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GUIA PARA A REFLEXÃO E AVALIAÇÃO

DE EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS

De acordo com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência


(2006), ratificada pelo governo brasileiro por meio do Decreto Legislativo 186/2008 e do
Decreto Executivo 6949/2009, se reconhece o direito das pessoas com deficiência a uma
educação de qualidade. Visando a efetivação deste direito, sem discriminação e sobre a
base da igualdade de oportunidades, será assegurado um sistema de educação inclusivo
a todos os níveis, assim como o ensino ao longo da vida.
Na perspectiva da educação inclusiva, a educação especial passa a integrar a
proposta pedagógica da escola regular, promovendo o atendimento às necessidades
educacionais específicas de alunos com deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades/superdotação.
Em uma escola inclusiva, todos os alunos aprendem juntos, independentemente
das suas condições pessoais, sociais ou culturais. Trata-se de construir uma escola na
qual não existam “requisitos de entrada”, nem mecanismos de seleção ou discriminação
de nenhum tipo, uma escola que modifique substancialmente sua estrutura, seu
funcionamento e sua proposta pedagógica para responder às necessidades educacionais
de todos e de cada um dos alunos. A partir desta perspectiva, cabe à escola adaptar-se
aos alunos e não estes a ela.

COMO IDENTIFICAR UMA EXPERIÊNCIA EDUCACIONAL INCLUSIVA

Uma experiência educacional inclusiva deve ser entendida como uma atuação
“situada”, que ganha sentido e é viável a partir de uma realidade concreta, dos
condicionantes estruturais que a tornam única. Não há boas experiências ideais. Elas são
dependentes invariavelmente do contexto onde se desenvolvem. O que se considera
como boa experiência na zona rural da Guatemala ou do Paraguai pode ser diferente na
avaliação das experiências na periferia da grande São Paulo ou em uma comunidade dos
bairros abastados de Santiago. Não se trata tanto de comparar ou imitar o que os outros
fazem. Trata-se de refletir sobre a situação atual de cada escola, elaborar perguntas para
identificar os passos a seguir para que nos aproximemos dos indicadores que se
desprendem da definição e que, na medida do possível, tentamos abarcar nos princípios
contemplados neste guia. Identificar as experiências educacionais inclusivas são
oportunidades de conhecer o processo de construção dos sistemas educacionais em
sistemas educacionais inclusivos.
De todas as maneiras, a singularidade da “boa experiência” não pode servir
como desculpa ou álibi para reafirmar que a nossa realidade é tão diversa que não vale a
pena tentar alguma mudança. Se nos propusermos avançar na reflexão sobre os passos
a serem seguidos na identificação das barreiras impostas pela escola, as quais impedem
ou limitam a participação e aprendizagem dos alunos, perceberemos que a distância não
é tão grande.

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Podemos concluir que constitui uma “boa experiência” toda atuação que se
oriente a partir do compromisso dos professores, dos alunos e das famílias, em promover
o acesso, a participação e a aprendizagem de todos os alunos.

APRESENTAÇÃO E ESTRUTURA DO GUIA

O Guia que apresentamos busca oferecer às escolas um momento de auto-


avaliação de suas experiências educacionais e estimulá-las a relatar suas próprias
experiências de mudança e de progresso para fazer da escola um espaço onde todos
encontrem mais e melhores oportunidades para aprender e ser feliz.
Consequentemente, o Guia oferece pautas que promovem a reflexão, para que
as equipes educacionais possam avaliar a sua realidade em relação a alguns dos
indicadores que se desprendem do que entendemos por educação inclusiva e que
possam servir para estabelecer alguns objetivos de mudança e inovação na direção
adequada. Trata-se de um instrumento simples, criado para que as próprias equipes
educacionais possam ter em mente, de forma resumida, aqueles aspectos cruciais que
contribuem para oferecer uma educação mais atenta às especificidades de todos os
alunos; e para que os incorporem e os adaptem de acordo com a realidade e as
características da sua escola.
O Guia se divide em duas seções:
• Item A: Situação de partida.
• Item B: Princípios para a auto-avaliação da escola e para a avaliação da
experiência.
Em primeiro lugar, as escolas devem analisar as suas condições de partida.
Neste sentido o item A do Guia pretende ajudar os professores a considerar os
elementos cruciais do contexto social e educacional de cada escola e que podem
condicionar ─ facilitando ou dificultando ─ o avanço rumo à inclusão. Existe, ainda, a
possibilidade de complementar esta avaliação com os comentários que se considerem
oportunos.
A seguir, no item B, pede-se à comunidade escolar, principalmente aos
professores, que através da reflexão compartilhada possam levar a cabo uma auto-
avaliação, a partir das circunstâncias da sua escola. Estes itens estão estruturados nos
seguintes módulos:

1. Concepção de escola.
Neste módulo faz-se uma reflexão de como a escola entende a inclusão, as
necessidades educacionais do corpo discente e o valor da presença de
alunos com deficiência na escola. Explora-se também o nível de
compromisso com a identificação e a eliminação das barreiras na
participação e na aprendizagem.

2. As atuações e as experiências da escola.


Neste módulo promove-se uma reflexão, por um lado, sobre o papel do
compromisso e da liderança da equipe diretora no processo rumo à inclusão;
por outro lado, sobre determinadas experiências educacionais, como a
existência de atuações de boas-vindas, o papel dos professores
especializados, o planejamento de atendimento educacional especializado

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para os alunos com deficiência e o conceito de valorização das diferenças
que impulsiona as experiências.

3. A inclusão como processo de inovação e melhoria na escola.


Neste módulo promove-se uma reflexão sobre as características das
experiências educacionais inclusivas (devem ter objetivos bem delimitados,
basear-se nos conhecimentos prévios e ser planejadas de forma coletiva);
contemplando as atuações em sala de aula (devem partir das capacidades,
reconhecer as diferenças e utilizar diferentes tipos de apoio como, por
exemplo, a aprendizagem colaborativa entre alunos) e na sala de recursos
multifuncionais.

4. Os apoios ao processo de inclusão.


Este módulo refere-se à coordenação entre os distintos profissionais que
oferecem apoio na inclusão dos alunos com deficiência. A partir de uma
percepção ampla de apoio, contempla-se a participação das famílias e dos
membros da comunidade.

5. As perspectivas das experiências inclusivas.


Finalmente, este módulo dedica-se às novas propostas de melhoria que
deverão ser realizadas a partir da avaliação do processo de inclusão, bem
como da sua sustentabilidade no futuro, com o objetivo de incorporá-las às
atuações habituais das escolas e, também, ao fato de compartilhar suas
experiências com outras escolas, como mecanismos de compromisso e de
aprendizagem.
Em cada um deles, inclui-se uma série de princípios, seguido de um quadro de
avaliação com definição e indicadores próprios que conduzem a uma educação inclusiva.
Esses indicadores pretendem explicitar os elementos cruciais que permitem que nos
aproximemos de uma educação inclusiva.

USO DO GUIA.

O guia foi elaborado com a finalidade de ser uma ferramenta fácil e simples.
No item A serão analisados cada um dos quatro itens sob os quais está
estruturado: sala de aula, escola, comunidade escolar e gestão escolar. O formato da
resposta varia em função dos itens a serem respondidos. Assim podem ser encontradas:
• Respostas quantitativas: aquelas que deverão ser respondidas de forma
numérica, por exemplo, o número de alunos.
• Respostas qualitativas: aquelas nas quais serão apresentadas duas ou
três opções e uma delas deverá ser assinalada. Por exemplo, no item
formação de professores, deverá ser assinalada suficiente ou insuficiente,
em função da reflexão realizada.
No item dos comentários, poderão ser acrescentados outros fatores
considerados de interesse, acompanhando a reflexão ou a avaliação com os comentários
considerados oportunos.

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Com respeito ao item B, o formato apresentado é um questionário no qual
consta (como descrito no item anterior) uma série de enunciados com seus
correspondentes indicadores.
Antes de preenchê-lo, cada uma das descrições fornecidas deve ser lida
minuciosamente. A seguir, deve-se considerar com exatidão como cada princípio
descreve a experiência e as atuações desenvolvidas na sua escola, descrevendo
conjuntamente a experiência desenvolvida na escola.
As opções de resposta são:

Nunca Raramente Às vezes Freqüentemente Sempre

Marquem com um X a opção que considerar mais adequada e que mais se


ajusta à experiência realizada. Por exemplo, se no item 1.1 “A escola entende a inclusão
como um processo de mudança, inacabado e em constante revisão, para aumentar o
acesso, a permanência, a participação e o sucesso na aprendizagem” a opção marcada
for “raramente”, isto indicará que dita afirmação e os indicadores apresentados não se
ajustam à experiência desenvolvida na sua escola.
É importante avaliar o mais honestamente possível, ajustando-se à realidade
apresentada.
O mais importante é a análise e a reflexão sobre o quão presente está um
determinado indicador no cotidiano da escola (valores, normativa e experiência) da
escola ou na consideração de uma experiência determinada. Em conseqüência,
qualquer resposta pode ser positiva na medida em que nos indica os objetivos e a
direção na qual a mudança deve ser orientada; o caminho rumo à inclusão não é uma
questão de "tudo ou nada", mas é um processo de construção contínua.
Pode ocorrer que nem todos os indicadores possam ser levados em
consideração em uma escola ou em uma determinada experiência; alguns deles podem
não se ajustar às características da experiência que se avalia e, portanto, não seja
pertinente o seu preenchimento.

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Item A:

Situação de partida.

As experiências inclusivas somente podem ser avaliadas no contexto em que se


situam, sendo necessário conhecer o ponto de partida desde o qual se propõe avançar.
A seguir sugerem-se alguns fatores do contexto social e educativo que permitem
estabelecer a situação de partida.

Sala de Aula Quantidade
Número de alunos total matriculados na escola
Destes, quantos possuem alguma deficiência?
Número de professores
Número de professores atuando em classes comuns 
Nº de professores atuando no AEE 
Destes, quantos possuem alguma formação em Educação Especial?  
Formação dos Professores 
Quantos são somente graduados? 
Quantos possuem especialização? 
Quantos possuem mestrado? 
Quantos possuem doutorado? 
Quais recursos de acessibilidade são utilizados na experiência escolar? 
 
 
 
 

Sugestões para a escola
Uma  vez  obtida  informação  realize  uma  análise  das  condições  iniciais  da  sua  escola  refletindo 
sobre: 
• Interatividade existente entre os alunos da escola 
• Relação professor‐aluno. 
• Relação professor de AEE e alunos com deficiência. 
A relação entre os recursos de acessibilidade existentes e não utilizados na escola e a necessidade de 
se buscar novos recursos para garantir a acessibilidade de todos os alunos.
Comentários 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Escola Avaliação 
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Ótimo| Bom| Regular| Insuficiente| Inexistente
Dimensões da escola
Acessibilidade física.  
Rampas, elevadores, plataformas de acesso 
Portas e passagens alargadas 
Espaços e circulação acessíveis 
Banheiros e sanitários acessíveis 
Sinalização sonora 
Sinalização tátil 
Sinalização visual 
Acessibilidade à informação  
Acessibilidade ao currículo 
Estabilidade docente 
Experiência de trabalho colaborativo  
Experiência de trabalho de formação 
Liderança da direção 

Sugestões para a escola
 
As dimensões da escola serão avaliadas em função do número de alunos e profissionais. Também 
poderão ser avaliadas a quantidade e a qualidade da infra‐estrutura da escola: 

Comentários 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Comunidade Escolar Avaliação 
Ótimo| Bom| Regular| Insuficiente| Inexistente
Relação escola‐famílias 
Relação escola‐comunidade  
Sentido de comunidade escolar  

Sugestões para a escola
A relação da família com a escola e a comunidade poderá ser avaliada em função de: 
• Convocatória de reuniões com as famílias e sua participação; 
• Participação  da  família  em  eventos  escolares  como,  por  exemplo,  festas  de  fim  de 
curso; 
• Envolvimento das famílias no progresso escolar de seus filhos e de suas filhas; 
• Trabalho conjunto das famílias para a execução de iniciativas a favor da escola. 

Comentários 
 
 
 
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Administração Escolar Avaliação 
Ótimo| Bom| Regular| Insuficiente| Inexistente
Políticas implementadas na escola que favorecem 
a educação inclusiva 
Ações para aquisição e adequação  de recursos de 
acessibilidade  
Ações para organização e oferta de recursos de 
acessibilidade 

Sugestões para a escola
As medidas e os recursos de apoio à inclusão fomentados pela administração escolar podem ser 
avaliados em função da: 
• Dotação econômica fornecida; 
• Dotação de pessoal fornecida; 
• Dotação de material. 

Comentários 
 

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Item B:

Princípios para a auto-avaliação da escola e avaliação da experiência educacional


inclusiva, em especial de alunos com deficiência.

1. CONCEPÇÃO DE ESCOLA.

O progresso rumo à inclusão está intimamente relacionado com o “pensamento”


e os valores da comunidade educativa.
Existem suficientes evidências de que as maiores dificuldades para a mudança
geralmente se localizam nestes âmbitos. Como conseqüência convém que nos
perguntemos sobre o que significa a inclusão tanto para os professores quanto para as
famílias e para os alunos.

1.1. A escola entende a inclusão como um processo de mudança, inacabado e em


constante construção, para garantir o acesso, a permanência, a participação
e a aprendizagem.

Descrição: A inclusão é um caminho que procura encontrar a maneira de fomentar


o desenvolvimento e o progresso de todos os alunos. A escola avança a medida
que oportuniza condições de acesso e participação. Ainda assim, sabemos que
sempre surgirão novos desafios que requererão melhorias por parte das escolas
com o fim de oferecer as oportunidades de participação e aprendizagem.

Indicadores:
• A escola entende a inclusão como um processo de mudança e de melhoria da
qualidade da educação para todos.
• O Projeto Político Pedagógico reflete o processo de transformação da prática
pedagógica inclusiva.
• Existência por parte da escola de planos de trabalho que impliquem a reflexão
dos direitos dos docentes com a finalidade de propiciar a transformação de
experiências não inclusivas.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

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1.2. A escola compreende que as necessidades específicas dos alunos com
deficiência não são oriundas unicamente das suas características pessoais,
senão que o contexto também interfere, facilitando ou dificultando as futuras
aprendizagens.

Descrição: O ensino comum na perspectiva da educação inclusiva busca eliminar


as barreiras que impedem ou dificultam o aprendizado e a participação dos alunos,
entendendo que estas barreiras podem aparecer em função de práticas
pedagógicas não inclusivas ou da falta de recursos de acessibilidade necessários.

Indicadores:
• O Atendimento Educacional Especializado não realiza intervenção clínica ou
de reabilitação.
• A prática educacional está centrada na aprendizagem na sala de aula comum,
junto aos outros alunos, ainda que possam ser oferecidos, em ocasiões
específicas, atendimento educacional especializado voltado para as suas
especificidade de forma complementar ou suplementar.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

1.3. A escola considera que a matrícula de alunos com deficiência contribui para
o fomento dos valores inclusivos como, por exemplo, valorizar a diversidade
ou contribuir para uma sociedade justa e democrática, supondo o
reconhecimento efetivo dos seus direitos.

Descrição: O ensino comum na perspectiva da educação inclusiva valoriza a


diferença no processo de ensino e aprendizagem. Desta forma, a escola contribui
para a construção de uma sociedade de todos.

Indicadores:
• A escola considera uma atitude positiva para o reconhecimento das diferenças
como valor de incremento às possibilidades educacionais de todos.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

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1.4. A escola, valorizando a diferença, vê como positiva a presença de alunos
com deficiência.

Descrição: A presença de alunos com deficiência é um indicador do


desenvolvimento inclusivo da escola.

Indicadores:
• Considera-se positiva a presença de alunos com deficiência na escola.
• Reconhecem-se os benefícios, que podem propiciar tanto para os professores
como para os alunos, a presença dos alunos com deficiência.
• A escola oferece o apoio e a atenção necessários às necessidades específicas
dos alunos com deficiência e dos demais alunos.
• Atende as necessidades educacionais específicas dos alunos

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

1.5. A escola está comprometida ativamente na identificação e eliminação das


barreiras que impedem a participação e a aprendizagem.

Descrição: O processo de avanço rumo à inclusão requer identificar as barreiras


que impedem a plena participação e a aprendizagem dos alunos.

Indicadores:
• .A escola possui instalações fisicamente acessíveis a todos.
• A escola possui sinalização visual, tátil e sonora que torna os ambientes
acessíveis aos alunos com deficiências sensoriais. Realizam-se as
experiências pedagógicas inclusivas que promovem o acesso ao currículo para
todos os estudantes.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

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1.6. A escola, em seu projeto político pedagógico, demonstra a concepção
inclusiva adotada pela escola.

Descrição: A escola concorda em estabelecer, no seu projeto político pedagógico,


a orientação inclusiva da escola, com o intuito de valorizar as diferenças.

Indicadores:
• Existência de um Projeto Político Pedagógico que inclua as linhas ideológicas
da educação inclusiva.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

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2. AS ATUAÇÕES E AS EXPERIÊNCIAS DA ESCOLA.

O que realmente é decisivo para o sucesso da inclusão são as experiências (as


oportunidades, os apoios, a relação...) que a escola oferece a todos os alunos, inclusive
àqueles com deficiência. É por esta razão que convém explorar a existência e a
qualidade de determinadas condições para promover a participação e a aprendizagem
dos alunos.

2.1. A escola fomenta mecanismos para que todos se sintam acolhidos.

Descrição: Com a finalidade de criar uma comunidade inclusiva, são promovidas


atuações orientadas a dar as boas-vindas às pessoas que se agregam a
comunidade escolar.
Indicadores:
• Existência de atuações destinadas a facilitar a adaptação do novo
professorado.
• Existência de atuações destinadas a facilitar a adaptação dos grupos de
alunos novatos.
• Existência de atuações destinadas a facilitar a adaptação dos grupos de
alunos que se incorporam ao longo do ano escolar.
• Existência de atuações destinadas a facilitar a adaptação das famílias.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

2.2. A equipe dirigente está comprometida e apóia o avanço realizado pela escola
rumo à educação inclusiva, assegurando o direito de todos os alunos a uma
educação de qualidade.

Descrição: O percurso da escola rumo à inclusão necessita uma liderança capaz


de incentivar e acompanhar os processos de mudança. O compromisso da equipe
dirigente com esta meta deve estar refletido no apoio e no acompanhamento da
mudança, necessários para conseguir a participação e o aprendizado de todos os
alunos, devendo ainda fornecer os elementos estruturais essenciais para a sua
realização.

Indicadores:
• A meta da inclusão está explicitada no Projeto Político Pedagógico da Escola.
• A meta da inclusão está explicitada no planejamento de ações da equipe
dirigente.

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• Existem ações da direção para fomentar a formação continuada dos
professores na área da educação inclusiva.
• A equipe dirigente apóia os processos de mudança e melhoria.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

2.3. A equipe dirigente proporciona momentos e espaços para a reflexão coletiva


da experiência pedagógica docente, criando um ambiente de colaboração.

Descrição: Os professores, como também os alunos e as famílias, dispõem de


espaços físicos e temporais para refletir e tomar decisões sobre projetos de
melhoria da escola. Estes espaços são mais efetivos quando os projetos de
melhoria são planejados, realizados e avaliados de forma coordenada por toda a
comunidade escolar.

Indicadores:
• Existência de espaços e períodos destinados ao trabalho em equipe dos
professores, com o objetivo de fomentar a reflexão sobre a experiência.
• Encontros periódicos entre os distintos membros da comunidade escolar para
debater as iniciativas de melhoria.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

2.4. Existência na escola de professores que atuam no AEE.

Descrição: O Professor que atua no Atendimento Educacional Especializado


oferta, aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades/superdotação, um conjunto de atividades pedagógicas complementares
ou suplementares que se diferenciam daquelas realizadas na escolarização
comum.

Indicadores:
• O professor do AEE atua na Sala de recursos multifuncionais, na oferta do
AEE aos alunos com deficiência, TGD ou altas habilidades/superdotação

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• O professor do AEE articula-se com o professor da sala comum, orientando
sobre o uso de equipamentos e materiais de acessibilidade e coletando
informações sobre a aprendizagem do aluno
• O professor do AEE realiza observações dentro da sala de aula comum da
interação do aluno com deficiência com os demais alunos e para detectar a
necessidade e avaliar o uso de recursos de acessibilidade

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

2.5. A escola entende que todas as atividades devem promover a participação de


todos.

Descrição: Os recursos de acessibilidade se incorporam às atividades da escola.

Indicadores:
• Utilização de recursos de Tecnologia Assistiva para atender às especificidades
dos alunos com deficiência nas diversas atividades desenvolvidas pela escola.
• Existência de ajudas individuais, em grupos para a atenção à diversidade do
corpo discente.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

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3. A INCLUSÃO COMO PROCESSO DE INOVAÇÃO E DE MELHORIA NA ESCOLA.

As experiências com educação inclusiva mostram de forma clara que a melhor


maneira de progredir rumo à inclusão é pensar, planejar e implementar as mudanças
necessárias de forma compartilhada.

3.1. As experiências inclusivas realizadas na escola devem estar baseadas em


experiências prévias ou pesquisas anteriores.

Descrição: As experiências que colaboram com o processo de avanço rumo ao


ensino inclusivo devem ter uma base sólida, aproveitando as contribuições de
outros profissionais da educação e as reflexões prévias da própria equipe docente.

Indicadores:
• No planejamento da experiência, a equipe responsável realiza uma análise da
situação através de trabalhos ou estudos anteriores.
• Justificativa da experiência a partir de trabalhos científicos publicados.
• O documento que relata a experiência inclui as referências bibliográficas das
experiências próprias ou de pesquisas publicadas.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Freqüentemente Sempre

3.2. As experiências inclusivas realizadas na escola devem ser planejadas por


meio de uma reflexão conjunta toda a comunidade escolar.

Descrição: A escolha do elemento a ser melhorado e o planejamento de como


levar a cabo tal melhoria deve partir de uma reflexão sobre a realidade da escola
feita em conjunto pelo maior número de pessoas envolvidas na comunidade
escolar. Envolver os alunos e os representantes das famílias neste processo pode
garantir a sua eficácia.

Indicadores:
• Na origem ou no desenvolvimento da experiência inclusiva participaram um
grande número de membros da comunidade educativa.
• A opinião dos alunos com deficiência e seus familiares, é levada em
consideração no planejamento da experiência.

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Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

3.3. As experiências educacionais inclusivas devem planejar claramente quais


são seus objetivos e como serão avaliados.

Descrição: No processo de avanço rumo à inclusão, as experiências pedagógicas


permitirão uma continuidade no futuro se os objetivos forem claramente planejados,
assim como a avaliação dessa experiência, que permitirá avaliar sua eficácia e
indicar os próximos passos da melhoria.

Indicadores:
• Os objetivos das atividades pedagógicas estão claramente formulados.
• Existem indicações sobre as formas de avaliação dos objetivos, dos critérios e
do nível de consecução dos objetivos.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

3.4. A intervenção pedagógica deve ser estabelecida a partir do conhecimento


prévio do aluno.

Descrição: As atividades de ensino e de aprendizagem que ocorrem nas salas de


aula promovem a participação de todos os alunos, reconhecendo que partindo de
níveis de conhecimentos distintos, chegarão logicamente a níveis de aquisição
também distintos. A diversidade de conhecimento não é um problema se cada
aluno tem oportunidades de chegar o mais longe possível. As atuações em sala de
aula devem promover resultados de aprendizagem para todos.

Indicadores:
• Realiza-se uma avaliação prévia dos alunos para determinar seu
conhecimento inicial, e desta forma poder conhecer os recursos de
acessibilidade para se alcançar os objetivos.
• Existência de atividades que permitem a participação de todos os alunos,
oferecendo suportes variados na apresentação da informação.
• Valorização do esforço de participação de cada aluno.

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• As programações propiciam diferentes atividades ou conteúdos para a
consecução do mesmo objetivo, propondo distintos caminhos para a mesma
atividade.
• As estratégias de avaliação objetivam verificar os avanços dos alunos.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

3.5. Na sala de aula trabalha-se a concepção das diferenças com todos os alunos.

Descrição: As atividades em sala de aula incorporam o aprendizado sobre as


diferenças existentes entre os alunos da classe (como os antecedentes históricos,
culturais, religiosos ou lingüísticos, diferenças físicas, posturais, sociais etc).
Através do trabalho com os alunos, transmite-se o conhecimento sobre as
diferenças e as possibilidades de pontos de vista distintos, e promove-se um olhar
de valorização da diversidade.

Indicadores:
• As características próprias de cada aluno são objetos de aprendizado em sala
de aula.
• São incluídas atividades que permitem a reflexão sobre as contribuições da
diversidade.
• Utilização do conflito como elemento para o aprendizado.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

3.6. As atividades desenvolvidas na sala de aula utilizam de forma sistemática o


aprendizado colaborativo e cooperativo.

Descrição: O aprendizado colaborativo e cooperativo, é empregado regularmente


nas aulas de forma que as diferenças entre os alunos se convertam em uma fonte
de aprendizagem.

Indicadores:
• Uso regular de grupos heterogêneos (com distintos níveis de habilidades).

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• Utilização das diferenças dentro dos grupos como fonte de aprendizagem
(distribuição de papéis ou de informações distintas igualmente necessárias
para o alcance do objetivo).
• Habitual uso em sala de aula de métodos de aprendizado colaborativo e
cooperativo.
• Promove-se a colaboração entre os alunos em sala da aula, evitando as
situações de dependência.
• Existem atividades de reflexão sobre as aprendizagens adquiridas quando se
ensina aos outros.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

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4. OS APOIOS À INCLUSÃO.

Os próprios alunos, as famílias e os professores constituem verdadeiras fontes


de apoio à inclusão, sendo conveniente explorar sua funcionalidade atual. Do mesmo
modo, deve-se prestar atenção ao potencial aproveitamento dos recursos presentes na
comunidade.

4.1. Os professores assumem como seus todos os alunos.

Descrição: os professores, em geral, entendem o seu papel fundamental na


responsabilidade do aprendizado de todos os alunos.

Indicadores:
• Todos os alunos que frequentam a escolas estão matriculados nas classes
comuns do ensino regular.
• Os professores assumem a responsabilidade de promover o aprendizado de
todos os seus alunos.
• Os professores conhecem os recursos de acessibilidade utilizados pelos
alunos com deficiência na classe comum, necessários para atender as suas
especificidades .

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

4.2. Existe uma articulação entre os professores da classe comum e os


professores da sala de recursos multifuncionais.

Descrição: Os distintos apoios oferecidos pelos professores da classe comum e


pelos professores do AEE são articulados de modo a garantir a aprendizagem de
todos os alunos.

Indicadores:
• Existem articulação, planejamento conjunto e discussão de casos entre os
professores da classe comum e os professores de AEE para promover
experiências pedagógicas inclusivas a todos os alunos.

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Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

4.3. Os apoios incluem a participação das famílias e dos membros da


comunidade.

Descrição: As experiências inclusivas fomentam a participação regular das


famílias e das pessoas da comunidade nas atividades de ensino e aprendizagem,
atuando como apoios à inclusão em atividades desenvolvidas tanto dentro das
salas de aula quanto fora delas.

Indicadores:
• Na escola são realizadas atividades que incluem a participação das famílias
e/ou da comunidade.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

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5. AS PERSPECTIVAS DAS EXPERIÊNCIAS INCLUSIVAS.

Todo processo de inovação e melhoria deve incluir previsões relacionadas com


a sua sustentabilidade. Freqüentemente grandes iniciativas correm o risco de não
funcionar se não for garantida a sua revisão, atualização e viabilidade através da análise
de determinados aspectos relacionados com o seu desenvolvimento.

5.1. Realiza-se uma avaliação periódica dos recursos necessários à realização


das experiências inclusivas.

Descrição: Enquanto processo, as experiências inclusivas concluídas e avaliadas


vão sugerir pontos de melhorias ou novos elementos sobre os quais é necessário
propor correções, ampliações ou gerar novos planejamentos que comportem
experiências educacionais inclusivas.

Indicadores:
• No trabalho cooperativo da comunidade escolar, são realizadas propostas de
melhoria nas experiências inclusivas e sua sustentabilidade.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

5.2. No desenvolvimento da experiência inclusiva, pode surgir a necessidade de


recursos adicionais que devem ser levados em consideração para garantir
sua continuidade.

Descrição: Para assegurar a continuidade da experiência no futuro é preciso


planejar os recursos que serão necessários e como serão viabilizados.. Se não for
assim, a experiência pode ser iniciada, porém não perdurará ao longo do tempo.

Indicadores:
• Tem-se consciência do custo adicional que a implementação da experiência
requer.
• Analisa-se quais custos iniciais serão mantidos no futuro.
• Analisa-se as distintas possibilidades para viabilizar os recursos necessários
com a finalidade de dar continuidade à experiência.

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Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

5.3. A escola compartilha com outras escolas suas experiências pedagógicas


inclusivas.

Descrição: Compartilhar os avanços relativos à inclusão com outras escolas


representa uma forma de reflexão sobre suas experiências e de comprometimento
com a sua continuidade.

Indicadores:
• Difundem-se as experiências educacionais inclusivas em seminários,
encontros de formação continuada, revistas direcionadas aos docentes e à
comunidade científica.

Avaliação:

Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre

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