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Goiânia, 25 de junho de 2009

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ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Mudando os congestionamentos
EDITORIAS Washington Novaes
Capa
Opinião
Cidades Depois de obras para abrir uma entrada à esquerda na Avenida 85, entre as
Política Ruas T-11 e T-59, anunciam-se novas intervenções na T-63, Vila Redenção e
Economia Setor Pedro Ludovico, como “alternativas para desafogar o trânsito”, segundo
Mundo
Esporte explicou a Agência Municipal de Obras (O POPULAR, 12/6). O objetivo “é
Magazine liberar o fluxo de trânsito em direção aos Setores Serrinha e Bela Vista”.
Circuito Goiano Porque “como estava, os veículos que precisam fazer a conversão à
esquerda iam parando e acabavam obstruindo a passagem daqueles que
COLUNAS desejavam seguir em frente”.
Giro
Direito e Justiça
Coluna social É inevitável que a memória recue à época em que foram anunciadas as obras
Memorandum de implantação da passagem subterrânea na Avenida 85, na Praça do
Crônicas e
outras histórias
Ratinho, bem como a intervenção no cruzamento com a T-64. Mencionou-se
neste espaço, na ocasião, o que o arquiteto Jayme Lerner vem dizendo há
décadas: viadutos, passagens subterrâneas etc. apenas mudam de lugar os
SERVIÇOS
E-mail congestionamentos; é preciso definir políticas preferenciais para o transporte
Cartas dos leitores coletivo, não para o transporte individual – bem ao contrário do que vem
Assinatura acontecendo no País todo, inclusive em Goiânia, que já tem uma dos mais
Acontece
Na telinha altos índices de veículos por habitante: um veículo para 1,5 morador da
Cinema cidade. E o resultado está à vista, no trânsito congestionado, apesar dessas
Horóscopo intervenções, da abertura de pistas onde estavam praças e outras obras.
Guia do Assinante
Central do Assinante
Efetuar Logout Neste mesmo momento, a cidade de São Paulo está às voltas com mais uma
polêmica nesse mesmo contexto, por causa da decisão conjunta dos
CHARGE governos do Estado e Prefeitura, de implantar quatro pistas novas de cada
lado em 22,7 quilômetros da Avenida Marginal Tietê, para deixá-la, nesse
trecho, com 10 pistas de cada lado, na tentativa de evitar ali
ESPECIAIS congestionamentos de até 30 quilômetros (na cidade toda, na véspera do
Ditadura Militar
Caminhada Ecoógica feriado de Corpus Christi, bateu-se o recorde de congestionamentos: 293
Goiânia 75 anos quilômetros). Orçada em R$1,3 bilhão, a obra ocupará grande parte do pouco
Retrospectiva 2008
que resta da várzea de inundação natural do Rio Tietê (que nas chuvas mais
fortes transborda e inviabiliza o trânsito) e pretende abrir caminho a 1,2
SITES milhão de veículos (entre eles 150 mil caminhões) que por ali passam todos
Vrum os dias. A Associação Brasileira de Arquitetos e Paisagistas, bem como o
Lugar Certo ex-secretário de Planejamento, Jorge Wilheim, estão protestando contra o
OJC “equívoco grave” de impermeabilizar mais 19 hectares às margens dos rios e
Jornal do Tocantins
Tv Anhanguera continuar dando prioridade ao transporte individual. Lá como cá.
Goiasnet
Fundação J. Câmara Mas que se vai fazer em uma cidade como São Paulo que já tem mais de 6
Rede Anhanguera
Executiva FM milhões de automóveis e 93 mil caminhões, mas ainda assim licencia mais 1
mil veículos novos a cada dia, aos quais o governo federal concede isenção
de impostos? A má qualidade do ar (três vezes mais alta que o limite admitido
CONTATOS pela Organização Mundial de Saúde – OMS), decorrente da poluição gerada
ASSINATURAS:
por veículos, já custa mais de R$ 300 milhões por ano (mais de 10 reais por
3250-5353 segundo) aos serviços públicos de saúde na cidade, mata quase 20 pessoas
CLASSIFICADOS: por dia na região metropolitana (a taxa dobrou em cinco anos) pelo
3250-5323
COMERCIAL DE
agravamento de doenças cardiorrespiratórias. A expectativa de vida dos
INTERNET: paulistanos já diminuiu em um ano, segundo o Laboratório de Poluição do Ar
3250-1323 da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A poluição do ar
ATENDIMENTO AO
ASSINANTE:
contribui para o agravamento dos casos de câncer no pulmão, pneumonia,
3250-1220 angina, sinusite, câncer na tireóide, bronquite, angina etc.

EXPEDIENTE Não bastasse, o Brasil já é o quinto país em número de vítimas de acidentes


de trânsito no mundo, onde morrem por esse caminho 1,2 milhão de pessoas
a cada ano (dos quais 400 mil jovens entre 10 e 24 anos), segundo a OMS.
Que prevê o dobro desse número para dentro de pouco tempo. Hoje, as
despesas com acidentes chegam a R$ 1 trilhão por ano. No Brasil, o custo
dos acidentes é de R$28 bilhões anuais, segundo o Departamento Nacional
de Trânsito. E morrem 6,2 mil pessoas para 100 mil carros da frota nacional.
São Paulo é a cidade em quinto lugar entre as 164 de pior circulação no
mundo. No Brasil, Goiânia é a cidade em 11% lugar entre as piores.
Ainda assim, a venda de veículos em Goiás continua a bater recordes (O
POPULAR, 14/1): em um ano, 93 mil automóveis, caminhões e utilitários
esportivos, fora 93 mil motocicletas.

São Paulo já discute várias propostas polêmicas, como a da criação de


cobrança de pedágio em certas áreas (para reduzir o número de carros e
aumentar a velocidade dos ônibus – fórmula adotada por Londres e seguida
em várias cidades europeias), que chegou a ser proposta pelo governo Serra.
Outro caminho seria exigir a retirada de um veículo antigo de circulação para
licenciar um novo. Ou implantação imediata da inspeção anual obrigatória,
prevista há duas décadas, para medir o nível de emissão de poluentes e de
ruídos. Ou a evolução para um sistema mais duro de rodízio, que só permita
a circulação nos dias pares de veículos de placa com final par; e de placas
com final ímpar nos dias ímpares.

Os adversários de qualquer desses caminhos são muitos e fortes. Lá como


aqui, entretanto, não se conseguirá avançar em direção a soluções reais sem
impor restrições ao transporte individual e sem conceber políticas de
transporte público de fato abrangentes e capazes.

Washington Novaes é jornalista

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