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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ FEDERAL DA 4ª VARA DO TRABALHO

DA COMARCA DE CRICIÚMA – SC


Autor: Fábio Anderson Hibi
Recorridau: Itaú Unibanco S/A
Processo nº: 00198-57.2013.5.12.0055


FÁBIO ANDERSON HIBI, já qualificado nos autos do
processo em epígrafe, movida em face de ITAÚ
UNIBANCO S/A, vem, perante Vossa Excelência, por seu
procurador infra-assinado, interpor RECURSO
ORDINÁRIO, com fundamento no art. 893 e 895, da CLT,
conforme razões anexas, para que seja recebida em seu
efeito devolutivo e remetido ao Egrégio Tribunal Regional
do Trabalho da 12º Região, para conhecimento e
provimento do recurso.

I – DO CABIMENTO

Das decisões definitivas, conforme art. 895, da CLT, cabem recurso
ordinário.

II – DO PRAZO

Conforme expõe o art. 895, da CLT, o recurso ordinário será
interposto no prazo de 8 (oito) dias. O presente recurso foi interposto
tempestivamente.

III – DO PREPARO

Dispensa-se o recolhimento de custas e depósito recursal por ser
beneficiário da justiça gratuita.

IV – DO PEDIDO

Ante o exposto requer-se:

a) a admissão do presente recurso ordinário e a intimação da
recorrida para apresentar as contrarrazões, conforme art. 900, da
CLT.

Nestes termos,
Pede Deferimento.

Criciúma/SC, 15 de Maio de 2014.


_____________________________
Priscylla Piucco
OAB/SC 65.379





















EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA DÉCIMA SEGUNDA
REGIÃO

Autor: Fábio Anderson Hibi
Recorrida: Itaú Unibanco S/A
Processo nº: 00198-57.2013.5.12.0055

EMÉRITOS JULGADORES

Em que pese o douto do saber jurídico do Meritíssimo juiz a quo, a
respeitável sentença imposta ao recorrente deve ser reformada, como passa a
expor.

DOS FATOS

A recorrente, já qualificada na inicial, ajuizou reclamação trabalhista
postulando a integração das comissões ao salário, integração ao salário da
“ajuda alimentação”, salário substituição, jornada laboral, banco de horas,
venda obrigatória de férias, FGTS, danos morais, frutos percebidos na posse
de má-fé, honorários advocatícios e justiça gratuita.
Juntou documentos e atribuiu à causa o valor de R$30.000,00.
A audiência de conciliação restou inexitosa.
Na audiência inicial a empresa recorrente, regularmente notificada,
apresentou defesa em forma de contestação escrita por meio da qual
impugnou todos os pedidos. Ocorreu também a oitiva das partes e
testemunhas e encerramento da instrução processual Ao final, a tentativa de
conciliação foi rejeitada.
Após essa fase, o MM. Juiz da 4ª Vara do Trabalho de Criciúma -
SC prolatou a sentença acolhendo em partes o pedido da recorrente.
Sentença que merece reforma, como passa a expor.

DOS FUNDAMENTOS

a) INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DA “AJUDA ALIMENTAÇÃO” E
“AJUDA CESTA ALIMENTAÇÃO”

Requereu a recorrente a integração ao seu salário dos valores
pagos sob a denominação “ajuda alimentação” e “ajuda cesta alimentação”,
com embasamento nos arts. 457, §1º e 458 da CLT. O juiz de primeiro grau
indeferiu o pedido, com fundamento de que está instituído na CCT’s da
categoria que tal verba não tem natureza remuneratória.
Contudo, o entendimento da Suprema Corte é de que o benefício
encontra-se em natureza salarial:

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO.
NATUREZA JURÍDICA. "A pactuação em norma coletiva
conferindo caráter indenizatório à verba "auxílio-alimentação" ou
a adesão posterior do empregador ao Programa de Alimentação do
Trabalhador - PAT - não altera a natureza salarial da parcela,
instituída anteriormente, para aqueles empregados que,
habitualmente, já percebiam o benefício, a teor das Súmulas nºs
51, I, e 241 do TST". (OJ nº 413 da SDI 1 do TST). (RO 0001722-
43.2012.5.12.0017, SECRETARIA DA 1A TURMA, TRT12, VIVIANE
COLUCCI, publicado no TRTSC/DOE em 06/05/2014)

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO.
REFLEXOS. Norma coletiva estabelecendo natureza indenizatória
aos valores pagos a título de auxílio-alimentação não atinge os
trabalhadores que recebiam os reflexos do título anteriormente. (RO
0001393-55.2012.5.12.0009, SECRETARIA DA 1A TURMA, TRT12,
AGUEDA MARIA LAVORATO PEREIRA, publicado no TRTSC/DOE
em 05/02/2014)

SÚMULA 41 do TST
SALÁRIO-UTILIDADE. ALIMENTAÇÃO (mantida) - Res. 121/2003,
DJ 19, 20 e 21.11.2003
O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem
caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos
os efeitos legais.


Desta feita, requer a reforma da sentença de primeiro grau.

b) VENDA OBRIGATÓRIA DE FÉRIAS

Requereu a recorrente acerca da imposição da recorrida para que o
recorrente vendesse 10 dias de suas férias. Resta comprovada na fl. 203 dos
autos de que o autor, de fato, vendeu suas férias. Conforme testemunha
Luciano Novak Inácio, fl. 654, o próprio não tirou férias maiores do que 20 dias
e nunca questionou. Motivo de não questionar se deve ao fato da recorrida
impor tal condição, o empregado sequer fica ciente de que seu direito é de
gozar 30 dias de férias, pois jamais o usufruiu. Mesma condição imposta ao
recorrente.
Segundo Maurício Godinho Delgado
1
, as férias correspondem ao:

lapso temporal remunerado, de freqüência anual, constituído de
diversos dias seqüenciais, em que o empregado pode sustar a
prestação de serviços e sua disponibilidade perante o empregador,
com o objetivo de recuperação e implementação de suas energias e
de sua inserção familiar, comunitária e política.

Conforme entendimento jurisprudencial:

HORAS EXTRAS. TURNOS ININTERRUPTOS DE REVEZAMENTO.
NÃO-CARACTERIZAÇÃO. O que caracteriza o trabalho em turnos
ininterruptos de revezamento, para efeitos da jornada especial de seis
horas prevista no art. 7º, inc. XIV, da Constituição Federal, é a troca
periódica e constante do horário do empregado entre o turno diurno e
o noturno, causando prejuízos ao ciclo fisiológico do trabalhador.
Desse modo, inocorrendo o suposto sistema de turnos ininterruptos
de revezamento, improcede o pedido recursal de pagamento além da
sexta diária. VENDA DE FÉRIAS. FACULDADE EXCLUSIVA DO
EMPREGADO. A teor do disposto no art. 143 da CLT, a conversão
do terço de férias em abono pecuniário é faculdade do
empregado e exceção à regra geral, não podendo ser imposta
automaticamente pela empresa, sob o pretexto de que os
trabalhadores assim o preferem. Não é dado à ré determinar o
período de férias de seus empregados em apenas vinte dias e só
aceitar alterações nas datas se os trabalhadores apresentarem
justificativas. A "venda" de férias é um direito assegurado ao
trabalhador, e não sujeito ao arbítrio de seu empregador. (RO
02779-2006-029-12-00-8, SECRETARIA DA 3A TURMA, TRT12,
LIGIA MARIA TEIXEIRA GOUVEA, publicado no TRTSC/DOE em
11/06/2008)

Conforme prevê o art. 143 da CLT, o empregado tem direito a
converter 1/3 do total de dias de férias, 10 dias, portanto, desde que faça o

1
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 7ª ed., Editora LTR, pg. 952.
requerimento ao empregador até o prazo de 15 dias antes de completar o
período aquisitivo. Por outro lado, se o empregado não requerer a venda dos
10 dias de férias, pois intenta gozar os 30 dias completos, o empregador não
poderá obrigar o empregado a converter 1/3 das férias.
Desta feita, requer a reforma da sentença de primeiro grau.

c) INTERVALO DO ART. 384 DA CLT

Requereu o pagamento do intervalo do art. 384 da CLT, que
conforme o disposto no texto legal:

Art. 384 - Em caso de prorrogação do horário normal, será obrigatório
um descanso de 15 (quinze) minutos no mínimo, antes do início do
período extraordinário do trabalho.

Não se especifica o gênero a receber tal intervalo e se o fizesse,
estaria violando o princípio constitucional da igualdade, ferindo diretamente o
art. 5º, I, da Constituição Federal que dispõe o seguinte:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos
termos desta Constituição;

Também Celso Antônio Bandeira de Mello
2
, ao discorrer acerca do
princípio da igualdade, ensina que:

por via do princípio da igualdade, o que a ordem jurídica pretende
firmar é a impossibilidade de desequiparações fortuitas ou
injustificadas. Para atingir este bem, este valor absorvido pelo Direito,
o sistema normativo concebeu fórmula fácil que interdita, o quanto
possível, tais resultados, posto que, exigindo igualdade, assegura que
os preceitos genéricos, os abstratos e atos concretos colham a todos
sem especificações arbitrárias, assim proveitosas que detrimentosas
para os atingidos.

Mesmo entendimento encontra-se na jurisprudência:


2
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. O Conteúdo Jurídico do Princípio da Igualdade. 3ª ed. São Paulo:
Malheiros, 1993. p. 18.
TRABALHO DA MULHER. O artigo 384, da CLT, dispondo ser
obrigatório um descanso de 15 minutos antes do período
extraordinário do trabalho da mulher foi recepcionado pela Nova
Carta Constitucional, expandindo seus efeitos também sobre o
trabalho do homem. É que o artigo em comento deve ser resolvido
em favor do trabalhador, pois o objetivo da norma constitucional,
longe de mitigar direitos, visa a ampliação dos mínimos existentes,
sendo válida a ilação de que, ante o ditado do art. 5º, I, da Carta
Política de 1988, homens e mulheres são iguais em direitos e
obrigações. (TRT-PR-RO 2.659/01. Rel. Juiz Roberto Dala Barba. AC.
29.654/01. DJ/PR 19.10.01)

Desta feita, requer a reforma da sentença de primeiro grau.

DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente
recurso, para que seja reformada a sentença da juiza “a quo”, a fim de que se
julgue procedente os pedidos de integração ao salário da “ajuda alimentação” e
“ajuda cesta alimentação”, indenização pela venda obrigatória de férias e
pagamento do intervalo do art. 384 da CLT.

Nestes termos,
Pede Deferimento.

Criciúma/SC, 15 de Maio de 2014.

_____________________________
Priscylla Piucco
OAB/SC 65.379