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Justiça e Igualdade

Carlos Augusto Parchen


http://www.cele.org.br/justica080404.html

Abordo aqui Justiça e Igualdade de um ponto de vista estritamente pessoal, sem se ater
a conceitos jurídicos ou definições filosóficas, mas baseado apenas nos sentimentos que
esse tema me desperta.

No ponto de vista do relacionamento humano e societário, Justiça pode ser entendida


como a correta distribuição de oportunidades e a correta aplicação de normas e
procedimentos, legais e societários, dentro de cada segmento cultural e ético. Nesse
sentido, a Justiça seria igualitária.

Justiça, de um ponto de vista mais amplo, é dar-se igual oportunidade a todos, e aplicar-
se a todos, indistintamente, a Legislação e as Regras Societárias e Éticas. Também nessa
abordagem, necessariamente a Justiça seria, por definição, igualitária.

Do ponto de vista do indivíduo, de dentro para fora, ser justo é respeitar o Direito e a
Liberdade do seu semelhante, bem como conduzir-se com retidão pelas regras éticas,
societárias e legais. Acrescentando nesse conceito a visão Espiritual, podemos ainda
acrescentar que também é conduzir-se em harmonia e consonância com as Leis
Naturais, ou seja, aquelas oriundas de Deus, e que regem todo o Universo.

Para conduzir-se de forma justa, a pessoa necessita respeitar o direito de seus


semelhantes. A liberdade do indivíduo e o seu direito têm o exato limite de onde
começam o direito e a liberdade do próximo. Um axioma que define essa situação é:
"...fazer e deixar fazer ao semelhante apenas e estritamente aquilo que permitiríamos em
relação a nós mesmos".

Dentro da ótica de abordagem que estamos apresentando, que não é jurídica ou


legalista, a Justiça, nas condições atuais de desenvolvimento da orbe terrestre, é
praticamente uma utopia, uma meta a ser perseguida, um sonho idealizado, pois as
oportunidades e os recursos não estão disponíveis de forma eqüitativa, e as normas
legais, societárias e éticas não são aplicadas com igualdade. Portanto, por definição, a
Humanidade Terrestre (ainda) não é justa.

No entanto, ao se analisar o indivíduo, não importando como este se situa na Sociedade,


este tem o dever e a obrigação de ser justo e igualitário, por dever moral, por obrigação
ética, por imposição legal e por definição de ser "filho" de Deus. Isso se aplica na vida
diária, na vida de relação, na vida societária, no dia-a-dia.

Para o indivíduo, buscar ser justo é evoluir, é educar-se, é preparar-se para a vida futura.
É um exercício constante, de aperfeiçoamento, de crescimento pessoal, de respeito e da
prática do amor ao próximo, exercitado em todos os atos da vida.

A mudança e evolução individual levará a construção da mudança societária, da mesma


forma que a um edifício é construído assentando-se cada pedra individualmente.
Cabe-nos, portanto, exercitar e aperfeiçoar a Justiça e a Igualdade nas nossas relações,
decisões e atos. A falta de Justiça e a desigualdade societária pesarão sempre em nossos
ombros, pelo menos enquanto não atingirmos, individualmente, a plenitude e beleza da
consciência tranqüila, que é edificada pela prática efetiva da Lei de Amor, pelos nossos
comportamentos e atitudes no construir e aperfeiçoar nossa existência.

Carlos Augusto Parchen


Curitiba, Paraná
abril de 2004
Centro Espírita Luz Eterna - CELE

www.carlosparchen.net
c_a_parchen@yahoo.com.br