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AS SETENTA SEMANAS DO PROFETA DANIEL

O Senhor, através da revelação dada ao profeta Daniel, nos mostra com
detalhes eventos que fizeram parte da história da humanidade e outros que
ainda ocorrerão.

Dentro desse conjunto de preciosas revelações divinas, as setenta semanas
de Daniel têm sido objeto de estudo e servido como um verdadeiro mapa, o
qual nos revela que caminhos estão reservados para nós no futuro, dentro
do plano perfeito de Deus.

O termo "semana", referindo-se a um período de sete anos, era comum
entre os judeus. Tal termo vem da ordem de Deus em Levítico 25:1-7 para
cultivar um campo durante seis anos, permitindo que o mesmo descansasse
no sétimo ano.

Esse período de sete anos ficou conhecido como "semana de anos".
Portanto, setenta semanas são 490 anos.

Nas profecias do livro de Daniel, esses 490 anos se subdividem em tres
partes: sete semanas de anos (49 anos), sessenta e duas semanas de anos
(434 anos) e uma semana de anos (7 anos).

O ponto de partida para o cálculo das setenta semanas é o decreto emitido
pelo rei medo-persa Artaxerxes em 14 de março de 445 AC, autorizando a
reconstrução de Jerusalém.

Neste ponto, convém deter-nos para argumentar porque cremos que as
semanas devem ser contadas a partir de 445 AC.

No ano 538 AC, o rei Ciro, após conquistar a Babilônia, expede um decreto
a favor do povo de Israel. Esse decreto de Ciro é destinado ao retorno dos
judeus à terra natal para reconstruir o Templo e restituir os utensílios
sagrados pertencentes a ele (Esdras 1:1-8, Esdras 5:13-14).

Anos depois, em 520 AC, em função de um pedido de ajuda provindo de
Jerusalém, Dario I, confirma a mesma ordem dada anteriormente por Ciro
(Esdras 6:1-13).

Mais de 70 anos depois, em 457 AC, o rei Artaxerxes I emite um decreto,
registrado em Esdras 7:11-23, objetivando ajudar no funcionamento do
Templo em Jerusalém.

Esse primeiro decreto de Artaxerxes foi dado pessoalmente a Esdras
(Esdras 7:11). Todas essas ordens citadas até aqui se referem ao Templo e
ao seu funcionamento.

Por último, em 445 AC, o mesmo Artaxerxes I dá uma ordem a Neemias
para a reedificação da cidade de Jerusalém e de seus muros (Neemias 2:1-
9).

É interessante notar que, até essa última ordem dada a Neemias, Jerusalém
ainda não havia sido reedificada e ainda estava em ruínas (Neemias 2:5).

Então, as 3 primeiras ordens foram expedidas por Ciro, Dario e Artaxerxes,
respectivamente, em relação ao Templo e ao funcionamento das cerimônias
relacionadas a ele. No entanto, a cidade só começou a ser plenamente
reedificada a partir do decreto dado a Neemias em 445 AC.

A profecia das setenta semanas se inicia "...Desde a saída da ordem para
restaurar, e para edificar a Jerusalém..." (Daniel 9:25). Logo, cremos que
as setenta semanas devem ser contadas a partir de 445 AC.

Então, entendemos que o primeiro período vai de 445 AC até 396 AC,
tempo que durou a reconstrução (49 anos). O segundo período perfaz 483,
somando-se os 49 anos das sete primeiras semanas e os 434 das sessenta
e duas semanas que antecederam a morte do Ungido (Jesus).

Esses dados, levando em consideração a dedução entre 1 AC e 1 DC, onde
há somente um ano, o ano lunar judeu, que tem apenas 360 dias, os anos
bissextos durante o período, que acrescentam mais 119 dias no cálculo e o
desconto da pequena diferença que existe entre o calendário juliano e o ano
solar (1/128 de diferença), nos revelam um número de 173.880 dias, entre
a primeira e sexagésima nona semanas.

AS SEMANAS JÁ CUMPRIDAS

De acordo com o que explicaremos depois, cremos que 69 das 70 semanas
já se cumpriram. A última semana, um período de sete anos, ainda se
cumprirá e esse período é denominado tribulação, do qual faz parte a
grande tribulação, a partir da metade da última semana e que durará tres
anos e meio.

O que é mais interessante de perceber, quando analisamos as primeiras 69
semanas de Daniel, é que o profeta, divinamente inspirado, forneceu
detalhes e dados tão específicos que tornaram possível o conhecimento do
tempo em que Jesus nasceria e exerceria seu ministério na Terra...

Quando vemos a história do nascimento de Jesus, observamos que aqueles
que se apresentaram diante do recém-nascido e o reconheceram como Rei,
não foram líderes religiosos judeus, nem escribas, nem os sábios e doutores
da lei, que liam e estudavam as Escrituras constantemente.

Aqueles que perceberam a proximidade do nascimento do Messias e
viajaram milhares de quilômetros com o objetivo de visitar o Salvador do
mundo, eram "magos" vindos do Oriente. Como isso pôde acontecer, já que
os judeus tinham um acesso direto e constante às Escrituras e os magos
viviam a milhares de quilômetros da terra prometida?

A resposta é simples: nos séculos que antecederam o nascimento de Jesus,
até mesmo por uma influência das idéias helenizantes, os líderes judeus
começaram a defender duas posições errôneas.

Em primeiro lugar, ensinavam que as Escrituras não deveriam ser
interpretadas literalmente, pois não eram totalmente inspiradas por Deus e,
consequentemente, continham erros.

Em segundo lugar, tendiam a espiritualizar as profecias expressas nas
Escrituras. Logo, as profecias de Daniel eram metaforizadas e a
interpretação de todos os dados literais do livro de Daniel foi,
paulatinamente, sendo desprezada.

Após várias décadas, essa interpretação ficou solidificada. Quando Jesus
nasceu, os líderes religiosos judeus não perceberam tão grande
acontecimento, que tinha sido profetizado profusamente nas Escrituras e
que, de acordo com as setenta semanas de Daniel, poderia ser calculado.

Esse cálculo foi feito pelos magos do Oriente. É preciso lembrar que Daniel
fora considerado no Oriente (tanto na Babilônia, quanto na Pérsia) o maior
de todos os sábios.

Toda sorte de magos, prognosticadores e sábios do Oriente, tinha o maior
respeito por Daniel, pois ele, como instrumento do Senhor, salvou suas
vidas de uma morte iminente (Daniel 2:1-19).

Apesar desse enorme respeito, o mais provável é que esses sábios do
Oriente não tenham abandonado suas práticas pagãs e politeístas.

Contudo, a fama de Daniel, como grande sábio, ficou na memória e nos
arquivos do Oriente. Os magos que visitaram Jesus recém-nascido, sem
dúvidas, ouviram falar dos grandes feitos de Daniel na Babilônia e na
Pérsia, e possuíam cópias de suas revelações e profecias, entre elas a
profecia das setenta semanas.

Quando a estrela apareceu no céu, eles sabiam que estava na época da
profecia se cumprir, já que possuíam a revelação concernente às setenta
semanas e sabiam aproximadamente o período em que o Messias haveria
de nascer.

Todas essas constatações nos deixam uma importante lição: as profecias
bíblicas não podem ser totalmente metaforizadas nem os dados existentes
nessas profecias, principalmente anos, meses, dias e períodos, podem cair
no terreno da espiritualização ou alegorização.

Devido a uma visão semelhante, os líderes judeus da época do nascimento
do Messias não perceberam esse glorioso evento e, consequentemente, não
aceitaram Jesus como o Messias prometido.

Apesar de lerem as Escrituras, eles não conheceram o tempo de sua
visitação. Jesus, ao referir-se ao povo de Jerusalém, lamentou e disse:

"... Pois dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de
trincheiras, e te sitiarão, e te esteitarão de todos os lados; e te derrubarão,
a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra
sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação" (Lucas
19:43-44).

As profecias bíblicas expressam todo o cuidado de Deus em situar-nos
dentro dos acontecimentos. Para isso temos dados importantíssimos que
não podemos desprezar ou alegorizar.

Muitas das revelações contidas no livro de Daniel referem-se ao tempo do
fim. Devemos analisar os dados oferecidos nessas e outras profecias
bíblicas de forma literal e estarmos atentos a todos os acontecimentos
internacionais, pois na seqüência deles poderemos observar o cumprimento
real e literal das profecias bíblicas!

A ÚLTIMA SEMANA

O DISPENSACIONALISMO TRADICIONAL baseia-se principalmente na
revelação das setenta semanas de Daniel para sustentar suas afirmações.

Apesar de não sermos dispensacionalistas tradicionais, concordamos com
alguns postulados desse modelo, no que se refere à interpretação de Daniel
9:24-26:

1. O período existente entre as semanas 69 e 70

2. O cumprimento total da última semana no fim da presente era (volta de
Jesus)

3. A identificação do "príncipe que há de vir" com o anticristo

4. A futura reconstrução do Templo em Jerusalém e sua profanação na
metade da última semana

No entanto, discordamos que o período compreendido entre as semanas 69
e 70 constituam unicamente "a era da Igreja". Analisemos a passagem em
questão:

"Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua
santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e
para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a
profecia, e para ungir o Santíssimo" (Daniel 9:24)

O dispensacionalismo tradicional defende que o foco principal dessa profecia
é Israel (o povo de Daniel, os judeus). Logo, argumentam que a totalidade
das setenta semanas é concernente a Israel e Jerusalém.

Ao mesmo tempo, os dispensacionalistas tradicionais inferem que o período
entre a semana 69 e a semana 70, não se refere a Israel. Isso fortalece a
idéia de que Deus só tratou profeticamente com Israel até o término da
semana 69 (crucificação de Cristo) e só voltará a atuar em relação a Israel
na semana 70 (última semana).

O espaço existente entre as semanas 69 e 70, seria um vácuo ocupado
exclusivamente pela Igreja.

A partir do momento em que Deus estaria tratando específicamente com a
Igreja nesse período intermediário e voltaria a tratar com Israel só após o
começo da última semana (tribulação), isso implicaria num arrebatamento
pré-tribulacional, já que a Igreja não estaria profeticamente envolvida na
última semana.

Apesar de concordar que o foco principal da profecia em questão é o povo
judeu e Jerusalém, nós não podemos concordar de forma alguma que Deus
deixou de tratar com Israel durante o período compreendido entre a 69ª e
70ª semanas.

As evidências de que Deus continua tratando profeticamente com Israel são
notórias em nossa época... Se fôssemos levar em consideração somente o
contexto de Daniel 9:24-26, há duas profecias que se cumpriram sobre o
povo de Israel após a semana 69:

1. A crucificação de Cristo ocorreu 5 dias depois do término da semana 69

2. A destruição de Jerusalem ocorreu 37 anos após o término da semana 69

Lembremos que Daniel estava falando que a profecia era concernente ao
"seu povo" e à cidade de Jerusalém. Sem dúvidas, a destruição de
Jerusalém e do Templo em 70 d.C, está atrelada a Jerusalém e ao povo de
Daniel. Jesus confirmou essa realidade em Lucas 19:41-44.

Muitos dispensacionalistas tenderiam a concordar que o retorno dos judeus
a Israel e o renascimento da nação em 1948 é cumprimento de importantes
profecias bíblicas.

Consequentemente, não há base bíblica para afirmar que Deus não está
tratando com Israel no espaço compreendido entre as semanas 69 e 70.

Fica claro, também, que não há suficiente base para colocar a última
semana numa seqüência imediata à de número 69, e associar a última
semana, numa visão preterista, ao ministério de Jesus durante sua primeira
vinda, pois sua crucificação ocorreu 5 dias após o término da semana 69 e o
fim dos sacrifícios profetizado por Daniel ocorre na metade da semana 70,
ou seja, tres anos e meio após o começo da semana 70.

Outro fato interessante é que a profecia de Daniel 9:25 não indica que a
atuação de Deus com Israel está restrita a 70 semanas.

Indica apenas que a profecia em questão está determinada, abrangendo um
tempo e acontecimentos específicos. A palavra hebraica usada para
"determinada" é chathak. Essa palavra traz a idéia de divisão,
determinação, decreto e demarcação.

Na profecia de Daniel, ela é usada para dar-nos a idéia de um período de
tempo predeterminado. O propósito da profecia é claro: mostrar as
implicações e acontecimentos em função da primeira e segunda vinda de
Cristo. São acontecimentos que não podem ser mudados, pois fazem parte
da palavra profética e do plano de salvação de Deus para o mundo.

Jesus, logo no começo de seu sermão profético no Monte das Oliveiras,
disse que não ficaria pedra sobre pedra do Templo de Jerusalém (Mateus
24:1-2). Daniel, no capítulo 9 e versículo 25, revela que "o povo do príncipe
que há de vir" destruiria a cidade e o santuário.

Posteriormente, o Mestre citou Daniel ao falar da abominação da desolação
no santo lugar. Em Daniel 9:27, o profeta declara que na metade da
semana, cessará o sacrifício e a oferta de manjares e que sobre as asas das
abominações viria "o assolador", até que a destruição determinada se
derramasse sobre ele. Isso indica que o Templo, destruido em 70 d.C.,
voltará a ser erguido.

Alguém poderá perguntar: se a profecia das setenta semanas fala sobre um
tempo e acontecimentos determinados, porque o espaço existente entre as
semanas 69 e 70 não foi também fixado e determinado? Jesus nós dá a
explicação em Mateus 24:14:

"E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho
a todas as nações, e então virá o fim"

Em Mateus 28:18-20, Jesus comissionou seus discípulos a pregarem o
evangelho a todas as nações, ensinando todas as coisas que tinham vivido e
aprendido.

No versículo de Mateus 24:14, o Mestre esclarece que o fim não virá até
que uma condição seja realizada: a pregação do evangelho a nível mundial.

Essa profecia tem se cumprido ao longo da história da Igreja, porém não se
pode determinar em anos ou meses quando todas as nações ouvirão o
testemunho do evangelho ou quando o evangelho atingirá todas as nações
e etnias.

Cremos que estamos próximos a isso, porém não há como datar tal
acontecimento. Consequentemente, o "vácuo" existente entre as semanas
69 e 70 centraliza-se nessa questão.

A pregação mundial do evangelho é algo que compete à Igreja, é uma
responsabilidade nossa diante de uma ordem de Jesus. Não há como fixar
uma data para determinar quando todas as nações ouvirão as boas novas,
já que essa realidade depende também da ação da Igreja.

Também devemos considerar os efeitos que os acontecimentos profetizados
nas setenta semanas geraram, geram e gerarão em todo o mundo.

Esses efeitos transcendem a duração das semanas. Seis promessas são
mencionadas na profecia de Daniel: o fim da transgressão, o fim dos
pecados, a expiação da iniquidade, a vinda da justiça eterna, o selo da visão
e da profecia e a unção do Santíssimo.

As primeiras tres promessas ocorreram simultaneamente à crucificação de
Jesus, que ocorreu após a semana 69. Duas dessas tres promessas
(cessação da transgressão e fim dos pecados) só serão plenamente
concretizadas em função da vinda gloriosa de Jesus e suas maravilhosas
conseqüências sobre a raça humana.

As outras tres promessas se concretizarão no Reino de Jesus, após a última
semana (não durante ela).

Cremos que o dispensacionalismo tradicional tem errado ao afirmar que a
atuação do Criador com Israel está limitada às setenta semanas. Também
tem errado em insinuar que o Eterno Pai não atuaria com a Igreja ao
mesmo tempo em que o faz com a nação israelense.

Desses princípios, nasceu a idéia de que a Igreja precisaria ser retirada da
Terra para que a profecia se cumprisse exclusivamente em relação à nação
israelense nos últimos tempos.

Fica mais do que notório, de acordo com tudo o que temos visto, que Deus
continua atuando com Israel, mesmo no espaço existente entre as semanas
69 e 70 (pregação do evangelho).

Consequentemente, é óbvio que Deus pode atuar profeticamente com Israel
e com a Igreja ao mesmo tempo, pois assim Ele o tem feito durante a
história nos últimos séculos!

O FUTURISMO DA ÚLTIMA SEMANA

Respeitando a posição preterista (a qual sustenta que a última semana veio
imediatamente depois da 69 e, consequentemente, já se cumpriu) e meio-
semanista (a qual sustenta que apenas a metade da última semana teve
seu cumprimento, através do ministério de Jesus até o momento de sua
crucificação), vão aí algumas das razões pelas quais entendemos que a
semana n° 70 se concretizará num futuro muito próximo:

1. Cremos que a semana 69 teve seu fim em 32 d.C. Consequentemente, a
cessação dos sacrifícios e da oblação, não pode ser atrelada à metade da
semana 70, que cairia em 35 d.C, aproximadamente.

2. Nosso Redentor não firmou um firme acordo com muitos por um tempo
determinado (uma semana ou 7 anos), e sim eternamente.
Consequentemente, neste aspecto, não há razões suficientes para atrelar o
acordo ou aliança de Daniel 9:27 ao Messias.

3. Um período de 7 anos anterior à volta de Jesus, é um período que
comporta todos os prazos citados nas profecias de Daniel e Apocalipse
(1260, 1290, 1335 e 2300 dias).

4. A citação da destruição da cidade e o santuário (70 d.C.), é profetizada
cronológicamente antes da cessação do sacrifício e da oblação. Portanto,
cronologicamente, nos parece que tal cessação não pode ter ocorrido antes
de 70 d.C.

5. Mesmo após o sacrifício redentor de Jesus, os sacrifícios continuaram
sendo oferecidos até 70 d.C (aproximadamente 40 anos após a
crucificação). Não houve cessação de sacrifícios e oblações no Templo até
70 d.C.

6. Não há motivos para separar no seu significado "cessação dos sacrifícios
e da oblação" de "retirada do holocausto contínuo" (Daniel 9:27, Daniel
11:31).

7. Jesus, em seu sermão profético, relaciona a abominação desoladora
(profanação do santuário do Templo) a uma tribulação sem precedentes na
história da humanidade (a grande tribulação), que antecederá sua volta.

Ele mesmo afirma que logo depois a tribulação daqueles dias (originada
pela abominação desoladora), Ele viria (Mateus 24:15-31). Tudo isso nos
remete a coisas futuras.

COMO CALCULAR AS SETENTA SEMANAS

Durante a história, muitos se sentiram atraídos e maravilhados diante das
revelações contidas no livro de Daniel e, em especial, no tocante às setenta
semanas.
Sem dúvidas, Daniel era um homem de Deus e a ele foram revelados fatos
marcantes para a humanidade. Conta-se que o famoso gênio Isaac Newton
devotava uma atenção especial ao estudo das setenta semanas de Daniel.

Nesse contexto de admiração e estudo, várias pessoas durante a história
têm se esmerado em calcular e definir os períodos aos quais as profecias
das setenta semanas se referem.

Como já comentamos, sustentamos que das setenta semanas, 69 já foram
cumpridas e a última será cumprida em breve, no período conhecido como
tribulação.

Não queremos ser conclusivos em relação aos cálculos feitos, porém
apresentaremos aqueles que mais se aproximam à nossa concepção e
estudo das profecias.

O termo "semana" referindo-se a um período de sete anos era comum entre
os judeus. Tal termo vem da ordem de Deus em Levítico 25:1-7 para
cultivar um campo durante seis anos, permitindo que o mesmo descansasse
no sétimo ano.

CALCULANDO AS PRIMEIRAS 69 SEMANAS


O ponto de partida para o cálculo das 70 semanas é um dia: 14 de março
de 445 AC. Naquele dia, o rei medo-persa Artaxerxes emitiu um decreto
autorizando a reconstrução de Jerusalém.

Daniel determina 7 semanas para o período compreendido entre o decreto e
a reconstrução de Jerusalém, e assim ocorreu. A reconstrução culminou em
396 AC, exatamente 49 anos (7 semanas) após o decreto de Artaxerxes.

Após a reconstrução de Jerusalem, a profecia determina 62 semanas até a
manifestação de Cristo. Quando somamos os anos das sete primeiras
semanas e os anos das sessenta e duas semanas seguintes, temos 483
anos (49+434).

Transformados em dias, temos 173.880 dias (de acordo com o calendário
de 360 dias). Para chegar a essa quantidade de dias em nosso sistema
atual com 365 dias, é preciso levar em consideração algumas variáveis:

a) É preciso deduzir um ano no cálculo, já que no período entre 1 AC e 1
DC, transcorre apenas 1 ano.

Quando contamos de 14 de março de 445 AC até 6 de abril de 32 DC,
temos 477 anos e 24 dias. Após a dedução de um ano (1 AC – 1 DC), ficam
476 anos e 24 dias, ou 173.764 dias.

b) É preciso adicionar 119 dias referentes aos anos bissextos durante o
período estudado. Basta dividir 476 por 4. Após esse cálculo, ficam 173.883
dias.

c) Existe uma pequena imprecisão do calendário juliano quando o mesmo é
comparado ao calendário solar. O Observatório Real de Londres calcula que
um ano juliano é 1/128 dias mais longo que o ano judaico solar.

Quando se multiplica 476 por 1/128, se obtém o resultado de 3. Subtraindo
3 ao valor anterior (173.883), vamos obter 173.880 dias.

Portanto, existem, de acordo com os cálculos feitos, 173.880 dias entre o
decreto de Artaxerxes e a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quando
foi proclamado Rei pela multidão, dias antes de sua crucificação. Este dia
cai, de acordo com os cálculos feitos, em 6 de abril de 32 d.C.




CALCULANDO A ÚLTIMA SEMANA


PONTO (A): Começo da tribulação

PONTO (B): Começo do oferecimento de sacrifícios no Templo reconstruído

PONTO (C): Metade da tribulação e começo da grande tribulação

PONTO (D): Final do período tribulacional

PONTO (E): Purificação do santuário

PONTO (F): Descida de Jesus no Monte das Oliveiras, derrota dos exércitos
do anticristo e começo do reino eterno de Cristo.

O esquema acima procura definir a ordem dos acontecimentos que terão
lugar na última semana de Daniel, num período de sete anos denominado
tribulação, e as conseqüências posteriores desses acontecimentos.

Esse esquema foi elaborado com base nas profecias de Daniel e do
Apocalipse e nos dados que elas nos oferecem. No entanto, serve apenas
para apresentar-nos uma noção do período tribulacional, sem chamar para
si nenhuma infalibilidade em seus cálculos.

Em relação ao ponto inicial (A), é lógico supor que o anticristo surgirá num
momento anterior a esse ponto, talvez anos antes.

O ponto (A), determina o começo do período de sete anos. Entendemos que
o evento que dá lugar ao começo dos sete anos de tribulação é o pacto de
paz feito entre a besta e Israel (Daniel 9:27).

Do ponto (A) até o ponto (B), transcorrem 250 dias. No ponto (B) começam
a ser oferecidos os sacrifícios no Templo de Jerusalém, devidamente
reconstruído meses ou anos antes (Daniel 8:13).

Do ponto (B) até o ponto (C), transcorrem 1010 dias. O ponto (C) marca a
metade exata do período tribulacional e o começo do período denominado
grande tribulação.

Neste ponto, o anticristo profanará o Templo e fará cessar os sacrifícios
(Mateus 24:15-21, Daniel 9:27).

Parte da Igreja foge e é preservada nesses tres anos e meio e uma outra
parte fica no sistema para testemunhar (Mateus 24:16-20, Apocalipse 12:6-
16, Apocalipse 12:17).

Nesse ponto começa o ministério das duas testemunhas (Apocalipse 11),
que se extende por toda grande tribulação (42 meses ou 1260 dias).
Consequentemente, o período que vai do ponto (C) até o ponto (D) é de 42
meses ou 1260 dias.

No ponto (D) se completa o período tribulacional de sete anos ou a última
semana de Daniel. Neste ponto, as duas testemunhas são assassinadas pelo
anticristo (Apocalipse 11:3,7). Os corpos das duas testemunhas ficarão
expostos para a população mundial por tres dias e meio.

Consequentemente, do ponto (D) até a ressurreição das duas testemunhas,
transcorrem tres dias e meio. Nesse momento, as duas testemunhas são
ressuscitadas por Deus, para assombro de todos e ascendem aos céus
(Apocalipse 11:11-15).

Da ressurreição das duas testemunhas até o ponto (E), transcorrerão 26
dias e meio. Cremos que, após o Templo ter sido purificado pelos judeus no
ponto (E), 26 dias e meio após a ressurreição das 2 testemunhas e 30 dias
após o término da grande tribulação de 42 meses, o anticristo reunirá seus
exércitos no Armagedom para destruir Israel.

Entendemos que isso se dará imediatamente depois que o sol e a lua
escurecerem, sinais que parecem estar contidos na quinta taça (Apocalipse
16:10).

O sol e a lua escurecendo, sinais que ocorrem em algum momento logo
após a grande tribulação (Mateus 24:29), são os sinais que anunciam o DIA
DO SENHOR.

A partir desse momento, inserido entre os pontos (E) e (F), o
arrebatamento da Igreja torna-se iminente. Neste ponto, o sol e a lua
escurecerão, as estrelas se moverão de lugar, e então aparecerá nos céus
completamente escuros o sinal do Filho do homem, como um relâmpago,
visto por toda a humanidade (Mateus 24:27-31, Apocalipse 6:12-17).

Neste momento, o qual não pode ser definido na hora e no dia, ao soar da
última trombeta, ocorrerá o arrebatamento, o momento maravilhoso em
que a Igreja se reunirá com Cristo nas nuvens. Os que estiverem mortos,
serão ressuscitados e glorificados.

Os que estiverem vivos, serão transformados e glorificados (I Coríntios
15:51-52, I Tessalonicenses 4:15-18, Apocalipse 15:13-16, Apocalipse 19:
7-9).

Todos esses eventos gloriosos gerarão a conversão de Israel e o
reconhecimento do Messias prometido (Romanos 11:26-27, Zacarias
12:10).

Também, de acordo com as profecias de Daniel, do ponto (E), que é a
purificação do Templo, até (F), que é a descida de Jesus no Monte das
Oliveiras, para derrotar os exércitos do anticristo e instaurar seu reino
eterno, transcorrerão 45 dias.

Os cálculos acima foram feitos de acordo com os seguintes parâmetros:

1. De acordo com Daniel 9:27, podemos saber que do ponto (A) até o ponto
(C) transcorrem 1260 dias (tres anos e meio ou metade de uma semana).
Consequentemente, a outra metade terá também 1260 dias, o que confirma
as revelações apocalípticas da atuação principal do anticristo.

Então, do ponto (C) até o ponto (D), transcorrem 1260 dias. Somando as
duas metades, nós termos 2520 dias de tribulação (sete anos).

2. De acordo com Daniel 8:13-14, podemos saber que, desde o começo dos
oferecimentos de sacrifícios até a purificação do Templo, transcorrerão 2300
dias. Ou seja, do ponto (B) até o ponto (E) transcorrerão 2300 dias.

3. De acordo com Daniel 12:11, fica claro que entre a profanação do
Templo até a purificação do mesmo, transcorrerão 1290 dias. Ou seja, do
ponto (C) até o ponto (E) transcorrem 1290 dias.

4. De acordo com Daniel 12:12, ficamos sabendo que, desde a profanação
do santuário (C) até a vitória final do Ungido sobre o anticristo (F),
transcorrerão 1335 dias.

Os dados obtidos com as revelações bíblicas citadas acima, permitem
situar-nos dentro dos últimos acontecimentos.

Nossos cálculos não são infalíveis e são passíveis de erros. Porém, a
revelação pormenorizada de tantos detalhes proféticos nos mostra, mais
uma vez, o cuidado de Deus em nos revelar aquilo que precisamos saber,
para que não estejamos em trevas.

Como membros do corpo de Cristo, devemos estar preparados para viver
esses dias que se aproximam, sejamos protegidos da tribulação ou inseridos
nela para testemunho e martírio. Que em nossos corações haja um
crescente anelo pela volta gloriosa de Jesus, como Rei e Senhor!
Em Cristo
Jesiel Rodrigues
Saiba que o Altíssimo está no controle de tudo e de todos. Mesmo nos
momentos mais difíceis, Ele estará conosco. A nossa salvação em Cristo é
eterna. Nele, somos novas criaturas. Ele já venceu a morte. Ele é o nosso
refúgio e fortaleza, socorro bem presente na tribulação. Se você leu este
artigo e ainda não tem a certeza da salvação eterna em Jesus, faça agora
mesmo um compromisso com Ele! Convide-o para entrar em seu coração e
mostrar-lhe a verdade que liberta. Veja porque você precisa ser regenerado
e justificado, para viver a boa, perfeita e agradável vontade eterna do
Criador e estar firme Nele diante de qualquer circunstância.

Arranjo: Jefferson

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