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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

INSTITUTO FEDERAL DO PARANÁ

INSTITUTO LATINO AMERICANO DE AGROECOLOGIA, EDUCAÇÃO,

CAPACITAÇÃO E PESQUISA DA AGRICULTURA CAMPONESA CONTESTADO

ESCOLA LATINO AMERICANA DE AGROECOLOGIA

CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM AGROECOLOGIA

LAPA- PARANÁ

AVALIAÇÃO DA EMISSÃO DE RAÍZES EM ALPORQUIA DE ERVA MATE

LUIZ CARLOS SCHMIDT BUENO

LAPA - PR MARÇO - 2010

LUIZ CARLOS SCHMIDT BUENO

AVALIAÇÃO DA EMISSÃO DE RAÍZES EM ALPORQUIA DE ERVA MATE

Trabalho apresentado ao Instituto Federal do Paraná e a Escola Latino Americana de Agroecologia - ELAA, como uma das exigências para a conclusão do curso superior de Tecnologia em Agroecologia.

Orientadora:

Profª

Silvana

dos

Santos

Moreira Co-orientador: Vagner Lopes da Silva

LAPA PR

MARÇO - 2010

Dedico este trabalho as

camponesas e camponeses,

que lutam por um mundo

melhor, com igualdade social.

AGRADECIMENTOS

A Via Campesina por possibilitar uma formação técnica, política, ideológica e

científica.

A Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia AOPA, pela

oportunidade de estudar no curso de Tecnologia em Agroecologia, e pelo apoio e ajuda fornecido. A minha orientadora de pesquisa Silvana dos Santos Moreira pela orientação e atenção recebida.

Ao meu co-orientador Vagner Lopes da Silva, pela sua contribuição.

A minha família que sempre me incentivou ao estudo, em especial a minha

companheira Luci Maria Hoffmann, que sempre esteve ao meu lado, nos momentos mais difíceis .

Aos educadores (as) e trabalhadores (as) da Escola Latino Americana de Agroecologia.

A turma Resistência Camponesa, pela ajuda ao longo do curso, que contribuiu

para superação dos limites.

Mais importante que saber, é nunca perder a capacidade de aprender

Paulo Freire

RESUMO

A erva mate (Ilex paraguariensis) é cultivada geralmente em pequenos e

médios agroecossistemas, o que lhe assegura importância cultural, econômica e

social. O uso de técnicas de propagação vegetativa como a alporquia, pode ser

uma alternativa de produção de mudas, realizadas pelas famílias camponesas.

Assim o objetivo deste trabalho foi avaliar a emissão de raízes em alporques de

erva mate, sob diferentes fontes de tratamentos. O experimento foi conduzido no

município da Lapa PR, no agroecossistema da família de Luiz Carlos Schmidt

Bueno e Luci Maria Hoffmann, no período de maio a dezembro de 2009. O

experimento, com alporquia de erva mate, constitui-se de quatro tratamentos de

hormônios para estimular a emissão de raízes com três repetições: sendo eles:

T1: gramínea tiririca (Cyperus rotundus) em solução composto por 90 g de bulbos

e raízes para 1 l de água; T2: salgueiro chorão (Salix babilônica) numa solução de

200 g de folhas e talos verdes para 1 l de água; T3:ácido indobutirico (AIB) a 1g

para 1000ml de solução de: água (700 ml) e álcool (300 ml) e; T4: testemunha

sem uso de hormônio. Verificou-se aos 240 dias que ocorreu a emissão de maior

número de raízes nos tratamentos com extrato de tiririca (25 raízes), seguindo-se

o da testemunha - sem hormônios (16 raízes). Em terceiro lugar ficou o

tratamento do extrato de chorão (14 raízes) e, finalmente vem os tratamentos com

AIB (13 raízes). A alporquia de erva mate dispensa o uso de hormônios para a

emissão de raízes. No experimento todos os tratamentos emitiram raízes.

PALAVRAS CHAVE: propagação vegetativa, emissão de raizes, hormonios naturais, agroecologia.

RESUMEN

La Yerba mate (Ilex paraguariensis) se cultiva por lo general en pequeños y medianos agro ecosistemas, que le proporciona importancia cultural, económica y social. El uso de técnicas de propagación vegetativa como la aporquia, esta puede ser una alternativa para la producción de plántulas, llevada a cabo por las familias campesinas. Así que el objetivo de este estudio fue evaluar la emision de las raíces en aporques de Yerba Mate bajo las diferentes fuentes de tratamientos. El experimento se realizó en Lapa - PR en el agroecosistemas dela familia de Luiz Carlos Schmidt Bueno y Luci Maria Hoffmann, en un periodo de mayo a diciembre de 2009. El experimento con Aporquia de yerba mate, fue compuesto de cuatro tratamientos hormonales para estimular la emisión de raíces con tres repeticiones, a saber: T1: hierba junca (Cyperus rotundus) en una solución compuesta de 90 g de bulbos y raíces para 1 L de agua, T2: sauce lorron (Salix Babilonia) en 200 g de hojas verdes y tallos para 1 L de agua, T3: ácido indolbutírico (AIB) 1 g por 1000 ml de solución: el agua (700 ml) y alcohol (300 ml), T4: control, sin uso de hormonas. Se verifico que en 240 días ocorrió la mayor emision de número de raíces en los tratamientos con extractos de hierba junca (25 raíces), seguido por el control - sin hormonas (16 raíces). En tercer lugar quedó el tratamiento del extracto de sauce lloron (14 raíces), y finalmente el tratamiento con AIB (13 raíces). La Aporquia de yerba mate no requieren el uso de hormonas para la emisión de raíces. En el experimento todos los tratamientos emitieron raíces.

PALABRAS CLAVES: multiplicación vegetativa, emisión de raíces, las hormonas naturales, agroecología.

LISTA DE TABELAS

TABELA 1: Diâmetro e identificação dos alporque

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TABELA 2: Emissão de raízes em alporquias de erva mate no tratamento 1

26

TABELA 3: Emissão de raízes em alporquias de erva mate no tratamento 2

27

TABELA 4: Emissão de raízes em alporquias de erva mate no tratamento 3

27

TABELA 5: Emissão de raízes em alporquias de erva mate no tratamento 4

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TABELA 6. Eficiência dos tratamentos de acordo com tamanho e quantidade de raízes Emitidas, aos 240 dias após implantação do experimento

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TABELA 7: Média de raízes por tratamento

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TABELA 8 Diferença entre os tratamentos com relação a quantidade de raízes com tamanho de 0-2,5

31

TABELA 9: Diferença entre os tratamentos com relação a quantidade de raízes com tamanho de > 2,6

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LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1. Anelamento dos alporques e embalagem do substrato

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FIGURA 2. Emissão de raízes

29

Sumário

INTRODUÇÃO

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REFERENCIAL TEÓRICO

13

2.1.

Agroecologia e sustentabilidade

13

2.2 . Descrição da espécie: erva mate

14

2.3.

Propagação vegetativa por alporquia

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MATERIAIS E MÉTODOS

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RESULTADOS E DISCUSSÕES

26

ANÁLISES ESTATÍSTICAS

31

CONSIDERAÇÕES FINAIS

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REFERÊNCIAS

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INTRODUÇÃO

O município da Lapa se caracteriza por muitas comunidades apresentarem o nome de Faxinal. É uma forma de organização de pequenos agricultores na produção baseada em um ambiente de floresta nativa, tendo como espécie predominante o Pinheiro do Paraná, onde animais domésticos eram criados soltos em pastagens comunitárias. Como complemento de renda se apresentava a coleta de erva mate. Este sistema de extrativismo preserva a biodiversidade local. “Trata-se, sem dúvida, de uma experiência auto sustentada de relevante importância ecológica, social, histórica e cultural”. (SAHR e CUNHA, 2001). Alguns autores definem o Sistema Faxinal como a forma de organização camponesa com criação extensiva de animais em áreas comuns; extração florestal dentro do criadouro comum e policultura alimentar de subsistência (CHANG, 1988 apud SAHR e CUNHA, p. 94). Com o processo de modernização da agricultura a partir da década de 1960, com a Revolução Verde e a implementação de seus pacotes tecnológicos este tipo de organização camponesa está passando por um gradativo processo de extinção. Hoje as principais atividades agrícolas desenvolvidas no município de Lapa são o cultivo de milho, soja e feijão, no sistema convencional, que com o passar dos anos vem se intensificando no sistema de monocultura, em seguida vem a criação de aves, no sistema de integração e produção de leite e gado de corte. Algumas famílias camponesas se preocupam com o sustento familiar, diversificando o agroecossistema. 1 Desta forma contrapõem-se ao agronegócio, resistindo a este modelo advindo da Revolução Verde, que tem como objetivo se apropriar da maior parte da produção, tornando o camponês cada vez mais dependente de insumos externos.

1 “Agroecossistema é um local de produção agrícola – uma propriedade agrícola, por exemplo compreendida como um ecossistema. O conceito de agroecossistema proporciona uma estrutura com a qual podemos analisar os sistemas de produção de alimentos como um todo, incluindo seus conjuntos complexos de insumos e produção e as interconexões entre as partes que os compõem (GLIESSMAN, 2005, p.61).

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No município são 50 famílias certificadas pela Rede Ecovida de Agroecologia, que é uma organização formada por pessoas organizadas em

associações e agroindustrias familiares da região Sul do Brasil do Brasil, que tem como objetivo organizar, fortalecer e consolidar a agricultura familiar agroecológica.

A erva mate (Ilex paraguariensis) é uma espécie arbórea pertencente à

família Aquifoliaceae. Natural do Brasil, é cultivada especialmente nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Ocorre ainda na Argentina e no Uruguai (CARVALHO, 2003).

O uso desta planta como bebida tônica já era conhecida pelos aborígines

da América do Sul. Em túmulos dos pré colombianos no Peru onde foram encontradas folhas de erva mate ao lado de alimentos e objetos, demonstrando o uso pelos incas. A folha de erva mate é usada na medicina popular na forma de chás e tradicionalmente como chimarrão ou tererê. Os agroecossistemas, em que a erva mate é cultivada são na maioria, pequenos e médios, os que asseguram uma importância econômica e social expressiva (MEDRADO, 2007, apud GORENSTEIN et al, p. 1). No Brasil, é produzida em 180 mil propriedades rurais de 596 municípios, gerando mais de 170 mil empregos diretos constituindo-se numa das poucas opções de emprego e renda no meio rural, principalmente nos meses de junho, julho e agosto, época da concentração da poda (colheita). Além de ser a principal

atividade econômica de muitos produtores e municípios, rende diretamente mais de R$ 175 milhões anuais (RODIGHERI et al, 2005).

A erva mate é a poupança verde das famílias camponesas. Quem tem

erval consegue ter maior independência financeira na entre safra das culturas anuais. Um dos problemas enfrentados pelos produtores de erva mate é a produção das mudas e o alto custo para aquisição das mesmas no mercado. As sementes de erva têm dormência e o processo de preparação de mudas via sementes é longo, podendo chegar até 24 meses da quebra de dormência até o ponto das mudas estarem prontas para serem transplantadas. Isto pode acarretar em perdas econômicas e de produção.

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Cada vez mais aumentam as necessidades, por parte de famílias camponesas quanto a aquisição de sementes e mudas para a proteção de fontes, sombreamento de pastagens, recomposição das matas de margens de riachos e rios ou para sistemas agroflorestais, que gerem auto-sustento e renda. Neste contexto, o uso de técnicas de propagação vegetativa, pode ser vantajoso quando há restrições na obtenção de mudas por sementes, ou quando

se deseja propagar árvores que apresentam características desejáveis e com características de adaptabilidade ao meio de cultivo. Dentre as diversas técnicas de propagação vegetativa, a alporquia é uma forma rápida para a produção de mudas, que atinge porte adequado para o plantio a partir de seis meses de idade para muitas espécies, com a vantagem de possuírem as características de maturidade semelhantes á planta mãe e, portanto em fase de produção acelerada. Faz-se necessário lembrar que, para a readequação ambiental prevista na lei nº 9.433/1997 até 2018, todos os agroecossistemas deverão apresentar a recomposição das áreas implantadas, com definição de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente. A erva-mate pode ser uma boa alternativa para ser implantada nesses ecossistemas, podendo ser usada para o consumo, sendo assim mais uma fonte de renda.

A existência de ervais nativos em agroecossistemas apresenta potencial

para propagação da espécie, através da alporquia, resultando em ganho de tempo, recursos e manutenção da qualidade genética para as famílias

camponesas. O aperfeiçoamento e utilização de tecnologias de propagação vegetativa da erva mate podem otimizar a produção de mudas,

O objetivo deste trabalho foi avaliar a emissão de raízes em alporques de

erva mate, sob diferentes fontes de hormônios. O tratamento alternativo pode proporcionar bom desenvolvimento na emissão de raízes para produção de mudas de erva mate, através de alporquia .Ainda devemos considerar que, através deste sistema é possível produzir mudas de grande porte, com boa qualidade e ganho de tempo.

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REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. Agroecologia e sustentabilidade

Nos dois últimos séculos, a produção de alimentos aumentou de duas maneiras: incorporando maior área de produção e aumentando a produtividade a quantidade de alimento produzido por unidade de terra. Diversas técnicas, usadas para aumentar a produtividade, têm muitas conseqüências negativas que, em longo prazo, trabalham para minar a produtividade da terra agrícola. Portanto, não podemos confiar nos meios convencionais de aumentar a produtividade para ajudar a satisfazer as necessidades crescentes de alimentos de uma população global em expansão. (GLIESSMAN, 2005). Segundo Khatounian (2001) a busca de uma agricultura menos dependente de insumos químicos é parte de uma busca maior de desenvolvimento sustentável tentando, conciliar necessidades econômicas e sociais de populações humanas com preservação da sua base natural. Para Gliessman (2005) a agroecologia proporciona o conhecimento e a metodologia necessários para desenvolver uma agricultura que é ambientalmente consistente, altamente produtiva e economicamente viável, valorizando o conhecimento local e empírico dos agricultores, a socialização deste conhecimento e sua aplicação ao objetivo comum da sustentabilidade. Altieri (2004) destaca que a produção sustentável em um agroecossistema deriva do equilíbrio entre plantas, solo, nutrientes, luz solar, umidade e outros organismos coexistentes. Quando estas condições de crescimento encontram-se equilibradas, o agroecossistema é produtivo e saudável, e as plantas permanecem resistentes de modo a tolerar estresses e adversidades. Nesse contexto de agroecossistemas vigorosos e diversificados, as possíveis perturbações podem ser superadas naturalmente, passado o período de estresse. E, mesmo que ocasionalmente haja necessidade do uso de medidas mais

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drásticas, como inseticidas botânicos ou fertilizantes alternativos, para controle especifico ou deficiências, a abordagem agroecológica assegura todos os cuidados, sem provocar danos desnecessários, ressaltando que a causa da doença, das pragas, ou da degradação do solo esta no desequilíbrio. O objetivo do tratamento é recuperá-lo. O declínio na qualidade de vida rural, bem como a degradação da base de recursos naturais tem sido objeto de preocupação e de debates na perspectiva de desenvolvimento sustentável. Nas ultimas décadas, na América Latina e especialmente no Brasil, tem sido difundida a agroecologia como um padrão técnico agronômico capaz de orientar as diferentes estratégias de desenvolvimento rural sustentável, avaliando as potencialidades dos sistemas agrícolas através de uma perspectiva social, econômica e ecológica. (ALTIERI,

2004).

O objetivo maior da agricultura sustentável é a manutenção da

produtividade agrícola, o mínimo possível de impactos ambientais e com retornos econômicos, adequados as necessidades dos camponeses.

A agroecologia além de fazer o estudo de processos econômicos de

agroecossistema, também é um agente para as mudanças sociais e ecologicas complexas que o mundo precisa fazer para que a agricultura possa ser verdadeiramente sustentável (GLIESSMAN, 2005). Os camponeses (as) são agentes fundamentais na construção deste processo, para isso precisamos desenvolver tecnologias voltadas a atender as necessidades da construção da agroecologia que venha contribuir na

sustentabilidade dos agroecossistemas, desta forma camponeses (as) terão a apropriação de conhecimentos e das técnicas desenvolvidas, sendo que os mesmos possam implantá-las em seus agroecossistemas, passando também para outros esses conhecimentos.

2.2 . Descrição da espécie: erva mate

A erva mate varia de arvoreta a árvore perenifólia, pertence à família

Aquifoliaceae, da espécie (Ilex paraguariensis), na floresta pode alcançar até 30

m de altura e 1 m de diâmetro, na idade adulta, quando as plantas são manejadas

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para a produção, atingem altura entre 3 e 5 m A espécie é dióica, com flores diclinas e um dos sexos abortivos, com processo reprodutivo iniciando em até dois anos após o plantio de mudas oriundas de propagação vegetativa, e aos cinco anos de mudas provenientes de sementes (CARVALHO, 2003). Apresenta folhagem verde escura que é bastante característica, possui tronco cilíndrico, reto ou pouco tortuoso e flores brancas, pequenas. A frutificação ocorre de janeiro a março. Os frutos são globosos e envolvem a semente de 4 a 6 mm de diâmetro. Os frutos tem coloração roxa escura quando maduros e polpa mucilaginosa. A semente tem cor de castanho clara a escura, é muito dura e de forma variável. A dormência das sementes é quebrada pelo processo de estratificação, por meio do armazenamento em camadas de areia úmida por um período aproximado de 120 dias. A dispersão de frutos e sementes ocorre notadamente pelos sabiás

(CARVALHO,2003).

Com ocorrência natural, a erva mate abrange no Brasil, os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e reduzidos nichos de ocorrência nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Na Argentina esta espécie está na Província de Missiones, em parte da Província de Corrientes e pequena parte da Província de Tucumã; no Paraguai a área entre os rios Paraná e Paraguai e no norte do Uruguai. Esta região localiza-se em altitudes que variam entre 500 m a 1500 m sobre o nível do mar. No Brasil corresponde a 450.000 Km 2 , representando cerca de 5% do território nacional. Na América do Sul corresponde a 3% da área (CARVALHO, 2003). Espécie clímax tolerante à sombra, a erva mate cresce nas associações mais evoluídas dos pinhais. Regenera-se com facilidade quando o estrato arbóreo superior e, principalmente, os estratos arbustivo e herbáceo são raleados. É característica da Floresta Ombrófila Mista Montana (Floresta com Araucária), sempre em associações nitidamente evoluídas com o pinheiro do Paraná (Araucária angustifólia) também denominada Mata de Araucária e também penetra na Floresta Estacional Semidecidual no noroeste do Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul.(CARVALHO, 2003). Ainda segundo Carvalho,(2003), na distribuição da erva mate dois tipos climáticos são citados, conforme classificação de Koeppen: Cfb (clima temperado) e Cfa (clima subtropical), com chuvas regulares e distribuídas ao longo do ano e

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com médias de precipitação em torno de 1 500 a 2 000 mm. As temperaturas médias anuais, variam de 15ºC a 18ºC na região dos pinhais e de 17ºC a 21ºC em Misssiones, Argentina. As geadas são freqüentes ou pouco freqüentes, dependendo da altitude. Ilex paraguariensis ocorre naturalmente em solos de baixa fertilidade, com baixos teores de cátions trocáveis, altos teores de alumínio e pH baixo (CARVALHO, 2003). Consideram-se solos aptos para o plantio da erva-mate, aqueles que apresentam profundidade média (acima de 30 cm) a profundos, com

boa permeabilidade. A cultura não suporta solos compactados e/ou encharcados.

O principal produto da Ilex Paraguariensis é o mate, uma bebida

estimulante usada tanto como infusão quente denominada chimarrão, característica dos gaúchos, quanto fria, conhecida como tererê e amplamente

difundida no Mato Grosso do Sul. O extrato de erva mate permite a produção de mate solúvel e refrigerante. Suas folhas são usadas na medicina popular, na forma de chás, incluindo funções como estimulante, diurética, estomáquica e sudorífica, atuando também contra a obesidade.

É uma espécie altamente recomendável, pelo seu belo porte, para

arborização e jardinagem. É recomendada na recuperação de ecossistemas degradados e na restauração de mata ciliar, em locais sem inundação. No ano de 2006 foram produzidas 233.360 toneladas de erva mate no Brasil, com a região sul concentrando 99,8% de toda a produção, destacando-se

o estado do Paraná com 65,5% do total nacional, seguido por Santa Catarina e Rio Grande do Sul (IBGE, 2006).

Na região centro sul do Paraná, está a maior parte dos ervais nativos com

a melhor erva mate para chimarrão. Esses ervais nativos crescem junto à diversificada floresta de araucária. São ervais ecológicos, livres de produtos tóxicos (GABRE e TARDIN, 2004). Ainda segundo GABRE e TARDIN, a produção total no Paraná é superior a 152 mil toneladas por ano de erva verde. São 176 municípios paranaenses com ervas distribuídos em 51 mil agroecossistemas. Dessas, 31.620 são pequenas propriedades de 1 a 20 hectares. A agricultura familiar é uma grande produtora de erva mate.

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A propagação vegetativa da erva-mate via enraizamento de estacas é

viável, podendo-se obter mudas de qualidade se essa propagação for baseada na

seleção de genótipos superiores de povoamentos adultos (JACOMINI et al.,2000 apud CARVALHO, 2003 pg 462).

2.3. Propagação vegetativa por alporquia

As plantas podem ser multiplicadas por diferentes processos, as anuais e bienais são exclusivamente por sementes e as perenes também, por sementes, estaquia, alporquia, mergulhia, ou por divisão de touceiras, dependendo da própria planta ou da maior facilidade em multiplicá-la.

Um dos principais objetivos da propagação vegetativa é possibilitar a multiplicação de árvores adultas que apresentam características superiores, ou seja, reproduzirem o mesmo genótipo da planta que as originou.

A alporquia é um sistema de produção que não necessita de infra-estrutura

e espaço para produzir mudas, utiliza-se apenas a planta mãe da cultura de interesse. “Alporquia é o método de propagação vegetativa pelo qual as raízes são formadas em um ramo, ligadas a planta doadora. Esse ramo enraizado pode ser segmentado da planta mãe e constituir uma nova planta” (GALVÃO, 2000). Para espécies florestais a propagação vegetativa oferece várias vantagens, Entre elas, a possibilidade de ganhos genéticos maiores que a reprodução via

semente em um menor período de tempo (GALVÃO, 2000). Quando a produção de mudas de erva mate é feita a partir de sementes, a poda de formação para a muda perfilar é feita a partir do terceiro ano após o transplante. Com a alporquia a poda é feita após a emissão das raízes no alporque, no momento do transplante, que deverá acontecer a partir dos seis meses após feito o mesmo, com isso podemos ter um ganho de até três anos com relação a muda feita a partir de sementes.

A alporquia, é um dos métodos de propagação vegetativa mais antigos.

Indícios históricos mostram que os chineses já a utilizavam há 4 mil anos com sucesso. Devido ao fato de não ser tão agressivo como a estaquia, a alporquia é um método indicado para plantas que têm dificuldade de enraizar por estacas e

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para aquelas que queremos rejuvenescer. A alporquia é muito semelhante à mergulhia, diferindo desta por ser utilizada sem vergar os ramos até o solo. A alporquia também pode ser chamada de mergulhia-aérea (GALVÃO, 2000). O método consiste em estimular o crescimento de raízes em um ramo ou no caule principal de uma planta, sem que esta esteja separada da planta mãe. Desta forma, o ramo que está se desenvolvendo, continua sendo alimentado com seiva, sem sofrer a desidratação e o enfraquecimento que geralmente acontecem na estaquia. “A alporquia tem várias utilidades como uma propagação de plantas difíceis de serem enraizadas por estaquia, apesar do baixo rendimento dessa técnica, na multiplicação de plantas já desenvolvidas, em curto período de tempo “(GALVÃO,

2000).

Na alporquia o desenvolvimento das raízes é auxiliado por hormônios e pelo anelamento do ramo que impede que carboidratos, hormônios e outras substâncias produzidas pelas folhas e gemas, sejam transportados para outras partes da planta. Por sua vez, o xilema não é afetado, fornecendo água e elementos minerais ao ramo (SIQUEIRA,1998 apud DANNER et al, 2006 p.530). A propagação pelo método de alporquia apresenta vantagens em relação a estaquia, dentre as quais estão o alto percentual de enraizamento e a independência de infra-estrutura (casa de vegetação com sistema de nebulização) (CASTRO e SILVEIRA, 2003 apud DANNER et al, 2006 p.530-531). A alporquia além de método de propagação, também é uma ótima maneira de rejuvenescer plantas que se desenvolveram demais em altura e apresentam caules compridos e desfolhados. Há três principais maneiras de se fazer a alporquia: aérea também chamada de Anel de Malpighi, a de solo e o torniquete. Na alporquia de solo utilizamos um galho longo que possa ser dobrado até

o chão ou ainda, pode-se usar um vaso onde será colocado o galho que se

pretende usar. Para facilitar podemos retirar uma parte da casca (mais ou menos

a metade do diâmetro do galho por um comprimento aproximado de 2 vezes o

seu diâmetro), do lado que estiver para baixo (em contato direto com a terra). Na alporquia aérea, mais indicada para ramos lenhosos, trata-se em fazer dois cortes circulares e paralelos e o descasque do local, permanecendo um anel,

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chamado de anel de Malpighi. O anelamento bloqueia a translocação de carboidratos, hormônios e outros nutrientes para a base da planta, podendo resultar em um maior enraizamento (GALVÃO, 2000). A diferença principal entre os dois métodos é que o primeiro não interrompe a circulação da seiva elaborada, sendo mais suave, e o segundo permite apenas a circulação da seiva bruta, interrompendo totalmente a passagem da seiva elaborada. Ainda segundo Galvão (2000) também se pode realizar o anelamento através do amarro de um arame metálico chamado de “forca” ou “torniquete”. Pode-se fazer ainda um anel incompleto, com um pequeno segmento permitindo a passagem de seiva elaborada. Esse método é usado em plantas que não toleram uma interrupção radical no fluxo da seiva (caso particular das coníferas). Após o corte, em qualquer um dos métodos, se procede à aproximação de musgo, esfagno ou outro substrato úmido, envolvendo bem o local, com a utilização ou não de hormônio enraizador no local do corte. Cobre-se então o substrato com plástico, preferencialmente escuro, amarrando-se em ambas as extremidades com barbante ou fita adesiva, sem apertar. Pode-se deixar um pequeno orifício na parte que permita regar o substrato. Com o passar de algumas semanas ou meses, dependendo da espécie, as novas raízes já estarão bem formadas e o alporque poderá ser cortado, logo abaixo das raízes e transplantado. As raízes nesta fase são muito finas e delicadas deve-se tomar cuidado ao retirar o plástico para fazer o transplante. A propagação vegetativa da erva mate pode ser realizada durante todo o ano, porém, é menos sucedida durante as estações quentes. Para a utilização no método é de fundamental importância a escolha do material vegetativo (galhos e ramos) livres de doenças, pragas e danos. Os galhos e ramos, com cores de folhas diferentes do verde, devem ser evitadas. O substrato de enraizamento para alporquia deve ser leve, não encharcável. O mais simples é a terra vegetal e o de uso mais antigo é a areia lavada peneirada. Existem substratos comerciais à base de vermiculita. Um dos mais práticos consiste na mistura de uma parte de vermiculita e uma parte de areia, que retém a umidade. Outro substrato conveniente para estacas herbáceas é a casca do arroz carbonizada.

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No enraizamento em propagação vegetativa, utiliza-se na maioria dos casos, uma auxina para acelerar a formação de raízes, no caso específico da erva mate o ácido indolbutíico (AIB) tem se mostrado o fitorregulador mais eficiente na indução de raízes, especialmente pela baixa mobilidade e estabilidade química (IRITANI e SOARES, 1981, apud HORBACH, 2008, p.6). A utilização de hormônios de enraizamento pode melhorar a eficiência deste método. A propagação de mudas através da alporquia pode ter o enraizamento abreviado ou tornado mais intenso com o emprego de hormônios. A composição básica desse produto químico é o ácido indolbutírico. São preparados em concentrações diversas de acordo com a natureza da planta. Se herbácea, a concentração é menor e maior se for lenhosa. As instruções para o uso acompanham o produto. Em estudo de enraizamento de brotos de erva mate utilizando as doses de 1 a 1,5 mg de AIB, observaram a formação de raízes em 50% dos explantes oriundos de plantas jovens e em segmentos provenientes de matrizes adultas, em apenas 25%. Muitas vezes, quando se utilizam altas doses de AIB, ocorre um efeito negativo na formação e no desenvolvimento das raízes (MANTOVANI,1997 apud HORBACH, 2008 p. 39-40). Mantovani relata ainda. que,em enraizamento de caixeta (Didymopanax morototoni),houve a formação de raízes em 45% dos brotos quando utilizado AIB na dose de 1,0%mg L-1,entretanto,com o aumento da dose para 1,5mg L-1, verificou-se a diminuição da percentagem de brotos enraizados. Naturalmente, as plantas possuem o fitormônio Indolbutírico para a formação específica de suas raízes. A gramínea Titirica (Cyperus rotundus) família botânica Cyperaceae concentra quantidades mais elevadas de ácido indolbutírico (AIB),um fitorregulador específico para a formação de raízes.(LORENZI, 2000 apud NETO. et al 2008 p. 1). Em um experimento utilizando extrato de bulbos de tiririca, no enraizamento de estacas de pinhão-manso (Jatropha curcas L.) família euphorbiaceae, verificou-se que este extrato apresentou-se como um bom promotor no enraizamento das estacas, favorecendo também um bom desenvolvimento do comprimento das raízes.(SILVA, 2007 apud XAVIER et al, 2009 p.1).

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Igualmente o salgueiro chorão ou simplesmente chorão (Salix babylonica) família salicaceae, que é uma árvore originária da Ásia e muito usada na arborização de cidades e parques apresenta proporções de fitormônios e podem ser facilmente encontrados nos agroecossistemas locais. O chorão é uma árvore de porte médio, medindo de 20 a 25 metros de altura e de curta longevidade, mas de crescimento muito rápido e vivaz. Cresce virtualmente em qualquer solo, apenas deve ser úmido, daí ser freqüente na beira de lagoas e parques e também usada na drenagem de terrenos alagadiços, através de conhecimento empírico é usada como indutor de enraizamento em propagação vegetativa. No entanto muito pouco se sabe sobre a eficiência destas plantas no auxilio da emissão de raízes, nem em dosagem a serem usadas, daí a importância desse experimento.

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MATERIAIS E MÉTODOS

O experimento foi conduzido numa área de 15 ha, sendo 50% agriculturáveis, no agroecossistema da família de Luiz Carlos Schmidt Bueno e Luci Maria Hoffmann, no período de maio a dezembro de 2009. O agroecossistema está localizado na comunidade de Piripau, distante 4 km da sede no município da Lapa.-PR, e faz parte da Microbacia do Rio Calixto. De acordo com a classificação climática de Koeppen, o clima da região da Lapa é do tipo ”Cfb”, onde “C” representa climas pluviais temperados, nos quais a temperatura do mês mais frio fica entre 18º C e –3º C; o “f” indica um clima sempre úmido, com chuva em todos os meses do ano; “b” refere que a temperatura do mês mais quente é inferior a 22º C, mas no mínimo com quatro meses com temperatura superior a 10º C.(BIGARELLA, 1997). Conforme relata Bigarella (1997) os solos que ocorrem na maior parte da região ao sul da Lapa são de baixa fertilidade natural, com elevados teores de alumínio tocável. Solos estes, com níveis de moderado a fortemente susceptíveis

à erosão. Possuem pequena espessura. Cientificamente fazem parte de uma

associação que ocorre entre Cambissolo Álico e solos litólicos álicos em terrenos ondulados, cuja vegetação primitiva era a da floresta subtropical perenefólia,

caracterizada por árvores que não perdem as folhas no inverno. As principais atividades agrícolas, desenvolvidas neste agroecossistema,

são o cultivo de cebola, batata, mandioca, feijão, milho, alho, hortaliças, abóbora

e plantas frutíferas e nativas. Entre as nativas neste agroecossistema existem

cerca de 100 plantas adultas de erva mate com aproximadamente 20 anos de idade e proporcionam condições satisfatórias para realização do experimento O experimento, com alporquia de erva mate, constitui-se em quatro tratamentos de hormônios para a emissão de raízes com três repetições: sendo eles: T1: gramínea tiririca (Cyperus rotundus) em solução composto por 90 g de bulbos recém colhidos e raízes para 1 l de água; T2: salgueiro chorão (Salix

23

babilônica) numa solução de 200 g de folhas e talos verdes para 1 l de água; T3:ácido indobutirico (AIB) a 1g para 1000ml de solução de água (700 ml) e álcool (300 ml) e; T4: testemunha, (sem hormônio). Para o experimento, que teve inicio em 1º de maio de 2009, foram usados tesoura, faca, alicate, paquímetro, caneta, caderno, arame, plástico transparente, barbante, terra vegetal, fita adesiva, hormônios AIB (ácido indobutirico), tiririca (Cyperus rotundus), chorão (Salix babilônica), plaquetas numeradas, tiras de pano e água. A escolha das árvores de erva mate para a implantação do experimento foi avaliando plantas saudáveis e galhos com diâmetro entre 20 e 40mm, pois com diâmetro menor podem ser prejudicados principalmente pelo vento. O anelamento foi realizado fazendo dois cortes na casca com uma distancia de aproximadamente 4 cm um do outro e retirando a casca nesse local, colocando um anel de arame metálico de 12mm na parte superior e outro na parte inferior do anelamento para evitar a passagem da seiva elaborada, concentrando-a no local onde se pretende que haja a emissão de raízes.

FIGURA 1. Anelamento dos alporques e embalagem do substrato.

FIGURA 1. Anelamento dos alporques e embalagem do substrato. Fonte: Edesmar 2010. O hormônio AIB foi
FIGURA 1. Anelamento dos alporques e embalagem do substrato. Fonte: Edesmar 2010. O hormônio AIB foi

Fonte: Edesmar 2010.

O hormônio AIB foi utilizado na concentração de 1%, sendo diluído uma grama para 300ml de água e 700 ml de álcool (96 %). A escolha dessa dosagem foi feita sobre recomendação técnica onde foi adquirido o produto,e estudando trabalhos realizados com estaquia sobre diferentes doses de AIB, pois não foi encontrado nenhum trabalho sobre alporquia em erva mate.

24

A solução de chorão foi preparada utilizando-se 200g de folhas e ramas da planta verde, sendo feita infusão por 10 minutos em 1000 ml de água. Para a preparação da solução de tiririca foram utilizados 90 g de raízes e bulbos da planta em 1000 ml de água em infusão por 10 minutos. A escolha da dosagem tanto do chorão quanto da tiririca foi feita a partir do conhecimento empírico através de leituras e conversas com outras pessoas. As soluções de tiririca e chorão foram utilizadas após o seu esfriamento. A aplicação dos hormônios foi realizada através do encharcamento de uma tira de pano de algodão em seguida aplicado sobre o anelamento do alporque, devendo permanecer por 10 minutos. Após essa fase foi colocado o plástico com dimensões de 40 x 50 cm o qual foram coladas suas laterais e no fundo com fita adesiva, tomando cuidado para deixar o anelamento na metade dessa embalagem que envolve o anelamento e local de emissão de raízes. Em seguida foi colocado terra vegetal, coletada em área de cultivo de erva mate em sistema agroflorestal, pois estudando a necessidade da erva mate concluímos que este seria o substrato ideal para o experimento. Após isso foi amarrado com barbante de algodão para afirmar a embalagem no entorno e na parte superior, fixando nos galhos do alporque. Após a realização da alporquia, a terra da embalagem foi umedecida, tomando cuidado para não provocar encharcamento, já que a erva mate não tolera o excesso de água. Para a implantação dos alporques, foi criado um sistema de identificação dos tratamentos, conforme demonstrado na tabela abaixo.

25

TABELA 1 - Diâmetro e identificação dos alporques.

Hormônio para emissão de raízes Tratamento Repetição Diâmetro do alporque Tiririca T R 22 mm
Hormônio
para emissão de
raízes
Tratamento
Repetição
Diâmetro do
alporque
Tiririca
T
R
22 mm
1
1
Tiririca
T
R
27 mm
1
2
Tiririca
T
R
26 mm
1
3
Chorão
T
R
24 mm
2
1
Chorão
T
R
32 mm
2
2
Chorão
T
R
28 mm
2
3
AIB
T
R
28 mm
3
1
AIB
T
R
39 mm
3
2
AIB
T
R
27 mm
3
3
Testemunha
T
R
33 mm
4
1
Testemunha
T
R
30 mm
4
2
Testemunha
T
R
30 mm
4
3

Fonte: O Autor, 2009.

Durante o experimento foram realizadas vistorias a cada 7 dias, com o objetivo de analisar o alporque na emissão de raízes e na necessidade de água. Houve a necessidade de molhar á cada duas vistorias em média.

26

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Existem poucos relatos de experimentos do uso de alporquia na propagação da erva mate, pois os encontrados referem-se a estaquia como métodos de propagação, as quais referem que a emissão de raízes deve ocorrer com seis meses (180 dias). No entanto constatou-se neste experimento, que neste período de tempo não foi observado visualmente a emissão de raízes. Fato que definiu a abertura de alporques aos 240 dias após a implantação para avaliação mais criteriosa e detalhada, embora ainda neste período, não se observaram os resultados esperados inicialmente. Os diferentes tratamentos realizados para a propagação vegetativa através da alporquia, podem ser visualizados na tabela 2, especificando cada repetição com os respectivos resultados na avaliação realizada com 240 dias após implantação.

TABELA 2: Emissão de raízes em alporquias de erva mate no tratamento 1

Tratamento

Emissão

Tamanho

Total raízes por repetição

Total raízes

de raízes

das raízes

emitidas por

 

tratamento

T1 R 1 Tiririca

 

1 raiz

3

cm

3

 

1 raiz

0,5 cm

 

1raiz

4

cm

T1 R2:

2

raizes

2, cm

10

25

Tiririca

8

raizes

1

cm

T1 R 3:

4

raízes

3

cm

12

 

Tiririca

4

raízes

2

cm

4

raízes

1,5 cm

27

TABELA 3: Emissão de raízes em alporquias de erva mate no tratamento 2.

Tratamento

Emissão de

Tamanho

Total raízes

Total raízes

 

raízes

das raízes

por repetição

emitidas por

 

tratamento

T2 R 1

 

1

raiz

3

cm

5

 

Chorão

1

raiz

2,5 cm

2

raízes

1,5 cm

 

1

raiz

1

cm

T

2 R 2

 

1

raíz

4

cm

4

14

Chorão

3

raízes

1

cm

T

2 R 3

 

1

raiz

5

cm

5

 

Chorão

3

raizes

2

cm

 

1

raiz

1

cm

TABELA 4: Emissão de raízes em alporquias de erva mate no tratamento 3.

Tratamento

Emissão de

Tamanho das

Total raízes

Total raízes

 

raízes

raízes

por repetição

emitidas por

 

tratamento

T

3 R 1 - AIB

 

1 raiz

2

cm

8

 

1 raiz

2,5 cm

 

4

raízes

1

cm

2

raízes

0,5 cm

T

3 R 2 - AIB

 

1 raiz

3,5 cm

4

13

1 raiz

3

cm

 

2

raízes

2

cm

T

3 R 3 - AIB

 

1

raiz

0,5 cm

1

 

28

TABELA 5: Emissão de raízes em alporquias de erva mate no tratamento 4.

Tratamento

Emissão

Tamanho

Total raízes por repetição

Total raízes emitidas por tratamento

de raízes

das raízes

T

4 R 1

2

raízes

2 cm

2

 

Testemunha

 

T

4 R 2 -

 

1

raíz

3 cm

4

14

Testemunha

3

raízes

0,5 cm

T

4 R 3 -

 

1

raiz

3 cm

10

 

Testemunha

6

raízes

1 cm

3

raízes

0,5 cm

Fonte: O Autor, 2009

Verificou-se aos 240 dias que ocorreu a emissão de maior número de raízes nos tratamentos com extrato de tiririca, conforme tabela 3. Tanto nas raízes menores que 2,5 cm como nas maiores que 2,6 cm sendo 19 e 6 respectivamente. O total de raízes tratadas com extrato de tiririca, correspondeu

25

raízes, seguindo-se o da testemunha (sem hormônios) com 16 raízes, sendo

14

delas menores que 2,5 cm e, apenas duas raízes de 2,6 cm.

Em terceiro lugar ficou o tratamento com extrato de chorão, totalizando 14 raízes, sendo 11 menores que 2,5 cm e 3 acima de 2,6cm. Finalmente vem os tratamentos com AIB, tendo um total de 13 raízes, sendo 9 menores que 2,5 cm e duas maiores que 2,6 cm.

29

Figura 2. emissão de raízes

29 Figura 2. emissão de raízes Tabela 6. Eficiência dos tratamentos de acordo com tamanho e

Tabela 6. Eficiência dos tratamentos de acordo com tamanho e quantidade de raízes emitidas, aos 240 dias após implantação do experimento.

Tratamento

Raízes até 2,5 cm

Raízes acima de 2,6 cm

TOTAL DE

RAÍZES

Tiririca

19

6

25

Chorão

11

3

14

AIB

11

2

13

Testemunha (sem hormônios)

14

2

16

Fonte: O Autor, 2009

30

Pode-se visualizar no gráfico abaixo, a emissão de raízes, em quantidade e comprimento, de acordo com os tratamentos acima discutidos:

GRÁFICO 1. Emissão de raízes de acordo com os tratamentos

AIB

Testemunha

Chorão

Tiririca

Tamanho e Número de Raízes

30

25

20

15

10

5

0

Chorão Tiririca Tamanho e Número de Raízes 30 25 20 15 10 5 0 Raízes até
Chorão Tiririca Tamanho e Número de Raízes 30 25 20 15 10 5 0 Raízes até
Chorão Tiririca Tamanho e Número de Raízes 30 25 20 15 10 5 0 Raízes até
Chorão Tiririca Tamanho e Número de Raízes 30 25 20 15 10 5 0 Raízes até
Chorão Tiririca Tamanho e Número de Raízes 30 25 20 15 10 5 0 Raízes até
Chorão Tiririca Tamanho e Número de Raízes 30 25 20 15 10 5 0 Raízes até
Chorão Tiririca Tamanho e Número de Raízes 30 25 20 15 10 5 0 Raízes até
Chorão Tiririca Tamanho e Número de Raízes 30 25 20 15 10 5 0 Raízes até
Chorão Tiririca Tamanho e Número de Raízes 30 25 20 15 10 5 0 Raízes até

Raízes até 2,5 cmAIB Testemunha Chorão Tiririca Tamanho e Número de Raízes 30 25 20 15 10 5 0

Raízes acima de 2,6 cmAIB Testemunha Chorão Tiririca Tamanho e Número de Raízes 30 25 20 15 10 5 0

TotalAIB Testemunha Chorão Tiririca Tamanho e Número de Raízes 30 25 20 15 10 5 0

Reforça-se que o tratamento com extrato de tiririca apresentou maior número e tamanho na emissão de raízes.

O tratamento com o chorão foi o que apresentou maior repetitividade nos

números de raízes e também no comprimento. O tratamento com o AIB inibiu a emissão de raízes da erva mate comparado com a testemunha, mostrando que se fazem necessários outros

estudos para testar dosagens diferentes do AIB para a cultura da erva mate.

A alporquia de erva mate dispensa o uso de hormônios para a emissão de

raízes, no experimento todos os tratamentos emitiram raízes conforme gráfico e tabelas 2 e 3.

31

ANÁLISES ESTATÍSTICAS

Os dados foram submetidos a analises de variância e os tratamentos comparados pelo teste de Tukey.

Tabela 7: Média de raízes por tratamentos

Tratamentos

Média

Tiririca

8,33 a

Testemunha

5,33 a

Chorão

4,67 a

AIB

4,33 a

*As médias seguidas das mesmas letras não se diferenciaram significativamente no teste de médias Tukey

5%.

Não houve diferença estatística, porém observa-se que o tratamento tiririca tendeu a apresentar os maiores valores.

Tabela 8: Diferença entre os tratamentos com relação a quantidade de raízes com tamanho de 0-

2,5.

Tratamentos

Média

Tiririca

8,33 a

Testemunha

4,66 a

Chorão

3,67 a

AIB

3,66 a

*As médias seguidas das mesmas letras não se diferenciaram significativamente no teste de médias Tukey a 5%.

Não houve diferença estatística, porém observa-se que o tratamento tiririca tendeu a apresentar os maiores valores. Interessante verificar que o chorão e o AIB ficaram muito próximos.

32

Tabela 9: Diferença entre tratamentos com relação a quantidade de raízes com tamanho de > 2,6.

Tratamentos

Média

Tiririca

2,00 a

Testemunha

1,00 a

Chorão

0,67 a

AIB

0,66 a

*As médias seguidas das mesmas letras não se diferenciaram significativamente no teste de médias Tukey a 5%.

Não houve diferença estatística, porém observa-se que o tratamento tiririca tendeu a apresentar os maiores valores. Interessante verificar que o AIB e a testemunha ficaram muito próximos. Diante destas constatações destacamos a necessidade de tempo maior para a emissão de raízes a fim de que as mudas de alporques de erva mate estejam prontas para serem levadas a campo. Sugere-se a continuidade da pesquisa para avaliar o tempo necessário para que as mudas sejam transplantadas e realizado a avaliação de pegamento e ganho de tempo comparado a mudas feitas através de sementes. Precisamos desenvolver tecnologias voltadas a atender as necessidades da construção da agroecologia que venha contribuir na sustentabilidade dos agroecossistemas, através da apropriação de conhecimentos e das técnicas desenvolvidas, sendo que os próprios camponeses(as) podem implantá-las em seus agroecossistemas. Pode-se afirmar que do ponto de vista da agroecologia a alporquia de erva mate constitui grandes possibilidades de sustentabilidade econômica no que se refere ao ganho de tempo na propagação de mudas e redução do tempo de colheita, bem como geração de fonte de renda na entressafra das culturas anuais. Do ponto de vista social as vantagens estão relacionadas ao controle na produção de mudas pelas famílias, na geração de trabalho, fortalecimentos dos laços familiares e possibilidades de fixação da população jovem no campo, além da qualidade de vida, com produção e consumo de produtos saudáveis Ecologicamente a cultura da erva mate é natural da região sul do Brasil, oferecendo possibilidades de inserção em sistemas agroflorestais de clima temperado, os quais produzem além da erva mate, o sustento familiar, além da

33

diversificação de espécies com frutíferas nativas, plantas medicinais e condimen tares, entre outras. O corte da planta não implica na destruição de uma árvore; é uma poda que a refaz e fortalece. A apropriação da tecnologia de propagação de plantas por alporquia por camponeses (as) reforça a cultura da região, cuja população tem o hábito de consumo da erva mate, na forma de chá e chimarrão, bem como possuí grande conhecimento popular a respeito de sua produção e beneficiamento. Através de organização das famílias em mutirões cria-se a possibilidade de multiplicação do conhecimento e divulgação da alporquia, pelas comunidades, refletindo sua importância política. No que diz respeito a adequação ambiental prevista em lei, a alporquia de erva mate representa grandes possibilidades de recomposição das áreas a serem implantadas, atendendo aos princípios éticos e legais, ao mesmo tempo oferecendo grande potencial de sustentabilidade para os agroecossistemas.

.

34

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A erva-mate é uma espécie nativa do Brasil produzida, em sua maior

parte, por agricultores camponeses dos estados do Sul do Brasil e do estado de Mato Grosso do Sul. Utilizada tradicionalmente para a produção de chimarrão e chás, a erva-mate constitui-se numa atividade com impactos altamente positivos, contribuindo para a geração de emprego e renda para os agroecossistemas da

região, além de ser uma boa alternativa ambiental, já que seu cultivo não exige o uso de agrotóxicos. Existem poucos relatos de experimentos do uso de alporquia na propagação da erva mate, pois os encontrados referem-se a estaquia como métodos de propagação, as quais referem que a emissão de raízes deve ocorrer com seis meses (180 dias). Constatou-se neste experimento através de observação externa que não havia emissão de raízes neste período de Fato que definiu a abertura de alporque aos 240 dias após a implantação para avaliação mais criteriosa e detalhada da emissão de raízes. Neste estudo verificou-se a emissão de raízes na alporquia de erva mate em todos os tratamentos, ou seja, com extrato de tiririca, de chorão, AIB e testemunhas (sem hormônio).

O tratamento com tiririca apresentou maior número de raízes e de maior

comprimento, mostrando que houve um estímulo maior do enraizamento dos alporques com este tratamento. Observou-se a inibição da emissão de raízes no tratamento com AIB, tanto

no número quanto no comprimento de raízes, quando comparados com a testemunha (sem hormônio). Sugere-se outras possibilidades de pesquisa, testando dosagens diferentes de tiririca, chorão e AIB com tratamentos diferentes. Neste estudo foram cozidos os bulbos, pode-se fazer extrato com o esmagamento dos rizomas, folhas e talos.

O estudo nos permite concluir que o método da alporquia como técnica de

propagação vegetativa da erva mate, pode ser realizado pelos camponeses-(as), que após, conhecê-lo, podem implantá-lo em seus agroecossistemas, com menor

dependência externa.

35

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