MULTIDÃO

A multidão é atraente e seduz o seu expectador. Tarde afirma que "a multidão apresenta
algo de animal"(Tarde,1986:43). Para ele a multidão está submetida às forças da natureza.
Ela é um agrupamento mais natural que depende da chuva, do calor e do frio, do bom
tempo. Por exemplo um raio de sol a reúne... já uma tempestade a dissipa.
Tarde contesta que todas as multidões tenham um líder. Pois ela mesma guia o seu líder,
ela mesma conduz seu criador. Ao contrário do público, as multidões não mudam quando
mudam seu líder, elas conservam suas características físicas. Ele estabelece uma relação
inversa entre público e multidão, isto é, o público da Universidade, dos salões, cafés, da
imprensa etc. cresce mais rapidamente à medida que a multidão tumultuosa diminui; esta
situação explica-se porque o público, enquanto espaço de discussão crítica, é gerador de
apaziguamento nas relações pouco racionais da multidão.
Da multidão ao público ha uma distancia imensa, embora o púlblico proceda em parte de
uma espécie de multidão. Entre os dois existem muitas diferenças : pode-se pertencer ao
mesmo tempo a vários públicos, mas apenas a uma multidão de cada vez, ou seja, um
encontro de dois públicos é um perigo bem menor do que um de duas multidões.
Para Tarde, as multidões são um reflexo do passado constituindo a segunda forma mais
antiga de colectividade e estão condenadas a ser substituídas pelos públicos, na medida
em que não promovem ação discursiva. Valoriza-se, assim, o público que se situa num
estádio evolutivamente superior em relação à multidão.
Os factores que motivam a formação das multidões são em certo modo externos e
primários (tempo, etnia...), enquanto que os dos públicos são internos (isto é, apoiados
num estado de espírito preexistente).
Os públicos e as multidões podem ser classificados em função do sexo, da idade, dos fins e
da fé que os anima, e ainda por critérios: étnicos, económicos, culturais, profissionais,
políticos, religiosos, estéticos e filosóficos. As multidões podem apresentar por:
 Multidões expectantes: por exemplo aquelas que vão ver uma peça de teatro e
estão ali reunidas e concentradas esperando que as cortinas sejam erguidas.



 Multidões atentas: um grupo que se reune em volta de um mágico, por exemplo.
Sua atenção é e sempre foi mais forte do que a de um dos indivíduos que a
compõem.

 Multidões fascinadas: apenas poucos prestão atenção em algo. Alguns so escutam,
outros apenas veêm, mas mesmo assim estão satisfeitos, sem importar o quanto
tenha custado, e de nada se queixam. Tais pessoas esperam horas e horas por um
artista chegar no aeroporto, as vezes ficam la mais de um dia, e quando ele chega
simplismente passa rápido por todas, sem dar muita atenção e vai embora, mas as
pessoas que ali estavam ficam satisfeitas apenas por terem o visto ou ouvido sua
voz.


 Multidões manifestantes: manifestam suas convicções sempre com exagero que
lhes é próprio.



 Multidões atuantes: podemos dividir em multidões de amor e de ódio. As prmeiras
que são as multidões de festa, de alegria, têm uma contribuição muito maior com
sua obra coditiana e universal do que as segundas com sua obra
interminentemente e localizada.

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