Tiragem: 34258

País: Portugal
Period.: Diária
Âmbito: Informação Geral
Pág: 46
Cores: Cor
Área: 13,81 x 30,75 cm²
Corte: 1 de 1 ID: 53557272 22-04-2014
Europeias
e saúde
A
proximam-se as eleições para o
Parlamento Europeu (PE). Que
podemos esperar dos nossos
eventuais representantes
nacionais nesse fórum da
democracia europeia para
as políticas de saúde? É
importante esclarecer a
opinião pública em Portugal
sobre temas e expectativas
legítimas em relação à acção política de
cada membro português do parlamento
europeu (MEP) neste âmbito. Vejamos um
curto resumo de temas fundamentais.
Do ponto de vista das instituições
europeias, incluindo agências e Comissão
Europeia (CE), um problema central nas
dinâmicas sobre o sector da saúde, ainda
que encoberto de forma muito activa, diz
respeito à corrupção e acção fraudulenta de
alguns agentes. Este preocupante fenómeno
tem tido vários episódios, incluindo a
demissão do anterior comissário europeu
para o sector por suspeitas de corrupção.
Nesse sentido, uma das expectativas
legítimas para a acção dos nossos MEP
incluirá o lançamento de processos
de auditoria e eventuais comissões de
investigação para clarificar, e eventualmente
dissipar, algumas das actuais suspeitas sobre
o melhor interesse público da relação entre
alguns decisores-chave de algumas agências
europeias e da CE e alguns interesses
políticos e económicos que poderão
ter enviesado algumas recomendações
emitidas para os governos europeus. Sendo
um problema complexo com impactos
económicos, incluindo despesa europeia e
nacional indevida, terá de ser enfrentado
pelos MEP. A transparência no combate ao
favorecimento dos interesses dos países
mais influentes terá de ser uma prioridade
dos nossos MEP na melhor defesa do
interesse nacional. A União Europeia já não
parece ser um projecto de solidariedade
entre povos mas antes um projecto de
hegemonia de um país apenas. E sendo que
as aparências iludem, os nossos candidatos
a MEP terão de nos elucidar sobre a forma
como vão clarificar esta crescente imagem
negativa da UE, no contexto da saúde.
O próximo quadro comunitário oferece
uma série de oportunidades para o sector da
saúde em Portugal. Porém, o actual governo,
e mais concretamente a equipa ministerial
da saúde, parece totalmente alheado dos
grandes temas de investimento e geração
de oportunidades e emprego neste sector.
Esperamos, por isso, ouvir algumas ideias
dos candidatos portugueses a MEP.
Outro desafio relevante diz respeito à
defesa dos melhores interesses das nossas
profissões da saúde, no âmbito da dinâmica
da livre circulação de profissionais de saúde.
Sendo que Portugal se destaca como um
dos Estados europeus em que as profissões
da saúde são mais qualificadas, sobretudo a
nossa enfermagem, o que pretendem fazer
os candidatos a MEP nesse sentido? Saberão,
porventura, os riscos que correm as nossas
profissões da saúde devido às intenções,
de alguns estados mais influentes, de
“nivelar por baixo” o reconhecimento das
competências dos profissionais da saúde?
Como pretendem combater este processo?
E que posições assumem em relação à
protecção da auto-regulação das profissões?
Em relação à
protecção dos
direitos dos doentes
portugueses, e o
melhor interesse
das suas famílias, o
que pensam estes
candidatos a MEP
no que diz respeito
à livre circulação do
cidadão em busca
de sistemas de saúde
que lhe garantam os
melhores tempos de
espera e acesso aos
melhores centros
de excelência
nas áreas em que
somos claramente
deficitários ou
mal geridos, como
a reabilitação,
doenças raras
e acesso a
terapêuticas inovadoras? Como pretendem
equilibrar o melhor interesse do nosso SNS
com este direito fundamental do cidadão?
Também gostaríamos de saber como vão,
os candidatos a MEP, proteger os interesses
nacionais na promoção da avaliação
comparativa dos sectores público, privado
e social no sentido de promover o debate
europeu sobre a concorrência desleal e a
concorrência monopolística que se avizinha
como efeito da crescente circulação de
profissionais e doentes no espaço europeu.
É crucial conhecermos as posições
dos candidatos a MEP, nestes temas. De
contrário, não os poderemos levar a sério.
Director do International Journal of
Healthcare Management, Londres
É crucial
conhecermos
as posições
dos candidatos
a MEP. De
contrário, não
os poderemos
levar a sério
RUI GAUDÊNCIO
Debate Eleições europeias
Paulo Moreira

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