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Cultura, Design e Desenvolvimento Sustentável:

Um experimento no Cabo de Santo Agostinho

Culture, Design and Sustainable Development: an experiment in


Cabo de Santo Agostinho.

Cavalcanti, Virginia Pereira; PhD; Universidade Federal de


Pernambuco; cavalcanti_virginia@hotmail.com Campos, Célia; PhD;
UFPE; celiamcampos@gmail.com Andrade, Ana Maria; M.Sc.; UFPE;
anamariadeandrade@gmail.com Silva, Germannya D´Garcia de Araújo;
M.Sc.; UFPE; germannya@yahoo.com.br Rodrigues, Josivan; Bacharel;
josivan_rodrigues@hotmail.com Cordeiro, Erimar José; Bacharel;
erimouse1@hotmail.com Vale, João; estudante; UFPE; jonovale@gmail.com
Costa, Quésia; Bacharel; quesiacosta@gmail.com

Resumo

O ensaio apresenta as experiências do projeto Imaginário Pernambucano


junto aos artesãos ceramistas do Cabo de Santo Agostinho. A metodologia
multidisciplinar utilizada valoriza a cultura local e investe em experimentos
que encorajam a implementação de novas idéias, ao mesmo tempo em
que respeita as expressões tradicionais da comunidade. Necessidades de
melhorias na qualidade da matéria-prima, no processo produtivo e nos
produtos são atendidas ora inserindo novas tecnologias, a exemplo da
instalação de forno utilizando o gás natural, ora utilizando ferramentas de
design para o desenvolvimento de novos produtos que buscam um melhor
posicionamento daquela produção no mercado e a sustentabilidade do
grupo.
Palavras Chave: artesanato, tecnologia, design

Abstract

This paper relates the experience of Imaginário Pernambucano project


among those craftsmen who make clay pottery in the city of Cabo de Santo
Agostinho, Pernambuco. A multidisciplinary methodology has been used
in order to improve both product and process. In addition, the cultural
approach helps to better understanding their values as well as introduces
new ideas. Some tools are used and new technology is installed to attend
technical needs and to improve sales demands. To assure the sustainability
of the group, new products are developed, reaching the market gools and
adding values to their production.
Keywords: craftsmanship, technology and design.

7° Congresso de Pesquisa & Desenvolvimento em Design


Introdução

Os valores da cultura pernambucana, tão reconhecidos na produção


musical, nas manifestações populares e no artesanato, são temas que
despertam cada vez mais o interesse de professores, estudantes e técnicos
de diferentes áreas do conhecimento.

Neste artigo será apresentada a experiência de designers, comunicadores


e engenheiros no trato de questões relacionadas ao artesanato em barro
produzido no Estado de Pernambuco. Tendo como suporte o modelo de
intervenção desenvolvido e utilizado pelo Projeto de Extensão Imaginário
Pernambucano, este ensaio objetiva lançar bases para discussões futuras,
não cabendo aqui a avaliação ou comparação com outros modelos ou
métodos de intervenção utilizados no país.

Muito embora, como se verá neste artigo, este processo de intervenção


possa ser caracterizado como pesquisa-ação1, não é intenção aqui
discutir detalhadamente sua abrangência ou escopo, uma vez que a sua
caracterização acontece de forma intrínseca as ações. Trata-se apenas de
descrever os percursos e resultados obtidos com esta experiência.

O foco da ação é o município do Cabo de Santo Agostinho, situado no


litoral sul do estado distando cerca de 40 km do Recife, capital do Estado.
Localizado da mata sul, zona canavieira, o município do Cabo dispõe
de recursos naturais que se transformam em atrativos turísticos e de
potencialidades econômicas que repercutem no desenvolvimento de todo
o Estado, a exemplo do Complexo Portuário de Suape. Mesmo com todo
esse potencial o município apresenta índices que apontam à necessidade
de geração de emprego e renda, bem como a criação de políticas públicas
e mecanismos que ampliem a inclusão social2.

Nesta paisagem diversificada de grandes indústrias, complexos hoteleiros e


engenhos de açúcar, convivem atividades produtivas industriais e artesanais,
estas últimas empregando uma mão-de-obra com boa qualificação sem,
entretanto, contar com informações e tecnologias atualizadas.

1 As imagens do Cabo de Santo Agostinho apresentam sua paisagem e o complexo


portuário de Suape-PE.

Diante deste cenário e com o objetivo de fortalecer a produção artesanal em

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cerâmica do Cabo de Santo Agostinho, o projeto Imaginário Pernambucano
iniciou em 2003 os trabalhos junto ao grupo de oleiros situados no espaço
Mauriti, tradicional centro de produção de cerâmica utilitária.

O Cabo de Santo Agostinho: uma história

A história da produção utilitária em cerâmica no Cabo de Santo Agostinho


remonta aos tempos da colonização. Durante séculos, as olarias de
propriedade dos engenhos produziram apenas tijolos e telhas para atender,
exclusivamente, às necessidades da principal atividade econômica da
zona da mata sul de Pernambuco. Com o passar do tempo, as olarias
começaram a confeccionar moringas, jarras, panelas, potes, alguidar e o
prato de curau. A comercialização do excedente destas peças permitiu que
os oleiros ou artesãos conquistassem, pouco a pouco, o reconhecimento
pelas suas habilidades.

Depoimentos de antigos artesãos revelam que no início do século XIX as


pequenas fábricas de cerâmica já eram mais conhecidas pela alcunha de
seus mestres oleiros do que pelo vínculo com os engenhos da região.

Filho e sobrinho de ceramistas, seu Cele relembra com saudade dos tempos
na olaria dos irmãos Manuel e Eliotério Nascimento da Paz. Foi nela, que
aos onze anos de idade, o mestre começou a aprender o ofício, ajudando
a dar acabamento nas peças. De acordo com depoimento do Sr. Cele, na
década de 50, um dos filhos de Eliotério viajou até o Rio de Janeiro e lá,
aprendeu a confeccionar filtros d’água, introduzindo a técnica no Cabo de
Santo Agostinho.

Após alguns anos, Seu Cele comprou um galpão e abriu seu próprio
negócio. Hoje é uma referência enquanto artesão por sua criatividade e
qualidade no acabamento de seus produtos. Aos 65 anos, é também uma
liderança local, reconhecido por todos pela sua experiência.

De acordo com o seu relato, já nos anos 70, a partir da introdução de


novas tintas e vernizes na cerâmica utilitária e nos objetos artesanais
confeccionados no Cabo de Santo Agostinho, a produção da cerâmica
utilitária artesanal teve um crescimento significativo. O aumento pela
demanda da produção, fez o Seu Cele incentivar o surgimento de novas
olarias e ensinar o ofício a dezenas de pessoas.

Entretanto, no início dos anos 90, a demanda pela produção começou


a decrescer. A qualidade das peças já não condizia com os padrões
estabelecidos pelo mercado e a escassez de novos produtos dificultava a
manutenção e ampliação das vendas.

Fonte geradora de emprego e renda para centenas de famílias, muitas


olarias fecharam as portas e, de acordo com dados da Associação de
Ceramistas e Artesãos do Cabo de Santo Agostinho, atualmente existem

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no município apenas 25 unidades produtivas de pequeno e médio porte e
aproximadamente dez produtores individuais.

Diante desse quadro, coube ao projeto Imaginário Pernambucano o


desafio de junto aos artesãos e outros parceiros, definir uma estratégia de
intervenção que fortalecesse a produção artesanal da cerâmica utilitária no
Cabo de Santo Agostinho.

A metodologia do Imaginário Pernambucano

A metodologia multidisciplinar desenvolvida pelo projeto Imaginário


Pernambucano tem como foco principal à comunidade artesã e o seu
produto. Com base nos eixos design, produção, gestão e mercado que se
apóiam no estabelecimento de parcerias, no fortalecimento da comunicação
e nos princípios de sustentabilidade, a equipe técnica interage com a
comunidade artesã visando à construção e fortalecimento do projeto
coletivo desse grupo alvo.

2 A representação gráfica do Modelo de Intervenção do Imaginário Pernambucano traduz


os eixos principais de atuação com foco na comunidade artesã e no produto.

É importante ressaltar, entretanto, que o modelo por si só não garante


resultados exitosos, apesar da sua aparente versatilidade. A valorização
da cultura local, o respeito às diferenças e a construção de um projeto
coletivo são princípios que devem nortear as ações, sem perder de vista à
melhoria da qualidade de vida da comunidade em foco, principal resultado
almejado pelo projeto.

Aplicação da metodologia: gestão para o


desenvolvimento

A aplicação do modelo no Cabo de Santo Agostinho, no que diz respeito


à gestão, contou com uma abordagem psicossociológica3, isto é, associou
aos conceitos tradicionais de gestão contribuições das áreas de sociologia e
psicanálise, favorecendo novas construções de vínculos e desenvolvimento
de relações de poder.

Nesta perspectiva foram considerados os diferentes níveis de realidade,


isto é, o indivíduo, o grupo, a organização e o macro-ambiente bem
como as dimensões econômica, política, ideológica e sociopsicológica.
Esta abordagem permitiu compreender e implementar o modelo gestão
empregado com o grupo de artesãos do Cabo.

Sem perder de vista o resultado, mecanismos de gestão foram incorporados


para facilitar a construção e explicitação de um desejo coletivo. Esse desejo,
submetido a uma avaliação estratégica, transformou-se num desafio com
o seguinte enunciado: “Manter e ampliar o grupo, comprometido com o

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projeto, investindo em qualidade e diversificando a sua produção para
ampliar a inserção dos seus produtos no mercado. Consolidar e ampliar os
apoios institucionais.” Este desafio foi elaborado pelos artesãos e equipe
do Imaginário Pernambucano, durante as oficinas.

A participação e o compromisso com o projeto foram construídos a


partir de um plano de ação, com a definição das atividades, os prazos de
realização e os responsáveis pela coordenação de cada tarefa.

A partir de encontros semanais com a equipe técnica, as informações eram


compartilhadas, alimentando um ambiente de experimentos e aprendizado,
vivenciado por técnicos e artesãos. Erros e acertos foram discutidos e re-
elaborados de forma transparente para o conforto de todos os participantes.
Assim, a cada reunião, quando novas necessidades apontavam, o plano de
ação tomava novas dimensões.

Algumas questões puderam ser explicitadas com relação à cultura


organizacional daquele grupo produtivo: a forma empírica de calcular
custos e atribuir preços aos produtos, a necessidade de tomar notas das
reuniões e até mesmo, a criação de um espaço/tempo4 para troca de
informações. Para isto, alguns instrumentos foram criados e continuam a
ser aprimorados, tais como modelos de pautas, atas de reunião e fichas de
acompanhamento de produção.

Design

Na natureza da atividade do artesão está evidente a criação de objetos,


assim, o colocar a mão na massa foi de imediato demandado pelos
artesãos. No entanto, o cuidado no reconhecimento dos valores locais,
da potencialidade individual e dos limites tecnológicos demandou um
momento maior de interação.

Conversas informais trouxeram grandes descobertas. Sem perder suas


referências locais, mas comprometidos em construir um diálogo entre a
tradição e a inovação, os artesãos foram estimulados pela equipe técnica do
Imaginário a conhecer novos universos, por meio de visitas a exposições,
feiras e apresentação de imagens da produção cerâmica contemporânea
internacional.

O contato com os diversos repertórios instigou a criatividade do grupo, ao


mesmo tempo em que acendeu a lembrança da produção passada. O clima
de redescoberta e desafio facilitou a equipe técnica estruturar oficinas
que buscaram compatibilizar as referências locais e potencialidades
individuais, com a identificação de uma produção coletiva.

Como resultado, surgiram peças que, por suas características formais


e de uso, apresentam as referências locais em consonância com uma
linguagem universal. Novas linhas de produtos foram criadas condizentes

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com a demanda e compatíveis com tendências do mercado. Tomando
partido do uso de elementos vazados e da versatilidade funcional, das
mãos dos talentosos ceramistas surgiram produtos mais sofisticados e
contemporâneos.

3 Produtos do Cabo de Santo Agostinho. Á esquerda, detalhe de empilhamento de filtros


na área interna do forno e totem desenvolvido com a mesma matéria-prima e sistema de
encaixe. À direita, vasos flor, dedal e pingos, produtos desenvolvidos coletivamente.

Produção

No que diz respeito à produção propriamente dita, esta considerou


questões relacionadas à matéria-prima, tecnologia, processos produtivos
e o meio-ambiente. O barro, matéria-prima utilizada, é até hoje, extraído
de jazidas da própria região. Entretanto, com o crescimento da cidade
adquirir a argila foi ficando cada vez mais difícil e em 1985, com o intuito
de buscar saídas para essa questão foi fundada a Associação de Ceramistas
e Artesãos do Cabo de Santo Agostinho.

Durante 10 anos a extração do barro foi regulamentada por um contrato


de comodato. A partir de 1995, o formato jurídico foi alterado e hoje a
permissão de retirada do barro é concedida pelo Complexo Industrial e
Portuário de Suape, anualmente com a permissão do IBAMA.

Esse novo formato exige maior planejamento e organização da Associação


de Ceramistas e Artesãos do Cabo. As interrupções na produção e
fornecimento de produtos, causadas pela falta de entendimento e
providências de todos os envolvidos nos trâmites de burocráticos para
a extração da matéria-prima confirmam a afirmação nossa afirmação
inicial.

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O barro, extraído de jazidas locais, é rico em matéria orgânica, característica
que lhe confere grande maleabilidade. O tauá, barro vermelho, com
grande concentração de óxido de ferro, é muito utilizado como tinta na
ornamentação de peças.

A produção de telhas e tijolos é realizada a partir da compactação da


matéria-prima. Entretanto, a produção de utilitários de mesa, produtos
que apontam maior demanda do mercado, exige um tratamento mais
cuidadoso no seu preparo. Nesse sentido, o Imaginário Pernambucano
articulou uma parceria com o Instituto Tecnológico de Pernambuco, para
estudar e sugerir soluções de beneficiamento daquela da matéria-prima,
o desenvolvimento de esmaltes e o projeto de um forno alimentado a gás
natural.

No momento, experimentos estão sendo realizados no sentido de


caracterizar o comportamento dos materiais sobre os aspectos de:
absorção de água, porosidade aparente, massa específica, retração, tensão
de ruptura de flexão e cor. Em paralelo, está em andamento o estudo de
um esmalte adequado a essa nova argila, que queimado a temperatura de
800º poderá baixar a absorção de água e caracterizá-la como um produto
vitrificado5. Nesse caso, também serão introduzidos novos maquinários
para o beneficiamento da matéria-prima (moinho, laminador e maromba),
que depois de seca, moída e misturada com outros materiais será extrudada,
antes da moldagem das peças no torno.

Ainda a respeito da produção, uma inquietação dos artesãos, representada


na pergunta “Por que a gente trabalha tanto e não ganha dinheiro?”
incentivou a equipe técnica a buscar, rapidamente, na prática algumas das
respostas.

Para responder a pergunta do artesão Zé da Charneca, à equipe do Imaginário


utilizou conceitos de engenharia de produção. Pequenas mudanças foram
implementadas nas tradicionais olarias do espaço Mauriti. Entre elas,
o descarte de objetos sem utilidade, a limpeza dos espaços internos e
externos, a organização das ferramentas, a organização dos estoques, a
separação dos espaços de produção e venda, entre outros. Com isso foram
diminuídas perdas provocadas pelo deslocamento e transportes de peças
assim como alguns custos foram minimizados.

Desenvolvimento e sustentabilidade

Para direcionar a nova produção foi tomado como benchmark 6 a cerâmica


produzida na Serra Capivara, hoje uma referência de cerâmica artesanal.
Sua configuração considera referências locais, a partir de ilustrações
rupestres aplicadas em superfícies que dão forma a objetos utilitários
de mesa. Este conjunto de produtos, com alto valor agregado, pode ser
encontrado em grandes lojas de decoração e artesanato de todo o país.

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No caso do Cabo, para se obter as características de tratamento de superfície,
em utilitários de mesa, apropriadas ao mercado nacional e internacional, é
necessário dispor de forno que tenha uma temperatura constante de queima
elevada (800º). A partir destas informações, foi elaborado um projeto de
forno alimentado a gás natural para atender aos artesãos, em parceria com
o Banco do Nordeste do Brasil, a Companhia Pernambucana de Gás e a
Prefeitura Municipal do Cabo de Santo Agostinho.

Em fase de implantação, a unidade do forno faz parte de um projeto maior,


o Centro Artesanal em Cerâmica, que está sendo construído às margens da
PE-60, rota de grande fluxo turístico do Estado. O novo empreendimento
tem impacto, principalmente, em três áreas: ambiental, infra-estrutura
e capacitação. A primeira, com o uso do gás natural em substituição à
madeira, contribui para a preservação dos resquícios de mata atlântica
existentes na região e a diminuição na poluição atmosférica. A segunda,
com a construção do edifício e a instalação adequada de equipamentos,
garantirá à melhoria da qualidade do espaço produtivo, além de permitir,
com segurança a transferência de tecnologia, e finalmente, um programa
de aperfeiçoamento e formação de jovens artesãos possibilitará a inclusão
de jovens no mercado de trabalho.

Essa iniciativa garantirá a sustentabilidade do grupo e ao mesmo tempo


contribuirá para a preservação dos saberes locais, tão importante no
fortalecimento da identidade cultural do local e na diferenciação do
produto no mercado global. Vale notar que os eixos do modelo de atuação:
design, produção, gestão e mercado são abordados de forma conjunta sem
perder o foco na melhoria da qualidade de vida do artesão. O surgimento
do novo espaço produtivo reforçará o argumento para a melhoria dos
espaços já existentes.

Esses espaços, um conglomerado de oficinas e fornos a lenha, ainda


necessitam de melhorias, principalmente na infra-estrutura com especial
destaque para questões estruturais de pilares que suportam telhados,
madeiramentos de coberta e rede elétrica, bem como de equipamentos
para o beneficiamento da matéria prima. Para viabilizar estas melhorias,
o Imaginário Pernambucano elaborou projetos que foram submetidos a
agencias de fomento.

Os desafios não param por aqui. Hoje o projeto busca nos conceitos de
mercado justo e solidário, formatos de comercialização dos produtos do
Cabo, em parceria com instituições públicas e iniciativa privada.

Conclusões

Este projeto, uma construção coletiva, deve ser compreendido como


um processo, e por isso, não finalizado. É fundamental que o grupo de
artesãos esteja sempre receptivo a novos desafios, sejam de natureza
tecnológica, gerencial ou de mercado. É igualmente necessário reconhecer

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a importância das parcerias e do trabalho em rede, especialmente para a
complementação de competências e obtenção dos resultados desejados.

Neste sentido, o reflexo das experiências vivenciadas junto à comunidade


tem contribuído para na formação dos designers da Universidade Federal
de Pernambuco à medida que permite aos futuros designers dispor de
conhecimentos e ferramentas facilitadoras para uma nova possibilidade
de atuação profissional no Estado.

As experiências vivenciadas no Cabo de Santo Agostinho confirmam as


possibilidades de sustentabilidade advindas das parcerias entre setor público
e setor privado, a exemplo da parceria firmada com o SEBRAE PE e,
principalmente, da capacidade de resistência dos artesãos pernambucanos
em buscar, nesta atividade, meios para reavivar sua cultura e preservar
seus valores.

Para isso, o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento é fundamental,


pois pode contribuir para o desenvolvimento sustentável, a inclusão social
e geração de renda. A expectativa do Imaginário Pernambucano é que a
experiência vivenciada no Cabo de Santo Agostinho seja uma referência
para futuras intervenções no nosso Estado.

Referências
1 Thiollent define que pesquisa-ação “(...) é um tipo de pesquisa social com base
empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com
a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes
representativos da situação ou problema estão envolvidos de modo cooperativo ou
participativo.” THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo:
Cortez: Autores Associados, 1986. 108p.

2 Segundo informações do IBGE, aproximadamente 169 mil pessoas vivem atualmente


no Cabo de Santo Agostinho. Nos dados do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada, em 1998, o município possuía o terceiro melhor PIB per capita do estado e da
Região Metropolitana do Recife, estimado em U$5.140,00. Entretanto, 48,7% de seus
chefes de família ganhavam até um salário mínimo. No Censo IBGE 2000, o número
se reduz para 31,61% enquanto apenas 0,36 % deles apresentavam renda superior a 20
salários mínimos. No mesmo ano, o município estava entre as regiões consideradas de
médio desenvolvimento humano (IDH entre 0,5 e 0,8), com um IDH de 0,707. Atlas
do Desenvolvimento Humano no Brasil. p.5 (http://www.fjp.gov.br)

3 Cármem Cardoso defende que “com a psicossociologia, os conceitos psicanalíticos


puderam ser articulados a outros, no campo social, permitindo uma nova construção
sobre os vínculos organizacionais e, especialmente, sobre o desenvolvimento das
relações de poder, trazendo uma abordagem inovadora à Teoria da Organização.“
CARDOSO, C., CUNHA, F. Compreendendo a organização: uma abordagem
psicossociológica. Recife: Instituto de Tecnologia e Gestão, 2001. p.24.

4 O espaço/tempo referido, neste artigo, implica que os artesãos disponibilizaram o


tempo de sua produção e o espaço de sua oficina para realizar reuniões semanais e
discutir assuntos de interesse comum.

5 O tratamento de superfície apropriado para utilitários de mesa é obtido por meio do

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processo de vitrificação. Segundo os parâmetros da NBR 6220|80, a cerâmica branca
é classificada no grupo Vítreo quando a absorção de água está abaixo de 0,5%. Isto
significa que diminui significativamente sua porosidade.

6 Kotler considera que o benchmarking está relacionado a “não mais depender do auto-
aperfeiçoamento e passar a estudar ´o desempenho de empresas de classe mundial´
e adotar as ´melhores práticas´.“KOTLER, Philip. Administração de marketing: a
edição do novo milênio. São Paulo: Prentice Hall, 2000. p.49.

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