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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL

ESTUDO DO IMPACTO DE ATIVIDADE RÍTMICA EM PISOS DE UM EDIFÍCIO EM CONCRETO ARMADO

Matheus Salmaso Borges de Souza

Belo Horizonte

2014

Matheus Salmaso Borges de Souza

ESTUDO DO IMPACTO DE ATIVIDADE RÍTMICA EM PISOS DE UM EDIFÍCIO EM CONCRETO ARMADO

Monografia de Graduação defendida perante a banca examinadora, como parte dos requisitos necessários à aprovação na disciplina Trabalho Integralizador Multidisciplinar III (TIM III) do Curso de Graduação de Engenharia Civil.

Orientador: Professor Fernando Amorim de Paula

Belo Horizonte Escola de Engenharia da UFMG

2014

AGRADECIMENTOS

Agradecimento à Lílian, ao Carlos e à Renata por me ajudarem nesse trabalho. Seja com motivação, revisão ou apoio. Agradecimento ao professor Fernando Amorim pela orientação.

RESUMO

A vibração de pisos é um fenômeno muitas vezes deixado em segundo plano por projetistas.

Nas estruturas de edifícios comerciais ou residenciais, esse fenômeno usualmente provém de qualquer atividade ritmada como passos de um caminhante, uma leve corrida ou, como será desenvolvido nesse trabalho, uma aula de aeróbica. Essas atividades geram vibrações nas lajes em que elas estão aplicadas. Porém, como a estrutura é um corpo contínuo, elas também podem ser transmitidas para outras lajes e em outros pavimentos. Caso ocorra ressonância entre a frequência com que os praticantes da atividade rítmica praticam seus movimentos e a frequência natural das lajes, o efeito da vibração é agravado. Em geral, não há problemas

estruturais devido às vibrações. Entretanto,como as estruturas estão se tornando mais esbeltas,

o que resulta em freqüências naturais mais próximas da frequência de excitação, há uma

preocupação maior com a resposta dinâmica da estrutura e seus efeitos para os usuários da edificação. Por isso, serão avaliadas nesse trabalho as situações em que uma academia de aeróbica perturba ou não os ocupantes de uma edificação. O edifício é um prédio comercial de concreto armado. Será feita uma avaliação dos níveis de vibração para avaliar o possível incômodo que os ocupantes sentem devido à carga oriunda de uma aula de aeróbica. Serão utilizados critérios prescritos em normas internacionais, publicações e manuais elaborados por pesquisadores da área para avaliar as respostas estruturais.

Palavras - chave: Vibração, Dinâmica, Concreto armado, atividade rítmica.

ABSTRACT

The floor vibrations are an ultimate limit state often not considered by structural designers. This phenomenon comes from any rhythmic activity as footsteps, a small run or, as it will be developed, an aerobic class. These activities cause vibrations on the floor which they are applied. However, due the structure work as one, the vibrations also might occur in other rooms and floors. In case of resonance, when the frequency which the aerobic class develops matches or come close to the natural frequency of structure, the vibrations response are multiplied. Usually, there is no structural concern caused by vibrations. But the concrete structures are becoming thicker, and the concern about the dynamic response are bigger. Thus it will be evaluate on this work the situations which an aerobic class disturbs the other users in the edification. The building is a fictional trade center built in reinforced concrete. It will be evaluated the annoyance felt by the users due the dynamic load aggravated by the aerobics. It will be used methods written in international standards and articles published by researchers in the field.

Keywords: Vibrations, Dynamics, Reinforced concrete, Aerobic, Annoyance

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS

V

LISTA

DE

TABELAS

VI

LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS

VII

1

INTRODUÇÃO

1

2

OBJETIVOS

2

 

2.1 OBJETIVO GERAL

2

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

2

3

REVISÃO DA LITERATURA

3

 

3.1

CONCEITOS BÁSICOS DE DINÂMICA

3

 

3.1.1 Sistema de um grau de liberdade

6

3.1.2 Vibração livre

8

3.1.3 Frequência natural

9

3.1.4 Amortecimento viscoso

9

3.1.5 Resposta harmônica

11

3.1.6 Resposta harmônica com amortecimento

13

3.1.7 Representação matemática

15

 

3.2

PRINCÍPIOS DA VIBRAÇÃO DOS PISOS

17

3.3

CRITÉRIO DE ACEITAÇÃO DO CONFORTO HUMANO

19

 

3.3.1

Estimativa da frequência natural

22

4

METODOLOGIA

22

 

4.1

CARACTERÍSTICAS DO EDIFÍCIO

23

 

4.1.1

Dimensões dos elementos

25

 

4.2

DEFINIÇÃO DOS CARREGAMENTOS

26

 

4.2.1 Definição dos carregamentos estáticos

26

4.2.2 Definição dos carregamentos dinâmicos

27

 

4.3

EDIÇÃO DO MODELO NO PROGRAMA COMPUTACIONAL

30

 

4.3.1 Lançamento da estrutura

30

4.3.2 Aplicação das cargas estáticas

31

 

4.4

ESTUDO DA CARGA DA AULA DE AERÓBICA

31

 

4.4.1

Hipóteses para a análise dinâmica

32

5

RESULTADOS E DISCUSSÃO

33

 

5.1

CARREGAMENTO NO PAVIMENTO

33

 

5.1.1 Sala 1

33

 

5.1.2 Sala 3 e 4

38

 

5.2

CARREGAMENTO NO PAVIMENTO

44

 

5.2.1 Sala 1

44

 

5.2.2 Salas 3 e 4

49

 

5.3

CARREGAMENTO NO PAVIMENTO

53

 

5.3.1 Sala 1

53

 

5.3.2 Salas 3 e 4

56

 

5.4

DISCUSSÃO

60

6

CONCLUSÕES

61

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Tipos de carregamentos dinâmicos

3

Figura 2: Decaimento da vibração com amortecimento viscoso

5

Figura 3: Simplificação de um edifício de vários andares como um sistema de múltiplos graus

de liberdade

6

Figura 4: (a) Oscilador massa-mola; (b) relação força-deformação de uma mola linear; (c) diagrama de corpo livre de um oscilador massa-mola

7

Figura 5: (a) Amortecedores viscosos deformados e indeformados. (b) Curva de força e deformação

9

Figura 6: Sistema com um grau de liberdade e amortecedor viscoso Figura 7: Fatores de amplificação dinâmicos para os sistema de um grau de liberdade com

10

excitação harmônica, Linha contínua para o estado estacionário e linha tracejada para o fator

de amplificação total

12

Figura 8: Fator de amplificação por fator de frequência

14

Figura 9: Ângulo de fase por fator de frequência

15

Figura 10: Exemplo de aplicação da série de Furrier

16

Figura 11: Modo de vibração das lajes

18

Figura 12: Aceleração de pico recomendado para conforto humano

20

Figura 13: Resposta de um carregamento senoidal de um Sistema de um grau de liberdade

22

Figura 14: Eixos das vigas e disposição dos pilares

24

Figura 15: Esquema estrutural do edifício

Erro! Indicador não definido.

Figura 16: Disposição das salas do edifício

25

Figura 17: Hipótese básica de uma população padrão em uma aula de aeróbica

28

Figura 18: Superposição de Harmônicos

29

Figura 19: Representação da estrutura no modelo computacional

31

Figura 20: Localização do carregamento na primeira situação

33

Figura 21: Perturbação sentida pelos ocupantes do prédio devido à primeira situação de carregamento

38

Figura 22: Localização do carregamento na segunda situação

38

Figura 23: Perturbação sentida pelos ocupantes do prédio devido à segunda situação de carregamento

44

Figura 24: Localização do carregamento na terceira situação

45

Figura 25: Perturbação sentida pelos ocupantes do prédio devido à primeira situação de carregamento

48

Figura 26: Localização do carregamento na quarta situação

49

Figura 27: Perturbação sentida pelos ocupantes do prédio devido à quarta situação de carregamento

53

Figura 28: Localização do carregamento na quinta situação

53

Figura 29: : Perturbação sentida pelos ocupantes do prédio devido à quinta situação de carregamento

56

Figura 30: Localização do carregamento para a sexta situação

56

Figura 31: Perturbação sentida pelos ocupantes do prédio devido à sexta situação de carregamento

60

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Frequências Críticas definidas pela Norma

17

Tabela 2: Frequência atuante e coeficiente dinâmico

21

Tabela 3: Propriedades geométricas das seções dos pilares

25

Tabela 4: Propriedades geométricas das seções das vigas

26

Tabela 5: Carregamentos estáticos da estrutura

26

Tabela 6: Superposição de Harmônicos

28

Tabela 7: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 1 do 9° pavimento no 9°

33

Tabela 8: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 1 do 9° pavimento no 8°

 

35

Tabela 9: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 1 do 9° pavimento no 10° pavimento

36

Tabela 10: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 1 do 9° pavimento no 7° e 6° pavimentos

37

Tabela 11: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 3 e 4 do 9° pavimento no 9°

39

Tabela 12: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 3 e 4 do 8° pavimento no 9° pavimento

40

Tabela 13: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 3 e 4 do 9° pavimento no 10° pavimento

41

Tabela 14: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 3 e 4 do 9° pavimento no 6° e 7°

pavimentos

Tabela 15: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 3 e 4 do 9° pavimento no 5°, 4°,

42

3° e 2° pavimentos

43

Tabela 16: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 1 do 5° pavimento no 5° pavimento

46

Tabela 17: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 1 do 5° pavimento no 4° pavimento

47

Tabela 18: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 1 do 5° pavimento no 6° pavimento

48

Tabela 19: Acelerações resultantes do carregamento na Salas 3 e 4 do 5° pavimento no 5° pavimento

50

Tabela 20: Acelerações resultantes do carregamento na Salas 3 e 4 do 5° pavimento no 4° pavimento

51

Tabela 21: Acelerações resultantes do carregamento na Salas 3 e 4 do 5° pavimento no 6° pavimento

52

Tabela 22: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 1 do 2° pavimento no 2° pavimento

54

Tabela 23: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 1 do 2° pavimento no 3° pavimento

55

Tabela 24: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 3 e 4 do 2° pavimento no 2° pavimento

57

Tabela 25: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 3 e 4 do 2° pavimento no 2° pavimento

58

Tabela 26: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 3 e 4 do 2° pavimento nas salas 3

e 4 do 4° pavimento

Tabela 27: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 3 e 4 do 2° pavimento nas salas 3

e 4 do 5° pavimento

59

59

vi

Curso de Graduação em Engenharia Civil da UFMG

LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS

ABNT

Associação Brasileira de Normas técnicas

ISO

International Organization for Standardization

MPa

Megapascal

m

Metro

cm

Centímetro

Hz

Hertz

Fck

Resistência à compressão do concreto

N

Newton

1

INTRODUÇÃO

A vibração de pisos é um assunto pouco abordado nos cursos de graduação em Engenharia Civil, embora ela seja de grande importância para a concepção de projetos estruturais. Com isso, será estudado nesse trabalho a resposta de um edifício comercial de concreto armado de médio porte quando um de seus pavimentos é submetido ao carregamento dinâmico decorrente de uma academia de aeróbica.

Em uma aula de aeróbica, um grupo de pessoas exercem uma atividade rítmica e sincronizada. O ritmo e a sincronia produzem uma frequência de vibração. Na realidade, o simples caminhar de uma pessoa sobre a laje produz vibração. Porém, são vibrações pequenas e praticamente imperceptíveis. Por outro lado, as vibrações causadas pela aula de aeróbica são mais fortes e podem causar desconforto para os ocupantes da vizinhança.

Será realizado um estudo dos impactos causados pelas vibrações geradas pela academia de aeróbica situada em um andar do edifício em questão, a sua influência na vizinhança e se a atividade gerará desconforto para os ocupantes do prédio e em qual magnitude.

Será necessário aprofundar em alguns conceitos de vibrações mecânicas. Entre eles estão:

período e frequência, carregamentos dinâmicos, estado estacionário e movimentos transitórios, frequência natural e vibrações livres, amortecimento e amortecimento crítico, ressonância, frequência do passo, harmônico, análise modal e modo de vibração.

O comportamento das estruturas em relação à vibração não é linear. Mas aproximações lineares são satisfatórias e aceitáveis. Assim, o estudo deste trabalho não se deterá em análises mais aprofundadas e complexas. Além disso, será gerado um modelo em um programa computacional de elementos finitos que irá fornecer os resultados a serem analisados.

2

OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral

O objetivo geral desse trabalho é analisar o impacto de uma atividade rítmica em uma edificação. Busca, também, verificar se a atividade induz movimentos que excedam o limite para o conforto ou se há pouca influência na execução de atividades que exigem muita concentração, como estudo ou trabalhos de escritório.

2.2 Objetivos específicos

Realizar um estudo sobre vibrações mecânicas e o comportamento de estruturas sob ações dinâmicas.

Aprimorar o conhecimento em programas computacionais de elementos finitos como

SAP2000.

Fazer a modelagem no programa do edifício fictício, objeto do estudo.

Avaliar impactos dos cenários propostos com os programas computacionais.

Avaliar os locais de maior e menor impacto da atividade rítmica na estrutura e simular a melhor locação para uma academia de aeróbica em um edifício comercial.

3

REVISÃO DA LITERATURA

3.1 Conceitos Básicos de Dinâmica

Para o desenvolvimento desse trabalho, é importante definir alguns conceitos básicos que serão utilizados posteriormente. Todos os conceitos a seguir estão encontrados na publicação de Murray et al. (1997) São eles:

Carregamentos Dinâmicos: Carregamentos dinâmicos podem ser classificados como harmônicos, periódicos, transiente e impulsivos. Como mostrado na figura 1. Carregamentos harmônicos ou senoidais são normalmente associados com máquinas rotativas. Carregamentos periódicos são causados por atividades rítmicas humanas como dança e aula de aeróbica, assim como maquinas de impacto. Carregamentos transientes ocorrem devido ao movimento de pessoas, incluindo caminhada e corrida. Um pulo simples e salto alto são exemplos de carregamentos impulsivos.

Período e Frequência: Período é o tempo, normalmente em segundos, entre sucessivos picos de eventos repetidos. Período está associado com uma função de tempo harmônica e repetitivo, como mostrado na Figura 1. Frequência é inverso de período e normalmente expresso por Hertz (ciclos por segundo. Hz).

e normalmente expresso por Hertz (ciclos por segundo. Hz). Figura 1: Tipos de carregamentos dinâmicos FONTE:

Figura 1: Tipos de carregamentos dinâmicos

FONTE: MURRAY et al. 1997

Estado Estacionário e Movimento Transitório: Se um sistema estrutural é submetido a uma força harmônica contínua (veja Figura 1.(a)), o movimento resultante terá uma frequência e amplitude máxima constante e é conhecido como estado estacionário. Se um sistema estrutural real é submetido a um impulso simples, o amortecimento no sistema causará a diminuição do movimento, como ilustrado na Figura 2. Esse é o tipo de movimento transitório.

Frequência Natural e Vibração Livre: Frequência natural é a freqüência em que o corpo ou estrutura vibrará quando deslocado e depois rapidamente liberado. Esse estado de vibração é classificado como vibração livre. Todas as estruturas tem um grande número de freqüências naturais; a mais frequência natural ou “fundamental” mais baixa é a de maior preocupação.

Amortecimento e Amortecimento Crítico: Amortecimento refere-se à perda de energia mecânica num sistema vibratório. Amortecimento é normalmente expresso como uma porcentagem do amortecimento crítico ou como a fração do amortecimento real (assumindo como viscoso) para o amortecimento crítico. Amortecimento crítico é a menor parte do amortecimento viscoso pela qual cada sistema de vibração livre vai repousar sem oscilação depois de deslocado da posição de equilíbrio.

Ressonância: Se uma frequência componente de uma força excitante é igual à frequência natural da estrutura, ressonância ocorrerá. Na ressonância, a amplitude do movimento tende a se tornar grande a muito grande.

Harmônico: Um harmônico é um múltiplo inteiro da frequência de aplicação de uma força repetitiva.

Analise modal: Refere-se a um método computacional, analítico ou experimental, para determinar a frequência natural e a forma de vibração da estrutura, assim como as respostas dos modos individuais da excitação dada. (Podem ser superpostos para obter uma resposta total do sistema.)

Graus de Liberdade: O número mínimo de coordenadas independentes requerido para determinar completamente as posições de todas as partes de um sistema a qualquer instante. (RAO, 2008)

O movimento oscilatório de um edifício depende da sua distribuição de massa, de amortecimento e de rigidez de uma estrutura. Uma estrutura de concreto armado tem massa e

rigidez bem definidos. O amortecimento tem sua determinação mais complexa. Entretanto, ele deve ser levado em conta para a análise dinâmica da estrutura.

É importante considerar que qualquer atividade rítmica, gera vibração. O caminhar de uma pessoa até o caso da aula de aeróbica. Essas vibrações têm uma frequência. Essa frequência gera uma resposta dinâmica da estrutura de acordo com a Segunda Lei de Newton (Eq. 1). São resolvidas as equações diferenciais para obtenção das equações de movimento. Tais deduções não serão feitas por não ser o foco do trabalho. Porém algumas considerações devem ser feitas.

=

(Eq. 1)

algumas considerações devem ser feitas. ∑ = (Eq. 1) Figura 2: Decaimento da vibração com amortecimento

Figura 2: Decaimento da vibração com amortecimento viscoso

FONTE: MURRAY et al, 1997.

Normalmente, por simplificações, são criados modelos matemáticos para simular um comportamento real. Esse modelo tem a finalidade de identificar os elementos de massa ou inércia, rigidez e amortecimento. A Figura 3 exemplifica um modelo de um edifício e seus elementos de massa e rigidez. Considera-se que as massas das lajes, sobrecarga, vigas e pilares são as massas. E a elasticidade dos membros verticais, as molas.

Figura 3: Simplificação de um edifício de vários andares como um sistema de múltiplos graus

Figura 3: Simplificação de um edifício de vários andares como um sistema de múltiplos graus de liberdade

FONTE: RAO, 2008

Feitas essas considerações, serão apresentadas, de maneira objetiva, alguns conceitos e considerações do estudo de vibrações.

3.1.1 Sistema de um Grau de Liberdade

Conforme definido anteriormente, grau de liberdade, de maneira simplificada, é o número de pontos de um corpo considerados para determinar seu deslocamento. O sistema de um grau de liberdade, considera somente um ponto do corpo como um ponto onde toda massa está concentrada. Esse ponto está associado a uma mola, que representa a rigidez do sistema.

O modelo de um grau de liberdade é o mais simples para um sistema massa-mola. Pode ser resumido assim:

A massa é um ponto limitado a se movimentar na direção x num plano sem atrito. O deslocamento da massa na direção x partindo da posição onde a mola está indeformada é designada pela variável de deslocamento u(t); (Figura 4(a)).

A massa está conectada a uma base fixa por uma mola linear ideal, sem massa. A base fixa serve como uma seção de inércia de referência. Figura 4 (b) mostra a relação linear entre o alongamento ( positivo) e a contração ( negativo) da mola e a força (t) que a mola exerce na massa. Quando a mola está sob tração, é positiva. Quando a mola é comprimida, é negativa.

Uma força externa, p(t), age na massa como mostrado na Figura 4(a). (CRAIG e KURDILA, 2006)

na F i g u r a 4 (a). (CRAIG e KURDILA, 2006) Figura 4: (a)

Figura 4: (a) Oscilador massa-mola; (b) relação força-deformação de uma mola linear; (c) diagrama de corpo livre de um oscilador massa-mola

FONTE: CRAIG E KURDILA, 2006.

A relação entre força e movimento na mola é dada por:

=

(Eq. 2)

onde é a constante elástica da mola e o deslocamento.

A partir da segunda lei de Newton, é possível determinar a equação do movimento para um

sistema de um grau de liberdade sem amortecimento, dada por:

+ = ( )

(Eq. 3)

Essa equação, uma equação diferencial ordinária linear de segunda ordem, representa o modelo matemático do sistema de um grau de liberdade.

A solução geral da equação diferencial ordinária (Eq.3) deve satisfazer as condições iniciais

do movimento. Considera-se os valores do deslocamento e velocidade no tempo t=0 como condições iniciais (0) = e (0)= 0 .

3.1.2 Vibração livre

A vibração livre ocorre quando ( ) na Equação 3 é zero ( ( )=0), desde que as condições

iniciais de velocidade e deslocamento não sejam nulas ao mesmo tempo. Como isso, a equação 3 se torna uma equação diferencial de segunda ordem homogênea e sua solução é bem conhecida.

Solução:

+ = 0

= cos + sin

(Eq. 4)

(Eq. 5)

onde 1 e 2 são constantes que serão calculadas para satisfazer as condições iniciais. Assim

temos:

onde % é a frequência natural.

( )= cos + ! " $ sin

#

(Eq. 6)

3.1.3

Frequência natural

Frequência natural é a frequência com que a massa oscila quando está em vibração livre. Ou seja, o sistema continua vibrando mesmo quando nenhuma força está aplicada sobre ele, após ter a condição de repouso perturbada com uma velocidade ou deslocamento diferentes de zero.

A frequência natural pode ser escrita como:

% =&

onde é a rigidez da mola e a massa do sistema.

3.1.4 Amortecimento viscoso

(Eq. 7)

O conjunto massa-mola ideal não tem dissipação de energia. Nessa situação, a massa vibraria

indefinidamente sem diminuir sua amplitude. Contudo, é sabido que, na prática, existe uma dissipação de energia. Essa dissipação se dá, majoritariamente, pelo amortecimento estrutural.

Embora pesquisas e estudos tenham proposto várias maneiras para determinar o amortecimento matematicamente, a natureza exata do amortecimento numa estrutura é, normalmente, impossível de determinar. (CRAIG E KURDILA, 2006)

impossível de determinar. (CRAIG E KURDILA, 2006) Figura 5: (a) Amortecedores viscosos deformados e

Figura 5: (a) Amortecedores viscosos deformados e indeformados. (b) Curva de força e deformação

FONTE: CRAIG e KURDILA, 2006.

O modelo analítico mais simples de amortecimento aplicado em análise dinâmica de estrutura está ilustrado na Figura 5. A força de amortecimento viscoso é dada por:

' = (( 2 1 )

(Eq. 8)

onde ( é a constante de amortecimento viscoso e a força varia linearmente com a velocidade.

A força de amortecimento é função da velocidade entre os pontos 1 e 2 do amortecedor.

Assim, a Segunda lei de Newton pode ser escrita como:

+ ( + = ( )

(Eq. 9)

3.1.4.1 Vibração livre para amortecimento viscoso

Conforme mencionado no item anterior, a força de amortecimento viscoso é proporcional à velocidade. Na Figura 6 está representado um sistema de um grau de liberdade com um amortecedor viscoso.

sistema de um grau de liberdade com um amortecedor viscoso. Figura 6: Sistema com um grau

Figura 6: Sistema com um grau de liberdade e amortecedor viscoso FONTE: RAO, 2011.

Sendo x o deslocamento em relação a posição de equilíbrio, a segunda lei de Newton pode ser escrita pela equação diferencial de segundo grau:

cuja solução é:

( )= + , -

Amortecimento Crítico

+ ( + = 0

./

01

2 & 3

01 4 0 5

/

1 78 ++ , -

6

./

01

5 & 3

01 4 0 5

/

1 78

6

(Eq. 6)

(Eq.7)

Amortecimento crítico ( ( é o valor da constante de amortecimento que torna zero o radical da Equação 7 (Eq.7)

( ( = 2 %

(Eq. 8)

Para qualquer sistema amortecido, o fator de amortecimento ζ (ou β em algumas referências) é definido como a razão entre a constante de amortecimento e o amortecimento crítico (Rao,

2011):

3.1.5

Resposta harmônica

:

ζ= ;

:

(Eq. 9)

Considere que um sistema de um grau de liberdade não amortecido tenha uma força de amplitude e uma frequência de excitação constante. A equação do movimento é dada por:

+ = cos <

(Eq. 10)

O movimento forçado ou estado estacionário terá a forma:

= = cos <

(Eq. 11)

A amplitude U do estado estacionário pode ser determinada por:

quando < ≠0.

== ?5@A 0

>

"

(Eq. 12)

Adotando:

= C 0

(Eq. 13)

É o deslocamento que ocorre quando a carga 0 é aplicada sem excitação.

Sendo:

E= A $

#

pode-se reescrever a Equação 12 da seguinte forma:

e fazer:

F(E)=

G

G " =

5H 0 , E ≠ 0

' I (E) |F(E)|

(Eq. 14)

(Eq. 15)

(Eq. 16)

O coeficiente Ds( r) representa o fator de amplificação da resposta dinâmica e o seu gráfico está representado na Figura 7.

dinâmica e o seu gráfico está representado na Figura 7 . Figura 7: Fatores de amplificação

Figura 7: Fatores de amplificação dinâmicos para os sistema de um grau de liberdade com excitação harmônica, linha contínua para o estado estacionário e linha tracejada para o fator de amplificação total.

FONTE: CRAIG e KURDILA, 2006.

Pode-se verificar que para r=1 ocorre a ressonância.

A solução da Equação 10, dadas as considerações acima, pode ser escrita como:

( )= G " :KL(< )

5H 0

+ cos + sin

3.1.6 Resposta harmônica com amortecimento

(Eq. 17)

No item 3.1.4. foi apresentada a equação da segunda lei de Newton considerando o amortecimento viscoso. Considerando uma força de amplitude e uma frequência de excitação constantes, temos:

+ ( + = cos <

(Eq. 18)

Com a presença do amortecimento, a resposta do estado estacionário não mais estará em fase com a excitação.

A

e

= = cos(< − M)

(Eq. 19)

resposta permanente deste caso pode ser escrita na forma (ver CRAIG e KURDILA, 2006):

' I (E)=(E)

= 0 =

1

 

T

2

NO1−E 2 P²+(2ζr) 2 S 1

tan M(E) = 2ζr 2

1−E

(Eq.20)

(Eq. 21)

Nas Figura 8 e Figura 9 estão representadas os gráficos da (Eq. 20) e (Eq. 21) respectivamente.

A resposta em frequência do sistema é a combinação da amplitude com frequência e ângulo

de fase versus frequência. As Figura 8 e Figura 9, assim, são chamadas curvas de resposta em

freqüência.

Analisar a resposta de frequência dos sistemas é um dos tópicos mais importantes da análise dinâmica (CRAIG e KURDILA, 2006.).

Algumas considerações importantes sobre o sistema de um grau de liberdade amortecido são:

(CRAIG e KURDILA, 2006)

O estado estacionário é senoidal e de mesma frequência da excitação.

A amplitude da resposta do estado estacionário é função tanto da amplitude e da frequência de excitação como da frequência natural e do fator de amortecimento do sistema.

A excitação e a resposta do estado estacionário não estão em fase. Isso é, eles não alcançam seus valores máximos ao mesmo tempo. O estado estacionário é defasado da excitação pelo ângulo α. Isso corresponde a um tempo de defasagem de α/.

Na ressonância (r = 1), a amplitude é limitada somente pela força de amortecimento e

1

(' I ) E=1 = 2ζ

(Eq. 22)

e α = 90°, isso é, a resposta está defasada da excitação em 90°.

isso é, a resposta está defasada da excitação em 90°. Figura 8: Fator de amplificação versus

Figura 8: Fator de amplificação versus relação de frequência

FONTE: CRAIG e KURDILA, 2006.

Figura 9: Ângulo de fase versus relação de frequência CRAIG e KURDILA, 2006 A resposta

Figura 9: Ângulo de fase versus relação de frequência

CRAIG e KURDILA, 2006

A resposta total do movimento harmônico com amortecimento viscoso é:

( )=

G " W( 5H 0 )²2( XY) 0 Z [

T

0

cos(< − M) + , 5X\ ] ^ ( cos _ + sin _ )

(Eq. 23)

Onde α é dado pela (Eq. 21) e 1 e 2 são constantes que dependem das condições iniciais do sistema definidas previamente.

3.1.7 Representação matemática

Normalmente, as análises referentes à vibração de estruturas são periódicas ou podem ser aproximadas como tal. Especialmente em se tratando de força de excitação. Principalmente no caso de uma aula de aeróbica em que o ritmo é ditado por uma música e os movimentos dos participantes são praticamente sincronizados.

Uma função periódica pode ser separada em vários harmônicos por expansão em série de Fourier. Na verdade, o somatório na série é infinito. Porém, pode ser aproximada por um número finito de somas de harmônicos. Na análise dinâmica, esse recurso é muito utilizado e por isso será feito um breve resumo sobre o assunto.

3.1.7.1 Série de Fourier

Uma função periódica, conforme mencionado anteriormente, pode ser separada em vários harmônicos por expansão em série de Fourier. Uma função p(t) em expansão pela série de Fourier pode ser escrita como:

onde:

( )= +∑

`

a

cos %< + ∑

`

a

b % sen %<

< 1 = 2d

e

1

é a frequência fundamental e:

0 =f

g

g+e 1

( ) h = iCE éhkC h, ( )

% = 2

e

1

g+e

f

g

1

( ) cos %< 1 h ,

%

= 1,2, …

b % = 2

e

1

g+e

f

g

1

( ) sin %< 1 h ,

% = 1,2, …

onde g é um tempo qualquer.

(Eq.24 )

(Eq. 25)

(Eq.26)

(Eq. 27)

(Eq.

28)

Na teoria, a série de Fourier requer número de termo infinito. Porém, pode-se conseguir resultados muito próximos com número relativamente pequeno de termo.

A Figura 10 ilustra uma função periódica triangular aproximada por uma série de Fourier.

periódica triangular aproximada por uma série de Fourier. Figura 10: Exemplo de aplicação da série de

Figura 10: Exemplo de aplicação da série de Fourier

FONTE: RAO, 2011

A

expansão por série de Fourier permite a descrição de qualquer função no domínio do tempo

e

da frequência. Para funções não periódicas, a integral de Fourier permite a representação no

tempo e na frequência. (RAO, 2011) Porém, não serão utilizadas funções não periódicas nesse estudo.

3.2 Fundamentos da vibração de pisos

A vibração de pisos é um problema complexo e de difícil análise. As respostas são complicadas, os carregamentos são difíceis de definir e as variáveis são muitas. Para poder usar um critério prático, que permita aos projetistas considerar a vibração no projeto estrutural, muita pesquisa foi feita. No Brasil, a Norma ABNT NBR 6118 apresenta itens referentes à aceitabilidade de desempenho no Estado Limite de Vibrações Excessivas (ELS- VE) que prevêem situações de vibrações no piso.

A NBR 6118 estabelece que é necessário que a frequência própria fundamental da estrutura

exceda em 20% a frequência crítica. As frequências críticas , definidas pelas norma, estão

apresentadas na tabela 1, de acordo com a utilização da estrutura.

Tabela 1: Frequências Críticas definidas pela Norma

Caso

f crit

Ginásio de esportes

8,0 Hz

Sala de dança ou de concerto sem cadeiras fixas

7,0 Hz

Escritórios

3,0 a 4,0 Hz

Salas de concerto com cadeiras fixas

3,4 Hz

Passarelas de pedestres ou ciclistas

1,6 a 4,5 Hz

FONTE: NBR6118:2003

Para o trabalho desenvolvido, o objeto de estudo é uma aula de aeróbica. De acordo com a norma, deve-se cumprir que a frequência fundamental, nesses casos, seja pelo menos 9,6 Hz. Com isso, garante-se um bom desempenho da estrutura quanto à vibração. Se o edifício cumprir essa prerrogativa, provavelmente não haverá desconforto da vizinhança quanto à vibração causada pela academia.

A Figura 11 mostra os possíveis comportamento de uma laje quando submetidos a vibração.

Figura 11: Modo de vibração das lajes FONTE: MURRAY et al. 1997 O Nível de

Figura 11: Modo de vibração das lajes

FONTE: MURRAY et al. 1997

O Nível de desempenho vibracional de uma laje submetida a uma excitação estará

condicionado à frequência natural, rigidez, massa, amortecimento, além da configuração dos vãos (STOLOVAS, 2011). Esses parâmetros serão de fundamental importância para o desenvolvimento do trabalho e serão determinados pelo programa computacional SAP2000, à exceção da configuração dos vãos, que foi determinada previamente.

A principal preocupação do projetista quanto à vibração deverá ser se a frequência do

carregamento está em ressonância com a frequência natural da estrutura. Segundo Allen (1990), a vibração cresce para uma grande amplitude controlada somente pela habilidade do sistema de absorver energia através do amortecimento. Quando isso ocorre, os efeitos da vibração são amplificados, gerando diversos problemas. Esta situação está representada nos gráficos das figuras 7 e 8.

Acredita-se que somente a vibração da laje é preponderante para os problemas de vibração. Isso não é totalmente verdadeiro. Allen (1990) afirma que há casos de edifícios comerciais em que a estrutura como um todo vibrou verticalmente em consequência de exercícios de aeróbica no edifício. Conclui-se que as vigas e pilares tem importância para os modos de vibração da estrutura e devem ser levadas em conta na determinação da frequência natural.

3.3 Critério de aceitação do conforto humano

Como já mencionado anteriormente, a vibração causada por atividades rítmicas em um piso gera impactos nos pisos adjacentes. Esses impactos são vibrações de menor frequência e aceleração. Porém, dependendo da atividade exercida, pode ser bastante incômoda. É difícil classificar essa perturbação. O que causa desconforto no usuário do cômodo vizinho varia de pessoa pra pessoas e pela atividade que elas estão exercendo. Uma pessoa que se encontra em sua residência para descansar percebe vibrações no chão do seu quarto mais facilmente. O mesmo acontece com um trabalhador em um escritório. Esses usuários não querem que a estrutura vibre. Por isso, o grau de aceitação é menor. O contrário ocorre com pessoas num estádio de futebol, caminhantes sobre uma passarela ou no shopping. Se houver vibração no piso, sua percepção será quase nula ou não será perturbadora.

A norma ISO2631-2 1989 tenta adotar alguns critérios para servir de base para projetistas. Ela considera a atividade exercida no piso analisado e a porcentagem da aceleração da gravidade em que o piso está submetido para vibrar e sugere limites de aceitação da aceleração. A Figura 12 mostra um gráfico com essas relações.

As frequências de vibração devido às atividades humanas que causam mais desconforto variam de 4 a 8 Hz. Nesses casos, o pico de aceleração recomendado, em porcentagem da aceleração da gravidade, para escritórios e residências é de 0,5%. Para Shoppings, restaurantes e passarelas cobertas, são em torno de 2,2%. Para atividades rítmicas e pontes ou passarelas externas, é aceitável uma aceleração de pico de até 6% da aceleração da gravidade. A frequência de vibração das atividades humanas são bem menores. Para uma aula de aeróbica, a frequência em que a multidão sincroniza melhor o movimento varia de 2,2 a 2,8 Hz (STOLOVAS 2011). Para essa faixa de frequência, a aceleração de pico aceitável é um pouco maior, conforme mostrado na Figura 12.

Figura 12: Aceleração de pico recomendado para conforto humano FONTE: ISO 2631-2: 1989 A aceleração

Figura 12: Aceleração de pico recomendado para conforto humano

FONTE: ISO 2631-2: 1989

A aceleração de pico do piso devido a força harmônica rítmica é obtida pela solução clássica assumindo que a estrutura do piso tem somente um modo de vibração (MURRAY et al, 1997 apud ALLEN, 1990):

Onde:

n

=

1,3∝ k q q k

s

tu %

v

2 −1w 2 +x 2y %

z

2

n

= fração da aceleração de pico e aceleração da gravidade

(Eq. 29)

k = coeficiente dinâmico (Tabela 2) q = peso efetivo por unidade de área da população distribuído ao longo da laje

q k = peso efetivo por unidade de área da laje, incluindo a população % = frequência natural da laje

= frequência atuante = k ∙ 8|> onde I , é a frequência do passo ou da atividade e k é o

número do harmônico y= fator de amortecimento

Tabela 2: Frequência atuante e coeficiente dinâmico

Harmônico

f, Hz

α i

 

1 2-2,75

1,5

 

2 4-5,5

0,6

 

3 6-8,25

0,1

FONTE: ALLEN, 1990

A (Eq. 29) pode ser simplificada nas seguintes situações:

Em ressonância ( = ):

= 1,3 k ∙q

n 2y

q k

Acima da ressonância ( = 1,2 ):

=

n
u

1,3

k ∙q

%

v 2 −1

q k

(Eq. 30a)

(Eq. 30b)

As equações mostradas acima, são derivadas de uma viga simplesmente apoiada com um carregamento uniforme. Porém, podem ser usadas para um sistema de lajes. Elas assumem que só há um modo de vibração. O que não é verdade, já que existem vários modos. Entretanto, para problemas práticos envolvendo ressonância, essa aproximação é suficientemente próxima (ALLEN, 1990).

Conformo citado anteriormente, a maior preocupação do projetista é com a ressonância. Se a frequência harmônica atuante, = k ∙ 8|> for próxima à frequência natural, % , problemas

podem ocorrer. Entretanto, harmônicos menores podem ser substanciais e devem ser levados em consideração. A Figura 13 ilustra como a ressonância aumenta a aceleração de pico causando diversas complicações.

Figura 13: Resposta de um carregamento senoidal de um sistema de um grau de liberdade

Figura 13: Resposta de um carregamento senoidal de um sistema de um grau de liberdade

FONTE: ALLEN, 1990

3.3.1 Estimativa da frequência natural

Conforme escrito nos itens anteriores, a frequência natural para análise de problemas de vibração deve levar em consideração todo o sistema estrutural. A frequência natural % pode ser aproximada de um sistema de massa-mola (Figura 4) e pode

ser determinada por:

0 =

2d & n

1

(Eq. 31)

Onde é a deflexão total da mola devido ao seu peso.

Tendo em vista essas recomendações é que deve se analisar o comportamento dos pisos do edifício objeto do estudo. Elas são muito importantes para a aceitação das lajes estudadas e para determinação da melhor localização da academia de aeróbica.

4

METODOLOGIA

Para desenvolver o estudo será utilizado o programa computacional SAP2000 no qual se fará a simulação de um carregamento dinâmico devido à aula de aeróbica em algumas lajes da edificação, será feita a análise modal, obtenção das frequências naturais do edifício. Com o carregamento aplicado em uma laje, serão observados os comportamentos das outras lajes do

edifício: lajes vizinhas no mesmo pavimento, lajes acima e abaixo, lajes de dois pavimentos acima ou abaixo até que não se perceba nenhuma perturbação no piso. Os resultados da simulação serão comparados com os parâmetros da norma ISO 2631-2: 1989 e serão avaliadas

as perturbações em cada laje.

4.1 Características do edifício

O estudo será feito em um edifício de concreto armado de 10 pavimentos iguais (Pavimento

tipo) de 264m² de área, sendo 24m de frente e 11m de lateral, um barrilete e um pavimento para caixa d’água. O pé direito dos pavimentos terá 3 m. Haverá uma caixa de elevador, que será considerado como elemento estrutural, e escadas. A Erro! Fonte de referência não encontrada. mostra um esquema estrutural do edifício.

O

concreto utilizado tem fck de 30 MPa e peso específico de 25kN/m³.

O

módulo de elasticidade foi calculado segundo a Norma NBR 6118: 2003 que recomenda,

para avaliação global da estrutura, utilizar em projeto o módulo de elasticidade de deformação

tangente inicial ~ (k , expresso por:

~ (k = 5600& (

Em que ~ (k e ( são dados em megapascal.

Com isso:

~ (k = 5600& ( = 5600Å30 = 30672,5ÉÑ

(Eq. 32)

O Coeficiente de Poison ( ) é 0,2 e o Módulo de elasticidade transversal G, calculado através

da (Eq. 6) considerado tem valor de 11797MPa.

Ö=

Ü

( 2!)

(Eq. 33)

Figura 14: Esquema estrutural do edifício A Figura 15 representa os eixos das vigas e

Figura 14: Esquema estrutural do edifício

A Figura 15 representa os eixos das vigas e a posição dos pilares. As dimensões foram dadas

em cm.

e a posição dos pilares. As dimensões foram dadas em cm. Figura 15: Eixos das vigas

Figura 15: Eixos das vigas e disposição dos pilares

A arquitetura foi pensada para dar flexibilidade aos proprietários na hora de implantar suas

empresas, escritórios e academias. A Figura 16 representa as disposições das salas, escadas,

elevadores e banheiros. As paredes podem ser removidas para criar salas maiores e, nas salas 3 e 4, a parede frontal pode ser removida para colocar uma porta de vidro, por exemplo.

ser removida para colocar uma porta de vidro, por exemplo. Figura 16: Disposição das salas do

Figura 16: Disposição das salas do edifício

4.1.1 Dimensões dos elementos

Os elementos estruturais são esbeltos. Tal fato faz com que a rigidez da estrutura seja menor. Assim, os efeitos da vibração tendem a ser maiores. Não foram verificados os esforços resistentes da estrutura, somente suas respostas dinâmicas. Porém, a estrutura foi concebida de acordo com a prática usual.

Os pilares estão com seus eixos de maior inércia perpendiculares à menor direção da estrutura. Essa configuração concede maior rigidez nessa direção e faz com que a estrutura se deforme e vibre menos lateralmente. Suas dimensões são de 30x20 cm para os pilares externos, 40x20 cm para os pilares internos e 30x15 cm para os pilares que sustentam a escada. As propriedades geométricas das seções dos pilares são calculadas automaticamente pelo programa computacional e estão representados na tabela 3.

Tabela 3: Propriedades geométricas das seções dos pilares

Pilar

Área da seção (m²)

Momento de inércia (m 4 )

Raio de giração (m)

Interno

0,08

2,67E-04

0,0577

Externo

0,06

2,00E-04

0,0577

Escada

0,045

8,44E-05

0,0433

As vigas tem dimensões de 15x48 cm. As do elevador e das escadas são de 15x40 cm. As propriedades geométricas das seções das vigas estão apresentadas na tabela 4.

Tabela 4: Propriedades geométricas das seções das vigas

Vigas

Área da seção (m²)

Momento de inércia (m 4 )

Raio de giração (m)

Laje

0,072

1,35E-04

0,0433

elevador

0,06

1,13E-04

0,0433

As lajes têm espessura de 8 cm. Em termos de vibração, é uma laje pouco rígida e permite maiores amplitudes de movimento.

4.2 Definição dos carregamentos

Em qualquer projeto estrutural, o levantamento de cargas, definições das solicitações e análise estrutural são fundamentais para seu desenvolvimento. Normalmente, se dá mais importância às cargas estáticas, que são o peso próprio dos elementos da estrutura e sobrecargas de utilização. Para a análise da edificação proposta, há também a carga dinâmica devido a aula

de aeróbica a ser considerada.

A resposta da estrutura quanto às cargas dinâmicas é influenciada pelas cargas estáticas, já

que podemos considerar que ela está diretamente relacionada com a massa da edificação.

As cargas permanentes e sobrecarga de utilização, inclusive a carga da aula de aeróbica, foram consideradas como elementos de massa para análises dinâmicas. As massas consideradas pelo programa são o peso específico da estrutura e revestimento, em sua totalidade, e 25% da sobrecarga de utilização.

4.2.1 Definição dos carregamentos estáticos

As cargas estáticas foram consideradas de acordo com a Tabela 5.

Tabela 5: Carregamentos estáticos da estrutura

Tipo

Valor

Alvenaria

5,5 KN/m

Revestimento

0,5 kN/m²

Sobrecarga de piso

2

kN/m²

Sobrecaga de escada

3

kN/m²

Caixa d'água

7

kN/m²

O peso próprio da estrutura já é levado em conta automaticamente pelo programa,

considerando as dimensões de cada elemento e o peso próprio do material, definidos anteriormente.

4.2.2 Definição dos carregamentos dinâmicos

Será chamada de “frequência diretriz” à frequência imposta pelo ritmo da aula associada à cadência da música que acompanha a atividade. Poderia se considerar, em princípio, frequências entre 1,8Hz e 3,2Hz. Porém é para uma faixa mais reduzida que a multidão

consegue sincronizar melhor os movimentos. Para tal faixa reduzida resultará a maior “eficiência” da excitação exercida sobre a estrutura que sustenta a atividade. De acordo com

as fontes de pesquisa e normativas de projeto modernas, consideram-se as frequências não

menores que 2,2Hz nem maiores de 2,8Hz (2,2Hz< f1d<2,8Hz) como a faixa relevante de frequências diretrizes para a análise da resposta estrutural associada a aulas de aeróbica (STOLOVAS, 2011).

Ainda segundo Stolovas (2011), sendo que os movimentos da multidão participante são impulsivos, para cada frequência diretriz relevante, o coletivo estará induzindo excitações em frequências múltiplas da “frequência diretriz” (harmônicos superiores).

A análise foi feita idealizando a ação das pessoas do grupo de aeróbica como ação de três

excitações harmônicas. Ou seja, somente os três primeiros harmônicos são relevantes para o

estudo de vibração dos pisos dessa estrutura. Harmônicos maiores já são muito pequenos e pouco contribuem. Os três considerados são:

1° harmônico: “H 1 ” de frequência diretriz f 1d e amplitude 1,5 vezes o peso dos participantes;

2° harmônico: “H 2 ” de frequência diretriz f 2d = 2f 1d e amplitude 0,6 vezes o peso dos

participantes;

3° harmônico: “H 3 ” de frequência diretriz f 3d = 3f 1d e amplitude 0,1 vezes o peso dos participantes; (STOLOVAS, 2011)

Tabela 6: Superposição de Harmônicos

Harmônico

Amplitude (N/m²)

Frequência (Hz)

Expressão analítica

H

1

300

2,2-2,8

H 1 =300cos(2πf 1d t)

H

2

120

4,4-5,6

H 2 =120cos(2πf 2d t+φ 2 )

H

3

20

6,6-8,4

H 3 =20cos(2πf 3d t+φ 3 )

FONTE: STOLOVAS, 2011.

Aos efeitos da análise, será considerada a hipótese básica de uma população padrão de aula de aeróbica de densidade de uma pessoa a cada 4 metros quadrados. Daí, é razoável adotar o peso uniformemente distribuído de tal população como não maior que 200 N/m². Ou seja, na média, os indivíduos pesam 80 kg e a distância entre indivíduos é de 2 metros (nas duas direções principais) (STOLOVAS, 2011). A Figura 17 é um diagrama representando a hipótese.

A Figura 17 é um diagrama representando a hipótese. Figura 17: Hipótese básica de uma população

Figura 17: Hipótese básica de uma população padrão em uma aula de aeróbica

FONTE: STOLOVAS, 2011.

Stolovas (2011) recomenda que a superposição dos harmônicos no carregamento dinâmico seja de acordo com a superposição apresentada na

Figura 18 e na

Tabela 6.

Figura 18: Superposição de Harmônicos FONTE: STOLOVAS, 2011. Os valores das fases (f2 e f3)

Figura 18: Superposição de Harmônicos

FONTE: STOLOVAS, 2011.

Os valores das fases (f2 e f3) da excitação são indeterminados e dificilmente poderão ser padronizados, já que estão governados pela música diretriz e também pela frequência da mesma, e as mesmas mudam em cada evento. Além disso, resulta extremamente complexo predeterminar quais seriam os valores de fase crítica uniforme para todos os valores do domínio das frequências (STOLOVAS, 2011).

Para certa frequência diretriz, haverá não mais de um harmônico em ressonância ou próximo de ressonância com a frequência natural da estrutura. Esse harmônico poderá ser o 1º, 2º ou 3º, dependendo da frequência natural fundamental da estrutura, e será esse harmônico ressonante que governará a fatia preponderante da resposta. Por isso, apesar das mudanças visíveis na história da excitação associadas às fases, elas não resultarão em grandes diferenças nas amplitudes das respostas. Resulta razoável para a simplicidade das avaliações (e sem perder generalidade) a adoção de fases zero para os três harmônicos (STOLOVAS, 2011).

Porém, as considerações de Stolovas, citadas acima, são bastante conservadoras ao assumir que os três harmônicos estão em fase. Isso amplifica consideravelmente os efeitos de aceleração. Na realidade, cada pico de aceleração ocorre em uma fase. Ou seja, há uma defasagem das acelerações máximas de cada harmônico da excitação. Por isso, será adotado o

método proposto por Allen (1990), que recomenda utilizar uma aceleração superposta dos três harmônicos considerados de acordo com a seguinte relação:

=á 1

1,5 + 2 1,5 + 1,5 3 à

1

1,5

(Eq. 34)

Essa aceleração será considerada como a aceleração resultante e será comparada com as acelerações de pico aceitáveis segundo a norma ISO 2631-2: 1989 mostradas no gráfico da

Figura 12.

4.3 Edição do modelo no programa computacional

Para análise do edifício objeto de estudo desse trabalho, será utilizado o programa computacional SAP2000 que é um programa de análise estrutural por elementos finitos.

Sempre, ao lançar uma estrutura em um programa, deve-se tomar precauções ao representar

de maneira adequada o que acontece na realidade. Por isso, é importante verificar as unidades,

definir bem os parâmetros a serem adotados, ajustar o modelo para representar o edifício adequadamente e conferir se ele condiz com a realidade.

4.3.1 Lançamento da estrutura

A estrutura do edifício foi lançada de acordo com as características do material descritas no

item 4.1 e com as dimensões dos elementos descritas no item 4.1.1.

Após a definição dos eixos de acordo com a arquitetura, dos materiais, das seções dos elementos, foram inseridas as barras (pilares e vigas) e elementos de área (lajes e caixa de elevador).

Feito isso, para aumentar os números de nós, e consequentemente, obter uma resposta mais próxima da realidade, os elementos de laje e vigas foram divididos em elementos menores de dimensão máxima de 50cm. A representação em 3 dimensões do modelo final está mostrada

na Figura 19.

Figura 19: Representação da estrutura no modelo computacional 4.3.2 Aplicação das cargas estáticas Após o

Figura 19: Representação da estrutura no modelo computacional

4.3.2 Aplicação das cargas estáticas

Após o lançamento da estrutura, foram aplicadas as cargas estáticas de acordo com a Tabela 5 do item 4.2.1. nas áreas e elementos correspondentes. Tal procedimento tem como finalidade aumentar a massa do sistema, já que, no programa, há um recurso para considerar cargas como massa.

4.4 Estudo da carga da aula de aeróbica

Como descrito anteriormente, serão estudados os efeitos causados por uma aula de aeróbica no edifício em estudo e procurar a melhor localização da academia baseado na resposta de vibração das lajes vizinhas.

Assim, para fazer um estudo simplificado, porém abrangendo boa parte das possibilidades, serão aplicadas cargas somente no 9°, 5° e 2° pavimentos para avaliar, justamente, como se comporta a estrutura com uma carga dinâmica na sua parte mais elevada, no meio da edificação e próximo da base. Em cada pavimento, a carga será aplicada em dois locais: no

31

Curso de Graduação em Engenharia Civil da UFMG

referente a Sala 1 e nas Salas 3 e 4, seguindo o que está representado na Figura 16. Espera-se que a resposta da Sala 1 seja semelhante à resposta da Sala 5 devido à simetria da edificação.

Para avaliar a resposta nos pavimentos, será escolhido um ponto aproximadamente no meio da laje e, a partir dele, gerar o gráfico da aceleração para esse ponto. Esse recurso é facilmente utilizado no programa computacional SAP2000. Será considerado que esse ponto no meio da laje representa o ponto mais crítico de vibração e todos os outros pontos na laje terão uma aceleração igual ou menor à deste.

No ponto analisado, deve-se considerar as respostas dos 3 harmônicos conforme mostrado na

Tabela 6. A aceleração encontrada em cada um deles será substituída na (Eq. 34) de acordo com a sugestão de Allen (1990).

4.4.1 Hipóteses para a análise dinâmica

Para verificar o tipo de carregamento que será exercido na estrutura, é preciso definir alguns parâmetros que não são considerados em uma análise estática simples.

A carga de aeróbica deve ser descrita no modelo como time history ou histórico no tempo do tipo modal, é uma carga linear e periódica. O modo transiente será desconsiderado nessa análise uma vez que ele é muito curto, conforme alguns testes realizados mostraram, e tem picos de aceleração não tão altos. Mesmo que ele seja alto, devido ao seu curto espaço de tempo, a percepção será instantânea, sem causar maiores incômodos. Serão considerados 50 modos de vibração. As freqüências de aplicação de carga serão 2Hz para o primeiro harmônico, 5Hz para o segundo e 7Hz para o terceiro e o fator de carregamento dinâmico 1,5, 0,6 e 0,1 para cada harmônico respectivamente. Para esse estudo, não foram consideradas as faixas de frequência para o carregamento dinâmico. Apenas os valores médios da faixa foram considerados de forma isolada. O amortecimento da estrutura será 0,05 ou 5%, conforme Allen (1990). Finalmente, conforme descrito no item 4.2.2, o carregamento será de 200N/m².

Para cada carregamento em cada laje o programa deve ser executado. Os resultados foram escritos em tabelas e foram desenvolvidas figuras esquemáticas mostrando onde irá haver perturbação ou não. Esses resultados serão apresentados à seguir.

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Executado os carregamentos conforme o item anterior, obteve-se a resposta da aceleração para cada laje previamente escolhida, fez-se a combinação sugerida por Allen (1990) e comparou-se com os níveis de referência da Figura 12. Feita a comparação, foram classificadas se a aceleração resultante na laje gera vibrações que perturbam os ocupante, estão próximas à perturbação ou se não perturba. Os resultados serão apresentados nas tabelas e figuras em sequência.

A freqüência natural encontrada para o modo de vibração foi de 5,65Hz.

5.1 Carregamento no 9° pavimento

5.1.1 Sala 1

A Figura 20 mostra onde o carregamento foi aplicado na estrutura na primeira situação.

5.1.1.1 Resposta no 9° pavimento

A Tabela 7 apresenta os valores de aceleração nas lajes do 9° pavimento provocadas pelo

carregamento na Sala 1 do 9° pavimento.

Figura 20: Localização do carregamento na primeira situação Tabela 7: Acelerações resultantes do carregamento na

Figura 20: Localização do carregamento na primeira situação

Tabela 7: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 1 do 9° pavimento no 9° pavimento.

 

Local do carregamento

 

Sala

1

Pavimento

9

 

Resposta - Aceleração

 
 

9° Pavimento

 

Sala

1

Estabelecimento:

Academia

Sala

2

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

Hamônico

 

Aceleração

 

1 1,30E-01

m/s²

 

1 4,30E-03

m/s²

 

2 7,64E-01

m/s²

 

2 2,40E-02

m/s²

 

3 2,31E-01

m/s²

 

3 1,83E-02

m/s²

Combinação

0,879793

m/s²

Combinação

0,034715

m/s²

%g

8,977475

%

%g

0,354231

%

Resultado:

Perturbação aos ocupantes

Resultado:

 

Sem perturbação

Sala

3

Estabelecimento:

Escritório

Sala

4

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

Hamônico

 

Aceleração

 

1 1,10E-02

m/s²

 

1 6,75E-03

m/s²

 

2 4,01E-02

m/s²

 

2 2,04E-02

m/s²

 

3 2,42E-02

m/s²

 

3 2,21E-02

m/s²

Combinação

0,055185

m/s²

Combinação

0,035683

m/s²

%g

0,563114

%

%g

0,364117

%

Resultado:

Próximo da perturbação

Resultado:

 

Sem perturbação

Sala

5

Estabelecimento:

Escritório

Sala

6

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

Hamônico

 

Aceleração

 

1 3,04E-03

m/s²

 

1 1,80E-03

m/s²

 

2 1,85E-02

m/s²

 

2 6,39E-03

m/s²

 

3 6,66E-03

m/s²

 

3 5,02E-03

m/s²

Combinação

0,021879

m/s²

Combinação

0,009612

m/s²

%g

0,223254

%

%g

0,098083

%

Resultado:

 

Sem perturbação

Resultado:

 

Sem perturbação

Os resultados apresentados mostram que, onde o carregamento é aplicado, ou seja, na academia de aeróbia, a vibração será excessiva mesmo para os praticantes da atividade. Entretanto, as acelerações não causarão distúrbios nas outras salas. Exceto na sala 3,contígua à sala do carregamento, que terá uma aceleração próxima do limite.

5.1.1.2 Resposta no 8° pavimento

A Tabela 8 apresenta os valores de aceleração nas lajes do 8° pavimento provocadas pelo carregamento na Sala 1 do 9° pavimento.

Os resultados mostram que, imediatamente abaixo de onde o carregamento é aplicado, ou seja, na Sala 1 do 8° pavimento, a vibração será excessiva. Assim como na Sala 3. A Sala 2 terá acelerações próximas do limite mas sem superá-lo. Já as outras salas apresentam valores de aceleração aceitáveis e não terão problemas de incômodo causados por vibração.

Tabela 8: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 1 do 9° pavimento no 8° pavimento.

 

Local do carregamento

 

Sala

1

Pavimento

9

 

Resposta - Aceleração

 
 

8° Pavimento

 

Sala

1

Estabelecimento:

Escritório

Sala

2

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

Hamônico

 

Aceleração

 

1 3,68E-03

m/s²

 

1 4,02E-03

m/s²

 

2 9,56E-02

m/s²

 

2 5,42E-02

m/s²

 

3 8,23E-03

m/s²

 

3 4,21E-03

m/s²

Combinação

0,097679

m/s²

Combinação

0,055721

m/s²

%g

0,9967247

%

%g

0,568581

%

Resultado:

Perturbação aos ocupantes

Resultado:

Próximo da perturbação

Sala

3

Estabelecimento:

Escritório

Sala

4

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

Hamônico

 

Aceleração

 

1 3,99E-03

m/s²

 

1 3,14E-04

m/s²

 

2 7,38E-02

m/s²

 

2 5,38E-03

m/s²

 

3 5,97E-03

m/s²

 

3 1,77E-03

m/s²

Combinação

0,0755595

m/s²

Combinação

0,006081

m/s²

%g

0,7710156

%

%g

0,062047

%

Resultado:

Perturbação aos ocupantes

Resultado:

 

Sem perturbação

Sala

5

Estabelecimento:

Escritório

Sala

6

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

Hamônico

 

Aceleração

 

1 1,61E-04

m/s²

 

1 2,00E-04

m/s²

 

2 8,03E-04

m/s²

 

2 1,44E-03

m/s²

 

3 3,36E-04

m/s²

 

3 4,80E-04

m/s²

Combinação

0,0009856

m/s²

Combinação

0,001664

m/s²

%g

0,0100573

%

%g

0,016981

%

Resultado:

 

Sem perturbação

Resultado:

 

Sem perturbação

5.1.1.3 Resposta no 10° pavimento

A

Tabela 9 apresenta os valores de aceleração nas lajes do 10° pavimento provocadas pelo carregamento na Sala 1 do 9° pavimento.

A tabela mostra que na Sala 1, a vibração será excessiva. Assim como nas Sala 2 e 3. Já as outras salas apresentam valores de aceleração aceitáveis e não terão problemas de incômodo causados por vibração. A Sala 1do 10° pavimento está situada acima de onde o carregamento foi aplicado.

Tabela 9: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 1 do 9° pavimento no 10° pavimento

 

Local do carregamento

 

Sala

1

Pavimento

9

 

Resposta - Aceleração

 
 

10° Pavimento

 

Sala

1

Estabelecimento:

Escritório

Sala

2

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

Hamônico

 

Aceleração

 

1 4,78E-03

m/s²

 

1 4,66E-03

m/s²

 

2 1,10E-01

m/s²

 

2 6,13E-02

m/s²

 

3 9,37E-03

m/s²

 

3 4,73E-03

m/s²

Combinação

0,1119779

m/s²

Combinação

0,06305

m/s²

%g

1,1426315

%

%g

0,643362

%

Resultado:

Perturbação aos ocupantes

Resultado:

Perturbação aos ocupantes

Sala

3

Estabelecimento:

Escritório

Sala

4

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

Hamônico

 

Aceleração

 

1 4,17E-03

m/s²

 

1 2,47E-04

m/s²

 

2 7,60E-02

m/s²

 

2 2,64E-03

m/s²

 

3 6,09E-03

m/s²

 

3 2,04E-03

m/s²

Combinação

0,0777689

m/s²

Combinação

0,003768

m/s²

%g

0,7935602

%

%g

0,03845

%

Resultado:

Perturbação aos ocupantes

Resultado:

 

Sem perturbação

Sala

5

Estabelecimento:

Escritório

Sala

6

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

Hamônico

 

Aceleração

 

1 3,69E-04

m/s²

 

1 2,79E-04

m/s²

 

2 1,60E-03

m/s²

 

2 1,84E-03

m/s²

 

3 3,20E-04

m/s²

 

3 7,65E-04

m/s²

Combinação

0,0018039

m/s²

Combinação

0,002222

m/s²

%g

0,0184076

%

%g

0,022673

%

Resultado:

 

Sem perturbação

Resultado:

 

Sem perturbação

5.1.1.4 Resposta em outros pavimentos

Conforme apresentado nos itens anteriores, houve vibrações excessivas nas lajes dos pavimentos abaixo de onde o carregamento foi aplicado. Para obter uma resposta mais precisa, deve-se investigar se outros pavimentos também sofrerão perturbações acima do recomendado. Com isso, foram obtidas as respostas para outros pavimentos devido à esse carregamento. A

Tabela 10 apresenta esses resultados. Não se preocupou em analisar a laje acima por se tratar de uma laje de cobertura, não havendo ocupação que possa se incomodar.

No 7° pavimento, somente a Sala 3 continua apresentando níveis de perturbação. Enquanto as Salas 1 e 2 apresentam acelerações abaixo do limite máximo recomendado. Já no 6° pavimento a Sala 3 apresenta aceleração perto do aceitável.

Tabela 10: Acelerações resultantes do carregamento na Sala 1 do 9° pavimento no 7° e 6° pavimentos.

 

Local do carregamento

 

Sala

1

Pavimento

9

 

Resposta - Aceleração

 
 

7° Pavimento

 

Sala

1

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

 

1 5,45E-03

m/s²

 

2 5,56E-03

m/s²

 

3 6,02E-03

m/s²

Combinação

0,0118129

m/s²

%g

0,12054

%

Resultado:

 

Sem perturbação

Sala

2

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

Aceleração

 

1 3,26E-03

m/s²

 

2 4,77E-02

m/s²

 

3 3,62E-03

m/s²

Combinação

0,048887

m/s²

%g

0,4988467

%

Resultado:

 

Sem perturbação

Sala

3

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

 

1 5,21E-03

m/s²

 

2 6,90E-02

m/s²

 

3 5,78E-03

m/s²

Combinação

0,0710263

m/s²

%g

0,724758

%

Resultado:

Perturbação aos ocupantes

 

6° Pavimento

 

Sala

3

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

 

1 2,85E-03

m/s²

 

2 5,40E-02

m/s²

 

3 4,55E-03

m/s²

Combinação

0,0553396

m/s²

%g

0,5646897

%

Resultado:

Proximo da perturbação

Não foram analisadas as outras salas pois, entendeu-se que as perturbações diminuem à medida que se afastam do carregamento.

A Figura 21 representa a percepção da vibração pelos ocupantes das Salas no edifício como um todo para a primeira situação de carregamento.

Figura 21: Perturbação sentida pelos ocupantes do prédio devido à primeira situação de carregamento 5.1.2

Figura 21: Perturbação sentida pelos ocupantes do prédio devido à primeira situação de carregamento

5.1.2 Salas 3 e 4

A Figura 22 mostra onde o carregamento foi aplicado na estrutura na segunda situação.

5.1.2.1 Resposta no 9° pavimento

A Tabela 11 apresenta os valores de aceleração nas lajes do 9° pavimento provocadas pelo carregamento nas Sala 3 e 4 do 9° pavimento.

pelo carregamento nas Sala 3 e 4 do 9° pavimento. Figura 22: Localização do carregamento na

Figura 22: Localização do carregamento na segunda situação.

Tabela 11: Acelerações resultantes do carregamento na Salas 3 e 4 do 9° pavimento no 9° pavimento.

 

Local do carregamento

 

Sala

3 e 4

Pavimento

9

 

Resposta - Aceleração

 
 

9° Pavimento

 

Sala

1

Estabelecimento:

Escritório

Sala

2

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

Hamônico

 

Aceleração

 

1 5,07E-03

m/s²

 

1 9,87E-03

m/s²

 

2 2,69E-03

m/s²

 

2 2,53E-02

m/s²

 

3 1,89E-02

m/s²

 

3 2,74E-02

m/s²

Combinação

0,0212629

m/s²

Combinação

0,044931

m/s²

%g

0,2169684

%

%g

0,458479

%

Resultado:

 

Sem perturbação

Resultado:

 

Sem perturbação

Sala

3

Estabelecimento:

Academia

Sala

4

Estabelecimento:

Academia

Hamônico

 

Aceleração

Hamônico

 

Aceleração

 

1 1,01E-01

m/s²

 

1 8,78E-02

m/s²

 

2 5,72E-01

m/s²

 

2 4,72E-01

m/s²

 

3 1,94E-01

m/s²

 

3 1,79E-01

m/s²

Combinação

0,6714808

m/s²

Combinação

0,565942

m/s²

%g

6,8518449

%

%g

5,774919

%

Resultado:

Perturbação aos ocupantes

Resultado:

 

Sem perturbação

Sala

5

Estabelecimento:

Escritório

Sala

6

Estabelecimento:

Escritório

Hamônico

 

Aceleração

Hamônico

 

Aceleração

 

1 1,29E-02

m/s²

 

1 1,06E-02

m/s²

 

2 4,48E-02