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PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA

Relatório dos Serviços


do Ministério Público

2008
ÍNDICE

I - Introdução .............................................................................................................................................. 9

II - Indicadores gerais ................................................................................................................................ 15


1. Jurisdição Penal ................................................................................................................................... 15
1.1. Processos de inquérito ................................................................................................................ 15
1.2. Intervenção do tribunal singular a pedido do Ministério Público ......................................... 15
1.3. Processos em fase de instrução ................................................................................................... 15
1.4. Processos penais classificados ..................................................................................................... 16
1.5. Execução de penas ....................................................................................................................... 16
2. Jurísdição Cível ................................................................................................................................... 16
2.1. Acções declarativas e especiais ................................................................................................... 16
3. Jurisdição de Família e Menores ........................................................................................................ 16
3.1. Procedimentos do Ministério Público previstos no DL 272/2001 ....................................... 16
3.2. Acções tutelares cíveis e incidentes ........................................................................................... 17
3.3. Averiguações oficiosas de paternidade e maternidade .............................................................. 17
3.4. Processos de promoção e protecção ........................................................................................... 17
3.5. Processos tutelares educativos - Inquéritos ............................................................................... 17
4. Jurisdição Laboral ............................................................................................................................... 18
4.1. Acções comuns laborais .............................................................................................................. 18
4.2. Processos por acidente de trabalho ........................................................................................... 18
4.3. Processos especiais - doenças profissionais e outros ................................................................ 18
4.4. Actividade do Ministério Público em processos por acidente de trabalho ........................... 18
5. Outros Processos ................................................................................................................................. 18
5.1. Processos administrativos ........................................................................................................... 18
5.2. Actos diversos .............................................................................................................................. 19
5.3. Acções executivas instauradas pelo Ministério Público .......................................................... 19
5.4. Recursos ...................................................................................................................................... 19
5.5. Recursos de impugnação em processos de contra-ordenação ................................................. 19
6. Estruturas ............................................................................................................................................ 19
7. Sistema de Informação do Ministério Público ................................................................................ 20

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III - Indicação de sequência ....................................................................................................................... 21

IV - Procuradoria-Geral da República ...................................................................................................... 23


1. O Ministério Público nos Supremos Tribunais ................................................................................ 23
1.1. Supremo Tribunal de Justiça ..................................................................................................... 25
1.2. Tribunal Constitucional ............................................................................................................. 31
1.3. Supremo Tribunal Administrativo ............................................................................................ 37
1.4. Tribunal de Contas ..................................................................................................................... 43
2. Conselho Superior do Ministério Público ..................................................................................... 55
3. Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República ......................................................... 59
4. Auditores Jurídicos ........................................................................................................................... 61
5. Gabinete do Procurador-Geral da República ................................................................................ 93
6. Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) ................................................. 97
7. Núcleo de Assessoria Técnica (NAT) .......................................................................................... 113
8. Gabinete de Documentação e Direito Comparado (GDDC) ..................................................119
9. Eurojust .......................................................................................................................................... 125
10. Serviços de Apoio ...........................................................................................................................129

V - Distritos Judiciais ............................................................................................................................... 139


1. Distrito Judicial de Lisboa ............................................................................................................. 141
Introdução ........................................................................................................................................141
Serviços da Procuradoria-Geral Distrital .......................................................................................141
Serviços do Tribunal da Relação .....................................................................................................144
Serviços do Ministério Público no Distrito Judicial .....................................................................145
Tópicos Gerais .............................................................................................................................145
Actividade Desenvolvida .............................................................................................................146
Outras informações .....................................................................................................................149
Círculo Judicial de Almada .............................................................................................................149
Círculo Judicial da Amadora ...........................................................................................................150
Círculo Judicial de Angra do Heroísmo .........................................................................................150
Círculo Judicial do Barreiro ............................................................................................................151
Círculo Judicial das Caldas da Rainha ........................................................................................... 152
Círculo Judicial de Cascais ..............................................................................................................152
Círculo Judicial do Funchal ............................................................................................................153
Círculo Judicial de Loures ...............................................................................................................154
Índice

Círculo Judicial de Oeiras ...............................................................................................................154


Círculo Judicial de Ponta Delgada .................................................................................................155

4 PGR – RELATÓRIO 2008


Círculo Judicial de Sintra ................................................................................................................155
Círculo Judicial de Torres Vedras ...................................................................................................156
Círculo Judicial de Vila Franca de Xira .........................................................................................156
Círculo Judicial de Lisboa ...............................................................................................................157
Considerações finais .........................................................................................................................161
Movimento processual do Tribunal da Relação de Lisboa ........................................................... 162

2. Distrito Judicial do Porto ..............................................................................................................165


Introdução ........................................................................................................................................165
Serviços do Ministério Público no Distrito Judicial .....................................................................165
Círculo Judicial de Gondomar .......................................................................................................165
Círculo Judicial da Maia .................................................................................................................166
Círculo Judicial do Porto ................................................................................................................169
Círculo Judicial de Santa Maria da Feira .......................................................................................171
Círculo Judicial de Vila Nova de Gaia ..........................................................................................173
Tribunal da Relação de Guimarães ................................................................................................177
Movimento processual do Tribunal da Relação de Guimarães ...................................................181

3. Distrito Judicial de Coimbra .........................................................................................................183


Introdução ........................................................................................................................................183
Serviços da Procuradoria-Geral Distrital .......................................................................................183
Serviços do Tribunal da Relação .....................................................................................................186
Serviços do Ministério Público no Distrito Judicial .....................................................................187
Tópicos Gerais ..............................................................................................................................187
Actividade Desenvolvida .............................................................................................................189
Outras informações ......................................................................................................................191
Círculo Judicial de Alcobaça ...........................................................................................................191
Círculo Judicial de Anadia ..............................................................................................................192
Círculo Judicial de Aveiro ...............................................................................................................192
Círculo Judicial de Castelo Branco .................................................................................................192
Círculo Judicial de Coimbra ...........................................................................................................193
Círculo Judicial da Covilhã .............................................................................................................194
Círculo Judicial da Figueira da Foz ................................................................................................195
Círculo Judicial da Guarda .............................................................................................................195
Índice

Círculo Judicial de Leiria ................................................................................................................195


Círculo Judicial de Pombal .............................................................................................................195

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Círculo Judicial de Seia ................................................................................................................... 196
Círculo Judicial de Tomar ...............................................................................................................196
Círculo Judicial de Viseu .................................................................................................................196
Considerações finais .........................................................................................................................197

4. Distrito Judicial de Évora ..............................................................................................................203


Introdução ........................................................................................................................................203
Serviços da Procuradoria-Geral Distrital .......................................................................................205
Serviços do Tribunal da Relação .....................................................................................................207
Serviços do Ministério Público no Distrito Judicial .....................................................................208
Tópicos Gerais .............................................................................................................................. 208
Actividade Desenvolvida ..............................................................................................................208
Círculo Judicial de Abrantes ...........................................................................................................209
Círculo Judicial de Beja ................................................................................................................... 209
Círculo Judicial de Évora e DIAP de Évora ...................................................................................210
Círculo Judicial de Faro ................................................................................................................... 210
Círculo Judicial de Loulé .................................................................................................................210
Círculo Judicial de Portalegre .........................................................................................................211
Círculo Judicial de Portimão ...........................................................................................................211
Círculo Judicial de Santarém ..........................................................................................................212
Círculo Judicial de Santiago do Cacém .......................................................................................... 212
Círculo Judicial de Setúbal .............................................................................................................212
Outras informações ..........................................................................................................................213
Considerações finais .........................................................................................................................224

VI - Tribunais Administrativos e Fiscais ................................................................................................. 227


1. Tribunal Central Administrativo Norte .......................................................................................... 227
2. Tribunal Central Administrativo Sul ..............................................................................................237
3. Movimento Processual .....................................................................................................................252

VII - Movimento Processual do Ministério Público nos Tribunais Judiciais .................................. VII - 1

Jurisdição Penal ............................................................................................................................... VII - 3


Processos de inquérito ..................................................................................................................... VII - 4
Processos em fase de instrução .................................................................................................... VII - 20
Índice

Processos penais classificados ...................................................................................................... VII - 37


Execução de penas ........................................................................................................................ VII - 51

6 PGR – RELATÓRIO 2008


Jurisdição Cível ............................................................................................................................. VII - 53
Acções cíveis declarativas e especiais com intervenção principal do M.P. ............................... VII - 55

Jurisdição Família e Menores ........................................................................................................ VII -65


Procedimentos do M.P. previstos no DL 272/2001 ................................................................. VII - 67
Acções tutelares cíveis e incidentes ............................................................................................. VII - 79
Averiguações oficiosas de paternidade e maternidade ............................................................ VII - 101
Processos de promoção e protecção ......................................................................................... VII - 105
Processo tutelar educativo - Inquéritos ................................................................................... VII - 109

Jurisdição Laboral ...................................................................................................................... VII - 113


Acções comuns laborais ............................................................................................................. VII - 115
Processos por acidente de trabalho . ........................................................................................ VII - 123
Processos especiais - doenças profissionais e outros. ............................................................... VII - 127
Actividade do M.P. em processo por acidente de trabalho .................................................... VII - 131

Outros ........................................................................................................................................ VII - 135


Processos adminitrativos ........................................................................................................... VII - 137
Actos diversos ............................................................................................................................. VII - 141
Acções executivas instauradas pelo M.P. .................................................................................. VII - 143
Recursos ...................................................................................................................................... VII - 153
Recursos de impugnação em processo de contra-ordenação .................................................. VII - 163

Índice

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INTRODUÇÃO

Está hoje divulgada, a vários níveis, a ideia de que a Justiça funciona mal ou não funciona.
Queixa que, curiosamente, e sem surpresa, com maior ou menor intensidade, se tem ouvido em vários
países.
Enquanto Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, antes, pois, de ocupar o lugar de Procurador-
-Geral da República, foi escrito e afirmado que nenhum interveniente no processo judiciário está inocente
no deficiente funcionamento da Justiça. Desde o legislador, passando pelos aplicadores da lei e até ao
destinatário, todos têm responsabilidades no percurso acidentado que a aplicação da justiça enfrenta no
dia-a-dia.
Disse-se e mantém-se, hoje até com melhor conhecimento de causa.
Compete-me, contudo, falar somente do Ministério Público, respeitando assim a preocupação
manifestada logo na tomada de posse, quando foi defendido que não seriam ultrapassados os poderes
que a Constituição, os Estatutos e a Lei conferem ao Procurador-Geral da República, mas também não
se abdicaria de nenhuma competência nem se deixaria de exercer todos os poderes confiados, quer em
relação ao exterior, defendendo a autonomia do Ministério Público quer para o interior, recordando
que o Ministério Público é uma magistratura hierarquizada, competindo ao Procurador-Geral da
República, além do mais, dirigir, coordenar e fiscalizar a actividade do Ministério Público.
Dentro destes parâmetros falar-se-á do Ministério Público e da Justiça, aqui e agora.
A Constituição saída do 25 de Abril e o Estatuto respectivo consagraram a autonomia do Ministério
Público.
Autonomia externa no sentido de que o Ministério Público é uma magistratura independente de todos
os demais poderes do Estado, sendo um órgão de Justiça, integrado nos Tribunais e ao serviço dos
cidadãos e do Estado.
A Procuradoria-Geral da República, que compreende o Conselho Superior do Ministério Público e o
Procurador-Geral da República, é presidida por este e é o órgão constitucional responsável pelo
funcionamento do Ministério Público, tendo os poderes de gestão, de orientação geral, de avaliação e
disciplinares.
A Magistratura do Ministério Público está organizada e tem, necessariamente, de funcionar com uma
forte componente hierárquica.
A autonomia interna, por sua vez, no caso do Ministério Público, abrange o processo decisório do caso
concreto, estando os seus magistrados obrigados a respeitar critérios de objectividade e de legalidade

NOTA: A Introdução reproduz, com alterações e aditamentos, a intervenção que o Procurador-Geral da República realizou
na sessão solene de abertura do ano judicial de 2009.

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estrita, bem como a cumprir as directivas, ordens e instruções dimanadas da hierarquia, só as podendo
recusar com fundamento na ilegalidade das mesmas ou invocando “grave violação da sua consciência
jurídica”.
Essa autonomia, na sua dupla vertente, não é algo que tenha sido fixado como um privilégio dos
Magistrados do Ministério Público, destinando-se antes a ser uma garantia do cidadão na aplicação da
justiça, assegurando independência e isenção.
Sendo assim, a autonomia interna não se pode confundir com o livre exercício de vontade na área de
competência de cada um, nem com um corporativismo absolutamente desajustado da época em que se vive.
A independência dos tribunais, a autonomia do Ministério Público e o respeito institucional são
exigências do Estado de Direito, que não estão nem podem estar em discussão.
Mas, se no plano constitucional e legal se tem como indiscutível a autonomia do Ministério Público, já
assim não acontece com o figurino existente no que respeita ao concreto funcionamento da Instituição.
Tem-se repetidamente afirmado que é preciso restaurar e reforçar a credibilidade da justiça, tornando-a
mais transparente, mais eficiente, mais credível.
Para isso é necessário, além do mais, fortalecer a Magistratura do Ministério Público.
Não sendo este o lugar para enumerar reformulações do Estatuto, é, contudo, possível enunciar as
grandes linhas de necessária alteração, para que o Ministério Público se afirme como uma Instituição
fundamental do Estado de Direito ao serviço do cidadão.
Em primeiro lugar urge, com imaginação, desbloquear a carreira do Ministério Público. Permanecer 20
anos como Procurador-Adjunto, num início de carreira desgastante, cria rotinas nefastas e arrasta uma
falta de motivação, prejudicial ao exercício do cargo. Premiar o mérito e sancionar o demérito também
deve passar pela criação de incentivos, sendo um deles a ascensão mais rápida na carreira.
É necessário um Ministério Público especializado, com capacidade de adaptação e resposta a uma realidade
social em permanente mutação. Como proceder a essa especialização e como enquadrá-la nas atribuições
do Ministério Público é tarefa a estudar e desenvolver.
É fundamental acabar com o cinzentismo da uniformização, que procura instalar-se, para distinguir e
estimular os que se esforçam e lutam para melhor exercerem os seus cargos.
É imperioso viabilizar e defender a colocação dos Magistrados de acordo com o mérito, as aptidões e
especializações, abandonando o sistema de mera antiguidade ou interesse pessoal de colocação.
É preciso remodelar os serviços de inspecção e agilizar os seus procedimentos, por forma a obter rápidas
avaliações, que se preocupem com o mérito substancial e não meramente formal.
É necessário consolidar o papel das Procuradorias-Gerais Distritais e redefinir os poderes e os deveres
dos magistrados em funções de coordenação ou de direcção.
Importa melhorar os mecanismos de enquadramento e de apoio dos magistrados em início de carreira.
Introdução

Impõe-se ainda institucionalizar a criação de unidades especiais, dotando-as de meios adequados para
conseguir dar respostas em tempo oportuno a fenómenos ou acontecimentos de especial relevância,
gravidade ou complexidade.

10 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Mas não só uma reestruturação do Ministério Público é essencial para que tenhamos uma melhor
Justiça.
É urgente hoje, mais do que nunca, reafirmar que nada justifica que alguém goze de especiais privilégios
na aplicação da justiça (para além dos que a própria lei determina), como nada justifica que alguém seja
especialmente visado só por ocupar lugar de relevo ou porque a opinião pública em certo momento o
exige.
Há que afirmar, clara e inequivocamente, que todos são iguais perante a lei, investigando-se eventuais
ilícitos sem olhar a quem eles respeitam; afirmá-lo e praticá-lo.
É preciso que os Magistrados do Ministério Público, dos mais novos aos mais antigos, digam sem
tibieza que não se deixam influenciar, sugestionar, impressionar e menos ainda intimidar por qualquer
tipo de pressão ou de campanha, seja em que sentido for. E diz a experiência de muitos anos que
campanhas dessas são vulgares.
Passa por aí a apreciação da independência dos Tribunais e a autonomia do Ministério Público.
Dois outros aspectos assumem capital relevância: a lentidão da justiça e a deficiente articulação entre o
Ministério Público, como detentor do exercício da acção penal, e outros intervenientes no processo
judiciário, designadamente, os Órgãos de Polícia Criminal.
Os dois aspectos estão interligados no que toca à investigação criminal.
Importa, contudo, começar por salientar, por um lado, que o tempo de duração da investigação em
Portugal em nada fica diminuído quando comparado com a investigação na maior parte dos restantes
países, onde, obviamente, se respeitem os direitos dos cidadãos, designadamente, dos arguidos.
Por outro lado, há que realçar que a Justiça não pode ser tão lenta que saiam frustrados os objectivos
que visa alcançar, mas também não pode ser tão rápida que deixe de ser justiça.
Sem entrar numa apreciação de fundo do mérito ou demérito das várias reformas legislativas, que
recentemente tiveram lugar, parece já ser certo que não contribuíram para uma maior celeridade na
administração da justiça.
Vários passos têm sido dados pelo Ministério Público e Órgãos de Polícia Criminal no sentido de
melhorar a articulação, a cooperação, a colaboração, a troca de informações em tempo útil; mas há
ainda um longo caminho a percorrer.
Dessa ainda deficiente conjugação de esforços e tarefas, resultam, necessariamente, delongas em algumas
investigações.
Não basta o Procurador-Geral da República determinar prioridades para uma investigação, ou o
Magistrado que a conduz dar o carácter de urgência a certos processos, porque é muitas vezes necessário
realizar exames, perícias, buscas, inquirições, reconstituições, expedir rogatórias, pedir colaboração
internacional. Tudo isso será realizado por entidades e instituições que cooperam com o Ministério
Introdução

Público e essa colaboração, por razões múltiplas, nem sempre é pronta e eficaz. Por carência de meios
humanos, por escassez de meios técnicos dessas instituições, por falta de pronta resposta internacional
(apesar dos múltiplos organismos hoje existentes, destinados a reforçar a colaboração internacional),
por limitações e imposições legais, por excesso de garantismo e por variadíssimos outros motivos,
grandes processos arrastam-se sem que o Ministério Público tenha possibilidade de só por si resolver os

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problemas criados. A lentidão daí resultante levará muitas vezes ao aparecimento de críticas e a insinuações
injustas.
Lança-se daqui um repto, que é também um pedido, aos Senhores Jornalistas.
Quando processos, hoje tão mediatizados, caírem no domínio público, o que, necessariamente,
acontecerá por força da lei vigente, consultem-nos com atenção e verificarão que a grande maioria de
casos com demoras processuais não se deve à actuação do Ministério Público.
Um exame que leva anos a realizar, uma perícia que se arrasta durante meses, uma rogatória que demora
anos a cumprir, são obstáculos que o Ministério Público não tem condições para superar. Algumas das
dificuldades poderão vir a ser minoradas com a recente criação dos Gabinetes de Apoio, ideia que se
saúda.
Com essa divulgação, uma Comunicação Social, isenta e esclarecida, contribuirá também assim para
uma justiça mais transparente, qualidade essencial para a credibilidade da mesma.
É imperioso que o país tenha um Ministério Público com dinamismo, eficácia e capacidade de adaptação
à realidade social.
Um Ministério Público capaz de responder à evolução dos tempos e aos desafios que vão surgindo.
O Procurador-Geral da República acredita, convictamente, que vamos ter esse Ministério Público de
que o país precisa.
E é também imperioso acreditar que se iniciaram novos caminhos na aplicação da justiça, que poderão
levar a melhores resultados do que aqueles que vêm sendo obtidos. É preciso dar o benefício da dúvida
e esperar. Este ano, é, e vai continuar a ser, um ano difícil para a Justiça, a todos os níveis: criminal,
cível, comercial, família e menores. Os tempos que se avizinham não são fáceis, mas crê-se que os
magistrados e os tribunais portugueses vão ser capazes de superar as dificuldades e conseguir uma melhoria
na difícil administração da justiça.
Esta cerimónia não teria, obviamente, o significado e a força que tem sem a presença prestigiante de Sua
Excelência o Presidente da República.
O Presidente da República é o garante máximo do regular funcionamento das instituições democráticas
e, por isso, nunca é demais enaltecer a atenção esclarecida, o interesse e a preocupação que Sua Excelência
dedica à causa da Justiça.
A Assembleia da República é a casa onde se discutem as grandes questões da Justiça, os Diplomas
fundamentais do País, pelo que assume grande relevo a presença de Sua Excelência o Presidente da
Assembleia da República.
É com toda a consideração que se saúda o Senhor Ministro da Justiça, salientando, com verdade, que,
em mais de dois anos de exercício do cargo de Procurador-Geral da República, sempre o Senhor Ministro
se mostrou disposto a dialogar, analisar e reanalisar toda e qualquer questão ligada à justiça, dentro de
um relacionamento institucional correcto.
Introdução

Ao Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e ao Senhor Bastonário da Ordem dos Advogados
repete-se parcialmente o que se disse o ano passado.
Pensa-se que a intensificação do diálogo entre Magistrados Judiciais, Magistrados do Ministério Público

12 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


e Advogados contribuirá positivamente para a melhoria do funcionamento da Justiça.
Termino saudando todos os presentes e em especial os Magistrados e funcionários com quem tive o
gosto de trabalhar durante anos no Supremo Tribunal de Justiça.

Introdução

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II — INDICADORES GERAIS

1. Jurisdição Penal

1.1. Processos de inquérito

Em 2008 foram registados 557.884 inquéritos, ou seja, mais 77.462 do que em 2007 o que representa,
assim, um aumento de 16,1% na criminalidade participada.
Foram movimentados 761.987 inquéritos, tendo sido concluídos 542.881 inquéritos — valor este
superior ao verificado no ano transacto (+50.595) — e ficado, por isso, pendentes 219.106.
Foi proferido despacho de acusação em 75.796 dos inquéritos findos o que representa uma percentagem
de 9,94% dos movimentados.
Ao nível da distribuição de novos processos constata-se a ocorrência de um aumento substancial nos
distritos judiciais de Lisboa e do Porto (224.436 em 2008, contra 185.780 em 2007, e 183.526 em
2008 contra 151.547 em 2007, respectivamente) e ainda um acréscimo significativo, no distrito judicial
de Coimbra (74.935 em 2008 contra 68.259 em 2007), enquanto no distrito judicial de Évora a
variação foi mínima (de apenas mais 151 novos processos — 74.987 em 2008 contra 74.836 em
2007). Relativamente à pendência, quando comparada com a registada no ano de 2007, verifica-se uma
subida em todos os distritos judiciais, a qual se cifra em 28,75%, a nível nacional.
O número de inquéritos arquivados foi de 418.863, o que representa cerca de 55% dos movimentados.

1.2. Intervenção do tribunal singular a pedido do Ministério Público — artigo 16º, nº 3, do Código
de Processo Penal

O uso da faculdade prevista no artigo 16º, nº 3, do Código de Processo Penal, por comparação com o
ano transacto, sofreu um aumento, tendo-se registado 9.062 processos em 2008 contra 8.854 em
2007. Tal faculdade representa 12% do total de acusados no ano.
Os distritos judiciais de Lisboa e Porto voltam a apresentar a maior expressão numérica, continuando a
verificar-se fortes oscilações de círculo para círculo e de comarca para comarca.

1.3. Processos em fase de instrução

O uso da instrução diminuiu ligeiramente em 2008, registando-se 6.972 pedidos (menos 17 do que
em 2007) dos quais 4.946 formulados pelo arguido e 2.026 pelo assistente. Aos pedidos entrados
acrescem 5.063 provindos do ano transacto, o que totaliza 12.035 processos.

NOTA: A partir deste capítulo, a recolha, organização de dados, elaboração do texto, compilação dos mapas, apresentação
gráfica e paginação foram realizadas pelo Lic. Vítor Mendonça, técnico superior, Marina Pereira, técnica de informática, e
Lic. Sara Marques, técnica superior, com a supervisão do Procurador da República, Lic. Carlos Sousa Mendes.

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Findaram 7.634 processos de instrução (mais 254 do que em 2007) dos quais 3.774 com despacho de
pronúncia, 2.147 por despacho de não pronúncia e 1.713 por outros motivos. Estes valores quando
comparados com os do ano anterior, traduzem uma diminuição dos processos findos por despacho de
pronúncia (- 67) e um aumento dos concluídos por despacho de não pronúncia (+174). No final do
ano a pendência ascendia a 4.401 processos.

1.4. Processos penais classificados

Embora permaneçam as deficiências de recolha de dados relativos aos processos penais na fase de
julgamento, deficiências decorrentes essencialmente da omissão de uma informação fiável por parte das
secretarias judiciais, os elementos estatísticos disponíveis permitem apurar alguns indicadores com
significado relevante.
Assim, e em sede do processo comum, a intervenção do júri foi requerida em 11 casos (contra 9, em 2007),
sendo certo que dos 23 movimentados se concluíram 8 por julgamento, com condenação total e parcial.
A intervenção do tribunal colectivo foi solicitada em 8.457 processos (menos 638 do que no ano
anterior), enquanto os novos processos submetidos a julgamento em tribunal singular atingiram o
número de 62.147, ou seja, menos 676 do que em 2007.
Os dados respeitantes a processos especiais mostram terem sido registados, em 2008, 32.856 processos
sumários (mais 3.316 do que em 2007) e 5.089 processos sumaríssimos (menos 565 do que em 2007).
No mesmo âmbito, registaram-se, ainda, 6.026 processos abreviados, 21.609 processos de transgressões
e contravenções e 3.617 processos de internamentos compulsivos.
O índice de procedência de acusações em julgamento — com exclusão dos processos de internamento
compulsivo — manteve expressão elevada, num valor superior a 87%, semelhante ao registado em 2007.

1.5. Execução de penas

Num total de 41.224 processos de execução de penas (graciosos, complementares e outros), dos quais
29.193 foram registados no ano, findaram 30.920 e ficaram pendentes 10.304.

2. Jurisdição Cível

2.1. Acções declarativas e especiais

Foram movimentadas 12.375 acções (incluindo 6.702 vindas do ano anterior), respeitantes ao
contencioso patrimonial do Estado, à defesa de menores, incapazes e ausentes, a interesses difusos e
outras diversas, sendo certo que foram propostas 5.084 e contestadas 589.
Findaram 6.016 acções, tendo 5.367 sido julgadas procedentes e 649 improcedentes. Ficaram pendentes
Indicadores Gerais

6.359 para o ano seguinte.

3. Jurisdição de Família e Menores

3.1. Procedimentos do Ministério Público previstos no DL nº 272/2001

Num total de 3.459 procedimentos (suprimento de consentimento, autorização para alienação/oneração,


prática de actos, confirmação de actos e aceitação/rejeição de liberalidades) movimentados em 2008,

16 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


804 vieram do ano anterior e 2.655 foram registados no ano. No total findaram 2.505, dos quais
2.308 julgados procedentes e 197 improcedentes, tendo ficado pendentes 954.
Findaram, ainda, 10 processos com pedido de reapreciação judicial e 825 sem pedido.

3.2. Acções tutelares cíveis e incidentes

Em 2008, no âmbito da jurisdição tutelar cível, foram movimentados 96.396 processos, dos quais
44.957 relativos aos entrados ao longo do ano. Findaram 41.497 processos, a maioria (35.188)
respeitando a acções relativas ao exercício do poder paternal: acções de regulação, de alteração à regulação,
de inibição ou de limitação do poder paternal.
Nas restantes espécies, e também ao nível dos processos findos, apuraram-se, em 2008, e por comparação
com 2007, valores ligeiramente inferiores, quer nos casos de tutela (426), quer nos casos de fixação,
alteração e execução de alimentos (1.548), e ainda nos de adopção plena e restrita (944). No que se
refere aos processos de entrega judicial registou-se uma ligeira diminuição, ao nível das entradas (de
1.512 em 2007, para 1.300 em 2008).
Ficaram pendentes 54.899, ou seja, mais 4.634 processos do que em 2007.

3.3. Averiguações oficiosas de paternidade e maternidade

Competindo ao Ministério Público a instrução do processo de averiguação oficiosa que se destina ao


estabelecimento judicial da paternidade e maternidade, cabe assinalar que em 2008 foram distribuídos
2.177 processos relativos a averiguações oficiosas de paternidade e maternidade, valor ligeiramente
inferior ao de 2007 (-123).
Foi obtida prova para propositura de acção de investigação de paternidade em 247 casos, sendo certo,
por outro lado, que o número de processos em que se concluíu pela inviabilidade foi de 502.
O número de processos terminados por perfilhação foi de 1.148, o que corresponde a cerca de 50% do
total dos findos (2.289) e merece destaque por revelar o reconhecimento voluntário da paternidade e
maternidade em valor significativo, aliás ligeiramente superior ao do ano transacto (1.044).

3.4. Processos de promoção e protecção

Foram movimentados 14.322 processos desta espécie, sendo que 8.151 vieram do ano transacto e
6.171 registados no ano. Destes, 5.884 foram a requerimento do Ministério Público e 287 a
requerimento de outros. Findaram 5.552 do total de movimentados e ficaram pendentes 8.770 para o
ano seguinte.
Indicadores Gerais

3.5. Processos tutelares educativos – inquéritos

Em 2008 foram instaurados 9.159 novos inquéritos (mais 452 do que em 2007), tendo sido
movimentados 12.593 (incluindo 3.434 vindos de 2007). Findaram 5.247 inquéritos por arquivamento,
dos quais: 2.169 liminarmente e por aplicação do artigo 78.º da Lei Tutelar Educativa; 217 após suspensão
e por aplicação do artigo 85.º, nº 2, desse mesmo diploma; e 2.861 por falta de indícios, nos termos do
artigo 87.º Foram, ainda, remetidos para julgamento 2.003 e ficaram pendentes, para o ano seguinte,
4.135 processos, ou seja, mais 660 do que no final de 2007.

17
4. Jurisdição Laboral

4.1. Acções comuns laborais

Foram movimentadas 5.989 acções declarativas com intervenção do Ministério Público, das quais 3.445
deram entrada no ano. Findaram 3.220 e ficaram pendentes, para o ano seguinte, 2.769 acções.

4.2. Processos por acidentes de trabalho

O volume de processos instaurados conheceu, por comparação com o ano de 2007, uma ligeira subida
no que respeita às acções por acidente de trabalho (de 21.559 para 22.256).
Findaram mais processos do que no ano transacto (22.924 em 2008 contra 21.830 em 2007), tendo
ficado pendentes 17.858.
No final do ano, encontravam-se a cargo do Ministério Público 418 acções para propor.

4.3. Processos especiais – doenças profissionais e outros

Registou-se um ligeiro aumento nos processos de doenças profissionais entrados (82 contra 75 em
2007), tendo sido movimentados, no total, 177.
O número total de processos findos foi de 78, contra 112 em 2007, tendo ficado 99 pendentes.

4.4. Actividade do Ministério Público em processos por acidente de trabalho (fase conciliatória e
contenciosa)

Foram realizadas 21.694 tentativas de conciliação. Para além disso, foram apresentados 2.454
requerimentos para realização de junta médica e 4.377 para actualização de pensão, tendo ainda sido
formulados 2.338 pedidos de revisão de incapacidade/pensão e realizadas 9.622 outras intervenções
processuais.

5. Outros Processos

5.1. Processos administrativos

O número de processos administrativos iniciados nos serviços do Ministério Público junto dos
Indicadores Gerais

tribunais judiciais conheceu uma ligeira diminuição em relação ao ano transacto (-305), já que dos
31.423 registados em 2007 se passou, em 2008, para os 31.118. Os distritos judiciais de Lisboa e do
Porto continuam a representar, no seu conjunto, mais de 2/3 dos registos (12.154 e 9.780,
respectivamente).
Foram movimentados, no total, 60.062 processos administrativos, tendo findado 31.000.
O número de acções propostas ou contestadas com base nos processos administrativos foi de 11.549,
inferior ao do ano transacto (12.417).

18 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


5.2. Actos diversos

Foram apresentadas 7.345 reclamações de créditos em execuções, falências e processos análogos; cumpridas
35.020 cartas precatórias/rogatórias pelo Ministério Público; emitidos 9.835 pareceres em acções de
divórcio das conservatórias; assegurados 48.130 actos de atendimento de público; realizadas 4.776
intervenções, nos termos do artigo 72.º da Lei de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo; e praticados
7.210 outros actos.

5.3. Acções executivas instauradas pelo Ministério Público

Movimentaram-se 284.393 acções executivas relativas ao contencioso patrimonial bem como à execução
de sentença laboral, custas, multas, coimas e outras. Deram entrada no ano 70.882 acções executivas,
findaram 90.116 e ficaram 194.277 pendentes para 2009.

5.4. Recursos

O Ministério Público interpôs recurso em 2.843 processos de jurisdição penal, cível, laboral e família
e menores, tendo figurado como recorrido em 8.042. Dos 3.683 recursos julgados no ano, 1.745
foram providos, total ou parcialmente.

5.5. Recursos de impugnação em processos de contra-ordenação

Em 2008 registaram-se 11.479 recursos de impugnação em processos de contra-ordenação, valor este


substancialmente inferior ao do ano transacto (-4.898). No total movimentaram-se 27.981 desses
processos, findaram 12.884 (por julgamento e arquivamento), e ficaram pendentes 15.097 recursos.

6. Estruturas

As condições do exercício da actividade do Ministério Público em 2008 não se alteraram substancialmente


mantendo-se no essencial as considerações dos anos precedentes.
O diagnóstico das insuficiências está efectuado: carência de magistrados com a categoria de procurador-
-adjunto; sub-dimensionamento dos quadros de magistrados, especialmente ao nível da representação
do Ministério Público nos tribunais judiciais de 1ª instância; falta e impreparação de funcionários de
apoio e deficiências de equipamentos e instalações.
No final do ano, o quadro de magistrados do Ministério Público era integrado por 1.525 magistrados:
155 procuradores-gerais adjuntos, 456 procuradores da República e 914 procuradores-adjuntos. Durante
o ano, foram nomeados 57 novos procuradores-adjuntos.
À falta de magistrados (especialmente procuradores-adjuntos) respondeu-se, mais uma vez, com os
Indicadores Gerais

critérios de gestão possíveis: atribuição de serviço, em regime de acumulação ou destacamento, a titulares


de outra comarca e nomeação de licenciados em direito como substitutos do procurador-adjunto.
O não preenchimento ou preenchimento incompleto de lugares dos quadros de funcionários e a falta
de preparação técnica específica de uma grande maioria dos funcionários de apoio do Ministério Público
continuam a constituir aspectos do sistema de justiça carecidos de intervenção.
Ao nível de equipamentos, particularmente os relacionados com sistemas informáticos, mantêm-se
algumas carências susceptíveis de influenciarem a resposta às necessidades dos serviços.

19
A situação respeitante às instalações disponíveis continua a revelar, nalguns casos, a insuficiência de espaços
para o Ministério Público, pontualmente agravada pela inadequação e degradação de diversos edifícios.
As casas de função disponíveis são em número insuficiente e, em muitos casos, têm vindo a degradar-se
progressivamente.

7. Sistema de Informação do Ministério Público (SIMP)

Em Junho de 2008, entrou em funcionamento, a nível nacional, uma primeira versão do portal interno
do Ministério Público, denominado SIMP (https://simp.pgr.pt), dando-se, assim, início à execução
do projecto de criação de uma intranet para o MP (projecto SIMP), aprovado por despacho de
Sua Excelência o Sr. Conselheiro Procurador-Geral da República de 31 de Julho de 2007.
Com o projecto SIMP, a PGR visa dotar o Ministério Público de um sistema integrado e centralizado
de recolha, tratamento, divulgação e partilha de informação, assente em tecnologias web, com as
características próprias de um portal corporativo.
O universo dos seus destinatários e utilizadores é constituído por todas as unidades orgânicas e todos os
magistrados e funcionários do Ministério Público a nível nacional. E o seu objecto funcional compreende
a multiplicidade de tarefas e actividades levadas a cabo pelo MP no âmbito do exercício das suas
atribuições (à excepção da actividade jurisdicional propriamente dita), com especial destaque para a
recolha, tratamento, partilha e armazenamento da informação pelas diversas unidades orgânicas e instâncias
hierárquicas, a simplificação e uniformização dos procedimentos burocráticos internos, a gestão de
meios e recursos humanos, a fiscalização e avaliação do desempenho, os instrumentos de auxílio à
prestação dos magistrados e o atendimento online dos cidadãos em domínios que exijam iniciativas
processuais por parte do Ministério Público (v.g., defesa da legalidade, representação de menores e
incapazes, defesa de interesses difusos e outros).
Decorrido cerca de meio ano de funcionamento do portal SIMP, e pese embora o seu carácter
embrionário, as naturais dificuldades de adaptação aos novos métodos de trabalho e à utilização das
novas tecnologias de informação, e a escassez de meios disponíveis para formação e apoio aos utilizadores,
pode afirmar-se que o projecto conheceu um sucesso bastante superior às expectativas, tendo merecido
a rápida adesão da generalidade dos magistrados e funcionários, que fazem do SIMP uma ferramenta de
utilização diária, sem a qual o funcionamento do Ministério Público seria gravemente afectado.
Para além dos milhares de acessos ao SIMP para efeitos de consultas nas diversas bases de dados, com motores
de pesquisa especificamente desenvolvidos e adaptados às necessidades dos magistrados (jurisprudência,
legislação, pareceres, peças processuais, docs. hierárquicos etc.), foram contabilizados até ao fim de 2008
cerca de 22.000 ofícios e 19.000 mensagens enviados pelo SIMP, a par de 6.000 comunicações hierárquicas
nos termos do art. 276º do CPP, 100 instruções hierárquicas, 150 notícias e 1.400 agendamentos, o que
Indicadores Gerais

constitui claro indicador de um uso intensivo deste novo instrumento de trabalho.


O projecto SIMP prosseguirá o seu normal desenvolvimento no decorrer do próximo ano, estando
previsto, por um lado, o aperfeiçoamento do actual protótipo (introdução de novos módulos e
funcionalidades, melhoramento dos actuais, reforço da formação e apoio aos utilizadores) e, por outro,
o lançamento de um concurso público para desenvolvimento de uma versão definitiva do SIMP, técnica
e funcionalmente mais evoluída, e que tenha em conta os resultados da permanente avaliação do grau
de adaptação da nova ferramenta de trabalho às efectivas necessidades dos utilizadores.

20 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


III — INDICAÇÃO DE SEQUÊNCIA

O Relatório abrange as seguintes actividades sectoriais:

Procuradoria-Geral da República
1. O Ministério Público nos Supremos Tribunais
1.1. Supremo Tribunal de Justiça
1.2. Tribunal Constitucional
1.3. Supremo Tribunal Administrativo
1.4. Tribunal de Contas
2. Conselho Superior do Ministério Público
3. Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República
4. Auditores Jurídicos
5. Gabinete do Procurador-Geral da República
6. Departamento Central de Investigação e Acção Penal
7. Núcleo de Assessoria Técnica (NAT)
8. Gabinete de Documentação e Direito Comparado
9. Eurojust
10. Serviços de Apoio
Distritos Judiciais
1. Distrito Judicial de Lisboa
2. Distrito Judicial do Porto
3. Distrito Judicial de Coimbra
4. Distrito Judicial de Évora
Tribunais Administrativos e Fiscais
1. Tribunal Central Administrativo do Norte
2. Tribunal Central Administrativo do Sul
3. Movimento processual
Na generalidade dos capítulos, o presente Relatório Anual baseia-se, com adaptações de harmonização,
nos relatórios sectoriais preparados pelos magistrados coordenadores de cada distrito judicial, tribunal,
departamento ou serviço bem como, em relação a outros órgãos ou serviços, nos relatórios preparados
pelos respectivos responsáveis.
Em anexo, reúnem-se, por áreas temáticas, os elementos estatísticos relativos a todos os serviços do Ministério
Público junto dos tribunais judiciais.

21
IV — PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA
1. O Ministério Público nos Supremos Tribunais
SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA
1.1.

A. Instalações e condições de trabalho

As instalações e condições de trabalho foram objecto de melhoramentos tendentes a adequá-las à função


e a dignificá-las.
Exerceram funções no Supremo Tribunal de Justiça nove procuradores-gerais adjuntos, coadjuvados
por uma assessora, com a categoria de procuradora-adjunta, e quatro oficiais de justiça. Nas secções
cíveis, após a jubilação de um procurador-geral adjunto em Abril, a representação do Ministério Público
passou a ser assegurada apenas por um magistrado. Nas secções criminais, passou a integrar o elenco de
magistrados que nelas asseguram a representação do Ministério Público, em Junho, mais um procurador-
-geral adjunto.

B. Secções cíveis e do contencioso

Em 2008 foram distribuídos 2588 recursos cíveis, menos 489 do que no ano anterior, verificando-se
uma diminuição de 15,9%. Relativamente ao número de processos pendentes, verifica-se um decréscimo
percentual de 8,9%.
Dos 2480 recursos de revista e de agravo que findaram no ano de 2008, não mereceram provimento
1553.
Foram proferidos 3 acórdãos para uniformização de jurisprudência, todos eles com declarações de voto
e votos de vencido:
— Processo nº 1321/2007: “A cláusula de atribuição inserida num contrato de agência mantém-se em
vigor para todas as questões de natureza cível, mesmo que relativas ao respectivo regime de cessação.” —
Assento nº 3/2008, 2ª Secção, proferido em 28-2-2008 e publicado no DR nº 66, I Série-A, de 3 de
Abril de 2008;
— Processo nº 542/2006: “Uma instituição de credito sacada que recusa o pagamento de cheque,
apresentado dentro do prazo estabelecido no artigo 29º da LULL, com fundamento em ordem de revogação
do sacador, comete violação do disposto na primeira parte do artigo 32º do mesmo diploma respondendo por
perdas e danos perante o legitimo portador do cheque nos termos previstos nos artigos 4º, segunda parte, do
Decreto nº 13 004, e 483º, nº 1, do Código Civil.” — Assento nº 4/2008, 1ª Secção, proferido em
28-2-2008 e publicado no DR nº 67, I Série-A, de 4 de Abril de 2008;
— Processo nº 3965/2007: “A acção executiva na qual se penhorou um veículo automóvel, sobre o qual
incide registo de reserva de propriedade a favor do exequente, não pode prosseguir para as fases de concurso
de credores e da venda, sem que este promova e comprove a inscrição, no registo automóvel, da extinção da
referida reserva.” — Assento nº 10/2008, 1ª Secção, proferido em 9-10-2008 e publicado no DR
nº 222, I Série-A, de 14 de Novembro de 2008.

25
No final de 2008, encontravam-se pendentes de julgamento 2 recursos, nos processos nos 4716/2007,
da 2ª Secção, e 1992/2008, da 6ª Secção, com propostas do Ministério Público para uniformização de
jurisprudência.
Na secção do contencioso deram entrada 31 recursos, findaram 32 e transitaram para o ano seguinte
26.

C. Secção criminal

Relativamente ao ano anterior, diminuiu o número de processos distribuídos em 236 e o número de


processos findos em 112, sendo a pendência para o ano seguinte de menos 131 processos.
Não obstante a redução assim verificada, com as alterações introduzidas ao Código de Processo Penal
pela Lei nº 48/07, 29 de Agosto (entrada em vigor em 15-9-2007) e a consequente inversão da regra da
audiência oral até aí vigente, tornou-se exigível ao Ministério Público emitir parecer escrito sobre o
mérito em todos os recursos penais, antes de ser efectuado o exame preliminar pelo juiz relator, o que
se traduziu num acréscimo de serviço.
Entraram 274 recursos ordinários sendo 38 interpostos pelo Ministério Público (5,2%) e foram
movimentados 130, tendo sido decididos 25, dos quais 14 obtiveram provimento e 7 foram julgados
improcedentes. Realizaram-se 96 audiências e foram apresentadas 16 alegações escritas em recursos
ordinários. Deram entrada 134 providências extraordinárias de habeas corpus, tendo sido julgadas 135,
das quais 123 foram indeferidas (91,1%).
Relativamente aos recursos extraordinários para fixação de jurisprudência e contra jurisprudência fixada,
entraram 110, ficaram pendentes 18 e foram julgados 133, sendo que destes foram rejeitados 48 e em
9 veio a fixar-se jurisprudência. Foram proferidos assentos para fixação de jurisprudência nos seguintes
processos-crime:
— Processo nº 894/2007: “1 — Requisitada a instituição bancária, no âmbito de inquérito criminal,
informação referente a conta de depósito, a instituição interpelada só poderá legitimamente escusar-se a
prestá-la com fundamento em segredo bancário. 2 — Sendo ilegítima a escusa, por a informação não
estar abrangida pelo segredo, ou por existir consentimento do titular da conta, o próprio tribunal em que
a escusa for invocada, depois de ultrapassadas eventuais dúvidas sobre a ilegitimidade da escusa, ordena
a prestação da informação, nos termos do nº 2 do artigo 135º do Código de Processo Penal. 3 — Caso a
escusa seja legítima, cabe ao tribunal imediatamente superior àquele em que o incidente se tiver suscitado
Supremo Tribunal de Justiça

ou, no caso de o incidente se suscitar perante o Supremo Tribunal de Justiça, ao pleno das secções criminais,
decidir sobre a quebra do segredo, nos termos do nº 3 do mesmo artigo.” — Acórdão nº 2/2008, 3ª
Secção, proferido em 13-2-2008 e publicado no DR nº 63/2008, I Série-A, de 31 de Março de
2008.
— Processo nº 2569/2007: “No domínio da vigência do Código Penal de 1982 e do Código do Processo
Penal de 1987, nas suas versões originárias, a declaração de contumácia não constituía causa de suspensão
da prescrição do procedimento criminal.” — Acórdão nº 5/2008, 3ª Secção, proferido em 9-4-08 e
publicado no DR nº 92/2008, I Série-A, de 13 de Maio de 2008.
— Processo nº 4080/2007: “A exigência prevista na alínea b) do nº 4 do artigo 105º do RGIT, na
redacção introduzida pela Lei nº 53-A/2006, configura uma nova condição objectiva de punibilidade que,
nos termos do artigo 2º, nº 4, do Código Penal, é aplicável aos factos ocorridos antes da sua entrada em
vigor. Em consequência, e tendo sido cumprida a respectiva obrigação de declaração, deve o agente ser

26 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


notificado nos termos e para os efeitos do referido normativo (alínea b) do nº 4 do artigo 105º do RGIT)”.
Acórdão nº 6/2008, 3ª Secção, proferido em 9-4-2008 e publicado no DR nº 94/2008, I Série-A, de
15 de Maio de 2008.
— Processo nº 4449/2007: “Em processo por crime de condução perigosa de veículo ou por crime de
condução de veículo em estado de embriaguez ou sob a influência de estupefacientes ou substâncias
psicotrópicas, não constando da acusação ou da pronúncia a indicação, entre as disposições legais, do nº 1 do
artigo 69º do Código Penal, não pode ser aplicada a pena acessória de proibição de conduzir ali prevista,
sem que ao arguido seja comunicada, nos termos dos nos 1 e 3 do artigo 358º do Código de Processo Penal,
a alteração da qualificação jurídica dos factos daí resultante, sob pena de a sentença incorrer na nulidade
prevista na alínea b) do nº 1 do artigo 379º deste último diploma legal.” Acórdão nº 7/2008, 3ª Secção,
proferido em 25-6-2008 e publicado no DR nº 146/2008, I Série-A, de 30 de Julho de 2008.
— Processo nº 1008/2007: “Não obstante a derrogação operada pelo artigo 28º da Lei nº 30/2000, de 29
de Novembro, o artigo 40º, nº 2, do Decreto-Lei nº 15/93, de 22 de Janeiro, manteve-se em vigor não só
‘quanto ao cultivo’ como relativamente à aquisição ou detenção para consumo próprio, de plantas, substâncias
ou preparações compreendidas nas tabelas I e IV, em quantidade superior à necessária para o consumo
médio individual durante o período de 10 dias“. Acórdão nº 8/2008, 5ª Secção, proferido em 25-6-2008
e publicado no DR nº 150/2008, I Série-A, de 5 de Agosto de 2008.
— Processo nº 3394/2007: “Verificados que sejam todos os restantes elementos constitutivos do tipo objectivo
e subjectivo do ilícito, integra o crime de emissão de cheque sem provisão previsto na alínea b) do nº 1 do
artigo 11º do Decreto-Lei nº 454/91, de 28 de Dezembro, na redacção introduzida pelo Decreto-Lei nº
316/97, de 19 de Novembro, a conduta do sacador de um cheque que, após a emissão deste, falsamente
comunica ao banco sacado que o cheque se extraviou, assim o determinando a recusar o seu pagamento com
esse fundamento”. Acórdão nº 9/2008, 5ª Secção, proferido em 25-9-2008 e publicado no DR nº 208/
2008, I Série-A, de 27 de Outubro de 2008.
— Processo n.º 4822/2007: “Nos termos do artigo 328º, n.º 6, do Código de Processo Penal o aditamento
da audiência de julgamento por prazo superior a trinta dias implica a perda de eficácia da prova produzida
com sujeição ao princípio da imediação. Tal perda de eficácia ocorre independentemente da existência de
documentação a que alude o artigo 363º do mesmo diploma”. Acórdão n.º 11/2008, 3ª Secção, proferido
em 29-10-2008 e publicado no DR nº 239/2008, I Série-A, de 11 de Dezembro de 2008.
— Processo nº 2030/2007: “Não há lugar, em processo tutelar educativo, ao desconto do tempo de
permanência do menor em centro educativo, quando, sujeito a tal medida cautelar, vem, posteriormente,
a ser-lhe aplicada a medida tutelar de internamento.” Acórdão da 5ª Secção, proferido em 8-10-2008,
Supremo Tribunal de Justiça
ainda sem publicação no DR.
— Processo nº 1954/2008: “Em processo de contra-ordenação, é de dez dias quer o prazo de interposição
de recurso para a Relação quer o de apresentação da respectiva resposta, nos termos dos artigos 74º, nos 1 e 4,
e 41º do Regime Geral de Contra-Ordenações (RGCO).” Acórdão da 5ª Secção, proferido em 4-12-
2008, ainda sem publicação no DR.
Ficaram pendentes 18 processos-crime para fixação de jurisprudência.

D. Secção social

Relativamente ao ano de 2007, registou-se um ligeiro decréscimo no número de processos distribuídos


em 2008. Assim, enquanto no ano de 2007 foram distribuídos 404 processos, dos quais 238 de revista

27
e de agravo, no ano de 2008 foram distribuídos 379, sendo 353 de revista e agravo.
No que respeita à pendência registou-se um ligeiro acréscimo relativamente ao ano anterior. Assim,
enquanto para o ano de 2008 transitaram 150 processos, sendo 130 de revista e agravo, no final do ano
2008 encontravam-se pendentes 156 processos, sendo 149 de revista e agravo.
Verificou-se um pequeno decréscimo no número de pareceres emitidos. Enquanto no ano de 2007
foram emitidos pelos magistrados do Ministério Público 303 pareceres, no ano de 2008 foram 286.
Percentualmente manteve-se idêntico o número de recursos de revista e agravo em que foi confirmada
na íntegra a decisão impugnada. Enquanto no ano de 2007 de 407 decisões foram mantidas 274, no
ano de 2008 de 339 decisões foram confirmadas 205.
No que respeita à uniformização de jurisprudência, no ano de 2008 não foi proferida nenhuma decisão.

SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA

1. SECÇÕES CÍVEIS

Movimentados
Pendentes p/ o
Vindos do Findos
Entrados Total ano seguinte
ano anterior
Recursos de Revista 575 2118 2693 2165 528
Recursos de Agravo 65 285 350 315 35
Recursos de Apelação 7 12 19 16 3
Recursos Contenciosos 6 24 30 18 12
Recursos de Revisão de Setença 2 5 7 5 2
Recursos p/ Fixação de Jurisprudência 0 0 0 0 0
Conflitos (jurisdição e competência) 4 33 37 34 3
Reclamações 2 111 113 107 6
Outros 0 0 0 0 0
Total 661 2588 3249 2660 589
Supremo Tribunal de Justiça

2. SECÇÕES CRIMINAIS
Movimentados
Pendentes p/ o
Vindos do Findos
Entrados Total ano seguinte
ano anterior
Recursos Ordinários 191 665 856 757 99
Recursos p/Fixação de Jurisprudência 41 110 151 133 18
Recursos de Revisão de Sentença 13 68 81 75 6
Conflitos (jurisdição e competência) 1 19 20 20 0
Reclamações 4 159 163 160 3
Habeas corpus 2 134 136 135 1
Única instância 15 47 62 51 11
Outros 10 17 27 19 8
Total 277 1219 1496 1350 146

28 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


3. SECÇÃO SOCIAL
Movimentados
Pendentes p/ o
Vindos do Findos
Entrados Total ano seguinte
ano anterior
Recursos de Revista 114 335 449 303 146
Recursos de Agravo 16 18 34 31 3
Recursos de Revisão de Sentença 0 1 1 1 0
Conflitos (jurisdição e competência) 0 0 0 0 0
Recursos p/Fixação de Jurisprudência 0 5 5 4 1
Reclamações 14 15 29 29 0
Outros 6 5 11 5 6
Total 150 379 529 373 156

RECURSOS ORDINÁRIOS PENAIS

MOVIMENTADOS DECIDIDOS
Pendentes
Vindos EM CONFERÊNCIA EM AUDIÊNCIA Total dos
para o ano
do ano Entrados Total decididos
Desis- Rejei- Providos Não Outros Providos Não Anula- Outros seguinte
anterior Total Total
tência ção a) providos b) a) providos ções b)

M.º Público
92 38 130 0 3 10 6 0 19 4 1 1 0 6 25 105
(Recorrente)

M.º Público
391 686 1077 0 70 169 148 1 388 52 35 3 0 90 478 599
(Recorrido)

TOTAIS 483 724 1207 0 73 179 154 1 407 56 36 4 0 96 503 704

ACTIVIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO


Supremo Tribunal de Justiça
1. SECÇÕES CÍVEIS a)

Total
Pareceres (processos para resolução de conflitos) 16
Pareceres (recursos para fixação de jurisprudência) 0
Outros pareceres 230
Recursos para o Tribunal Constitucional 0
Requerimentos e respostas 17
Outras intervenções 2286
Totais 2549

29
2. SECÇÕES CRIMINAIS

Total
Pareceres (processos para resolução de conflitos) 15
Pareceres (recursos para fixação de jurisprudência) 58
Outros pareceres 408
Alegações e contra-alegações 25
Recursos para o Tribunal Constitucional 0
Requerimentos e respostas 51
Outras intervenções 487
Totais 1044

3. SECÇÃO SOCIAL
Total
Pareceres (processos para resolução de conflitos) 4
Pareceres (recursos para fixação de jurisprudência) 1
Outros pareceres 286
Recursos para o Tribunal Constitucional 0
Requerimentos e respostas 6
Outras intervenções 48
Totais 345
Supremo Tribunal de Justiça

30 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


TRIBUNAL CONSTITUCIONAL
1.2.

1. Instalações e recursos humanos

A representação do Ministério Público no Tribunal Constitucional foi assegurada por dois procuradores-
-gerais adjuntos. Estão afectos ao serviço do Ministério Público, em edifício anexo ao tribunal, dois
gabinetes, um para cada um dos procuradores-gerais adjuntos, um gabinete para os dois assessores do
Ministério Público e um gabinete para os secretários dos referidos procuradores-gerais adjuntos. Integram
o gabinete do Ministério Público, como assessores, dois procuradores da República e uma secretária.

2. Movimento processual

Os dados referentes ao movimento processual, constantes dos mapas anexos, evidenciam a evolução da
distribuição e os resultados da actividade do Tribunal Constitucional ao longo do ano de 2008, do
seguinte modo: o rendimento obtido, permitindo comparar o número de processos vindos de 2007, o
número de entrados em 2008 e a pendência para o ano de 2009; a análise da actividade processual
desenvolvida pelo Ministério Público ao nível da produção de alegações, pareceres, reclamações e
respostas.
A análise dos dados referentes à actividade do próprio tribunal permite salientar: a nula utilização do
instituto da verificação da inconstitucionalidade por omissão, bem como o diminuto peso e relevância
da fiscalização preventiva, nos últimos anos; algum aumento do número dos pedidos de fiscalização
abstracta sucessiva; o grande peso dos recursos de fiscalização concreta da constitucionalidade e a tendência
para o aumento do número de reclamações deduzidas, no caso de rejeição do recurso no tribunal “a
quo”; e a drástica subida dos recursos eleitorais nos anos de eleições autárquicas.
Foram proferidos, durante o ano de 2008, 635 acórdãos e 552 decisões sumárias, dos quais 5 no
domínio da fiscalização preventiva, 10 no âmbito da fiscalização abstracta sucessiva, 30 no domínio do
contencioso eleitoral e dos partidos políticos e 583 em sede de fiscalização concreta (recursos e
reclamações).
De salientar que — perante o frequente abuso de meios dilatórios, traduzido na suscitação de pedidos
de aclaração, reforma ou nulidade de acórdãos, ou em reclamações para a conferência, reportadas à
impugnação de decisões sumárias, muitas vezes sem qualquer fundamento sério — é vulgar que em
cada processo sejam proferidas várias decisões, antes de o recurso findar e os autos serem remetidos ao
tribunal “a quo”; no entanto, os meios de defesa contra as demoras abusivas, previstos nos artigos 82º,
nº 8, da Lei do Tribunal Constitucional e 720º, nº 2, do Código de Processo Civil têm possibilitado,
em geral, uma actividade mais efectiva no tribunal na frustração do efeito dilatório pretendido,
permitindo, nomeadamente a imediata remessa dos autos ao tribunal “a quo” para nele prosseguirem os
seus termos, apenas ficando traslado neste Tribunal Constitucional.
No domínio da fiscalização concreta, importa salientar dois aspectos que continuam a traduzir efectiva
e substancial melhoria, em termos de celeridade de tramitação:

31
— o conferir-se efectiva urgência aos recursos inseridos em processos com arguidos presos, permitindo
um julgamento — mesmo de mérito — de tais recursos em prazo perfeitamente razoável (e isto mesmo
durante as férias judiciais);
— a possibilidade de — particularmente através do mecanismo da “decisão sumária” do relator — pôr
rapidamente termo a recursos interpostos sem que se verifiquem os pressupostos de admissibilidade,
manifestamente infundados ou respeitando a questões já debatidas e solucionadas na jurisprudência
constitucional. Daqui decorre uma inquestionável melhoria, em termos de celeridade de tramitação, ao
menos no que se refere aos recursos que não envolvam questões inovatórias de especial delicadeza,
grande melindre ou particular complexidade.
A contenção da pendência, no que se refere aos recursos de fiscalização concreta, é, deste modo, o
reflexo de uma maior “agilidade” encontrada pelo tribunal, pelo menos no tratamento das questões
simples, evitando o arrastamento de recursos interpostos com finalidades manifestamente dilatórias —
expressa, não só no referido mecanismo processual da decisão sumária do relator, mas também no facto
de tais decisões, quando impugnadas para a conferência — o que vem sendo algo frequente — serem
decididas identicamente com celeridade, implicando ainda, por força do disposto no regime de custas
do Tribunal Constitucional, constante do Decreto-Lei nº 303/98, de 7 de Outubro, pesada tributação
dos litigantes.
Por outro lado, torna-se perceptível, de forma crescente, um nível de elevada exigência na apreciação
dos pressupostos de admissibilidade dos recursos tipificados na alínea b) do nº 1 do artigo 70º da Lei
do Tribunal Constitucional, circunscrevendo os poderes cognitivos deste tribunal a um estrito controlo
normativo (expresso na apreciação da constitucionalidade apenas dos “critérios normativos” efectivamente
aplicados pela decisão recorrida, e não da actividade subsuntiva do juiz “a quo”, realizada perante a
especificidade do caso concreto “sub juditio”), apreciando, de forma assaz restritiva, as excepções à regra
da suscitação da inconstitucionalidade “durante o processo” e exigindo, de modo rigoroso, que o recorrente
enuncie, em termos claros e exaustivos, qual a interpretação normativa cuja constitucionalidade pretende
questionar (devendo coincidir rigorosamente a dimensão normativa cuja constitucionalidade foi
controvertida “durante o processo”, a interpretação normativa efectivamente aplicada na decisão recorrida
e a que constitui objecto do recurso, face ao requerimento da respectiva interposição).
Tais exigências jurisprudenciais, aliadas a um nível de impreparação e falta de rigor dos recorrentes —
sendo patente que, em muitos casos, não têm estes uma ideia minimamente adequada sobre a natureza
e os limites dos poderes cognitivos do Tribunal Constitucional, nem sobre os ónus que sobre eles
recaem, delineando uma estratégia processual consistente e adequada na suscitação das questões de
inconstitucionalidade — tem produzido efeitos devastadores quanto aos recursos fundados na alínea
Tribunal Constitucional

b), conduzindo — num nível estatístico elevadíssimo — a decisões de não conhecimento, por
inverificação dos respectivos pressupostos de admissibilidade (no universo das decisões do Tribunal
Constitucional, apenas 163 incidiram sobre o mérito da causa).

3. Intervenção do Ministério Público

O Ministério Público produziu 114 alegações [na sua larga maioria na sequência de recusas de aplicação
normativa que originaram, nas várias jurisdições, a interposição de recursos tipificados na alínea a)] e
contra-alegações, tendo ainda emitido parecer em todas as reclamações entradas durante esse ano: 137.
Foram respondidas todas as reclamações, pedidos de aclaração e arguições de nulidades inseridas em

32 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


processos em que o Ministério Público tinha intervenção e foram interpostos recursos para o Plenário
sempre que se detectou contradição jurisprudencial entre as secções do tribunal, o que traduziu, no
todo, a apresentação de 174 peças processuais de tal natureza.
Foi ainda actuada sistematicamente a competência “executiva” conferida ao Ministério Público pelo
Decreto-Lei nº 303/98, de 7 de Outubro, remetendo-se ao tribunal competente grande número de
certidões executivas que foram entregues pelas secções, no caso de não pagamento atempado das custas.
Foram instaurados, em 2008, 21 processos administrativos: em 7 deles foram formulados pedidos de
generalização de julgamentos de inconstitucionalidade, nos termos do artigo 82º da Lei nº 28/82; e em
11 emitiu-se parecer sobre questões de inconstitucionalidade de diplomas legais, colocados ao Procurador-
-Geral da República.
Nos domínios do direito penal, do processo penal e direito contra-ordenacional, foram suscitadas nos
recursos de fiscalização concreta, em que o Ministério Público necessariamente intervém, questões de
particular relevância. Assim, continuam a ser suscitadas questões de constitucionalidade em sede de
“proibição de provas”, de delimitação do conceito de domicílio (nomeadamente, no âmbito do artigo
17º, nº 2, da Lei de Concorrência), quanto às competências do tribunal de júri, nos termos do artigo
13º do Código de Processo Penal e — no que toca ao regime do processo penal revisto pela Lei nº 48/07 —
quanto ao artigo 219º, na parte em que veda ao Ministério Público a possibilidade de recorrer, e ao artigo
86º, nº 7, relativo à definição do âmbito da consulta pelo arguido aos elementos do processo e ao exercício
prévio do contraditório, no caso previsto no nº 4 do artigo 215º do Código de Processo Penal.
Varias alegações incidiram sobre normas sancionatórias fiscais — nomeadamente do RGIT — quer no
que respeita aos específicos condicionamentos da suspensão da pena, quer no que se reporta à previsão
de uma responsabilidade subsidiária de gerentes por multas e coimas fiscais, na perspectiva do princípio
da pessoalidade e intransmissibilidade das sanções penais.
No campo do direito e do processo civil, comercial e laboral, podem referenciar-se, como temas relevantes
abordados nas alegações produzidas, os da constitucionalidade da norma constante do artigo 3º, nº 3,
do Código do Registo Predial, da norma do artigo 164º-A, do CPEREF (no que respeita a caducidade
dos contratos-promessas pendentes à data da declaração de falência), do artigo 5º, nº 1, do Decreto-Lei
nº 142/99 (ao prescrever regime restritivo da responsabilidade subsidiaria do FAT pelas indemnizações
decorrentes de acidente laboral), da constitucionalidade orgânica formal das normas do Decreto-Lei
nº 157/06 (reguladoras do direito de denúncia do contrato de arrendamento pelo senhorio que pretende
realizar obras no bem locado), da conformidade ao princípio da confiança do estabelecimento de
privilégios mobiliários gerais, susceptíveis de precludirem direitos reais de garantia (artigo 10º, nº 2, do
Decreto-Lei nº 103/80), bem como da questão da “caducidade” da dedução do incidente de revisão da
pensão por acidente de trabalho (Base XXII da Lei nº 2127) e das exactas consequências da eliminação
Tribunal Constitucional

do prazo de caducidade no âmbito das acções de investigação de paternidade, consequente à declaração


com força obrigatória geral do artigo 1817º, nº 1, do Código Civil, bem como do âmbito da
impenhorabilidade constante do artigo 824º, n os 1, alínea a), e 2, do Código de Processo Civil (na
redacção anterior à reforma de 2003).
Em matéria de custas e de apoio judiciário têm surgido numerosas questões, nomeadamente decorrentes
da adopção de critérios rígidos e tabelares a que a Segurança Social está adstrita na aferição da invocada
insuficiência económica — tendo sido produzidas várias alegações sobre a questão da constitucionalidade
dos critérios plasmados no Anexo à Lei nº 34/04 e nos artigos 6º a 10º da Portaria nº 1085-A/04, das
limitações à prova documental por parte do requerente, bem como da conformidade à Constituição de
regimes que conduzem a uma fixação de custas de valor aparentemente desproporcionado.

33
Em sede de direito administrativo e fiscal, merecem realce os seguintes temas, abordados em alegações
produzidas: a definição do âmbito do princípio da reserva da lei fiscal, nomeadamente no que toca à
utilização de conceitos indeterminados nas normas de incidência tributária; a exacta definição entre
as figuras da taxa e do imposto (a propósito das taxas a favor da ERCS); e ainda a questão da
constitucionalidade da norma transitória constante do artigo 9º, nº 5, do Decreto-Lei nº 287/93, com
directa incidência na delimitação da competência dos tribunais tributários para as execuções de que é
requerente e credora a CGD.
Vem assumindo um peso crescente na actividade do Ministério Público a intervenção nos processos
referentes à fiscalização das contas dos partidos políticos e, desde 2005, das campanhas eleitorais. Para
além de se promover a aplicação de coimas aos próprios partidos, na sequência da prolação pelo Tribunal
Constitucional de acórdão que enumera as “irregularidades” que considera verificadas, coloca-
-se presentemente, face ao quadro normativo em vigor desde 2000, a eventualidade de sancionar
pessoalmente os dirigentes partidários e mandatários financeiros que sejam responsáveis por tais
deficiências ou ilegalidades — sendo evidente que reveste particular delicadeza e dificuldade o apuramento
de tais responsabilidades “pessoais”, face à amplitude e dispersão das estruturas organizatórias dos
principais partidos políticos (e sendo certo que não vinha sendo, no âmbito das “auditorias externas” —
realizadas pelo Tribunal Constitucional, antes de ter sido criada a ECFP — suficientemente apurada e
concretizada a matéria de facto que poderia suportar, com total segurança, um tal juízo de censura
individual ou pessoal — a título de dolo — quanto a todas as infracções).
Realça-se que o regime previsto para esta responsabilidade contra-ordenacional — quer institucionalmente
quanto aos entes colectivos, quer quanto aos titulares de órgãos, individualmente considerados —
apenas confere relevância ao dolo — ao contrário do que ocorre com a quase totalidade dos ramos do
direito das contra-ordenações, que conferem idêntico relevo à negligência.
Embora enquadrado no âmbito do direito contra-ordenacional, o procedimento de verificação e
sancionamento das contas partidárias e das campanhas eleitorais apresenta uma fisionomia específica.
Assim, a “instrução” do processo — consubstanciada na realização de auditoria às contas apresentadas
— compete (desde a entrada em vigor da Lei Orgânica nº 2/2005) a um órgão independente, que
funciona junto do Tribunal Constitucional e que tem a função de o coadjuvar tecnicamente nessa tarefa
— a ECFP — culminando tal instrução na apresentação de um relatório em que se procede à verificação
de correspondência entre os gastos declarados e as despesas realizadas pelos partidos, notificando-os
para se pronunciarem e, posteriormente, elaborando parecer sobre a prestação de contas, identificando
as irregularidades verificadas (artigos 30º e 31º da citada Lei Orgânica nº 2/2005).
De seguida, o Tribunal Constitucional, em Plenário, profere acórdão, julgando quais as contas prestadas
Tribunal Constitucional

e não prestadas e verificando a eventual “existência objectiva de irregularidades nas mesmas” —


determinando, neste caso, a vista ao Ministério Público, para que este possa promover a aplicação da
respectiva coima (naturalmente se, do ponto de vista subjectivo, tais ilegalidades ou irregularidades
forem censuráveis a título de dolo). Os visados são chamados a exercer o contraditório, cabendo ao
Tribunal Constitucional decidir, a final, sobre o sancionamento ou não dos requeridos.
A “fase sancionatória” do processo inicia-se, deste modo, sob o impulso do Ministério Público, que —
com base nos elementos constantes da auditoria (em que não teve qualquer intervenção) e do acórdão
do Tribunal Constitucional em que se enunciaram as irregularidades “objectivas” — deve formular um
juízo sobre a imputação subjectiva das infracções e, naturalmente, identificar o seu possível responsável
(o que implica saber a que nível organizatório do partido se verificou a infracção tida por relevante).

34 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Tal situação implica (como se vem sustentando nas promoções apresentadas nos processos respectivos,
nomeadamente nos que visaram o sancionamento dos dirigentes responsáveis pelas contas de 2001/
2002) que a auditoria e o relatório, actualmente da competência da ECFP, devam ter uma base factual
sólida e consistente, envolvendo, nomeadamente, o apuramento do nível organizatório — nacional ou
local — do partido em que decisivamente ocorreu a irregularidade em causa e as circunstâncias reais em
que as contas partidárias foram elaboradas, face às competências dos vários órgãos constantes dos Estatutos
e Regulamentos Financeiros em vigor: na verdade, a insuficiência ou imprecisão no apuramento de tal
matéria, decisiva para a individualização ou imputação de responsabilidades “pessoais”, dificilmente
poderá ser suprida em momento ulterior, importando realçar que a lei — artigos 32º, nº 4, e 43º, nº 3,
da referida Lei Orgânica nº 2/2005 — nem sequer prevê especificamente a realização autónoma de
novas diligências probatórias na “fase sancionatória” do processo; e mesmo que, com apelo aos princípios
gerais, se entenda que elas podem ter cabimento, apesar do silêncio da lei, é evidente que se tornará mais
difícil o apuramento aprofundado daqueles factos, atento o lapso temporal entretanto decorrido e a
circunstância de já se não poder contar com uma auditoria, agindo pró-activamente “no terreno”, e
dotada de meios técnicos e investigatórios mais completos.
Assume também um peso significativo na actividade do Ministério Público a apreciação das declarações
de inexistência de incompatibilidades e impedimentos por parte dos titulares de cargos políticos: para
além do número elevadíssimo de processos de tal natureza, constitui factor de acrescida dificuldade a
constante mutação legislativa nesse domínio e, em muitos casos, a pouca clareza das soluções normativas
vigentes — sendo ainda necessário promover o “aperfeiçoamento” de um número muito significativo
de declarações, com vista ao suprimento e esclarecimento de deficiências ou dúvidas por elas suscitadas.
Finalmente — e quanto às declarações de património e rendimentos de titulares de cargos políticos —
era, até à entrada em vigor da Lei nº 19/2008, de 21 de Abril, mais circunscrita a actuação do Ministério
Público, limitando-se a tomar posição perante eventuais situações de “dúvida” acerca do dever de
apresentação da declaração e a encaminhar, quer as eventuais denúncias, apresentadas ao Tribunal
Constitucional, com base em invocada falsidade dos elementos constantes da declaração, quer a actuar
o sancionamento, legalmente previsto, para os casos de omissão culposa do dever de apresentação da
declaração de património e rendimentos (e que envolve, em muitos casos, dúvida relevante sobre a
ordem jurisdicional competente para aplicar tal sanção) — como sucedeu, em número significativo de
casos, relativamente a autarcas que, mesmo após convite para apresentação da declaração, persistiram
no incumprimento de tal obrigação legal.
A concretização da alteração legislativa operada no âmbito do “combate à corrupção” e consubstanciada
em ampliar, de forma extremamente significativa, o nível de intervenção do Ministério Público neste
tipo de processos (artigo 5º-A da Lei nº 4/83 na versão da Lei nº 19/2008, de 21 de Abril), conferindo-
Tribunal Constitucional
-lhe o poder-dever de comparar sistematicamente a situação patrimonial dos titulares de cargos políticos
e equiparados nos momentos do início e termo das funções, num universo que ultrapassará seguramente
a dezena de milhares de declarações, implica a necessidade de proceder a uma reestruturação e reforço
dos serviços do Ministério Público, sendo manifestamente inviável proceder a tal controlo sistemático
— minimamente concludente e aprofundado — com os meios actualmente disponíveis: na verdade, a
estrutura dos serviços do Ministério Público junto deste tribunal foi delineada, no princípio dos anos
90, num momento em que o núcleo essencial da sua intervenção incidia sobre a fiscalização da
constitucionalidade normativa, não se dispondo obviamente de qualquer possibilidade prática de realizar
uma ampla indagação “fáctica” expressa, em última análise, em verdadeiras acções de prevenção da
criminalidade económica, da corrupção e do enriquecimento ilegítimo de titulares de cargos políticos e
altos cargos públicos e equiparados.

35
Nesta perspectiva — se se quiser dar um conteúdo real e efectivo à referida e inovatória competência do
Ministério Público, decorrente da citada alteração legislativa — será necessário complementar o lacónico
regime legal com normas de índole procedimental e de carácter organizatório, prevendo-se nomeadamente
um corpo mínimo de técnicos ou funcionários que realizem uma primeira e liminar análise dos
(provavelmente) vários milhares de declarações que, em cada ano, será necessário analisar e comparar,
assumindo ainda a realização complementar das indispensáveis diligências, tendentes ao suprimento de
eventuais deficiências ou insuficiências detectadas nas declarações, ou à obtenção de esclarecimentos
complementares ou adicionais que possibilitem a formulação de um juízo seguro e consistente.

Actividade do Ministério Público

Alegações e contra
Pareceres Total
alegações
Fiscalização concreta 0 0 425

> Alegações e contra-alegações em recursos 114 0 0

> Pareceres (em reclamações por não admissão de recursos) 0 137 0

> Requerimentos e respostas 0 174 0

Processos Administrativos Instaurados 0 0 21

> Pedidos de generalização 0 0 7

> Pareceres sobre questões de inconstitucionalidade 0 0 11

> Outros 0 0 3

Intervenção em processos de Partidos Políticos/Coligações 0 0 6


Intervenção em processos de incompatibilidades e impedimentos de titulares de
0 0 580
cargos políticos

Actividade do Tribunal

1. Movimento processual — Processos pendentes, por espécies


Tribunal Constitucional

Vindos do ano Pendentes p/o


Entrados Findos
anterior ano seguinte

Fiscalização preventiva 1 5 5 1

Fiscalização abstracta sucessiva 11 16 10 17

Inconstitucionalidade por omissão 0 0 0 0

Fiscalização concreta

-» Recursos 363 885 960 288

-» Reclamações 20 115 120 15

36 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO
1.3.

A. Instalações, quadros e serviços de apoio

O Supremo Tribunal Administrativo ocupa dois edifícios contíguos situados na Rua de São Pedro de
Alcântara, n.os 73 a 79, em Lisboa.
Os magistrados e funcionários do Ministério Público mantiveram o espaço que lhes foi destinado no
primeiro dos referidos edifícios. Cinco dos magistrados ocupam gabinetes individuais, encontrando-se
os restantes agrupados noutros dois gabinetes.
A maioria dos gabinetes tem dimensões exíguas, sendo que os de dimensões mais amplas dispõem de
fraca luz natural. O gabinete onde se localiza o serviço de apoio ao Ministério Público tem espaço
suficiente para a satisfação das respectivas necessidades funcionais. Nele trabalham as duas funcionárias
afectas ao Ministério Público e aí se encontra também o arquivo. O gabinete não está servido de janela
mas apenas de três bandeiras que não fornecem luz natural bastante. Os gabinetes estão dotados de
mobiliário digno e adequado, bem como de ar condicionado.
Cada um dos magistrados do Ministério Público dispõe de um computador fixo, moderno, para uso
pessoal, com acesso à internet. Foram também atribuídos computadores portáteis.
O quadro de funcionários do serviço de apoio é constituído por uma técnica de justiça adjunta e três
técnicas de justiça auxiliar. Não está completo, em virtude de terem saído, anteriormente, uma técnica
de justiça auxiliar e, em Setembro de 2004, a técnica de justiça adjunta, que se aposentou, as quais não
foram substituídas. Apesar disso, o apoio aos magistrados do Ministério Público encontra-se assegurado
pelas duas funcionárias em exercício, uma das quais em regime de trabalho a tempo parcial. Nas situações
de faltas simultâneas de ambas as funcionárias, o serviço é assegurado por uma escrivã auxiliar.
O funcionamento da biblioteca do Supremo Tribunal Administrativo é assegurado por uma chefe de
divisão e documentação jurídica, que dirige conjuntamente a biblioteca e a área de apoio jurídico. A
biblioteca é coordenada por uma técnica superior, licenciada em direito, não dispondo, porém, de uma
técnica superior de BAD e de uma técnica de BAD, com vista a uma melhor organização de ficheiros e
de material bibliográfico.
Apesar de se haver iniciado durante o ano de 2005 a recuperação da informatização, sublinham-se as
múltiplas vantagens que poderiam retirar-se da dotação das referidas técnicas de BAD tendente a um
mais correcto funcionamento destes serviços, designadamente quanto à organização de ficheiros e ao
tratamento e difusão de material bibliográfico.
Exerceram funções no Supremo Tribunal Administrativo 7 procuradores-gerais adjuntos (4 na secção
do contencioso administrativo e 3 na secção do contencioso tributário) e 2 procuradoras da República
na 1ª secção, mantendo-se o destacamento para a Procuradoria-Geral da República de uma procuradora
da República, desde 28-4-2005. Durante o ano de 2008 dois procuradores-gerais adjuntos foram
desligados do serviço para efeitos de aposentação/jubilação, tendo um deles sido substituído por
magistrado de idêntica categoria.

37
B. Movimento processual

O movimento processual foi o constante dos mapas anexos, salientando-se que no contencioso
administrativo, foram distribuídos 738 processos, dos quais 37 de tramitação urgente, e no contencioso
tributário, 532 processos, sendo 56 de tramitação urgente.
Verifica-se que tanto no contencioso administrativo como no contencioso tributário se registou um
ligeiro acréscimo de processos distribuídos em relação ao ano anterior, na ordem dos 6.5%. Quanto à
distribuição de processos urgentes não se registam alterações significativas na área do contencioso
administrativo, notando-se um aumento de cerca de 30% na área do contencioso tributário.
Na secção do contencioso administrativo foram emitidos 426 pareceres finais e 3 articulados do
Ministério Público, na qualidade de parte.
Dos pareceres finais, 99 foram emitidos pelas procuradoras da República, dos quais 46 em questões
prévias, aclarações, reformas, nulidade de acórdãos e oposições de julgado. Regista-se ainda a sua
intervenção em 28 processos de acompanhamento e em 11 processos administrativos.
No que concerne à secção do contencioso tributário, foram emitidos 424 pareceres finais, tendo ficado
pendentes 13 para 2009.
Foram interpostos 5 recursos para o Tribunal Constitucional (3 relativos à secção do contencioso
administrativo e 2 relativos à secção do contencioso tributário).
Com vista ao estudo sobre eventual pertinência da intervenção do Ministério Público, designadamente
nos termos do artigo 85º, nº 2, do CPTA e ao correspondente acompanhamento, foram instaurados,
após 1-1-2008, 32 processos de acompanhamento, tendo findado 24.
Foram instaurados nos serviços do Ministério Público 15 processos administrativos, findaram 8 e ficaram
pendentes 7 para o ano de 2009.

C. Serviços do Ministério Público

Aos procuradores-gerais adjuntos está cometida basicamente a elaboração de pareceres finais. Aos da
Supremo Tribunal Administrativo

1ª. secção incumbe ainda a elaboração de peças processuais nos processos em que o Ministério Público
intervenha como parte, bem como a participação nas reuniões, efectuadas periodicamente, para notícia,
estudo e registo da jurisprudência.
As procuradoras da República tiveram a seu cargo a intervenção em processos administrativos, processos
de acompanhamento instaurados para eventual intervenção do Ministério Público, nos termos do CPTA,
e ainda emissão de parecer em questões prévias, reclamações, arguições de nulidade, vistos de conta, em
processos executivos e de inexecução de julgado e na elaboração das sínteses das reuniões de trabalho
para análise de jurisprudência. Tiveram ainda a seu cargo a elaboração de pareceres finais nos processos
de recurso afectos ao procurador-geral adjunto que se jubilou.
Quanto à 1ª secção (contencioso administrativo) e no que se refere às procuradoras da República tem-se
vindo a registar um aumento de pedidos de intervenção do Ministério Público na defesa da legalidade
em questões respeitantes a interesses difusos e outros interesses públicos especialmente relevantes, em
que estão em causa actos praticados por entidades referidas no artigo 24º, nº 1, alínea a), do ETAF,
nomeadamente resoluções do Conselho de Ministros. Nos termos deste normativo compete à secção

38 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


de contencioso administrativo do Supremo Tribunal Administrativo conhecer dos processos em matéria
administrativa relativos a acções ou omissões de órgãos superiores do Estado, designadamente do
Conselho de Ministros.
Dada a complexidade das questões suscitadas, e atento o considerável acréscimo de serviço daí resultante,
têm as referidas magistradas sido chamadas a coadjuvar os procuradores-gerais adjuntos nos processos
administrativos e de acompanhamento instaurados para aquele efeito. Assim, por via desta situação,
regista-se uma maior adequação do quadro às necessidades do serviço, sendo de sublinhar a necessidade
de permanência das referidas magistradas.
No que concerne à 2ª secção (contencioso tributário) há que realçar que o Decreto-Lei nº 182/2007, de
9 de Maio (em cujo preâmbulo se reconhece a elevada pendência processual nos tribunais tributários)
determinou a criação de «seis novos juízos liquidatários especialmente vocacionados para a recuperação
de processos na área tributária (Lisboa, Porto, Coimbra, Leiria, Sintra e Viseu) e a admissão de novos
magistrados especialmente afectos à tramitação tributária.
Concretizando aquela determinação foi aberto um concurso excepcional de ingresso para o preenchimento
de mais 30 vagas de magistrados, especialmente afectos aos processos tributários (Lei nº 1/2008, de 14
de Janeiro) e foram declarados instalados os juízos liquidatários a partir de 1 de Setembro de 2008
(Portaria nº 874/2008, de 14 de Agosto). Os 17 juízes colocados nos novos juízos liquidatários iniciaram
funções em Outubro de 2008 (deliberação do CSTAF de 10 de Setembro de 2008, publicada no
Diário da República, II série, de 19-9-2008). Por sua vez os magistrados admitidos ao concurso excepcional
que frequentaram o curso de especialização no CEJ, já concluído, foram colocados na sessão do CSTAF
(deliberação publicada no Diário da República, II série, de 23-9-2008).
Adivinha-se, pois, a breve prazo, com tendência para maior expressão no decurso do ano de 2009, um
acentuado aumento da distribuição de processos na secção de contencioso tributário do Supremo Tribunal
Administrativo, em consequência da interposição de recursos, tendo como objecto as sentenças a proferir
nos novos juízos liquidatários (convindo recordar que os recursos são interpostos directamente para o
Supremo Tribunal Administrativo quando têm por exclusivo fundamento matéria de direito — artigo
26°, alínea b), do ETAF). Neste contexto, é de prever um acréscimo acentuado de serviço para os três
procuradores-gerais adjuntos actualmente afectos à 2ª secção.

Supremo Tribunal Administrativo

39
SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO

1. PLENÁRIO
Vindos do ano Pendentes p/o
Entrados Findos Redistribuídos
anterior ano seguinte
Recursos de decisões jurisdicionais 5 1 4 0 2
Conflitos de jurisdição 0 2 0 0 2
Total - Plenário 5 3 4 0 4

2. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO
2.1. Pleno
Vindos do ano Pendentes p/o
Entrados Findos Redistribuídos
anterior ano seguinte
Recursos por oposição de acórdãos 26 28 41 0 13

Outros recursos de decisões jurisdicionais 6 2 5 0 3

Recursos contenciosos (actos do CSTAF e Presidente 0 0 0 0 0

Outros 21 39 33 0 27

Sub-Total 53 69 79 0 43

2.2. Subsecções
Vindos do ano Pendentes p/o
Entrados Findos Redistribuídos
anterior ano seguinte
Outros recursos de decisões jurisdicionais 182 288 301 0 169
Recursos contenciosos 10 0 5 0 5
Supremo Tribunal Administrativo

Recursos de contenciosos eleitoral 0 0 0 0 0


Pedidos de declaração de ilegalidade de normas 0 0 0 0 0
Conflitos 0 0 0 0 0
Pedidos de suspensão de eficácia 0 0 0 0 0
Pedidos de execução de julgados 1 0 1 0 0
Outros 75 381 342 0 114
Sub-Total 268 669 649 0 288
Total - Contencioso Administrativo 321 738 728 0 331

40 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO

3. CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO
3.1. Pleno
Vindos do ano Pendentes p/o
Entrados Findos Redistribuídos
anterior ano seguinte
Recursos por oposição de acórdãos 27 55 38 0 44
Outros recursos de decisões jurisdicionais 0 0 0 0 0
Outros 0 4 1 0 3
Sub-Total 27 59 39 0 47

3.2. Subsecção do Contencioso Tributário Geral


Vindos do ano Pendentes p/o
Entrados Findos Redistribuídos
anterior ano seguinte
Recursos de decisões jurisdicionais 50 107 120 0 37
Recursos contenciosos 0 0 0 0 0
Pedidos de declaração de ilegalidade de normas 0 0 0 0 0
Conflitos 0 0 0 0 0
Outros 85 362 321 0 126
Sub-Total 135 469 441 0 163

3.3. Subsecção do Contencioso Aduaneiro


Vindos do ano Pendentes p/o
Entrados Findos Redistribuídos
anterior ano seguinte
Recursos de decisões jurisdicionais 9 4 11 0 2

Supremo Tribunal Administrativo


Recursos contenciosos 0 0 0 0 0
Pedidos de declaração de ilegalidade de normas 0 0 0 0 0
Conflitos 0 0 0 0 0
Outros 0 0 0 0 0
Sub-Total 9 4 11 0 2
Total - Contencioso Tributário 171 532 491 0 212

Total Geral 497 1273 1223 0 547

41
TRIBUNAL DE CONTAS
1.4.

A. Instalações

O Tribunal de Contas e respectivos serviços de apoio estão situados num edifício moderno e funcional
na Avenida da República. Os serviços do Departamento de Controlo Prévio e Concomitante, além de
outros, estão sedeados num outro edifício, objecto de obras de adaptação e muito próximo do principal,
na Avenida Barbosa du Bocage.
Os magistrados do Ministério Público estão instalados em três gabinetes individuais, condignos, bem
equipados e funcionais, estando dois localizados no edifício da Avenida Barbosa du Bocage e um no
edifício principal.
Todavia, continua a preconizar-se, para melhor coordenação e operatividade dos serviços, a instalação
de todos os gabinetes e apoios do Ministério Público no mesmo edifício e, se possível, no mesmo
andar.
Existem ainda duas salas de sessões, uma das quais, a do quarto piso do edifício principal, está agora
adaptada a sala de audiências, e um auditório.
O Tribunal de Contas dispõe dos meios informáticos mais modernos, com praticamente total
informatização de postos de trabalho. Desenvolve também sistemas de informação própria, como o
Sistema de Informação Jurídica (SIJURIS) disponível em todos os postos de trabalho ligados à rede, de
estrutura semelhante à internet.
Os gabinetes dos magistrados do Ministério Público estão dotados de equipamento informático
actualizado (PC portátil) com ligação à rede interna (intranet), à internet e com acesso a todos os
sistemas de informação.

B. Funcionários

Os funcionários do núcleo de apoio partilham o mesmo gabinete, salvo a assessora principal que exerce
funções de coordenação do núcleo, a qual dispõe de gabinete próprio. Estas instalações são exíguas,
insuficientes e, de algum modo, desadequadas face às necessidades do serviço, mas não diferem muito
das que são atribuídas a outros funcionários do Tribunal de Contas.
Os funcionários do Tribunal de Contas estão integrados na Direcção-Geral do Tribunal (cfr. Decreto-
-Lei nº 440/99, de 2 de Novembro, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei nº 184/2001, de
21 de Junho — Estatuto dos Serviços de Apoio do Tribunal de Contas).
Nos termos do disposto no nº 4 do artigo 30º da Lei Orgânica e de Processo do Tribunal de Contas
(Lei nº 98/97, de 26 de Abril), conjugado com o disposto no artigo 3º, nº 2, do Estatuto dos Serviços
de Apoio, o gabinete do presidente assegura o apoio administrativo aos juízes e aos magistrados do
Ministério Público.

43
Em 2007 foi efectuada uma alteração no número de funcionários destacados pela Direcção-Geral do
Tribunal de Contas para o apoio ao Ministério Público. Depois de algumas peripécias relacionadas com o
preenchimento e manutenção deste novo quadro, o núcleo de apoio do Ministério Público, que dispunha
de dois técnicos superiores (um licenciado em Direito e outro em Economia) e uma assistente
administrativa, passou a contar, em 2008, de facto, com mais uma técnica superior licenciada em Direito.
O núcleo de apoio do Ministério Público é, assim, constituído por uma equipa que, desde há vários
anos, tem vindo a assegurar, em permanência, apoio técnico e administrativo, procedendo à preparação
dos processos e a análises sobre matérias de responsabilidade financeira, que servem de base à produção
dos despachos finais dos magistrados do Ministério Público nos relatórios de auditoria que lhes são
distribuídos segundo critérios pré-definidos.
Para além dos cinco funcionários já referidos, existem duas outras funcionárias que prestam serviço aos
magistrados do Ministério Público fora do núcleo de apoio: as funcionárias da área do secretariado.
Uma está sedeada no 4º piso do edifício da sede do tribunal em gabinete compartilhado com outras
secretárias dos juízes conselheiros e dá apoio ao gabinete do magistrado coordenador no 5º piso do
edifício sede da Av. da República e a outra está sedeada no edifício do DECOP (Departamento de
Controlo Prévio ou 1ª Secção do Tribunal) no nº 69 da Rua Barbosa du Bocage, justamente para apoio
aos magistrados do Ministério Público que se encontram instalados no 6º piso desse edifício.
Relativamente ao restante e necessário apoio funcional, ele também ocorre sempre que, pontualmente,
um dos magistrados do Ministério Público o solicita. Os técnicos e funcionários dos mais diversos
departamentos e secções do tribunal sempre têm dado resposta pronta e colaborante.
O modelo instituído no tribunal torna dependentes das decisões do Director-Geral do Tribunal de
Contas a gestão dos funcionários de apoio do Ministério Público. Tal situação traduz-se numa certa
rigidez administrativa que tem vindo a dificultar quer o reforço do núcleo de apoio com o número de
funcionários adequado às novas incumbências, quer a substituição das pessoas que ali prestam serviço.
Tal dificuldade manifesta-se ainda que seja tão-só para suprimento de necessidades pontuais do serviço
resultantes da entrada de um ou outro processo de maior complexidade e extensão que demande um
maior dispêndio de tempo por parte do técnico que tem de analisá-lo, o que provoca o protelamento
de todos os demais a seu encargo.
Apesar das melhorias já verificadas, as tarefas de maior complexidade que, crescentemente, vão sendo
cometidas ao Ministério Público nesta jurisdição, justificariam, a nosso ver, um modelo de gestão
administrativa mais elástico e menos rígido de forma a permitir respostas mais prontas do núcleo de
apoio e um tempo médio de resolução processual progressivamente mais abreviado com vantagens para
a maior eficácia e rapidez nas respostas, que devam ser produzidas ao nível da efectivação das
responsabilidades financeiras.
Face ao crescente grau de complexidade de alguns dos processos levados a julgamento pelo Ministério
Tribunal de Contas

Público, o número de factos em apreciação e o número dos advogados de defesa que, em julgamento,
comparecem nos diferentes e em cada um dos processos, seria de pensar na possibilidade de dotação do
gabinete do Ministério Público no Tribunal de Contas de um limitado quadro de assessores magistrados,
como já acontece em outros tribunais superiores.

C. Organização do serviço

Após a publicação da Lei nº 48/2006, prevalecendo-se do disposto no nº 6 do seu artigo 29º, os

44 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


elementos que constituem o núcleo de apoio procedem à análise dos processos oriundos quer da 1ª
secção quer da 2ª secção e, de acordo com despacho do magistrado do Ministério Público, procedem à
notificação dos eventuais responsáveis pela prática de infracções financeiras sancionatórias para efectuarem
o pagamento voluntário da multa (cujo montante calculam) e das quantias a reintegrar.
Nesse contexto, é dada, aos indigitados responsáveis pelas infracções evidenciadas em acções de controlo,
a possibilidade de consultar o processo e juntar novos e quaisquer elementos. Deste modo, estes
indigitados responsáveis podem, ainda, completar o que não disseram no contraditório formal que
antes exerceram nos termos dos artigos 12º e 13º da Lei nº 98/97, de 26 de Agosto, com as alterações
introduzidas pela Lei nº 48/2006, de 29 de Agosto, bem como de proceder aos pagamentos voluntários
e extintivos da eventual responsabilidade financeira sancionatória e reintegratória que houverem sido
apuradas nas acções de controlo do Tribunal de Contas ou dos órgãos de controlo interno.
A introdução desta nova fase interlocutória acarretou, por um lado, um enorme acréscimo de trabalho
do núcleo de apoio e, por outro, obrigou à adopção de novos procedimentos relativamente ao
relacionamento quer com a secretaria do tribunal quer com os diversos departamentos de auditoria.
A organização dos processos administrativos incumbe à assistente administrativa do gabinete, os quais
são por si controlados, desde o início até à prolação dos despachos finais (de arquivamento ou de
acusação).
Nos termos da Lei nº 98/97, de 26 de Agosto, a organização do serviço contempla uma clara separação
e distinção entre as competências de fiscalização e controlo financeiro (artigos 5º, nº 1, alíneas a) a d),
f ), g), h) e i), e 15º, nº 1, alíneas a) e b), e 50º) e as competências jurisdicionais de efectivação de
responsabilidades financeiras (artigos 5º, nº 1, alínea e), 13º, nº 2, 15º, n.os 1, alínea c), e 4, 57º a 70º,
79º e 89º a 95º).
O Tribunal de Contas dispõe de três secções especializadas: a 1ª secção, encarregada da fiscalização
prévia e, em certos casos, da fiscalização concomitante; a 2ª secção, encarregada da fiscalização
concomitante e sucessiva de verificação, controlo e auditoria; e a 3ª secção, encarregada do julgamento
dos processos de efectivação de responsabilidades e dos recursos das multas aplicadas pelas 1ª e 2ª
secções e dos recursos das secções regionais.
O Tribunal de Contas emite ainda “parecer sobre a Conta Geral do Estado, incluindo a da Segurança
Social” e aprecia, no relatório e parecer respectivos, “a actividade financeira do Estado no ano a que a
conta se reporta, nos domínios das receitas, das despesas, da tesouraria, do recurso ao crédito público e
do património”, e pode, nesse relatório e parecer, formular “recomendações à Assembleia da República
ou ao Governo, em ordem a serem supridas as deficiências de gestão orçamental, tesouraria, dívida
pública e património, bem como de organização e funcionamento dos serviços” (artigos 5º, nº 1, alínea
a), e 41º, n.os 1 e 3, da Lei nº 98/97, de 26 de Agosto, 107º, 162º, alínea d), e 214º, nº 1, alínea a), da
Constituição da República).
Tribunal de Contas

Actualmente, o controlo financeiro do tribunal estende-se também às associações públicas, empresas


públicas e outras entidades, tendo a Lei nº 48/2006, de 29 de Agosto, passado a prever a responsabilização
financeira dos administradores e gestores das empresas públicas, entidades públicas empresariais, empresas
municipais, intermunicipais e regionais (artigos 5º nº 1, alínea e), e 2º nº 2, alíneas b) e c), da Lei nº 98/
97, de 26 de Agosto).
Na sede, o Tribunal de Contas é composto pelo presidente e 16 juízes conselheiros, sendo quatro
afectos à 1ª secção, nove afectos à 2ª secção e três à 3ª secção.

45
O quadro dos magistrados do Ministério Público manteve-se estável ao longo do ano em análise,
composto por três procuradores-gerais adjuntos, tendo o mais antigo no tribunal funções de coordenador.
Manteve-se a incidência do visto prévio.
No âmbito da fiscalização prévia, o Ministério Público é notificado de todas as decisões de concessão,
recusa e isenção de visto, podendo recorrer de quaisquer decisões finais, está presente e intervém nas
sessões semanais e no plenário da secção e emite parecer nos recursos. Relativamente às auditorias de
fiscalização concomitante, o Ministério Público emite agora parecer prévio à aprovação do relatório de
auditoria, nos mesmos termos do que ocorre na fiscalização sucessiva. Tal tarefa tem vindo a ser realmente
implementada e tem determinado um esforço suplementar dos magistrados do Ministério Público e
do núcleo de apoio.
A partir da entrada em vigor da Lei nº 48/2006, de 29 de Agosto, o Ministério Público passou a poder
comparecer e emitir parecer nos processos de auditoria da 2ª secção, o que, por norma, acontece antes
da aprovação do respectivo relatório.
O momento útil e o prazo para o Ministério Público o fazer continua a não estar devidamente
regulamentado e só a disponibilidade do presidente do tribunal tem permitido em casos complexos
adequar as funções do Ministério Público aos agendamentos. Esta insuficiência de regulamentação tem
suscitado algumas dúvidas e problemas, designadamente quando o parecer do Ministério Público
contraria, de algum modo, as apreciações jurídicas contidas nos relatórios e estes se encontram já em
tabela para aprovação na respectiva sessão, o que, genericamente, leva a que tais observações, mesmo
quando consideradas e debatidas nas sessões, não obtenham, depois, o devido acolhimento, uma vez
que o projecto de relatório previamente preparado não dá delas conta.
Está, entretanto, em curso uma revisão do Regulamento Geral do Tribunal de Contas a cargo de uma
comissão de revisão, integrada também pelo Ministério Público, que propõe alterações capazes de fazer
suplantar as dificuldades até hoje verificadas.
No que concerne à fiscalização sucessiva, o Ministério Público é, depois, “notificado do relatório final
aprovado”, a fim de, sempre que neles se considerem verificados factos constitutivos de responsabilidade
financeira, serem, eventualmente, desencadeados procedimentos jurisdicionais — artigos 54º, nº 4, e
57º, nº 1, da Lei nº 98/97, de 26 de Agosto. Ao Ministério Público — na perfeita lógica do sistema —
não é, no âmbito da Lei nº 98/97, de 26 de Agosto, atribuída competência investigatória autónoma.
Porém, embora cingido aos factos constantes dos relatórios, antes submetidos a contraditório nos
processos e acções de controlo, desde a publicação da Lei nº 48/2006, de 29 de Agosto, foi explicitamente
reconhecido ao Ministério Público o direito de desenvolver diligências complementares de prova (artigo
29º, nº 6, da Lei nº 98/97, de 26 de Agosto).
Tribunal de Contas

Todavia, para além dos factos já estabelecidos nos relatórios, sem uma competência investigatória
traduzida em formas processuais devidamente reguladas, não é, ainda assim, possível ao Ministério
Público complementar quando se mostre necessário — o que com alguma frequência acontece —
algumas imprescindíveis diligências que deviam ter sido concretizadas, quer nas auditorias do próprio
tribunal, quer, fundamentalmente, nas averiguações realizadas pelos órgãos de controlo interno. A
concretização do contraditório — que é uma diligência do próprio processo de auditoria, que deve
ocorrer nos termos dos artigos 12º e 13º da Lei nº 98/97, de 26 de Agosto —, apesar dos pareceres do
Ministério Público nesse sentido, não respeita, muitas vezes, os normativos contidos no nº 2 deste
último artigo, nem é materializado relativamente a todos os possíveis agentes da infracção financeira.

46 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Acresce que, hoje, na redacção dada pela Lei nº 48/2006 ao nº 2 do artigo 13º da Lei nº 98/97, de 26
de Agosto, é assegurado aos eventuais responsáveis por infracções financeiras o direito de, previamente
à instauração de processos de responsabilidade — e ainda no processo de auditoria — serem ouvidos
sobre o montante das multas a pagar e das quantias a repor.
Ora, este direito continua a não ser devidamente acautelado na efectivação do contraditório e a intervenção
posterior do Ministério Público, numa fase processual indefinida, se pode ajudar a resolver parte dos
problemas suscitados por essa falta, não salva as irregularidades processuais anteriores.
Os artigos 58º e 89º da Lei nº 98/97, de 26 de Agosto, na redacção da Lei nº 48/2006, vieram igualar,
para efeito de propositura de acção de responsabilidade financeira, os relatórios de auditoria dos órgãos
de controlo interno e os do Tribunal de Contas e permitir a propositura de acções pelo Ministério
Público, directamente a partir daqueles.
O facto de tais relatórios e auditorias não passarem, agora, por um crivo anterior do Tribunal de Contas
poderá, no futuro, ocasionar diferentes entendimentos jurídicos entre este tribunal e os órgãos de controlo
interno sobre os mesmos factos e possibilitar situações jurisdicionais complexas.
Acresce que, nos termos do nº 2 do artigo 89º da Lei nº 98/97, de 26 de Agosto, na redacção da Lei
nº 48/2006, os órgãos de controlo interno podem, agora, exercer, subsidiariamente ao Ministério Público,
o direito de acção por responsabilidade financeira, podendo fazê-lo em casos que os processos de auditoria
e os relatórios da 2ª secção não consideraram — antes ou depois — certas situações relevantes para a
efectivação de responsabilidade financeira ou em que esta entendeu relevar essa responsabilidade.
A possibilidade de falta de sintonia e até de existência de acções concomitantes ou despachos contraditórios
pode ainda revelar-se mais grave dado que, precisamente, a iniciativa da acção por responsabilidade
financeira está agora distribuída por um sem-número de entidades que, naturalmente, se movem por
critérios diferentes e podem mesmo desconhecer os despachos e fundamentos uns dos outros. Isto para
além das dúvidas que suscitam quanto à qualificação de certas entidades como órgãos de controlo
interno. Importa, porém, dizer que no ano de 2008, como, de resto acontecera já em 2007, nenhuma
dessas entidades decidiu agir em contrário ao entendimento do Ministério Público lavrado nos seus
despachos de arquivamento.
Os efeitos das alterações introduzidas pela Lei nº 48/2006, na Lei nº 98/97, de 26 de Agosto, no
âmbito da definição das acções de auditoria que podem servir de base a acções jurisdicionais de
responsabilidade não podem, assim, ser totalmente apreciados, uma vez que ainda não há notícia de
que, em algum caso, alguma acção tenha sido intentada com base nelas, quer pelo Ministério Público
quer directamente pelos órgãos de controlo interno.
Várias foram, entretanto, as alterações da Lei nº 98/97, de 26 de Agosto, introduzidas pelas Leis
nos 48/2006 e 35/2007 que, no âmbito da efectivação da responsabilidade financeira, merecem relevo e
Tribunal de Contas

que têm demonstrado ter tido efeitos positivos no funcionamento do Tribunal de Contas e do Ministério
Público.
Uma concretizou-se na possibilidade de relevação prévia pelas secções encarregadas da auditoria da
responsabilidade sancionatória nos casos previstos no artigo 65º, nº 8, da Lei nº 98/97, de 26 de
Agosto, que a Lei nº 35/2007 veio clarificar no sentido preconizado pelo Ministério Público neste
tribunal. Ultimamente, quer a 1ª quer a 2ª secções têm começado a utilizar com regularidade essa
medida. Importaria, no entanto, encontrar, por via «jurisprudencial», critérios comuns na utilização
deste instrumento legal que reduzissem disparidades e critérios subjectivos na sua concretização, o que,

47
por vezes, poderá ser interpretado como uma sua utilização algo aleatória.
A outra, traduziu-se no facto de o legislador — nº 3 do artigo 65º da Lei nº 35/2007 — ter vindo dar
forma de lei à prática iniciada pelo Ministério Público e acatada pela 2ª secção, que consiste na fixação
da multa pelo mínimo legal, quando houver pagamento voluntário. Tal facto tem potenciado essa
prática, o que tem permitido aumentar o volume das cobranças e simultaneamente diminuir o número
de acções intentadas junto da 3ª secção.
Questão importante e problemática é, contudo, o facto de os órgãos de controlo interno não poderem
exercer estas faculdades, o que poderá criar evidentes desigualdades relativamente aos infractores que
foram alvo das acções de controlo levadas a cabo pelo Tribunal de Contas e pelos outros organismos.
Ora, se bem se compreende essa diferenciação de estatutos, natural seria que se encontrasse uma solução
que igualasse os direitos dos responsáveis por infracções apontadas nos relatórios dos processos que
resultam de acções de controlo do Tribunal de Contas e dos órgãos de controlo interno.
É desejável que, em sede de revisão legislativa, — ou por via dos regulamentos do Tribunal de Contas
ou das 1ª e 2ª secções — devesse ser concedida aos indigitados responsáveis por infracções evidenciadas
em processos e relatórios de auditoria dos órgãos de controlo interno, a possibilidade de, em incidente
processual próprio, poderem requerer ao Tribunal de Contas, directamente ou através do Ministério
Público, a possibilidade desta relevação.
Outra alteração significativa refere-se ao facto de as secções de controlo prévio e sucessivo do Tribunal
de Contas poderem, directamente, passar a cominar as multas processuais previstas no artigo 66º da Lei
nº 98/97, de 26 de Agosto, facto que retirou muito trabalho burocrático ao Ministério Público e à
3ª secção e permitirá, no futuro, recentrar a actividade jurisdicional nos processos de responsabilidade
financeira.
Finalmente, importa referir a possibilidade concedida ao Ministério Público de emitir parecer escrito
ou oral nos processos e acções de controlo da 1ª e 2ª secções, antes da aprovação do relatório definitivo.
Tal possibilidade só ganha, contudo, interesse se esses pareceres puderem, como acontece já na 1ª secção,
ser apreciados previamente pelo colectivo de juízes que analisa o projecto de relatório e tem de votá-lo
na sessão. Assim, insiste-se em que importa regulamentar o prazo que o Ministério Público tem para a
sua prolação e o momento e fase processual certo em que o deve fazer para que ele se torne, efectivamente,
útil.
Mais uma vez, porém, se nota nesta nova formulação da Lei nº 98/97, de 26 de Agosto, uma distorção
processual entre os processos e relatórios movimentados pelos órgãos de controlo interno e pelo Tribunal
de Contas, uma vez que naqueles o Ministério Público não pode, naturalmente, emitir semelhante
parecer, o que cria desigualdades processuais, eventualmente capazes de afectar os direitos dos infractores
que venham a ser responsabilizados financeiramente.
Tribunal de Contas

Quanto à 3ª secção, compete ao Ministério Público requerer o julgamento dos processos que a lei
prevê, acompanhando depois o respectivo processo jurisdicional, quer em 1ª instância (juiz singular),
quer em recurso das decisões aí proferidas e também em recursos de decisões de fixação de emolumentos
da 2ª secção e secções regionais, bem como dos pedidos de revisão — artigos 79º, 89º a 95º e 96º a
103º da Lei nº 98/97.
O Ministério Público intervém no plenário geral, nomeadamente em sede de parecer sobre a Conta
Geral do Estado, planos de acção trienal e recursos extraordinários. Está ainda representado pelo seu

48 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


coordenador na Comissão de Informática e na Comissão de Redacção da Revista do Tribunal de Contas
e agora, também, na Comissão de Revisão do Regulamento Interno do Tribunal de Contas.

D. Movimento anual dos serviços

Na 1ª secção o número de processos entrados para fiscalização prévia foi de 1.800. O número total de
processos movimentados foi de 1.873, tendo sido visados em sessões diárias de visto e da subsecção
1.294, visados com recomendação 126 e recusados 44. Foram devolvidos 175 processos para
complemento de instrução ou por não estarem sujeitos a visto. Transitaram 161 processos para 2009.
O número total de vistos tácitos foi de 40.
No plenário da secção foram apreciados e decididos 45 recursos ordinários, incluindo os vindos da
Secção Regional da Madeira e os da Secção Regional dos Açores. O Ministério Público proferiu 30
pareceres em recursos ordinários interpostos na 1ª secção e ainda pareceres verbais em todos os processos
levados à subsecção. Emitiu, ainda, 40 pareceres em relatórios da fiscalização concomitante. Ainda
nesta sede iniciaram-se 33 auditorias de fiscalização concomitante.
Em sede de fiscalização sucessiva e concomitante (2ª secção), o número de contas entradas, inscritas em
plano de fiscalização, foi de 46, a que acrescem 936 transitadas de 2007. Após análise, foram devolvidas
com homologação 277 contas, 82 com recomendações e 7 não homologadas.
Foram iniciadas 55 auditorias de fiscalização sucessiva, transitaram do ano anterior 55, tendo sido
concluídas com relatório aprovado 57.
Foram, ainda, aprovados 7 relatórios de verificações internas de contas e 1 de verificação externa de
contas.
Com a publicação da Lei nº 48/2006, de 26 de Agosto, passou o Ministério Público, nos termos do
artigo 29º, nº 5, a assistir às sessões da 2ª secção e a emitir parecer sobre a legalidade das questões
emergentes nos projectos de relatórios submetidos à apreciação da secção ou subsecção. Nestes termos,
o Ministério Público proferiu 70 pareceres.
Apesar das dificuldades antes referidas entre a articulação do momento da prolação do parecer e o da
apreciação do projecto de relatório pela secção, mesmo assim em alguns casos, atenta a especial
preocupação de alguns conselheiros na preparação do projecto de relatório, a intervenção do Ministério
Público nesta fase, ainda que de modo informal, foi determinante para um mais rigoroso resultado na
tipificação dos factos e condicionantes de situações evidenciadas como infracções financeiras.
Relativamente à 3ª secção foram registados, para julgamento em 1ª instância, 4 processos de julgamento
de responsabilidades financeiras.
Tribunal de Contas

Realizaram-se 9 sessões de julgamento em 1ª instância e foram proferidas 6 sentenças: 1 de condenação,


4 de absolvição e 1 de extinção de instância por pagamento voluntário. Foram realizadas 8 sessões de
plenário da 3ª secção, tendo sido proferidos 9 acórdãos.
Foram aplicadas sanções no valor de 15.075,00 €, tendo havido lugar a pagamento voluntário de uma
multa no valor de 1.152,56 € e à reposição de 23.584,56 €.
Deram entrada para o plenário de secção 4 processos respeitantes a recursos ordinários, sendo 1 proveniente
da 1ª secção (recurso ordinário de multa), 2 de processos de julgamento de conta e 1 de processo de

49
responsabilidade financeira. Foi ainda distribuído 1 recurso extraordinário de revisão de sentença.
Por causa dos processos julgados na 3ª Secção foram instaurados 2 processos de execução fiscal.
A diminuição do número de julgamentos na 3ª secção é o resultado positivo das alterações introduzidas
à Lei nº 98/97, de 26 de Agosto, pelas Leis n.os 48/2006, de 29 de Agosto, e 35/2007, de 13 de Agosto.
Com efeito, devido ao crescente número de pagamentos e reposições voluntárias ocorridas, ou
directamente na fase de auditoria ou já depois no Ministério Público, e ainda devido ao crescente uso
do instituto da relevação relativamente a infracções menores, diminui necessariamente o número de
acções intentadas. Acresce o facto de as multas processuais ou para-processuais previstas no artigo 66º,
que sancionam a não colaboração com o tribunal, terem passado a ser aplicadas directamente pelos
conselheiros, deixando assim de se impor, também nestes casos, a propositura de acções.
Foram participados ao Ministério Público, nos termos e para os efeitos do artigo 57º, nº 1, da LOPTC,
com infracções evidenciadas, 29 relatórios da 1ª secção, 15 da 2ª secção e 4 de órgãos de controlo
interno aos quais acrescem, transitados do ano anterior, 13 relatórios da 2ª secção e 1 de órgãos de
controlo interno.
Em 22 dos referidos processos, 103 responsáveis requereram o pagamento voluntário de multa no
montante global de 115.290,52 €, tendo 73 procedido à respectiva liquidação total.
É de referir que, quer o número de responsáveis que solicitaram emissão de guias para pagamento
voluntário, quer o valor total dessas guias tiveram um aumento bastante elevado relativamente ao ano
anterior, a saber: 286% e 241% respectivamente.
No que respeita à responsabilidade reintegratória, foi reposta a quantia de 38.188,91 €.
Durante o ano de 2008, foram apresentados 6 requerimentos acusatórios e proferidos 14 despachos de
arquivamento, tendo sido proferidos despachos finais de extinção de responsabilidade financeira
sancionatória por pagamento voluntário de multa em 11 processos. Transitaram para 2009, 2 relatórios
de órgãos de controlo interno e 31 relatórios de auditoria do tribunal, dos quais 10 se encontram em
fase de pagamento.
Foram também participados ao Ministério Público, sem evidência de infracções, nos termos do artigo
29, nº 4, 16 relatórios da 1ª secção e 46 da 2ª secção, aos quais se somam 3 relatórios da 2ª secção
transitados do ano anterior.
O Ministério Público procedeu ainda à devolução de 43 relatórios de órgãos de controlo interno ao
Departamento de Verificação Interna de Contas deste tribunal, por não reunirem as formalidades essenciais
necessárias ao prosseguimento do processo por parte do Ministério Público.
O Ministério Público interveio ainda nos processos de recurso dos concursos para juiz conselheiro do
Tribunal de Contas

Tribunal de Contas.

50 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


ACTIVIDADE DO TRIBUNAL

1ª SECÇÃO
Processos de Fiscalização Prévia (DECOP)
Findos
Vindos do Pendentes
Espécies processuais ano Entrados Devolvidos Outros p/o ano
Visados Recusado Visto
anterior Visados motivos Total seguinte
c/recomendação o visto tácito

Processos de Visto 73 1800 175 126 1294 44 40 33 1712 161

2ª SECÇÃO
1 - Processos de Verificação Interna de Contas de Gerência (DVIC)
Findos
Entrados
Vindos do Homolo- Devolvidos Transitados Pendentes
(inscritas em Não
Espécies processuais ano Homo- gadas c/ p/ outra para o ano
Plano de homo- Com Total
anterior Sem seguinte
Fiscalização) logadas recomen-
logadas verificação forma de
dações verificação controlo
concluída
Verificação interna de
936 46 277 82 7 0 0 0 366 616
contas ordinárias
Análise dos documentos das
0 6045 0 0 0 6045 0 0 6045 0
entidades dispensadas

2 - Processos de Órgãos de Controlo Interno e Denúncias


Findos
Vindos do ano Pendentes p/o ano
Espécies processuais Entrados Remetidos ao
anterior Concluídos seguinte
M.P.
Órgãos de controlo interno 389 53 186 18 238

Denúncias e participações 289 51 143 0 197

1ª e 2ª SECÇÕES
Auditorias e Verificação Externa de Contas
Findas
Vindas do ano Pendentes p/o ano
Auditorias Iniciadas Com relatório Outros
anterior Total seguinte
aprovado motivos
Pareceres 0 6 6 0 6 0
Tribunal de Contas

Auditorias de fiscalização concomitante 64 33 47 6 53 44

Auditorias de fiscalização sucessiva 55 55 57 0 57 53

Verificação interna de contas 0 7 7 0 7 0

Verificação externa de contas 0 1 1 0 1 0

Outros Relatórios 0 7 7 0 7 0

Os dados foram fornecidos pela STC, DVIC e DECOP

51
3ª SECÇÃO
Processos de Efectivação de Responsabilidade Financeira e de Multa

Vindos Findos
Pendentes
do ano Antes julgamento Com julgamento
Espécies processuais Entrados p/o ano
anterior Total
Pagamento Outras Sentença Sentença seguinte
voluntário situações condenatória absolutória
Processos de julgamento de contas 4 0 0 0 1 3 4 0

Processos de julgamento de responsabilidade financeira 5 4 1 2 0 1 4 5

Processos de multa 1 0 0 1 0 0 1 0

1ª SECÇÃO
Recursos em Processos de Visto
Findos
Vindos do
Julgados Pendentes
ano Indeferidos
Processos de Visto Entrados para o ano
anterior liminar- Findos (não Remessa ao Total
Proce- Improce- Outras seguinte
mente oposição de Plenário
dentes dentes situações
julgados) Geral
Recursos ordinários 8 37 0 2 20 0 0 2 24 21

Recursos extraordinários 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

3ª SECÇÃO
Recursos com origem em processos da Sede e das Secções Regionais
Findos
Vindos do Pendentes
Recursos ordinários ano anterior Entrados Indeferidos Julgados para o ano
liminar- Improce- Outras Total seguinte
mente Procedentes
dentes situações
Recursos em matéria de responsabilidades
6 3 0 0 4 1 5 4
financeiras e de multa

Recursos em matéria emolumentar 0 0 0 0 0 0 0 0

De multa 0 1 0 0 1 0 1 0

PLENÁRIO GERAL
Recursos extraordinários para fixação de jurisprudência
Tribunal de Contas

Findos
Vindos Pendentes
Espécies processuais e de recursos do ano Interpostos Indeferidos Com julgamento para o ano
anterior Total seguinte
liminarmente Procedentes Improcedentes

Em matérias de concessão ou recusa de visto (1ª Secção) 0 0 0 0 0 0 0

Em matérias de responsabilidades financeiras (3ª Secção) 0 0 0 0 0 0 0

Os dados foram fornecidos pela STC, DVIC e DECOP

52 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


ACTIVIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO

1. Participações ao MP nos termos e para os efeitos do art. 57º, nº 1 da LOPTC (com infracções evidenciadas)

Findos Pendentes
Pendentes do
Espécies processuais Entrados Total para o ano
ano anterior Pagamento
Com acção Arquivamento seguinte
voluntário

Relatórios do Tribunal de Contas (1ª Secção) 0 29 5 4 2 11 18

Relatórios do Tribunal de Contas (2ª Secção) 13 15 3 2 10 15 13

Relatórios de Orgãos de Controlo Interno 1 4 1 0 2 3 2

2. Participações ao MP nos termos e para os efeitos do art. 29º, nº 4

Pendentes do ano Pendentes para o


Espécies processuais Entrados Findos
anterior ano seguinte

Relatórios do Tribunal de Contas da 1ª Secção 0 16 15 1

Relatórios do Tribunal de Contas da 2ª Secção 3 46 48 1

Relatórios de Órgãos de Controlo Interno 0 0 0 0

3. Outras situações

Baixa Pendentes
Pendentes do ano
Espécies processuais Entrados Estatística/Devolvidos/Remetidos a para o ano
anterior
outros Departamentos seguinte

Relatórios de Órgãos de Controlo Interno 0 45 43 2

Outras Notificações (processos remetidos por engano e


0 20 6 14
queixas apresentadas)

Expediente Diverso 0 8 8 0

4. Recursos
Tribunal de Contas

Pendentes do ano Interpostos no Pendentes de


Recursos Providos Não providos Outra situação
anterior ano decisão

1ª Secção 0 0 0 0 0 0
Do Ministério Público
3ª Seccão 2 1 0 1 0 2

1ª Secção 8 37 2 20 2 21
Dos demandados
3ª Seccão 4 3 0 4 1 2

Os dados foram fornecidos pela STC, DVIC e DECOP

53
5. Pareceres elaborados no ano

1ª Secção (Recusas de Visto — Art.º 99º, n.º 1 LOPTC) 30

1ª Secção (Art. 29º LOPTC) 49

2ª Secção (Art. 29º, nº 5 LOPTC) 70

3ª Secção (Contra-alegações do MP) 3


Tribunal de Contas

54 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


CONSELHO SUPERIOR DO
MINISTÉRIO PÚBLICO
2.

A Procuradoria-Geral da República, órgão superior do Ministério Público, exerce a sua competência


disciplinar e de gestão dos quadros do Ministério Público por intermédio do Conselho Superior do
Ministério Público (CSMP).
Essa gestão dos quadros do Ministério Público e acção disciplinar realiza-se através de deliberações
tomadas nas sessões plenárias ou secções de classificação e disciplinar.
Cabe, assim, a este órgão, nomeadamente, a colocação, promoção e transferência dos magistrados do
Ministério Público, a apreciação do seu mérito profissional e o exercício da acção disciplinar, para além
de funcionar como instância de recurso das deliberações do Conselho de Oficiais de Justiça, relativamente
aos funcionários do Ministério Público.
Contam-se ainda, nas atribuições do CSMP, a possibilidade de propor ao Ministro da Justiça, por
intermédio do Procurador-Geral da República, providências legislativas com vista à eficiência do
Ministério Público e ao aperfeiçoamento das instituições judiciárias, bem como a de emitir parecer em
matéria de organização judiciária e, em geral, de administração da justiça.
Assim, e em sede de tais competências, iniciou o Conselho, em 2008, através da constituição de uma
comissão, os trabalhos com vista à elaboração de um projecto de novo Estatuto do Ministério Público.
Para além disso, importa destacar a apresentação, em 2008, de proposta e início de discussão de um
novo Regulamento de Inspecções, elaborado por comissão nomeada para o efeito pelo CSMP.
A actividade do Conselho decorreu, em 2008, com absoluta normalidade, tendo os trabalhos sido
desenvolvidos sempre em bom ritmo e com eficiência.
Realizaram-se 26 sessões, das quais 14 em Plenário, 4 em Secção Disciplinar e 8 nas Secções de Apreciação
do Mérito Profissional.
O número de processos analisados foi de 223, abrangendo processos de inspecções a magistrados (156),
inquéritos (36), processos disciplinares (14) e recursos de decisões do Conselho dos Oficiais de Justiça
(17).
O Conselho analisou e apreciou diversas matérias, das quais se destacam, pela sua relevância:
— plano de actividades do Centro de Estudos Judiciários, para 2008;
— lista de antiguidade dos magistrados do Ministério Público;
— movimento de magistrados do Ministério Público;
— anteprojecto de revisão do regime de ingresso nas magistraturas;
— mapa judiciário (alteração da Lei de Organização e Funcionamento dos Tribunais Judiciais);
— alteração da Lei de Segurança Interna;

55
— Estatuto Disciplinar (Regime Geral da Função Pública);
— pareceres solicitados pelo Ministro da Justiça, no âmbito da actividade legislativa.

Foram ainda aprovados o plano de inspecções para 2009 e a lista de antiguidade dos magistrados do
Ministério Público relativa a 2007.
Foi avaliado o serviço prestado por 203 magistrados, tendo sido atribuídas as seguintes classificações: 3
de Medíocre, 12 de Suficiente, 34 de Bom, 92 de Bom com distinção e 62 de Muito Bom.
Das 4 reuniões em secção disciplinar resultou a aplicação de 12 penas disciplinares: três de aposentação
compulsiva, uma de 12 meses de inactividade, uma de suspensão por 100 dias, uma de transferência,
uma de multa de 40 dias, três de multa de 30 dias, uma de multa de 15 dias e uma de multa de 10 dias.
No que se refere à gestão dos quadros, realizou-se um movimento em 2008, abrangendo 235 magistrados
e a promoção de 2 à categoria de procurador-geral adjunto e de 22 à categoria de procurador da República.
Foram ainda nomeados 68 novos procuradores-adjuntos e destacados 69 procuradores-adjuntos em
regime de estágio.
Foram distribuídas 145 inspecções a magistrados (das quais 6 extraordinárias), 10 inspecções a serviços,
38 inquéritos e 17 processos disciplinares. Em resultado do trabalho desenvolvido pelos Inspectores
foram concluídos 206 processos, dos quais 156 de inspecção, 36 inquéritos e 14 disciplinares. Realizou-
-se uma reunião dos Inspectores do Ministério Público.
Foram publicados 26 Boletins Informativos (nos 112 e 115 a 139) — também disponíveis para consulta
no site da Procuradoria-Geral da República — prosseguindo-se, assim, com a divulgação da actividade
do Conselho.
Ao longo do ano houve diversas mudanças na composição do CSMP, sobretudo em virtude da eleição
de magistrados, que teve lugar a 25 de Janeiro, para um mandato de três anos.
Conselho Superior do Ministério Público

A partir de 1 de Abril, entrou em funções como vogal em regime de permanência um procurador da


República, para além do que estava já em funções, eleito pela Assembleia da República.
Os vogais permanentes tiveram participação em diversas iniciativas do CSMP, nomeadamente no
aperfeiçoamento do sistema electrónico para o movimento extraordinário de magistrados, na actualização
da página na internet, acompanhamento da situação dos substitutos de procurador-adjunto, elaboração
de pareceres sobre projectos de diplomas legais, acompanhamento de processos em contencioso, contactos
com serviços de inspecção e reunião com corpo de inspectores, processamento das reclamações ao
movimento, elaboração dos boletins informativos, contactos com diversos departamentos do Ministério
da Justiça (membros do Governo e respectivos gabinetes, DGPJ, ITIJ, DGAJ, PJ) e do Ministério da
Administração Interna sobre questões de interesse para o Ministério Público, visitas a tribunais e
departamentos do Ministério Público, participação nos trabalhos de informatização do Ministério
Público, participação nos trabalhos de reorganização do mapa judiciário, acompanhamento do regime
processual civil experimental, participação em iniciativas de organizações externas, entre outras.
As deliberações do Conselho são, por norma, tomadas através da aprovação de um acórdão e à pluralidade de
votos, cabendo ao Procurador-Geral da República voto de qualidade. Para a validade das deliberações exige-
-se a presença de um mínimo de 13 membros do Conselho ou, no caso das secções, de um mínimo de sete.
Os projectos de acórdão são elaborados por um vogal do Conselho, designado como relator, nomeado

56 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


nos termos dos artigos 30º do Estatuto do Ministério Público e 16º do Regulamento Interno da
Procuradoria-Geral da República. Os vogais relataram um total de 404 acórdãos, no Plenário, na Secção
Disciplinar e nas Secções de Classificação.

Conselho Superior do Ministério Público

57
CONSELHO CONSULTIVO
DA PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA
3.

A actividade do Conselho Consultivo desenvolveu-se ao ritmo das solicitações, que se manteve.


Num total de 113 processos (dos quais 28 transitaram do ano anterior e 85 deram entrada no ano),
foram concluídos 58 e ficaram pendentes 55 para o ano de 2009.
Destacam-se, pela importância e complexidade dos temas objecto de consulta, os seguintes:
— regime legal do seguro do praticante desportivo de alto rendimento;
— concessão contratualmente atribuída à Estoril-Sol (III) Turismo, Animação e Jogo, S.A.;
— dúvidas quanto ao entendimento que se deve seguir no que respeita a alguns poderes legalmente
atribuídos às “Polícias Municipais”;
— protocolo entre a Câmara Municipal de Porto e o Ministério da Saúde e várias Fundações;
— ilegalidade e inconstitucionalidade dos critérios de atribuição de alvarás de farmácias de oficinas;
— eventual incompatibilidade entre os cargos de Presidente da Autoridade da Concorrência e de
Vogal suplente da Direcção da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar;
— funções de magistrados exercidos por cidadãos estrangeiros;
— regime especial da aposentação dos docentes em regime de monodocência;
— escutas ambientais no domicílio.

Os indicadores estatísticos mais relevantes são os seguintes:


Foram registados, por espécie, os seguintes processos: 24 pedidos de parecer sobre questões diversas;
7 processos de qualificação de deficientes das Forças Armadas; 42 pedidos de pensão por serviços
excepcionais e relevantes prestados ao País; 8 consultas respeitantes a convenções ou outros actos relativos
a direito internacional; e 6 traduções.
Um pedido foi dado sem efeito.
Dos pedidos de parecer distribuídos, 7 foram formulados pelo Procurador-Geral da República.

59
AUDITORES JURÍDICOS
4.

4.1. Assembleia da República

A Lei Orgânica da Assembleia da República (Lei nº 77/88, de 1 de Julho, na redacção da Lei nº 28/2003,
de 30 de Julho) prevê a figura de auditor jurídico, na dependência directa do Presidente da Assembleia,
para exercer funções no domínio da consulta jurídica e do contencioso administrativo.
As novas leis orgânicas dos diversos ministérios, publicadas em 2006, na sequência da reforma introduzida
pelo “PRACE”, deixaram de prever a existência de auditorias jurídicas e de auditores jurídicos, mantendo-
-se, estes, em diversos ministérios, por força, exclusivamente, da disposição legal ínsita no Estatuto do
Ministério Público (nº 1 do artigo 44º da Lei nº 47/86, na versão da Lei nº 60/98, de 27 de Agosto).
No caso da Assembleia da República, para além desta previsão no Estatuto do Ministério Público, a
existência de auditor jurídico continua especialmente prevista na Lei de Organização e Funcionamento
dos Serviços da Assembleia da República, estipulando o nº 4 do artigo 26º desta lei orgânica que “o
cargo de auditor jurídico será exercido por um procurador-geral-adjunto, nomeado e exonerado nos
termos do Estatuto do Ministério Público, ouvido o Presidente da Assembleia da República”.
Cabe ainda uma referência no que tange ao processo disciplinar, no qual se a decisão punitiva for da
competência exclusiva do Presidente da Assembleia da República, poderá previamente ser ouvido o
auditor jurídico — nº 5 do artigo 66º do Estatuto aprovado pelo Decreto-Lei nº 24/84, de 16 de
Janeiro (diploma entretanto revogado e substituído, com efeitos a 1-1-2009, pela Lei nº 58/2008, de
9 de Setembro).
O auditor jurídico encontra-se instalado na “Casa Amarela”, defronte do Palácio de S. Bento. As
instalações, tirando a sua exiguidade, são funcionais e encontram-se em bom estado de conservação,
tendo, nos últimos anos, beneficiado de pinturas e de pequenas obras de conservação.
Dispõe o serviço de dois PC’s instalados, um no gabinete do auditor jurídico e outro no da secretária,
com acesso à Internet. É de realçar a inovação introduzida, já no final do ano de 2004, que consistiu no
acesso, por parte do auditor jurídico, à rede interna (intranet) da Assembleia da República, denominada
ARnet e, também, à disponibilização da base de dados jurídicos comercial “Legix”.
Sublinha-se sempre ter existido plena vontade, compreensão e espírito de colaboração na solução de
todos os problemas logísticos, pelo gabinete do Presidente da Assembleia da República e pela Secretária-
-Geral, sendo excelente o relacionamento com todos os departamentos e serviços da Assembleia da
República.
Presta ainda serviço na auditoria jurídica, para além da secretária que exerce a totalidade das funções
administrativas e de secretariado, uma auxiliar administrativa, tendo ambas exercido as suas funções
com grande zelo, competência, assiduidade e dedicação ao serviço, sendo de realçar especialmente aquela
primeira funcionária.
O serviço dispõe de livro de registo de pareceres, informações, acções judiciais-administrativas ou outras

61
(petições, respostas, contestações, alegações, contra-alegações, alegações complementares, recursos
jurisdicionais), recursos hierárquicos, inquéritos, processos disciplinares ou sindicâncias e outros trabalhos,
e de pastas de arquivo dos pareceres e informações elaboradas, bem como de correspondência recebida
e expedida. Os registos encontram-se em ordem.
Os pedidos de parecer, após o seu registo, são entregues ao auditor jurídico para análise e respectiva
elaboração. Emitidos que sejam, são remetidos ao gabinete do Presidente da Assembleia da República,
o mesmo sucedendo quanto às contestações nas acções judiciais. Quanto às alegações, contra-alegações
e satisfação de outros pedidos ou informações formuladas às, ou pelas, instâncias judiciais, é o seu
cumprimento efectuado directamente pelo auditor.
Os prazos processuais foram sempre respeitados. As situações não sujeitas a prazos obtiveram pronúncia
com relativa celeridade, atenta a complexidade das questões afloradas, sendo que a média para a emissão
e remessa dos pareceres rondou entre oito e quinze dias.
Durante o ano foram vários os processos pendentes nas instâncias judiciais, maioritariamente no STA,
mas também no TCA/Sul e no TAF de Lisboa, iniciados em 2008 ou transitados do ano anterior, os
quais foram objecto de continuado acompanhamento, através, designadamente, de apresentação de
contestações e outros articulados, alegações e contra-alegações processuais e em recursos jurisdicionais e
outros requerimentos e respostas a requerimentos ou a despachos judiciais.
Destes processos destacam-se:
— Recurso contencioso para impugnação de actos administrativos alegadamente contidos na Lei
nº 91/95, de 2 de Setembro (recurso nº 39.032, 1ª Secção, 2ª Subsecção do STA);
— Acção de indemnização intentada pela “ENGIARTE — Engenharia e Construções, Lda.” contra
o Estado/Assembleia da República (processo nº 583/01, 3ª Secção do TAF de Lisboa);
— Acção administrativa especial intentada para impugnação de pena disciplinar de aposentação
compulsiva aplicada a funcionário de segurança da Assembleia da República (AAE nº 878/04,
1ª Secção, 1ª Subsecção, do STA);
— Acção administrativa especial intentada para impugnação da decisão relativa à cessação de comissão
de serviço como dirigente da Assembleia da República determinada em decorrência de assunção de
funções em gabinete ministerial (AAE nº 1.201/05, 1ª Secção, 2ª Subsecção, do STA);
— Acção administrativa especial intentada por ex-secretária-geral da Assembleia da República e
respectivos adjuntos, relativa a remunerações (AAE 288/06, 1ª Secção, 2ª Subsecção, do STA);
— Acção administrativa especial intentada pela “APEC-Associação Portuguesa de Escolas de
Condução” para impugnação de norma — artigo 25º-A do Decreto-Lei nº 175/91, de 11 de Maio
(AAE nº 1975/07, 2º Juízo, 2ª Secção do Contencioso Tributário do TCA Sul);
Auditores Jurídicos

— Acção administrativa especial intentada por um motorista ao serviço da Entidade Reguladora


para a Comunicação Social (ex-”AACS”) para que lhe seja abonada a remuneração suplementar
atribuída aos funcionários da Assembleia da República e para que seja integrado nos quadros da
mesma (AAE nº 752/07, 1ª Secção, 2ª Subsecção, do STA);
— Processo de contrato individual de trabalho (4679/07.4TTLSB, 2º Juízo, 1ª Secção, do Tribunal
do Trabalho de Lisboa) intentada por ex-trabalhadora da Entidade Reguladora para a Comunicação
Social (ERC);

62 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


— Acção administrativa especial intentada por funcionários e ex-funcionários da “INDEP —
Indústrias Nacionais de Defesa, E.P.” impugnando actos administrativos contidos em diversas normas
legais (AAE nº 752/08, 1ª Secção, 1ª Subsecção, do STA);
— Um processo de execução fiscal interposto contra uma solicitadora para reposição de quantia
penhorada a mais referente ao vencimento de um funcionário.
Foram emitidos os seguintes pareceres, mediante solicitação do Presidente da Assembleia da República
e, nalguns casos, sob proposta dos serviços:
— AJAR139 — sobre impugnação, para o Presidente da Assembleia da República, de deliberação
do “Conselho de Acompanhamento dos Julgados de Paz” em matéria disciplinar;
— AJAR140 — sobre decisão de suspensão de processo disciplinar contra funcionário, aguardando
tramitação de processo-crime;
— AJAR141 — sobre solicitação ao Presidente da Assembleia da República para que suscite, no
Tribunal Constitucional, a fiscalização abstracta (sucessiva) da constitucionalidade do nº 1 do artigo
58º do Decreto-Lei nº 307/2007, de 31 de Agosto (regime jurídico das farmácias de oficina);
— AJAR142 — sobre informação solicitada pela “Entidade das Contas e Financiamentos Políticos
(ECFP)” sobre os valores pagos pela Assembleia da República, a título de subvenção estatal, atribuídos
aos grupos parlamentares para encargos de assessoria aos deputados e outras despesas de funcionamento
e para comunicação no ano de 2006;
— AJAR143 — sobre a questão da eventual relevação (total ou parcial) da obrigação de reposição,
por parte de uma avençada, por imposição legal em decorrência da sua qualidade de aposentada, de
parte das remunerações que lhe foram pagas pela Assembleia da República;
— AJAR144 — sobre a legalidade e fundamentação da proposta de declaração como deserto do
concurso público nº 128/2007 (para renovação da frota automóvel da Assembleia da República em
aluguer operacional), e consequente abertura de um novo procedimento concursal, por negociação
sem publicação de anúncios;
— AJAR145 — sobre solicitação ao Presidente da Assembleia da República para que, ao abrigo da
competência prevista no artigo 281º, nº 2, alínea b), da Constituição, suscite no Tribunal
Constitucional, em sede de fiscalização abstracta (sucessiva), a declaração de inconstitucionalidade,
com força obrigatória geral, de norma contida na alínea e) do nº 1 do artigo 2º do Código das
Custas Judiciais;
— AJAR146 — sobre se a Lei nº 17/2003, de 22 de Agosto (Iniciativa Legislativa de Cidadãos),
admite que a recolha de assinaturas seja efectuada por via electrónica;
— AJAR147 — sobre recurso hierárquico interposto por funcionária parlamentar relativamente à
sua avaliação de desempenho relativa ao ano de 2006;
Auditores Jurídicos

— AJAR148 — sobre recurso hierárquico, interposto pela arguida, da pena disciplinar que lhe foi
imposta.

O auditor jurídico realizou, na qualidade de instrutor designado por despacho de 2-4-2008 do Presidente
da Assembleia da República, um processo disciplinar, nos termos do Estatuto Disciplinar (Decreto-Lei
nº 24/84, de 16 de Janeiro), na sequência de auto de notícia levantado pela chefe da Divisão de Recursos
Humanos e Administração contra uma funcionária parlamentar (auxiliar parlamentar) por violação dos
deveres de correcção, urbanidade e respeito.

63
O auditor jurídico participou nas sessões de 24 de Julho e de 25 de Setembro de 2008 do Conselho
Consultivo da PGR para discussão dos projectos de Parecer nº 50/2007, sobre qual a entidade (Tribunal
de Contas ou Tribunal Constitucional) competente para a fiscalização da legalidade da utilização das
verbas, inscritas no orçamento da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, destinadas
a apoiar o funcionamento dos gabinetes dos grupos parlamentares; representou o Procurador-Geral da
República em sessões públicas de oito concursos, nacionais e internacionais, para adjudicação de
empreitadas de obras públicas em 10 de Abril (Metropolitano), 12 de Junho (SimTejo), 4 de Julho
(Direcção Regional de Educação), 22 de Julho (Parque Escolar), 26 de Setembro (Metropolitano), 29
de Setembro (APL), 30 de Outubro (Metropolitano) e 10 de Dezembro (Parque Escolar); colaborou,
ainda, nos exames de aptidão para ingresso no Centro de Estudos Judiciários (XXVII Curso de Formação
de Magistrados) e presidiu a um dos júris encarregados das provas da fase oral (via académica).
Continuou a integrar o Conselho Pedagógico do ISPJCC (Instituto Superior de Polícia Judiciária e
Ciências Criminais), que passou a designar-se EPJ (Escola de Polícia Judiciária) a partir da entrada em
vigor da Lei nº 37/2008, de 6 de Agosto (Lei Orgânica da Polícia Judiciária), tendo participado em
quatro reuniões deste órgão (em 25 de Janeiro, 5 de Março, 5 de Maio e 22 de Outubro).
O auditor jurídico fez parte, por designação do Conselho Superior do Ministério Público, nos termos
previstos no artigo 2º, alínea c)-iii) da Lei nº 1/2008, de 14 de Janeiro, do júri do concurso extraordinário
para o preenchimento de 30 (+10) vagas de magistrados judicias dos Tribunais Administrativos e Fiscais,
exclusivamente aberto a juízes e magistrados do Ministério Público.

4.2. Ministério da Defesa Nacional

Tal como se sublinhou em relatórios reportados a anos anteriores, a Lei Orgânica do Ministério da
Defesa Nacional — Decreto-Lei nº 217/93, de 26 de Fevereiro (com as alterações introduzidas pelos
Decretos-Leis nºs 211/97, de 16 de Agosto, 217/98, de 20 de Agosto, 263/97, de 1 de Outubro,
290/2000, de 14 de Novembro, e 171/2002, de 25 de Julho), na sua redacção actual, não prevê a
existência de uma auditoria jurídica (extinta por força do disposto no artigo 10º do Decreto-Lei
nº 211/97, de 16 de Agosto) e também se revela omissa quanto à dotação de um auditor jurídico
pelo referido Ministério.
Assinala-se também que a extinção da auditoria jurídica do Ministério da Defesa Nacional deu lugar ao
departamento de assuntos jurídicos (DeJur), organismo que, ainda segundo o artigo 2º do citado Decreto-
-Lei nº 211/97, depende do secretário-geral e tem por objecto a prestação de apoio jurídico ao Ministério.
Apesar da extinção da auditoria jurídica e de não se prever na Lei Orgânica do Ministério da Defesa
Nacional a existência do auditor jurídico, este cargo continua titulado e preenchido por um procurador-
-geral adjunto, sob solicitação do Ministro da Defesa Nacional, e com suporte nos artigos 44º e 45º do
Auditores Jurídicos

Estatuto do Ministério Público, aprovado pela Lei nº 60/98, de 27 de Agosto.


O auditor jurídico encontra-se sedeado no 2º piso da ala nascente do edifício do Ministério da Defesa
Nacional, na Av. da Ilha da Madeira, em Lisboa, e dispõe de um gabinete, antecedido por um pequeno
corredor, onde, na ausência de melhor e maior espaço, foram instaladas estruturas metálicas para aí
serem acomodadas pastas, livros e publicações várias. O gabinete reduz-se a um compartimento exíguo,
onde, com algum esforço, se acomodam ainda livros, pastas e documentação vária. Para além da
exiguidade do gabinete, que dificulta e até inviabiliza a permanência de visitas, o mesmo mostra-se
equipado com mobiliário que, embora se mostre funcional, revela excessiva modéstia e qualidade

64 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


insuficiente. Importa esclarecer que os serviços competentes do Ministério da Defesa Nacional, alertados
para as insuficiências elencadas, terão em curso o estudo de uma alternativa que, em definitivo, conduza
ao seu suprimento.
O auditor jurídico dispõe de equipamento informático que lhe permite o tratamento de texto e acesso,
via Internet, à base de dados jurídico-documentais e demais “produtos” de natureza informática tidos
por necessários e adequados ao exercício das suas funções. Porém, não dispõe de telefax e fotocopiadora,
o que leva o auditor jurídico a socorrer-se da disponibilidade manifestada pelo secretariado da secretaria-
geral e ainda da biblioteca do Ministério, à qual recorre, em matéria de bibliografia. O arquivo do
gabinete do auditor jurídico expressa o movimento processual e de expediente que aí teve lugar.
Ao auditor jurídico não se mostra adstrito, em exclusividade, algum funcionário. No entanto, o gabinete
do Ministro da Defesa Nacional disponibilizou uma das funcionárias — assistente administrativa —
para a prestação de apoio ao auditor jurídico sempre que o mesmo se revele necessário. Porém, atento
o enorme volume de trabalho que já impende sobre a referida funcionária e o distanciamento físico
existente (o auditor exerce funções no 2º piso, enquanto que aquela labora no 7º piso), o auditor
jurídico também organiza o arquivo.
No ano de 2008 foram autuados 22 processos relativos a consultas desencadeadas pelo Ministério da
Defesa Nacional e pelo Secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar, tendo o auditor jurídico
produzido os correspondentes pareceres:
— no processo nº 1/08 — matéria relativa à determinação da entidade competente para apreciar o
recurso hierárquico facultativo interposto da deliberação do júri tomada em sede de concurso público;
— no processo nº 2/08 — matéria referente à apreensão do sentido e alcance da expressão «natureza
sindical» contida no artigo 31º - C, da Lei nº 29/82, de 11de Dezembro;
— no processo nº 3/08 — breve parecer atinente ao modelo contratual aplicável no âmbito da
transferência de fragatas adstritas à Armada;
— no processo nº 4/08 — matéria referente ao Regime Jurídico da Actividade Marítimo-Turística
dos Açores e a sua relação com a reserva absoluta e relativa de competência legislativa da Assembleia
da República, prevista nos artigos 164º e 165º, da Constituição da República Portuguesa;
— no processo nº 5/08 — matéria referente a protocolo para utilização precária de imóveis do
Estado, com referência ao regime de gestão do património imobiliário público previsto no Decreto-
-Lei nº 280/2007, de 7 de Agosto;
— no processo nº 6/08 — matéria referente a tipos de procedimento utilizados na aquisição de
bens e serviços pelo Estado, ainda em face do Decreto-Lei nº 197/99, de 8 de Junho;
— no processo nº 7/08 — matéria reportada aos pressupostos informadores dos tipos de
procedimento utilizáveis na aquisição de bens e serviços pelo Estado;
Auditores Jurídicos

— no processo nº 8/08 — matéria ainda relativa à escolha do procedimento para aquisição de bens
e serviços e concomitante análise dos pressupostos fácticos;
— no processo nº 9/08 — matéria relativa à atribuição do subsídio para pagamento de propinas,
ainda em face do disposto no Decreto-Lei nº 358/70 e da Portaria nº 445/71;
— no processo nº 10/08 — matéria referente à cessação das obrigações militares na situação de
deserção, e com referência ao Código de Justiça Militar e Lei do Serviço Militar nº 174/99, de 21
de Setembro;

65
— no processo nº 11/08 — breve parecer relativo à legalidade de acordo de licenciamento de
«software»;
— no processo nº 12/08 — matéria relativa à fundamentação de escolha do procedimento no
âmbito da aquisição de bens e serviços por órgão do Ministério da Defesa Nacional;
— no processo nº 13/08 — matéria relativa à pertinência da eventual anulação do procedimento
ainda em curso e destinado à aquisição de bens e serviços pelo Ministério da Defesa Nacional;
— no processo nº 14/08 — matéria referente a recurso interposto por militar e na sequência de
despacho punitivo proferido em sede de processo disciplinar;
— no processo nº 15/08 — matéria ainda relativa à escolha do tipo de procedimento adoptável em
sede de aquisição de bens e serviços pelo Estado;
— no processo nº 16/08 — matéria ainda reportada à fundamentação na escolha do tipo de
procedimento adoptável na aquisição de bens e serviços pelo Estado;
— no processo nº 17/08 — matéria relativa à natureza e validade das deliberações tomadas por
comissão designada para apreciar a eventual reconstituição da carreira de militares que participaram
na transição para a democracia (Abril de 1974), à luz da Lei nº 43/99, de 11 de Junho;
— no processo nº 18/08 — breve parecer reportado à tramitação para implementação dos acordos
de normalização OTAN (STANAG’S);
— no processo nº 19/08 — matéria referente ao sentido e alcance de várias normas constantes do
novo Código de Contratos Públicos;
— no processo nº 20/08 — matéria respeitante ao abate e alienação de navios e correspondente
fundamentação legal;
— no processo nº 21/08 — matéria referente à (in)constitucionalidade da Lei de Programação das
Infra-Estruturas Militares (Lei nº 3/2008, de 8 de Setembro) e “agitada” pelo Gabinete do Presidente
da Região Autónoma dos Açores;
— no processo nº 22/08 — matéria respeitante ao regime de pagamento das despesas de viagem de
militares providos em cargos internacionais ou integrados em missões militares junto da OTAN e
de representações diplomáticas no estrangeiro.

No decurso do ano de 2008, o auditor jurídico participou em seis sessões do Conselho Consultivo da
Procuradoria-Geral da República, em que foram debatidos pareceres sobre matérias respeitantes ao
Ministério da Defesa Nacional e esteve presente em nove actos públicos — concursos públicos de
empreitada de obras públicas —, em representação do Procurador-Geral da República.
Auditores Jurídicos

4.3. Ministério da Cultura

A anterior Lei Orgânica do Ministério da Cultura (Decreto-Lei nº 42/96, de 7 de Maio) previa, no seu
artigo 2º, nº 4, a existência, junto do Ministério da Cultura, de um magistrado do Ministério Público,
a designar nos termos da lei, com a categoria de auditor jurídico, a quem cabia prestar apoio, quando
solicitado, aos membros do Governo, nos domínios da consultadoria jurídica, elaboração de legislação,
contencioso e instrução de processos disciplinares ou similares. Porém, no domínio deste diploma, o
lugar de auditor jurídico só veio a ser preenchido em Março de 2001.

66 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Com a publicação, todavia, da nova Lei Orgânica deste Ministério, aprovada pelo Decreto-Lei nº 215/2006,
de 27 de Outubro, desapareceu a referência ao cargo de auditor jurídico, à semelhança, aliás, do que se
passou com as leis orgânicas dos restantes ministérios, no âmbito do Programa de Reforma da
Administração Central do Estado (PRACE), sendo as funções de apoio técnico-jurídico e de contencioso
cometidas à Secretaria-Geral do Ministério, sem prejuízo das atribuições igualmente cometidas, nesta
matéria, à Inspecção-Geral das Actividades Culturais e ao Instituto de Gestão do Património
Arquitectónico e Arqueológico, I.P.
Nessa medida, as funções do auditor jurídico, designadamente na área do contencioso administrativo,
têm vindo a basear-se, após a publicação da nova lei orgânica deste Ministério, no disposto nos artigos
44º e 45º da Lei nº 60/98, de 27 de Agosto, que aprovou o Estatuto do Ministério Público.
Apesar da alteração legislativa a que acabou de se fazer referência, a natureza e intensidade da actividade
do auditor jurídico manteve-se praticamente inalterada e sensivelmente idêntica à existente antes da
publicação da nova lei orgânica do Ministério da Cultura e das leis orgânicas dos organismos que
actualmente o integram. Continuou, por isso, a verificar-se um elevado número de solicitações feitas
ao auditor jurídico, pelos gabinetes do Ministro da Cultura e da Secretária de Estado da Cultura,
tendo-se mesmo ampliado, significativamente, o tipo, natureza, complexidade e diversidade de questões
que lhe foram colocadas.
Atendendo ao novo quadro legal existente, o auditor jurídico promoveu, logo após a aprovação da
nova lei orgânica da Secretaria-Geral do Ministério da Cultura, através do Decreto-Lei nº 89/2007, de
29 de Março, uma reunião com elementos da direcção de serviços de assessoria jurídica e contencioso
desta entidade, tendo em vista ponderar-se uma possível repartição futura de tarefas com a mesma
direcção de serviços. Acabaram, no entanto, por ser raros os casos em que o auditor jurídico promoveu,
em 2008, a remessa de processos à secretaria-geral, para apreciação, e normalmente tal aconteceu apenas
em relação a casos relativos a funcionalismo público, nos quais a secretaria-geral tem, normalmente,
um importante papel a desempenhar.
Nos restantes casos, atendendo ao tipo de processos em causa (recursos administrativos para os gabinetes
do Ministro e da Secretária de Estado da Cultura, processos contenciosos propostos contra o Ministério
da Cultura, análise de processos disciplinares que subiram em recurso para a tutela, apreciação de queixas
relativas a serviços do Ministério e definição de orientações para os mesmos serviços, resposta a
providências cautelares, intervenção no caso de penhoras de créditos, etc.), o auditor jurídico entendeu
preferível apreciá-los directamente, dadas as suas funções de magistrado do Ministério Público e a
necessidade de garantir a necessária isenção e imparcialidade na respectiva apreciação. Dada a complexidade
de alguns destes processos, algumas das informações e pareceres a eles relativos revestiram-se de particular
extensão, como se pode comprovar pelo número de páginas que as integram.
Uma tal situação acabou por determinar a necessidade de, relativamente a processos de natureza menos
Auditores Jurídicos

urgente, designadamente os recursos hierárquicos ou tutelares em matéria de funcionalismo público


(v.g. processos relativos a reclamações sobre avaliação de desempenho) não ter sido possível assegurar a
sua conclusão nos prazos previstos no Código do Procedimento Administrativo. Em contrapartida, em
relação a processos de natureza judicial (contencioso administrativo, jurisdição cível, jurisdição laboral,
processo tributário, etc.), os prazos para a intervenção deste Ministério foram escrupulosamente
cumpridos.
Sublinha-se a boa colaboração havida com os gabinetes quer do Ministro da Cultura, quer da Secretária
de Estado da Cultura, tendo havido, normalmente, concordância dos referidos membros do Governo

67
com as conclusões e informações que o auditor jurídico entendeu submeter à respectiva apreciação.
O gabinete de trabalho inicialmente ocupado pelo auditor jurídico até Agosto de 2004, localizado no
3º andar do Palácio Nacional da Ajuda (onde também se encontram instalados os gabinetes dos membros
do Governo) reunia boas condições de iluminação e mobiliário. No entanto, dada a necessidade de
instalar, naquela data, duas Secretarias de Estado, após mudança de Governo, aquele gabinete foi afecto
a outras entidades.
Presentemente, o gabinete ocupado pelo auditor jurídico tem boas condições de iluminação e o mobiliário
indispensável, embora o estado de conservação do tecto continue a suscitar preocupações, dadas as
frequentes infiltrações de água. O principal problema é a poeira decorrente da deterioração progressiva
do tecto e a queda da respectiva pintura, o que implica a necessidade de se proceder à limpeza do
gabinete diversas vezes ao longo do dia. Tudo aponta, no entanto, para que a situação venha a ficar
resolvida, a médio prazo, dado o facto de decorrerem actualmente obras nos telhados e terraços do
Palácio da Ajuda, que terão directa influência no gabinete ocupado pelo auditor jurídico.
O auditor jurídico dispõe de um computador pessoal com acesso à Internet, embora de modelo já
antigo, designadamente para acesso às bases de dados do ITIJ do Ministério da Justiça e do Tribunal
Constitucional, bem como à homepage do Diário da República. O referido computador apresenta,
contudo, para além da lentidão resultante da sua antiguidade, algumas deficiências, designadamente o
facto de ter o drive de CD-ROM avariado e de, só muito recentemente, ter sido possível assegurar a
utilização de um dispositivo de memória externa, para segurança dos trabalhos produzidos. Sabe-se,
porém, que, a muito curto prazo, a situação será definitivamente ultrapassada pela entrega de um novo
equipamento informático, já adquirido pelo Ministério da Cultura.
O auditor jurídico não dispõe de apoio bibliográfico ou documental específico. Nessa medida, para
consultas bibliográficas, para além dos recursos próprios, o auditor jurídico tem-se socorrido da pequena
biblioteca jurídica existente no gabinete dos adjuntos do Ministro da Cultura, dos serviços de informação
e relações públicas da Secretaria-Geral deste Ministério e, sempre que necessário, após pesquisa
informática, da biblioteca da Procuradoria-Geral da República.
Sublinha-se, contudo, o facto de o acesso gratuito ao Diário da República, por via electrónica, não
permitir o acesso à Base Digesto, da Presidência do Conselho de Ministros, que possibilita reconstituir
a história legislativa dos diplomas consultados. Esta base não é, com efeito, gratuita, por ser considerada
um serviço de valor acrescentado. Isto não impede, porém, que seja um instrumento de consulta
indispensável para qualquer magistrado, sobretudo para os que exercem funções de consulta jurídica.
Ao invés, pelo facto de os respectivos computadores estarem integrados na rede do Governo — a que o
auditor jurídico não tem, naturalmente, acesso —, os membros dos gabinetes do Ministro e da Secretária
de Estado da Cultura dispõem de acesso à base Digesto. Sabe-se, porém, que esta dificuldade será
Auditores Jurídicos

ultrapassada em 2009, através de uma assinatura feita pela secretaria-geral do Ministério da Cultura,
especificamente para o auditor jurídico, para acesso à base de dados Digesto. Deixa-se, por isso, no
presente relatório, a devida referência a esta iniciativa da secretaria-geral, que muito irá facilitar o trabalho
do auditor jurídico.
Não existe quadro próprio de consultores ou de assessores jurídicos afectos ao auditor jurídico. Este
actua, por isso, sozinho, embora em estreita interligação e em plena colaboração com os diferentes
organismos do Ministério com quem precisa de articular posições, alguns dos quais dispõem de juristas
nos seus quadros de pessoal ou recorrem a consultores jurídicos externos. Entende-se, por isso, deixar

68 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


aqui registada a boa colaboração que, em geral, lhe foi facultada pelos serviços do Ministério da Cultura
sempre que houve necessidade de preparar pareceres ou informações a eles relativos. Por esse motivo, o
auditor jurídico promoveu sempre o envio, aos mesmos serviços, de exemplares das informações e
pareceres, a eles relativos, logo que os mesmos se encontraram ultimados.
O apoio administrativo continuou a ser assegurado por uma funcionária do gabinete de apoio ao Ministro
da Cultura, embora sem carácter de exclusividade. Esta funcionária, muito embora não dispusesse de
formação específica prévia para a tramitação de procedimentos administrativos (recursos hierárquicos e
tutelares), processos contenciosos ou disciplinares, tem-se revelado uma ajuda progressivamente mais
preciosa para o trabalho do auditor jurídico, designadamente para os contactos com os serviços do
Ministério da Cultura, com os diversos tribunais em que correm acções relativas ao mesmo Ministério,
bem como em matéria de organização e arquivo do expediente relativo à actividade do auditor jurídico.
Houve, assim, possibilidade de assegurar, em 2008, com a inestimável ajuda desta funcionária, uma
integral reorganização das pastas de arquivo relativas a processos judiciais ou a procedimentos
administrativos em que o auditor jurídico junto do Ministério da Cultura tenha tido intervenção. Para
além de rearrumadas, e com os devidos separadores, tais pastas passaram a dispor de um índice prévio,
com indicação dos actos mais importantes verificados ao longo de cada processo, tendo em vista permitir
uma rápida radiografia da sua evolução, bem como da sua situação actual. Tais índices passaram, por
outro lado, a ser também guardados em suporte magnético, permitindo a respectiva consulta através de
meios informáticos, ou seja, sem necessidade de consulta directa das pastas em que tais índices se inserem.
É, assim, possível, neste momento, saber, com um elevado grau de fiabilidade, quantos processos judiciais
se encontram pendentes contra o Ministério da Cultura, em diferentes instâncias judiciais, bem como
o respectivo estado, ou, ainda, os processos judiciais entretanto findos nas mesmas instâncias.
Preparou-se igualmente uma aplicação informática para acompanhamento de todos os pedidos e
respectivos processos dirigidos ao auditor jurídico, ao longo de cada ano, com controlo dos respectivos
prazos. Esta aplicação é, neste momento, objecto de actualização diária. Em resultado de todo o trabalho
realizado neste âmbito, aumentaram muito os conhecimentos entretanto adquiridos pela funcionária
no manuseamento de processos administrativos e contenciosos, bem como na consulta da base de
dados Digesto. Para além disso, a referida funcionária tem igualmente a seu cargo fazer o
acompanhamento, recorrendo, para o efeito, a meios informáticos, de todos os pareceres e informações
preparados pelo auditor jurídico. A sua formação tem-se, por isso, processado a excelente ritmo,
revelando-se a sua colaboração actualmente indispensável para o bom desempenho do cargo de auditor
jurídico no Ministério da Cultura.
Entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2008, houve lugar à intervenção escrita do auditor jurídico em
225 processos, respeitantes ao Ministério da Cultura, relativos a pedidos de informação que lhe foram
solicitados, designadamente no âmbito de procedimentos e recursos administrativos, processos
Auditores Jurídicos

contenciosos e de jurisdição comum. Para além disso, foram produzidos: 39 informações com um
total de 409 páginas e 21 pareceres (601 páginas). Por outro lado, das peças produzidas no âmbito do
Ministério da Cultura 34 respeitaram a procedimentos e recursos administrativos, 21 a intervenções
em processos judiciais (17 – jurisdição administrativa, 2 – jurisdição penal e 2 – jurisdição cível) e uma
intervenção em processo tributário.
Relativamente às áreas cobertas, os pareceres e informações produzidos versaram matérias sobre
funcionalismo público (27), concessão de apoio financeiro às artes (7), preservação e salvaguarda do
património cultural (6), procedimentos disciplinares (5), queixas apresentadas contra os serviços (3),

69
protecção dos direitos de autor (3), realização de touradas com morte de touro em lide (2), direito
comercial (2) e direito penal (1). Para além disso, houve, ainda, oportunidade de elaborar mais 5
informações/pareceres, designadamente pedidos por ou destinados à Procuradoria-Geral da República,
num total de 98 páginas. Assim, o total do trabalho produzido pelo auditor jurídico, em 2008, foi de
65 informações/pareceres, num total de 1108 páginas.
Os pareceres e informações elaborados incidiram, por outro lado, sobre questões do âmbito do direito
constitucional, direito administrativo, direito do funcionalismo público, direito disciplinar, direito
civil e processual civil, direito comercial, direito penal e processual penal, direito tributário, direitos de
autor, direito relativo ao património cultural, direito financeiro, etc.
Transitaram, para o ano de 2009, 37 processos, dos quais 8 entregues ao auditor jurídico no decurso do
mês de Dezembro de 2007 e 16 relativos a recursos em matéria de avaliações de desempenho.
Enquanto membro da Comissão de Fiscalização de Dados do Sistema de Informações da República
Portuguesa (SIRP), para a qual foi designado pelo Procurador-Geral da República, coube ao auditor
jurídico a preparação do projecto de relatório de actividades da mesma Comissão, relativo ao ano de
2007 e, na sequência de pedido formulado pelo Secretário-Geral do SIRP, a apreciação de um novo
projecto de “Regulamento conjunto dos Centros de Dados do SIS e do SIED”, no seguimento da
apreciação feita do projecto inicial do mesmo Regulamento. O referido parecer totalizou 58 páginas.
Para além disso, participou, com os restantes elementos da Comissão de Fiscalização de Dados (Secretário-
-Geral, Serviço de Informações de Segurança e Serviço de Informações Estratégicas de Defesa), nas
visitas efectuadas aos serviços que integram o SIRP e nas reuniões havidas com o Conselho de Fiscalização
do SIRP, sedeado na Assembleia da República
Por designação do Procurador-Geral da República, o auditor jurídico acompanhou o Vice-Procurador-
-Geral da República à Conferência Eurojustice, que agrupa procuradores-gerais da República de diversos
países europeus, grande parte dos quais membros da União Europeia. Esta sessão da Conferência
Eurojustice decorreu em Edimburgo, na Escócia, nos dias 29 e 30 de Outubro de 2008 e ocupou-se de
dois temas específicos: o papel do procurador-geral para garantir a confiança do público no sistema da
justiça penal e o desenvolvimento das tecnologias da informação e das comunicações para os
procuradores-gerais e as lições a retirar dessa experiência.
No âmbito desta sua participação, o auditor jurídico teve oportunidade de dar conta da situação existente
em Portugal relativamente aos dois temas analisados, tendo, para o efeito, colhido a necessária informação
quer junto da Procuradoria-Geral da República, quer junto da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa
(designadamente quanto ao segundo tema).
A convite da organização, o auditor jurídico foi igualmente convidado para participar na reunião da
Rede Judiciária Europeia em Matéria Penal, que teve lugar no Funchal, Madeira, em 13 de Outubro de
Auditores Jurídicos

2008. Esta reunião destinava-se a comemorar o 10º aniversário da criação da Rede Judiciária Europeia,
tendo o auditor jurídico assegurado uma intervenção de síntese sobre o trabalho já realizado pela mesma
Rede, bem como sobre os desafios que se lhe poderiam colocar no futuro. Este trabalho totalizou 11
páginas, tendo sido redigido directamente em inglês.
Finalmente, durante o período a que respeita o presente relatório, o auditor jurídico participou igualmente
em oito sessões de concursos públicos, para os quais foi designado em representação do Procurador-
-Geral da República: 15 de Fevereiro e 3 de Abril: ANA — ALS — Centrais térmicas; 27 de Junho:
EPAL — Novos laboratórios centrais da EPAL; 14 de Julho: Parque Escolar — Obras de modernização

70 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


e serviços de manutenção e conservação — Programa de modernização do parque escolar destinado ao
ensino secundário — Lote 2; 22 de Setembro: Presidência da República — Reabilitação do Palácio da
Cidadela de Cascais; 7 de Outubro: REFER — Modernização da Estação de Raquete; 27 de Outubro:
ANA — Novo Busgate Norte — Ampliação dos terminais de bagagem — estruturas e fundações; 12
de Dezembro: Parque Escolar — Obras de modernização da Escola Secundária de Garcia de Penafiel.

4.4. Ministério da Justiça

Com a publicação da nova Lei Orgânica do Ministério da Justiça, aprovada pelo Decreto-Lei nº 206/2006,
de 27 de Outubro, na sequência da aprovação pela Resolução do Conselho de Ministros nº 124/2005,
de 4 de Agosto, do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE), foi
determinada a extinção da auditoria jurídica, sendo objecto de fusão, e as suas atribuições integradas na
secretaria-geral — artigo 27º, nº 3, alínea b), da citada Lei.
Mas, prevendo-se no artigo 29º, nº 1, do citado decreto-lei que a integração na secretaria-geral apenas
produziria efeitos com a publicação do respectivo diploma orgânico, tal viria a suceder com a publicação
do Decreto Regulamentar n.º 50/2007, de 27 de Abril, em cujo artigo 10º se determina que a secretaria-
-geral do Ministério da Justiça sucede nas atribuições da auditoria jurídica.
Contudo, o processo de fusão só viria a dar-se por concluído com efeitos a 1-1-2008, nos termos do
Despacho nº 1181/2008 do Ministro da Justiça (in DR, 2ª série, nº 7, de 10-1-2008).
A auditoria jurídica do Ministério da Justiça fora criada pelo Decreto-Lei n.º 871/76, de 28 de
Dezembro, no domínio da Lei Orgânica do Ministério da Justiça aprovada pelo Decreto-Lei nº 523/72,
de 19 de Dezembro.
Posteriormente, a Lei Orgânica do Ministério da Justiça, aprovada pelo Decreto-Lei nº 146/2000, de
18 de Julho, veio prever a auditoria jurídica no elenco dos órgãos e serviços consultivos e de apoio a
funcionar junto do Ministro da Justiça e definir as suas atribuições e competências, cuja direcção cometeu
a um procurador-geral adjunto.
Em termos gerais, até à sua recente extinção, eram cometidas à auditoria jurídica do Ministério da
Justiça funções de consulta jurídica e, especificamente, a elaboração de pareceres e informações de carácter
jurídico, bem como a elaboração da resposta dos membros do Governo da área da justiça nos recursos
do contencioso administrativo interpostos de actos por eles praticados. A direcção da auditoria jurídica
era cometida pelo artigo 25º da Lei Orgânica do Ministério da Justiça a um procurador-geral adjunto
designado nos termos do Estatuto do Ministério Público.
Tendo a Lei Orgânica do Ministério da Justiça aprovada pelo citado Decreto-Lei nº 206/2006 deixado
de prever o lugar de auditor jurídico no elenco dos seus órgãos consultivos, a permanência em funções
de um auditor jurídico encontra base legal nos artigos 44º e 45º do Estatuto do Ministério Público,
Auditores Jurídicos

tendo sido objecto de um pedido expresso do Ministro da Justiça à Procuradoria-Geral da República.


À auditora jurídica ficaram reservadas, nos termos definidos por despacho do Ministro da Justiça de
7-1-2008, funções de consulta jurídica ou de intervenção processual, a solicitação dos membros do
Governo da área da justiça, relativamente a determinados processos ou procedimentos, em função da
sua complexidade, repercussão social ou outro motivo atendível, como, por exemplo, razões de
confidencialidade, emitindo, ainda, parecer nos casos em que existam tomadas de posição contraditórias
entre um serviço ou organismo do Ministério da Justiça e a direcção de serviços jurídicos e de contencioso
da secretaria-geral, que é o serviço que sucedeu nas competências da ex-auditoria jurídica.

71
Seguindo as regras de intervenção nos processos jurisdicionais anteriormente adoptadas e que se
mantiveram, a auditoria jurídica, em regra, só interveio nos processos judiciais relativos a actos ou
omissões dos membros do Governo, não intervindo quando estavam em causa actos ou omissões de
dirigentes de serviços do Ministério da Justiça, caso em que os respectivos processos foram acompanhados
por juristas desses serviços, salvo indicação expressa em contrário do competente membro do Governo,
ditada pelas especiais razões a que acima se fez referência.
Pelo despacho ministerial acima mencionado, foram, ainda, afectados ao serviço da auditora jurídica os
três assessores jurídicos aí indicados, sendo o apoio logístico, v.g., ao nível informático e de recursos
humanos assegurado pela secretaria-geral, mantendo-se em funções na secretaria de apoio dois
funcionários.
Relativamente aos assessores jurídicos que lhe foram afectos, a auditora jurídica exerce a função de os
designar, caso a caso, para intervenção nos processos administrativos ou judiciais que constituem o seu
núcleo de intervenção, nos termos antes explicitados, tendo sobre tais consultores poderes de orientação
técnica e de coordenação do respectivo trabalho jurídico, à semelhança do que sucedia anteriormente à
extinção da auditoria, sendo a distribuição, em regra, efectuada por escala e por espécie, sem prejuízo
de, em casos concretos, a distribuição obedecer a outros critérios, por conveniência de serviço. Aquela
afectação não é exclusiva, pois tais assessores jurídicos também exercem funções idênticas na direcção de
serviços jurídicos e de contencioso da secretaria-geral, estando submetidos à respectiva hierarquia, sendo,
no entanto, a respectiva distribuição de processos mais reduzida do que a dos restantes assessores jurídicos
(mais seis) que aí exercem funções, de molde a atingir-se uma distribuição equitativa de serviço. É justo
salientar a disponibilidade e espírito de colaboração dos assessores jurídicos que integram o núcleo de
apoio da auditora jurídica.
A auditora jurídica tem reservado para si própria a elaboração de todos os pareceres cujos pedidos de
consulta lhe são dirigidos por despacho dos membros do Governo, sendo que os processos reservados
à auditora jurídica e demais expediente a eles respeitante são remetidos directamente pelo serviço de
apoio dos gabinetes dos membros do Governo ao núcleo de apoio administrativo comum à direcção de
serviços jurídicos e de contencioso, sendo objecto de registo informático e tramitação separada
relativamente aos demais processos e procedimentos.
Para além destes, outros, dos recebidos directamente pela secretaria-geral, são casuisticamente submetidos
à sua apreciação, mediante proposta do director de serviços jurídicos e de contencioso e com a
concordância da auditora jurídica, segundo o critério genérico estabelecido no referido despacho
ministerial da respectiva maior complexidade, repercussão social ou outro motivo atendível, sendo de
relevar especialmente o bom entendimento e a profícua colaboração que têm existido entre a auditora
jurídica e o director de serviços.
Quanto aos processos jurisdicionais, apenas as contestações ou oposições são submetidas a apreciação
Auditores Jurídicos

dos competentes membros do Governo, sendo as restantes intervenções processuais remetidas


directamente aos tribunais.
Saliente-se que todas as peças processuais ou pareceres elaborados nos processos ou procedimentos
reservados à auditora jurídica e respectivo núcleo de apoio se encontram subtraídos ao sistema informático
de registo e gestão processuais utilizado pela direcção de serviços jurídicos e de contencioso da secretaria-
-geral, não sendo partilhados. Urge, no entanto, adoptar, no que ao serviço da auditora jurídica respeita,
um sistema informático mais operacional, de molde a possibilitar a consulta e recolha de dados estatísticos
relativamente a todas as vicissitudes de cada um dos processos, tarefa que, no momento actual, se revela

72 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


difícil e morosa, deficiências apenas em parte supridas pelo esforço da funcionária administrativa que a
tem a seu cargo. Assinala-se que tais deficiências do sistema informático dificultaram a recolha de dados
estatísticos para a elaboração do presente relatório.
A auditora jurídica continua a ocupar o anterior gabinete, sito no 3º piso do edifício do Ministério da
Justiça, com entrada pela Rua do Ouro, n.º 6, em Lisboa, onde também se encontram instalados os
gabinetes dos consultores que lhe estão afectos. Dispõe de mobiliário adequado e em bom estado, bem
como de equipamento informático, com ligação à Internet e acesso às bases de dados do Instituto das
Tecnologias de Informação na Justiça e do Tribunal Constitucional, bem como aos ficheiros Legix-
-Codinfo, sendo estes permanentemente objecto de actualização pelos serviços da secretaria-geral; tem,
ainda, acesso ao Diário da República electrónico e à Base Digesto, beneficiando, ao nível do trabalho de
pesquisa de legislação, do apoio de um técnico superior da direcção de serviços jurídicos e de contencioso.
O movimento processual relativo ao ano de 2008 é o seguinte: dos elaborados, no número global de
237, 152 correspondem a intervenções ou peças processuais em processos jurisdicionais; os restantes 85
constituem pareceres e informações em processos graciosos, dos quais 47 são da autoria da auditora
jurídica, não tendo neste número sido contabilizados os inúmeros pedidos formulados informalmente,
v.g., por via de correio electrónico. Dos seis processos transitados para 2009, cinco são pedidos de
parecer distribuídos a um consultor que os preteriu em função de pedidos urgentes e um é um processo
jurisdicional em fase de alegações cujo prazo só terminava em 2009.
Como dado comparativo, anota-se que o número global de movimentações processuais da direcção
de serviços jurídicos e de contencioso foi de 425, sendo de nove o respectivo quadro de assessores
jurídicos, três dos quais, como já se referiu, também afectos, sem exclusividade, ao serviço da auditora
jurídica.
Os processos jurisdicionais em que houve 152 intervenções processuais (contestações, oposições,
alegações, respostas, requerimentos, etc.) no ano de 2008 distribuíram-se pelas seguintes espécies: acções
administrativas especiais — 41, acções administrativas comuns — 9, providências cautelares — 21,
acções executivas — 6, execuções de sentença — 3 e intimações — 1.
No universo das acções administrativas especiais e das providências cautelares realça-se o contencioso
referente à privatização do notariado e à desformalização de actos (medida “casa pronta”).
Nos processos graciosos destaca-se a emissão de pareceres ou informações em recursos hierárquicos e
tutelares, processos disciplinares e em concursos de provimento de pessoal, bem como em procedimentos
de contratação pública com aquisição de bens e serviços (v.g., de serviços de saúde, de monitorização
electrónica de arguidos, de aluguer de viaturas, de serviços postais).
Foram, ainda, analisadas outras questões, indicando-se, a título de exemplo, as seguintes: estrutura
indiciária das carreiras dos magistrados judiciais e do Ministério Público e progressão nas respectivas
Auditores Jurídicos

carreiras; aplicabilidade do regime de congelamento e descongelamento excepcionais ao ingresso nas


magistraturas; regime da progressão remuneratória do pessoal de investigação criminal e de apoio à
investigação criminal da Polícia Judiciária, guardas prisionais e oficiais de justiça; regime do trabalho
extraordinário dos guardas prisionais; acumulação de funções públicas e privadas; pedido de reabilitação
de funcionário; regresso da situação de licença sem vencimento de longa duração; avaliações de
desempenho/classificações de serviço; reclassificação profissional; patrocínio judiciário; atribuição de
subsídio de residência a pessoal dirigente; data da produção de efeitos do mecanismo de promoção
automática previsto no artigo 15º, n.º 3, alínea b), da Lei n.º 10/2004, de 22 de Março; cooperação

73
internacional; propostas de transacções judiciais e extrajudiciais; propostas de nomeação de pessoal
dirigente; direito de acesso a documentos administrativos.
Relativamente a todos os processos cujas intervenções não foram por si directamente subscritas, a auditora
jurídica coordenou o trabalho dos respectivos consultores, dirigindo a sua actuação e apondo a sua
concordância nas peças e pareceres por eles elaborados, após discussão conjunta dos temas a tratar.
Em termos conclusivos, ao fim de um ano de exercício de funções após a extinção da auditoria jurídica,
é possível concluir que a actuação da auditora jurídica se processou em moldes idênticos aos anteriores,
relativamente ao universo de processos e de pedidos de consulta que lhe foram reservados, definidos,
como se disse, em função do critério da sua maior complexidade, repercussão social ou outro motivo
atendível, tendo, também, exercido idênticas funções de direcção e de coordenação do trabalho dos
assessores jurídicos que lhe foram afectos.
No plano institucional, cabe sublinhar o bom relacionamento mantido com a secretária-geral e a secretária-
-geral adjunta, bem como com o director de serviços jurídicos e de contencioso, secundado pela pronta
colaboração dos serviços e funcionários da secretaria-geral. Importa, ainda, salientar o bom
relacionamento mantido com os gabinetes dos membros do Governo.
Refira-se, por fim, que a auditora jurídica participou em nove sessões do Conselho Consultivo da
Procuradoria-Geral da República, nas quais foram discutidos e votados pareceres relativos a matérias do
âmbito do Ministério da Justiça, e assegurou a representação do Procurador-Geral da República em
oito actos públicos de concursos, nacionais e internacionais, para adjudicação de obras públicas.

4.5. Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas

A auditora jurídica exerce funções no Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e das Pescas
(MADRP), criado pela Lei Orgânica do XVII Governo Constitucional através do Decreto-Lei
nº 79/2005, de 15 de Abril, sucessivamente alterado pelos Decretos-Leis nos 11/2006, de 19 de Janeiro,
16/2006, de 26 de Janeiro, e 209/2006, de 27 de Outubro (actualmente vigente).
No relatório do ano transacto, deu-se conta da produção legislativa que — transversalmente ao ocorrido
em diversos ministérios — determinou a extinção por fusão da ex-auditoria jurídica do MADRP criada
ex vi do Decreto Regulamentar nº 30/87, de 24 de Abril, e mantida em funções pelo Decreto-Lei
nº 74/96 (artigo 4º, nº 1, alínea b)) de acordo com a redacção introduzida pelo artigo 2º do Decreto-
-Lei nº 246/2002, de 24 de Outubro, com as alterações resultantes do mesmo diploma, publicado no
DR nº 258, I Série-A, constituindo o Anexo II), passando as suas atribuições a estar integradas na
secretaria-geral — artigo 21º, nº 2,alínea b), da actual e supracitada Lei Orgânica do MADRP.
Na sequência do Decreto Regulamentar n.º 7/2007, de 27 de Fevereiro, que aprovou a Lei Orgânica da
Auditores Jurídicos

Secretaria-Geral do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, foi publicada a


Portaria n.º 219-B/2007, de 28 de Fevereiro, que estabeleceu a sua estrutura orgânica nuclear, e a
Portaria n.º 219-L/2007, de 28 de Fevereiro, que fixou, além do mais, o número de unidades orgânicas
flexíveis dos serviços.
Através do Despacho n.º 8836/2007, de 12 de Março (in D.R., II Série, de 16 de Maio), que definiu a
estrutura orgânica da secretaria-geral, para cujo conteúdo integral se remete, foi criado o Núcleo de
Contencioso (NC), competindo-lhe prosseguir um conjunto de atribuições em grande parte similares
às que incumbiam à ex-auditoria jurídica, que, como se referenciou, foi objecto de integração nos

74 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


serviços da secretaria-geral do MADRP, mantendo-se, no entanto (no concernente aos consultores) a
equipa de trabalho, de forma a evitar descontinuidade do serviço no que toca à produção jurídica ao
nível das áreas para que o actual NC se acha vocacionado.
O cargo de auditor jurídico foi, desde sempre, cometido a um magistrado designado nos termos do
Estatuto do Ministério Público, aprovado pela Lei n.º 60/98, de 27 de Agosto, com reporte aos artigos
44º e 45º, os quais prevêem a possibilidade de haver um procurador-geral adjunto com a categoria de
auditor jurídico junto da Assembleia da República, de cada ministério e dos Ministros da República
para as Regiões Autónomas e lhe atribuem funções de consulta e de apoio jurídico a solicitação das
entidades junto das quais funcionem.
Relembrando-se que o Estatuto do Ministério Público atribui aos auditores jurídicos competência para
proporem ao Procurador-Geral da República que sejam submetidos ao Conselho Consultivo da
Procuradoria-Geral da República os assuntos sobre que tenham fundadas dúvidas, cuja complexidade
justifique a discussão em conferência ou em que esteja em causa matéria respeitante a mais de um
ministério (artigo 45º, n.º 2), prevê-se, ainda, que quando não concordarem com as soluções propostas
pelos auditores jurídicos ou tenham dúvidas sobre a doutrina por eles defendida, podem as entidades
consulentes submeter o assunto à apreciação do mesmo Conselho Consultivo (artigo 45º, n.º 3). Os
auditores jurídicos intervêm nas sessões do Conselho Consultivo com direito a voto quando se trate de
discutir matérias relativas à Assembleia da República ou a ministérios em que exerçam funções (artigo
45º, n.º 4).
No âmbito das funções legalmente atribuídas ao auditor jurídico do MADRP, continuaram a integrar-
-se, durante o ano de 2008, poderes de orientação técnica e de coordenação do trabalho jurídico e,
ainda, de cooperação com o pessoal técnico que compõe o Núcleo de Contencioso (consultores jurídicos
e funcionária administrativa) que lhe reporta, directamente, no plano técnico-jurídico, o qual se acha
organicamente na dependência directa da secretaria-geral, sendo a maioria das informações produzidas
no NC dirigidas aos membros do Governo (MADRP e secretários de Estado respectivos).
O trabalho como auditora jurídica no MADRP, coordenando técnico-juridicamente o NC instituído
como unidade flexível da secretaria-geral, tem continuado sempre a procurar pautar-se com o melhor
empenho que nos é possível, pela busca das mais adequadas soluções jurídicas para as questões em
presença e que cumpre apreciar, trabalhando em estreita ligação com a esforçada e competente equipa
constituída pelos consultores que a integram, no sentido de que o serviço seja desempenhado de modo
eficiente, consideradas as intervenções jurídicas de relevo realizadas pelo NC sempre que solicitado, o
que ocorre com assinalável frequência face à importante litigiosidade recorrente (cujo crescendo havia
sido previsto) atentas as múltiplas acções judiciais intentadas em 2008 contra o ministério.
Essa é uma razão — antes como agora e sempre — determinante para que a auditora jurídica se inteire
e esteja atenta às mais prementes e delicadas problemáticas de carácter jurídico sobre as quais o serviço
Auditores Jurídicos

que coordena deve pronunciar-se e providenciar para que se proceda, quando é o caso, ao necessário
tratamento processual decorrente não só do contencioso em curso nas várias instâncias dos tribunais
administrativos (e é a esmagadora maioria dos casos), como de todas as matérias que careçam de apurada
e rigorosa análise em sede de pareceres, colaboração com o Ministério Público na propositura e sobretudo
contestação de acções propostas contra o Estado, estando em causa o MADRP, e fornecimento de
elementos de trabalho ou iniciativa de abordagem adequada no âmbito do direito.
A intervenção material da auditora continua a consubstanciar-se na análise e coordenação do NC nos
processos judiciais relativos a actos ou omissões dos membros do Governo (com a elaboração dos

75
respectivos despachos de designação em juízo dos consultores, como representantes do MADRP —
artigo 11º, nos 2 e 3, do CPTA) e não já tanto quando estejam em causa actos ou omissões de dirigentes
de serviços do MADRP, caso em que os respectivos processos deverão ser acompanhados por juristas
que neles prestem serviço (nº 5 do citado normativo), embora tal tenha ocorrido, em casos mais delicados
em que foi entendido solicitar a intervenção directa, em juízo, de consultores do NC.
Há, também, que ressalvar a indicação expressa do competente membro do Governo, ditada por razões
de complexidade, uniformidade ou especial relevância social — por exemplo e tal como já havia sucedido
nos processos de SME (Sistema de Mobilidade Especial) a cuja crescente frequência, como já se previa,
se assistiu no ano de 2008 projectando-se para 2009 com a saída das listas de funcionários em mobilidade
especial da Autoridade Florestal Nacional — em que o Ministro centralizou as matérias jurídicas atinentes,
em sede de litígios a correr termos no TAC de Lisboa e nos TAF´s do país, no NC da secretaria-geral —
e, portanto, as intervenções ao nível judicial têm sempre sido realizadas pelos consultores do Núcleo
que a auditora jurídica coordena o que, por vezes, dado o volume de serviço, se revela quantitativamente
difícil quando se pretende elaborar um trabalho irrepreensível.
É considerável o número de pedidos de elementos indispensáveis, para a realização das exigíveis peças
processuais, que continuam a chegar muito no limite dos peremptórios prazos legalmente impostos em
sede de contencioso administrativo. A personalizada sensibilização dos serviços para a importância do
caso, tendo também em vista os objectivos a prosseguir, quer pela unidade orgânica, quer por cada um
dos técnicos que a integram, apenas com alguns serviços do ministério logrou êxito e resultados positivos.
Repetindo o que em relatórios anteriores tem sido referido, urge que os serviços do MADRP diligenciem
no sentido de uma actuação e envio célere dos dados que forem solicitados, visando a apresentação mais
rápida — e obviamente sempre atempada — de peças processuais a produzir no âmbito dos processos
judiciais.
Desejar-se-ia que em nenhum caso falhasse a articulação com as várias direcções-gerais e regionais do
ministério ao nível dos procedimentos administrativos, o que mais uma vez no corrente ano se verificou
nem sempre ter sido conseguido, com consequências que, embora não possam ser imputáveis ao serviço,
se traduziram numa menor celeridade na elaboração de algumas das peças finais do NC.
O gabinete da auditora jurídica funciona junto das instalações destinadas ao Núcleo de Contencioso da
Secretaria-Geral do MADRP, sedeada na Praça do Comércio, e situa-se no 3º piso do edifício central do
ministério, dispondo de alguma privacidade. Impõe-se também aqui, e de novo, assinalar que a secretária-
-geral do MADRP, com quem a auditora jurídica mantém um cordial, eficaz e consequente relacionamento
(o que igualmente é válido para a secretária-geral adjunta) é uma destacada profissional, muito competente,
pessoalmente disponível e portadora de especial sensibilidade quanto ao projectado bom andamento dos
serviços, o que, no que a esta unidade orgânica diz respeito, se traduz na dispensa de atenção para os
aspectos logísticos e de cooperação que se impõe sejam atendidos, procurando ao longo do ano ordenar
Auditores Jurídicos

não só uma melhoria na estrutura física das dependências afectas ao NC, como a aquisição de material e
equipamentos, sendo dadas condições de trabalho consideradas aceitáveis e funcionais.
Para o trabalho que tem sido desenvolvido na coordenação do NC e eficácia da unidade orgânica, tem
sido compreendida pela secretária-geral a necessidade de privacidade que tem vindo a ser possibilitada à
auditora jurídica, bem como aos juristas e demais funcionários que compõem o NC, em ordem ao
cuidadoso estudo, reflexão e processamento das matérias, tendo em conta (como já no antecedente
relatório se teve ocasião de assinalar) “a tramitação do actual e processualmente mais complexo
contencioso administrativo, sendo vital a tranquilidade que deverá ser permitido usufruir a este serviço

76 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


para o melhor desempenho possível com vista a uma mais eficaz defesa dos interesses do MADRP, pelo
que se torna indispensável dispor-se de um adequado ambiente de trabalho que permita isolamento e
maior concentração e serenidade para, sem a agitação própria e as solicitações avulsas decorrentes de um
local onde funcionem múltiplos serviços de natureza diversa, poderem desempenhar cabalmente as suas
específicas funções.”
Continuou a existir uma rede informática interna com ligação à Multinet, rede de comunicação de voz/IP
exclusiva do MADRP, com possibilidade de ligação a quase todos os serviços do ministério e via Internet
à Direcção-Geral dos Serviços de Informática do Ministério da Justiça.
É computorizado o processamento das peças processuais e informações elaboradas pelos consultores
(pontualmente, com o apoio informático da única funcionária administrativa afecta ao Núcleo), sendo
que a utilização dos meios informáticos neste sector jurídico e o apelo sempre crescente e mais aperfeiçoado
ao uso das novas tecnologias ao serviço da administração pública representa acréscimo de celeridade nos
trabalhos e uma melhor apresentação formal dos mesmos.
Ao programa que antes vigorou no NC para gestão de correspondência, desenvolvido no sistema
ORACLE instalado pela secretaria-geral do MADRP (e que ainda se mantém para busca e localização
de expediente entrado e processado até 2007) sucedeu uma ferramenta informática mais ampla e —
concorda-se — eficiente, adquirida face ao aumento das exigências de gestão, denominada GESCOR,
instalada para funcionar, em pleno, no ano de 2008 (que teve uma fase experimental anterior de 2
meses) onde são inseridas as entradas e saídas de correspondência, todas as peças processuais elaboradas,
informações produzidas, ofícios, notas internas, etc, a qual está a ser utilizada desde Janeiro, dispondo,
ainda, da possibilidade de um melhor aproveitamento das suas potencialidades, para o que o treino, a
experiência e o apoio dos serviços da secretaria-geral, que a implementaram, poderão contribuir.
Alguns dos computadores pessoais atribuídos aos consultores jurídicos, reinstalados ou substituídos
aquando da deslocação dos serviços do local onde funcionava a ex-auditoria jurídica e depois o actual
NC para a sede do MADRP, já apresentam deficiências em termos de morosidade no processamento de
texto, funcionamento com os expedientes informáticos de busca de jurisprudência e a nível de inserção
obrigatória das peças jurídicas no GESCOR, apesar de em parte deles haver sido introduzida mais
memória, o que, mesmo assim, se vem revelando insuficiente em ordem a um célere e regular
funcionamento, impondo-se, por isso, uma actualização e modernização geral, neste particular,
compreendendo-se, porém, que tal ainda não teve lugar apenas por contingências orçamentais.
As solicitações que foram dirigidas ao núcleo de apoio informático, para acorrer a problemas de cariz
informático surgidos no computador pessoal da auditora jurídica e nos computadores dos consultores
ou, bem assim, nos restantes equipamentos do NC que necessitaram de intervenção especializada na
área, foram pronta e eficazmente atendidas, obtendo resolução sempre que a mesma esteve dependente
dos conhecimentos técnicos e não respeitou a constatadas desactualizações de equipamento ou inoperância
Auditores Jurídicos

do material, em si. É consabido que, agora mais do que nunca, importa que os serviços públicos
disponham da máxima modernização e simplificação no campo informático para fazer face à evolução
acelerada no sector, a nível do mecanismo de tramitação computorizada, instrumentos de busca, numa
palavra, à global informatização dos serviços administrativos do ministério e dos tribunais em geral.
Nesse sentido e prosseguindo um dos objectivos traçados para 2008, desencadeou-se o processo de
atribuição e certificação pelo CEGER de assinaturas electrónicas qualificadas dos consultores,
procedimento de que se prosseguirá a monitorização no ano de 2009, tendo em vista a adesão aos
novos sistemas informáticos de tratamento da informação e de acesso aos meios judiciais e jurisdicionais.

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Dispõe o NC da base de dados designada LEGIX 8, que foi utilizada sempre que necessário com
resultados satisfatórios, revelando-se, no entanto, mais adequada e com possibilidade de maior
funcionalidade e abrangência de matérias, a base denominada JUSNET, a qual, em substituição daquela,
será adquirida pela secretaria-geral logo no início do ano de 2009 com quatro licenças para utilização
pelos elementos do NC.
O número de consultores jurídicos afectos ao trabalho do NC, que é de oito, achava-se preenchido no
final do ano, ocorrendo, ao longo do ano, a aposentação de dois assessores jurídicos principais, tendo
outro deixado de prestar serviço no Núcleo, em 30.10.08, por haver sido destacado para outro ministério
por convite ministerial. É previsível que se venha a concretizar, no início de 2009, a saída de uma
técnica superior e a aposentação de dois assessores jurídicos principais, tendo sido iniciado concurso
para a contratação de dois técnicos superiores, no final do ano. Em Agosto de 2008 passou a exercer,
com regularidade e de forma consolidada, funções de apoio jurídico no NC um técnico superior principal,
e, em meados de Dezembro, um assessor jurídico principal e um técnico superior.
É, assim, perceptível que ficará uma vaga em aberto, cuja necessidade de preenchimento é do directo
conhecimento da secretária-geral e da secretária-geral adjunta, sabendo-se haver o determinado propósito
de vir a ser preenchida esta lacuna, face à consciência de urgente restabelecimento do número de
consultores, com a manutenção, no mínimo, dos previstos, em ordem ao imperioso e aprofundado
estudo das candentes questões jurídicas suscitadas e à sua atempada resposta, voltando a realçar-se que,
dado o progressivo aumento de serviço e a entrada de outras, novas e diferentes matérias, continua a ser
a destacada e rara dedicação ao serviço de todos os elementos no NC que tem permitido a necessária
resposta às solicitações em termos que se afiguram juridicamente adequados e, tanto quanto possível,
com celeridade.
Pôde observar-se a continuação do aumento de conflitualidade a nível jurídico-administrativo com o
consequente acréscimo de processos, acções, providências (neste particular, assinala-se, desde logo, a
“monitorização” do largo número de providências cautelares e acções do sistema de mobilidade especial
(SME) que “invadiram” o NC no corrente ano, registando-se que já entraram e é suposto continuarem
a dar entrada outras, advindas da saída das respectivas listas de excedentes da Autoridade Florestal
Nacional) e recursos, o que faz antever que prossiga o significativo aumento do trabalho a nível do
contencioso administrativo para cuja análise e intervenção a unidade orgânica está vocacionada.
Antes, como no presente, assinala-se que, atento o mencionado volume e qualidade do serviço (e a
incontornável exigência do mesmo, atenta a especificidade e, em grande parte, inovação das matérias
apresentadas, que as torna pendentes de exame apurado) prosseguiu-se, à semelhança dos anos transactos,
numa situação de ponderado aproveitamento das capacidades dos senhores consultores jurídicos,
procedendo-se, em regra, a distribuições de serviço na base das valências respectivas, sempre que as
necessidades e urgências o permitem, sem nunca esquecer a equidade que se impõe no desenvolvimento
de uma almejada boa gestão. Insiste-se — mais uma vez e com relação ao corrente ano — em salientar
Auditores Jurídicos

que o normal cumprimento das funções desempenhadas no NC e o serviço prestado poderá extravasar,
na prática, a mera avaliação a que possa conduzir a simples observação numérica dos dados estatísticos
recolhidos.
O apoio administrativo tem sido dado por uma única funcionária, o que se considera insuficiente pela
dificuldade de, sozinha, acorrer às muitas e crescentes necessidades e solicitações exigidas à parte
administrativa, não havendo substituição da titular em caso de faltas, férias ou eventual ausência por
doença e tendo em conta o trabalho urgente que caracteriza o sector, situação de que a secretária-geral
está consciente havendo transmitido a sua intenção de logo que lhe seja possível, ponderadas as imposições

78 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


orçamentais, venha a ser melhorado o quadro, com a colocação de mais um posto de trabalho de apoio
administrativo ao Núcleo.
Como se tem vindo a registar em anteriores relatórios, e o presente é disso exemplo expressivo, consabida
que é a actual maior exigência de actuação, in totto, quanto às intervenções processuais do Estado em
juízo e a introdução da obrigatoriedade de pagamento de custas, decorrente das grandes alterações
trazidas pelo Código de Processo dos Tribunais Administrativos, em vigor desde 2004, impõe-se redobrada
atenção na forma de estruturar e gerir o serviço que ao NC é solicitado, procedendo-se à análise e
adequado tratamento jurídico. Embora o NC se tenha deparado com o já aludido crescente aumento
das questões apresentadas, no âmbito do contencioso administrativo, sem esquecer todas as inúmeras
peças processuais que decorrem de cada processo pendente em sede judicial, o serviço no Núcleo continua
estruturado de modo que se julga funcional, podendo, por outro lado, afirmar-se que, com esforço e
dedicação do grupo de trabalho que o constitui, é de considerar eficiente, tendo-se, até ao presente,
dado resposta adequada às necessidades.
Com o recurso à utilização dos meios informáticos — agora o mencionado GESCOR — a que o NC
veio progressivamente a adaptar-se durante o corrente ano e que sofreu alguns melhoramentos no
aproveitamento das respectivas potencialidades, cada processo acha-se devidamente identificado e, bem
assim, as peças e informações a que as entradas no serviço deram lugar com especificação das decorrentes
vicissitudes.
Tomando em consideração o desenvolvimento e prossecução de objectivo fixado para o Núcleo de
Contencioso importa registar que, ainda no âmbito da modernização do funcionamento do mesmo e
correspondendo, aliás, a entendimento convergente expresso pela secretária-geral, é desejável e há condições
para este serviço colaborar com o NAI, no sentido da criação de uma boa base de dados, fiável e de
acessível utilização, onde sejam registados os processos tramitados e inseridas todas as vicissitudes
procedimentais que lhes respeitem o que logo que seja possível será, decerto, implementado, tendo
sido indicado um consultor que servirá de mediador na acção. No presente é, porém, possível discriminar
os elementos com interesse para conhecimento rápido e actualizado do estado e andamento dos processos
— que também circulam em papel — sendo, a final, arquivada, não só no computador mas também
em pasta, a informação produzida pelo consultor com o aval da auditora jurídica, bem como todas as
restantes peças elaboradas. O núcleo possui arquivos e ficheiros dos pareceres e informações prestadas,
o que possibilita a consulta dos antecedentes de cada processo. Naturalmente que se mantém o registo
informativo dos recursos pendentes quer no TAC de Lisboa e vários TAF´s do país, quer nos TCA
(Norte e Sul) ou ainda no STA, o que permite ter conhecimento imediato dos processos em curso, fase
em que se encontram e prazos para a actividade processual do ministério.
Existem pastas de pareceres mais antigos do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República,
publicados no Diário da República, directamente respeitantes ao Ministério da Agricultura ou que, pela
Auditores Jurídicos

matéria tratada, são citados, quando se impõe de utilidade, nas informações e peças processuais, sendo
que a actual possibilidade de recurso à Internet e através de uma busca bem dirigida nas bases gerais de
dados disponíveis permite, como se sabe, aceder à informação mais actual que se pretende, nesse sentido.
Igualmente quanto ao arquivo de acórdãos do STA proferidos em recurso em que o ministério é parte
e que, pela matéria, possam ser considerados como doutrinais pela auditora jurídica procuramos sejam
circulados pelos consultores.
À semelhança dos anos transactos, em termos funcionais, após registo geral e recepção informática — a
par de entrega em papel — do expediente recebido, o mesmo vai a despacho à auditora jurídica, a qual,

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no que respeita às solicitações de informação, pareceres, ou peças processuais a apresentar nos tribunais
administrativos, os distribui pelos consultores jurídicos, que neles já tinham ou venham a ter intervenção.
Continua esta distribuição — por parecer a mais adequada e ter vindo a revelar-se conforme — a ter em
conta, no geral, os antecedentes que sobre cada caso, porventura, já existam no Núcleo — e que, por
vezes, é detectável porque vêm especialmente dirigidos ou existe anotação em informação sucinta ou
registo informatizado de imediato acesso pelo serviço administrativo — de modo a que, sendo caso disso,
e em princípio, o assunto ou expediente seja cometido ao consultor que já antes tratou a questão ou
matéria atinente. Nessa sequência e posteriormente, o trabalho realizado e a enviar é apresentado à auditora
jurídica, que, após análise e interacção com o consultor respectivo no sentido do possível ou eventual
aperfeiçoamento da peça, apõe o seu visto, com concordância, antes da remessa ou, sendo caso disso, a
questão é estudada em conjunto pela auditora e o consultor, precedendo a elaboração final do trabalho.
Reitera-se, na senda do que tivemos já ocasião de dizer no anterior relatório, que é no âmbito da gestão,
coordenação e de reporte directo ao nível técnico-jurídico do trabalho dos consultores que integram o
NC que se tem desenvolvido a actividade da auditora jurídica, com um cariz semelhante ao que lhe
incumbia aquando da existência da auditoria jurídica, sendo as sequentes funções desempenhadas no
essencial (maxime, contencioso, toda a ampla área jurídica que o envolve, recursos facultativos e
jurisdicionais, pareceres e apoio ao Ministério Público) similares às anteriormente desempenhadas, não
se nos oferecendo diferenças substanciais dignas de menção a nível técnico do trabalho da auditora
jurídica, no plano qualitativo, a que acresce a actual (após Janeiro de 2008) obrigatoriedade do envio
das peças elaboradas, via GESCOR, de que ora se revê a vantagem, em prol da imaterialização.
As mais complexas e inovadoras questões poderão sempre aconselhar apreciação mais abrangente em
reuniões com os consultores jurídicos, designadamente para efeitos de uniformização da posição do
Núcleo em importantes matérias. Tiveram lugar reuniões, ainda que sem necessidade de burocrática
formalização, mais alargadas ou parcelares, para análise da adequada abordagem e tratamento jurídico,
em sede, sobretudo, de contestação, a dar a várias das múltiplas acções propostas contra o ministério,
em diversas matérias de que, apenas a título de exemplo, destacamos a continuação de questões no
âmbito do SME e do SIADAP, prosseguindo a litigiosidade já recorrente de anos transactos no que
respeita às denominadas medidas agro-ambientais e outras matérias tão ou ainda mais candentes.
Para a reduzida biblioteca de que o Núcleo dispõe, foram adquiridos alguns livros actualizados e obras
necessárias, mas (por conhecimento das necessidades de contenção) nem aproximativamente aquelas
que se imporiam para uma boa renovação, com vista à consulta pela auditora jurídica e consultores,
tendo em conta as várias alterações legislativas ocorridas e esperadas (v.g. as alterações ao Código das
Custas Judiciais) ao nível de diversos códigos vitais para o desenvolvimento do trabalho. Urge, pois,
sejam adquiridos, com rapidez, os livros que venham a ser requisitados e que cuidamos se circunscrevam
ao essencial; caso contrário — o que não raro sucede — determinará a que auditora e consultores
utilizem os seus próprios ou comprem a suas expensas e sem contrapartida de ressarcimento e a “biblioteca”
Auditores Jurídicos

permaneça parca e desactualizada. O que foi trazido da ex-auditoria jurídica, em 2007, são alguns
códigos das matérias directamente relacionadas com o sector de actuação mais premente (muitos agora
já desactualizados) e algumas obras jurídicas seleccionadas nos anos anteriores pela auditora jurídica
titular, após audição dos consultores, ou compradas por sugestão directa destes. No decurso do ano
abandonou-se a recepção de algumas publicações, mantendo-se a assinatura dos Cadernos da Justiça
Administrativa.
O acesso on line, para consulta electrónica dos Diários da República (mas não dispondo o Núcleo de
senha para aceder às várias séries dos anos necessários, o que se recomendaria fosse obtida) e de alguns

80 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


sítios de informação jurídica, através de links da PGR, STA, etc., veio facilitar o conhecimento, até há
pouco apenas disponível em papel, sendo agora de livre acesso via Internet a consulta da base de dados
do I.T.I.J. do Ministério da Justiça. É, hoje frequente o uso do correio electrónico no processamento
de grande parte do expediente e pedidos emanados dos serviços do MADRP e dirigidos ao Núcleo a
que se responde pela mesma via e também com os tribunais para envio dos suportes informáticos que
nos solicitam, em ordem à óbvia maior rapidez, na base do aproveitamento dos modernos meios de
comunicação e poupança nos recursos tendo, naturalmente e para tanto, desde há tempo, cada um dos
consultores jurídicos atribuído o seu próprio endereço de e-mail.
Transitaram, pendentes de 2007, 18 pedidos de intervenção. Em 2008, a correspondência entrada foi
de 1496 compreendendo, além de expediente diverso e peças de tribunais relacionados com processos
pendentes, pedidos formalmente apresentados de intervenção — a que acrescem outros, insusceptíveis
de contabilização, formulados através de contactos mais imediatos e por vias administrativas directas
menos formalizadas, com vista a uma resposta ou parecer do Núcleo, atenta a necessidade de resolução
rápida a questões urgentes — e 15 transitaram para 2009. No decurso de 2008 foram elaboradas 511
informações importando explicitar que a este número há a acrescentar as centenas de peças processuais
produzidas a que infra se faz menção.
As consultas e pedidos de intervenção formalmente solicitados bem como ainda alguns recursos
hierárquicos e processos disciplinares para apreciar e outras situações a que se deu o adequado tratamento
jurídico, prosseguimento nas várias fases do procedimento litigioso e diversos pedidos de esclarecimento
(por exemplo, concernentes a matéria de litígio quanto a pedidos de indemnizações a pagar pelo MADRP,
custas judicias e de parte, etc.) foram analisados em informação, por se entender não se justificar a
distinção entre informações e pareceres, em sentido estritamente formal, dentro do âmbito de actuação
do NC — a qual também, em certos casos, apenas se poderá radicar num critério subjectivo do seu
autor relativamente à importância doutrinal das questões apreciadas — e por se considerar, ainda, ser
esta a melhor forma de distinguir, por maior dignidade, os pareceres do Conselho Consultivo da
Procuradoria-Geral da República.
Explicita-se que, para além de algumas intervenções processuais de fundo produzidas em sede de recurso
hierárquico, foram elaboradas 170 peças para tribunal, compreendendo 46 oposições a providências
cautelares (com destaque para pedidos de suspensão de eficácia) e 124 contestações de acções
administrativas; 67 alegações facultativas para os TAC e TAF´s e 45 alegações em recursos jurisdicionais
para os TCA´S e STA (tendo sido interpostos 13 recursos para o TCA e 5 para o STA); 17 pareceres de
vária natureza e produzidas múltiplos requerimentos, respostas no âmbito de apoio ao Ministério Público
para os casos em que está em causa o MADRP e têm em vista a representação do Estado em juízo,
intervenções processuais decorrentes de notificações e outras situações que podemos classificar de diversas.
Em todos os casos de interposição de recursos para os tribunais superiores de sentenças judiciais proferidas
nos processos em que o ministério é parte, como nos casos em que se considerou não ser juridicamente
aconselhável, por nos parecer não lograr êxito ou viável fazê-lo, foi sempre lavrada justificação, a partir
Auditores Jurídicos

do exame dos fundamentos da decisão em apreço, sobre os motivos de tal opção. Acrescem 5 intervenções
em intimações, 2 em processos disciplinares, e um número significativo, não contabilizável com
exactidão, de peças e apreciações de acórdãos e sentenças (também saneadores/sentenças), de intervenções
em processos tendo como objecto execução de acórdãos versando sobre a reforma agrária e de decisões
proferidas pelos tribunais administrativos nas acções intentadas contra o Estado tendo como objecto
pedidos de indemnização na decorrência da actuação do MADRP quanto aos designados “nitrofuranos”
e vistos, analisados e dado o adequado tratamento logístico pelos respectivos consultores que intervieram
nos processos em causa em representação do ministério e por nós ratificado, às dezenas de acórdãos dos

81
tribunais superiores enviados para conhecimento do Núcleo de Contencioso. Teve lugar a presença de
consultores em audiências preliminares, audiências de julgamento e em diligências processuais de outra
natureza em vários TAF´s do país, com maior incidência para o TAC de Lisboa e os TAF´s de Beja,
Coimbra e Loulé.
A pequena pendência transitada (15) é, na maioria, correspondente a processos entrados nos finais do
ano, cujos prazos peremptórios legais ainda não haviam expirado, acções administrativas especiais em
prazo para contestar ou pedidos de parecer a demandarem elementos indispensáveis à respectiva apreciação,
entrados nessa mesma altura, nomeadamente, por motivo de demora nas respostas aos pedidos do
Núcleo, e não a quaisquer assinaláveis atrasos.
Julga-se sempre importante registar o facto de que o volume de serviço existente terá de continuar a ser
visto e analisado não só em termos quantitativos, mas e acima de tudo qualitativos.
Reiterando a afirmação, plenamente válida e actual também quanto ao ano de 2008, e citando excerto
inserto no relatório do ano passado: “para uma correcta leitura dos elementos estatísticos, ora, enviados,
não poderá deixar de observar-se que a exacta avaliação do trabalho desenvolvido no Núcleo de
Contencioso, ultrapassa a linear observação dos dados insertos no mapa, havendo, em nosso entender
(…) de considerar, a especificidade e ponderável complexidade de muitas das matérias objecto de análise
(…) e seu tratamento processual, o que, definitivamente, continuou a determinar uma ampla abrangência
exegética dos aspectos técnicos e, previamente à emissão do respectivo parecer ou peça processual —
qualquer que seja a dimensão dos mesmos — um necessariamente maior trabalho de investigação, com
busca selectiva dos vários elementos fácticos, legislativos e doutrinais a atender”.
De salientar, mais uma vez, que as matérias objecto de análise, são, na sua preponderância, de índole
contenciosa e obrigam à realização de várias peças apresentadas em Tribunal, destinadas a cada um dos
processos em curso e, ainda, por vezes, a deslocações físicas dos consultores aos vários TAF espalhados
pelo país e exigem um trabalho muito cuidado, activo e responsável por parte do competente grupo de
juristas que integra o NC, com diária vigilância dos prazos processuais.
Quanto a algumas temáticas concretas que, no ano em reporte, ocuparam a análise e foram sujeitas a
tratamento jurídico neste serviço, referimos — quer por serem mais recorrentes quer por surgidas
inovatoriamente, envolvendo especial melindre, delicadeza ou complexidade — entre outras, as matérias
específicas atinentes a questões de direito no campo da agricultura, desenvolvimento rural, pescas e
florestas, de que destacamos aspectos concernentes à Reforma Agrária de resolução final (?) pendente e
reabertura de litigiosidade. Neste âmbito, “continuam a relevar as várias alegações, contestações e
intervenção contenciosa em geral produzida (…) a que se aditam outros trabalhos enquadráveis em
vertentes diversas atinentes a esta complexa problemática, sobre as quais se debruçaram os consultores,
tendo sido produzidos um destacado número de acórdãos dos tribunais superiores, inclusive do Pleno
do STA.”
Auditores Jurídicos

Continuou a verificar-se grande incidência nas entradas de providências cautelares e acções administrativas,
relativas a actos administrativos que visaram a colocação dos funcionários no SME e nas inúmeras e
diversificadas vicissitudes processuais subsequentes resultantes de acções administrativas interpostas contra
o ministério e outros organismos, decorrentes e na sequência das pendentes acções movidas no âmbito
da problemática de aplicação das medidas agro-ambientais em que, inclusive, foi pedida em muitos dos
processos pela parte contrária a condenação do MADRP, por litigância de má-fé como, ainda, outras
providências cautelares e acções que continuaram a ser movidas por associações ambientalistas
(QUERCUS, etc.) contra o MADRP e outros ministérios e, nalguns casos, também municípios,

82 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


normalmente e como já acontecera no ano passado, muito extensas e acompanhadas por vezes de longos
pareceres, cujo estudo se revelou especialmente trabalhoso, atento o especial melindre das questões
versadas. Isto para além das acções e intervenções de outra natureza, designadamente, resultantes da
implementação e consolidação do sistema de avaliação de desempenho dos recursos humanos da
administração pública, com as dificuldades acrescidas que se continuaram a revelar no ano de 2008,
patenteando-se a manifesta insatisfação dos visados advinda das avaliações efectuadas nesse âmbito.
Destaque, também, para algumas informações/pareceres, particularmente delicados e a exigirem cuidada
análise, como as referentes a questões processuais, à possibilidade de utilização de suprimento de avaliação
de desempenho para efeitos de SME, a empreitadas de obras de construção de barragens, requerimento
sobre problemas de ilegalidade ou de inconveniência de execução de sentença judicial, pedidos de
licenciamento, etc.
Continuaram a ser remetidos ao Núcleo alguns pedidos de apreciação no sector do arrendamento rural,
quer na perspectiva do Estado enquanto arrendatário, quer enquanto senhorio, e nas acções
administrativas comuns e especiais propostas contra o ministério com os mais diversos pedidos, incluindo,
ainda, algumas emergentes da expropriação/ocupação de prédios no âmbito da reforma agrária, a par de
outras de índole bem diversa.
Houve, também, pedidos de apoio por parte do Ministério Público, diligenciando-se no sentido de
serem fornecidos os necessários elementos com vista à contestação de acções administrativas nas quais o
Estado é parte e em que os interesses do MADRP estavam em causa, urgindo serem devidamente
acautelados pelo que continuaram frequentes os contactos e a colaboração para esse fim, como também,
a considerável incidência de pedidos de intervenção em sede de tratamento administrativo e a nível do
contencioso específico, nos processos concernentes a abates sanitários (maxime, vulgo “Nitrofuranos”),
com a solicitação recorrente de célere colaboração com os magistrados do Ministério Público em várias
acções administrativas comuns pendentes e também na preparação de recursos.
Aponta-se, ainda a análise e tratamento jurídico de assuntos relativos à delicada problemática dos subsídios
provindos de fundos comunitários e complexas questões fácticas e jurídicas de natureza florestal atinentes
ao corte de sobreiros e azinheiras, transversal a vários processos pendentes em juízo nos tribunais
administrativos; questões relacionadas com zonas de caça, portarias, aquicultura, licenciamentos, matérias
de ambiente, declarações de interesse público, REN/RAN, licenciamentos urbanísticos, questões
tributárias (liquidação de taxas) atinentes a empreitadas de obras públicas, v. g., barragens (prazos de
execução dos trabalhos ou execução deficiente, com pedidos indemnizatórios), matérias relacionadas
com o IVV — certificações, custas processuais, isto só para citar alguns exemplos, a par de outros com
idêntico significado. A tal acrescem, por vezes, pedidos de pareceres dos gabinetes, designadamente,
sobre legalidade de despachos, diplomas ou decisões a ratificar.
Foram feitos 679 ofícios, na generalidade dos casos solicitando elementos necessários à elaboração das
Auditores Jurídicos

informações e peças processuais, mas não só, de igual modo dirigidos aos vários TAF´s do país enviando
informações, processos, documentos vários e em resposta e cumprimento de despachos, sendo que, por
força da vinda do Núcleo para as instalações da sede do MADRP, as peças processuais para dentro do
ministério passaram a ter lugar por protocolo, evitando-se a circulação de ofícios, salvo casos excepcionais.
Procurou-se também que as informações sujeitas a prazo e as intervenções processuais fossem produzidas
em tempo (resolvendo-se a contento mas não raro com muitas dificuldades de coordenação temporal)
as situações contendentes com prazos peremptórios face à demora nas respostas dos serviços operativos
às solicitações, bastantes vezes ocorrida, o que tornou muito exíguo — criando situações de difícil

83
superação — dado o prazo de que se dispôs para a análise das questões, tratamento dos dados fornecidos
e consequente informação a prestar.
Mesmo as informações não sujeitas a prazo foram realizadas, em média, num tempo mínimo aceitável
e que temos por razoável, após a recepção dos dados necessários para o efeito, sendo que o NC sempre
diligenciou, sem delongas, pela obtenção atempada dos elementos indispensáveis à elaboração das
informações, não só providenciando, nesse sentido, logo que os pedidos dão entrada no serviço, mas
também através de ofícios de insistência nos casos em que se considera ultrapassado o prazo normal
para o respectivo envio.
O ano de 2008 trouxe, efectivamente, um excessivo e mais complexo aumento de trabalho na área do
contencioso administrativo para o número reduzido de juristas afectos ao serviço do Núcleo que técnico-
-juridicamente a auditora jurídica coordena e a afectação de apenas uma funcionária administrativa,
revela-se insuficiente para dar cumprimento rigoroso, célere, cabal e atempado ao exigente trabalho que
compete ao serviço.
Daqui decorre que a complexidade das matérias jurídicas sobre as quais tem incidido a actividade do
NC (como já acontecia com a ex-auditoria jurídica), impõe a representação em juízo por juristas com
a necessária experiência e formação profissionais, mormente na elaboração de peças processuais e na
intervenção em audiência de julgamento.
É também importante a supervisão e coordenação de tal actividade por quem tenha a adequada preparação
técnica e assegure uma visão de conjunto e a plena observância da legalidade.
Mais um ano decorrido sobre o início da vigência do novo contencioso (CPTA) persistimos na acentuação
de que se trata de um quadro legal em que os serviços de apoio jurídico e de contencioso do Ministério,
devem ser estruturados e apetrechados, de forma a disporem dos meios materiais e humanos que lhes
permitam não só uma eficaz e atempada recolha de elementos necessários à elaboração, que deverá ser
cuidada e ter em atenção os mais curtos prazos contemplados na Lei, das peças, mas ainda e sobretudo
fazer face às exigências que as alterações legislativas contemplam.
Uma vez mais e à semelhança do que salientámos no Relatório do ano passado, mantém plena actualidade,
mencionar, a este respeito, o exemplo que continua bem ilustrativo e prende-se com a circunstância de
os processos em 1ª Instância passarem a ser intentados, em regra, nos TAC´S da área de residência ou
sede do autor ou autores — de que resulta que os próprios actos dos membros do Governo são apreciados
nos Tribunais de 1ª Instância proliferados por todo o país — o que ocasiona a possibilidade (num
contexto temporal, em certos casos mais reduzido) de deslocação dos juristas designados para acompanhar
os processos respectivos nos casos em que se torna menos exequível a hipótese (com recurso aos
necessários expedientes legais) de concomitantes — eventuais — nomeações de juristas locais dos serviços
adstritos ao Ministério para efectivação das diligências processuais que se impuserem.
Auditores Jurídicos

Relembra-se que, na acção administrativa especial, em que se podem cumular pedidos de anulação de
actos e, ainda, de natureza executiva, deparamo-nos, como também prevíamos, com o considerável
aumento de impugnações em juízo de actos dos directores-gerais e regionais, sendo certo que, actos
administrativos impugnáveis passam a ser todos os actos administrativos com eficácia externa, considerada
a dedutível não subsistência (com excepção de casos pontuais) do recurso hierárquico necessário.
Impõe-se realçar a profunda consciencialização do esforço profissional e a disponibilidade temporal por
parte da extraordinária equipa de competentes e responsáveis juristas que prestam apoio ao NC e a que
continua a ser exigido um trabalho muito acima do razoável, com vista a que seja providenciada de

84 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


forma sempre necessariamente atenta, para cada uma das acções, desde logo a obtenção dos elementos
de facto, a solicitar, sem perder de vista o tempo oportuno, para ser possível a realização correcta e
assertiva da respectiva peça processual, dentro do prazo fixado, o que só tem sido possível levar a cabo,
dadas as limitações existentes, graças à sua destacada consciência profissional, sacrifício pessoal e entrega
à causa pública.
A auditora jurídica esteve presente em mais de uma dezena de actos de concursos de obras públicas e em
sessões do Conselho Consultivo, onde foram discutidos e votados pareceres referentes a matéria
concernente ao Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas.

4.6. Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social

O auditor jurídico exerceu sempre as suas funções neste Ministério, actualmente denominado do Trabalho
e da Solidariedade Social, desde a data da sua posse, em 1 de Março de 1999, até ao momento em que
lhe foi conferido o estatuto de jubilação, em 23 de Outubro de 2008.
Importa salientar que a tutela não pretende a substituição do auditor jurídico. Escreveu-se no relatório
anterior e sobre esta matéria “ que o tempo se encarregaria de ditar o futuro dos auditores jurídicos “. E
assim aconteceu. É de registar o bom relacionamento sempre mantido com todos os membros da
tutela, secretários-gerais e respectivos adjuntos.
O auditor jurídico encontra-se instalado no edifício do Ministério , sito na Praça de Londres, nº 2 –
10º piso, em Lisboa. Não obstante o gabinete do auditor jurídico alojar também a respectiva secretária
de apoio funcional, tem, contudo, espaço suficiente, janelas amplas e mobiliário adequado. Os meios
de trabalho são satisfatórios, consubstanciados na disponibilidade de um computador “pentium”, com
acesso à Internet, dois telefones fixos e um telemóvel, tendo também acesso a todas as circulares e às
diversas publicações do Ministério. Foi sempre apoiado por uma unidade funcional durante o período
a que este relatório se reporta. Inicialmente, por uma técnica superior de 1ª classe, cujas qualidades
humanas e profissionais já foram evidenciadas em anteriores relatórios; posteriormente, e devido a
baixa prolongada desta, por uma técnica superior principal, que continuou a tarefa da colega anterior,
com o mesmo êxito, zelo e dedicação ao serviço.
Não foi emitido qualquer parecer, por não ter sido solicitado, tendo sido pedidas e respondidas por
correio electrónico cerca de uma dezena de informações de carácter laboral e administrativo. As mais
diversas entidades dirigiram ao auditor jurídico 50 ofícios, tendo sido expedidos 25.
O auditor jurídico esteve presente em 6 actos públicos de concursos e frequentou 6 acções de formação
permanente do Centro de Estudos Judiciários, tendo cessado as suas funções, por jubilação, em 24 de
Outubro de 2008.
Auditores Jurídicos

4.7. Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional

Os serviços da ex-auditoria jurídica (actual Direcção de Serviços de Assuntos Jurídicos e de Contencioso


— DSAJC) encontravam-se instalados, desde Março de 2001, no 1º andar do edifício do MAOTDR,
sito na Rua do Século nº 51, em Lisboa, englobando quatro gabinetes, uma sala de reuniões, biblioteca
e uma arrecadação para arquivo. Em Abril de 2008, estes serviços foram transferidos para o rés-do-chão
do mesmo edifício, com melhores espaços, à excepção da secretaria e dos serviços de apoio administrativo,
que contam com apenas um gabinete de dimensões pouco amplas.

85
Os três consultores jurídicos vindos da secretaria-geral encontram-se instalados num só gabinete, amplo
mas com pouca luz natural; as três consultoras jurídicas que já antes exerciam funções na auditoria
jurídica ocupam um gabinete mais amplo e com mais luminosidade do que o anterior, onde se encontra
uma secretária vaga a aguardar a vinda de outro consultor jurídico, que tão necessário é para o contencioso
do Ministério.
Existe ainda um gabinete com dimensões normais, ocupado pelo chefe de divisão, que directamente
trabalha com os três consultores jurídicos, um gabinete idêntico ao anterior, assumido pelo director de
serviços e pelo único consultor jurídico com contrato de avença, um gabinete afecto ao auditor jurídico,
amplo, luminoso e funcional, e uma arrecadação, onde está instalado o arquivo, bastante ampla.
Relativamente às instalações refira-se ainda a supressão da sala de reuniões, que agora funcionará no
gabinete do auditor jurídico, suficientemente amplo para o efeito; e a supressão da sala da biblioteca,
cujos armários com livros estão distribuídos pelo corredor e pelo gabinete do signatário. A fotocopiadora,
a impressora e o fax encontram-se no corredor, situação que antes só ocorria com a fotocopiadora, pois
que as duas últimas estavam instaladas no gabinete dos funcionários administrativos, menos apertado
do que o actual.
As novas instalações são, no geral, mais amplas do que as anteriores. Todavia, os funcionários
administrativos dispõem de menor espaço e luminosidade do que antes, o gabinete dos consultores
jurídicos vindos directamente da secretaria-geral dispõe de pouca luz natural, as actuais instalações são
mais quentes no verão e mais frias no inverno do que as anteriores, pelo facto de se situarem a um nível
inferior e com menos circulação de ar e o acesso a estas instalações é feito através da garagem do edifício,
atravessando-a longitudinalmente quase na sua totalidade, o que se poderá evitar subindo ao 1º andar e
descendo as escadas ou tomando aí o elevador. Só por este último aspecto é que as novas instalações não
têm a mesma dignidade das anteriores.
As tentativas de adaptação do programa informático existente às especificidades funcionais destes serviços
continuaram a esbarrar em dificuldades que não compreendemos, visto que, no geral, se mantêm os
problemas de falta de eficácia e de controlo referidos em relatórios anteriores.
Desde 2005 não foi adquirida bibliografia, o que se impõe e urge fazer, ao nível da doutrina e jurisprudência
actualizadas e na área da legislação, através de códigos anotados. Assim, a biblioteca pouca valia vem tendo
para facilitar o trabalho, continuando todos a socorrer-se dos seus próprios livros e das bibliotecas da
Procuradoria-Geral da República, do Tribunal da Relação e da Ordem dos Advogados, entre outras, tão
diversificada é a matéria jurídica do âmbito das competências e atribuições do MAOTDR.
O número de consultores jurídicos hoje no exercício das funções tradicionalmente a cargo das ex-
-auditorias jurídicas reduz-se apenas a cinco (contando com o director de serviços que manteve os
processos que assumiu enquanto consultor jurídico e continua a realizar trabalho de contencioso), o
que é manifestamente insuficiente. É que, embora a DSAJC conte hoje com mais quatro consultores
jurídicos (incluindo um chefe de divisão), certo é que todo o serviço contencioso que sempre esteve a
Auditores Jurídicos

cargo da ex-auditoria jurídica continua a ser suportado exclusivamente por aqueles primeiros consultores
jurídicos (antes em número de oito), que assumem ainda os pareceres solicitados pelos membros do
Governo e grande parte do gracioso.
A amplitude das actividades do Ministério e o consequente aumento de solicitações feitas a estes serviços,
especialmente em complexidade e exigências, justificam a requisição ou recrutamento de mais consultores
jurídicos, já que os quatro existentes são manifestamente poucos para cumprimento cabal de todas
aquelas solicitações sem sacrifício dos mesmos.

86 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


As matérias e principalmente as questões colocadas à apreciação do MAOTDR vão-se agravando em
complexidade e os operadores do direito administrativo, especialmente os advogados, estão melhor
apetrechados e preparados para os assuntos a tratar nas acções (dispondo eles de “todo o tempo” para
elaborarem as petições, contrariamente ao que por lei é facultado aos consultores jurídicos, que contam
com um máximo de 30 dias para contestar as acções e de 10 dias ou menos para responder às providências
cautelares).
Como sempre tem acontecido, e agora com a sobrecarga do trabalho dos quatro consultores jurídicos
vindos da secretaria-geral, o apoio administrativo continua a ser prestado por uma assistente administrativa
especialista e por um assistente administrativo principal. Estes funcionários continuam a prestar a
necessária colaboração na organização do serviço, sem alterações que importe sublinhar relativamente
ao que tem vindo a acontecer nos anos anteriores: registo e classificação dos processos, organização de
pastas de arquivo de processos e de trabalhos realizados, elaboração de toda a sorte de trabalhos de que
a DSAJC necessita, procurando dar atempada resposta às exigências do serviço, a qual só não será
melhor internamente porque o programa informático continua a não facilitar o tratamento e controlo
rápidos das diversas fases dos processos, vendo-se esses funcionários na necessidade de colmatarem essas
lacunas através de registos manuscritos. Aliás, como sempre, para a elaboração deste relatório houve
que socorrer-se de grande parte de registos manuais e dos próprios elementos de registo quotidiano,
uma vez que continua a ser extremamente difícil extraí-los de forma expedita e segura do sistema
informático.
Como nos anos anteriores e para além do registo informático das questões que exigem estudo e pronúncia,
todo o expediente continua a ser registado em livro próprio. Todavia, mau grado algumas melhorias ao
nível do programa informático, o “novo modelo” continua a não facultar uma célere actualização do
movimento processual, isto é, não permite o controlo expedito das diversas fases processuais, dos
respectivos prazos, do estado e dos resultados ou outros elementos processuais que seriam úteis ter
presentes em permanência.
A distribuição do serviço pelos consultores jurídicos continua a processar-se em sistema rotativo por
ordem de entrada, sem embargo de, casuisticamente, poder ser quebrado este regime, quando o auditor
jurídico entende (normalmente com a aquiescência dos consultores jurídicos visados) que o assunto a
apreciar terá mais fácil tratamento seguindo outro método, designadamente distribuindo certos tipos
de processos a determinados consultores jurídicos, mais experientes nas matérias deles constantes.
Continua a privilegiar-se o contacto directo com os gabinetes do Ministério e principalmente com os
serviços dele dependentes ou por ele tutelados, bem como com quaisquer outros serviços ou organismos
que devam colaboração, visto que se tem revelado a forma mais expedita e eficaz de se colmatarem
eventuais deficiências, por exemplo resultantes da falta de elementos nos processos instrutores, o que
sucede com frequência.
Auditores Jurídicos

Refira-se o facto de, por vezes, alguns gabinetes dos membros do MAOTDR nem sempre enviarem
com prontidão o expediente para a DSAJC (falando só do contencioso administrativo), atrasando esse
envio dois ou três dias. Pior ainda sucede com a generalidade dos restantes serviços, que quase sempre
registam atrasos — alguns nos últimos dias dos prazos judiciais — no envio dos elementos necessários
a instruir acções ou recursos.
Com a criação da DSAJC, essa comunicação directa com os gabinetes foi também afectada com a
remessa directa de todo o expediente desses gabinetes para a secretaria-geral e daqui para a DSAJC,
sendo certo que por vezes esse expediente aqui tem chegado alguns dias depois da entrada e do seu

87
recebimento neste Ministério, o que provoca redução dos prazos para os consultores jurídicos e dificulta
a tempestividade e a qualidade das respectivas peças processuais.
Quanto ao movimento processual, transitaram 36 processos de 2008, entraram 162 durante o ano,
tendo sido reabertos 183, o que perfaz um total de 381 processos movimentados.
Foram elaboradas 50 acções administrativas especiais, 7 acções administrativas comuns, 26 providências
cautelares e de contencioso pré-contratual, 29 recursos contenciosos, 9 recursos hierárquicos, 20 pareceres,
18 acções e recursos de intimação, 7 acções e recursos em execuções, 2 outros recursos, 30 articulados
supervenientes e alegações de direito, 5 contestações e resoluções fundamentadas, 16 exposições,
reclamações, aclarações, conclusões e outros e 163 informações genéricas, num total de 382 trabalhos.
Transitam para 2009 7 providências, acções administrativas e respectivos recursos, 20 recursos
hierárquicos, 9 pareceres, 1 processo de inquérito (disciplinar), 7 pedidos de informações e 2 pedidos
de reversão de terrenos, num total de 46 processos.
Relativamente ao movimento processual registado em 2008 verifica-se terem transitado 36 processos
do ano anterior (menos de metade do que em 2007 — 89 —, devendo-se tal ao grande esforço dos
consultores jurídicos que reduzirem ao máximo a pendência processual, mau grado terem recebido um
grande número de acções e providências cautelares muito complexas); foram reabertos 183 processos
(mais 10 do que no ano anterior, resultantes de interposição de recursos ou de novos pedidos ou
requerimentos dos interessados); relativamente aos processos entrados no ano, mantiveram-se as espécies
processuais do ano anterior constantes do programa informático, para definição das quais, como no
último relatório foi referido, não foi ouvido o auditor jurídico. Assim, há dificuldades em definir (por
exemplo, as “acções declarativas ordinárias de condenação” respeitam ao expediente que é enviado por
regra do Ministério Público a solicitar pronúncia ou simples elementos para preparar os respectivos
articulados; os “processos administrativos” respeitam a pedidos de informações semelhantes, mas em
que ainda não há acções ou estas não vêm indicadas) e alguns dados a elas atinentes poderão não ser
muito fidedignos. Seja como for, foi informado que em 2008 entraram 162 processos (menos 3 do
que em 2007), em que se contam, como os mais complexos, 56 acções administrativas especiais, 9
acções administrativas comuns, 23 providências cautelares e 8 pareceres.
Dos trabalhos realizados — 382 (menos 6 do que em 2007), contam-se como muito complexos, 50
em acções administrativas especiais; 7 em acções administrativas comuns; 26 em providências cautelares;
29 recursos contenciosos e 12 pareceres. Todavia, esclarece-se que algumas providências cautelares foram
acompanhadas da elaboração de resoluções fundamentadas, ao abrigo do artigo 128º, nº 1, do CPTA e,
no geral, revestiram grande complexidade, quer pelo prazo legal muito curto para as contestar, quer
pelos pedidos e causas de pedir formulados, quer ainda pelas dificuldades sentidas junto dos serviços
em obter de pronto elementos factuais pertinentes; sucedeu o mesmo com muitas acções administrativas
especiais e comuns e correspondentes actos conexos, pela abordagem que os autores — geralmente
Auditores Jurídicos

grandes empresas representadas por sociedades de advogados de renome — delas fizeram e pelos assuntos
e elevados montantes pecuniários subjacentes; os recursos hierárquicos distribuídos pelos consultores
jurídicos que transitaram da ex-auditoria jurídica continuaram a apresentar média complexidade; os
pareceres (20) continuaram a distribuir-se quase equitativamente entre a média facilidade e a média e
elevada dificuldade. Alguns respeitaram a elementos e pronúncias solicitados pelos magistrados do
Ministério Público, no contexto de acções em que interveio o Estado Português; nas «informações
genéricas» incluíram-se este ano apenas dois níveis de complexidade na sua elaboração, designadamente
complexidade média (47) e diminuta ou nula complexidade (116), sendo que estas envolvem aqueles

88 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


trabalhos que exigem reduzido esforço físico e intelectual; as acções de intimação e respectivos actos
conexos (o dobro dos entrados em 2007), continuam a ilustrar, com frequência, pouco mais que meros
caprichos dos requerentes e, como já foi referido no relatório anterior, em regra não apresentariam
grandes complicações se os diversos serviços e organismos obrigados a prestarem as informações ou
elementos solicitados executassem estas suas obrigações com a espontaneidade, a eficiência e a prontidão
exigíveis. Continua a manter-se aqui alguma resistência a essas informações expeditas; embora as questões
atinentes às autarquias locais tenham passado há anos para o âmbito da tutela da Presidência do Conselho
de Ministros, em que actualmente se integra a Secretaria de Estado da Administração Local, certo é que
continuam a chegar ao MAOTDR comunicações sobre perdas de mandato autárquico; transitaram
para 2009, mais 10 do que no ano anterior, mas tal ficou a dever-se ao facto de o director de serviços ter
assumido pessoalmente alguns processos para a emissão de simples pareceres e de pedidos de informações
que, talvez, devessem ser distribuídos pelos consultores jurídicos vindos da secretaria-geral.
Das 163 informações genéricas, a maior parte (116) são meras comunicações de decisões judiciais e de
processos findos e meras solicitações de disponibilização de veículo automóvel para deslocação dos
consultores jurídicos aos tribunais. Portanto, de nula dificuldade, na sua quase totalidade, com excepção
daquelas em que se elabora um relatório minimamente circunstanciado, para só através deles os gabinetes
perceberem o que está em causa.
Realçam-se ainda os seguintes factos igualmente demonstrativos da importância da ex-auditoria jurídica
e da qualidade dos seus trabalhos: em anos anteriores os consultores jurídicos do MAOTDR encabeçaram
a discussão e preparação de peças processuais comuns a outros ministérios e a respectiva coordenação
nos tribunais; em 2008 tal sucedeu apenas com o processo da “co-incineração”, visto que, embora
demandado, o Ministério da Economia e Inovação nunca tomou qualquer posição processual activa,
apenas o tendo feito o MAOTDR, através dos dois consultores jurídicos da DSAJC. Estes serviços
apoiaram ainda e até elaboraram peças processuais que foram apresentadas por institutos públicos sob
tutela do MAOTDR e, em alguns casos, estes estão a ser representados por consultores jurídicos da ex-
-auditoria jurídica.
Todos os trabalhos continuam a ser ou previamente tratados com o auditor jurídico ou por ele “visados”
circunstanciadamente e discutidos com os consultores jurídicos após a sua elaboração. O auditor jurídico
continua, por regra, a estabelecer relações directas com o Ministério Público, incluindo nas situações
em que os diversos serviços afectos ao MAOTDR são solicitados pelos magistrados a fornecerem
elementos de apoio e ajuda para acções judiciais, o que se tem revelado particularmente benéfico e
muito positivo no êxito dessas acções. As peças processuais e os trabalhos em geral mantêm nos tribunais
o elevado êxito dos dois últimos anos — mais de 90% de procedências — com um evidente défice de
consultores jurídicos e de bibliografia, com dificuldades habituais de obtenção em tempo razoavelmente
útil dos necessários elementos fácticos processuais, etc. Mau grado estas vicissitudes que obstam a um
maior sucesso processual, o inêxito judicial, traduzido nos 8,79%, não resulta, em regra, de errada
opção, de inabilidade ou de desacerto jurídico dos trabalhos dos consultores jurídicos; antes deriva, ou
Auditores Jurídicos

de opções jurisprudenciais, ou de decisões ou deliberações nos serviços «factualmente demandados» e


contra as quais não há opções jurídicas que resistam.
O MAOTDR obteve ganho de causa em 91 processos, procedência parcial em 3 e não obteve ganho de
causa em 8 processos.
Mantêm-se as dificuldades para as quais se tem vindo a alertar: a necessidade de recrutamento de mais
consultores jurídicos e a continuação de dotação permanente de bibliografia mínima para a biblioteca
da DSAJC.

89
Os consultores jurídicos são insuficientes para fazer face a todo o processado gracioso, contencioso e
outro conexo.
Se tem havido razoável e eficaz capacidade de resposta a todas as solicitações, tal deve-se exclusivamente
ao esforço de todos, já que as condições existentes e os horários de trabalho normais são insuficientes
para garantir a eficiência dos serviços.
Insiste-se na necessidade de mais um funcionário administrativo, visto que os dois existentes são
insuficientes para o serviço.
Reafirma-se a necessidade de aquisição regular de bibliografia mais importante e actual, a fim de permitir
aos consultores jurídicos um melhor apoio doutrinário e jurisprudencial para a qualidade dos seus trabalhos.
A DSAJC continua a debater-se, quase sistematicamente, com dificuldades generalizadas de os diversos
serviços e organismos dependentes do MAOTDR cumprirem com a celeridade necessária e em tempo
útil as solicitações, em vista à instrução de processos de contencioso. Nestas dificuldades reside, em
grande medida, a principal razão de as peças processuais serem enviadas aos gabinetes dos membros do
Governo já próximo ou sobre o termo do prazo judicial.
Uma melhor organização desses serviços e uma maior sensibilização para a problemática processual
surgida com a nova reforma administrativa (a que se vem aludindo em todos os relatórios anuais),
bastarão para a sua colaboração se poder tornar suficientemente eficaz. O que também poderá passar
por muitas vezes deverem ser eles próprios a assumirem a resposta à facticidade alegada nas acções
contra o Ministério quando essa facticidade lhes disser respeito, quer por lhes pertencer a sua autoria e
quer por estarem envolvidos directa ou indirectamente por força das respectivas competências e
atribuições. Aliás, isto mesmo resulta do disposto nos artigos 10º, nos 2, 3 e 4, e 11º, nº 5, do CPTA.
Embora tendo melhorado em 2008, nesta sequência de dificuldades, continua a habitual prática de os
magistrados do Ministério Público solicitarem aos gabinetes ministeriais os elementos factuais e jurídicos
para as acções, quando é certo que raras são as vezes em que tais gabinetes dispõem desses elementos e
jamais estarão em condições de satisfazerem cabalmente os pedidos formulados. Já em 2004 se solicitou
aos magistrados para dirigirem tais pedidos aos respectivos serviços que no caso a peça processual
demonstrasse estarem envolvidos nos factos aí descritos, sendo óbvias as vantagens no pedido directo.
O excesso de trabalho continua a não permitir que previamente se preparem os julgamentos, discutindo-
-os em grupo na DSAJC ou apenas entre o auditor e o consultor jurídico afecto ao respectivo processo.
Vencer-se-ía, por certo, esta dificuldade se fossem afectos mais consultores jurídicos. Em 2008 ocorreram
dezenas de deslocações dos consultores jurídicos aos tribunais de todo o país, sensivelmente em número
idêntico ao do ano de 2007, para representação do MAOTDR em audiências de julgamentos ou simples
diligências de prova, em que ocuparam uma parte considerável do tempo de trabalho, em algumas situações
obrigados mesmo a pernoitar nas sedes desses tribunais para poderem estar presentes à hora aprazada.
Auditores Jurídicos

4.8. Representante da República para a Região Autónoma da Madeira

Junto do Representante da República para a Região Autónoma da Madeira exerce funções um procurador-
-geral adjunto, com a categoria de auditor jurídico.
O auditor jurídico dispõe, na secção regional do Tribunal de Contas, de boas instalações e moderno
equipamento informático. O apoio administrativo é assegurado por uma técnica verificadora superior
principal.

90 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Foram emitidos 3 pareceres e dadas 2 informações sobre questões suscitadas por cidadãos ao Representante
da República.
O auditor continuou a assegurar, em acumulação, a representação do Ministério Público na Secção
Regional do Tribunal de Contas.
O auditor acumula, ainda, o serviço de apostilas, tendo sido elaboradas 7.834 durante o ano, e esteve
presente, em representação do Procurador-Geral da República, em 31 actos públicos de abertura de
propostas de concursos de empreitadas de obras públicas realizados nos diversos departamentos da
administração regional e local.

4.9. Representante da República para a Região Autónoma dos Açores

A auditoria jurídica junto do Representante da República para a Região Autónoma dos Açores foi
criada pelo nº 3 do artigo 12º do Decreto-Lei nº 262/88, de 23 de Julho, competindo ao auditor
jurídico o desempenho das funções definidas no artigo 45º do Estatuto do Ministério Público.
A auditora jurídica tem o seu gabinete de trabalho no gabinete do Ministro da República, sito no
Convento de Belém, em Ponta Delgada. As instalações são meramente satisfatórias, possuindo suficientes
meios logísticos e equipamento adequado.
No entanto, a auditora jurídica desenvolve os seus trabalhos, preferencial e quase exclusivamente, nas
instalações que ocupa no Tribunal de Contas.
O nº 4 do artigo 12º do Decreto-Lei nº 262/88, de 23 de Julho, prevê a existência de um jurista,
designado pelo Ministro da República (entenda-se, agora, Representante da República) para coadjuvar
o auditor jurídico. Este lugar encontra-se preenchido por uma jurista, a qual, no entanto, não tem
prestado trabalho directamente no âmbito da auditoria, dado que vem tratando especificamente das
questões relacionadas com a audição da região autónoma (artigos 229º, nº 2, da Constituição e 8º do
Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores).
Não está legalmente prevista a existência de quaisquer funcionários administrativos que prestem apoio
específico ao serviço do auditor jurídico, sendo certo, porém, que a auditora jurídica tem recebido um
excelente apoio dos funcionários colocados no gabinete do Representante da República, em Ponta
Delgada, sempre que solicitado.
Anote-se, no entanto, o apoio excelente, que vem recebendo do secretariado de que dispõe no Tribunal
de Contas — também no que diz respeito ao trabalho do gabinete, o qual, pelas razões logísticas já
referenciadas, é desenvolvido quase exclusivamente nas instalações deste tribunal —, revelando-
-se, deste modo, um espírito de colaboração institucional que é de louvar.
Auditores Jurídicos

A auditora concentra em si e desempenha pessoalmente grande parte das tarefas administrativas,


burocráticas e técnicas que lhe concernem; recebe e expede correio, arquiva documentos, busca dados e
documentos necessários à elaboração de pareceres ou informações, minuta, dactilografa e remete
documentos acabados. No entanto, em muitas destas tarefas, vem sendo apoiada pela funcionária
administrativa do secretariado do juiz conselheiro e do subdirector-geral, mostrando-se muito disponível.
A actividade técnica específica do auditor jurídico prende-se fundamentalmente com a emissão de
pareceres sobre todos os diplomas regionais que, conforme resulta do preceituado nos artigos 233º,
nº 1, da Constituição da República Portuguesa, 35º, 62º e 70º, alínea b), do Estatuto Político-

91
-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, estão sujeitos à assinatura do Representante da
República, ou seja, os decretos legislativos regionais e os decretos regulamentares regionais.
A auditora jurídica analisou e emitiu parecer escrito em 48 diplomas (19 decretos legislativos regionais
e 29 decretos regulamentares regionais), além de parecer verbal em 6 diplomas remetidos pelo Governo
Regional e pela Assembleia Legislativa Regional.
A auditora jurídica esteve ainda presente, em representação do Procurador-Geral da República, na sessão
pública de abertura de 5 concursos públicos.

AUDITORES JURÍDICOS – MOVIMENTO PROCESSUAL

(Processos, Pareceres e Informações)

Vindos Entrados Pendentes


Auditores Elaborados
de 2006 em 2007 para 2008

Assembleia da República 0 10 10 0

Ministério da Defesa Nacional 0 22 22 0

Ministério da Cultura 19 78 60 37

(1)
Ministério da Justiça 131 112 237 6

Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas 18 1.496 1.499 15

Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social 0 0 0 0

162
Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do
36 + 381 46
Desenvolvimento Regional
183 (reabertos)
Auditores Jurídicos

Região Autónoma da Madeira 0 5 5 0

Região Autónoma dos Açores 0 48 48 0

(1)
Dos 272 processos transitados de 2007, foram distribuídos 141 à Direcção de Serviços Jurídicos e de Contencioso

92 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


GABINETE DO PROCURADOR-GERAL
DA REPÚBLICA
5.

5.1. Introdução

O Procurador-Geral da República é apoiado no exercício das suas funções por um gabinete, conforme
dispõe o artigo 12º, n.º 4, do Estatuto do Ministério Público.
O Gabinete do Procurador-Geral da República é constituído pelo chefe de Gabinete, por seis assessores
e por dois secretários pessoais, nos termos do artigo 1º, n.º 2, do Decreto-Lei nº 333/99, de 20 de
Agosto.
Compete ao Gabinete, nos termos do artigo 2º deste diploma:
a) estudar e prestar informação sobre as questões que lhe sejam submetidas pelo Procurador-Geral
da República e pelo Vice-Procurador-Geral da República;
b) analisar e propor o seguimento a dar às petições, exposições e reclamações dirigidas ao Procurador-
-Geral da República;
c) reunir e seleccionar informação relativa às decisões dos tribunais e do Ministério Público e elaborar
estudos e propostas, tendo em vista as competências do Procurador-Geral da República em matérias
de garantias constitucionais, legalidade, unidade do direito e igualdade dos cidadãos;
d) assegurar as relações da Procuradoria-Geral da República com outros departamentos e instituições.

O Gabinete de Imprensa, criado no âmbito da Procuradoria-Geral da República, funciona em ligação


com o Gabinete do Procurador-Geral da República (artigo 3º do citado Decreto-Lei n.º 333/99).

5.2. Gabinete do Procurador-Geral da República

No ano de 2008, o Gabinete do Procurador-Geral da República funcionou com todos os elementos


que preenchem o quadro — uma procuradora da República a exercer funções de chefe de Gabinete,
quatro procuradores da República e dois procuradores-adjuntos, com funções de assessores, e duas
secretárias.
Foram elaboradas 130 informações distribuídas por diversas áreas temáticas, bem como inúmeras notas
informativas e de sequência, não contabilizadas, incidindo sobre diverso expediente dirigido ao
Procurador-Geral da República.
Os documentos que estão na origem destas informações distribuem-se por diversos Livros, em razão da
sua natureza e origem, e respeitam à apreciação, designadamente, de projectos ou propostas de diplomas
legais, de dúvidas sobre a inconstitucionalidade de diplomas suscitadas por diversas entidades, de questões
atinentes à prática dos tribunais e a eventual formulação de projectos de directivas a dirigir aos magistrados
do Ministério Público, de acompanhamento de dossiers temáticos, etc.

93
Registaram-se 6.773 requerimentos, cartas e exposições, que mereceram análise, acompanhamento e/
ou encaminhamento, sendo que 1.161 deram origem a novos dossiers.
Foram analisados 163 novos processos confidenciais e decididos 2 novos processos relativos a
impedimentos, recusas e escusas.
Foram também examinados 230 novos pedidos de aceleração processual e preparados os respectivos
projectos de despacho.
Foram ainda apreciadas 32 reclamações hierárquicas e analisados 43 novos processos respeitantes a
conflitos negativos de competência.
Os membros do Gabinete participaram em acções de formação e grupos de trabalho de diversas áreas
do Direito, de que se destaca o Direito Civil, Direito Laboral, Direito da Família, Direito Penal e
Processual Penal.
Em representação da Procuradoria-Geral da República ou do Ministério da Justiça, participaram ainda
em diversos eventos realizados no âmbito de matérias como a Cooperação Judiciária Internacional,
Criminalidade Organizada Transnacional, Cidadania e Igualdade de Género, Luta contra a Discriminação,
Arbitragem Comercial, Adopção, Condutas Anti-sociais e Violentas e Conflitos Laborais.
Colaboraram, também, pontualmente, com outras instituições, quer prestando informações sobre a
actividade do Ministério Público, quer dando contributos para resposta a questionários que envolvam
a sua intervenção em diversas áreas.
De realçar que um elemento do Gabinete integra a Unidade de Missão para a Informatização do Ministério
Público.
No âmbito da colaboração prestada ao Gabinete de Imprensa, foram estabelecidos, no decurso de
2008, frequentes contactos com os magistrados nos tribunais e preparadas, para consideração superior,
Gabinete do Procurador-Geral da República

inúmeras informações destinadas à comunicação social.

5.3. Gabinete de Imprensa

A Justiça tornou-se, cada vez mais, no mundo inteiro, matéria de grande interesse noticioso, sendo uma
boa parte da actividade dos media dedicada a assuntos judiciários, principalmente os que dizem respeito
a matéria penal.
No entanto, as relações entre a Justiça e a Comunicação Social, nos países onde existe Liberdade de
Imprensa, não têm sido fáceis, pois são pautadas muitas vezes por conflitos de difícil resolução.
A verdade é que a Comunicação Social e a Justiça possuem características e lógicas de funcionamento
diferentes e muitas vezes opostas.
A Justiça realiza-se num ritual com tempo próprio. A Comunicação Social rege-se, pelo contrário, por
critérios muito flexíveis e não burocráticos que, embora possam pôr em risco alguma correcção das
informações reveladas, permitem rapidez e eficiência na satisfação do interesse público. O jornalismo
faz-se em todos as situações que sejam notícia ou que se pretende que sejam notícia, com um grau de
formalidade muito reduzido para não prejudicar a adesão e o reconhecimento do leitor, espectador ou
ouvinte.

94 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Neste âmbito, os gabinetes de imprensa exercem um papel não isento de dificuldade, mas fundamental
e que passa por esclarecer e informar, minimizando o que haja de conflituante, e maximizando as áreas
de consenso entre a Justiça e a Comunicação Social, essenciais num Estado de Direito Democrático.
O gabinete de imprensa da Procuradoria-Geral da República foi o primeiro gabinete de imprensa a ser
instituído na área da justiça.
O trabalho do gabinete de imprensa visa dar a conhecer ao público, através da Comunicação Social, a
informação relativa à actividade do Ministério Público, nos termos da lei, pese embora o interesse da
Comunicação Social se exprima por um número muito específico de casos judiciais, o que condiciona
a percepção da realidade global.
Assim, ao longo do ano de 2008, foram sendo satisfeitas, diariamente e dentro dos limites impostos
pela lei, todas as solicitações dos jornalistas apresentadas ao gabinete, no exercício, por esses mesmos
jornalistas, do seu direito-dever de informar os cidadãos.
Relativamente a solicitações internas, foram elaborados, a pedido de magistrados do Ministério Público
e para apoio no seu trabalho, diversos dossiers temáticos e preparadas, ainda, assessorias específicas para
auxílio do seu trabalho judiciário.
Foram emitidas 22 notas para a Comunicação Social sobre assuntos em destaque ao longo do ano. O
Procurador-Geral da República acedeu a pedidos de breves intervenções públicas nos media. Concedeu
entrevistas aos jornais Expresso, União das Misericórdias e Serras de Ansião, à SIC, à Rádio Renascença,
ao Rádio Clube Português, à Lusa, e à Revista Única.

Gabinete do Procurador-Geral da República

95
DEPARTAMENTO CENTRAL
DE INVESTIGAÇÃO E ACÇÃO PENAL
6.

6.1. Histórico

O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) foi criado pela Lei nº 60/98, de 28 de
Agosto, que verteu nos artigos 46.º e 47.º do Estatuto do Ministério Público (EMP) a sua natureza,
competências e organização.
São poucos os registos relativos às razões próximas que determinaram o legislador à concepção do
DCIAP. Não existem trabalhos preparatórios e, que se saiba, não há estudos ou documentos que se lhe
refiram.
Porém, o facto de a direcção do inquérito ter sido atribuída ao Ministério Público pelo legislador
processual penal de 1987 e a necessidade do Ministério Público se organizar em modelos ágeis, eficazes
e eficientes, por forma a coordenar e dirigir, efectiva e funcionalmente, a investigação, permite apreender
os relevantes objectivos que justificaram a criação deste departamento, designadamente:
— Concretizar um dos princípios estruturantes da Constituição da República de 1976, que é a
jurisdicionalização do inquérito;
— Responsabilizar o Ministério Público enquanto titular da direcção do inquérito, pelos resultados
da investigação e pelo exercício da acção penal.

Para alcançar tais objectivos, o legislador criou este departamento central, de competência nacional,
integrado na Procuradoria-Geral da República, destinado principalmente a coordenar a direcção da
investigação e a exercer a acção penal relativamente à criminalidade violenta, altamente organizada ou
de especial complexidade.
O Mundo estava a mudar, globalizava-se e o crime tendia a sofisticar-se, a organizar-se, a revestir-se de
características transnacionais. Ao Ministério Público impunha-se a modernização e a preparação para o
combate ao crime organizado, aliás como já a Polícia Judiciária o fizera com a criação das direcções
centrais contra o crime mais grave e ou organizado.
Pese embora a novidade de um departamento com competência investigatória a nível nacional, é a
função de coordenação da direcção da investigação, também a nível nacional, que constitui a verdadeira
inovação no nosso sistema, concretizada na desconcentração de poderes hierárquicos de coordenação,
até então centralizados na Procuradoria-Geral da República.
De sublinhar, ainda, a competência do DCIAP para a prevenção criminal relativamente à criminalidade
de “colarinho branco”, com especial ênfase para o branqueamento de capitais, funções estas que permitiram
ao Procurador-Geral da República delegar na directora do DCIAP a competência que a Lei n.º 11/2004,
de 27 de Março, lhe atribui no âmbito da prevenção.
Instalado a 15 de Setembro de 1999, o DCIAP iniciou o seu funcionamento, com um número de
magistrados, funcionários e OPC’s cujo enquadramento legal constava da Portaria n.º 264/99, de 12

97
de Abril, adequado, à época, exclusivamente à função de direcção de investigação, rapidamente
ultrapassado pelas vicissitudes de uma criminalidade cada vez mais sofisticada e organizada, que impôs
ao departamento a efectivação das suas outras competências, de coordenação e prevenção.
Com efeito, até Março de 2001, o departamento limitou-se a exercitar a sua competência de investigação,
no seguinte quadro de realidades:
— No ano de 1999 existiam: 1 procurador-geral adjunto como director, 4 procuradores,
7 funcionários judiciais, 10 OPC’s e 3 motoristas. Deram entrada nesse ano 3 inquéritos;
— No ano de 2000 existiam: 1 procurador-geral adjunto como director, 5 procuradores,
7 funcionários judiciais, 10 OPC’s e 3 motoristas. Deram entrada nesse ano 25 inquéritos, 2 processos
com instrução e 1 recurso penal;
— No ano de 2001 existia o mesmo pessoal e deram entrada 34 inquéritos, 12 processos com
instrução e 1 recurso penal.

Em 2002, propôs-se, com carácter de urgência, o alargamento do quadro de magistrados e funcionários.


Só em 2006, através da Portaria n.º 328/06, de 6 de Abril, se alcançou tal objectivo. Esta portaria
alargou os quadros de 8 para 12 magistrados e de 7 para 14 funcionários, finalmente preenchidos, mas
agora já ultrapassados pela complexidade e quantidade dos processos em investigação, impondo-se o
apoio de procuradores-adjuntos com experiência, saber, dedicação e gosto pelo trabalho complexo e
especializado de investigação, encontrando-se destacados, com plena realização dos objectivos pretendidos,
4 procuradores-adjuntos.
Relativamente aos funcionários importa sublinhar a total receptividade e colaboração da Direcção-
Departamento Central de Investigação e Acção Penal

-Geral da Administração da Justiça, sempre disponível a satisfazer as necessidades. O número de OPC’s


é manifestamente insuficiente, considerando as funções de coadjuvação nas áreas de investigação, da
coordenação e da prevenção.

6.2. Instalações

Não sofreram qualquer intervenção, pelo que se vem assistindo à degradação das condições já
anteriormente relatadas, com ocupação de andares sem as devidas condições de trabalho por não terem
sofrido qualquer obra de adaptação nem a conclusão das que foram suspensas no ano de 2001. Há
apenas a referir que tem sido permitido, à equipa do processo “Furacão”, usufruir de novas, bonitas e
funcionais instalações em 2 andares do edifício próximo da sede do DCIAP, que pertencia ao Ministério
da Defesa Nacional e entretanto passou para a esfera de responsabilidade da ESTAMO.
Os diversos serviços do DCIAP foram sendo instalados à medida das necessidades do momento e, por
consequência, ocupando espaços ainda livres, muitos inacabados, circunstancialismo que compromete,
necessariamente, a pretendida articulação funcional, encontrando-se actualmente dispersos pelos 1º,
2º, 4º, 5º, 6º, 7º e 8º pisos do edifício da Rua Alexandre Herculano, da seguinte forma:
1º Piso
Ocupado em 2004 e mobilado em 2007; tudo indica que irá ser utilizado para sala de leitura da
biblioteca, embora continue fechado.
2º Piso
Durante 2008 passou a estar ocupado por magistrados, funcionários e elementos provenientes de

98 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


OPC´s também afectos a processo de inquérito cuja investigação, de grande e complexa dimensão,
é dirigida pelo DCIAP.
4º Piso
3 gabinetes de magistrados — procurador da República;
1 gabinete de inspector-chefe da Polícia Judiciária;
1 sala de espera, aproveitada ainda para a instalação da fotocopiadora que dá apoio aos serviços deste
piso;
No espaço aberto, a unidade de tratamento, registo e análise de informação.
Atenta a natureza da informação tratada no departamento, altamente sensível, muitas vezes confidencial,
reservada e mesmo secreta, parece não ser adequada a localização deste serviço num espaço aberto,
também acessível a pessoas externas ao DCIAP.
5º Piso
3 gabinetes de magistrados — procurador da República;
1 gabinete destinado à unidade de apoio constituída por 2 elementos da Polícia de Segurança Pública.
Salienta-se que, face à manifesta falta de espaço e de condições da sala onde, no 6º piso, continua a
funcionar a secretaria, estão ainda instalados nesta sala dois oficiais de justiça, com todos os
inconvenientes que daí resultam para o serviço e para a desejada articulação funcional.
No espaço aberto encontram-se instalados diversos peritos, afectos a investigações em curso no
departamento.
6º Piso

Departamento Central de Investigação e Acção Penal


O gabinete da directora;
1 gabinete de magistrado — procurador da República;
A secretaria, de apoio directo à direcção do inquérito;
1 sala de reuniões, interior;
1 sala de espera, de pequenas dimensões;
1 sala destinada à logística, onde está instalada uma fotocopiadora, de grande porte, o fax e armários
para arrumação de material diverso.
O gabinete da direcção, situado entre a sala de reuniões, — onde também decorrem frequentemente
diligências, como interrogatórios e inquirições — e a divisão onde funciona a secretaria, é de fácil
acesso, não se encontrando preservado, com manifesto comprometimento para as condições de trabalho
e de segurança tudo conforme documento fotografado já enviado no ano anterior. Verifica-se, no respectivo
corredor, permanente circulação de pessoas, quer do departamento quer externas ao mesmo, o que
provoca total ausência do indispensável recato a esta zona de trabalho da direcção, circunstancialismo
que se impõe resolver urgentemente, além do mais, também, por óbvias razões de segurança e,
naturalmente, de salvaguarda de condições de trabalho.
A sala de reuniões é frequentemente utilizada como sala de interrogatórios, de inquirições e também de
consulta de processos, designadamente por parte dos advogados, face à inexistência de local apropriado
para tais actos, o que ainda mais agrava a devassa deste espaço.
A secretaria ocupa uma sala situada na frontaria do edifício e tem uma área de 39,10 m2.

99
À semelhança de anos anteriores, albergou, este diminuto espaço 7 dos funcionários judiciais que
desempenham funções no departamento, bem como todos os respectivos meios materiais,
designadamente:
— secretárias e cadeiras;
— PC´s;
— impressoras;
— armários, manifestamente insuficientes para o volume dos processos em movimento, não havendo
espaço para a instalação de outros;
— caixas com processos, bem como enorme volume de documentação, muita dela colocada, também,
no chão deste espaço, dada a inexistência de outras soluções.

Em consequência, os volumes dos processos permanecem sobre as mesas de trabalho dos funcionários,
sobre outro mobiliário ali existente, no chão, dificultando a movimentação dos utentes, tudo
determinando exiguidade de espaço e deficiência de instalações, objectivamente abaixo do limiar do
razoável.
Acresce que a parte envidraçada, que dá directamente para a Rua Alexandre Herculano, portanto virada
a sul, não permite qualquer abertura, somente sendo possível o arejamento desta sala através da única
porta existente, concretamente na parede virada a poente.
Salienta-se ainda que esta exiguidade e todas as demais descritas características deste espaço, determinam
que, durante o Inverno, quando as temperaturas exteriores são naturalmente baixas, ali se suporte um
Departamento Central de Investigação e Acção Penal

ambiente onde frequentemente são atingidas temperaturas que rondam os 30º-32º centígrados. Não
podem estas temperaturas ser minimizadas, considerando que o aquecimento, sendo central e estando
programado no Inverno para temperaturas quentes, não permite o arrefecimento daquele ambiente.
7º Piso
Foi ocupado desde o mês de Junho de 2005, em consequência da colocação de outro magistrado, com
o objectivo concreto de proceder à implementação da competência da coordenação atribuída ao DCIAP.
Esta “ocupação” ocorreu dada a inexistência de outros espaços livres, encontrando-se o piso até então
encerrado, sendo sucessivamente ocupadas todas as respectivas salas, ainda que as obras iniciadas em
2001 não se mostrassem concluídas.
Em Dezembro de 2007 foram as respectivas instalações adaptadas para albergar a equipa de magistrados
e OPC´s especialmente designados pelo Procurador-Geral da República para os processos relacionados
com a “Noite do Porto”, ficando aí instalados os serviços de direcção do inquérito e de coordenação.
Dado o volume de “dossiers de coordenação” é já manifesta a falta de espaço.
Este piso está ocupado da seguinte forma:
1 gabinete de magistrado — procurador da República;
1 gabinete magistrado — 2 procuradores-adjuntos;
1 gabinete de apoio — 3 funcionários;
1 gabinete de análise e de investigação — 3 inspectores da Polícia Judiciária;
1 gabinete — inspector-chefe;

100 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


1 sala multi-usos — gabinete Eurojust e sala de reuniões.
8º Piso
Mau grado neste piso também serem visíveis as situações de obra inacabada, encontram-se aqui instalados:
2 gabinetes de magistrados — procurador da República;
1 sala, onde estão instalados peritos afectos a investigações em curso no departamento;
1 sala de reuniões, inacabada, faltando colocação de vidros, situação que impede o seu isolamento,
onde foi instalado o circuito de videoconferência;
1 gabinete da assessora da direcção;
1 gabinete onde está instalado um perito;
1 gabinete onde estão instalados três bolseiros, no âmbito da parceria DCIAP/CIES-ISCTE.

Salienta-se que, cada vez mais, as investigações em curso, essencialmente de natureza económico-financeira,
intrinsecamente complexas, impõem a nomeação de especialistas e peritos o que, paulatinamente, tem
levado a que sejam ocupadas instalações inacabadas como única forma de fazer face às pertinentes
necessidades.
Ocupa ainda o DCIAP 4 pisos na cave, cujos espaços se destinam a estacionamento, designadamente
nos 1º, 2º e parte do 3º pisos. No 3º piso encontra-se também um espaço delimitado, fechado, seguro,
destinado a arquivo e guarda de documentação, objectos e valores apreendidos.
O 4º piso, na cave, vem sendo ocupado com materiais de obras e arrumação, designadamente de

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mobiliário que não está a ser utilizado ou se encontra desactivado, a que urge dar destino, porquanto
com o número de peritos e de OPC´s chamados frequentemente para operações processuais, verifica-se
uma complicada falta de espaço para estacionamento de veículos e para arquivo morto do departamento.

6.3. Objectivos imediatos

Por todo o exposto, ponderando:


As tripartidas competências do DCIAP: coordenação, direcção da investigação e prevenção, relativa
à criminalidade violenta, altamente organizada ou de especial complexidade;
A natureza do departamento, decorrente destas competências, o que implica que, por razões óbvias
de segurança, deveria o mesmo estar instalado em espaço exclusivo, não partilhado com outros
serviços de natureza distinta;
A consequente necessidade de que os serviços internos estejam instalados por forma a salvaguardar
a respectiva articulação funcional e, consequentemente, melhores e maiores níveis de eficácia;
A necessidade de que a instalação da direcção do DCIAP ocupe espaços que salvaguardam o recato
necessário ao exercício das inerentes funções;
A necessidade que decorre da definição do modelo organizacional e funcional inerente à implementação
da função de coordenação, consubstanciada na exigência de que a instalação dos respectivos serviços
— recursos humanos e meios materiais — ocorra em local apropriado, reservado, onde a respectiva
actividade, alicerçada no tratamento, análise e difusão de informação, extremamente sensível, seja

101
possível em espaços que permitam real articulação funcional, tal como já aprofundadamente
identificado e praticado noutros departamentos da mesma natureza da União Europeia;
A complexidade e o volume dos inquéritos em curso no departamento, circunstancialismo que
implica que os procuradores da República titulares sejam assessorados por outros colegas adjuntos,
bem como coadjuvados por especialistas e peritos, bem como por elementos de OPC´s pontualmente
colocados no departamento;
A absoluta falta de condições de trabalho, conforme descrito, dos funcionários de justiça que
desempenham funções na secretaria;
A necessidade do departamento dispor de espaços para interrogatórios, inquirições, consulta de
processos, reuniões, apresentações, etc., próprios de um departamento com esta natureza.

A decisão de proceder à instalação de parte da biblioteca da PGR neste edifício, iniciada em 2006,
compromete a necessária boa instalação dos serviços e a imprescindível articulação funcional.

Mas, mais do que isso, a instalação de serviços da biblioteca neste edifício, onde simultaneamente
funciona o departamento, para além de comprometer a qualidade da instalação dos magistrados,
funcionários e OPC’s, impõe ainda maiores cautelas no que se refere ao controlo do edifício, sendo
difícil de conciliar os diferentes tipos de serviços com as exigências de funcionamento do único
departamento directamente dependente da Procuradoria-Geral da República, ao qual o legislador atribuiu
as referidas competências de luta contra a criminalidade violenta, altamente organizada ou de especial
complexidade, não sendo difícil equacionar a hipótese de pessoas estranhas ao serviço aparecerem nas
instalações do departamento não se sabendo com que intenção. A segurança é fundamental num
Departamento Central de Investigação e Acção Penal

departamento com as características e funções do DCIAP.

Consideradas estas particulares circunstâncias, desfasadas das exigências atinentes às competências do


departamento, urge adequar realmente os espaços indicados para o DCIAP, por forma a garantir efectiva
operacionalidade.

Consciente desta realidade, o Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Justiça aceitou ponderar uma
solução para os problemas supra expostos, qual seja a mudança do DCIAP para instalações próprias e
exclusivas, estando a decorrer diligências no sentido de ultrapassar as preocupações e dificuldades do
DCIAP, em matéria de espaços e de segurança.

6.4. Recursos humanos

Magistrados, Funcionários de Justiça e elementos pertencentes aos quadros de pessoal de Órgãos


de Polícia Criminal

Durante o ano de 2008 aumentou para 12 o número de procuradores da República a desempenharem


funções no DCIAP, e 4 procuradores-adjuntos a assessorá-los nos processos mais complexos e sensíveis.

No que respeita a funcionários judiciais, é de 14 o número de técnicos colocados no departamento,


com o registo de que, entre eles, se encontram funcionários destacados para os processos “Furacão”e
“Noite do Porto”, a técnica principal e um funcionário que se ocupa, exclusivamente, da informática da
Procuradoria-Geral da República.

102 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


De acordo com a citada Portaria nº 328/2006, de 6 de Abril, o DCIAP é coadjuvado por elementos
pertencentes aos quadros de órgãos de polícia criminal, em regime de comissão de serviço, requisição
ou destacamento, sem delimitação de número, o que significa que o número de elementos a colocar
dependerá das necessidades do serviço, naturalmente identificadas com base na implementação e execução
das competências do departamento, bem como da capacidade orçamental da PGR.
Directamente constituídas por elementos provindos dos OPC´s, dispõe o DCIAP de uma unidade de
tratamento de informação criminal e de uma unidade de apoio, ambas constituídas por elementos
policiais.
Esta unidade de apoio directo à investigação e prevenção criminais é composta, actualmente, apenas por
2 elementos da PSP, o que vem acontecendo desde 2005, e agora por mais 2 elementos da GNR.
Mediante oportuno despacho do Ministro da Administração Interna, considerada a circunstância do
departamento trabalhar com todos os tribunais do país, mantém-se o protocolo estabelecido entre a
Procuradoria-Geral da República, a Direcção Nacional da PSP e o Comando-Geral da GNR.
Consequentemente, aqui exercem funções de motorista um agente da PSP e dois militares da GNR,
cujos veículos foram disponibilizados pelas respectivas corporações. Desempenha ainda funções um
elemento de segurança e motorista, disponibilizado pela PJ para serviço da direcção.
Considerando-se todo o descrito enquadramento, relativamente ao volume e exigências do trabalho
desenvolvido e a desenvolver pelo DCIAP, importará também, urgentemente, redimensionar o número
dos elementos dos vários órgãos de polícia criminal que aqui desempenham funções.
Saliente-se, a este propósito, as particulares exigências no que se refere à execução da função da coordenação

Departamento Central de Investigação e Acção Penal


que, sendo nacional e com implicações de nível comunitário e internacional, impõe que os respectivos
recursos humanos sejam em número adequado e com formação e conhecimentos específicos na área do
tratamento, análise e difusão da informação, por forma a que seja preenchido todo o conteúdo desta
competência do DCIAP.
Perante a redução de elementos provindos dos OPC´s, na sequência de insistentes diligências
desenvolvidas durante o ano de 2005, foram, em 2006, designados para o DCIAP, em substituição de
outros que cessaram funções, 3 elementos provindos do quadro único da PJ.

6.5. Recursos materiais e técnicos

Em 2008 continuaram a ser identificadas carências de natureza material e técnica, designadamente no


que se refere ao reforço de magistrados, funcionários e fundamentalmente elementos dos OPC’, à
formação de quadros e ao alargamento e substituição de equipamento informático, de hardware e
sotfware, concretamente no que respeita a acessos à base de dados centrais.
O departamento teve ao seu dispor, durante o ano de 2008, 7 viaturas:
— 1 pertença da PSP, com elevada quilometragem, em muito mau estado;
— 2 da GNR, com muita quilometragem, sempre a necessitarem de reparações;
— 2 dispensadas pelo Ministério da Justiça, também com elevada quilometragem;
— 2 da Procuradoria-Geral da República, em bom estado.

103
6.6. Funcionamento do DCIAP

I. COLABORAÇÃO COM OUTRAS ENTIDADES

Tendo sido atribuído, à Procuradoria-Geral da República, PIDDAC a executar em 2008, com o objectivo
de preparar a elaboração de estudo sobre o fenómeno da corrupção, pelo DCIAP em parceria com o
CIES/ISCTE, continuou-se em 2008 a proceder à recolha de elementos relativos à criminalidade
participada.
Continuou o departamento a colaborar directamente como o Centro de Estudos Judiciários, participando
em acções de formação.

II. COORDENAÇÃO DA INFORMAÇÃO PROCESSUAL

Considerada como estruturante para a área penal, sendo transversal às demais competências do
departamento e aos serviços do Ministério Público que a nível nacional intervêm nesta matéria,
renovaram-se os esforços em 2008 no sentido do desenvolvimento da competência da coordenação.
Sedimentou-se o trabalho possível de análise de informação, respectiva estruturação e difusão pelos
diversos serviços do Ministério Público e também internamente, dando-se prioridade à comunicação
de situações identificadas como redundantes e ou de sobreposição de investigações.
Este trabalho foi fundamentalmente desenvolvido a partir da informação processual transmitida ao
DCIAP e posteriormente trabalhada em sede de coordenação e integrada no seu sistema central,
informação que é transmitida no quadro das circulares n.os 11/99, de 3 de Novembro, e 6/2002, de 21
Departamento Central de Investigação e Acção Penal

de Outubro, a que se junta a informação importada directamente dos sistemas Habilus e SGI, ocorrendo
frequentes solicitações complementares por parte da coordenação do DCIAP junto dos diversos serviços
do Ministério Público.
Salienta-se que, sempre com o objectivo de centralizar e integrar a informação processual, os dossier´s
que, por ora, fisicamente espelham o exercício da coordenação, acompanham os respectivos processos
até ao trânsito em julgado das decisões finais e, quando identificado como necessário, a execução da
pena imposta.
Passaram a ser individualmente tratadas as “fichas de coordenação” a que alude aquela circular nº 11/99,
relativamente a todos os tipos de criminalidade, com excepção dos crimes relacionados com a contrafacção
de moeda, por absoluta carência de recursos humanos.
O exercício da competência da coordenação implica aprendizagem e ajustamentos funcionais constantes.
Atenta a sua intrínseca natureza e ponderados os escassos meios disponíveis, identificam-se necessidades
urgentes tais como:
a) a coordenação enquadrar-se internamente num modelo organizacional e funcional dinâmico que
lhe permita permanente capacidade de interacção com todos os serviços do Ministério Público,
bem como com as instâncias de cooperação europeia e internacionais;
b) a coordenação ter efectiva valência pro-activa.

Estas exigências impõem melhorias sistémicas, designadamente ao nível do tratamento, registo, análise
e difusão da informação, por forma a que a resposta às necessidades da coordenação da criminalidade

104 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


violenta, altamente organizada ou de especial complexidade, a nível nacional e internacional, seja
efectivamente eficaz. A adequação desta necessidade imprescindível identifica-se, cada vez mais, com a
necessidade de serem criadas no sistema citius/habilus as necessárias valências, designadamente a introdução
de um módulo de coordenação, a desenvolver directamente com os magistrados e funcionários que
trabalham nesta específica área, substituindo-se assim muito do trabalho que actualmente é desenvolvido
com introdução manual de dados, o que implica redobrados esforços e não permite os resultados
desejáveis.
A adequação do serviço à função da coordenação e o seu desenvolvimento sustentado e eficaz exige
ainda que, com urgência, se proceda:
a) Ao aumento de meios humanos, já que durante o ano de 2008 continuaram afectos a esta área
unicamente um magistrado e um elemento da Polícia Judiciária;
b) Ao aumento dos pertinentes espaços físicos;
c) Ao sério investimento no desenvolvimento da cultura de partilha da informação, o que, por seu
turno, exige igualmente:

• Acções de divulgação, sensibilização e formação a levar a cabo junto de todos os serviços do


Ministério Público, por forma a que os mesmos serviços procedam, correcta e integralmente, ao
registo da informação nos sistemas Citius/Habilus;
• A melhoria dos níveis de cumprimento do artigo 2º, nº 2, da Lei nº 36/94, de 29 de Setembro,
que regula o controlo das averiguações preventivas por parte do Ministério Público o que, em

Departamento Central de Investigação e Acção Penal


consonância com a centralização no DCIAP da demais informação desta área, permitirá a
identificação de situações de sobreposição entre AP´s, AP´s e Inquéritos, bem como a identificação
de correspondências entre registos efectuados no Ministério Público e na PJ, para além da
salvaguarda dos direitos fundamentais;
• A definição e implementação do modelo de transmissão de informação relativa a intercepções
de comunicações, que permita ao DCIAP, em tempo real ou útil, detectar situações de sobreposição,
com imediato alerta aos titulares das investigações em causa;
• Seja assegurado ao departamento, o acesso a informação relativa a mandados de detenção emitidos
e ou cumpridos, aplicação da medida de coacção de prisão preventiva, mandados de busca e
apreensão; e, ainda, a bases de dados de organismos e instituições públicas, imprescindíveis ao
exercício da coordenação, designadamente ao sistema integrado de informação criminal (SIIC)
da PJ e, através do SPO (sistema de pesquisas on line) da PJ, ao registo nacional de viaturas
furtadas e ao registo nacional de armas de fogo, da PSP.

d) Ao desenvolvimento de uma estratégia operacional, no quadro de investigações em curso, junto


dos diversos serviços do Ministério Público; e
e) À realização de acções de formação, designadamente ao nível informático, dos funcionários.

Mau grado o conjunto de carências sentidas durante o ano de 2008, que obstou a que ao “salto
qualitativo”, em termos de conteúdos desta competência do DCIAP, a função da coordenação implicou
a movimentação constante do mapa anexo.

105
III. DIRECÇÃO DA INVESTIGAÇÃO

A competência para a direcção da investigação e exercício da acção penal no que se refere à criminalidade
violenta, altamente organizada ou de especial complexidade, define-se a partir dos respectivos contornos
transdistritais ou por decisão do Procurador-Geral da República, reunidos que sejam os requisitos da
alínea b) do n.º 3 do citado artigo 47º do Estatuto do Ministério Público.
Considerando-se as características e o número de processos remetidos ao departamento, conforme mapa
anexo, sublinha-se a necessidade de, cada vez mais, se imporem critérios restritos de aplicação da norma, com
cabal observância do conteúdo da circular n.º 10/99, de 16 de Julho, da Procuradoria-Geral da República.
O movimento do DCIAP, no ano de 2008, teve a expressão constante dos mapas anexos que aqui se
dão por reproduzidos. Saliente-se que foram registados 225 novos inquéritos, de grande complexidade
e dimensão, que demandaram, na sua maioria, a realização de morosas perícias ou a coadjuvação
especializada do NAT ou da Direcção-Geral dos Impostos.
Para fazer face às correlações e complexidade das referidas investigações e dedução das respectivas acusações,
foi utilizado o mecanismo de nomeação de equipas de, pelo menos, dois magistrados, com óptimos
resultados, não só pela discussão alargada das questões jurídicas subjacentes, mas também pela criação
de um espírito de corpo e de “departamentalização” por parte dos magistrados aqui em funções, relegando
para plano marginal a “personalização” do magistrado titular.
No que tange aos tipos de crime, predominaram os ilícitos relativos a infracções económico-financeiras
— tendo como objecto actividade criminosa de responsáveis de instituições bancárias e financeiras,
Departamento Central de Investigação e Acção Penal

burla, fraude fiscal, fraude na obtenção ou desvio de subsídio, subvenção ou crédito, contrabando,
branqueamento de capital, corrupção, contrafacção de moeda e passagem de moeda falsa —, tráfico de
estupefacientes e crimes de associação criminosa.
Desde o ano de 2004 foram até agora enviadas 363 cartas rogatórias às quais se obteve resposta em 111;
não há resposta atempada, demorando 2/3 anos, em média, a satisfação dos pedidos. Foram recebidas
156, tendo sido cumpridas e devolvidas 124.
Em 2008 foram registadas 47 cartas rogatórias que se juntaram a 22 vindas do ano anterior. Foram
concluídas 32 e ficaram pendentes 37.

IV. PREVENÇÃO — BRANQUEAMENTO DE CAPITAIS

Foram recebidas 906 comunicações relativas a operações financeiras suspeitas ou envolvendo numerário
em montante superior a 12.500,00 €, que deram origem a outros tantos PA´s.
Verifica-se, pois, uma redução das comunicações efectuadas na ordem dos 15%, situação algo estranha
se se atender à evolução da criminalidade económico-financeira nos últimos anos.
A percentagem baixa de PA´s que dão origem a suspensão de operações, cerca de 2%, é em grande parte
devida à oportunidade com que são feitas as comunicações, uma vez que, na maior parte dos casos, são
reportadas operações pretéritas e já consumadas, não existindo nas contas os montantes de origem
suspeita que se limitaram a transitar pelas mesmas. Tal procedimento poderá ser invertido com uma
maior sensibilização das entidades financeiras.

106 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


V. UNIDADE DE ANÁLISE E INFORMAÇÃO

Constituída em 2002 com sete elementos da Polícia Judiciária colocados no departamento em comissão
de serviço, esta unidade tem vindo a perder, ao longo do tempo, uma parte significativa da sua
composição, sendo hoje constituída apenas por quatro agentes, o que representa cerca de 57% dos
efectivos iniciais.
As limitações em termos de recursos humanos, bem como as sucessivas anomalias que se verificam com
os sistemas informáticos utilizados na unidade, inviabilizam a execução de um trabalho com maior
qualidade e minuciosidade. As solicitações recebidas são cada vez em maior número e diversificadas,
pretendendo-se agora, inclusivamente, proporcionar respostas a organizações internacionais — GAFI e
GRECO, entre outras — com valores estatísticos quando, a montante, a informação necessária não se
encontra convenientemente disponível.
De facto, os problemas verificados não se restringem à manutenção e preservação da base de dados
existente, já que em finais de 2008 ela comportava cerca de 14,7 milhões de registos, mas, também, às
evidentes dificuldades que se verificam no acesso às bases de dados que, em parte, alimentam aquela e
que ultimamente, por razões várias, não dão a resposta necessária para que se obtenham dados fiáveis,
imprescindíveis para a eficácia da unidade em termos de coadjuvação nas funções de coordenação,
prevenção e direcção do inquérito.
Por outro lado, a necessidade de efectuar uma maior quantidade de inserções de dados de forma manual,
fruto não só do aumento do número de documentos e peças processuais que requerem tratamento, mas
ainda da elevada minúcia exigida, não se compadece com a redução de efectivos que se tem verificado,

Departamento Central de Investigação e Acção Penal


pelo que se torna urgente reforçar a unidade com funcionários, não necessariamente oriundos de órgãos
de polícia criminal, embora tal fosse desejável, para proceder ao tratamento e inserção, na base de dados
disponível, dos dados que têm de ser trabalhados.
A unidade tem coadjuvado directamente os magistrados titulares, procedendo à análise operacional dos
processos de grande complexidade e elaborando quadros gráficos de correlações entre inquéritos e
arguidos. A informação é complementada através do tratamento, que se tenta garantir, de despachos
finais proferidos em inquéritos e de decisões judiciais.
No decurso de 2008 foram recebidas comunicações que deram origem a 906 processos administrativos
e a informação que daí resultou foi devidamente tratada, por forma a salvaguardar futuras conexões.
Por outro lado, tem sido feito um esforço significativo no sentido de se recuperarem situações atrasadas
que, por manifesta falta de meios humanos, não haviam sido tratadas minuciosamente.
No que concerne ao conteúdo da informação centralizada no sistema do DCIAP, tendo em conta que
em 2008 não foram melhorados os níveis da informação remetida ao departamento, urge incidir neste
aspecto e potenciar a importação automática de dados, garantindo a sua quantidade e qualidade.
Com efeito, o interface ibase permite à unidade preencher as solicitações da coadjuvação, resultando
aquele sistema do aproveitamento das bases constantes dos sistemas SGI e Habilus.
Para além de se tratar de um sistema que exige aperfeiçoamento constante, urge aperfeiçoar a forma
como os dados são registados na origem, bem como estabelecer regras uniformes e de cumprimento
obrigatório, a fim de rentabilizar o sistema ibase.

107
Foram realizadas duas acções de formação: uma em colaboração com a DGI, sobre o crime tributário,
e outra sobre corrupção com o apoio do ISCTE.
Na área da prevenção, o número de processos administrativos registados, aumentou de 167 em 2004,
para 567 em 2005, 801 em 2006, 1.067 em 2007, tendo diminuído, em 2008, para 906.
Na vertente da direcção da investigação tem-se verificado um acréscimo do número de inquéritos que
são tratados manualmente na unidade. Situação análoga se verifica no que concerne ao tratamento da
informação decorrente de averiguações preventivas.
Esta realidade impõe adequação de meios humanos, com recrutamento de elementos com formação na
área do tratamento e registo da informação, permitindo potenciar-se a análise operacional fundamental
à melhoria dos níveis de desempenho do DCIAP.

6.7. Conclusão

O DCIAP, que cumprirá 10 anos de existência a 15 de Setembro de 2009, é o departamento da


Procuradoria-Geral da República para o qual são remetidos os processos previstos nos artigos 46º e 47º
do EMP, competindo-lhe a realização de inquéritos ou averiguações preventivas consideradas mais
sensíveis ou em que importe realização de uma investigação conjunta e articulada, mesmo quando não
se verificar a transdistritalidade dos actos criminosos.
O DCIAP foi criado com a visão de futuro do legislador e tem sido muito visitado por delegações
estrangeiras, que pretendem levar o modelo para os respectivos países como uma forma adequada de
Departamento Central de Investigação e Acção Penal

combater o crime complexo, violento ou organizado.


Impõe-se, porém, para pleno cumprimento das suas funções, a colocação em destacamento de pelo
menos mais dois procuradores-adjuntos que, assessorando a investigação, o possam fazer também no
julgamento, apoiando o magistrado na sua função de manter a acusação nesta fase. É o que tem
acontecido, mas excepcionalmente, porque falta esse reforço de procuradores-adjuntos suficientes à
satisfação desta tarefa.
Tal colaboração aconteceu no caso da instrução e julgamento do presidente do clube de futebol de
Guimarães, no processo de fraude fiscal qualificada que decorreu em Vila Real e, com a presença pessoal
e realização de uma outra diligência complementar à prova em julgamento, no processo de Isaltino
Morais em Oeiras.
Insiste-se, por isso, no reforço de dois procuradores-adjuntos para assessorar os procuradores do DCIAP
e levar a cabo a devida ligação e articulação na fase de julgamento.

6.8. Mapas estatísticos

Ver quadros anexos.

6.9. Objectivos para 2009

Por todo o exposto, apresentam-se como objectivos prioritários para o ano de 2009:

108 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


a) Proceder à efectiva reinstalação, integrada e funcional, de todos os serviços e valências do DCIAP,
através de adequado redimensionamento dos espaços do edifício da Rua Alexandre Herculano afectos
agora ao departamento, o que implica o termo das obras paradas há anos e a melhoria da rede
interna de comunicações;
b) Desenvolvimento da implementação da competência da coordenação, como função prioritária
do DCIAP, nas suas vertentes interna e externa, com efectiva definição da sua estrutura organizacional
e funcional;
c) Reforço da recolha sistemática da informação inerente à criminalidade a que se reportam os
artigos 46º, nº. 1, e 47º, nº. 1, ambos do EMP, com definição de rigorosos critérios de registo e
transmissão dos pertinentes dados, preparando-se simultaneamente proposta de alteração da circular
nº 11/99, de 3 de Novembro;
d) Redefinição do sistema de tratamento, registo e difusão da informação criminal, de natureza
processual, para efectivo suporte do exercício das competências do departamento;
e) Continuação dos estudos sobre a natureza, o volume e as tendências da criminalidade,
designadamente no que respeita aos fenómenos sócio-jurídicos da corrupção, em parceria com o
CIES/ISCTE;
f ) Intensificação da função de prevenção;
g) Reforço da unidade de apoio à investigação;
h) Promoção da definição do quadro institucional subjacente à designação dos elementos pertencentes
aos quadros de pessoal de OPC’s que coadjuvam o DCIAP;

Departamento Central de Investigação e Acção Penal


i) Promoção de adequadas acções de formação, destinadas a magistrados, funcionários e elementos
dos OPC’s.

109
DEPARTAMENTO CENTRAL DE INVESTIGAÇÃO E ACÇÃO PENAL

1. Dossiers de Coordenação
Movimentados
Pendentes p/o ano
Distritos Vindos do Findos
Iniciados Total seguinte
ano anterior
LISBOA 476 180 656 150 506

PORTO 372 200 572 98 474

COIMBRA 106 101 207 34 173

ÉVORA 87 59 146 29 117

VÁRIOS 51 42 93 2 91

Totais 1092 582 1674 309 1265

2. Processos de averiguações preventivas

Movimentados Findos
Pendentes p/o ano
Departamento Central de Investigação e Acção Penal

Vindos do ano Convertidos seguinte


Iniciados Total Arquivados Total
anterior em inquérito

143 48 191 6 11 17 174

110 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


DEPARTAMENTO CENTRAL DE INVESTIGAÇÃO E ACÇÃO PENAL

1. Processos de Inquérito

Movimentados Findos
Pendentes p/o ano seguinte
Acusados
Suspensão
Vindos Arquivados
Trib. Singular provisória Outros + de 8 meses
do ano Entrados Total (Artº 277º 8 meses
Tribunal (Artº 281º motivos anos Total
anterior Total CPP) ou
colectivo Art.º 16º-3 Outros CPP) anterio- do ano pendentes
CPP menos
res

239 225 464 12 1 1 14 51 2 110 190 22 77 289

2. Processos em fase de Instrução


Movimentados Findos Pendentes p/o ano seguinte

Vindos do ano
Entrados Pronúncia Não Pronúncia
anterior
Instrução Instrução
Instrução Instrução Instrução Instrução Instrução Instrução Instrução Instrução Total requerida requerida Total
Total
requerida requerida requerida requerida requerida requerida requerida requerida findos pelo pelo pendentes
Total Total
pelo pelo pelo pelo pelo pelo pelo pelo arguido assistente
arguido assistente arguido assistente arguido assistente arguido assistente

Departamento Central de Investigação e Acção Penal


8 0 8 0 16 9 0 9 0 0 0 9 7 0 7

3. Recursos Penais
Interpostos Julgados

Mº Público recorrente Mº Público recorrido Providos a) Não providos b)

1 83 2 15

a) A favor do arguido
b) Interpostos pelo arguido

4. Cartas Rogatórias
Pendentes para o próximo
Vindas do ano anterior Entradas no ano Findas
ano
22 47 32 37

111
NÚCLEO DE ASSESSORIA TÉCNICA
7.

7.1. Instalações

O Núcleo de Assessoria Técnica destina-se, conforme previsto na Lei nº 1/97, de 16 de Janeiro, a


prestar assessoria e consultoria técnica, na área macro e micro económica, ao Ministério Público,
independentemente da natureza dos órgãos ou do seu escalão hierárquico.

7.2. Actividade desenvolvida

Durante o ano de 2008, à semelhança do que se vem observando em anos anteriores, a actividade
desenvolvida pelo NAT caracterizou-se por uma dispersão institucional e geográfica significativa, bem
como por um diversificado leque de intervenções.
Com efeito, os trabalhos realizados tiveram origem nos diversos pedidos de intervenção efectuados por
magistrados do Ministério Público junto das várias comarcas do Continente e Regiões Autónomas, do
Departamento Central de Investigação e Acção Penal, dos Departamentos de Investigação e Acção Penal
do Porto, Coimbra e Lisboa, bem como do Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa.
Esses trabalhos envolveram assessoria, nas suas múltiplas formas, passando pela consultoria técnica e a
elaboração de estudos e pareceres.
Abrangeram a análise de um vasto leque de situações ilícitas (abuso de confiança, insolvências dolosas,
burla, corrupção, fraude fiscal, branqueamento de capitais, infidelidade, administração danosa, violação
das regras de execução de orçamental etc.), abarcando, muitas das vezes, dezenas de entidades e uma
elevada complexidade de investigação.
Durante o ano de 2008, os recursos humanos afectos ao NAT foram alterados no final de Janeiro com
o início de funções de 1 especialista, passando a 8 o total de especialistas, incluindo a coordenadora,
apoiados por duas funcionárias judiciais, sendo que, no período de 26 de Fevereiro a 3 de Setembro, foi
apenas assegurado por uma das funcionárias.
Como vem sendo salientado em relatórios de actividade anteriores, o limitado corpo de especialistas
constitui o principal factor de constrangimento à expansão da sua actividade, situação que não tem sido
possível corrigir dadas as dificuldades em recrutar técnicos com o perfil exigido para o exercício de
funções prestadas por este Núcleo.
Com efeito, a dificuldade em reunir, num mesmo candidato, experiência relevante nas áreas de auditoria,
polivalência de conhecimentos técnicos e disponibilidade total para assumir o ónus da função, associada
à incapacidade demonstrada pelo actual estatuto em atrair profissionais externos à Administração Pública
e os crescentes obstáculos colocados pelos serviços de origem à disponibilização de funcionários públicos,
fizeram realçar, mais uma vez, a importância da revisão do actual estatuto do NAT, com especial destaque
para o sistema de recrutamento de especialistas.

113
A apresentação dos dados respeitantes à actividade desenvolvida pelo NAT durante 2008 deve ser
precedida de uma chamada de atenção no sentido de se ponderarem os seguintes aspectos:
a) a não contabilização dos pedidos e das consultas esporádicas que pressupõem uma intervenção
rápida e circunscrita;
b) a frequente constatação de que muitos dos inquéritos para os quais se solicitou a intervenção do
NAT não contêm ainda os elementos mínimos necessários à análise e emissão de parecer, o que
determina que os mesmos permaneçam em situação de “pendentes”, enquanto se aguarda a junção
de mais informação, situação que, nalguns casos, chega a arrastar-se por períodos superiores a um
ano (caso típico dos pedidos de cheques a instituições bancárias);
c) assumindo a intervenção do NAT, no quadro processual, um carácter continuado (pode ser
solicitada em qualquer fase e em qualquer momento, bastando, para tal, que o magistrado a julgue
necessária), só em situações muito concretas, ou quando o magistrado titular comunica o despacho
de arquivamento, se pode dar um processo por concluído.

Para além disso o volume das actividades deve ser ponderado em função da complexidade inerente aos
processos de inquérito da criminalidade económica e financeira, o que impõe, quase sempre, a análise
de uma quantidade significativa de documentos e a articulação entre numerosas entidades e pessoas.
Porém, são de reter os seguintes dados quantitativos relativos à intervenção do NAT durante o ano de
2008:
Foram 123 os pedidos de intervenção acompanhados pelo Núcleo de Assessoria Técnica, dos quais 82
transitaram de anos anteriores e 41 deram entrada durante o ano. Desses pedidos de intervenção 59
foram concluídos.
Face ao número de inquéritos em que o NAT esteve envolvido durante 2008 (123) e tendo em atenção
a entrada de 1 especialista, em meados de Janeiro, aumentando assim para 8 (incluindo a coordenadora)
o quadro de especialistas afectos, constata-se que cada um, em média, teve intervenção simultânea em
mais de 17 inquéritos, envolvendo esse acompanhamento múltiplas funções. Tal situação deveu-se ao
facto de dois dos especialistas terem ficado afectos apenas a um dos inquéritos em análise neste Núcleo,
no período de Janeiro a Outubro, face à sua enorme complexidade (inquérito com arguidos presos) e
aos milhares de documentos envolvidos.
Núcleo de Assessoria Técnica

Dos inquéritos concluídos em 2008, verifica-se, comparando, em abstracto, o número de inquéritos


entrados com o de inquéritos concluídos que este último indicador corresponde a 143,9%, o que
significa que, apesar da escassez de meios, houve uma recuperação de processos transitados de anos
anteriores.
Tendo em conta o ano de entrada do processo no NAT, verifica-se que:
a) dos inquéritos entrados em 2001 e já concluídos foi reaberto e concluído 1;
b) dos 46 inquéritos entrados em 2003, transitaram 2 para o ano de 2009;
c) dos 77 inquéritos entrados em 2004, transitaram 2 para o ano de 2009;
d) dos 34 inquéritos entrados em 2005, transitaram 6 para o ano de 2009;
e) dos 40 inquéritos entrados em 2006, transitaram 9 para o ano de 2009 (durante o ano de 2008
foram reabertos 2 inquéritos);

114 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


f ) dos 38 inquéritos entrados em 2007, transitaram 26 para o ano de 2009;
g) dos 41 inquéritos entrados em 2008 concluíram-se 12.

Para a resolução dos 59 inquéritos concluídos em 2008, contou-se, quase exclusivamente (em 89,8%
dos casos — 53 inquéritos) com as análises realizadas pelos especialistas do NAT, sendo que em 6
inquéritos se recorreu, em paralelo, a trabalho de peritos oficiais (4) e de perito não oficial (2).
Quanto ao leque de crimes indiciados nos pedidos dirigidos ao NAT e concluídos durante o ano de 2008,
destacam-se, por ordem decrescente e em termos quantitativos: os abusos de confiança, as insolvências
dolosas, a fraude fiscal, a corrupção, as burlas, a infidelidade e a participação económica em negócio.
Embora com menor expressão numérica, segue-se uma série de outros crimes, tais como branqueamento
de capitais, peculato, violação das regras de execução orçamental e outros, para além da intervenção em
acções cíveis os quais, contudo, envolvem um elevado esforço de recursos humanos.
Os trabalhos de assessoria e consultoria técnica desenvolvidos pelos especialistas do NAT compreenderam,
ainda, a intermediação ao nível pericial desenvolvido em 11 inquéritos, 5 dos quais ainda em curso.
Neste âmbito procedeu-se à definição do perfil mais adequado dos peritos, diligenciou-se junto das
entidades públicas com vista à sua disponibilização e acompanhou-se ainda a realização de buscas e
perícias, auxiliando os magistrados na colocação dos quesitos, sugerindo metodologias, apreciando
relatórios, esclarecendo dúvidas e propondo diligências complementares.
A participação e intervenção nas várias buscas e apreensões realizadas caracterizou-se pela selecção do
material a recolher em cada caso, evitando buscas “cegas” e procurando conferir eficácia acrescida ao
trabalho pericial a desenvolver posteriormente.
São, ainda, de salientar outros aspectos, tais como a realização de análises contabilísticas, financeiras e/
ou outras com a finalidade de circunscrever fases posteriores do trabalho de investigação, em particular
o pericial.
A participação de especialistas do NAT em acções de formação, na qualidade de formandos, foi
fortemente condicionada pelo ritmo de trabalho imposto devido ao enorme volume de solicitações, ao
reduzido número de especialistas, bem como ao enorme volume e complexidade da documentação a
analisar, limitando-se às seguintes iniciativas: “Criminalidade Informática”, seminário promovido pelo
CEJ; “Práticas de Gestão de Recursos Humanos” seminário promovido pelo STE; e “Criminalidade
Tributária”, seminário promovido pelo DCIAP e CIES (ISCTE); Núcleo de Assessoria Técnica
7.3. Recursos humanos

O NAT contou, durante o ano de 2008, com 7 especialistas até 28 de Janeiro, altura a partir da qual
passaram a 8.
Nos termos da Lei nº 1/97, de 16 de Janeiro, o número de especialistas do NAT é fixado anualmente
por portaria dos Ministros das Finanças, da Justiça e Adjunto, sob proposta do Procurador-Geral da
República.
Face à dimensão e natureza das intervenções do NAT foi, superiormente, considerado necessário, em
1999, alargar para dez o número de especialistas. No entanto, dadas as dificuldades de recrutamento
ainda não foi possível preencher a totalidade desses lugares.

115
O não preenchimento dos lugares desde 1999 deve-se a vários factores, dos quais se destacam três como
os mais importantes: os inúmeros obstáculos colocados pelos dirigentes dos serviços públicos que
impedem as requisições dos seus funcionários para o NAT; as insuficiências do Estatuto de Especialista
do NAT e as dificuldades orçamentais da Procuradoria-Geral da República.
Tal como já se referiu, uma das maiores dificuldades com que o NAT se depara consiste no recrutamento
de técnicos com o perfil exigido pelas características da intervenção do Núcleo — refira-se que todos os
especialistas possuem formação científica nas áreas de intervenção do Núcleo e são detentores de uma
experiência profissional polivalente, que varia entre os 11 e os 26 anos, granjeada no exercício de funções
de inspecção e auditoria no quadro dos seus serviços de origem — das quais fazem parte a obrigatoriedade
de disponibilidade permanente, a urgência exigida na resposta, a necessidade de efectuar frequentes
deslocações por todo o País e a intervenção, por vezes, em condições de risco e perigosidade.
No entanto, apesar da evidente escassez de recursos humanos, o NAT procurou que o ritmo de resposta
às inúmeras solicitações do Ministério Público não fosse prejudicado, o que só foi possível graças ao
aumento da pressão de trabalho, agravando ainda mais o elevado ónus da função, e não permitindo que
os especialistas disponham do tempo mínimo para a prossecução de um plano de formação consistente
e absolutamente indispensável para o cabal desempenho das funções que lhes foram atribuídas.
O apoio técnico — administrativo à actividade do NAT esteve a cargo de uma técnica de justiça adjunta,
requisitada ao DIAP de Lisboa e de uma escrivã-adjunta, requisitada ao Tribunal de Execução de Penas
de Lisboa, a qual entrou de baixa a partir de 25 de Fevereiro, por motivos de saúde, tendo cessado
funções no Núcleo em finais do mês de Junho, altura em que foi diligenciado pela sua substituição, o
que só veio a ocorrer no dia 3 de Setembro, data da tomada de posse da técnica de justiça adjunta pelo
que, durante a maior parte do ano, todo o serviço foi assegurado apenas por uma das funcionárias
requisitadas.

7.4. Recursos materiais e financeiros

No que diz respeito aos recursos materiais, foram sendo resolvidas as necessidades mais urgentes
(equipamento informático e material de escritório), encontrando-se satisfeitas a um nível que se pode
considerar minimamente satisfatório, tendo em conta que dos 9 computadores portáteis anteriormente
atribuídos e devolvidos para substituição, face à sua completa desactualização, apenas 6 foram
substituídos, continuando a aguardar-se pelos outros 3.
Núcleo de Assessoria Técnica

Idêntica situação se verifica relativamente aos 8 telemóveis de serviço, atribuídos em Abril de 2004,
tendo-se procedido à entrega de um deles na Secção de Economato da Procuradoria-Geral da República,
em Novembro de 2005, por ter sido pedido a título de empréstimo e de momento não se encontrar
atribuído face à saída de um especialista. No entanto, quando solicitado para atribuição a um novo
especialista, já não foi devolvido a este Núcleo, continuando assim a aguardar-se o seu envio.
No que toca aos meios financeiros, estes são providenciados pela Procuradoria-Geral da República, não
havendo factos dignos de registo.
Quanto aos meios materiais destaca-se a ausência de viaturas de serviço, o que obriga os especialistas a
efectuarem deslocações em carro próprio ou em transportes públicos, traduzindo-se num desperdício
de tempo com prejuízo evidente na análise dos processos pendentes.
Durante o ano de 2008 foram realizadas 125 deslocações por todo o País, nas quais se percorreram

116 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


27.637 Km, o que representou um custo global de cerca de 13.200 € em ajudas de custo e transportes
(sem englobar as deslocações efectuadas na Região de Lisboa, Porto, Aveiro e Estarreja).

7.5. Informações complementares

O crescente recurso ao NAT, por parte dos mais variados serviços do Ministério Público, afigura-se um
indicador claro de que o mesmo vem dando satisfação aos objectivos que presidiram à sua criação. Nos
últimos 5 anos o número de processos entrados atingiu os 231.
Não obstante as dificuldades no recrutamento de especialistas, as quais têm conduzido a um
preenchimento do quadro mais lento do que seria desejável, considera-se que o número de inquéritos
acompanhados, bem como os concluídos em 2008, são demonstrativos de um nível de desempenho
bastante satisfatório, tendo em conta a grande complexidade de alguns desses processos.
Contudo, saliente-se que o reforço da actual equipa de trabalho é absolutamente necessário, não só para
manter o nível de desempenho atingido, mas também para permitir o direccionamento do Núcleo para
outros tipos de intervenção junto do Ministério Público, até agora menos explorados, por falta de
meios humanos disponíveis.
A resolução dos constrangimentos na área do recrutamento de especialistas passa pela alteração do
actual estatuto do NAT, totalmente desajustado face à necessidade de desenvolvimento das actividades
de assessoria, permitindo que todos os magistrados do Ministério Público possam contar com técnicos
especialistas, designadamente na área da criminalidade económico-financeira.

Núcleo de Assessoria Técnica

117
GABINETE DE DOCUMENTAÇÃO
E DIREITO COMPARADO
8.

Confirmando a tendência verificada desde 2003, o Gabinete de Documentação e Direito Comparado


manteve um elevado nível de produtividade, registando 865 informações.
Apresentado o volume global do trabalho desenvolvido pelo gabinete e pelos funcionários que o
compõem, durante o ano de 2008, importa diferenciá-lo sector por sector, em ordem a melhor dar a
conhecer o labor que efectivamente se desenvolveu.
Antes, porém, cumpre assinalar que durante o ano de 2008 foi encetada uma política de gestão interna dos
serviços que, num futuro próximo, levará à fusão dos sectores que se mostram duplicados na Procuradoria-
-Geral da República e no Gabinete de Documentação e Direito Comparado (biblioteca, informática e
traduções), de molde a formar equipas únicas, geridas de forma uniforme e rentabilizando da melhor
forma a capacidade de resposta face à crescente procura interna e externa de apoio.
Assim, durante o ano de 2008 o sector biblioteca não registou já actividade autónoma, funcionando de
forma complementar e integrante da Procuradoria-Geral da República, nomeadamente para os sectores
especializados da cooperação internacional, do direito comparado e dos direitos humanos.
Aliás refira-se que a gestão dos dois sectores de biblioteca foi assegurado, durante o ano de 2008, pela
mesma técnica superior anteriormente responsável pela dependência do Gabinete de Documentação e
Direito Comparado.
A evolução do Gabinete de Documentação e Direito Comparado corresponde à produção das seguintes
informações: Em 2001 (871); em 2002 (524); em 2003 (587); em 2004 (676); em 2005 (750); em
2006 (802); em 2007 (934); e em 2008 (865).
No que se refere ao sector de traduções, composto por duas técnicas, uma das quais em regime de
avença, há que desde logo valorizar as valências alternativas iniciadas durante os anos anteriores e que
mereceram um continuado trabalho de formação durante o ano de 2008, através da frequência de
cursos em entidades especializadas nas respectivas áreas linguísticas. Realça-se a mais-valia demonstrada
na formação em língua espanhola, que permitiu que o sector de cooperação internacional da Procuradoria-
-Geral da República se mantivesse praticamente auto-suficiente, no que respeita à tradução de pedidos
de transferência de cidadãos portugueses detidos em Espanha e pudesse complementar valiosamente a
actividade das autoridades judiciárias, através da tradução urgente de mandados de detenção europeus a
executar em Espanha. Por seu lado, e ainda que com menor impacto, a competência de tradução em
língua neerlandesa tem permitido obter traduções de dimensões mais reduzidas sem recorrer a entidades
externas.
Coube a este sector tratar de 456 pedidos de tradução/retroversão, que lhe foram dirigidos, produzindo
um total de 2.849 páginas, da seguinte forma:
— retroversão da língua portuguesa para as línguas francesa, espanhola e inglesa dos pedidos de
auxílio judiciário mútuo entregues neste sector pela Cooperação Judiciária Internacional em Matéria
Penal, em particular, cartas rogatórias, pedidos de transferência e de extradição, mandados de detenção

119
europeu e internacional, execução de sentenças estrangeiras, procedimentos criminais, autos de
natureza diversa, legislação vária, entre outros;
— tradução das línguas francesa e inglesa (nem sempre se tratando de uma versão original) e da
língua espanhola para a língua portuguesa dos pedidos entregues neste sector pela cooperação judiciária
relativos ao mesmo tipo de peças processuais e documentação acima referidas;
— traduções de instrumentos internacionais com vista à sua posterior legalização pelo Conselho
Consultivo da Procuradoria-Geral da República (declarações e reservas formuladas às Convenções
das Nações Unidas, do Conselho da Europa e da UNESCO);
— apoio ao Agente do Governo Português junto do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem
(TEDH), assegurando a retroversão para a língua francesa das alegações;
— tradução para a língua portuguesa de acórdãos do TEDH para divulgação na página web do
Gabinete de Documentação e Direito Comparado;
— colaboração com os sectores de apoio jurídico do gabinete e da Procuradoria-Geral da República
na tradução/retroversão de documentação e também na pesquisa de terminologia no âmbito das
línguas estrangeiras;
— além da participação nas reuniões do grupo de trabalho que integra vários serviços do Ministério
da Justiça, o sector Jurislingue contribuiu com 2.000 conceitos e/ou expressões de natureza jurídica
que foram devidamente revistos e actualizados nas línguas portuguesa, francesa, inglesa e espanhola;
— execução de todas as tarefas administrativas, em particular o registo dos pedidos de tradução na
base de tradução e na base de informações que permite o controlo de todos os trabalhos efectuados
e a elaboração de gráficos e estatísticas;
Gabinete de Documentação e Direito Comparado

— manutenção do arquivo em suporte de papel e em suporte informático (backup).

Foi concluído o trabalho de tradução de instrumentos internacionais para oficialização pelo Conselho
Consultivo.
O sector do apoio jurídico tem uma vocação pluridisciplinar face aos demais sectores do gabinete, na
medida em que responde a todos os pedidos que não correspondam a uma área específica deste para
tratar do assunto que é solicitado. Com esta vocação abrangente, este sector presta informação jurídica
dentro dos estritos limites da competência atribuída ao gabinete nas mais variadas matérias, recolhe
documentação jurídica nacional e estrangeira que analisa, intervém como órgão de recepção e transmissão
na Convenção Europeia no domínio da informação sobre direito estrangeiro celebrada no quadro do
Conselho da Europa, responde aos mais variados questionários internacionais relativos a matérias jurídicas,
elabora pareceres relativos a convenções e acordos internacionais, etc.
No ano de 2008, o sector do apoio jurídico prestou 287 informações escritas em matéria jurídica, para
além de um sem número de outras respostas verbais em pedidos telefónicos que são respondidos de
imediato, porque recaem sobre matérias mais simples, ou em áreas cuja experiência dos técnicos no
atendimento assim o permite.
Destas respostas, sublinhamos que cerca de 195 destinaram-se a magistrados, colocados em tribunais,
incluindo os tribunais superiores e mesmo o tribunal de justiça das comunidades europeias, e as demais
82 foram prestadas a entidades muito diversificadas, públicas e privadas, desde o Ministério da Justiça
(incluindo entidades a ele afectas, nomeadamente o Gabinete de Relações Internacionais), ao Ministério

120 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


dos Negócios Estrangeiros ou outros Ministérios, à Presidência do Conselho de Ministros, a embaixadas
portuguesas no estrangeiro e embaixadas estrangeiras em Portugal, a juristas em geral (nomeadamente
notários, conservadores de registo civil, advogados) e a cidadãos em geral, como professores nas
universidades, estudantes etc.
De salientar ainda que dentro do universo das magistraturas, 104 pedidos foram provenientes da
magistratura do Ministério Público e 91 da magistratura judicial.
A natureza das informações prestadas incidiu sobre questões e matérias variadas, como a explicação da
regulação do poder paternal ou do regime de bens e sucessões no Reino Unido (Inglaterra); o regime e
aplicação da Convenção da Haia (nº 14) relativa à citação e notificação de um acto judiciário em
matéria civil e comercial; o regime sucessório português com vista a ser aplicado por um Tribunal
espanhol; aplicação dos regulamentos comunitários 1348/2000 e 1393/2007 para citação e notificação
em matéria civil e comercial; aplicação do regulamento comunitário Bruxelas II (1206/2001), por
exemplo à Córsega; regime e aplicação do regulamento comunitário 44/2001; esclarecimentos para
recolha de provas na averiguação de paternidade por tribunal português em Espanha; regime do poder
paternal na China; legislação de Cabo Verde relativa a normas de conflito, o estabelecimento da filiação
ou relativas a crianças em risco; figuras e disciplina do enriquecimento sem causa, da prestação de
serviços, dos subcontratos, da gestão de negócios e da responsabilidade civil para argumentação de
magistrado português junto do tribunal da comunidade europeia; regime de privilégios e imunidades
da OIM (Organização Internacional para Migrações) para aplicação por tribunal português; legalização
de actos públicos estrangeiros resultantes de acordos internacionais entre Portugal e o Gabão; estudo
comparado do regime legislativo existente em vários países que impõe a apresentação do registo criminal
para constituição de empresas; contribuição para o relatório português no âmbito do questionário
apresentado pela Comissão Europeia relativo ao futuro reconhecimento mútuo na união europeia;

Gabinete de Documentação e Direito Comparado


possibilidade de exumação de cadáver em Portugal por crime cometido em Macau; aplicação e prática
do acordo celebrado entre os estados-membros e a união europeia relativos à transmissão de processos
penais; regime jurídico do uso e porte de arma branca (faca Borboleta) em Oklahoma; previsão e punição
da pirataria marítima na legislação portuguesa; resposta a questionário sobre segredo de justiça em
Portugal solicitado pela Procuradoria-Geral da República; intervenção como perito do Conselho da
Europa em 2 seminários (na Ucrânia), respectivamente sobre extradição e auxílio judiciário mútuo e
apresentação das convenções sobre reconhecimento e execução de sentenças estrangeiras; aplicação das
disposições europeias e nacionais relativas ao mandado europeu; projecto de decisão quadro da união
europeia em matéria de julgamento na ausência; contributo para a participação da Procuradoria-Geral
da República na reunião da RJE realizada na Madeira por ocasião do aniversário dos 10 anos da sua
criação e contributo para a revisão da versão inglesa do código penal português, etc.
Foram ainda respondidos vários questionários internacionais, nomeadamente, no âmbito da união
europeia, como o relativo à harmonização de legislação sobre criminalidade organizada apresentado
pela organização Transcrime, o da EUROPOL relativo a segurança rodoviária e o da República Checa
relativo a conflitos de jurisdição; bem como no âmbito da Conferência da Haia, relativo à Convenção
Europeia sobre informação de direito estrangeiro; no âmbito do Conselho da Europa, relativo ao
PC-OC sobre a problemática da indemnização relacionada com a convenção da extradição; e ainda a
pedidos da iniciativa de entidades diversas como a Procuradoria-Geral da República de Itália ou a
embaixada do Japão.
Por último, mas de igual importância, destacamos, a actividade deste sector na resposta aos pedidos
apresentados ao gabinete enquanto órgão de recepção e transmissão português da Convenção para

121
informação de direito estrangeiro, na qual se verificou um aumento de 200% dos pedidos de informação
e aplicação da legislação portuguesa recebidos de tribunais estrangeiros (versando, por exemplo, questões
de sucessões, ou de capacidade e incapacidade de pessoas colectivas em falências, ou de violência
doméstica) e um aumento de 300% dos pedidos de informação e aplicação da legislação estrangeira
solicitados pelos nossos tribunais (versando sobre matérias de sucessões, de relações de sociedades de
grupo, ou de adopção).
São funções do sector de informática manter, permanentemente, a instalação de hardwares e softwares,
o apoio aos utilizadores, a formação quer interna quer externa, a análise de sistemas, o planeamento e
organização dos sistemas de informação, a definição de regras de privacidade e segurança dos sistemas
informáticos e da informação, o planeamento, instalação e manutenção de infra estruturas de rede,
fornecimento de informação necessária à aquisição ou locação de bens e serviços de informática,
manutenção de aplicações, definição de linguagens e metodologias de programação, administração de
redes de comunicação e internet, manutenção de infra estruturas tecnológicas de rede e internet, pesquisa,
com vista à actualização, de novos sistemas operativos, gestão de projectos informáticos, a administração
de sites e de correio electrónico.
Este sector funciona, ainda, em colaboração com o sector da operação, na alimentação das bases de
dados do Gabinete de Documentação e Direito Comparado, às quais corresponde a identificação e o
volume de ocupação nos servidores de bases de dados.
Assinale-se, durante o ano de 2008, a conclusão dos trabalhos de desenvolvimento de uma zona do site
do gabinete integralmente dedicada ao Mandado de Detenção Europeu.
O sector de direitos humanos repartiu a sua actividade entre uma dimensão internacional (Ministério
dos Negócios Estrangeiros, Estados estrangeiros, Nações Unidas, Conselho da Europa, União Europeia,
Gabinete de Documentação e Direito Comparado

OSCE) e uma dimensão nacional (apoio a magistrados, advogados, juristas, Administração Pública,
cidadãos em geral).
Para além de actividades genéricas no contexto da defesa e promoção dos direitos humanos, verificou-
-se uma intensa actividade no sentido de ser alcançada a aprovação do protocolo facultativo ao PIDESC
relativo ao mecanismo de queixas individuais no contexto deste instrumento de direito internacional e
a eleição de uma técnica do sector como relatora especial das Nações Unidas para o direito à àgua.
Para além disto, foi relevante a participação de uma técnica na 63ª sessão da AGNU em Nova Iorque,
nos domínios do combate ao racismo, da elaboração de relatórios em matéria de direitos humanos e da
aplicação das convenções internacionais das Nações Unidas.
Numa vertente mais orientada para a perspectiva interna, destacaram-se a continuação da participação
de um dos elementos deste sector no projecto jurislingue, a resposta pronta a exposições, a participação
de um dos elementos deste sector em trabalhos do Gabinete de Documentação e Direito Comparado
orientados para a informação e investigação do direito estrangeiro e comunitário e em acções de formação,
e, por fim, numa vertente mista o sector desenvolveu uma importante actividade no domínio da educação
para os direitos humanos.
No contexto da defesa e promoção dos direitos humanos, destacam-se aqui as informações nºs 05/08
de 08.01, CTA (grupos regionais da ONU), 359/08 de 19.05, RVT (resolução — direito a alimentos,
7ª sessão CDH), 238/08 de 14.04, RVT (participação na 7ª sessão CDH), 442/08 de 23.06, RVT
(participação na 8ª sessão do CDH), 360/08, de 19.05, RVT (OSCE-ODHIR — questionário dos

122 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


defensores dos DH), 371/08, de 21/05, RVT (reunião comité dimensão humana sobre tráfico de seres
humanos — Viena), 587/08, de 04/09, CTA (contributo sobre o mandato do P.I. no âmbito de direitos
culturais), 518/08, de 22/07, PMF (apreciação do projecto de resolução da APCE sobre a situação da
democracia em Portugal), 614/08, CTA, de 19/09 (conferência sobre os direitos para todas as pessoas
— convenção NU relativa a pessoas com deficiência), 781/08, de 27/11, PMF (questionário perita
independente sobre direitos humanos e extrema pobreza, designação como ponto focal nacional),
264/08, de 18.04, CTA (deslocação à Suiça/concurso Jean Pictet).
No que respeita à aprovação do protocolo facultativo ao PIDESC destacam-se ainda as informações
seguintes: 62/08, 28/01, CTA, 81/08, JGF/AMG (5ª sessão GT nas Nações Unidas, protocolo
facultativo ao PIDESC e 7ª e 8ª sessões do CDH nas Nações Unidas), 98/08, de 14/02, RVT (5ª sessão
GT sobre protocolo facultativo PIDCP), 246/08, de 14/04, RVT (participação na segunda parte da 5ª
sessão do GT sobre o protocolo facultativo PIDESC), 263/08, 16/04, CTA (conclusão de negociações
no seio do GT ONU protocolo facultativo PIDESC), 586/08, de 03/09, CTA (audição sobre DESC,
Bruxelas, 10/09), 611/08, 18/09, CTA (audição no Parlamento Europeu sobre DESC), 799/08,
05/12, CTA (deslocação à AGNU para aprovação do protocolo facultativo PIDESC).
Na 63ª AGNU, em Nova Iorque, foram efectuadas as seguintes informações: 633/08, 25/09, RVT
(participação na 63ª sessão AGNU), 691/08, 24/10, RVT (63ª AGNU — comentários ao projecto de
resolução sobre tortura), 692/08, 24/10, RVT (63ª AGNU — comentários ao projecto de resolução
sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias), 693/08, 24/10, RVT (63ª AGNU — comentários
ao projecto de resolução sobre o papel dos provedores de justiça e das instituições de mediação na área
dos DH), 695/08, 27/10 (63ª AGNU, comentários ao projecto de resolução sobre direito à alimentação),
790/08, 02/12, RVT (participação de uma técnica na 63ª sessão da AGNU).
No âmbito da temática racismo destacam-se as seguintes informações: 18/08, 10/01, PMF (conclusão

Gabinete de Documentação e Direito Comparado


do 12º relatório CERD, Portugal, 23/08, 21/01, PMF (relatórios NU), 132/08, PMF (Durban
Declaration and Programme of Action), 169/08, 13.03 (OSCE-ODIHR, Hate crimes 2007),
341/089, PMF (relatório anual crimes de ódio na reg. OSCE), 532/08, 30/07, PMF (tradução para
inglês do artigo 240º do Código Penal Português), 615/08, 19/09 (legislação sobre crimes de ódio,
OSCE, ODIHR), 690/08, 24/01 (comentários ao projecto intervenção da união europeia para processo
de revisão da conferência de Durban).
Quanto a relatórios de aplicação de convenções internacionais das Nações Unidas ratificadas por Portugal
destaca-se a informação seguinte: 71/08, 30/01, JGF, AMG (redacção de relatórios em matéria de
DH); em articulação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, foi formado um grupo de trabalho
para a elaboração de relatórios de aplicação de convenções internacionais das Nações Unidas, em Setembro
de 2008, cabendo a coordenação da sua redacção ao Gabinete de Documentação e Direito Comparado,
estando prevista a redacção, em 2009, de relatórios cobrindo as seguintes matérias: racismo, crianças,
DESC, DCP e o Core Document. de Portugal; sobre esta matéria foram elaboradas as informações 620,
624 e 629/08.
Foram muitas as exposições dirigidas por particulares ao Gabinete de Documentação e Direito
Comparado, tendo a maior parte sido recebidas e respondidas por meio de correio electrónico. Destacam-se
as informações 141/08, 05/03, PMF; 224/08, 31/03, PMF, 429/08, 18/06, PMF; 530/08, 30/07,
PMF, 556/08, 08/08, PMF.
No que se refere ao direito estrangeiro e comunitário/formações foram várias as informações: 51/08,
25.01, PMF (APDSI, reunião de lançamento do estudo e-justice); 79/08, 31.01, PMF (conferência

123
prós e contras da aplicação do art.º 35º CRP), 103/08, 14/02, PMF (ligações, medidas alternativas a
penas de prisão/DGRS); 123/08, 28/02 (formação CEJ/mediação Penal/Coimbra); 130/08, 29/02
PMF (direito estrangeiro/direito Austríaco, EheG); 133/08, 04/02, PMF (regime jurídico da formação
médica com outros, apoio jurídico); 230/08, 02/04, PMF (legislação interna de combate ao terrorismo,
pedido da Embaixada da Turquia); 276/08, 22/04, PMF (direito estrangeiro/legislação austríaca); 520/
08, 24/07, PMF (“erro judiciário na jurisprudência do TEDH”, publicação de artigo na revista Julgar);
523/08, 28/07, PMF (protocolo de permuta de publicações/Centro Europeu Jacques Delors); 569/08,
18/08, PMF (averiguação de paternidade/legislação brasileira); 571/08, 19/08, PMF (código de barras/
direito comunitário); 572/08, 22/08, PMF (direito das sucessões/pesquisa de bibliografia); 575/08,
22/08, PMF (Convenção Genebra 1931); 591/08, 05/09 (Brasil/legislação relativa a interdição por
anomalia psíquica); 617/08, 19/09, TC/PMF (legislação alemã sobre aerossóis de defesa pessoal); 641/
08, 01/10, PMF (modo de designação do representante nacional no comité consultivo da convenção
europeia para estatuto-trabalhador migrante); 672/08, 14/10, PMF (projecto de rede nacional de
imigração no contexto da rede europeia para as migrações); 750/08, 11/11, PMF (reforma do regime
dos recursos/acção de formação do CEJ em Coimbra).
Em Outubro foi publicado no nº 13 da Revista Negócios Estrangeiros, de PMF, o artigo “Modelo
económico, integração, independência de Portugal”
No que concerne a educação para os direitos humanos destacam-se as seguintes informações: 687/08,
24/10, RVT (2º volume — compilação de instrumentos internacionais de DH); 688/08, 24/10, RVT
(DH e aplicação da lei — guia do formador); 689/08, 24/10, RVT (direitos humanos e prisões); 671/
08, 14/10, PMF (seminário sobre educação para a paz e os DH/Vitoria Gasteiz —País Basco/Espanha);
749/08, 11/11, PMF (educação para os DH — programa do Governo Regional Basco em parceria
com o ACNUDH — Vitória Gasteiz, País Basco, Espanha); 751/08, 11/11, PMF (30º aniversário da
adesão de Portugal à CEDH — sessão comemorativa no Supremo Tribunal de Justiça); PMF (participação
Gabinete de Documentação e Direito Comparado

no 60º aniversário da DUDH em Santarém); 853/08, 31/12, PMF (pedido de nova redacção do texto
oficial português da DUDH formulado por um Juiz Conselheiro).

124 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


EUROJUST
9.

9.1. Introdução

O ano de 2008 confirmou o crescimento da actividade da Eurojust, continuando a consolidar-se a


intervenção deste órgão de cooperação da União Europeia no apoio e assistência à actividade quotidiana
dos operadores judiciários nos diferentes Estados-Membros, no âmbito das investigações e procedimentos
penais relativos a criminalidade grave e organizada envolvendo dois ou mais Estados-Membros da União
Europeia.
O número de casos reportados pelas autoridades nacionais continuou a crescer, situando-se nos 1.193
(+ 10% do que em 2007).
O ano de 2008 foi, ainda, o da aprovação, em 16 de Dezembro de 2008, pelo Conselho da União
Europeia, da nova Decisão Eurojust, que altera a Decisão de Fevereiro de 2002, que instituiu a Eurojust,
instrumento normativo cuja origem radica, em grande parte, nos trabalhos iniciados no quadro do
seminário organizado em conjunto pela Eurojust e pela Presidência Portuguesa do Conselho da União
Europeia que, sob o título “ Eurojust — Na Rota do Futuro”, decorreu em Lisboa, em 29 e 30 de
Outubro de 2007.

9.2. Actividade desenvolvida

A representação de Portugal na Eurojust foi composta, em 2008, pelo membro nacional, com a categoria
de procurador-geral adjunto, por um adjunto, com a categoria de procurador da República, e por um
perito nacional destacado, também com a categoria de procurador da República.
Durante o ano de 2008 Portugal registou 79 casos, mais 23 do que no ano anterior. Este aumento de
cerca de 41% dos casos registados põe em evidência que a intervenção da Eurojust aporta uma mais
valia ao trabalho desenvolvido pelos magistrados através do apoio que presta à cooperação e à coordenação
no quadro de um combate efectivo e eficaz à criminalidade grave, organizada e de natureza transnacional.
As autoridades nacionais que, com maior frequência, requereram a intervenção da Eurojust foram o DIAP
de Lisboa (18 pedidos), o DCIAP (16), o DIAP do Porto (5) e o Tribunal da Relação de Lisboa (4).
Os Estados-Membros que, com maior frequência, foram envolvidos nos casos iniciados por Portugal
foram a Espanha (29 casos), o Reino Unido (16), a França (15) e os Países Baixos (10).
Fora do espaço da União Europeia, Portugal solicitou, através da Eurojust, o auxílio judiciário da Suíça,
Venezuela e Estados Unidos da América.
Por outro lado, 20 Estados da União Europeia (Áustria, Alemanha, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovénia,
Espanha, Estónia, Finlândia, França, Holanda, Itália, Irlanda, Luxemburgo, Lituânia, Letónia, República
Checa, Roménia, Suécia e Reino Unido) solicitaram, em 67 casos, a intervenção da delegação de Portugal
na Eurojust, o que corresponde a um aumento de 25%.

125
O Reino Unido, com 11 solicitações, foi o país da União Europeia que mais vezes requereu a cooperação
das autoridades portuguesas através da Eurojust, seguido da Espanha com 8 pedidos e da Holanda com 7.

a) Comunicações à Eurojust e necessidades de coordenação

Mantendo-se a tendência verificada nos anos anteriores, a criminalidade económico-financeira continua


a ser aquela em que mais vezes é solicitada a intervenção e o apoio da delegação de Portugal na Eurojust.
Com efeito, os crimes de burla e fraude fiscal, com 21 comunicações, e de branqueamento, com 17,
totalizam cerca de 40% da totalidade das comunicações recebidas.
Por outro lado, no que respeita à cooperação solicitada a Portugal por autoridades estrangeiras através
da Eurojust, foi o tráfico de estupefacientes o tipo de crime que esteve na origem do maior número de
casos registados.
Não obstante os progressos já alcançados, é imprescindível melhorar a forma, o modo e o tempo das
comunicações à Eurojust impostas pela Lei n.º 36/2003, de 22 de Agosto, e pela Circular nº 7/2006,
da Procuradoria-Geral da República, assim concorrendo para que as tarefas que incumbem ao membro
nacional possam ser plena e cabalmente exercidas, com claro reflexo na qualidade do apoio prestado,
por forma a garantir uma cooperação penal internacional efectiva, eficaz e célere.

b) Outra informação relevante comunicada à Eurojust

Em cumprimento da Circular da Procuradoria-Geral da República nº 15/2004, foram recebidas cópias


de 84 mandados de detenção europeus e comunicadas 3 situações de excesso dos prazos de execução dos
mandados.
Com estas comunicações, Portugal continua a cumprir regularmente a obrigação que consta do artigo
17º, nº 7, da Decisão-Quadro relativa ao mandado de detenção europeu e do artigo 26º da Lei n.º 65/
2003, 23 de Agosto.
No domínio da execução de mandados de detenção europeus, os contactos regularmente estabelecidos
com os magistrados nos Tribunais da Relação têm sido fundamentais para que se identifiquem e se resolvam,
em tempo útil, situações que podem ser tratadas à luz dos instrumentos internacionais em vigor.

c) Reuniões de coordenação

No domínio do apoio à coordenação das investigações, a delegação de Portugal na Eurojust organizou


6 reuniões (mais 4 do que no ano anterior, sendo 4 com Espanha e 2 com Itália) que contaram com a
presença dos magistrados portugueses titulares dos inquéritos e dos agentes policiais que os coadjuvavam
nas investigações e que se destinaram a discutir, com os seus congéneres europeus, questões e estratégias
comuns e a encontrar soluções para problemas concretos, enfrentados no decurso de investigações
pendentes em simultâneo em Portugal e noutro ou noutros Estados-Membros da União Europeia.
Tráfico de droga, terrorismo, rapto, organização criminosa e branqueamento foram os crimes subjacentes
Eurojust

às reuniões organizadas por Portugal.


Por solicitação das autoridades nacionais de outros Estados-Membros, magistrados e investigadores
portugueses participaram em 9 reuniões de coordenação com os seguintes países: Espanha (3), França

126 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


(3), Itália (1), Reino Unido (1) e Suécia (1). Estas reuniões abrangeram crimes de tráfico de droga,
corrupção, branqueamento e tráfico de seres humanos, tendo decorrido, todas elas, nas instalações da
Eurojust.
O aumento do número de reuniões, quer ao nível da delegação de Portugal quer ao nível global da
Eurojust, põe em evidência a importância destas reuniões, enquanto instrumentos essenciais para uma
boa coordenação das investigações de grande complexidade, gravidade e dispersão geográfica.

d) Divulgação da Eurojust

Os três magistrados que integraram a delegação de Portugal na Eurojust em 2008, participaram


activamente em acções de divulgação da Eurojust no âmbito de seminários e conferências promovidas,
não só pela própria Eurojust, mas também pelas Presidências Eslovena e Francesa do Conselho da
União Europeia, pelo Centro de Estudos Judiciários, pelo Instituto Superior de Polícia Judiciária e de
Ciências Criminais, pela GNR, pela IberRed, pela Academia Europeia de Polícia (CEPOL), pela AIP
— Associação Internacional de Procuradores — pela IACP — International Association of Chiefs of
Police — pela OCTN — Organized Crime Training Network — e pelo Conselho da Europa.

e) Recomendações nos termos da alínea a) do artigo 6.º da Decisão Eurojust

Em 2008, o Membro Nacional de Portugal na Eurojust dirigiu duas recomendações às autoridades


nacionais nos termos da alínea a), ii), do artigo 6º da Decisão Eurojust, recomendações essas que foram
aceites e que permitiram solucionar situações de potenciais conflitos de jurisdição com as autoridades
espanholas, uma vez que os factos ilícitos subjacentes haviam sido praticados em ambos os países.

f ) Actividades na qualidade de membro do Colégio da Eurojust

O Colégio, composto pelos 27 membros nacionais, é o órgão máximo da Eurojust quer no que se
refere às matérias de cooperação judiciária, quer no que respeita à organização interna e ao funcionamento
da instituição, incluindo a gestão orçamental e a supervisão da actividade da administração.
No caso de Portugal, a acumulação das funções de membro nacional com as de presidente do Colégio
acarreta um significativo acréscimo de trabalho, mas, ao mesmo tempo, abre portas a uma maior afirmação
do Ministério Público português ao nível europeu e internacional.
O grupo de trabalho relativo à criação e desenvolvimento do sistema informático de gestão de casos
(EPOC Team) é dirigido pelo Membro Nacional de Portugal.

g) A nova Decisão Eurojust

Foi aprovada, em 16 de Dezembro de 2008, uma nova Decisão do Conselho, nos termos da alínea c)
do nº 2 do artigo 34º do Tratado da União Europeia, que visa o reforço da Eurojust e que veio ao
Eurojust

encontro da recomendação do Conselho Europeu constante do programa de Haia, que convidou a


Comissão a reflectir sobre o desenvolvimento da Eurojust.

127
SERVIÇOS DE APOIO
10.

10.1. Generalidades

Os Serviços de Apoio Técnico e Administrativo (SATA) constituem a unidade orgânica de apoio técnico
e administrativo — nos domínios da gestão dos recursos humanos, financeiros e materiais bem como
da organização, planeamento e informática, da documentação e informação e, ainda, do apoio geral —
a todos os órgãos e serviços que integram a Procuradoria-Geral da República ou dela estão directamente
dependentes.
Dotar os SATA de uma maior capacidade de resposta — tanto em termos estruturais como do necessário
apoio humano, logístico e material — constituiu, em 2008, e face ao crescendo de solicitações dos
cidadãos e entidades externas, bem como dos serviços e órgãos da PGR, um dos principais objectivos
prosseguidos, aliás, alcançado com registo positivo.
Consolidada, em 2008, a reorganização e concentração de diversos sectores, criado um pólo informático
único e reforçados os aspectos ligados à fiabilidade, rigor e segurança de procedimentos torna-se agora
possível avançar para novas melhorias nos mais variados domínios da intervenção que incumbe aos
SATA assegurar.
Tendo sido concluídas as obras de restauro de diversas salas do edifício-sede da Procuradoria-Geral da
República — obras essas realizadas no âmbito de protocolo celebrado entre a PGR, o Instituto de
Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça, o Instituto de Emprego e Formação Profissional e a Fundação
Ricardo Espírito Santo Silva — prosseguiu-se, em 2008, e no âmbito desse mesmo protocolo, com a
recuperação do Palácio Palmela. Refira-se ainda que, em cerimónia presidida pelo Conselheiro
Procurador-Geral da República e que contou com a presença de diversas entidades oficiais e inúmeros
convidados, foram entregues diplomas de fim de curso aos formandos que trabalharam nesse restauro.
Os recursos humanos foram reforçados ao nível de diversos sectores com a entrada de novos trabalhadores,
tendo ainda sido preenchidos vários lugares de coordenação técnica e de chefia.
Controlo rigoroso e fiscalização apertada de todos os procedimentos, bem como equilíbrio, racionalização
e rentabilização de encargos e despesas constituíram, uma vez mais, o paradigma da gestão orçamental
e financeira desenvolvida ao longo do ano.
Em 2008 foi assinado entre a PGR e o Instituto Superior Técnico um protocolo de cooperação técnica e
científica com vista a desenvolver uma colaboração mútua e prospectiva na identificação, definição, discussão
e implementação de técnicas e procedimentos capazes de responder com eficácia aos problemas relacionados
com a organização e funcionamento do Ministério Público e tendo em vista garantir maior eficiência,
qualidade e economia no exercício das competências que lhe estão constitucionalmente cometidas.
Daí que, dentro do quadro dessa colaboração e inserido no projecto do Sistema de Informação do
Ministério Público (SIMP), tenha entrado em funcionamento, a partir de Junho de 2008, a nível
nacional, uma primeira versão do portal interno do Ministério Público (https://simp.pgr.pt), dando-

129
-se, assim, início à execução de um sistema integrado e centralizado de recolha, tratamento, divulgação
e partilha de informação do Ministério Público, assente em tecnologias “web” e com as características
próprias de um portal corporativo.
No ano de 2008 foi criada uma medalha da PGR, destinada a ofertas institucionais, bem como
aprovado modelo de colar — que não existia — para uso, em ocasiões solenes, pelo Procurador-
-Geral da República, Vice-Procurador-Geral da República e procuradores-gerais adjuntos que, nos
termos dos artigos 13º e 14º do Estatuto do Ministério Público, devam assegurar a sua substituição
(Portaria nº 1537/2008, de 30 de Dezembro). A ideia, pesquisa, concepção e desenho, tanto dessa
medalha, como do colar, foram desenvolvidas por uma pequena equipa interna e integrada por
funcionários e magistrados.
As visitas de delegações estrangeiras, tal como as visitas de estudo e reuniões de trabalho, assumiram,
em 2008, número expressivo e justificativo da designação de um funcionário responsável pela recepção
e acompanhamento de tais visitas, bem como pelo apoio à organização dos diversos eventos organizados
pela PGR.
No sector ligado à Documentação e Informação, aqui se incluindo os serviços de tradução, importa,
por um lado, sublinhar ter sido efectuada a tradução em 224 processos, correspondendo a 4.455 páginas,
e sido despendida a importância global de 62.656,05 euros com a aquisição necessária de serviços
externos e, por outro lado, dar nota, pela sua expressão, que existiam, no final do ano, cerca de 3.500
utilizadores da biblioteca com cartão de leitor atribuído.
No que respeita à gestão da magistratura do Ministério Público, a estrutura de apoio ao movimento de
magistrados melhorou as funcionalidades relativas ao requerimento electrónico criado em 2007,
nomeadamente na parte referente à escolha das comarcas pretendidas e à recolha automatizada dos
dados. Para além disso, foram introduzidas também novas funcionalidades ao nível do tratamento dos
pedidos, permitindo o cruzamento constante de dados e informação sobre vagas libertadas e ocupadas.
Sob a supervisão e acompanhamento de responsáveis do Ministério Público, a Divisão de Planeamento,
Organização e Informática e a Divisão de Apoio Jurídico colaboraram, em 2008, na criação de duas
bases de dados processuais (de suspensão provisória do processo e para cumprimento do disposto no
artigo 276º do Código de Processo Penal).
Tendo sido assinalados, sinteticamente, apenas alguns dos aspectos e iniciativas mais relevantes da
actividade desenvolvida em 2008, importa, para encerrar este ponto, dar nota do brio e espírito de
colaboração de todos quantos trabalharam, em 2008, nos SATA e que, assim, contribuíram, com o seu
empenho, para o bom e eficiente funcionamento dos serviços.

10.2. Actividade desenvolvida


Serviços de Apoio

A actividade desenvolvida, em 2008, pelas secções de intervenção processual e de expediente geral e


arquivo traduz-se nos indicadores estatísticos, mais relevantes, a seguir indicados:
— depósito e verificação de 363 declarações de incompatibilidades de titulares de altos cargos
públicos, bem como expedição de 962 ofícios;
— 13.336 documentos apostilhados;
— 20 deferimentos de competência à Polícia Judiciária;

130 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


— instauração de 2.174 novos dossiers relativos a exposições de cidadãos;
— registo de 29.573 entradas gerais;
— instauração de 435 novos processos de expediente geral;
— movimentação de 1.260 dossiers de natureza confidencial, dos quais 163 novos;
— movimentação de 362 processos respeitantes a questões de gestão do Ministério Público;
— instauração de 22 novos processos referentes ao acompanhamento de acções em que o Estado é parte;
— registo de 369 novos processos relativos a concursos públicos.

Para além disso, pela secção de expediente geral e arquivo, foram expedidas 8 circulares sobre as seguintes
matérias:
a) Directivas e Instruções Genéricas em matéria de execução da Lei sobre Política Criminal (Circular
nº 1/2008);
b) Suspensão Provisória do Processo (Circular nº 2/2008);
c) Produtos estupefacientes — Apreensão, armazenamento e destruição (Circular nº 3/2008);
d) Comunicação à Polícia Judiciária dos despachos de arquivamento dos inquéritos (Circular nº 4/2008);
e) Aplicação das normas processuais penais sobre o segredo de justiça ao processo contra-ordenacional.
(Circular nº 5/2008);
f ) Destino do produto das coimas tributárias (Circular nº 6/2008);
g) Código de Justiça Militar - Descriminalização do crime de deserção (Circular nº 7/2008);
h) Eliminação de processos de inquérito: adopção de novos procedimentos (Circular nº 8/2008);
i) Incêndios florestais (Circular nº 9/2008);
j) Instauração, pelo Ministério Público, de execução por custas de parte de que seja devedora a
Fazenda Pública, em processos judiciais tributários. (Circular nº 10/2008).

Foram apresentados e movimentados, pela secção de intervenção processual, 230 novos pedidos de
aceleração processual e movimentados, ainda, pela mesma secção, 57 processos respeitantes a conflitos
negativos de competência, sendo 43 novos. Foram também apreciadas 32 reclamações hierárquicas.
No que se refere à actividade desenvolvida tanto pela secção de apoio ao Conselho Superior do Ministério
Público como pela secção de apoio ao Conselho Consultivo, a mesma encontra-se já relatada, na parte
respeitante a esses mesmos órgãos.
De qualquer forma cabe referir, ainda, acerca da secção de apoio ao Conselho Superior do Ministério
Serviços de Apoio

Público terem ali sido instaurados 362 novos processos e elaborados 3.889.
A unidade de administração geral da Direcção de Serviços de Apoio Administrativo, à qual incumbe, de
um modo geral, assegurar as tarefas administrativas inerentes à gestão e administração de pessoal, à
preparação e execução orçamental e à gestão e administração do património, desenvolveu a sua actividade
através das secções que dela fazem parte, de seguinte forma:
— Na secção de pessoal salientam-se, entre outras actividades, e no que concerne à aplicação da Lei
nº 12-A/2008, de 27 de Fevereiro (LVCR) a elaboração dos mapas de pessoal da Procuradoria-

131
-Geral da República de 2009, a atribuição de prémios de desempenho e a alteração dos
posicionamentos remuneratórios. (Foi ainda executado o carregamento de títulos de transporte,
elaboradas requisições de emissão de bilhetes a diversas entidades e organizados os reembolsos de
transportes.)

Procedeu-se à abertura e conclusão dos seguintes concursos internos para o quadro de pessoal dos Serviços
de Apoio Técnico e Administrativo e do Gabinete de Documentação e Direito Comparado da
Procuradoria-Geral da República:
— de acesso limitado para provimento de um lugar de chefe da Secção de Apoio ao Conselho
Consultivo;
— de acesso limitado para provimento de um lugar de chefe da Secção de Apoio ao Conselho
Superior do Ministério Público;
— de acesso limitado para provimento de dois lugares na categoria de especialista de informática de
grau 3, nível 1;
— de acesso geral para provimento de um lugar na categoria de assessor principal da carreira de
técnico superior;
— de acesso misto para provimento de dezoito lugares na categoria de assistente administrativo
especialista;
— de acesso limitado para provimento de quatro lugares na categoria de técnico de informática de
grau 2, nível 1;
— de acesso misto para provimento de quatro lugares para a categoria de técnico de informática de
grau 1, nível 1, da carreira de técnico de informática;
— de acesso geral para provimento de um lugar na categoria de assessor da carreira de técnico
superior;
— de acesso geral para provimento de um lugar na categoria de assessor, área funcional dos direitos
humanos, da carreira de técnico superior.

Realizou-se, ainda, procedimento concursal para provimento de um lugar de Chefe de Divisão de Apoio
Jurídico do quadro de pessoal dos Serviços de Apoio Técnico e Administrativo da Procuradoria-Geral
da República, ainda a decorrer.

No âmbito de outras actividades foram elaboradas diversas propostas para nomeação de pessoal
(promoções, comissões de serviço e transferências) e organizados 8 processos de aposentação.

Procedeu-se ainda à elaboração da lista de antiguidades; ao plano de férias; à gestão e controlo da


Serviços de Apoio

assiduidade dos funcionários da Procuradoria-Geral da República do Núcleo de Assessoria Técnica e do


Departamento Central de Investigação e Acção Penal; à passagem de declarações, a pedido dos
funcionários, contendo a contagem de tempo de serviço para efeitos de antiguidade na categoria, na
carreira e na função pública e outras; à inscrição de funcionários e renovação anual dos cartões de
beneficiários da ADSE e dos Serviços Sociais do Ministério da Justiça relativamente aos magistrados e
funcionários cujo serviço processador é a Procuradoria-Geral da República; e à reinscrição de funcionários
na Caixa Geral de Aposentações.

132 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Foram, ainda, elaborados os mapas trimestrais de “levantamento e reforços”, o mapa semestral respeitante
à lista de pessoal contratado, o organograma para afixação e o mapa anual que acompanha as respectivas
propostas de orçamentos do Estado e do IGFPJ, bem como o mapa da conta de gerência, além da
elaboração do balanço social.
— Na secção de contabilidade salientam-se, entre outras actividades: elaboração das contas de gerência
dos Orçamentos de Estado/PIDDAC e do IGFPJ; preparação dos projectos dos orçamentos para 2009;
carregamento no sistema de informação contabilística (SIC) dos orçamentos atribuídos em 2008;
processamento dos vencimentos no sistema de recursos humanos (SRH) e despesas gerais no SIC e
SIC/PIDDAC, incluindo os respectivos cabimentos prévios, compromissos e cartas de pagamentos;
requisição de fundos e da execução orçamental das verbas atribuídas pelo IGFPJ e do mapa de despesas
com o pessoal que acompanha o pedido de libertação de créditos (PLC); elaboração mensal do PLC;
execução mensal da cobrança da receita através do homebanking da Direcção-Geral do Tesouro; elaboração
do processo da transição de saldos da “Fonte de Financiamento 123”, dos processos de despesas de anos
anteriores e de alterações orçamentais; constituição e controlo do fundo de maneio; emissão e envio das
declarações manuais e informáticas do IRS de 2007; prestação de informação para a execução orçamental
por centro de custos; realização de uma permanente avaliação de acordo com os dados resultantes das
despesas, alicerçada nos instrumentos de avaliação e controlo que o SIC e o SRH da Direcção-Geral do
Orçamento fornecem.
Foram regularmente processadas despesas cujos totais, de acordo com os orçamentos de Estado e do
IGFPJ, ascenderam a 13.718.832 euros. Em termos de orçamento do PIDDAC foram processadas
despesas num total de 484.476 euros.
— Na secção de economato, património e serviços gerais foram organizados e tramitados todos os
processos de aquisição de bens e serviços, até 28 de Julho de 2008 (de acordo com as normas instituídas
no Decreto-Lei n.º 197/99, de 8 de Junho). A partir daquela data foram organizados e tramitados ao
abrigo do CCP (aprovado pelo Decreto-Lei n.º 18/2008), bem como efectuados ao abrigo dos contratos
públicos de aprovisionamento e da UCMJ.
Com a entrada em vigor do novo CCP foi necessário desenvolver e implementar soluções para adaptar
a base de dados “Gestão de Informações, Fornecedores e Contratos” aos novos procedimentos.
Emitiram-se 1.002 requisições do Estado e 82 electrónicas “Tradeforum” relativas aos processos supra
referidos os quais foram carregados na aplicação informática “Gestão de Informações, Fornecedores e
Contratos”.
As actividades mais relevantes desta secção traduziram-se, ainda, no registo dos elementos, no que
concerne a despesas correntes e de capital, no sistema contabilístico por centro de custos, bem como no
registo dos artigos constantes dos processos de aquisição de bens de consumo corrente na aplicação
informática “gestão dos stocks”; no registo de saídas relativas ao fornecimento de material de escritório
Serviços de Apoio

aos diversos serviços da PGR, NAT, DCIAP e GDDC; no carregamento dos bens móveis da PGR na
aplicação CIME — “gestão de bens móveis”; no registo no CIVE — cadastro e inventário dos veículos
do Estado - da informação relativa aos veículos atribuídos à PGR.
Sob orientação desta secção foram acompanhadas, tanto algumas obras de beneficiação como a
manutenção de diversas instalações e equipamentos da Procuradoria-Geral da República, e ainda as
obras de maior vulto efectuadas pela Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, no Palácio Palmela e, pelo
IGFIEJ, no edifício destinado à instalação do pólo informático.

133
10.3. Divisão de Documentação e Informação

No que se refere a aquisições realizadas, em 2008, cabe dar nota do seguinte:


— a entrada de 1.149 novas obras de monografias (resultante de compra, depósito legal, oferta e
permuta), devendo referir-se que, em final de Dezembro de 2008, o número total de monografias
existentes era de 63.103;
— e a existência de um núcleo de publicações periódicas, num total de 1.083 títulos, das quais 505
se encontram em movimento e 578 estão encerradas.

Os montantes despendidos com aquisições de livros, publicações periódicas e assinaturas ascenderam a


31.923,23 euros.
Em termos da demais actividade desenvolvida pela da DDI os indicadores mais importantes são o
seguintes: no final do ano a base tinha 181.797 registos na base de dados bibliográficos; a catalogação
de 10.317 documentos (dos quais, 1.252 monografias e analíticos de monografias e 9.065 analíticos de
publicações periódicas); a indexação de 11.336 documentos, todos relativos a monografias, analíticos
de monografias, analíticos de publicações periódicas e documentos multimédia.
Sublinhe-se, ainda, a inserção na mediateca da Procuradoria-Geral da República, criada em 2007, de
mais 153 documentos (em suporte de CD’s, DVD’s e disquetes).
Foram classificadas 974 monografias e digitados 4.489 artigos de publicações periódicas bem como
efectuadas 19.101 verificações e actualizações de registos de monografias, analíticos de monografias e
analíticos de publicações periódicas para disponibilização na Internet e optimização da biblioteca. Foram
efectuadas 5.755 verificações e homogeneização; colocadas 1.741 etiquetas em monografias; e 1.089
etiquetas de código de barras.
O número total de leitores, com cartão atribuído ascendeu, no final do ano, a 3.483 o que diz bem da
importância, procura e movimento da biblioteca.
O movimento anual da sala de leitura, no que respeita a monografias e publicações periódicas, foi de
6.081 e 4.528, respectivamente, devendo referir-se que passou a ser possível, através de e-mail, a requisição
automática da obra à sala de leitura.
Foi prestado todo o apoio solicitado, em matéria de documentação, aos órgãos e serviços da PGR e às
instituições judiciárias, tendo sido elaboradas 33 informações bibliográficas.
Relativamente a pedidos de informação sobre legislação foram dadas 41 respostas (internas e externas),
sendo certo o sector de legislação mantém diária e permanentemente actualizados os diplomas, permitindo
uma resposta mais célere e eficaz às crescentes solicitações.
Serviços de Apoio

É seleccionado, semanalmente, na Biblioteca Nacional, um exemplar de todas as obras jurídicas aí


depositadas, o que constitui um factor de enriquecimento permanente para a biblioteca da PGR.
Foram, ainda, desenvolvidas outras actividades que se destacam, pela sua importância:
a) manutenção de um fundo documental das obras mais antigas (livro antigo);
b) lançamento de um inquérito de leitor aos utilizadores da biblioteca, estudo dos dados em apreciação
e plano de melhoria do serviço prestado;

134 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


c) organização da gestão corrente da divisão; preparação de propostas e plano, incluindo a proposta
referente à consulta prévia para aquisição e renovação das publicações periódicas para o ano de
2009; preparação do plano de actividades e definição dos objectivos para 2009;
d) realização, a nível interno, de algumas acções de formação.

10.4. Divisão de Planeamento, Organização e Informática (DPOI)

A actuação da Divisão de Planeamento, Organização e Informática (DPOI) direccionou a sua actividade,


em 2008, em três vertentes principais: a melhoria das condições de trabalho dos utilizadores, o incremento
da segurança da informação e a preparação para instalação do pólo informático.
Para a prossecução destes objectivos realizaram-se as seguintes acções:
— Foram substituídos os computadores da Divisão de Documentação e Informação e do Gabinete
do Procurador-Geral da República; foi criada toda a estrutura para a instalação das equipas de
investigação do DCIAP; colaborou-se na mudança de instalações da equipa “Furacão”, tendo sido
preparada a estrutura de rede e reconfigurados os pc’s;
— Foram substituídos os computadores portáteis dos secretários de inspecção;
— Adquiriram-se novos computadores para substituir os existentes no DCIAP e NAT que se
encontram degradados;
— Foi implementada a possibilidade de acesso ao mail interno a partir do exterior por https.
No que respeita ao aumento da segurança da informação executaram-se as seguintes actividades:
— Implementou-se uma segunda linha de firewall;
— Reorganizou-se o sistema de videovigilância que deixou de ser uma aplicação local e acompanhou-
-se a instalação de novas câmaras;
— Implementaram-se novas regras de segurança no servidor de mail com o objectivo de diminuir o
spam;
— Instalou-se um novo servidor para a distribuição e actualização automática de antivírus a todos
os sistemas da PGR;
— Adquriu-se uma solução integrada de strorage e backup centralizado;
— Deu-se início à virtualização de alguns servidores. Este sistema, além de aumentar a facilidade de
reposição das máquinas em caso de falha, vai diminuir os custos energéticos.

Com vista à criação do pólo informático que centraliza os meios informáticos da PGR, foi necessário
criar uma nova estrutura de dados e áreas de utilizadores. Assim, efectuou-se a mudança das estruturas
Serviços de Apoio

dos domínios PGR/GDDC com instalação de novos servidores, reestruturação do serviço de mail,
integração de todos os recursos do GDDC e da PGR, mudança de DNS, WINS, etc. É de salientar que
esta mudança que afectou a generalidade dos utilizadores foi efectuada sem perturbar o trabalho diário
e sem que os utilizadores praticamente se apercebessem.
Além das tarefas correntes como gestão da rede, backups, actualização de conteúdos na internet e intranet,
assistência em matéria de informática aos utilizadores distribuídos pelos 4 edifícios da PGR, foi ainda
estudada a melhor forma de resolver problemas apresentados por algumas aplicações em funcionamento

135
(Habilus, Gestão Documental, iBase, mail, SRH, centro de custos, etc.) e foram criadas novas aplicações
e efectuadas melhorias em programas já existentes de forma a satisfazer os pedidos dos utilizadores,
entre outras:
—- Criação de um módulo, na base de dados “magistrados”, para contagem automática do tempo
de serviço;
— Criação de uma aplicação para o movimento de magistrados dando resposta aos critérios definidos
como criação de comarcas a vagar e afectação dos magistrados;
— Criação de uma base de dados para gestão das apostilas;
— Alterações ao projecto Jurislingue;
— Disponibilização na web do mandado de detenção europeu;
— Criação de uma base de dados para controlo de pagamento de transportes públicos;
— Colaboração na elaboração do relatório anual da Procuradoria-Geral da República.

Foi ainda dada uma acção de formação em gestão documental.


Na área de planeamento e organização a divisão assegurou a manutenção da estrutura para o pagamento
de transportes públicos a magistrados e funcionários de justiça, colaborou na preparação das acções
necessárias ao início dos trabalhos de desenvolvimento do SIMP e na apresentação da candidatura a
financiamento comunitário, elaborou o plano e relatórios de actividades dos SATA, tendo sido, ainda,
responsável pela preparação e acompanhamento de execução dos projectos PIDDAC.

10.5. Divisão de Apoio Jurídico e Cooperação Judiciária

Na divisão de apoio jurídico destacam-se as seguintes actividades desenvolvidas pelas juristas afectas ao
sector:
— Colaboração na elaboração do projecto de portaria que aprova o modelo do colar para uso, em
ocasiões solenes, do Procurador-Geral da República, do Vice-Procurador-Geral da República e dos
Procuradores-Gerais Adjuntos — Portaria nº 1537/2008, de 30 de Dezembro;
— Estudos sobre os efeitos de pena acessória de proibição do exercício de funções públicas;
— Estudos sobre o Código dos Contratos Públicos, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 18/2008, de
29 de Janeiro, tendo sido produzidas informações com propostas de alteração de procedimentos,
designadamente quanto à intervenção do Ministério Público;
— Colaboração na preparação da resposta ao Questionário da Rede de Procuradores junto dos
Supremos - “Ministério Público ou instituição equivalente junto dos Tribunais Supremos Judiciais
Serviços de Apoio

dos Estados-membros da União Europeia e reforço do Espaço Judiciário Europeu”;


— Apreciação de pedidos de concessão de vencimento correspondente à categoria de procurador da
República e de abonos de vencimento de exercício perdido;
— Informação sobre o teor do compromisso de honra a prestar por magistrados do Ministério
Público e respectivo modelo do termo de posse;
— Acção de formação interna sobre a “Avaliação do Desempenho 2008 — SIADAP 3”, realizada
em 23 de Abril de 2008, e apoio técnico e jurídico ao Conselho Coordenador da Avaliação;

136 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


— Instrução de 10 processos com vista à obtenção de autorização de renovação; elaboração de
minutas de ofícios para o Gabinete do Ministro da Justiça; elaboração das propostas de renovação;
elaboração de notas justificativas com a verificação e demonstração do cumprimento dos requisitos
previstos no artigo 35º da LVCR; elaboração de memorandos de respostas ao Ministério da Justiça
e ao Ministério das Finanças e da Administração Pública Resultados;
— Análise de questões colocadas por cidadãos ou instituições; coordenação das tarefas e preparação
da resposta de Portugal ao Questionário de Agosto de 2008 sobre a Convenção da Haia de 5 de
Outubro de 1961 para a Supressão da Exigência da Legalização dos Actos Públicos Estrangeiros,
elaborado pelo Secretariado Permanente da Conferência da Haia, à atenção da Comissão Especial
sobre o funcionamento prático da Convenção; recolha e tratamento dos elementos fornecidos pelas
6 autoridades portuguesas competentes para emissão de apostilas; e resposta enviada em 25 de
Novembro de 2008 ao Secretariado Permanente da Conferência da Haia;
— Foram elaboradas 14 informações e 11 notas informativas; analisadas 155 declarações; proferidos
70 despachos de expediente. Deram entrada 315 novos processos novos; 830 entradas gerais; e
1.089 saídas. Foram efectuados e recebidos 170 telefonemas.

Foi ainda realizada uma acção de formação em 17 de Dezembro.


O sector de cooperação judiciária internacional, durante o ano de 2008, viu aumentado o seu quadro
técnico para 3 técnicos superiores juristas, para além da coordenação assegurada por uma magistrada do
Ministério Público e manteve um quadro de apoio administrativo de 5 funcionários.
Traduziu-se durante o mesmo período de tempo, na instauração de 2.734 novos processos
administrativos, mantendo-se estável, embora revele um ligeiro acréscimo em relação ao ano de 2007
no decurso do qual foram registados 2.405 processos.
O referido número representa um total de: 13 extradições passivas, 5 activas, 42 difusões internacionais
de mandados, 45 transferências para Portugal e 92 para o estrangeiro.
Foram ainda enviadas 1.589 cartas rogatórias, recebidas 516, emitidos 196 mandados de detenção
europeu, executados 236 outros pedidos de natureza diversa.
No que se refere à execução verifica-se que foram determinadas 68 entregas, em execução de 92 mandados
recebidos, o que corresponde a uma percentagem de 75% dos mandados recebidos.
No que respeita à emissão, e sublinhando que a via de transmissão mais utilizada pelas autoridades
portuguesas continua a ser o Gabinete Nacional SIRENE, constata-se que foram difundidos pelo menos
104 mandados de detenção europeus a que corresponderam 62 entregas de cidadãos procurados pela
justiça portuguesa.
Relativamente à aplicação do mandado de detenção europeu, concluiu-se o exercício prático de avaliação,
Serviços de Apoio

desencadeado no âmbito do grupo de trabalho GMD do Secretariado Geral do Conselho da União


Europeia, sobre a implementação da Decisão Quadro que instituiu o referido mandado e sua aplicação
prática. Um perito da Procuradoria-Geral da República foi destacado para as equipas de avaliação da
República Federal da Alemanha (Setembro de 2008) e da Roménia (Novembro de 2008).
Com início no ano lectivo de 2008/2009 foi integrada no currículo dos auditores, em 1ª e 2ª fase de
estágio, uma cadeira dedicada à temática do Direito Europeu e Internacional com uma ocupação lectiva
superior à que foi praticada em anos anteriores, tendo a Procuradoria-Geral da República contribuído,

137
em conjunto com três outros docentes, todos eles magistrados do Ministério Público, com a leccionação
das 13 sessões dedicadas aos mecanismos de cooperação internacional em matéria penal.
Complementarmente a Procuradoria-Geral da República associou-se a duas acções de formação
permanente dedicadas a esta temática que tiveram lugar em Évora em Maio e Julho de 2008.
No tocante à Rede Judiciária Europeia, na senda do que se registou em anos anteriores assinala-se a
continuação das intervenções, levadas a cabo pelo ponto de contacto da Procuradoria-Geral da República,
com vista a obter informações pontuais sobre o andamento de pedidos, impulsionar a execução de
cartas rogatórias, trocar dados sobre execução de mandados de detenção europeus ou obter informação
sobre direito comparado, as quais correspondem a acção típica dos pontos de contacto da Rede Judiciária
Europeia e contribuíram para tornar mais eficaz a assistência judiciária mútua ou desbloquear pedidos
cujo andamento se encontrava prejudicado pela falta de prestações complementares.
Entre todos, continua a assinalar-se a crescente procura da intervenção da Rede Judiciária Europeia com
vista a obter a produção de prova através de vídeo-conferência assim como a sua contribuição eficaz na
prestação de elementos ou informações complementares para que a execução de mandados de detenção
europeus pudesse ser obtida dentro dos prazos curtos fixados pela Lei nº 65/2003. Durante o ano a
Rede Judiciária reuniu, em plenário, em Chatez ob Sávi (Eslovénia) e Paris, com a presença de um
representante da autoridade central, o qual na reunião sob presidência francesa, assumiu a responsabilidade
da dinamização de um workshop sobre a temática da aproximação das autoridades judiciárias aos
mecanismos de cooperação internacional desenvolvidos no âmbito da União Europeia.
No que concerne ao Conselho da Europa e dando continuação ao trabalho iniciado no ano de 2006 foi
concluída, no âmbito do Comité PC-OC do Conselho da Europa, em Novembro de 2008, a negociação
do III Protocolo Adicional à Convenção Europeia de Extradição, visando a criação de um mecanismo
de extradição simplificada.
Por indicação do Conselho da Europa a Procuradoria-Geral da República colaborou numa acção de
formação para magistrados do Ministério Público da Bósnia Herzegovina e do Tribunal Internacional
para a Bosnia Herzegovina, que teve lugar, em Sarajevo, em Outubro de 2008.
V — DISTRITOS JUDICIAIS
DISTRITO JUDICIAL DE LISBOA
1.

Introdução

O Distrito Judicial de Lisboa compreende 42 comarcas, uma delas (Lagoa criada, mas não instalada),
agrupadas em 14 círculos judiciais, que abrangem áreas que vão da grande Lisboa às regiões autónomas,
com zonas ribeirinhas e do interior, urbanas e rurais.
Esta realidade caracteriza e condiciona a actividade do Ministério Público, que se dispersa por dez
grandes comarcas, uma destas, a de Lisboa, com dimensão excessiva, seja pela densidade populacional,
seja pelo consequente volume processual.
A organização judiciária é diversificada, com comarcas dotadas de tribunal comarcão, com competência
genérica, passando por outras com tribunais especializados e de competência específica, com mais ou
menos juízes.
O Ministério Público no Distrito Judicial de Lisboa, ao longo do ano de 2008, continuou a dar uma
resposta bastante positiva em todas as áreas em que teve intervenção.
Mostra-se, porém, indispensável dar atenção aos quadros de magistrados e funcionários, melhorar a
organização, implementar uma adequada informatização, considerando agora as novas exigências
impostas quer pelas alterações ao Código de Processo Penal, quer pela Lei da Política Criminal.
A instalação de departamentos de investigação e acção penal nas grandes comarcas, devidamente
estruturados, em ligação com os órgãos de polícia criminal, pode melhorar quantitativa e qualitativamente
a investigação criminal e o exercício da acção penal.
Uma melhor atenção à jurisdição de família e menores e à articulação da intervenção na área dos menores
com a área criminal, nomeadamente no que se refere à criminalidade praticada por jovens adultos, foi
um passo que se iniciou já em 2007 e que teve continuidade em 2008.
Uma informatização ambiciosa dos tribunais, facilitando a actuação dos magistrados e funcionários,
possibilitando o controle processual, auxiliando as funções de direcção e gestão é, no presente, como já
o era no passado, uma imperiosa necessidade.
Não obstante o reconhecimento de algumas melhorias pontuais no passado próximo, ainda persistem
deficiências no distrito judicial, estando os principais problemas relacionados com a escassez de meios
humanos (especialmente funcionários), com a deficiente informatização, com a inadequação das
instalações e com as estruturas organizativas.

I. SERVIÇOS DA PROCURADORIA-GERAL DISTRITAL

1. Generalidades
a) Instalações
Ocupa a Procuradoria-Geral Distrital o edifício na Rua do Arsenal, onde está o Tribunal da Relação.

141
A secção de processos da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) está instalada em espaço não
satisfatório para o seu quadro de funcionários; a secção administrativa está a funcionar noutro edifício,
com os evidentes inconvenientes; os magistrados do Ministério Público repartem-se por dois edifícios,
ora agrupados a dois, ora a três, nos respectivos gabinetes.
Os magistrados do Ministério Público instalados no Tribunal da Relação não dispõem de espaço de
trabalho adequado. Partilham três e quatro o mesmo gabinete, num ambiente que inibe a concentração
necessária ao trabalho.
Paralelamente, a actividade própria do Ministério Público, quer se refira ao Ministério Público da
Relação quer ao Distrito, está sempre condicionada à existência de espaço disponível, já que em primeiro
lugar estão sempre as sessões do Tribunal.

b) Quadros de magistrados e distribuição dos serviços

O quadro de magistrados do Ministério Público tem actualmente 21 elementos. Treze magistrados


estão afectos a três secções criminais (quatro por cada uma e a um deles cabendo a distribuição das três
secções); às cinco secções cíveis estão afectos quatro magistrados; a secção social está dividida pelos
quatro magistrados afectos às secções cíveis.
O expediente, em grande volume, e outros serviços passam pela procuradora-geral distrital e pelo
procurador-geral adjunto que a substitui.
Implementada, em Abril de 2001, uma estrutura denominada Coordenação do Contencioso do Estado
(CCE), dirigida por um procurador-geral adjunto, coadjuvado por uma procuradora da República,
tem vindo a dar excelente resposta ao cabal desempenho das atribuições do Ministério Público na área
cível.

c) Funcionários

A Procuradoria-Geral Distrital é apoiada por uma secção administrativa e por serviços do Ministério
Público.
A primeira tem um quadro de sete unidades que, no final do ano, não se mostrava preenchido, faltando
dois elementos.
Os serviços do Ministério Público têm um quadro de 13 unidades (Portaria nº 721-A/2000, de 5 de
Distrito Judicial de Lisboa

Setembro) que, no final do ano, não se mostrava preenchido face à saída de um técnico de justiça
adjunto e à dispensa de quatro funcionários para as secções judiciais. A chefia cabe a um técnico de
justiça principal.
Estes quadros, quando estiverem totalmente preenchidos, são bastantes para o serviço.
A procuradora-geral distrital é apoiada por uma funcionária de justiça que a secretaria.

2. Área Processual

Na jurisdição penal, contabilizaram-se 3.841 intervenções, com os pareceres (escritos) a terem o maior
significado (2.913); as alegações/contra-alegações (sendo o número de alegações orais ligeiramente

142 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


superior), atingiram as 715; foram 132 os processos iniciados respeitantes à cooperação internacional
em matéria penal; registou-se um aumento significativo dos pareceres escritos em relação ao ano de
2007, em que foram produzidos 1.693.
Na jurisdição cível, num total de 1.411 intervenções, o Ministério Público elaborou 96 requerimentos/
petições, produzindo 1.204 alegações ou contra-alegações escritas, sendo o maior número delas (1.126)
em processos de revisão de sentenças estrangeiras.
Na jurisdição laboral, produziram-se por escrito 521 pareceres e 19 alegações e/ou contra-alegações,
num total de 540 intervenções.
Sendo o Ministério Público recorrente ou recorrido, foram interpostos 156 recursos para os tribunais
superiores.
Decidiram-se 6 reclamações hierárquicas e 49 conflitos de competência entre magistrados do Ministério
Público.
Do ano de 2007 transitaram 16 inquéritos contra magistrados, tendo-se iniciado no ano 45; 18 foram
arquivados e 11 terminaram por outros motivos; ficaram pendentes, para 2009, 32.

3. Área Administrativa

Vieram, de 2007, 120 processos administrativos, tendo-se iniciado durante o ano 369; findaram 300,
ficando pendentes 189 em 31 de Dezembro de 2008. Nestes números se incluem os processos
administrativos que acompanham processos da primeira instância, número que vem diminuindo todos
os anos, o mesmo acontecendo com os iniciados na Procuradoria-Geral Distrital para intentar providência
jurisdicional.
Relativamente às cartas rogatórias e actos judiciários, entraram 16, que se somaram às 14 vindas do ano
anterior; foram concluídas 9 e transitaram 21 para o ano de 2009.
Expediram-se 3.181 ofícios, (1.363 foram da secção de processos e 1.818 da secção administrativa)
maioritariamente dirigidos à Procuradoria-Geral da República e às Procuradorias da República.
O número de papéis e processos entrados atingiu a expressão de 7.832 (4.479 na secção de processos e
3.353 na secção administrativa), registando-se uma redução, por referência ao ano anterior, explicável
pelo início do funcionamento do Sistema de Informação do Ministério Público (SIMP). Distrito Judicial de Lisboa
4. Outros assuntos

A página Internet da Procuradoria-Geral Distrital, a funcionar desde 2003, continua a ser um instrumento
de trabalho da maior relevância. Contém imensa jurisprudência, designadamente do Tribunal
Constitucional e do Supremo Tribunal de Justiça, com excelente nível de actualização e tratamento.
Tem, ainda, em actividade um fórum que, em 2007, tinha mais de 6.000 membros. A percepção de
que o fórum poderia estar a ser utilizado de modo indevido, com a formulação de perguntas cuja
resposta (assegurada pela PGDL) serviria para utilização profissional remunerada de privados, determinou
a limitação de inscrição a magistrados.
Boa parte do êxito que vem sendo a página na Internet da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa deve-se

143
à acção dos dois magistrados que constituem o núcleo da Coordenação do Contencioso do Estado,
investindo em dinamizá-la, especialmente com intervenções que fazem no fórum; mostrando-se de
extraordinário relevo a acção da funcionária judicial que lhe está afecta.
O SIMP foi considerado instrumento de comunicação obrigatório no Distrito Judicial de Lisboa a
partir de 1 de Junho de 2008. No final do ano tinham sido recebidas na PGD 391 comunicações via
SIMP, tendo sido expedidas 165.

II. SERVIÇOS DO TRIBUNAL DA RELAÇÃO

1. Quadros de Magistrados

O quadro de magistrados judiciais do Tribunal da Relação, constante do mapa V anexo ao Decreto-Lei


nº 186-A/99, de 31 de Maio, é de 108, incluindo o presidente.
Durante o ano de 2008 o número de magistrados judiciais ultrapassou o número do quadro, sendo no
final do ano 131, distribuídos pelas nove secções, encontrando-se um magistrado de baixa por doença
prolongada.
Às cinco secções cíveis (1ª, 2ª, 6ª, 7ª e 8ª) estavam afectos 70 juízes desembargadores; às três secções
criminais (3ª, 5ª e 9ª,), 48; à secção social (4ª), pertenciam 12 juízes desembargadores.

2. Organização e Funcionamento das Secções

O tribunal dispõe de 9 secções de processos e da secção central; o quadro legal de funcionários é o


seguinte: secretário de tribunal superior (1), secretário judicial (1), escrivão de direito (9), escrivão
adjunto (11) e escrivão auxiliar (39).
No final do ano estavam em falta 14 unidades (escrivães auxiliares), o que tem reflexos no
desenvolvimento do serviço.

3. Movimento Processual

Movimentaram-se 14.582 processos, sendo 7.837 cíveis, 5.754 criminais e 991 laborais.
Neste ano entraram 11.352 processos (5.717 da jurisdição cível, 4.874 da jurisdição penal e 761 da
jurisdição social).
Distrito Judicial de Lisboa

Na jurisdição cível, dos processos iniciados no ano, o grande número foi de recursos: 4.235 (2.888
apelações e 1.347 agravos); as revisões de sentenças estrangeiras também tiveram algum significado
(1.200).
Na jurisdição penal, igualmente dentro dos processos iniciados, o número mais significativo também
foi o dos recursos (4.024), a que se somaram as reclamações (120) e os processos em que o Tribunal da
Relação funcionou em 1ª instância (693).
Na jurisdição social, nos processos iniciados, o maior significado está nos recursos: 733 (514 apelações,
172 agravos e 47 recursos penais).
Relativamente ao ano anterior, de entre os processos iniciados, na jurisdição cível houve uma descida

144 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


(-14%), manteve-se o ritmo da jurisdição social e houve um aumento significativo na jurisdição penal
(+23%).

III. SERVIÇOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO NO DISTRITO JUDICIAL

1.TÓPICOS GERAIS

Os quadros legais de magistrados carecem de revisão em algumas comarcas. Bastará, aliás, atentar no
número de auxiliares e na diferença de movimento processual verificada desde a data de fixação dos
quadros actuais, para se perceber essa necessidade.
O Conselho Superior do Ministério Público vem, desde há muito, pugnando pela reformulação de
quadros de magistrados e funcionários, com base em documentos elaborados pelos procuradores-gerais
distritais, o último dos quais foi apresentado em 2004.
Há comarcas onde o aumento de inquéritos, por um lado, e a estrutura judicial (com juízos e número
de juízes), por outro, e ainda situações de acumulação ou de faltas temporárias, impõem uma permanente
atenção e busca de soluções nem sempre possíveis e atempadas.
Paralelamente, o desajustamento dos quadros do Ministério Público relativamente ao dos juízes conduz
a que, em situações de nomeação de juízes auxiliares ou de criação de colectivos especiais para julgamento
de determinada causa — o que acontece com grande frequência no Distrito Judicial de Lisboa — não
haja capacidade de resposta por parte do Ministério Público. Acresce a isto que o Distrito Judicial de
Lisboa, pela sua proximidade em relação à Administração Central, constitui uma fonte permanente de
recrutamento de magistrados para comissões de serviço.
As grandes comarcas do distrito judicial, como é o caso de Lisboa, Almada, Cascais, Funchal, Loures,
Oeiras, Seixal, Sintra e Vila Franca de Xira exigem atenção permanente, de modo a obstar a indesejadas
acumulações de serviço.
As comarcas de média dimensão, mas onde se vivem algumas situações de dificuldade, como é o caso
das do Barreiro, Benavente, Caldas da Rainha, Mafra, Moita, Montijo, Ponta Delgada, Santa Cruz,
Sesimbra e Torres Vedras, demandam especial cuidado no acompanhamento da sua evolução.
No que se refere aos quadros de funcionários, não obstante terem sido legalmente reformulados (Portaria
nº 721-A/2000, de 5 de Setembro), em muitos casos não são os ajustados e muitas vezes nem sequer se Distrito Judicial de Lisboa
mostram preenchidos, factores a que se junta a falta de formação.
O carácter crónico de algumas situações, de que se destacam os casos de Sintra, Loures e Lourinhã,
acaba por gerar um quadro de irresponsabilização e de “deserção” dos melhores, com consequências
dramáticas no pleno do funcionamento dos serviços. Em Sintra, apesar das medidas especiais de reforço
adoptadas pela Direcção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ) na perspectiva de instalação da
comarca piloto de Grande Lisboa-Noroeste, persistem atrasos consideráveis na movimentação dos
processos. Em Loures, na sequência de várias insistências e da apresentação ao Ministério da Justiça de
uma proposta de alteração do quadro dos oficiais de justiça, existe a expectativa de que, em 2009, se
consiga não só a alteração do quadro como o seu preenchimento a níveis substanciais.
Para as grandes comarcas impõe-se encontrar soluções que passam pela melhoria das prestações dos
órgãos de polícia criminal e certamente também por reestruturações orgânicas. Há uma cultura

145
burocratizante nos procedimentos, uma gritante impreparação para as funções próprias do Ministério
Público, uma enorme falta de direcção das unidades funcionais, uma cada vez maior falta de solidariedade
activa no desempenho funcional, uma rigidez excessiva nos critérios de colocação e uma notória falta de
estabilidade dos quadros.
Relativamente à situação nos serviços administrativos do Ministério Público, no que aos inquéritos
respeita, tem-se vivido uma situação difícil, que perdura há anos, com despachos por cumprir durante
longos períodos de tempo. A DGAJ, tem revelado espírito de colaboração e o estado dos serviços
administrativos do Ministério Público vem conhecendo melhorias.

2. ACTIVIDADE DESENVOLVIDA

a) Jurisdição penal

Durante o ano iniciaram-se 224.436 inquéritos, mais 38.656 do que no ano anterior, e findaram-se
217.621 (menos 6.815 do que os entrados). Vinham pendentes de 31 de Dezembro de 2007, 80.798
e ficaram pendentes, para 2009, 87.613 inquéritos (mais 6.815 relativamente ao ano anterior).
O aumento do número de inquéritos iniciados, para além de traduzir um aumento real do volume de
participações, espelha igualmente a recuperação de registos atrasados, designadamente nas comarcas de
Loures e de Sintra.
No número de inquéritos iniciados cerca de 43% eram contra agentes desconhecidos; os crimes contra
o património representaram cerca de 59%; os crimes contra as pessoas cerca de 20%; os crimes de
emissão de cheque sem provisão e os crimes de tráfico de estupefacientes cerca de 1%.
Dos processos findos (217.621), 26.448 conduziram à acusação (sendo 2.413 em tribunal colectivo,
3.039 com utilização do artigo 16º, nº 3, do Código de Processo Penal, 2.197 em processo abreviado
e 1.726 em processo sumaríssimo); decidiu-se pela suspensão provisória em 2.867 processos; arquivaram-
-se 172.324 inquéritos, destes, 303 por dispensa de pena.
Dos que ficam pendentes para 2009 (87.613) ainda é elevado o número de antigos, pois que cerca de
2.701 são dos anos de 2005 e anteriores, o que representa cerca de 3% dos iniciados. Embora se registe
uma melhoria em relação ao ano anterior, em que os antigos eram 4,7% dos iniciados, ainda há um
longo espaço para progredir.
Foi requerida a instrução em 2.499 processos, sendo 1.701 pelo arguido e 798 pelo assistente. Transitam
Distrito Judicial de Lisboa

para 2009, 1.458, valor inferior ao dos transitados de 2007 (eram 1.907).
Relativamente aos processos penais classificados, foram distribuídos durante o ano 61.430, sendo
processos comuns 23.454; findaram-se 124.024 (mais 62.594 do que os iniciados) e, de entre estes,
28.580 processos comuns (mais 5.126 do que os iniciados da mesma natureza).
Durante o ano iniciaram-se 11.108 processos sumários.
No tribunal de execução de penas movimentaram-se 22.121 processos, tendo sido iniciados 16.974,
dos quais 16.061 graciosos. Nesta jurisdição, no que respeita à prestação do Ministério Público,
prosseguiu-se numa evolução positiva que deve evidenciar-se.
Não obstante haver ainda boa margem para melhorar, a verdade é que no Distrito Judicial de Lisboa a

146 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


suspensão provisória do processo, o processo sumaríssimo, o processo abreviado e o uso do disposto no
artigo 16º, nº 3, do Código de Processo Penal (singularizar processo colectivo) continuaram a ter bastante
boa expressão, contribuindo para uma menor pressão para o julgamento dos processos classificados.

b) Jurisdição cível

Em 2008 iniciaram-se 2.261 acções cíveis, declarativas e especiais, em que o Ministério Público
peticionou e/ou contestou (seja em representação do Estado e demais pessoas colectivas públicas, seja
em representação de incapazes, ausentes ou outras pessoas a quem o Estado deve protecção).
Nesta jurisdição, não obstante a elevada importância da actividade do Ministério Público, os dados
ainda não são colhidos com o rigor desejável, considerando as diversas áreas em que intervém.
Por outro lado, ao referirmo-nos, a seguir, à jurisdição comum/residual/de suporte, verificar-se-á que
esta área tem a ver, na maior parte, com a jurisdição cível; na verdade, é o que sucede com os processos
administrativos, com reclamações de créditos, com acções executivas.
Regista-se que no chamado Contencioso do Estado os valores em discussão no Distrito Judicial de Lisboa
são muito elevados. A excelente representação do Ministério Público tem assegurado uma percentagem de
procedência superior a 80%. No ano de 2008 foram instaurados 792 processos administrativos para
propositura/acompanhamento de acções (686) ou contestação (106) em processos em que o Estado figurou
como autor ou réu, envolvendo um total de 525.977.151 euros. A estatística anual do contencioso
patrimonial do Estado, em anexo, é elucidativa das necessidades de coordenação nessa área.
A estrutura criada na Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, no ano de 2001, denominada Coordenação
do Contencioso do Estado (CCE) tem-se revelado absolutamente indispensável à adequada prestação
do Ministério Público, nesta jurisdição.
A existência de uma estrutura como a CCE tem-se revelado de grande utilidade, sobretudo no apoio
qualificativo que é possível prestar, quer aos magistrados do Ministério Público que exercem funções
nos diversos tribunais (e, nalguns casos, não só do Distrito Judicial de Lisboa), quer a outras entidades
como a Procuradoria-Geral da República e diversos organismos da Administração, no tratamento e
encaminhamento de diversos litígios de natureza cível que envolvem o Estado.
Assim, ao longo de 2008, a CCE foi chamada a dar resposta a numerosas e diversificadas solicitações,
designadamente no tocante à definição de estratégias de actuação processual do Ministério Público em
casos de especial relevo, na elaboração de projectos de articulados em acções mais complexas ou de valor
Distrito Judicial de Lisboa
consideravelmente elevado, na apreciação e encaminhamento de diversas propostas de transacção, no
aconselhamento de magistrados e outras entidades sobre questões relacionadas com litígios judiciais ou
extrajudiciais e no fornecimento de elementos processuais e jurisprudenciais úteis à elaboração de
articulados. Se é certo que esta estrutura apoia o Ministério Público e não só na área do distrito judicial,
também o é que a criação e implementação de departamento de âmbito nacional seria um significativo
passo na melhoria da prestação.
A reforma do contencioso administrativo, a vigorar desde Janeiro de 2004, já teve tradução nos tribunais
judiciais, diminuindo o número de acções; mas, até por isso, seria mais um motivo para se estruturar
um departamento do Contencioso do Estado, no âmbito da Procuradoria-Geral da República.
Foi dedicada atenção particular à intervenção do Ministério Público em matéria de interesses difusos,

147
tendo-se concentrado na Procuradoria da República junto dos Juízos Cíveis de Lisboa o estudo e
preparação dos pertinentes dossiers.
Neste âmbito foram instaurados 30 processos administrativos tendo por objecto cláusulas contratuais
gerais insertas em contratos de concessão de crédito ao consumo e para aquisição de habitação, dispostos
por instituições bancárias e/ou financeiras, cujos exemplares foram remetidos ao Ministério Público
pela Direcção-Geral do Consumidor.
No decurso do ano foram propostas 19 acções relativas a cláusulas contratuais gerais insertas em contratos
de adesão, sendo 7 relativas a contratos em uso por instituições bancárias/financeiras; 5 relativas a
contratos em uso por empresas de telecomunicações; 4 relativas a contratos em uso por ginásios; 2
relativas a contratos em uso por seguradoras; e 1 relativa a contrato utilizado por uma empresa prestadora
de serviços (compra e venda de automóveis).
Procedeu-se ainda ao arquivamento de 7 processos administrativos relativos a cláusulas contratuais
gerais e 16 outros processos foram transmitidos, com projecto de petição inicial, para o Ministério
Público junto de outras comarcas. Encontram-se em fase de instrução, nos juízos cíveis, 10 processos
administrativos. No seu conjunto, foram movimentados, relativamente à matéria das cláusulas contratuais
gerais, 87 processos administrativos.

c) Jurisdição de família e menores

O Ministério Público tem uma actividade marcante nesta jurisdição.


Em 2008, considerando tão-só os processos tutelares, os de promoção e protecção e os inquéritos
(tutelares educativos) movimentaram-se 57.320, tendo-se iniciado 26.281 (18.526 acções tutelares e
incidentes, 2.610 processos de promoção e protecção e 5.145 inquéritos).
Nas acções tutelares cíveis, o que maior significado tem, em termos quantitativos, é o contencioso
relacionado com o exercício do poder paternal (38.919 processos movimentados, tendo-se iniciado
15.813); mas também as averiguações oficiosas (2.415 movimentadas, das quais 1.271 iniciadas), os
alimentos (1.630 movimentados, dos quais 516 iniciados) e as adopções (522 movimentados, dos
quais 305 iniciados). Nas averiguações oficiosas anote-se que sensivelmente 40% das findas o foram
por perfilhação.
Dos processos de promoção e protecção, a quase totalidade dos iniciados deveu-se a requerimento do
Ministério Público.
Nos inquéritos (processo tutelar educativo), o número de processos findos foi ligeiramente inferior ao
Distrito Judicial de Lisboa

dos iniciados (4.657 e 5.145), anotando-se que 1.732 foram arquivados por falta de indícios, 1.190
por despacho liminar e 562 tiveram abertura de fase jurisdicional.
Durante o ano foi implementada, ao nível do Distrito Judicial, a rede de magistrados da área de família
e menores, uma estrutura horizontal na qual se integram todos os magistrados que desempenham
funções nessa área. A rede, que reuniu duas vezes na PGD, constitui um espaço de análise dos modelos
de intervenção do Ministério Público em matéria de família e menores, de consensualização de
procedimentos e de troca de experiências. As reuniões são precedidas de preparação com escolha dos
temas, por sugestão dos magistrados ou indicação da PGD, e têm conclusões obrigatórias.

d) Jurisdição laboral
No ano movimentaram-se 2.849 acções declarativas. Em 2.694 dessas acções o Ministério Público

148 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


representava o trabalhador; iniciaram-se 1.146 acções, nas quais o Ministério Público assumiu a
representação do trabalhador.
Iniciaram-se 5.583 processos por acidente de trabalho não mortal e 188 por acidente mortal. Destes
processos, o número de pendentes no fim do ano era ligeiramente inferior ao do início (4.244 e 4.527,
respectivamente).
O número de processos respeitantes a doenças profissionais teve pouca expressão (22 iniciados em 50
movimentados).
Nos processos por acidentes de trabalho, o Ministério Público levou a cabo 5.040 tentativas de
conciliação, formulou 424 requerimentos para junta médica, requereu em 855 processos a actualização
de pensão e pediu a revisão de incapacidade/pensão em 236 casos, para além de muitas centenas de
outras intervenções.

e) Jurisdição comum/residual/de suporte

Titula-se esta jurisdição “comum/residual/de suporte” para se relatar toda uma actividade do Ministério
Público que tem muito significado e não cabe especificamente nas jurisdições até agora tratadas, por ser
comum ou de suporte de todas ou várias delas, ou meramente residual.
Na área dos processos administrativos, movimentaram-se 25.090 (tendo-se iniciado 12.154); com
base neles foram propostas 4.429 providências judiciais ou acções; e contestadas 596.
O Ministério Público instaurou 25.448 execuções. Deste número, a parcela com maior significado
respeita a execuções por custas, multas e coimas (22.443).
Na área dos recursos, o Ministério Público figurou como recorrente em 1.141 processos (1.021 penais,
47 cíveis, 32 de família e menores e 41 laborais) e como recorrido em 2.772 (2.545 penais, 90 cíveis,
73 de família e menores e 64 laborais).
A área dos recursos de impugnação em processo de contra-ordenação continua a assumir bastante relevo.
Movimentaram-se 10.980 processos, tendo-se iniciado 2.373.
Durante o ano de 2008, o Ministério Público reclamou créditos em 2.179 processos, cumpriu 10.370
cartas precatórias/rogatórias, deu 4.055 pareceres em acções de divórcio das conservatórias, teve 2.477
intervenções em Comissões de Protecção de Crianças e Jovens e atendeu mais de 19.198 cidadãos nos
seus serviços.
Distrito Judicial de Lisboa
3. OUTRAS INFORMAÇÕES

Vamos percorrer os diversos círculos, apontando em cada um dados respeitantes à organização judiciária,
situação dos quadros de magistrados do Ministério Público, funcionários, instalações, equipamentos e
uma ou outra nota de maior interesse colhida dos relatórios dos procuradores da República.

CÍRCULO JUDICIAL DE ALMADA

Compreende as comarcas de Almada, Seixal e Sesimbra.


A comarca de Almada tem 4 juízes de círculo e o tribunal de comarca desdobra-se em 4 juízos cíveis e
3 juízos criminais; na sede do círculo funcionam o tribunal de trabalho e o tribunal de família e menores,
ambos com 2 juízos.
149
A comarca do Seixal tem 3 juízos cíveis e 3 juízos criminais, bem como 2 juízos de família e menores,
com 3 juízes.
A comarca de Sesimbra tem o tribunal de comarca.
O quadro de magistrados do Ministério Público é de 15 (3 deles procuradores da República), na comarca
de Almada e de 11 na comarca do Seixal (2 deles procuradores da República); na comarca de Sesimbra
é de 2 procuradores-adjuntos. O quadro de Sesimbra é manifestamente exíguo pelo que, há anos, tem
sido ali colocado magistrado auxiliar.
O quadro de funcionários do Ministério Público (32 unidades em Almada, 21 no Seixal e 4 em Sesimbra)
é escasso para as necessidades das 2 primeiras comarcas e nem sempre tem estado preenchido.
As instalações de Almada, respeitantes ao tribunal de comarca, são modernas e funcionais, apesar de
algumas deficiências estruturais; o tribunal do trabalho está instalado no antigo Palácio da Justiça, onde
está também sedeado o tribunal administrativo e fiscal; o tribunal de família e menores funciona no
antigo tribunal do trabalho, no centro de Almada, tendo sido objecto de intervenção recente com vista
à adaptação do tribunal de família e menores; as do Seixal são modernas, mas logo de início mal
dimensionadas; as de Sesimbra não são adequadas para as funções.
Em qualquer das três comarcas funcionam Comissões de Protecção de Crianças e Jovens.
Nas comarcas de Almada e Seixal justifica-se a criação e instalação de DIAP.
O círculo de Almada, tal como o do Barreiro, é particularmente afectado pela criminalidade violenta
grupal.

CÍRCULO JUDICIAL DA AMADORA

Círculo unicomarcão, instalado em Janeiro de 2001. Compreende apenas a jurisdição cível.


Estão a funcionar 3 juízos cíveis e 2 juízes de círculo.
O quadro de magistrados do Ministério Público em exercício é de 2 unidades (uma delas procurador da
República).
O quadro de funcionários do Ministério Público em exercício é constituído por 2 unidades.
As instalações são provisórias e satisfazem para o segmento funcional instalado, mas os espaços destinados
Distrito Judicial de Lisboa

a arquivo e espólio não dão resposta adequada, o que dificulta, designadamente, a apreensão de bens de
maior porte, nas penhoras.
A integração na comarca da Grande Lisboa-Noroeste, cuja instalação foi adiada para Abril de 2009,
implicará a criação de instalações adequadas aos novos juízos e ao DIAP.

CÍRCULO JUDICIAL DE ANGRA DO HEROÍSMO

Compreende as comarcas de Angra do Heroísmo, Horta, Praia da Vitória, Santa Cruz das Flores, Santa
Cruz da Graciosa, S. Roque do Pico e Velas.
No círculo não existe tribunal do trabalho, o que significa que os processos desta jurisdição são
distribuídos pelos tribunais de comarca.

150 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


A comarca de Angra do Heroísmo tem 2 juízes de círculo e o tribunal desdobra-se em 2 juízos de
competência genérica; cada uma das outras comarcas tem o respectivo tribunal.
O quadro de magistrados do Ministério Público em Angra do Heroísmo é de 4 unidades (uma delas
procurador da República); nas restantes comarcas é de 1 procurador-adjunto; na Horta e Praia da Vitória
exercem funções 2 procuradores-adjuntos (um em cada); nas restantes (Santa Cruz das Flores, Santa
Cruz da Graciosa, S. Roque do Pico e Velas) vêm exercendo funções substitutos de procurador-adjunto.
A comarca da Horta tem já volume de serviço excessivo para o quadro legal de magistrados previsto.
Em Angra do Heroísmo, o quadro de funcionários é de 7 unidades, mas está permanentemente desfalcado;
na Praia da Vitória e Horta, é de 3 e 2, respectivamente; em cada uma das outras é de 1 unidade.
Também na comarca da Horta o quadro de funcionários não é adequado ao volume de serviço.
As instalações de Santa Cruz das Flores e Santa Cruz da Graciosa são recentes; são escassas em Angra do
Heroísmo e Horta e a carecerem de cuidados de manutenção na Praia da Vitória.
Há carência de equipamento na maioria das comarcas.
As casas de função, existentes em algumas das comarcas, carecem de obras em alguns casos e noutros de
equipamentos. Não existem casas de função na Graciosa e na Praia da Vitória.

CÍRCULO JUDICIAL DO BARREIRO

O círculo do Barreiro compreende as comarcas de Barreiro, Moita e Montijo.


A comarca do Barreiro tem 3 juízes de círculo; com competência na área do círculo funcionam um
tribunal de família e menores e um do trabalho; o tribunal de comarca desdobra-se em 3 juízos cíveis e
2 juízos criminais. O quadro total é de 10 juízes.
As comarcas da Moita e Montijo desdobram-se, cada uma delas, em 3 juízos de competência genérica.
O quadro de magistrados do Ministério Público é de 9 no Barreiro (3 deles procuradores da República),
3 na Moita e 3 no Montijo.
O quadro dos funcionários é de 18 unidades no Barreiro e de 6 em cada uma das outras duas comarcas,
a revelarem-se insuficientes para o volume de trabalho e nem sempre esteve preenchido. Distrito Judicial de Lisboa
As instalações do Barreiro foram inauguradas em 17 de Janeiro de 2000, sendo suficientes e adequadas,
embora se note uma constante degradação do edifício, quer interior quer exteriormente. As instalações
da Moita, inauguradas em Setembro de 1994, são exíguas para os serviços do Ministério Público e as
do Montijo, já com cerca de 50 anos, vão respondendo, cada vez com maior dificuldade, nomeadamente
ao nível dos espaços para arquivo.
Em qualquer das três comarcas há deficiências ao nível dos equipamentos e da segurança.
No Barreiro e Montijo existem casas de função, o que não acontece na Moita.
Estão instaladas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens.
Na comarca do Montijo, com a Ponte Vasco da Gama, vem crescendo acentuadamente o nível do serviço.

151
A criminalidade anda muito associada aos roubos e aos estupefacientes.

CÍRCULO JUDICIAL DAS CALDAS DA RAINHA

O círculo de Caldas da Rainha compreende as comarcas de Caldas da Rainha, Bombarral, Peniche e Rio
Maior.
A comarca de Caldas da Rainha tem 2 juízes de círculo e o tribunal do trabalho com área de jurisdição
no círculo; o tribunal de comarca desdobra-se em 3 juízos. O quadro total é de 6 juízes. As comarcas de
Peniche e Rio Maior têm, cada uma, o tribunal de comarca desdobrado em 2 juízos. A comarca de
Bombarral tem o tribunal de comarca, com 1 juiz.
O quadro de magistrados do Ministério Público é de 6 unidades (duas são procuradores da República)
nas Caldas da Rainha, 2 procuradores-adjuntos em Peniche e Rio Maior e 1 procurador-adjunto no
Bombarral.
O quadro de funcionários do Ministério Público comporta 10 unidades nas Caldas da Rainha, 4 em
Peniche, 3 em Rio Maior e 1 em Bombarral, quadro escasso para o volume de serviço e nem sempre
preenchido.
Nas Caldas da Rainha o tribunal está instalado no Palácio da Justiça, em edifício de 1965, sendo as áreas
disponíveis exíguas face ao volume de serviço e ao número de juízos. No final do ano decorriam obras
de reabilitação. O tribunal do trabalho está instalado em edifício destinado a habitação, gerando
dificuldades aos trabalhadores com deficiências físicas. Em Peniche, as instalações são de 1993, revelando-
-se exíguas as destinadas aos serviços de apoio ao Ministério Público. É igualmente inadequado o número
de salas de audiências: uma para dois juízos. Em Rio Maior, datam de 1961, carecem de obras e de
melhores condições de segurança, são exíguas, existindo uma única sala de audiências para dois juízos.
No Bombarral, foram inauguradas em 1 de Fevereiro de 2001 e, não obstante não serem vocacionadas
para tribunal, respondem satisfatoriamente.
Em qualquer das quatro comarcas há carência de equipamentos.
Existem casas de função, mas maioritariamente carecem de obras e de apetrechamento com mobiliário
e equipamento.
Estão instaladas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens.
A situação da comarca de Caldas da Rainha deteriorou-se, em matéria de inquéritos, em virtude da
Distrito Judicial de Lisboa

acção de uma magistrada para a qual foi pedida intervenção disciplinar.

CÍRCULO JUDICIAL DE CASCAIS

Círculo unicomarcão.
A comarca de Cascais tem 3 juízes de círculo, o tribunal de família e menores (que abrange na área de
jurisdição a comarca de Oeiras) com 3 juízos (o terceiro instalado em 1 de Setembro de 2007) e o
tribunal do trabalho; o tribunal da comarca desdobra-se em 4 juízos cíveis e 4 juízos criminais.
O quadro de magistrados do Ministério Público é de 20 unidades (quatro delas procuradores da
República) e esteve deficitário ao longo do ano.

152 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


O quadro de funcionários é de 32 unidades, nem sempre preenchido e claramente insuficiente para as
necessidades.
As instalações são recentes e funcionais, com melhorias implementadas ao nível da segurança. Está, no
entanto, esgotado o espaço de arquivo e de espólio, verificando-se igualmente a inexistência de adequado
espaço para o parqueamento de veículos apreendidos.
O equipamento informático é obsoleto e não responde às necessidades de serviço.
Existem casas de função.
Estão instaladas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Cascais e Oeiras.
É comarca em que se justificaria a criação e instalação de DIAP.

CÍRCULO JUDICIAL DO FUNCHAL

Compreende as comarcas do Funchal, Ponta do Sol, Porto Santo, S. Vicente e Santa Cruz.
A comarca do Funchal tem uma vara mista com 4 juízes, o tribunal de família e menores, o tribunal de
trabalho e o tribunal marítimo (este não instalado); o tribunal de comarca desdobra-se em 4 juízos
cíveis e 3 juízos criminais. A comarca de Santa Cruz desdobra-se em 2 juízos; cada uma das restantes
comarcas tem o respectivo tribunal.
O quadro de magistrados do Ministério Público no Funchal é de 16 unidades (quatro delas procuradores
da República); em Santa Cruz e Ponta do Sol são 2 os procuradores-adjuntos do quadro; nas restantes
1 procurador-adjunto. Em Porto Santo vem exercendo funções um substituto de procurador-adjunto.
O quadro de funcionários no Funchal é de 31 unidades; em Santa Cruz são 5 as unidades, em Ponta do
Sol 4, em Porto Santo e S. Vicente 1 unidade; nem sempre o quadro se mostra preenchido, o que tem
reflexos nos serviços.
As instalações no Funchal espalham-se por três locais. Continuam a registar-se carências de espaço,
sendo insuficientes as do tribunal judicial também nas comarcas de Santa Cruz e S. Vicente. As
instalações, antigas, são deficientes. No Porto Santo, as instalações, num edifício restaurado em 1995,
são inadequadas. As instalações do tribunal de Ponta do Sol, inauguradas em 2005, são já insuficientes
para satisfazer as necessidades. Distrito Judicial de Lisboa
Há carências de equipamentos e, na comarca do Funchal, não existe sistema de ar condicionado.
As casas de função disponíveis não correspondem às necessidades no Funchal e em Santa Cruz. Esta é
uma situação a carecer de atenção, designadamente porque vários são os magistrados colocados na
Região Autónoma da Madeira que sentem dificuldades para solucionar o problema habitacional.
Ainda há dificuldades de resposta aos problemas dos jovens desadaptados e de menores.
A carência de oficiais de justiça, seja nos quadros legais, seja em exercício, é mais notória nas comarcas
do Funchal, Ponta do Sol e Santa Cruz.
A reorganização do serviço do Ministério Público da comarca do Funchal, em 2007, tem permitido
dar uma resposta mais adequada às necessidades e uma simplificação de procedimentos.

153
Registou-se uma evolução notória na capacidade de resposta na área da criminalidade económico-
-financeira, apesar da instabilidade dos quadros do Ministério Público.

CÍRCULO JUDICIAL DE LOURES

Compreende a própria comarca.


Tem 2 varas mistas com 6 juízes, tribunal de família e menores (com 3 juízos) e tribunal de trabalho
(com 2 juízos); o tribunal de comarca desdobra-se em 6 juízos cíveis, 4 juízos criminais e 2 juízos de
pequena instância criminal.
O quadro de magistrados do Ministério Público é de 26 unidades (seis delas procuradores da República).
O quadro de funcionários do Ministério Público é de 30 unidades, número manifestamente insuficiente
para as necessidades. Foi apresentada ao Ministério da Justiça uma proposta de alteração do quadro de
oficiais de justiça que conheceu receptividade, tanto mais quanto a situação tem vindo a ser acompanhada
pela DGAJ que, a solicitação desta PGD, colocou no tribunal uma equipa com a responsabilidade de
regularizar os registos atrasados, objectivo que, no final do ano, se mostrava alcançado. Continuam, no
entanto, a verificar-se atrasos graves no cumprimento dos despachos finais e dos despachos interlocutórios.
As instalações, apesar de relativamente recentes, revelam-se já insuficientes para as necessidades do serviço
e o tribunal de pequena instância criminal, instalado em 2001, teve de ficar sedeado nas antigas instalações
do tribunal.
O equipamento informático instalado é obsoleto e evidencia dificuldades de resposta (é lento, bloqueia
com frequência e não está dotado de placas de som).
Estão instaladas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens nos Municípios de Odivelas e Loures.
A comarca de Loures reúne os pressupostos para ser criado e instalado DIAP.

CÍRCULO JUDICIAL DE OEIRAS

Corresponde à comarca.
Tem 3 juízes de círculo. O tribunal de comarca desdobra-se em 5 juízos cíveis e 4 juízos criminais.
Distrito Judicial de Lisboa

As matérias referentes à jurisdição de menores e família são da competência do tribunal de família e


menores de Cascais; na jurisdição laboral a competência é do tribunal de trabalho de Lisboa.
O quadro de magistrados do Ministério Público é de 16 (sendo dois procuradores da República).
O quadro de funcionários é de 24 unidades, insuficiente e também não preenchido.
As instalações revelam-se insuficientes para responder às necessidades do tribunal; magistrados do
Ministério Público compartilham gabinetes e o arquivo já ocupa espaços fora do edifício. O edifício
tem sinais de degradação a justificar intervenção.
Está instalada a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.
É comarca em que se justifica a criação e instalação de DIAP.

154 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


CÍRCULO JUDICIAL DE PONTA DELGADA

Compreende as comarcas de Ponta Delgada, Nordeste, Povoação, Ribeira Grande, Vila Franca do Campo
e Vila do Porto; criada mas não instalada permanece a comarca de Lagoa.
A comarca de Ponta Delgada tem 2 juízes de círculo, o tribunal de família e menores com 2 juízes, o
tribunal do trabalho e o tribunal marítimo (este não instalado); o tribunal de comarca desdobra-se em
5 juízos; a comarca de Ribeira Grande desdobra-se em 2 juízos; cada uma das restantes tem o tribunal
de comarca.
O quadro de magistrados do Ministério Público é de 10 unidades (três delas procuradores da República)
em Ponta Delgada; na Ribeira Grande é de 2 procuradores-adjuntos, o que é manifestamente insuficiente;
nas restantes é de um procurador-adjunto. As comarcas de Nordeste e Povoação estão agregadas; nestas
e na comarca de Vila do Porto vêm desempenhando funções substitutos de procurador-adjunto.
O quadro de funcionários é de 15 unidades em Ponta Delgada, 4 na Ribeira Grande, 2 em Vila Franca
do Campo e 1 em cada uma das restantes comarcas.
No que se refere a instalações, no círculo judicial de Ponta Delgada, à excepção dos tribunais de Nordeste,
Vila Franca do Campo, Vila do Porto e Tribunal do Trabalho, todos têm instalações adequadas.
O tribunal do trabalho está sedeado em edifício pertença da Secretaria Regional do Trabalho, inadequado
às funções.
Há carências ao nível dos equipamentos.
Existem casas de função em algumas comarcas, nem sempre habitáveis, mas não em Vila Franca do
Campo. Também aqui importa evidenciar a necessidade de casas de função como instrumento que
viabilize a colocação de magistrados na Região Autónoma dos Açores.

CÍRCULO JUDICIAL DE SINTRA

Corresponde à comarca.
Tem 2 varas mistas (com 6 juízes), tribunal de família e menores (com 3 juízos) e tribunal do trabalho;
o tribunal de comarca desdobra-se em 6 juízos cíveis e 4 juízos criminais; este quadro evidencia dificuldades
na resposta ao serviço. Distrito Judicial de Lisboa
Como sede da futura comarca da Grande Lisboa-Noroeste, foi alvo de medidas de reorganização dos
serviços do Ministério Público, tendo igualmente sido objecto de uma intervenção da DGAJ no sentido
de reduzir os atrasos verificados nos serviços de apoio.
O quadro de magistrados do Ministério Público é de 22 unidades (seis delas procuradores da República).
O quadro de funcionários do Ministério Público, de 44 unidades, é insuficiente e nem sempre esteve
preenchido ao longo do ano.
As instalações são novas, tendo sido inauguradas em 2005.
Há Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.
Apesar da intervenção da DGAJ, a situação dos serviços de apoio do Ministério Público não estava

155
saneada no final do ano, o que se deveu à insuficiência do dispositivo de reforço e à qualidade das
chefias.

CÍRCULO JUDICIAL DE TORRES VEDRAS

Compreende as comarcas de Torres Vedras, Cadaval, Lourinhã e Mafra.


A comarca de Torres Vedras tem 2 juízes de círculo e o tribunal do trabalho; o tribunal da comarca
desdobra-se em 3 juízos; a comarca de Mafra desdobra-se em 2 juízos; as 2 restantes têm o tribunal de
comarca.
O quadro de magistrados do Ministério Público em Torres Vedras é de 5 unidades (duas delas
procuradores da República); em Mafra é de três procuradores-adjuntos; nas duas restantes de um
procurador-adjunto.
Nas comarcas de Torres Vedras e Lourinhã vem-se notando a necessidade de adequar os quadros de
magistrados, face ao volume de serviço.
Mafra será integrada na comarca da Grande Lisboa-Noroeste, com a entrada em vigor do novo mapa
judiciário.
O quadro de funcionários é de 8 unidades em Torres Vedras, 4 em Mafra, 2 na Lourinhã e 1 no
Cadaval; são notoriamente deficientes os quadros de Torres Vedras e Lourinhã. A falta de funcionários
na Lourinhã está a gerar enormes deficiências na resposta do Ministério Público.
O tribunal judicial de Torres Vedras está instalado no Palácio da Justiça, com décadas de uso, que teve
obras de ampliação e restauro. O tribunal de trabalho está instalado em edifício destinado à habitação e
com más condições de funcionamento; as instalações do tribunal da Lourinhã carecem de manutenção; as
de Mafra são de 1997, mas a necessitarem de manutenção; as do Cadaval foram inauguradas em 2005.
Há casas de função em Torres Vedras, na Lourinhã e Mafra, mas não no Cadaval.
Deverá ser ponderada a criação de tribunal de família e menores, eventualmente com área de jurisdição
também no círculo de Caldas da Rainha.

CÍRCULO JUDICIAL DE VILA FRANCA DE XIRA

Compreende as comarcas de Vila Franca de Xira, Alenquer e Benavente.


Distrito Judicial de Lisboa

A comarca de Vila Franca de Xira tem 4 juízes de círculo, tribunal de família e menores e tribunal do
trabalho (ambos com 2 juízos); o tribunal de comarca desdobra-se em 3 juízos cíveis e 2 juízos criminais;
os tribunais de comarca de Alenquer e Benavente desdobram-se, cada um, em dois juízos.
O quadro de magistrados do Ministério Público em Vila Franca de Xira é de 10 unidades (três delas
procuradores da República); o de Alenquer e de Benavente, é de 2 procuradores-adjuntos. Na comarca
de Benavente mostra-se necessário rever o quadro legal de magistrados.
O quadro de funcionários do Ministério Público é de 16 unidades em Vila Franca de Xira, 4 em
Alenquer e 5 em Benavente, notoriamente insuficiente na primeira e última das citadas comarcas.
As instalações do tribunal de Vila Franca de Xira caracterizam-se pela dispersão e escassez de espaço; as
do tribunal de Benavente carecem de manutenção e as de Alenquer são recentes.

156 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Há casas de função nas 3 comarcas, mas as de Alenquer estão desocupadas por também não terem
condições de habitabilidade.
Está instalada a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Vila Franca de Xira.

Pelo volume processual justifica-se a criação de DIAP em Vila Franca de Xira.

CÍRCULO JUDICIAL DE LISBOA

O círculo/comarca de Lisboa tem uma organização judiciária específica que percorreremos partindo da
organização do Ministério Público.
A competência territorial do DIAP e dos tribunais criminais abrange o Município da Amadora. O
tribunal do trabalho alarga a sua área de jurisdição à comarca de Oeiras; o tribunal de execução de penas
tem competência alargada ao distrito judicial e a uma parte do distrito judicial de Évora; o tribunal
marítimo tem jurisdição nacional, já que outros estão criados, mas não instalados.
O quadro de magistrados do Ministério Público, global para a comarca, é de um procurador-geral
adjunto, 70 procuradores da República e 100 procuradores-adjuntos.
A criação e instalação da comarca da Grande Lisboa-Noroeste determinará a transferência de competências
nas áreas criminal, de família e menores e laboral de Lisboa para a nova circunscrição.
Percorramos então, agora, os diversos sectores em que se organiza o Ministério Público, com referências
à organização judiciária, quadros de magistrados e funcionários, instalações, equipamentos e outras
notas.

1. DIAP DE LISBOA

O departamento de investigação e acção penal é uma organização própria do Ministério Público, acolhida
no seu estatuto, mas que funciona com proximidade bastante do tribunal de instrução criminal.
O tribunal de instrução criminal, com competência nas áreas das comarcas de Lisboa e Amadora, instalado
na Rua Gomes Freire, em Lisboa, estrutura-se em 5 juízos, cada um com 2 juízes.
O DIAP, por sua vez, estrutura-se em 13 secções: 7 instaladas na Rua Gomes Freire e 6 (5ª, 6ª, 7ª, 10ª,
11ª e 12ª) sedeadas na Av. Casal Ribeiro. Na Rua José Estêvão está instalado o arquivo geral de processos
Distrito Judicial de Lisboa
e objectos.
Quatro secções do DIAP são especializadas, instruindo inquéritos que têm por objecto crimes de dada
natureza: a 1ª com processos respeitantes aos crimes de estupefacientes; as 3ª e 8ª com processos
respeitantes aos crimes de burla e delitos fiscais; a 9ª com processos relativos a crimes praticados no
exercício de funções públicas, a crimes informáticos e às fraudes contra os interesses financeiros da
União Europeia; e a 13ª vocacionada para a utilização das formas processuais simplificadas; as outras 8
secções (2ª, 4ª, 5ª, 6ª, 7ª, 10ª, 11ª e 12ª) são genéricas, cabendo-lhes os inquéritos que têm por objecto
crimes que não são de distribuir àquelas especializadas.
Algumas secções genéricas têm afecta determinada natureza de processos, o que acontece com a 2ª, à
qual são distribuídos abusos sexuais e maus tratos de menores; com a 4ª, à qual são distribuídos crimes

157
envolvendo agentes de autoridade; com a 6ª, à qual se distribuem os inquéritos relacionados com
negligência médica; e a 10ª, com os crimes militares.
Durante o ano de 2008, por determinação do procurador-geral da República, foi criada no DIAP uma
unidade de combate ao crime violento, sedeada na 11ª secção.
O quadro de magistrados é composto por um procurador-geral adjunto, que o dirige, 8 procuradores
da República e 61 procuradores-adjuntos, uns e outros distribuídos pelas várias secções. No final do
ano o quadro estava preenchido.
O quadro de funcionários é de 169 unidades, divididas pela secção central e pelas secções de processos.
O não preenchimento do quadro, adicionado ao facto de não estar permanentemente preenchido e às
faltas ocasionais que atingem valores significativos, gera dificuldades no funcionamento dos serviços.
Está prevista para 2009 a mudança para as instalações do “Campus da Justiça”, circunstância que atenuará
as actuais dificuldades em matéria de instalações.
A problemática da informatização do Ministério Público e das necessidades de conexão com os sistemas das
polícias adquire no DIAP uma acuidade especial, face ao volume processual com que o departamento lida.

2. PROCURADORIA DAS VARAS CRIMINAIS E TRIBUNAL DE EXECUÇÃO DAS PENAS

São 8 as varas criminais, cada uma com 3 juízes. No final do ano, porém, mantinham-se cerca de 40
juízes em exercício, causando dificuldades à resposta do Ministério Público.
O Tribunal de Execução das Penas (TEP) tem 4 juízos, cada um com 1 juiz.
O quadro de magistrados do Ministério Público é de 20 procuradores da República (18 nas varas
criminais e 2 no TEP). É um quadro adequado às necessidades, nas varas criminais, em audiências de
julgamento a carecerem de intervenção atenta, sabedora e eficaz do Ministério Público e no TEP, no
acompanhamento dos vários processos que aí têm tramitação. Contudo, a facilidade com que o Conselho
Superior da Magistratura autoriza a criação de colectivos paralelos que se dedicam, em exclusividade, ao
julgamento de um processo e a falta de comunicação com o Conselho Superior do Ministério Público
gera, amiúde, graves dificuldades de resposta por parte do Ministério Público.
O quadro de funcionários é de 12 unidades (10 nas varas criminais e 2 no TEP), mas no final de 2008,
nas varas, o nível de preenchimento mantinha-se baixíssimo, por má compreensão, por parte da DGAJ,
das necessidades de apoio ao Ministério Público em julgamento.
Distrito Judicial de Lisboa

Instaladas as varas criminais no velho edifício da Boa-Hora, os espaços para os serviços e arquivo não
abundam e a sua inserção geográfica traz dificuldades ao nível de espaços para estacionamento dos
veículos dos operadores judiciários, maxime dos magistrados. A situação alterar-se-á com a mudança
para o “Campus”, também prevista para 2009. O TEP está instalado em Monsanto.
Como notas relevantes destaca-se, relativamente às varas criminais, uma grande eficácia nos julgamentos
que superam em número os processos iniciados e a tendência para o aumento da complexidade e do
volume dos processos em julgamento, a exigirem especial atenção.
No TEP a actividade do Ministério Público pauta-se pela normalidade.
Têm ocorrido reuniões periódicas de coordenação entre os tribunais de julgamento (varas, juízos
criminais, pequena instância criminal e DIAP).

158 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


3. PROCURADORIA DOS JUÍZOS CRIMINAIS

São 6 os juízos criminais, cada um com 3 secções judiciais e 3 juízes.


O quadro de magistrados do Ministério Público é de 19 unidades (uma delas o procurador da República).
O quadro é adequado às necessidades, se preenchido.
O quadro de funcionários do Ministério Público é de 12 unidades, nem sempre preenchido; se maior
fosse poder-se-ia obter maior rentabilidade da acção dos magistrados.
Prevê-se para 2009 a mudança das instalações para a “Campus da Justiça”, com o que se eliminarão as
dificuldades decorrentes da dispersão por dois edifícios.
Como notas a relevar, as audiências de julgamento ainda são marcadas com uma distância considerável
e indesejável (no entanto, realizaram-se, em 2008, 70% dos julgamentos marcados) e existem dificuldades
ao nível da tradução e retroversão de cartas rogatórias.

4. PROCURADORIA DOS CÍVEIS

São 14 as varas cíveis, cada uma delas com 3 juízes. O Decreto-Lei nº 250/2007, de 29 de Junho,
extinguiu as 15ª, 16ª e 17ª Varas Cíveis, mantendo, todavia, a 15ª como liquidatária; são 10 os juízos
cíveis, instalados 5 no Palácio da Justiça e outros tantos na Rua Mouzinho da Silveira, cada um deles
com 3 juízes; mantêm-se em funcionamento 11 juízos de pequena instância cível que passaram a
liquidatários em 2001 e que ocupam instalações na Rua de Artilharia 1; estão instalados 10 juízos de
pequena instância, sedeados na Rua Filipe Folque; são 4 os juízos do tribunal de comércio, ocupando
instalações na Rua do Ouro, no edifício da Caixa Geral de Depósitos, cada um deles com 1 juiz. Há
ainda o tribunal marítimo, com jurisdição em todo o território nacional, instalado em edifício da
Marinha, em Alcântara, com 1 juiz; os 3 juízos de execução estão sedeados na Rua Braamcamp. Prevê-
-se a mudança para o “Campus da Justiça” da pequena instância cível, dos juízos do comércio e dos
juízos de execução.
O quadro de magistrados do Ministério Público para representação nos diversos tribunais é de 13
procuradores da República e 15 procuradores-adjuntos. Porém, para dar resposta ao serviço foi necessário
aumentá-lo com mais 4 procuradores da República e 2 procuradores-adjuntos.
O quadro de funcionários do Ministério Público é de 30 unidades (delas, 4 para o tribunal de comércio, Distrito Judicial de Lisboa
2 para a pequena instância cível e as restantes para as varas e juízos cíveis).
É uma procuradoria difícil, a carecer de permanente atenção e não só dos magistrados que nela prestam
funções. O carácter repetitivo de muitos procedimentos, em particular nos juízos de execução e na
pequena instância cível, justificaria uma ponderação adequada do modelo de informatização do
Ministério Público.

5. PROCURADORIA DO TRIBUNAL DO TRABALHO

São 5 os juízos no tribunal do trabalho. Até 30 de Agosto de 2007 cada um dos juízos tinha 3 secções
e 3 juízes. A partir de 1 de Setembro, cada um dos juízos foi reduzido a 2 secções, com 2 juízes, embora
estejam colocados no tribunal juízes auxiliares.

159
O quadro de magistrados do Ministério Público previsto é de 15 procuradores da República.
O quadro de funcionários é de 32 unidades, o que seria razoável se preenchido e sem abstencionismo.
As novas instalações respondem às necessidades dos serviços e do acesso de portadores de deficiência
motora.
Há um elevado número de pessoas que são atendidas pelo Ministério Público, como elevado é o número
de pedidos de patrocínio. Regista-se, no entanto, uma grande dilação entre o pedido de entrevista com
o magistrado e a respectiva concretização (3 meses em média). O volume de acções propostas pelo
Ministério Público em representação dos trabalhadores e no contencioso emergente do contrato individual
de trabalho situa-se abaixo da média do distrito.

6. PROCURADORIA DO TRIBUNAL DE FAMÍLIA E MENORES

Em Setembro de 2007, o tribunal de família e menores passou a ter apenas 3 juízos, cada um com 3
juízes (uma secção para cada juiz) — Decreto-Lei nº 250/2007, de 29 de Junho. No entanto, mantêm-
-se em funções 12 juízes.
O quadro de magistrados do Ministério Público é de 12 procuradores da República.
O quadro de funcionários do Ministério Público é de 18 unidades, manifestamente insuficiente para o
volume e natureza de serviço, acrescendo a deficiente formação para a jurisdição e as ausências bastante
prolongadas.
As instalações estão concentradas num só edifício, adaptado a tribunal, situado na Rua Pedro Nunes,
nº 16, em Lisboa. Prevê-se igualmente a mudança para o “Campus”.
Como notas a evidenciar importa aqui deixar as seguintes: a jurisdição de família e menores carece de
ser ponderada, em termos de estrutura orgânica dos respectivos tribunais; durante o ano foram muitas
centenas de pessoas atendidas pelo Ministério Público; ocorrem significativos atrasos na elaboração de
relatórios sociais, da responsabilidade da Direcção-Geral de Reinserção Social.

7. PROCURADORIA DA PEQUENA INSTÂNCIA CRIMINAL

O tribunal de pequena instância criminal é constituído por 3 juízos, cada um deles com 3 juízes.
Porém, o terceiro juízo não foi ainda instalado. Apesar disso e face ao estado de acumulação do tribunal,
Distrito Judicial de Lisboa

o Conselho Superior da Magistratura colocou 3 juízes auxiliares, o que obrigou a resposta do Ministério
Público através do Quadro Complementar.
Está instalado no Edifício Norte do Palácio da Justiça, em Campolide.
O quadro de magistrados do Ministério Público é de 7 unidades (uma delas procurador da República).
O quadro de funcionários do Ministério Público é de 13 unidades, manifestamente escasso para as
necessidades e não preenchido.
Subsistem os problemas associados à não realização de julgamentos em processo sumário. As alterações
ao Código de Processo Penal, alargando o número de situações susceptíveis de julgamento em processo
sumário, justificam a instalação rápida do 3º Juízo, o que permitirá adequar o quadro do Ministério
Público.

160 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


A relutância na realização de julgamentos tem conduzido à prescrição de muitas dezenas de processos
abreviados, com acusações deduzidas pelo Ministério Público há mais de dois anos e nunca julgados.
Foi igualmente declarada a prescrição em mais de 70.000 processos de transgressão.
O serviço relacionado com o direito contra-ordenacional é, por vezes, bastante complexo e com grande
significado social.
A situação do tribunal de pequena instância criminal justifica atenção e intervenção conjunta dos
Conselhos Superiores de ambas as magistraturas.

IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS — SUGESTÕES

No Distrito Judicial de Lisboa persistem carências várias ao nível das instalações, dos quadros de
magistrados e funcionários do Ministério Público, dos equipamentos, da informatização, das respostas
dos órgãos de polícia criminal e sua articulação com o Ministério Público, da realização de perícias.
Os resultados globais obtidos foram positivos já que, embora se tenha registado um aumento da
pendência, esta se situa percentualmente abaixo do aumento das entradas que foi, em 2008, muito
significativo.
Indispensável se mostra avançar para informatização ambiciosa, com potencialidades para responder às
necessidades dos magistrados e funcionários, consentir uma boa direcção do universo processual, intervir
na gestão global e específica de todo o sistema de justiça.
Carecem de reformulação os quadros legais de magistrados e funcionários do Ministério Público,
adequando-os aos fluxos processuais, enquadrando-os organicamente, apoiando-os na execução das
tarefas e ministrando-lhes a necessária formação.
É necessário repensar a organização judiciária, racionalizando-a de acordo com o movimento processual,
especializando onde é conveniente, anexando ou extinguindo onde for rentável, aproveitando os meios
de mobilidade e a transmissão de informação; nesta reorganização judiciária, a criação e instalação de
DIAP’s de comarca é uma indispensabilidade.
Precisa-se de alterações pontuais de legislação substantiva e processual, considerando eficiência e menos
custos, mantendo os princípios, mas pragmatizando procedimentos.
Distrito Judicial de Lisboa

161
MOVIMENTO PROCESSUAL DO TRIBUNAL DA RELAÇÃO DE LISBOA

1. SECÇÕES CÍVEIS
Movimentados
Pendentes p/o
ESPÉCIES Vindos do ano Findos
Entrados Total ano seguinte
anterior
Recursos de Revista 0 0 0 0 0
Recursos de Agravo 467 1.347 1.814 1.403 411
Recursos de Apelação 902 2.888 3.790 2.848 942
Recursos de Revisão de Sentença Estrangeira 655 1.200 1.855 1.181 674
Conflitos (jurisdição e competência) 42 70 112 102 10
Reclamações 10 186 196 193 3
Outros 44 26 70 60 10
TOTAL 2.120 5.717 7.837 5.787 2.050

2. SECÇÕES CRIMINAIS
Movimentados
Pendentes p/o
ESPÉCIES Vindos do ano Findos
Entrados Total ano seguinte
anterior
Recursos Ordinários 829 4.024 4.853 3.921 932
Conflitos (jurisdição e competência) 4 37 41 30 11
Reclamações 4 120 124 122 2
Processos em 1.ª instância 43 693 736 690 46
Outros 0 0 0 0 0
TOTAL 880 4.874 5.754 4.763 991

3. SECÇÃO SOCIAL
Movimentados
Pendentes p/ o
ESPÉCIES Vindos ano Findos
Entrados Total ano seguinte
Distrito Judicial de Lisboa

anterior
Recursos de Revista 0 0 0 0 0
Recursos de Agravo e Apelação 216 686 902 758 144
Conflitos (jurisdição e competência) 2 1 3 3 0
Recursos em processos penais 11 47 58 51 7
Reclamações 1 27 28 28 0
Outros 0 0 0 0 0
TOTAL 230 761 991 840 151

162 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


RECURSOS ORDINÁRIOS PENAIS

Movimentados Decididos
Renúncia a Pendentes
Vindos Em conferência Em audiência Total
Interpostos alegações p/o ano
do ano Total decididos
no ano orais Desis- Rejei- Não Não seguinte
anterior Providos Total Providos Reenvio Total
tência ção providos providos

Mº Público
* * * 0 * * * * * * * * * * *
Recorrente

Mº Público
* * * 0 * * * * * * * * * * *
Recorrido

TOTAL 1.259 4.024 5.283 0 * * * * 3.955 * * * 396 4.351 932

* Elementos não fornecidos.

ACTIVIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO

1. JURISDIÇÃO CÍVEL
Total

Pareceres 79

Alegações/contra-alegações 1.204

Requerimentos e respostas 96

Outras intervenções 32

TOTAL 1.411

2. JURISDIÇÃO PENAL
Total

Pareceres 2.913

Alegações/contra-alegações 715

Requerimentos e respostas 79 Distrito Judicial de Lisboa


Outras intervenções 134

TOTAL 3.841

3. JURISDIÇÃO LABORAL
Total

Pareceres 521

Alegações/contra-alegações 19

Requerimentos e respostas 7

Outras intervenções 0

TOTAL 547

163
DISTRITO JUDICIAL DO PORTO
2.

Introdução

No presente relatório, apenas se referem os departamentos em que, com toda a urgência, por questões
de segurança, produtividade e, inclusive, até dignidade do Estado, se impõe que, rapidamente, se
encontrem soluções. Tudo o mais está dito e redito nos relatórios anteriores, para os quais se remete.

I. SERVIÇOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO NO DISTRITO JUDICIAL

CÍRCULO JUDICIAL DE GONDOMAR

O círculo de Gondomar compreende a comarca de Valongo que se encontra instalado provisoriamente,


desde 15 de Setembro de 1995, num edifício inicialmente destinado a habitação, o qual àquela data foi
objecto de algumas alterações destinadas ao uso dos serviços do tribunal.
O edifício estrutura-se em quatro pisos: a cave, a qual é constituída por duas celas, uma das quais para
os detidos e outra que é utilizada para guardar os objectos apreendidos, muitos dos quais já declarados
perdidos a favor do Estado e a que não foi, ainda, dado destino; o restante espaço é utilizado como
arquivo; um rés-do-chão, no qual se encontram instaladas as secretarias dos 1º e 2º juízos, a secção
central, o gabinete do secretário judicial e uma sala destinada à secção do serviço externo; um 1º andar,
onde se encontra a secretaria do Ministério Público, uma sala de audiências, 6 gabinetes destinados aos
magistrados do Ministério Público (5 para procuradores-adjuntos e 1 para procurador da República),
uma casa de banho particular dos magistrados e outra dos funcionários do Ministério Público, bem
como um gabinete da Ordem dos Advogados; no 2º andar encontra-se a secretaria do 3º juízo, uma sala
de audiências, uma pequena sala onde se encontra instalado o equipamento de videoconferência,
5 gabinetes destinados aos magistrados judiciais e casa de banho dos mesmos.
Nos patamares, nas escadas e nos corredores junto às salas de audiência encontram-se instalados alguns
bancos corridos e cadeiras para o público.
O facto dos serviços do tribunal funcionarem num edifício projectado para habitação tem prejudicado
o normal funcionamento daquele por múltiplas razões, entre as quais se destacam as seguintes:
Não existe um número de gabinetes suficiente para os magistrados em funções;
Não existe biblioteca, já que a assim denominada funciona como gabinete dos 4 juízes de círculo e dos
2 juízos de instrução criminal, por vezes em simultâneo;
Não existe qualquer local destinado à espera dos utentes que, quando têm de se deslocar ao tribunal a
fim de serem ouvidos nas mais diversas diligências, se vêem obrigados a esperar nos reduzidos corredores,
pelas escadas ou mesmo no exterior, o que se revela particularmente penoso no Inverno, acarretando
igualmente alguns inconvenientes resultantes da insegurança, pois que, tanto os magistrados como os

165
funcionários se vêem obrigados a passar entre os utentes, por vezes com grandes dificuldades, dado o
número de pessoas existente no local;
Não existem casas de banho para os utentes;
O quadro eléctrico é manifestamente insuficiente para a carga existente no tribunal, de tal forma que,
com muita frequência, acontecem cortes de energia;
Não existe qualquer sala para a realização de perícias e/ou inquirição de testemunhas. Estas são inquiridas,
normalmente, na secretaria do Ministério Público, várias ao mesmo tempo, com advogados presentes,
não havendo condições para os acomodar condignamente;
Não existem gabinetes para os juízes de círculo e de instrução criminal;
Só existem 2 salas de audiência para 3 juízos, 2 tribunais colectivos e uma juíza auxiliar, o que dificulta
a realização de todas as diligências designadas.
A isto acresce que, e segundo informação recente prestada por técnicos de engenharia civil, que vistoriaram
o tribunal no início do corrente ano, o tribunal encontra-se em risco de ruir.

CÍRCULO JUDICIAL DA MAIA

O tribunal judicial da comarca da Maia está instalado em edifício originariamente projectado e destinado
a escritórios, constituído em fracções, mas adaptado para acolher o tribunal da comarca desde a cave ao
6º andar.
Os 7º e 8º andares estiveram afectos ao tribunal do trabalho mas, no final de 2006, tal situação alterou-
-se face à instalação do juízo de execução da Maia, em 22 de Dezembro de 2006, pela Portaria
n.º 1406/2006, de 18 de Dezembro, na sequência da sua anterior criação pelo Decreto-Lei n.º 148/
2004, de 21 de Junho, tendo o tribunal do trabalho da Maia sido transferido para instalações novas e
autónomas, conforme se deu conta nos relatórios de 2006 e 2007.
Com tal mudança, aproveitou-se a oportunidade para redistribuir o espaço entretanto desocupado,
instalando-se a secção de processos daquele novo juízo no 7º piso e destinando o 8º piso a gabinetes de
magistrados, designadamente para os juízes de círculo, de execução e de instrução (este apenas enquanto
o gabinete não for necessário para alojar qualquer outro magistrado da comarca, como aconteceu
recentemente com a nomeação de um juiz de círculo auxiliar, proveniente do quadro complementar/
bolsa), assim como para um magistrado do Ministério Público que porventura venha a ser nomeado
Distrito Judicial do Porto

para desempenhar funções a tempo inteiro naquele juízo de execução ou que por qualquer outra razão
necessite de ali ser instalado, sendo que, entretanto, o correspondente gabinete é ocupado, com
conhecimento e autorização do juiz-presidente e do Procurador-Geral Distrital, pelo inspector do
Ministério Público residente na comarca.
Na cave situam-se as celas, os arquivos e as salas de espólio, tendo estas sido devidamente apetrechadas
com estantes para colocação de objectos, cujo número vem aumentando assustadoramente e faz com
que os espaços a tanto destinados se revelem insuficientes, obrigando à sua acomodação, noutros espaços
menos apropriados.
No rés-do-chão, além de duas salas de audiências amplas, destinadas aos 1º e 2º juízos e aos colectivos
criminais, está instalada a secção central, com gabinete para o secretário judicial e um espaço para o

166 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


telefonista, porteiro e auxiliar de segurança e ainda alguns espaços próprios para salas de testemunhas e
gabinetes, mas que, face à ausência de luz natural e à sua exiguidade, vêm sendo utilizados para fins
diversos, nomeadamente serviços de inspecção e guarda temporária de objectos.
A sala de advogados e a outra que ali existia para o serviço de instrução criminal, com a instalação, em
Setembro de 2008, do 2º juízo criminal, foram deslocadas para o 6º andar, onde também se adaptou
um espaço para gabinetes dos juízes afectos à instrução (são dois actualmente, face ao regresso de um
magistrado, após período prolongado de doença), ficando o espaço anteriormente por elas ocupado a
servir de base aos dois juízos criminais, cuja localização trouxe dificuldades de acesso a alguns daqueles
referidos gabinetes, ao ponto de ter sido necessário expor a situação à DGAJ, designadamente com vista
à utilização de um deles pelo Ministério Público para realização de diligências de inquérito, o que
aguarda ainda resposta.
Os serviços do Ministério Público mantêm-se instalados em edifício contíguo às instalações do tribunal
de comarca, o qual tem ligação interna com o edifício principal e dispõe de dois pisos: um onde está
instalada a 2ª secção e a secção central e outro onde está a 1ª secção.
Neste piso encontram-se ainda dois gabinetes para magistrados e uma sala afecta em exclusivo à realização
de diligências em inquérito e demais processos da competência do Ministério Público, sendo que esta
sala e um daqueles gabinetes resultaram da divisão de um anterior gabinete, que também servia para
realização de reuniões de trabalho e atendimento do público por magistrado, serviço que se havia instituído
na comarca em Fevereiro de 2007, com funcionamento preferencial às sextas-feiras.
A conversão dos cinco juízos de competência genérica da comarca em juízos de competência especializada,
quatro cíveis e dois criminais, com a instalação do 2º apenas em Setembro de 2008, como antes se
disse, ocorrida em 1 de Setembro de 2007, por força do Decreto-Lei n.º 250/2007, de 29 de Junho,
trouxe este ano, ao contrário do que acontecera no ano da criação, algumas significativas alterações ao
nível das instalações e sua afectação, traduzindo-se, de novo, num factor de profunda perturbação no
domínio da justiça criminal.
As condições de que dispõem os funcionários do Ministério Público são melhores do que as usufruídas
anteriormente, ou seja, quando instalados no edifício principal, não sendo todavia as necessárias, desejadas
e adequadas.
Por outro lado, não existem espaços onde as pessoas que acorrem aos serviços do Ministério Público possam
instalar-se e aguardar o respectivo atendimento, situação agravada com a instituição do referido serviço de
atendimento (mas de certo modo bastante melhorada com a criação de espaço próprio para o efeito). Distrito Judicial do Porto
Ao nível do edifício principal, no primeiro andar estão instaladas as secções de processos do 1º e 2º
juízos cíveis em espaços amplos, arejados e bem iluminados, no 2º está instalada a secção de processos
do 3º juízo cível e uma sala de audiências, no 3º andar está instalada a secção de processos do 4º juízo
cível e uma sala de audiências, no 4º estão instalados os seis gabinetes dos magistrados do Ministério
Público e ainda uma sala para reuniões/biblioteca, actualmente a funcionar como gabinete para um
magistrado. Por esta razão, em 2005 entendeu-se instalar a biblioteca no corredor, fechando à chave os
respectivos armários e no 5º andar estão instalados os seis gabinetes dos magistrados judiciais, uma
biblioteca adaptada para gabinete de magistrado e outro gabinete ocupado com a central do sistema
informático.
Como se anunciava no ano passado, os espaços físicos tornar-se-iam exíguos, com a instalação do
2º juízo criminal, em Setembro de 2008, como se reclamava e era manifestamente urgente. Apesar

167
desse receio, a sua instalação física, para além dos transtornos e reafectações de espaços acima referidos,
tornou-se relativamente fácil mediante algumas obras de pequeno porte.
Todavia, ao invés do que se supunha e era de esperar, a sua instalação, porque logo mal preparada e sem
escrivão desde o início, não trouxe ao serviço da justiça criminal do círculo vantagens de relevo, podendo
mesmo dizer-se que se tornou num factor de mal disfarçada anormalidade, com processos mal
distribuídos e tramitados, quando não parados, deficiências de funcionamento ao nível das capacidades
de utilização do sistema informático, mesmo ao nível das liquidações de custas e penas de multa, o que
foi resolvido, após “ameaça” da respectiva juíza à DGAJ, mas sem evitar que, entretanto, tivessem
prescrito muitas daquelas penas e de contra-ordenações, quer em sede de impugnação judicial das decisões
administrativas, quer em sede de cobrança coerciva das coimas.
Daí que se possa e deva dizer que o temido e completo afundamento da justiça criminal no círculo, que
no ano passado se anunciava no relatório anual, veio a confirmar-se ao longo de 2008, apesar daquela
tardia e deficiente instalação, mais uma vez agravada pela circunstância de o Conselho Superior da
Magistratura ter colocado mais um juiz auxiliar do círculo, mantendo os dois juízes do colectivo em
regime de exclusividade e os dois afectos à área criminal colocados desde Setembro de 2007, não tendo
o trabalho intensivo dos juízes resposta adequada ou sequer satisfatória por parte das agora duas secções
de processos dos 1º e 2º juízos criminais instalados.
Tal circunstância, além de se reflectir negativamente na organização e realização das diligências agendadas,
tem-se vindo igualmente a sentir no retardamento da tramitação processual, em que praticamente só se
tramita o que é urgente, ainda assim com grave risco de descontrolo, como já sucede quanto à prescrição
do procedimento criminal e contra-ordenacional e das sanções correspondentes, em especial penas de
multa e coimas, como antes se assinalou, mas também com riscos sérios relativamente aos arguidos em
prisão preventiva e aos condenados em prisão efectiva, cujo número se situaria em 31 de Dezembro de
2008 na casa das duas centenas (a crer nos números pedidos e fornecidos pelas secções).
A comarca possui também um juiz de instrução o qual (dois enquanto o titular não recupera totalmente
a sua capacidade de trabalho, apesar de já ter regressado de período prolongado de doença em que se
encontrou ao longo de 2008), para exercício das suas funções, dispõe, para além do gabinete acima
referido, de espaço próprio para as diligências por si presididas, ambas situadas agora no 6º andar,
actualmente com equipamento adequado (computadores, impressoras e telefones) e já com luz directa,
mas com más condições acústicas e sem condições de insonorização capazes de resguardar o teor das
diligências da sala ao lado ocupada pela Ordem dos Advogados.
Neste piso funcionava também uma sala de audiências do tribunal do trabalho que, entretanto, passou
Distrito Judicial do Porto

a ser também utilizada pelos juízos da comarca segundo mapa de distribuição elaborado pelo juiz-
-presidente abrangendo todas as salas de audiências, visto haver mais juízes do que salas, dado que a
comarca vem sendo brindada com juízes auxiliares, às vezes em número de dois, como actualmente
sucede, para além de um número incerto de juízes estagiários, que no ano sob análise se cifrou em dois
até Setembro, com as tradicionais implicações negativas para a organização do serviço do Ministério
Público, face às acrescidas necessidades de resposta às solicitações judiciais.
Nos 7º e 8º andares estão agora instalados os gabinetes dos magistrados e o juízo de execução.
As instalações do tribunal apresentam muitas deficiências, conforme já foi descrito em relatórios
anteriores, deficiências essas que com o decurso do tempo e o avolumar de serviço se vêm agudizando,
mesmo ao nível das infiltrações, que se vão tornando visíveis a olho nu, sem que quem de direito tome

168 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


qualquer iniciativa de correcção ou reparação, salvo um ou outro retoque de mera cosmética, tanto
mais quanto é certo que, gradualmente e face a notícias/boatos nunca oficialmente confirmados, o
desânimo e inacção se vão instalando perante a iminência de mudança de local de funcionamento do
tribunal.
No ano a que se reporta este relatório, todos quantos aqui trabalham sentiram na pele os efeitos dessa
crescente decrepitude das instalações e do seu equipamento, pois o sistema de aquecimento mostrou-se
de todo ineficiente e inoperacional precisamente quando mais dele se necessitava, dado ter-se vivido
um dos mais rigorosos Invernos dos últimos anos, quase todo passado sem aquecimento.

CÍRCULO JUDICIAL DO PORTO


Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto

No que respeita a instalações, manteve-se a situação descrita no relatório de 2007.


O DIAP do Porto, constituído por 9 secções, tem a sua sede, desde 1 de Abril de 1997, num edifício
arrendado e adaptado para o efeito, na Rua da Constituição, n.º 346 a 358, desta cidade.
Neste edifício estão instaladas: as secções genéricas (2ª a 5ª) e a secção dos crimes militares (9ª) e ainda
as secções central e informática, que dispõem de espaços razoavelmente amplos para os funcionários aí
em exercício de funções.
O DIAP encontra-se disperso pela cidade em sete edifícios, com consequências graves para o seu
funcionamento e coordenação.
As 7ª e 8ª secções funcionam junto dos juízos criminais, na Rua do Bolhão, enquanto a 6ª continua
instalada na Rua Júlio Dinis (ao Parque Itália) ocupando os 7º e 9º andares.
A 1ª secção passou a estar instalada, a partir de 15 de Setembro de 2004, num edifício adquirido pelo
Ministério da Justiça e adaptado para o efeito, situado na mesma Rua da Constituição, no nº 369, em
frente à sede do DIAP.
Neste edifício passou a funcionar, no rés-do-chão, a respectiva secção de processos, e no 1ºandar estão
situados os gabinetes individuais dos magistrados que a compõem (4 procuradores-adjuntos e
1 procurador da República) e ainda duas salas para a realização de diligências.
Os gabinetes dos procuradores-adjuntos, embora dotados de mobiliário e material informático adequado, Distrito Judicial do Porto
são de dimensões bastante exíguas, com excepção do que está afecto ao procurador da República dessa
secção.
Não dispõe esse edifício de qualquer meio de segurança para controlo e identificação dos utentes, quer
humano quer de vigilância electrónica, apesar de solicitado. Não tem condições de acesso próprias para
deficientes.
As 7ª e 8ª secções, instaladas no edifício afecto aos juízos criminais, no Bolhão, dispõem, actualmente,
de razoáveis áreas de trabalho para os funcionários que aí estão colocados e em exercício de funções.
Existe espaço próprio para o arquivo dos inquéritos que ali são investigados e independente do arquivo
do tribunal e, bem assim, uma secção central para apoio aos serviços do Ministério Público junto dos
juízos criminais.

169
Os magistrados colocados na 6ª secção estão instalados em amplos gabinetes, no 7º andar esquerdo,
sendo a área disponível do 9 º andar quase exclusivamente afecta à respectiva secção, existindo, ainda,
dois gabinetes, um dos quais foi transformado em sala de advogados e de perícias. Não existem meios
humanos de segurança, apesar de solicitados.
Com a transferência da 1ª secção para o edifício supra referido, na Rua da Constituição, a partir de
Setembro de 2004 todos os magistrados colocados nas instalações da sede do DIAP ocupam gabinetes
individuais, amplos e arejados, dotados de mobiliário condigno.
A partir de 2007, no edifício-sede do DIAP, quatro magistrados passaram a partilhar dois gabinetes
existentes, ocupando os restantes gabinetes individuais de razoáveis dimensões.
Todos os magistrados do DIAP dispõem de computadores com ligação à rede intranet e acesso à internet.

Tribunal de Instrução Criminal do Porto

O Tribunal de Instrução Criminal do Porto encontra-se instalado no antigo palacete, sito na curta e
estreita Rua S. Bento da Vitória, n.º 12, esta ainda pouco condizente, em termos urbanísticos, com as
mudanças do presente.
Mandado edificar por José Monteiro de Almeida foi arrendado em 8.6.1857, após autorização
ministerial, segundo periódico da época, o “Clamor Público”, para casa da Administração dos Correios,
instalados em 13.7.1857 e que aí permaneceram até 18.2.1881. Em consequência, o prédio passou a
ser correntemente designado e conhecido por “ Casa do Correio”. A partir de 1881, serviu de instalação
da Repartição de Obras Públicas do Distrito. Também nele esteve instalado o Liceu Rodrigues de
Freitas e, até Outubro de 2001, serviu como instalação da Polícia Judiciária. São vizinhos notáveis do
edifício o Convento da Vitória, a Igreja de S. Bento da Vitória, a antiga Cadeia da Relação e, já mais
distantes, o Palácio da Justiça e a inevitável Torre dos Clérigos.
Interiormente, destaca-se a formosa escadaria de pedra, que segue em toda a altura da casa, alumiada
pelo amplíssimo zimbório envidraçado, que se eleva acima dos telhados e ladeada por um conjunto de
azulejos de beleza e valor incalculáveis.
A fisionomia externa do edifício e o amplo átrio da entrada principal terão concorrido para a pomposa
designação de palacete, apesar de os espaçosos e imensos cómodos só por si deixarem adivinhar uma
bela casa fidalga.
A nascente, possui vista altiva para o secular e magnífico casario — cujos quintais interiores estão
Distrito Judicial do Porto

povoados de laranjeiras e ameixoeiras — e ainda para a Sé, Ponte D. Luís, Estação de S. Bento e rio
Douro, entre outras; na vista a este, encimada pela serra do Pilar, recorta-se o rio Douro, comprimido
pelas pacíficas margens da Ribeira, como diria, pensamos, Bertolt Brecht.
Os serviços do Ministério Público do tribunal de instrução criminal do Porto (secção de apoio) ocupam
as instalações ao nível do rés-do-chão do ex-edifício da Polícia Judiciária, sito na Rua S. Bento da
Vitória, n.º 12, para onde foram transferidos desde o início do mês de Outubro do pretérito ano de
2001.
Continua a verificar-se que tal mudança foi altamente benéfica para os serviços, em termos do espaço e
da qualidade de serviço, fruto das boas condições que as mesmas usufruem quanto à iluminação (recebida
directamente através de 2 janelas grandes) e ao pé-direito.

170 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Os detidos aguardam os respectivos interrogatórios nas instalações do ex-estabelecimento prisional,
sitas neste edifício, apenas e quando os mesmos detidos são apresentados por elementos da Polícia de
Segurança Pública. Se forem apresentados por outros agentes, incluindo mesmo os inspectores da Polícia
Judiciária, serão aqueles que terão que zelar pela guarda dos mesmos.
Novamente se refere que a manutenção da segurança relativamente aos detidos continua a ser feita pelos
próprios funcionários, visto que continua também a não existir qualquer elemento de força policial
adstrito a estes serviços do Ministério Público junto do TIC.
Salienta-se que o cofre, de dimensões reduzidas, serve apenas para guardar objectos, produtos
estupefacientes e dinheiro apreendidos, já que os objectos de maior porte, para que não sejam guardados
em armários sem qualquer segurança, passaram a ser entregues directamente na secção de objectos e
arquivo existente no DIAP do Porto — Rua da Constituição.
O tribunal de turno encontra-se instalado no 1.º andar, bem como a secção central do tribunal de
instrução criminal. O tribunal de turno continua a não possuir aparelhos essenciais tais como um fax
— utilizando-se o que se encontra nos serviços do Ministério Público e central judicial — bem como
fotocopiadora própria, sendo utilizados os aparelhos existentes na área judicial do TIC.
Os seis gabinetes destinados a cada um dos procuradores da República, foram distribuídos pelos 2.º e
3.º andares, já que os anteriores eram de dimensões reduzidas, sobretudo dois deles, pelo que se mostrava
de todo impossível, nos mesmos, realizar interrogatórios não judiciais, os quais se efectivam na secção
de apoio, com todos os prejuízos daí inerentes.
Como já foi referido em anos anteriores, seria conveniente que as instalações fossem alvo de reparações
— a nível das paredes, pintura, instalação eléctrica e desratização, pelo menos — destacando-se, pela
negativa, os gabinetes dos magistrados, designadamente os afectos aos procuradores, sendo concessão
de monta considerá-los como sofríveis, mormente se comparados com o gabinete do secretário judicial,
este esmerado, luzidio, bem engraxado, a fazer lembrar a época vitoriana.
O mobiliário condiz com a espartana funcionalidade do edifício, sendo quase inexistente para os
advogados e demais intervenientes processuais.
As condições oferecidas pelas instalações sanitárias — aliadas à escassez destas —, mau grado o empenho
das funcionárias de limpeza, quase dissuadem à sua utilização, salvo em situações inapelavelmente
incontornáveis.
Igualmente deveriam existir salas para as testemunhas e outros intervenientes processuais, a fim de
Distrito Judicial do Porto
aguardarem a sua vez para serem ouvidos no âmbito de diligências e debates instrutórios, pois continuam
a aguardar a sua vez no corredor, de pé, já que em Outubro de 2001 foram retirados do edifício quase
todos os bancos corridos de madeira, não mais tendo sido substituídos.

CÍRCULO JUDICIAL DE SANTA MARIA DA FEIRA

O tribunal da comarca de Santa Maria da Feira esteve instalado desde 15 de Dezembro de 1991 até
Abril de 2008 num edifício que apresentava várias deficiências de construção e que veio revelar a
necessidade de, com urgência, ser encontrada uma situação alternativa, dado o perigo que a permanência
nas instalações traria para quem lá trabalhasse e para quem ali tivesse que se deslocar. Estas deficiências
já haviam sido assinaladas em relatórios anteriores. Assim, em Abril de 2008 o Ministério da Justiça,

171
pela urgência da situação, ordenou o encerramento do edifício e a mudança provisória do tribunal para
um pavilhão que foi arrendado na zona industrial da cidade onde permaneceu até Outubro de 2008,
data em que foram concluídas as obras de um edifício que o Ministério da Justiça arrendou para instalar
o tribunal. Nos cerca de cinco meses em que o tribunal funcionou no pavilhão não existiam condições
necessárias para o funcionamento, não existindo gabinetes para os magistrados nem salas de audiências,
tendo sido necessário reduzir o funcionamento ao que foi entendido como serviços mínimos e
indispensáveis, o que veio acarretar uma acumulação de pendências.
O actual edifício tem uma área total de cerca de cinco mil metros quadrados e dispõe de oito pisos,
sendo três subterrâneos. No piso -1 estão instalados a segurança, o atendimento ao público, as salas de
audiências e as salas de testemunhas. No piso 0 está instalado o tribunal do trabalho e no piso 1 estão
instalados os serviços do Ministério Público e os dois juízos criminais. No piso 2 está instalada a secção
central do tribunal judicial e os quatro juízos cíveis, enquanto no piso 3 estão instalados todos os
gabinetes dos magistrados, os quais se mostram adequados e estão equipados com o mobiliário
indispensável. No piso 4 existem duas salas que se destinam a biblioteca e a reuniões. Nos pisos -2, -3
e -4 estão os arquivos, estacionamento e celas de detenção.
Dispõe o edifício de oito salas de audiências devidamente equipadas com sistemas de gravação, tendo a
apoiá-las salas para tradução simultânea. Existem oito salas para testemunhas que se encontram um
pouco distantes das salas de audiências o que se tem traduzido na sua não utilização.
Os serviços afectos ao Ministério Público estão instalados no piso 1 e oferecem boas condições de
funcionamento sendo apenas de realçar que agora não se dispõe de salas para efectuar reconhecimentos.
Não tem o actual edifício qualquer parque de estacionamento afecto ao tribunal, sendo que os
magistrados e alguns oficiais de justiça estacionam os seus veículos no aparcamento existente na cave
por mero favor do proprietário do parque, até à resolução do Ministério da Justiça, sendo que a
informação que se possui aponta no sentido de que esta situação será apenas “tolerada” até final de
Fevereiro de 2009.

Tribunal do trabalho

O ano de 2008 foi marcado por atribulações e vicissitudes várias no que às instalações do tribunal do
trabalho diz respeito.
Na verdade, na sequência de um despacho governamental datado de 24 de Abril de 2008 foi, nessa
Distrito Judicial do Porto

mesma data, ordenado o imediato encerramento do edifício onde há cerca de 17 anos o mesmo vinha
funcionando, em virtude de se ter concluído pela existência do perigo de ruína iminente.
Alojado, provisoriamente, numa ala dos serviços do Ministério Público da comarca da Feira, apenas aí
tinha espaço para funcionar a secretaria e, rotativamente, um funcionário de apoio ao Ministério Público
deste tribunal.
O Ministério Público partilhava um gabinete improvisado com as duas magistradas judiciais, também
em sistema de rotatividade de ocupação.
Tal situação manteve-se até 13 de Maio de 2008, data da mudança geral de instalações do tribunal do
trabalho de Santa Maria da Feira para um armazém situado na Zona Industrial do Roligo, freguesia de
Espargo, fora da área urbana desta cidade.

172 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Neste local, vocacionado para actividades industriais/comerciais, a secretaria, secção de processos e unidade
de apoio ao Ministério Público do tribunal ocuparam parte da nave situada no piso térreo, partilhada
com todos os juízos cíveis, criminais, serviços do Ministério Público, secretarias judicial, do Ministério
Público e de injunção. Nesse mesmo piso foram criadas duas salas de audiências, uma das quais serviu
para o tribunal do trabalho.
Num piso superior, foram também criados ad hoc, quatro gabinetes para acolherem os cerca de
28 magistrados colocados na comarca de Santa Maria da Feira, sendo que eram os mesmos servidos por
apenas uma instalação sanitária.
O procurador da República partilhou um desses gabinetes com outros cinco magistrados do Ministério
Público, sendo nesse local e nessas condições que decorriam as diligências que tinha a seu cargo e que
pessoalmente realizava.
O atendimento ao público foi realizado numa pequena divisão anexa a um dos gabinetes referidos, o
mesmo onde tinham lugar os exames por junta médica.
Nessas precárias condições se manteve instalado o tribunal do trabalho até 13 de Outubro de 2008,
data da mudança (a terceira em menos de seis meses!) para as actuais instalações.
Situadas num prédio recém construído de quatro andares, originariamente concebido para edifício de
escritórios, foi o mesmo objecto de obras de adaptação para aqui funcionarem todos os serviços relativos
à comarca de Santa Maria da Feira.
O tribunal do trabalho ocupa, em exclusivo, o piso 0, aí se situando a secretaria, a secção de processos,
a unidade de apoio ao Ministério Público, os três gabinetes dos magistrados (duas magistradas judiciais
e o procurador da República), gabinete do secretário, biblioteca, sala de uso geral, sala de espera e
instalações sanitárias.
A sala de exames por junta médica situa-se no piso -1, sendo que a sala de audiências destinada ao
tribunal do trabalho (a nº 8), faz parte de um complexo de lojas adaptadas a tal função, situadas no
exterior do edifício, cujo acesso se faz por elevador e através da garagem comum, num percurso sinuoso
e demorado, exposto ao público, sem qualquer resguardo, nem dignidade.
O gabinete do procurador da República é o de menor área entre os dos magistrados e o único de todo
o edifício acessível desde a rua, sendo certo que as janelas não se encontram providas do necessário
gradeamento, potenciando risco sério de escalamento. Dotado de luz natural, serve com espartana
simplicidade e despojada eficiência as funções para as quais foi convertido.
Distrito Judicial do Porto

CÍRCULO JUDICIAL DE VILA NOVA DE GAIA

Em 15 de Setembro de 1997, foi inaugurado o Palácio da Justiça de Vila Nova de Gaia. Nos 9 pisos do
edifício, com a área bruta de 13.079 m2, no final do ano de 2008, encontravam-se instalados os seguintes
serviços: 2 varas mistas, 6 juízos cíveis, 1 juízo de execução, 4 juízos criminais, 2 juízos do tribunal do
trabalho, o tribunal de família e menores (2 juízes, sendo 1 auxiliar), os serviços do Ministério Público,
2 conservatórias do registo civil, o Instituto de Reinserção Social e a delegação da Ordem dos Advogados.
Trata-se de um edifício que mantém razoável funcionalidade, mas que (como se tem vindo a dar nota
em relatórios anteriores) se tornou insuficiente para albergar a diversidade e quantidade de serviços nele

173
instalados, tendo já sido necessário repartir espaços entre as secções de processos e transformar salas de
apoio e bibliotecas em gabinetes.
Com a instalação do tribunal de família e menores, no ano de 2001, tornou-se problemática a repartição
do espaço, sendo extremamente precárias as condições em que este tribunal vem funcionando. A situação
tende a agravar-se, dado o crescente volume processual, as exigências do atendimento dos utentes e a
conflitualidade associada a este tipo de jurisdição.
Em virtude do número crescente de processos distribuídos, após o mês de Setembro de 2008, passou a
exercer funções a meio-tempo, no tribunal de família e menores, mais uma juíza auxiliar, que assegura
o despacho e a realização de diligências nos processos tutelares cíveis, tutelares educativos e de divórcio
com numeração terminada em 0 e 7 e, ainda, nos processos de promoção e protecção com numeração
terminada em 0 e 2. A esta magistrada judicial apenas foi possível disponibilizar um gabinete no 3º piso
do edifício, distante, portanto, da secção de processos, situada no rés-do-chão, situação nada funcional
e até perturbadora, porque obriga a deslocações frequentes de funcionários e à circulação de intervenientes
processuais no interior do edifício, para acederem ao gabinete da magistrada, aquando da realização de
diligências.
No dia 1 de Setembro de 2007, foi instalado o juízo de execução de Vila Nova de Gaia e,
simultaneamente, extinto o 7º juízo cível (Decreto-Lei nº 250/07, de 29 de Junho).
Tendo o edifício sido concebido para três juízos criminais, quatro juízos cíveis, dois juízos do tribunal
do trabalho, serviços do Ministério Público, Instituto de Reinserção Social e delegação da Ordem dos
Advogados, a verdade é que, mantendo-se todos os restantes serviços referidos, existem, agora, quatro
juízos criminais, seis juízos cíveis, um juízo de execução e o tribunal de família e menores. A instalação
do juízo de execução foi feita à custa da compressão das instalações do tribunal do trabalho.
Após a reorganização a que se procedeu, em Setembro de 2007, por determinação da Direcção-Geral da
Administração da Justiça e sob orientação do juiz-presidente, visando, precisamente, a instalação do
juízo de execução, os espaços destinados às secções de processos ficaram distribuídos da seguinte forma:
1º e 2º juízos cíveis repartem o espaço existente no 4º piso; 3º e 5º juízos cíveis repartem o espaço do
5º piso; e os 4º e 6º juízos cíveis repartem o espaço do 6º piso. O juízo de execução ficou instalado no
espaço existente no 3º piso.
A secção do tribunal de família e menores deixou o 4º piso e passou a ocupar o espaço existente no rés-
-do-chão do edifício, antes utilizado pelo 2º juízo do tribunal do trabalho.
O 1º juízo criminal continua instalado no 4º piso, o 2º juízo criminal no 5º piso e os 3º e 4º juízos
Distrito Judicial do Porto

criminais repartem o espaço existente no 6º piso, enquanto a 1ª vara mista continua instalada no
2º piso e a 2º vara mista no 3º piso.
É cada vez mais problemática a acomodação de novos magistrados judiciais e do Ministério Público,
não havendo, actualmente, salas de apoio e bibliotecas, nos diversos pisos, que não tenham sido
transformadas em gabinetes.
Particularmente as salas originariamente destinadas às testemunhas têm, agora, um uso e afectação
completamente diferentes, já que todas as secções (cíveis e criminais) as vêm utilizando como salas de
reprografia, arquivo e arrecadação.
O Palácio da Justiça dispõe de 12 salas de audiências, 2 afectas às varas mistas, 3 aos juízos criminais,
4 aos juízos cíveis, 2 aos dois juízos do tribunal do trabalho e 1 ao tribunal de família e menores.

174 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


As salas de audiências estão equipadas com gravação áudio. A sala habitualmente utilizada pela 1ª vara
mista dispõe, também, de um sistema de tradução repartido por três cabinas.
No que respeita às instalações afectas aos serviços do Ministério Público, existem gabinetes individuais
para todos os magistrados, sendo que dois deles, resultantes do aproveitamento de salas de apoio, têm
dimensões reduzidas e não apresentam condições para atendimento do público.
Os serviços do Ministério Público ocupam os seguintes espaços: 4 amplas divisões, com cerca de 80 m2
cada, onde estão instaladas as 4 secções de inquéritos e os serviços de apoio do tribunal de família e
menores, 1 sala com cerca de 30 m2, afecta à secção central, 4 salas de instrução de processos, 1 sala com
cerca de 20 m 2, para os serviços de apoio à procuradoria, 1 sala de reuniões, 1 biblioteca, 1 gabinete
afecto ao secretário de justiça e 1 arquivo.
Em geral, o espaço reservado aos serviços do Ministério Público mostra-se ajustado às necessidades
decorrentes do normal exercício da sua actividade, proporcionando a magistrados e funcionários boas
condições de trabalho.
Deve notar-se, no entanto, que se mantém a insuficiência do espaço destinado ao arquivo (repetidamente
referida em relatórios anteriores), tornando-se cada vez mais problemática a guarda e a conservação dos
objectos apreendidos. O armazenamento de objectos da mais diversa natureza e de valor apetecível,
num espaço sem especial resguardo, tem suscitado preocupações com a segurança, tanto mais justificáveis
quanto é certo que foi já registado o descaminho de uma câmara de filmar e de um telemóvel, que deu
origem à instauração de inquéritos criminais.
As instalações afectas às secções de inquéritos encontram-se completamente integradas no edifício do Palácio
da Justiça, apresentando-se com condições satisfatórias para o cabal desempenho dos funcionários que aí
servem. No piso 0 encontra-se instalada a secção central, a 1ª secção e o gabinete do secretário de justiça. No
piso -1 tem a 2ª secção as suas instalações, enquanto no piso -2 estão instaladas as 3ª e 4ª secções.
Todas as secções dispõem de sala privativa para acto de instrução de processos, com microcomputador,
existindo também uma sala com condições para a efectivação de exames de reconhecimento, com vidro
unidireccional.
No que concerne ao tribunal de família e menores, com a reorganização resultante da instalação do
juízo de execução, foram afectos ao Ministério Público dois gabinetes situados no rés-do-chão do
edifício, onde se situam, também, os gabinetes das duas magistradas judiciais, todos eles com próxima
e fácil ligação à secção de processos, o que permite uma maior agilização de procedimentos e um
estreito contacto entre os funcionários e os quatro magistrados, o mesmo não sucedendo, no entanto,
Distrito Judicial do Porto
relativamente à juíza auxiliar aqui colocada em Setembro de 2008, cujo gabinete se situa no 3º piso,
como acima se referiu.
Os serviços de apoio ao Ministério Público continuam situados no piso -2, repartindo o espaço com a
4ª secção de inquéritos.
A separação entre as instalações afectas ao Ministério Público e as que estão afectas ao tribunal de
família e menores não acarreta significativas perdas de tempo e tem a inegável vantagem de marcar
perante os utentes um diferenciação física entre as duas secretarias, susceptível de ajudar a compreender
melhor a diversidade e especificidade das respectivas funções.
De forma especial, sente-se a falta de uma sala que confira privacidade às diligências nos inquéritos
tutelares educativos e nas audições susceptíveis de contender com o pudor das pessoas, levadas a cabo no

175
âmbito de averiguações oficiosas ou de processos administrativos, já que a única sala existente no espaço
destinado à 4ª secção é utilizada para as diligências de inquérito, ocorrendo, frequentemente, sobreposição
de agendamento.
No que respeita às instalações do tribunal do trabalho, com a reorganização resultante da instalação do
juízo de execução, em 1 de Setembro de 2007, o espaço sofreu alterações. Assim, se antes ocupava três
pisos de uma das alas do edifício, passou a ocupar apenas dois, com as consequências inerentes para
quem nele trabalha, pois que se passou de espaços amplos, para os dois juízos e para o Ministério
Público, para espaços exíguos para o Ministério Público e para um dos juízos.
O gabinete de atendimento ao público, a sala de exames médicos e o pequeno gabinete individual do
secretário de justiça continuam disponíveis. A secretaria funciona, agora, num pequeno espaço, antes
ocupado pelo secretário.
Particularmente afectados com a referida reorganização foram e continuam a ser os serviços de apoio do
Ministério Público. Com efeito, a solução encontrada não teve na devida conta a natureza das funções
exercidas pelo Ministério Público no tribunal do trabalho, que, como é sabido, tem a seu cargo,
nomeadamente, os processos de acidente de trabalho e a execução de diligências necessárias à realização
das tentativas de conciliação, as quais, presididas por magistrado do Ministério Público, trazem aos
serviços muitos milhares de pessoas todos os anos.
Na situação actual, face à exiguidade das instalações, não é possível garantir a celeridade do agendamento
das diligências com a presença dos sinistrados e das seguradoras que anteriormente caracterizava a actuação
dos serviços do Ministério Público, como era reconhecido pelos utentes, sob pena de se acumularem
pessoas num pequeno balcão, sem assegurar as condições mínimas de reserva e privacidade que a
salvaguarda da dignidade das mesmas impõe.
A instalação do tribunal de comércio de Vila Nova de Gaia, em 15 de Setembro de 1999, coincidiu
com a inauguração de novas instalações situadas nos espaços anteriormente ocupados pelos antigos
tribunal do trabalho e tribunal de pequena instância mista, espaços situados na Avenida da República,
521/541, em Vila Nova de Gaia.
Actualmente, o tribunal não está dotado de espaços físicos adequados e do conforto e funcionalidade
próprias para o exercício da administração da justiça em boas condições, tanto para magistrados e
funcionários, como para os utentes.
Na verdade, para além de continuar a não haver gabinete para um dos magistrados do Ministério
Distrito Judicial do Porto

Público, chove na biblioteca, no espaço destinado ao 1º juízo, verificando-se infiltrações de águas na


generalidade dos espaços. Há baldes espalhados pelo chão para recolher as pingas de água que caem do
tecto e provenientes do andar superior.
Existem duas salas de audiências, gabinetes individuais para os juízes e só para um magistrado do
Ministério Público; a central e secções não possuem espaços adequados, atenta a enorme quantidade e
volume dos processos. As salas de audiências têm vindo a sofrer degradação motivada por infiltrações
de águas, sendo que a falta de climatização das mesmas torna-as bastante desconfortáveis, durante todo
o ano. Acresce, ainda, que as paredes, traves e colunas da parte norte do edifício apresentam fissuras
com intervalo bem superior a 300 milímetros, motivadas provavelmente pela cedência de uma das
colunas ou pilares de suporte, na área da garagem, o que motivou inclusivamente um exame de especialistas
do LNEC, tendo-se concluído que, não parecendo haver perigo de cedência total do pilar, impunham-

176 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


-se obras no edifício. Estes factos são do conhecimento das entidades competentes que até agora nada
têm feito, sendo evidente que a situação se agrava de ano para ano.
Os serviços do Ministério Público deixaram de dispor de espaço próprio, que era uma sala para realização
de diligências. Esse espaço está impossibilitado de ser utilizado desde 2003, por causa de infiltrações e
da humidade que degradaram totalmente as paredes, aguardando-se que sejam realizadas as obras
necessárias à sua recuperação, as quais ainda não foram efectuadas.
Mesmo assim, por absoluta necessidade, esse espaço foi aproveitado este ano para ser transformado em
espaço de arquivo de processos findos, dado que o arquivo geral já se revelava insuficiente.
A funcionária do Ministério Público partilha a área dos serviços onde está instalada a secção central do
tribunal, facto que não ocorria aquando da criação do tribunal e se impôs devido à descrita degradação
das instalações, nunca resolvida.

IV. TRIBUNAL DA RELAÇÃO DE GUIMARÃES

a) Introdução

O Tribunal da Relação de Guimarães foi criado pelo Decreto-Lei n.º 186-A/99, de 31 de Maio, e
inaugurado no dia 19 de Setembro de 2001.
Tem competência sobre a área territorial das comarcas de Barcelos e Esposende (Círculo Judicial de
Barcelos); Amares, Braga, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho e Vila Verde (Círculo Judicial de Braga);
Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Fafe, Felgueiras e Guimarães (Círculo Judicial de Guimarães);
e Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte de Lima,
Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira (Círculo Judicial de Viana do Castelo). Abrange
apenas as matérias crime e cível, mantendo-se a matéria laboral no âmbito do Tribunal da Relação do
Porto.
O Tribunal da Relação de Guimarães encontra-se instalado num belo edifício setecentista, localizado
no Largo João Franco, e que foi recuperado para o efeito, tendo beneficiado de avultadas obras de
adaptação e restauro, que o trouxeram ao seu condigno estado actual.
A instalação definitiva só veio a ocorrer no dia 2 de Abril de 2002, por força do artigo 1.º do Decreto-
-Lei n.º 339/2001, de 27 de Dezembro, data em que tomaram posse os primeiros magistrados ali
colocados.
Distrito Judicial do Porto

b) Recursos humanos e materiais

Encontra-se preenchido o quadro de magistrados do Ministério Público.


O Ministério Público dispõe ainda de dois funcionários, os quais se encontram instalados na secção
central, ocupando uma secretária dupla e tendo ao seu dispor alguns armários. O serviço encontra-se
apetrechado com o necessário equipamento informático.
Ao procurador-geral adjunto coordenador foi destinado um amplo gabinete que é também utilizado
para as reuniões do Ministério Público. Para os quatro procuradores-gerais adjuntos que integram o
quadro de magistrados do Ministério Público foram disponibilizados dois gabinetes, pequenos mas

177
que permitem uma utilização satisfatória, encontrando-se equipados com mobiliário mínimo, embora
desprovidos de computadores.
Ao serviço do procurador-geral adjunto coordenador está afecta uma viatura automóvel. Porém, o
quadro da Relação não dispõe do necessário motorista, o que corresponde a uma omissão
incompreensível, com todos os transtornos inerentes, e que se verifica desde a instalação do tribunal.
Pelo despacho conjunto n.º 666/2004 do Ministro das Finanças e da Administração Pública e do
Ministro da Justiça, de 24 de Outubro de 2004, naturalmente no sentido de desbloquear a situação de
existir uma viatura parada, foi concedida ao procurador-geral adjunto coordenador permissão genérica
de condução, ao abrigo do disposto no n.º 3 do artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 490/99, de 17 de
Novembro.

c) Organização

No que diz respeito à intervenção do Ministério Público, os processos-crime continuam a ser distribuídos
equitativamente pelos procuradores-gerais adjuntos. Os processos cíveis continuam a ser despachados
pelo procurador-geral adjunto coordenador, o qual, para além de processos da competência do presidente
da Relação, também teve a seu cargo os processos de cooperação judiciária internacional em matéria
penal (mandados de detenção europeus, extradições, revisões de sentenças estrangeira para transferência
de presos, etc.), os pedidos de solução de conflitos de competência e todos os processos cíveis de revisão
de sentença estrangeira. Mantêm-se na competência do Ministério Público junto do Tribunal da Relação
de Guimarães os inquéritos respeitantes a magistrados da respectiva área territorial.
Sempre que necessário, realizaram-se reuniões com todos os procuradores-gerais adjuntos onde foram
analisadas questões pertinentes, designadamente as que resultam da jurisprudência da Relação com que
o Ministério Público vai sendo confrontado.

d) Área processual

Na área criminal deram entrada 951 recursos penais (mais 25 do que no ano anterior), 108 processos
em 1.ª instância (mais 55), 20 reclamações (menos 19) e 4 processos para resolução de conflitos de
competência (menos 3). Nesta área, o Ministério Público elaborou pareceres em todos os processos,
fazendo-o em tempo e após análise cuidadosa das questões suscitadas. O entendimento do Ministério
Público foi acolhido, por regra, nos acórdãos subsequentes.
Na área cível deram entrada 1.139 apelações (mais 27 do que no ano anterior), 395 agravos (menos
Distrito Judicial do Porto

27), 152 pedidos de revisão de sentença estrangeira (mais 33), 32 processos para resolução de conflitos
de competência (mais 4) e 35 reclamações (menos 20).
Foi relativamente expressiva a intervenção do Ministério Público na área cível, destacando-se os inúmeros
pareceres em todos os processos para resolução de conflitos de competência e em todos os destinados a
revisão de sentenças estrangeiras, alguns dos quais tiveram por objecto questões complexas.
A nível interno, foram instaurados 47 processos administrativos (mais 10 do que no ano anterior) para
acompanhamento de resolução de conflitos negativos de competência, processos de extradição, mandados
de detenção europeu e cumprimento da regra da especialidade, e acompanhamento de processos
instaurados nas comarcas, por incumbência do procurador-geral distrital do Porto ou do procurador-
-geral adjunto coordenador.

178 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Foram instaurados 2 inquéritos contra magistrados (menos 5 do que no ano anterior), tendo ambos
sido arquivados pelo Ministério Público.
O procurador-geral adjunto coordenador proferiu 43 pareceres, 3 promoções cível e crime, 130 alegações
e contra-alegações (incluindo os processos de revisão de sentença estrangeira), 49 requerimentos diversos,
15 respostas, 8 recursos para o Supremo Tribunal de Justiça e para o Tribunal Constitucional, 78 despachos
em expediente avulso e 5 requerimentos no âmbito da cooperação judiciária internacional, num total
de 328 intervenções.
Nas secções criminais, o Ministério Público emitiu 1.038 pareceres, 67 promoções, 17 requerimentos,
15 respostas e 4 recursos (2 para o Tribunal Constitucional e 2 para o Supremo Tribunal de Justiça) o
que corresponde a cerca de 290 intervenções por magistrado.
Nas comarcas da área territorial deste tribunal, verificou-se que o Ministério Público interpôs
116 recursos em processos-crime, que se discriminam por círculos judiciais: Guimarães, 46; Barcelos,
34; Braga, 19; e Viana do Castelo, 17.
Não se verificaram atrasos significativos no desenvolvimento dos processos a cargo do Ministério Público.

e) Outras considerações

Foi profícua a articulação do serviço com o procurador-geral distrital do Porto.


No que concerne à representação do Ministério Público no Tribunal da Relação de Guimarães, que não
é sede de distrito judicial, a LOFTJ dedicou-lhe os n. os 2, 3 e 4 do artigo 49º.
A Lei n.º 42/2005, de 29 de Agosto, veio aditar ao Estatuto do Ministério Público, aprovado pela Lei
n.º 47/86, de 15 de Outubro (alterada pelas Leis n. os 2/90, de 20 de Janeiro, 23/92, de 20 de Agosto,
10/94, de 5 de Maio, e 60/98, de 27 de Agosto), o artigo 105.º-A que, nas circunscrições correspondentes
a tribunal da relação que não sejam sede do distrito judicial, atribui ao procurador-geral adjunto, designado
nos termos da lei, competência para organizar o mapa de férias anual dos magistrados do Ministério
Público.
O anterior procurador-geral distrital do Porto delegou, na pessoa do anterior procurador-geral adjunto
coordenador no Tribunal da Relação de Guimarães as seguintes competências: proceder à distribuição
de serviço entre os procuradores da República da mesma comarca ou círculo judicial ou atribuir aos
procuradores da República o serviço de outros círculos ou tribunais, bem como todas as matérias com
estas relacionadas; decidir os conflitos de competência suscitados; decidir as intervenções hierárquicas
Distrito Judicial do Porto
nas áreas penal, civil e de família e menores; decidir os pedidos de impedimento, recusa e escusa; tomar
conhecimento das prescrições do procedimento criminal e decidir as providências que julgar adequadas,
devendo ser-lhe comunicadas, por essa razão, as que vierem a ocorrer (provimento n.º 19/2005, de
29 de Setembro). Esta delegação de competências foi mantida pelo actual procurador-geral distrital do
Porto, pelo despacho n.º 25/06, de 18 de Julho.
Pelo despacho n.º 50/2007, de 6 de Setembro, o procurador-geral distrital do Porto delegou no actual
procurador-geral adjunto coordenador no Tribunal da Relação de Guimarães as seguintes competências:
a que lhe foi conferida pelas alíneas e) e f) do artigo 58.º da Lei n.º 60/98, de 27 de Agosto, abrangendo
tal delegação, entre o mais, as decisões relativas à solução de conflitos entre magistrados do Ministério
Público da área territorial do tribunal da Relação, as reclamações hierárquicas, bem como o
acompanhamento de processos administrativos, onde se inclui a aprovação de qualquer peça processual.

179
E, nos termos da directiva n.º 2/2006, publicada no Diário da República, II Série, de 17 de Novembro
de 2006, a delegação para apreciação e decisão dos casos a que respeita aquela directiva.

f ) Considerações finais

O trabalho desenvolvido na Relação de Guimarães mostra-se muito positivo, tendo-se verificado


prontidão e celeridade na resposta às múltiplas solicitações processuais.
Tendo passado em 2008 o sexto ano do seu normal funcionamento, afigura-se ter-se mantido o ritmo
adequado de trabalho já evidenciado em anteriores relatórios anuais, havendo articulação funcional
entre as diversas estruturas profissionais que aqui desenvolvem as suas tarefas.
É da mais elementar justiça consignar que o Ministério Público emitiu adequados pareceres, tanto do
ponto de vista da análise jurídica como da ponderação da prova, pese embora o acréscimo de processos
em que interveio, a justificar o aumento do quadro para mais um procurador-geral adjunto, não só para
prestar colaboração nas secções criminais, mas, também, para dispensar o procurador-geral adjunto
coordenador de parte da sua intervenção processual nas duas secções, libertando-o para as funções de
coordenação e fiscalização hierárquica, nos termos constantes da delegação de poderes supra evidenciada.
Na sequência das solicitações no sentido atrás referenciado, prevê-se o destacamento de uma procuradora-
-geral adjunta para exercer funções no Ministério Público junto da Relação de Guimarães a partir de
1 de Janeiro de 2009, o que, finalmente, permitirá ultrapassar as necessidades mais prementes dos serviços.
De qualquer modo, convém assinalar que, ainda assim, e com evidente sacrifício dos magistrados do
Ministério Público que exercem funções nesta Relação, foi possível atingir o fim do ano sem atrasos
processuais significativos.
Sendo discutíveis ou continuando a não ser suficientemente claras as competências do procurador-geral
adjunto coordenador na área da superintendência directa sobre os magistrados do Ministério Público
que integram as comarcas abrangidas na área territorial do Tribunal da Relação de Guimarães, nem
sempre é fácil articular a intervenção destes ao nível dos recursos para a 2.ª instância com a consequente
intervenção do Ministério Público no Tribunal da Relação, designadamente quando, por exemplo, se
torna necessário concertar determinada estratégia nos recursos a interpor para esta Relação quer em
matéria crime quer em matéria cível.
Pela mesma razão, são sempre previsíveis dificuldades de organização do mapa de férias anual dos
magistrados do Ministério Público na mesma área territorial, resultantes da atribuição dessa competência,
Distrito Judicial do Porto

pela Lei n.º 42/2005, de 29 de Agosto, ao procurador-geral adjunto coordenador.


Tudo a justificar uma clarificação e, até, redefinição das funções do procurador-geral adjunto, designado
nos termos da lei, no Tribunal da Relação de Guimarães.

180 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


MOVIMENTO PROCESSUAL DO TRIBUNAL DA RELAÇÃO DE GUIMARÃES

1. SECÇÕES CÍVEIS
Movimentados
Pendentes p/o
Vindos do ano Findos
Entrados Total ano seguinte
anterior
Recursos de Revista 0 0 0 0 0

Recursos de Agravo 93 395 488 424 64

Recursos de Apelação 261 1139 1400 1094 306

Revisão de Sentença Estrangeira 56 152 208 127 81

Conflitos (jurisdição e competência) 6 32 38 36 2

Reclamações 0 35 35 34 1

Outros 1 16 17 16 1

Totais 417 1769 2186 1731 455

2. SECÇÃO CRIMINAL
Movimentados
Pendentes p/o
Vindos do ano Findos
Entrados Total ano seguinte
anterior
Recursos Ordinários 324 951 1275 963 312

Conflitos (jurisdição e competência) 0 4 4 3 1

Reclamações 0 20 20 20 0

Processos em 1.ª instância 2 108 110 90 20

Outros 0 0 0 0 0

Totais 326 1083 1409 1076 333

RECURSOS ORDINÁRIOS PENAIS Distrito Judicial do Porto

Movimentados Decididos

Renúncia a Pendentes
Em conferência Em audiência Total
Vindos Inter- alegações p/o ano
decididos
do ano postos Total orais Não Não seguinte
Desis- Rejei- Pro- Pro-
anterior no ano pro- Total pro- Reenvio Total
tência ção vidos vidos
vidos vidos
Mº Público
43 115 158 0 0 4 18 14 36 69 34 10 113 149 9
Recorrente

Mº Público
163 650 813 0 0 21 32 61 114 169 324 24 517 631 182
Recorrido

Totais 206 765 971 0 0 25 50 75 150 238 358 34 630 780 191

181
ACTIVIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO

1. JURISDIÇÃO CÍVEL
Total

Pareceres 40

Alegações/contra-alegações 130

Requerimentos e respostas 72

Outras intervenções 83

Totais 325

2. JURISDIÇÃO PENAL
Total

Pareceres 1038

Alegações/contra-alegações 0

Requerimentos e respostas 70

Outras intervenções 73

Totais 1181
Distrito Judicial do Porto

182 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


DISTRITO JUDICIAL DE COIMBRA
3.

Introdução

A autonomia administrativa do Tribunal da Relação de Coimbra — sem qualquer participação efectiva


dos responsáveis pela magistratura do Ministério Público nas decisões respeitantes aos serviços e sem a
existência de idêntico regime (assim como a disponibilização dos correspondentes meios) para a
Procuradoria-Geral Distrital — constitui um obstáculo de monta à boa execução das tarefas que
incumbem ao Ministério Público no distrito judicial.
Com efeito, a Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra, órgão ao qual incumbe muito mais do que a
mera representação do Ministério Público no respectivo Tribunal da Relação, tendo como objectivo
constituir factor de dinamização da actividade da magistratura em que se integra, em todo o distrito
judicial e sendo também sua missão a de prestar à Procuradoria-Geral da República as inúmeras respostas
que, no que toca ao Conselho Superior da Magistratura, são essencialmente dadas pela inspecção judicial
e pelos seus membros permanentes regionais, não teve ao seu dispor, durante o ano de 2008, os meios
minimamente necessários para a adequada execução das tarefas que lhe estão legalmente atribuídas.

I. SERVIÇOS DA PROCURADORIA-GERAL DISTRITAL

1. Generalidades

a) Instalações

Os serviços do Ministério Público na Procuradoria-Geral Distrital estavam instalados em nove gabinetes,


sendo sete destinados aos treze magistrados que aqui prestavam serviço no final de 2008 (incluindo o
procurador-geral distrital) e dois aos serviços de apoio.
O procurador-geral distrital dispõe de um gabinete com grande dignidade e muito boa funcionalidade.
Dois dos procuradores-gerais adjuntos ocupam gabinetes individuais e os sete restantes partilham três
gabinetes, sendo um último ocupado por outro procurador-geral adjunto e os dois procuradores da
República colocados na Procuradoria-Geral Distrital em serviço de coadjuvação.
Os gabinetes situados no 2º piso são arejados e de boa dimensão e os dois situados na sobreloja estão já
dotados de aparelhos de ar condicionado, melhorando as condições do exercício das funções dos
magistrados que os utilizam. Estão todos razoavelmente mobilados.
A unidade de apoio, na qual, no final do ano, prestavam serviço três oficiais de justiça e uma assistente
administrativa principal, ocupa um gabinete amplo. Um outro, de menores dimensões mas adequado,
situado próximo do destinado ao procurador-geral distrital, está afecto ao secretariado da Procuradoria-
-Geral Distrital. No que respeita à dotação de equipamentos informáticos, mantém-se a situação
antecedente, que é satisfatória.

183
b) Quadro de magistrados e distribuição de serviço

O quadro de procuradores-gerais adjuntos na sede do distrito judicial é de oito unidades mas durante o
ano de 2008 foram colocados na Procuradoria-Geral Distrital dois procuradores-gerais adjuntos auxiliares,
tendo a nomeação do segundo decorrido da grave situação de doença que afectou, durante todo o ano,
um dos magistrados efectivos.
Um procurador da República desempenhou funções na Procuradoria-Geral Distrital, ao abrigo do
disposto no artigo 58º, nº 3, do Estatuto do Ministério Público, em regime de destacamento, durante
todo o ano. Em Setembro de 2008, foi também atribuída a assessoria da Procuradoria-Geral Distrital
a um segundo procurador da República, que estava colocado no círculo judicial de Coimbra.
A distribuição de serviço do Ministério Público na Procuradoria-Geral Distrital manteve-se durante o
ano de 2008.
Em 31 de Dezembro e à semelhança do que sucedia nos anos anteriores, o procurador-geral distrital
tinha a seu cargo, com o apoio dos procuradores da República em funções de coadjuvação, a
movimentação do expediente indispensável à orientação da actividade desenvolvida pelos magistrados
do Ministério Público nas procuradorias dos círculos e das comarcas do distrito judicial, bem como o
relacionamento com a Procuradoria-Geral da República e outras entidades.
E reservou para a sua esfera de actuação as matérias respeitantes à cooperação judiciária internacional em
matéria penal (fazendo-se porém substituir, visto o volume de serviço a seu cargo, por colegas colocados
na Procuradoria-Geral Distrital), à decisão das reclamações hierárquicas deduzidas contra despachos
proferidos pelos procuradores da República e à resolução dos conflitos de competência entre magistrados
de diferentes círculos judiciais.
A nove dos procuradores-gerais adjuntos em serviço na Procuradoria-Geral Distrital coube a representação
do Ministério Público no Tribunal da Relação; sendo que, no final do ano de 2008, seis desempenhavam
essa tarefa na secção criminal e os três restantes nas secções cível e social.
Continuou delegada a competência para superintender e coordenar, em primeira linha, a actividade
processual dos magistrados do Ministério Público na 1ª instância em três dos procuradores-gerais adjuntos
(um na área cível, outro na área social e um terceiro na área penal, muito embora a doença de que
padece este último tenha limitado muito significativamente o seu exercício).
Continuou atribuída a um procurador-geral adjunto a tarefa de coordenar as actividades a nível
Distrito Judicial de Coimbra

informático que se mostram necessárias e seja possível desenvolver, em especial no que respeita à
identificação de novos métodos de trabalho, à determinação das melhores práticas a utilizar pelos serviços
do Ministério Público, assim como ao relacionamento a manter com o ITIJ e a DGAJ, e ainda entre a
Procuradoria-Geral Distrital e os tribunais do distrito judicial.

c) Funcionários

A secção do Ministério Púbico da repartição administrativa, legalmente composta por quatro elementos,
à qual estava confiada, até 31 de Dezembro de 2003, entre outras tarefas, a tramitação dos processos de
acompanhamento, ditos administrativos (um dos instrumentos utilizados para acompanhar a actividade
dos serviços do Ministério Público no distrito judicial), deixou de estar sob a supervisão do procurador-
-geral distrital. Ainda que, durante o ano de 2008, tenha estado colocada na unidade de apoio, também

184 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


prevista na lei, apenas uma assistente administrativa principal para o cumprimento de parte das tarefas
exclusivamente administrativas que são encargo dos serviços de apoio do Ministério Público na
Procuradoria-Geral Distrital.
A partir de 1 de Janeiro de 2004 passou, portanto, a ser da exclusiva responsabilidade da unidade de
apoio todo o serviço não estritamente burocrático que anteriormente era desempenhado na dita secção
administrativa. Ora, sendo esta unidade de apoio composta por apenas dois oficiais de justiça (ainda
que durante o ano de 2008 aí tivesse prestado serviço em regime de requisição uma escrivã-adjunta), é
manifesto que foi enorme a dificuldade para um desenvolvimento aceitável do trabalho que importava
realizar — só tendo isso sido possível graças ao especial mérito, pundonor e permanente dedicação dos
funcionários que, não raro, têm de exercer as suas funções para além do horário de trabalho que legalmente
lhes é exigível.
No secretariado, o escrivão-adjunto que aí exerce funções em comissão de serviço, nos termos do disposto
no artigo 57º, nº 4, do Estatuto do Ministério Público, excede em muito a simples função de secretário
do procurador-geral distrital — estando-lhe em especial distribuído todo o serviço respeitante ao
Conselho Superior do Ministério Público e à inserção de dados, primeiro na página da Procuradoria-
-Geral Distrital na internet e depois no SIMP, para além de muito outro — e continua a actuar com o
particular mérito, competência e constante dedicação que sempre o têm caracterizado.

2. Área processual

O procurador-geral distrital, no exercício das funções para si reservadas, decidiu 9 reclamações de


despachos de procuradores da República e conflitos entre magistrados do Ministério Público na
1ª instância, requereu a decisão de conflitos entre juízes em 2 situações e apresentou 2 articulados em
reclamações apresentadas ao presidente da Relação.
No Tribunal da Relação, foram elaborados 2.877 pareceres e alegações escritas e os procuradores-gerais
adjuntos tiveram intervenção em 455 julgamentos em audiências de processo penal.
Continua a ser grande o número de recursos respeitantes também à matéria de facto, o que torna muito
mais complexa a tarefa dos magistrados no Tribunal da Relação. Durante o ano de 2008 isso aconteceu
em 44,7% dos processos nos quais o Ministério Público emitiu parecer em matéria penal e em 23,5%
dos processos nos quais o Ministério Público emitiu parecer em matéria laboral.
Nos serviços do Ministério Público foram movimentados 23 inquéritos penais em que eram denunciados Distrito Judicial de Coimbra
magistrados (7 pendentes de anos anteriores e 16 entrados em 2008), tendo findado 10 (9 por
arquivamento e 1 com suspensão provisória do processo) e ficado pendentes 13 no final do ano de
2008.
Durante o ano de 2008 foram interpostos 15 recursos para fixação/uniformização de jurisprudência
para o Supremo Tribunal de Justiça (7 dos quais pelo Ministério Público).

3. Área administrativa

Como tem sido prática tradicional no distrito judicial de Coimbra, as questões pendentes nas comarcas
cuja evolução importa acompanhar, dirigindo, coordenando e fiscalizando a actuação dos procuradores
da República e/ou procuradores-adjuntos, são seguidas prevalentemente através de processos

185
administrativos instaurados e tramitados na Procuradoria-Geral Distrital, os quais efectivamente
constituem dossiers de acompanhamento das questões às quais respeitam.
Nos processos administrativos recolhem-se os elementos extraídos dos relatórios sobre o estado dos
serviços do Ministério Público nas comarcas, os quais são elaborados pelos procuradores da República
com funções de coordenação; um intercalar no termo do primeiro semestre e outro no fim do ano.
Procura-se, deste modo, não só colher uma visão de conjunto do estado dos serviços, mas também
obter os elementos que proporcionem uma intervenção adequada e atempada sobre os problemas que
vão surgindo no dia-a-dia de cada procuradoria da República.
É também nesses dossiers que se processa o tratamento dos assuntos mais relevantes respeitantes ao
relacionamento com a Procuradoria-Geral da República e outras entidades ou serviços, bem como as
averiguações decorrentes das exposições recebidas directamente dos particulares.
Toda esta actividade, que assume uma dimensão muito significativa, foi assegurada pelo procurador-
-geral distrital na área geral e de acompanhamento do estado dos serviços nas comarcas e, normalmente,
por cada um dos três procuradores-gerais adjuntos com funções de coordenação nas áreas penal, cível e
social. Foram distribuídos 198 processos administrativos.
Ainda em referência à actividade burocrática, reunimos outros dados estatísticos, os quais dão uma
imagem bastante expressiva do volume de serviço desenvolvido pelos serviços do Ministério Público
no Tribunal da Relação (com a menção de que aí não são contabilizadas as comunicações electrónicas
ultimamente utilizadas em volume muito acrescido — nos últimos três anos diminuiu em 40% o
número de ofícios expedidos). Foi movimentado o seguinte expediente: 7 cartas rogatórias/actos
judiciários, 4.494 apostilas e 2.383 ofícios. A tudo isso acresce um muito relevante volume de expediente,
organizado no secretariado, relativo às questões do Conselho Superior do Ministério Público e outras,
genéricas, da actividade do procurador-geral distrital.
Continuam a decorrer com inteira normalidade os contactos — protocolares e funcionais — com
todas as entidades e serviços públicos, em especial com os sedeados na cidade de Coimbra, nomeadamente
com a delegação regional do Centro de Estudos Judiciários, a Direcção de Finanças, o Conselho Distrital
da Ordem dos Advogados, a Reitoria da Universidade, o Conselho Directivo da Faculdade de Direito,
o Governo Civil, a Câmara Municipal, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e a Direcção-Geral de
Reinserção Social.
Distrito Judicial de Coimbra

Merecem igualmente referência a facilidade e cordialidade das relações que têm sido mantidas com a
Directoria de Coimbra da Polícia Judiciária e também com o Comando Distrital da Polícia de Segurança
Pública e com o Comando da Brigada nº 5 da Guarda Nacional Republicana. Mantêm-se ainda excelentes
relações com o Instituto Nacional de Medicina Legal.

II. SERVIÇOS DO TRIBUNAL DA RELAÇÃO

1. Quadro de magistrados

O quadro de juízes desembargadores é de 46, não totalmente preenchido em 31 de Dezembro de 2008


porque durante o ano foram promovidos para o Supremo Tribunal de Justiça 2 juízes desembargadores
e jubilaram-se 4, encontrando-se, ainda, em comissão de serviço no exterior, naquela data, 4 juízes

186 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


desembargadores, tendo apenas sido preenchida uma das vagas resultantes da promoção. No final do
ano, prestavam serviço na Relação 21 juízes desembargadores auxiliares. Ou seja, estavam então ao
serviço 16 juízes desembargadores a mais do que o número de unidades previsto no quadro.
O procurador-geral distrital foi coadjuvado por 10 procuradores-gerais adjuntos, dois dos quais auxiliares,
além do quadro.

2. Organização e funcionamento das secções

Para além da secção central, existem 3 secções de processos (secção cível com 3 subsecções, secção
criminal com 2 subsecções e secção social), tendo os serviços decorrido sem particulares anomalias.

3. Movimento processual

O número total de processos distribuídos estabilizou, comparativamente com o ano anterior, aumentando
ligeiramente, de 4.917 para 5.017. De referir, neste aspecto, que foram autuados na secção social do
Tribunal da Relação 227 recursos de apelação, que não podem ser mencionados no mapa 14 anexo a
este relatório por inexistência de campo para o efeito, devendo, consequentemente, esse valor ser
adicionado ao referido nesse mapa.
No que respeita aos processos findos, verifica-se que o seu número, nas três secções, foi de 5.196 que
significa, comparativamente com o ano anterior, um aumento de 3,3%.

III. SERVIÇOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO NO DISTRITO JUDICIAL

1. Tópicos gerais

À semelhança do que se tem passado em anos anteriores, importa assinalar, como factor que coloca
graves dificuldades na actividade do Ministério Público, o da carência de magistrados.
Com efeito, em vários tribunais está colocado um significativo número de magistrados judiciais para
além dos quadros — na 1ª instância, no distrito judicial, estavam em serviço 218 juízes em 31 de
Dezembro de 2008, quando os quadros legais somam, na totalidade, apenas 173 (3 dos quais no
quadro complementar) — o que torna sobremaneira penoso o exercício das tarefas que incumbem aos Distrito Judicial de Coimbra
magistrados do Ministério Público. Ou seja, para além do quadro, exerciam funções em 1ª instância,
no distrito judicial de Coimbra, 45 juízes (mais 26,01% do que os dos quadros legais).
A esse propósito será de referir que, já em 12 de Julho de 2004, o Conselho Superior do Ministério
Público reconheceu a impossibilidade de os magistrados do Ministério Público estarem presentes em
todas as diligências marcadas pelos juízes e, por isso, recomendou até aos procuradores da República
com funções de direcção dos serviços do Ministério Público que levassem a cabo uma distribuição de
serviço que, ponderando aquela impossibilidade, atendesse aos casos concretos.
Para, de certo modo, obviar a essa dificuldade tem-se recorrido à colocação de substitutos de procuradores-
-adjuntos nas comarcas de menor dimensão (em 31 de Dezembro de 2008 eram 8 os colocados), o que,
porém, conduz a que o serviço se ressinta, vista a inexperiência e a falta de formação específica desses
licenciados, implicando uma sobrecarga para os procuradores da República nos círculos judiciais, aos

187
quais foram atribuídas funções de coordenação, que têm de ter uma atenção redobrada aos seus
desempenhos.
Será de considerar manifestamente insuficiente, para acorrer às necessidades de substituição que se fazem
sentir, o número de três unidades no quadro complementar de magistrados do Ministério Público
criado pela Portaria nº 412-A/99, de 7 de Junho. Pense-se nas situações de baixa por doença prolongada
ou incapacidade temporária, especialmente por parte das magistradas — durante o ano de 2008, só em
situações de gravidez de risco e licença de maternidade, estiveram oito magistradas, implicando 33
meses de ausência do serviço, Refira-se por contraposição, que a bolsa de juízes do distrito judicial de
Coimbra, que é também de 3 unidades, para além de preenchida, está dotada de 24 magistrados auxiliares.
Mas as graves dificuldades na actividade do Ministério Público decorrem sobremaneira da inadequação
dos quadros de funcionários de apoio e, também aqui, da sua falta de preenchimento, situação tanto
mais de lamentar quanto, cada vez mais, se exige celeridade e eficácia aos serviços. Ademais não se vêem
quaisquer progressos na formação dos funcionários — equiparados, aliás, a órgãos de polícia criminal
— no âmbito das funções que desempenham na tramitação do inquérito. O que gera a necessidade de
recorrer à delegação de investigações nos OPC’s, que, a ser outra a realidade nos serviços do Ministério
Público, poderia ser dispensada, mas que, vista a situação actual, é imperativa.
Outro tanto sucede em especial na área da jurisdição de família e menores e na área da jurisdição
laboral, nas quais o atendimento dos cidadãos é de especial relevo nas atribuições do Ministério Público,
implicando uma grande sobrecarga no trabalho que tem de ser desenvolvido pelos magistrados, que
realizam tarefas cujo cumprimento melhor se enquadraria no desempenho dos seus serviços de assessoria.
Os procuradores-gerais distritais expuseram ao Conselho Superior do Ministério Público as suas
preocupações, sugerindo novos quadros de magistrados e funcionários que permitam garantir a eficiência
mínima dos serviços, sendo que essa proposta foi aprovada na sessão de 7 de Junho de 2004. Não
obstante, a mesma (que se mostra já insuficiente) não teve ainda qualquer acolhimento.
Com efeito o significativo aumento do número de inquéritos entrados nas comarcas do distrito judicial
de Coimbra nos últimos anos — e é consabido que as variações dessa distribuição são índice seguro das
mudanças no volume do serviço global do Ministério Público — justifica, só por si, inequivocamente,
um inadiável aumento dos quadros de magistrados e funcionários do Ministério Público nas comarcas
do distrito. Acrescendo a esse aumento do volume de inquéritos aquilo que atrás se referiu — a
necessidade de o Ministério Público se fazer representar no serviço desempenhado por um elevado
Distrito Judicial de Coimbra

número de juízes colocados além dos quadros (mais 26,01% do que os legalmente previstos).
Comparando o número de inquéritos iniciados no ano de 1998 (ao qual se reportam os quadros de
magistrados em vigor, estabelecidos pelo Decreto-Lei nº 186-A/99, de 31 de Maio) e o número dos
iniciados no ano de 2008 (ao qual se reporta o presente relatório), vê-se que no distrito judicial de
Coimbra se verificou uma subida de 59.081 para 74.935, isto é, sucedeu um acréscimo na distribuição
de 26,83%.
A esse propósito, não pode deixar de ser sublinhado o enormíssimo acréscimo de trabalho burocrático
que tem de ser desenvolvido em virtude das alterações legislativas introduzidas em 2007 (em especial
no Código de Processo Penal e na Lei de Política Criminal), o significativo aumento das tarefas que
incumbem ao Ministério Público na área da família e menores (vistas as actuais Lei Tutelar Educativa,
Lei de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo e Decreto-Lei n.º 272/2001, de 13 de Outubro, que
atribuíram novas e relevantes competências ao Ministério Público — designadamente no

188 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


acompanhamento e fiscalização das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens), o grande volume de
trabalho que passou a ter de ser realizado pelos serviços do Ministério Público na área laboral, com a
incumbência de tramitação dos processos emergentes de acidente de trabalho nas suas fases não
contenciosas, que são as que ocasionam maior serviço, e a urgência em possibilitar a assessoria aos
procuradores da República com funções de direcção, nos círculos judiciais, de um funcionário próprio
com formação em informática e em secretariado. Por isso não se pode considerar senão como modesto
— e agora insuficiente, por desactualizado — o mencionado aumento nos quadros proposto pelos
procuradores-gerais distritais ao Conselho Superior do Ministério Público.
As relações entre a Procuradoria-Geral Distrital e as procuradorias dos círculos e da comarca de Coimbra
foram frequentes, tendo sido realizadas reuniões com os procuradores da República com funções de
coordenação nos círculos, com aqueles que exercem as suas tarefas nos tribunais do trabalho e com os
que as desempenham nos tribunais de família e menores, assim como privilegiado o diálogo individual
com todos os procuradores da República.
Os procuradores da República que exercem funções de coordenação passaram a elaborar, para além do
relatório anual referido ao final de cada ano, apenas um relatório intercalar sobre o estado dos serviços
referido ao termo do 1º semestre, acompanhado de informações específicas sobre os processos que
importa seguir mais de perto. Da análise de ambos colhe-se um panorama global sobre o funcionamento
dos serviços do Ministério Público nas diversas comarcas do distrito judicial. Para além disso, os mesmos
procuradores da República continuam a enviar mensalmente mapas do movimento de inquéritos por
cada comarca (e por cada procurador-adjunto, quando estejam em funções mais do que um), fornecendo,
espontaneamente ou quando solicitados para isso, outras informações de natureza geral ou sobre processos
determinados, de forma a habilitar a Procuradoria-Geral Distrital com informações actualizadas sobre
as matérias mais diversas.

2. Actividade desenvolvida

Os diferentes mapas que acompanham o presente relatório fornecem uma informação estatística sobre
os aspectos mais expressivos da actividade do Ministério Público no distrito judicial, círculo por círculo
e área por área. A esse propósito devem especialmente ser tidos em conta os relatórios de cada um dos
magistrados do Ministério Público com funções de direcção/coordenação desses círculos/áreas, nos
quais consta uma análise detalhada sobre essa problemática nas circunscrições que têm sob a sua
responsabilidade.
Distrito Judicial de Coimbra
a) Jurisdição penal

O número de inquéritos distribuídos subiu de modo significativo em 2008, passando de 68.259, no


ano anterior, para 74.935 no ano ao qual respeita este relatório, o que significa um acréscimo percentual
de 9,78%. Tal acréscimo verificou-se em todos os círculos do distrito judicial de Coimbra.
Subiu também, consequentemente, o número de inquéritos movimentados, que passou de 97.248 (em
2007) para 102.121 (em 2008), o que representa um acréscimo percentual de 5,01%.
Verificou-se também um aumento do número de inquéritos findos, que passou de 70.246 (em 2007)
para 71.012 (em 2008), o que significa um aumento de produtividade de 1,01%.
Em função de tudo isso aumentou, porém, o número de inquéritos pendentes em 31 de Dezembro de

189
2008 (31.110) comparativamente com o correspondente dia de 2007 (27.002), numa percentagem de
15,21%. De entre os pendentes no último dia do ano a que respeita o presente relatório, 22.142
(71,17%) estavam-no há menos de 8 meses. E só 5.201 (16,71%) tinham sido registados em anos
anteriores ao de 2008.
Quanto aos inquéritos ultimados em 2008, o número de acusações foi de 12.792, isto é, 18,01%. E,
de entre os processos acusados, foram 1.585 (12,39%) aqueles em que se fez uso do disposto no artigo
16º, nº 3, do CPP. Foram 1.054 (8,23%) aqueles em que se usou o processo abreviado, tendo sido 862
(6,73%) aqueles em que se usou o processo sumaríssimo.
Por outro lado, a suspensão provisória de processos de inquérito, nos termos do disposto no artigo
281º do CPP, continuando uma tendência que anualmente se tem verificado, subiu ainda em 2008 na
percentagem de 32,25%, comparativamente com o número de processos em que foi utilizado esse
expediente no ano de 2007.
No que respeita às instruções, tramitadas de acordo com o CPP de 1987, as requeridas pelos arguidos
e pelos assistentes foram 1.203, as globalmente movimentadas 1.981 e as findas 1.276, tendo ficado
pendentes 705 (isto é, 12,34% menos do que aquelas em que tal se verificou no início do ano de
2008).
O número de recursos penais apresentados pelo Ministério Público foi de 379 no ano de 2008, o que
significa um decréscimo de 27,17% relativamente aos interpostos no ano de 2007 (em que o seu
número foi de 482).
Quanto aos processos penais o número dos movimentados em 2008 foi de 36.816, dos quais findaram
22.214, sendo que dos julgados (em número de 19.586) a percentagem de condenações foi de 90,17%.

b) Jurisdição cível

O Ministério Público instaurou e contestou 72 acções em representação do Estado, 671 em defesa de


menores, incapazes e ausentes, 3 relativas a interesses difusos e 144 diversas outras. Além disso interpôs
26 recursos cíveis e contra-alegou em 39 recursos dessa natureza.

c) Jurisdição de família e menores

No que respeita especificamente aos procedimentos previstos no Decreto-Lei nº 272/2001, de 13 de


Distrito Judicial de Coimbra

Outubro, foram movimentados os seguintes processos: 28 relativos a suprimentos de consentimento;


39 respeitantes a autorizações para alienação ou oneração de bens; 252 relativos a autorizações para a
prática de actos; e 16 para a confirmação de actos.
Comparativamente com o ano transacto voltou a subir o número de averiguações oficiosas movimentadas
(608 em 2008 e 579 em 2007), tendo subido também o número de perfilhações conseguidas (245 em
2008 e 220 em 2007).
Quanto aos processos de promoção e protecção considerados nas diversas alíneas do artigo 11º da Lei
nº 147/99, de 1 de Setembro, foram 1.096 os iniciados no ano de 2008, quando esse valor tinha sido
de 1.087, em 2007, o que se traduz num acréscimo insignificante (0,83%).
No que se refere aos inquéritos tutelares educativos os dados estatísticos são os seguintes: foram
movimentados 1.322 em 2008, quando em 2007 tinham sido 1.125; iniciaram-se 853 em 2008,

190 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


tendo começado 755 em 2007; findaram 829 em 2008 quando isso sucedeu a 663 em 2007; e subiu o
número de processos pendentes no final do ano de 2008, que era de 493, quando no final do ano de
2007 era de 462.
Em 2008, os diversos magistrados interlocutores participaram em 343 sessões de acompanhamento das
actividades das comissões de protecção de crianças e jovens — que no distrito judicial de Coimbra são
73 — o que significa um volume muito apreciável de serviço que incumbe ao Ministério Público na
execução desta função.
Em matéria de família e menores, o Ministério Público interpôs 19 recursos e respondeu a 32.

d) Jurisdição laboral

O Ministério Público instaurou/contestou 11 acções em representação do Estado, 222 acções em


representação de trabalhadores e 7 outras acções, tendo interposto 24 recursos e contra-alegado em
167 outros processos nessa fase.
Quanto aos processos especiais de acidente de trabalho foram movimentados 6.913 (em 2007 haviam
sido 6.824) e findaram 3.432 (em 2007 isso tinha sucedido a 3.238). Estavam pendentes no final do
ano 3.481 processos dessa espécie (quando em 2007 estavam 3.586).
Iniciaram-se ainda 6 processos especiais emergentes de doença profissional.
O Ministério Público presidiu a 3.108 tentativas de conciliação e produziu 4.436 requerimentos diversos.

e) Jurisdição comum/residual/de suporte

Nas diversas áreas de intervenção, e para além do que atrás fica dito, o Ministério Público movimentou
9.414 processos administrativos (sendo que em 2007 o número correspondente tinha sido de 9.879), praticou
21.564 actos substanciais diversos (reclamações de créditos, cumprimento de cartas precatórias/rogatórias,
pareceres em acções de divórcio e atendimentos do público) e participou na movimentação de 38.883 acções
executivas e de 2.959 processos de contra-ordenação.

3. Outras informações
Distrito Judicial de Coimbra
Os quadros legais de magistrados do Ministério Público e de funcionários de apoio constam,
respectivamente, do Decreto-Lei nº 186-A/99, de 31 de Maio, e da Portaria nº 721-A/2000, de 5 de
Setembro.
Em concreto, nos círculos integrados no distrito judicial de Coimbra, a propósito dessa matéria, assim
como das instalações disponíveis, são de sublinhar as seguintes observações, sendo que neste aspecto e
por ora não se leva em conta a previsível, mas ainda não totalmente concretizada, reorganização judiciária.

CÍRCULO JUDICIAL DE ALCOBAÇA

Na comarca da Nazaré, atendendo ao volume de serviço, justifica-se o alargamento do quadro de


magistrados do Ministério Público para mais um procurador-adjunto.

191
Justificar-se-ia também a criação de um tribunal de família e menores, com competência territorial
neste círculo e no de Leiria, a não ser instalada, no prazo previsto, a comarca do Pinhal Litoral.

CÍRCULO JUDICIAL DE ANADIA

Considerando a instalação, ocorrida em 14 de Abril de 2009, da comarca piloto do Baixo Vouga, na


qual se depositam fundadas expectativas e que foi dotada de adequados quadros de magistrados e
funcionários, nada a registar, aqui, a este propósito.

CÍRCULO JUDICIAL DE AVEIRO

A mesma observação relativamente ao círculo anteriormente referido.

CÍRCULO JUDICIAL DE CASTELO BRANCO

No que respeita às comarcas agregadas de Sertã/Oleiros torna-se necessário o alargamento do quadro de


procuradores-adjuntos para duas unidades, visto o seu volume de serviço (necessidade reconhecida pelo
Conselho Superior do Ministério Público que aí tem vindo a colocar um magistrado auxiliar) e porque
é este o número de juízes de direito em serviço na comarca.

É ainda indispensável o alargamento do quadro de funcionários na comarca de Castelo Branco, para


mais dois técnicos de justiça adjuntos (um dos quais com formação em secretariado e na área da
informática, para organização e desempenho do serviço de assessoria na Procuradoria da República) e
um técnico de justiça auxiliar, considerando o volume de serviço e a necessidade de acompanhamento
do trabalho que aí desempenham cinco magistrados do Ministério Público.

Na comarca da Sertã, torna-se indispensável o alargamento do quadro de funcionários do Ministério


Público para, pelo menos, mais um oficial de justiça, visto o volume de serviço existente.

É urgente resolver as enormes carências de que padecem as instalações do Palácio da Justiça de Castelo
Branco, que são manifestamente insuficientes (os magistrados do Ministério Público acumulam-se em
salas inadequadas, como a da biblioteca; o público espera nos corredores junto aos gabinetes; os
Distrito Judicial de Coimbra

equipamentos são utilizados nos átrios) e em certos casos degradadas (instalação eléctrica do tribunal do
trabalho).

Assim como as necessidades de climatização do edifício onde funciona o Tribunal Judicial da Sertã.

Justifica-se a ampliação/actualização dos equipamentos informáticos utilizáveis na comarca de Castelo


Branco (aí se incluindo o tribunal do trabalho) e no Tribunal Judicial de Penamacor, assim como a
melhoria dos equipamentos de reprografia na comarca da Sertã e a instalação, no edifício do seu tribunal,
de equipamento de alarme/segurança.

Igualmente se torna necessário o preenchimento do lugar de motorista do quadro do Tribunal Judicial


de Castelo Branco, que está vago desde 2003 por aposentação do titular, sendo certo que são inúmeras
e extensas as deslocações que os juízes de círculo e o procurador da República têm que realizar.

192 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


CÍRCULO JUDICIAL DE COIMBRA

Mostra-se indispensável o aumento do quadro de procuradores-adjuntos nas comarcas da Lousã e de


Penacova, com mais uma unidade em cada uma — actualmente prestam serviço em ambas as comarcas
magistrados auxiliares nesse número, justificando-se o reforço do quadro de funcionários de apoio aos
serviços do Ministério Público na primeira destas comarcas, com um técnico de justiça adjunto, para
possibilitar a assessoria indispensável aos magistrados.
Justifica-se, por outro lado, o reforço do quadro de funcionários de apoio no tribunal de família e
menores (integrado por dois juízos) com mais 1 técnico de justiça adjunto e mais 1 técnico de justiça
auxiliar, em ordem a permitir a boa execução das tarefas, particularmente exigentes, que cumprem aos
dois procuradores da República em funções nesse tribunal — a título de exemplo dir-se-á que no ano
de 2008 o volumoso serviço de atendimento ao público conduziu à instauração de 159 processos
administrativos, para declaração de providências mais complexas, tendo sido iniciados no tribunal
159 inquéritos tutelares educativos.
E ainda o reforço do quadro da secretaria dos serviços do Ministério Público no tribunal do trabalho
(integrado por dois juízos), com mais 1 técnico de justiça principal, além do mais para possibilitar a
melhor operacionalização da chefia do serviço, que se dirá, a título de exemplo, só no que respeita à
consulta e atendimento dos trabalhadores aos quais o Ministério Público deve representação, teve
1.006 situações registadas em ficha (para além de outras mais simples) durante o ano de 2008.
Torna-se indispensável a afectação de instalações adequadas à administração da justiça na comarca de
Penacova, cujo tribunal funciona no edifício da câmara municipal, sem as condições necessárias para o
efeito, em termos de espaço e de qualidade.

Comarca de Coimbra

Justifica-se o aumento do quadro de procuradores da República com uma unidade, por forma a permitir
assegurar a representação do Ministério Público no tribunal de execução das penas por um magistrado
com essa categoria, isso para além de ser apenas uma procuradora-adjunta que nele tem vindo a exercer,
sozinha, essas funções, quando foram dois os juízes colocados no TEP durante o ano de 2008. Justifica-
-se também a criação de um quadro autónomo de funcionários de apoio nos termos atrás referidos.
Demonstra-se cada vez mais indispensável a construção de um novo edifício para alojar os serviços
judiciais de 1ª instância sedeados em Coimbra, vista a insustentabilidade da situação actual, no Palácio
da Justiça e nos edifícios pelos quais se encontram dispersos aqueles serviços. Distrito Judicial de Coimbra
Refira-se, a propósito, que o procurador da República com funções de direcção dos serviços do Ministério
Público no círculo judicial ocupa um gabinete em edifício próximo do Palácio da Justiça, não dispondo
de instalações onde possam realizar-se as reuniões de magistrados em serviço no círculo, tendo apenas
uma primeira sido efectuada na sala da biblioteca do Tribunal da Relação, mas não mais que essa, uma
vez que o presidente deste tribunal determinou a indisponibilidade daquela sala para tal efeito, mesmo
nos dias (pelo menos dois por semana) em que ela não está ocupada com qualquer actividade.
No Palácio da Justiça de Coimbra os gabinetes são pobremente mobilados e o equipamento informático,
embora já melhorado, ainda não é o ideal.
Também aí se verificam, por outro lado, deficiências nas ligações à internet e no acesso ao correio
electrónico profissional.

193
DIAP de Coimbra

Justifica-se o aumento do quadro de procuradores da República com uma unidade, que possa ser
encarregada não só da coordenação das investigações de maior complexidade em curso em toda a área
do distrito judicial (a praticada no exercício de funções públicas e a respeitante à criminalidade fiscal)
assim como do despacho pessoal dos inquéritos respeitantes a essas matérias cuja investigação seja deferida
ao departamento, nos termos do disposto no artigo 73º, nº 1, alínea c), do Estatuto do Ministério
Público.
Justifica-se, ainda, a autonomização do quadro de funcionários do Ministério Público na comarca de
Coimbra — neste momento englobado no do DIAP distrital — estabelecendo-se um para o DIAP e
outro para a comarca (juízos cíveis, juízos criminais, vara mista, TIC e assessoria do procurador da
República no círculo judicial).
Em consequência seria de reduzir o quadro do DIAP em 1 técnico de justiça adjunto e 2 técnicos de
justiça auxiliares e de estabelecer um quadro para a comarca com 1 técnico de justiça principal,
2 técnicos de justiça adjuntos e 2 técnicos de justiça auxiliares, por forma a operacionalizar a chefia dos
serviços de apoio e a possibilitar a assessoria dos magistrados do Ministério Público em serviço nos
tribunais da comarca, os atrás referidos, aliás dispersos por três edifícios distantes entre si (circunstância
que, além da bizarra necessidade de, não raro, uma funcionária de apoio ter de andar por ruas das mais
movimentadas da cidade carregando à mão — porque não há outros meios — caixas pesadíssimas com
processos, implica também um desperdício no trabalho dos oficiais de justiça).

CÍRCULO JUDICIAL DA COVILHÃ

Torna-se indispensável a colocação de mais 1 procurador-adjunto na comarca da Covilhã e o aumento


do quadro de funcionários de apoio aos serviços do Ministério Público na mesma comarca, com um
técnico de justiça adjunto (com formação em secretariado e na área da informática, para organização e
desempenho do serviço de assessoria na procuradoria da República) e um técnico de justiça auxiliar,
visto o volume de serviço que é necessário desenvolver no tribunal judicial, e dotar os serviços de
equipamento informático moderno, uma vez que o actualmente disponibilizado é obsoleto.
É de toda a conveniência a realização de trabalhos de recuperação das áreas agora disponíveis no Palácio
da Justiça da Covilhã com a saída dos serviços do registo predial e do cartório notarial (obras que foram
programadas para Outubro de 2005, mas que não se iniciaram). Presentemente, as instalações disponíveis
Distrito Judicial de Coimbra

são manifestamente insuficientes.


Não seria mesmo de excluir, depois de feita aquela recuperação, a transferência para o Palácio da Justiça
dos serviços do tribunal do trabalho, que funcionam presentemente numa antiga casa de habitação sem
quaisquer condições para o efeito.
Importa, aliás, com urgência proceder aos trabalhos de climatização do edifício do Palácio da Justiça,
uma vez que a situação existente é até geradora de ineficiências do serviço, pelas temperaturas extremas
que se fazem sentir na cidade. Seria conveniente, também aí, a substituição do mobiliário, desadequado
e velho.
Também na comarca do Sabugal se justifica a permanente colocação de um magistrado (e não de um
substituto), atento o volume de serviço, faltando aí uma fotocopiadora e um aparelho de fax, assim
como a atribuição de endereço electrónico para os serviços do Ministério Público.

194 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


CÍRCULO JUDICIAL DA FIGUEIRA DA FOZ

Justifica-se o aumento do quadro de magistrados na comarca de Montemor-o-Velho, com um


procurador-adjunto, visto o volume e a complexidade do serviço que aí tem que ser desenvolvido pelo
Ministério Público.
É indispensável o aumento do quadro de funcionários na comarca da Figueira da Foz, com um
técnico de justiça adjunto (com formação em secretariado e na área da informática, para organização
e desempenho do serviço de assessoria na procuradoria da República) e um técnico de justiça auxiliar,
assim como na comarca de Cantanhede, com um técnico de justiça adjunto e na comarca de
Montemor-o-Velho, com um técnico de justiça auxiliar, visto o acréscimo de serviço que nestas
comarcas se tem vindo a verificar.
No que respeita às instalações, seria de toda a razoabilidade o isolamento térmico/climatização dos
Palácios da Justiça de Cantanhede e de Montemor-o-Velho, cujas condições são deficientes a esse nível.
Urge também a actualização dos equipamentos informáticos, de reprografia e mesmo de gravação áudio
aqui disponibilizados aos serviços.

CÍRCULO JUDICIAL DA GUARDA

Torna-se premente o preenchimento dos quadros de magistrados do Ministério Público nas comarcas
onde estão colocados substitutos do procurador-adjunto, como sucede nas de Figueira de Castelo Rodrigo
e Pinhel.
Na comarca da Guarda justifica-se o aumento do quadro de funcionários com mais um técnico de
justiça adjunto (com conhecimentos de secretariado e na área da informática, para organização e
desempenho do serviço de assessoria na procuradoria da República) e um técnico de justiça auxiliar.
Seria ainda necessária uma nova central telefónica.
Verificam-se, por outro lado, infiltrações pluviais no Tribunal de Almeida.

CÍRCULO JUDICIAL DE LEIRIA

Como se disse atrás, justificar-se-ia a criação de um tribunal de família e menores, com competência
territorial para este círculo e o de Alcobaça, a não ser instalada, no prazo previsto, a comarca do Pinhal
Distrito Judicial de Coimbra
Litoral.
Para além das observações dos anos anteriores relativas à falta de funcionários, nada mais há a salientar.

CÍRCULO JUDICIAL DE POMBAL

Será conveniente o aumento do quadro de magistrados do Ministério Público na comarca de Pombal e


bem assim do quadro de funcionários de apoio ao Ministério Público nas comarcas de Ansião, com um
técnico de justiça auxiliar, e de Pombal, com dois técnicos de justiça, para satisfazer as necessidades dos
serviços.
Justifica-se um reforço de verbas orçamentais e a actualização da biblioteca do Tribunal de Pombal.

195
CÍRCULO JUDICIAL DE SEIA

Mostra-se necessária a reorganização dos serviços de apoio ao Ministério Público na comarca de Seia,
com o estabelecimento de uma secção central e de uma secção de processos (aliás decorrente do disposto
nos artigos 60º, nº 4, do Estatuto do Ministério Público e 22º do Regulamento da LOFTJ),
aumentando-se correspondentemente o quadro de funcionários, um dos quais deverá ter formação em
secretariado e na área da informática, para a organização e o desempenho do serviço de assessoria na
procuradoria da República.
Como quer que seja é indispensável que se mantenha sempre preenchido o diminuto quadro actualmente
existente – durante o ano os serviços funcionaram com apenas 1 técnico de justiça adjunto e 1 técnico
de justiça auxiliar, muito embora com o prestimoso apoio de uma funcionária da carreira administrativa
com a categoria profissional de técnica de arquivo, dotação claramente insuficiente para o apoio a um
procurador da República e dois procuradores-adjuntos.
Seria ainda conveniente instalar em Seia uma extensão do Gabinete Médico-Legal e criar uma equipa da
Direcção-Geral de Reinserção Social para o círculo judicial.
Na comarca de Seia justifica-se o preenchimento do lugar de oficial porteiro, que está vago. E dever-se-
-ia ampliar o quadro legal das unidades de apoio do Ministério Público em Gouveia e Nelas.

CÍRCULO JUDICIAL DE TOMAR

Justifica-se o aumento do quadro de procuradores-adjuntos na comarca de Torres Novas, atento o


elevado número de entradas de inquéritos.
Mostra-se necessário o aumento do quadro de funcionários de apoio ao Ministério Público no Tribunal
Judicial de Torres Novas com uma unidade, e bem assim no Tribunal Judicial de Tomar com um
funcionário afecto à procuradoria do círculo (com conhecimentos de secretariado e na área da informática,
para organização e desempenho do serviço de assessoria na procuradoria da República).
Impõe-se o reforço da segurança do edifício do Tribunal Judicial de Tomar, onde não existe oficial
porteiro.
Desejável seria a melhoria na qualidade do desempenho do Gabinete Médico-Legal de Tomar.
Distrito Judicial de Coimbra

CÍRCULO JUDICIAL DE VISEU

É urgente alargar o quadro de procuradores da República para cinco unidades (e apenas isso na medida
em que não seja criado e instalado o tribunal de família e menores), uma vez que é necessário que o
Ministério Público seja representado por dois magistrados com essa categoria no tribunal do trabalho,
constituído por dois juízos, se torna indispensável afectar em exclusivo um procurador da República à
direcção do serviço de inquéritos da comarca e mesmo ao despacho pessoal de parte dos mais complexos
de todo o círculo, assim como à coordenação dos serviços dos procuradores-adjuntos, e bem assim
afectar em exclusivo dois outros procuradores da República à representação do Ministério Público nos
julgamentos de tribunal colectivo e de júri — presentemente estão já a funcionar no círculo judicial
3 colectivos (directiva de 13 de Dezembro de 2000, do Conselho Superior do Ministério Público).

196 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Mostra-se necessário ampliar o quadro de procuradores-adjuntos na mesma comarca de Viseu, com
duas unidades, visto o grande aumento de serviço que teve nos últimos anos — e justificou até que o
Conselho Superior do Ministério Público venha mantendo aí colocados dois magistrados auxiliares
com essa categoria.
Seria necessária a instalação do tribunal de família e menores com jurisdição territorial alargada a todo
o círculo, dado o elevado número de processos desta área, de modo a aliviar também os juízos cíveis da
comarca de Viseu, a não ser instalada, no prazo previsto, a comarca de Dão-Lafões.

IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS — SUGESTÕES

Uma primeira nota é de toda a justiça deixar expressa no termo do presente relatório — a do empenho
e dedicação com que a generalidade dos magistrados e funcionários do Ministério Público tem vindo a
exercer as suas funções, as mais das vezes incompreendidos na impossibilidade em que se vêem de dar a
resposta célere que pretendiam aos casos que são postos à sua consideração.
Com efeito, não pode deixar de se salientar a carência de meios indispensáveis para o bom exercício das
funções legalmente atribuídas ao Ministério Público. Em certos casos, sem o preenchimento dos quadros
já há largos anos estabelecidos, de magistrados e funcionários, genericamente sem o seu reforço agora
que o volume de serviço é significativamente maior, tantas vezes sem instalações adequadas e meios de
actuação modernizados, dificilmente se conseguirá aprimorar a resposta às solicitações que os cidadãos
apresentam.
Isso não obstante se tente recorrer a estratégias de gestão dos recursos humanos disponíveis, às quais os
serviços centrais do Ministério da Justiça ou não deram resposta com a celeridade indispensável ou
chegaram mesmo a dá-la em sentido negativo, “por falta de verbas”.
Continua a ser objecto de particular atenção a ocorrência de situações de prescrição de procedimento
criminal. No ano de 2008 tal sucedeu em 41 situações, número superior ao do ano anterior em que tal
se verificou em 37 processos. O que, porém, é também sinal seguro de que o objectivo de movimentação
e ultimação dos processos mais antigos está a produzir resultados.
Sempre que não estava liminarmente excluída responsabilidade disciplinar de magistrados ou de
funcionários judiciais foi feita a correspondente participação à Procuradoria-Geral da República para a
eventual instauração de procedimento disciplinar.
Para o ano de 2009, planeou-se um conjunto de objectivos, nas diferentes áreas de intervenção do
Distrito Judicial de Coimbra
Ministério Público no distrito judicial de Coimbra, designadamente, na área cível, dar especial atenção
às acções em que o Estado Administração seja parte, desenvolver particular empenho na defesa dos
interesses difusos, propor atempadamente, sempre que se justifique, as acções ou providências cujos
pedidos tenham sido apresentados ao Ministério Público, acompanhar adequadamente os processos de
insolvência, ter em especial consideração as boas práticas já definidas quanto à instauração de execuções
por custas e demais quantias em dívida e no que concerne às reclamações de créditos da Fazenda Nacional.
No que respeita ao atendimento do público, incrementar a disponibilidade dos serviços do Ministério
Público e o correcto desempenho dessa tarefa.
Na área criminal, persistir no exercício da competência, que é do Ministério Público, de efectiva direcção
da investigação criminal, priorizar a conclusão dos inquéritos mais antigos — realizando-se as insistências
que forem consideradas necessárias junto dos OPC´s encarregados da investigação, quando necessário

197
com a intervenção da Procuradoria-Geral Distrital, em ordem a finalizar no 1º semestre os inquéritos
iniciados até ao ano de 2005 e finalizar no 2º semestre os inquéritos iniciados até ao ano de 2006 e
examinar em Julho de 2009 e em Janeiro de 2010, respectivamente, os casos em que não foi possível
cumprir esse propósito, procurando determinar e superar os obstáculos à sua consecução.
Outros objectivos são incrementar o respeito pelos prazos legais de duração máxima do inquérito e,
tendencialmente, conseguir até 31 de Julho de 2009 que a pendência de inquéritos em cada “delegação”
de competência genérica não exceda um terço da média anual de processos entrados nos últimos três
anos; conseguir, por outro lado, que inexistam processos a aguardar o cumprimento de despacho do
magistrado deles titular há mais de 30 dias ou a aguardar o cumprimento de despacho do magistrado
deles titular há mais de 10 dias; cumprir as directivas do Procurador-Geral da República em matéria de
execução da Lei de Política Criminal; concretizar, sempre que as condições o permitam, a especialização
dos magistrados encarregados da investigação criminal; analisar cuidadosamente as participações e as
subsequentes peças processuais em que tal se mostre necessário para apurar com rigor os factos em causa
e a data da sua prática, em ordem a imprimir aos inquéritos correspondentes a celeridade necessária,
assim se evitando, em especial, situações de prescrição do procedimento criminal — se necessário
determinando a separação de processos; privilegiar a utilização dos institutos de oportunidade e consenso,
das formas de processo especial e bem assim da singularização dos julgamentos, definindo-se, a nível do
DIAP e de cada círculo judicial a melhor forma de cumprir esse propósito e de promover a sua execução.
No âmbito da violência doméstica, priorizar a investigação, procurando reduzir a pendência dos
correspondentes inquéritos a não mais de 6 meses, garantir a protecção eficaz das vítimas e apostar em
medidas consensualizadoras e na ressocialização dos agressores nomeadamente usando, sempre que
justificada, a suspensão provisória do processo com a escolha das injunções mais adequadas à situação.
No âmbito da violência sobre grupos sociais merecedores de especial protecção (professores e profissionais
de saúde, grupos mais vulneráveis como crianças, idosos e deficientes, etc.), priorizar a investigação,
procurando reduzir a pendência dos correspondentes inquéritos a não mais de 4 meses e bem assim
partilhar as experiências dos magistrados interlocutores.
No âmbito da criminalidade violenta e/ou criminalidade altamente organizada, reforçar os procedimentos
de coordenação e operacionalização das investigações em articulação com a Unidade Especial para a
criminalidade violenta criada no DIAP distrital.
No âmbito dos crimes cometidos no exercício de funções públicas e da criminalidade tributária, reforçar
a coordenação a nível distrital, o apoio da respectiva equipa aos magistrados do distrito judicial e
Distrito Judicial de Coimbra

incrementar criteriosamente os casos de deferimento ao DIAP distrital das investigações que o


justifiquem.
Em sede de articulação investigação/julgamento, cimentar a troca de experiências sobretudo entre os
magistrados encarregados de cada uma dessas fases, quando distintos, tendo em vista a mais eficaz
actuação do Ministério Público, assim como determinar atempadamente os casos em que seja de aplicar
o disposto no artigo 68.º, n.º 2, do Estatuto do Ministério Público.
No que respeita aos recursos, fazer uma análise substantiva das decisões judiciais, impugnando-as sempre
que for caso disso e apresentando resposta adequada às questões suscitadas nas motivações e, no que
concerne ao atendimento do público, incrementar a disponibilidade dos serviços do Ministério Público
e o correcto desempenho dessa tarefa.
Na área de família e menores, reforçar o acompanhamento e fiscalização das Comissões de Protecção de

198 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Crianças e Jovens, nos termos definidos pela circular da Procuradoria-Geral da República n.º 3/06,
uniformizando tendencialmente o modelo desse acompanhamento e fiscalização; analisar as tendências
actuais dos factos ilícitos praticados por menores e da resposta a dar-lhes, prestando uma maior atenção
a novos fenómenos como o “Bullying”; reforçar a articulação da intervenção do Ministério Público, nas
áreas criminal e de família e menores, entre os magistrados e os OPC´s, no momento da aquisição da
notícia e da intervenção cautelar, e com as demais instituições intervenientes na área; tratar integradamente
a problemática da violência escolar, quando praticada por menores de 16 anos de idade; realizar uma
reunião anual, em princípio no mês de Junho, com a presença dos magistrados interlocutores e do
coordenador da área de família e menores no distrito judicial; e, no que respeita ao atendimento ao
público, incrementar a disponibilidade dos serviços do Ministério Público e o correcto desempenho
dessa tarefa.
Na área laboral, incrementar a rapidez da realização dos exames médicos e avaliações do dano corporal,
detectando e superando os entraves à sua celeridade; procurar conseguir a contemporaneidade dos exames
médicos e das tentativas de conciliação, estabelecendo procedimentos expeditos de transmissão ao
Ministério Público dos resultados dos referidos exames; promover a resolução extra-judicial dos litígios
laborais; continuar, com empenho acrescido, a assumir o patrocínio dos trabalhadores e seus familiares,
que dele careçam, para a representação em juízo dos respectivos interesses; manter reuniões semestrais
com os magistrados junto dos tribunais do trabalho; fomentar reuniões com os diversos intervenientes
nos processos laborais, nomeadamente com o INML e GML´s, no que respeita a exames médicos, e
com a ACT, relativamente a contra-ordenações laborais; no que respeita ao atendimento ao público,
continuar a incrementar a disponibilidade dos serviços do Ministério Público e o correcto desempenho
dessa tarefa.
Para além disso, na Procuradoria-Geral Distrital procurar-se-á reforçar a coordenação dos serviços nos
círculos judiciais e comarcas.
Continuar-se-á atento à necessidade de atribuir às procuradorias da República as condições de
operacionalidade suficientes para o exercício da função imprescindível que lhes está atribuída, de órgão
nuclear da actuação do Ministério Público na 1ª instância.
Prosseguir-se-á o esforço de atribuição ao DIAP distrital das condições para a sua operacionalidade, de
modo a que esse departamento possa apoiar a direcção ou mesmo dirigir, ele próprio, as investigações
mais melindrosas instauradas nas comarcas do distrito judicial, assim como possa ser, de modo mais
extenso, encarregado da representação do Ministério Público nas instruções e julgamentos respeitantes
à criminalidade de especial gravidade/repercussão social. Distrito Judicial de Coimbra
Tentar-se-á concluir a reorganização dos serviços de apoio, em ordem, designadamente, a libertar os
serviços do Ministério Público nas comarcas e círculos, tanto quanto possível, das solicitações que
habitualmente lhes têm sido dirigidas.
Procurar-se-á organizar adequadamente os serviços do DIAP do Baixo Vouga e os outros do Ministério
Público integrados nessa nova comarca, extraindo todo o proveito dos meios de trabalho obtidos.
Mas muitas das providências que importa tomar ultrapassam as meras medidas de gestão no âmbito da
Procuradoria-Geral Distrital.
E por isso se sugere o seguinte:
— a realização de estudos firmes sobre o volume de serviço que pode/deve ser realizado por cada

199
magistrado do Ministério Público e cada funcionário dos seus serviços de apoio;
— o redimensionamento dos quadros de magistrados em conformidade com as conclusões que a
esse propósito se chegar, completando-se o respectivo preenchimento com a realização de um curso
extraordinário para a admissão de magistrados do Ministério Público — condições, aliás,
indispensáveis para a sua estabilização (também nas comarcas de 1º acesso), logo a melhoria do
desempenho funcional e a obtenção de ganhos de eficácia nos serviços; sublinha-se, nesse aspecto,
que o Conselho Superior do Ministério Público já em deliberações de 7 de Junho e 12 de Julho de
2004 reconheceu a patente insuficiência do número de magistrados do Ministério Público, sobretudo
comparativamente com o de magistrados judiciais que exercem funções nos diversos serviços,
(divergência esta que não tem parado de provocar efeitos nefastos em cada ano que passa);
— que seja equacionado o aumento do número de magistrados do Ministério Público do quadro
complementar de procuradores-adjuntos, vista a manifesta insuficiência do actualmente previsto; a
este propósito refira-se que, no que respeita à magistratura judicial, para além do número de unidades
legalmente previstas, esse quadro é reforçado com 112 juízes auxiliares;
— o alargamento, que se tem por absolutamente indispensável, dos quadros de funcionários afectos
aos serviços do Ministério Público, ainda de acordo com os resultados daqueles estudos, em função
das necessidades existentes, a reorganização da sua carreira — com a introdução nos quadros dos
serviços que não sejam de diminuta dimensão de lugares de chefia (técnicos de justiça principais),
assim se melhorando a sua operacionalidade — e a melhoria da preparação profissional desses
funcionários, com assídua formação (não só a nível de especialização técnico-jurídica mas também
no âmbito dos conhecimentos informáticos, de secretariado e de assessoria/atendimento);
— para além disso, o permanente preenchimento dos quadros actualmente existentes com oficiais
de justiça que sejam capazes e estabilizem as suas colocações (só assim se conseguindo uma
produtividade suficiente);
— a realização dos movimentos de funcionários de apoio ao Ministério Público em tempos e
ciclos adequados à minorização dos prejuízos decorrentes das transferências que sucedam e, bem
assim, a implementação por parte da DGAJ de medidas de gestão desses funcionários que sejam
eficazes e permitam a pronta solução das dificuldades resultantes de situações de acumulação de
serviço/maternidade/doença;
— a reorganização dos serviços das procuradorias-gerais distritais, órgãos aos quais incumbe muito
mais do que a mera representação do Ministério Público nos respectivos tribunais da Relação,
dotando-as do número de magistrados e funcionários, assim como das instalações e equipamentos
Distrito Judicial de Coimbra

indispensáveis para cumprirem a sua missão essencial de constituírem factor de dinamização da


actividade da magistratura do Ministério Público nos distritos judiciais;
— a urgente e indispensável criação de condições para que os procuradores da República com funções
de direcção nos círculos judiciais possam exercer cabalmente essa tarefa, desde logo dotando as
procuradorias de círculo dos meios humanos (maxime de um funcionário de apoio, próprio, com
formação em informática e em secretariado) e materiais indispensáveis para o efeito;
— a não serem instaladas, no prazo previsto, as novas comarcas consideradas na nova organização
judiciária (com a inerente criação e instalação de tribunais de competência especializada) a criação e
instalação, desde já, de tribunais de família e menores em Leiria, englobando também as comarcas
do círculo judicial de Alcobaça, e em Viseu, englobando todo o círculo judicial, pelas razões elencadas
em documento enviado em 2 de Novembro de 2004 à Procuradoria-Geral da República (ofício
nº 1865);

200 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


— na medida em que não seja a muito breve trecho expandida a todo o território nacional a nova
organização judiciária, a criação e instalação de um 2º juízo na comarca da Lousã;
— a alteração do disposto no artigo 113º, nº 3, da LOFTJ estabelecida pela Lei nº 52/2008, de
28 de Agosto, no sentido de que o alargamento automático dos quadros nos tribunais em que sejam
instalados juízos de instrução criminal é também aplicável aos magistrados do Ministério Público;
— a reponderação da necessidade de muitas tarefas administrativo-burocráticas, mesmo de certos
actos processuais, impostos por recentes alterações legislativas (em especial em sede de processo
penal), cuja execução desvia os magistrados e funcionários dos seus trabalhos fundamentais, ainda
mais demora provocando na resposta que o sistema judiciário deve dar aos cidadãos;
— a superação, em termos jurídicos e materiais, das dificuldades resultantes do actual processo
executivo, para o exercício das funções do Ministério Público;
— o aprimoramento da recolha de informação estatística, de forma a que a mesma se revista de
fiabilidade que permita a gestão adequada dos recursos existentes;
— sempre que necessário, a modernização dos equipamentos informáticos, de gravação de audiências
e de vídeo-conferência, assim como a atribuição/substituição de equipamentos de cópia;
— que ao Governo seja proposto que cada Ministério identifique um “ponto de contacto” com o
qual o Ministério Público possa personalizadamente relacionar-se, em ordem a obter de modo
pronto e eficaz as informações que sejam necessárias, em especial as indispensáveis para a adequada
representação do Estado na dedução/contestação de pedidos de indemnização civil;
— a atribuição aos OPC’s — em especial àqueles que têm o encargo de proceder à investigação da
criminalidade fiscal e relativa à segurança social — dos meios indispensáveis e da formação necessária
para que possam levar a cabo com celeridade e eficiência as investigações que devam realizar, com a
efectiva dependência funcional de todos eles ao Ministério Público, na execução dos inquéritos;
— a melhoria do funcionamento dos tribunais com competência fiscal, em ordem a conseguir uma
célere decisão das impugnações tributárias (cuja instauração impõe legalmente a suspensão dos
correspondentes processos penais) que levam sempre longos anos a decidir, com óbvios efeitos
nefastos na realização da justiça;
— embora se registem os progressos entretanto verificados nesse aspecto, a dinamização da actuação
das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, atribuindo-se também ao Ministério Público as
condições para que exerça adequadamente e intensifique as funções que deve realizar junto dessas
comissões (no Distrito Judicial de Coimbra são 73); Distrito Judicial de Coimbra
— a operacionalização dos Serviços Médico-Legais, da Direcção-Geral de Reinserção Social, da
Inspecção-Geral do Trabalho, do Laboratório de Polícia Científica, da Inspecção-Geral de Actividades
Culturais e dos demais serviços que têm por missão colaborar em especial com o Ministério Público;
— a promoção de uma política determinada de execução nos edifícios judiciais (em especial nos
tribunais do trabalho) de vias de acesso específicas para pessoas portadoras de limitações físicas;
— o estabelecimento de um serviço capaz que leve a cabo os procedimentos necessários à venda de
objectos declarados perdidos a favor do Estado, com competência também para a guarda e conservação
dos objectos apreendidos;
— a modernização do sistema de bibliotecas dos tribunais, eventualmente com a existência de um
serviço com âmbito mais largo do que o comarcão que adquira e ceda temporariamente obras
especializadas que não podem, por razões financeiras, ser adquiridas por todos os tribunais;

201
— a agilização dos serviços de imprensa do Ministério Público, em especial os da Procuradoria-
-Geral da República, maxime para que seja disciplinada a prestação de informações à comunicação
social por parte dos OPC’s e seus agentes; e
— a atribuição aos tribunais das verbas indispensáveis ao seu funcionamento adequado, ainda que
parcimonioso.
Distrito Judicial de Coimbra

202 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


DISTRITO JUDICIAL DE ÉVORA
4.

Introdução

A estatística anual da criminalidade no Distrito Judicial de Évora registou, no ano de 2008, um aumento
do número de inquéritos instaurados da ordem dos 0,22 %, após haver registado no ano de 2007 um
aumento da ordem dos 5,82 %.
De facto, em 2007 haviam sido registados 74.819 inquéritos, enquanto que no ano de 2008 foram
registados mais 168, ou seja, 74.987 inquéritos.
Registou-se uma subida da criminalidade participada nos círculos judiciais de Évora, Faro, Loulé,
Portalegre e Santarém e diminuição da mesma nos restantes.
Assim, no círculo judicial de Évora foram registados mais 76 inquéritos do que no ano transacto, o que
corresponde a um acréscimo da ordem dos 1,29 %; no círculo judicial de Faro foram registados mais
315 inquéritos do que no ano transacto, o que corresponde a um aumento da ordem dos 2,59 %; no
círculo judicial de Loulé foram registados mais 741 inquéritos do que no ano transacto, o que
corresponde a um aumento da ordem dos 6,84 %; no círculo judicial de Portalegre foram registados
mais 13 inquéritos do que no ano transacto, o que corresponde a um aumento de 0,43 %; e no círculo
judicial de Santarém foram registados mais 115 inquéritos do que no ano transacto, o que corresponde
a um aumento de 1,71 %.
Por seu turno, no círculo judicial de Abrantes foram registados menos 84 inquéritos do que no ano
transacto, o que corresponde a um decréscimo da ordem dos 2,07 %; no círculo judicial de Beja foram
registados menos 126 inquéritos do que no ano transacto, o que corresponde a um decréscimo da
ordem dos 3,20 %; no círculo judicial de Portimão foram registados menos 412 inquéritos do que no
ano transacto, o que corresponde a um decréscimo da ordem dos 3,25 %; no círculo judicial de Santiago
do Cacém foram registados menos 294 inquéritos do que no ano transacto, o que corresponde a um
decréscimo da ordem dos 7,68 %; e no círculo judicial de Setúbal foram registados menos 176 inquéritos
do que no ano transacto, o que corresponde a um decréscimo da ordem dos 1,50 %.
Os círculos judiciais do Algarve e de Setúbal concentraram 63,84 % da criminalidade de todo o distrito
judicial, constituído por 10 círculos judiciais, representando o círculo judicial de Faro 16,64%, o círculo
judicial de Loulé 15,43%, o círculo judicial de Portimão 16,34% e o círculo judicial de Setúbal 15,43%.
São áreas junto ao litoral, mais densamente povoadas que as regiões do interior do distrito judicial e
onde o tipo de criminalidade é mais semelhante à dos grandes centros, alguma com afloramentos de
violência e outra virada para novas formas sofisticadas e evoluídas, designadamente ao nível dos negócios.
Tomando como ponto de referência o ano de 2001 — ano em que começou a produzir efeitos (em
15 de Setembro) a criação do círculo judicial de Loulé e entrou em funcionamento (em 1 de Fevereiro)
o tribunal judicial da comarca de Almeirim, sem que, posteriormente, entrassem em funcionamento
novos tribunais ou círculos judiciais — constata-se que as entradas de processos de inquérito registaram

203
— de 2001 a 2004 — um acréscimo de 15.788 processos e, assim, de 26%, sem que os quadros de
magistrados e funcionários hajam sofrido qualquer alteração, sendo certo que, no ano de 2008, deram
entrada 74.987 inquéritos, enquanto que, no ano de 2001, haviam dado entrada 60.636 processos
desta espécie.
Aferindo os níveis de eficácia do Ministério Público com base no número de processos que conduziram
a acusação, cumpre registar que, no decurso do ano de 2008, foram deduzidas 11.407 acusações, contra
13.294 no ano de 2007, tendo, assim, sido deduzidas menos 1.887 acusações do que no ano transacto.
Foram deduzidas mais acusações do que no ano anterior no círculo judicial de Portimão (mais 60),
havendo sido deduzidas menos acusações do que no ano anterior nos círculos judiciais de Abrantes
(menos 101), Beja (213), Évora (298), Faro (204), Loulé (372), Portalegre (45), Santarém (303),
Santiago do Cacém (193) e Setúbal (218).
No que concerne a inquéritos findos, cumpre registar que, no decurso do ano de 2008, findaram
74.148 inquéritos, contra 76.137 no ano anterior, havendo, assim, findado menos 1.989 inquéritos.
Aumentou o número de inquéritos pendentes nos círculos judiciais de Abrantes (mais 272), Évora
(54), Faro (562), Loulé (231), Portalegre (164) e Santarém (349).
A aplicação da faculdade concedida pelo n.º 3 do artigo 16.º do Código de Processo Penal foi usada em
1.352 casos, contra 1.340 no ano anterior.
E a suspensão provisória do processo foi usada em 926 casos, contra 695 no ano anterior.
Por seu turno, no ano de 2008 foram deduzidos 1.177 requerimentos para aplicação de sanção em
processo sumaríssimo, contra 1.448 no ano anterior.
O processo abreviado foi utilizado em 1.050 processos, contra 1.177 no ano anterior.
No domínio da informatização judiciária, cumpre salientar a implementação, no decurso do ano de
2002, do programa informático denominado “Habilus”, o qual, após aplicação ao registo e distribuição
dos processos cíveis, passou a contemplar também o registo e a tramitação dos processos penais. Ocorreu,
porém, que, a adaptação do mesmo à área dos processos crimes de inquérito, se revelou, numa fase
inicial, insatisfatória. Todavia, dada a receptividade que mereceram, na área do Distrito Judicial de
Évora, as objecções formuladas e as questões suscitadas, assistiu-se a uma progressiva melhoria da referida
aplicação informática, não sendo, porém, possível proceder a recolha de dados estatísticos com carácter
de exactidão, dada a não fixação de dados, o que constitui assinalável insuficiência.
Distrito Judicial de Évora

A instabilidade do quadro de magistrados continua a ser um dos maiores obstáculos à regularização dos
serviços em algumas comarcas, sendo, só por si, a desactualização dos quadros um factor que dificulta
uma resposta adequada às necessidades do serviço. Por outro lado, o não preenchimento dos quadros
em algumas comarcas de menor dimensão vem-se eternizando.
Relativamente aos funcionários afectos ao Ministério Público, foi operado o redimensionamento dos
respectivos quadros pelas Portarias n.os 467-A/99, de 28 de Junho, e 721-A/2000, de 5 de Setembro.
Todavia, tal redimensionamento mostrou-se insuficiente para assegurar o serviço de apoio às procuradorias
da República, sendo certo que não ocorreu, designadamente, redimensionamento em comarcas de
primeiro acesso com um volume de entradas de inquéritos superior a 300 processos. É de realçar que se
mostra necessário melhorar a qualificação profissional dos funcionários.

204 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


No que concerne à actividade processual do Ministério Público ao nível do inquérito, conforme vimos
referindo em anos anteriores, seria desejável um melhor apetrechamento em sede de investigação criminal,
problemática que, surgindo associada à da carência de magistrados e funcionários e à deficiente preparação
destes últimos, tem outras componentes, que vão desde a falta de recursos humanos e materiais, em
termos de assistência ao Ministério Público no âmbito do inquérito, mormente em localidades do Algarve,
por parte de certos órgãos de polícia criminal, até à deficiente implantação territorial de alguns deles.
Por outro lado, o nível de complexidade e a exigência de especiais conhecimentos técnicos que se perfilam
em áreas como a da criminalidade económico-financeira e a do urbanismo tornam premente a dotação
de assessorias técnicas e também convocam a problemática da especialização.
No relatório referente ao ano de 2000 havia-se salientado, como aspecto muito negativo, o das
generalizadas deficiências no âmbito das perícias médico-legais, mormente autópsias médico-legais,
com carências quer ao nível de peritos médicos quer de instalações, e consignou-se que se tornava
imperiosa a instalação dos Gabinetes Médico-Legais de Beja, Évora, Santiago do Cacém, Portalegre,
Portimão e Santarém.
Ora, havendo sido declarados instalados, no decurso do ano de 2001, os Gabinetes Médico-Legais de
Évora, Portalegre e Portimão, no decurso do ano de 2002, o Gabinete Médico-Legal de Beja e, em
Fevereiro de 2005, o Gabinete Médico-Legal de Santiago do Cacém, reitera-se a existência das assinaladas
deficiências nos círculos judiciais não dotados de gabinetes médico-legais, bem como a imperiosa necessidade
de instalação dos Gabinetes Médico-Legais de Santarém e Setúbal, sendo certo que, em relação a este
último, temos formulado diversas solicitações nesse sentido, atenta a particular premência da situação.

I. SERVIÇOS DA PROCURADORIA-GERAL DISTRITAL

1. Generalidades

a) Instalações

Em anteriores relatórios, vínhamos salientando as péssimas condições em que se encontrava instalada a


Procuradoria-Geral Distrital de Évora, tributárias da manifesta inadequação e exiguidade das instalações
do Tribunal da Relação de Évora e que se impunha a transferência para edifício que assegurasse as necessárias
condições de dignidade, espaço e funcionalidade, mais se havendo referido que tal tinha vindo a ser por
nós sugerido (com concreta sugestão sobre o edifício a ocupar para o efeito) desde o ano de 2000. Distrito Judicial de Évora
Ora, apraz-nos registar que tal transferência de instalações ocorreu no decurso do ano de 2007 e, muito
justamente, para o edifício que, já no ano de 2000, fora por nós indicado como adequado para o efeito.
De facto, o Tribunal da Relação de Évora e a Procuradoria-Geral Distrital de Évora encontram-se
instalados, desde o dia 26 de Novembro de 2007, no edifício conhecido por Palácio Barahona, em
condições cuja qualidade nos cumpre agora salientar.

b) Quadro de magistrados e distribuição de serviço

De acordo com o mapa VII anexo ao Decreto-Lei n.º 186-A/99, de 31 de Maio, o quadro de magistrados
do Ministério Público no Tribunal da Relação de Évora integra 1 procurador-geral distrital e
7 procuradores-gerais adjuntos (4, a partir da instalação do Tribunal da Relação de Faro).

205
Todavia, apenas em Junho de 2004 foi tal quadro completamente preenchido — até então, apenas
6 procuradores-gerais adjuntos prestaram serviço na Procuradoria-Geral Distrital de Évora.
E, atenta a competência estabelecida para a Procuradoria-Geral Distrital no artigo 56.º do Estatuto do
Ministério Público, o apontado quadro mostra-se insuficiente, sendo desejável que tivesse a seguinte
composição: 1 procurador-geral distrital e 10 procuradores-gerais-adjuntos (7, a partir da instalação do
Tribunal da Relação de Faro).

c) Funcionários

O apoio administrativo da Procuradoria-Geral Distrital assenta numa secção administrativa com a


seguinte constituição: 1 chefe de secção, 1 assistente administrativo principal e 3 assistentes
administrativos.
O referido quadro apresenta-se adequado ao volume de serviço e às tarefas a que normalmente é preciso
dar resposta, mostrando-se preenchido.
No que se refere ao quadro dos serviços do Ministério Público, o mesmo é tão-somente integrado por
uma unidade de apoio, com um técnico de justiça adjunto e um técnico de justiça auxiliar, situação que
apenas devido à apontada insuficiência do quadro legal de magistrados permite dar resposta às actuais
solicitações do serviço.
É desejável que, concomitantemente com o aumento do quadro legal de magistrados, os serviços do
Ministério Público fossem integrados por uma secção central e de processos com a seguinte composição:
1 técnico de justiça principal, 2 técnicos de justiça adjuntos e 2 técnicos de justiça auxiliares.

2. Área processual

No que às intervenções processuais se refere, importará assinalar os pareceres e as alegações (e contra-


-alegações) de recurso. Assim, foram deduzidos 1.773 pareceres, sendo 1.599 da secção criminal, 20 da
secção cível e 154 da secção social. Foram elaboradas 54 alegações em 2ª instância.
Foram apresentadas 4 alegações para o Supremo Tribunal de Justiça (2 da secção criminal, outras tantas
da secção cível) e 112 contra-alegações (95 da secção criminal, 13 da secção cível e 4 da secção social).
Foram interpostos 2 recursos para o Tribunal Constitucional.
Distrito Judicial de Évora

Foram decididas 5 reclamações hierárquicas, suscitados 16 conflitos negativos de competência e decididos


4 conflitos suscitados entre magistrados do Ministério Público.

3. Área administrativa

Nesta área, justifica-se uma primeira consideração para vincar a existência de dois tipos de processos
administrativos: uma espécie, destinada a acompanhar e controlar os processos administrativos pendentes
nas diversas procuradorias de círculo e as acções por eles, porventura, acompanhadas, a correr termos
nos diversos Tribunais; e um segundo grupo, dito de processos administrativos de “capa verde” destinados
a acompanhar quer o estado dos serviços do Ministério Público em determinadas procuradorias e
comarcas, quer a sua movimentação processual e o preenchimento de quadros de magistrados e

206 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


funcionários; destinam-se ainda à recolha de dados tendentes a possibilitar o conhecimento de
determinadas situações ou processos, permitindo a posterior prestação de informação adequada à
Procuradoria-Geral da República e outras entidades; podem ainda ter em vista o acompanhamento de
um ou outro processo por razões do seu maior impacto ou alarme social.

Foram movimentados 102 processos administrativos (36 no primeiro grupo e 66 no segundo), 6 cartas
rogatórias e actos judiciais, 13 certidões executivas, 2.877 apostilas e expedidos 7.320 ofícios (destes,
838 da unidade de apoio). Deram entrada 7.536 papéis (1.541 da unidade de apoio), emitidas
21 circulares, 21 ofícios circulares e 9 ordens de serviço. Foram instaurados 19 inquéritos contra
magistrados e transitaram 20 do ano anterior, tendo ficado pendentes 25. Deram entrada 4 extradições
passivas e encontram-se pendentes 9. Registaram-se ainda 9 processos de transferência de condenados e
27 mandados de detenção europeus, encontrando-se pendentes o mesmo número de mandatos.

Os contactos com as entidades e serviços públicos, designadamente os de âmbito local ou regional,


processaram-se dentro da normalidade. Normal foi também o relacionamento com o presidente da
Relação e os juízes desembargadores.

II. SERVIÇOS DO TRIBUNAL DA RELAÇÃO

1. Quadro de magistrados

Foram 48 os magistrados judiciais em serviço no Tribunal da Relação de Évora, sendo de 39 o respectivo


quadro legal, sendo um o presidente do tribunal e repartindo-se os demais pelas secções cível (21),
social (4) e criminal (23).

O quadro de magistrados do Ministério Público do Tribunal da Relação de Évora é de 8 unidades


(1 procurador-geral distrital e 7 procuradores-gerais adjuntos), sendo certo que, no final do ano de
2008, se encontravam em funções 7 procuradores-gerais adjuntos.

2. Organização e funcionamento das secções

A estrutura orgânica do Tribunal da Relação de Évora, assenta, na parte judicial, numa secção central e
em três secções de processos. Destas últimas, uma funciona tão-só com os recursos e processos criminais
e as duas restantes recebem os recursos cíveis e sociais, numa distribuição de pares e ímpares. Distrito Judicial de Évora
Os quadros das secções em referência estiveram preenchidos no decurso do ano de 2008.

3. Movimento processual

O número global de recursos distribuídos foi de 2.860, sendo 1.514 de natureza penal, 1.088 cível e
225 social. Dos recursos penais, 335 foram interpostos pelo Ministério Público.

Foram deduzidos 41 conflitos de competência e distribuídas 122 reclamações, das quais 69 em processos
cíveis, 49 em processos penais e 4 em processos sociais. Foram distribuídos 68 processos de revisão de
sentença estrangeira e 250 processos relativos a causas que a Relação conhece em 1ª instância, dos quais
214 de natureza penal.

207
III. SERVIÇOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO NO DISTRITO JUDICIAL

1. TÓPICOS GERAIS

Pelo artigo 7º, n.º 3, do Decreto-Lei n.º 187/2000, de 9 de Agosto, foi criado o Círculo Judicial de
Loulé, com efeitos a partir de 15 de Setembro de 2001, passando, desde então, a ser 10 as procuradorias
de círculo que integram o Distrito Judicial de Évora e a correspondente Procuradoria-Geral Distrital:
Abrantes, Beja, Évora, Faro, Loulé, Portalegre, Portimão, Santarém, Santiago do Cacém e Setúbal.
Os quadros de procuradores da República foram redimensionados nos termos constantes do mapa VII
anexo ao Decreto-Lei n.º 186-A/99, de 31 de Maio, sendo certo que, então, apenas as procuradorias de
círculo de Abrantes, Évora, Setúbal e Portimão contavam com mais de um procurador da República.
Na sequência da referida alteração de quadros, no final do ano de 1999, a procuradoria da República no
círculo judicial de Abrantes contava com 2 procuradores da República, no círculo judicial de Évora
com 3, no círculo judicial de Faro com 2, no círculo judicial de Portimão com 3 e no círculo judicial de
Setúbal com 3, continuando as procuradorias de República nos círculos judiciais de Beja, Portalegre,
Santarém e Santiago do Cacém a ser servidas por 1 procurador da República.
No decurso do ano de 2000 foi, por movimento publicado em 25 de Janeiro de 2000, colocado mais
um procurador da República nos seguintes círculos judiciais: Beja, Évora, Faro, Portimão, Santarém e
Setúbal, ficando, porém, muito deficitária a situação ao nível de procuradores-adjuntos. Assim, e por
exemplo, na comarca de Loulé, ficaram vagos 4 lugares de procuradores-adjuntos, na de Setúbal 2, na
de Albufeira 2, na de Tavira 1, na de Santarém 1 e, em todo o círculo judicial de Beja, apenas ficaram a
servir 3 procuradores-adjuntos (que é o quadro da comarca sede — Beja, onde apenas ficaram a servir
2 procuradores-adjuntos), tendo também quedado vaga a comarca de Odemira, onde, no final de
1999, haviam ficado pendentes 682 processos de inquérito.
Por movimento publicado em 14 de Setembro de 2000, foram preenchidos os quadros de procuradores
da República nos círculos judiciais de Évora, Faro, Portalegre e Santiago do Cacém, e, por movimento
publicado em 17 de Setembro de 2001, foi colocado procurador da República no círculo judicial de
Loulé.
Num distrito judicial de tão vasta e diferenciada área geográfica, esteve e está, longe de ser fácil a
orientação, coordenação e controlo dos serviços do Ministério Público. O conhecimento dos serviços
continuou, na essência, a ser obtido a partir de informações periódicas (três por ano) e de outras
Distrito Judicial de Évora

informações pontuais sobre o andamento de um ou outro processo ou sobre certas e determinadas


situações, que foram sendo fornecidas pelos procuradores. Tais informações, mais o expediente que
informou os processos administrativos, como ainda os contactos havidos aquando das reuniões de
procuradores ou mesmo os estabelecidos via telefónica e as visitas a algumas procuradorias e comarcas
foram de molde a permitir uma visão global correcta e permanente do estado e situação dos serviços nas
diversas procuradorias e respectivas comarcas.

2. ACTIVIDADE DESENVOLVIDA

Neste ponto, para além de um ou outro indicativo mais geral, será abordada a actividade desenvolvida
nos sectores processuais que melhor caracterizam a acção do Ministério Público.

208 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Far-se-á por procuradorias e a partir dos dados e números insertos nos mapas estatísticos referentes a
esses mesmos sectores anexos aos relatórios dos procuradores e procuradores-adjuntos e, a partir deles,
dos mapas (uniformizados) que vão juntos a final como parte integrante deste relatório e de outros
que, para efeitos de uma imagem mais precisa e pormenorizada dessa mesma movimentação processual,
foram elaborados relativamente a cada uma das procuradorias.

CÍRCULO JUDICIAL DE ABRANTES

Diminuiu, por comparação com o ano de 2007, o número de inquéritos distribuídos (-84) e o número de
acusações (-101), tendo aumentado o número de pendências (+272). Foram 80 as acusações com aplicação
do artigo 16º, nº 3, do Código de Processo Penal (+6 que em 2007). Verificaram-se
51 suspensões provisórias de processos ao abrigo do disposto no artigo 281º do Código de Processo Penal,
foram seleccionados 19 processos abreviados e deduzidos 62 requerimentos em processos sumaríssimos.
O número de processos penais distribuídos (987) foi inferior ao do ano anterior (993), tendo as
pendências diminuído: 988 em Dezembro de 2008 contra 1.004 em Dezembro de 2007.
Na jurisdição tutelar cível foram distribuídos 537 processos contra 482 em 2007, tendo havido um
aumento dos processos pendentes: 569 em Dezembro de 2008 contra 364 em Dezembro de 2007.
Foram ainda distribuídos 64 processos tutelares educativos/inquéritos, tendo ficado pendentes 47.
Houve um decréscimo de processos administrativos distribuídos (351 contra 378 em 2007) e acréscimo
de processos pendentes (437 contra 395 em 2007).
Nos processos de jurisdição laboral, todos concentrados no Tribunal do Trabalho de Abrantes, foram
distribuídos 43 processos administrativos e ficaram pendentes 35, tendo havido um acréscimo de
processos emergentes de acidentes de trabalho (233 em 2008 contra 228 em 2007).

CÍRCULO JUDICIAL DE BEJA

Registou-se uma diminuição de inquéritos distribuídos (-126 do que em 2007), do número de


pendências (-29) e de acusações (-213). Registaram-se 109 acusações com aplicação do artigo 16º,
n.º 3, do Código de Processo Penal (+3) e verificaram-se 47 suspensões provisórias de processos ao
abrigo do disposto no artigo 281º do mesmo código. Foram seleccionados 60 processos abreviados
e deduzidos 159 requerimentos em processos sumaríssimos. Distrito Judicial de Évora
O número de processos penais distribuídos (1.247) foi inferior ao do ano anterior (1.470), tendo
diminuído as pendências: 761 em Dezembro de 2008 contra 1.182 em Dezembro de 2007.
Na jurisdição tutelar cível foram distribuídos 406 processos contra 459 em 2007, tendo havido um
decréscimo dos processos pendentes: 378 em Dezembro de 2008 contra 423 em Dezembro de 2007.
Foram ainda distribuídos 78 processos tutelares educativos/inquéritos, tendo ficado pendentes 30.
Houve um decréscimo de processos administrativos distribuídos (426 contra 281 em 2007) e de processos
pendentes (425 contra 231 em 2007).
Nos processos de jurisdição laboral, todos concentrados no Tribunal do Trabalho de Beja, foram
distribuídos 174 processos administrativos e ficaram pendentes 217, tendo havido um decréscimo de
processos emergentes de acidentes de trabalho (119 em 2008 contra 122 em 2007).

209
CÍRCULO JUDICIAL DE ÉVORA E DIAP DE ÉVORA

Aumentou, por comparação com o ano de 2007, o número de inquéritos distribuídos (+76) e número
de pendências (+54), tendo diminuído o número de acusações (-298). Foram 151 as acusações com
aplicação do artigo 16º, nº 3, do Código de Processo Penal. (-22 que em 2007). Verificaram-se 176
suspensões provisórias de processos ao abrigo do disposto no artigo 281º do Código de Processo Penal;
foram seleccionados 127 processos abreviados e deduzidos 165 requerimentos em processos
sumaríssimos.
O número de processos penais distribuídos (1.022) foi inferior ao do ano anterior (2.099), tendo as
pendências diminuído: 1335 em Dezembro de 2008 contra 2.680 em Dezembro de 2007.
Na jurisdição tutelar cível foram distribuídos 584 processos contra 480 em 2007, tendo havido um
decréscimo dos processos pendentes: 420 em Dezembro de 2008 contra 329 em Dezembro de 2007.
Foram ainda distribuídos 82 processos tutelares educativos/inquéritos, tendo ficado pendentes 51.
Houve um acréscimo de processos administrativos distribuídos (666 contra 529 em 2007) e de processos
pendentes (427 contra 372 em 2007).
Nos processos de jurisdição laboral, todos concentrados no Tribunal do Trabalho de Évora, foram
distribuídos 243 processos administrativos e ficaram pendentes 58, tendo havido um acréscimo de
processos emergentes de acidentes de trabalho (203 em 2008 contra 202 em 2007).

CÍRCULO JUDICIAL DE FARO

Aumentou, por comparação com o ano de 2007, o número de inquéritos distribuídos (+315) e o
número de pendências (+562), tendo diminuído o número de acusações (-204). Foram 230 as acusações
com aplicação do artigo 16º, nº 3, do Código de Processo Penal (+57 que em 2007). Verificaram-se
132 suspensões provisórias de processos ao abrigo do disposto no artigo 281º do Código de Processo
Penal, foram seleccionados 181 processos abreviados e deduzidos 218 requerimentos em processos
sumaríssimos.
O número de processos penais distribuídos (2.800) foi inferior ao do ano anterior (4.160), tendo as
pendências diminuído: 7.011 em Dezembro de 2008 contra 7.558 em Dezembro de 2007.
Na jurisdição tutelar cível foram distribuídos 1.308 processos contra 1.261 em 2007, tendo havido um
decréscimo dos processos pendentes: 1.282 em Dezembro de 2008 contra 1.294 em Dezembro de 2007.
Distrito Judicial de Évora

Foram ainda distribuídos 168 processos tutelares educativos/inquéritos, tendo ficado pendentes 45.
Foram distribuídos 296 processos administrativos havendo uma pendência de 633.
Nos processos de jurisdição laboral, todos concentrados no Tribunal do Trabalho de Faro, foram
distribuídos 54 processos administrativos e ficaram pendentes 186, tendo havido um acréscimo de
processos emergentes de acidentes de trabalho (296 em 2008 contra 242 em 2007).

CÍRCULO JUDICIAL DE LOULÉ

Registou-se um aumento, por comparação com o ano de 2007, do número de inquéritos distribuídos
(+741) e do número de pendências (+231), tendo diminuído o número de acusações (-372). Foram

210 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


173 as acusações com aplicação do artigo 16º, nº 3, do Código de Processo Penal (+1 que em 2007).
Verificaram-se 85 suspensões provisórias de processos ao abrigo do disposto no artigo 281º do Código
de Processo Penal, foram seleccionados 242 processos abreviados e deduzidos 33 requerimentos em
processos sumaríssimos.
Foram distribuídos 2.798 processos penais, tendo ficado pendentes 3.747.

CÍRCULO JUDICIAL DE PORTALEGRE

Aumentou, por comparação com o ano de 2007, o número de inquéritos distribuídos (+13) e o número de
pendências (+164), tendo diminuído o número de acusações deduzidas (-45). Foram 84 as acusações com
aplicação do artigo 16º, nº 3, do Código de Processo Penal (-4 que em 2007). Verificaram-se 151 suspensões
provisórias de processos ao abrigo do disposto no artigo 281º do Código de Processo Penal, foram
seleccionados 131 processos abreviados e deduzidos 34 requerimentos em processos sumaríssimos.
O número de processos penais distribuídos (1.441) foi superior ao do ano anterior (1.349), tendo as
pendências diminuído: 848 em Dezembro de 2008 contra 1.109 em Dezembro de 2007.
Na jurisdição tutelar cível foram distribuídos 265 processos contra 311 em 2007, tendo havido um
decréscimo dos processos pendentes: 219 em Dezembro de 2008 contra 255 em Dezembro de 2007.
Foram ainda distribuídos 21 processos tutelares educativos/inquéritos, tendo ficado pendentes 25.
Houve um decréscimo de processos administrativos distribuídos (148 contra 209 em 2007) e um
acréscimo de processos pendentes (220 contra 197 em 2007).
Nos processos de jurisdição laboral, todos concentrados no Tribunal do Trabalho de Portalegre, foram
distribuídos 13 processos administrativos e ficaram pendentes 15, tendo havido um decréscimo de
processos emergentes de acidentes de trabalho (92 em 2008 contra 91 em 2007) e das pendências
(47 em 2008 e 55 em 2007).

CÍRCULO JUDICIAL DE PORTIMÃO

Registou-se uma diminuição, por comparação com o ano de 2007, do número de inquéritos distribuídos
(-412) e do número de pendências (-516), tendo aumentado o número de acusações deduzidas (+60).
Foram 153 as acusações com aplicação do artigo 16º, nº 3, do Código de Processo Penal (-2 que em
2007). Verificaram-se 177 suspensões provisórias de processos ao abrigo do disposto no artigo 281º do
Distrito Judicial de Évora
Código de Processo Penal, foram seleccionados 109 processos abreviados e deduzidos 129 requerimentos
em processos sumaríssimos.
O número de processos penais distribuídos (2.487) foi superior ao do ano anterior (2.095).
Na jurisdição tutelar cível foram distribuídos 1.092 processos contra 1.023 em 2007, tendo havido um
aumento dos processos pendentes: 1.252 em Dezembro de 2008 contra 1.240 em Dezembro de 2007.
Foram ainda distribuídos 212 processos tutelares educativos/inquéritos, tendo ficado pendentes 63.
Houve um aumento de processos administrativos distribuídos (441 contra 225 em 2007) e de processos
pendentes (474 contra 341 em 2007).
Nos processos de jurisdição laboral, todos concentrados no Tribunal do Trabalho de Portimão, foram

211
distribuídos 82 processos administrativos e ficaram pendentes 69, tendo havido um acréscimo de
processos emergentes de acidentes de trabalho (249 em 2008 contra 232 em 2007).

CÍRCULO JUDICIAL DE SANTARÉM

Registou-se um acréscimo de inquéritos distribuídos (+115) e do número de pendências (+349), tendo


diminuído o número de acusações (-303). Foram 109 as acusações com aplicação do artigo 16º, nº 3,
do Código de Processo Penal (-22 que em 2007). Verificaram-se 19 suspensões provisórias de processos
ao abrigo do disposto no artigo 281º do Código de Processo Penal, foram seleccionados 60 processos
abreviados e deduzidos 54 requerimentos em processos sumaríssimos.
Foram distribuídos 1.587 processos penais, registando-se uma pendência de 1.938 processos.
Na jurisdição tutelar cível foram distribuídos 568 processos contra 581 em 2007, tendo havido um
aumento dos processos pendentes: 612 em Dezembro de 2008 contra 476 em Dezembro de 2007.
Foram ainda distribuídos 74 processos tutelares educativos/inquéritos, tendo ficado pendentes 64.
Deram entrada 223 processos administrativos e ficaram pendentes 286.
Nos processos de jurisdição laboral, todos concentrados no Tribunal do Trabalho de Santarém, foram
distribuídos 13 processos administrativos e ficaram pendentes 15, tendo havido um acréscimo de
processos emergentes de acidentes de trabalho (432 em 2008 contra 389 em 2007), tendo ficado
pendentes 242 processos (209 em 2007).

CÍRCULO JUDICIAL DE SANTIAGO DO CACÉM

Registou-se um decréscimo de inquéritos distribuídos (-294) do número de acusações (-193) e das


pendências (-153). Foram 104 as acusações com aplicação do artigo 16º, nº 3, do Código de Processo
Penal (-3 que em 2007). Verificaram-se 43 suspensões provisórias de processos ao abrigo do disposto
no artigo 281º do Código de Processo Penal, foram seleccionados 52 processos abreviados e deduzidos
112 requerimentos em processos sumaríssimos.
Foram distribuídos 992 processos penais, registando-se uma pendência de 722.
Na jurisdição tutelar cível foram distribuídos 459 processos contra 357 em 2007, tendo havido um
aumento dos processos pendentes: 293 em Dezembro de 2008 contra 184 em Dezembro de 2007.
Foram ainda distribuídos 152 processos tutelares educativos/inquéritos, tendo ficado pendentes 160.
Distrito Judicial de Évora

Deram entrada 410 processos administrativos tendo ficado pendentes 255.


Nos processos de jurisdição laboral, dispersos pelas diversas comarcas pelo facto de ainda não ter sido
instalado o tribunal do trabalho, situação que implica necessariamente um maior somatório de serviço
e trabalho, foram distribuídos 93 processos administrativos e ficaram pendentes 89, tendo dado entrada
152 processos emergentes de acidentes de trabalho e ficado pendentes 160.

CÍRCULO JUDICIAL DE SETÚBAL

Registou-se uma diminuição de inquéritos distribuídos (-176), do número de pendências (-120) e do


número de acusações (-218). Foram 157 as acusações com aplicação do artigo 16º, nº 3, do Código de

212 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Processo Penal. Verificaram-se 45 suspensões provisórias de processos ao abrigo do disposto no artigo
281º do Código de Processo Penal, foram seleccionados 93 processos abreviados e deduzidos
244 requerimentos em processos sumaríssimos.
Registou-se um decréscimo de processos penais (2.317 contra 2.742 em 2007) e um acréscimo das
pendências (6.260 contra 5.992 em 2007).
Na jurisdição tutelar cível foram distribuídos 1.447 processos contra 1.110 em 2007, tendo havido
um aumento dos processos pendentes: 2.316 em Dezembro de 2008 contra 1.990 em Dezembro
de 2007. Foram ainda distribuídos 179 processos tutelares educativos/inquéritos, tendo ficado
pendentes 145.
Deram entrada 1.248 processos administrativos e ficaram pendentes 1.142.
Nos processos de jurisdição laboral, todos concentrados no Tribunal do Trabalho de Setúbal, deram
entrada 681 processos administrativos e ficaram pendentes 453; entraram 402 processos emergentes de
acidentes de trabalho tendo ficado pendentes 162.

3. OUTRAS INFORMAÇÕES

A partir dos relatórios dos procuradores e procuradores-adjuntos serão abordados neste ponto,
essencialmente, os aspectos referentes às instalações bem como às demais condições objectivas de trabalho
em que se desenvolveu a actividade do Ministério Público.
De um modo geral, o estado do parque judicial e habitacional disponíveis tem vindo a degradar-se,
mormente este último, necessitando, urgentemente, em muitos casos, que sobre eles incida um plano
de obras de conservação e reparação.
No que respeita propriamente ao Ministério Público as instalações ocupadas pelos funcionários
caracterizam-se, frequentemente, por uma evidente falta de espaço, que dificulta, quando não desvirtua,
a privacidade e o secretismo que devem envolver as diligências a realizar nos respectivos serviços.

CÍRCULO JUDICIAL DE ABRANTES

São insuficientes as instalações do tribunal judicial da comarca de Abrantes, onde os serviços do


Ministério Público se debatem com falta de espaço e se registam deficiências na instalação eléctrica e Distrito Judicial de Évora
nos sistemas de aquecimento e de saneamento.
São melhores as instalações dos tribunais judiciais das comarcas de Mação, Golegã e Ponte de Sor.
O tribunal judicial do Entroncamento funciona em modernas instalações, oferecendo o novo edifício
excelentes condições de trabalho.
O quadro de funcionários é suficiente nas comarcas de Entroncamento, Mação e Golegã.
Na comarca de Ponte de Sor, onde, no ano de 2008, deram entrada 628 processos de inquérito — 709,
725, 758, 688 e 658, nos anos de 2003, 2004, 2005 e 2006 e 2007, respectivamente — vêm-se
registando, desde o ano de 2000, entradas superiores a 500 inquéritos. É patente a insuficiência do
quadro de apenas um funcionário, sendo necessário e premente o respectivo aumento em uma
unidade.

213
Na comarca de Abrantes, cujo quadro, aliás, não esteve preenchido, seria desejável o concurso de mais
um funcionário, dado que nela se encontra instalada a procuradoria de círculo.
O quadro de magistrados é, genericamente, suficiente, embora na comarca de Ponte de Sor se esteja no
limite de tal suficiência.
No relatório referente ao ano de 2005, havia sido consignado que, a manter-se a subida de entradas
verificada nos anos de 2003, 2004 e 2005, já se estaria acima do patamar máximo do volume de
entradas ainda compatível com a prestação funcional de apenas um magistrado. Ocorre, porém, que,
nos anos de 2006, 2007 e 2008 — tal como resulta dos números indicados supra — se verificou
descida dos processos de inquérito entrados na comarca de Ponte de Sor.
A comarca de Mação continuou a ser servida por substituto do procurador-adjunto.

CÍRCULO JUDICIAL DE BEJA

São boas as instalações dos tribunais judiciais das comarcas de Mértola e Serpa (inauguradas em 2000),
bem como as de Ferreira do Alentejo, Ourique, Moura e Portel.
Todavia, as instalações dos tribunais judiciais das comarcas de Ferreira do Alentejo, Ourique e Portel
ostentam debilidades decorrentes de deficiências de construção.
As obras de reparação e beneficiação do edifício do tribunal judicial da comarca de Cuba, concluídas
em Outubro de 2005, melhoraram as condições de funcionamento dos serviços, conquanto sejam
exíguas as instalações destinadas aos serviços do Ministério Público.
Por seu turno, não obstante terem ocorrido, no edifício do tribunal judicial da comarca de Beja, as
importantes obras de remodelação referidas no relatório referente ao ano de 2005 e que englobaram a
implantação de novo telhado, continuaram a verificar-se importantes infiltrações de águas pluviais.
São más as instalações do tribunal do trabalho de Beja, que se encontra instalado no edifício do Governo
Civil de Beja em condições que não asseguram a dignidade necessária ao funcionamento de um tribunal.
Em Almodôvar, o tribunal está instalado em edifício cedido pela câmara municipal, tendo a adaptação
às respectivas funções assegurado as condições mínimas de funcionamento dos serviços.
Em Beja, o quadro de funcionários dos serviços do Ministério Público é insuficiente, sendo desejável o
concurso de mais um técnico de justiça adjunto e um técnico de justiça auxiliar.
Distrito Judicial de Évora

Também no tribunal do trabalho seria desejável mais um funcionário (técnico de justiça auxiliar).
E igualmente nas comarcas de Ourique, Moura e Cuba, onde a média de processos de inquérito entrados
nos anos de 2002 a 2006 (cinco anos) foi, respectivamente, de 496, 476 e 419 inquéritos; no ano de
2007, deram, respectivamente, entrada 387, 398 e 424 inquéritos; e no ano de 2008, deram,
respectivamente, entrada 324, 377 e 440 inquéritos.
Revela-se ajustado ao volume de serviço o quadro de magistrados na generalidade das comarcas integrantes
do círculo.
Manteve-se, porém, até Setembro de 2008, a situação de prestação de serviço por substitutos de
procurador-adjunto nas comarcas de Ferreira do Alentejo e Serpa.

214 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


CÍRCULO JUDICIAL DE ÉVORA
São boas as instalações dos tribunais judiciais das comarcas de Estremoz, Montemor-o-Novo (embora
seja exíguo o espaço destinado aos funcionários do Ministério Público), Redondo, Reguengos de
Monsaraz (onde se concluíram, em 2005, importantes obras de remodelação) e — embora com
problemas aos níveis da instalação eléctrica e do sistema de aquecimento — Vila Viçosa, todas radicadas
em edifícios tipo “palácio de justiça”, sendo razoáveis as de Arraiolos.
O “palácio da justiça” de Évora dispõe, na sequência da realização de obras, de instalações suficientes,
contando, presentemente, com uma terceira sala de audiências.
No que tange aos quadros de funcionários, na comarca de Évora mostra-se necessário o respectivo
aumento, com a criação de uma secretaria e com a previsão dos lugares de telefonista e de motorista de
ligeiros (atentas as necessidades de mobilidade do DIAP).
Quanto às restantes comarcas, torna-se necessário o aumento, em mais uma unidade, na comarca de
Montemor-o-Novo — onde, nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008, entraram, respectivamente, 1.158,
1.100, 965 e 1.018 inquéritos.
No anterior relatório, foi consignado que, a não constituir o número de inquéritos entrados no ano de
2007 (331) um dado pontual, tal necessidade de aumento também se continuaria a colocar em relação
à comarca de Vila Viçosa — onde a média de processos de inquérito entrados nos anos de 2002 a 2006
(cinco anos) foi de 436 inquéritos. Ocorre, porém, que, no ano de 2008, deram entrada na comarca de
Vila Viçosa 294 inquéritos.
O quadro de magistrados do Ministério Público neste círculo judicial é, com excepção do Departamento
de Investigação e Acção Penal, genericamente adequado, havendo, porém, que observar que, na comarca
de Estremoz, com entradas anuais, entre 2003 (ano em que entraram 677 inquéritos) e 2005, superiores
a 600 inquéritos e com aumento para mais de 700 inquéritos em 2006, 2007 e 2008 — anos em que
já deram entrada, respectivamente, 717, 756 e 748 inquéritos —, se está na zona de transição entre o
volume de entradas ainda compatível com a prestação funcional de apenas um magistrado e o volume
de entradas que exige mais do que uma unidade.
Por outro lado, manteve-se a situação de prestação de serviço por substituto de procurador-adjunto na
comarca de Redondo e, até Setembro de 2008, na comarca de Arraiolos.

DEPARTAMENTO DE INVESTIGAÇÃO E ACÇÃO PENAL DE ÉVORA Distrito Judicial de Évora


Instalado em 15 de Setembro de 1999, o Departamento de Investigação e Acção Penal de Évora funciona
em edifício arrendado em que foram, então, efectuadas insuficientes obras de adaptação, que não
permitiram o cabal aproveitamento do espaço disponível (designadamente em open space).
E, face às carências existentes, foi solicitada a realização das necessárias obras, que, todavia, somente em
2002 se iniciaram, com o aproveitamento de 3 divisões para gabinetes e com a consequente possibilidade
de instalação de salas de inquirição (a carência mais grave que se perfilava).
Em 2004 iniciaram-se novas obras, que decorreram, com várias vicissitudes, até finais de 2005,
mas que dotaram o departamento de instalações adequadas e funcionais, passando o mesmo a
contar com espaços separados para as secções de processos e com salas de reconhecimentos e de
teleconferência.

215
O departamento foi dirigido por um procurador da República e comporta um quadro legal de
1 procurador da República e de 3 procuradores-adjuntos, que é manifestamente insuficiente, dado
tratar-se de um departamento de investigação e acção penal distrital (tendo, nos anos de 2003, 2004,
2005, 2006, 2007 e 2008, dado entrada no distrito judicial de Évora, respectivamente, um número
global de 72.450, 76.424, 71.752, 70.703, 74.819 e 74.987 inquéritos).
Tal quadro não permite, sequer, estruturação por secções (cfr. artigo 72º, nº 1, do Estatuto do Ministério
Público), carecendo, assim, de redimensionamento (nos termos do n.º 2 da Portaria n.º 754/99, de
27 de Agosto, foram afectos ao DIAP de Évora apenas 1 procurador da República e 3 procuradores-
-adjuntos, enquanto que, por exemplo, ao DIAP de Coimbra foram afectos 2 procuradores da República
e 10 procuradores-adjuntos).
Por isso, passou o departamento a contar, após o movimento de magistrados do Ministério Público
publicado em 21 de Junho de 2004, com o concurso de mais 2 procuradores-adjuntos auxiliares, aos
quais acresceu, no ano de 2006, mais 1 procurador-adjunto auxiliar, o que também permitiu implementar
um tratamento diferenciado dos crimes de natureza sexual e de maus tratos, com distribuição dos
respectivos inquéritos a um único magistrado.
Por outro lado, não obstante se tratar de departamento de investigação e acção penal em comarca sede
de distrito judicial, ocorre que não se encontra sedeado em Évora nenhum serviço da Polícia Judiciária.
De facto, a Inspecção de Évora da Polícia Judiciária prevista em anterior Lei Orgânica da Polícia Judiciária
nunca chegou a ser instalada e a Lei Orgânica aprovada pelo Decreto-Lei n.º 275-A/2000, de 9 de
Novembro, não contemplava qualquer directoria ou departamento de investigação criminal com sede
em Évora, mas tão-só, a Directoria de Faro e os Departamentos de Investigação Criminal de Portimão
e Setúbal, tendo as comarcas que integram o círculo judicial de Évora permanecido na área territorial e
de acção da Directoria de Lisboa da Polícia Judiciária, sem que na área deste círculo judicial tenha sido
instalada qualquer extensão daquela directoria.
Por isso, houve a oportunidade de suscitar a questão da viabilidade de afectação de uma unidade orgânica
de investigação da Polícia Judiciária a este departamento, com vista a suprir a ausência de qualquer
serviço desta corporação em todo o Alentejo.
Por outro lado, não dispondo o departamento de qualquer veículo, não se mostra contemplado, no
respectivo quadro legal de funcionários, um lugar de motorista de ligeiros, anomalias que importa
suprir. De facto, a ausência de veículo afecto ao departamento é, no actual momento, a necessidade
mais premente com que o mesmo se depara.
Distrito Judicial de Évora

CÍRCULO JUDICIAL DE FARO


São razoáveis as instalações dos tribunais judiciais das comarcas de Olhão e Tavira, sedeados em edifícios
próprios, tipo “palácio da justiça”, sendo, porém, insuficientes as instalações dos serviços do Ministério
Público, atento o aumento do quadro de funcionários.
No anterior relatório consignou-se, relativamente à comarca de Olhão, que, tendo, no ano de 2003,
sido libertado o espaço ocupado pelos serviços dos registos e notariado, apenas haviam sido realizadas
(em 2004) obras que se haviam limitado ao âmbito das acessibilidades e das instalações sanitárias. Ora,
em 2008, foram realizadas obras de adaptação daquela parte do edifício (passando a funcionar mais
uma sala de audiências e passando a dispor-se de mais três gabinetes) e foram também realizadas pequenas
obras de beneficiação de todo o edifício.

216 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


No que concerne à comarca de Tavira, não obstante a desocupação do espaço antes destinado ao cartório
notarial, não foram realizadas as necessárias obras de adaptação.
Na comarca de Faro, os juízos de competência especializada cível continuaram a funcionar em dois
andares objecto de arrendamento em edifício junto ao Palácio da Justiça e continuou insuficiente e
inadequado o espaço destinado aos serviços do Ministério Público, tendo, designadamente, em
consideração o reforço do número de funcionários, sendo também insuficiente o número de gabinetes.
Por outro lado, a deterioração do telhado do edifício do Palácio da Justiça deu origem a infiltrações de
águas pluviais.
As instalações do tribunal de família e menores são boas e adequadas, tanto no que respeita a magistrados
como a funcionários, sendo razoáveis as do tribunal do trabalho.
O tribunal da comarca de Vila Real de Santo António encontra-se instalado em edifício inaugurado em
7 de Julho de 1999, sendo as respectivas instalações genericamente funcionais e adequadas, conquanto
o compartimento destinado aos serviços do Ministério Público seja de dimensões reduzidas.
Atentos o volume de serviço e o necessário apoio aos procuradores da República, seria desejável o
aumento do quadro de funcionários da secretaria dos serviços do Ministério Público na comarca de
Faro em mais duas unidades — um técnico de justiça adjunto e um técnico de justiça auxiliar. Aliás, tal
insuficiente quadro continuou a não se mostrar preenchido.
No relatório referente ao ano de 2005, havia sido consignado que, na comarca de Vila Real de Santo
António, o quadro de funcionários é desadequado, dado que, no ano de 2005, deram entrada 1.579
inquéritos (contra 1.547 no ano de 2004, sendo constante o aumento de entradas nos últimos anos),
sendo desejável o seu aumento em mais uma unidade.
Todavia, no ano de 2006, a entrada de processos de inquérito na comarca de Vila Real de Santo António
diminuiu para 1.418 processos. Em 2007, deram entrada 1.544 inquéritos, registando-se um aumento.
De facto, em 2008, já deram entrada 1.658 processos de inquérito.
O quadro de funcionários na comarca de Olhão mostra-se desadequado, sendo desejável o aumento em
mais uma unidade — técnico de justiça adjunto. Aliás, nesta comarca o número de processos de inquérito
entrados foi, nos anos de 2007 e 2008, superior a 2.800 processos. E, todavia, tal insuficiente quadro
não esteve preenchido, sendo certo que, no final do ano de 2008, apenas se encontravam em efectivo
exercício de funções três funcionários.
Na comarca de Tavira, onde deram entrada, nos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, respectivamente,
Distrito Judicial de Évora
1.529, 1.225, 1.418, 1.183 e 1.410 processos de inquérito, seria desejável mais uma unidade.
O quadro dos serviços do Ministério Público no tribunal do trabalho de Faro mostra-se preenchido,
mas seria desejável o aumento em mais um técnico de justiça auxiliar.
No círculo judicial de Faro, sendo certo que o tribunal de família e menores comporta dois juízos, é
insuficiente o número de procuradores da República, crendo-se que o quadro legal de procuradores da
República no círculo judicial de Faro deveria ser aumentado para seis unidades.
Na comarca de Faro, que comporta 2 juízos de competência especializada cível e 2 juízos de competência
especializada criminal e onde existe um juiz de direito afecto, em exclusividade, à instrução criminal,
seria desejável o aumento do quadro de procuradores-adjuntos, que é de oito. Aliás, tratando-se de

217
comarca com elevado volume processual (com entradas superiores a 5.000 inquéritos, desde o ano de
2000 e de 6.605 e 6.601, em 2007 e 2008, respectivamente), tem-se por adequada e necessária a criação
de um departamento de investigação e acção penal (cfr. artigo 71.º do Estatuto do Ministério Público).
Na comarca de Olhão, que comporta três juízos, deram entrada, no decurso dos anos de 2004, 2005,
2006, 2007 e 2008, respectivamente, 2.995, 2.274, 2.595, 2.830 e 2.808 processos de inquérito, o
que evidencia a desadequação do quadro de três procuradores-adjuntos. Seria, pois, desejável que tal
quadro fosse aumentado para quatro procuradores-adjuntos.
E nas comarcas de Tavira e Vila Real de Santo António seria desejável que o quadro de procuradores-
-adjuntos, que é de dois, fosse aumentado para três.

CÍRCULO JUDICIAL DE LOULÉ

As instalações do tribunal de Albufeira são insuficientes, mas beneficiaram de obras no decurso do ano
de 2007, as quais permitiram solucionar o problema de instalação dos serviços do Ministério Público.
Seriam adequadas — se completamente utilizadas — as instalações do tribunal de Loulé, as quais,
todavia, apesar de recentes, apresentam problemas estruturais cuja gravidade se vem progressivamente
acentuando, ostentando fissuras e continuando a registar-se infiltração de águas pluviais, situação que se
agravou nos anos de 2006, 2007 e 2008, com extrema degradação das paredes do rés-do-chão do
edifício. O que torna premente a realização de obras de reparação, que também permitiriam a utilização
do espaço ora degradado.
No círculo judicial de Loulé, onde vêm funcionando dois tribunais colectivos e onde, nos anos de
2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, deram entrada, respectivamente, 13.579, 11.746, 11.375, 10.833 e
11.574 processos de inquérito, é insuficiente o número de procuradores da República — apenas um —,
crendo-se que o quadro legal de procuradores da República no círculo judicial de Loulé deveria ser
aumentado para duas unidades (sem levar em conta a questão da criação de um departamento de
investigação e acção penal).
Na comarca de Loulé, que é, desde 15 de Setembro de 2001, sede do novo círculo judicial de Loulé,
seria desejável que o quadro de funcionários dos serviços do Ministério Público fosse aumentado em
dois técnicos de justiça auxiliares. Nesta comarca, onde existe um juiz de direito afecto, em exclusividade,
à instrução criminal, o quadro de 9 magistrados do Ministério Público era ainda adequado face ao
volume processual registado em 2003 (ano em que deram entrada 5.430 processos de inquérito), mas
o volume processual registado nos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, com 7.108, 6.624, 6.083,
Distrito Judicial de Évora

5.965 e 6.447 inquéritos entrados, respectivamente, coloca a questão da sua desadequação.


Na comarca de Albufeira, seria desejável que o quadro de funcionários dos serviços do Ministério
Público fosse aumentado com a criação de uma secretaria. Todavia, tal quadro não esteve preenchido e,
no final do ano de 2008, num quadro legal de 11 funcionários, apenas se encontravam em efectivo
exercício de funções 7 funcionários. Relativamente a magistrados, seria igualmente desejável, atento o
volume processual assinalado, o aumento do respectivo quadro para 7 procuradores-adjuntos.
Aliás, tratando-se de comarca com elevado volume processual (com mais de 5.000 inquéritos entrados
nos anos de 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2008, sendo certo que no ano de 2007 deram entrada
4.868 inquéritos e no ano de 2008 deram entrada 5.127 inquéritos), tem-se por adequada a criação de
um departamento de investigação e acção penal (cfr. artigo 71.º do Estatuto do Ministério Público).

218 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


Criação que plenamente se justifica na comarca de Loulé, atentas as entradas de inquéritos registadas
nos últimos cinco anos — 7.108, 6.624, 6.083, 5.965 e 6.447 processos de inquérito.

CÍRCULO JUDICIAL DE PORTALEGRE

Estão bem instalados, em edifícios próprios tipo “palácio da justiça”, os tribunais judiciais das comarcas
de Elvas, Fronteira, Nisa e Portalegre, tendo melhorado consideravelmente a instalação dos serviços do
Ministério Público neste último tribunal, com a saída dos serviços dos registos e notariado, já que
passaram a ocupar as antigas instalações do cartório notarial (embora funcione como arquivo daqueles
serviços uma cela situada na cave do edifício cuja humidade desaconselha tal afectação).
Está razoavelmente instalado em edifício próprio o tribunal de Castelo de Vide.
Está insatisfatoriamente instalado o tribunal da Comarca de Avis, que possui instalações exíguas e
inadequadas, que não asseguram a dignidade necessária ao funcionamento de um tribunal.
O tribunal do trabalho está instalado, desde 1999, num edifício de apartamentos, dispondo das necessárias
condições de funcionalidade.
Quanto a magistrados, os quadros são genericamente adequados. Todavia, relativamente à comarca de
Elvas, comarca fronteiriça onde, nos últimos seis anos, deram entrada 1.437, 1.520, 1.405, 1.240,
1.316 e 1.249 inquéritos e onde, no ano de 2008, foram distribuídos 229 processos crimes sumários,
é susceptível de se colocar a questão da necessidade do aumento do respectivo quadro em mais um
procurador-adjunto.
Os quadros de funcionários estão bem dimensionados nas comarcas de Avis, Castelo de Vide, Fronteira
e Nisa.
Na comarca de Elvas, a natureza, a dificuldade e o volume de serviço impõem a existência de secção
central e uma secção de processos (à semelhança do que acontece na comarca de Portalegre). E na
comarca de Portalegre, sede do círculo, seria desejável o aumento do quadro de funcionários dos serviços
do Ministério Público em mais um técnico de justiça adjunto.
Seria desejável que o quadro dos serviços do Ministério Público no tribunal do trabalho de Portalegre
fosse aumentado por forma a compreender um técnico de justiça adjunto e um técnico de justiça
auxiliar.
Distrito Judicial de Évora
CÍRCULO JUDICIAL DE PORTIMÃO

São adequadas as instalações dos tribunais de Portimão e de Monchique, embora no primeiro se


mantenham os sinais de degradação reportados em anteriores relatórios, situação que torna cada vez
mais premente a implementação de obras de conservação.
Na comarca de Lagos vinha-se acentuando a insuficiência das instalações do tribunal, com apenas uma
sala de audiências, tendo-se, no anterior relatório, consignado a melhoria resultante da mudança dos
serviços do Ministério Público para o espaço que antes era ocupado pela conservatória do registo civil,
tendo-se salientado que se mantinham os sinais de degradação da restante parte do edifício mencionados
em anteriores relatórios e as restantes carências, situação que também postula a implementação de obras
de conservação e adaptação, o que cumpre reafirmar.

219
O tribunal judicial da comarca de Silves, que ocupa, desde Novembro de 2005, um edifício novo,
encontra-se agora bem instalado. Todavia, já nele se mostram necessárias obras de conservação.
O quadro de funcionários dos serviços do Ministério Público em Portimão (excluindo o tribunal do
trabalho) foi aumentado de 8 para 14 unidades pela Portaria n.º 467-A/99, de 28 de Junho. Todavia,
contrariamente ao que sucede na comarca de Faro, tendo sido instalado em 15 de Setembro de 1999 o
tribunal de família e de menores de Portimão, tal quadro engloba duas unidades para este último
tribunal, pelo que, atenta a circunstância de ser de 4 o quadro de procuradores da República no Círculo
Judicial de Portimão, consignou-se, no relatório anual referente ao ano de 1999, que seria desejável o
aumento do quadro de funcionários por forma a manter paralelismo com a comarca de Faro. Ora, pela
Portaria n.º 721-A/2000, de 5 de Setembro, foi o supra mencionado quadro aumentado de 14 para
16 unidades.
Seria, porém, desejável que os serviços do Ministério Público na comarca estivessem dotados, tal como
acontece na comarca de Faro, de uma secretaria, a qual, seria igualmente desejável que tivesse uma
secção central e duas secções de processos, com o seguinte quadro de funcionários: 1 secretário de
justiça, 2 técnicos de justiça principais, 8 técnicos de justiça adjuntos e 9 técnicos de justiça auxiliares.
O quadro de funcionários nos serviços do Ministério Público junto do tribunal do trabalho de Portimão
foi, pela Portaria n.º 721-A/2000, reduzido de 3 para 2 unidades. Seria, todavia, desejável que
compreendesse 1 técnico de justiça adjunto e 2 técnicos de justiça auxiliares.
Na comarca de Lagos, o quadro de funcionários — de 6 unidades — é manifestamente insuficiente,
sendo certo que deram entrada nesta comarca, nos anos de 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008,
respectivamente, 3.970, 3.726, 3.445, 3.431, 3.078 e 3.101 processos de inquérito e nela se têm
registado as mais graves situações de acumulação de serviço, sendo necessário o aumento do respectivo
quadro, sem prejuízo das medidas de reforço que permitam evitar uma situação de completa ruptura.
Na comarca de Silves, o quadro de funcionários — de 4 unidades — é, igualmente, insuficiente, tendo em
consideração o número de processos de inquérito entrados, que foi de 1.786 em 2003, de 1.978 em 2004,
de 1.907 em 2005, de 1.932 em 2006 e já de 2.188 e 2.250, nos anos de 2007 e 2008, respectivamente.
Seria desejável que dispusesse de uma secção central e uma secção de processos com a seguinte
composição: 1 técnico de justiça principal, 2 técnicos de justiça adjuntos e 3 técnicos de justiça auxiliares.
Na comarca de Monchique o quadro de funcionários mostra-se preenchido e é suficiente.
No círculo judicial de Portimão, onde entraram, nos últimos seis anos, 12.513, 12.621, 11.738, 11.828,
12.666 e 12.254 (ano de 2008) processos de inquérito, é insuficiente o número de procuradores da
República, crendo-se que o respectivo quadro legal deveria ser aumentado de 4 para 6.
Distrito Judicial de Évora

Na comarca de Portimão, onde nos últimos seis anos deram entrada 6.572, 6.737, 6.236, 6.328,
7.270 e 6.715 (ano de 2008) processos de inquérito, sendo certo existir um juiz de direito afecto, em
exclusividade, à instrução criminal, seria desejável que o quadro de procuradores-adjuntos, que é de 8,
fosse aumentado em 2 unidades. Aliás, tratando-se de comarca com elevado volume processual (registou
nos anos de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2008 entradas superiores a 6.000 inquéritos, tendo nela dado
entrada, no ano de 2007, 7.270 inquéritos), tem-se por particularmente adequada e necessária a criação
de um departamento de investigação e acção penal (cfr. artigo 71.º do Estatuto do Ministério Público).
Na comarca de Silves, atentos o volume de processos de inquérito entrados (já assinalado) e a circunstância
de lhe estar agregada a comarca de Monchique, seria desejável que o quadro de procuradores-adjuntos,
que é de 2, fosse aumentado para 3.

220 Procuradoria-Geral da República – RELATÓRIO 2008


E também na comarca de Lagos, atento o volume de processos entrados atrás assinalado, seria desejável
que o quadro de procuradores-adjuntos, que é de 3, fosse aumentado para 4.
Cumprindo salientar que nesta comarca se tem registado uma grande instabilidade na prestação funcional
de magistrados (que é mesmo caso paradigmático da dificuldade na fixação de magistrados em comarcas
do Algarve em situação difícil).

CÍRCULO JUDICIAL DE SANTARÉM

Os tribunais judiciais das comarcas de Cartaxo e Santarém, conquanto instalados em edifícios próprios,
tipo “palácio da justiça”, vêm-se progressivamente debatendo com carências de espaço, sendo certo que
na comarca do Cartaxo apenas existe uma sala de audiências e continuam a registar-se problemas de
infiltrações de águas pluviais. Aliás, ambos os edifícios carecem de obras, ostentando já o edifício de
Santarém fissuras ao nível da fachada principal e registando também já problemas de infiltrações de
águas pluviais.
São satisfatórias as instalações do tribunal do trabalho de Santarém.
Inauguradas em Setembro de 2000, as instalações do tribunal judicial da comarca de Coruche
consubstanciam um espaço perfeitamente adequado e funcional.
O tribunal judicial da comarca de Almeirim foi instalado em 1 de Fevereiro de 2001 em edifício antes
afecto à Guarda Nacional Republicana e para o efeito adaptado, sendo que as suas instalações se vêm
tornando exíguas e carentes de obras de conservação.
O quadro de funcionários dos serviços do Ministério Público na comarca de Santarém, onde se encontra
instalada a procuradoria de círculo e, nos últimos seis anos, deram entrada 3.039, 3.031, 2.793, 2.808,
2.822 e 2.885 (ano de 2008) processos de inquérito é já desadequado, sendo desejável o aumento em
1 unidade (técnico de justiça auxiliar). Este quadro continuou a não se mostrar preenchido, mantendo-
-se, no decurso do ano de 2008, a falta de preenchimento de 2 lugares de técnico de justiça auxiliar
assinalada no anterior relatório. Aliás, a situação agravou-se já no decurso do corrente ano, com o
destacamento para outra comarca de uma técnica de justiça auxiliar, passando a comarca de Santarém a
contar com o concurso de apenas 7 funcionários (sendo o respectivo quadro legal de 10).
O quadro dos serviços do Ministério Público junto do tribunal do trabalho de Santarém é igualmente
insuficiente para fazer face ao volume de serviço, sendo desejável o seu aumento em mais uma unidade
(técnico de justiça auxiliar).
Distrito Judicial de Évora

Na comarca de Almeirim, o quadro de apenas dois funcionários da unidade de apoio é manifestamente


insuficiente. De facto, nos anos de 2006, 2007 e 2008 deram entrada na comarca, respectivamente,
1.321, 1.429 e 1.353 processos de inquérito.
Na comarca do Cartaxo, o quadro de funcionários é igualmente insuficiente, sendo desejável o seu
aumento em mais uma unidade (técnico de justiça auxiliar).
Mostra-se adequado o quadro de um procurador-adjunto na comarca de Coruche, bem como o quadro
de funcionários.
O mesmo não se podendo dizer do quadro de procuradores-adjuntos na comarca do Cartaxo, em
número de dois. De facto, tal como se consignou no relatório referente ao ano de 2004, deram entrada

221
na comarca, em 2002, 1.934 inquéritos (ou seja, 967 inquéritos por magistrado), em 2003, 1.725
inquéritos (862 inquéritos por magistrado) e, em 2004, 1.905 inquéritos (952 inquéritos por
magistrado), o que evidencia a necessidade de o quadro passar a ser de 3 procuradores-adjuntos. Sendo
certo que, nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008, deram entrada na comarca, respectivamente, 1.854,
2.166, 1.872 e 2.029 processos de inquérito.
Na comarca de Almeirim, onde desde 1 de Fevereiro de 2001 (data da instalação) e até ao final do ano,
deram entrada 694 processos de inquérito, no ano de 2002 deram entrada 847 inquéritos, em 2003,
870 inquéritos, em 2004, 946 inquéritos, em 2005, 1.059 inquéritos, em 2006, 1.321 inquéritos, em
2007, 1.429 inquéritos e em 2008, 1.353 inquéritos, mostra-se necessário o aumento do quadro de
procuradores-adjuntos de 1 para 2.
Por seu turno, na comarca de Santarém, sendo certo existir um juiz de direito afecto, em exclusividade,
à instrução criminal, seria desejável que o quadro de procuradores-adjuntos, fosse ampliado de 6 para 7.

CÍRCULO JUDICIAL DE SANTIAGO DO CACÉM

Os tribunais deste círculo judicial encontram-se instalados em edifícios do tipo “palácio de justiça”.
No mês de Dezembro de 2008, os referidos edifícios começaram a ser alvo de obras de remodelação e
ampliação, tendo em vista a instalação da comarca piloto do Alentejo Litoral.
O quadro de funcionários de Santiago do Cacém comporta 1 lugar de técnico de justiça adjunto para o
tribunal do trabalho, que, todavia, ainda não foi instalado, tornando-se tal unidade essencial para os
serviços do Ministério Público junto do tribunal de comarca, que continua a deter competência laboral
e, tendo em consideração as exigências do serviço de apoio aos 2 procuradores da República, bem como
o número de processos de inquérito entrados no ano de 2007, que foi de 1.606, sendo a média de
processos de inquérito entrados nos anos de 2003 a 2007 (cinco anos) de 1.618 inquéritos, seria desejável
o aumento desse quadro em, pelo menos, mais uma unidade.
Na comarca de Odemira, onde nos anos de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007 (ano em que, por
dificuldades anormais do serviço, apenas foi registado um processo de inquérito no mês de Dezembro)
deram, respectivamente, entrada, 1.072, 1.043, 993, 987 e 897 processos de inquérito, seria desejável
o aumento do quadro de funcionários em mais uma unidade — técnico de justiça auxiliar.
Na comarca de Grândola, que, tal como as demais comarcas do círculo, detém competência laboral,
em cuja área se situa o Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz e onde deram entrada, nos anos
de 2004, 2005, 2006 e 2007, resp