MEXA-SE

BAURU, domingo, 6 de julho de 2014 13
‘Ficar parado não significa estagnar’
Terapeuta indica as melhores ações e estratégias para atacar a falta de vontade e lamentações: mudanças, planejamento e autoconhecimento
A especialista Mauricéia
Quinhoneiro elenca os
principais pontos para
mudanças efetivas

“É doentio passar o tempo todo se lamentando
e não fazer nada a respeito. São inúmeros os
caminhos que levam à satisfação. Incontáveis. O
grande problema é que vivemos a ditatura de alguns
poucos modelos que imperam como referência de
satisfação e felicidade. Compramos a cara do mundo
e nos iludimos em acreditar que estamos sempre
precisando disto ou daquilo para nos sentirmos bem e
integrados”, explica Mauricéia Quinhoneiro.

“Conheço muitas pessoas
que construíram carreiras de
sucesso nas grandes capitais do
Brasil e do mundo. Atualmente
observo que uma grande parcela
deste grupo retorna ao interior
ou se integra em comunidades
autossustentáveis sedentos por
simplicidade e qualidade de vida”,
aponta a terapeuta.

“O tempo todo estamos escolhendo
entre ficar ou seguir em frente. A
grande questão é que ficar não significa
estagnar e seguir em frente também
não significa evoluir. A dinâmica
entre as crenças e os valores que
fundamentam nossas escolhas é o que
realmente faz a diferença quando a meta
é conquistar um sentido legítimo de
satisfação”, finaliza Mauricéia Quinhoneiro.
Lamentações
Voltar atrás Escolhas
Saber o que
se pretende
alcançar com a
mudança é bom
ponto de partida’
Mauricéia Quinhoneiro,
especialista em terapia
cognitiva
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DULCE KERNBEIS

Antes de tomar qual-
quer atitude, pense
bem, analise tudo”,
aconselha a psicóloga
Mauricéia Quinhoneiro,
especialista em terapia
cognitiva. Para ela, é pre-
ciso uma “análise cuida-
dosa das circunstâncias,
dos fatores que levaram
à insatisfação”. Esses fa-
tores precisam ser conhe-
cidos, e claro, atacados.
Assim como a frequência,
a intensidade e duração
do sentimento de inércia,
da vontade de não fazer
nada. “Descartando as
circunstâncias de estres-
se e alienação, podemos
entender que a coragem
para promover mudanças
saudáveis e significativas
está entre as principais re-
presentações de autocon-
fiança e saúde emocio-
nal”, sinaliza Mauricéia
Quinhoneiro. Aqui vão al-
gumas dicas práticas dela.
NÃO FUGIR
“Estresse, cansaço,
depressão, problemas fi-
nanceiros ou de relacio-
namento tendem a com-
prometer o entusiasmo
e a satisfação com tudo
e com todos. Não é uma
boa hora para pensar em
mudança, especialmen-
te aquelas que envolvam
grandes riscos e com-
prometimentos. Muitas
pessoas sentem-se impo-
tentes diante do estresse
pertinente às contrarieda-
des da vida e pensam na
mudança como estratégia
de esquiva apenas”.
CALCULADAS
“Mudanças mais as-
sertivas tendem a ser bem
calculadas e precedidas
por momentos de maior
estabilidade emocional,
mas isso não é regra. Al-
gumas pessoas, embora
insatisfeitas, se acomo-
dam na tediosa zona de
conforto e precisam vi-
venciar situações extre-
mas para obter a coragem
necessária para jogar tudo
para o alto”.
AUTOCONHECIMENTO
“Toda mudança deve-
ria estar respaldada num
corajoso processo de au-
toconhecimento. As nos-
sas ações, mesmo aquelas
que soam como despre-
tensiosas, são sempre es-
tratégias para uma meta.
Tais metas algumas vezes
são bem claras, outras ve-
zes, nem tanto”.
ILUSÕES
“Saber o que, de fato,
se pretende alcançar com
esta ou aquela mudança
será um bom ponto de
partida. Expectativas ir-
realistas podem culminar
em arrependimentos e
frustrações”.
E O MEDO?
“O que você faria de
diferente na sua vida se
não tivesse medo? Está
aí outra pergunta pode-
rosa. O medo é a pior
das prisões. Muitas vezes
as pessoas distorcem ou
exageram a percepção de
ameaça e ficam aterrori-
zadas diante do novo, do
ainda desconhecido. Tive
a oportunidade de atender
pessoas relutantes a mui-
tas mudanças necessárias
como separação e empre-
go e que depois se ressen-
tiram por terem demorado
tanto. Lógico que existi-
ram dificuldades, porém,
bem menores que aquelas
previstas pelo medo”.
D
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u
g
la
s
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