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Mata Atlântica

Biodiversidade, Ameaças e Perspectivas


Mata Atlântica
Biodiversidade, Ameaças e Perspectivas

Editado por
Carlos Galindo-Leal e
Ibsen de Gusmão Câmara

Fundação SOS Mata Atlântica


Conservação Internacional

Centro de Ciências Aplicadas à Biodiversidade

Belo Horizonte
2005
Título original: The Atlantic Forest of South America: biodiversity status,
threats, and outlook. Washington: Island Press, Center for Applied Biodiversity
Science at Conservation International. 2003.
Copyright © 2003 por Conservation International

Copyright da tradução © 2005 por Fundação SOS Mata Atlântica e Conser-


vação Internacional

Aliança para Conservação da Mata Atlântica


Conservação Internacional Fundação SOS Mata Atlântica
Presidente: Angelo B. M. Machado Presidente: Roberto Luiz Leme Klabin
Vice-presidentes: José Maria C. da Silva Vice-presidente: Paulo Nogueira-Neto
Carlos A. Bouchardet Diretoria de Gestão do
Programa Mata Atlântica: Conhecimento: Márcia M. Hirota
Luiz Paulo S. Pinto (Diretor) Diretoria de Captação de
Adriana Paese, Adriano P. Paglia, Recursos: Adauto T. Basílio
Ivana R. Lamas, Lúcio C. Bedê, Diretoria de Mobilização: Mario Mantovani
Mônica T. Fonseca

Coordenação da tradução: Ivana R. Lamas


Tradução: Edma Reis Lamas
Revisão técnica: Lívia Vanucci Lins
Revisão de texto: Ana Martins Marques e Marcílio França Castro

Editoração e arte-final: IDM Composição e Arte


Capa: Ricardo Crepaldi
Fotos: Andrew Young (capa), João Makray (p. 1, 25), Haroldo Palo Jr. (p. 137),
Russel Mittermeier (p. 265, 353) e Haroldo Castro (p. 457)

Ficha catalográfica: Andrea Godoy Herrera CRB 8/2385


M41 Mata Atlântica : biodiversidade, ameaças e perspectivas / editado por
Carlos Galindo-Leal, Ibsen de Gusmão Câmara ; traduzido por Edma
Reis Lamas. – São Paulo : Fundação SOS Mata Atlântica — Belo
Horizonte : Conservação Internacional, 2005.
472 p. : il., mapas, grafs, tabelas ; 25,2 x 17,8 cm.
(State of the hotspots, 1)
Título original: The Atlantic forest of South America: biodiversity
status, threats, and outlook
ISBN: 85-98946-02-8 (Fundação SOS Mata Atlântica)
85-98830-05-4 (Conservação Internacional)
1. Mata Atlântica 2. Diversidade biológica I. Galindo-Leal, Carlos
II. Câmara, Ibsen de Gusmão III. Título
Sumário

Apresentação da edição brasileira ............................................................... ix


Angelo B. M. Machado e Roberto Klabin
Apresentação da edição original ................................................................. xi
Gordon E. Moore
Prefácio .................................................................................................xiii
Gustavo A. B. da Fonseca, Russell A. Mittermeier e Peter Seligmann
Agradecimentos .................................................................................... xvii

I. INTRODUÇÃO
1. Status do hotspot Mata Atlântica: uma síntese .............................. 3
Carlos Galindo-Leal e Ibsen de Gusmão Câmara
2. Estado dos hotspots: a dinâmica da perda de biodiversidade ...... 12
Carlos Galindo-Leal, Thomas R. Jacobsen,
Penny F. Langhammer e Silvio Olivieri

II. BRASIL
3. Dinâmica da perda da biodiversidade na Mata Atlântica
brasileira: uma introdução ...................................................... 27
Luiz Paulo Pinto e Maria Cecília Wey de Brito
4. Breve história da conservação da Mata Atlântica ...................... 31
Ibsen de Gusmão Câmara
5. Estado da biodiversidade da Mata Atlântica brasileira ............... 43
José Maria Cardoso da Silva e Carlos Henrique M. Casteleti
6. Monitoramento da cobertura da Mata Atlântica brasileira
Márcia Makiko Hirota ............................................................... 60
7. Prioridades de conservação e principais causas da perda de
biodiversidade nos ecossistemas marinhos ................................. 66
Silvio Jablonski
8. Espécies ameaçadas e planejamento da conservação ................... 86
Marcelo Tabarelli, Luiz Paulo Pinto, José Maria Cardoso da Silva
e Cláudia Maria Rocha Costa
vi Sumário

9. Passado, presente e futuro do mico-leão-dourado e de


seu hábitat ................................................................................. 95
Maria Cecília M. Kierulff, Denise M. Rambaldi
e Devra G. Kleiman
10. Causas socioeconômicas do desmatamento na
Mata Atlântica brasileira .......................................................... 103
Carlos Eduardo Frickmann Young
11. Os Corredores Central e da Serra do Mar na
Mata Atlântica brasileira .......................................................... 119
Alexandre Pires Aguiar, Adriano Garcia Chiarello,
Sérgio Lucena Mendes e Eloina Neri de Matos
12. Iniciativas políticas para a conservação da
Mata Atlântica brasileira .......................................................... 133
José Carlos Carvalho

III. ARGENTINA
13. Dinâmica da perda da biodiversidade na Mata Atlântica
argentina: uma introdução ...................................................... 139
Alejandro R. Giraudo
14. Breve história da conservação da Floresta do Paraná ............... 141
Juan Carlos Chebez e Norma Hilgert
15. Status da biodiversidade da Mata Atlântica de Interior da
Argentina ................................................................................. 160
Alejandro R. Giraudo, Hernán Povedano, Manuel J. Belgrano,
Ernesto R. Krauczuk, Ulyses Pardiñas, Amalia Miquelarena,
Daniel Ligier, Diego Baldo e Miguel Castelino
16. Ameaças de extinção das espécies-bandeira da
Mata Atlântica de Interior ....................................................... 181
Alejandro R. Giraudo e Hernán Povedano
17. Perspectivas para a conservação de primatas em Misiones ....... 194
Mario S. Di Bitetti
18. A perda da sabedoria Mbyá: desaparecimento de um
legado de manejo sustentável ................................................... 200
Angela Sánchez e Alejandro R. Giraudo
19. Raízes socioeconômicas da perda da biodiversidade em
Misiones .................................................................................. 207
Silvia Holz e Guillermo Placci
Sumário vii

20. Capacidade de conservação na Floresta do Paraná ................... 227


Juan Pablo Cinto e María Paula Bertolini
21. Análise crítica das áreas protegidas na Mata Atlântica da
Argentina ................................................................................. 245
Alejandro R. Giraudo, Ernesto R. Krauczuk,
Vanesa Arzamendia e Hernán Povedano
22. Última oportunidade para a Mata Atlântica ............................ 262
Luis Alberto Rey

IV. PARAGUAI
23. Dinâmica da perda da biodiversidade na Mata Atlântica
paraguaia: uma introdução ...................................................... 267
José Luis Cartes e Alberto Yanosky
24. Breve história da conservação da Mata Atlântica de Interior ... 269
José Luis Cartes
25. Status da biodiversidade da Mata Atlântica de Interior do
Paraguai ................................................................................... 288
Frank Fragano e Robert Clay
26. Aspectos socioeconômicos da Mata Atlântica de Interior ........ 308
Ana Maria Macedo e José Luis Cartes
27. O aqüífero Guarani: um serviço ambiental regional ............... 323
Juan Francisco Facetti
28. Capacidade de conservação na Mata Atlântica de Interior
do Paraguai .............................................................................. 326
Alberto Yanosky e Elizabeth Cabrera

V. QUESTÕES TRINACIONAIS
29. Dinâmica da perda da biodiversidade: uma introdução
às questões trinacionais ............................................................ 355
Thomas R. Jacobsen
30. Espécies no limiar da extinção: vertebrados terrestres
criticamente em perigo ............................................................ 358
Thomas Brooks e Anthony B. Rylands
31. Reunindo as peças: a fragmentação e a conservação
da paisagem ............................................................................. 370
Carlos Galindo-Leal
viii Sumário

32. Florestas em perigo, povos em desaparecimento:


diversidade biocultural e sabedoria indígena ............................ 379
Thomas R. Jacobsen
33. Visitas indesejadas: a invasão de espécies exóticas .................... 390
Jamie K. Reaser, Carlos Galindo-Leal e Silvia R. Ziller
34. Extração e conservação do palmito .......................................... 404
Sandra E. Chediack e Miguel Franco Baqueiro
35. Impacto das represas na biodiversidade da Mata Atlântica ...... 411
Colleen Fahey e Penny F. Langhammer
36. Povoando o meio ambiente: crescimento humano,
densidade e migrações na Mata Atlântica ................................ 424
Thomas R. Jacobsen
37. O Mercosul e a Mata Atlântica: um marco regulatório
ambiental ................................................................................. 434
María Leichner
38. Um desafio para conservação: as áreas protegidas da
Mata Atlântica ......................................................................... 442
Alexandra-Valeria Lairana

VI. CONCLUSÃO
39. Perspectivas para a Mata Atlântica ........................................... 459
Carlos Galindo-Leal, Ibsen de Gusmão Câmara e
Philippa J. Benson

Sobre os colaboradores ............................................................................ 467


PARTE I
Introdução
Capítulo 2

Estado dos hotspots:


a dinâmica da perda de biodiversidade
Carlos Galindo-Leal, Thomas R. Jacobsen,
Penny F. Langhammer e Silvio Olivieri

Nos últimos 400 anos, como resultado das atividades humanas, aproximada-
mente 250 espécies de pássaros, mamíferos, répteis e anfíbios foram extintas.
Esse número cresce para mais de 2 mil se as extinções antrópicas ocorridas antes
do século XVII também forem consideradas (Steadman, 1995). Hoje, mais de 11
mil espécies de plantas e animais são consideradas ameaçadas, e correm o risco de
ter o mesmo destino (IUCN, 2000).
Esse declínio sem precedentes da biodiversidade é provavelmente o fenômeno
mais crítico do nosso tempo. Em poucas décadas, o impacto humano saltou de
uma escala local, relacionada com a poluição e a superexploração de populações
de plantas e animais, para uma escala global, principalmente com as mudanças
climáticas. Inúmeras evidências sugerem que o planeta pode estar vivendo um
dos maiores episódios de extinção de sua história (Vitousek et al., 1997; Myers et
al., 2000; Hilton-Taylor, 2000; Brooks et al., 2002). Para criar soluções que
efetivamente diminuirão – ou mesmo interromperão –, a longo prazo, a perda de
biodiversidade, os pesquisadores precisam identificar as suas causas subjacentes e
compreender as relações entre elas (Contreras-Hermosilla, 2000; Stedman-
Edwards, 2000). Para nenhum outro lugar reunir essas informações é mais
importante do que para os hotspots de biodiversidade (Myers et al., 2000).
Este livro aborda o estado da biodiversidade na Mata Atlântica, um dos
hotspots mais ameaçados da Terra. Cada um dos três países incluídos nesse hotspot
– Brasil, Argentina e Paraguai – é discutido em uma seção específica, e uma
seção final cobre assuntos relevantes para todos eles. Cada seção inicia-se com
uma breve síntese, seguida por capítulos escritos por especialistas em várias
disciplinas, que analisam o estado da biodiversidade, as causas da perda de
biodiversidade e a capacidade das instituições locais de fornecer soluções e
implementar ações de conservação efetivas (Figura 2.1). Os autores que,
coletivamente, contribuíram para este livro trouxeram décadas de estudos e
experiências pessoais sobre a Mata Atlântica, tornando a publicação única em
abrangência, profundidade e atualidade das informações.

12
Estado dos hotspots: a dinâmica da perda de biodiversidade 13

Figura 2.1. Esquema conceitual relativo às questões de conservação tratadas neste livro.

Conseqüências da perda de biodiversidade


A perda de biodiversidade começa com a diminuição da variabilidade
genética e de interações ecológicas e termina com a extinção local de populações
de plantas e animais. Quando todas as populações de uma espécie em particular
desaparecem, essa espécie some para sempre da superfície do planeta. A extinção
de espécies é uma perda imensurável, porque cada espécie contém informações
genéticas únicas, moldadas por complexas interações ecológicas ao longo de
milhões de anos de evolução.
A extinção de espécies causa mudanças em processos ecossistêmicos, e, à
medida que os ecossistemas empobrecem, seus produtos e serviços diminuem.
Esses produtos e serviços incluem ar puro, água limpa, solo fértil e uma varie-
dade de plantas e animais, dos quais o homem depende para alimentação, ves-
tuário, combustível, medicamentos e abrigo (Toledo et al., 1995; Cassis, 1998) (ver
Capítulo 27). Em outras palavras, a perda da biodiversidade traduz-se em perda
de recursos, que afeta diretamente a vida e a subsistência da população humana.
Paradoxalmente, o homem é a única espécie capaz de perceber que o planeta vive
uma crise de biodiversidade e que somente nós temos habilidade para construir e
implementar soluções para essa situação imposta por nós mesmos.

O que está acontecendo? O estado da biodiversidade


Avaliar o estado da biodiversidade de uma região não é simples. A
biodiversidade compreende dinâmicas de ecossistemas e espécies, em muitas
escalas diferentes, mediante processos ecológicos e evolutivos que mantêm a
variabilidade genética e populacional (Noss, 1990). As comunidades, por sua
vez, interagem nas diferentes paisagens, respondendo, ao longo do tempo, às
pressões antrópicas e naturais (Tabela 2.1).
14 INTRODUÇÃO

Tabela 2.1. Matriz de exemplos de indicadores de composição, estrutura e função para fins de
inventário, monitoramento e avaliação, em cinco níveis de organização (adaptado de Noss, 1990).

Instrumentos para
inventário e
Nível Composição Estrutura Função monitoramento

Paisagem Tipos e extensão Freqüência de Dispersão Sensoriamento


dos ecossistemas distribuição dos remoto
fragmentos e
conectividade

Ecossistema e Identidade das Disponibilidade Interações bióticas Amostragem da


comunidade espécies de água comunidade

Espécies e Abundância Uso do hábitat Processos Radiotelemetria,


população relativa demográficos estimativa da
população

Genético Diversidade de Polimorfismo Efeitos da Eletroforese,


alelos consangüinidade DNA fingerprinting

Cultural Conhecimento Amplitude e Resiliência Entrevistas


ecológico profundidade ecológica
tradicional
Uso sustentável
Variedades
domesticadas

Avaliação da biodiversidade em relação à paisagem, às


comunidades, à população e aos aspectos genético e cultural
As variações de extensão e de fragmentação do ecossistema, incluindo as
variações de conectividade (distância entre fragmentos), são fatores importantes
para avaliar o estado da biodiversidade no que se refere à paisagem. A fragmen-
tação pode acelerar a perda de hábitat, o isolamento de partes remanescentes do
ecossistema, a redução das condições ambientais típicas do interior da floresta e a
criação de efeitos de borda (ver Capítulos 5, 6, 7, 16, 25 e 31). Processos ecoló-
gicos são alterados porque paisagens fragmentadas favorecem algumas espécies e
prejudicam outras. Populações de plantas e animais isoladas em pequenas áreas
são mais vulneráveis a eventos ambientais, genéticos e demográficos aleatórios,
que podem levá-las à extinção (ver Capítulo 31). Muitos pesquisadores
concordam (Noss, 1999) (ver Capítulo 15) em que, quanto à paisagem, os
indicadores mais apropriados para a avaliação e o monitoramento do estado da
biodiversidade são as variações na extensão dos ecossistemas, a proporção dos
fragmentos remanescentes de tamanhos variados, o número de grandes áreas, a
distribuição espacial dos distúrbios e o grau de conectividade (Tabela 2.2).
Embora também seja importante, em avaliações da biodiversidade, rastrear a
dinâmica de comunidades completas, freqüentemente esse trabalho é imprati-
cável, particularmente nos ecossistemas tropicais, nos quais existe um número
muito grande de espécies e um número muito reduzido de indivíduos em cada
Estado dos hotspots: a dinâmica da perda de biodiversidade 15

Tabela 2.2. Exemplos de indicadores para monitoramento da biodiversidade nos níveis de


paisagem, população, comunidade, genético e cultural.

Nível Indicadores

Paisagem Proporção de hábitats inalterados remanescentes


Perda de hábitat e Freqüência de distribuição dos fragmentos de hábitats remanescentes
fragmentação Número de fragmentos grandes (>100km2, >1.000km2, >10.000km2)
Distribuição espacial da perda de hábitat e dos remanescentes
Grau de conectividade

Deterioração do Proporção de hábitat intacto remanescente


hábitat Proporção de hábitat alterado remanescente

Comunidade Número de espécies nativas


Número de espécies extintas globalmente
Número de espécies extintas localmente
Número de espécies ameaçadas
Número de espécies endêmicas

População Redução da área de uso


Extensão de hábitat ocupado
Freqüência de distribuição de fragmentos de hábitat ocupados
Tendências do tamanho da população
Número de populações com tamanho viável
Número de populações em declínio
Estrutura etária
Tendências reprodutivas e de sobrevivência

Genético Perda de populações geneticamente diferentes


Perda de variabilidade genética
Depressão por consangüinidade

Cultural Perda da linguagem indígena


Perda das práticas locais tradicionais
Perda do conhecimento local tradicional

população para permitir uma avaliação detalhada das tendências. Várias medidas
alternativas foram propostas para avaliar alterações na diversidade e na estrutura
das comunidades, entre elas a análise por guildas, espécies indicadoras, espécies-
chave e espécies-foco (Lambeck, 1997; Simberloff, 1998). Da mesma forma, os
níveis populacionais também devem ser cuidadosamente monitorados,
particularmente o das espécies de distribuição restrita e o das espécies ameaçadas,
que são os alvos principais da conservação, devido a seu número reduzido ou em
declínio (Caughley e Gunn, 1996) (ver Capítulos 9, 16 e 17). A Lista Vermelha
da União Mundial para a Natureza (UICN) fornece um sistema quantitativo
para a seleção e o monitoramento de espécies que se enquadram nesses critérios
(ver Capítulos 8 e 30).
Além dos componentes tangíveis da biodiversidade – paisagem, comunidades
e populações –, outro elemento a ser monitorado é a diversidade genética. A
variabilidade genética pode ser reduzida muito antes que uma espécie seja
extinta, já que, à medida que as populações diminuem de tamanho, sua
16 INTRODUÇÃO

composição genética pode ser influenciada por fatores como consangüinidade,


deriva genética, gargalo genético e efeito fundador (Avise e Hamrick, 1996).
Estudos de diversidade genética podem ajudar a detectar perda de variabilidade
em populações pequenas ou isoladas e podem ajudar os pesquisadores a
compreender as conseqüências da falta de conectividade entre as populações. A
variabilidade genética pode ser analisada com a utilização do DNA, das proteínas
e dos métodos imunológicos (Smith e Wayne, 1996).
O monitoramento do estado da diversidade cultural é outro fator
importante, porque os homens também influenciam a biodiversidade. Eles
domesticaram e cultivaram uma grande variedade de plantas e animais para
atender a diferentes propósitos e condições ambientais. Por exemplo, o homem
produziu mais de 66 variedades de milho na Mesoamérica (Sánchez-González,
1994) e aproximadamente 7 mil variedades de arroz em Bangladesh (Thrupp,
1997). Por outro lado, o agronegócio moderno estimula a produção de
monoculturas em larga escala, desfavorecendo as variedades tradicionais de
plantas, a ponto de se tornarem ameaçadas e mais vulneráveis a pragas e doenças
(Thrupp, 1997). Acima de tudo, as sociedades humanas e, particularmente, as
culturas tradicionais mantêm um rico conhecimento sobre os sistemas ecológicos,
conhecimento este que é rapidamente perdido quando essas culturas são
incorporadas aos sistemas capitalistas de produção (Toledo et al., 1995). O alar-
mante desaparecimento de línguas nativas ameaça exterminar muito desse conhe-
cimento e da sabedoria a ele associada (Maffi, 2001) (ver Capítulos 18 e 32).

Por que isto está acontecendo? Causas diretas e indiretas da


perda de biodiversidade
As atividades humanas, na maioria dos lugares, desempenham agora um
papel mais importante nas mudanças dos ecossistemas do que os fenômenos
naturais, como furacões, deslizamentos, enchentes e incêndios. Somos
responsáveis por fatores diretos e indiretos que moldam a paisagem e aceleram o
ritmo e a extensão da perda de biodiversidade (ver Capítulos 11 e 33).
Ações humanas causam diretamente a perda de biodiversidade, tanto
reduzindo populações de espécies nativas como alterando ou eliminando seus
hábitats. A perda de hábitat provocada pelo homem, em grande parte promovida
pela agricultura comercial em larga escala (Machlis e Forester, 1996; Stedman-
Edwards, 2000), é uma das maiores ameaças para 85% das 1.256 espécies de
plantas e animais globalmente ameaçadas. Na Mata Atlântica, esse fator também
desempenha um papel importante, como documentado pelos autores ao longo
deste livro (Tabela 2.3).

População, consumo e políticas econômicas: causas indiretas da


perda de biodiversidade
Embora as causas diretas da perda de biodiversidade freqüentemente sejam
claras e fáceis de identificar, elas estão envolvidas em uma rede complexa de
Estado dos hotspots: a dinâmica da perda de biodiversidade 17

Tabela 2.3. Fatores que afetam diretamente a biodiversidade e seus indicadores.

Perda de
biodiversidade Causas diretas Indicadores
Perda de hábitat Agricultura, mineração, pecuária, Porcentagem do ecossistema original
urbanização e desenvolvimento convertido para agricultura de pequena e
de infra-estrutura grande escala, aqüicultura, maricultura,
desenvolvimento urbano,
desenvolvimento agroflorestal intenso,
pastagens, reflorestamentos, mineração e
exploração mineral, projetos de infra-
estrutura e irrigação, destruição pelo
fogo, equipamentos de pesca.
Deterioração do Poluição, mudanças na Quantidade e concentração de grupos
hábitat temperatura, na umidade, na particulares de substâncias, comparadas
salinidade, na acidez e no pH com os padrões de tais substâncias no
solo, na água e no ar; poluentes agrícolas
(fertilizantes, herbicidas); poluentes
industriais, chuva ácida.
Remoção ou introdução de Porcentagem do ecossistema que sofre
espécies extração de lenha, produtos florestais não
madeireiros e pesca.
Extrativismo Extração para alimentação, Quantidade de troncos extraídos,
excessivo abrigo, medicamento, corantes, animais silvestres caçados, produtos
óleos, combustível, fibras, florestais não madeireiros coletados e
utensílios e lucro comercial lenha colhida.
Introdução de Acidental Número, razão e abundância relativa de
espécies e doenças espécies exóticas. Conseqüências
ecológicas e econômicas.
Deliberada

outros fatores sociais, culturais, políticos e econômicos. Na maioria das


sociedades, um pequeno número de indivíduos consome uma grande proporção
dos recursos, enquanto a maioria mal consegue atender às suas necessidades
diárias (FAO, 2002) (Tabela 2.4). Desigualdades no controle e no uso da terra e
dos recursos contribuem para padrões de pobreza e consumo excessivo,
reforçados historicamente pelo colonialismo, pelo mercado internacional e pelo
livre comércio (Clairmonte e Cavanagh, 1988; Shiva, 2000) (ver Capítulos 4,
14, 24 e 37).
Outra causa indireta da perda de biodiversidade está relacionada com a linha
de muitas políticas governamentais. Em muitos países, as políticas governamen-
tais tendem a conferir o direito de propriedade mais facilmente aos colonos que
desmatam e ocupam as florestas e outras áreas ricas em biodiversidade do que
àqueles que trabalham em situação de posse tradicional da terra ou que praticam
métodos mais sustentáveis de uso dos recursos. Em outras palavras, a indefinição
e a desigualdade na propriedade de terras enfraquecem as motivações para o
18 INTRODUÇÃO

Tabela 2.4. Fatores responsáveis pela perda de biodiversidade.

Fatores determinados pelo lucro (a ganância)


Fatores indiretos
Perda de Fatores diretos Local Nacional Internacional
biodiversidade
Perda de Agricultura e pesca Criação de Economia Instituições
hábitat industrial, aqüicultura possibilidades e nacional e dívida financeiras
(peixe, camarão e ostra), incentivos para (ajuda
mineração, extração de a imigração multilateral e
óleo, pecuária, bilateral)
urbanização e
desenvolvimento de
infra-estrutura (represas,
rodovias, gasodutos,
aterros sanitários)
Deterioração Poluição industrial, Crescimento Incentivos, leis Relações
do hábitat mudanças na populacional e políticas comerciais
temperatura, na nacionais
umidade, na salinidade,
na acidez e no pH
Extrativismo Pesca industrial, manejo Programas de Tratados
excessivo florestal, comércio de ajustamento internacionais
vida silvestre estrutural
Introdução de Agricultura, introduções Influência das Demanda
espécies e acidentais corporações nos (commodities e
doenças governos comércio de
vida silvestre)

Monopólios Monopólios
nacionais internacionais
Fatores determinados pela subsistência (a necessidade)
Fatores indiretos
Perda de Fatores diretos Local Nacional Internacional
biodiversidade
Perda de Agricultura de Propriedade e Incentivos, leis e
hábitat queimada, pecuária desigualdade no políticas
extensiva, pesca uso do solo nacionais
destrutiva (cianeto e
dinamite)
Deterioração Poluição, mudanças na Monopólio dos
do hábitat temperatura, na recursos
umidade, na salinidade,
na acidez e no pH
Extrativismo Extrativismo para fins de Baixos salários
excessivo alimentação, abrigo,
remédio, corantes, óleos,
combustível, fibras,
utensílios e lucro
comercial
Introdução de Agricultura, introduções Restrições
espécies e acidentais sociais e
doenças crescimento
populacional
Estado dos hotspots: a dinâmica da perda de biodiversidade 19

manejo da terra e encorajam a superexploração imediatista. Embora padrões


tradicionais de uso dos recursos possam ser sustentáveis, a dinâmica que envolve
pobreza e desigualdade, densidade populacional elevada, crescente dependência
da economia de mercado, subsídios perversos, políticas governamentais e novas
tecnologias tem alterado dramaticamente o relacionamento homem-natureza
(Bawa e Dayanandan, 1997; Barraclough e Ghimire, 2000) (ver Capítulo 36).
Uma outra causa da perda da biodiversidade é o controle do governo sobre
fatores macroeconômicos, como taxas de câmbio, fluxo de capital, níveis de endi-
vidamento e investimentos. Tudo isso cria incentivos para atividades como
produção agrícola e criação de gado em larga escala e exploração de recursos florestais
(Barraclough e Ghimire, 2000). Na Amazônia brasileira, por exemplo, a maior
parte do desmatamento tem origem em subsídios do governo, que tornam
possível a ação de investidores que querem comprar e desmatar grandes extensões
de floresta para criação de gado (Myers e Kent, 2001). Governos de países em
desenvolvimento usam programas de ajustamento estrutural para tentar fortalecer
o crescimento econômico e ganhar estabilidade macroeconômica. Esses
programas promovem um fluxo internacional de capital e privatizações, e
freqüentemente liberalizam as políticas de comércio e câmbio. Em tal contexto, a
influência do mercado internacional e, portanto, as demandas estrangeiras por
recursos naturais podem disparar (Tabela 2.5) (ver Capítulos 10, 19 e 26).

O que podemos fazer? Capacidade de conservação


A conservação é um compromisso social que inclui as ações de indivíduos e
que se dissemina por meio das atividades de grupos e da sociedade como um
todo. À medida que os ecossistemas deterioram-se e um crescente número de
espécies caminha para o limiar da extinção, os esforços devem ser direcionados
para a promoção de ações que nós, como indivíduos e como membros da
sociedade, podemos realizar para proteger as espécies e os processos ecológicos
que as mantêm.
Inúmeras ações específicas são necessárias para construir rapidamente a
capacidade informativa e institucional para dar suporte à conservação da
biodiversidade. Em primeiro lugar, os conservacionistas precisam coletar
informações atualizadas e confiáveis sobre o estado das espécies, das comunidades
e dos ecossistemas e entender suas necessidades de conservação a longo prazo.
Em segundo lugar, é preciso identificar as causas específicas diretas e indiretas da
perda da biodiversidade e as ameaças emergentes e chegar a um acordo sobre elas.
Em terceiro lugar, é necessário implementar estratégias de conservação que se
beneficiem das experiências anteriores, bem ou mal sucedidas. Finalmente,
devemos elevar a consciência ambiental e procurar implementar criativamente
novas abordagens e incentivos para a conservação.
Infelizmente, as forças individuais e institucionais necessárias para alcançar
essas metas variam muito de região para região nos hotspots (ver Capítulos 12,
20, 22 e 28). Enquanto instituições acadêmicas e de pesquisa são mais
freqüentemente as geradoras de informações confiáveis para alcançar as duas
20 INTRODUÇÃO

Tabela 2.5. Fatores indiretos que afetam a biodiversidade e exemplos de indicadores.

Fatores indiretos Indicadores

Alterações População total


demográficas Densidade fisiológica (número de pessoas por unidade de área de terra arável)
Alterações anuais na densidade populacional nacional
Densidade populacional rural (habitantes/hectare)
Taxa de crescimento populacional anual por grupo cultural ou étnico
Média anual de mudança da população dentro e em torno das áreas protegidas
e de hábitats-chave
Taxa de fertilidade
Taxa de mortalidade neonatal e infantil

Padrões de Taxas líquidas de migração das áreas urbanas para as rurais


migração Taxas líquidas de migração das áreas rurais para as urbanas
Causas dos padrões de migração

Econômicos Taxa de flutuação da taxa de câmbio


Valor das dívidas a pagar
Produto Interno Bruto
Produto interno líquido ambientalmente ajustado
Auxílio estrangeiro por categoria
Taxa de desemprego anual
Porcentagem da população em situação de pobreza e índice de hiato de pobreza
Extensão e rendimento da mineração e exploração mineral
Rendimento dos produtos agrícolas-chave
Rendimento da atividade madeireira
Investimento atual em projetos de infra-estrutura (rodovias, minas, represas,
utilidades)
Investimento planejado em projetos de infra-estrutura (rodovias, minas,
represas e utilidades)
Rendimento do turismo e do ecoturismo
Falhas do mercado em valorizar o mundo natural
Externalidades

Políticos Subsídios: terra e recursos naturais relacionados (processamento de madeira,


plantações)
Incentivos perversos
Situação da propriedade da terra (disputas de terra) e direitos de propriedade
Porcentagem de área de terra nacional protegida
Número de áreas protegidas
Termos de concessões para madeireiras
Programas de reassentamento
Controle de preços, impostos que desencorajam os investimentos em
conservação
Políticas relacionadas à mineração e falta de proteção ambiental

Sociais Porcentagem de indivíduos que concluíram o 2° grau e a universidade, por


sexo
Porcentagem de adultos alfabetizados, por sexo
Porcentagem da população com acesso a saneamento básico
Número de centros de planejamento familiar por região
Porcentagem da população com acesso a assistência médica
Proporção salarial entre homens e mulheres
Porcentagem da população com acesso a água potável
Estado dos hotspots: a dinâmica da perda de biodiversidade 21

primeiras metas (Tabela 2.6), agências governamentais são usualmente as


entidades encarregadas de criar e aplicar as leis e as políticas que podem
promover a terceira e a quarta metas. Entretanto, na maioria dos hotspots, e
particularmente na Mata Atlântica, a capacidade das instituições governamentais
é seriamente limitada. Aos órgãos governamentais responsáveis pelas questões
ambientais dá-se freqüentemente menor prioridade do que a outros órgãos. Esses
órgãos sofrem cronicamente de falta de pessoal e verbas (ver Capítulos 20 e 28).
Além disso, os órgãos responsáveis pelo desenvolvimento e pela aplicação de
políticas são freqüentemente mal coordenados, um quebra-cabeça que resulta em
políticas e ações contraditórias (Dudley e Stolton, 1999) (ver Capítulo 28). A
aplicação de leis e políticas, quando elas existem, é freqüentemente frágil.
Finalmente, muitas iniciativas governamentais são de curto prazo, ativas apenas
durante o mandato do político que as defendeu, em média de quatro a seis anos.
A continuidade das iniciativas é impedida pelas mudanças dos funcionários do
alto escalão feitas pela administração recém-eleita.

Tabela 2.6. Exemplos de indicadores da capacidade acadêmica local.

Questão Exigência Indicador


Há profissionais Diversidade de profissionais Número de profissionais qualificados
qualificados? competentes
Número de profissionais
pós-graduados
Eles estão trabalhando Aplicabilidade das pesquisas
em questões relevantes? às questões críticas
Suas pesquisas são Número significativo de Publicação em periódicos
confiáveis? pesquisas publicadas em internacionais de renome
periódicos científicos
Existe infra-estrutura Equipamento, veículos, Infra-estrutura apropriada
apropriada? infra-estrutura, laboratórios
Existe acesso a bibliotecas Acesso às pesquisas recentes Número de museus e bibliotecas
especializadas, coleções e em bibliotecas e museus especializados
laboratórios?
Existe financiamento Realização de pesquisas e Total de financiamentos para as
suficiente? comunicação dos resultados pesquisas de conservação
Há novos profissionais Capacitação especializada Número de cursos oferecidos para
sendo capacitados? para estudantes de graduação novos profissionais
e pós-graduação
Atualização
Extensão Número de publicações dedicadas ao
público em geral produzidas pelas
instituições acadêmicas
O público está Realização
informado?
Extensão
22 INTRODUÇÃO

Um desafio adicional à conservação da biodiversidade está ligado à carência


de financiamentos apropriados, suporte político, recursos humanos e
conhecimento adequado do manejo nas instituições governamentais responsáveis
pelo sistema de criação e manutenção de áreas protegidas (ver Capítulos 21 e
38). Sem financiamento, apoio político ou manejo adequado, muitos parques
funcionalmente existem só no papel (Dudley e Stolton, 1999; Galindo-Leal et
al., 2000; Cifuentes et al., 2000; Bruner et al., 2001). Em vez de investir atenção
e recursos na formação de áreas protegidas verdadeiramente viáveis, os governos
quase sempre priorizam o desenvolvimento de infra-estrutura, como a construção
de represas, oleodutos e rodovias (ver Capítulo 35).
No entanto, à medida que as ameaças à biodiversidade aumentam, a
sociedade civil desempenha um papel cada vez mais ativo na conservação, por
meio da formação de organizações não-governamentais internacionais, nacionais
e regionais (Margoluis e Salafsky, 1998; Galindo-Leal, 2000) (ver Capítulo 28).
Essas organizações realizam uma série de atividades que contribuem imensa-
mente para alcançar os objetivos da conservação, desde a identificação de
prioridades de conservação até a criação e o manejo de áreas protegidas.
A extensão da crise de biodiversidade exige a participação de instituições
governamentais, do setor privado, das populações locais, de instituições acadê-
micas e de organizações não-governamentais. Cada setor da sociedade deve
contribuir, se quisermos deter a perda de biodiversidade, o maior desafio deste
século.

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