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Fotografia

"O bom fotógrafo vê o mundo de uma forma mais abrangente do que as outras
pessoas geralmente o fazem. Passar o mundo tridimensional dinâmico para uma
imagem plana e estática é como traduzir uma história de uma língua para outra. É
preciso perceber que o mundo está vivo, exuberante e ativo, aberto a novas ideias e
interpretações artísticas. Nunca dois fotógrafos vão abordar essa tarefa de forma
idêntica, mesmo utilizando as mesmas convenções e regras."

- John Hedgecoe
De onde e quando nasceu a fotografia?

A fotografia não tem um único inventor. Ela é uma síntese de várias


observações e inventos em momentos distintos. Vamos dar ênfase só aos
acontecimentos mais importantes:

A câmera obscura é o marco mais importante para o desenvolvimento da


fotografia. Todas as câmeras inventadas, inclusive as mais avançadas, aplicam o
princípio da câmera obscura.

A câmara escura é em uma caixa preta ou escura com um pequeno furo em um


dos seus lados. No lado oposto a imagem é projetada na frente do furo, invertida e de
cabeça pra baixo. Quanto menor o furo, maior nitidez, mas mais escura a imagem fica.
Depois de um tempo foi implementada uma lente no furo para definir melhor a
imagem.

A primeira fotografia foi produzida em 1826 por Josef Nicéphore Niepce,


precisou de 8 horas de exposição pra que a imagem (da janela da sua casa) se
formasse.

Uns anos depois, Louis-Jacques-Mandé Daguerre descobre que uma imagem


latente (quase invisível), que podia ser revelada com o vapor de mercúrio, reduzindo o
tempo de exposição para 10 a 20 minutos.

Em 1932 o francês Hércules Florence, radicado no Brasil, já imprimia diplomas


maçônicos e rótulos de farmácia expondo-os ao sol em contato com papéis
sensibilizados com cloreto de ouro, processo que batizou de Photographie.

Willian Henry Fox-Talbot, na Inglaterra, obteve uma imagem negativa, fixada


em sal de cozinha e submetida a contato com outro papel sensível. Assim a cópia
apresentava-se positiva sem inversão lateral.

Em 1880, após mais descobertas, a fotografia passou do processo artesanal


para o industrial.
A câmera

A câmera é baseada no projeto da Câmara Obscura e se mantém seus


princípios até hoje, mesmo com todo o avanço tecnológico.

Basicamente, existem três tipos de câmeras: As compactas, as monoreflex e as


de médio formato. Todas elas possuem elementos em comum (sejam as que usam
filme ou as digitais):

 Plano Focal: Uma superfície plana onde a imagem é registrada no filme ou


transformada em um sinal elétrico pelo sensor digital.

 Visor: é o dispositivo pelo qual o fotógrafo enxerga para compor, e em muitos


casos focar a imagem. Mostra a cena que será captada.

 Obturador: O obturador é um mecanismo que abre e fecha. Ele controla o


tempo da exposição e consequentemente a quantidade de luz que bate no sensor ou
filme.

 Diafragma (ou abertura): Constituído por lâminas sobrepostas, colocado junto


à objetiva, em que é possível regular a quantidade de luz que entra na câmera, pela
escolha da abertura do diâmetro.

 Objetiva: É uma lente, ou um conjunto delas, que capta a luz que se reflete no
objeto, fazendo com que os raios de luz se encontrem em um ponto no plano focal.
Nesse processo, a imagem se inverte.
Observações: Nas câmeras compactas e ultra compactas, não é possível regular a
abertura do diafragma nem o tempo de exposição manualmente, isso é feito
automaticamente. Nas semi-profissionais, essa regulagem é limitada. Nas profissionais
tem-se total liberdade criativa de exploração dos recursos da câmera.

Objetivas

A objetiva é um acessório da câmera fotográfica e um dispositivo óptico


composto de um conjunto de lentes, com revestimento de plástico ou metal, utilizado
no processo de focalização da cena a ser fotografada. Ela é responsável pelo ângulo do
enquadramento e pela qualidade ótica da imagem. A objetiva é a interface entre a
cena e o filme fotográfico (ou sensor digital) e suas características implicarão
diretamente na qualidade da fotografia.

O que distingue uma objetiva da outra é sua distância focal.

 Distância focal é distância existente entre a objetiva e o plano de foco, quando


a objetiva está focada para o infinito.

Existem três tipos de objetiva, mais dois tipos especiais, são elas:

 Grande Angular: Objetivas menores do que 50mm. O ângulo de visão que se


tem da cena que você vai fotografar é amplo, aberto e propiciam uma boa
profundidade de campo. Elas possuem o efeito de distorção nas bordas, quanto menor
a distância focal, mais distorcida a imagem fica. Existe uma objetiva chamada Olho de
Peixe, que produz uma imagem distorcida tanto na vertical, quanto na horizontal,
criando um campo circular semelhante à um olho de peixe.

Lente Nikkor 28mm. Fotografia feita com grande angular


 Objetivas-padrão (comumente chamadas de "Normal"): Objetivas de 50mm.
São chamadas padrão porque sua perspectiva se aproxima muito do modo como nós
vemos. Dá uma aparência mais natural à cena. São ideais para retratos.

Lente Nikkor 50mm. Retrato feito com lente 50mm.

 Teleobjetivas: Objetivas maiores que 50mm. Possuem o ângulo de visão


fechado, com muito pouca profundidade de campo. São ideais para esportes ou para
tirar fotos de vida animal, até mesmo no cotidiano, em lugares que não se pode chegar
muito perto.

Lente Nikkor 500mm Fotografia feita com teleobjetiva.

 Objetivas Zoom: Objetivas que possuem várias distâncias focais.

 Objetivas Macro: Projetadas para focalização de perto, ampliando um motivo


pequeno quanto mais perto ela é colocada.
Objetiva Zoom 55-200mm Fotografia Macro

Observações: Muitos autores e manuais de fotografia "brigam" entre si ao


convencionar o que é uma objetiva normal, tele ou grande angular. Por isso, os
exemplos dados aqui, não são definitivos, até porque existe todo um cálculo avançado
pra saber qual a distância focal de uma determinada câmera em relação à uma lente,
etc. Além do mais, existe uma diferença que precisa ser explicada sobre as lentes
zoom. Existe o zoom óptico, que é o conjunto das lentes que aproximam o motivo e o
zoom digital que aumenta apenas a imagem digital, fazendo com que ela perca muita
qualidade.

Exposição

Tanto faz se você tem uma câmera analógica ou uma digital. Você precisa de luz
pra fazer suas fotografias. E precisa controlar a entrada de luz pra que não saia nem
muito clara nem muito escura. O ajuste de luz necessário pra uma boa fotografia se
chama exposição. Três elementos trabalham em conjunto e precisam ser
corretamente combinados pra que seja feita uma boa exposição da foto, são eles:

 Abertura do diafragma: Já vimos que o diafragma são lâminas sobrepostas


que abrem e fecham regulando a quantidade de luz que passa entre as lentes. Os
valores de abertura variam pelo tipo de objetiva, algumas possuem um grande
intervalo de aberturas. Essa abertura é medida em pontos ou números /f, que são
frações da distância focal da objetiva. Quanto maior a abertura, menor o numero/f,
quanto menor a abertura, maior o número.
 Velocidade do obturador: Vimos também que o obturador é o mecanismo que
abre e fecha e regula o tempo que a luz bate no sensor. Quanto maior a fração de
tempo, mais tempo o obturador fica aberto. Quanto menor a fração de tempo, menos
tempo o obturador fica aberto. As velocidades variam de 1s (lento) à 1/4000s (rápido).
Algumas câmeras tem a opção de vários minutos de exposição até 1/8000s.

Existe essa famosa analogia com uma torneira, no qual diz que quanto mais
aberta a torneira, mais rápido o copo enche. Quando mais fechada a torneira, mais
lento o copo enche. Assim é a relação da abertura com a velocidade. Aberturas grandes
precisam de menos tempo de exposição e aberturas pequenas requerem mais tempo
de exposição.

 Sensibilidade ISO: é um número de uma escala que diz quão sensível à luz é o
filme ou o sensor digital. Quanto maior o número ISO, mais sensível é o sensor/filme e
permite o uso de velocidades maiores. Mas, com números altos a imagem fica com um
grande número de ruído, fica granulada.
 Fotômetro: é um aparelho que mede a intensidade de luz captada pela
câmera. Pode vir embutido na câmera ou comprado separadamente. Os fotômetros de
mão são mais eficazes do que os embutidos da câmera. O princípio de um fotômetro é
deixar a barrinha de exposição no meio. A imagem pode ficar superexposta (clara) ou
subexposta (escura).

Profundidade de campo

Esteja atento que em fotografia apenas um plano fica focado. A profundidade


de campo é o efeito que faz com que o que não está no plano de foco pareça ou
razoavelmente nítido, ou desfocado. Ela não é constante e depende da abertura, da
distância focalizada e da distância focal real da objetiva. Mudando um ou mais desses
fatores, você altera a profundidade de campo. Abaixo temos exemplos de fotografias
com foco, sem foco, com muita ou pouca profundidade de campo.

Quanto maior a abertura do diafragma, menor profundidade de campo


teremos. Quanto menor a abertura, maior profundidade de campo.

Menor profundidade de campo quer dizer que o que não está em foco, ficará
bem desfocado. Maior profundidade de campo quer dizer que o não está no plano de
foco ficará consideravelmente mais nítido.

O que é foco? É o plano ou ponto na imagem que fica completamente nítido. O


que fica na frente ou atrás da imagem fica desfocado ou razoavelmente nítido.
Foto fora de foco Pouca profundidade de campo

Foto focada (no gato) Muita profundidade de campo

Flash

Flash é um aparelho que emite luz instantânea artificial. Ele serve tanto para
pouca luz quanto muita luz (como a luz do sol que produz muita sombra). Usamos o
flash de preenchimento para essas ocasiões de muita luz e muita produção de sombra,
onde o motivo fica escuro e o flash como luz principal onde há muita pouca luz.
Existem flashes embutidos na câmera, flashes acopláveis e flashes de mão.

Flashes embutidos não são muito bons para retratos, pois a luz que incide no
motivo é muito forte. A não ser que se faça uma "gambiarra" ou compre um rebatedor
para esse tipo de flash.

Flashes externos são bons, pois são móveis e possuem rebatedores.


Flash embutido Flash externo

Balanço de Brancos

É um sistema que mede a temperatura da cor da luz refletida pelo objeto e


ajusta os componentes vermelho, verde, e azul do sinal do chip de imagem antes de
gravá-lo, de um jeito que a imagem pareça normal. Na sua câmera tem um menu de
balanço de brancos em que você pode ajustar ao tipo de temperatura certa pra sua
fotografia sair 'normal'.

O processo criativo na fotografia

Composição: Na composição você transfere o mundo real pra uma tela


estática. É o que você deixa e exclui na fotografia, é o momento em que dispara o
obturador. É você quem decide o que enquadrar no visor. Você quem coloca as coisas
em ordem.

Regra dos terços: uma maneira simples de obter o equilíbrio certo da


composição fotográfica. Dividimos o quadro da foto em nove retângulos iguais. No
meio, ficarão quatro pontos de intercessão que são chamados de pontos-chave. Onde
a parte mais importante da foto deve ficar. Por exemplo:
Reparem no motivo bem em cima do ponto-chave.

Interessante colocar o motivo principal em um dos pontos-chave, assim a


fotografia fica equilibrada. É uma regra que como qualquer outra, pode ser quebrada.

Linhas, formas, perspectivas, pontos de vista,


reflexo: Colocar as linhas da imagem paralelas ao
quadro vai dar uma sensação sem vida à sua
fotografia. Misture linhas diagonais, verticais e
horizontais em suas composições. Linhas cruzadas
produzem sensação de euforia enquanto linhas
paralelas produzem sensação de calma. Então,
triângulos e linhas diagonais criam drama e tensão
enquanto círculos e linhas curvas criam o oposto. Uma
forma redonda na composição (círculos) vai prender a
atenção de quem vê. Fazer quadros dentro de quadros
também é uma boa. Sempre selecione o seu ponto de
vista, o menos comum possível. Olhe o seu motivo de
todos os ângulos possíveis até achar o melhor.
Experimente as perspectivas, dando profundidade à suas fotos, sejam elas lineares, com
curvas, reduzindo o tamanho do motivo. Experimente também fotografar reflexos.

Dicas:

o Sempre focalize o olho em um retrato.

o Em fotos de paisagem, faça a linha do horizonte coincidir com o


primeiro terço do quadro.

o Não deixe o motivo centralizado demais.

o Em fotos de reflexos, é válido deixar a linha do horizonte no meio, fora


isso, tente deixar a linha do horizonte mais acima ou mais abaixo.
Cor

Quando falamos de Cor em fotografia, falamos da cor-luz. A cor é o elemento mais


poderoso na fotografia, pois desperta fortes reações emocionais. Assim, deve ser usada
com cuidado. Lembre-se sempre que o sensor ou filme não registram as cores como a
gente vê! Levem em consideração que aqui falamos do aspecto científico da cor, que é
diferente do artístico (usado por pintores pelo critério da cor-pigmento).

Cores primárias: são aquelas que não podem ser obtidas a partir da mistura de
outras cores. São: Vermelho, Verde e Azul.

Cores secundárias: são as cores que se formam pela mistura de duas cores
primárias, em partes iguais.
Vermelho + Verde = Amarelo
Vermelho + Azul = Magenta
Azul + Verde = Ciano

Pares complementares: são aquelas cores que mais oferecem contraste entre si:

Amarelo - Azul
Verde - Magenta
Vermelho - Ciano

Síntese Aditiva das cores: Esse sistema se chama aditivo pois as cores se formam
através de soma de luz, por isso a resultante da soma das cores é o branco.

Síntese Subtrativa das cores: As cores se formam através da subtração das cores,
resultando no preto.

Branco: Junção de todas as cores.


Preto: Ausência de todas as cores.

Iluminação

Sem luz, não existe fotografia. É a luz que cria a imagem e a qualidade da luz é
importantíssima na construção da foto. Ás vezes, o balanceamento de cor errado ajuda
na composição fotográfica.

 A iluminação natural: ela muda constantemente de direção, cor e aspereza e


tudo isso produz um efeito único na imagem. Você precisa observar e aprender a ver a
condição de iluminação antes de configurar seu disparo.

 A Iluminação artificial: é aquela iluminação que não provém do Sol. Como


lâmpadas, vela... É a mais difícil de utilizar, pois devemos entender bem de iluminação
para que o efeito desejado saia corretamente.
Luz natural Luz Artificial

 Luz dura e Luz suave: quanto maior for a fonte aparente de luz, mais difusa será
sua sombra. Quanto menor ela for, mais dura ficará a sombra. Na verdade, o conceito de
luz dura e suave tem a ver com a sombra. Se uma luz é muito forte e incidente, ela
produzirá sombras mais destacadas. Se for mais difusa e ampla, produzirá um efeito de
sombra uniforme.

Luz Dura Luz Difusa

Técnicas Fotográficas

Vamos apresentar 3 técnicas artísticas em fotografia que não são fáceis de fazer,
mas com muita criatividade e prática a gente chega lá.

 Movimentos Congelados: para congelar a ação é


necessário um tempo de exposição curto (velocidade do
obturador rápida). Esteja pronto, com a câmera ligada,
os controles pré definidos e com o motivo focado.
 Movimentos Borrados: não confunda a técnica de
borrado com um erro fotográfico. Borrado não é tremido.
Essa técnica exige que a velocidade do obturador seja lenta
e que desfoque apenas o motivo que está em movimento e
não o fundo.

 Panning: Panning é uma técnica no qual você deixa o motivo em movimento nítido
e o fundo totalmente desfocado dando sensação de movimento. É necessário uma
velocidade de obturador média. Você foca no
motivo e o acompanha enquanto ele faz o
movimento antes e depois de tirar a
fotografia.

Projetos Especiais

 Retratos: Retratos são os mais populares motivos


fotográficos. Você tem mais liberdade na sua composição.
Para uma sessão de retratos é necessário decidir se será
feito em luz natural ou estúdio. Ao ar livre a iluminação
pode ser usada com menos habilidade pois registramos o
que realmente vemos. Um
distância focal de 80mm à
120mm é ideal para retratos.
Algumas dicas são: Foque
sempre no olho da pessoa, ao
fotografar o corpo inteiro e
precisar cortar alguma parte,
nunca recorte a foto nas
juntas, sempre mais acima ou abaixo. Além disso tente não
centralizar quem está sendo fotografado, coloque mais ao
lado do quadro, nos pontos chaves da regra dos terços.
 Paisagens: Lembre-se sempre da regra dos
terços ao tirar fotografia de paisagens. Evite deixar a
linha do horizonte no meio, isso só é eficiente se a
foto tiver reflexos, onde fica um efeito interessante.
Pense bem no enquadramento que você vai fazer e
use uma abertura de diafragma menor pra fotografia
ficar mais nítida. Tente configurar efeitos como a cor
e contraste na própria câmera. Se precisar, faça
retoques em um editor de imagens, mas nada
exagerado.

 Natureza Morta: é um tipo de


fotografia em que vemos seres inanimados, como
frutas, flores, livros, taças de vidro, garrafas, jarras
de metal, porcelanas, dentre outros objetos. Aqui
o close-up nos objetos é fundamental. O uso ou
desuso da regra dos terços fica à critério do que
você imagina para sua composição.
 Arquitetura: Ao fotografar arquitetura, é indicado que se use uma objetiva grande
angular, pois os efeitos são diversos e a fotografia não fica monótona. Abuse das
perspectivas de linhas e curvas que é o que vemos na arquitetura de fato. Use também
reflexos que aparecem nos vidros dos prédios, enfim, abuse da criatividade.