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EXPERIÊNCIA S CO M A DIETILAMIN A D O ÁCID O LISÉRGIC O (LS D 25
EXPERIÊNCIA S
CO M
A
DIETILAMIN A
D O
ÁCID O
LISÉRGIC O
(LS D 25 )
PAULO
LUIZ
VIANNA
GUEDES *
O
present e
trabalh o
se
basei a
e
m
cinc o
experiência s
com
LS D
25
feita s
e m
trê
s
pacientes:
u m
cas o
grav e
de
neuros e
histéric a
(dua s
aplicações),
u m
cas o
d e
esquizofreni a
paranóid e
(um
a
aplicação )
e
u m
d e
neuros e
d e
cará -
t e r
açã o
lidade s
caráte r
histéric o
(dua s
aplicações).
Su a
finalidade :
verificaçã o
d a
dest a
substânci
a
so b
os
aspecto s
psicológico s
e
estud o
d e
sua s
possibi-
com o
auxilia r
d a
psicoterapia .
MÉTODO
Oscilaram
a s
doses
usada s
entr e
7
comprimidos
(d e
0,025
m g
cad a
um )
mi-
nistrado s
e m
dua s
tomada s
a
primeir a
d e
4
comprimidos
e
a
segund a
d e
3
e
13
comprimidos
e
m
4
tomada s
a s
primeira ,
segund a
e
terceir a
d e
4
comprimi-
dos
e
a
quart a
d
e
1.
É
interessant e
salienta r
que , coincidindo
co m
a
opinião
ge -
neralizad a
sôbr e
o
tema ,
o
pacient e
qu e
necessitou
maio r
dose
foi
aquêl e
qu e
apresentav a
sintomatologi a
psicótica
(delírio
d e
referência).
A s
doses
intermediá -
ria s
foram,
respectivamente ,
d e
8
comprimidos
(4
e
m
4) ,
8
comprimidos
(dua s
doses
d e
3
e
dua s
d e
1)
e
9
comprimidos
(4,
3,
2) .
Após
verificação
d e possíveis
lesões
renais,
hepática s
e
cardiovasculare s
prin-
cipais
contra-indicaçõe s
a o
us o
d a
substânci a
foi
o
LSD 25
ministrad o
po r
vi a
ora l
estand o
o
pacient e
e m
jejum.
A
duraçã o
da s
experiência s
oscilou
entr e
7
e
8 l / 2
horas.
O
período
franca -
ment e
psicótico
sobreveio,
e m
regra ,
entr e
a
e
hor a
após
a
primeir a
dose,
durant e
mais
o u
meno s
dua s
hora s
para ,
então ,
entra r
e m
declínio.
A
fim
d e apressa r
a
interrupçã o
d a
açã o
d o
LSD 25
foi
usad a
a
cloropromazin a
p o r
r a m
quadr o
vi a
oral,
sendo
a
intramuscula r
reservad a
par a
aquêle s
casos
e m
qu e
ocorre -
vômitos.
Alguma s
vêzes
lançou-s e
mã o
d o
Amita l
sódico
po r
vi a
oral.
O
abaix o
dar á
um
a
idéia
global
da s
doses,
tant o
d e
LSD 25
quant o
do s
me -
dicamento s
usados
par a
interrompe r
su a
ação :
*
Docent e
Livr e
d
e
Clínica
Psiquiátric a
d
a
Fac .
d e
Med.
d e
Pôrt o
Alegre,
Rio
Grand e
d o
Sul .
Nota
do
autor
Agradeç o
ao s
Drs. Ellis
Busnello,
Enio
Arnt,
Moisés
Roitma n
e
Paul o
Machad o
que , como
observadores,
prestara m
inestimáve l
colaboraçã o
à
rea -
lização
desta s
experiências.
Conforme se vê, nã o h á relação entr e a dose de LSD 25 e
Conforme
se
vê,
nã o
h á
relação
entr e
a
dose
de
LSD 25
e
a
quantidad e
neces-
sári a
de
cloropromazina
(ou
Amital)
par a
neutralizá-la .
É
que
a
quantidad e
desta s
última s
substância s
é
inversament e
proporciona l
ao
temp o
em
que
é
usada ,
isto
é,
quant o
mais
tardiament e
são
ela s
ingerida s
(portant o
j á
quand o
declina
a
'ação
do
LSD 25)
meno r
ser á
a
dose
necessária .
RESULTADOS
Entr e
os
sintoma s
expressos
no
plano
somático,
os
mais
comument e
verificados
foram:
sonolência,
sensação
de
tontura ,
estado
vertiginoso,
rubo r
da
face,
face
vultosa ,
sudores e
de
intensidade
variável,
sensaçã o
de
pêso
n a
cabeça ,
no
ventr e
ou
nos
membros,
dificuldade
ou
mesmo
impossibilidade
de
movimento s
nos
mem-
bros
superiore s
e
inferiores,
"dormência "
nos
membros,
na
face,
nos
lábios
ou
no
corpo
todo,
cefaléias,
dores
na
nuca ,
asteni a
mais
ou
meno s
acentuada .
Embor a
tenh a
sido
freqüentement e
assinalad o
estado
nauseoso,
vômitos
ocorreram
em
dua s
experiências,
realizada s
no
mesmo
paciente .
Aliás,
êste
caso
apresentou,
no
fim
de
uma
delas,
após
a
administraçã o
de
uma
ampôl a
de
25
mg
de
cloropro-
mazina ,
acentuad o
estado
lipotímico
que
cedeu
rapidamente .
Quant o
aos
fenômenos
expressos
no
plano
psicológico
são
dignos
de
nota :
Perda
de
orientação
quanto
ao
lugar
Em
4
da s
5
experiência s
apresentou-s e
franc a
ou
relativ a
desorientação
quant o
ao
lugar,
desorientaçã o
que
foi
vivida
sob
maio r
ou
meno r
angústia .
Perda
de
orientação
quanto
ao
tempo
Comumente ,
n a
vivênci a
dos
tes,
o
temp o
pass a
muit o
mais
rapidament e
do
que
o
temp o
cronológico
e,
é
comum
nã o
acreditarem
na s
informaçõe s
que
constantement e
pedem
sôbre
Casos
h á
em
que
a
vivênci a
é
de
enorme
vagarosidad e
quant
o
ao
passa r
do
pacien-
assim
a hora .
tem.no.
Modificações
do
esquema
corporal
A
negaçã o
de
parte s
do
corpo
(nã o
te r
braços,
nã o
te r
mãos),
ou
do
corpo
todo
("eu
nã o
existo" )
foi
assinalad a
alguma s
vêzes,
bem
como
a
sensação
de
esta r
diminuindo
de
tamanh o
e
de
se
torna r
"muit o
pequeno" ,
"uma
criança" ,
conforme
expressão
dos
pacientes.
Um
pacient e
perdeu,
durant e
algum
tempo,
a
noção
da
posição
espacial
do
corpo
e,
por
isto,
queixava-se ,
a
todo
o
momento ,
de
nã o
sabe r
par a
que
lado
estav a
a
su a
cabeç a
ou
par a
que
lado
seu
corpo
estav a
virando.
Perturbações
da
experiência
do
ego
Embor a
nunc a
encontrássemo s
perda
tota l
da
orientaçã o
quant o
à
pessoa,
manifestaram-s e
comumente ,
em
intensidade
variável,
francos
sinais
de
despersonalização.
Interessante s
foram
os
casos
em
que
paulatinament e
se
esfumavam
os
limites
entr e
realidad e
intern a
e
externa .
Assim,
um
dos
paciente s
nã o
podia
se
decidir
quant o
à
origem
do
estimulo
sen-
sorial
a
que
estav a
submetido :
tratava-s e
de
situaçã o
em
que,
estimulad o
auditi-
vament e
por
um
rádio
que,
no
momento ,
transmiti a
programa
musical,
o
pacient e
angustiad o
interrogava ,
repetida s
vêzes,
se
o
que
ouvi a
estav a
"de
fato "
sendo
executad o
fora
de
si
ou
se
seria
"impressão "
sua,
que
talve z
estivesse
apena s
ima -
ginando
aquêl e
trecho
musical,
e,
apesa r
dos
esforços
feitos,
nã o
conseguiu
que
informado
orientar-s e
quant o
ã
situação,
mostrand o
o
quant o
lhe
fícil,
impossível
mesmo,
naquel e
estado,
a
distinção
entr e
objeto
intern o
e
at é
er a di-
externo .
Êste
mesmo
paciente ,
quand o
do
moment
o
de
intensidade
máxim a
da
açã o
do
medicamento ,
foi
prês a
de
intens a
ansiedad e
com
sensaçã o
de
despersonalização
que
expressav a
queixando-s e
de
"nã o
existir "
ou
de
"esta r
sonhando" ,
vivênci a
que
pôde
corrigir
após
haver,
vária s
vêzes,
tocado
o
médico
e
se
certificado
da
realidade
da
existênci a
dêste .
Entã o
pôde
tranqüilizar-se ,
pois
era
a
realidade
da
existênci a
do
objeto
que
lhe
trazi a
a
d a maio r
viva s
certez a
da
própri a
existência .
Em
outr o
caso
ocorreram,
na
fase
do
inicio
açã o
do
LSD 25,
intensíssima s
identifi-
cações
projetiva s
e
introjetiva s
tã o
e
reais
quant o
a s
encontráveis
nos
gran -
des
estados
psicóticos:
o
paciente ,
tomad o
de
ansiedade ,
começou
a
rir
compulsi-
vamente , pois o médico estari a doent e e dever-se-i a submete r ã experiênci
vamente ,
pois
o
médico
estari a
doent e
e
dever-se-i a
submete r
ã
experiênci a
par a
ser
analisad o
por
êle
que,
no
momento ,
sentia-s e
médico.
Interessant e
é
que
podia
julga r
d a
irrealidad e
da
su a
vivênci a
a o
mesmo
temp o
em
que
convictament e
acre -
ditav a
nela,
expressand o
assim,
além
do
duplo
jôg o
de
identificações
projetiva s
(atributo s
do
pacient e
eram
postos
no
médico)
e
introjetiva s
(o
enfêrmo
incorpo-
rav a
a s
qualidade s
do
terapeuta),
típic a
dissociação
do
ego
em
que
uma
part e
sofria
a
açã o
da
droga ,
enquant o
que
outra ,
sem
perde r
o
contat o
com
a
realidade ,
podia
julga r
a s
modificações
apresentada s
pel a
primeira .
Memória
A
percepção
dos
sucessos
ocorridos
se
manteve ,
como
lembrança ,
mesmo
após
o
términ o
d a
experiênci a
e,
assim,
foi
possível,
nos
dias
sucessivos,
obte r
dos
paciente s
relato s
muit o
fiéis
da s
vivência s
experimentada s
durant e
a
açã o
lisérgica.
Alterações
da
sensopercepção
No
que
se
refere
ao
aspecto
visual,
verdadeir o
fenômeno
alucinatóri o
nã o
nos
foi
dad o
observar,
tendo
sido,
em
troca,
freqüente s
a s
manifestaçõe s
ilusórias.
Em
um
caso
ocorreu
típica
alucinaçã o
negativa .
Digna
de
not a
foi
a
perturbaçã o
de
outr o
enfêrmo
que,
durant
e
o
temp o
de
máxim a
açã o
do
medicamento ,
via
a
imagem
do
médico
multiplicad a
vária s
vêzes
e
colocada,
cada
uma
delas,
em
vário s
pontos
da
sala .
Além
disto,
foram
comun s
a s
altera -
ções
do
contôrno
dos
objetos
que
apareciam
mais
nítidos
com
côres
mais
vivas,
demonstrand o
o
pacient e
estranhez a
frent e
aos
mesmos
ou,
ainda ,
em
um
caso,
perturbaçã o
da
exat a
noção
da
distânci a
entr e
a
própri a
pessoa
e
o
ambient e
externo .
Quant o
ao
ouvido,
o
sintoma
mais
chamativo ,
foi
uma
alucinaçã o
negativ a
que
ocorreu
em
um
caso.
No
que
se
refere
ao
sentido
do
gôsto,
a
regr a
é
sua
supres-
são :
os
alimento s
tornam-s e
insípidos,
o
cigarr o
é
"sem
gôsto "
ou,
como
alteraçã o
qualitativa ,
apresent a
gôsto
"diferente" .
Pseudo-alucinaçõe s
gustativa s
e
olfativa s
apresento u
um
pacient e
qu e
senti a
típico
gôsto
e
cheiro
de
camarão .
No
plano
da
sensibilidade
superficial
(táctil,
térmic a
e
dolorosa )
foram
comun s
a s
sensaçõe s
de
formigamento ,
de
dormência ,
a s
sensações
de
frio
e
calor,
e
zona s
de
anestesia .
Alterações
da
esfera
afetiva
Manifestaçõe s
de
ansiedade
mais
ou
menos
intensa s
(à s
vêzes
paroxísticas)
são a
regra .
O
fato
de
sua s
primeira s
expressões
ocorrerem
ante s
da
ingestão
da
droga ,
prov a
nã o
dependerem
ela s
da
açã o
do
medicamento ,
ma s
evidenciarem
a
reaçã o
individua l
ant e
a
situação,
vivida
sempr e
em
têrmo s
paranóides.
Além
da
ansiedade ,
em
dois
casos,
houv e
nítido
quadr o
do
tipo
maníac o
(um
dêles
com
abundante s
idéias
pseudo-delirante s
de
grandeza);
em
outr a
experiênci a
ocorreram
intensa s
manifestaçõe s
depressivas,
com
auto-acusa -
ções,
chôro
e
desespêro.
Acentuado ,
n a
totalidad e
dos
casos,
foi
o
fenômeno
d a
ambivalência .
Nest e
sentido,
u m
pacient e
percebi a
clarament e
dua s
ordens
de
idéias
absolutament e
antagônicas:
assim,
por
exemplo,
dizia
gosta r
muit o
do
médico,
a o
mesmo
temp o
que,
"na
outr a
idéia",
tinh a
sentimento s
agressivos
contr a
o
mesmo
e
isto
sem
que
u m
sentiment o
interferisse
sôbre
o
outro.
Sintoma
encontrad o
com
freqüênci a
foi
o
autismo
que,
em
um
dos
casos,
as-
sumiu
grande s
proporções.
Transtornos
associativos
e
do
pensamento
Um
caso,
no
moment o
máximo
da
açã o
do
medicamento ,
apresento u
franc a
"fuga
de
idéias" ,
com
aceleraçã o
do
temp o
do pensamento ,
associaçõe s
superficiais
e
por
assonância ;
outr o
pacient e
apresento u
intenso
e
longo
"mutismo" .
Delírios
ou
idéias
delirante s
verdadeiras,
isto
é,
com
franc a
aceitaçã o
pelo
juízo
de
realidade ,
nã o
foram
verificados
no
curso
da s
experiências,
senão
por
breve
espaço
de
tempo .
E m
compensação,
freqüente s
foram
a s
idéias
pseudo-delirantes.
No
mesmo
sentido
foram
assinalada s
alguma s
vêzes
"interpretaçõe s
delirantes,
ou
melhor,
"modificações
da
significação
do
objeto"
coexistente s
a o
lado
de
compreen-
são
exat a
(dupl a
orientaçã o
significativa).
COMENTÁRIOS Como se vê, além de modificações vária s no plano somático, a ingestão de ácido
COMENTÁRIOS
Como
se
vê,
além
de
modificações
vária s
no
plano
somático,
a
ingestão
de
ácido
lisérgico,
nas
doses
indicadas,
provoca
abundant e
sintomatologia
psicológica,
na
qual
ressaltam
as
modificações
do
ego,
franca
regressão
com
afloramento
de
mecanismos
arcáicos:
dissociação,
identificações
projetivas
e
introjetivas,
negação).
Interessant e
é
o
fato
de
que,
mesmo
durant e
o
tempo
em
que
est á
sob
a
ação
da
droga,
o
pacient e
conserva
uma
part e
do
ego
que,
com
justeza,
pode
observa r
e
descrever
as
modificações
expe-
rimentada s
por
sua
personalidade.
Ta l
fato
e
a
possibilidade
de
conserva-
ção,
nos
dias
subseqüentes,
da
lembranç a
dos
sucessos
vividos,
permitem
obter,
tempos
depois,
relatos
muit o
fiéis
da
experiência.
Além
dos
aspectos
acima
aludidos,
o
que
torna
a
experiência
grande -
ment e
valiosa
e,
talvez,
residam
as
melhore s
propriedades
da
droga
como
auxiliar
da
psicoterapia
é
o
aparecimento,
sob
forma
intensament e
dramática ,
de
situações
e
fantasias
conflituosas
infantis.
Ta l
materia l
sur-
ge,
não
como
recordação
histórica
de
algo
passado,
ma s
é
repetido
trans-
ferencialmente,
sob
grande
intensidade
afetiva,
mostrand o
quant o
êle
present e na atualidade
do
enfêrmo
é
capaz
de
modela r
sua
conduta,
dirigir
seus
sentimentos
e
interferir
no
seu
contato
com
a
realidade
sub-
jetiva
e
objetiva.
Nest e
sentido
é
ilustrativo
o
caso
de
um
pacient e
cuja
neuros e
de-
sencadeada
após
rompimento
com a
noiva
que
lhe
fôra
infiel
repeti a
situação
neurótic a
infantil
sobrevinda,
aos
quatr o
anos
de
idade,
quando
do
nascimento
de
sua
irmã
mais
nova.
Naquel a
época
sentia-se,
como
na
atualidade,
triste,
"ma l
humorado" ,
experimentando
raiva
intens a
e
perma -
nente,
chorando
muit o
"por
nada" ;
sem
falar
com
ninguém
e
"sem
acha r
graç a
na s
coisas",
andava
sempr e
com
mêdo
dos
outros
que,
parecia,
que-
riam-lhe
mal;
por
isto
passava
os
dias
quieto,
sem
brica r
e
sem
estabelecer
contato
com
ninguém;
quando,
à
tarde ,
êle
com
os
irmãos
mais
velhos
iam
à
roça
levar
café
par a
os
pais
que
se
encontravam
com
a
irmãzinha
recém-nascida,
dava-lhe
"aquela
raiva" ,
"aquela
m á
vontade "
e,
atirava-s e
a o
d a r
chão,
de
bruços,
negando-s e
a
cooperar;
ali
ficava,
"emburrado" ,
"sem
palavr a
com
ninguém" ,
opondo-se
a
prosseguir
caminho,
at é
que
os
irmãos
o
pegavam,
à
fôrça,
e
o
obrigavam
a
seguir,
o
que
muito
o
enco-
lerizava.
Ingerida
a
droga
experiência
a
que
se
submeteu
de
boa
vontade
suas
principais
manifestações
consistiram
na
repetição
dramátic a
daquela
situação
pretérita .
Assim,
deitou-se
de
bruços,
negando-se
a
cooperar,
per-
manecendo
mudo,
ma l
humorado,
mostrand o
grande
irritação
quando
soli-
citado.
Sentia-se
pequeno,
"uma
criança
sem
fôrças "
e
acusava
o
médico
de
n ã o
lhe
quere r
bem.
Visivelmente
enciumado
com
o
observador
acom-
panhant e
do
terapeut a
repeti a
transferencialmente ,
em
relação
àquele,
sua
velha
hostilidade
face
à
irmã .
Com
o
médico
reproduzia
antigo
esque-
ma afetivo relacionado à mã e e, assim, tornou-se exclusivista, exigindo dêste tôda a atenção, mostrando-s
ma
afetivo
relacionado
à
mã e
e,
assim,
tornou-se
exclusivista,
exigindo
dêste
tôda
a
atenção,
mostrando-s e
muito
irritado
quando
dispensava
êle
qualquer
consideração
a o
assistente
(irmã).
Acusava-o
de
nã o
gosta r
tant o
dêle
quanto
gostava
antes,
ma s
de
te r
agor a
"s e passado
todo"
par a
o
observa-
dor.
Exigia-lhe
constantement e
cigarros
e
mais
qu e
isto
numa
drama -
tização
da
amamentaçã o
obrigava-o
a
que , sentado
a
seu
lado,
introdu-
zisse
em
su a bôca
e
dela
retirass e
os
cigarros
qu e fumava
e m
boa
aproxi-
maçã o afetiva.
Imediatament e
e
sempr e
relacionado
ao
ciúme
do
ob -
servador
encolerizava-se
e
recusava-se
a
prosseguir,
pois
desconfiava
da s
intenções
do
médico
que , segundo
êle, raivoso,
poderia
quere r
prejudicá-lo.
Assim
expressava
o
quanto
a
projeção
de
su a
hostilidade
tornava
perigosos
e
ameaçadore s
os objetos
externos
e,
sobretudo,
o
quanto
seu
esquema
afe-
tivo
infantil
relacionado
à
mã e
interferia
n a
atualidade,
em
seu
contato
com
a
realidade
objetai.
Da
mesma
forma
comportaram-se ,
neste
particular,
os
demais
pacientes
Est a
repetição
transferencial
da s vivências
infantis,
vivida
e,
ao
mesmo
tempo,
assistida
po r
um a
part e
do
ego, amplia
enormement e
ao
menos
durant e
da
seu materia l
o
curso
experiência
o
"insight"
d o
enfêrmo
qu e
é
capaz
de
capta r
reprimido,
sentir
su a
realidade
e
vivenciá-lo
como
algo
existente
dentro
de
si
e,
ainda,
ativo
em
su a
atualidade.
Da í
a
facilidade
e
grau
d e convicção
com que , comumente ,
apreendem
os pacientes
a s
inter-
pretações
do
terapeuta .
Assim,
u m
paciente
qu e
precedentement e
fôra
submetido
a
longo
tratament o
analítico,
durant e
a
experiência
lisérgica
repetia
situações
j á
conhecidas
atravé s
de
su a
psicoterapia,
ma s
a
inten-
sidade
com
qu e
a s
experimentava
e
o
grau
de
convicção
n a
realidade
de
seus
conflitos
e
n a
justeza
da s
interpretaçõe s
do
médico
emprestavam
à s
últimas
caráte r
de
verdadeira
"revelação".
À
medida,
porém,
qu e
diminuía
a
ação
da
droga,
e
o conseqüente
grau
d e regressão,
assistia-se
à
restrutu -
raçã o
da s defesas
ióicas.
Tais
defesas,
no
entanto,
nã o impediram
que ,
e m
subseqüentes
sessões,
fora
da
situação
lisérgica,
continuasse
a
se r
elaborado
o
materia l
nela
surgido
e
muita s
vêzes
e
isto
meses
depois
no
mo -
ment o
d e mais
intensa
resistência
à
aceitação
de determinada
interpretação
foi
su a associação
a
lembrança s
da s
situações
correspondentes
ocorridas
n a
experiência
com
LS D 25
qu e
pôde
abala r
su a
atitude
d e
rejeição.
E m
u m
dos
casos,
porém,
a
intensidade
defensiva
er a
tã o
acentuada
que
ne m
a
ação
d a
droga
facilitou
su a
diminuição.
Tratava-s e
d e
pessoa
psicótica
que , graça s
à
su a estrutur a
paranóide,
necessitava
mante r
segrêdo
sôbre
determinado
sucesso
de
su a
vida
infantil
(experiência
a
que
su a
fantasia
emprestava
caráte r
terrorífico).
Ingerido
o
a
que,
aparentemente ,
s e
submeteu
de
bo a
vontade
embor a
homossexual
LS D 25
durant e
todo
o
tempo
ocorresse-lhe
a
lembranç a
do
aludido
episódio,
conforme
confessou
um
an o mais
tarde ,
pôde
continua r
mantendo
silêncio
sôbre
o
mesmo.
À
medida
qu e aumentou
a
ação
do medicamento,
entrou
em
franco
e
intenso
período
d e desadaptação
à
realidade,
ma s êste s e caracterizou
pela
sucessão
de
fases
distintas,
na s
quais,
graças
a
diferentes
mecanismos,
conseguiu
continua r ocultando o que desejava. Embora , atravé s da atividade defen- siva, se pudesse
continua r
ocultando
o
que
desejava.
Embora ,
atravé s
da
atividade
defen-
siva,
se
pudesse
entreve r
nitidament e
o
conflito
que
o
paciente
se
esforçava
por
oculta r
(graças
à
projeção
dêste
no
terapeuta),
seu
temor
paranóide
em
relação
a
êste
último
o
impedia
de
aceitar
a
justeza
de
suas
interpre-
tações
e,
embor a
a
experiência
constituisse
repetição
dos
conflitos
passados,
as
defesas
paranóides
e
negação
sistemática
não
das
interpretaçõe s
ma s
de
suas
próprias
ocorrências
interna s
tornaram
ineficaz,
no
sentido
de
am-
pliação
do
"insight",
tal
experimento;
em
sucessivas
sessões
fora
do
uso
da
droga,
pôde-se
evidenciar
não
te r
trazido
vantagem
a
administração
do
ácido
lisérgico
quant o
à
melhor
compreensão
e
vivência
dos
conflitos
in-
conscientes.
Das
5 observações,
esta
foi
a
única
em
que
a
droga
não
trouxe
tal
vantagem.
E m
tôdas
as
outras,
puderam
os
enfermos
pelo
menos
durant e
a
experiência
vivenciar
plenament e
seus
problemas
e,
ao
mesmo
tempo,
seu
maior
"insight"
trazia-lhes
boa
compreensão
da
ação
que
os
mesmos
desempenhavam
em
sua
vida
atual.
Eis
os
principais
dados
que
nos
foram
dados
observar
no
curso
das
experiências
com
a
dietilamida
do
ácido
lisérgico.
A
concordância
com
o
relato
de
grande
part e
dos
autore s
realça
a
validade
das
observações
regis-
trada s
neste
trabalho,
apesar
do
reduzido
númer o
de
casos
apresentados.
Ressaltamos
a
propriedade
que
tem
o
LSD 25
de
provocar
intensa
regressão
da
personalidade,
regressão
que
pode
ser
utilizada
par a
tratament o
psico-
terápico
que
vise
ajuda r
o
paciente
a
compreende r
suas
dificuldades
íntimas
responsáveis
pelos
quadros
apresentados.
A
intensidade
das
vivências
que
acompanham
o
aparecimento
do
materia l
conflituoso,
a
conservação
de
uma
part e
do
ego
capaz
de,
no
decorrer
da
experiência,
assisti-lo
e
julgá-lo
(pro-
priedade
da
qual
deriva
franca
ampliação
do
"insight")
e
a
possibilidade
que
tra z
ao
paciente
ser ta l
tornam
de
conservar
a
lembranç a
de
tais
sucessos
(o
que
per-
mit e
poder
materia l
elaborado
em
ulteriores
sessões,
fora
da
ação
lisérgica),
o
LSD 25
superior,
como
auxiliar
da
psicoterapia,
a
ou-
tra s
substâncias
cujo
emprêgo
tem
sido
tentado
com
a
mesma
finalidade.
Po r
outro
lado,
sendo
o
materia l
fornecido
pelo
paciente,
não
um
materia l
direto
ma s
derivado
dos
conflitos
inconscientes
e,
como
tal,
deformado
de
acôrdo
com
as
leis
do
processo
primário,
torna-s e
necessário
ao
médico
esta r
francament e
familiarizado
com
os
dinamismos
e
conseqüente
interpre-
tação
das
manifestações
inconscientes.
E m
outra s
palavras,
nas mãos
d e
médico
psicanalista
pode,
a
nosso
ver,
ser
de
real
utilidade
o
uso
do
LSD 25
como
auxiliar
do
tratament o
psicoterápico.
RESUMO
São
relatados
os
resultados
de
5
experiências
realizadas
em
3
pacientes
com
LSD 25,
sendo
salientadas
as
propriedades
terapêutica s
dêste
medica-
ment o
como
auxiliar
da
psicoterapia.
Entr e
outras,
são
ressaltada s
como
principais
qualidades:
a)
ação
regressiva
sôbre
o
ego
que
facilita
o
apa-
recimento, sob fort e carga afetiva, dos conflitos internos na transferência ; b) ação nã o
recimento,
sob
fort e
carga
afetiva,
dos
conflitos
internos
na
transferência ;
b)
ação
nã o
uniforme
sôbre
o
ego,
poupando
uma s
parte s
que,
assim,
não
assistem,
ma s
podem,
durant e
a
experiência,
analisa r
o
materia l
surgido;
c)
conservação
da
memóri a
que
permit e
em
dias
ulteriores
e
fora
da
ação
lisérgica,
a
análise
das
vivências
ocorridas
na
experiência.
O
métod o
ter á
tôda
sua
utilidade,
na
opinião
do
autor,
em
mãos
de
médico
psicanalista
capacitado
a
lidar
com
materia l
derivado
do
inconsciente.
SUMMARY
Experiences
with
diethilamid
of
lysergic
acid.
Th e
results
of
5
experiences
with
th e
LSD 25
mad e
wit h
thre e
patients
a r e
as
reported,
pointing
out
especially
the
therapeuti c
properties
of
this
dru g
a n
aid
in
psychotherapy.
Special
consideration
is
given
t o
the
following
properties:
a)
regressive
action
upon
ego
tha t
facilitates
the
appearing
of
interna l
conflicts
unde r
a
strong
emotive
charge
in
transfer;
b)
non-
uniform
action
upon
ego
keeping
out
some
parts
tha t
in
this
wa y
not
only
assist
bu t
can
also,
during
the
experience,
analys e
the
obtained
material;
c)
keeping
in
th e
patient's
memor y
of
wha t
he
lived
during
th e
experience,
allowing
its
analysis
late r
on
and
out
of
lysergic
action.
In
th e
author's
opinion
this
metho d
will
have
its
full
utility
only
whe n
employed
by
a
psychoanalyst
wh o
is
able
to
work
with
materia l
obtained
from
unconscious.
Rua
Barão
de
Santo
Ângelo,
152
Pôrto
Alegre,
Rio
Grande
do
Sul.