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Questões Éticas em torno da atuação em psicoterapia 1

Adalto Barbosa Leal


Nalin Pereira Nobrega
Raphael Zardini Andrada
Vanessa Ester de Oliveira

Antes de iniciamos a discussão sobre a relação da ética com a psicoterapia daremos atenção a
conceituação isolada desses termos, e delas partiremos para o entendimento das questões
éticas em torno da atuação em psicoterapia.
A ética pode ser entendida como os princípios que regem a conduta de uma pessoa nas suas
mais variadas relações (BERLIM e FILHO et al GOLDIM E PROTAS, 2007). Já os deveres
éticos ou a ética profissional relaciona-se com as capacidades necessárias ou exigíveis para o
desempenho eficaz da profissão. ( SÁ, 2004)
Quanto à psicoterapia, de acordo com o artigo 1º da resolução 010/00 de 20 de dezembro de
2000, constitui-se enquanto um “processo científico de compreensão, análise e intervenção
que se realiza por meio da aplicação sistematizada e controlada de métodos e técnicas
psicológicas reconhecidos pela ciência, pela prática e pela ética profissional”. Tendo como
objetivo a promoção da saúde mental e também propiciar condições para o enfrentamento de
conflitos e/ou transtornos psíquicos de indivíduos ou grupos.
É importante considerarmos que a psicoterapia é o espaço no qual o paciente vai em busca de
recursos para lidar com as dificuldades que ele identifica em sua vida. A interação que se
instala a partir desta procura/desejo provoca uma troca entre parceiros, cliente e
psicoterapeuta, caracterizando um espaço de reflexão. Ao analisarmos a definição de
psicoterapia verificamos que esse método de tratamento vale-se da relação entre um
psicoterapeuta e um “paciente” e que por haver essa condição existe a necessidade de que as
condutas sejam regulamentadas por princípios comuns a todos os profissionais.
Ao citarmos a questão da regulamentação das condutas esbarramos na questão dos chamados
códigos de ética que se caracterizam por apresentarem uma concepção de homem e de
sociedade que determina a direção das relações entre os indivíduos.

1
¹ Texto produzido para o trabalho interdisciplinar dos alunos do 8º período do curso de Psicologia da
UNIMINAS. Uberlândia-MG – Novembro de 2009.
Ao descortinarmos o diálogo sobre as implicações éticas no contexto psicoterápico é
importante recorrermos, mais uma vez, à resolução nº. 010 de dezembro de 2000 que nos
apresenta diversas considerações a esse respeito. De acordo com a resolução supracitada é
dever ético do psicólogo sempre buscar um aprimoramento de sua prática. No entanto é
preciso que tenhamos uma reflexão crítica sobre essa condição de aperfeiçoamento, pois ela
não pode ser entendida somente como a formação acadêmica, mas também como
aperfeiçoamento pessoal para que se possa evitar que conflitos internos do próprio
psicoterapeuta influenciem o contexto psicoterápico.
No contexto relacional da psicoterapia é importante que o profissional mantenha sempre o
paciente informado sobre os métodos e técnicas utilizadas no tratamento e sobre seus limites e
possibilidades, pois agindo assim o profissional esta evitando o aparecimento de frustrações
frente aos verdadeiros resultados obtidos pelo processo psicoterapêutico.
Outro ponto importante de discussão ética no campo das psicoterapias diz respeito à escuta da
demanda sem julgamentos. É importante que o psicólogo esteja aberto a realizar uma escuta
livre sem julgamentos para que possa entender o sofrimento/demanda do ponto de vista do
“paciente” e para não impor seus pontos de vista ao paciente como se eles fossem às respostas
mais adequadas diante da situação apresentada.
A questão do sigilo das informações prestadas também deve ser debatida de forma acurada,
uma vez que essa condição é fundamental para o estabelecimento de uma relação empática e
de confiança entre o par analítico. Importante considerar que a quebra do sigilo vai além da
exposição e do desrespeito com a vida privada do paciente chegando a causar a quebra da
relação de confiança entre os envolvidos na análise o que leva consequentemente ao
rompimento do processo.

REFERÊNCIAS:
SÁ, Antonio Lopes de. ÉTICA PROFISSIONAL, São Paulo: Atlas, 2004.