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CRONOGRAMA DE ESTUDOS- DIREITO DE FAMILIA

Topicos

Linhas de Parentesco

-Principios do direito de Família Casamento 1- Conceito, natureza jurídica, características; 2- Formalidades do casamento: Processo de habilitação e celebração 3- Impedimentos e causas de suspensão; Casamentos especiais

União estável e concubinato:- Histórico, conceito e distinção

1-

Características, requisitos e efeitos

2-

- Dissolução e reconhecimento; União civil entre homossexuais

Regime de bens Princípios PAVIM

Tipos: comunhão parcial de bens; comunhão universal de bens; participação final nos aquestos; separação de bens obrigatória e separação de bens convencional

Invalidade do casamento. 1-Casamento nulo; 2-Casamento anulável; 3- Casamento putativo. Efeitos do casamento. 1. Efeitos pessoais; 2- Efeitos sociais; 3- Efeitos patrimoniais- regras gerais;

Revisão Geral: regimes de bens e partilha, casamento, união estável e concubinato

RESUMO PROVA DE DIREITO DE FAMILIA- 13.11.13

1. Graus de parentesco

Linha Reta: Linha de Ascendência (para cima) e Descendencia (para baixo) em relação a um sujeito (eu). Toda a pessoa, sobre o prisma de sua ascendência, tem duas linhas de parentesco: a linha paterna e a linha materna. As linhagens de parentesco incluem seus atores no rol dos impedimentos absolutos à realização do casamento, em consequência do vínculo da consanguinidade. As relações de parentesco em linha reta geram “o dever de assistir, criar e educar os filhos menores”, imposto aos pais pelo art. 229 da CF. Contagem de graus: Grau, é a distância em gerações, que vai de um a outro parente. Na linha reta, contam-se os graus “pelo número de gerações”. Geração é a relação existente entre o genitor e o gerado. Assim, pai e filho são parentes em linha reta em primeiro grau. Já avô e neto são parentes em segundo grau, porque entre eles há duas gerações.

Linhas colateral, transversal ou oblíqua: pessoas que provêm de um tronco comum, “sem descenderem uma da outra” (Art. 1592, CC). É o caso de irmãos, tios, sobrinhos e primos. Na linha reta não há limite, pois a contagem do parentesco é ad infinitum; na colateral, o Código civil de 2002 a estende só até “o 4º grau”. (o código de 1916 estendia a linha colateral até o 6º grau).

Efeitos do grau colateral: impedimento para o casamento (CC, art. 1.521, IV); a obrigação de pagar alimentos aos parentes necessitados extensiva aos irmãos, que são colaterais de segundo grau (art. 1.697); o chamamento para suceder somente dos colaterais até o quarto grau, no âmbito do direito das sucessões (art. 1.839),

Contagem de graus: Na linha colateral a contagem faz-se também pelo número de gerações. Parte-se de um parente situado em uma das linhas, subindo-se, contando as gerações, até o tronco comum, e descendo pela outra linha, continuando a contagem das gerações, “até encontrar o outro parente” (CC, art. 1.594). Trata-se do sistema romano de contagem de graus na linha colateral. Assim, irmãos são colaterais em segundo grau. Partindo-se de um deles, até chegar ao tronco comum conta-se uma geração. Descendo pela outra linha, logo depois de uma geração já se encontra o outro irmão. Tios e sobrinhos são colaterais em terceiro grau; primos, em quarto. No caso dos primos, cada lado da escala de contagem terá dois graus. Também são colaterais de quarto grau os sobrinhos-netos e tios- avós, hipóteses em que um dos lados da escala terá três graus, e o outro um.

-AFINIDADE: Família e parentesco são categorias distintas. Pondera Pontes de Miranda que “o cônjuge pertence à família, e não é parente do outro cônjuge, posto que seja parente afim dos parentes consanguíneos do outro cônjuge. A afinidade é um vínculo de ordem jurídica e decorre somente da lei. (“in laws”)

O casamento e a união estável dão origem ao parentesco por afinidade. Cada cônjuge ou companheiro torna-se parente por afinidade dos parentes do outro (CC, art. 1.595). Mesmo não existindo, in casu, tronco ancestral comum, contam-se os graus por analogia com o parentesco consanguíneo. Se um dos cônjuges ou companheiros tem parentes em linha reta (pais, filhos), estes se tornam parentes por afinidade em linha reta do outro cônjuge ou companheiro. Essa afinidade em linha reta pode ser ascendente (sogro, sogra, padrasto e madrasta, que são afins em 1º grau) e descendente (genro, nora, enteado e enteada, no mesmo grau de filho ou filha, portanto, afins em 1º grau).

Dispõe, por sua vez, o art. 1.595, § 2º CC/02 que, na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável”. Por isso o impedimento matrimonial previsto no art. 1.521, II, do mesmo diploma, que também se aplica à união estável (art. 1.723, § 1º). Desse modo, rompido o vínculo matrimonial permanecem o sogro ou sogra, genro ou nora ligados pelas relações de afinidade. Significa dizer que, falecendo a esposa ou companheira, por exemplo, o marido ou companheiro continua ligado à sogra pelo vínculo da afinidade. Se se casar novamente, terá duas sogras. Na linha colateral, contudo, a morte ou o divórcio de um dos cônjuges ou companheiros faz desaparecer a afinidade. Como o impedimento matrimonial refere-se apenas à linha reta (CC, art. 1.521, II), nada impede, assim, o casamento do viúvo ou divorciado com a cunhada.

Se a dissolução da sociedade conjugal se der pela separação judicial, que não rompe o vínculo, subsiste a afinidade entre o cônjuge separado e os parentes do consorte. Com o divórcio e consequente rompimento do vínculo, não mais persiste a afinidade. O casamento do cônjuge separado judicialmente com a cunhada só poderá realizar-se, pois, após a conversão da separação em divórcio (ou o divórcio direto, para quem, como nós, entende que o divórcio-conversão foi eliminado do nosso ordenamento jurídico pela “PEC do Divórcio”).

Princípios do Direito de Família

a) Princípio da Afetividade ou Princípio da comunhão plena de vida

A família é baseada na afeição entre os cônjuges ou conviventes, como prevê o art. 1.511 do Código Civil.

Tal dispositivo tem relação com o aspecto espiritual do casamento e com o companheirismo que nele deve existir. Priorizada, assim, a convivência familiar, ora nos defrontamos com o grupo fundado no casamento ou no companheirismo, ora com a família monoparental sujeita aos mesmos deveres e tendo os mesmos direitos. O Estatuto da Criança e do Adolescente outorgou, ainda, direitos à família substituta. Os novos rumos conduzem à família socioafetiva, onde prevalecem os laços de afetividade sobre os elementos meramente formais. Nessa linha, a dissolução da sociedade conjugal pelo divórcio tende a ser uma

consequência da extinção da affectio, e não da culpa de qualquer dos cônjuges.

O princípio ora comentado é reforçado pelo art. 1.513 do Código Civil, que veda a qualquer pessoa jurídica,

seja ela de direito público ou de direito privado, a interferência na comunhão de vida instituída pela

família.

b) Princípio da autonomia e da menor intervenção estatal Inclui a noção de outros dois principios- Princípio da paternidade responsável e planejamento familiar e Princípio da liberdade de constituir uma comunhão de vida familiar,

Dispõe o art. 226, § 7º, da Constituição Federal que o planejamento familiar é livre decisão do casal, fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável. Essa responsabilidade é de ambos os genitores, cônjuges ou companheiros. A Lei n. 9.253/96 regulamentou o assunto, especialmente no tocante à responsabilidade do Poder Público. O Código Civil de 2002, no art. 1.565, traçou algumas diretrizes, proclamando que “o planejamento familiar é de livre decisão do casal” e que é “vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições públicas e privadas”. - Princípio da liberdade de constituir uma comunhão de vida familiar: seja pelo casamento, seja pela união estável, sem qualquer imposição ou restrição de pessoa jurídica de direito público ou privado, como dispõe o supramencionado art. 1.513 do Código Civil. Tal princípio abrange também a livre decisão do casal no planejamento familiar (CC, art. 1.565), intervindo o Estado apenas para

propiciar recursos educacionais e científicos ao exercício desse direito (CF, art. 226, § 7º); a livre aquisição

e administração do patrimônio familiar (CC, arts. 1.642 e 1.643) e opção pelo regime de bens mais

conveniente (art. 1.639); a liberdade de escolha pelo modelo de formação educacional, cultural e religiosa da prole (art. 1.634); e a livre conduta, respeitando-se a integridade físico-psíquica e moral dos componentes da família. O reconhecimento da união estável como entidade familiar, instituído pela

Constituição de 1988 no art. 226, § 3º, retrotranscrito, e sua regulamentação pelo novo Código Civil possibilitam essa opção aos casais que pretendem estabelecer uma comunhão de vida baseada no relacionamento afetivo. A aludida Carta Magna alargou o conceito de família, passando a integrá-lo as relações monoparentais, de um pai com seus filhos. Esse redimensionamento, “calcado na realidade que se impôs, acabou afastando da ideia de família o pressuposto de casamento. Para sua configuração, deixou--se de exigir a necessidade de existência de um par”.

c) Principio necessidade/possbilidade

d) Principio do melhor interesse da criança e do adolescente

e) Principio da igualdade e do respeito às diferenças:

Entre os cônjuges, no que tange aos seus direitos e deveres, estabelecido no art. 226, § 5º, da Constituição Federal, verbis: “Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher”. Fim do poder marital e do patriarcalismo, sendo todos os direitos e deveres familiares exercidos igualmente pelo casal, em sistema de cogestão, de acordo com as possibilidades de cada qual (art. 1.568). O codigo civil e a constituição federal de 88 também prelecionam a igualdade jurídica de todos os filhos, consubstanciado no art. 227, § 6º, da Constituição Federal, que assim dispõe: “Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer

designações discriminatórias relativas à filiação”. Não mais se admite distinção entre filiação legítima ou ilegítima, segundo os pais fossem casados ou não, e adotiva, todos são apenas filhos, uns havidos fora do casamento, outros em sua constância, mas com iguais direitos e qualificações (CC, arts. 1.596 a 1.629).

O princípio ora em estudo permite o reconhecimento, a qualquer tempo, de filhos havidos fora do

casamento; proíbe que conste no assento do nascimento qualquer referência à filiação ilegítima; e veda designações discriminatórias relativas à filiação.

f) Princípio do respeito à dignidade da pessoa humana:

Como decorrência do disposto no art. 1º, III, da Constituição Federal. Verifica-se, com efeito,que busca a proteção constitucional às entidades familiares não fundadas no casamento (art. 226, § 3º) e às famílias monoparentais (art. 226, § 4º); a igualdade de direitos entre homem e mulher na sociedade conjugal (art. 226, § 5º); a garantia da possibilidade de dissolução da sociedade conjugal independentemente de culpa (art. 226, § 6º); o planejamento familiar voltado para os princípios da dignidade da pessoa humana e da

paternidade responsável (art. 226, § 7º) e a previsão de ostensiva intervenção estatal no núcleo familiar no sentido de proteger seus integrantes e coibir a violência doméstica (art. 226, § 8º)”. A sociedade mudou e

o direito de familia passou de um primeiro momento, onde a familia heterosexual, formada por homem

provedor e mulher submissa, derivada do casamento, com filhos legitimos e ilegitimos, como instituição, unidade de produção e reprodução dos valores culturais, éticos, religiosos e econômicos, que da lugar para

o momento atual onde a familia pode ser monoparental, hetero ou homosexual, com sem vinculo de

casamento (Principio da pluralidade das entidades familiares) com filhos de diferentes uniões mas o mesmo status,à tutela essencialmente funcionalizada à dignidade de seus membros, em particular no que concerne ao desenvolvimento da personalidade dos filhos. O ‘declínio do patriarcalismo’ e lançaram as

bases de sustentação e compreensão dos Direitos Humanos, a partir da noção da dignidade da pessoa humana, hoje insculpida em quase todas as constituições democráticas”

O princípio do respeito à dignidade da pessoa humana constitui, assim, base da comunidade familiar,

garantindo o pleno desenvolvimento e a realização de todos os seus membros, principalmente da criança e

do adolescente (CF, art. 227).

2. CASAMENTO

2.1-Conceito, natureza jurídica, características

Segundo Pablo Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (2012, p. 119) o casamento é “um contrato especial de Direito de Família, por meio do qual os cônjuges formam uma comunidade de afeto e existência, mediante

a instituição de direitos e deveres, recíprocos e em face dos filhos, permitindo, assim, a realização de seus projetos de vida.”

Existem 3 teorias quanto a natureza jurídica do casamento: a teoria institucionalista- o casamento é uma instituição e não é contrato; a teoria contratualista- o casamento é um contrato; e uma teoria mista- o casamento é instituição social quanto ao conteúdo e contrato especial quanto à formação (Eduardo de Oliveira Leite).

O casamento, diferentemente da união estável, é ato juridico complexo, decorrente da manifestação

expressas e sucessivas de vontade (consensus facit matrimonium) e possui eficácia dependente da forma

oficial- pública obrigatoria, registro, testemunhas, etc.

Tem por princípios a monogamia (art. 1521, VI- o casamento de pessoas já casadas com terceiros gera nulidade absoluta), Liberdade de união (art. 1513,CC, é defeso a escolha do cônjuge e interferencia da união familiar por PJ pública ou privada: empresas, igreja, etc); e Princípio da comunhão de Vida ou Comunhão indivisa (os nubentes tem ideias e devem abrir mão de institutos egoísticos ou personalistas em função da família, art. 1565,CC).

Características do Casamento: a) ato solene: a nao observancia dos atos torna o casamento inexistente, a menos que seja levado a registro atraves de outro comprovante (religioso) b) normas de ordem pública:

Não é dado aos nubentes discutir com o celebrante o conteudo e a extensão dos seus direitos e deveres, nem impor regras sobra a dissolução do vínculo ou reconhecimento de filho. As normas são congentes. c) comunhão plena de vida, igualdade de direitos e deveres d) união permanente (?): na verdade, é uma caracteristica discutivel, considerando o advento do divorcio em 77, desde então, o casamento é dissolúvel. e) impossibilidade da imposição de termo ou condição: é negócio jurídico puro e simples f) liberdade de escolha do cônjuge : Cabe exclusivamente aos consortes manifestar a sua vontade, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais (CC, art. 1.542). Reconhece hoje a melhor doutrina que a liberdade de casar-se corresponde a um direito da personalidade.

2.3- Impedimentos e causas de suspensão:

A incapacidade é o impedimento absoluto para o casamento, e significa a inaptidão do indivíduo para casar com quem quer que seja, como sucede no caso do menor de 16 anos, da pessoa privada do necessário discernimento e da já casada.

O impedimento para casar é impedimento relativo ou

determinada pessoa em razão de grau de parentesco, afinidade ou outros motivos.

falta de legitimação somente em relação a

São ABSOLUTAMENTE INCAPAZES para a celebração do casamento: Arts. 1517 a 1.520

-Menores de 16 anos (idade núbil) (1517, CC).- Excepcionalmente o juiz poderá autorizar o casamento de quem ainda não alcançou a idade núbil, para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal (estupro, atentado violento ao pudor, assédio sexual) ou em caso de gravidez (1520, CC). -Enfermos e doentes mentais sem discernimento para a prática dos atos da vida civil (3º, II, CC). -Pessoas que não puderem exprimir sua vontade (3º, III, CC).

RELATIVAMENTE INCAPAZES: jovens entre 16 e 18 anos, podem casar, se tiverem a autorização dos pais. É necessário o consentimento de ambos os pais, ou de seus representantes legais. Havendo negativa injusta ou divergência entre os pais, a autorização poderá ser suprida pelo juiz (1517, parágrafo único e 1631, CC). Ou seja, a negativa dos pais deverá ser fundamentada em motivo razoável. Essa autorização pode ser revogada até a celebração do casamento (1518, CC)

DOS IMPEDIMENTOS PARA O CASAMENTO: Arts. 1.521 e 1.522

Havendo

impedimento, qualquer pessoa capaz poderá se opor ao casamento até o momento da celebração. Caso o oficial do registro e o juiz tenham conhecimento de algum impedimento, deverão declará-lo de ofício (1522, CC). A conseqüência disso é a suspensão do casamento até que o juiz decida a questão. Por outro lado, por se tratar de nulidade absoluta e matéria de ordem pública, caso seja celebrado o casamento,

qualquer pessoa ou o MP poderá propor ação de invalidação, sendo imprescritível tal possibilidade.

Todas as causas de impedimentos geram nulidade absoluta do casamento (1548, II CC).

Art. 1521: Não podem casar = estão impedidos de casar Rol taxativo trazido pela lei.

I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural (consangüíneo ou biológico) ou civil (outra origem: o parentesco decorrente da adoção, o parentesco por afinidade, o proveniente das técnicas de reprodução assistida heteróloga e o decorrente da paternidade socioafetiva, fundada na posse do estado de filho); II - os afins (sogro e sogra)em linha reta;

****** P. E a cunhada? Como fica? R. os vinculos de afinidade extinguem-se com a dissolução do matrimonio, nao sendo impedimento.

III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante;

P. Considerando-se a linha reta, vindo um indivíduo a casar-se com uma mulher que já tenha filha, será a mesma considerada afim? E a mãe de sua mulher? R. Sim, ambas são consideras afins e não é possivel contrair matrimonio com nenhuma delas mesmo após extinção da relação.

IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, (pais iguais ou diferentes) e demais colaterais, até o terceiro grau

inclusive; (tios, tio-avo, primos)

V - o adotado com o filho do adotante; (meio-irmãos)

VI - as pessoas casadas; (princípio da monogamia)

VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu

consorte

DAS CAUSAS SUSPENSIVAS PARA O CASAMENTO: Arts. 1.523 e 1.524

As causas suspensivas do casamento são situações de menor gravidade, geralmente para evitar confusão patrimonial. Justamente por isso não acarretam a invalidação do casamento, mas sim sanções aos nubentes. Tem função inibitória, não proibitiva. Visam proteger interesse de terceiro. São circunstâncias capazes de suspender o casamento, se argüidas tempestivamente por pessoa legitimada a fazê-lo. Podem ser argüidas pelos parentes em linha reta (consangüíneos ou afins) e pelos colaterais em 2º grau (consangüíneos ou afins), inclusive antes do casamento. O JUIZ NÃO PODE DECLARAR DE OFÍCIO.

As causas suspensivas estão relacionadas no art. 1523, CC, ao dispor que não devem casar:

a)

o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros: (visa evitar confusão patrimonial). No caso, além da imposição do regime da separação total de bens, o art. 1489, II, CC, impõe a constituição de uma hipoteca legal a favor dos filhos. Porém, havendo prova que inexiste prejuízo para os envolvidos, o casamento poderá ser celebrado por qualquer regime de bens. É o caso em que o casal não possuía patrimônio (1523, parágrafo único, CC). No caso do filho ser apenas do cônjuge falecido, não haverá causa de suspensão, pois a lei restringe aos filhos do casal.

b)

a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal: (visa evitar confusão sobre a paternidade do filho). Havendo prova de ausência de gravidez ou de nascimento do filho antes do término desse período, a causa suspensiva poderá ser afastada pelo juiz (1523, parágrafo único, CC e 1597, II, CC).

c)

o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens do casal:

Decorrente do art. 1581, CC, que possibilita ser concedido o divórcio sem que haja prévia partilha de bens. Provado ausência de prejuízo pode ser afastada causa suspensiva (1523, parágrafo único, CC).

d)

o tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas: Norma de natureza moral. Trata-se de evitar que o curador ou o tutor induza o curatelado ou o tutelado a erro, em razão da confiança existente na relação. Provado ausência de prejuízo pode ser afastada causa suspensiva (1523, parágrafo único, CC).

-

AS PARTES PODEM PEDIR AO JUIZ QUE NÃO LHES SEJAM APLICADAS AS CAUSAS SUSPENSIVAS,

PROVANDO-SE A INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO E, NA “b”, DE GRAVIDEZ. CONSEQUÊNCIA DA INOBSERVÂNCIA: SEPARAÇÃO LEGAL DE BENS. Mitigada pela Sumula 377/STF.

2.6- INVALIDADE DO CASAMENTO

1-Casamento nulo: Os casos são os do art. 1548: enfermos mentais sem discernimento, relaçao eivada de causa impeditiva, etc. A ação cabível é ação declaratória de nulidade absoluta de casamento e o direito de propor ação é imprescritível por qualquer pessoa, os conjuges inclusive, e a nulidade pode ser declarada de oficio pelo juiz ou oficial de registro. Após a celebração do casamento, a nulidade do casamento não poderá ser reconhecida de ofício pelo juiz se tal ato prejudicar aquisição de direitos de 3ºs a titulo oneroso e de boa- fé. Os efeitos da sentença retroagem a data da celebração (efeitos ex tunc), se nao demonstrado prejuizo a 3ºs.

2-Casamento anulável: assim como no casamento nulo, aqui só é admitido o rol taxativo trazido pelo CC. Casos do art.1550. Esses casos são sanáveis, e povem ser convalidados ou anulados conforme os prazos trazidos pelo codigo. Tratando da ação de anulação do casamento, ela tem caráter constitutivos negativos: os seus os efeitos não retroagem (efeitos ex nunc).Por fim, por se tratar de nulidade relativa, o juiz não poderá decretá-la de oficio.

-Art. 1150, III: casamento eivado de vicio de vontade- casos expostos nos arts. 1556 a 1559. O erro ou coação só pode ser interposto pelo prejudicado, e o ato é validado com a convivencia apos a descoberta da condição.

a) erro de tipo quanto a pessoa: descobrimento apos ao casamento de circunstancia sobre a pessoa que era desconhecida: conjuge homossexual, bissexual ou transexual operado que não revelou sua situação anterior, conjuge viciado em tóxicos, casamento por engano com irmão gêmeo, com pessoa violenta, com viciado em jogo de azar, com pessoa adepta de práticas sexuais não convencionais, etc.

b) a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável, ou de moléstia grave e transmissível, pelo contágio ou herança:

- Exemplos de defeito físico: hermafroditismo, deformações genitais, ulcerações do pênis,

impotência coeundi (para o ato da vida sexual), ausência vaginal congênita, infantilismo, entre outros. Segundo a jurisprudência majoritária, a infertilidade não gera a anulabilidade do casamento. Vale lembrar que a prova da impotência coeundi há de ser feita por perícia médica, e não se trata de prova fácil de ser apurada. Exemplos de moléstia grave transmissível p/ prole : AIDS, tuberculose, hepatite, sífilis, hemofilia, etc. c) a ignorância de doença mental grave que, por sua natureza, torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. Exemplos: esquizofrenia, psicopatia, paranóia, etc.- Aqui, difere da situaçao da nulidade absoluta do casamento celebrado por enfermo sem discernimento. O que o artigo refere é uma condição grave, mas que nao afete a capacidade civil do nubente e sim, que prejudique a convivencia. São doenças que se -

questão

manifestam

em

surtos

periodicos,

IMPORTANTE:

a

doença

em

preferencialmente é uma já diagnosticada antes do casamento, sem o conhecimento do outro conjuge. O detalhe está no fato de que, se ambos desconheciam a doença, e a mesma se manifesta durante o casamento, para a surpresa de ambos, sera o caso de separação judicial do art. 1572,§2º, e não de anulação.

3- Casamento putativo: É o caso de casamento nulo ou anulável, mas que gera efeitos por haver envolvidos de boa-fé: cônjuges e seus filhos.Os efeitos serão em relação somente aos de boa-fé. Ex: casamento entre irmãos que desconheciam do vinculo.

Caso um dos cônjuges esteja de boa-fé e outro de má-fé; em relação ao primeiro, o casamento terá eficácia da celebração até o trânsito em julgado; já em relação ao segundo, a sentença tem efeito retroativo (ex tunc), ou seja, é como se nunca tivesse casado. Assim, uma pessoa foi casada e a outra não.

Desse modo, o cônjuge de má fé perde as vantagens econômicas advindas com o

casamento: não pode pretender meação do outro cônjuge,

se casaram sob o regime de

comunhão de bens.

(somente nesse regime de bens haverá a perda da meação). O cônjuge

inocente, porém, terá direito à meação do patrimônio trazido pelo culpado. O cônjuge culpado também não poderá ser considerado herdeiro do outro. No entanto, partilham-se normalmente os bens adquiridos com esforço comum, como regra de equidade, independentemente da natureza do desfazimento do casamento, sob pena de enriquecimento ilícito

Em sentido oposto, Madaleno: “No pertinente à partilha, só o consorte inocente terá direito à meação, e direito à herança se o cônjuge culpado falecer antes da ação anulatória do casamento” (2008, p. 82).

Processo de habilitação: Requisitos e procedimentos legais para o casamento válido Requisitos do art. 1525- documentação, presença dos nubentes ou de procurador.Nessa ocasião, poderá ser juntado o pacto antenupcial feito por escritura pública e, para os conjuges divorciados, viuvos ou q tiveram casamento anulado- comprovação de desempedimento. Conjuges menores- autorização dos pais ou certidão do suprimento judicial (tem q ser feito antes da habilitação).

Formas especiais de casamento:

-por procuração: podem um ou ambos nubentes serem representados por procurador, desde que sejam pessoas diferentes(não é possivel 1 so procurador pra ambos). A procuração tem validade de 90 dias e será obrigatoriamente registrada por instrumento publico. O casamento realizado com procuração vencida é nulo.

-Casamento religioso: será validado, com habilitação civil indispensável, prévia ou posterior a sua celebração. Com todos os requisitos, se levado a registro, a data do casamento religioso é a data oficial da união (os efeitos retroagem, mesmo que registrado depois).

-Casamento molestia grave do nubente: art. 1539- é dispensado o processo da habilitação (não só o edital) quando um dos nubentes estiver impossibilitado de deslocar-se até o local de celebração e com receio de agravamento de sua saude . o escrivão ou seu representante designado para o ato vão ate o doente e celebram o ato com 2 testemunhas. Deve ser levado a registro em 5 dias.

-Casamento nuncupativo: “nuncupativo” refere-se ao ato não escrito, oral. É quando um dos contraentes estiver em iminente risco de vida e não contar com a presença da autoridade celebrante (1540, CC). Ex: nubentes é ferido por arma de fogo, sofre grave acidente, é vítima de mal súbito, sem esperança de salvação, e a duração da vida não poderá ir além de alguns instantes ou horas.

Para a sua celebração basta a presença dos nubentes e de 6 testemunhas, que não podem ter parentesco com os nubentes em linha reta, ou, na colateral, até segundo grau (irmãos). As testemunhas tem ate 10 dias para registrar o ato.

Se o nubente sobreviver bastará a ratificação do casamento junto ao registro,mas serão exigidos os documentos relacionados no art. 1525, CC, afim de se verificar a inexistência de impedimento.

-casamento no exterior: perante autoridade consular. Dispensa os proclames, mas só será validado com o devido registro no brasil dentro de 180 dias,na cidade de domicilio ou se nao houver, no registro da primeira capital em que passarem a residir.

Provas do casamento: A prova regular do casamento é a certidão emitida pelo registro civil das pessoas naturais (1543, CC).Todavia, havendo perda do próprio registro (incêndio, extravio do livro de registros, etc.), poderá o casamento ser provado por qualquer outro meio de prova (1543, parágrafo único, CC). Cédula de identidade, passaporte, certidão de proclamas, etc. O Código consagra uma prova indireta, ou seja, uma presunção: a posse do estado de casado, que nada mais é do que a manutenção de vida entre pessoas de sexo distinto que de forma notória e pública se apresentam como casados (NOME, TRATAMENTO e FAMA). Vale a regra indubio pro matrimonio, ou seja, na dúvida entre provas favoráveis e desfavoráveis, deve o juiz decidir pelo casamento, se os cônjuges viviam na posse de estado de casados. Aplica-se tal presunção, por exemplo, quando os filhos querem provar o matrimônio dos pais já falecidos.

Efeitos do casamento- art. 1565

1. Efeitos pessoais:comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres entre os conjuges. Fidelidade, assunção do nome de um conjuge pelo outro

2- Efeitos sociais: constituição de familia, responsabilidade pelos seus encargos, e em relação aos filhos, direito ao planejamento familiar,

3-efeitos

patrimoniais:

regime

de

bens,

assunção

de

obrigação

pelos

encargos

de

manunteção

da

familia,

direito

a

sucessao,

direito

real

de

habitacao

ao

conjuge

sobrevivente

UNIÃO ESTÁVEL E CONCUBINATO

Concubinato: Antes da CF/88- pagamentos por serviços prestados como enfermeira ou empregada doméstica. Edição de súmulas pelo STF: anos 60- tratamento do concubinato como sociedade de fato (sociedades empresaria e civil, do direito empresarial).

Súmula 380 do STF: Comprovada a existência de sociedade de fato entre os concubinos é cabível a sua dissolução judicial com partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum. Súmula 382 do STF: A vida em comum sob o mesmo teto, more uxório, não é indispensável à caracterização do concubinato.” MORA UXORIA= convivência de marido e mulher.

UNIÃO ESTÁVEL = antigo “concubinato puro”

É relação de ato-fato jurídico (ATO PURO), dispensando a necessidade da prova de

consentimento/vontade/intençao para a sua existencia (diferente do casamento). Assim, os efeitos produzidos independem da vontade das pessoas envolvidas, pois é contrato de

“eficácia humana. ”Tambem chamado posse de estado de casado, affectio maritalis, casamento de fato, enfim, foi elevado a entidade familiar no art. 226 da CF/88.

Antes da CF/88 não havia uma diferenciação entre os institutos do concubinato e da união estável. Antes da sua inclusão do direito de familia pelo CC/02 o assunto foi regulamentado por duas leis esparsas, Leis nº 8.971/94 e 9.278/96, que previam requisitos e tratavam sobre alimentos, guarda, partilha, conversao em casamento, etc. Um grande avanço desse momento legislativo foi a regulamentação quanto ao regime de bens, impondo a presunção ainda que relativa, de esforço comum para os bens adquiridos a título oneroso e durante a relação.

O código civil reuniu uniao estavel e concubinato, regulando os temas. As inovaçoes são

tanto legislativas quanto doutrinarias e jurisprudenciais. Uma delas é classificação da união estável como estado civil.

O concubinato hoje é restrito ao caso de adultério “concubinato adulterino”, ressalvada a

posiçao do concubinato putativo (na verdade uniao estavel putativa). No concubinato uma

das pessoas, ou ambas, são casadas e mantêm relação paralela ao casamento. Os efeitos e conseqüências decorrentes do concubinato adulterino são tratados pelo Direito das Obrigações.

Art. 1.727. As relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos de casar, constituem concubinato.

REQUISITOS DA UNIÃO ESTÁVEL = CASAMENTO DE FATO= unidade familiar

Art. 1723- De maneira geral, para configurar a união estável é necessário: (a) relação

pública; (b) contínua e duradoura; (c) objetivo de constituir família. Conforme se vê, os critérios são subjetivos, constituindo cláusula geral, que deverá ser preenchida de acordo com o caso concreto.

a) Relação Pública: apresentam-se e sao conhecidos como um casal, mas não necessariamente precisam morar juntos. Sobre a coabitação, há divergências, há quem afirme que é indispensável, assim como para o casamento, e há quem afirme que não, assim como para o concubinato, vide sumula 382 STF.

b) Continuidade da relação: Lei anterior estabelecia prazo minimo de 5 anos para uniao estavel, mas o prazo nao foi contemplado pelo CC. Portanto, não há prazo, há requisito de um tempo razoável conforme o caso concreto.

c) Principal requisito para configurar o vínculo de união estável é o objetivo de os

companheiros estabelecerem uma verdadeira família (animus familiae). Em face disso, não configura união estável as hipóteses de simples namoros ou noivados, “salvo estejam essas denominações dissimulando uma união já estabelecida e de sólida

convivência, como facilmente pode ocorrer quando um casal de noivos antecipa a sua coabitação”. O propósito de constituir família se evidencia por alguns comportamentos como (MADALENO):

casamento religioso; dependência alimentar; indicação como dependente em clube social; conta conjunta e cartões de crédito; beneficiários de seguros ou planos de saúde; maneira como o casal se apresenta socialmente (Posse do Estado de Casado ); mantença de um lar comum; (??) freqüência conjunta em eventos familiares e sociais; filhos comuns.

Quanto aos impedimentos para o casamento do art. 1521, a união estavem conta com 2 diferenças: podem constituir união estável os separados de fato ou de direito (inciso VI do retro artigo) e as causas suspensivas do art. 1527 não impedem a união estável. Nesse sentido, quanto as causas suspensivas, há discussão sobre o regime de bens adotado, que é considerado ser a mesma aplicação da regra geral, o regime de comunhão parcial de bens.

Outros pontos controvertidos: Possibilidade de configurar 2 uniões estáveis paralelas. A principio, não, já que a relação paralela é considerada conbubinato. Não é possivel ter 2 casamentos, 2 uniões estáveis ou um de cada pelo principio da fidelidade/monogamia que permeia ambos institutos que são FAMILIARES (POSSE DO ESTADO DE CASADO). A 2ª relação será concubinato, mas nao é unanime.

União estável Putativa: diferente do concubinato adulterino pq desconhece ser o outro conjuge casado.

o conjuge solteiro

Opinião pró reconhecimento de efeitos ao concubinato: “Não outorgar qualquer efeito à relação concubinatária é contrária ao princípio da dignidade da pessoa humana. A jurisprudência, buscando evitar o enriquecimento sem causa, vem atribuindo efeitos patrimoniais a essas relações pela via da sociedade de fato (legitimado pelo direito das obrigações) e prova da efetiva participação na aquisição dos aqüestos.”

UNIÃO HOMOAFETIVA: Recentemente, em 05/2011, o STF deu interpretação conforme a constituição ao art. 1.723 do cc “para excluir impedimento do reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como “entidade familiar”, entendida esta como sinônimo perfeito de “família” segundo as mesmas regras e com as mesmas conseqüências da união estável heteroAFETIVA”

RESOLUÇÃO 175/CNJ 25/05/2013: proibida a recusa para executar casamento?

EFEITOS DA UNIÃO ESTAVEL:

- Direitos e deveres pessoais: art. 1. 724- fidelidade material e moral; mútua assistência

(decorrência dos requisitos de convivência more uxorio e affectio maritalis); dever de guarda, sustento e educação dos filhos (na verdade não é dever inerente às relações pessoais, mas sim dos companheiros para com a prole; guarda dever de ter em sua companhia e sob sua vigilância; sustento subsistência material; educação proporcionar instrução).

-Direitos e deveres patrimoniais: art. 1.725- presunção do regime da comunhão parcial, salvo contrato escrito: o pacto de convivência. A regra é de presunção de comunhão sob os bens adquiridos onerosamente na constancia da relação, sem necessidade de prova de esforço comum (enunciado 115 CJF).

- Como no pacto antenupcial, o pacto de convivência não poderá modificar determinações

de ordem pública, como é o caso da caracterização da própria união estável. Ex: nulidade contrato de namoro

- Há regulamentação específica acerca do direito hereditário do companheiro (1790, CC). Discussão sobre o companheiro ser ou não herdeiro necessário- art. 1845 CC.

- Direito a alimentos, quando necessario- art. 1694

- Efeitos jurídicos: alem dos direitos e deveres com relação um ao outro, há efeitos em relação a 3ºs: efeitos previdenciarios e do direito tributário (inclusão como dependente no

imposto de renda) e quanto à impenhorabilidade do bem de familia, efeitos quanto adoção (ECA).

RECONHECIMENTO E DISSOLUÇAO DA UNIÃO ESTÁVEL

Antes da CF/88: proposição de ações de reconhecimento e dissolução da sociedade de fato, direito das obrigações. Hoje é matéria de direito familiar, com a ação de reconhecimento e dissolução de união estável.

A ação de reconhec. e dissolução da u.e.: litigiosa, pedido de reconhecimento cumulado com o de dissolução. Discussão sobre a caracterização da união estável (requistos). A sentença é declaratoria com efeitos retroativos (ex tunc) e pode determinar partilha de bens, fixação de alimentos, guarda, etc. Corre em segredo de justiça.

REGIME DE BENS : São 4

A) Comunhão universal

B) Comunhão parcial

C) Participação final nos aquestos

D) Separação de Bens Convencional e legal (obrigatória)

Todos os regimes requerem a lavratura de pacto antenupcial por escritura pública, salvo o da comunhão parcial, em que basta termo. (Art. 1.640, §único).

Princípios Regentes dos regimes de bens: PAVIM

a) Princípio da Autonomia privada: os nubentes tem livre estipulação sobre o pacto, e podem escolher o regime que melhor atenda aos seus interesses, criar o seu proprio regime ou fundir caracteristicas de regimes diferentes, prever clausulas de inalienabilidade, incomunicabilidade, etc., desde que a inovação não atente ao direito de 3ºs, fraude ou tente disfarçadamente em expropriar bens de um para o outro (como a imposição de termo ou encargo?). Detalhe: a automia (vontade), se eivada de vício, torna o pacto nulo, oponivel a qualquer tempo. Vide a redação do art. 1.655 é nula a convenção ou cláusula que contravenha disposição absoluta de lei: Previsão de dispensa de um dos cônjuges para firmar fiança, Previsão que afaste os deveres do casamento, Previsão impondo a administração dos bens exclusivamente pelo marido,

a

em

razão

da

incompetência

da

mulher

para

tanto,

Previsão

que

isente

responsabilidade de um dos cônjuges pelo sustento familiar. A presença de nulidade, no entanto, nao necessariamente invalidará o pacto.

b) princípio da Variedade do regime de bens: os nubentes podem escolher dentre os 4 legais ou inventarem o seu prório, ressalvadas as situações quando o regime somente poderá ser o de separação legal obrigatória (art. 1641). O pacto antenupcial tem de ser feito por escritura publica e respeitar o prazo de validade (o pacto é nulo se nao foi seguido do casamento e se não respeitar a forma pública) e só vigora a partir da data do

casamento. Quando optado regime diverso dos previstos em lei, serão aplicáveis as normas gerais acerca dos regimes de bens (1639/1657). Se as partes não se manifestarem quanto ao regime, e em determinadas ocasiões quando o pacto antenupcial for ineficaz ou nulo, vigora o regime da comunhão parcial “legal ou supletiva”. Ex: regime supletivo quando a partes fazem pacto antenupcial por instrumento particular, ou registram o pacto e não casam, etc.

c) princípio da Indivisibilidade do regime de bens: 1 só regime para AMBOS os

cônjuges. Exceções: separação remédio art. 1572, §3º, Cônjuge de boa-fe no Casamento putativo- art. 1561 a 1564 CC um dos cônjuges, ou ambos, desconhecem de causa de impedimento do casamento, que o torna “anulável ou nulo”. Ex: decorre de erro de fato (irmãos que ignoram a existência do parentesco, p. ex.) ou de direito (tios e sobrinhos que ignoram a necessidade do exame prénupcial. Os efeitos em relação ao conjuge de boa fé ou da prole tida no periodo de suposta validade do casamento conferem diferenciação quanto ao regime de bens de um ou outro conjuge.

d) princípio da Mutabilidade justificada: . O regime pode ser alterado, desde que

justificado perante o juiz por ambos os conjuges (ação de alteração de regime de bens, impossibilidade de suprimento judicial se um dos conjuges nao concordar), previsto no art.

1639, §2º. Era impossivel a troca de regime antes do CC/02. Requisitos para o pedido:

(a) autorização judicial; (b) motivação relevante; (c) ressalva do direito de terceiros.

-OBS: não é possivel a interposição da ação nos casos de regime de separação legal, se persiste o impedimento. Ex: um dos conjuges com idade >70 anos. Se as circunstancias tiverem mudado, no entanto, é possivel a alteração: ex. Conjuges menores na data do casamento, mas hoje maiores de idade.

- Ex de justificativa relevante: Alteração do regime p/ comunhão parcial ante a vedação do art. 977, CC:

impossiblidade de instituir sociedade empresária quando os cônjuges forem casados sob o regime de comunhão universal ou da separação absoluta.

Eficácia da mudança de regime: a regra é valer do momento da mudança para frente, não prejudicando os atos jurídicos perfeitos e o interesse de 3ªs; no entanto se benéfico para terceiros a mudança poderá alcançar atos passados (exemplo: substituição de separação convencional por comunhão parcial ou universal). No caso de prejuízo de terceiro em razão da mudança do regime, não se discutirá a validade dessa alteração, mas sim a sua eficácia na relação inter partes. Enunciado 113, CJF: na ação deverá ser demonstrada a inexistencia de lesão a 3º, inclusive dos entes públicos, comprovando a inexistência de dívida de qualquer natureza, e exigida ampla publicidade. Apesar da previsao do art. 2.039/CC sobre casamentos realizados na vigencia do CC/16, o entendimento é de que a alteração do regime de bens também é possivel nesses casos, porém os efeitos não retroagirão. (enunciado 260, CJF).

Cláusulas gerais regimes de bens:

-Venia ou outorga Conjugal- da esposa é a venia/anuência uxória; do marido é vênia marital. É a regra

Art. 1647, III- desnecessidade de outorga conjugal -Para o aval: O enunciado 114 do CJF trata do assunto: “O aval não pode ser anulado por falta de vênia conjugal, apenas caracteriza a inoponibilidade do título ao cônjuge que não assentiu”. A interppretação de exceção da outorga ao aval ocorre em razão do mesmo ser oposto em títulos de crédito que normalmente circulam desacompanhados de quaisquer outros documentos que identifiquem avalista e o seu estado civil. Segundo a jurisprudência do STJ, havendo benefício familiar, a garantia inclui inclusive a meação do cônjuge que não avalizou. Por outro lado, no caso do aval prestado “gratuitamente ou por amizade”, a garantia era restrita à meação do avalista. - O art. 1647 vale para a união estável? : Não, segundo o STJ (a ausencia de outorga nao invalida contratos)

REGIMES DE BENS

1. Comunhão Universal de Bens: União de todos os bens passados e futuros, como se tivessem sido adquiridos igualitariamente pelos cônjuges. Ou seja, cada cônjuge tem direito a uma metade ideal sobre todos os bens móveis e imóveis, denominada meação. -há comunhão das dividas, salvo as anteriores ao casamento, se nao tiverem revertido em proveito ao casal. Outra exceção são os bens recebidos por doação ou herança com cláusula de incomunicabilidade, e os sub-rogados desses. Sem essa cláusula, são de ambos os cônjuges.

2. Comunhão Parcial: é o regime legal ou supletivo (vale como substituto em casos de

invalidade do pacto, p ex.) É a comunhão dos bens adquiridos onerosamente e das dívidas contraidas durante o casamento com exceção dos bens incomunicáveis (1658, CC). -Bens excluidos: herança, doação e bens anteriores ao casorio - Sub-rogração: se o valor do novo bem for maior, o outro conjuge possui meação sobre a diferença * Em complemento ao art. 1659, CC, acima referido, o art. 1661, CC, dispõe que “são incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento”. Diante disso, por exemplo, no caso de uma venda a crédito anterior ao casamento e que o pagamento ocorra posteriormente, tal valor é incomunicável. Exs: “aquisição” de imóvel por promessa de compra e venda anterior ao casamento, cuja escritura tenha se dado somente após a celebração, imóvel objeto de ação reivindicatória proposta antes do casamento, também é incomunicável.

Bens comuns: No regime da comunhão parcial de bens mostra-se desnecessária, para fins de partilha do patrimônio adquirido durante a união, a prova da colaboração para a aquisição do patrimônio comum. A participação, mesmo que indireta, é presumida, mesmo que o bem tenha sido adquirido somente por um dos conjuges. A desclassificação de bem comum fica sujeita a prova de sub-rogação.

- Frutos e rendimentos comuns: alugueis, colheitas, verbas trabalhistas pleiteadas durante o casamento.

- Bens moveis: presunção relativa (juris tantum) de que sejam comuns, salvo prova em contrário.

3. Regime de participação final nos aquestos:

É um regime misto. Durante o casamento, há a seperação total. Com a dissolução por divorcio/morte, há comunhão parcial.

Durante o casamento, os bens adquiridos individualmente pelos cônjuges constituem patrimônio próprio, o que distingue o regime em comento do da comunhão parcial, onde todos os bens adquiridos onerosamente fazem parte do patrimônio comum, imediatamente a aquisição.

Todavia, se algum bem foi adquirido com participação efetiva de ambos os cônjuges, há condomínio (50% para cada) (1679, CC). Assim, o bem é registrado por ambos como condominio, mas sem a fixação de quotas conforme a participação.

Os bens imóveis necessitam da outorga do cônjuge para venda, a não ser que conste no pacto antenupcial a previsão de livre disposição do art. 1.656, CC. Os bens moveis dispensam de qualquer outorga.

Com a separação, vem a divisão dos aquestos: é considerado o patrimonio adquirido durante o casamento. É realizada soma entre os patrimônios próprios de ambos os cônjuges, e que, até então, eram tidos como particulares de cada um. Os bens são considerados em seus valores a constar da data da cessação da convivência entre os cônjuges (se anterior ao divorcio) e há presunção relativa de os bens moveis serem adquiridos durante o casamento, salvo prova em contrário (§único do art. 1674) . OS bens alienados ou doados antes do término da sociedade conjugal devem ser levados em conta no cálculo dos aqüestos. Esses são os termos do art. 1675 e 1676, CC

4. Regime de separação total: Pode ser legal (obrigatório pelo art. 1641- inobservancia de

causas suspensivas, maiores de 70 anos, menores dependentes de suprimento judicial) ou convencional (pelo pacto antenupcial, que aqui é exigido sob pela de invalidade e aplicação do regime

de com. Parc.)

A Separação convencional é separação verdadeira, com ampla liberalidade para cada conjuge

administrar os seus bens. No entanto, em caso de haver efetiva e compravada participação na compra

de um bem, mas ser o mesmo registrado em nome de um só deles, podera ser o bem partilhado.

comunicação dos bens adquiridos na constancia do casamento. Há entendimentos no sentido de que nao ser

necessaria a prova de esforço comum e há o entendimento contrário de que, para a aplicação da súmula, é

necessário prova do esforço comum. A justificativa é a vedação do enriquecimento sem causa expresso no art. 884, CC.

SUMULA 377 STF:

no

caso

da

separação

legal

(1641),

o

posicionamento

é

de

que