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Entrevista CM: Mário Nogueira

Equipa da Educação não tem pejo em faltar à verdade

Pedro Catarino
Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional de Professores, afirma que os
professores querem ser avaliados, mas não nesta altura do ano lectivo e com este modelo. Diz
que Sócrates vai ter um ano complicado se não mudar de ministra e acusa Maria de Lurdes
Rodrigues e a sua equipa de fazerem propaganda e de não terem pejo em faltar à verdade.
foi anunciando que achava que deveria ou não avançar tinha a preocupação de falar connosco. Repare. Vou dar-lhe um exemplo
Uma vez este secretário de Estado da Educação, no dia de uma greve de professores, quis passar a ideia para fora de que os
professores são uns malandros e uns faltosos porque tinham dado seis milhões de faltas.

- Pois foi. A velha questão do absentismo.

- Pois é. A doutora Manuela Ferreira Leite tinha feito esse estudo e um dia falou-nos disso. E fomos com ela fazer as contas, o q
este não quis. Quando se fala em seis milhões de faltas pensa-se que são seis milhões de dias. Mas não é. Seis milhões de faltas
seis milhões de tempos. Ora os professores portugueses, se fizermos as contas ao grupo profissional que existe, são responsávei
por um total de mais de cem milhões de tempos por ano. Mas fiquemos pelos cem milhões para facilitar as contas. Sabe o que é
que significa seis milhões de faltas? Significa que os professores têm uma taxa de assiduidade de 94 por cento, uma das mais
elevadas.

- É a manipulação dos números.

- Exacto. Com o mesmo número. O senhor secretário de Estado podia ter dito, se quisesse valorizar os professores: os professor
têm uma taxa de assiduidade de 94 por cento. Ou fazer o que disse: faltaram seis milhões. Aqui há uma intenção clara. Não men
Usou o número para denegrir. A doutora Manuela Ferreira Leite, quando fez as contas, percebeu e não divulgou nada. Porque
tinha-nos falado disso.

- O relacionamento com esta equipa é mesmo mau.

- Sabe, o problema desta equipa é que não olhou a meios para atingir os fins e os fins passaram muitas vezes por passar ideias
negativas sobre os professores que não eram verdadeiras. E eu quero dizer que nunca fiz o discurso de que a nossa classe
profissional é a melhor. A nossa é igual às outras. Tens bons, maus, excelentes, medíocres, tem tudo. Agora não se passe a ideia
são maus. E eles tentaram passar essa ideia.

- O Ministério reduziu o número de sindicalistas a tempo inteiro. Concordou com essa medida?

- Eu aplaudi. A Fenprof aplaudiu.

- Porque?

- Por uma razão muito simples. A taxa de sindicalização dos professores é da ordem dos 75 por cento. É talvez a mais elevada d
País. E a Fenprof neste universo é uma organização que, sozinha, tem uma representatividade que é superior a todas juntas. E nã
sou eu que digo. Foi o Ministério que faz as contas. Dos 106 mil professores sindicalizados, no universo de 136 mil, foi essa a
conta que eles fizeram, a Fenprof tinha mais de metade. E o que era estranho, porque nós não sabíamos, foi quando se descobriu
que havia no País mil e quinhentos professores a tempo inteiro nos sindicatos e a Fenprof, que é a maior, tinha cerca de 10 por
cento. Onde estavam os 90 por cento?

- A Fenprof não precisa de muita gente a tempo inteiro?

- Sabe que nós só temos de ter para trabalhar em qualquer coisa os que precisamos. Porque quando não é assim até podemos
tropeçar uns nos outros e depois começam uns a não fazer nada. E, por isso, quando o Ministério disse que ia reduzir de 1500 pa
500 a Fenprof aplaudiu. Muito bem. Nós não vamos pôr nem mais nem menos. E ficámos com os mesmos e mesmo assim
passámos só para 30 por cento do universo. O Ministério depois disse que ia passar para 300. Nós dissemos que estava bem.

- Também concordaram?

- Sim. Mas dissemos o seguinte: vamos medir a representatividade e não é 300 a medir tudo irmãmente. Vamos ver o que cada u
vale e cada um tem em função do que vale. E essa contagem foi feita e a Fenprof manteve rigorosamente o que tinha. Até agora
resolução tem ido no sentido do que nós chamámos de moralização.

- Por isso aplaudiram.

- Estivemos de acordo, participámos e todas essas medidas vieram ao encontro da indispensável e inadiável moralização da
questão. O problema é que a partir daqui, e como o Ministério da Educação não conseguiu atingir quem queria, que é a Fenprof
medidas que começam a ser anunciadas já têm não um carácter de moralização mas um carácter de perseguição e liquidação. E
não concordamos. Nós discordamos disso.

- Que medidas são essas?


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» Comentários Segunda-feira,
17 Março

- Antonio Lucas
Esta entrevista deveria ter uma ampla divulgação pois demonstra, claramente, a
postura deste governo e mais concretamente deste ministério. O dinheiro sempre
obrigou a mentir!

- Jorge Louro
Parabéns pela entrevista. Sem demagogias, esclarecedora. Espero que contribua para o
esclarecimento da população em geral, a qual está manifestamente desinformada por
culpa deste Ministério.

- Salvador Gonçalvesa
Pois, mas os professores, continuam sós. Pelo que se vê, os pais dos alunos não
acarinham as lutas do professorado. Há por aí quem diga, que é a classe dos
funcionários, mais favorecida.

- Elias da Cruz Ferreira


Ora cá está uma entrevista capaz de desmistificar muita coisa relacionada com o
momento politico-sindical na Educação.Porém, o que de mais interessante me ocorre
dizer sobre ela vai mais no sentido de averiguar se terá sido bastante para ilucidar,
sobre as questões candentes, o próprio entrevistador.

Domingo, 16 Março

- jose ramos nicolau


Assim vai a educação em portugal.Aliàs ninguem sabe como vai a educação em
portugal.Basta ver o nivel de conversas dos alunos,ao sair das aulas.Falam
corretamente portugês em ajeneiredo.O que faz falta são oito horas de trabalho para os
professores.Torres Novas

- Luísa Pires
Que belíssima e esclarecedora entrevista. Agora só não vê quem não quer de que lado
está a razão. Já agora, se todos os trabalhadores portugueses são avaliados e com tanto
rigor como se diz, por que será que somos tão maus e sempre os últimos.

- Manuel Marques
O marido não pode avaliar a mulher porque os inteligentes do ME descobriram agora
que há um CPA que não permite. Mas até há pouco tempo, para aqueles cabecinhas do
ministério, isso era possível. Mas como é possível...?Évora

- Manuel Marques
Se houvesse mais cuidado em ouvir os professores muitos mitos caíriam por terra.
Afinal somos uma das classes mais assíduas. Há por aí muitos serviços que não
chegam aos 85% de assiduidade.Évora

- Desmancha Prazeres