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OS

OS TANT
MURULH
.
oJardim
a, a Rua e
a Cas
Aos meus vizinhos de quarto Mirian, Konstantin e amada
Wendy. Ao meu fiel escudeiro Felipe Pernambuco que me
ensina o valor de cada instante. À pequena Julia, à enorme
Carla. Ao meu porto seguro Parque Amazônia, e minha avó
Marlene, ao oráculo Baiana. Aos integrantes do grupo ao
qual me dedido de corpo e alma; o EIA. Ao príncipe Yuhzô,
com seu harém oriental e o herdeiro Lacê. Aos eremitas
Fumaça e Wilmar, ao indomável Luis Parras e ao caseiro
Antonio Kelh. Ao Machado Flávio, que tantas lenhas já me
ajudou a reflorestar...
“(...) e para mim toda arte chega nisto: a necessidade
de um significado supra sensorial da vida,
em tranformar os processos de arte
em sensações de vida.” 1

Hélio Oiticica
Partitura sensorial

1. Metáforas totalizantes pg. 6

2. Bússolas pg. 8
_ Nortes para Marulhar

3. Cartas de Marear pg. 23


_ Linhas de Rumo

4. A pg. 25
Casa

5. A RUA pg. 33
_EIA, o SPA, SPLAC, Salão de
Maio e Projeto Matilha

6. Reinventando a gramática pg. 49


dos espaços

7. O JarDim pg. 57

8. Bibliografia, fontes de pg. 66


pesquisa e notas de fim
Metáforas Totalizantes

Receber visitas é deixar-se desvendar, comparti-


lhar. Quando a casa esta desarrumada pode ser
um tanto constrangedor, a menos que a visita seja
completamente insensível às estas miudezas per-
ceptivas ou esteja disposta a ajudar arrumá-la,
propondo novas disposições.

Visita pode chegar antes da casa ficar pronta, e


participar de sua fundação. Como aqui, que a visi-
ta chega a um espaço ainda em construção e em
constante mutação. Um espaço inaugural que
estou cada vez mais interessada em construir,
projetar; sonhar, na medida em que percebo a
amplitude de questões que ele abarca, contem-
plando o caldeirão de contradições que assisto e
vivencio diariamente e guardando ainda surpresas
intermináveis, espaços ainda desco-nhecidos e
potencialmente acessáveis.

6
Proponho aqui que possamos entrar, percorrer,
derivar, marulhar, num esforço aconchegante, que
apresenta-se como metáfora totalizante "Murulhos
Tantos: A Casa, A Rua e O jardim", duas realidades
extremas, que compreendem as nossas necessi-
dades básicas de retiro e expansão, de intimidade
e extroversão, de passividade e atitude.
Realidades estas conectadas pelo jardim, que aqui
será tratado, concreta e metaforicamente, como
espaço relacional. Cada uma destas metáforas é
em si uma forma de estar no Mundo, me proponho
aqui, a encontrar espaços que as relacionem. Que
possamos percorrer e ocupar seus aposentos,
criando ainda outros espaços e relações possíveis,
acessos secretos.

Inicio uma reflexão baseada em ações concretas


que tenho proposto e realizado no espaço da casa,
no espaço da rua e em jardins. Tenho chamado
estas ações propositivas de Práticas Ambientais.

7
Bússolas_ Nortes para Marulhar

Venho encontrado algumas estrelas que têm


norteado minha pesquisa, são elas artistas plásti-
cos que listo logo abaixo; o antropólogo Roberto da
Matta; o sensível Gaston Bachelard, o poeta Mário
Chamie e a historiadora Paola Berestein, além de
uma dissertação e uma tese. A primeira de mestra-
do do professor Caio Vassão e outra de doutorado
da curadora Lisete Lagnado. Alguns termos que
utilizo para me referir ao que tenho proposto, ga-
nharam força à luz destas estrelas. Segue uma
tabela esquematizando as fontes de pesquisa que
me inspiram tanto por suas obras plásticas como
por suas reflexões.

8
9
artista digerindo estrelas

“um parasita
Hector Zamora
paraquedista;”

“estrela no que
Hélio Oiticica se refere ao
termo de Ambiental;”

“Hundertwasser, conste-
Hundertwasser lação de espaços rela-
cionais;”

10
trabalho

Casa Paraquedista.

Bólide Área 2.

Casas Colina.

11
“estrela no que se
Lygia Clark refere ao termo
Relacional;”

deslocador
Marepe
em vigília;

Krzysztof “corretor” de imóveis,


Wodisczo móveis.

12
Objetos relacionais.

Telhado.

Veículo dos sem teto.

13
Dentro desta tabela gostaria de aprofundar dois
conceitos chave:
Ambiental: sentido do termo ampliado graças as
contribuições plásticas e escritas de Hélio Oiticica
e do contato que tive com o Grupo de Interferência
Ambiental, GIA, o qual recebeu-me e hospedou-
me na capital baiana por conta do Salão de Maio,
que o mesmo grupo organizou em maio de 2004.
Este foi um marco importante em meu breve per-
curso, nele realizei a primeira Experiência
Ambiental "Faixa de descalços" que consiste em
sobrepor faixas de pedestres com placas de
grama.

14
Hélio Oiticica rompendo os limites de categorias
artísticas, conferiu a suas obras possibilidades
experimentais dentro de uma estratégia e programa
que chamou de Programa Ambiental, caracterizado
pela procura de totalidades ambientais, não esta-
belecidas a priori, criadas segundo as necessidades
criativas nascentes.

Faixa de descalços, Salão de Maio Salvador,2004.

15
Experiências assumidas pelo próprio artista como
"autênticas experiências, manifestações ambientais,
sensoriais, participação pública" e apropriação ambien-
tal que teria com função "tirar o artista do marasmo
bodento dos ateliês" através da prática na rua, e acres-
centa Hélio ainda no catálogo da exposição
Whitechapel, "O museu é o mundo". Exemplos destas
expe-riências podem ser conferidas em trabalhos como
os Parangolés, o Bólide Área 1 e o Bólide 2.

Do Dicionário Aurélio : Ambientar; adaptar-se a um


meio. Ambiência, meio em que vive um animal, vegetal.
Ambiente que envolve ou rodeia, diz-se do ar que nos
rodeia. Esfera, círculo, meio em que vivemos. Situação,
reação favorável.

Assim Ambiental foi o termo que encontrei para tratar do


amplo perímetro que envolve estas proposições

16
Bólide área 2, Hélio Oiticica.

Parangolé.

17
Relacional: termo em si já propositivo, mas que transbor-
da quando utilizado à luz do tratamento que a artista Lygia
Clark fez dele.

Do Dicionário Aurélio: Relação; analogia, semelhança,


conexão, trato social, convivência, intimidade. Relacionar;
fazer ou adquirir relações, ligar-se, travar conhecimento,
confrontar, estabelecer relação.

Já em 1968 Lygia Clark dedica-se à exploração sensorial


como no trabalho "A Casa é o Corpo. Entre 1970 e 1976,
reside em Paris, lecionando na Faculté d´Arts Plastiques
St. Charles, na Sorbonne.

Caminhando, Lygia Clark.

18
Nesse período sua atividade se afasta da produção de
objetos estéticos e volta-se sobretudo para experiências
corporais em que materiais quaisquer estabelecem
relação entre os participantes. Retorna para o Brasil em
1976; dedica-se ao estudo das possibilidades terapêuti-
cas da arte sensorial e dos objetos relacionais. Sua
prática fará que no final da vida a artista considere seu
traba-lho divergente à arte e próximo da psicanálise.
Trabalha no sentido da experimentação, do encontro de
soluções próprias, integrando autor, obra e fruidor.

Na obra "Caminhando" experimenta um espaço sem


avesso ou direito, frente ou verso, percorrendo-o na
busca da compreensão do mesmo, como diria Hélio
Oiticica em seu Esquema Geral da nova Objetividade
Brasileira "de onde se desenvolveu o processo da
artista que culminou numa descoberta do corpo
(...)numa forte estruturação ético-individual" . Inicia
então trabalhos voltados para o corpo, que visam ampli-
ar a percepção, retomar memórias ou provocar dife-
rentes emoções. Neles, o papel do artista é de proposi-
tor ou canalizador de experiências.

19
Dedica-se à prática terapêutica, usando Objetos
Relacionais, que podem ser, por exemplo, sacos
plásticos cheios de sementes, ar ou água; meias-
calças contendo bolas; pedras e conchas. Na terapia,
o paciente cria relações com os objetos, por meio de
sua textura, peso, tamanho, temperatura, sonoridade
ou movimento. Eles permitem-lhe reviver, em contex-
to regressivo, sensações registradas na memória do
corpo, relativas a fases da vida anteriores à aquisição
da linguagem.

A poética de Lygia Clark caminha no sentido da não


representação e da superação do suporte. Propõe a
desmistificação da arte e do artista e a desalienação
do espectador, que finalmente compartilha na criação
da obra. Na medida em que amplia as possibilidades
de percepção sensorial em seus trabalhos, integra o
corpo à arte, de forma individual ou coletiva.

20
"Vou criar o que me aconteceu, só por que viver não
é relatável. Viver não é vivível. Terei que criar sobre
a vida. Criar não é imaginação é correr o grande
risco de se ter a realidade." 2
Clarisse Lispector

"O armário e suas prateleiras , a escrivanhia e suas


gavetas, o cofre e seu fundo falso são verdadeiros
órgãos da vida psicológica secreta. Sem estes "obje-
tos" e alguns outros igualmente valorizados, nossa
vida íntima não teria um modelo de intimidade. São
objetos mistos, objetos-sujeitos. Têm como nós, por
nós e para nós, uma intimidade." 3
Bachelard

21
Venho descobrindo toda uma metodologia para
projetar e realizar minhas experiências. Aqui
entram as agulhas de marear, as cartas de
marear e os estudos de campo imersivos. Sendo
as primeiras instrumentos básicos de trabalho:
lápis, bússola e mapas, as segundas são cader-
nos, pastas e/ou malas nas quais organizo os
estudos, estes consistem nas expedições à
procura dos locais e na observação destes, tais
como de fluxos, contexto geográfico, usos recor-
rentes, habitantes locais e entorno.

C artas de Marear
+
Agulhas de Marear
+
Derivas
=
E studos de C ampo Imer sivos

22
3. Cartas de Marear_ Linhas de Rumo

"O espaço convida à ação, antes


da ação a imaginação trabalha" 4
Bachelard

Tenho um lápis e mil sonhos.


Afino-o como quem afina
o violão e risco a música
que toca ao meu ouvido.

Depois, os pregos,
os parafusos, a furadeira,
a tico-tico, muitas dobradiças,
alças e o martelo.

Procuro então micro ambientes vivos,


micro organismos restantes.
Locais de silêncio, plataformas
de convívio, de respiro, de descanço.

23
Caricatura Hundertwasser por Dieter
Zehntmayr no jornal Neue Krone
Zeitung, 16 janeiro de 1991.

24
A "Todo espaço realmente habitado traz a noção de casa
Casa (...) a imaginação trabalha neste sentido quando o ser
encontrou o menor abrigo: veremos a imaginação constru-
ir "paredes" com sombras impalpáveis, reconfortar-se com
ilusões de proteção (...)O ser abrigado sensibiliza os lim-
ites do seu abrigo.” 5

"Por que a casa é nosso canto no mundo. Ela é, como se


diz amiúde, nosso primeiro universo." 6
Gaston Bachelard

Adentrar no espaço da casa é experiência surpreen-


dente. Ainda mais quando se considera a organização
do espaço como reveladora do ser que o habita. Nas
palavras de Gaston Bachelard em seu livro A poética
do Espaço: "somos o diagrama das funções de habitar".
O termo “imó-vel” jamais deveria ser empregado para
se referir a casa, vista aqui, como entidade e organis-
mo, esta é uma idéia amplamente discutida na disser-
tação de Caio Vassão.

Primeiramente, casa vem suprir a necessidade básica


do ser: proteger-se, aninhar-se. Ela está associada a
própria noção de sobrevivência. Para tal os seres criam
estruturas de proteção, que muitas vezes se inspiram e
se ajustam à primeira e última instância de proteção: o
próprio o corpo.
25
Marcus Peruzzi em sua monografia traz a imagem
do homem primordial que, expulso do paraíso, leva
as mãos sobre a cabeça para proteger-se. Chovia
muito. Este homem percebe então que debaixo das
árvores chovia menos, mas ainda não estava prote-
gido. Passa então a observar os espaços entre as
rochas e a recolher folhagens para construir seu
primeiro abrigo. Logo este homem descobre caver-
nas naturais. No entanto este homem não estava
sozinho e não havendo cavernas para todos,
começaram a pegar estacas e cobri-las com folhas
de árvores. Após as tempestades era possível
encontrar fogo, vindo dos céus nos raios.

Os homens foram aprendendo a dominá-lo e leva-lo


para seus abrigos. De acordo com o local, as neces-
sidades de proteção variavam. Portanto o local era
determinante na forma e desempenho do abrigo.

26
A partir destas necessidades, estes homens bus-
caram novas soluções, percebendo que a própria
terra poderia fornecer acolhimento. Alguns passam a
cavar, esculpindo seus abrigos no solo, transforman-
do-os em "cuevas". As vezes cavavam na própria
rocha como é o caso de alojamentos trogloditas em
Túnez.

"cuevas" extraído do trabalho de graduação de


Marcus Peruzzi.

27
Trago estas imagens mitológicas para refletir sobre as
primeiras instâncias de proteção do homem e como
este é capaz de criar soluções e adaptar-se a um meio,
sendo o local determinante desde o princípio, a partir do
qual este homem se organiza no mundo. "O espaço era
concebido com medidas do seu próprio corpo, como
polegada, o palmo, os pés. O abrigo era concebido na
escala humana, refletindo sua esfera pessoal" 7

28
Habitáculo, trabalho realizado no SPLAC,
I Salão de placas Imobiliárias, 2005.

29
Esta idéia de abrigo está muito presente no projeto
Murulhos, ainda em andamento que consiste em
construir "habitáculos" em cima de árvores localizadas
em canteiros a beira de vias de alta circulação de car-
ros. O primeiro Murulho foi construído a beira da
Marginal Tietê, num canteiro em frente a ponte da
Casa Verde durante o EIA em 2004. O segundo foi
construído na Bahia, num pequeno canteiro localizado
no cruzamento de vários viadutos, na Fonte Nova em
Salvador durante o segundo Salão de Maio, em 2004.

Murulho I, Marginal Tietê, novembro de 2004.

30
Murulho I, Marginal Tietê, 6 meses depois, maio de 2005.

31
"Já a rua tende a ser tomada, pelo discurso dominante por
um código que produz uma "fala totalizada, fundada em
mecanismos impessoais, onde leis e jamais entidades
morais como pessoas, são pontos focais e dominantes.
Ocorre uma reitificação abusiva de conceitos e relações,
numa visão onde ninguém rigorosamente poderá modificar
seu lugar" 8

Roberto da Matta

"Em vez de ficar passivo diante de um mundo que não o sat-


isfaz, ele vai criar um outro, onde poderá ser livre. Para
poder criar sua vida, precisa criar este mundo. E essa cri-
ação, como a outra, são parte de uma mesma sucessão
ininterupta de recriações. Nova Babilônia só poderá ser obra
dos seus habitantes, unicamente o produto de sua cultura."
9
Constant

32
a Rua

Parece-me mais fácil elencar e desenvolver os aspec-


tos e adjetivos relacionados a Casa, pois a Rua me
chega através de vivências e lembranças mais difíceis
de traduzir, qualificar, definir. Elas abrangem inicial-
mente as inúmeras cidades em que já morei; as via-
gens que tenho feito pelo Brasil e principalmente o
modo pelo qual passei a me relacionar com a cidade
depois das experiências, que tenho tido e ajudado a
organizar, nos encontros de artistas que têm como
foco de ação e reflexão o espaço público. São estes
encontros o Salão de Maio, o SPA e o EIA. Irei tratar
mais detalhadamente deles no próximo tópico.

Para o antropólogo Roberto da Matta "Não se pode


falar de casa sem mencionarmos o seu espaço gêmeo
a rua" 10 e é desta forma, por antítese, que pretendo
me aproximar da dimensão da rua, que aqui, quero
tratar.

33
Esta dimensão pode também ser apreendida quando
evocamos as expressões populares " O espaço lá
de fora", "Ser posto para fora de casa", "Vá para o
olho da rua", "Sem eira nem beira", "Estou na rua da
amargura", "Pelos trancos e barrancos".

Por estas expressões evidencia-se como a oposição


Casa/Rua é relevante para que se compreendam
estas duas formas de estar no mundo. Geralmente
estando uma relacionada ao espaço da intimidade,
do cuidado, da proteção, enquanto a outra refere-se
a um espaço impessoal, do descaso, do anonimato.
Como apresenta Roberto da Matta:

"A Rua é o inverso da casa, local do povo, do movimen-


to, da fluidez, do perigoso. Local de individuação e luta,
de malandragem. Comumente visto como algo movimen-
tado, propício de desgraças e roubos. O espaço público
e tudo o que ele representa revela-se como negativo,
quando visto de um ponto de vista autoritário, impositivo,
falho, fundado no descaso e na linguagem da lei, que
igualando subordina e explora." 11

34
Esta visão negativa do espaço público fundada no
descaso e na linguagem da lei é a qual tenho procu-
rado combater tanto na minha pesquisa poética como
na diversidade de movimentos com os quais tenho
me envolvido (coletivos, encontros, fóruns, debates,
festas populares brasileiras)
_ É na busca por outras relações e meios práticos
possíveis que estou propondo toda esta reflexão!

Para os Situacionistas que propunham uma arte dire-


tamente ligada a vida, uma arte integral, logo lhes
ficou claro que esta arte total seria basicamente uma
arte urbana e estaria em relação direta com a cidade
e com a vida urbana em geral, quando os habitantes
passassem de simples espectadores a construtores,
transformadores e vivenciadores de seus próprios
espaços, propondo mudanças de ambiências. "A arte
integral, de que tanto se falou só poderá se realizar
no âmbito do
urbanismo". 12

35
Para isto seria, e é necessária, uma mudança radical
na forma conformista com que é levada a vida. Esta
transformação envolve uma tomada de consciência
das condições de vida que nos são impostas e dos
meios práticos para mudar tal situação. Sendo impre-
scindível uma pesquisa da "disposição dos elementos
do quadro urbano em estreita ligação com as sen-
sações que eles provocam, além da definição de
algumas áreas provisórias de observação".13

Alguns trabalhos que tenho feito, e que venho a pro-


por nesta atual fase da minha pesquisa, estão direta-
mente relacionadas a estas premissas de Debord.
Como é o caso de "Murulho _Casa verde" e "Murulho
_Fonte Nova" já concretizados e dos "Puleiros de
Observação" projeto em andamento, que se utiliza de
equipamentos urbanos dispostos em alguns postes de
eletricidade.

36
Equipamentos urbanos, os quais estou estu-
dando para futuras
interações.

37
Ribanceira, 2005.

38
Tenho identificado inúmeros pontos de con-
vergência entre minha pesquisa bem como os
impulsos que me mobilizam e as propostas e
reivindicações situaicionistas. Mas vale ressaltar
uma diferença marcante. O programa situa-
cionista propunha-se a agir em escala macro-
estrutural, projetando na escala do urbanismo.
Minha pesquisa e meu trabalho atuam dentro de
uma dinâmica micro- estrutural, na escala do
indivíduo. Propostas que se dão num espaço
macro (da cidade) mas que trazem a noção do
indivíduo. Não um indivíduo alheio ao mundo e
sim observador e atuante.

39
Estudos para Ribanceira, que consistiu em construir uma escada de
perpendicular a Dr. Arnaldo.

Creio que o trabalho se redimensiona na medida


em que propõe o acesso, pelo corpo, a espaços
mais amplos, como ocorre no trabalho Ribanceira,
que consistiu em construir uma escada de corda e
madeira ligando a Avenida Sumaré e uma peque-
na praça perpendicular a Dr. Arnaldo. A escala
corporal transcende os limites da derme e
alcança a escala geográfica uma vez que conecta
estas escalas. participando ativamente na
construção de um lugar e na criação de sítios de
expe-riência, "meio de saltar escalas" diz Neil
Smith em seu texto sobre o trabalho veículo dos
sem teto do artista Wodicsko.

40
corda e madeira ligando a a Avenida Sumaré e uma pequena praça

Veículo dos sem teto, do artista Wodicsko.

41
EIA, Salão de Maio,
SPA, SPLAC e
Projeto Matilha.

Venho mapeando e participan-


do de encontros de artistas
interessados em refletir e atuar
no espaço público. Creio ser
fundamental apresenta-los aqui
na medida em que são iniciati-
vas criadas e levadas adiante
por jovens artistas interessados
em criar, experimentar e aplicar
novas formas de organização e reunião.
Verdadeiras plataformas de convívio que con-
stituem circuitos paralelos, ampliando o horizonte
de atuação. Estes encontros me remetem ao
conceito de "levante", trazido por Hakin Bey em
seu livro TAZ, Zona Autônoma Temporária. São
estes encontros: o Salão de Maio, o SPA e o EIA.

42
O primeiro deles é um "salão" de arte pública
organizado pelo Grupo de Interferência
Ambiental, o GIA, que aconteceu por dois anos
consecutivos, 2004 e 2005 na Bahia. O segun-
do, um encontro já na sua quinta edição organi-
zado por diversos artistas com amplo apoio da
prefeitura de Recife; o terceiro e, para mim mais
significativo na medida em que faço parte do
grupo desde a sua fundação em 2004, consiste
em um encontro de arte anual organizado por
um coletivo multidisciplinar interessado em
reunir, viabilizar e propor ações no espaço da
rua. A idéia é reunir os artistas e promover um
intercâmbio cultural sobre as ruas de São Paulo
num encontro que chamamos de Experiência
Imersiva Ambiental, EIA.

43
Uma semana de imersão no ambiente urbano, na
qual formamos uma grande equipe colaborativa
composta normalmente pelos responsáveis pela
organização do encontro, pelos artistas propo-
nentes que já residem em São Paulo, por outros
que chegam de diversos estados (os hospedamos
durante a semana imersiva em nossas casas e
ateliês) e todos aqueles interessados em partici-
par da mesma. No último encontro recebemos
artistas de Rondônia, Minas Gerais, Recife,
Fortaleza, Porto Alegre, Brasília e Rio de Janeiro.
Nosso intuito é criar uma zona de ação, reflexão e
interlocução. Momento e oportunidade de compar-
tilhar sonhos e anseios, de manifestar nossas
idéias de concepção e atuação no espaço, elabo-
rando-as de forma crítica e poética. Há trabalhos
de perfor-mances, oficinas, sons, apropriações,
interferências, ativismos, instaurações, pirações,
objetos, situacionismo, materiais em suporte gráfi-
co e intervenções. (www.eia05.zip.net)

44
Temos procurado dar continuidade a semana de
imersão, propondo outros projetos coletivos ao
longo do ano como foi o caso do SPLAC, do Baile
dos Espantalhos, do Interrogacidade e do Projeto
Matilha.

Dentro deste grupo atuo tanto como articuladora,


organizadora e proponente. Muitos dos trabalhos
que apresento aqui, foram realizados durante
estes encontros e contaram com a ajuda e partici-
pação de algumas pessoas que tornaram-se fi-
guras chave, divisoras de águas neste meu breve
percurso, são elas: os escoteiros Luís Parras e
Caio Fazolin; a dupla Machado, Flávio o eterno
companheiro e Sergio o explorador urbano; as sen-
síveis e catárticas Gisella Hiche, Milena Durante e
Marina Ronco; a pesquisadora Pricila Lolatta, o
pontual Gavin Adams, os poetas radioativos Felipe
Brait e Rodrigo Vitullo, o inseparável Hélio Ribeiro.
Os abençoados Tião Carvalho e Marinaldo, o
bonequeiro Fernando Mira, e o incrível Nietzche.

45
Alimento uma rede de laços dados, de braços fortes.
Cansados de tanto saber e ver o óbvio, e permanecer
calados. Juntamos os trapos, os cacos e rompemos as
cercas, saímos dos cascos. Propomos um despertar
contínuo, um desenvolver vontades, facilitar desloca-
mentos. Estar avesso a petrificação, a alienação, a
museificação da vida; ser simultâneo ao invés de contra,
criar alternativas e plataformas de convívio.

O método é encontrar as brechas e abrir as fendas,


observando as aglomerações, os excessos, as faltas, os
fluxos: estudos de campo imersivos. A prática é imergir,
potencia-lizando latências ambientais, constituindo
novas territorialidades, matrizes de dinâmicas horizon-
tais que estimulam a participação ativa e criativa dos
indivíduos, transeuntes, pedestres, parentes e amigos.

46
47
"O ninho do homem, o mundo do homem, nunca
acaba. E a imaginação ajuda a continua-lo." 14
Bachelard

"por tudo isso, não se pode misturar o espaço da rua


e da casa sem criar alguma forma de grave confusão
ou até mesmo conflito" 15
Roberto da Matta

" o esperado e o legitimado, é que a casa, a rua e o


outro mundo demarquem fortemente mudanças de ati-
tude, gestos, roupas, assuntos, papéis sociais (...)". 16
Roberto da Matta

Projétil para um Mundo Novo, 2004.

48
Reinventando a gramática dos espaços

Roberto da Matta
apresenta uma
visão da sociedade
brasileira como
constelação so-
ciológica com pelo
menos três
perspectivas com-
plementares entre
si: a casa, a rua e o
outro mundo. O antropólogo demarca claramente os
limites e apresenta as distinções entre estes espaços.
Me proponho a questionar tais limites e utilizar suas
especificidades para justamente criar relações entre
estes espaços, como acontece no trabalho "Projétil
para um Mundo Novo", no qual trago para dentro do
ambiente da casa condições de jardim, seja na
construção da cama de grama como no recolhimento
de materiais nos entulhos para compor o ambiente. Ou
quando levo a cama para o espaço do jardim.

49
"Você conhece algum lugar
que eu possa deitar?" Foi o
que me perguntou um senhor
deitado na porta da garagem
da minha casa, de modo que
era impossí-vel abri-la para guardar o carro. Meu
carro tem lugar no Mundo e eu não soube como
acolher aquele moço loiro quase moreno de
poeira, de olhos azuis. Subi e encontrei a casa
posta, tudo em seu devido lugar, me esperando.
Havia deixado uma música bem calma a fim de
manter o ambiente aquecido para quando eu
voltasse. Está quente aqui dentro e da janela
ainda dava para ver o moço, ele começara a falar
sozinho deitado em frente da minha casa num
cantinho do mundo. Levou as mãos dentro da
calça, permaneceu um tempo. Depois começou a
procurar nos bolsos. Frequentemente ajeitava o
cabelo e tornava a buscar nos bolsos.

50
Então sentou-se na sarjeta, desta vez buscou algo
debaixo da blusa. Sacou um boné amarelo, todo
dobrado, sacudiu o boné, ajeitou o cabelo, vestiu o
boné. Constantemente olhava para os lados como
se procurasse alguém, como se escolhesse para
onde ir. Vestiu o boné e permaneceu sentado e
olhou mais uma vez para cada lado. Tornou a levar
as mãos debaixo da blusa e encontrou uma cor-
rente. Tirou a corrente do pescoço, contornando o
boné, era uma medalha. Uma medalha bem grande
prateada. Pegou a medalha, olhou a medalha e a
levou novamente ao pescoço, guardando-a como
quem guarda um segredo. Começou a se levantar,
parecia estar pesado, insistiu ajudando com as
mãos. Ficou de pé tendo de buscar o equilíbrio,
escorou-se ao muro e permaneceu um tempo. Mais
uma vez olhou para os lados e permaneceu. Ainda
escorado no muro começou a caminhar, à esquer-
da, e desapareceu da minha janela. Pretendo
começar colocar estas camas de grama em praças
e cantos pela cidade.

51
Qual espaço eu procuro?
_ Beirais, limítrofes, pontes, espaços relacionais que se
inspiram dentro da "gramática da Casa" nas varandas,
janelas, portas, alçapões, porões, corredores, jardins,
quintais e terraços. Revelam-se dentro da "gramática
da Rua" nos muros, terrenos baldios, viadutos, pas-
sarelas, faixas de pedestres, praças e canteiros.

A gramática dos espaços revela especificidades, inti-


midades e padrões de nossa própria cultura brasileira e
em outra instância de nossa própria constituição
enquanto humanos, descontrui-la a fim de rearranja-la
é um exercício minucioso de observação ambiental e
pessoal que exige uma gama de ferramentas e proce-
dimentos os quais tenho reunido sob o termo Estudos
de Campo Imersivos.

52
“ Mas nossos espaços nem sempre são marcados pela
eternidade. Há também espaços transitórios e problemáticos
que recebem um tratamento muito diferente. Assim, tudo o
que está relacionado ao paradoxo, ao conflito ou à con-
tradição - como as regiões pobres ou de meretrício - fica num
espaço singular. Geralmente são regiões periféricas ou
escondidas por tapumes. Jamais são concebidas como
espaços permanentes ou estruturalmente complementares às
áreas mais nobres da mesma cidade, mas são sempre vistos
como locais de trânsitação: "zonas", "brejos", "mangues" e
"alagados". Locais limiares, onde a presença conjunta da
terra e da água marca um espaço físico confuso e necessari-
amente ambíguo". 17

Roberto daMatta

53
Hector Zamora, artista mexicano, é para mim referên-
cia ilustre desta perspectiva de reivenção da gramáti-
ca espacial, como podemos conferir em seu trabalho
Casa Paraquedista, no qual o artista constrói uma
habitação suspensa na parte exterior do Museo. Além
de construi-la, Zamora se propos a viver ali por três
meses, servindo-se da energia elétrica e da água do
museo. A entrada da casa foi construída sobre a escul-
tura que localiza-se na fachada do museo. Hector
Zamora e sua Casa Paraquedista, são para mim refe-
rência central no que diz respeito à criação e subver-
são estrutural e funcional, bem como à inauguração de
espaços.

Não poderia tratar de espaços inaugurais, sem men-


cionar o criador desta imagem, o poeta e amigo Mário
Chamie, que com a força de seu poema, “seu objeto
selvagem”, desde seu primeiro livro Lavra Lavra, têm
problematizado a questão do espaço da casa, do
urbano e do rural, transfigurando e estabelecendo
relações entre estes espaços.

54
Vista da Casa Paraquedista de Hector Zamora, México.

Casas que navegam pelas ruas e “lançam suas ânco-


ras no imóvel cais de um mar parado”, as mesmas que
“abrem todas as portas de tantas salas fechadas” e
assim “olham as auroras que nascem sem mais
espera. Auroras de pele fresca, doce marulho do
sangue” 18.

55
Espaço Inaugural

O espaço que se mede


E que se perde
não é o tempo perdido
da memória.

Esquece.
O tempo que se perde
É o mesmo que fenece
A cada hora.

Na hora do homem
em casa.
Na hora do homem
Na rua.
Na hora do espanto
Desse homem
Sem tempo
No espaço de cada canto.

Mas o cansaço do tempo


Que se perde
Não impede o espaço
Que se inaugura.

O espaço do homem
Na praça.
O espaço do homem
Em luta
Com a fúria de outro tempo
: sua surda fúria muda. 19
Mário Chamie

56
O JarDim

"nas cidades orientais, as praças e adros (que configu-


ram espaços abertos e necessariamente públicos)
servem de foco para a relação estrutural entre o indiví-
duo e o povo, a "massa, a coletividade que lhe é oposta
e o complementa. 20

"nas nossas cidades Ibéricas e brasileiras a praça abre


território especial, uma região teoricamente do povo,
uma espécie de sala de visitas
coletivas" 21
Roberto da Matta

Assim como a Rua têm espaços de moradia ou ocu-


pação, a Casa têm seus "espaços arruados" . Ambos
relacionam-se através do jardim. Roberto daMatta
trata da praça ou adros, como território especial, foco,
ponto de encontro, zona que assume a mediação de
temporalidades diferenciadas e problemáticas. É este
espaço fonte e local das práticas ambientais. Nos
estudos de campo imersivos, tenho percebido como
estes espaços já são utilizados por ocupações recor-
rentes, continuas e irregulares, ou mesmo por equipa-
mentos urbanos utilizados para manutenção do
espaço urbano ou operações de revitalização.

57
Estes usos da cidade me fazem reconhece-la como
campo de ação de todos. Me interessa e me instiga
dialogar com estas ocupações, propondo uma espé-
cie de intervenção sobre intervenções, apropriação
de estruturas, sugerindo outros usos possíveis.

Casa Lambida trabalho em andamento.

58
Casa Lambida, pretendo realizar na atual fase
desta pesquisa; consiste em uma inserção numa
das "rampas anti-mendigo" postas pela prefeitura
de São Paulo abaixo do viaduto da Paulista. Por
conta destas rampas, as pessoas seriam impedi-
das de utilizar este espaço para dormir. O que
ocorre é um deslocamento das mesmas para os
arredores. Manobra do governo que simplesmente
faz migrar o problema e evidencia uma política de
higienização e gentrificação em zonas de grande
especulação imobiliária dentro da cidade.

59
Alguns fatores me estimulam a concretizar este tra-
balho: primeiramente a minha perplexidade perante
tal estrutura, o que me levou a observa-la continua-
mente e a tentar verificar as mudanças no fluxo
local. Segundo a própria forma que foi dada ao con-
creto que logo se revelou para mim enquanto casa,
afinal como diria Gaston Bachelard "um sonhador de
casas vê casas em todas as partes, tudo serve de
motivação e abrigo".

Me pareceu muito curioso que na mesma época em


que realizei a "Ribanceira" no Viaduto Sumaré,
novembro de 2005, o jornal Folha de São Paulo
publicou uma matéria justamente sobre o descaso
das autoridades e o conseqüente deslocamento dos
antigos "moradores" do Viaduto da Paulista para o
Viaduto Sumaré.

60
Esta matéria de jornal me fez rever a Ribanceira,
evidenciou outras relações que se estabelecem
dentro da própria dinâmica do local e das transfor-
mações nos fluxos urbanos. Revelou-me toda uma
teia de relações onipresentes, que participam de
uma cadeia de ações e reações, reverberações e
reflexos; conexões entre este organismo que é a
cidade.

Em seguida no trabalho de graduação de Sueli,


entrei em contato com a seguinte frase de
Françoise Minkowska "Uma casa viva não é real-
mente imóvel e inclui os movimentos pelo qual se
chega a porta".

61
Pensei nesta Ribanceira, no acesso que ela oferece, nas
conexões que estabelece, no seu aspecto inclusivo.
Acredito neste percurso que a Ribanceira oferece como
o acesso pelo qual se chega a porta, uma porta que
agora irei materializar no Viaduto da Paulista, mas que
proponho que cada um de nós aventure-se a abri-la,
adentrando neste espaço que já não é nem Casa, Rua,
ou jardim mas organismo, corpo vivo!

Murulhos Tantos são todas estas tentativas juntas, os


murmúrios que me chegam, os mergulhos que encaro.
As muralhas que afastam, os muros todos e os galhos.
Murulhos Tantos são estas hipóteses, estes projéteis
para um Mundo Novo. Um Mundo no qual é permitido
sonhar e reinventar os acessos, abrir as portas e passar
por entre fendas, descobrindo outros locais, tempos e
realidades possíveis, espaços-tempo vitais.

62
Ribanceira, 2005.

63
Estas experiências, estas práticas ambientais,
surgem primeiramente enquanto sonhos, em traços
traçados nas paisagens que percorro todos os dias;
ruas, jornais, faróis, esquinas, canteiros e viadutos;
logo tornam-se esquemas, extensões nos cadernos
todos, cartas de marear; depois concretizam-se no
espaço, oferecendo e criando sítios de experiência.
Seguem instaladas na memória de quem viveu, uma
memória corporea, advinda da experiência, da
escolha feita frente ao que se apresenta ou se ocul-
ta. O espaço inaugurado, inaugura em nós um aces-
so, espaço constituinte.

Vista superior do Murulhho II, neste o telhado foi


inspirado nos terraços jardins de Huntertwasser.

64
Nada, nem ninguém
pode, neutralizar a
força e a potência
de uma experiência
vivida, de um per-
curso percorrido.
"Ancestrais desejos
nômades irrompem"
22, é preciso ocupar,
percorrer, derivar,
marulhar. O teto
ultrapassa os limites Ilustração de Hundertwasser,
o pintor das cinco peles.
da casa, do ateliê e
descobre-se céu. O corpo expande e descobre-se
célula, partícula de um organismo maior, transpes-
soal, interdependente. A cidade como morada, a
morada enquanto corpo.

65
Bibliografia

BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. Tradução


Antonio de Pádua Danesi. São Paulo Martins Fontes,
1993. Coleção Trópicos.

BEY, Hakim. TAZ: zona autônoma temporária.


Tradução de Renato resende e Patrícia decia. São
Paulo, Conrard Editora do Brasil, 2001. Coleção
Baderna.

CHAMIE, Mário. Objeto Selvagem. São Paulo, Quíron,


1977.

DAMATTA, Roberto. A casa e a Rua - espaço, cidada-


nia, mulher e morte no Brasil. 5º edição. Editora Rocco.
Rio de Janeiro, 1997.

DEBORD, Guy Ernest. "Introdução a uma crítica da


geografia urbana", in JAQUES, Paola Berenstein.
Apologia da Deriva: escritos situacionistas sobre a
cidade. Rio de janeiro, Casa da Palavra, 2003.

66
DEBORD, Guy Ernest. "Relatório sobre a construção de
situações e sobre as condições de organização e de
ação da tendência situacionista internacional", in
JAQUES, Paola Berenstein. Apologia da Deriva: escritos
situacionistas sobre a cidade. Rio de janeiro, Casa da
Palavra, 2003.

JAQUES, Paola Berenstein. Apologia da Deriva: escritos


situacionistas sobre a cidade. Rio de janeiro, Casa da
Palavra, 2003.

LENGEN, Johan Van. Manual do arquiteto descalço.


Porto Alegre, Livraria do Arquiteto, Rio de Janeiro, Tibá
2004.

RESTANY, Pierre. HUNDERTWASSER. O pintor rei das


cinco peles. Taschen, Alemanha.

SMITH, NEIL. "Contornos de uma política espacializada:


veículo dos sem teto e produção de escala geográfica",
in ARANTES, ANTONIO. O Espaço da
diferença.Campinas, SP: Parirus, 2000.

67
Fontes de pesquisa

Textos
BAHIA, Dora Longo. Gordon Matta Clark:
objeto a ser destruído. Dezembro 2000.

CHAIA, Miguel. Arte e política: situações.

FOUCAULT, Michael. Of other spaces.

OITICICA, Hélio. Esquema Geral da Nova


Objetividade.

Jornal folha de São Paulo

Web site Hector Zamora www.lsd.com.mx

Biblioteca FAAP

Cinecuble Prestes Maia


filmes Casa de Cachorro
Diário de Naná
À margem da imagem

68
Teses, dissertações e monografias

LAGNADO, Lizete. Glossário do Programa Ambiental


de Hélio Oiticica. Parte integrante da tese de
doutorado. USP, Departamento de Filosofia, São
Paulo 2003.

LAGNADO, Lizete. Mapa do Programa Ambiental de


Hélio Oiticica. Tese de doutorado. USP,
Departamento de Filosofia, São Paulo 2003.

PERUZZI, Marcus. Casa mínima: uma proposta para


a casa-embrião. Trabalho de graduação interdiscipli-
nar Arquitetuta e urbanismo, FAAP, 1994.

VASSÃO, Caio Adorno. Arquitetura móvel: propostas


que colocaram o sedentarismo em questão.
Dissertação de Mestrado, USP, FAU, São Paulo
2002.

69
Notas de fim

1.Oiticica, Hélio. Catálogo da exposição Whitechapel.


2.LISPECTOR, Clarisse. Água viva. Rio de Janeiro,
Franscisco Alves, 1993.
3.BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. Tradução
Antonio de Pádua Danesi. São Paulo Martins Fontes,
1993. Coleção Trópicos. Pg 91.
4.Idem. Ibidem. Pg 31.
5.Idem. Ibidem. Pg 25.
6.Idem. Ibidem. Pg 24.
7.PERUZZI, Marcus. Casa mínima: uma proposta para a
casa-embrião. Trabalho de graduação interdisciplinar
Arquitetuta e urbanismo, FAAP, 1994.
8.DaMatta, Roberto. A casa e a Rua: espaço, cidadania,
mulher e morte no Brasil. 5º edição. Editora Rocco. Rio de
Janeiro, 1997. Pg 50.
9.Costant, in JAQUES, Paola Berenstein. Apologia da
Deriva: escritos situacionistas sobre a cidade. Rio de
janeiro, Casa da Palavra, 2003. Pg 29.
10.DaMatta, Roberto. A casa e a Rua: espaço, cidadania,
mulher e morte no Brasil. 5º edição. Editora Rocco. Rio de
Janeiro, 1997. Pg, 55.
11.Idem. Ibidem. Pg, 55.
12.G DEBORD, G. "Relatório sobre a construção de situ-
ações e sobre as condições de organização e de ação da
tendência situacionista internacional", in JAQUES, Paola
Berenstein. Apologia da Deriva: escritos situacionistas
sobre a cidade. Rio de janeiro, Casa da Palavra, 2003.
Pg 43.

70
12.G DEBORD, G. "Relatório sobre a construção de
situações e sobre as condições de organização e de
ação da tendência situacionista internacional", in
JAQUES, Paola Berenstein. Apologia da Deriva:
escritos situacionistas sobre a cidade. Rio de janeiro,
Casa da Palavra, 2003. Pg 43.
13.DEBORD, G. "Introdução a uma crítica da
geografia urbana", in JAQUES, Paola Berenstein.
Apologia da Deriva: escritos situacionistas sobre a
cidade. Rio de janeiro, Casa da Palavra, 2003. Pg. 41.
14.BACHELARD, Gaston. A poética do espaço.
Tradução Antonio de Pádua Danesi. São Paulo
Martins Fontes, 1993. Coleção Trópicos. Pg. 116.
15.DaMatta, Roberto. A casa e a Rua: espaço,
cidadania, mulher e morte no Brasil. 5º edição.
Editora Rocco. Rio de Janeiro, 1997. Pg. 50.
16.Idem. Ibidem. Pg 48.
17.Idem. Ibidem. Pg. 45.
18.CHAMIE, Mário. Objeto Selvagem. São Paulo,
Quíron, 1977. Pg. 45.
19.Idem. Ibidem. Pg. 31.
20.DaMatta, Roberto. A casa e a Rua: espaço,
cidadania, mulher e morte no Brasil. 5º edição.
Editora Rocco. Rio de Janeiro, 1997. Pg. 43.
21.Idem. Ibidem. Pg.44.
22.JAQUES, Paola Berenstein. Apologia da Deriva:
escritos situacionistas sobre a cidade. Rio de janeiro,
Casa da Palavra, 2003. Pg. 11.

71