

20

Figura 3.7 – Restantes cargas permanentes na cobertura

20

Figura 3.8 – Numeração das paredes exteriores do piso 0

21

Figura 3.9 – Numeração das paredes exteriores do piso 1

21

Figura 3.10 – Numeração das paredes exteriores do piso 2

21

Figura 3.11 – Sobrecargas no piso 0

22

Figura 3.12 – Sobrecargas no piso 1

22

Figura 3.13 – Sobrecargas no piso 2

22

Figura 3.14 – Sobrecargas na cobertura

22

Figura 3.15 – Deformadas das estruturas tipo Parede e tipo Pórtico

23

Figura 4.1 – Vão condicionante de pré-dimensionamento da laje

29

Figura 4.2 – Cálculo de momentos na laje considerando um comportamento de flexão

30

Figura 4.3 – Cálculo de momentos na laje considerando um comportamento de flexão

cilíndrica

cilíndrica e uma espessura de 0.40m

30

Figura 4.4 – Deformada do piso 0

31

Figura 4.5 – Deformada do piso 1

31

Figura 4.6 – Deformada do piso 2

31

ix

Figura 4.7 – Cálculo de momentos na laje considerando um comportamento de flexão

cilíndrica

32

Figura 4.8 – Deformada da laje de cobertura com uma espessura de 0.40m

32

Figura 4.9 – Numeração das vigas do piso 1

33

Figura 4.10 – Numeração das vigas da cobertura

33

Figura 4.11 – Áreas de influência das vigas do piso 1

34

Figura 4.12 – Áreas de influência das vigas da cobertura

34

Figura 4.13 – Compatibilização dos momentos negativos

35

Figura 4.14 – Áreas de influência dos diferentes posicionamentos dos pilares

36

Figura 4.15 – Áreas de influência do piso 0

37

Figura 4.16 – Áreas de influência do piso 1

37

Figura 4.17 – Áreas de influência do piso 2

37

Figura 4.18 – Áreas de influência da cobertura do nível inferior

37

Figura 4.19 – Áreas de influência da cobertura do nível superior

37

Figura 4.20 – Dimensões de uma sapata

39

Figura 4.21 – Modelos em consola e encastrado-apoiado (para semi-encastrado) para pré-

dimensionamento dos muros

40

Figura 4.22 – Modelos bi-apoiado para pré-dimensionamento da laje das escadas

42

Figura 4.23 – Cálculo de momentos na laje da escada considerando um modelo bi-apoiado

 

42

Figura 5.1 – Modelo tridimensional de elementos finitos

43

Figura 5.2 – Diferentes orientações dos elementos visíveis ao nível do piso 1 44

Figura 5.3 – Malha Global vista em planta

44

Figura 5.4 – Malha a 17 Graus vista em planta

44

Figura 5.5 – Malha de coordenadas cilíndricas para definição do muro na zona da garagem

 

45

Figura 5.6 – Elemento de barra com os nós de extremidade evidenciados a verde

45

Figura 5.7 – Elemento de casca com os nós de extremidade evidenciados a verde

46

Figura 5.8 – Discretização da laje aligeirada do piso 0 com os capitéis e maciçamentos a

verde-escuro

46

Figura 5.9 – Geometria do núcleo em planta

47

Figura 5.10 – Elementos de barra rígidos ao nível dos pisos

48

Figura 5.11 – Cargas em “faca” referentes ao pré-esforço na laje de cobertura

48

Figura 5.12 - Cargas nodais referentes ao pré-esforço na laje de cobertura

48

Figura 5.13 – Cargas em “faca” na direcção perpendicular referentes ao pré-esforço no piso

0

49

x

Figura 5.14 – Aplicação das cargas referentes ao peso próprio das escadas ao nível dos

50

Figura 5.15 – Cargas referentes às paredes de alvenaria exteriores aplicadas no piso 1 50

Figura 5.16 – Distribuição dos impulsos do terreno no muro

Figura 5.17 – Tirantes axialmente rígidos a ligar a viga na laje de cobertura superior à laje de

52

Figura 5.18 – Diagrama de momento na direcção 2-2 da laje de cobertura para a

53

Figura 5.19 – Deformada do piso 1 referente à sobrecarga de cobertura 54 Figura 6.1 – Enquadramento tectónico de Portugal continental. As placas tectónicas

55

combinação ELU1

cobertura inferior

pisos 0 e 1

51

indicadas são: NA (Norte Americana), EU (Euro-asiática) e AF (Africana)

Figura 6.2 – Diferentes alinhamentos de pilares orientados segundo as quatro direcções

principais de inércia

57

Figura 6.3 – Frequência de diferentes tipos de estruturas

58

Figura 6.4 – Modelo encastrado ao nível do piso 0

60

Figura 6.5 – Primeiro modo de vibração visto em planta 3d

60

Figura 6.6 – Primeiro modo de vibração visto em perspectiva 3d

60

Figura 6.7 – Segundo modo de vibração visto em planta 3d

61

Figura 6.8 – Segundo modo de vibração visto em perspectiva 3d

61

Figura 6.9 – Terceiro modo de vibração visto em planta 3d

61

Figura 6.10 – Terceiro modo de vibração visto em perspectiva 3d

61

Figura 7.1 – Simplificação do método do diagrama rectangular

64

Figura 7.2 – Diagrama de tensões na secção e posição da Linha Neutra (LN)

64

Figura 7.3 – Posição da LN para 3.5‰ e para 10‰ 65

Figura 7.4 – Posição da LN para 3.5‰ e para

65

Figura 7.5 – Extensões admissíveis para o betão e para o aço

66

Figura 7.6 – Extensões limites para o betão e para o aço

67

Figura 7.7 – Diagrama de extensões e forças numa secção de betão armado sujeita a flexão

composta

68

Figura 7.8 – Limite de esforço axial favorável/desfavorável

68

Figura 7.9 – Folha de introdução de dados e navegação do programa

69

Figura 7.10 – Diagramas de extensões e tensões no betão e no aço para o caso de rotura

45

72

Figura 7.11 – Flexão desviada

75

Figura 7.12 – Modelo de verificação aos estados limites últimos de punçoamento em corte e

em planta

77

Figura 7.13 – Traçados de perímetro básico de controlo para diferentes secções

77

xi

Figura 7.14 – Traçados de perímetro básico de controlo para secções junto às extremidades

78

Figura 8.1 – Lajes pré-esforçadas aplicadas num edifício em Hong Kong sem pilares

82

Figura 8.2 – Livros sobre actuação de forças horizontais de compressão 83 Figura 8.3 – Cargas verticais ascendentes provocadas por um traçado parabólico pré-

interiores

esforçado numa laje bi-apoiada

83

Figura 8.4 – Tipos de aplicação de pré-esforço

83

Figura 8.5 – Aplicação de pré-esforço pré-tensionado com libertação das ancoragens depois

84

Figura 8.6 – Bainhas de pré-esforço instalados antes da betonagem 84

da cura do betão

Figura 8.7 – Fio

86

Figura 8.8 – Conjunto de 7 fios (cordão)

86

Figura 8.9 – Cordão embainhado

86

Figura 8.10 – Estrutura da ancoragem de um monostrand

86

Figura 8.11 – Dimensões das ancoragens

86

Figura 8.12 – Afastamentos mínimos de ancoragens

86

Figura 8.13 – Distribuição dos cordões de pré-esforço no piso 0

87

Figura 8.14 – Distribuição dos cordões de pré-esforço no piso 1

87

Figura 8.15 – Distribuição dos cordões de pré-esforço no piso 2

87

Figura 8.16 – Traçado esquemático do cabo de pré-esforço sem continuidade, com as

cargas de puxe a verde e as correspondente cargas nodais equivalentes a azul 88 Figura 8.17 – Traçado esquemático do cabo de pré-esforço com continuidade, com as cargas de puxe a verde e as correspondente cargas nodais equivalentes a azul 88

88

Figura 8.18 – Excentricidades do cabo de

Figura 8.19 – Distribuição dos cabos de pré-esforço na laje de cobertura 90

Figura 8.20 – Traçado esquemático do cabo de pré-esforço da cobertura, com as cargas de

puxe a verde e as correspondente cargas nodais e distribuída equivalentes a azul

90

Figura 8.21 – Deformada do piso 0 com pré-esforço

91

Figura 8.22 – Deformada do piso 1 com pré-esforço

91

Figura 8.23 – Deformada do piso 2 com pré-esforço

91

Figura 8.24 – Deformada do piso 1 com pré-esforço e laje de 0.50m

92

Figura 8.25 – Deformada do piso 2 com pré-esforço e laje de 0.50m

92

Figura 8.26 – Deformada da laje de cobertura com pré-esforço

92

Figura 8.27 – Localização das lajes a pormenorizar. A azul, a laje do piso 2, com as zonas maciçadas e capitéis a azul escuro e as extremidades em consola a amarelo. A cor de

93

laranja, apresentam-se as lajes de cobertura

xii

Figura 8.28 – Secção considerada no cálculo da laje maciça de 0.50m

94

Figura 8.29 – Secção equivalente considerada no cálculo da laje nervurada a azul, com o

valor de b m obtido da tabela x.x, correspondente a 208mm

95

Figura 8.30 – Diferentes tipos de secções com diferentes solicitações

97

Figura 8.31 – Localização das vigas analisadas. Vigas V1.15 e V1.16 a azul, vigas DC.1 à

98

Figura 8.32 – Localização dos pilares analisados. Pilar PC4 a cor de laranja, pilar PD3 a

DC.3 e VC.6 a verde e viga VC.5 a cor de laranja

verde, pilar PE2 a encarnado, pilar PE4 a roxo e pilar PR6 a amarelo

102

Figura 8.33 – Secção equivalente do núcleo na direcção do momento indicado (M33)

104

Figura 8.34 – Secção do núcleo

104

Figura 8.35 – Secção equivalente do núcleo na direcção do momento indicado (M22)

104

xiii

ÍNDICE DE TABELAS

8

Tabela 3.1 – Cargas distribuídas por metro quadrado nas lajes respeitantes às paredes

Tabela 2.1 – Características das lajes nervuradas de blocos de cofragem recuperável

interiores

20

Tabela 4.1 – Pré-dimensionamento das vigas do piso 1

33

Tabela 4.2 – Pré-dimensionamento das vigas da cobertura

33

Tabela 4.3 – Resultados do pré-dimensionamento das vigas

35

Tabela 6.1 – Períodos, Frequências e Factores de Participação Modal

58

Tabela 6.2 – Coeficientes sísmicos para as diferentes acções sísmicas e direcções

62

xv

ÍNDICE DE QUADROS

Quadro 3.1 – Quadro VIII do REBAP

15

Quadro 3.2 – Quadro IX do REBAP

16

Quadro 3.3 – Esforços em estruturas isostáticas e hiperstáticas

18

Quadro 3.4 – Quadro I do relatório do estudo geológico-geotécnico

28

xvii

ÍNDICE DE GRÁFICOS

Gráfico 3.1 – Deformada em altura do pilar P4D

24

Gráfico 3.2 – Espectros de Resposta considerados

25

Gráfico 6.1 – Percentagem de participação modal por modo e acumulada

59

Gráfico 6.2 – Períodos e frequências por modo

59

Gráfico 7.1 – Layout de apresentação de resultados do programa

74

xix

LISTA DE ABREVIAÇÕES

LETRAS MAIÚSCULAS LATINAS

A

,

Área

Área da secção transversal de betão

Área da secção de uma armadura para betão armado

Área da secção mínima de armaduras

Cargas permanentes

Combinação quase permanente

Módulo de elasticidade do terreno

Eurocódigo

Módulo de elasticidade do betão

Módulo de elasticidade secante do betão

Esforço actuante de dimensionamento

Estados limites em serviço

Estados limites últimos

Valor de cálculo do módulo de elasticidade do aço de uma armadura de pré-esforço

Valor de cálculo do módulo de elasticidade do aço de uma armadura para betão armado

Força no betão

Força nas armaduras

Valor médio de uma acção permanente

Momento de Inércia

Comprimento; Vão

Momento flector

Valor de cálculo do momento flector resistente

Valor de cálculo do momento flector actuante

Esforço normal

Valor de cálculo do esforço normal resistente

xxi

Valor de cálculo do esforço normal actuante

Número de pancadas SPT

Pré-esforço

Valor do pré-esforço na extremidade activa da armadura de pré-esforço, imediatamente após a aplicação do pré-esforço

Valor do pré-esforço na extremidade activa da armadura de pré-esforço, a longo prazo

Peso Próprio

Valor característico de uma acção variável

Esforço resistente de dimensionamento

Restante carga permanente

Regulamento de estruturas de betão armado e pré-esforçado

Regulamento de segurança e acções para estruturas de edifícios e pontes

Sobrecarga

=

Volume

Esforço transverso

Valor de cálculo do esforço transverso resistente

Valor de cálculo do esforço transverso actuante

LETRAS MINÚSCULAS LATINAS

c

Largura total de uma secção transversal

Largura da alma da viga em T

Coesão efectiva

Altura útil de uma secção transversal

Excentricidade

Tensão de cedência do betão à compressão

Valor de cálculo da tensão de cedência do betão à compressão

Valor característico da tensão de cedência do betão à compressão aos 28 dias de idade

xxii

,

Valor médio da tensão de cedência do betão à compressão

Valor característico da tensão de cedência do betão à tracção simples

Valor médio da tensão de cedência do betão à tracção simples

Tensão de cedência do aço para armaduras de pré-esforço

Valor característico da tensão de cedência do aço para armaduras de pré-esforço

Tensão limite convencional de proporcionalidade a 0,1% à tracção do aço das armaduras de pré-esforço

Tensão de cedência do aço para armaduras de betão armado

Valor de cálculo da tensão de cedência do aço para armaduras de betão armado

Valor característico da tensão de cedência do aço para armaduras de betão armado

Tensão de rotura de cálculo do aço

Altura

Comprimento; Vão

Raio

Espaçamento de varões

Abertura de fendas

LETRAS MINÚSCULAS GREGAS

Coeficiente de sismicidade

Peso volúmico

Coeficiente de segurança para acções permanentes

Coeficiente de segurança para acções variáveis

Extensão do betão à compressão

Extensão do betão à compressão correspondente à tensão máxima

Extensão última do betão à compressão

Extensão do aço da armadura para betão armado ou de pré-esforço correspondente à tensão máxima

Valor característico da extensão do aço da armadura ou de pré-esforço na carga máxima

xxiii

Coeficiente de comportamento

Ângulo

Tensão de cedência

Coeficiente de poisson

Ângulo de atrito

1

INTRODUÇÃO

A presente tese apresenta o desenvolvimento do projecto de estruturas de um edifício destinado a utilização pública. Tendo por base um projecto de arquitectura, o objectivo do trabalho consiste em criar uma solução estrutural que garanta a segurança do edifício em relação às acções regulamentares.

Uma vez que neste trabalho se encontram aplicados os conhecimentos teóricos adquiridos ao longo do curso de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico, revela-se um objectivo do mesmo a compreensão da aplicabilidade dessa plataforma de conhecimentos à actividade prática do projecto de estruturas. Esses fundamentos são explicados ao longo do processo, seguidos da sua aplicação prática de cálculo.

Pretende-se então nesta dissertação percorrer as fases por que passa o projecto de estruturas de um edifício, desde a definição da solução estrutural e fase de pré-dimensionamento até à fase final de dimensionamento, onde é também avaliado o comportamento dinâmico da estrutura e efectuada a verificação aos estados limites últimos e de serviço.

Sendo um facto que os programas de cálculo automático constituem uma ferramenta de extrema utilidade para a análise de estruturas no panorama da engenharia de estruturas actual, foi naturalmente utilizado um programa tridimensional de elementos finitos – o SAP2000 – onde foi desenvolvido o modelo do edifício proposto, com a finalidade de analisar estática e dinamicamente o seu comportamento.

Relativamente ao objecto de estudo, este consiste num edifício de utilização colectiva cujas bases de projecto arquitectónico se encontram explicadas no seguinte subcapítulo. As plantas, cortes e alçados das bases de arquitectura encontram-se em Anexo nas Peças Desenhas de Arquitectura.

encontram-se em Anexo nas Peças Desenhas de Arquitectura. Figura 1.1 – Modelo tridimensional desenvolvido 1

Figura 1.1 – Modelo tridimensional desenvolvido

1

1.1

BASES ARQUITECTÓNICAS

O

edifício de estudo possui uma configuração arquitectónica bastante irregular, tanto em planta como

no

seu desenvolvimento em altura. Com uma área de implantação de aproximadamente 975m 2 , este

tem 39.50m na sua extensão máxima, sendo difícil cotar outras dimensões devido à irregularidade que o caracteriza. Apresentando 4 pisos, com diferentes desenvolvimentos em planta (sendo o piso 0 semi-enterrado e o piso -1 totalmente enterrado), a sua configuração em planta vai encurtando de

piso para piso, até que o último piso (piso 2) apresente uma área correspondente a 33% da área do piso -1.

O piso -1 é dedicado ao estacionamento de veículos ligeiros e ao economato geral, tendo uma

ligação ao piso superior por intermédio de escadas e elevador, aliás como se verifica em todos os pisos. A cota do limpo deste piso é constante e encontra-se a 59.00m. O acesso ao exterior é feito por uma rampa que sobe primeiro em curva e depois em linha recta até ao nível do piso 0.

Este último, correspondente ao piso de entrada do edifício, apresenta uma configuração semelhante

à do piso inferior. Neste encontram-se as salas de espera, dois gabinetes médicos, uma secretaria, salas polivalentes, uma cozinha com dispensa, um restaurante e ainda instalações sanitárias

masculinas, femininas e para deficientes. A cota de arquitectura encontra-se a 69.00m, à excepção

do pátio do lado Nordeste que está 15cm rebaixado. O canto do edifício da zona Sudoeste ao nível

deste piso está em consola, bem visível no alçado Sul de arquitectura. Por questões estruturais esta consola foi eliminada, ou seja o piso -1 foi prolongado em planta até à extremidade do piso 1.

Do piso 0 para o piso 1 começam as diferenças geométricas significativas. Exemplos destas alterações são o grande vazio na zona das escadas entre estes pisos e o recuo do edifício, dando lugar a dois terraços. Encontram-se também neste piso duas salas de reuniões, dois gabinetes, um auditório e instalações sanitárias à semelhança do piso inferior. A cota deste piso corresponde a 66.00m, à excepção do auditório. Neste, a cota varia linearmente desde a cota principal até à cota de 66.45m na parte traseira e apresenta um palco na parte frontal a esta mesma cota. O corte AB mostra claramente este desnível.

O piso 2 apresenta uma área descoberta sensivelmente semelhante à área coberta devido ao grande

recuo que apresenta. Neste existem 4 salas de formação à cota de 70.45m, sendo que a zona exterior se encontra a uma cota naturalmente inferior correspondente a 70.00m.

Finalmente, a cobertura do último piso apresenta duas cotas diferentes, uma à cota de 74.65m e outra 1.25m abaixo. Na cobertura mais alta existem quatro clarabóias.

O acesso entre pisos é feito por elevador e por intermédio de escadas, tanto interiores como

exteriores, ao nível de todos os pisos.

2

1.2

ORGANIZAÇÃO

No sentido de realizar um estudo faseado na procura dos objectivos propostos, a exposição do trabalho desenvolvido encontra-se divida em nove capítulos:

O presente capítulo apresenta uma introdução ao que se pretende desenvolver nesta dissertação

bem como os seus objectivos, sendo também feita uma breve explicação da arquitectura do edifício.

No capítulo 2 é descrita a concepção da solução estrutural do edifício, a par dos condicionalismos arquitectónicos que influenciaram a geometria estrutural. As dimensões e disposições dos elementos são descritas com pormenor, bem como as razões das suas escolhas.

O capítulo 3 enuncia os critérios gerais de segurança e a regulamentação considerada para a

verificação da segurança estrutural. A verificação aos estados limites últimos e estados limites em serviço é explicada em detalhe bem como as definições das acções em geral e as acções estáticas e dinâmicas consideradas no desenvolvimento do edifício. Os critérios utilizados na determinação das acções são minuciosamente explicados, bem como as razões porque algumas acções não são consideradas. Finalmente, são definidas as combinações de acções consideradas, bem como os materiais considerados.

Representando uma parte importante do trabalho, o capítulo 4 consiste no pré-dimensionamento dos elementos estruturais. São neste capítulo explicados os cálculos efectuados sem o recurso a programas de cálculo automático, que permitiram definir as dimensões dos diversos elementos.

Com o pré-dimensionamento efectuado, passou-se à modelação do edifício num programa tridimensional de elementos finitos. O capítulo 5 explica a forma como os diferentes elementos estruturais e as acções foram simulados de forma a criar um modelo de estudo cujas características ao nível da geometria, rigidez e capacidade de carga se aproximassem o mais possível da realidade.

No final deste capítulo são descritos os métodos simples utilizados na validação do modelo, através

da comparação entre os resultados obtidos do modelo e os valores esperados do cálculo manual.

Os comentários ao comportamento sísmico e modos de vibração da estrutura, bem como os cálculos das frequências e coeficiente sísmico são efectuados no capítulo 6.

O capítulo 7 apresenta os fundamentos de cálculos para a verificação aos estados limites últimos e

em serviço aplicados no capítulo 8. É ainda explicado o programa de pós-processamento desenvolvido em ambiente de programação VBA.

No capítulo 8 são analisados e dimensionados os elementos estruturais do edifício sujeitos a flexão composta (pilares, núcleo e lajes pré-esforçadas) e vigas sujeitas a flexão simples, através da verificação da sua segurança aos estados limites considerados.

Finalmente, no Capítulo 9, são apresentadas as principais conclusões deste estudo.

Em Anexo apresentam-se os resultados dos cálculos efectuados, as Peças Desenhadas com os desenhos de dimensionamento, betão armado e pré-esforço e ainda as bases do projecto de arquitectura.

3

2

SOLUÇÃO ESTRUTURAL

O primeiro passo na concepção estrutural de um edifício consiste na criação de uma solução estrutural que, atendendo à sua arquitectura, permita garantir a segurança deste quando solicitado pelas acções consideradas no seu dimensionamento. Consiste, portanto, na escolha da localização, dimensão e disposição dos diferentes elementos estruturais.

Nesta fase do projecto, o factor mais condicionante é de facto a geometria do edifício, aliada à arquitectura, que condiciona em muito a malha de pilares. Estes factores limitam a liberdade de escolha do posicionamento dos pilares, vigas e lajes, bem como as suas dimensões.

No entanto, a função do engenheiro só é cumprida ao conceber, projectar e construir uma construção com qualidade e economia. Desta forma, compete ao engenheiro de estruturas conceber uma solução que cumpra, na medida do possível, as exigências de arquitectura, a segurança do edifício, o conforto da sua utilização e um correcto funcionamento do mesmo. Todas essas condições devem ser cumpridas respeitando um valor global da obra economicamente competitivo, sendo este, um dos factores mais importantes na concepção duma estrutura. No caso de um concurso público este corresponde, na maioria dos casos, ao agente mais condicionante na avaliação das propostas, pelo que uma concepção que cumpra os requisitos anteriormente apresentados, sem no entanto constituir uma solução economicamente competitiva corre o risco de se tornar inviável.

Posto isto, foi criada uma solução estrutural para o edifício de estudo que atendesse a todos estes condicionalismos. Globalmente foi conseguido manter a arquitectura original sem grandes alterações. No entanto, foram feitas algumas alterações que consistiram essencialmente numa alteração da geometria ao nível do piso -1 e no aumento de pilares que ficaram ligeiramente de fora das paredes. A explicação destas alterações é descrita adiante neste capítulo. Os desenhos da estrutura encontram-se em Anexo nas Peças Desenhas de Estabilidade.

Relativamente ao objecto de estudo, este consiste num edifício cuja arquitectura condiciona de uma forma bastante limitativa a configuração estrutural. Os grandes espaços abertos que o caracterizam tornam impossível a colocação de pilares. No entanto, é sugerido pela arquitectura o posicionamento de alguns pilares que se encontram nesses espaços abertos. Esta sugestão foi naturalmente considerada, uma vez que esses mesmos vãos requerem o máximo de pilares possíveis.

Em relação aos restantes pilares tentou-se criar uma malha o mais regular possível, tentando encontrar alinhamentos paralelos e perpendiculares onde fosse possível “encaixar” a malha de pilares. Conseguiu-se, assim, encontrar 3 alinhamentos (eixos 2, 4 e 5 da figura 2.1) que constituem a base funcional da estrutura, com eixos na sua perpendicular e outros alinhamentos numa direcção enviesada condicionados pela geometria do edifício.

5

Figura 2.1 – Representação esquemática dos eixos de pilares no edifício na planta de arquitectura

Figura 2.1 – Representação esquemática dos eixos de pilares no edifício na planta de arquitectura do piso 0

Os pilares do eixo 2 encontram-se alinhados com a direcção da parede. Seria preferível que se encontrassem na direcção perpendicular, contudo o auditório do piso 1 e as salas polivalentes com paredes amovíveis do piso 0 tornaram essa solução inviável. Estes pilares apresentam na sua maioria dimensões de 0.35x0.70m 2 , sendo que os pilares de extremidade têm dimensões de 0.30x0.35m 2 e 0.35x0.35m 2 .

Entre os eixos 2 e 4 apenas foi possível posicionar um pilar. Este encontra-se no eixo D e apresenta uma dimensão maior de 0.35x1.25m 2 , por ter uma grande área de influência. Ao longo do eixo 3 (ver desenhos de dimensionamento em Anexo) seria conceptualmente favorável a existência dum alinhamento de pilares, no entanto, o espaço livre necessário para o auditório e a sala polivalente (entre os eixos D e G) impossibilitaram uma vez mais essa solução.

No eixo 4 existe pouco espaço para a colocação dos pilares, pelo que existem três (PB4, PC4 e PE4) que excedem ligeiramente o espaço concedido pela arquitectura. Os pilares adoptados ficam ligeiramente de fora das paredes pelo que, nestes casos, a arquitectura deve ser repensada em conformidade com a solução estrutural.

ser repensada em conformidade com a solução estrutural. Figura 2.2 – Pilar PB4 Figura 2.3 –

Figura 2.2 – Pilar PB4

em conformidade com a solução estrutural. Figura 2.2 – Pilar PB4 Figura 2.3 – Pilar PC4

Figura 2.3 – Pilar PC4

6

em conformidade com a solução estrutural. Figura 2.2 – Pilar PB4 Figura 2.3 – Pilar PC4

Figura 2.4 – Pilar PD4

De forma a tentar ser o menos i nvasivo possível, os pilares deste alinhamento a presentam diferentes secções. Estas variam dos 0.35x 0.35m 2 (PA4) aos 0.45x0.80m 2 (PC4). Em relaç ão aos pilares que se prolongam até à cobertura, este s apresentam uma diminuição da secção a par tir do piso 2, ficando todos com uma dimensão de 0. 35m na direcção perpendicular à parede. Aind a neste alinhamento,

necessário ao apoio

da cobertura que não poderia ex istir no piso -1, pois cortava a entrada dos veícul os.

nasce um pilar com 0.35x0.70m 2 no piso 0 (pilar PG4). É um pilar extremamente

Os pilares do eixo 5 apresentam também limitações de espaço e dimensão, que r por se encontrarem

“morrerem” no piso 2

não implica dimensões tão gran des como os restantes, estes encontram-se alinh ados com a direcção

da parede e apresentam dimens ões que variam dos 0.35x0.35m 2 aos 0.35x0.55m 2 .

no meio de salas quer por estar em entre envidraçados. No entanto, o facto de

Relativamente ao eixo 6, este c orresponde a um alinhamento de pilares que m orrem logo no piso 1, pelo que também não necessita m de grandes dimensões. Estes apresentam a ssim dimensões que variam entre os 0.35x0.35m 2 aos 0.35x0.45m 2 .

O eixo 7 apresentava de arqui tectura 3 pilares circulares à vista. Estes fora m mantidos com as

dimensões que apresentavam d e arquitectura – 0.35m de diâmetro.

O facto de o edifício mudar de o rientação em altura interfere na geometria dos pilares de canto. Por

esta razão, os pilares PI5 e PR 7 na transição do piso 0 para o piso 1 apresen tam uma rotação em relação ao seu eixo.

A toda a volta do piso -1 existe u m muro de suporte com 0.20m de espessura –

Nordeste sobe até ao piso 0. E xiste ainda o muro M1 com uma espessura qu e varia de 0.45m na base até 0.20m no topo. Este m uro encontra-se na parte exterior da rampa e no l ado Nor-Noroeste do edifício, com uma altura de, sens ivelmente, 7 metros.

muro M2, que no lado

Os grandes vãos (na ordem dos 10m) apresentados na concepção arquitectónic a, tornaram a solução

numa solução deste

tipo implicavam lajes de espess ura incomportáveis tanto a nível arquitectónico c omo económico, pelo

de laje aligeirada de cocos pré-esforçada co m capitéis e bandas

maciçadas. Com este tipo de so lução obtém-se um melhor comportamento ao n ível das deformações com uma redução significativam ente da quantidade de betão na laje (economica mente favorável).

que se adoptou uma solução

tradicional de laje maciça, uma s olução pouco eficaz. As deformações traduzidas

Consideram-se assim, lajes ner vuradas de blocos de cofragem recuperável, cuj as características se

apresentam abaixo. Optou-se

dimensionamento ditado uma al tura total de H=400mm para a laje do piso 0 e d e H=500mm para as lajes dos pisos 1 e 2.

800mm, tendo o

pela

solução

com

nervuras

afastadas

de

e 2. 800mm, tendo o pela solução com nervuras afastadas de Figura 2.5 – Geometria d

Figura 2.5 – Geometria d as lajes nervuradas de blocos de cofragem recuperáv el aligeiradas

7

 

Módulo de

 

Altura

Espessura

Altura

Largura

Área da

Distância ao C.G. da

 

Flexão

Peso

do

Média da

   

Inércia

 

da Lâmina

Total

Secção

   

Próprio

molde

Nervura

Face

Face

Superior

Inferior

 

Superior

Inferior

 

[mm]

[mm]

[mm]

[mm]

[cm 2 ]

[mm]

[mm]

[cm 4 ]

[cm 3 ]

[cm 3 ]

kN/m 2

 

50

350

182

918

115

235

96048

8352

4087

4.3

300

75

375

186

1118

117

258

122897

10504

4763

4.9

100

400

190

1318

123

277

151574

12323

5472

5.55

 

50

450

200

1162

156

294

203062

13017

6907

5.6

400

75

475

204

1362

157

318

251824

16040

7919

6.25

100

500

208

1562

160

340

301779

18861

8876

6.85

hm

hs

H

bm

A

Vs

Vi

Inércia

Ws

Wi

pp

Tabela 2.1 – Características das lajes nervuradas de blocos de cofragem recuperável

Na zona junto aos pilares existem capitéis, com o objectivo de aumentar a capacidade de resistência da laje ao esforço de corte elevado que se verifica nestes pontos (punçoamento) bem como aumentar

a resistência da laje nos pontos onde sejam passíveis de existir momentos negativos. Estes consistem simplesmente num maciçamento da laje na envolvente do pilar.

num maciçamento da laje na envolvente do pilar. Figura 2.6 – Perspectiva 3d de um capitel

Figura 2.6 – Perspectiva 3d de um capitel numa laje aligeirada de cocos

Em toda a bordadura das lajes, existem bandas maciças, que à semelhança dos capitéis, consistem num maciçamento. Estas apresentam no mínimo a largura de um bloco de cofragem (0.80m). Na zona do auditório existe uma banda maciça com 3.30m e com um reforço de pré-esforço.

Nas zonas descobertas do piso 1 (cobertura do piso 0), por terem menores cargas e menores vãos, adoptaram-se lajes maciças com 0.30m e 0.35m de espessura.

A laje de cobertura apresenta 2 níveis. O mais alto, com um vão de 10.40m e 4 clarabóias, consiste

numa laje maciça vigada e pré-esforçada com 0.35m de espessura. A laje de cobertura que se encontra a um nível inferior é fungiforme (por questões estéticas) e tem 0.25m de espessura. A ligar

estas lajes de cobertura existe uma viga dobra com 0.35x1.27m 2 de secção.

As consolas do piso 2 têm apenas uma função estética e apresentam uma espessura de 0.25m.

8

Em todas estas lajes maciças existem vigas de bordadura. As vigas apresentam uma largura de 0.35m, correspondente à largura tipo dos pilares. As suas alturas variam entre 0.60m e 1.00m.

No que diz respeito aos mono-cordões de pré-esforço, ao nível das lajes nervuradas, existem apenas 2 mono-cordões por nervura, uma vez que por questões de espaço não existe espaço para mais. Na banda maciçada existente no piso ,2 estes apresentam um afastamento de 200mm, enquanto que na cobertura o afastamento corresponde a 140mm.

O núcleo apresenta as dimensões apresentadas pela arquitectura. Tem uma espessura de 22.5cm e

2.45m numa direcção e 2.175m na outra.

Ao nível das fundações, os pilares interiores descarregam em sapatas isoladas, à excepção daqueles que devido à sua proximidade apresentam sapatas contínuas. Estas apresentam diferentes dimensões que variam dos 1.85m aos 3.3m e encontram-se enterradas 0.50m. Relativamente à sapata do núcleo, esta apresenta uma depressão devido ao fosso do elevador. As suas dimensões são de 4.00x3.70m 2 com uma espessura de 0.90m. Na parte envolta do fosso apresenta uma sobreespessura de 0.50m.

A sapata do muro M2 apresenta uma largura de 1.80m com 0.50m de altura, com excepção da parte

da sapata do lado Nor-Nordeste que, por questões de limitação de terreno, se encontra excêntrica e da parte junto ao muro M1, sendo que, no primeiro caso, a sua largura corresponde a 2.00m. A sapata do muro M3 apresenta-se, pelas mesmas razões, igualmente excêntrica. Esta apresenta uma largura de 2.50m e uma altura de 0.8m. A sapata do muro M2 encontra-se enterrada 0.50m, enquanto que a sapata do muro M3 se encontra a uma profundidade de 1.00m.

Relativamente à sapata do muro M1, uma vez que esta também tem que ser excêntrica e apresenta um impulso de terras considerável, a sapata deste muro foi ligada à sapata do muro M2, de maneira a conseguir garantir a verificação da segurança ao deslizamento e derrubamento do muro M1.

O pavimento térreo do piso -1 apresenta uma espessura de 0.20m.

9

3

CRITÉRIOS GERAIS DE DIMENSIONAMENTO

3.1 SEGURANÇA ESTRUTURAL – REGULAMENTAÇÃO

Na análise e dimensionamento da estrutura adoptaram-se os critérios de verificação de segurança aos Estados Limites Últimos e em Serviço preconizados na regulamentação portuguesa e europeia de estruturas, nomeadamente:

R.S.A. – Regulamento de Segurança e Acções em Estruturas de Edifícios e Pontes, 1983;

R.E.B.A.P. – Regulamento de Estruturas de Betão Armado e Pré-Esforçado, 1983;

EC2 – Eurocódigo 2: Projecto de Estruturas de Betão Armado, 2010;

EC7 – Eurocódigo 7: Projecto Geotécnico, 2010.

3.2 ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS

Os estados limites últimos (ELU) são aqueles relacionados ao colapso, ou a qualquer outra forma de ruptura estrutural, que determine a incapacidade do uso da estrutura. A sua verificação é feita segundo o princípio de que o esforço resistente de uma secção terá que ser maior que o esforço actuante de cálculo.

Os valores dos esforços actuantes de cálculo foram determinados a partir da combinação fundamental de acções, adoptando-se os coeficientes de segurança e os coeficientes de redução de ψ 0 , ψ 1 e ψ 2 das acções especificadas preconizados no RSA. No cálculo dos esforços resistentes das secções de betão armado adoptaram-se as hipóteses correntes de não consideração da resistência à tracção do betão, de conservação das secções planas após a deformação e de uma aderência perfeita entre o aço e o betão, ou seja não se admitem escorregamentos entre os materiais.

As extensões dos diagramas de cálculo do betão e das armaduras consideram-se limitados a:

Extensão de encurtamento do betão:

3.5 ‰

Extensão de alongamento das armaduras:

10.0 ‰

• Extensão de alongamento das armaduras: 10.0 ‰ Figura 3.1 – Limitação das extensões numa secção

Figura 3.1 – Limitação das extensões numa secção

11

Considerando que as tensões de tracção no betão são nulas, as tensões de compressão são definidas pelo diagrama de parábola-rectângulo, sendo este parabólico até uma extensão de (extensão para a tensão máxima de compressão – 2.0 ‰), e constante até à extensão de (extensão última do betão – 3.5 ‰). O gráfico é definido pelas equações seguintes:

1 1

0

(3.1)

(3.2)

Os valores de , , e são dados pelas tabelas 3.1 e do EC2, sendo 2.

, e são dados pelas tabelas 3.1 e do EC2, sendo 2 . Figura 3.2 –

Figura 3.2 – Diagrama de tensão-deformação (parabóla-rectângulo) para o betão à compressão

Relativamente ao aço, o EC2 preconiza o seguinte diagrama de tensão-deformação (tanto para tracção como para compressão), com o módulo de elasticidade igual a 200 .

com o módulo de elasticidade igual a 200 . Figura 3.3 – Diagrama de tensão-deformação para

Figura 3.3 – Diagrama de tensão-deformação para o aço à tracção e compressão

Relativamente ao diagrama B, este pode apresentar dois andamentos:

12

Diagrama elasto-plástico sem limitação da extensão limite (linha horizontal);

Diagrama com endurecimento na fase plástica limitado a uma extensão limite 0.9 .

A segurança em relação aos estados limites últimos que não envolvem perda de equilíbrio ou fadiga, foi elaborada em termos de esforços com base na condição:

(3.3)

em que S d e R d designam respectivamente os valores de cálculo do esforço actuante e do esforço resistente.

Consideraram-se as seguintes combinações fundamentais preconizadas no RSA:

Em geral:

Ψ

No caso de a acção variável base ser a acção sísmica:

em que:

Ψ

(3.4)

(3.5)

S Gik – esforço resultante de acção permanente considerada com o seu valor característico;

S Q1k – esforço resultante da acção variável base tomada com o seu valor característico ( no caso da acção sísmica);

S Qjk – esforço resultante das restantes acções variáveis tomadas com os seus valores característicos.

Os coeficientes de segurança γ g e γ q considerados, respectivamente para acções permanentes e variáveis, foram os seguintes:

Peso próprio da estrutura:

Restantes cargas permanentes

Acções variáveis

γ g = 1.35 ou 1.00 (caso mais desfavorável)

γ g = 1.50 ou 1.00 (caso mais desfavorável)

γ q = 1.50 ou 0.00 (caso mais desfavorável)

13

3.3

ESTADOS LIMITES EM SERVIÇO

Os estados limites em serviço (ELS) são aqueles que correspondem à impossibilidade do uso normal de uma estrutura, estando relacionados com a durabilidade das estruturas, aparência, conforto do utilizador e a boa funcionalidade das mesmas, seja em relação aos utilizadores, seja aos equipamentos e máquinas existentes.

A sua verificação considera os seguintes estados limites:

Estado limite de muito curta duração – Combinação Rara;

Estado limite de curta duração – Combinação Frequente;

Estado limite de longa duração – Combinação Quase Permanente.

A combinação rara considera as acções permanentes quantificadas pelo seu valor médio ( ), a

acção variável base quantificada pelo seu valor raro ( ) e as restantes acções variáveis pelos seus

valores frequentes ( ).

A combinação frequente considera as acções permanentes quantificadas pelo seu valor médio ( ),

a acção variável base quantificada pelo seu valor frequente ( ) e as restantes acções variáveis pelos seus valores quase permanentes ( ).

A combinação quase permanente considera as acções permanentes quantificadas pelo seu valor médio ( ) e as acções variáveis quantificadas pelos seus valores quase permanentes ( ).

3.3.1 ESTADO LIMITE DE FENDILHAÇÃO

A fendilhação num elemento de betão armado ocorre quando é atingida a tensão de rotura de tracção

do betão, que se admitiu nula.

A consideração da fendilhação num determinado projecto está relacionada ao tipo de obra e à sua

finalidade. Assim, no caso de reservatórios, por exemplo, a formação de fendas de grandes aberturas pode comprometer seriamente a estanqueidade exigida para este tipo de estrutura. Para edifícios correntes, a fissuração excessiva do betão pode acarretar, além de problemas estéticos, problemas de deterioração da estrutura devido à corrosão da armadura.

É possível afirmar que fendilhação do betão armado é um fenómeno inevitável, visto que para impedi-

la, seria necessário adoptar secções de dimensões incomportáveis e financeiramente inviáveis. As

fendas devem ser controladas de forma a não comprometer a funcionalidade ou durabilidade das estruturas. Além disso, deve ter-se em conta o desconforto psicológico que fendas com aberturas excessivas causam aos utilizadores.

14

Diversas são as circunstâncias que podem acarretar a formação de fendas, podendo-se destacar entre elas:

Fendas causadas por solicitações devidas ao carregamento, causadas por acções directas de tracção, flexão ou corte, ocorrendo sempre na zona traccionada;

Fendas causadas por deformações impostas (acções indirectas), tais como retracção, variação de temperatura e assentamentos diferenciais.

O limite de abertura de fendas admissível depende da agressividade do ambiente e/ou do tipo de utilização da estrutura e da sensibilidade das armaduras. Relativamente a este último ponto, são consideradas como muito sensíveis as armaduras de pré-esforço e pouco sensíveis as armaduras ordinárias. No que diz respeito à agressividade do ambiente, são preconizados no RSA três diferentes tipos de ambientes:

Ambientes pouco agressivos – ambientes onde a humidade relativa é geralmente baixa e onde os agentes corrosivos são escassos (interior de edifícios);

Ambientes moderadamente agressivos – correspondem a ambientes interiores onde a presença de agentes corrosivos seja expectável ou a humidade relativa seja habitualmente elevada, ambiente exteriores sem concentrações especiais de agentes corrosivos, ou ainda águas e solos pouco agressivos;

Ambientes muito agressivos – ambientes com presença elevada de agentes corrosivos, líquidos agressivos (caso de uma ETAR), ou solos especialmente agressivos.

Em função do tipo de ambiente será então definido a abertura máxima de fendas admissível. Atingindo este valor máximo especificado, a durabilidade e bom funcionamento da peça de betão fica em causa. Segundo o artigo 68º do REBAP – QUADRO VIII, para o caso de armaduras ordinárias, o estado limite a considerar é o de largura de fendas. Desta forma, limitou-se a abertura de fendas a 0.3 para a combinação frequente, por se tratar de um ambiente pouco agressivo.

Ambiente

Combinações de Acções

Estado Limite

Pouco agressivo

Frequente

Largura de fendas, 0.3

Moderadamente agressivo

Frequente

Largura de fendas, 0.2

Muito agressivo

Rara

Largura de fendas, 0.1

Quadro 3.1 – Quadro VIII do REBAP

15

Relativamente a armaduras de pré-esforço, os estados limites a considerar são o de descompressão

e o de largura de fendas, seguindo as indicações do QUADRO IX no artigo 68º do REBAP. Desta

forma, por se tratar de um ambiente pouco agressivo, limitou-se a abertura de fendas a w = 0.2mm

para a combinação frequente e verificou-se a descompressão para a combinação quase permanente.

Ambiente

Combinações de acções

Estado limite

Pouco agressivo

Frequente

Largura de fendas, 0.2

Quase permanente

Descompressão

Moderadamente agressivo

Frequente

Largura de fendas, 0.1

Quase permanente

Descompressão

Muito agressivo

Rara

Largura de fendas, 0.1

Frequente

Descompressão

Quadro 3.2 – Quadro IX do REBAP

O artigo 11.2º do REBAP define a descompressão como o anulamento da tensão normal de

compressão devida ao pré-esforço e a outros esforços normais de compressão numa fibra especificada da secção, sendo em geral esta a fibra extrema que sem a consideração de pré-esforço ficaria mais traccionada (ou menos comprimida) por acção dos restantes esforços.

3.3.2 ESTADO LIMITE DE DEFORMAÇÃO

De forma análoga aos estados limites apresentados, estes correspondem aos estados onde as deformações dos elementos ultrapassam os limites máximos definidos e aceitáveis para a utilização normal da estrutura.

A deformação das estruturas deve ser controlada de maneira a não comprometer o bom

funcionamento da estrutura bem como de máquinas e equipamentos que nela possam existir. Os valores limites da deformação devem ser tais que não comprometam a integridade de elementos não estruturais, tais como paredes divisórias, envidraçados ou mesmo os revestimentos e acabamentos. Não deve ainda permitir a acumulação de águas pluviais ou outras (caso de lajes de cobertura) ou comprometer a estética da estrutura.

A deformação de um elemento de betão armado sujeito a esforços de tracção ou flexão deve ter em

consideração, para além das características de deformabilidade do betão e a existência de armaduras longitudinais, a fendilhação do betão e ainda o comportamento diferido em resultado da

fluência e retracção.

As deformações podem ser classificadas em:

Deformações que dependem do carregamento;

Deformações independentes do carregamento.

16

As primeiras correspondem a deformações causadas pelo carregamento imposto e com direcção definida. São classificadas em deformação instantânea e deformação a longo prazo, devido à fluência.

o

Deformação instantânea – deformação imediata que ocorre aquando da aplicação do carregamento e que pode ser inicialmente limitada por aplicação de contra-flechas;

o

Deformação a longo prazo – definida como o aumento de deformação sob tensão e exerce importante influência no valor da flecha total.

Aquelas que não se enquadram nas deformações que dependem do carregamento não têm direcção definida. São função da variação de volume causado por retracção e variação de temperatura.

A retracção é o fenómeno caracterizado pela redução gradual do volume do elemento de betão

causada por secagem, auto-dessecação e/ou carbonatação da massa de betão endurecida. O seu efeito numa peça de betão armado sob flexão, caracteriza-se pela contracção diferencial das faces do elemento, o que resulta em flechas. Esta contracção diferencial acontece devido ao facto de nas regiões onde há armadura, a contracção ser parcialmente impedida, provocando assim o bambeamento da peça, o que pode também acontecer por variações de temperatura. Neste caso, uma face do elemento expande mais do que a outra, por apresentar maior temperatura.

3.3.3 TENSÕES NAS FUNDAÇÕES

A verificação de tensões nas fundações foi realizada em termos de tensões para a combinação rara

de acções, com base na condição, em que e designam respectivamente os valores de

dimensionamento da tensão actuante e resistente:

3.4

ACÇÕES

(3.6)

Denomina-se acção a todo o agente capaz de produzir estados de tensão ou deformação num qualquer elemento estrutural. Entre outras, enunciam-se os pesos próprios, revestimentos, equipamentos, sobrecargas, cargas acidentais, vento, sismo, variação de temperatura, retracção, fluência, vibrações, influência do processo de construção, assentamentos de apoios ou impulsos de terreno e hidrostáticos.

A análise estrutural deve assim considerar a influência de todas as acções que possam produzir

tensões, esforços ou deformações significativas para a segurança da estrutura.

17

Em função da sua variabilidade no tempo e probabilidade de ocorrência, as acções podem ser classificadas em:

Acções Permanentes

Acções Variáveis

Acções Acidentais

As acções permanentes correspondem àquelas que ocorrem em praticamente toda a vida útil da estrutura (período durante o qual se prevê que uma estrutura ou parte da mesma possa ser utilizada para os efeitos a que se destina, com a manutenção prevista mas sem necessidade de grandes reparações), ou com pequenas variações. Estas são ainda divididas em acções directas e acções indirectas.

o

Acções permanentes directas – constituídas pela acção do peso próprio da estrutura, elementos construtivos fixos, elementos não estruturais, instalações e outros equipamentos e ainda impulsos do terreno ou de líquidos;

o

Acções permanentes indirectas – correspondem às deformações impostas por acção da retracção do betão, fluência, assentamentos de apoios, imperfeições geométricas, pré-tensionamento e pós-tensionamento.

Relativamente às acções indirectas, estas podem ou não causar esforços na estrutura, dependendo se esta é isostática ou hiperstática. As deformações impostas sem restrição à livre deformação não introduzem esforços nas estruturas, por sua vez as deformações impostas com restrição à livre deformação já introduzem esforços nas estruturas.

Tipo de Estrutura

Assentamento de Apoio

Variação de Temperatura

de Estrutura Assentamento de Apoio Variação de Temperatura Isostática A acção não causa esforços
de Estrutura Assentamento de Apoio Variação de Temperatura Isostática A acção não causa esforços

Isostática

A acção não causa esforços

Hiperstática

A acção causa esforços

A a c ç ã o c a u s a esforços Quadro 3.3 – Esforços
A a c ç ã o c a u s a esforços Quadro 3.3 – Esforços

Quadro 3.3 – Esforços em estruturas isostáticas e hiperstáticas

As acções variáveis são aquelas que variam de intensidade de forma significativa ao longo da vida útil da construção. São classificadas em directas, indirectas e dinâmicas.

18

o

Acções variáveis directas – correspondem ao tipo de acções provocadas pela utilização das estruturas por parte de pessoas ou veículos, considerando as acções inerentes ao seu exercício – aceleração e frenagem. O vento representa também uma acção deste tipo;

o

Acções variáveis indirectas – são causadas pelas variações da temperatura, podendo ser com variação uniforme e não uniforme de temperatura;

o

Acções variáveis dinâmicas – consistem nas acções provocadas por qualquer tipo de aceleração que provoque solicitações na estrutura, como é o caso do sismo. No entanto não só a acção dinâmica do sismo deve ser considerada. Quando a estrutura estiver sujeita a choques ou vibrações, os respectivos efeitos devem ser considerados na determinação das solicitações. No caso de vibrações, deve ser verificada a possibilidade de ressonância em relação à estrutura ou parte dela. Se existir possibilidade de fadiga, esta deve ser considerada no dimensionamento dos elementos.

Relativamente às acções acidentais, estas correspondem a acções de duração extremamente curta e com muito baixa probabilidade de ocorrência durante a vida útil da construção. Devem ser consideradas no projecto se os seus efeitos não puderem ser controlados por outros meios. São exemplos deste tipo de acção explosões, incêndios, choques de veículos, enchentes, etc. Este tipo de acção não foi considerara no dimensionamento da estrutura em estudo.

As acções permanentes e variáveis consideradas no edifício de estudo são quantificadas a partir dos valores que constam no RSA. Resumem-se, a seguir, as acções consideradas neste projecto:

3.4.1 ACÇÕES PERMANENTES

Peso volúmico do betão armado

= 25 kN/m 3

Peso volúmico do terreno

= 20 kN/m 3

Revestimento dos pisos

1.5 kN/m 2

Revestimento da cobertura

2.0 kN/m 2

Carga distribuída de paredes interiores – pisos 0 e 1

3.7 kN/m 2

Carga distribuída de paredes interiores – piso 2

3.2 kN/m 2

Carga linear de paredes exteriores

Variável entre 0 e 11.85 kN/m

19

A distribuição das cargas uniformemente distribuídas correspondentes às restantes cargas permanentes (revestimento e paredes interiores), encontra-se representada nas seguintes figuras:

interiores), encontra-se representada nas seguintes figuras: Figura 3.4 – Restantes cargas permanentes no piso 0 Figura

Figura 3.4 – Restantes cargas permanentes no piso 0

Figura 3.4 – Restantes cargas permanentes no piso 0 Figura 3.6 – Restantes cargas permanentes no

Figura 3.6 – Restantes cargas permanentes no piso 2

piso 0 Figura 3.6 – Restantes cargas permanentes no piso 2 Figura 3.5 – Restantes cargas

Figura 3.5 – Restantes cargas permanentes no piso 1

piso 2 Figura 3.5 – Restantes cargas permanentes no piso 1 Figura 3.7 – Restantes cargas

Figura 3.7 – Restantes cargas permanentes na cobertura

1 Figura 3.7 – Restantes cargas permanentes na cobertura 1.5 3.2 4.7 / 1.5 3.6 5.1

1.5 3.2 4.7 /

1.5 3.6 5.1 /

2.0 /

Conforme o artigo 15º do RSA, é possível assimilar uma carga uniformemente distribuída em todo o piso no caso de existir uma distribuição uniforme das paredes interiores. O cálculo desta carga e os valores considerados foram os seguintes:

30%

Espessura média das paredes [cm]

Peso da parede divisória [kN/m 2 ]

Altura média das paredes [m]

Carga distribuída no piso [kN/m 2 ]

(3.7)

Pisos 0 e 1

0.35

3.0

4

3.6

Piso 2

0.24

2.6

4.2

3.2

Tabela 3.1 – Cargas distribuídas por metro quadrado nas lajes respeitantes às paredes interiores

20

No caso das paredes exteriores foram calculadas, parede a parede, as áreas de parede de alvenaria, descontando as áreas de envidraçados. Estas cargas lineares foram determinadas considerando o peso próprio de uma parede com 35cm de espessura (3.0kN/m 2 ).

 

Parede

Carga Linear [kN/m]

Parede P1.0

9.41

Parede P2.0

10.80

Parede P3.0

9.63

Parede P4.0

10.80

Piso 0

Parede P5.0

10.80

Parede P6.0

5.92

Parede P7.0

7.01

Parede P8.0

10.80

Parede P9.0

8.38

 

Parede

Carga Linear [kN/m]

Parede P1.1

10.05

Parede P2.1

7.8

Parede P3.1

10.8

Piso 1

Parede P4.1

-

Parede P5.1

5.40

Parede P6.1

8.46

Parede P7.1

10.80

Parede P8.1

5.9

 

Parede

Carga Linear [kN/m]

Parede P1.2

9.86

Parede P2.2

11.25

Piso 2

Parede P3.2

11.85

Parede P4.2

-

Parede P5.2

-

Parede P6.2

11.85

3.4.1.1 Impulsos do Terreno

- Parede P6.2 11.85 3.4.1.1 Impulsos do Terreno Figura 3.8 – Numeração das paredes exteriores do

Figura 3.8 – Numeração das paredes exteriores do piso 0

Figura 3.8 – Numeração das paredes exteriores do piso 0 Figura 3.9 – Numeração das paredes

Figura 3.9 – Numeração das paredes exteriores do piso 1

Figura 3.9 – Numeração das paredes exteriores do piso 1 Figura 3.10 – Numeração das paredes

Figura 3.10 – Numeração das paredes exteriores do piso 2

O ângulo de atrito considerado para o terreno foi de 30º, logo o coeficiente de impulso em repouso corresponde a 0.5 1 .

21

3.4.2

ACÇÕES VARIÁVEIS

3.4.2.1

Sobrecargas

Em pisos

3.0 kN/m 2

No auditório

4.0 kN/m 2

Em coberturas acessíveis

2.0 kN/m 2

Em coberturas não acessíveis

1.0 kN/m 2

Em varandas

2.0 kN/m 2

Em varandas, numa faixa de um metro de largura adjacente ao parapeito

5.0 kN/m 2

Em acessos

5.0 kN/m 2

A distribuição das sobrecargas uniformemente distribuídas encontra-se representada nas seguintes figuras:

encontra-se representada nas seguintes figuras: Figura 3.11 – Sobrecargas no piso 0 Figura 3.13 –

Figura 3.11 – Sobrecargas no piso 0

nas seguintes figuras: Figura 3.11 – Sobrecargas no piso 0 Figura 3.13 – Sobrecargas no piso

Figura 3.13 – Sobrecargas no piso 2

Sobrecargas no piso 0 Figura 3.13 – Sobrecargas no piso 2 Figura 3.12 – Sobrecargas no

Figura 3.12 – Sobrecargas no piso 1

Sobrecargas no piso 2 Figura 3.12 – Sobrecargas no piso 1 Figura 3.14 – Sobrecargas na

Figura 3.14 – Sobrecargas na cobertura

3.12 – Sobrecargas no piso 1 Figura 3.14 – Sobrecargas na cobertura 3.0 / 4.0 /

3.0

/

4.0 /

1.0 /

22

2.0 /

5.0 /

3.4.2.2

Sismo

A quantificação do sismo à luz do RSA considera o país dividido em 4 zonas. O edifício em estudo localiza-se em Lisboa, pertencendo assim à zona sísmica A (coeficiente de sismicidade: 1.0).

O coeficiente de comportamento relaciona os esforços elásticos lineares com os esforços não

lineares, permitindo assim, corrigir os efeitos da acção dos sismos obtidos pela análise linear efectuada no programa de cálculo, de modo a transformá-los nos valores que se obteriam por uma análise não linear. Este coeficiente depende essencialmente do comportamento não linear, da

dissipação de energia que ocorre nas zonas plastificadas e da redução da frequência modal que surge da perda de rigidez devido à formação de rótulas plásticas.

No artigo 33º do REBAP estão definidos valores do coeficiente de comportamento para esforços correspondentes a 3 diferentes tipos de estrutura com ductilidade normal ou melhorada: estrutura em pórtico, em parede e mista (pórtico-parede). Relativamente ao projecto de estudo, a solução estrutural definida não se enquadra directamente em nenhum destes tipos de estrutura.

Neste caso, o coeficiente de comportamento a adoptar deve ser convenientemente justificado,

devendo, porém, considerar-se os valores apresentados no artigo como limites superiores. Visto que

as deformações em regime não-linear e em regime elástico são semelhantes, pode-se determinar os

valores dos coeficientes de comportamento através do tipo de deformada que a estrutura apresenta

em regime elástico.

de deformada que a estrutura apresenta em regime elástico. Figura 3.15 – Deformadas das estruturas tipo
de deformada que a estrutura apresenta em regime elástico. Figura 3.15 – Deformadas das estruturas tipo

Figura 3.15 – Deformadas das estruturas tipo Parede e tipo Pórtico

Desta forma, estudou-se o comportamento da estrutura em altura através da obtenção das deformadas qualitativas apresentadas pela estrutura, com base na aplicação unitário da acção sísmica. Para isso foi escolhido o pilar P4D, por ser o pilar mais próximo do centro de gravidade, cuja deformada se apresenta no seguinte gráfico.

23

18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 0.0 00 0.005 0.010 0.015
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
0.0 00
0.005
0.010
0.015
0.020
0.025
[m]
δx
δy
[m]

Grá fico 3.1 – Deformada em altura do pilar P4D

estrutura apresenta

deslocamentos praticamente nul os uma vez que se encontra totalmente confinad a pelo muro. A partir

Como se pode verificar até à

cota de 2.88m, que corresponde ao piso 0, a

dessa cota a estrutura apresenta

uma deformada que varia de forma sensivelme nte constante.

É difícil afirmar que a defor mada se enquadre totalmente em alguma d as deformadas tipo

ao de uma estrutura

mista, visto que os deslocame ntos na zona inferior da estrutura são condi cionados pelo muro,

enquanto os da zona superior s ão condicionados pela deformada do pórtico. N o entanto, a partir da

cota 2.88m esta apresenta um

comportamento diferente, com uma deformad a que se assemelha

apresentadas. Por um lado, es ta apresenta um comportamento semelhante

mais a um comportamento típic o de uma estrutura parede do que uma estrutu ra porticada. Face a

estas conclusões e admitind o que a estrutura é de ductilidade norma l, o coeficiente de

comportamento (η) considerou-s e com o valor 1.75, que, duma forma conservativ a, corresponde a um

valor intermédio entre uma estru tura mista (η=2.0) e uma estrutura parede (η=1.5 ).

de liberdade quando

ser reflectidos em

espectros de resposta. Estes d efinem gráficos de uma função em que as ab cissas referenciam a

frequência própria do oscilador

nível da massa oscilante.

e a ordenada o deslocamento, velocidade ou a celeração máxima ao

Os valores máximos expectáve is ao nível das massas oscilantes de 1 grau

excitados na base com um s ismo de determinadas características podem

24

Podendo-se, posteriormente, pela análise modal, obter resultados para sistemas com vários graus de liberdade. De acordo com o RSA é possível quantificar a acção sísmica com recurso a uma análise sísmica por espectro de resposta. Para tal este regulamento define duas acções sísmicas distintas:

Acção sísmica tipo 1 – representa um sismo de magnitude moderada a pequena distância focal;

Acção sísmica tipo 2 – representa um sismo de maior magnitude a uma distância focal maior.

Os espectros de resposta utilizados foram os preconizados no RSA para os sismos tipo 1 e tipo 2. Cada acção sísmica tem definida vários espectros de resposta que variam consoante o tipo de terreno de fundação e o coeficiente de amortecimento da estrutura. Relativamente ao coeficiente de amortecimento, este toma o valor de 5%, valor característico das estruturas de betão armado, enquanto que o terreno corresponde ao terreno tipo I, uma vez que se trata de um solo com uma elevada rigidez.

I, uma vez que se trata de um solo com uma elevada rigidez. Gráfico 3.2 –

Gráfico 3.2 – Espectros de Resposta considerados

3.4.2.3 Retracção e Temperatura

Apesar de as dimensões em planta do edifico ultrapassarem, em pouco, os 30 metros, considerou-se desnecessária a consideração da retracção do betão ou as variações de temperatura sazonais.

3.4.2.4 Vento

A acção do vento não foi estudada devido ao facto de a acção sísmica ser condicionante, para acções horizontais, para uma estrutura de betão armado com apenas 3 pisos elevados.

25

3.5

COMBINAÇÕES DE ACÇÕES

Um carregamento é definido pela combinação das acções que têm probabilidade não desprezível de actuar simultaneamente sobre a estrutura, durante um período pré-estabelecido. Essas combinações devem englobar as diferentes possibilidades de ocorrência simultânea das cargas de uma forma verosímil, determinando os efeitos mais desfavoráveis para a estrutura. Na seguinte tabela estão apresentadas as combinações analisadas no projecto:

Acções \ Combinações

ELS1

ELS2

ELS3

ELS4

ELS5

ELS6

ELS7

ELS8

ELU1

ELU2

ELU3

ELU4

ELU5

PP

1

3.5

1

1

1

1

1

1

1.35

1

1

1

1

PRE-ESFORÇO

1

3.5

0

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

RCP

1

3.5

1

1

1

1

1

1

1.5

1

1

1

1

SC

0.6

3.1

0.4

1

0.6

0.6

0.6

0.6

1.5

0.4

0.4

0.4

0.4

SC_COB

0

0

0

1

0

0

0

0

1.5

0

0

0

0

IMPT

1

0

1

1

1

1

1

1

1.5

1

1

1

1

SISMO-X1

0

0

0

0

1

0

0

0

0

1.5

0

0

0

SISMO-X2

0

0

0

0

0

1

0

0

0

0

1.5

0

0

SISMO-Y1

0

0

0

0

0

0

1

0

0

0

0

1.5

0

SISMO-Y2

0

0

0

0

0

0

0

1

0

0

0

0

1.5

Na acção “PP” (Pesos Próprios) está contabilizada a acção do peso próprio da estrutura, bem como a acção do peso próprio das escadas. Na acção “RCP” (Restantes Cargas Permanentes) entram os revestimentos dos pisos, a carga distribuída relativa às paredes interiores e as cargas lineares devidas às paredes exteriores. A acção “SC” (Sobrecargas) contabiliza as sobrecargas de pavimentos e dos acessos, ou seja, das escadas. A acção “SC_COB” consiste na sobrecarga de cobertura e a acção “IMPT” refere-se ao impulso do terreno. Sendo que “ELS” corresponde a Estados Limites em Serviço e “ELU” a Estados Limites Últimos, as combinações no modelo correspondem a:

Combinação ELS1 – Combinação Frequente com sobrecarga como acção variável base;

Combinação ELS2 – Combinação Frequente a Longo Prazo com sobrecarga como acção variável base – os valores desta combinações resultam da soma dos valores da combinação frequente com o coeficiente de fluência (φ=2.5);

Combinação ELS3 – Combinação Quase Permanente;

Combinação ELS4 – Combinação Rara com sobrecarga como acção variável base;

Combinações ELS5 à ELS8 - Combinação Rara com o sismo como acção variável base, para os sismos tipo 1 e 2 nas direcções X e Y.

Combinação ELU1 – Combinação Fundamental com sobrecarga como acção variável base;

Combinações ELU2 à ELU5 – Combinação Fundamental com o sismo como acção variável base, para os sismos tipo 1 e 2 nas direcções X e Y.

26

Finalmente consideram-se combinações correspondentes às envolventes dos esforços. Estas correspondem às seguintes:

ELS-RARA_ENV – Envolvente de esforços para a combinação Rara. Esta engloba as combinações ELS3 à ELS7.

ELU_ENV – Envolvente de esforços para a combinação Fundamental. Esta engloba todas as combinações de ELU.

ELU_ENV-SX – Envolvente de esforços para as combinações Fundamentais com o sismo na direcção X como acção variável base (ELU2 e ELU3).

ELU_ENV-SY – Envolvente de esforços para as combinações Fundamentais com o sismo na direcção Y como acção variável base (ELU4 e ELU5).

3.6 MATERIAIS E RECOBRIMENTO

Apresentam-se os materiais utilizados e o recobrimento adoptados no projecto:

Betão – C25/30;

Aço em armaduras ordinárias – A400NR;

Aço em pré-esforço – A1600/1800;

Recobrimento – 3cm.

O betão utilizado apresenta as seguintes propriedades:

25

,

30

33

2.6

, .

1.8

, .

3.3

31

/1.5 16.67

27

Relativamente

ao

aço

das

armaduras

ordinárias

considerado,

este

apresenta

as

seguintes

características:

 

400

200

/1.15 348

Finalmente, o aço de pré-esforço apresenta as seguintes propriedades:

,