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Curso Preparatório para o Exame da OAB – 2007.1


Data:06/09/2007 Disciplina: D. COMERCIAL Prof: João Glicério
Aula: 1ª. Assunto: Divisões do D. Comercial Obs:

DIREITO EMPRESARIAL

FUNDAMENTOS HISTÓRICOS:

1- Teoria dos atos de comércio: atos de comercio em sentido estrito.

• Comércio em sentido estrito;


• Banco (intermediação monetária);
• Seguro (intermediação do risco);
• Indústria (produção de bens).

2- Teoria da empresa: Surgiu em 1942 na Itália. Se preocupou em conceituar


empresário.

O Direito Comercial (Empresarial) é dividido em cinco partes:

1. Teoria Geral: A teoria geral do Direito Comercial estuda o objeto principal


da atividade empresarial, ou seja, o empresário.

- Teoria Geral: até 2002 vigorava no Brasil a Teoria dos atos de comércio que nasceu
na França em 1808 trazida para em 1850, o nosso Código do Comércio. Nasceu após
a Revolução Francesa com a tomada do poder pela burguesia. A burguesia pensou que
como havia apenas um código para todos, seria necessário fazer uma divisão.
Surgindo assim a bipartição do direito privado, ou seja, o direito civil tem que estar
separado do direito comercial. Surgem dois Códigos: em 1804 o Código Civil e em
1808 o Código o comercial. O código civil vai regulamentar a vida dos nobres e o
código comercial vai regulamentar a vida dos burgueses. O código comercial dizia
que só havia quatro atos: atos de comércio; bancos; indústrias; comerciantes e
seguros. Não estava nesse rol a agricultura. Só os nobres exploravam as prestações de
serviços e eram reguladas pelo Código Civil. Havia como há até hoje certas vantagens
de estar sob o Código comercial: ex: o insolvente deixa de ser após a extinção de
100% das obrigações. Era muito mais vantajoso ser amparado pelo Código Comercial.
Hoje em dia ainda existem algumas vantagens de se enquadra no Código do
Comércio.

Não havia um conceito de atos de comércio. Aqui está o problema, quando trazia a lei
não tinha dados para se basear em lei. Na Itália em 1942 surgiu a TEORIA DE
EMPRESA. Esta teoria se consolidou no Brasil em 2002, antes tínhamos lei que
falavam da empresa (CDC), mas só se consolidou no Brasil com efetividade em 2002

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com o Novo Código Civil. O Art. 966 do CC/2002, que é uma cópia do artigo
italiano, traz o conceito de empresário adotado pela teoria da empresa.
Art. 966. Considera-se empresário quem exerce
profissionalmente atividade econômica organizada para a
produção ou a circulação de bens ou de serviços.
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce
profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística,
ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o
exercício da profissão constituir elemento de empresa.

1.1. Sujeito: O empresário é o sujeito da atividade empresarial.

- Conceito de Empresário: considera-se empresário aquele que exerce


profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação
de bens e serviços. Aqueles que atenderem este requisito são empresários, se não
atender estes requisitos não será empresário e está sujeito ao Código Civil.

Obs. Numa sociedade, o sócio não é considerado empresário, o empresário


neste caso é o banco de dados da empresa.

1.2. Elementos: Na teoria geral vamos estudar o empresário e os elementos


que gravitam em torno do empresário.

- O conceito de empresário já traz consigo os elementos:

b.1. Profissionalismo: É aquele que não exerce sua


atividade de forma amadora, devendo o mesmo viver da sua atividade.
- Habitualidade: é sinônimo de periodicidade. Tem atividade
que a demanda é periódica. Ex: blocos de carnaval.
- Pessoalidade: significa que o empresário tem que exercer a
sua atividade, que poderá ser exercida indiretamente. Ele tem que ter
pessoas que hajam em nome dele. Pode fazer diretamente ou ter
pessoas que agirão em nome dele. A mão de obra sempre terá de agir
em nome do empresário.
- Monopólio de informações: Quem adicionou este outro
elemento foi o autor Fábio Ulhôa Coelho da editora saraiva. Significa
que o empresário deve que prever todas as informações, as mais
importantes, da sua atividade, ou seja, conhecimento necessário para
que o empresário possa exercer sua atividade. Principalmente aquelas
que vão ter que dispor, repassar ao consumidor. Ele não precisa ter
habilidade técnica. São as qualidades do produto, condições de uso do
produto, matéria prima utilizada, eventuais defeitos de fabricação.

b.2. Atividade Econômica: Empresa não é coisa nem pessoa. Empresa


é sinônimo de atividade. O sujeito da atividade é o empresário.
Empresa é a atividade. Empresa cria o vinculo jurídico entre o
sujeito (empresário) e o objeto (estabelecimento empresarial). O
aspecto econômico de uma atividade envolve o aspecto lucrativo,

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pressupõe o lucro. Tem que haver a possibilidade do lucro. Na verdade
a atividade econômica tem a possibilidade de lucro. Pergunta-se: só a
sociedade exerce uma atividade econômica? A fundação exerce, a
associação exerce. Lucro é a receita menos a despesa quando a
receita é maior que a despesa. A fundação tem lucro, a diferença é que
a fundação não tem fim lucrativo. O lucro não é o seu fim, nem o seu
objetivo. Existem atividades civis, não empresariais que tem lucro
como fim. Ex: Advogados: o advogado exerce uma atividade civil que
tem o lucro como o fim, um resultado positivo. Serviço é mais um
elemento. Tem que se analisar os elementos.
• Ponto Comercial ou Empresarial: local onde a atividade é exercida.
• Estabelecimento: é o conjunto de bens materiais e imateriais que o
empresário utiliza para exercer sua atividade.
Obs. O aspecto econômico é justamente a sua finalidade lucrativa.

b.3. Atividade organizada: a organização é a articulação dos quatro


fatores de produção:

1. Capital: dinheiro próprio ou alheio.


2. Insumo: matéria prima utilizada pelo empresário.
3. Mão-de-obra: direta (que possuem vínculos com o
empresário) ou indireta (os terceirizados).
4. Tecnologia: aprimoramento necessário para atender certa
demanda.
Art. 966. Considera-se empresário quem exerce
profissionalmente atividade econômica
organizada para a produção ou a circulação de bens ou de
serviços.

Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce


profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística,
ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o
exercício da profissão constituir elemento de empresa.

b.4. Produção ou Circulação de serviços

A atividade não será empresarial quando não contiver um desses elementos.

Atividades Civis: que não exercem atividades empresariais.

I. Excludente: quem não se enquadra no art. 966, CC.

II. Profissional Liberal (parágrafo único do art. 966): Profissional Intelectual: os


profissionais liberais, artistas. Ele pode contratar mão de obra que não será
considerado empresário, salvo se o exercício da atividade constituir elemento de
empresa. Quando ele se organizar de acordo com o art. 966, e perder a sua
independência profissional, ele será empresário.

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A sociedade formada por profissional intelectual, trata-se de sociedade simples
e deverá ter o seu registro no Cartório Civil de Pessoa Jurídica.

III. Atividade Rural: para quem exerce atividade rural o conceito de empresário é
formal e não material. Não se submete ao art. 966 CC/02, que tem conceito material.
O conceito que se aplica a quem exerce a atividade rural é formal. Tem a faculdade de
registrar-se na junta comercial (será empresário) ou no cartório de registro civil (não
será empresário). É o registro que vai determinar a qualidade daquele indivíduo, se
empresário ou não. O registro é obrigatório, a faculdade está onde se efetuará o
registro. Não importa o tamanho da atividade.

IV. Cooperativas: É também um critério formal. No art, 982, § único, CC/2002.


Cooperativa será sempre sociedade simples. As cooperativas sempre serão sociedades
simples e efetuaram seu registro em junta comercial. O contrário senso, a sociedade
por ações é sempre sociedade empresária (S/A).

a. Obrigações do Empresário:

i . Registrar: O registro na Junta Comercial para informar ao Estado


que está iniciando atividade econômica e requerer personalidade
jurídica. A lei que regulamenta o registro é a lei 8.934/94 ela
instituiu o SINREM (Sistema Nacional do Registro de Empresas).
No âmbito federal, o órgão competente é o DNRC – Departamento
Nacional de Registro de Comércio, que está vinculado ao
Ministério de Desenvolvimento de Indústria e Comércio, e no
estadual é a Junta Comercial do Estado. O DNRC é o órgão que
elabora as regras e a Junta é o órgão que executa as regras
estabelecidas pelo DNRC.

Funções do DNRC:

1. Legislativa: É o DNRC diz como será feito o registro de


empresas no Brasil e são emanadas através de Instruções
Normativas (é dizer como o registro deve ser feito pelas
juntas comerciais).
2. Fiscalizadora: O próprio DNRC fiscaliza se o registro está
sendo efetuado de forma adequada.
3. Correcional: é o DNRC que corrige um registro que foi
feito de forma inadequada.
4. Manutenção: manter o cadastro nacional de empresas
mercantis. Esse cadastro tem a função informativa. Quem
faz o cadastro é a Junta Comercial, e esta informa o DNRC.
Esse cadastro não substitui o cadastro da junta que tem
caráter . O DNRC está vinculado ao Ministério de
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Funções da Junta Comercial do Estado:

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1. Executiva: A Função da Junta é uma função executiva. É a
junta que vai executar as regras do DNRC. Ela só pode
analisar os aspectos formais dos registros não podendo
analisar os aspectos materiais. A função da junta é analisar os
registros e analisar a sua licitude. Ela vai apenas analisar os
requisitos formais e não materiais.
2. Assentamento dos usos e práticas mercantis: a junta tem a
função de guardar os costumes comerciais, o uso dos
costumes é muito mais relevante no direito comercial.
3. Servir de Órgão Profissional: a Junta Comercial é o órgão
profissional para as categorias pára-comerciais.
4. Expedição de carteira profissional das categorias
profissionais pára-comerciais.

OBS: Categorias pára-comerciais:

• Tradutores públicos (convertem para português os


documentos do empresário).
• Intérpretes Comerciais (convertem para português os
diálogos do empresário).
• Leiloeiro (tem a função de auxiliar o empresário a
comprar e vender seus bens).
• Administrador de Armazém Geral (administradores da
armazenamento de contêineres).
• Trapicheiro (administrador de trapiche – armazém geral
de pequeno e médio porte, onde os produtos devem
aguardar a fiscalização).

Os armazéns e os trapiches foram substituídos pelos ****** de contêineres.

Atos do Registro: são três os atos de registro:

.. Matrícula: é o ato de registro para as categorias para-


comerciais.
... Arquivamento: ato de registro de empresário individual
e de constituição, alteração e dissolução das sociedades
empresariais. O prazo do empresário é de 30 dias
(corridos) da data da assinatura do contrato, da prática do
ato. Perdendo o prazo implica n irregularidade do
empresário e pode responder ilimitadamente com o seu
patrimônio particular.
.... Autenticação: ato que possui dupla finalidade:
função de veracidade e a função de regularidade.
• A função de veracidade é quando confere a cópia com
a original, atribuir à cópia, fé pública.
• A função de regularidade é de atribuir aos livros
comerciais à eficácia legal. Os livros só vão ter a

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eficácia se estiverem regulares, e só vão estar regulares
se estiver autenticado em todas as páginas.

ii. Escriturar: Elaborar os livros empresariais onde vai guardar tudo


o que ocorrer na sua atividade. Os livros comerciais têm a função
de guardar as operações do empresário, ou seja, realizar os
lançamentos de suas operações no livro comercial.

Funções dos Livros


− gerencial: auxiliam o empresário a tomar suas decisões.
− Documental: decorre da necessidade que o empresário tem em
demonstrar a terceiros a existência da sua atividade (investidores,
financiamentos).

Os livros se dividem em obrigatórios e facultativos.

a) Os livros obrigatórios sua falta ocasiona sanções ao empresário e


se dividem em:

- comuns: são aqueles impostos a todos os empresários, sem


distinção. Todos os empresários têm que escriturar, e se não
escriturar sofrerão as sanções cabíveis. O diário é único livro
obrigatório a todos os empresários. Exceto para as microempresas
e de pequeno porte estão dispensadas da escrituração do diário,
salvo se optarem pelo Simples Nacional. Se a empresa micro ou de
pequeno porte não optarem pelo Simples Nacional, não precisam
escriturar o livro diário (Nada), ficam obrigados a escriturar o livro
caixa. Se optarem tem que fazer dois outros livros: caixa e
inventário.

- especiais: são aqueles que são impostos a certas categorias de


empresários. Alguns têm outros não. Ex: livro de registro de placas
automotivas; livro de registro de duplicatas (somente os empresários
que optam por emitir duplicatas são obrigados a escriturar em livro
de duplicatas).

OBS: Os Livros obrigatórios estão aos Requisitos de Regularidade


que são de dois tipos;

• Intrínsecos: São aqueles que se relacionam com a técnica


contábil utilizada no livro. São três; Idioma nacional (tem de
ser escriturado em português), a Moeda (Tem de ser a
nacional), a Forma Mercantil (em ordem cronológica, sem
rasuras, sem borrões e nem espaços em branco. As correções
só poderão ser feitas mediante estorno)
• Extrínsecos: São aqueces pertinentes as seguranças dos
livros, ou seja, visam evitar as fraudes. São eles; Termo de
abertura, termo de encerramento e Autenticação em todas as
páginas.

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b) Os livros facultativos: o próprio nome já diz, não é obrigatório.

Funções dos livros comerciais:

I. Gerencial: serve para o próprio empresário, pois estes vão ajudar


o empresário a tomar as suas decisões.
II. Documental: decorre da necessidade que o empresário tem de
demonstrar a terceiros a sua atividade.
III. Fiscal: decorre da necessidade de demonstrar ao Estado a sua
atividade, decorre da necessidade que o Estado possui para controlar
a incidência de pagamentos de tributos.

iii. Levantar balanços periódicos: são os resumos dos livros. O


empresário tem obrigatoriamente apresentar dois balanços por ano:
α ) Patrimonial: demonstra o ativo e o passivo daquele período.
β ) Resultado Econômico: é aquele em que o empresário demonstra
os lucros e as perdas.

Temos duas exceções:

1. Instituições financeiras: a cada seis meses.


2. Microempresário e empresários de pequeno porte: estão
dispensadas.

Data: 15/09/07 Disciplina: Comercial Prof: João Glicério


Aula: 2ª. Assunto: Teoria geral (cont.) Obs:

TEORIA GERAL (cont.)

b. Estabelecimento Comercial (ou Empresarial):


Estabelecimento empresarial é objeto, é o instrumento do empresário. O
Estabelecimento Empresarial não é o imóvel.
Conceito: é o conjunto de bens materiais e imateriais reunidos pelo empresário
que são utilizados para o exercício da atividade econômica.
O estabelecimento comercial é tudo, mesa, cadeira, máquinas, nome, formam
o estabelecimento empresarial que é uma parte do patrimônio empresarial.
Estabelecimento é a parte do patrimônio que é utilizado na atividade
empresarial. Ex: A marca, nome, invenções, etc.
O Valor é a soma do valor de todos os bens mais um “plus”. Está tudo pronto,
organizado empresarialmente, e esta organização vale alguma coisa, um valor
a mais, que é chamado aviamento, que é o valor agregado ao estabelecimento
empresarial em razão da sua organização. Ex: comprar um carro desmontado
com as peças separadas se pagará um valor X, já o carro montado será
acrescido um valor Y correspondente a montagem, a organização das peças,
esse valor Y seria o aviamento.

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Para alienação do estabelecimento empresarial tem que atender a alguns
requisitos:

1º.: Contrato escrito: para a alienação do estabelecimento comercial o contrato


tem que ser escrito, para que possa ser arquivado na junta comercial.
2º.: Publicação da Alienação: a alienação tem que ser publicada para que
tenha a eficácia. Tem como objetivo viabilizar a manifestação ou não de
credores.
3º.: Anuência de todos os credores: esta concordância, esta anuência pode ser
tácita, se o credor não se manifestar até 30 dias da publicação, e pode ser
expressa.

Obs. 1: Se o restante do patrimônio empresarial for suficiente para saldar


todos os credores, não é necessária a concordância de todos os credores. Os
créditos poderão ser comprados solidariamente por um prazo de 1 ano, este
prazo de um ano corre, para as dívidas vencidas, a partir da publicação, já para
as dívidas vincendas, correrá da data de vencimento.
Obs. 2: Passivo Trabalhista e Passivo Tributário são duas exceções a essa
regra.
Pelo passivo trabalhista vendedor e comprador respondem solidariamente
sem prazo específico de acordo com art. 448 da CLT. Para a dívida trabalhista
a solidariedade só acabará quando houver a extinção da dívida no caso da 2
anos para a frente e 2 anos para atrás.
Art. 448. A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa
não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados.

Para a tributária a solidariedade esta em conformidade com o art. 133 do


CTN.
Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de
outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento
comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração,
sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual,
responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido,
devidos até a data do ato:
I – integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio,
indústria ou atividade;
II – subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou
iniciar dentro de seis meses, a contar da data da alienação, nova atividade
no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão.

A regra é a seguinte:
Caso o alienante continue a exercer alguma atividade econômica ou retorne ao
seu exercício em até seis meses será ele o responsável, enquanto o adquirente
responderá subsidiariamente por elas.
Caso o alienante não mais exerça qualquer atividade econômica ou retorne ao
seu exercício apenas após os seis meses, será o adquirente integralmente
responsável pelas dívidas.

c. Nome Empresarial:

2. Direito Societário:
a. Acepção Coletiva:
b. Sociedades Empresárias:

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i. Classificações:
ii. Espécies:

3. Direito Cambiário:
a. Títulos de Crédito
i. Conceitos:
ii. Princípios
iii. Classificação:
iv. Espécies:
4. Direito Falimentar:

5. Direito Contratual Mercantil:

Obs.: Temas preferenciais para o exame da OAB: Teoria Geral, Direito Societário e
Direito Falimentar. O examinador adora comparar. Fatalmente cai uma comparação
de um instituto correlato com outro ramo de direito. Tudo que é novidade chama a
atenção do examinador. O direito falimentar é a maior novidade (2005), pois sua
estrutura foi alterada com a nova lei 11.101/2005. Quando forem estudar o direito
falimentar comecem pela lei. Dentro do âmbito do direito privado, leia o código civil
e a lei falimentar.

LEIS:

CC/2002 – art. 966 e ss.


Lei de Falências: 11.101/2005
Lei de S/A: 6.404/76
Lei de Registro: 8.934/94
Lei: 5.763/73
Lei de Cheques: 7.357/85
Lei de Duplicatas: 5.434/68

ESTABELECIMENTO COMERCIAL

Estabelecimento é o conjunto de bens para o exercício da atividade organizada.


OBS: alienação durante a recuperação de empresa quanto na falência, a anuência
de todos os credores deve ser EXPRESSA. Nesse caso, durante a falência e a
recuperação, não é necessário unanimidade, mas apenas a maioria.

Ponto comercial (imóvel) – Lei 8.245/91


Próprio
Alheio:
• Locação residencial para fins de moradia
• Locação não residencial (empresarial): realizado pelo locatário empresário
que naquele imóvel exerce uma atividade organizada.

A duração do contrato é de no mínimo 05 anos.

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A lei atribui ao empresário ou locatário a faculdade de RENOVAR
COMPULSORIAMENTE O CONTRATO (DIREITO DE INERÊNCIA AO
PONTO) (art. 51 da lei 8245/91). Para isso existem exigências:
Art. 51. Nas locações de imóveis destinados ao comércio, o
locatário terá direito a renovação do contrato, por igual prazo,
desde que, cumulativamente:
I - o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e
com prazo determinado;
II - o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos
prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos;
III - o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo
ramo, pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos.
1º O direito assegurado neste artigo poderá ser exercido
pelos cessionários ou sucessores da locação; no caso de
sublocação total do imóvel, o direito a renovação somente poderá
ser exercido pelo sublocatário.
2º Quando o contrato autorizar que o locatário utilize o
imóvel para as atividades de sociedade de que faça parte e que a
esta passe a pertencer o fundo de comércio, o direito a renovação
poderá ser exercido pelo locatário ou pela sociedade.
3º Dissolvida a sociedade comercial por morte de um dos
sócios, o sócio sobrevivente fica sub - rogado no direito a
renovação, desde que continue no mesmo ramo.
4º O direito a renovação do contrato estende - se às locações
celebradas por indústrias e sociedades civis com fim lucrativo,
regularmente constituídas, desde que ocorrentes os pressupostos
previstos neste artigo.
5º Do direito a renovação decai aquele que não propuser a
ação no interregno de um ano, no máximo, até seis meses, no
mínimo, anteriores à data da finalização do prazo do contrato em
vigor.

O contrato de locação seja no mínimo de 05 anos. Também pode ser a soma de


contratos que resulte 05 anos, podendo não ser do mesmo locatário (ex:
sucessão: pai morre e filho continua). Os 05 anos deverão ser ininterruptos.
O empresário esteja executando naquele imóvel a mesma atividade há pelo menos
03 anos. Tendo que completar esse tempo até a data da propositura da ação
renovatória – ação que pede ao juiz que renove o contrato compulsoriamente.
O prazo para a propositura da ação renovatória é de 01 ano há 06 meses antes
do término do contrato (pode renovar a ação até o penúltimo semestre da ação)
(ex: se termina num sábado o prazo não se prorroga, tem que ajuizar na sexta-
feira) – prazo decadencial (art.. 51) não se suspende, não se interrompe e não
se prorroga. Se assinar o contrato por prazo indeterminado não pode renovar o
contrato. Só empresário tem direito a renovação compulsória (a lei afirma que
deve se tratar de atividade de comércio) – PARA A OAB SER EMPRESÁRIO
NÃO É REQUISITO. Se o locador propõe ao locatário renovar o contrato por
mais 03 meses, prorroga-se também o prazo para ajuizar a ação renovatória.

Quando propõe a ação renovatória, renova-se o contrato por igual prazo.


Na lei 8245/91 temos o direito de inerência ao ponto e na CF temos o direito de
propriedade. Se houver um conflito entre esses direitos prevalece o direito de
propriedade. A própria lei de locações estabelece EXCEÇÕES DE RETOMADA
(arts. 52 e 72 da lei 8245/91):
Art. 52. O locador não estará obrigado a renovar o contrato se:
I - por determinação do Poder Público, tiver que realizar no
imóvel obras que importarem na sua radical transformação; ou
para fazer modificações de tal natureza que aumente o valor do
negócio ou da propriedade;
II - o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para
transferência de fundo de comércio existente há mais de um ano,
sendo detentor da maioria do capital o locador, seu cônjuge,
ascendente ou descendente.

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1º Na hipótese do inciso II, o imóvel não poderá ser
destinado ao uso do mesmo ramo do locatário, salvo se a locação
também envolvia o fundo de comércio, com as instalações e
pertences.
2º Nas locações de espaço em shopping centers , o locador
não poderá recusar a renovação do contrato com fundamento no
inciso II deste artigo.
3º O locatário terá direito a indenização para ressarcimento
dos prejuízos e dos lucros cessantes que tiver que arcar com
mudança, perda do lugar e desvalorização do fundo de comércio,
se a renovação não ocorrer em razão de proposta de terceiro, em
melhores condições, ou se o locador, no prazo de três meses da
entrega do imóvel, não der o destino alegado ou não iniciar as
obras determinadas pelo Poder Público ou que declarou
pretender realizar.

Art. 72. A contestação do locador, além da defesa de direito que


possa caber, ficará adstrita, quanto à matéria de fato, ao
seguinte:
I - não preencher o autor os requisitos estabelecidos nesta
lei;
II - não atender, a proposta do locatário, o valor locativo
real do imóvel na época da renovação, excluída a valorização
trazida por aquele ao ponto ou lugar;
III - ter proposta de terceiro para a locação, em condições
melhores;
IV - não estar obrigado a renovar a locação (incisos I e II do
art. 52).
1° No caso do inciso II, o locador deverá apresentar, em
contraproposta, as condições de locação que repute compatíveis
com o valor locativo real e atual do imóvel.
2° No caso do inciso III, o locador deverá juntar prova
documental da proposta do terceiro, subscrita por este e por
duas testemunhas, com clara indicação do ramo a ser
explorado, que não poderá ser o mesmo do locatário. Nessa
hipótese, o locatário poderá, em réplica, aceitar tais condições
para obter a renovação pretendida.
3° No caso do inciso I do art. 52, a contestação deverá trazer
prova da determinação do Poder Público ou relatório
pormenorizado das obras a serem realizadas e da estimativa de
valorização que sofrerá o imóvel, assinado por engenheiro
devidamente habilitado.
4° Na contestação, o locador, ou sublocador, poderá pedir,
ainda, a fixação de aluguel provisório, para vigorar a partir do
primeiro mês do prazo do contrato a ser renovado, não excedente
a oitenta por cento do pedido, desde que apresentados elementos
hábeis para aferição do justo valor do aluguel.
5° Se pedido pelo locador, ou sublocador, a sentença poderá
estabelecer periodicidade de reajustamento do aluguel diversa
daquela prevista no contrato renovando, bem como adotar outro
indexador para reajustamento do aluguel.

• Uso próprio, o CC proíbe que o locador exerça a mesma atividade do locatário


num prazo de 03 anos. No entanto, para a maior parte da doutrina se essa
proibição for corrompida converte-se em perdas e danos (indenização).
• Reforma substancial no prédio locado imposta pelo poder público. É a
reforma que impede a continuidade da atividade. O locatário não tem direito
de indenização, mas se o locatário não começar as obras em até 03 meses ele
vai ter que indenizar o locatário.
• Proposta melhor de terceiro. Nesse caso, o locador deverá perguntar ao
locatário se ele cobre a proposta. Cabe indenização pelos danos causados. Não
pode romper o contrato, apenas não renovar mais.
• Proposta de renovação do locatário inferior ao valor de mercado. Isso
ofende o direito de propriedade do locador.

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• Transferência de estabelecimento empresarial do locador, de cônjuge, seus
ascendentes ou descendentes para o imóvel, desde que estabelecido há mais
de 01 ano para o imóvel locado. Obs: tem um dispositivo do CC que proíbe o
estabelecimento de mesma atividade empresarial por um período de 5 anos,
para a doutrina não sub-existe esse dispositivo.

Esse rol de 05 exceções de retomada é exemplificativo. Qualquer outro choque entre o


direito de propriedade e o direito de inerência ao ponto deverá ser sempre analisado
com a prevalência do direito de propriedade.

NOME EMPRESARIAL

É o elemento que identifica o empresário, diferencia o empresário, enquanto sujeito


da atividade econômica orgnizada. Durante muito ele foi utilizado para identificá-lo
perante os financiadores. Hoje o que o identifica perante os consumidores é a marca.

Elementos identificadores da atividade empresarial:

• Nome empresarial: elemento identificador do empresário


enquanto sujeito da atividade econômica organizada. O empresário.
e deve ser registrado na Junta Comercial. ex: Bom Preço S. A.

• Marca: elemento identificador dos produtos e serviços oferecidos


pelo empresário. Essa função era exercida pelo nome e hoje é
exercida pela marca. Deve ser registrado no INPI (instituto
nacional de propriedade industrial). Ex: Bom Preço

• Título de estabelecimento: é o elemento identificador do ponto


comercial. Não identifica o estabelecimento, mas o ponto porque
antigamente pela teoria dos atos de comércio estabelecimento era
chamado de fundo de comércio. Não há lugar definido pra ser
registrado. Ex: Hiper Bom Preço

• Nome de domínio: endereço virtual do empresário. É a página da


internet. OBS: o nome de domínio é registrado na NIC.BR (Núcleo
de informação e comunicação), não mais a FAPESP. Ex:
www.bompreco.com.br

ESPÉCIES de nome empresarial:

1) FIRMA: Espécie de nome empresarial que tem como base, o nome civil
daqueles que compõem a atividade empresarial e que PODE agregar o objeto ou
ramo de atividade.

2) DENOMINAÇÃO: espécie de nome empresarial que tem como base o


elemento fantasia. Esta DEVE agregar o objeto ou ramo de atividade.

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Na firma pode agregar o objeto ao nome civil.

Na denominação o objeto deve vir obrigatoriamente agregado ao elemento


fantasia.

FIRMA:
I. Individual: utilizado pelo empresário individual. Pessoa física que exerce a
atividade empresária.
II. Social: são algumas sociedades empresárias.

OBS: firma social = razão social.

Só que pode usar a firma social:


• Sociedade em nome coletivo - N/C
• Sociedade simples - C/S
• Sociedade limitada - LTDA
• Sociedade em comandita por ações - C/A

Só quem pode usar denominação:


Sociedade anônima – S/A
Sociedade limitada - LTDA
Sociedade em comandita por ações – C/A

A sociedade limitada e a sociedade em comandita por ações podem escolher entre


denominação e firma social.
O nome empresarial em regra representa a responsabilidade dos sócios.

Excepcionalmente, a denominação pode ter por base nome civil para


homenagear (fundador da companhia, ex: odebrecht S/A).

Data: 22/09/07 Disciplina: Comercial Prof: João Glicério


Aula: 3ª. Assunto: Direito societário Obs:

DIREITO SOCIETÁRIO

Não é exercício coletivo da atividade empresarial (mas se tiver na OAB está certo).

TEORIA GERAL
CONCEITO: art. 966 (traz o conceito de empresário, tanto o individual quanto
sociedade empresária, diferenciando-o da sociedade simples).

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Art. 966. Considera-se empresário quem exerce


profissionalmente atividade econômica organizada para a
produção ou a circulação de bens ou de serviços.

Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce


profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística,
ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o
exercício da profissão constituir elemento de empresa.

CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES EMPRESÁRIAS (OAB):


Critérios:
a) quanto à responsabilidade dos sócios pelas obrigações da sociedade

OBS: A responsabilidade dos sócios pelas obrigações da sociedade é subsidiária.


Mesmo numa sociedade limitada a responsabilidade dos sócios é subsidiária. A
responsabilidade dos sócios vem sempre depois da responsabilidade da V sociedade.
Isso vale para qualquer tipo de sociedade.

OBS: Quando o CC menciona em responsabilidade solidária dos sócios ele está


falando em solidariedade entre os sócios; responsabilidades existentes entre os
sócios. Só tem dois casos em que os sócios respondem solidariamente com a
sociedade, ou seja, duas exceções:
• Desconsideração da personalidade jurídica: sócio fraudador responde
solidariamente (juntamente) com a sociedade;
• Da sociedade em comum (pode ser irregular ou de fato) irregular os
sócios também respondem subsidiariamente pelas obrigações da
sociedade, exceto o sócio administrador ou sócio representante. Quando
o credor contrata com a sociedade irregular ele não sabe que ela não
tem personalidade jurídica. Art. 990, CC: todos respondem
subsidiariamente e solidariamente entre si e aquele que contratou
responde diretamente ao credor, não tendo o benefício de ordem.
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente
pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto
no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade.

OBS: Não existe limitação de responsabilidade em obrigação pessoal. Sócio por


uma obrigação dele responde sempre ilimitadamente, e a sociedade por uma
obrigação dela responde também ilimitadamente. Só há limitação de responsabilidade
se sócio por uma obrigação da sociedade.

a.1) Ilimitada: É aquela em que os sócios respondem ilimitadamente


(irrestritamente) pelas obrigações da sociedade. Vale ressaltar que a
responsabilidade dos sócios continua subsidiária. Só a sociedade em Nome Coletivo
N/C tem responsabilidade ilimitada.

a.2) Limitada: é aquela em que os sócios têm responsabilidade limitada pelas


obrigações da sociedade. Ex: sociedade limitada (LTDA) e sociedade anônima (S/A).

a.3) Mista: É aquela em que tem dois tipos de sócios: sócios com
responsabilidade limitada e sócios com responsabilidade ilimitada. Ex: sociedade
em comandita simples (C/S) e a sociedade em comandita por ações (C/A).

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b) quanto ao regime de constituição e dissolução das sociedades

b.1) contratuais: São aquelas que têm como instrumento regulatório básico o
contrato social. São constituídas, reguladas e destituídas pelo contrato social. Ex:
sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita simples e sociedade limitada.

b.2) institucionais: São aquelas que têm como instrumento regulatório básico o
estatuto social. Ex: sociedade anônima e a sociedade em comandita por ações.

A sociedade contratual é dissolvida pelo próprio contrato social (distrato). Já a


institucional é por meio de uma assembléia.
Na contratual há uma aproximação das pessoas que o firmaram, ao contrário da
institucional.

c) quanto a alienação da participação societária (OAB)

c.1) Sociedade de Pessoas: É aquela formada em razão das qualidades dos


indivíduos que a compõem. A alienação da participação societária está condicionada
a anuência dos demais sócios, ou seja, se um dos sócios quiser vender a sua parte ele
tem que pedir autorização dos outros sócios, pois não pode entrar pessoa
desconhecida. A alienação da participação societária está condicionada a aprovação
unânime dos demais sócios. Nem o juiz pode penhorar as quotas dos sócios por sua
dívida, pois indo a leilão um estranho comprará as cotas. A participação societária em
uma sociedade de pessoas é impenhorável por dívidas particulares dos sócios. Ex:
sociedade em nome coletivo, algumas sociedades limitadas. Em caso de morte de um
dos sócios, os herdeiros precisam da anuência dos sócios restantes pra ingressar na
sociedade ou estes farão uma dissolução parcial e entregaram a parte que cabia ao “de
cujus” aos seus herdeiros.

c.2) Sociedade de Capital: É aquela formada em razão dos recursos financeiros


nelas empregados, ou seja, trazidos pelos acionistas. Ex: sociedade anônima. A
participação societária é livremente alienável, não se exige a concordância ou
anuência de ninguém (não importa quem ele é, mas quanto ele tem). Portanto, a
participação societária é penhorável por dívidas particulares dos acionistas. Ex:
sociedade limitada. Sociedade em comandita por ações e sociedade anônima. Em caso
de morte do sócio, os herdeiros ingressam diretamente na sociedade.

c.3) Sociedade em comum (expressão genérica) não tem registro na junta,


existem duas espécies:

• De fato: o contrato desta é oral.


• Irregular: o contrato é escrito.

Os sócios só podem provar a existência da sociedade através de contrato social


escrito. Os terceiros podem provar a existência da sociedade por qualquer meio
admitido em direito.

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DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA

Autoriza o Poder Judiciário a ignorar a personalidade jurídica


responsabilizando direta, pessoal e ilimitadamente o patrimônio do sócio que
cometeu a fraude.

Teorias da desconsideração:

Teoria maior da desconsideração: é a teoria original. Está prevista no art. 50


do CC. Há dois requisitos para a sua aplicação: desvio de finalidade e
confusão patrimonial (se utiliza da pessoa jurídica para cometer a fraude).
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica,
caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão
patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do
Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que
os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam
estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios
da pessoa jurídica.

Teoria menor da desconsideração: nasce da teoria maior. Está prevista no


CDC (art. 28), na Lei de Infrações à Ordem Econômica LIOE (lei 8884/94,
art. 18), Lei de Crimes Ambientais (lei 9605/98, art. 4°). É de aplicação
indiscriminada. Até a Justiça do Trabalho aplica a teoria menor com
fundamento no art. 28 do CDC. Alguns autores dizem que a teoria menor
não existe, não é desconsideração.

A teoria maior da desconsideração só é aplicada quanto ao sócio que realizou a


fraude. O próprio código fala no art. 50. O credor só vai poder invadir o
patrimônio do sócio que cometeu a fraude. A desconsideração não é anular a
pessoa jurídica, não atinge a validade, mas apenas o episódio objeto de fraude
(momento).

Concepções:

objetivistas: pressupõe requisitos para a aplicação da teoria. Não se estuda


propriamente o sujeito, aquele que praticou o ato ilícito. Requisitos: desvio
de finalidade e confusão patrimonial.

subjetivistas: a tendência é de análise do comportamento do fraudador.

As teorias e as concepções se referem praticamente aos requisitos para a aplicação


da desconsideração da pessoa jurídica.
Tanto a teoria maior quanto a teoria menor estão adstritas à concepção subjetivista.

CONSTITUIÇÃO DAS SOCIEDADES EMPRESÁRIAS

As sociedades institucionais serão estudadas na sociedade anônima.

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As sociedades contratuais só adquirem personalidade jurídica com o registro,
sendo constituída através do contrato social.

ASPECTOS GENÉRICOS

• Existência: para ser conhecida pelo Direito.


• Validade: tem que ser reconhecida como válida pelo Direito.
• Eficácia

Pressupostos de existência:
• Agente
• Objeto
• Forma

Requisitos de validade:
• Agente capaz
• Objeto lícito
• Forma prevista

ASPECTOS ESPECÍFICOS

Pressupostos específicos de existência:


• “Affectio Societatis”: é a afeição social; é a finalidade e confiança
somados à predisposição que o sócio tem em participar da sociedade, e a
confiança e lealdade que ele tem com o outro. Também chamada de “bona
fides societatis” (boa fidúcia, confiança na sociedade).
• “Non Datur Societas” de indivíduo: não haverá sociedade de um
indivíduo. Equivale à Pluralidade de Sócios. No Brasil as sociedades
empresárias têm que ter no mínimo dois sócios, se for somente um será
empresário individual. EXCEÇÕES:
+ permanente
Subsidiária Integral: única hipótese de sociedade unipessoal
permanente. É o caso da sociedade anônima, onde tem apenas um acionista,
que deve ser pessoa jurídica. Se for pessoa física e passar 01 ano ela se tornará
irregular, e se pessoa jurídica e passar 01 ano, torna-se subsidiária integral.

+ temporária (para alguns autores)


Sociedade limitada: o sócio pode ficar sozinho até 180 dias ≠ 06
meses = sociedade unipessoal temporária;
Sociedade anônima: pode ficar com todas as ações da companhia por
no máximo uma Assembléia Geral Ordinária devendo a pluralidade social ser
restabelecida antes da próxima AGO. Se não seguir esses prazos e continuar
exercendo a atividade a sociedade se torna irregular;

Requisitos específicos de validade:

• Participação de todos os sócios na formação do capital social. É o reflexo


da “jus fraternitatis” romano: colaboração dos sócios na sociedade – todos

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devem contribuir para o capital social de alguma forma. Se um dos sócios
não participar, é uma sociedade leonina. Pode participar com dinheiro, bens
e serviços. Não pode contribuir com serviços nas sociedades limitadas e
institucionais (art. 1055, §2°, CC).
Art. 1.055. O capital social divide-se em quotas, iguais ou
desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio.
§ 1o Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social
respondem solidariamente todos os sócios, até o prazo de cinco
anos da data do registro da sociedade.
§ 2o É vedada contribuição que consista em prestação de
serviços.

• Participação de todos os sócios dos resultados sociais positivos e


negativos.

O contrato social deve adotar a forma escrita para que seja arquivado na Junta
Comercial. Caso contrário será sociedade de fato. Pode ser por instrumento
particular ou público (neste caso a sua alteração não precisa ser por este meio). A
forma de constituição não vincula a forma de alteração.

SÓCIO

Formas do sócio ser remunerado pela sociedade: dividendos e “pro labore”.


Quando o lucro é dividido ele passa a se chamar dividendo, “pro labore” é a
remuneração dada ao sócio em razão do seu trabalho pela sociedade. Tendo lucro
ou prejuízo ele tem direito de receber o “pro labore”. Se a pessoa jurídica paga
“pro labore”, ela não paga imposto de renda; se paga dividendo, paga imposto de
renda (IR).
O lucro só poder ser redistribuído se a sociedade não tiver débitos previdenciários.
(art.52 da Lei de Custeio da Previdenciário, 8.212/91)
Natureza jurídica do sócio: “sui generis” (sócio).
Nas sociedades de capital, o “pro labore” pode ter natureza salarial ao contrário da
sociedade de pessoas, onde o “pro labore” nunca poderá ter natureza salarial.

ESPÉCIES DE SOCIEDADES

1) Sociedade em nome coletivo (N/C)


É aquela em que todos os sócios tem responsabilidade ilimitada pelas obrigações
da sociedade. Só podem ser sócios, com responsabilidade ilimitada de qualquer
sociedade, as pessoas naturais ou físicas; a pessoa jurídica quando sócio de uma
Sociedade empresária só pode ter responsabilidade limitada.
Todos os sócios de uma Sociedade em nome coletivo são necessariamente pessoas
físicas.
Se todos os sócios têm responsabilidade ilimitada qualquer dos sócios pode
administrar a sociedade, pode dar nome à sociedade, não é preciso que todos os sócios
de responsabilidade ilimitada dêem nome à sociedade.
É uma sociedade de pessoas. Sendo assim, morrendo um sócio os herdeiros não
podem enquadrar-se no quadro social sem autorização dos demais sócios ou, pelo
menos, com uma autorização contratual. Se não tiver autorização os herdeiros terão

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direito à participação do falecido no patrimônio social líquido da sociedade (= todo o
ativo menos o passivo); é a chamada dissolução parcial da sociedade.

2) Sociedade em comandita simples (C/S)

É aquela que tem dois tipos de sócios:


a) sócio comanditado: tem responsabilidade ilimitada pelas obrigações da
sociedade. Pessoas físicas e jurídicas.
b) sócio comanditário: tem responsabilidade limitada pelas obrigações. Pessoas
físicas.
Ou seja, o credor vai cobrar primeiro da sociedade e se esta não tiver patrimônio,
poderá cobrar do comanditado (sem limites) e do comanditário (até o limite da sua
participação societária).
O comanditado como tem responsabilidade ilimitada pode dar nome à sociedade,
ao contrário do comanditário. Mas se o nome deste constar na sociedade, ele passa a
ter responsabilidade ilimitada (princípio da veracidade).
O sócio comanditado é o sócio empreendedor e o sócio comanditário é o sócio
investidor.
Entre os comanditários, seria uma sociedade de capital e entre os comanditados,
uma sociedade de pessoas. Isso significa que o regime dos sócios na sociedade em
comandita simples são diferentes. Se morrer um sócio comanditado os herdeiros dele
só ingressarão na sociedade com autorização dos demais sócios ou de contrato. Já
morrendo um dos sócios comanditários, os herdeiros automaticamente ingressarão na
sociedade.
OAB: característica da sociedade em comandita simples: de pessoas.

3) Sociedade em conta da participação (C/P)


É uma sociedade não personificada (o próprio reconhece como tal), porque o seu
contrato não pode ser arquivado na Junta Comercial.
• Sócio ostensivo
• Sócio oculto ou participante

Existe um contrato entre os dois sócios, mas não pode ser arquivado porque é uma
sociedade não personificada. O consumidor não sabe quem é o sócio oculto ou
participante.
Não tem nome empresarial porque não tem personalidade jurídica. Então, o
responsável é o sócio ostensivo (responsabilidade ilimitada).

4) Sociedade limitada (Ltda)


A grande maioria das sociedades é limitada, em 90% dos casos é limitada, isso se
deve por conta da responsabilidade de todos os sócios.
É a sociedade de capital e indústria (tem dois tipos de sócios: de capital e de
indústria), mas esta não deu certo no Brasil. Quando entrava em crise, o sócio de
indústria alegava ser empregado na Justiça do Trabalho, onde não se leva em conta o
contrato social.
É a sociedade com maior presença na sociedade brasileira atual; mais de 90% das
sociedades brasileiras registradas na Junta Comercial é sociedade limitada.
Esta sociedade é mascada pela contratualidade além de ser facilmente constituída.
Outro aspecto vantajoso da limitada é a facilidade de contratar.

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A responsabilidade é limitada. Além disso, é facilmente constituída
(contratualidade); já na anônima são dois tipos de constituição, demora e é onerosa.
Ademais, na sociedade limitada coloca as regras com maior liberdade já que só
existem 33 artigos, do contrário das sociedades anônimas, onde existem por mais de
300 artigos.
A responsabilidade dos sócios é limitada – aspectos:
• Antes da integralização do capital social: todos os sócios respondem
solidariamente pelo que falta para integralizar o capital social. O credor
pode invadir o patrimônio particular até o que falta para integralizar, contra
qualquer dos sócios (mas há direito de regresso). Os sócios até a
integralização do capital social os sócios respondem solidariamente, ou
seja, o credor escolhe o sócio a quem acionar a dívida até o limite de capital
ainda não realizado.
• Depois da integralização: o credor não pode mais invadir o patrimônio
particular dos sócios. A responsabilidade dos sócios é individual.
A expressão Ltda tem que estar no nome da sociedade.
Trata-se de uma questão de segurança e também o preço dos produtos é menor.
A limitação da responsabilidade é para os sócios; a responsabilidade da sociedade é
ilimitada.
EXCEÇÕES:
• Desconsideração da personalidade jurídica, sempre que há desvio de
finalidade ou confusão patrimonial. Em caso de ocorrência de um dos dois
levará a responsabilidade ilimitada.
• Irregularidade
• Nome empresarial sem a expressão Ltda,
• Deliberações sociais contrarias as leis ou ao contrato social. Aquele que
foi a favor da lei tem seu patrimônio preservado.
Obs. 1: O art. 977 é inconstitucional (concursos) porque ofende diretamente o art. 5°,
XVII, da CF: é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedado a de caráter
paramilitar. Para a OAB é constitucional.

Administração social
A administração da sociedade limitada pode ser enumerada por uma ou mais
pessoas, sócios ou não, mas para que um não sócio administre uma sociedade
anônima é necessário que exista previsão contratual autorizativa.
O administrador de uma sociedade anônima pode ser nomeado pelo contrato social
ou em um ato separado (é mais fácil de mudar).
Obrigações do administrador:
- arquivar os documentos sociais na Junta Comercial;
- exercer a função de representante legal da companhia;
- pagar os débitos enquadráveis como dívida ativa (tributários ou não), sob pena de
responsabilização com o seu patrimônio pessoal. Teoria ultra vires: se não pagar os
tributos o patrimônio social responde. Mas há uma relativização: se tiver dinheiro em
caixa e pagar as dívidas trabalhistas e não sobrou dinheiro para pagar os tributos, ele
não responde com o seu patrimônio particular. Mas se pagou os trabalhistas e pagou o
fornecedor e não os tributos ele responde com o seu patrimônio particular.
Conselho fiscal: é um órgão dispensável na sociedade limitada. Só se justifica a
existência do conselho fiscal quando a sociedade tem muitos sócios afastados dela.
Então, o conselho fiscal é o mandatário dos sócios para fiscalizar a administração.

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Não podem ser conselheiros fiscais: o administrador, os empregados (porque estão
submetidos ao administrador), nem os parentes até terceiro grau dos empregados e
do administrador. O conselheiro fiscal é escolhido por votação entre os sócios. Se
tem empate, segue-se do critério individual. Se persistir o empate, o juiz irá decidir (é
uma das causas de discricionariedade judicial).
Quorum de deliberação (xerox).

ESPÉCIES DE SOCIEDADE (cont.) – SOCIEDADE POR AÇÕES

Sociedade por ações refere-se a dois tipos de sociedade: sociedade anônima e


sociedade em comandita por ações.

5) Sociedade em comandita por ações (C/A)


Segue as mesmas condições da sociedade em comandita simples.

Sócio com responsabilidade limitada: sócio diretor


Sócio com responsabilidade ilimitada: sócio investidor

Sociedade em comandita simples: contratual (contrato social)


Sociedade em comandita por ações: institucional (estatuto social)

6) Sociedade anônima (SA) (OAB) – lei 6404/76

- introdução
- classificação
- constituição
- órgãos sociais
- valores mobiliários
- ações

OBS: S/A é sinônimo de companhia.

É aquela em que todos os sócios têm responsabilidade limitada a sua participação


societária. Independentemente de integralização cada sócio responde apenas pela sua
participação societária.
Já na sociedade limitada, até a integralização responde pelo todo.
A sociedade anônima é uma sociedade de capital, onde não interessa a qualidade
de cada sócio, mas o quanto ele tem para investir.
A ação é livremente alienável, independe de autorização dos outros sócios.
Morrendo um acionista, os herdeiros, a não ser que o estatuto social não permita.
Obs.1: Valor nominal é o resultado da divisão do capital social pelo número de
ações
O valor patrimonial é o resultado da divisão do patrimônio social pelo número de
ações.
O valor econômico é aquele calculado por especialistas em mercado de capitais.
O Valor de negociação da ação é o valor pelo qual a ação é efetivamente vendida.
Preço de emissão é o valor pago quando de uma emissão de uma ação nova.

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Classificação:

a) Quanto à disponibilização dos valores mobiliários na bolsa de valores e


no mercado de balcão
Aberta: a companhia aberta é aquela autoriza a alienação dos seus valores
mobiliários na bolsa de valores. Mesmo que nunca tenha vendido uma ação, mas
põe à venda as suas ações.
Fechada: a companhia fechada é aquela que NÃO disponibiliza os seus valores
mobiliários nem na bolsa de valores e nem no mercado de balcões. Não significa
que os sócios não possam vender as suas ações diretamente ao comprador.
Mercado de balcão: é uma sociedade corretora de valores (vende ações etc.). ele
atua tanto no mercado primário (emissão de novas ações) quanto no mercado
secundário (atua na venda de ações já existentes).
Bolsa de valores: é o coletivo de mercado de balcões. É uma entidade privada
decorrente da associação de sociedades corretoras com monopólio territorial (ex:
Bovespa). Atua apenas no mercado secundário.

b) Quanto à nacionalidade das companhias


Nacionais: é nacional a companhia com sede administrativa no Brasil e formada de
acordo com as leis brasileiras. Mesmo que todos os acionistas sejam japoneses e o
capital de origem norte-americano, mas se a sede for localizada no Brasil, ela é
brasileira.
Estrangeiras: quando a sede for localizada no exterior e obedecer leis do local
onde está a sua sede.

CONSTITUIÇÃO DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS:

a) Constituição por subscrição pública ou constituição sucessiva (porque é feita


em etapas subseqüentes, sucessivas)
Ocorre em 03 etapas.
Há apelo ao público.
b) Constituição por subscrição particular ou constituição simultânea
Não há apelo ao público.

Etapas:

1) Requisitos preliminares (essa etapa se aplica aos dois meios de


constituição). É a etapa em que se tem que observar os aspectos iniciais de uma
sociedade anônima:
• Subscrição de dos valores do número mínimo de acionistas: dois.
EXCEÇÃO: a subsidiária integral é a única espécie de sociedade com
um único acionista; unipessoal de modo permanente.
• Realização de pagamento a título de entrada de, pelo menos, 10% do
capital social. Esse valor serve para as despesas de constituição e para
confirmar o negócio. Nas instituições financeiras esta entrada é de,
pelo menos, 50% do capital social.
• Depósito desses valores no Banco do Brasil ou em outro instrumento
bancário autorizado pela CVM (comissão de valores mobiliários)

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2) Modalidades de constituição (aqui há diferença entre constituição por


subscrição pública e por subscrição particular). Sempre que há apelo ao público à
constituição por subscrição pública sofre uma fiscalização maior. O órgão que
primeiro fiscaliza é a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Para constituir uma
companhia por subscrição pública tem que ser feito um pedido à CVM, que deve estar
acompanhado de 3 documentos:
• Estudo de viabilidade econômico financeiro do negócio
• Prospecto (faz uma projeção do futuro da companhia)
• Projeto de estatuto (o estatuto é o regimento da companhia). Se for um
projeto, ele pode ser modificado até o término da constituição, mas precisa
de unanimidade.
Aprovado o pedido pela CVM pode-se fazer a divulgação para vender as ações
(TV, outdoor etc.).

Já na subscrição particular essa etapa é feita mediante uma assembléia para


elaborar o estatuto. Pode ser mediante assembléia (tem a ata) OU por escritura
pública (só o estatuto).

Depois de comprar as ações, assina um boletim. Depois que a última ação for
comprada, ou seja, tiverem um suescritor, convoca-se a assembléia de fundação.
OAB: a assembléia de fundação da companhia é o único momento em que todos os
acionistas têm direito a voto, mesmo os preferencialistas.
Competências da assembléia de fundação (da subscrição pública):
- avaliação dos bens dados;
- deliberar sobre a constituição da companhia (ex: elegendo os primeiros
administradores, aprovando o estatuto e o que ocorrer na reunião).

3) Providências complementares (comum aos dois meios de constituição): é


aquela etapa que dará fim à constituição com:
• Os primeiros administradores vão registrar esses documentos na Junta
Comercial.
• A incorporação dos imóveis aprovados pela assembléia (transfere a
propriedade de quem integralizou para a companhia).
• Os fundadores vão entregar aos primeiros administradores todos os
documentos da companhia;

MODOS DE CONSTITUIÇÃO DAS S/A’s:


a) Constituição por subscrição pública ou constituição sucessiva
b) Constituição por subscrição particular ou constituição simultânea

ETAPAS DA CONSTITUIÇÃO:
1ª etapa (comum aos dois meios de constituição): requisitos preliminares
2ª etapa: meios de constituição
- subscrição pública
+ pedido (3 documentos)
+ oferta
+ boletim

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+ assembléia (assembléia de fundação da companhia – tem as competências
próprias da subscrição particular)
- subscrição particular:
+ assembléia (assembléia de fundação da companhia)
ou
+ escritura pública
3ª etapa (comum aos dois meios de constituição): providências complementares

Data: 04/10/07 Disciplina: Comercial Prof: João Glicério


Aula: 4ª. Assunto: Espécies de sociedade (cont.) Obs:

Órgãos sociais
Quem estabelece os órgãos que compõem uma sociedade anônima é o Estatuto
Social. Mas a lei de S/A trata de quatro órgãos básicos:
• Assembléia geral
• Conselho de administração
• Diretoria
• Conselho fiscal

Assembléia Geral
É o órgão máximo da companhia, de caráter exclusivamente deliberativo. Formada
por todos os acionistas.
Ela decide sobre as questões que envolvem a sociedade; decide sobre o futuro da
companhia; toma as deliberações.
Ela pode ser:
- AGO (Assembléia Geral Ordinária)
- AGE (Assembléia geral Extraordinária)
A AGO ocorre em até quatro meses após o término do exercício social
(convencionado que inicia-se em 1º de janeiro a 31 de dezembro) e discute as
questões ordinárias da companhia. A competência da AGO está prevista no art. 132 da
lei das S/A’s.
A AGE ocorre sempre que necessário. A sua competência é residual. Ou seja, tudo
o que não for da competência da AGO (art. 132 da Lei de S/A), é da competência da
AGE. Ela pode ser convocada a qualquer tempo.

Conselho de administração
Também é um órgão de caráter deliberativo. Na verdade, é um órgão facultativo
porque vai deter parte da competência da assembléia. Formado por acionistas e
depende de previsão estatutária.
É um órgão facultativo, exceto em 3 casos, onde será OBRIGATÓRIO:
- nas companhias abertas
- nas sociedades de economia mista
- nas companhias de capital autorizado: companhia de capital autorizado é aquela
que permite a alteração do seu capital social sem a necessidade de mudança do seu
estatuto social. O próprio estatuto social já autoriza a mudança de capital social, por
isso ele não precisa ser modificado.

Diretoria

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É o órgão de representação legal da companhia, e de execução das deliberações da
assembléia geral e do conselho de administração.
Diretoria – órgão executivo, podendo ser formado por acionistas ou não.
Assembléia geral – órgão deliberativo, formado por todos os acionistas.
Conselho de administração – órgão deliberativo, formado por acionistas.
Quando a OAB fala em administração da companhia ela está se referindo ao
conselho de administração e a diretoria.
Administração da companhia = conselho de administração + diretoria.

Conselho fiscal
É um órgão de existência obrigatória, mas de funcionamento facultativo, porque
não precisa funcionar o ano inteiro. Uma companhia de pequeno porte, por exemplo,
não tem demanda para isso.

Valores mobiliários
O mais importante valor imobiliário é a ação, mas também têm outros:
• Debênture: dá ao seu titular o direito de crédito contra a companhia. É um
contrato de mútuo, empréstimo, que a companhia faz com o terceiro. Ela
pode ter garantias reais, fidejussórias etc, e ainda uma cláusula de
conversibilidade em ação.
• Partes beneficiárias: dão ao seu titular o direito de crédito eventual
pautado nos lucros da companhia. Todas as partes beneficiárias somadas
podem comprometer no máximo 10% dos lucros da companhia (art. 46, §
2°, da lei S/A).
• Bônus de subscrição: dá ao seu titular o direito de preferência na aquisição
de novas ações. Se algum dia a companhia vier a emitir novas ações, deverá
primeiro oferecer a este titular de preferência. O bônus estabelece o nível
de preferência, que pode ser inclusive, superior aos acionistas.
• “Commercial paper”: é aquele que também dá ao seu titular o direito de
crédito contra a companhia, também é um contrato de mútuo, é uma nota
promissória. Também é um contrato de empréstimo, mas de médio e curto
prazo. Prazo mínimo de 30 e máximo de 180 dias.

Ações (também é um valor mobiliário)

A ação é o valor mobiliário mais importante de uma companhia porque é a


unidade de capital social.
Valores de uma ação:
- valor nominal: é o resultado da divisão do capital social pelo número de ações
- valor patrimonial: é o resultado da divisão do patrimônio social pelo número de
ações
Cada valor tem uma finalidade diferente.
- valor econômico: é o valor calculado por especialistas
- valor de negociação: é o valor estipulado pelo mercado
- preço de emissão: é o valor pago pela ação quando de sua emissão; é um valor
que é arbitrado pelos fundadores (desse valor uma parte vai para o capital social e
outra parte para o fundo de reserva).

Classificação das ações:

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a) Ordinárias: confere ao seu titular os direitos e deveres imputados ao acionista
comum (direito de voto, direito de participação nos lucros, dever de formação do
capital social, fiscalização).
b) Preferenciais: confere ao seu titular uma gama diferenciada de direitos e
deveres pautada nos limites extraídos do art. 17 da lei das S/A’s. Tem a finalidade de
atrair os acionistas investidores.
c) De gozo ou de fruição: ação que substitui uma ação amortizada, conferindo
ao seu titular os mesmos direitos e deveres que possuíam anteriormente. É um ato de
bondade da companhia com aquele que fundou a companhia ou contribuiu para o seu
desenvolvimento.

- Acordo de Acionistas: contrato firmado entre os acionistas, formado por um grupo


para direcionar as suas votações, ou seja, eles irão votar sempre no mesmo sentido.
Com a finalidade de possibilitar a aquisição do poder de controle por
acionistas minoritários e que por si só não conseguiria tal feito em face dos acionistas
majoritários.

- Poder de controle
Aquele que possui o poder de controle, o chamado acionista controlador, é aquele
indivíduo ou grupo de indivíduos que detêm a maioria das ações de uma companhia e
tem como prerrogativa eleger a maioria dos administradores da companhia utilizando
efetivamente o seu poder de controle. Fazendo assim com que de modo permanente
possa orientar o futuro e as deliberações da companhia.

- Operações Societárias:

1. Transformação: é a alteração do tipo societário, mantendo-se o vínculo.


NÃO implicando a extinção de uma sociedade para criação de uma outra: Ex:
A. Ltda. x A. S/A.
i. As operações societárias não podem prejudicar os interesses dos
credores;
ii. Pode se realizar uma alteração da S/A para Ltda, mas os credores
continuam com os mesmos direitos que tinham anteriormente (caso os
mesmos sejam mais amplos).

2. Fusão: operação societária de união de duas personalidades jurídicas em uma


só diversa das anteriores, para a formação de uma nova sociedade. Ex: A + B
= C.

3. Incorporação: sempre que a sociedade absorve o patrimônio tem-se uma


incorporação.
A sociedade x incorpora a sociedade y e forma a sociedade X.

4. Cisão: Divisão de uma sociedade. É a separação patrimonial de uma


sociedade, criando duas outras novas. A cisão pode ocorre de duas formas:
i. Sociedade A que se divide em A e B, ou;
ii. Sociedade A que se divide em B e C.

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• O direito dos credores deve sempre ser respeitado.
• Para que haja a operação societária, dois órgãos precisam
aprovar.
• Assembléia dos Debenturistas (se a Cia tiver emitido
debêntures): os credores precisam aprovar a operação societária.
Se a Cia garantir o resgate das debêntures em até 6 meses após a
operação ela não vai precisar da aprovação da assembléia dos
debenturistas.
• CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica): o
CADE é um dos maiores responsáveis por preservar a
concorrência salutar dos empresários. Se ele percebe que vai se
formar um monopólio, ele proíbe. Para submeter ao CADE a
operação societária quando:
1. uma das empresas detiver pelo menos 20% de
determinado mercado consumidor: Ex: A empresa A tem
20% do mercado de palito de dentes.
2. uma empresa tem faturamento anual bruto expressivo:
deve submeter à aprovação do CADE (art. 54,§3º Lei
8884/94 – Lei do CADE - de Infrações da Ordem
Econômica). Faturamento expressivo e o equivalente a R$
400.000.000,00

DIREITO CAMBIÁRIO

- Teoria Geral:

1. Conceito:

- Título é um documento que representada algo (alguma situação).


- Título de crédito é um documento representativo de uma obrigação pecuniária
liquida e certa.
- É a parte do direito empresarial encarregada de estudar os títulos de crédito.
Os títulos de créditos nascem com a finalidade de auxiliar o empresário a circular a
riqueza que produz. Ninguém mais do que o empresário precisa do título de crédito.
- Crédito é uma troca que pressupõe necessariamente de um lapso temporal.
- O melhor conceito de título de crédito é aquele que traz os princípios de títulos de
crédito. Segundo Cesare Vivante, (art. 887 CC/2002) é um documento necessário e
suficiente para o exercício do direito literal e autônomo nele mencionado.

2. Princípios e Características:
2.1. Cartularidade: e a exigência da posse do título para o exercício do direito
nele mencionado. Tem que ser o original do título. Existem três as exceções a
este princípio:
2.1.1. Execução da duplicata: a própria lei da duplicata prescinde da
original do título em alguns casos.
2.1.2. Títulos virtuais: tudo feito de forma virtual, pelo computador (ex.
pagamento on line).
2.1.3. Perda ou extravio do título: caso o título seja extraviado pode ser
reconstituído o título através da copia autenticada.

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2.2. Literalidade: é o princípio que exige a consignação no próprio título para
que os atos produzam efeitos cambiais. A eficácia do ato está vinculada em
que o local que ele é praticado. A eficácia do ato, praticado fora do título
não produzirá efeitos cambiários, ou terá eficácia de uma sessão civil de
crédito, de uma fiança. A eficácia está comprometida e não a sua validade. A
eficácia terá repercussão no mundo do direito civil.
2.3. Autonomia: é o princípio do direito cambiário que representa a
independência das obrigações constantes de um título de credito, ou seja,
uma obrigação não depende da outra. A regra do acessório segue o
principal não funciona no direito cambiário. O aval assim como o endosso são
obrigações autônomas e independem da obrigação principal. A nulidade de
uma não implica na nulidade da outra. A autonomia se divide em dois sub-
princípios:
2.3.1. Abstração: independência do título em relação a sua causa, ou seja,
depois de posto em circulação, o título não mais dependerá de sua causa.
2.3.2. Inoponibilidade de exceções pessoais ao terceiro de boa fé: o
devedor não poderá opor ao credor, terceiro de boa fé, da relação
primária com o credor inicial. O devedor só está impedido de opor ao
credor-terceiro de boa-fé.
I. Negociabilidade: um título de crédito é facilmente negociável.
II. Executividade: os título de crédito são títulos executivos extrajudiciais (art. 585,
I, CPC).

3. CLASSIFICAÇÃO:

3.1. Quanto ao modelo:


• Livres: não tem a sua forma pré-determinada por lei. Não há
determinação da forma. A letra de cambio e a nota promissória são
modelos livres;
• Vinculados: aquele cuja forma está determinada em lei, ou seja, a
forma é a essência do título, não respeitando tal forma, invalida o
título. O cheque e a Duplicata são modelos vinculados.

3.2. Quanto à estrutura: o título representa uma ordem de pagamento ou uma


promessa de pagamento.
3.2.1. Ordem de Pagamento (Cheque, letra de câmbio e duplicata):
pressupõe três situações jurídicas distintas:
• Sacador: Aquele que dá a ordem.
• Sacado: Destinatário da ordem – Depois que ele recebe e
chamado de aceitante.
• Tomador ou beneficiário: Quem vai se beneficiar da ordem.
3.2.2. Promessa de Pagamento (Nota Promissória): pressupõe a existência
de duas situações jurídicas distintas:
• Promitente: aquele que promete pagar. OAB: Sacador.
• Promissário: OAB: Beneficiário.

3.3. Quanto às hipóteses de emissão: os títulos podem ser classificados de:

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• Causais: É aquele que só pode ser emitido em razão do fato
especificado na lei. Ex: Duplicata Mercantil: só pode ser emitida se
tiver uma venda mercantil, se não houve, não pode emitir uma
duplicata mercantil.
• Não Causais: (Abstratos / OAB): é aquele que pode ser emitido em
razão que qualquer fato. Tanto um quanto o outro sofre o princípio da
abstração. Ex: Cheque, Letra de Câmbio e Nota promissória.

3.4. Quanto à circulação: Muito importante. Podem ser classificados em:


3.4.1. Ao portador: é aquele que não identifica o seu beneficiário. Permite a
transmissão do crédito apenas com a tradição.
3.4.2. Nominativo: é aquele que traz a identificação do beneficiário.
Identifica o beneficiário. Exigem além da tradição, um outro ato, que
pode ser o endosso, por exemplo, ou cessão civil de crédito.
Nominativo à ordem (com cláusula a ordem): pode ser
expressa ou tácita. É aquele título que autoriza a
transferência da titularidade mediante endosso.
Nominativo não à ordem (com cláusula não a ordem): tem
que ser expressa. É aquele que proíbe a transferência
mediante endosso. Se dá de 2 formas:
− riscando-a;
− antecedendo-o com a expressão NÂO.

Obs. O crédito cambiário é marcado por dois momento. O da constituição e o


da exigibilidade. O momento da constituição é o momento do nascimento do crédito
cambiário. Já a exigibilidade é o momento em que o titular adquire a prerrogativa de
exercer os direitos que emanam do título de crédito.

CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO CAMBIÁRIO

1. Saque: é o ato de criação e emissão de um título de crédito. Ex: preencher e


assinar o cheque é sacar o cheque. “Sacar” no banco corresponde a receber.
1.1. O primeiro efeito do saque é vincular o sacador ao pagamento do título;
1.2. O segundo efeito decorre do próprio conceito do saque, ou seja, uma ordem
de pagamento contra o sacado.
2. Aceite: é o ato pelo qual o sacado concorda com a ordem incorporada pelo
título. Ex: ele simplesmente diz: aceito o título. O aceite é um ato de livre
vontade, ele aceita se quiser. Se ele recusa o aceite ele não comete nenhum ato
ilícito. É conhecida como uma declaração facultativa, eventual e sucessiva. É
facultativa porque o sacado não é obrigado a sacar. É eventual porque a falta do
aceite não desnatura o título. É sucessiva porque vem após o saque. Em regra, ele
é praticado no anverso do título. A simples assinatura do sacado no anverso. Pode
ser praticado no verso se colocar a expressão aceito ou equivalente e em seguida
assine. A regra é que na frente vai ter o aceito e o aval. Ex: letra de câmbio,
duplicata. Se o sacado recusar o aceite, temos como principal efeito, a antecipação
do título.
O aceite pode ser parcial de duas espécies:
• O limitativo é aquele em que o sacado acolhe parte da ordem do título.

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• Modificativo é aquele em que o sacado altera alguma outra cláusula do título.
Ex: cláusula do prazo.
Obs. Na recusa parcial (aceite parcial), o vencimento é antecipado em face do
sacador.
Obs. 2: A lei pode dar ao sacado o chamado prazo de respiro, é o pedido do
sacado para que o título seja reapresentado no dia seguinte.
Obs. 3 A retenção indevida do título de crédito por parte do devedor poderá gerar
a sua prisão civil.

Data:01/03/2007 Disciplina: D. COMERCIAL Prof: João Glicério


Aula: 5ª. Assunto: S/A – Direito Cambiário Obs:

3. Endosso: é o ato de transferência do crédito cambiário representado por um


título nominativo e com a cláusula “à ordem” (se o titulo não é nominativo ele é
“ao portador”), pois se o título estiver “não à ordem” ele não pode ser endossado.

3.1. Aquele que endossa o título, que emite o endosso: endossante ou


endossador.

3.2. Tomador  endossatário: aquele que é beneficiário.

3.3. Efeitos:
O primeiro efeito é o de transferir todos os direitos do endossante para o
endossatário.
O segundo efeito é o de vincular o endossante ao pagamento da obrigação.
Ele garante o pagamento.

3.4. Modalidades de Endosso:


• O Endosso em Branco: é a simples assinatura dada pelo credor. É
aquele que não identifica o endossatário. Se não identifica, ele
transforma o título nominativo em um título ao portador. O endosso
normalmente é praticado no verso do título, mas excepcionalmente
pode ser praticado no anverso. No anverso ele tem que colocar a
expressão “anverso”. A regra do endosso é o contrário do aceite.
• O Endosso em Preto (pleno ou completo): é aquele que contém todos
os elementos do endosso. A expressão “endosso, que é chamada
cláusula de transmissão, o nome do endossatário - “endosso à: fulano
de tal” – e a assinatura do endossante. Por isso que ele é chamado de
pleno ou completo.

3.5. Espécies de endosso: pode ser divido em:


3.5.1. Endosso Próprio: tudo o que vimos até agora. O endosso que
efetivamente transfere os direitos que emanam de um título de crédito. É
um endosso que só tem a função de transferir. É o endosso puro.
3.5.2. Endosso Impróprio: é aquele que tem funções adjetivas à função do
endosso. O endosso impróprio é o endosso que não é endosso: temos dois
tipos:

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• Endosso Caução (Endosso Penhor ou Endosso Garantia): serve de
garantia ao invés de servir como endosso. É aquele em que o
crédito cambiário é dado em garantia por outra obrigação. Ex: um
cheque que não transfere o direito até certa data. O crédito que está
no cheque fica em garantia até que seja pago no dia programado.
• Endosso Mandato (Endosso Procuração): é aquele endosso que
transfere apenas o exercício do direito de crédito por procuração,
mas não transfere o crédito em si. Tem poderes apenas de receber
pelo titular, mas não em ficar com o crédito.
Obs.1: Endosso Parcial: o endosso parcial é nulo. É impossível a
transferência de parte do crédito do endosso.
Obs.2: Endosso Condicional: é válido. Mas a condição é ineficaz. O crédito
cambiário será transferido mesmo sem consolidação da condição.
Obs.3: Endosso com Cláusula Sem Garantia: é aquela que não vincula o
endossante ao cumprimento da obrigação.

3.6. Diferença de Endosso e Cessão Civil de Crédito: são dois institutos de que
servem para a alienação do crédito cambiário.
• A primeira diferença entre endosso e cessão civil de crédito se refere à
extensão de responsabilidade do alienante. O cedente responde apenas
pela existência do crédito transferido, e não pela solvência. Significa
que se o indivíduo cede o crédito, ele não se responsabiliza pela
solvência. No endosso é diferente, porque o endossante responde pela
existência e pela solvência do crédito transferido.
• A segunda diferença entre endosso e cessão civil se refere aos limites
de defesa do executado. A inoponibilidade ao terceiro de boa fé. No
endosso o devedor executado só pode se defender de duas formas: de
vícios formais ou vícios processuais. Já na cessão civil ele pode se
defender de qualquer forma, defesa mais ampla. Seja alegando os
vícios, tanto do título quanto do processo.

4. AVAL: é o ato de garantia total ou parcial do crédito cambiário. É uma garantia


fiduciária, pois tem os mesmo princípios da finca que é a confiança.
O aval é o ato de garantia do crédito cambiário e a fiança do civil
O Garantidor = avalista; aquele que tem a sua obrigação garantida = avalizado.
O avalista é tão devedor quanto o avalizado, ou seja, se o avalizado for o
devedor principal, o avalista também o será. Tem responsabilidade solidária.
O aval segue a mesma regra do aceite. Pode ser a simples assinatura no anverso,
ou com assinatura mais a expressão “por aval” no verso.
4.1. Espécies de Aval:
4.1.1. Em Branco ou em Preto:
• Em Branco: não identifica o avalizado. O avalizado é o sacador.
• Em Preto: identifica o avalizado. “por aval em favor de: sacador”.
4.2. Diferenças:

AVAL FIANÇA
Representa uma obrigação autônoma Representa uma obrigação acessória
Não existe o benefício de ordem Existe o benefício de ordem.

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EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO CAMBIÁRIO

Momento que o titular do crédito poderá exercer os direitos que dele emanam.

Devedor Principal Coobrigados


Aceitante - (1º.) Sacador – (2º.) Endossantes (3º;4º;5º;6º; etc.)
Avalista Avalista Avalista

Obs.1: Há solidariedade civil entre o aceitante e seu avalista até o protesto.


Subsidiariedade entre o aceitante e os demais coobrigados até o protesto. Há
ainda a solidariedade comercial entre todos após o protesto.

Os requisitos de exigibilidade:

1. Entre o credor para com aceitante e seu avalista será o vencimento do


título.
2. Entre o credor e os coobrigados serão o vencimento e mais o protesto.
Realizado o protesto o credor poderá cobrar de quem ele quiser, e
aquele que pagar extinguirá a sua obrigação e a obrigação dos
coobrigados posteriores.

1. VENCIMENTO: é o ato ou fato jurídico predeterminado em lei, como


necessário, a tornar o crédito cambiário exigível.

a. Definição das categorias do devedor:


1. Principal: aceitante: é o devedor principal.
2. Coobrigados:

b. Definição da Cadeia de Devedor:


1. Aceitante
2. Sacador
3. Endossantes em ordem cronológica

• O único requisito de exigibilidade contra o devedor principal é o


vencimento.
• Os requisitos de exigibilidade do crédito cambiário contra os
coobrigados são os vencimentos e o protesto.

c. Espécies de vencimento:
1. Ordinário:
1. A prazo: aquele que decorre pelo decurso do tempo;
2. À vista: pela apresentação para pagamento de um título
sacado à vista.
2. Extraordinário:
1. Recusa do aceite:
2. Falência do aceitante: somente a falência do aceitante é
que pode antecipar o vencimento do título inteiro.

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d. Prazo:
1. Conta-se prazo pela unidade. Dia – dia; mês = mês; ano = ano.
2. Não pode converter prazo, a não ser aqueles que sejam de meia
unidade: Ex: Título vence daqui a meio mês = 15 dias. Mesmo
que seja em fevereiro.
3. Início de mês é sempre dia 1º.
4. Fim de mês é sempre o ultimo dia do mês.
5. Data que não existe naquele mês o vencimento ocorrerá no
último dia daquele mês.
6. Dia Útil: é aquele em que há expediente bancário

2. PAGAMENTO:
a. Conceito: é a forma natural de extinção da obrigação, é o adimplemento
da obrigação.
1. Título pagável no Exterior: até o segundo dia útil após o
vencimento.
2. Título pagável no Brasil: até o primeiro dia útil após o
vencimento.

b. Cautelas do devedor:
1. Exigência da quitação no próprio título: em razão do princípio
da literalidade.
2. Exigência de entrega do título ao devedor: em razão do
princípio da cartularidade.
3. No caso de pagamento parcial: haverá a quitação mas não a
entrega.
4. Obrigação Quesível: aquela que se satisfaz por iniciativa do
credor. O credor que tem que atrás do devedor.
Obs.1: Obrigação Portável: ao contrário de quesível. É aquela que se
satisfaz por iniciativa do dever. Em regra no Brasil a obrigação é
quesível, a não ser que esteja disposto ao contrário.

c. Hipótese de negativa obrigatória do devedor: situações em que a


questão do crédito está duvidosa, sob pena de ter de paga-lo novamente.
Hipóteses:
1. A primeira hipótese é o extravio do título. O título foi
extraviado, fez o B.O, e o devedor tem de avisar de imediato ao
credor. Nesse caso se alguém apresentar o título, não deve pagar.
2. Incapacidade do Credor: se for absolutamente incapaz, tem que
pagar com autorização do representante legal. Se for
relativamente incapaz, tem que efetuar o pagamento com
autorização do assistente. O Devedor, só se exime da obrigação,
quando provar que o pagamento foi em benefício do incapaz.
3. Falência do Credor: na falência, não pode pagar ao credor e sim
à massa falida, no caso, o administrador judicial.

d. Espécies de Pagamento:

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1. Pagamento Liberatório ou extintivo: é o pagamento feito pelo
aceitante. Porque extingue o pagamento. Libera todos da
obrigação.
2. Pagamento Recuperatório: é aquele feito por um dos
coobrigados, ou devedores indiretos. Nasce para o devedor
indireto o direito de regresso contra o devedor principal.
3. Pagamento por Intervenção: pagamento feito por um terceiro
que voluntariamente paga em nome do devedor.
1. Pagamento por terceiro interessado:
2. Pagamento por terceiro não interessado: só há a subrogação
quando paga em nome do devedor.

Data:10/03/2007 Disciplina: D. COMERCIAL Prof: João Glicério


Aula: 6ª. Assunto: Direito Cambiário Obs:

3. PROTESTO:
a. Conceito: é o ato formal de comprovação de três situações jurídicas:

1) Falta de Aceite: é extraído contra o sacador, protesta se o sacado


não aceita ou recusa.
2) Falta de Data do aceite: é extraído contra o aceitante, protesta pra
que venha colocar data. Em caso do não comparecimento será
considerada a data do protesto
3) Falta de Pagamento. É extraído contra o aceitante. O devedor
principal se recusa a efetuar o pagamento.
• Entre o devedor principal e os coobrigados, antes do protesto,
prevalece a chamada subsidiariedade.
• Entre o devedor principal e os coobrigados, após o protesto,
existe a solidariedade comercial.
• Entre o avalista e o respectivo avalizado existe a solidariedade
civil.
• Solidariedade Comercial: é marcada pela possibilidade do credor
buscar a satisfação da obrigação contra qualquer dos devedores,
assim como na solidariedade civil, contudo, o direito de regresso
daquele que paga ao credor, só pode ser exercido contra os
coobrigados anteriores, diferentemente da solidariedade civil,
pois ao pagar ele extingue a sua obrigação e a obrigação dos
coobrigados posteriores.
• O protesto contra o devedor principal é facultativo e contra os
coobrigados é obrigatório.
• A cláusula sem despesas, ou sem protesto, é aquela que dispensa
o protesto para fins de conservação do direito de crédito contra os
coobrigados. Para que mantenha

O protesto pode ser:

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• Necessário: ele se torna indispensável para cobrança aos coobrigados


• Facultativo: não é requisito indispensável de exigibilidade.

Obs. 1: O prazo do protesto é o primeiro dia útil após o vencimento. A clausula sem
despesas ou sem protesto é aquela que dispensa o protesto para fins de conservação de
direito de crédito contra os coobrigados.

Data:15/03/2007 Disciplina: Comercial Prof: João Glicério


Aula: 7ª. Assunto: Direito Cambiário Obs:

4. AÇÃO CAMBIAL

O que se chama de ação cambial é uma ação de execução. O título de crédito é um


título executivo extra-judicial. A ação cambial tem os seguintes prazos prescricionais:

1º) três anos, a contar do vencimento para o devedor principal e seu avalista. Ou
seja, se você quer ajuizar uma ação contra seu devedor e seu avalista deverá ajuizar
em 3 anos (devedor principal).

2º) Contra os Co-obrigados o prazo será de um ano a contar do protesto (ou do


vencimento: quando o título tem a causa sem despesas, os efeitos do protesto são
antecipados para o vencimento) para os co-obrigados.

3º) Seis meses, para o exercício do direito de regresso do co-obrigado que pagou o
título a contar do pagamento. Contra os co-obrigados anteriores.

Obs.1: E se prescreveu o prazo para a execução? Pode entrar com uma ação
ordinária com base no fato que deu origem ao título.

LETRA DE CÂMBIO E NOTA PROMISSÓRIA

Toda a teoria do título de crédito foi baseada na Letra de Câmbio. Tudo que
estudamos até aqui se aplica a Letra de Câmbio. Foi este título que deu origem a toda
teoria sobre o crédito cambiário.

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Já a Nota Promissória tem algumas ressalvas. Nesta, uma ressalva importantíssima,


que é a estrutura de promessa de pagamento. Quem faz esta ressalva é a Lei
Uniforme de Genebra, 57.663/66, Art. 77.

O aceite é o instituto exclusivo das ordens de pagamento, não se aplicando as


promessas de pagamento.

CHEQUE

CONCEITO: Ordem de pagamento emitida contra instituição financeira. É uma


ordem de pagamento, à vista, sacada contra um Banco e, com base em suficiente
provisão de fundos, previamente depositados pelo sacador ou decorrente de um
contrato de abertura de crédito (cheque especial).

Como qualquer ordem de pagamento pressupõe três coisas:


SACADOR (correntista)
SACADO (sempre um banco)
TOMADOR

A partir do momento que ela preenche o cheque e transfere ao Tomador, ela sacou o
cheque.

Obs.1 Não chame o Banco de Aceitante, não existe aceite. Pois, se não tiver dinheiro
na conta o Banco não paga. O Banco não tem nenhuma obrigação cambial pelo
pagamento de um cheque. A obrigação do banco é meramente administrativa.

Obs.2 Vencimento à vista é aquele que acontece quando da apresentação para


pagamento. Lei 7357/85, Art. 32 (cheque é ordem de pagamento a vista, qualquer
cláusula em sentido contrário é tida como não escrita).
A jurisprudência entende que pode haver acordo de vontades para a
apresentação do cheque em data posterior a do saque. O banco tem obrigação de pagar
o cheque pós-datado. O banco está apenas cumprindo uma obrigação imposta pela lei
do cheque, Art. 32. Se esse depósito antecipado trouxer algum prejuízo ao
SACADOR, ele poderá pleitear o ressarcimento destes danos contra o TOMADOR.
Fundamento: QUEBRA DO ACORDO DE VONTADES.

MODALIDADES DE CHEQUE

4 MODALIDADES: Visado, Administrativo, Cruzado e Para de Levar em Conta

Visado: é aquele que o Banco sacado lança uma declaração de suficiência de fundos.
O Banco está dizendo, tem dinheiro na conta. Ele bloqueia (reservado) na conta do
cliente o valor do cheque. Está quase extinto.

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Administrativo: em razão deste, o cheque visado caiu em desuso. É aquele em que o
Banco Sacado é o próprio Banco sacador. É aquele sacado pelo Banco, contra ele
mesmo.
O cheque administrativo nasceu pelo cheque de viagem. (O dinheiro sai da conta do
cliente e passa a ser do Banco) EX: Alguém vai para o exterior e leva o talão. Claro
que ninguém iria aceitar o cheque. O cheque de viagem é aceito porque é emitido por
um banco. Você viaja com um cheque emitido pelo Citibank, Banco do Brasil. Se
roubarem você pode mandar cancelar.

Cruzado: Possibilita, a qualquer tempo, a identificação do TOMADOR, do


beneficiário do título. O cheque cruzado pode estar com o cruzamento: GERAL (dois
traços paralelos, na diagonal, no meio do cheque) ou ESPECIAL (aquele que
identifica-se o banco em que ele será depositado). A função do cruzamento é
identificar o TOMADOR.

Para levar em conta: tem o mesmo objetivo do cheque cruzado, possibilita também a
identificação do TOMADOR, do beneficiário. Também deve ser pago mediante
depósito em conta corrente. Esta clausula deverá ser colocada no anverso: para se
levar em conta. Também de forma transversal. Pago exclusivamente por crédito em
conta.

PAGAMENTO DO CHEQUE

O prazo para apresentação do pagamento do cheque é de 30 dias, a contar da


emissão, se o cheque for de mesma praça.
CHEQUE DE MESMA PRAÇA: a agência pagadora se encontra no mesmo
município de emissão do cheque. O local do s=cheque, tem que ser onde você está
passando o cheque.
O prazo será de 60 dias se o cheque for de praça distinta. (município diverso da
emissão de cheque).
Perda do prazo: Perde o direito de crédito contra os co-obrigados. Mantém
ainda contra o devedor principal. O banco pagará o cheque até a prescrição do
cheque que é de seis meses a contar do termino do prazo de apresentação.

SUSTAÇÃO DO CHEQUE:

REVOGAÇÃO: Espécie de sustação que gera efeitos apenas após o


término do prazo de apresentação. 30 dias
OPOSIÇÃO: Após a comunicação ao banco, gera efeitos imediatos. Art. 35,
parágrafo único da Lei do cheque.

Obs.1 O cheque não é um papel de curso forçado. Papel de curso forçado é aquele
que deve ser recebido como meio de pagamento por qualquer pessoa. O único papel
de curso forçado é o REAL.
Obs.2 O cheque é em regra pró-solvendo, a obrigação só se extingue após a
liquidação do Título.
Obs.3 Cheque pró-soluto, decorre de acordo entre as partes, é aquele que extingue a
obrigação no momento da entrega o cheque.

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A emissão de cheque sem o devido pagamento, pode ser considerada fraude no
pagamento de cheque. ART. 171, §2º, CP.
Art. 171. Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em
prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro,
mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
Pena – reclusão, de um a cinco anos, e multa.
§ 2o Nas mesmas penas incorre quem:
Fraude no pagamento por meio de cheque
VI – emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder
do sacado, ou lhe frustra o pagamento.
c Súmulas nos 246, 521 e 554 do STF.

DUPLICATA

Espécie de título de crédito criada pelo direito brasileiro. A Lei de duplicata é a


5.474/1968.

FATURA: é o documento descritivo de uma compra e venda mercantil contendo a


indicação de: quantidade, qualidade e preço do produto ou serviço prestado.
A fatura sempre vai a duas vias.

mercadorias
VENDEDOR COMPRADOR

A fatura é de emissão obrigatória na compra e venda à prazo, mas de emissão


facultativa na compra e venda à vista. Só tem um problema: há algum tempo, a receita
federal inventou um documento híbrido: nota fiscal – fatura (fins fiscais e
comerciais). Para fiscalizar. A nota fiscal fatura então é obrigatória em qualquer
compra e venda mercantil, pela obrigatoriedade da nota fiscal.

A duplicata é sempre de emissão facultativa.


O empresário tem a faculdade de emitir duplicata ou não. Esta sim é título de
crédito.

Obs.1 Se o empresário emite duplicatas ele está obrigado a escriturar um livro


especial: LIVRO DE REGISTRO DE DUPLICATAS.

Hipóteses da atitude do comprador ao receber a duplicata, pelo caráter obrigatório da


duplicada estas são formas de aceite:

1. O comprador devolve com o aceite. (aceite ordinário)


* Para executar preciso apenas da duplicata. Execução ordinária.

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2. O comprador devolve sem o aceite

3. Pode não devolver.


(Aceite por presunção)
* Para executar uma duplicata com aceite por presunção preciso
do protesto. Precisa do PROTESTO, DO TÍTULO e da prova que
entregou a mercadoria. Onde está essa comprovação? Nota fiscal
Fatura.

4. Pode não devolver, mas enviar um aceite através de carta. Ela


substitui em parte a duplicada, não pode ser avalizada,
endossada, etc..
(Aceite por comunicação) *para executar preciso apenas da
carta, para fins de execução e protesto a carta substitui a
duplicata.

5. Devolve com a recusa do aceite.


• Se não tenho o título, só posso executar se eu tiver o protesto
mais a comprovação de entrega da coisa, é o chamado
protesto por indicação. Vai ao cartório de títulos ou
documentos ou cartório de protestos e entrega a nota fiscal
fatura. Após esse procedimento poderá executar.

Obs. A Duplicata é um título de aceite obrigatório.

EXCEÇÃO: pode recusar o aceite em 3 hipóteses: art. 8º da Lei de duplicatas.

OBS* Triplicata: só pode ser emitida em caso de perda ou extravio da duplicata.

OBS* PRAZO PRESCRICIONAL DA DUPLICATA: igual da teoria geral.

OBS* a duplicata mercantil é emitida quando há uma compra e venda mercantil, já


a duplicata de prestação de serviços é emitida quando há a prestação de serviços
por uma pessoa jurídica: o empresário.
Existe também a conta de serviços, emitida pelo profissional liberal
ou pelo prestador de serviços eventual.
Duplicata mercantil x conta de serviços: a conta de serviços é um título de crédito
impróprio, não é suscetível de circulação.

Data:22/03/2007 Disciplina: D. COMERCIAL Prof: João Glicério


Aula: 8ª. Assunto: Direito Falimentar Obs:

DIREITO FALIMENTAR

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É o ramo do direito empresarial responsável pelo estudo da falência e da recuperação


de empresas.

DIREITO FALIMENTAR

É o ramo do direito empresarial e comercial responsável pelo estudo da falência e da


recuperação de empresas.

A antiga lei de falências era o Decreto Lei nº 7661/45. Essa lei trazia dois institutos
como conteúdo: a falência e a concordata.

Já a nova lei de falências é a Lei nº 11.101/2005. Essa lei manteve a falência com
algumas alterações e substituiu a concordata por dois outros institutos: a
recuperação judicial e a recuperação extrajudicial de empresas. Traz como
principal diferença a possibilidade de venda dos bens do falido de maneira antecipada.
Ainda traz como mudança a nomenclatura do administrador da massa falida que antes
era denominado de sindico passou a ser chamado de administrador judicial.

RECUPERAÇÃO: a recuperação de empresas deve ser aplicada às atividades viáveis,


mas que não encontraram uma solução de mercado por alguma distorção econômica
(Ex: um empresário está em crise, mas vários outros empresários oferecem propostas,
porque a atividade é lucrativa, ou seja, viável). São os credores que vão decidir quanto
à viabilidade da atividade.

FALÊNCIA: é um processo de execução coletiva, concursal. A regra é a da


execução individual. Tem momentos em que esta regra se torna injusta. Sempre que o
devedor está em estado de insolvência, se prevalecer a execução individual, não irá
satisfazer a todos os credores. Através do princípio “par conditio creditorum” iguais
condições para o crédito. Se não tem direito de pagar a todos, todos devem estar no
mesmo processo. Quando o devedor está em estado de solvência vão estar todos os
credores num processo coletivo. Todos têm que estar no mesmo processo para ser
tratados igualmente. Processo de execução coletiva com o fito de garantir o interesse
dos credores. Para instaurar a falência temos que observar seus pressupostos.

PRESSUPOSTOS OU REQUISITOS:

1. Devedor seja empresário: falência é instituto exclusivo para a


atividade empresária. Só o empresário pode se sujeitar à falência.
Quem não é empresário se sujeita à insolvência civil. Nem todo
empresário pode estar sujeito à falência. Têm empresários que
estão excluídos da falência:
I. Exclusão Total: aqueles que nunca vão se sujeitar à falência.
a. Empresas Públicas;
b. Sociedade de Economia Mista;
c. Câmara de Compensação e Liquidação Financeira;

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II. Exclusão Parcial: aqueles que se sujeitam ao regime próprio:
intervenção e liquidação extrajudicial, mas se caso esta
intervenção seja impossível, se sujeitará à falência.
a. Instituições Financeiras;
b. Empresas de Leasing;
c. Administradoras de Consórcios;
d. Companhia de Seguro;
e. Empresa de Previdência Complementar;
f. Planos de Saúde.
g. Cooperativas de crédito

• O regime de intervenção e liquidação será frustrado em duas


hipóteses:
o Quando há indícios de crime falimentar;
o Quando o ativo não for suficiente para pagar pelo
menos metade dos débitos quirografários (credor pé de
chinelo)

2. Insolvência: não é a insolvência econômica (passivo > ativo), é a


insolvência jurídica, prevista na LF art. 94, ou seja, aquela que a
lei diz que é. É uma previsão legal. Três situações configuram a
insolvência jurídica:
Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:
I – sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento,
obrigação líquida materializada em título ou títulos executivos
protestados cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 (quarenta)
salários-mínimos na data do pedido de falência;
II – executado por qualquer quantia líquida, não paga, não
deposita e não nomeia à penhora bens suficientes dentro do
prazo legal;
III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer
parte de plano de recuperação judicial:
a) procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança
mão de meio ruinoso ou fraudulento para realizar pagamentos;
b) realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o
objetivo de retardar pagamentos ou fraudar credores, negócio
simulado ou alienação de parte ou da totalidade de seu ativo a
terceiro, credor ou não;
c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o
consentimento de todos os credores e sem ficar com bens
suficientes para solver seu passivo;
d) simula a transferência de seu principal estabelecimento
com o objetivo de burlar a legislação ou a fiscalização ou para
prejudicar credor;
e) dá ou reforça garantia a credor por dívida contraída
anteriormente sem ficar com bens livres e desembaraçados
suficientes para saldar seu passivo;
f) ausenta-se sem deixar representante habilitado e com
recursos suficientes para pagar os credores, abandona
estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu domicílio, do local de
sua sede ou de seu principal estabelecimento;
g) deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação
assumida no plano de recuperação judicial.
§ 1o Credores podem reunir-se em litisconsórcio a fim de
perfazer o limite mínimo para o pedido de falência com base no
inciso I do caput deste artigo.
§ 2o Ainda que líquidos, não legitimam o pedido de falência
os créditos que nela não se possam reclamar.
§ 3o Na hipótese do inciso I do caput deste artigo, o pedido
de falência será instruído com os títulos executivos na forma do
parágrafo único do art. 9o desta Lei, acompanhados, em
qualquer caso, dos respectivos instrumentos de protesto para fim
falimentar nos termos da legislação específica.

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§ 4o Na hipótese do inciso II do caput deste artigo, o pedido
de falência será instruído com certidão expedida pelo juízo em
que se processa a execução.
§ 5o Na hipótese do inciso III do caput deste artigo, o pedido
de falência descreverá os fatos que a caracterizam, juntando-se
as provas que houver e especificando-se as que serão produzidas

a. Impontualidade: é a impontualidade injustificada no


cumprimento de obrigações líquidas e certas.
Impontualidade é o não cumprimento da obrigação no
tempo, modo ou lugar acordados. Se, se cumpre a
obrigação do dia certo, mas não no modo ou lugar, enseja
em impontualidade. Art. 96 – hipóteses de justa causa para
o não cumprimento de obrigação. Justa causa é prescrição,
nulidade do título, etc. Ver art. 96.
Art. 96. A falência requerida com base no art. 94, inciso I do
caput, desta Lei, não será decretada se o requerido provar:
I – falsidade de título;
II – prescrição;
III – nulidade de obrigação ou de título;
IV – pagamento da dívida;
V – qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação
ou não legitime a cobrança de título;
VI – vício em protesto ou em seu instrumento;
VII – apresentação de pedido de recuperação judicial no
prazo da contestação, observados os requisitos do art. 51 desta
Lei;
VIII – cessação das atividades empresariais mais de 2 (dois)
anos antes do pedido de falência, comprovada por documento
hábil do Registro Público de Empresas, o qual não prevalecerá
contra prova de exercício posterior ao ato registrado.
§ 1o Não será decretada a falência de sociedade anônima
após liquidado e partilhado seu ativo nem do espólio após 1 (um)
ano da morte do devedor.
§ 2o As defesas previstas nos incisos I a VI do caput deste
artigo não obstam a decretação de falência se, ao final, restarem
obrigações não atingidas pelas defesas em montante que supere o
limite previsto naquele dispositivo.

OBS. 1: Existem obrigações líquidas e certas que não


dão causas à falência: obrigação a título gratuito.
1. A impontualidade tem que ser provada por um ato
formal. Ex: Protesto.
2. Existe um limite de 40 salários mínimos.
b. Execução Frustrada: Ocorre quando o devedor não paga,
não deposita, e nem nomeia bens à penhora. O devedor
frustra a execução. Não precisa estar no limite. Se frustrar a
execução, pode ser até de R$ 1,00, o credor pode pedir a
falência com base na execução frustrada.
c. Prática de Atos de Falência: Art. 94, III: traz um rol de
atos. Ex: alienação irregular de estabelecimento
empresarial. Qualquer credor pode pedir a sua falência.
3. Sentença: o processo falimentar começa com uma sentença, que
de declaratória não tem nada, é constitutiva. O credor realiza o
pedido de falência. O juiz dá ao devedor 10 dias para responder.
Nesta resposta o réu pode tomar 4 atitudes:
a. Deixa o prazo transcorrer: o juiz vai decretar.
b. Contesta: o juiz pode decretar ou denegar.

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c. Deposita o valor do pedido: juiz só pode denegar a falência.
Depósito Elidível (porque vai elidir).
d. Deposita e contesta: o juiz denega. Essa contestação com o
depósito tem o objetivo de definir o ônus de sucumbência.
• Se o juiz decreta, inicia a falência. Da sentença que decreta cabe
o recurso de agravo. Da sentença que denega cabe apelação.
Dificilmente vai se comprovar a necessidade de agravo de
instrumento.
• Na sentença que decreta a falência o juiz pode determinar o
termo legal da falência: termo legal é o mesmo que período
suspeito – é o período, lapso temporal, em que os atos
praticados pelo falido serão tidos como ineficazes. O juiz não
pode retroagir o termo legal ad eterno. Não pode retroagir por
mais de 90 dias: a contar da data do primeiro protesto por falta
de pagamento; a contar da data do pedido de falência; a contar
da data do requerimento de recuperação.
• Aplica-se subsidiariamente o CPC e CPP, exceto quanto à parte
recursal.
• O juízo da falência é universal, ou seja, possui a vis atrativa, atrai
todas as ações de execução do falido. O juízo é do principal
estabelecimento do empresário. Hoje o juízo é o do local do
maior volume de negócios. Ex: Odbrecht – Sede Adm = BA –
Maior volume de negócio = SP. Existem algumas exceções a essa
universalidade:
1. Ações que demandam obrigações ilíquidas.
2. De o falido for autor ou litisconsorte ativo.
3. Reclamação e execução trabalhista
4. Ações em que figura em um dos pólos a União.
5. Execuções tributárias e previdenciárias.

Legitimidade ativa:
• O próprio empresário (não sofrerá as sanções
decorrentes do processo de falência),
• Cônjuge sobrevivente, qualquer dos herdeiros,
inventariante e companheiro,
• O sócio (o empresário é a sociedade), não confundir
com autofalência.
• Credor (juntar o título de crédito mesmo não vencido,
em caso de ser ele empresário, demonstrar a sua
regularidade e por fim prestar caução, caso
domiciliado no exterior).

ADMINISTRAÇÃO DA FALÊNCIA:

1. O juiz é quem determina o futuro na massa falida. Os principais atos são de


sua responsabilidade.
2. O Ministério Público.
3. O Administrador Judicial: é um agente auxiliar do juiz. Ele representa a
comunhão de interesses dos credores. E equipara-se a funcionário público,

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para fins penais, por tratar com dinheiro alheio. A LF tem algumas
preferências. Art. 21 já caiu na OAB. Atos do administrador legal:
a. Verificação dos créditos: verificar quem tem o que receber e quando;
b. Relatório Inicial: é aquele em que o administrador vai constatar as
causas e as circunstâncias da falência. Inclusive analisar o
comportamento do falido, para verificar se houve ou não crime
falimentar. Prazo para apresentar o relatório inicial é de 40 dias a
contar da assinatura do termo de compromisso.
c. Prestação Mensal de Contas: até o 10º dia de cada mês ele tem que
prestar contas do mês anterior.
d. Apresentação do Relatório Final: é o ato mais importante do
administrador. Também tem o prazo de 10 dias. O relatório final tem
que constar todo o ativo realizável e o passivo pago. E vai constatar se
as obrigações foram extintas ou não. Os créditos vão para a sentença. É
importante que no relatório final exista a relação dos créditos
remanescentes.
4. Assembléia de Credores: a assembléia é formada por todos os credores. A
assembléia tem a função de constituir o comitê de credores.
5. Comitê de Credores: composto de três pessoas, sendo um representante de
cada classe de credor. Um representante dos credores trabalhistas, um
representante dos credores com garantia real, e outro do resto de credores.
Cada representante tem dois suplentes e a função mais importante do comitê é
a função de fiscalizar o administrador judicial.

LIQUIDAÇÃO DA FALÊNCIA – A falência propriamente dita.

Liquidação é o momento em que o ativo realizado vai ser vendido para pagamento do
passivo. Antes da liquidação tem que definir o ativo e o passivo. O interessado pode
entrar com o pedido de restituição ou embargo de terceiro Art. 85 e 93.
Parágrafo Único, Art. 85: em até 15 dias anteriores ao requerimento da falência, pode
o terceiro restituição de coisa vendida ao falido, se ainda não por ele alienada.

– A falência propriamente dita.

Liquidação é o momento em que o ativo realizado vai ser vendido para pagamento do
passivo. Antes da liquidação tem que definir o ativo e o passivo. O terceiro que teve
seus bens arrecadados, indevidamente, pode entrar com o pedido de restituição ou
embargo de terceiro, art. 85 e 93.

OBS: Parágrafo Único, art. 85: em até 15 dias anteriores ao requerimento da falência,
pode o terceiro pedir restituição de coisa vendida ao falido, se ainda não por ele
alienada. Ex: vendo um carro a João e ele me pediu um prazo de 30 dias, mas se antes
desse prazo ele entra em falência, e eu ainda não recebi o valor, eu posso entrar com o
pedido de restituição dentro do prazo legal e se ele não alienou o bem ainda. Se ele já
tiver alienado, a solução é habilitar o crédito na falência.

Lista de Credores: é publicada no diário oficial. Depois é aberto um prazo para a


habilitação e divergência no prazo de 10 dias.

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Habilitação: inclusão de novos credores

Divergência: reorganização dos credores, pois o crédito estava de incorreto. Ex: o


crédito era de R$6.000 e o administrador colocou como R$5.000, daí a necessidade de
entrar com o pedido de divergência.

OBS: Depois de analisar as habilitações e divergências a lista de credores é


republicada no diário oficial. E aí, abre-se novo prazo para as impugnações. Esse
prazo é de 10 dias. Ex: eu entrei com o pedido de divergência e este não fora acatado,
então eu impugno.

OBS: A impugnação será autuada em separado e terá uma fase de dilação probatória e
julgamento.
OBS: Da decisão que acata ou não a impugnação cabe agravo.
OBS: Depois de vendido os bens, será feito o pagamento na ordem dos créditos.

CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS

1 – Os créditos compensáveis: são aqueles em que o falido tem tanto crédito quanto
débito perante o mesmo credor. Ex: Bancos.
2 – Os créditos extra-concursais: são aqueles de concurso de credores. São os que
mantêm a falência. Ex: O pagamento do administrador judicial, dos auxiliares e etc.
Art. 84.
3 – Os créditos concursais: previstos no art. 83. São eles:

a) Créditos trabalhistas (limitados até 150 salários mínimos por credor). O que
ultrapassar, vai virá crédito quirografário (no final – se sobrar!!!). Ao lado dos
créditos trabalhistas, tem os créditos decorrentes por acidente de trabalho (não
tem limite!);

b) Créditos de garantia real (até o limite do valor do bem gravado). Ex: Se o bem
custa R$120.000 e o crédito é de R$140.000, ele só vai receber R$120.000 e o
restante ele vai virá quirografário;

c) Créditos tributários (exceto as multas tributárias). Só os créditos tributários é que


valem;

d) Créditos privilegiados (especial). São os elencados nos arts.964 e 965 do CC;


Art. 964. Têm privilégio especial:
I - sobre a coisa arrecadada e liquidada, o credor de custas e
despesas judiciais feitas com a arrecadação e liquidação;
II - sobre a coisa salvada, o credor por despesas de salvamento;
III - sobre a coisa beneficiada, o credor por benfeitorias necessárias
ou úteis;
IV - sobre os prédios rústicos ou urbanos, fábricas, oficinas, ou
quaisquer outras construções, o credor de materiais, dinheiro, ou
serviços para a sua edificação, reconstrução, ou melhoramento;
V - sobre os frutos agrícolas, o credor por sementes, instrumentos e
serviços à cultura, ou à colheita;
VI - sobre as alfaias e utensílios de uso doméstico, nos prédios
rústicos ou urbanos, o credor de aluguéis, quanto às prestações do
ano corrente e do anterior;

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VII - sobre os exemplares da obra existente na massa do editor, o
autor dela, ou seus legítimos representantes, pelo crédito fundado
contra aquele no contrato da edição;
VIII - sobre o produto da colheita, para a qual houver concorrido
com o seu trabalho, e precipuamente a quaisquer outros créditos,
ainda que reais, o trabalhador agrícola, quanto à dívida dos seus
salários.
Art. 965. Goza de privilégio geral, na ordem seguinte, sobre os bens
do devedor:
I - o crédito por despesa de seu funeral, feito segundo a condição do
morto e o costume do lugar;
II - o crédito por custas judiciais, ou por despesas com a
arrecadação e liquidação da massa;
III - o crédito por despesas com o luto do cônjuge sobrevivo e dos
filhos do devedor falecido, se foram moderadas;
IV - o crédito por despesas com a doença de que faleceu o devedor,
no semestre anterior à sua morte;
V - o crédito pelos gastos necessários à mantença do devedor
falecido e sua família, no trimestre anterior ao falecimento;
VI - o crédito pelos impostos devidos à Fazenda Pública, no ano
corrente e no anterior;
VII - o crédito pelos salários dos empregados do serviço doméstico
do devedor, nos seus derradeiros seis meses de vida;
VIII - os demais créditos de privilégio geral.

e) Créditos privilegiados (geral);

f) Créditos quirografários – são os créditos que não têm garantias e privilégios;

g) Créditos decorrentes de todas as multas (inclusive as multas tributárias);

h) Créditos subordinados – são aqueles em que a lei ou o contrato diz que é. Ao lado
dos créditos subordinados estão os sócios.

OBS: Após o pagamento dos créditos e decretada a sentença de encerramento da


falência.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL

É aquela que ocorre perante o poder judiciário.

RECUPERAÇÃO EXTRA-JUDICIAL

É aquela que ocorre fora do poder judiciário.


OBS: Qual a diferença da recuperação e da concordata? Todos sabemos que as duas
tem a mesma finalidade, que é reorganizar a atividade do empresário. Acontece que os
meios é que eram diferentes.

O plano de recuperação será apresentada a assembléia de credores, que estarão


divididos em 3 classes: classe dos credores trabalhistas; classe dos credores com
garantia real e a classe do credores e outro resto de credores(não pode incluir os
créditos tributários).

OBS: O requisito da recuperação é está regularizado com os débitos tributários.

Para que o plano seja aprovado ele precisa passar pelas 3 classes e serem aprovadas
por todas. Se uma das classes, reprovar, o empresário vai para a falência. Cada
classe tem um critério diferente. Na classe dos credores trabalhistas o critério é

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individual (cada credor tem direito a um voto, independentemente do valor do
crédito). Nas classes dos credores com garantia real existem dois critérios: o critério
individual e o critério proporcional (terá tantos votos a depender do tamanho do
crédito). O mesmo acontece com a outra classe, que são dos credores restantes.

O percentual de aprovação depende do tipo da recuperação. Se for recuperação


judicial o plano precisa ser aprovado pela maioria. Se for extra-judicial o plano só será
aprovado com 70% dos votos em cada classe e em cada critério.

OBS: Se aprovado o plano que não for por unanimidade ele será homologado pelo
juiz na recuperação extra-judicial.

OBS: Se o plano creditado não for cumprido, se converte a recuperação em falência.

OBS: O comitê de credores, percebendo que o plano que o devedor apresentou para
ser aprovado, poderá elabora um plano alternativo, caso o devedor aceite, poderá ser o
plano de recuperação judicial ou extra-judicial.

REQUISITOS PARA A RECUPERAÇÃO JUDICIAL

- Estão no art. 48 da Lei de Falências.

REQUISITOS PARA A RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL

- Estão no art. 161 da Lei de Falências.

Rodrigo de Araújo Santana - rodrigomaraba@uol.com.br


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