Você está na página 1de 3

Item a) Reforma da Governança Mundial. Reforma das Nações Unidas. Extensão máxima. Quatro laudas.

Introdução:

Com o final da Guerra Fria e a aceleração das mudanças na ordem internacional, tornou-se cada vez mais ampla a convicção de que instituições, procedimentos e métodos de trabalho da ONU precisavam ser atualizados. Ao assumir a Secretaria- Geral da Organização em 1997, Kofi Annan decidiu promover a agenda da reforma e publicou, no mesmo ano, relatório chamado Renewing the United Nations: a programme for reform . Dentre os temas debatidos sob o amplo título reformas da ONU , ressaltam-se a reforma do CSNU (item à parte), o processo de revitalização da Assembleia Geral e o fortalecimento do ECOSOC, além das negociações sobre coerência do sistema e das reformas administrativas.

Em 2005, quando as Nações Unidas comemoraram sessenta anos, foi realizada reunião de Cúpula da Organização, com cerca de 170 chefes de Estado e de governo. Celebrada para rever a implementação das Metas de Desenvolvimento do Milênio, a Cúpula de 2005 também constituiu oportunidade para avançar o debate sobre reformas institucionais das Nações Unidas.

As duas grandes decisões da Cúpula relacionadas à reforma da ONU foram a criação da Comissão de Consolidação da Paz e a transformação da Comissão de Direitos Humanos em Conselho de Direitos Humanos. O documento final da Cúpula também ressaltou a necessidade de adaptação dos métodos de trabalho e da agenda do ECOSOC; enfatizou a necessidade de reformas adicionais para tornar o emprego de recursos humanos e financeiros mais eficiente; e convidou o Secretário-Geral a fortalecer a administração e coordenação das atividades operacionais da Organização.

Como conseqüência dessas determinações, ocorreu, em 2006, amplo processo de negociações sobre o fortalecimento do ECOSOC, culminando com a adoção da Resolução A/RES/61/16. A delicada negociação, caracterizada pela rigidez dos países desenvolvidos em incrementar os poderes e funções do Conselho, obteve resultados aquém mesmo das expectativas dos países do Sul. Também em 2006, em cumprimento às disposições da Cúpula de 2005, avançou o processo de reforma administrativa.

2.1 Descrição

O que é a Reforma das Nações Unidas: São iniciativas voltadas a adaptar as instituições, procedimentos e métodos de trabalho de órgãos da ONU à realidade contemporânea

Objetivos: - Adaptar as instituições das Nações Unidas ao contexto internacional atual, com vistas a tornar a Organização mais legítima e eficiente.

Data de início:

/

/

Instrumentos legais:

Documento Final da Cúpula de 2005: A/RES/60/1 Resoluções que criaram a Comissão de Consolidação da paz: A/RES/60/180 e 1645

(2005).

Resolução sobre o fortalecimento do ECOSOC: Resolução A/RES/61/16

Descrever

 

- Participação de empresas e controle social:

- Participação de outros Ministérios, Órgãos Públicos e Estados da Federação):

2.1.1 Por que foi lançada a Reforma das Nações Unidas, qual a distinção em relação a políticas existentes

A necessidade de adaptar o arcabouço institucional das Nações Unidas às realidades políticas contemporâneas é tema recorrente na Organização. A complexidade das instituições e dos métodos de trabalho da Organização, cuja agenda é extremamente abrangente, fazem com que sempre exista espaço para aperfeiçoar a atuação de seus órgãos Pode-se mencionar, por exemplo, a reforma do Conselho de Segurança, em

1965

1

, quando foram criados quatro novos assentos não-permanentes, com vistas a

refletir o expressivo aumento de membros da ONU, que passara de 51, em 1945, para 117, em 65.

É possível, no entanto, identificar momentos políticos em que há maior clamor por reformas na Organização. O sentimento de que a ONU precisa se adaptar a novos tempos e novas realidades geopolíticas ganhou impulso nos últimos anos, depois da intervenção militar contra o Iraque, em março de 2003, e teve como grande marco a Cúpula de 2005, quando foram criados o Conselho de Direitos Humanos e a Comissão de Consolidação da Paz.

2.1.2 Descrição dos resultados alcançados

-

O estabelecimento da CCP representou a concretização de ideias propugnadas pelo

Brasil, entre outros países em desenvolvimento. Defendemos que a paz sustentável e

duradoura é função não somente de solução de problemas de segurança, mas também da superação de desafios nas áreas de direitos humanos e de desenvolvimento

econômico e social. A criação da CCP obviou a lacuna institucional decorrente da falta de tratamento consistente nas Nações Unidas dos casos de países recém egressos de conflitos em seus esforços de consolidação da paz. Essa necessidade derivava, ainda, do fato, estatisticamente comprovado, de que a maioria desses países tende a experimentar um retorno ao estado de conflito, após o término do mandato de missões de manutenção da paz.

-

A adoção, em 2006, da Resolução A/RES/61/16. A Resolução resultou na criação do

Fórum de Cooperação para o Desenvolvimento (DCF) e na institucionalização da Avaliação Ministerial Anual. O DCF ocorre bienalmente com vistas a analisar a situação e a evolução da cooperação internacional para o desenvolvimento, e encorajar maior coerência entre as atividades dos diferentes parceiros de desenvolvimento. A Avaliação Ministerial Anual tem por objetivo examinar os progressos alcançados na implementação das grandes conferências das Nações Unidas nos domínios econômico, social e áreas afins, incluindo os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio.

1 Resolução 1991 (XVIII) da Assembléia-Geral. Para maiores informações, vide Schwab, Egon, Amendments to Articles 23, 27 and 61 of the Charter of the United Nations, in The American Journal of International Law, Volume 59, no. 4, 1965.

Os avanços alcançados foram resultado da grande participação dos países em desenvolvimento nas negociações da Resolução. A delegação brasileira participou ativamente de todo o processo, inclusive no acompanhamento das sessões de negociação e assessoramento ao negociador sul-africano, presidente do G 77, e nas reuniões restritas convocadas pela Presidente da Assembleia Geral. Apesar do engajamento do Brasil e do G 77, a oposição dos países desenvolvidos a mudanças mais substantivas fez com que a Resolução adotada não fosse suficientemente abrangente, de forma a fortalecer a autoridade do ECOSOC para decidir e implementar iniciativas e para exercer papel efetivo de coordenação das atividades operacionais nas aeras de sua competência.

- Em 2006, diversas medidas nas áreas de reforma administrativa foram adotadas: i) a criação do Escritório de Ética e do Comitê Consultivo de Auditoria Independente (IAAC); ii) o fortalecimento do Escritório de Serviços de Supervisão Interna (OIOS); iii) a condução de análise externa dos órgãos internos de supervisão e auditoria (OIOS, Junta de Auditores e Unidade de Inspeção), bem como sobre pacote de reformas nas áreas de recursos humanos, compras ("procurement") e investimentos do Fundo de Pensão. Nas negociações, a delegação brasileira deu especial atenção a estas últimas áreas, sempre buscando mobilizar o G 77 para propor medidas para aumentar a transparência e incrementar, de fato, o acesso de nacionais, serviços e produtos dos países em desenvolvimento.

2.1.3 Caso sejam anexadas tabelas, listar os respectivos títulos