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Bobinas de Helmholtz – medida do campo magnético

Resumo:

Introdução:

Teoria:
Um ímã permanente em forma de barra cilíndrica, com momento magnético mag quando na
presença de um campo B sofre um torque magnético mag dado por mag = mag x B , que tende a alinhar o
imã ao campo externo. Se deslocarmos o ímã de sua posição de equilíbrio, o torque magnético tende a
restaurar o equilíbrio, causando assim um movimento oscilatório com um período característico T (pêndulo
de torção). Este período é função do momento de inércia, do momento magnético do imã e do campo B.
Este experimento tem como objetivo medir a componente horizontal do campo magnético
terrestre, usando pequenas oscilações, através da interação entre o momento de dipolo magnético de
uma barra imantada e o campo magnético.
Quando colocamos um ímã com um dipolo magnético num campo magnético B ele tende a se
alinhar com o campo. Se o dipolo estiver fazendo um ângulo com o campo B, então B vai criar um torque
sobre , de modo que este vai oscilar em torno da direção de B.

Este torque será dado por


= x B, (1)
e portanto sua magnitude será
= B sen (2)
Por outro lado, sabemos que um torque é dado por
= mI = mI , (3)
onde neste caso, mI é o momento de inércia do ímã e é sua aceleração angular. Mas
= dv dt = – d2 /dt2. (4)
O sinal de “ –” aparece pois a velocidade angular v aumenta à medida que diminui. Igualando
(2) a (3)
temos
mI = B sen . (5)
Substituindo (4) em (5) obtemos
d2 /dt2 = – ( B / mI) sen (6)
Para pequenas oscilações do ímã ( pequeno), podemos fazer a aproximação sen Nesse
caso (6) fica
d2 /dt2 = – ( B / mI) (7)
cuja solução é do tipo
(t) = A sen t, (8)
onde A é uma constante e é a freqüência de oscilação do ímã. Para encontrar derivamos (8) duas
vezes com relação ao tempo e comparamos com (7), o que nos fornece
2= B / mI. (9)
Levando em conta que a freqüência angular = 2 f, onde f é a freqüência (linear), temos a
relação
f² = (1/4 ² B / mI. (10)
Neste experimento, o campo magnético B é dado por
B = BH BT , (11)
onde o sinal “ +” indica o caso em que BH (campo magnético gerado pelas bobinas de Helmholtz) é paralelo
ao campo magnético da terra BT, e o sinal “ –” indica o caso em que BH é antiparalelo à BT. O campo gerado
pelas bobinas de Helmholtz é dado por (ver Apêndice 2)
BH = (8 0 N / 53/2 R) , (12)
(vide observação 1)
onde 0 é a permeabilidade do vácuo (= 4 10-7 T m / A), N e R são respectivamente o número de espiras e
o raio das bobinas de Helmholtz, e é a corrente que passa por elas. Substituindo (12) em (11) e depois em
(10) obtemos finalmente
f2 = ( /4 mI) [ (8 0 N / 53/2 R) BT ], (13)
que é a equação de uma reta y = a x b, onde
y = f2
x=
a = ( /4 mI) (8 0 N / 53/2 R) (14)
b = ( /4 mI) BT.
Portanto fazendo um gráfico de f2 versus , podemos calcular os coeficientes angular e linear (a e
b) dessa reta. O coeficiente angular nos dá o momento de dipolo magnético do ímã, e a partir deste e do
coeficiente linear calculamos o campo magnético terrestre BT.

Observação 1:
A lei de Biot-Savart nos dá o campo magnético dB gerado por um elemento de corrente dl:
dB = ( /4 ) dl x r / r3, (15)
onde r é o vetor posição no espaço onde está sendo calculado o campo dB, e x indica o produto vetorial.

Considere uma espira de raio R percorrida por uma corrente , cujo eixo se encontra no eixo x do
sistema de coordenadas, como na Figura 3. Queremos calcular o campo magnético num ponto no eixo da
espira. Como o elemento de corrente dl é perpendicular ao vetor r (veja a figura), vemos que a expressão
(15) para a intensidade do campo dB no eixo da espira resultará em
dB = ( /4 ) dl / r2. (16)
Para calcular o campo B total no ponto é preciso somar as contribuições de todos os elementos
dl ao longo
da espira. Mas nesse caso, note que pela simetria do problema, ao realizar essa soma as componentes dBy
do campo se cancelam, e sobram somente as componentes dBx. Pela figura, dBx é dada por
dBx = dB sen = dB R / r. (17)
Substituindo (16) em (17) obtemos
dBx = ( /4 ) dl R / r3. (18)
Basta então fazer a soma sobre todas as componentes dBx:
B = dBx = ( /4 ) R R dl / r3. (19)
Substituindo r = (x² + R²)1/2 nessa expressão chegamos à expressão para o campo no eixo de
uma espira
como sendo
B = ( /2) R² / (x² + R²)3/2. (20)
As bobinas de Helmholtz constituem um arranjo no qual duas bobinas iguais (mesmo raio R e
mesmo número de espiras N), percorridas pela mesma corrente no mesmo sentido, estão posicionadas
paralelamente e separadas por uma distância igual ao seu raio (Figura 4). Pela expressão (20), deduzimos
que o campo em x = R/2 produzido pela bobina posicionada na origem é
B1 = ( /2) N R² / [ (R/2)² + R² ]3/2 = 4 N / (53/2 R). (21)
Da mesma forma, o campo produzido em x = R/2 pela bobina posicionada em x = R é
B2 = ( /2) N R² / [ (-R/2)² + R² ]3/2 = 4 N / (53/2 R) = B1 (22)
E finalmente, o campo total em x = R/2 produzido pelas duas bobinas será
BH = B1 + B2 = 8 N / (53/2 R). (23)

Obs: O momento de inércia mI para um cilindro maciço (de massa m, raio r e comprimento L) que se move
em torno de um diâmetro que passa pelo seu centro (que é o caso do ímã permanente utilizado neste
experimento) é dado por
mI = m ( r²/4 + L²/12 ).

Metodologia experimental:
Utilizamos o aparelho abaixo (bobina de Helmholtz – 140 espiras) para realizarmos o
experimento, juntamente com ímã permanente cilíndrico, amperímetro, reostato com capacidade de
1A, fonte de alimentação (0-15 V), fios de ligação, cronômetro.

Medimos o tempo de oscilação para vinte medidas na primeira parte do experimento. Já,
para a segunda parte, invertemos o sentido da corrente e fizemos mais 20 medidas.
O circuito utilizado para efetuar as medições foi:

Resultados e análise dos dados:


Abaixo temos as tabelas relativas à primeira e segunda parte do experimento:
PARTE 1:

O gráfico obtido foi:


PARTE 2:

O gráfico obtido foi:

Discussão e conclusão:

Bibliografia:
Halliday-Resnick, "Fundamentos da Física ", Vol. 3

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