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Célia Vinagre Castelhano

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Tarefa 2 - Análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das


Bibliotecas Escolares

O Modelo enquanto instrumento pedagógico de melhoria

O modelo para a avaliação do trabalho efectuado pela biblioteca, surge


numa altura em que se perspectivavam já grandes mudanças (quer a nível das
direcções das escolas, quer na coordenação das bibliotecas escolares), e para
que esta seja efectuada sobre uma base sólida, adaptada a cada uma das
nossas escolas/bibliotecas e não apenas, seguir um percurso de mudança a
nível nacional, é que foi construído este instrumento de recolha e orientação,
de modo a aferir o impacto no processo educativo, com o intuito de se poderem
traçar novos objectivos a alcançar, investindo mais nas áreas onde se
verificaram maiores carências e também dar continuidade nas áreas de
sucesso.

A missão da biblioteca deve ir ao encontro dos objectivos traçados pela


escola onde se insere e a auto-avaliação deve ser encarada como processo
pedagógico que regulará a gestão da mesma. Ou seja, a auto-avaliação não
deve ser encarada como um fim de percurso, mas sim, como o início das
mudanças necessárias, com o desígnio de melhorar o seu contributo essencial
à melhoria das aprendizagens, ao desenvolvimento curricular e ao sucesso
educativo.

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Pertinência da existência de um Modelo de Avaliação para as


bibliotecas escolares

A Existência de um modelo de auto-avaliação surge numa altura em que


as bibliotecas estão numa fase de mudança, pois durante 10 anos (após a
entrada de grande parte na RBE) investiu-se nas instalações, equipamentos,
recursos documentais e na formação, agora que tudo isto está devidamente
implementado surge a necessidade de institucionalizar a gestão funcional e
pedagógica em articulação com as direcções executivas e a RBE, articulando
de forma harmoniosa a informação existente, mobilidade de saberes entre
áreas curriculares e o carácter formativo de uma Biblioteca Escolar e Centro
Recursos Educativos.

Organização estrutural e funcional. Adequação e constrangimentos

O modelo surge-nos então de uma forma organizada e estruturado sobre


quatro domínios nos quais se encaixam todas as vertentes de uma biblioteca
escolar possibilitando-nos assim o desenvolvimento de práticas de recolha de
evidências sempre numa perspectiva de investigação/acção (problema,
investigação, projecto, realização e avaliação).

Este modelo permite-nos aferir o impacto da BE/CRE não nos moldes


tradicionais que se prendiam com as questões quantitativas (colecção, verba,
empréstimos, nº de visitas, nº sessões realizadas, etc), mas sim com o impacto
qualitativo pois o que agora interessa avaliar é o sucesso do serviço prestado,
centrado aí sim, nos resultados com o intuito de verificar a eficácia dos serviços
de forma a que nos possa levar a saber “o que fazemos?” e “como fazemos?”.

Os quatro domínios são: Apoio ao desenvolvimento curricular (A);


Leitura e literacias (B); Projectos, parcerias e actividades livres e de abertura à
comunidade (C) e Gestão da biblioteca escolar (D). Estes domínios são

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sustentados por alguns subdomínios e o conjunto de todos eles podem ser


agrupados em três áreas chave: Integração da biblioteca na escola e no
processo de ensino/aprendizagem; Acesso e qualidade da colecção existente e
gestão da BE.

Este processo, é implementado através da recolha de evidências em


instrumentos próprios, em perfis de desempenho e como conclusão ser-lhe-á
atribuído um nível: 1 (pouco ou nenhum trabalho neste domínio); 2 (começou a
desenvolver trabalho neste domínio); 3 (desenvolve um trabalho de qualidade
neste domínio) e 4 (bastante forte neste domínio).

Integração/Aplicação à realidade da escola

O modelo foi construído tendo como base a possibilidade de adaptação


ao processo de planeamento da BE, a sua calendarização, objectivos,
prioridades e estratégias definidas pela escola/agrupamento e por tudo isto, as
decisões devem ser tomadas com base nas evidências recolhidas mas ter em
conta os factores internos e externos à BE, adequados aos objectivos e
estratégias de ensino/aprendizagem traçados pela escola/agrupamento.

O domínio a aplicar é escolhido pelo coordenador da BE de acordo com


a realidade da escola/agrupamento assim como a implementação de todo o
processo de avaliação. Os resultados devem ser partilhados com o Director e
posteriormente divulgados e discutidos nos órgãos de gestão pedagógica.

Aos resultados obtidos (fundamentados em evidências obtidas), deve


ser dado um valor estratégico de forma a planear o futuro dos alunos, da
escola e da própria biblioteca.

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Competências do professor bibliotecário e estratégias implicadas na


sua aplicação

Segundo a portaria nº 756/2009 de 14 de Julho cabe ao professor


bibliotecário (com o apoio da equipa): assegurar o serviço para todos os
alunos; articular as actividades da BE com o PE, PCE e os PCT; gestão dos
recursos humanos afectos à biblioteca; organização do espaço, gestão
funcional e pedagógica; operacionalizar uma politica de gestão promovendo a
sua integração nas práticas de professores e alunos; apoiar as actividades
curriculares, livres e extracurriculares; estabelecer redes de trabalho
cooperativo com projectos de parceria e representar a BE.

Neste sentido, o professor bibliotecário encontra-se numa posição


favorável para a aplicação deste modelo de avaliação, operacionalizando a
metodologia apresentada “puxando dos seus galões” que lhe dão a
possibilidade de: mobilizar a equipa para implementar o modelo de forma a
avaliar o impacto e o valor da BE; realizar um processo de formação/acção;
articular com a direcção de forma a desenvolver o processo de avaliação;
apresentar e dialogar sobre o processo do modelo em Conselho Pedagógico e
articular com departamentos e professores.

A aplicação do modelo requer ainda que o professor bibliotecário seja:


um interlocutor no seio da instituição; proactivo; influente junto da direcção e
dos professores; proeminente e considerado pelos membros da comunidade
escolar; observador e atento; capaz de estabelecer prioridades de forma
construtiva atendendo a problemas e realidades; gestor de serviços de
aprendizagem e outros, tendo como base a avaliação de acordo com a missão
e objectivos da escola/agrupamento.

Como já referi anteriormente, a avaliação deve ser sempre encarada


como o ponto de partida para os desafios seguintes. Tendo em conta que esta
avaliação só pode ser feita em articulação com toda a comunidade escolar,
mas que também será ela a maior beneficiada com a introspecção feita aos
seus resultados.

7 de Novembro de 2009

Célia Vinagre Castelhano