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No Brain – No Gain

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Aliando Inteligência ao
Fisiculturismo

Tradução e compilação: André Díspore Cancian


Contato: Ateus@ateus.net

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No Brain – No Gain

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Sumário
Prefácio do Tradutor 7

Parte I – Esteróides: Teoria & Prática


Introdução ao Planejamento de Ciclos 11
Natureza e Funcionamento dos Esteróides 25
O Guia Completo para Utilização de Testosterona 31
O Mecanismo de Ação dos Esteróides a Nível Celular 45
Uso Feminino de Esteróides 48
Perfil da Droga: Durateston 56
Perfil da Droga: Hemogenin 59
Noções & Procedimentos Básicos sobre Injeções 61

Parte II – Perda de Peso & Definição


Ciclos de Definição 67
Cetose: Noções Básicas 71
Perguntas Freqüentes sobre a Dieta Cetogênica 78
Queima de Gordura Localizada: o Mito que Vende 107
DNP & Insulina: uma Mistura Perfeita 113
DNP 128
Fatos Básicos sobre DNP 133

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No Brain – No Gain

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Prefácio do Tradutor
Este compêndio de artigos foi criado com o intuito de
promover a educação sobre o funcionamento e o uso das substâncias
vinculadas à prática do fisiculturismo. É claro que, com isso, não se
pretende incentivar ou mesmo fazer parecer que é possível tornar a
prática isenta de riscos através da educação. Pode-se, é verdade,
diminuí-los muito, mas nunca erradica-los totalmente. Riscos, como
sabemos, existem em todos os lugares e em todos os tempos. Até o
uso indevido de aspirina tem seus riscos. Praticamente tudo que
desejamos tem seu preço, temos de correr riscos o tempo todo pela
vida inteira.

Já estamos cansados de toda essa demonização dos esteróides


que vem sendo feita pela mídia. Esteróides são substâncias
projetadas para serem utilizadas com segurança, não são venenos
mortais que transformam pessoas em sacos de músculos podres por
dentro do dia para a noite. Pegam-se exemplo infelizes de indivíduos
sem o menor bom-senso na utilização dessas substâncias, e então
tentam fazer parecer que toda e qualquer pessoa que chegar perto
delas sofrerá todos os efeitos colaterais que aquele indivíduo teve.
Isso é tão absurdo quanto dizer “um amigo meu tomou 50 aspirinas e
morreu; então nunca tome aspirina, pois elas são muito perigosas”.
Bem utilizados, os esteróides podem ser as substâncias que
auxiliarão você a ter o corpo de seus sonhos sem sacrificar sua

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No Brain – No Gain

saúde, fazendo de você uma pessoa mais autoconfiante, feliz e


satisfeita consigo mesma.

A idéia aqui é simplesmente ajudar àqueles que já se


decidiram quanto a isto; isto é, decidiram que este risco vale a pena
ser corrido. É claro que esta é a questão pessoal mais importante que
deve ser respondida antes de se pensar na utilização de substâncias
farmacológicas. “Eu quero isto tanto assim que os riscos valem ser
corridos?” Se a resposta for sim, então este livro é para você.
Através dele, esperamos, será possível encontrar os modos mais
seguros de alcançar seus objetivos, minimizando alguns efeitos
colaterais e evitando outros. É claro que sempre se deve contar com
auxílio de um profissional da área médica que supervisione e
monitore a saúde em seus pormenores.

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Parte I

Esteróides:
Teoria & Prática

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No Brain – No Gain

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Introdução ao
Planejamento de Ciclos
Por Bill Roberts

Introdução
Estaremos, aqui, apenas discutindo – e não incentivando – o
uso de esteróides. Assim, o dilema “usar ou não?” fica por conta de
cada um.

Este artigo pretende tratar de questões básicas como, por


exemplo, “qual esteróide devo usar? Quais dosagens? Por quanto
tempo? Pode-se utilizar mais de um tipo ao mesmo tempo?”. É
importante lembrar que não existe nenhuma “fórmula geral” que se
aplique a todos.

A primeira coisa a ser levada em conta é “quais são os


objetivos?” e talvez a segunda seja “esses objetivos são razoáveis,
sensatos?”. Muito freqüentemente me deparo com pessoas que
desejam ganhar enormes quantidades de massa muscular ao mesmo
tempo em que perdem gordura e ainda por cima utilizando as drogas
mais seguras e “brandas” possíveis. O que essas pessoas deveriam
fazer é traçar objetivos que não sejam contraditórios. Neste artigo

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No Brain – No Gain

nós iremos considerar objetivos – razoáveis, é claro – e discutir


modos de alcançá-los.

Todas as considerações feitas aplicar-se-ão apenas a


indivíduos do sexo masculino. Mulheres devem usar doses muito
mais reduzidas para evitar problemas de virilização; até doses baixas
podem causar engrossamento irreversível da voz, aumento piloso
(também facial), etc. O uso feminino de esteróides é um caso à parte
que não será tratado neste artigo.

Massa muscular
Consideremos o primeiro objetivo mencionado: ganho de
massa muscular. Os objetivos dependerão em grande parte de quão
avançado é o atleta e/ou usuário. Uma pessoa com 20kg de massa
muscular além do que conseguiria desenvolver naturalmente, e que
deseja acumular ainda mais, simplesmente não conseguirá qualquer
resultado utilizando 500mg de testosterona. Na melhor das hipóteses
essa dose o ajudará a manter a massa muscular já adquirida (em vez
de perdê-la gradativamente). Tal indivíduo provavelmente não
conseguirá alcançar seus objetivos usando menos de um grama de
esteróides injetáveis por semana em conjunção com pelo menos
50mg/dia de algum oral. Talvez seja necessário ainda mais que isso,
pois o indivíduo já superou de longe seu limite natural, e ganhar
ainda mais não será fácil.

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

E aquela pessoa que, após vários anos de treinamento, chegou


ao seu limite genético sob condições naturais? Ela provavelmente
conseguiria excelentes resultados com os mesmos 500mg de
testosterona (por semana).

E o indivíduo ainda distante de seus limites naturais por ser


iniciante ou por ter seguido uma rotina de treinamento incorreta e
ineficiente? Tal indivíduo pode alcançar ótimos ganhos sem o uso de
esteróides anabolizantes; apesar de que o uso acarretará um
aceleramento dos ganhos, diria que fazê-lo não é necessário nem
recomendável.

Quem simplesmente deseja possuir um físico atraente e


valoriza muito a aparência de sua pele e cabelos seria pouco
beneficiado com o uso de testosterona ou Dianabol/Hemogenin (em
doses quaisquer). Os benefícios simplesmente não compensariam os
prejuízos (pele: oleosidade e acne; cabelos: aceleração da perda).
Seria mais sensato utilizar, neste caso, uma droga mais branda, para
assim alcançar seus objetivos com um mínimo de risco à saúde e
aparência.

Perda de peso
E o segundo objetivo, a perda de gordura? Bem, esse objetivo
é diametralmente oposto ao ganho de massa muscular. Numa
alimentação com ingestão restrita de calorias não se chega nem perto
de ganhar quantidades iguais de músculo quanto se ganharia numa

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No Brain – No Gain

alimentação hipercalórica que permitisse, digamos, um ganho de


0,5kg gordura/semana. O mais recomendável seria dividir os
esforços para ganho muscular e perda de gordura em duas etapas
distintas. Para quem não possui uma quantidade de músculo além do
limite genético natural, o uso de esteróides não é necessário para se
chegar a níveis moderados de gordura corporal (cerca de 8%).
Entretanto, esteróides tornam a dieta mais fácil, rápida e eficiente; a
dose necessária, neste caso, é bastante reduzida: 250mg/semana de
Durateston ou 400mg/semana de Primobolan serão suficientes. Tais
doses, entretanto, não serão suficientes para indivíduos que estejam
bastante além de seus limites naturais; eles apresentarão um
catabolismo muscular muito intenso em doses baixas.

Segurança
Os efeitos estrogênicos são uns dos sérios problemas
relacionados à utilização de anabolizantes. A maioria dos esteróides
converte-se parcialmente em estrógeno, e mesmo os que não o
fazem, potencializam o efeito do já presente no organismo.
Testosteronas em geral, Dianabol e Hemogenin são substâncias
particularmente notórias nesse aspecto, e Deca com certeza também
está sujeita a esse tipo de conversão. Primobolan, Trembolona,
Oxandrolona, Winstrol e Masteron são esteróides que não se
convertem em estrógeno absolutamente, o que corta o problema pela
raiz.

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Os problemas manifestados por tal conversão incluem inibição


da produção natural de hormônios (que não é controlado apenas pelo
receptor estrogênico, assim o problema não é totalmente solucionado
apenas bloqueando-se a conversão), possível ginecomastia
(desenvolvimento de tecido mamário) e retenção hídrica.

Outro fator relativo à segurança das drogas é a hepatotoxidade


dos esteróides orais. Primobolan não tem esse problema, mas
comprimidos de 5mg são inúteis a um fisiculturista masculino.
Precisaria-se de pelo menos 100mg/dia para um efeito bastante
modesto, sem mencionar que o custo é simplesmente proibitivo.
Oxandrolona possui uma toxicidade hepática mínima, e é conhecida
por induzir grandes ganhos de massa; é uma droga cara. Winstrol
possui alguma toxicidade, mas não é particularmente eficiente. Nos
restam, agora, Dianabol e Hemogenin. Dianabol é relativamente
amena ao fígado, ao menos se não for utilizada por muitas semanas
consecutivas. Hemogenin pode causar mal-estar em algumas pessoas
bastante rápido. Em minha opinião, se Dianabol conseguir “dar
conta do recado”, e na maioria dos casos consegue, será a melhor
escolha entre as duas drogas.

Planejando o ciclo
Após termos definido a(s) droga(s) e doses a serem utilizadas,
precisamos tratar da distribuição e organização do ciclo.

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No Brain – No Gain

Novamente, os objetivos contam muito na determinação. Se


estivermos falando de um fisiculturista profissional, simplesmente é
ridículo considerar a possibilidade de ele intercalar períodos de
descanso do uso de esteróides, pois os outros competidores não vão.
Ele ficaria para trás se decidisse parar periodicamente de usar drogas
por algumas semanas a fim de permitir que seu organismo retornasse
ao funcionamento normal. Já que não estamos tratando de tais
extremos, será tomado como referencial um indivíduo normal, que
não deseja utilizar drogas perpetuamente, mas apenas ganhar e
manter quantidades razoáveis de massa muscular.

Se pretendemos reter os ganhos, devemos focar nossa atenção


ao fim do ciclo. A perda muscular ocorre se o sistema hormonal
natural, que envolve o hipotálamo, a pituitária e os testículos, não
estiver produzindo os níveis normais de testosterona quando as
drogas anabólicas não estiverem mais circulando em nível
significante no organismo.

A inibição de cada uma dessas partes é independente uma da


outra, e diferentes fatores pesam nessa inibição, mas isso é outro
assunto.

Os fatores que determinam a intensidade da inibição são


principalmente a duração do ciclo, as drogas escolhidas, as doses e,
no caso dos esteróides orais, o padrão de distribuição.

De modo bem resumido, quanto mais longo o ciclo, mais


difícil será a recuperação. No cálculo da duração do ciclo deve-se
levar em conta a meia-vida das drogas e o tempo necessário para que

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as doses caiam abaixo dos níveis inibitórios (da produção natural).


Cada droga possui sua meia-vida característica. Algumas pessoas
falam sobre o ciclo “2 semanas com e 2 semanas sem” utilizando
Durateston (e então repete-se o processo quantas vezes for
necessário). Elas acreditam que assim estão fazendo ciclos de duas
semanas, mas devido à substancial quantidade de Durateston que
permanece ativa no organismo durante as duas semanas de
“descanso”, não haverá qualquer recuperação dos níveis naturais de
hormônio. Por exemplo, se um indivíduo faz quatro desses ciclos
consecutivamente, terá utilizado esteróides por 16 semanas, ou seja,
terá provavelmente muita dificuldade para recuperar sua produção
natural de testosterona.

O mesmo ciclo, entretanto, é bastante eficiente se for utilizado


o propionato de testosterona (em conjunção com um
antiestrogênico), pois esse éster de testosterona possui uma meia-
vida bem mais curta, permitindo que haja efetivamente um período
de “descanso” entre os ciclos.

Ciclos curtos, com intervalos de muitas semanas entre si, não


são eficientes. Geralmente, os ganhos de força relevantes só se dão a
partir da terceira semana, e mesmo que se tenha ganhado massa
muscular durante as duas primeiras semanas, é só após a terceira que
o corpo está totalmente “adaptado” para funcionar num ritmo de
crescimento intenso. Infelizmente, nesses casos, o corpo apenas
prepara-se para crescer, pois antes disso o usuário interrompe a
utilização das drogas. Assim, não é recomendável fazer ciclos
isolados com menos de quatro semanas; o mais sensato seria pelo

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No Brain – No Gain

menos cinco ou seis. Ciclos de duas ou três semanas só são uma boa
idéia, na minha opinião, se forem feitos em série e com apenas um
pequeno intervalo de descanso.

Ciclos isolados e curtos não fazem sentido porque


desperdiçam uma fase em que o corpo ganharia massa rapidamente,
mas, em contrapartida, ciclos com mais de dez semanas
provavelmente causarão uma recuperação difícil. Ademais, após o
corpo ter crescido intensamente por várias semanas, estará menos
propenso a continuar crescendo. Usar esteróides por longos períodos
provavelmente resultará numa dificuldade de recuperação, ou seja,
haverá maior perda muscular no fim do ciclo. Seis semanas de uso
pesado e duas a quatro de uso leve são, em média, as durações mais
eficientes para usuários que pretendem manter os ganhos ao
máximo.

Apesar de no começo do ciclo não se notar muito claramente a


diferença entre os esteróides, no fim essa diferença torna-se bastante
óbvia (devido a fatores que influenciam na inibição da produção
natural). Se começarmos com doses altas e diminuirmos
gradativamente, no fim, a recuperação (e retenção da massa
adquirida) será bem melhor do que seria caso fosse feito o oposto, ou
seja, começar com pouco e aumentar.

Primobolan, mesmo não sendo um esteróide excepcionalmente


forte por miligrama, parece possuir uma proporção bastante boa
entre efeitos anabólicos/inibitórios, o que torna tal droga muito
propícia para ser utilizada nas últimas semanas dos ciclos. Não é

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

muito nítido se tal mecanismo é algo inerente à Primobolan; talvez


isso seja devido ao fato dela não se converter em estrógeno e, se
assim for, talvez (especulando) uma dose baixa de trembolona tenha
o idêntico efeito nesse aspecto.

É impossível determinar com exatidão a dosagem ideal a ser


utilizada para esses fins. Em alguns casos, houve resultados
excelentes com um grama de Primobolan/semana. Mas doses dessa
magnitude são bastante caras, sem mencionar que não é muito certo
se todas pessoas se recuperariam plenamente com elas. Apenas
400mg/semana parecem ser suficientes para saturar os receptores
androgênicos e garantir numa boa preservação dos ganhos.

No que diz respeito aos esteróides de administração oral,


utilizá-los numa dosagem diária única acarreta uma inibição muito
menor que em várias pequenas doses divididas durante o dia. Não se
sabe exatamente qual parte do dia é a melhor, mas utilizar a manhã
não só funciona perfeitamente, mas também faz sentido, já que isso
resulta numa baixa quantidade da droga no organismo exatamente
nos horários em que a produção de LH e testosterona natural são
mais elevadas (da noite até o começo da manhã). Assim, utilizar os
esteróides orais em dose única nas últimas semanas do ciclo é uma
boa idéia.

Nosso objetivo como um todo não é, entretanto, apenas tentar


minimizar a inibição da produção natural de hormônios. Se esse
fosse o caso, a resposta simplesmente seria “não use esteróides, ou
então apenas doses muito baixas”.

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No Brain – No Gain

Nas fases iniciais do ciclo a inibição deve simplesmente ser


aceita como o preço a ser pago para se conseguir ganhos
consideráveis. A inibição em si mesma não tem qualquer relação
com o ganho de massa; na verdade, ela é apenas mediada pelo
receptor androgênico, e assim sendo, altos níveis de andrógenos no
corpo causarão necessariamente a inibição. E já que neste caso ela
irá ocorrer inevitavelmente, então devemos apenas nos preocupar em
ganhar o máximo de massa muscular possível. Não há justificativa
para meios-termos aqui. Ou você está em fase de ganho de massa
(ignorando os fatores que causam inibição), ou então, após essa fase,
está se preocupando em mantê-los (levando em conta tais fatores).

No início do ciclo as propriedades inibitórias dos esteróides


têm importância muito mais reduzida que suas propriedades
anabólicas.

São dois os anabolizantes que reinam supremos: testosterona e


trembolona (que é encontrada na Parabolan ou preparados ilegais de
Finaplix). Esses dois esteróides parecem ser mais eficientes no
ganho de massa muscular que quaisquer outros injetáveis.

Ambos podem vir a ser usados em conjunto, pois é improvável


que alguém consiga financiar ou obter grandes quantidades de
parabolan; então parece sensato adicionar testosterona à mistura, e
talvez até haja uma sinergia entre essas drogas. A combinação
trembolona/Dianabol também gera resultados excelentes.
Anabolizantes orais têm benefícios à parte não porque se ligam a
receptores diferentes (pois existe apenas um tipo), mas

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

provavelmente por terem ação direta no fígado, o que influencia


vários fatores de crescimento.

Sobre outros injetáveis


Não vejo sentido em usar esteróides fracos como Deca ou
Primobolan na fase pesada do ciclo. Provavelmente não vão causar
problema algum, pois uma vez ligados ao receptor, vão induzir o
mesmo efeito que a testosterona, mas na fase pesada simplesmente já
há droga suficiente para saturar todos os receptores. Ou seja, não
haverá qualquer benefício relevante em utilizar esteróides fracos;
sem mencionar que tais esteróides costumam ter um preço bastante
elevado.

Há apenas um mínimo benefício não relacionado aos


receptores androgênicos induzido por essas drogas; elas também não
amenizam os efeitos colaterais dos esteróides mais pesados. Então
não há qualquer sentido em usá-las para tentar potencializar o ganho
de massa muscular.

Os efeitos colaterais relacionados ao uso da testosterona são o


porquê de muitas pessoas interessarem-se em drogas mais fracas,
como Deca. Entretanto, utilizando testosterona em conjunto com um
inibidor de aromatização (ex. Cytadren) e um antagonista do
receptor estrogênico (ex. Clomid a 50-100mg/dia), ela torna-se
comparável à Deca em termos de efeitos colaterais/eficiência.

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No Brain – No Gain

Alguns relatam que a utilização de Proscar (Finasterida)


minimiza os efeitos da testosterona em relação à pele (oleosidade e
acne) e ao cabelo (aceleração da perda).

Argumentar que reduzir a conversão da testosterona em DHT


diminui o crescimento muscular pode ter algum fundamento. Isso
pode ser verdade devido à perda de DHT influenciar na atividade do
tecido nervoso, ou porque prejudica outros fatores (não relacionados
ao receptor androgênico) mediados pelo androstanediol, um
metabólito do DHT, ou algum outro efeito indireto que acaba
influenciando os músculos. O DHT em si mesmo não é muito
anabólico ao tecido muscular.

Se um indivíduo decidir utilizar Proscar para minimizar os


riscos de perda capilar, sugiro que seja feito uso tópico (aplicação
direta no couro cabeludo). Mas, se usado oralmente, recomenda-se
que, ao menos, não se exceda a dose farmacológica.

Recuperação
Há um efeito colateral inevitável: se alguém utilizar doses
elevadas de testosterona e/ou trembolona por meses, no fim do ciclo
ocorrerão perdas musculares devido à dificuldade para retornar ao
estado natural. A produção de LH estará muito baixa, e por ter
estado assim por algum tempo, normalmente a pituitária leva um
tempo considerável até estar apta a funcionar em níveis normais.

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Durante o ciclo também é provável que ocorra atrofia testicular,


apesar de que isso pode ser evitado usando HCG.

Devido aos típicos problemas de recuperação, é sensato limitar


a fase pesada a 5-8 semanas, e então utilizar algum esteróide leve
(ex. Primobolan) para terminar o ciclo. Em média se começa a fase
“leve” duas semanas após a última injeção das drogas pesadas, mas
isso pode variar em função da meia-vida do éster em questão. Nessa
fase, a administração dos esteróides orais deve ser feita em dose
única (como explicado acima).

Se ésteres de longa duração estiverem sendo usados – durante


a fase de crescimento –, então quantidades significantes ainda
existirão no organismo 2 a 3 semanas após a última injeção, e assim
não há qualquer sentido em começar a utilizar os esteróides mais
fracos antes disso.

Após essas 2-3 semanas, se não houver Primobolan disponível


no mercado, pode-se também utilizar esteróides orais no esquema
“dose única”, e uma quantidade bastante reduzida de testosterona
(100mg/semana) com um antiestrogênico.

Nesses casos, ser “meio-termo” não é uma boa idéia. Há um


ponto onde não há anabolizante suficiente para propiciar efeitos
anabólicos, mas mesmo assim ainda induz inibição da produção
natural. Não se deve permanecer nesse meio-termo, mas ir direto à
fase “leve”, onde se utiliza doses muito baixas ou então drogas
pouco inibitórias a fim de permitir a reestabilização hormonal do
corpo.

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No Brain – No Gain

Clomid deve ser utilizado continuamente até que o usuário


tenha certeza de que sua produção natural de testosterona voltou ao
normal.

Conclusão
Infelizmente, não há uma resposta que abarque todos os casos.
Diferentes usuários têm diferentes objetivos.

A informação acima serve para apenas para dar uma base a


fisiculturistas que desejam possuir e manter ganhos substanciais (e
não usar esteróides continuamente). Indivíduos que desejam
resultados mais moderados ou extremos precisam ajustar o
planejamento de acordo.

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Natureza e Funcionamento
dos Esteróides
Por Sanjac

Este artigo tentará explicar o que são e como funcionam os


esteróides. A intenção será proporcionar uma noção geral, e não
descrições detalhadas.

Tipos de Esteróides
Esteróides anabolizantes podem ser grosseiramente
classificados em dois tipos: orais e injetáveis. Quando um indivíduo
se alimenta ou consome algo por via oral, a grande maioria das
substâncias ingeridas passa através do fígado antes de entrar na
corrente sanguínea. Por esse motivo, os esteróides injetáveis não
podem ser administrados por via oral, pois na primeira vez em que
passam pelo fígado são “desativados”. A desativação feita pelo
fígado geralmente consiste na adição de um ou mais grupos hidroxila
(OH) para aumentar a solubilidade da molécula em água, facilitando
o processo de excreção através da urina.

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No Brain – No Gain

Esteróides Orais
Esteróides orais são uma versão modificada dos injetáveis;
essa alteração tem como finalidade tornar mais difícil ao fígado
“desativar” tais moléculas. Essa modificação consiste quase sempre
na adição de um grupo metila à estrutura molecular do esteróide. O
fígado ainda é capaz de “desativar” a molécula, mas não tão
facilmente quanto uma não-modificada. Assim, esteróides orais
fazem vários ciclos pela corrente sanguínea até serem finalmente
excretados, sendo que maioria acaba sendo eliminada mesmo sem
sofrer qualquer alteração química.

Esteróides Injetáveis
Esteróides injetáveis são totalmente “desativados” numa única
passagem pelo fígado. Mas então por que funcionam? A resposta
está na palavra “depot” (depósito). Esse “reservatório” é o que
permite a liberação gradual do esteróide na corrente sanguínea.
Enquanto o esteróide está sendo “desativado” pelo fígado, mais está
sendo liberado pelo “reservatório”. Há vários métodos para criar o
“efeito reservatório”.

[ 26 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Suspensão

O primeiro consiste em utilizar testosterona pura (um sólido


cristalino) em suspensão aquosa. A testosterona possui um pequeno
grau de solubilidade, e assim seus cristais vão dissolvendo-se
lentamente no tecido em que foram injetados. A substância
dissolvida difunde-se pelo corpo através da corrente sangüínea. No
caso da testosterona em suspensão, o “reservatório” é o próprio local
da injeção. Os cristais ficam retidos no tecido, e isso costuma causar
dor no local da aplicação. A testosterona dissolve-se numa taxa
relativamente constate, durando alguns dias no corpo. A suspensão
de Winstrol (Stanozol) funciona de maneira bastante semelhante.

Ésteres

Outro modo de conseguir o “efeito depósito” é utilizar ésteres


de testosterona (uma versão modificada, tornada insolúvel em água)
que possam ser reconvertidos, no corpo, novamente em testosterona
que, por sua vez, possui um certo grau de solubilidade. Comumente
a testosterona é transformada em um éster através da adição de um
ácido orgânico à sua estrutura, tornando-a solúvel em óleo, mas
muito pouco em água. Os ácidos orgânicos mais utilizados são o
acetato (C2), propionato (C3), enhanato (C7) e decanoato (C10).
Quanto maior a cadeia carbônica do ácido, maior a solubilidade do
éster em óleo e maior o tempo necessário para que o éster converta-
se novamente em testosterona.

[ 27 ]
No Brain – No Gain

Há uma crença generalizada de que os ésteres de base oleosa


ficam retidos no local da aplicação. Isso não é verdade. A noção de
reservatório aqui é meramente metafórica (só pode ser utilizada no
sentido de a substância liberar lentamente o esteróide contido no
éster), pois a substância injetada na verdade dispersa-se pelo corpo
após a injeção. O caso é que se a aplicação for feita num ambiente
contaminado, o corpo tentará “englobar” o material contaminante, o
que causa a formação de um abscesso. Nesses casos tem-se a
impressão de que o esteróide permaneceu no local da aplicação,
entretanto, num ambiente estéril, a solução oleosa irá dispersar-se.
Injetar grandes quantidades e/ou muito freqüentemente num único
local não é a verdadeira causa dos abscessos.

Ativação do Receptor Androgênico


Uma vez que a molécula de esteróide chega à célula, difunde-
se dentro dela (a difusão pode ocorrer com ou sem as globulinas
transportadoras). Tendo o esteróide chegado ao interior da célula,
liga-se ao receptor androgênico, ativando-o; então o conjunto
receptor-esteróide dirige-se ao núcleo. Dois desses conjuntos unem-
se para formar o “elemento de resposta androgênica”. O sistema
“(esteróide+receptor)+(esteróide+receptor)” interage com o DNA no
núcleo da célula, intensificando a transcrição de certos genes.
Enquanto o sistema estiver intacto (a perda de qualquer elemento
implica sua total desativação), ele acelera a transcrição dos genes. Os
esteróides, entretanto, ficam num estado de fluxo permanente,

[ 28 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

conectando-se e desconectando-se dos receptores (e também das


globulinas de transporte). Assim, o sistema pode desativar-se
simplesmente pela perda de uma das moléculas de esteróide ligadas
aos receptores. Isso explica porque um grama/semana de
testosterona é mais eficiente que 500mg, apesar de que meio grama
parece ser suficiente para saturar todos os receptores do corpo.
Quanto maior a concentração de esteróides no sangue, maior a
chance de os receptores estarem ocupados, e assim os sistemas
estarão ativos mais freqüentemente.

Outras ações
A ativação do receptor androgênico é um mecanismo chave na
ação dos esteróides, mas esse mecanismo em si não explica as
diferenças entre os esteróides (por exemplo, nandrolona (Deca) é
mais eficiente que testosterona na ativação dos receptores, mas não é
tão boa quanto no ganho de massa).

Outras ações envolvem o sistema nervoso central, como a


ativação motora (coordenação muscular) e o temperamento (por
exemplo, agressividade). O mecanismo pelo qual os esteróides
manifestam tais efeitos não é atualmente conhecido.

No fígado, alguns tipos de esteróide induzem a liberação de


certos “Fatores de Crescimento”. As diferentes características dos
esteróides explicam por que usar duas drogas diferentes

[ 29 ]
No Brain – No Gain

freqüentemente gera resultados mais satisfatórios que utilizar apenas


uma.

Excreção dos Esteróides


O fígado é o principal órgão encarregado de “desativar” os
esteróides; muda-se nele a estrutura química do esteróide para torná-
lo mais solúvel em água a fim de excretá-lo pelos rins, apesar de que
uma boa quantidade do esteróide é excretada sem qualquer alteração.
Muitos indivíduos da comunidade médica acreditavam que os
esteróides causavam danos ao fígado devido às elevadas quantidades
de certas enzimas associadas ao seu uso. Tais enzimas também são
encontradas em pacientes com danos hepáticos causados por outros
motivos, e então concluíram, a partir disso, que o esteróide era causa
danos. Pesquisas recentes, entretanto, mostraram que a enzima
causadora de danos permanece inalterada quando alguns tipos de
esteróide são usados; a afirmação de que esteróides danificam o
fígado tornou-se questionável (esteróides orais alterados
quimicamente pela adição de um grupo metila realmente podem vir a
causar danos hepáticos, mas são casos raros, e tal dano é totalmente
reversível). O mesmo processo foi utilizado para tentar justificar
danos aos rins, mas isso também é improvável.

Não se deve utilizar esteróides sem a supervisão de um profissional


da área médica!

[ 30 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

O Guia Completo para


Utilização de
Testosterona
Por Micro

Se fosse feita uma votação entre usuários de esteróides para


eleger a melhor das drogas, não há qualquer dúvida: a testosterona
reinaria suprema. Ela é, de longe, o composto mais eficiente para se
acumular grandes quantidades de músculo em curtos períodos de
tempo. O limite “genético” natural torna-se irrisório frente aos
enormes ganhos de massa muscular que a testosterona possibilita.
Infelizmente, também há sérios efeitos colaterais associados ao uso
dessa droga, mas a boa notícia é que todos podem ser prevenidos ou
controlados.

Há tantos mitos a serem desmascarados sobre a testosterona


que foram necessários dois meses para que tomasse coragem de
escrever este artigo. Todas as vezes em que pensava em iniciar a
redação, vinha-me a pesada e frustrante consciência de toda a
paranóia que a mídia criou em torno do uso de esteróides. Então
continuava adiando e adiando a criação deste texto, mas finalmente
decidi que o tempo gasto valeria a pena, pois estaria ajudando a

[ 31 ]
No Brain – No Gain

educar muitas pessoas com a mente aberta. Aos ignorantes, é apenas


isto o que tenho a dizer: suas críticas e elogios eu dispenso.

Acredito que os mitos mais daninhos associados aos esteróides


são os seguintes:

“O uso de testosterona induz ataques de fúria e


agressividade”. Não sei como tal mentira surgiu, mas acredito que
talvez esteja relacionada aos jogadores de futebol americano, nos
quais foi inculcado que a violência descontrolada é algo positivo.
Sabe-se que a testosterona influencia os níveis de endorfina; e todas
as pessoas conhecidas minhas que a utilizaram relataram que ela
normalmente gera um sentimento de bem-estar. E ainda mais,
afirmo, por experiência própria, que isso é verdade. Não existe essa
“agressividade” induzida pelos esteróides, isso é mito! Mas
obviamente, se há um lado estúpido e violento escondido dentro de
alguém, a testosterona pode acabar trazendo-o à tona. Isso não
equivale, entretanto, a dizer que eles transformam pessoas normais
em psicopatas enfurecidos e descontrolados.

“Esteróides fazem o pênis encolher”. Isso é alguma piada? Eu


acharia que sim se não fosse pelas inúmeras pessoas que dizem isso
com seriedade. De onde se pode tirar a absurda idéia de que
esteróides diminuem o pênis? Acho impossível conceber qualquer
mecanismo através do qual possam causar tal efeito. Provavelmente
esse mito nasceu de mais um equívoco. O que testosterona causa é a
atrofia testicular (com conseqüente redução de seu volume), mas isso
pode ser totalmente evitado por qualquer indivíduo que tenha meia

[ 32 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

dúzia de neurônios (funcionado). A prevenção da atrofia testicular


será discutida em detalhes mais adiante neste artigo.

Testosterona, se utilizada apropriadamente, pode gerar


resultados fascinantes. Um indivíduo, em seu primeiro ciclo (de três
meses), ganha em média 15-25kg. Após o término do uso de
esteróides, provavelmente perderá 5-7,5kg – que eram
essencialmente água retida –, mas manterá toda a massa muscular.
Assim, afirmar que “todos os ganhos serão perdidos no fim do ciclo”
é uma falsidade. Claro que se um indivíduo permitir a atrofia
testicular e cessar o uso de testosterona repentinamente, sem uma
diminuição gradual, perderá muito da massa que obteve. Mas a lição
a ser tirada disso é a mesma: qualquer indivíduo propriamente
educado sobre a utilização de testosterona será capaz de ganhar – e
manter – enormes volumes de massa muscular, sofrendo apenas uma
quantidade mínima de efeitos colaterais.

Para saber se a testosterona é o esteróide certo para você, faça


a pergunta “quais são meus objetivos?”. Se a resposta estiver
relacionada à perda de gordura, sem qualquer ligação com ganho
muscular, então testosterona não é o que você procura. Essa droga é
apenas recomendável para quem deseja obter o máximo possível de
força e hipertrofia muscular. (O meio-termo, ou seja, a utilização de
testosterona em ciclos de definição, será discutido em outro artigo).

Após ter certeza de que essa droga é a que você procura, o


próximo passo é escolher qual a versão mais apropriada para seus
fins. Quase nunca se encontra testosterona pura; a maior parte das

[ 33 ]
No Brain – No Gain

variantes consiste numa molécula de testosterona ligada a um ácido


orgânico (tais substâncias são denominadas “ésteres de
testosterona”). O intuito dessa alteração química é fazer com que o
esteróide seja liberado de forma gradual.

Existem vários tipos de testosterona para se escolher.


Propionato de testosterona manifesta seus efeitos no organismo em
2-3 dias. A testosterona em suspensão (pura, em solução aquosa)
manifesta-se em apenas um dia. Enhanato de testosterona leva
aproximadamente 10 dias. Durateston (uma mistura de quatro ésteres
diferentes) permanece ativa no corpo por até quatro semanas. Uma
regra geral é “quanto mais rápida a ação do esteróide, mais efeitos
colaterais”. Nosso objetivo aqui é encontrar uma testosterona que
não entre em funcionamento muito rapidamente, pois isso acarreta
altas porcentagens de conversão em estrógeno e DHT. Entretanto,
ésteres que permanecem ativos por muito tempo tornam difícil
calcular a quantidade da substância no corpo. Pessoalmente, sugiro o
enhanato de testosterona.

O próximo passo é decidir quais doses serão utilizadas. Para


um iniciante, sugiro 500mg/semana. Abaixo está o exemplo de um
bom ciclo.

Semanas 1 a 10: 500mg/semana


Semana 11: 300mg/semana
Semana 12: 200mg/semana

[ 34 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Se o ciclo realmente resumir-se a isso, provavelmente haverá


efeitos colaterais resultantes dos dois caminhos que a testosterona
pode tomar no organismo:

Ser convertida em DHT. Apesar dele possuir efeitos benéficos


ao ganho de massa, também é altamente androgênico. DHT é, em
grande parte, o causador dos dois piores efeitos colaterais dos
esteróides: calvície e aumento da próstata (hiperplasia prostática).

O porquê de querermos evitar a calvície dispensa explicações.


O DHT liga-se ao folículo capilar, causando inflamação, o que deixa
o cabelo sem oxigênio e, com isso, obviamente, ele morre. O
crescimento prostático causado pelo DHT também deve ser evitado.
Além de esse aumento causar uma freqüente necessidade de urinar,
também eleva dramaticamente as chances de câncer na próstata.
Como se evita isso? Usando finasterida (comercialmente vendida
sob o nome de Proscar). Tal composto mostrou-se muito eficiente
inibindo a conversão de testosterona em DHT. Pesquisas concluíram
que a substância é altamente eficaz no tratamento e prevenção da
calvície e aumento da próstata. Sugiro que se utilize entre 1 a
1.25mg/dia para cada 500mg de testosterona. O uso prolongado não
resulta em efeitos adversos na maioria dos aspectos. (Referencias
1,2,3,4,5,6,7,8,9,10)

Também recomendo o uso do shampoo Nizoral. Pesquisas


concluíram que ele pode prevenir calvície. Recomendo a versão
tópica (shampoo) porque ela possui preço bastante reduzido. Não há

[ 35 ]
No Brain – No Gain

efeitos adversos relacionados à sua utilização, senão um possível


ressecamento do cabelo.

Sofrer aromatização, ou seja, converter-se em estrógeno. Essa


substância pode vir a causar o desenvolvimento irreversível de
tecido mamário, conhecido tecnicamente como ginecomastia. Apesar
de não causar nenhum mal e comumente ser bastante pequena, acaba
gerando muita angústia no usuário por questões estéticas. O
estrógeno também aumenta a retenção hídrica e a taxa de acúmulo
de gordura. Felizmente, evitar tais efeitos é muito fácil. Apenas
deve-se utilizar um antiaromatizante (substância que impede a
conversão de testosterona em estrógeno). Anastrozol
(comercialmente encontrado em comprimidos de 1mg sob o nome de
Arimidex) é o número um da lista. Sugiro doses entre 0.125 e
0.25mg/dia para cada 500mg de testosterona. Para facilitar o
processo de divisão dos comprimidos, também se pode utilizar 0.25
ou 0.5mg a cada dois dias. Inúmeras pesquisas mostraram que
anastrozol suprime até 90% da conversão de testosterona em
estrógeno. A substância também se comprovou extremamente segura
mesmo quando utilizada por longos períodos de tempo. (Referências
11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20)

Outro efeito colateral da testosterona é a atrofia testicular. O


corpo, após detectar um excesso de testosterona, reage cessando a
produção natural. Isso tem como conseqüência o encolhimento dos
testículos e a oligospermia (diminuição da quantidade de
espermatozóides). A substância chamada Clomifeno
(comercialmente encontrada sob o nome Clomid) pode evitar tais

[ 36 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

efeitos indesejáveis estimulando o corpo continuar normalmente sua


produção de testosterona. A atrofia, apesar de ser totalmente
reversível, deve ser evitada porque a reestabilização da produção
natural leva até um mês, e nesse meio tempo seu corpo possuirá
quantidades ínfimas de testosterona, o que provavelmente resultará
num intenso catabolismo muscular. A dose a ser utilizada é de
25mg/dia para cada 500mg de testosterona. Clomid, segundo
inúmeros estudos laboratoriais e médicos, é muito seguro.
(Referências 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32)

Testosterona também aumenta a taxa de colesterol, e é por isso


que se deve controlar a dieta nesse aspecto. Muitas vezes ouve-se
sobre indivíduos que sofreram ataques cardíacos durante ciclos de
esteróides porque se recusaram a cortar o colesterol de sua
alimentação. É recomendável fazer exames sangüíneos durante o
primeiro ciclo para saber qual é a influência da testosterona sobre
seus níveis de colesterol. Pessoalmente, o meu subiu de 170 para 200
durante o ciclo (sem qualquer alteração na dieta); ou seja, ela não me
afeta muito nesse sentido. Mas cada um é cada um; caso você seja
suscetível a tais efeitos da testosterona, simplesmente ajuste sua
dieta.

As glândulas sebáceas localizadas na pele também são


influenciadas; a principal função delas é produzir óleo. A
testosterona aumenta essas glândulas, causando uma produção
excessiva, o que resulta no aparecimento de acne (principalmente
nas costas e peito). Tal efeito também é facilmente remediado. A
primeira medida é passar a tomar dois banhos diariamente. Para

[ 37 ]
No Brain – No Gain

quem mora no litoral recomenda-se, uma ou duas vezes por semana,


um banho de mar. Para os que moram no interior, deve-se tomar,
também na mesma freqüência, banhos com sulfato de magnésio (2
copos) e alvejante (entre 0.5/1 copo).

Abaixo está a versão completa (com a adição dos suplementos


recomendados) do ciclo para iniciantes mencionado acima.

Semanas 1 a 10:
500mg Testosterona/semana
1.25mg Proscar/dia
0.125mg Arimidex/dia
25mg Clomid/dia
320mg Saw Palmetto (Serenao Repens)

Semana 11:
300mg Testosterona/semana
1.25mg Proscar/dia
0.125mg Arimidex/dia
25mg Clomid/dia
320mg Saw Palmetto (Serenao Repens)

Semana 12:
200mg Testosterona/semana
1.25mg Proscar/dia
0.125mg Arimidex/dia
50mg Clomid/dia
320mg Saw Palmetto (Serenao Repens)

[ 38 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Semana 13:
1.25mg Proscar/dia
0.125mg Arimidex/dia
100mg Clomid/dia

Semana 14:
1.25mg Proscar/dia
0.83 mg Arimidex/dia (ou 0.25 a cada três dias)
50mg Clomid/dia

A maioria das pessoas não sabe muito bem como deve se


alimentar ou treinar durante os ciclos. Para facilitar o ganho de
massa, é altamente recomendável um aumento de 2000 calorias na
alimentação. A quantidade diária de proteínas deve seguir a
proporção de 3/4 gramas/Kg de massa magra. O treinamento deve
ser essencialmente o mesmo, talvez adicionando duas séries a mais
por músculo. O sono é outro fator importante; deve-se dormir pelo
menos 8 horas.

Comendo, treinando e dormindo corretamente, pode-se esperar


ganhos entre 10-20kg. Entre eles, 2.5 a 5kg serão água; então não se
preocupe quando, no fim do ciclo, ela começar a ser eliminada, pois
a massa muscular certamente permanecerá. Em média, apenas um
décimo do peso acumulado é água (se arimidex não for utilizado a
retenção será muito maior).

[ 39 ]
No Brain – No Gain

Para finalizar, o tempo de intervalo recomendado entre ciclos


equivale à duração dele mesmo; ou seja, após um ciclo de 12
semanas, deve-se esperar outras 12 antes de retomar a utilização de
esteróides.

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[ 44 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

O Mecanismo de Ação
dos Esteróides a
Nível Celular
Por Bill Roberts

Imagine uma molécula de algum esteróide anabolizante ligada


a uma globulina (proteína que ajuda no transporte) na corrente
sangüínea. Um receptor do lado de fora da célula muscular trará o
conjunto globulina/esteróide para dentro dela (esse processo
aumenta o metabolismo da célula, mas não é o efeito principal dos
esteróides). A molécula também pode encontrar-se sozinha na
corrente sangüínea, não ligada a nenhuma globulina. Neste caso,
também pode vir a difundir-se através da membrana celular, num
processo que lembra água passando por um papel.

Dentro da célula, a molécula de EA (esteróide anabolizante)


liga-se à ao RA (receptor androgênico) (que está dentro da célula,
não em sua membrana). O receptor é uma molécula muito grande,
formada por cerca de mil aminoácidos. Ou seja, é muito maior que a
molécula de EA. Quando o RA liga-se a uma molécula de EA, ele
ativa-se.

[ 45 ]
No Brain – No Gain

Pense no RA como sendo uma máquina que possui um botão


“liga-desliga”. Se o RA possuir uma molécula de EA acoplada a ele,
estará “ativado”, sem nenhuma molécula, estará “desativado”. Não
há um “meio termo” que faria com que o EA produzisse um efeito
brando, não existe uma “meia ativação” (isso não quer dizer que
diferentes esteróides não têm efeitos diferentes. Eles têm, mas por
outros motivos).

O RA geralmente permanece ativado apenas por algumas


horas. Após o esteróide ter deixado o receptor (eles estão conectando
e desconectando-se continuamente), este retorna ao seu estado
original, pronto para ser novamente “ativado”.

Após a molécula de esteróide ter-se conectado ao receptor, ele


agora se dirige ao núcleo da célula e forma um dímero (dupla) com
outro receptor ativado. O dímero liga-se a certas partes do DNA,
intensificando a transcrição de genes específicos (produzindo RNA-
m). Esse é um mecanismo que o corpo usa para ativar genes
seletivamente. Neste caso, apenas os genes associados às funções
androgênicas são ativados ou têm sua atividade intensificada. O Rna-
m carrega a informação de que a célula precisa para produzir
proteínas específicas. Actina e miosina são os principais
componentes dos músculos, e são exemplos de proteínas; tais
proteínas são produzidas, em última instância, como conseqüência
da produção de RNA-m (há outros processos intermediários entre o
RNA-m e a síntese da proteína, mas não são de grande importância).

[ 46 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Finalmente, nosso objetivo: proteínas. No final, o papel dos


esteróides é apenas induzir um aumento na produção de certas
proteínas, ajudando o usuário a ganhar volume.

Cada receptor “ativado” por uma molécula de esteróide


corresponde a uma molécula de proteína produzida? Não. Mesmo
que o receptor esteja ativado, isso não significa que terá sucesso
ligando-se ao DNA. A quantidade de moléculas de RNA-m
produzidas é que, geralmente, corresponde à quantidade de proteínas
sintetizadas.

[ 47 ]
No Brain – No Gain

Uso Feminino de
Esteróides
Por Growth Factor

Muitas pessoas possuem fortes convicções contra o uso de


esteróides por mulheres. O equívoco mais comum envolve a idéia de
que eles transformarão a mulher em “um monte de músculo com
uma vagina”. Apesar de que em alguns casos isso é verdade, o fato
mais significante continua sendo que esteróides podem ser muito
benéficos às mulheres.

Certamente, injetando testosterona em uma mulher, ela vai


eventualmente manifestar características fortemente masculinas. De
fato, provavelmente isso ocorrerá com a maioria dos esteróides.
Alguns efeitos colaterais podem incluir o engrossamento da voz,
desenvolvimento de pelos faciais e corporais e aumento clitoridiano.
Alguns esportes, como o fisiculturismo feminino, encorajam suas
participantes a desenvolver quantidades inaturais de músculo e, nesta
busca pelo êxito, algumas mulheres fazem o sacrifício derradeiro em
detrimento de sua própria feminilidade. Daí provavelmente nasce a
maioria dos equívocos.

[ 48 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Também há o fator moral. É lícito lançar mão de substâncias


“estrangeiras” para alcançar um corpo belo e magro? Acredito que
seja. Afinal de contas, não são E/C/A(1), suplementos protéicos e
afins, substâncias “estrangeiras”? Alguém poderia argumentar que a
extensão dos danos causados pelos esteróides é muito maior. Isso é
verdade se os esteróides forem usados incorretamente, mas se uma
usuária feminina de esteróides é corretamente guiada, não há risco
em absoluto. Há muitas outras coisas que me incomodam na
reprovação da sociedade em relação ao uso feminino de esteróides.
Muitos alegam que ter um bom corpo é um motivo extremamente
superficial. Discordo categoricamente. Você preferiria que uma
mulher continuasse a viver se sentindo mal e envergonhada em
relação ao seu corpo? Possivelmente até ter de terminar com seu
parceiro por não se julgar merecedora? Eu acho que não.

Explique-me por que é socialmente aceitável usar pílulas para


controle de natalidade que, diga-se de passagem, são feitas de
esteróides, para poder fazer sexo frívolo? Por que é aceitável a uma
mulher que “se sente como um homem” seguir o procedimento para
a mudança de sexo? Digo “procedimento” porque, ao contrário das
mudanças do tipo “homem-mulher”, não há mutilação genital
envolvida no processo. Quando uma mulher deseja mudar de sexo,
simplesmente são prescritas a ela grandes quantidades de
testosterona. Sim, você leu corretamente, testosterona, ou seja,
esteróide. Então por que está correto usar esteróides para ter relações
sexuais frívolas e possuir uma aparência mais masculina, enquanto é
errado usá-los numa tentativa de perder peso e ser saudável? Nossa

[ 49 ]
No Brain – No Gain

sociedade abunda em contradições. Algumas vezes me sinto enojado


pela sua hipocrisia.

Estou aqui para prestar esclarecimentos sobre um assunto


bastante impertinente: como usar esteróides corretamente. Estou aqui
para ensinar como se usa esteróides sem perder qualquer
feminilidade. Estou aqui também para dizer que, se usados
corretamente, não vão lhe machucar. Se usados corretamente, não
vão tornar sua aparência masculina. Se usados corretamente, não
representam qualquer risco à saúde.

Primeiramente precisamos definir nossos objetivos. Se ele for


ganhar o máximo de músculo possível, sem qualquer consideração
quanto à preservação de suas qualidades femininas, faça-me um
favor e vá se informar em outro lugar, pois este artigo não é para
você. Mas se seu objetivo é perder gordura e talvez enrijecer seu
corpo, continuando tão feminina quanto possível, por favor, continue
a leitura.

Primariamente vou tratar do assunto da perda de gordura. Não


há sentido em desenvolver seus músculos e possuir um corpo rijo se
há uma camada de gordura escondendo-os. Logo, provavelmente
será mais vantajoso perder a gordura antes de direcionarmo-nos ao
ganho muscular.

São três as drogas mais utilizadas atualmente: T3 (hormônio


tireóideo), Clenbuterol e DNP. Realmente sugiro evitar o uso de
DNP. Não apenas porque é potencialmente letal, mas também pode
danificar seus óvulos, destruindo suas possibilidades de gerar bebês

[ 50 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

normais. Devido aos perigos envolvidos no uso de DNP (que são


maiores para mulheres), não vou tratar dele neste artigo.

A combinação T3 + Clenbuterol foi responsável pela mudança


muitos corpos. T3 é comumente utilizado no campo médico para
tratar indivíduos obesos. Wolman SI e cia fez um experimento com
pacientes obesos, dando-lhes 20mcg de T3 três vezes ao dia. A
pesquisa mostrou um significante aumento na perda de peso sem
qualquer efeito colateral aparente.

T3 é altamente eficiente e, se usado corretamente, seguro.


Entretanto, doses de 150mcg e acima aumentam significantemente a
chance de fechamento (supressão permanente) da tireóide. Logo,
recomendo que não se exceda 100mcg/dia e que apenas sejam feitos
ciclos de, no máximo, duas semanas.

Clenbuterol é uma droga que se tornou popular recentemente,


e isso se deve principalmente às suas propriedades anabólicas e
redutoras de gordura subcutânea. Normalmente é prescrito como
broncodilatador, mas não foi aprovado para uso neste país.
Clenbuterol realmente potencializa a retenção de massa magra e
retarda o ganho de gordura. É comercialmente encontrado na forma
de comprimidos de 0.02mcg. Muitos atletas usam de 5 a 8 por dia.
Mulheres costumam usar de 4 a 6. Assim como T3, Clenbuterol não
deve ser usado por mais de 2 semanas e suas doses devem ser
divididas durante o dia.

[ 51 ]
No Brain – No Gain

Usando T3 e Clenbuterol você verá sua gordura “derreter-se”,


mas apenas se usar a dieta e rotina de exercícios corretas. Sugiro a
Bodyopus(2) e um exercício aeróbico matinal.

O seu ciclo para perda de gordura deverá assemelhar-se a isto:

Dia 1: 2 comprimidos de Clenbuterol e 25mcg de T3


Dia 2: 3 comprimidos de Clenbuterol e 50mcg de T3
Dias 3 a 10: 4 comprimidos de Clenbuterol e 75mcg de T3
Dias 11 e 12: 3 comprimidos de Clenbuterol e 50mcg de T3
Dias 13 e 14: 2 comprimidos de Clenbuterol e 25mcg de T3
Dias 15 ao 28: Descanso

Chegando ao dia 28, pode-se começar novamente e repetir


quantas vezes forem necessárias para alcançar seu objetivo.
Lembrando sempre que você deve seguir uma boa dieta e fazer
muito exercício aeróbico.

Perdida a gordura, será a hora de concentrar-se na musculatura. É


neste momento em que os esteróides entram no jogo. Você precisará
encontrar um que não possua efeitos virilizantes para que sua
feminilidade se mantenha. A escolha da droga correta é parte
essencial.

Todos sabemos que testosterona está completamente fora de


questão. Em estudos com quatro cantoras que se submeteram a
terapias hormonais, foi notada extrema virilização como
conseqüência do uso de testosterona e/ou nandrolona. Decanoato de
nandrolona (conhecida também como Deca) tem efeitos virilizantes

[ 52 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

elevadíssimos. Em experimentos conduzidos com mulheres, foram


administrados 50mg de Deca a cada 3-4 semanas. Mesmo nessas
doses inacreditavelmente baixas, 50% das pacientes perceberam
sinais de virilização. Em 1980, a Heinonen and company fez uma
experiência envolvendo 98 mulheres. Todas entre elas que
receberam suplementação de decanoato de nandrolona sofreram os
efeitos colaterais da virilização. Assim, recomendo fortemente que
se evite tanto testosterona quanto Deca.

Então qual esteróide pode ser usado com segurança?


Primobolan depot (enhanato de metenolona(3)) é conhecido como
um esteróide extremamente seguro neste sentido. Num experimento
com 43 mulheres, 200mg de Primobolan foram administrados
semanalmente. Noutro, a quantidade de mulheres foi 66. Em ambos
experimentos o esteróide foi bem tolerado. Mas de início recomendo
que a doses não ultrapassem 100mg/semana.

Comece com 50mg por duas semanas. Se não houver


virilização, sugiro o aumento da dose para 100mg por mais oito
semanas. Depois reduza a dose novamente a 50mg por mais duas
semanas para ajudar na conservação de seus ganhos. A maioria
conseguirá obter cerca de 2,5-5kg de massa muscular durante esse
ciclo. Aumento do desejo sexual e orgasmos mais rápidos são os
efeitos colaterais mais comuns. Poucas desenvolvem acne e
oleosidade cutânea durante o uso de Primobolan depot, mas, de
qualquer forma, em caso positivo, técnicas para evitar o aumento da
acne já foram discutidas em meu último artigo: O Guia Completo
para Utilização de Testosterona.

[ 53 ]
No Brain – No Gain

Seu ciclo deverá ser algo parecido com isto:

Semanas 1 e 2: 50mg de Primobolan depot + 3-4 comprimidos de


Clenbuterol/dia
Semanas 3 e 4: 100mg de Primobolan depot
Semanas 5 e 6: 100mg de Primobolan depot + 3-4 compr. de
Clenbuterol/dia
Semanas 7 e 8: 100mg de Primobolan depot
Semanas 9 e 10: 100mg de Primobolan depot + 3-4 compr. de
Clenbuterol/dia
Semanas 11 e 12: 50mg de Primobolan depot

Durante o ciclo a alimentação deve ser equivalente a 110% /


120% do normal. Recomenda-se um descanso de aproximadamente
6-8 semanas antes de recomeçar. Não há, entretanto, problema
algum em intercalar ciclos de T3/Clenbuterol aos períodos de
descanso dos de Primobolan. Subseqüentemente pode-se
experimentar doses mais elevadas, mas mantendo-se sempre atenta a
quaisquer sinais de virilização, que devem ser correspondidos com a
imediata redução da dose.

Notas
1 – Mistura termogênica de efedrina, cafeína e aspirina na proporção
1/10/15.

[ 54 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

2 – Bodyopus é uma variante da dieta cetogênica. Para se informar


mais, leia o artigo Perguntas Freqüentes sobre a Dieta Cetogênica.

3 – Primobolan depot e Primobolan acetato são duas drogas


diferentes.

[ 55 ]
No Brain – No Gain

Perfil da Droga:
Durateston
Por Bill Roberts

Substâncias constituintes:

– Propionato de testosterona: 30mg

– Fenilpropionato de testosterona: 60mg

– Isocaproato de testosterona: 60mg

– Decanoato de testosterona: 100mg

Durateston é bastante popular e muito apreciada por seus


usuários, pois oferece várias vantagens em relação a outros tipos de
esteróide. Ela é uma mistura de quatro tipos de testosterona que,
devido a um mecanismo de liberação gradual, possuem efeito
sinérgico. Isso têm duas conseqüências positivas ao atleta. Primeira:
devido a essa composição especial e balanceada, miligrama por
miligrama, Durateston é mais eficiente que enhanato ou cipionato de
testosterona sozinhos. Segunda: as diferentes características dos
quatro compostos fazem com que ela rapidamente entre em
funcionamento no organismo (o propionato leva apenas 1 dia) e
permaneça ativa por várias semanas (decanoato – 3-4 semanas).

[ 56 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Durateston possui fortes efeitos androgênicos e anabólicos,


assim, é bastante indicada a atletas que buscam ganho de força e
massa muscular. Por possuir menores índices de aromatização que
propionato ou cipionato, gera um ganho muscular mais sólido
(menos retenção de água).

Outra característica da droga é ser eficiente mesmo quando


administrada em baixas doses a atletas avançados. Também é
interessante notar que indivíduos utilizando a droga pela segunda
vez (e nas mesmas doses) tendem a obter o mesmo resultado do ciclo
anterior. As aplicações deve ser feitas semanalmente ou no máximo
a cada 10 dias. As dosagens utilizadas, entretanto, variam entre
250mg/14 dias e 1000mg/dia. Felizmente tais doses extremas não
são comuns. A média é 250-1000mg/semana, sendo 500mg/semana
suficiente para a maioria das pessoas, e normalmente pode ser
reduzida a 250mg/semana se usada em conjunto com esteróides
orais. A fim de acelerar os ganhos, não é raro que se misture outras
drogas como Deca-durabolin, Dianabol e Hemogenin; Parabolan,
Winstrol, Oxandrolona e Primobolan são utilizadas para gerar
ganhos de maior “qualidade” (uma menor retenção hídrica).

Apesar de Durateston não possuir altos índices de


aromatização quando utilizada em doses razoáveis, muitas pessoas
decidem utilizar antiestrogênicos como Nolvadex e/ou Proviron a
fim de prevenir os efeitos colaterais relacionados ao estrógeno.
Durateston inibe a produção endógena de testosterona, assim, torna-
se necessário utilizar HCG ou Clomid no fim do ciclo. Recomenda-

[ 57 ]
No Brain – No Gain

se às mulheres que não utilizem ésteres de testosterona, pois isso


muito provavelmente resultará em virilização irreversível.

Os efeitos colaterais, dependendo da dose e predisposição do


usuário, são acne, agressividade, estimulação sexual excessiva,
oleosidade cutânea, aceleramento de perde de cabelos, atrofia
testicular e oligospermia. A retenção de água e ginecomastia também
estão presentes, mas em proporções menores que com enhanato ou
cipionato. Danos hepáticos são bastante improváveis durante a
utilização de Durateston; entretanto, em dosagens muito altas, pode
haver alterações nos níveis enzimáticos, mas que normalmente
voltam ao normal após a cessação do uso da droga.

O fígado é um órgão extremamente eficiente no


processamento de grandes quantidades de testosterona; isso é
confirmado no livro “Doping-verbotene Arzneimittel im Sport”
Escrito por Dirk Classing e Manfred Donike. Na página 54 o autor
afirma: “O fígado é capaz de metabolizar quantidades praticamente
ilimitadas de testosterona (2 gramas do fígado de um rato são
capazes de processar 100mg/dia).”

[ 58 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Perfil da Droga:
Hemogenin
Por Bill Roberts

Como a metandrostenolona (Dianabol), a oximetolona não se


liga muito fortemente aos receptores androgênicos, assim, a maior
parte de seus efeitos anabólicos não é mediada por eles. É um
esteróide da Classe II (tais esteróides são sinérgicos aos da Classe I),
e possui efeitos similares aos do Dianabol, mas, entretanto, parece
ser progestogênica, pois comumente causa ginecomastia mesmo na
presença de altas doses de antiestrogênicos, sugerindo fortemente
que seu efeito não é estrogênico. Winstrol, por ser anti-
progestogênica, mostrou-se eficiente combatendo tais efeitos;
oximetolona é muito mais problemática quando usada com
esteróides que aromatizam; a mistura Hemogenin + Primobolan é
surpreendentemente amena ao corpo; em contraste, quando utilizada
com testosterona, é bastante tóxica.

Hemogenin não se converte em estrógeno, assim, drogas como


Nolvadex e Proviron não são necessárias. Entretanto, a oximetolona
é muito notória por suas características agravantes dos “sintomas
estrogênicos” (possivelmente por suas características
progestogênicas).

[ 59 ]
No Brain – No Gain

Essa droga é razoavelmente amena quando não utilizada na


presença de andrógenos sujeitos à aromatização. Sua potência é
aproximadamente comparável à do Dianabol. Não é incomum que
iniciantes obtenham resultados relativamente bons em ciclos feitos
apenas com hemogenin; atletas mais avançados, no entanto,
geralmente preferem utilizar outras drogas. A dose típica é entre 50-
150mg/dia, e deve ser dividida em várias pequenas ao longo do dia.

Oximetolona é tóxica ao fígado, sendo melhor limitar seu uso


a, no máximo, seis semanas, preferencialmente quatro (o intervalo de
descanso deve equivaler ao período de utilização). A maioria dos
usuários julga que essa droga é mais eficiente se utilizada no começo
dos ciclos.

[ 60 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Noções &
Procedimentos Básicos
sobre Injeções
Há alguns procedimentos a serem seguidos para se efetuar
uma aplicação intramuscular com segurança. Antes de manipular
qualquer agulhas ou ampolas é aconselhável um banho. Após
certificar-se de que a higiene está em dia, deve-se utilizar uma
compressa embebida em álcool para limpar o local a ser injetado e
outra para limpar o frasco/ampola de onde o composto será extraído.
Retire a seringa de sua embalagem e, se a ampola no caso não for de
dose única (frascos de 5/10/50/100ml etc), sugue 2cc de ar com a
seringa e aplique dentro do frasco. Isso criará pressão interna, o que
ajudará na extração de seu conteúdo. Vire o frasco de ponta-cabeça e
retire a quantidade desejada. Caso a ampola seja de dose única,
simplesmente segure-a firmemente e, com um movimento rápido e
firme, remova sua parte superior. Sugue todo o conteúdo sem
maiores cuidados.

Com a substância dentro da seringa, vire-a com a agulha para


cima e dê alguns “petelecos” para que as bolhas de ar subam ao topo.
Agora pegue uma nova agulha, remova-a de sua embalagem

[ 61 ]
No Brain – No Gain

esterilizada e substitua a primeira. Usando duas agulhas em cada


aplicação há a certeza de que não houve embotamento acidental na
agulha a ser utilizada na injeção propriamente dita (o que dificulta a
penetração e causa dor).

Mantenha em mente que é de grande importância não tocar a


agulha durante o procedimento, e também, caso isso ocorra, não se
deve tentar limpá-la com álcool, mas substituí-la por uma nova.
Neste ponto, limpe novamente o local a ser injetado com uma
compressa embebida em álcool. Então, empurre o êmbulo
lentamente (com a agulha virada para cima) até que todo o ar seja
expelido. No fim, deixe uma pequena gota escorrer pela agulha para
lubrificá-la, o que facilita a aplicação.

Agora segure a seringa firmemente e a imagine como sendo


dardo. Use uma mão para esticar a pele, e com a outra simplesmente
insira a agulha perpendicularmente à superfície da epiderme (a
inserção deve ser feita rapidamente). Após estar totalmente inserida
no músculo, puxe o êmbulo (fazendo pressão negativa) e espere
alguns segundos para certificar-se de que ela não penetrou em
nenhum vaso sangüíneo. Caso a seringa comece a encher-se de
sangue, retire-a e recomece o processo de aplicação em um local
diferente. Se não houver aparecimento de sangue, lentamente injete
o líquido. Após isso, retire rapidamente a seringa e use outra
compressa, comprimindo-a firmemente ao local da aplicação, pois
isso minimizará o sangramento. Ao mesmo tempo, massageie
suavemente o local, pois isso reduzirá um pouco a dor comumente
apresentada nos dias subseqüentes. É importante que não se tenha

[ 62 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

pressa para injetar o líquido, pois isso aumenta a dor tanto durante
quanto nos dias seguintes à aplicação.

Após todo o procedimento, reúna os dejetos e certifique-se de


que serão descartados com propriedade. Para evitar desconforto e
abscessos recomenda-se não injetar mais de 2ml por vez. É sensato,
também, não fazer mais de 2 aplicações por semana no mesmo
músculo, sendo o recomendado apenas uma vez. Preferencialmente
faça as aplicações nos dias de descanso ou ao menos evite exercitar o
músculo injetado no mesmo dia.

Que Tipo de Seringa Devo Utilizar?


É parte essencial escolher a seringa apropriada para
administrar esteróides anabolizantes por via intramuscular profunda.
As seringas mais aceitáveis para a aplicação são as de 1,5” (número
22) ou 1” (número 23) de comprimento (agulha) com um recipiente
de 3ml. O comprimento adequado da agulha garante que a
substância atinja as fibras musculares profundas. Agulhas de 5/8” ou
1/2” geralmente são curtas demais para injeções intramusculares e
acabam deixando uma porção da substância na região subcutânea, o
que cria uma inchação entre a pele e músculo, prejudicando a
absorção.

O número da agulha representa seu diâmetro. Quanto menor


seu número, maior o diâmetro. As de número 27 são extremamente
finas. A número 18 já é bem grande, tendo o apelido de “canhão”.

[ 63 ]
No Brain – No Gain

As agulhas de número 22 e 23 podem ser consideradas ideais, pois


não chegam a ser grandes o suficiente para dificultar a penetração na
pele, mas também não finas demais, o que dificulta a passagem do
líquido. Usar seringas de insulina para aplicações intramusculares
simplesmente não é aceitável. São pequenas demais. Essas seringas
são de número 25 ou 27, tendo apenas 1/2” de comprimento e 1ml de
volume.

[ 64 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Parte II

Perda de Peso &


Definição

[ 65 ]
No Brain – No Gain

[ 66 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Ciclos de Definição
Por Micro

“Se você quiser ficar definido, tome Winstrol ou Primobolan”.


Ouço esse tipo de conselho o tempo todo e, francamente, discordo,
pois nenhum esteróide queima gordura.

Não existe, obviamente, apenas um modo de alcançar a


definição muscular. Assim sendo, o método que apresentarei aqui é
apenas aquele que considero o mais eficiente.

O primeiro fator a ser levado em consideração é a


alimentação. Sem uma boa dieta – e uma considerável restrição
calórica – não há perda de peso a taxas satisfatórias. A dieta ideal
para combater a perda muscular é a cetogênica, ou seja, a “dieta sem
carboidratos”. Entretanto, devido à comida ser tão tentadora, a opção
mais aconselhável acaba sendo a variante Bodyopus, que consiste
em 5 dias sem ingestão de carboidratos e 2 com a alimentação
normal. O corte nas calorias deve possuir tal magnitude que o
consumo calórico equivalha a 90% do seu Metabolismo Basal. Não
se preocupe com o fato dessa quantidade parecer elevada, pois os
exercícios aeróbicos(1) consumirão boa parte das calorias. (1)
pratique-os em jejum e preferencialmente de manhã.

[ 67 ]
No Brain – No Gain

O próximo passo é a escolha das drogas corretas. Como


afirmado anteriormente, nenhum esteróide causa queima de gordura.
Alguns indivíduos afirmam haver perda de gordura durante
utilização de Winstrol ou Trembolona, entretanto, devido a essa
suposta perda ser pequena a ponto de lançar dúvidas sobre sua
própria existência, podemos considera-la como um fator irrelevante
aos nossos propósitos. Os fatores que realmente influem na queima
de gordura são os exercícios aeróbicos, a restrição calórica e os
agentes termogênicos. Isso, porém, não implica que esteróides não
possuem qualquer utilidade neste aspecto, pois na verdade são
extremamente importantes.

Por que utilizar esteróides? Para manter a massa muscular.


Tenha em mente que é esse o único motivo para adicionar esteróides
à mistura. Partindo disso, fica difícil entender por que algumas
pessoas gastam quantias exorbitantes em drogas como primobolan
ou Winstrol. Tais drogas não aceleram a perda de gordura e também
não possuem qualquer “vantagem” no que diz respeito à preservação
de massa. Pois então, sem dúvida, a testosterona é uma opção válida
para ciclos de definição. Contudo, sabemos que a maioria das
pessoas não a utiliza com esses propósitos; muito provavelmente
porque a retenção de água prejudica a aparência, mas tal efeito
indesejável pode ser facilmente resolvido: 20mg de Nolvadex/dia
serão suficientes para evitar a retenção, isto é, se houver alguma,
pois as doses de testosterona necessárias neste caso são bastante
reduzidas, girando em torno de 250-500mg/semana.

[ 68 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Recapitulando: se o objetivo principal for simplesmente


perder gordura e preservar a massa muscular, então a resposta é
testosterona.

As drogas termogênicas têm importância vital. As duas mais


populares são T3 (comercialmente encontrada sob o nome de
Cynomel) e Clenbuterol. Ambas são altamente sinérgicas. Minha
opinião se diverge da maioria porque não recomendo a utilização da
mistura T3/Clenbuterol, mas apenas T3. Com uma dieta bem
planejada, exercícios aeróbicos e T3 há perda de peso numa taxa
suficiente para nos permitir prescindir de qualquer outra droga.
Clenbuterol também teria sua utilidade, mas ele é mais bem
empregado em fins de ciclo devido às suas propriedades
anticatabólicas.

A dose correta de T3 é um problema à parte. Pessoalmente,


sugiro cerca de 100mcg/dia em ciclos de 4/5 semanas. O famoso
problema associado ao uso do Cynomel é o seguinte: utiliza-lo por
muito tempo e/ou em doses elevadas acarreta o fechamento
permanente da produção natural, ou seja, será necessário utilizar o
medicamento pelo resto da vida. Portanto, para evitar problemas,
comece e termine os ciclos gradualmente e mantenha sempre as
doses moderadas.

Lembre-se, não é necessário comprar uma mistura caríssima


de anabolizantes importados e drogas “especiais” para se obter
resultados satisfatórios. Seu corpo não se importa com o preço nem

[ 69 ]
No Brain – No Gain

com a procedência das substâncias. O segredo das dietas reside


fundamentalmente em não mentir para você mesmo.

Resumindo:

– Mantenha uma rotina constante de exercícios aeróbicos.

– Siga religiosamente a dieta escolhida (preferencialmente a


cetogênica versão Bodyopus).

– Use apenas as drogas necessárias.

Sem dúvida, isso será suficiente.

[ 70 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Cetose: Noções Básicas


Por Beowulf

Você provavelmente já ouviu falar das dietas cetogênicas (sem


carboidratos), mas realmente sabe como funcionam? Sabe o que
esperar delas? A intenção deste artigo é responder a essas questões.
Para quem não se interessa pela ciência das coisas, já adianto: este
artigo não é para você. Entretanto, para quem gosta de entender o
“porquê” e “como” das coisas, recomendo que continue lendo.

Com uma alimentação normal, seu corpo usa a glicose como


combustível padrão. Tudo funciona perfeitamente bem. O cérebro
dispõe de glicose suficiente para funcionar a 100%, seus músculos
têm generosas reservas de glicogênio e seus rins não estão sendo
sobrecarregados com remoção de uréia do sangue. O corpo requer
apenas 50 gramas de carboidratos/dia para não entrar em cetose, ou
seja, apenas 200 calorias (um grama de carboidrato = 4 calorias).
Fato bastante notável levando em consideração que o cérebro
sozinho consome 140-150 gramas de carboidratos/dia.

Na ausência de carboidratos – ou com ingestão muito restrita –


o corpo “pensa” que o alimento está indisponível. Mesmo numa
dieta cetogênica hipercalórica (ingerindo mais calorias do se que
gasta) o corpo ainda “pensaria” estar sem alimento. Na realidade, é o

[ 71 ]
No Brain – No Gain

cérebro que está “com fome”, pois ele leva algum tempo para
adaptar-se à utilização de outras fontes de energia.

Você já parou para pensar por que fisiculturistas que usam


insulina de modo incorreto morrem? Utilizar insulina sem consumir
quantidades adequadas de carboidrato resulta na remoção de toda a
glicose da corrente sangüínea (sendo enviada para os músculos e
tecidos adiposos). Resultado: o cérebro simplesmente fica sem
“combustível” e o indivíduo entra em coma ou morre.

Mesmo na ausência de carboidratos, o corpo ainda possui


reservas de glicose para operar, pois o SNC (Sistema Nervoso
Central) prefere usar glicose como combustível. Os corpos cetônicos
– metabólito resultante da degradação dos lipídios – só serão usados
quando sua concentração plasmática for extremamente alta. Isso
acontece porque eles não atravessam a barreira sangue/cérebro muito
facilmente.

Há apenas duas substâncias com relevância para nossos


propósitos que podem ser convertidas em glicose: glicerol e proteína.
Lactato também, mas essa substância não tem importância suficiente
para ser levada em consideração.

Após uma proteína ser quebrada e reduzida aos seus


aminoácidos constituintes, ela entra no ciclo de krebs em diferentes
lugares. Algumas dessas moléculas possuem três carbonos e algumas
vão eventualmente transformar-se em ácido pirúvico, que também é
uma molécula de três carbonos e, assim, possui o “esqueleto”
molecular apropriado para, como também o glicerol, fazer

[ 72 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

essencialmente o caminho reverso da glicólise (que é a quebra de


uma molécula de glicose em duas de ácido pirúvico), resultando em
uma molécula de glicose (que possui seis carbonos).

Glicerol é uma molécula formada por três átomos de carbono,


e é exatamente isso que o ciclo de krebs está “procurando”. Mas de
onde está vindo o glicerol? Simples: a gordura é formada por três
ácidos graxos e um glicerol. Mas já que os ácidos graxos não podem
fazer o caminho reverso da glicólise, algo tem de ser feito com eles
quando são separados do glicerol. Eles são, então, quimicamente
convertidos em acetil-CoA (confie em mim, a complexidade deste
processo torna proibitivo tentar explicá-lo neste artigo) e prosseguem
pelo ciclo de Krebs, ou ciclo do ácido cítrico. Um bom número
destas acetilas são metabolizadas completamente, produzindo ATPs.
Entretanto, uma porção considerável não prossegue todo o caminho
através do ciclo de krebbs. Há um excesso de acetil-CoA gerado pela
oxidação da gordura, pois o ciclo de Krebs não funciona rápido o
suficiente. Este acetil-CoA excedente é “empacotado” na forma de
corpos cetônicos pelo fígado, que é o único lugar do corpo que os
produz.

A função primária dos corpos cetônicos é, obviamente, servir


de combustível, fazendo o papel que normalmente cabe à glicose.
Entretanto, uma vez que a concentração de corpos cetônicos no
sangue ultrapassa um certo limite, o organismo não consegue mais
utilizá-los com eficiência (certos tecidos literalmente não conseguem
utiliza-los eficientemente em quaisquer circunstâncias). O resultado
disso tudo é que acabam sendo removidos da corrente sangüínea e

[ 73 ]
No Brain – No Gain

posteriormente são excretados na forma de urina, ou seja,


literalmente estaremos urinando calorias.

Os experts no ramo da nutrição vão lhe dizer que dietas


cetogênicas causam perda muscular. Entretanto, como fisiculturistas,
sabemos que dietas desse tipo são notórias exatamente por suas
propriedades opostas: a retenção de massa muscular. E então? A
meu ver, isso está na verdade relacionado com o treinamento.

Compare um fisiculturista e um maratonista. Ambos vão usar


proteína como combustível? Com certeza. Mas ambos vão usar
quantidades iguais de proteína? Muito improvável. Um indivíduo
sedentário, para reparar os micro-traumas causados por eventos do
dia-a-dia, como caminhar e manter-se em pé, nunca vai precisar de
tantas proteínas quanto um atleta para recuperar-se dos os micro-
traumas catastróficos (por comparação) resultantes de um
treinamento intenso. O caso é que fisiculturistas precisam de
proteínas para outras coisas além de combustível, mas defendo a
idéia de que elas também vão ser usadas pra fazer glicose. O cérebro
indubitavelmente precisa dela, e nós deveríamos estar felizes por
perder essas proteínas, pois assim evitamos entrar em coma ou
morrer. Entretanto, discordo da noção de que quantidades
desproporcionais de proteína/gordura serão utilizadas. Primeiro o
corpo fará o que tiver de fazer para manter-se vivo, mas, após isso,
começarão seus milagrosos processos auto-recuperação.

É importante notar que, para uma proteína ser usada como


combustível, é preciso desaminar seus aminoácidos constituintes.

[ 74 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Isso significa que o grupo amina deve retirado. O problema é que


esse grupo contém nitrogênio, o qual converte-se quimicamente
amônia, e NH3 dentro das células significa apenas uma coisa para
seu corpo: perigo. Essa amônia é convertida em uréia pelo fígado,
sendo tóxica também, mas numa proporção menor. A uréia por sua
vez é filtrada pelos rins e excretada na forma de urina. É devido ao
aumento na produção de resíduos tóxicos que se torna necessário
urinar mais freqüentemente. Isso tudo, em combinação com o fato de
o glicogênio armazenado nos músculos existir numa proporção de
1/3 com água, e que, após ser utilizado, o músculo perde essa água,
da uma idéia das proporções do problema. Beber grandes
quantidades de água é imprescindível para evitar desidratação.

Um motivo pelo qual a dieta de Atkins tornou-se popular tão


rapidamente foi porque na primeira semana perde-se peso muito
rapidamente por desidratação. Também se consegue isso com
diuréticos. É essencialmente a mesma coisa que acontece nos dois
casos.

Sabemos que a cetose é um fator coadjuvante no processo da


perda de peso, mas é importante lembrarmo-nos de que a relação
consumo/gasto de energia é o verdadeiro determinante. Deixando de
comer carboidratos, mas mantendo-se numa dieta hipercalórica, não
haverá diferença alguma: você ganhará peso. A cetose não é paraíso
da gula, pois ainda está sujeita às leis de conservação de energia.

Novamente, vale lembrar que seu corpo sempre preferirá


glicose a corpos cetônicos como combustível. Deste modo, os

[ 75 ]
No Brain – No Gain

tecidos que não usam corpos cetônicos com eficiência terão sua
performance comprometida. Esse é um problema especialmente
relevante em nosso caso, pois os dois tipos de tecido que não se dão
bem com os corpos cetônicos são exatamente os cerebrais e os
esquelético-musculares.

O cérebro vai encontrar um jeito para funcionar, quanto a isso


não tenha dúvida, mas não em sua capacidade máxima. Você ficará
meio dispersivo. Apesar de um problema em potencial, isso não
chega a ser grande empecilho. As reações serão mais lentas com
certeza, mas provavelmente não ao ponto comprometer a maioria das
situações.

A ineficiência com que os músculos utilizam os corpos


cetônicos será notória. Na academia, sua performance será
lastimável. Não será possível levantar o mesmo peso de sempre
(essas regras serão consideravelmente alteradas se, simultaneamente,
houver o uso de esteróides anabolizantes, entretanto, para quem não
os utiliza, manter-se num ritmo de treinamento adequado será uma
luta).

A beleza das variantes da dieta cetogênica (como a


“Bodyopus”, a “The Anabolic Diet” e a “Animalbolics”) é
permitirem um período de “recompensa” com carboidratos após um
certo tempo em cetose, ou seja, você não se sentirá tão desanimado,
pois haverá uma luz – feita de carboidratos – no fim do túnel.

Enquanto alguns efeitos colaterais afligem apenas populações


restritas de indivíduos com problemas de fígado ou rins, há um outro

[ 76 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

efeito que pode ser considerado universal. As fibras, normalmente de


modo mascarado, sempre estão presentes nos alimentos que contêm
carboidratos, e têm como função dar volume ao bolo alimentar, o
que induz, por sua vez, a peristalse, que é a contração do seu
intestino para “empurrar” a comida. Esse é um modo muito refinado
de dizer que você provavelmente vai ficar muito constipado se não
usar suplementos com fibras para manter o intestino funcionando
normalmente.

Nunca encontrei um indivíduo que não estivesse


completamente miserável nesse tipo de dieta, pois o corpo está sendo
colocado numa posição muito desconfortável. Haverá uma vontade
desesperada de consumir carboidratos. O cheiro de pão parecerá o
melhor perfume já inventado. Em suma: será horrível. Entretanto, a
recompensa é uma recomposição corpórea mais radical que com
qualquer outro tipo de dieta conhecida.

É possível perder peso com a presença de carboidratos? Sem


dúvida. Lembre-se: é a equação “energia ingerida menos energia
gasta” que define se haverá ganho ou perda de peso. Entretanto,
realmente acredito que as dietas cetogênicas são as mais eficientes
na perda de gordura quando se pretende, também, manter a massa
muscular.

[ 77 ]
No Brain – No Gain

Perguntas Freqüentes
sobre a Dieta
Cetogênica
Por Homer Culley e Delfin Ryan Eamer

Parte I
Teoria & planejamento

O que é “CKD”?

CKD significa “Cyclical Ketogenic Diet” (Dieta Cetogênica


Cíclica), um termo genérico que designa as dietas que restringem a
ingestão de carboidratos para induzir um estado metabólico
conhecido como cetose. Essa dieta possui um período de alto
consumo de carboidratos a fim de repor as reservas de glicogênio
consumidas durante os exercícios. As CKDs foram originalmente
desenvolvidas para utilização no âmbito do fisiculturismo
profissional. Enquanto o objetivo da maioria das dietas restritas em
carboidratos é manter baixos os níveis de insulina, a CKD pretende
um controle mais abrangente. Ou seja, utilizar a cetose para facilitar

[ 78 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

a queima de gordura, mas também consumir grandes quantidades de


carboidratos durante períodos determinados para beneficiar-se dos
efeitos anabólicos da insulina que, junto com a glicose, também
transporta aminoácidos e outros nutrientes para dentro as células
musculares.

Qual o papel da insulina na dieta cetogênica?

Controlar a secreção de insulina é o objetivo, direto ou


indireto, de todas as dietas com baixo teor de carboidratos. A
Insulina é um hormônio que o corpo produz em certas
circunstâncias, como, por exemplo, após a ingestão de carboidratos.
No caso das proteínas e gorduras também, mas em proporções
bastante reduzidas. O papel da insulina é transportar a glicose do
sangue para as células. Uma alta concentração dessa substância inibe
a utilização de gordura como combustível. Na dieta cetogênica, uma
vez atingida a cetose, a insulina encontra-se presente numa
quantidade muito pequena, maximizando a queima de gordura.

O que significa “índice glicêmico”?

É um índice referente ao tempo que um certo carboidrato leva


para entrar na corrente sangüínea em comparação com a glicose.
Originalmente foi desenvolvido para ajudar diabéticos no controle de
seus níveis de insulina. Carboidratos com baixos índices glicêmicos
demoram mais tempo para entrar na corrente sangüínea. O índice

[ 79 ]
No Brain – No Gain

também é facilmente diminuído quando os carboidratos são


consumidos em combinação com proteínas e gorduras. Os
carboidratos com baixos índices são utilizados para manter os níveis
de insulina reduzidos, os de índice alto são usados em shakes “pós-
treino” para estimular sua secreção.

A CKD é o que eu preciso?

Isso depende dos seus objetivos e de sua composição corpórea


atual. CKDs foram criadas para fisiculturistas que necessitavam
reduzir ao máximo sua gordura corporal perdendo o mínimo possível
de massa muscular. Apesar desses objetivos serem desejáveis para a
maioria dos indivíduos, muitos dos adeptos da CKD já possuem uma
quantidade de massa muscular relativamente grande e são esportistas
bastante experientes. A quantidade de exercícios que eles fazem
excede a capacidade dos iniciantes. Não é necessário ser um atleta
experiente para beneficiar-se dos princípios da CKD, mas deve ser
mantido em mente o grau de complexidade dessa dieta quando
estiverem sendo discutidos detalhes e rotinas de treinamento.

É preciso estar em cetose para perder peso?

Não, para perder peso deve-se apenas consumir menos


calorias do que se gasta. Quando a maioria das pessoas diz que quer
perder “peso”, na realidade referem-se a perder gordura. Muitas
dietas reduzem o consumo calórico tão drasticamente que uma

[ 80 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

grande quantidade de músculo é perdida junto com a gordura. Isso


também reduz a taxa metabólica, o que facilita a volta de toda a
gordura. Estar em cetose significa que o combustível primário do
corpo é a gordura (na forma de corpos cetônicos ou ácidos graxos).
Há evidências de que a cetose é anticatabólica, o que minimiza a
perda muscular. Numerosos estudos comparativos demonstraram
que as dietas cetogênicas são as mais eficientes na retenção de massa
muscular. Ademais, essa dieta tende a acelerar a perda de peso
porque quando a gordura é convertida em corpos cetônicos, estes
não podem ser reconvertidos em gordura, sendo inevitavelmente
excretados.

A cetose é perigosa?

Não é perigosa para indivíduos saudáveis e não-dependentes


de insulina. Crianças epiléticas seguiram dietas cetogênicas por anos
como um método de tratamento. Esquimós alimentaram-se
cetogenicamente por longos períodos de tempo. Virtualmente todas
as dietas com baixa ingestão de carboidratos, incluindo a CKD, não
mantêm o indivíduo continuamente em cetose. Os efeitos em longo
prazo da cetose, entretanto, são desconhecidos.

Como posso saber de estou em cetose?

O principal método são as fitas para medição de cetonúria, as


quais podem ser obtidas em farmácias. São comumente utilizadas

[ 81 ]
No Brain – No Gain

por diabéticos para medir a quantidade corpos cetônicos na urina. Se


a fita ficar escura, você está em cetose. Mas a cetose também é
evidenciada por um mau hálito e uma urina malcheirosa. Sentir um
gosto metálico também é um sintoma comum. Muitos percebem um
estado mental diferente quando estão em cetose; alguns ficam mais
dispersos, enquanto outros, em oposição, sentem-se mais alertas.
Isso varia muito de pessoa para pessoa. Tais fitas não geram
medições muito confiáveis, mas são tudo o que temos.

E se minha fita medidora não estiver ficando escura?

Há vários graus de cetonúria. Mesmo que não haja qualquer


mudança na coloração, ainda existe a chance de você estar em
cetose, talvez apenas não esteja excretando um número de corpos
cetônicos suficiente para reagir com a fita. Mas desde que haja pelo
menos traços deles, você está em cetose. A correlação entre quão
escura a fita medidora ficou e a queima de gordura é incerta, pois a
fita apenas aponta quantos corpos cetônicos há na urina, mas se eles
tiverem sido usados como energia, as fitas não acusarão nada. Então
a fita não serve como “índice” de perda de gordura. Alguns
indivíduos alegam que graus mais suaves de cetose são melhores na
perda de gordura, entretanto, tal afirmação não é universal.

Quanto tempo leva para entrar em cetose?

[ 82 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Novamente, isso varia de indivíduo para indivíduo. Alguns


levam vários dias, outros, menos de um. De modo geral, quanto mais
tempo uma pessoa tem feito essa dieta, mais rápido entra em cetose.

Há algum problema em consumir álcool?

O consumo de álcool não compromete a cetose, pois apenas


resulta numa maior produção de corpos cetônicos. Entretanto, não
confunda isso com “maior queima de gordura”, pois ocorre o oposto:
quanto mais álcool for consumido, menos gordura será perdida. Ele,
em vez de ser metabolizado como gordura, transforma-se numa fonte
para produção de corpos cetônicos. Em cetose as pessoas
embriagam-se muito mais facilmente.

Quanto peso se perde em média?

Na primeira semana há uma grande perda de peso, ao menos


até o período de compensação (de carboidratos). Essa perda de peso
é basicamente água e glicogênio. Remover os carboidratos da
alimentação resulta numa redução substancial de peso. A dieta
cetogênica é diurética e os suplementos comumente utilizados em
conjunção, como a mistura termogênica ECA, também contribuem a
esse efeito. Para a maioria dos indivíduos a perda de peso será algo
em torno de 1,5 – 5kg. No fim de semana, durante a compensação,
muito do peso perdido reaparecerá, pois o corpo está ávido para
recuperar suas reservas de glicogênio e água. Perde-se, em média,

[ 83 ]
No Brain – No Gain

entre 0,5 – 1kg de gordura por semana. A balança não é um


indicador de progresso, pois nessa dieta há muito fluxo de peso não
relacionado à perda de gordura. Talvez a balança não indique
qualquer perda de peso durante uma certa semana, por isso
recomenda-se a utilização de fitas métricas para o acompanhamento
do progresso.

Como calculo a quantidade de calorias a serem consumidas?

Sabendo a quantidade de calorias de manutenção (quantidade


exata gasta para sobreviver, sem ganho ou perda de peso), comece
subtraindo 10% desse número. Caso não saiba qual é essa
quantidade, apenas multiplique seu peso por seis, e vá ajustando o
número conforme necessário, até encontrar o número ideal de
calorias.

Quanta proteína? Quanta gordura?

As necessidades protéicas são calculadas multiplicando sua


quantidade de massa magra por 1.8. Esse resultado, se multiplicado
por quatro, equivalerá à quantidade de calorias em proteínas.
Subtraia essa quantidade de calorias do total (10% a menos que as
calorias de manutenção ou 6 vezes seu peso corporal) e o restante
deve ser consumido em gordura (divida esse resultado por 9 para
obter o número de gramas de gordura). Estudiosos do assunto
recomendam que não se deve consumir menos de 150g de

[ 84 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

proteína/dia mesmo que as contas apontem tal resultado; isso previne


perdas de nitrogênio. O restante dos indivíduos deve utilizar o
múltiplo de 1.8.

Parei de perder peso, o que está errado?

O problema geralmente está na quantidade de calorias. Na


maioria dos casos o indivíduo reduziu excessivamente sua
quantidade, e, quando isso ocorre, o corpo entra num “estado de
famulência”. Esse incômodo estado metabólico é um mecanismo de
sobrevivência designado para períodos de escassez de alimentos. Se
a restrição calórica for muito radical, o corpo reage tentando
conservar ao máximo suas reservas de energia. O metabolismo
abaixa para adaptar-se a um regime de baixas calorias. Tal efeito
ocorre quando a alimentação está aproximadamente mil ou mais
calorias abaixo da quantidade de manutenção. Esse é um erro muito
comum, mas, ocasionalmente, o problema é exatamente o oposto:
não há restrição suficiente. Em ambos os casos, passe a calcular as
calorias consumidas, assim haverá menos margem para erros.

É recomendável medir minha temperatura regularmente?

Tirar sua temperatura logo após acordar é um modo objetivo


de monitorar as mudanças na taxa metabólica. A constância nas
medições é essencial para que as estatísticas sejam consistentes e
confiáveis. Ao acordar, antes de começar a dieta, tire sua

[ 85 ]
No Brain – No Gain

temperatura para utiliza-la como referencial. Se a temperatura


diminuir, isso indica uma queda na taxa metabólica. Medições
semanais serão suficientes.

O que faço se minha temperatura começar a cair?

Aumente as calorias consumidas acima da quantidade de


manutenção por um período de tempo. Comer mais freqüentemente
também ajuda.

Comecei a dieta recentemente e me sinto péssimo. O que está


acontecendo?

A transição para a cetose pode ser difícil e incômoda, pois o


corpo está sofrendo uma mudança metabólica a fim de utilizar os
corpos cetônicos em vez da glicose como combustível primário. Os
sintomas comuns são os mesmos da hipoglicemia, mas, uma vez
atingida a cetose, os níveis de energia retornam ao normal. Quanto
mais vezes se fez essa dieta, mais rápido a transição ocorre.

Quais tipos de alimento posso comer? Quais não?

Proteína e gordura. Isso significa muita carne, frango, ovo,


bacon, peixe, maionese, queijo e óleo; nada de vegetais, leite, pão,
grãos, massa, frutas, etc. Para manter-se em cetose não coma nada
que possua mais que resquícios de carboidratos. Visto que a

[ 86 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

variedade de alimentos fica bastante restrita, é recomendável o


consumo de suplementos multivitamínicos.

E os adoçantes artificiais?

A maioria pode ser utilizada sem preocupações. No entanto,


algumas pessoas têm dificuldade para entrar em cetose enquanto
consomem adoçantes de base sódica ou que contenham ácido cítrico;
evite aqueles que contêm sorbitol, pois ele converte-se em frutose no
fígado, e isso tira o corpo da cetose.

Devo beber quanta água?

Quanto mais melhor; no mínimo dois litros. As dietas


cetogênicas e a maioria dos suplementos termogênicos são
diuréticos, por isso é muito importante estar continuamente repondo
os líquidos perdidos. Alguns dizem que beber bastante água ajuda a
manter baixa a concentração de corpos cetônicos no sangue; a
importância disso reside no fato de altas concentrações causarem
liberação de insulina.

Onde está a fibra nesta dieta?

[ 87 ]
No Brain – No Gain

Na maioria dos alimentos “permitidos” não há praticamente


nenhuma. É necessário incorporar algum suplemento rico em fibras à
dieta.

As fibras contam como carboidratos?

Não. Se um alimento possui 10 gramas de carboidratos, mas


indica 8 gramas de fibras, a quantidade de carboidratos na verdade é
de apenas 2 gramas. Novamente, a tolerância é algo individual.

Por que preciso da “compensação” no fim de semana?

Após algum tempo chega um ponto onde suas reservas de


glicogênio estão tão reduzidas que um treinamento produtivo torna-
se impossível. Comer grandes quantidades de carboidratos,
entretanto, não causa ganho de gordura, pois serão utilizados apenas
para restituir as reservas de glicogênio do corpo. Essa fase também
serve para “aliviar” o indivíduo, pois permite que ele coma os
alimentos “proibidos” durante a semana. A CKD é bastante
específica sobre a quantidade de carboidratos que deve ser ingerida
durante essa fase.

[ 88 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Como faço a “compensação”?

Em geral, recomenda-se que a maioria das pessoas siga o


plano básico de sete dias. Monitore seus resultados, mantenha
registros precisos, assim será fácil discernir o que funciona do que
não. Outro erro comum é mudar muitas variáveis na programação da
dieta de uma vez. No final da semana, simplesmente não será
possível saber qual mudança foi a responsável pela melhora ou piora
dos resultados. É sensato passar algum tempo estudando e refletindo
sobre seus planos antes de começar.

Quando devo começar a “compensação”?

Imediatamente após o treino que depleção. (o treino de


depleção será explicado em detalhes mais adiante).

Devo comer carboidratos antes do treino de depleção?

Alguns recomendam que se coma uma fruta duas horas antes;


outros não comem; há, ainda, os que começam a comer pequenas
quantidades de carboidrato até 5 horas antes do treino, e conseguem
bons resultados.

[ 89 ]
No Brain – No Gain

Quanto tempo deve durar a compensação?

Sugere-se, inicialmente, a duração de 48 horas. Alguns se


sentem satisfeitos com ela, outros a julgam longa demais, causando
ganho de gordura. Muitas foram bem-sucedidas utilizando períodos
de 24-32 horas.

Quanto devo comer na compensação?

O livro Bodyopus recomenda 16 gramas de carboidrato por kg


de massa magra nas primeiras 24 horas e 9 durante as outras 24.
Enquanto tais quantidades podem ser apropriadas para alguns
indivíduos, provavelmente são demais para nós. As quantidades
revisadas são 10 e 5 gramas.

No primeiro dia as calorias provenientes de carboidratos


devem constituir 70% do total, sobrando 30% que devem ser
igualmente divididos entre proteínas e gorduras. No segundo dia os
carboidratos devem ser 60% e o resto dividido como no dia anterior.

Você pode calcular as quantidades por conta própria ou então


utilizar o “método relaxado”: coma normalmente por 24-48 horas,
mantendo a quantidade de proteínas a 2g/kg e a ingestão de gorduras
abaixo de 88g.

[ 90 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Posso fazer a compensação com “junkfood” (guloseimas)?

Essa fase não deve ser vista como uma chance para
empanturrar-se de comida, mas como um período no qual os
depósitos de glicogênio serão restabelecidos para manter o treino
constante e assim evitar um excessivo catabolismo muscular.
Entretanto, é geralmente aceito que comer algumas guloseimas com
certa moderação não causa muitos prejuízos.

É melhor fazer poucas refeições grandes ou várias pequenas?

Pesquisas mostraram que a síntese de glicogênio depende mais


do total de carboidratos consumidos que da freqüência ou tamanho
da refeição. Isso transforma a distribuição dos alimentos ao longo do
dia, antes de tudo, numa questão de preferência pessoal; é você
quem decide se faz 2 ou 12 refeições.

Ganhei peso durante a fase de compensação. Devo me preocupar


com isso?

Isso depende. Se o peso consiste em glicogênio e água, não há


problema algum, afinal, esse é o próprio intuito da compensação.
Mas se for notado um aumento na quantidade de gordura, então
provavelmente as calorias estão altas demais. Reexamine seus
cálculos, ajuste o que for necessário, e compare os resultados.

[ 91 ]
No Brain – No Gain

Parte II
Suplementos

Preciso utilizar suplementos?

Além de um multivitamínico, e talvez cálcio, não. A maioria


dos alimentos na dieta cetogênica possui muita proteína, então um
suplemento protéico não é realmente necessário. Alguns indivíduos
relatam que a suplementação com magnésio e potássio ajuda a
combater a fadiga muscular e as cãibras. Muitos usam Whey Protein,
mas isso não é necessário; consumir proteínas em pó ou através de
alimentos é uma mera questão de preferência pessoal. Muitos
utilizam ECA (mistura termogênica) para potencializar a queima de
gordura durante a fase cetogênica; além disso, a estimulação do SNC
proporcionada pela ECA ajuda a manter a intensidade dos treinos
constante.

Qual a diferença entre “suplementos naturais” e drogas?

Há uma enorme quantidade de substâncias que se enquadram


na categoria de “suplementos naturais”. A distinção entre produtos
“naturais” e drogas se define mais por aspectos legais/políticos que
químicos/biológicos. Muitos “suplementos” vendidos aqui são
classificados como drogas em outros países. O fato de um certo
composto ser encontrado na natureza não implica maior segurança

[ 92 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

ou menos efeitos colaterais. O importante é ter bom senso, prestar


atenção às doses, resultados e efeitos colaterais.

O que devo usar durante a fase cetogênica?

ECA é uma mistura termogênica utilizada por muitos. O efeito


diurético dessa dieta pode causar a perda de eletrólitos,
principalmente sódio (suplementação recomendada: 3-5 gramas),
potássio (1 grama) e magnésio (300mg). Recomenda-se também a
suplementação com cálcio a 1200mg/dia, principalmente àqueles que
não estejam consumindo muitos derivados de leite.

O que são termogênicos?

São substâncias que, quando ingeridas, causam um aumento


na taxa metabólica, encorajando o uso de gordura como combustível.
ECA, DNP e T3 são termogênicos bastante conhecidos. A mistura
ECA, por ser a mais popular, será descrita mais detalhadamente a
seguir.

O que é ECA?

ECA é o acrônimo de Efedrina, Cafeína e Aspirina. Tal


combinação mostrou-se eficiente na perda de peso estudo após
estudo. A efedrina é, tecnicamente falando, um beta-agonista e um

[ 93 ]
No Brain – No Gain

estimulante do SNC; uma “prima” da adrenalina, que manifesta


efeitos similares quando ingerida.

Como ECA funciona?

A efedrina funciona estimulando a glândula adrenal a secretar


efinefrina. Esse hormônio liga-se aos receptores alfa e beta das
células, e isso, entre outras coisas, causa a liberação da gordura
acumulada para utilização como fonte de energia. A cafeína ajuda no
efeito termogênico inibindo a liberação de algumas substâncias que
amenizam os efeitos da efedrina. Aspirina funciona de modo similar
à cafeína, inibindo um mecanismo de feedback. Beta-agonistas,
como a efedrina, são sabidamente agentes anticatabólicos, ou seja,
ajudam a conservar a massa muscular durante dietas.

Usar ECA não é perigoso? Não é ilegal?

Indivíduos com pressão alta ou quaisquer problemas cardíacos


devem consultar um médico antes de usar ECA. Tanto a efedrina
quanto a cafeína são estimulantes do SNC e farão com que os
batimentos cardíacos sejam acelerados. A maioria das pessoas
adapta-se aos efeitos da ECA ao longo do tempo (a estimulação ao
SNC diminui, mas seus efeitos termogênicos não). A efedrina foi
relacionada com mortes, entretanto, apenas em doses absurdamente
elevadas. É um medicamento vendido livremente; sua utilização na
medicina é direcionada aos que sofrem de asma.

[ 94 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Onde posso adquirir ECA?

A efedrina sozinha não é mais vendida, mas é comumente


encontrada em conjunto com outras substâncias em remédios para
asmáticos (por exemplo, finilasma, franol). Pseudoefedrina não é a
mesma substância e não manifestará os efeitos desejados (“pseudo”
significa falso). Pílulas de cafeína são livremente comercializadas,
sendo as farmácias de manipulação os locais mais práticos para
adquiri-las na dose apropriada para seus fins. A aspirina, caso
utilizada, não deve ser substituída por qualquer outro analgésico,
apenas o ácido acetil-salicílico tem as propriedades desejadas.

E suplementos como “Ripped Fuel”, “Diet Fuel”, etc?

Esses produtos contêm os componentes herbáceos dos quais os


princípios ativos da ECA são derivados. A fonte mais comum da
efedrina é a Ma Huang, a da cafeína é o guaraná e a da aspirina é a
casca de salgueiro. Qualquer produto que contenha os três
componentes, ou pelo menos a efedrina e a cafeína, geralmente é
denominado como sendo ECA. Se você pretende utilizar a versão
herbácea, procure os suplementos “padronizados” (standardized).
Isso significa que o fabricante oferece uma garantia quanto à
potência e concentração dos extratos (por exemplo, 334mg de Ma
Huang no “Ripped Fuel” contêm 20mg de Ephedra, que é outro
nome dado à efedrina).

[ 95 ]
No Brain – No Gain

Quais são as doses recomendadas para a ECA?

Efedrina: 20mg
Cafeína: 200mg
Aspirina: 50-325mg (uma a três vezes ao dia)

É recomendável que a ingestão de ECA não seja constante.


Por exemplo, utilize cinco dias e pare dois, ou apenas a utilize nos
dias de treinamento, assim seu corpo terá algum tempo para se
restabelecer.

A aspirina é realmente necessária?

A aspirina, teoricamente, aumentaria os efeitos estimulantes


da efedrina e da cafeína, mas caso ela acarrete alguma
inconveniência, pode-se dispensá-la sem que os efeitos termogênicos
sejam muito comprometidos.

O que é ioimbina?

É uma substância extraída da casca da Corynanthe yohimbe,


uma árvore africana.

[ 96 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Para que serve a ioimbina?

Ela tem muitas propriedades, mas as que mais nos interessam


são as que favorecem a perda de gordura. Alguns indivíduos dizem
que a suplementação com ioimbina em conjunção com exercícios
aeróbicos leva a um aceleramento na queima de gordura. Mulheres a
utilizaram com êxito a fim de reduzir a gordura na parte inferior do
corpo (que é notória por sua resistência a exercícios e dietas). Há
casos de homens que a julgaram bastante útil para eliminar os
resquícios de gordura na região abdominal. Alguns outros,
entretanto, não perceberam qualquer resultado.

Como a ioimbina funciona?

Primeiramente precisamos falar sobre os adrenoreceptores e


células gordurosas. Há dois tipos primários (e vários grupos) de
receptores: beta e alfa. Os beta-receptores estimulam muitos
processos no corpo que encorajam a quebra da gordura, a queima de
calorias, e também o aumento dos batimentos cardíacos e pressão
sangüínea. Estimular os beta-receptores, em relação aos nossos
objetivos, é algo positivo. Os alfa-receptores, em contrapartida,
tendem a inibir a queima de gordura e induzir sua armazenagem.
Logo, “desativar” os alfa-receptores, para nós, é algo positivo. A
ioimbina funciona inibindo os alfa-receptores. Pesquisas mostraram
que a gordura “teimosa” (como a dos quadris e coxas das mulheres)
chega a possuir nove vezes mais alfa-receptores que beta-receptores.
Inibir os alfa-receptores teoricamente permitiria uma perda de

[ 97 ]
No Brain – No Gain

gordura mais eficiente nessas regiões. Um outro problema é a baixa


circulação de sangue nos depósitos de gordura; o método para
aumentar essa circulação é o exercício aeróbico. Utilizar a ioimbina
oralmente afeta os alfa-receptores do corpo inteiro, e não apenas os
que estão nos tecidos adiposos. Indivíduos tentaram solucionar isso
utilizando cremes tópicos, ou mesmo injetando ioimbina pura
diretamente nos tecidos gordurosos. Ainda não se sabe muito sobre o
nível de eficácia dos cremes tópicos e injeções. De modo geral,
algumas pessoas alegam que usar ioimbina oralmente em conjunto
com exercícios aeróbicos é um método eficiente para reduzir a
gordura corporal, especialmente nos locais onde ela é mais
“persistente”.

Quais são as doses recomendadas de ioimbina?

A primeira coisa a ser determinada é quantidade da substância


ativa presente em seu suplemento (ioimbina HCl). A informação
deve constar na embalagem. Muitos utilizam o “Yohimbe Fuel” da
Twinlab, que possui 8mg de ioimbina por cápsula. A dose,
entretanto, é algo extremamente individual. Uma dose ótima é algo
em torno de 0.2mg/kg. Por exemplo, se você pesa 60kg, terá de usar
(60 x 0.2) 12mg, ou seja, uma cápsula de meia. Entretanto, não é
aconselhável começar já utilizando a dose ótima, pois algumas
pessoas manifestam reações adversas, como taquicardia e pressão
sangüínea elevada. Logo, é uma boa idéia começar com uma dose
modesta (4-8mg/dia) e elevá-la gradualmente. Monitorar os

[ 98 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

batimentos cardíacos também é algo aconselhável. Apesar de que


alguns toleram bem a ioimbina, muitos relatam que ela causa um
aumento na freqüência cardíaca para uma mesma intensidade de
atividade aeróbica. Monitore seus batimentos e ajuste a intensidade
de acordo.

Quando devo utilizar a ioimbina?

Deve ser ingerida (com cafeína ou café) de manhã e com o


estômago vazio, aproximadamente 30 minutos antes da atividade
aeróbica. Administrar a ioimbina em conjunção com alimentos ou
logo após uma refeição anula totalmente seus efeitos na queima de
gordura. Caso não seja possível fazer o exercício aeróbico de manha,
então espere tempo suficiente após sua última refeição para que o
seu estômago esteja novamente vazio antes de ingerir a ioimbina, do
contrário será dinheiro desperdiçado.

Pode-se combinar ioimbina com ECA?

Novamente, isso varia de indivíduo para indivíduo. Alguns as


combinam sem qualquer problema, outros apresentam severas
reações adversas. Utilizar ECA e ioimbina tem um efeito tanto beta-
estimulante quanto alfa-inibitório, ou seja, resulta numa queima de
gordura altamente potencializada. Entretanto, a freqüência cardíaca e
a pressão sangüínea também são controladas pelos receptores alfa e
beta. Tal combinação pode causar grandes aumentos de pressão e

[ 99 ]
No Brain – No Gain

batimentos cardíacos em algumas pessoas. Cautela é altamente


recomendada. Alguns utilizam a ioimbina de manhã e então esperam
4 horas para usar a ECA. Outros alternam, num dia ioimbina, noutro
ECA. Caso haja qualquer dúvida, consulte um medico para
esclarecimentos.

A ioimbina é segura? Quais são os efeitos colaterais?

Se você estiver grávida não utilize ioimbina. Ela também pode


aumentar o efeito de certos remédios e inibir o de outros. Indivíduos
que usam antidepressivos ou drogas que possuam efeitos
psicológicos não devem usar iombina. De fato, essa substância não é
recomendável para quaisquer indivíduos com problemas
psiquiátricos. Também não é recomendável para aqueles que sofrem
de úlcera duodenal, de problemas renais ou gástricos. A ioimbina
não é aconselhada para indivíduos hipertensivos ou que fazem uso
de medicamentos para hipotensão. Os efeitos colaterais mais comuns
são taquicardia, tontura, transpiração, tremores, salivação excessiva
e rubor cutâneo.

Devo usar carnitina?

L-carnitina é empregada no transporte dos ácidos graxos


através da membrana celular para possibilitar sua utilização como
combustível. Teoricamente, parece um suplemento ideal para a perda
de peso, ajudando no abastecimento das células musculares. Estudos

[ 100 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

sobre sua eficiência, entretanto, ainda são bastante inconclusivos.


Poucos indivíduos tiveram resultados positivos com a suplementação
de L-carnitina. Essa substância é relativamente cara e de eficiência
questionável.

O que é monohidrato de creatina?

Monohidrato de creatina é um dos suplementos mais


populares, e existem bons motivos para isso. Há muitos estudos
disponíveis sobre creatina, e não vejo qualquer necessidade de
reproduzi-los aqui. Resumidamente, o levantamento de pesos
envolve esforços breves e muito intensos. A energia é provida ao
corpo na forma de ATP (adenosina trifosfato). ATP é constituído em
grande parte pela creatina. A suplementação com creatina
geralmente permite ao atleta trabalhar seus músculos mais
intensamente lhes provendo mais energia.

Aproximadamente 80% dos indivíduos ganharão peso durante


a suplementação com creatina. Parece haver um aumento no volume
celular durante a ingestão de creatina, causando uma retenção hídrica
nos tecidos musculares. Ganhar algo em torno de 3,5 – 5 Kg não é
incomum, entretanto, praticamente todo o peso consiste em água.

[ 101 ]
No Brain – No Gain

Posso utilizar monohidrato de creatina nessa dieta?

Um grande número de estudos demonstrou que o transporte


que creatina às células musculares é potencializado na presença de
insulina. Durante a fase cetogênica da CKD pouca insulina está
presente; apesar dela melhorar o transporte da creatina, a insulina
não é um pré-requisito. Para quem esteja planejando usar creatina
durante a semana, é recomendável que a ingestão seja feita logo após
o treino. O período ideal para a suplementação é durante a fase de
compensação, quando o mecanismo de transporte estará otimizado.

O que é glutamina?

Glutamina é um aminoácido essencial que se tornou


relativamente popular como suplemento. Ele ajuda na armazenagem
de glicogênio, promove a liberação do hormônio do crescimento e é
substancialmente benéfico ao sistema imunológico. Entretanto, a
suplementação com glutamina não é recomendada durante a CKD,
pois ela interfere nos mecanismos que promovem a cetose.

[ 102 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Parte III
Treinamento

Eu não quero ter grandes músculos como um fisiculturista, não


seria melhor usar pesos leves com repetições altas?

A teoria de que fazer muitas repetições com pesos leves induz


a definição muscular é totalmente ridícula; sabemos que queima de
gordura localizada é um mito.

Apenas levantar pesos não fará de ninguém um fisiculturista;


leva anos de treinamento dedicado, de alimentação balanceada e de
utilização de esteróides para se chegar ao nível de desenvolvimento
muscular de fisiculturistas. O que um treinamento bem programado
fará por você é isto: tornar seu corpo mais modelado e aumentar seu
índice metabólico.

Isso é mais comumente perguntado pelas mulheres. Foi


estimado que apenas 10% delas possuem testosterona suficiente para
desenvolver quantidades significantes de massa muscular.

Qual a melhor estrutura de treinamento para a CKD?

Os dois objetivos do levantamento de peso durante a CKD são


os seguintes:

[ 103 ]
No Brain – No Gain

1 – Enviar um sinal ao músculo para que ele “se mantenha”,


evitando assim o catabolismo muscular.

2 – Consumir as reservas de glicogênio até o ponto onde a queima de


gordura seja otimizada.

A estrutura tradicional dos treinos consiste numa fase


“pesada” (segunda e terça) na qual o corpo inteiro é treinado (por
exemplo, a metade superior segunda e a inferior terça). E numa fase
de depleção, com altas repetições e pouco peso (sexta). A
compensação segue-se imediatamente ao treino de sexta-feira.

Como é o treino de depleção mais detalhadamente?

Simplesmente escolha um exercício por músculo e faça um


“loop” pelo corpo todo. Por exemplo: pernas, trapézio, peito, costas,
ombros, panturrilhas, tríceps, bíceps e abdominal.

Para que haja uma melhor recuperação entre as séries, é bom


alternar entre exercícios que atinjam músculos mais distintos
possíveis (por ex: biceps e tríceps, costas e ombros).

Faça 10-20 repetições rápidas por série (um segundo subindo e


um descendo). Um minuto de descanso entre exercícios e cinco
minutos entre os “loops”. As séries não devem ser feitas até a falha
muscular, pois o objetivo é apenas esgotar as reservas de glicogênio.
Muitos se queixam de náusea durante esse treino, o que geralmente

[ 104 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

se deve ao fato deles não descansarem o suficiente entre as séries. O


treino de depleção não deve ser difícil, apenas longo.

Já que a intensidade será menor (grosseiramente, 50-60% do


máximo), a depleção do glicogênio também será mais lenta.
Ademais, 20 repetições levarão apenas 40 segundos para serem
feitas. Admitindo que os níveis iniciais de glicogênio sejam
70mmol/kg, provavelmente serão necessários 4-5 “loops” para
esgotar totalmente as reservas.

O que é um “intervalo”?

É uma técnica avançada de treinamento que pode ser usada


para potencializar a queima de gordura. Genericamente falando,
“intervalos” denominam qualquer atividade que alterna entre
períodos de alta e baixa intensidade (por exemplo, correr e andar).
Algumas variações consistem em 30s/alta e 60s/baixa intensidade,
ou 45s/alta 60s/baixa. Em média são feitos 10 “intervalos”.

Como se utiliza os “intervalos” nesta dieta”?

Simplesmente substitua os exercícios aeróbicos padrão pelos


intervalos descritos acima. Devido à diferença de intensidade dessas
duas modalidades de exercício, fica impossível quantificar o esforço
total tomando o tempo como referencial. Em outras palavras, 12

[ 105 ]
No Brain – No Gain

minutos de intervalos podem facilmente ser tão eficientes quanto 30


minutos de exercício aeróbico de baixa intensidade.

Os maiores benefícios dos “intervalos” não se dão durante a


atividade em si, mas após ela, no chamado “consumo de oxigênio
pós-treinamento” (EPOC – Post Exercise Oxigen Consumption). É
durante ele que a maior parte das calorias é queimada.

Quanto exercício aeróbico?

O consenso sobre o exercício aeróbico é que ele tem como


função criar um déficit calórico. O indivíduo pode criar esse déficit
através da restrição calórica, através do exercício, ou de uma
combinação dos dois, a diferença em termos de queima de gordura
será desprezível. “Calorias consumidas Versus Calorias gastas”
continua sendo a fórmula mais importante.

Aeróbicos de alta ou baixa intensidade?

Se você decidir não utilizar os “intervalos” como método para


queima de calorias, então exercícios de baixa intensidade e duração
moderada serão a melhor opção. Exercícios de alta intensidade que
não sejam breves (especialmente níveis de intensidade que causam o
acúmulo de ácido lático) resultarão numa quebra de fibras
musculares que não será compensará a quantidade de energia gasta.
30-40 minutos, três vezes por semana é um bom ponto de partida.

[ 106 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Queima de Gordura
Localizada:
o Mito que Vende
Pela equipe NFPT Personal Fitness

Alegações feitas pelos especialistas


Existe uma falta de dados fisiológicos para respaldar as
afirmações daqueles que vendem aparelhos para trabalhar músculos
específicos alegando que eles induzirão uma queima de gordura
localizada. Fazer abdominais usando quaisquer aparelhos que
“isolam” a musculatura dessa região ajuda pouco ou nada para
eliminar a gordura da cintura, apesar de freqüentemente ouvirmos o
contrário. O valor de tais aparelhos reside no condicionamento
muscular que proporcionam; sua contribuição à queima de gordura é
extremamente modesta.

É compreensível que devido aos indivíduos obesos e fora de


forma estarem sequiosos por reverter seu quadro atual, torna-se
difícil desencorajá-los a comprar aparelhos que fazem propagandas
falsas, pois estas lhe dizem exatamente o que querem ouvir. E com
todos os comerciais e propagandas que usam testemunhos para se

[ 107 ]
No Brain – No Gain

sustentar, realmente torna-se um desafio tentar convencer do


contrário pessoas cegadas pelo desespero para emagrecer.

Bom senso Versus Queima localizada


A queima localizada de gordura extramuscular simplesmente
não existe, não importa quão bem projetado seja o aparelho ou
quantas pessoas digam o contrário. Os indivíduos precisam de
alguma educação no âmbito do esporte para poder identificar tais
engodos. O estudo conduz ao entendimento, e este conduz a
resultados mais previsíveis e satisfatórios.

Qualquer indivíduo instruído na área esportiva sabe que


exercícios específicos feitos por um músculo ou grupo muscular não
resultarão na queima da gordura armazenada perto ou ao redor da
área sendo trabalhada. Pegue, por exemplo, um iniciante em
musculação que não possua qualquer instrução, e então o faça
acreditar que fazer apenas exercícios localizados para o bíceps será
útil para definir seus braços. Após vários meses na academia,
supondo que tenha feito apenas exercícios para o bíceps, estará ele
com um incrível braço escultural, mas com o resto do corpo flácido?
Claro que não. Se correr, que é uma das atividades mais estudadas
nesse aspecto, resulta em perda localizada de gordura, então por que
indivíduos obesos não preservam a parte superior de seus corpos
inalterada ao mesmo tempo em que exibem pernas definidas e bem
condicionadas? Afinal, apenas as extremidades inferiores são
exercitadas nesse tipo de atividade. Pensem nos jogadores de tênis

[ 108 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

que usam um braço muito mais freqüentemente que o outro. Não há


diferença alguma entre essas considerações ridículas e as alegações
feitas pelos anunciantes de aparelhos para perda de gordura na região
abdominal. A queima de gordura simplesmente não funciona assim e
ponto final.

A fisiologia da queima de gordura


Todo o processo da queima de gordura é iniciado por um
mecanismo de feedback, que é disparado por vários stimuli como
resultado de uma necessidade de energia. Após a estimulação,
hormônios e enzimas são sintetizados e/ou secretados na corrente
sangüínea, e são um precursor indispensável à mobilização da
gordura. Dentro dos poucos segundos necessários à sua síntese e/ou
secreção, esses vários hormônios e enzimas estarão uniformemente
dispersos na corrente sangüínea, e isso inclui a circulação colateral
(os menores capilares). É a circulação colateral que irriga o tecido
adiposo. Em suma, quando essas substâncias chegam até a
circulação colateral já estão plenamente diluídas e igualmente
distribuídas por toda a corrente sangüínea. Na circulação colateral
elas geralmente sofrem perfusão e são distribuídas igualmente para e
ao redor das células gordurosas do corpo todo, salvo poucas
exceções. Deste modo, todos os tecidos adiposos são estimulados
simultaneamente para “liberar” a gordura armazenada na forma
triglicérides, ácidos graxos e glicerol. Esta distribuição e provisão
equilibradas de hormônios e enzimas lipolíticas resultam na

[ 109 ]
No Brain – No Gain

liberação de energia por todo o corpo, o que refuta o mito da queima


localizada de gordura.

A distribuição da gordura corporal


Os indivíduos que possuem grandes acúmulos de gordura em
diferentes regiões do corpo são provavelmente vítimas de seu gênero
sexual e de sua predisposição genética. Por exemplo, a maioria das
mulheres obesas possui maiores depósitos de gordura em seus
glúteos e coxas, enquanto homens tipicamente possuem suas
reservas na região abdominal. No que concerne a obesidade por
predisposição genética (metabolismo baixo, estrutura grande), é
comumente tomado como certo que isso resultará, em diferentes
graus, numa guerra vitalícia contra o acúmulo de gordura e controle
da alimentação.

Quando uma grande quantidade de gordura é armazenada


numa região específica, tal região será a última a queimar e a
primeira a acumular gordura (hipótese considerada devido à pobre
circulação colateral e à reduzida proliferação de agentes lipolíticos
em tais regiões).

A progressão na perda de gordura


Já que a gordura é queimada de modo proporcional, as áreas
que possuem menos gordura serão as primeiras a apresentar

[ 110 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

resultados visíveis. No começo, os anéis e relógios ficam frouxos, a


vascularização das extremidades torna-se mais pronunciada, o rosto
e o pescoço tornam-se visivelmente mais magros, etc. Isso não
significa que essas áreas estejam perdendo gordura mais rápido que
o resto do corpo, mas simplesmente que são regiões onde a perda de
gordura é mais evidente. Na verdade, como mencionado acima, a
queima de gordura está ocorrendo generalizadamente no corpo todo.
Por exemplo, remover meio centímetro de tecido adiposo do corpo
inteiro indistintamente com certeza resultaria numa desproporção
estética, pois as áreas de menor circunferência perderiam uma maior
porcentagem em relação às outras.

Ademais, é interessante notar que existe um ponto durante a


perda de gordura – sendo este algo próprio de cada indivíduo e
região do corpo – após o qual há uma diminuição dramática na
velocidade da queima de gordura. As predisposições discutidas
acima em relação à proporção e distribuição da gordura corporal não
são confirmadas e/ou percebidas até que se atinja esse ponto de
“desaceleramento”. Em outras palavras, por exemplo, uma mulher
com 100kg que passou sua vida inteira pensando ser geneticamente
condenada a possuir um corpo flácido e obeso e, exatamente por
isso, não fez qualquer tentativa séria de perder gordura, talvez tenha
estado enganada o tempo todo; sem alcançar o ponto onde ocorre o
“retardamento” da queima é impossível saber se há predisposições à
obesidade; após uma dieta bem planejada, talvez ela volte a ser
magra. Tenha em mente que, entretanto, tais casos representam
exceções à regra.

[ 111 ]
No Brain – No Gain

Conclusão
Concentrar os esforços numa musculatura atualmente
“mascarada” pelo tecido adiposo com a intenção de “queimar” a
gordura do local em específico para expor os músculos não difere da
tentativa de se livrar da gordura da cintura fazendo abdominais. Os
exercícios certamente beneficiarão a musculatura envolvida, mas até
que toda a gordura seja perdida através de uma dieta bem planejada,
eles não serão nada além de “músculos mascarados”.

Emagrecer às vezes requer muito esforço. Digamos que é uma


proposição bastante audaz, especialmente àqueles que possuem
quantidades desproporcionais de gordura, um metabolismo lento
e/ou predisposição genética à obesidade. Perder gordura continua
sendo um desafio, contudo, ao menos agora estamos conscientes de
que, salvo através liposucção, a “perda de gordura localizada” é
impossível, fisiologicamente impossível.

[ 112 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

DNP & Insulina: uma


Mistura Perfeita
Por Jason Mueller

Parte I
Todos sabemos do uso de insulina entre fisiculturistas e, sem
dúvida, isso constitui o maior avanço no esporte desde o advento do
GH, no começo dos anos 80. Os esportistas dos últimos cinco anos
têm desenvolvido físicos proporcionalmente muito maiores que seus
antecessores exatamente devido ao uso consciente e disciplinado de
insulina. Contudo, convém deixar isto claro: a insulina é
potencialmente letal.

A maioria de nós também já ouviu falar da droga termogênica


chamada DNP. Para quem não a conhece, DNP é o acrônimo de 2,4
dinitrofenol, um inibidor da respiração celular inacreditavelmente
eficiente na queima de gordura. Se alguma vez você se questionou
como um fisiculturista profissional passa de, digamos, 130 para
100kg em um curto período de tempo, provavelmente a resposta é
DNP em conjunção com outras drogas como T3 e clenbuterol. Esse
indivíduo pode vir a apresentar problemas na tireóide, fazendo com
que ganhe ou perca peso descontroladamente, resultando numa

[ 113 ]
No Brain – No Gain

aparência horrível. Ainda bem que não falo de uma pessoa real. DNP
é droga mais poderosa para queima de gordura e, ao mesmo passo,
também a mais mortal.

Antes de continuar, vamos colocar os pés nos chão por um


instante. Não use DNP ou insulina sem saber exatamente o que isso
significa. Não é brincadeira que eles podem lhe matar e, de fato, a
embalagem do frasco de DNP que tenho em mãos está listando as
horríveis conseqüências de apenas tocar a substância. Tenha em
mente que você está colocando sua vida em jogo ao utilizar DNP ou
insulina. DNP é classificado como substância venenosa, sendo usado
até em sprays inseticidas! Bem, agora que tirei esse peso das costas,
deixando tudo às claras, posso continuar com o assunto.

Não vou começar com aquelas explicações chatas e


complicadas sobre os mecanismos de funcionamento do DNP e da
insulina, mas é necessário saber alguns fatos essenciais antes de
prosseguir. Muitos artigos dizem que DNP bloqueia a ação da
insulina, mas isso não é totalmente verdade. A insulina é secretada
pelas células pancreáticas em resposta a elevadas proporções de ATP
em relação a ADP. Quando a quantidade de açúcar no sangue
aumenta, aumenta também a proporção de ATP para ADP, e isso
induz, em última instância, a liberação da insulina pelo pâncreas. O
essencial disso tudo é que a insulina não será liberada a não ser que
os níveis de ATP dentro das células aumentem. DNP bloqueia o
mecanismo que possibilita a síntese de ATP a partir de ADP + P
(fosforilação oxidativa), e assim, obviamente, os níveis de ATP

[ 114 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

dentro da célula nunca se elevarão. De fato, você literalmente se


torna um “diabético” quando sob o efeito da droga.

A ação primária da insulina no corpo é levar a glicose às


células musculares e hepáticas, onde serão armazenadas na forma de
glicogênio, que é uma fonte de ATP. Já que DNP reduz de modo
significativo a produção de ATP, isso novamente interfere com a
insulina, evitando que uma relevante quantidade de glicose seja
absorvida pelas células e utilizada como fonte de energia. Então para
onde está indo toda a energia que normalmente seria utilizada para
“reconstruir” o ATP? Está sendo eliminada na forma de calor. Ou
seja, a quantidade de calor eliminada por esse mecanismo está numa
relação diretamente proporcional à quantidade de DNP consumida.
Doses excessivas de DNP vão literalmente cozinhar o indivíduo.
Realmente isso não parece um dos modos mais agradáveis de
morrer. DNP não segue a lei do “quanto mais melhor”. Doses
moderadas farão seu papel. Doses grandes vão lhe transformar em
um defunto defumado.

Agora já compreendemos como o DNP interfere no


mecanismo da insulina. Outra função da insulina é promover o
transporte de aminoácidos da corrente sangüínea aos músculos e
outras células. A insulina também aumenta a síntese de proteínas.
Apesar de o DNP impedir a secreção de insulina e a síntese de ATP,
não tem ação alguma sobre seus efeitos anabólicos, ou seja, DNP e
insulina devem ser utilizados conjuntamente, pois suas propriedades
são sinérgicas. A insulina “artificial” fará seu papel anabólico
enquanto o DNP estará queimando gordura a taxas elevadíssimas.

[ 115 ]
No Brain – No Gain

Muitos experts do fisiculturismo vêm recomendando a


incorporação de DNP como um componente de qualquer ciclo (de
esteróides) para assegurar que todo o peso ganho seja apenas em
músculo. Teoricamente isso parece ótimo, mas na prática as coisas
não são bem assim. Sou um convicto defensor desta idéia: para
crescer, não há outro modo senão um treinamento pesado e uma
alimentação reforçada. Qualquer pessoa que encontrar um
fisiculturista em época de descanso (não de esteróides, mas dos
campeonatos de fisiculturismo), verá que aquela lenda do “arroz e
frango” foi por água abaixo e que quem manda é a comida
hipercalórica, a “junk-food”. A quantidade de drogas que utilizam
atinge tal magnitude que simplesmente não há como suprir suas
necessidades calóricas comendo apenas alimentos “diet”. Você já
tentou comer 5000 calorias em alimentos desse tipo? Boa sorte. O
certo é que eles estão crescendo a níveis espetaculares, mas também
possuem tendência a engordar um pouco. Bem, aqui vai um pequeno
segredo: os fisiculturistas apenas são definidos daquele jeito nas
apresentações e campeonatos. A maioria das pessoas imagina que
são definidos o ano todo, pois nunca viram fotos deles em dias
comuns. E essas fotos não existem por ótimos motivos. A maioria
dos fisiculturistas parece um balão com uma noz em cada bochecha
fora da época dos campeonatos. Esses indivíduos tendem a ficar
gordos e inchados devido à sua alimentação e ao pesado uso de
drogas. O DNP entra aqui para manter os fisiculturistas definidos
mesmo durante seus ciclos. O problema é que DNP também os deixa
fracos, letárgicos e indispostos. Obviamente, o uso dessa droga não é
uma boa idéia durante, mas entre os ciclos de esteróides.

[ 116 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Acho que intercalar ciclos de DNP + insulina entre os de


esteróides é a melhor escolha. Proponho o uso de esteróides
anabolizantes por 10 semanas (sistema defendido também por Paul
Borreson) seguido por um período de descanso. Esse período de
descanso, entretanto, é apenas para os esteróides, pois é nele que
entra o uso de DNP, insulina e T3 no intuito de queimar toda a
gordura acumulada, mas preservando a massa muscular adquirida.
Um ciclo hipotético de 24 dias seria o seguinte:

Dia 0: último dia em que os esteróides anabolizantes são utilizados.


Dias 1-8: DNP, insulina e T3.
Dias 9-16: DNP não é utilizado; a insulina continua; T3 é utilizado
até o 12.
Dias 17-24: DNP, insulina e T3.
Dia 25: retome o uso dos esteróides anabolizantes.

Psicologicamente, esse não é o sistema mais cômodo. Muitos


dos usuários de esteróides nunca querem interromper o ciclo porque
não conseguem lidar com a angústia de não se sentirem “bombados”.
Estar “bombado” faz parecer que se você estivesse a 200km/h,
sofresse um acidente, e seu carro capotasse 20 vezes e pegasse fogo,
isso não importaria nada, porque você é feito de ferro. É esse o
sentimento ao qual me refiro, “sou forte”, “sou invencível”, “sou o
dono do mundo”. Entretanto, você usa anabolizantes devido ao falso
sentimento de segurança que proporcionam ou por que quer um
corpo excepcionalmente bem-estruturado? Já analisei pessoas que
intercalam períodos de descanso entre os ciclos (pelo menos 3

[ 117 ]
No Brain – No Gain

semanas), e elas são maiores, mais saudáveis e têm um corpo


esteticamente superior aos “usuários contínuos”.

Manter-se definido mesmo fora das épocas de campeonato


significa ter menos gordura para perder. Em outros termos: menos
gordura significa menos dieta, que por sua vez significa menos
catabolismo muscular. No futuro imagino que fisiculturistas manter-
se-ão muito mais definidos durante a fase de crescimento usando um
sistema igual ou análogo ao descrito acima. Chegarão, assim, a
níveis muito superiores de constituição física.

Parte II
Na primeira parte conceituamos o uso de DNP e insulina
intercalado a ciclos de anabolizantes no intuito de conservar a massa
muscular enquanto se perde gordura. Esta segunda parte se concentra
na utilização propriamente dita dessas drogas.

A pergunta mais freqüentemente feita após a leitura da


primeira parte é “onde consigo DNP?”. Quando a maioria das
pessoas faz essa pergunta espera por um endereço ou número de
telefone para encomendar DNP como se fosse pizza. Mas as coisas
não funcionam assim com DNP, pois se trata de um composto
químico parcamente utilizado, e as poucas indústrias que o usam são
altamente especializadas. Por exemplo, DNP é usado em sprays
inseticidas e no tratamento de madeiras. Não são muitas as
companhias que vendem DNP, pois ele é considerado um material

[ 118 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

perigoso; são necessárias autorizações e procedimentos especiais


para que se possa transportá-lo. Ou seja, em última análise, estamos
nesta situação: há pouco DNP, e este, ainda por cima, se encontra
concentrado em companhias muito específicas. Tenha em mente que,
ao ligar para essas companhias, provavelmente estará a falar com
alguém formado em química, que não irá ceder tão facilmente à idéia
de vender uma substância perigosa a uma pessoa desconhecida.
Entretanto, isso não significa que seja impossível compra-lo.

A beleza de o DNP ser uma substância difícil de se adquirir


reside no fato de isso funcionar como uma “peneira” contra pessoas
estúpidas. Quem for suficientemente inteligente para encontrar DNP,
também, eu suponho, será capaz de utilizá-lo com segurança. Nunca
compre o DNP pré-encapsulado por terceiros. Vamos usar o senso
crítico por um instante. A dose eficaz de DNP não é
significantemente diferente da que mata. Saiba o que você está
consumindo, pois estamos lidando com quantidades muito pequenas
de material, ou seja, é imprescindível que haja grande precisão em
sua pesagem. Pessoalmente acho que minha vida vale o suficiente
para não confiá-la à capacidade de pesagem de indivíduos que mal
conheço, a não ser que se trate de um farmacêutico credenciado.

Supondo que já se tenha conseguido adquirir o DNP, vamos à


próxima etapa. DNP é produzido com 25% de umidade (em peso)
por ser considerado uma substância volátil (água aumenta sua
estabilidade). Antes de encapsulá-lo é necessário remover o máximo
possível de umidade. O método mais eficiente para isso é

[ 119 ]
No Brain – No Gain

simplesmente deixá-lo a céu aberto num dia de sol. Também pode


ser utilizada uma lâmpada incandescente se o dia estiver nublado.

Para que a pesagem seja precisa é necessário obter uma


balança bastante sensível. A minha possui tolerância de 0.1g, o que
considero razoável. Escalas mais precisas existem comercialmente,
mas são extremamente caras e tal nível de precisão não chega a ser
realmente necessário. A dose ótima de DNP é 4/5mg/Kg de peso
corporal. Doses levemente maiores são mais eficientes na queima de
gordura, mas o grande desconforto geralmente é um preço alto
demais para a maioria das pessoas. Sabendo que 2.2 libras equivalem
1Kg, um fisiculturista de 220 libras pesa 100kg, ou seja, deve
consumir aproximadamente 400-500mg de DNP/dia. Idealmente, a
dose diária deve ser dividida em duas, uma por volta das 5 da tarde e
a outra antes de dormir. Levando em conta que a maioria das pessoas
estará usando escalas similares à minha, torna-se impossível medir o
DNP com precisão absoluta. Na verdade, o conteúdo das cápsulas
vai oscilar entre 150-300mg, entretanto, essa variação é tolerável aos
nossos propósitos.

Ao manipular DNP seja extremamente cuidadoso ou


provavelmente acabará arruinando a decoração de sua casa. Essa
substância mancha permanentemente qualquer coisa com a qual
entre em contato. Seus vapores (lembre-se, DNP é uma substância
volátil) mancharão os objetos de modo idêntico. Para armazenar
DNP seco é necessário certificar-se de que o recipiente em que está
contido seja selado. Por exemplo, na primeira vez que usei DNP,
guardei-o no canto da cozinha dentro de duas sacolas plásticas.

[ 120 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Depois de algum tempo o canto inteiro havia sido manchado de


amarelo pelos seus vapores. DNP deve ser armazenado em
recipientes hermeticamente selados para impossibilitar que seus
vapores se dispersem pelo ambiente. Ao manipular a substância,
cubra tudo que você pretende conversar com a cor original, use luvas
e jogue-as fora após sua utilização. A negligência no manuseio do
DNP provavelmente fará com que sua casa adquira uma nova e linda
coloração amarelo-urina.

DNP: efeitos colaterais


Traspiração

Após ingerir DNP prepare-se para transpirar muito. No


segundo dia provavelmente já haverá transpiração passiva. No
terceiro você pensará estar num forno, transpirando continuamente.
É de suma importância beber grandes quantidades de água para
evitar a desidratação causada pela transpiração. Procure também se
manter refrigerado, pois temperaturas corpóreas muito elevadas
podem ser perigosas. Use um ar condicionado ou ventilador,
especialmente durante o sono.

Impregnação colorífica dos fluidos corpóreos

Todos manifestam efeitos colaterais relativos a esse aspecto


em um nível ou outro. A urina adquire uma coloração amarelo-

[ 121 ]
No Brain – No Gain

escuro, o suor mancha roupas claras de amarelo e a cor do sêmen


também é afetada. Apesar desse tingimento dos fluidos corpóreos
parecer bizarro, não é prejudicial em si mesmo, mas indiretamente:
com isso arruinei muitas roupas brancas. Vista apenas roupas escuras
para evitar as mesmas conseqüências, pois uma vez manchadas, não
há mais solução.

Falta de energia/letargia

Obviamente, se a substância dificulta a produção de ATP, isso


causa extrema letargia. A partir do terceiro dia torna-se difícil
manter o ritmo normal de atividade. Muitos acham impossível
continuar seus programas usuais de treinamento devido à letargia
causada pelo DNP. Esse é um dos motivos para que o ciclo de DNP
seja curto.

DNP: o ciclo
A duração dos ciclos de DNP é determinada pelo benefício
versus desconforto. Ciclos de oito dias permitem uma queima de
gordura significante e, ao mesmo tempo, não são muito traumáticos
para o usuário. A maioria das pessoas vai estar no fundo do poço
nesse oitavo dia, literalmente vão começar a questionar se perder
peso vale a pena. Ciclos mais longos podem resultar em catabolismo
muscular como resultado das reduzidas quantidades de ATP no

[ 122 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

interior das células musculares e da incapacidade que o indivíduo


apresenta de manter-se firme em sua rotina de exercícios.

Insulina
A utilização de insulina é crucial para se chegar aos níveis de
desenvolvimento muscular dos fisiculturistas atuais, entretanto, deve
haver uma cautela extrema no sentido de evitar a queda dos níveis de
açúcar no sangue. O problema reside no fato ser necessária uma
grande quantidade de insulina para promover o efeito desejado.
Durante meus estudos encontrei poucos artigos que realmente
delineavam precisamente as quantidades de insulina a serem usadas
para induzir o anabolismo. A maioria parece estar fazendo piada,
sugerindo 1 a 3ui algumas vezes ao dia. A insulina só é eficiente em
doses de 30-40ui/dia, e existem fisiculturistas que chegam a usar até
três vezes mais.

Deve haver consumo de carboidratos simultaneamente a todas


aplicações de insulina. Uma boa regra geral é utilizar 10 gramas de
carboidratos para cada ui. Quanto ao tipo dos carboidratos, devem
ser uma mistura de açucares simples e complexos. Um exemplo
prático seria comer banana e arroz ou suco de frutas e batata. Além
disso, é vital que haja alguma fonte de carboidratos simples à mão
em caso de emergência, como, por exemplo, como uma barra de
chocolate. É uma boa idéia avisar as pessoas mais íntimas sobre sua
utilização de insulina, pois assim saberão o que fazer caso notem
algo estranho em seu comportamento. Para usar em último caso, leve

[ 123 ]
No Brain – No Gain

com você um comprimido de glucagon. Essa droga possui o efeito


oposto ao da insulina, causando uma liberação massiva de glicogênio
do fígado e das células musculares.

A insulina certamente induz anabolismo, mas ao mesmo


tempo também cria uma tendência ao acúmulo de gordura. Usando a
insulina em conjunção com DNP haverá perda de gordura ao mesmo
tempo em que a massa magra é preservada pelos efeitos anabólicos
da insulina.

Suplementos
Durante o uso de DNP e insulina algumas “drogas-acessório”
são necessárias para garantir a segurança e a eficiência. Abaixo serão
listadas algumas substâncias recomendadas e uma breve explicação
sobre suas características.

Antioxidantes

Os antioxidantes são particularmente importantes em relação


ao DNP. No início do século XX, quando DNP era normalmente
utilizado como uma droga para queima de gordura, uma
porcentagem muito pequena de mulheres desenvolveu catarata. Usar
antioxidantes como vitamina C e E é de grande importância para
diminuir esse risco e também reduzir o dano causado pelos radicais
livres que estarão sendo produzidos em maior escala. A vitamina C

[ 124 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

também é útil por suas propriedades supressoras de cortisol (quando


utilizadas em grandes quantidades); consuma por volta de 10
gramas/dia em doses divididas. A vitamina E deve ser utilizada a
1000 iu/dia.

Glicerol

Em estudos o glicerol demonstrou ser um agente coadjuvante


na hidratação muscular, e já que a desidratação é sempre algo
preocupante durante a utilização de DNP (vale mencionar que até
desidratações leves induzem catabolismo muscular), recomenda-se o
consumo de três colheres de sopa de glicerol em doses divididas
durante o dia.

Carboidratos

Como dito anteriormente, usuários de insulina estão sempre


sujeitos à hipoglicemia severa. Shakes mistos de carboidratos
simples e complexos são um modo prático de evitar a queda dos
níveis de açúcar no sangue.

[ 125 ]
No Brain – No Gain

T3

DNP causa uma significante queda na produção dos


hormônios tireóideos, pois o corpo reage, na tentativa de evitar o
superaquecimento, abaixando o metabolismo. Assim sendo, a
suplementação com T3 torna-se crucial para maximizar a eficiência
do DNP. T3 é comercialmente encontrado sob o nome de Cynomel.
A dose recomendada para nossos propósitos é de 25 a 50 mcg/dia.

Conclusão
DNP e insulina são extremamente sinérgicos. Indivíduos
considerando a utilização dessas substâncias devem manter-se
atentos aos efeitos colaterais associados às drogas em questão.
Lembre-se: leia tudo que puder sobre as drogas se pretende de
utilizá-las. O conhecimento diminui grandemente os riscos e
possibilita resultados ainda mais satisfatórios.

Apêndice: inibidores de respiração celular


Por J. L. Soares

A liberação de energia pelos elétrons durante sua passagem


pela cadeia respiratória decorre de oxidações dos citocromos. Essa
energia é aproveitada para a conversão de moléculas de ADP em

[ 126 ]
Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

moléculas de ATP. Portanto, a fosforilação do ADP é um processo


“acoplado” com a oxidação dos citocromos. Algumas substâncias
impedem a fosforilação oxidadtiva (formação do ATP), sem contudo
interferir no transporte de elétrons. São os chamados desacopladores
de fosforilação oxidativa. Constituem exemplos o 2,4-dinitrofenol
(DNP), as azidas, o pentaclorofenol e os íons cálcio, que competem
com os íons magnésio na fosforilação.

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No Brain – No Gain

DNP
Por Mack Diesel

DNP é a mais recente “estrela” do mundo das drogas


utilizadas na queima de gordura. O “viagra” da perda de peso.

DNP é perigoso? Sim, é perigoso como qualquer outra droga,


mas seguro e altamente eficiente se tomado nas doses corretas e
usado com um mínimo de bom senso. Todos os problemas cardíacos
causados pela obesidade apenas neste ano superam de longe todos os
casos de problemas médicos relacionados ao DNP.

Poupando o tempo, vou evitar discursos sobre a história desta


droga e ir direto ao assunto. Nada, realmente nada, incluindo
clenbuterol (bom), Cynomel (melhor), E/C/A (vale a pena ser
experimentada, especialmente em combinação com ioimbina), e até
winstrol (cujas propriedades alegadas sobre perda de gordura ainda
são questionáveis), é mais eficiente que o DNP. NADA! Corpos
podem ser radicalmente transformados em poucas semanas com esta
droga. Os “boatos” que se ouve de pessoas perdendo até 0,5 Kg de
gordura por dia com DNP podem ser verdade, mas acredito que 0,5
Kg / dia é um pouco de exagero. Na verdade, normalmente a perda
gira em torno de 1 a 3 kg/Semana. Esses números são para o uso de
DNP sozinho e com um mínimo esforço ativo, sem dietas ou

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

treinamentos especiais. Se combinado com o treinamento adequado,


os resultados podem ser fascinantes.

A dose segura de DNP é entre 3 e 5mg/Kg. Preste atenção


nesses detalhes, porque essa droga é perigosa, um único deslize, uma
overdose de DNP, e você provavelmente vai passar a servir de
alimento para as margaridas e capim do cemitério mais próximo. Por
exemplo, para um atleta de exatamente 100Kg, a dose seria entre
300 e 500mg/Dia, o que não é uma muito, mas nesse caso mais nem
sempre é melhor.

O lado bom, o Ruim e o Bizarro


Você provavelmente está pensando “isso é ótimo, vou ficar
definido rapidamente sem nenhum esforço!”, o que pode ser
verdade, mas ainda há algumas coisas a serem ditas. DNP vai lhe
transformar num ser miserável; você vai suar o tempo todo, suar
excessivamente, e muito provavelmente também vai perder o seu
“sono tranqüilo”. A primeira vez em que usei DNP, estava tomando
as cápsulas antes de dormir, e muitas noites acordei numa poça
gigante de suor. Passei, então, a toma-las de manha, o que pareceu
ajudar um pouco, mas não muito. O certo é que suando nessas
proporções, você precisa beber muita água. Manter-se atento à
desidratação é de importância vital na utilização dessa droga.
Também é necessário eliminar ou monitorar cuidadosamente a
utilização de outras drogas como cafeína e efedrina, pois são

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No Brain – No Gain

diuréticas. DNP pode ser infernalmente incômodo, mas é eficiente


em iguais proporções.

As teorias sobre o período de tempo em que esta droga deve


ser utilizada variam grandemente, mas muito provavelmente seu
ciclo será moldado por suas condições financeiras e acesso a outras
drogas termogênicas. Se você tem dinheiro para comprar drogas
como Clenbuterol e Cynomel, seria sensato alternar entre as três,
utilizando-as individualmente. Pessoalmente começaria o ciclo com
Cynomel, mas este artigo não é sobre esta droga, então ela terá de
esperar por sua vez.

Observações Pessoais
Conheço pessoas que utilizaram DNP e suas críticas foram
todas positivas com exceção das queixas muito comuns sobre a
transpiração excessiva. Dessas pessoas, 50% desistiram por não
suportarem o “calor” excessivo e a transpiração intensa.

Utilizei doses de até 800mg por três dias consecutivos (com


um peso corpóreo de aproximadamente 105kg) e não tive efeitos
colaterais extremos, a não ser que estava transpirando
continuamente, quente, miserável e exausto a maior parte do tempo
devido à grande quantidade de calorias sendo utilizadas dia e noite
no processo de queima de gordura. O calor é diretamente
proporcional à dose administrada, sendo 3 mg / kg relativamente
tolerável. Meu conselho: compre um ventilador para o seu escritório

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

ou local de trabalho; mantenha um estoque de antiperspirante sempre


à mão e providencie um espelho de corpo inteiro para poder se olhar
o tempo todo. Esse artigo é para quem, após ouvir tudo isso, ao ser
perguntado “todo esse desconforto vale a pena?”, responderá “sem
dúvida alguma!”.

Notas sobre DNP – 2,4 Dinitrofenol


– DNP, apesar de ser um fenol, distintamente da maioria dos
compostos dessa classe, NÃO é carcinógeno.

– DNP, se injetado, pode elevar o metabolismo em até 30% dentro


de apenas um minuto (altamente perigoso).

– Antioxidantes (especialmente vitaminas A e E) devem ser


utilizados em conjunção com DNP.

– Deve-se evitar o uso de DNP com diuréticos e drogas


termogênicas e/ou estimulantes.

– Apesar de a dose segura ser entre 3 e 5 mg/Kg, se por uma


pequena confusão a utilizar-se 15 mg/Kg (apenas 3 a 5 vezes maior),
provavelmente ocorrerá uma overdose e conseqüente morte.

– DNP não deve ser encapsulado sem aparelhos de medição precisa.

– A suplementação com DNP pode aumentar o metabolismo entre 15


a 30%, permanecendo ativo no corpo por até 36 horas.

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No Brain – No Gain

Possíveis Efeitos colaterais

– Transpiração excessiva
– Desidratação
– Respiração ofegante
– Taquicardia
– Aumento da pressão sangüínea
– Elevação das taxas metabólicas
– Insônia
– Náusea

Considerações Finais
Utilizar DNP em excesso pode levar à morte (atualmente não
há antídoto para DNP).

DNP pode causar catarata se utilizado a longo prazo sem


antioxidantes (como Vitamina C). * Todos os casos restringem-se às
mulheres.

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

Fatos Básicos sobre


DNP
2,4 dinitrofenol parece ser outro maravilhoso composto deixado
de lado pelos profissionais e estudiosos da comunidade médica. Na
verdade, isso aconteceu porque consideraram-no “perigoso” à
população. Abandonaram, assim, mais um composto ultra-eficiente.
Tenho de admitir, entretanto, que até certo ponto eles estão corretos.

Imagine se DNP fosse o remédio do momento. Uma típica


mulher obesa, após ver numerosos comerciais no jornal, rádio e TV,
normalmente ignoraria as advertências técnicas escritas em letras
pequenas e ficaria compenetrada apenas em constatar os
maravilhosos resultados que as pessoas na TV tiveram.

Afirmações do tipo “emagreci 2,5Kg em um mês” seriam


substituídas por “emagreci 15kg em dois meses sem virtualmente
perder massa muscular alguma”. A senhora obesa “leria
atentamente” o livro sobre o assunto em 5 minutos, e agora que tinha
se tornado uma “expert” do assunto, poderia ir até a farmácia local e
comprar uma caixa de DNP, mas antes passaria na sorveteria para
tomar aquele banana-split de costume.

Ela provavelmente começaria com 400mg/dia como


recomendado pelo livro, mas acabaria ficando impaciente. Apesar de

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No Brain – No Gain

estar perdendo gordura sem esforço algum, ela pensaria “talvez se


tomar mais, perderei mais rápido”, e então aumenta a dose para
1000mg. Neste momento estaria perdendo peso rapidamente, mas
para dar só mais uma “aceleradinha”, adiciona outros 400mg, pois
afinal ela precisa apenas perder aqueles humildes 150kg para ir à
praia semana que vem. Então acontece o que tanto procurou: ela
morre, desidratada como um cacto.

Talvez esteja exagerando um pouco, mas as propriedades


desta droga não devem ser negligenciadas ou as conseqüências
acima serão as reais. A ingestão de DNP se torna proibitiva acima de
certas doses devido à quantidade intolerável de calor que é capaz de
fazer seu corpo gerar, e há margem muito pequena para erros.
Apenas seja cuidadoso. Com um pouco de bom-senso, DNP pode ser
a droga que você esteve esperando para finalmente perder esses
quilinhos a mais.

Dosagem
Como no caso de todas as drogas, este aspecto é o mais difícil
de ser definido com precisão. Alguns usuários experientes
recomendam 4mg/kg. Outros igualmente experientes defendem que
os efeitos plenos se dão com doses de 6mg/kg. Apenas alguns
poucos defendem o uso de doses menores que 400mg/dia. A maioria
das sugestões gira em torno de 600mg/dia.

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

O consenso entre todos, no entanto, é que há um aumento da


eficiência da droga, não importando qual dose seja administrada, se
ela for dividida em duas porções iguais ao longo do dia
(preferencialmente de manhã e tarde). A concentração plasmática de
DNP atinge seu auge de 3 a 4 horas após sua ingestão, ou seja,
dividir a mesma dose em porções separadas permite uma maior
duração dos efeitos termogênicos. Eu pessoalmente comecei com
600mg/dia e considerei essa dose tolerável. Dividia as doses em
300mg de manhã e 300mg depois do trabalho.

Efeitos
Agora chegamos à parte interessante: descrever o inferno em
que o DNP transforma sua vida. Com a mesma eficiência que o DNP
queima gordura, também torna sua vida inacreditavelmente
miserável.

Após a ingestão inicial de DNP, não espere sentir muitos


efeitos além de um leve aquecimento, pois leva um ou dois dias para
que seus efeitos se manifestem totalmente. Me lembro do primeiro
dia em que tomei DNP e fiquei esperando por evidências de que
estava funcionando... como isso hoje me parece tolo. Hoje meros
traços do composto já são suficientes para me alterar
psicologicamente. Dizendo de modo totalmente especulativo, parece
que a tolerância ao DNP funciona de modo inverso: quanto se utiliza
essa droga, mais eficientemente ela parece funcionar. Demora algum

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No Brain – No Gain

tempo para que isso ocorra mas, hoje em dia, com apenas 200mg,
seus efeitos se manifestam plenamente.

No segundo dia você perceberá alterações na respiração. No


meu último ciclo meus pais estavam querendo me mandar para o
hospital porque estava ofegando ao assistir televisão! Também ficará
obvio que algo está interferindo com as quantidades normais de
energia. Para fazer qualquer coisa serão necessários esforços
maiores. Mas a diversão está apenas começando...

Após três ou quatro dias, você provavelmente começará a


perguntar-se se emagrecer realmente vale a pena. Torna-se exaustivo
subir escadas, a transpiração é intensa e contínua, e noites de sono
tranqüilo não passarão de memória.

No primeiro ciclo provavelmente não haverá muitos


problemas para dormir ou surtos de fome. Entretanto, no meu
terceiro ciclo, comia desesperadamente qualquer carboidrato que
encontrava pela frente e tinha um sono péssimo.

Pare o ciclo após uma semana, é impossível para qualquer


pessoa sã suportar mais. Suas quantidades de T3 provavelmente
estão baixas e será preciso uma semana para recuperar-se. Outra
pessoas, entretanto, intercalam clenbuterol e T3 entre os ciclos de
DNP; isso soa insano para mim. Eu sinto necessidade de descanso
total após uma semana de DNP, e com certeza após seu ciclo você
vai concordar comigo. Em todo caso, a não ser que você esteja se
preparando para algum campeonato, não é preciso bombardear-se

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Aliando Inteligência ao Fisiculturismo

com todo tipo de droga termogênica que encontrar pela frente, pois
DNP sozinho já é extremamente eficiente.

No fim do ciclo você vai perceber que está, na verdade, um


pouco maior do que quando começou. Não há problema, é apenas
água. A melhor parte são os dias subseqüentes, nos quais a água é
eliminada, deixando à mostra o magnífico resultado do DNP.

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