Você está na página 1de 8

Universidade Estadual de Campinas

Faculdade de Odontologia de Piracicaba


Departamento de Diagnóstico Oral
- Disciplina de Microbiologia e Imunologia -

Roteiro da Aula 5 de Imunologia:


Resposta imunológica celular e humoral - Resposta imune adaptativa (específica)
Profa. Dra. Renata de Oliveira Mattos-Graner

1. A teoria da seleção e expansão clonal:


• Um antígeno somente ativa aqueles clones de linfócitos que tem receptores específicos para
reconhecer ao mesmo.
• Após o reconhecimento, as células T/B com receptores específicos para o antígeno entrem em
proliferação (expansão) e maturação, gerando células efetoras e células de memória.
• As células B e T são selecionadas de forma semelhante (veja figura abaixo).
• A capacidade de uma resposta das células B de memória é aumentada porque as porções
variáveis de seus receptores sofrem modificações finais (devido hipermutações somáticas) que
aumentam a afinidade para o antígeno.
• Entretanto, enquanto as células B reconhecem antígenos livres, as células T só reconhecem
antígenos processados apresentados na superfície de células (infectadas e/ou apresentadoras
de antígeno).

célula precursora
célula precursora

proliferação e
diversificação
clones de células B
maduras virgens clones de células T
T1 T2 T3 maduras virgens
ligação ao antígeno por
clone específico

T2

proliferação (expansão clonal)


e maturação

células T ativadas
plasmócitos
originados de T2 T2 T2 T2 originadas de
um único clone
um único clone

anticorpos secretados

Nota: A representação das células de memória foi omitida para simplificação do esquema acima.

1
2. Componentes do sistema imune envolvidos na Resposta imunológica celular e humoral:
Células apresentadoras de antígeno ou
Antígeno na superfície de células alvo
ativação
CAA: células dendríticas,
total de células T macrófagos e células B.

linfócitos T citotóxicos linfócitos T auxiliares


Tc Ta

linfócitos T auxiliares 1 linfócitos T auxiliares 2


Ta1 Ta2

estimulam fagócitos estimulam linfócitos B

destruição de
células alvo inflamação,
destruição de parasitas Anticorpos
intracelulares

Imunidade mediada por células Imunidade humoral

3. Resposta imunológica adaptativa:


• Dependendo do tipo de Ag (intracelular ou extracelular) e das citocinas envolvidas a reposta
pode ser mais humoral ou mais citotóxica (celular).

R e s p o s ta im u n o ló g ic a
a d a p ta tiv a

R e s p o s ta H u m o r a l R e s p o s ta C e lu la r

- L in fó c ito s B
- P la s m ó c it o s - L in fó c ito s T c
- A n tic o r p o s - L in fó c ito s T a 1
- L in fó c ito s T a 2

in te r a ç ã o d e a m b a s a tr a v é s d e c ito c in a s

4. Antígenos:
• Molécula que, por interagir com receptores específicos dos linfócitos B e T, induz a resposta
imunológica.
• Podem ser independentes ou dependentes de célula T.

4.1. Antígeno independente de células T:


• Induz resposta imune sem auxílio de linfócitos T.
• Normalmente são moléculas grandes complexas de superfície bacteriana e com múltiplos
epítopos repetitivos na superfície.

4.2. Antígeno dependente de célula T:


• Induz a resposta imune efetiva somente auxiliado pelos linfócitos T.
• Na maioria dos casos o Ag é dependente de células T.

2
5. Linfócitos T:
• Reconhecem antígenos somente quando ligados à superfície celular: células apresentadoras
de antígeno (CAA) e células infectadas.

6. Receptores específicos de antígenos:


• Tanto as células B como as células T possuem receptores específicos para os antígenos.

6.1. Comparação do receptor de célula T e uma molécula de Ac IgG:

B T

Imunoglobulina (Ig) Receptor de célula T


I l b li (I )
(receptor de superfície) RCT

6.2. Estrutura do RTC:

sítio de ligação • Hetero dímero: uma cadeia α e uma cadeia β


de antígeno • Porção extracelular de cada cadeia consiste de
dois domínios semelhantes à porção Fab de
cadeia α cadeia β imunoglobulina (vide roteiro da aula 3):
1. região constante;
região 2. região variável (forma o sítio de ligação de
variável antígeno).

O RCT ancorado na membrana da célula T:


região
• Envia sinais para o interior da célula;
constante
• É altamente específico
• Sítio de ligação de antígeno - alta diversidade em
região
um indivíduo;
transmembrana • Diversidade de RTC gerada por processos de
recombinação gênica, durante a diferenciação de
cauda linfócitos.
citoplasmática

transdução de sinal

CD45RO
7. Marcadores de superfície de linfócitos T CD45RA
CD3
• CD (Cluster of Differentiation). RCT
• Marcadores de linhagens de linfócitos. CD4
• Variam segundo subpopulações / estágios de
maturação. CD2
• Principais: CD4 e CD8, pois diferenciam as Ta
células T em auxiliares (CD4) e citotóxicas (CD8). Todas as
CD28 células T

Tc
CD5(=Ly1)

(CD7) CD8
CD18
3
8. Reconhecimento de antígenos pelas células T:
• Reconhecimento através do RCT, que reconhece um antígeno apresentado na superfície celular
em um complexo com molécula de MHC.
célula T

RCT
Antígeno processado
MHC no interior da célula

antígeno intracelular
ou fagocitado/endocitado
Célula infectada
ou CAA

8.1. Processamento e apresentação do antígeno:


• Processamento do antígeno: os antígenos reconhecidos pelas células T são peptídeos que se
originam da degradação de um antígeno integral como, por exemplo, uma bactéria fagocitada.
• Apresentação do antígeno: para um receptor de célula T reconhecer um antígeno processado,
o mesmo deve ser ligado a uma molécula MHC e apresentado na superfície da célula.

8.2. As diferentes populações de linfócitos T reconhecem Ag em classes distintas de MHC:


• Células T citotóxicas: reconhecem antígenos processados em associação com MHC de classe I
na superfície de qualquer célula infectada do hospedeiro;
• Células T auxiliares: reconhecem antígenos processados em associação com proteínas MHC de
classe II, presentes nas CAA (ver roteiro da aula 2).

9. MHC:
• Moléculas codificadas por um complexo de genes chamado complexo principal de
histocompatibilidade (do inglês Major Histocompatibility Complex).
• Há duas classes distintas de moléculas MHC:
a) MHC classe I: presente em todas as células (exceto as hemáceas)
b) MHC classe II: presente em células especializadas (apresentadoras de Ag e linfócitos B)
• Nos humanos o MHC é denominado HLA (do inglês Human Leucocyte Antigen)
• Proteínas mais polimórficas (variáveis) entre indivíduos responsáveis por rejeição de implantes
• Poucos tipos de MHC por indivíduo (=< 20 tipos distintos) - os quais devem ligar-se a inúmeros
peptídeos distintos

4
10. Co-receptores de linfócitos T:

proteína CD8 MHC I

• CD4: expressos pelas células T auxiliares


reconhecem moléculas MHC de classe II.
• CD8: expressos pelas células T citotóxicas
RCT célula infectada reconhecem moléculas MHC de classe I.
parte parte não
polimórfica polimórfica • Necessários para reconhecimento de antígenos.
• Ligam-se à parte não variável da molécula de MHC (do
complexo MHC + Ag) estabilizando a ligação com o
Ta
linfócito T, para que este seja ativado.

proteína CD4 CAA

MHC II

11. Células T citotóxicas:


• Principal função: Destruir células infectadas por patógenos intracelulares (vírus e bactérias
intracelulares).
• Destruição celular direta: indução de apoptose (granzimas) e perforinas (citotoxinas).
• Citocinas: produzidas com a ativação de Tc - IFNγ; TNFβ;TNFα.

12. Citocinas:
• Proteínas solúveis que mediam as interações entre diversos grupos celulares.
• Interleucinas e linfocinas: citocinas produzidas por leucócitos / linfócitos respectivamente.

12.1. Mecanismo básico de ação das citocinas:

Citocina se liga ao seu


citocina
receptor na superfície celular
Polimerização Polimerização
de receptor de receptor

Ativação das vias de


sinalização intracelular
citoplasma

Produção / ativação de
fatores de transcrição
vias de
ativação
Fatores de transcrição migram para o
núcleo e ligam-se aos promotores dos
núcleo genes regulados pelas citocinas
gene
fator (es)
de transcrição promotor

5
13. Células T auxiliares (Ta1 e Ta2)
• São fundamentais na resposta imune adaptativa.
• Principal função: auxiliar outros linfócitos T/B e outras células do sistema imune (ex: macrófagos)
através da produção de citocinas.
• Os antígenos processados são apresentados para as células T auxiliares via moléculas MHC
classe II, nas CAA.

13.1. Ativação das células Ta:


• 2 sinais são necessários para a ativação das células T auxiliares:
a) Sinal 1: reconhecimento do antígeno processado - peptídeo estranho ligado a uma molécula
MHC de classe II na superfície de CAA.
b) Sinal 2: pode ser fornecido por uma citocina secretada (IL-1) ou pela interação de 2 moléculas de
superfície, B7 presente na CAA e CD28 presente nas célulasTa.
O sinal 1 sem o sinal 2 pode inativar a célula T; isto está relacionado com a tolerância imunológia.

sinal

Ta ativação
B7 CD28
sinal
célula apresentadora IL1
de antígeno

sinal

Ta inativação
Tolerância
células Ta virgens

13.2. As células Ta virgens monitoram a exposição de antígenos durante circulação pelos órgãos
linfóides secundários (veja no diagrama abaixo).

Não encontram o Ag e
saem do linfonodo através
do vaso linfático eferente

As células T entram em um As cél Tmonitoram o Ag


linfonodo através das vênulas apresentado nas CAA
especializadas do endotélio alto (macrófagos e cél. dendríticas)

Ao encontrarem o Ag são ativadas entrando


em um surto de proliferação (veja a seguir) e
posterior diferenciação em células efetoras

6
13.3. Ativação e proliferação de células Ta
• Após reconhecimento de antígeno nos órgãos linfóides secundários, 2 sinais são necessários
para que as células Ta sejam ativadas para proliferarem.
• As células Ta ativadas produzem IL-2 e receptores para a mesma.
• A IL-2 tem papel fundamental na proliferação de células T - induz a divisão celular da célula Ta.
• Drogas imunossupressoras: inibem produção/ligação de IL-2 .Exemplos: Ciclosporina A;
Tacrolimus; Rapamicina

célula apresentadora de antígeno

Sinal Receptor
de IL-2
RCT Ta

ativação
proliferação
Ta Ta

antígeno Sinal Ta

Ta inativa Ta ativa

13.4. Após a proliferação, as células Ta devem diferenciar-se em Ta1 ou Ta2:


• A diferenciação em Ta1 ou Ta2 determinará o tipo de resposta adaptativa predominante (Ta1:
celular; Ta2: humoral).
• O tipo de célula efetora gerada (Ta1 ou Ta2) é dependente do tipo de antígeno e tipo do padrão
de citocinas presentes.
• A decisão entre resposta Ta1 e Ta2 é fundamental para a eficácia da resposta imunológica.

célula TCD4
virgem
complexo MHC - Ag
IL-2
célula T
em proliferação

célula T efetora
madura

célula Ta1 célula Ta2

ativa macrófagos ativa células B

predomínio de resposta celular predomínio de resposta humoral

7
13.5. Células T auxiliares efetoras (Ta1 e Ta2) - veja as figuras abaixo
• Diferente das Tc, estimulam a resposta imune através da produção de citocinas específicas.
• Principal função: atuam sobre patógenos extracelulares.
Ta1: ativa macrófagos e outras células citotóxicas (ex: Tc)→ resposta celular.
Ta2: estimula linfócitos B/produção de anticorpos → resposta humoral.
• Estímulo: sinalização celular
produção de citocinas e interleucinas

Ta1 Ta2
ligante citocinas
citocinas ligante
CD40 CD40

CD40
CD40

B
toxina
bacteriana

bactérias célula B apresentando


intra- antígeno específico
macrófago contendo vesiculare
bactérias

Produção de citocinas ativadoras de macrófagos: Produção de citocinas ativadoras de células B:


• reações citotóxicas: IL-4
IFN-γ IL-5
TNF-α
GM-CSF

Referências Bibliográficas
1. ROITT, Ivan; BROSTOFF, Jonathan; MALE, David. Imunologia, 5a edição - Capítulos 9, 10 e
11 (p. 107-153)
2. ALBERTS, Bruce; et al. Biologia Molecular da Célula, 3a edição - Capítulo 23, p. 1195 – 1251.