Desenvolvimento e compatibilização de Identidade de

Marca Institucional: Estudo de caso da Faculdade de
Arquitetura UFRGS
Development and compatibility of Corporate Brand Identity: Case study of the Faculty
of Architecture UFRGS

Cardoso, Eduardo; Mestre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
eduardo.cardoso@ufrgs.br

Scherer, Fabiano; Mestre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
fabiano.scherer@ufrgs.br

Pereira, Priscila Zavadil; Mestre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
prizav@yahoo.com.br

Resumo

Este artigo tem como objetivo apresentar o processo de desenvolvimento de identidade de
marca considerando as restrições e os aspectos relevantes em relação a sistemas de identidade
institucionais já consolidados. Para tanto, a discussão teórica é realizada a partir do estudo de
caso da criação e compatibilização da identidade visual da Faculdade de Arquitetura da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Por meio deste trabalho discute-se acerca de
métodos de projeto para design de identidade de marca. Também foram realizados
apontamentos acerca das limitações e dos desafios em promover diferenciação e significação
em uma nova identidade, ao mesmo tempo em que é necessário criar um sistema integrado a
determinada arquitetura de marca.

Palavras Chave: Identidade de marca; Métodos Projetuais; Compatibilização.


Abstract

This paper aims to present the process of developing brand identity considering the
constraints and the relevant aspects in relation to institutional identity systems already
established. So, the theoretical discussion is carried out from the case study of creation and
compatibility of the visual identity of the Faculty of Architecture, Federal University of Rio
Grande do Sul. Through this work were discussed about design methods for brand identity.
Were also realized notes about the limitations and challenges in promoting differentiation
and meaning in a new identity, while it is necessary to develop an integrated system to a
particular brand.

Keywords: Brand Identity; Design Methods; Compatibility.


10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA)
Design de sistemas de identidade visual
A marca é um dos ativos mais importantes para uma organização, representando os
valores e os conceitos de uma instituição. As marcas são as expectativas e as percepções
existentes na mente dos indivíduos a respeito de determinado produto ou serviço.
Já a identidade visual da marca é tangível, sendo percebida pelos sentidos. Enquanto a
marca é um signo linguístico, a identidade é a transformação deste em um signo visual, a fim
de expressar-se visualmente e mostrar-se sobre diferentes suportes e pontos de contato com os
indivíduos. Assim, enquanto para os designers o termo identidade é uma palavra técnica
ligada aos elementos que a constituem, para o público é a percepção da imagem da marca
ligada ao produto, serviço ou organização (Costa, 2008; Wheeler, 2008).
Desse modo, a imagem da marca está diretamente relacionada a valores e emoções do
imaginário social e construir uma imagem implica uma atitude estratégica, uma visão
sistêmica – no sentido de que a marca é um sistema em rede, conectada a diversos aspectos
tangíveis e intangíveis – e uma orientação semiótica, já que é um sistema de significados e
valores racionais e emocionais que diferenciam instituições, produtos e serviços. A identidade
material e a identidade simbólica constituem, juntas, a identidade da marca e a imagem como
síntese de seus valores (Costa, 2008).
Nesse contexto, o termo identidade visual de marca institucional refere-se tanto a uma
instituição – um produto, serviço, campanha, empresa, organização não-governamental ou
instituição pública, entre outros – quanto à institucionalização dos parâmetros e elementos
que conferem a identidade, através da repetição e uniformidade de determinados padrões
(Péon, 2009).
Esse conjunto de padrões normatizados a fim de conferir unidade, identidade e
memorização de uma marca por meio de sua apresentação configura um Sistema de
Identidade Visual. Os melhores sistemas de identidade de marca são memoráveis, autênticos,
significativos, diferenciados, sustentáveis, flexíveis e agregam valor. Assim, um sistema de
identidade deve diferenciar a instituição de outras similares, transmitir os conceitos e valores
associados à marca, gerar e consolidar a imagem institucional (Péon, 2009; Wheeler, 2008).
Embora os sistemas de identidade visual possam ser criados de forma única e
independente, em casos pertencentes a grandes corporações e instituições públicas, muitas
vezes, existe uma arquitetura de marca ou um sistema pré-existente. A arquitetura de marca
refere-se à hierarquia de diversas marcas existentes em uma mesma organização e considera o
inter-relacionamento entre a marca principal com suas subsidiárias. Em situações de
arquiteturas de marcas subsidiárias, tanto a marca master domina como as duas marcas
servem como co-condutoras (Wheeler, 2008). Dessa forma, o sistema de identidade da
subsidiária precisa constituir uma imagem própria ao mesmo tempo em que deve fortalecer a
imagem da marca principal e ser compatibilizado com o sistema pré-existente.


Criação e compatibilização de sistema de identidade de marca
subsidiária
A criação de identidade visual para marcas subsidiárias envolve um profundo
conhecimento sobre o sistema da identidade principal, sobre os valores e sobre os conceitos
da marca master, a fim de determinar a linha condutora do processo criativo para o novo
sistema. Tratando-se de grandes instituições públicas, normalmente, a identidade principal
possui consolidação perante os diversos públicos envolvidos e deve ser fortalecida pela
identidade de suas subsidiárias.

10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA)
O estudo de caso deste trabalho trata do desenvolvimento da identidade visual de marca
para a Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),
Brasil. A Faculdade, existente há 60 anos, não possuía um sistema identitário próprio, mas
seguia os padrões de aplicação do sistema principal da Universidade. Este, por sua vez, é um
sistema já consolidado e normatizado, com imagem de marca constituída e que organiza e
padroniza as aplicações de todas as unidades da Universidade, incluindo os campos
administrativos, de ensino, pesquisa e extensão.
Contudo, as Faculdades possuem autonomia para desenvolverem suas identidades
visuais, desde que sigam os padrões de aplicação normatizados de documentos oficiais e
outros materiais institucionais que necessitem da marca principal. Mas apesar dessa
autonomia, é incontestável a necessidade de adequar o novo sistema ao posicionamento e aos
valores da Universidade, fortalecendo reciprocamente ambas as imagens de marca.

Métodos para design de identidade de marca
Conforme apresentado, a imagem da marca refere-se às percepções sobre a empresa,
aos significados que são associados à organização. Já a identidade corporativa reflete o que a
instituição é de fato, sua essência, seus valores e sua visão, incluindo a cultura corporativa, a
comunicação e também a sua identidade visual. Desse modo, a imagem contempla a
identidade material (o produto e seus elementos sensíveis) e a identidade simbólica (o
discurso da marca, sua essência e suas representações gráficas), que constituem a identidade
da marca (Costa, 2008).
Assim, métodos acerca da identidade da marca podem compreender tanto questões
estratégicas, ligadas ao posicionamento, aos objetivos, valores e à visão da organização,
quanto questões conceituais, no sentido de traduzir essas informações em mensagens de valor
para as pessoas e, por sua vez, técnicas e ferramentas para o desenho dos elementos da
identidade visual, apenas uma das partes deste processo.
Evidentemente, a identidade visual deve ser baseada na identidade corporativa, de
maneira a traduzí-la em suas representações gráficas. Contudo, é comum encontrar empresas
que se contradizem em suas formas de comunicação com relação à sua identidade, devido, em
parte, ao desconhecimento desta e à falta de um método estruturado para definí-la e traduzí-la
(Fascioni, 2006).
A fim de definir a identidade corporativa, Fascioni (2006) apresenta o método GIIC –
Gestão Integrada da Identidade Corporativa – composto por 12 módulos: Sensibilização;
Identidade; Ambiente; Apresentações; Impressos; Webdesign; Pessoas; Produtos; Identidade
Visual; Atendimento; Nome e Comunicação. Os dois primeiros módulos visam definir a
identidade da organização e os demais destinam-se a alinhar a identidade às suas ações e
comunicações.
O módulo Identidade é realizado a partir de um workshop com a participação de uma
amostra de todos os stakeholders da instituição que, por meio de analogias, confrontações
semânticas, estudos de caso e representações, respondem de variadas maneiras à mesma
pergunta: quais as características da empresa? Ao final, gera-se um relatório contendo a
definição formal da identidade da instituição, incluindo seus atributos essenciais, ou seja,
aqueles que deverão permanecer fiéis à organização ao longo dos anos e que deverão orientar
todas as ações e comunicações. Já o módulo Visual deverá orientar a criação da marca gráfica
por meio de uma Matriz de Recomendações, cujo objetivo é descrever as recomendações que
facilitam o alinhamento entre a identidade e sua tradução gráfica, por meio de critérios a
cerca de formas, cores, tipografia e elementos visuais. As matrizes podem ser mais detalhadas
com relação aos critérios conforme a necessidade, porém, sem que o detalhamento seja
excessivo e limite as possibilidades de elaboração da marca gráfica. A matriz serve como uma

10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA)
referência a ser utilizada durante o processo criativo, que indicará caminhos a seguir e aqueles
que devem ser descartados (Fascioni, 2006).
Desse modo, a relevância deste método está na identificação da essência da organização
e de estabelecer, a partir disso, orientações para a criação da identidade visual. Outro método
com abordagem estratégica, que inclui o processo de identidade de marca e, dentro deste, a
criação da identidade visual é descrito por Weeler (2008). O método contempla cinco etapas:
condução da pesquisa; classificação da estratégia; design da identidade; criação de pontos de
contato; e gestão de ativos.
A primeira etapa visa tornar claro a visão, estratégia, metas e valores da organização;
pesquisar as necessidades e percepções dos stakeholders; conduzir auditorias sobre
marketing, concorrência, tecnologia, jurídica e linguagem; entrevistar a gerência-chave;
analisar as marcas e arquiteturas de marca existentes; e apresentar relatórios das auditorias. Já
a segunda etapa, de classificação da estratégia, busca sintetizar os dados e classificar a
estratégia de marca; desenvolver uma plataforma de posicionamento; co-criar atributos de
marca; escrever um resumo da identidade da marca e aprová-lo junto ao cliente; criar uma
estratégia para a criação de nomes e elaborar um resumo criativo, que oriente o desenho da
identidade visual. A terceira etapa, denominada design da identidade, contempla a criação da
mensagem principal da organização, trabalhar os elementos da identidade (assinatura visual,
cores, tipografia, som), finalizar a arquitetura de marca e apresentar a estratégia visual a fim
de obter a aprovação. A etapa de criação de pontos de contato compreende a finalização do
desenho da identidade, iniciar o registro da marca, desenvolver as aplicações e aplicar a
arquitetura da marca. Por fim, a última etapa visa desenvolver a estratégia e o plano de
lançamento, lançar internamente e externamente a identidade, desenvolver as diretrizes de
padronização e normatização e gerenciar a marca (Weeler, 2008).
Estes dois métodos apresentados trazem a criação da identidade visual como uma das
etapas de um processo mais amplo, que contempla a estratégia da organização, a definição da
identidade da empresa e a gestão da marca. Contudo, para a criação dos elementos da
identidade visual, tais como símbolo, logotipo, cores, tipografia e sistemas de apoio, faz-se
necessário o uso de métodos complementares específicos para o desenho dos elementos e de
suas aplicações.
Com relação à projetação de sistemas de identidade visual, Péon (2009) aponta as
etapas de problematização, concepção e especificação. A concepção é quando a identidade
visual será delineada, contemplando as fases de: geração de alternativas, a partir dos
requisitos e restrições do sistema; definição do partido; escolha da solução preliminar, que
será aperfeiçoada; validações e solução final, que realiza os últimos aperfeiçoamentos na
solução preliminar. Nesta fase, também são apontados parâmetros para a avaliação dos
elementos do sistema a serem utilizados em uma matriz de avaliação das alternativas geradas,
formada pelos conceitos, valores e atributos definidos na identidade da organização.
A geração de alternativas é uma fase extremamente relevante no projeto, na qual os
atributos verbais definidos anteriormente começarão a serem traduzidos em possíveis
soluções formais para a identidade visual da marca. De modo geral, este processo é realizado
a partir do repertório dos designers responsáveis pelo desenho dos elementos, que interpretam
os atributos e buscam traduzí-los, inicialmente, utilizando sketches para a criação de
símbolos, logotipos e demais elementos.
Porém, algumas técnicas podem ser utilizadas para otimizar o processo. Llovet (1979)
apresenta um método para a obter signos e símbolos icônicos que correspondam aos conceitos
linguísticos. Os símbolos gerados buscam formas simplificadas e geométricas, que são
geradas e testadas com entrevistados a fim de avaliar a significação das mesmas com relação
aos atributos que se propõem a representar. Assim, para cada conceito linguístico é gerada

10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA)
uma série de signos, que são dispostos em uma matriz. A partir disso, é realizado um processo
de combinação e superposição dos signos (um signo com ele mesmo, com dois, três, e assim
sucessivamente) para obter formas que sirvam de base para o desenvolvimento do símbolo da
marca. Este método permite criar uma grande variedade de possibilidades por meio das
diversas combinações que podem ser criadas com base nos signos gerados para os atributos.
González Solas (2004) apresenta uma classificação quanto à retórica do símbolo e da
assinatura visual (logotipo e símbolo) que demonstra possibilidades de configuração para os
elementos. Esta classificação também pode ser utilizada no processo de geração de
alternativas, a fim de desenvolver diferentes arranjos entre os elementos. Quanto à retórica
sintática do símbolo, as possibilidades de composição podem se dar em termos de estrutura, a
partir da simetria, repetição ou inscrição dos elementos visuais, e em termos de relação,
considerando a integração dos elementos através da transformação sequencial, sobreposição,
contraste, substituição ou uso de referência externa. A respeito da retórica da assinatura
visual, o autor apresenta como possibilidades de composição entre símbolo e logotipo:
justaposição linear, central, simétrica e assimétrica (quando símbolo e logotipo permanecem
separados); e implicação, ou seja, a integração de símbolo e logotipo de forma indissociável,
como em emblemas, por exemplo, por meio da junção dos elementos ou da inscrição do
logotipo no símbolo.
Estes métodos foram utilizados no projeto de identidade visual da Faculdade de
Arquitetura da UFRGS, partindo da macroestrutura proposta por Wheeler (2008) e do método
para definição da identidade corporativa de Fascioni (2006), passando pela fase de
conceituação, conforme o modelo de Péon (2009) e, dentro dessa, adotou-se o método de
Llovet (1979) para geração de alternativas para o símbolo da marca gráfica e as possibilidades
compositivas seguindo a taxonomia acerca da retórica do símbolo e da assinatura visual de
Gonzáles Solas (2004).
A seguir, apresenta-se um resumo da etapa de conceituação e desenho da identidade
visual, com foco no desenho da assinatura visual e compatibilização, objetivo deste artigo.
Para tanto, foi necessário expor inicialmente as principais informações relativas à identidade
corporativa, definidas nas etapas iniciais do projeto, a fim de contextualizar o
desenvolvimento da marca gráfica.

A identidade visual da Universidade
A assinatura visual da UFRGS é composta por duas assinaturas: a oficial e a
promocional (Figura 1), ambas de autoria de Flavio Cauduro e Joaquim da Fonseca. A oficial
conjuga o tradicional brasão da Universidade com a logotipia (sigla e o nome) e é,
normalmente, utilizada sozinha, soberana. A promocional acaba sendo a mais utilizada no
âmbito geral da Universidade, por permitir a aplicação conjunta com as demais unidades. Ela
é composta por um logotipo em tipografia modernista, sem serifa e geométrica, de traço não-
modulado – sem contraste – que visa à pureza da forma. Possui grande peso visual, por ser
utilizada em romano bold caixa alta. O símbolo é sempre posicionado verticalmente em
relação ao logotipo, centralizado. Traz a chama acesa como elemento pictórico, “(...)
irradiando a luz e o calor do conhecimento para a comunidade, através das chamas
apaixonadas do ensino, pesquisa e extensão que seus corpos docentes, discentes e técnico
administrativos sustentam e alimentam em conjunto (...)” (CAUDURO E FONSECA, 1997,
pág. 13). O padrão cromático da versão principal inclui o azul escuro e o vermelho, mas
também são permitidas as aplicações do logotipo em preto e o símbolo colorido e da
assinatura visual em preto e branco.

10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA)

Figura 1 - Assinatura/Marca oficial e Assinatura/Marca promocional UFRGS

Há uma padronização para aplicações referentes à Pro-reitorias, setores administrativos e
Faculdades que não possuem identidade própria. Nesse caso, a assinatura promocional deve
ficar sempre à esquerda ou acima da outra assinatura e a altura da marca promocional deverá
ser igual ou maior que qualquer outra marca presente. A aplicação diária mostra, porém que
os diferentes setores, quando utilizam esta identidade, assinam embaixo com a mesma
tipografia.

Alternativas propostas
A partir do estudo sobre os valores da marca da Universidade e de sua identidade, bem
como da história e dos valores da Faculdade de Arquitetura, traçaram-se os conceitos
orientadores para o projeto da identidade visual da marca subsidiária, alinhando o
posicionamento de ambas as instituições. Assim, o processo de geração de alternativas foi
baseado no modernismo – presente na história da Arquitetura e da própria Faculdade – na
solidez e imponência das instituições, no pioneirismo e na inovação que norteiam a visão da
Faculdade, atributos essenciais definidos nas etapas iniciais do processo. Para representar
esses conceitos, partiu-se para a geração de possibilidades compositivas para o símbolo e
entre símbolo e logotipo, seguindo as referências de Llovet (1979) e Gonzáles Solas (2004).
Dentre as alternativas geradas, foram pré-selecionadas duas possibilidades, a partir de uma
matriz de avaliação, conforme indicado por Péon (2009), cujos símbolos partem de um
monograma com as letras F e A e da intersecção de planos, referenciando a arquitetura a
partir de uma forma abstrata e geométrica (Figura 2).

Figura 2 – Propostas pré-selecionadas.






10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA)
Compatibilização dos sistemas
Com as duas propostas pré-selecionadas partiu-se para a validação das soluções por
meio de testes de redução, legibilidade, adequação ao conceito e flexibilidade nas aplicações.
Por fim, foi avaliada a compatibilização das assinaturas com a identidade visual da
Universidade, pois, de maneira isolada, as duas propostas mostraram-se adequadas em termos
formais e funcionais (Figura 3).


Figura 3 – Estudos de compatibilização das assinaturas visuais.

Desse modo, levantaram-se os seguintes aspectos relevantes e limitações quanto à
compatibilização das identidades:
• Adequação ao conceito: embora ambas as alternativas tenham partido dos mesmos
valores e atributos definidos para o sistema, a proposta A manteve-se mais alinhada com a
ideia modernista, enquanto a proposta B adquiriu características pós-modernas, pela tipografia
utilizada nos logotipos, padrões cromáticos e sistemas de apoio (grafismos e padrões)
propostos.
• Peso visual das assinaturas: mesmo a identidade da marca subsidiária possuindo
autonomia na sua construção, a assinatura visual da marca master deve ser percebida como
principal, possuindo maior visibilidade. Desse modo, é relevante considerar: (i) a área
geométrica ocupada pelo símbolo; (ii) o peso visual do símbolo; (iii) o equilíbrio óptico do
logotipo, contemplando o torso (altura-x) e extensão deste. Esses critérios devem ser
observados partindo de uma mesma medida de aplicação para as assinaturas, como na Figura
3, cujas alturas são equivalentes.
• Coerência formal: a assinatura visual da marca subsidiária deve ser coerente com a
assinatura visual da marca principal, considerando a geometria das formas, ângulos e
terminações, aspectos estilísticos, retórica morfológica, sintática e semântica do símbolo e
possibilidades compositivas entre símbolo e logotipo, conforme apresentado por Gonzáles
Solas (2004), a fim de manter a harmonia visual entre as identidades visuais. Neste sentido, a
proposta A mostrou-se mais coerente em termos formais com a assinatura visual da
Universidade, considerando os aspectos descritos.
• Estilo tipográfico: a escolha de uma fonte, ou o desenho do logotipo, deve ser
baseada em conceitos semelhantes àqueles utilizados pela marca master a respeito daquilo
que constitui a forma das letras. Também é importante considerar, além das questões formais,
as associações históricas da tipografia. Nesse aspecto, a proposta A mostrou-se mais
adequada, pois a tipografia utilizada de base para o logotipo foi desenhada no mesmo período

10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA)
histórico daquela utilizada na assinatura da Universidade. É também uma fonte sem serifa
geométrica, porém com formas humanistas e pequena variação no peso dos traços.
• Padrão cromático: não é necessário, a menos que seja determinado, que a marca
subsidiária utilize as mesmas cores institucionais da marca master em sua identidade.
Contudo, o padrão cromático deve ser compatível quanto à relação tonal e luminosidade. Por
exemplo, se a identidade principal utiliza tonalidades escuras, remetendo à sobriedade,
formalidade, seria pouco coerente adotar um padrão cromático intenso, luminoso, vibrante, se
a proposta é manter o equilíbrio visual entre as assinaturas.
• Versões de aplicação: é relevante que se mantenha o mesmo posicionamento entre
símbolo e logotipo com relação à assinatura principal, a fim de manter o equilíbrio no peso
visual das mesmas. Também é importante que se realizem testes de redução na
compatibilização, pois a assinatura da marca subsidiária deve permitir a redução máxima da
assinatura da marca master.
Assim, a partir destes critérios, pode-se avaliar a compatibilização das identidades
visuais, na qual a proposta A (Figura 4) mostrou-se mais eficiente no atendimento aos
parâmetros definidos. Embora não sejam definitivas, estas seis variáveis (adequação ao
conceito da identidade master; peso visual das assinaturas; coerência formal; conformidade
do estilo tipográfico; padrão cromático compatível e adequação das versões de aplicação)
podem ser adotadas em outras situações de desenvolvimento de identidades para arquiteturas
de marcas similares ao caso estudado, tanto para orientar o processo de geração de
alternativas quanto para avaliar e selecionar as propostas desenvolvidas.


Figura 4 – Versões cromáticas e em negativo da alternativa selecionada.

No processo de compatibilização da proposta selecionada, mostrou-se necessário o
desenvolvimento de uma segunda versão para assinatura, sendo esta horizontal em função da
diversidade de aplicações e abrangência do sistema de identidade visual de marca (Figura 5).
Ainda neste processo, os estudos contemplaram as compatibilizações com os descritivos dos
departamentos e as assinaturas dos programas de pós-graduação, vinculadas à faculdade, além
do desenvolvimento de assinaturas comemorativas.





10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA)

















Figura 5 – Compatibilização.

Segundo a metodologia proposta, após o desenho da identidade, continuou-se o projeto
com o desenvolvimento dos pontos de contato, incluindo a concepção, os testes e as
validações das aplicações. Por fim iniciou-se a etapa de gestão de ativos, com o
desenvolvimento do manual de identidade e guia de uso.

Considerações finais
Um projeto de identidade visual exige grande responsabilidade dos designers, pois
pertence ao composto que forma a imagem da marca, o ativo mais valioso de uma
organização. Em grandes organizações, a marca possui inclusive um valor financeiro maior
do que todos os ativos tangíveis juntos – como capital tecnológico, estruturas físicas, entre
outros. No caso de instituições públicas, em geral, a marca comunica-se com um público
vasto e diversificado, que já possui uma imagem consolidada a respeito da organização. Por
isso, é fundamental que, ao projetar um novo sistema neste contexto, busque-se compreender
os valores já instituídos da marca principal.
Contudo, esses valores precisam estar representados visualmente de modo que se
transformem em atributos para a assinatura e demais padrões, compatibilizando os sistemas
de identidade visual. Para tanto, é relevante ponderar alguns critérios de avaliação, como os
especificados anteriormente, a fim de construir uma arquitetura de marca adequada aos
padrões existentes, que complemente o sistema principal ao mesmo tempo em que constitua
uma identidade própria para a marca subsidiária. Esse artigo visa, desse modo, contribuir para
projetos semelhantes ao caso analisado, além de ampliar os estudos sobre critérios para
geração e seleção de alternativas, considerando situações de arquitetura de marcas
subsidiárias.
Com relação ao projeto desenvolvido, estudo de caso deste artigo, observou-se que a
complexidade do projeto estava no grande numero de compatibilizações necessárias, seja com
a marca mãe, seja com os departamentos e programas de pós-graduação relacionados com
Faculdade. Neste sentido, a solução adotada mostrou-se versátil e flexível, adequando-se a

10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA)
essas diferentes necessidades de uso, porém concisa, considerando a facilidade de aplicação
do sistema, visto que é utilizado por um número grande de servidores da instituição.

Referências

CAUDURO, F.; FONSECA, J. UFRGS - Programa de Identidade Visual. Porto Alegre:
UFRGS, 1997.

COSTA, J. A imagem da marca: um fenômeno social. São Paulo: Rosari.

FASCIONI, L. Uma proposta para o alinhamento estruturado entre a identidade corporativa e
a identidade visual. In: 7 Congresso Brasileiro de Pesquisa & Desenvolvimento em Design,
Curitiba, 2006. Anais... Curitiba: UFPR, 2006.

LLOVET, J. Ideologia y metodologia del diseño. Barcelona: Gustavo Gili, 1979.

PÉON, M. L. Sistemas de identidade visual. Rio de Janeiro: 2AB, 2009.

GONZÁLEZ SOLAS, J. Identidad visual corporativa. Madrid: Editorial Síntesis, 2004.

WHEELER, A. Design de Identidade de Marca. 2a ed. Porto Alegre: Bookman, 2008.



Master your semester with Scribd & The New York Times

Special offer for students: Only $4.99/month.

Master your semester with Scribd & The New York Times

Cancel anytime.