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Voto nº 7980 — HABEAS CORPUS Nº 1.042.455-3/6-00


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, 312, 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII, 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de
Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige
prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf.
Código de Processo Penal Anotado, 21a. ed., p. 246).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva (cf.
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o autor
de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora na
realização de ato processual no Juízo deprecado, que tem o caráter de força maior,
motivo de suspensão do curso dos prazos (art. 898, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por
excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 7981 — HABEAS CORPUS Nº 1.045.815-3/1-00


Art. 180, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a ação,
a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min. Vicente
Cernicchiaro; j. 18.12.96).
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Voto nº 7991 — apelação CRiminal Nº 399.566-3/0-00


Art. 107, nº IV, primeira figura, art. 109, nº V, e 110, § 1º, do Cód.
Penal;
art. 10, § 2º, da Lei nº 9.437/97;
art. 5º, caput, 144 da Const. Fed.

–– A confissão judicial, por seu valor absoluto – visto se presume feita


espontaneamente –, basta à fundamentação do edito condenatório.
–– O simples porte de arma de fogo, sem autorização legal tipifica a infração do art.
10, § 2º, da Lei nº 9.437/97, independentemente da existência de perigo concreto.
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a
mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os perigos
que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que existam
controles ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das Armas de
Fogo, 1998, p. 107).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).

Voto nº 7992 — HABEAS CORPUS Nº 1.049.025-3/5-00


Art. 109, nº V, e 171 do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

––“Em qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer extinta a punibilidade, deverá


declará-lo de oficio” (art. 61 do Cód. Proc. Penal).
––“A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final (...), regula-se pelo
máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime” (art. 109 do Cód.
Penal).
— “Não decorrido o necessário lapso temporal, não se reconhece a prescrição”
(STJ; HC nº 9241/SP; 5a. T., rel. Min. Edson Vidigal; DJU 11.10.99, p.76; v.u).
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Voto nº 7993 — HABEAS CORPUS Nº 1.039.682-3/4-00
Art. 155, § 4º, ns. I e V, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, 312, 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão cautelar, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código
de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal
ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade
da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de
Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige
prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf.
Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora na
inquirição de testemunhas por precatória, que tem o caráter de força maior,
motivo de suspensão do curso dos prazos (art. 898, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva (cf.
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o autor
de furto de veículo automotor, nos termos da figura típica do art. 155, § 4º, nº
V, do Cód. Penal, incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.

Voto nº 7994 — HABEAS CORPUS Nº 1.009.029-3/0-00


Art. 159, § 1º, 159, § 1º, 340 do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, 312 do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90;
arts. 5º, nº LVII, LXVI, 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de
Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige
prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf.
Código de Processo Penal Anotado, 21a. ed., p. 246).
-– Não tem jus à liberdade provisória o autor de extorsão, pela falta de requisito
intrínseco: inocorrência de hipótese que autorize a prisão preventiva (art. 310, parág.
único, do Cód. Proc. Penal).
-– A natureza e a gravidade do crime de extorsão mediante seqüestro impedem se
outorgue a seu autor, ainda que primário e de bons antecedentes, o benefício da
liberdade provisória. A defesa dos direitos e interesses da sociedade é que reclama a
segregação, até a decisão final de mérito, daquele que violou profundamente a ordem
jurídica (art. 159, § 1º, do Cód. Penal).
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Voto nº 7995 — HABEAS CORPUS Nº 1.044.948-3/0-00
Art. 121, § 2º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
arts. 312, 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII, 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de
Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige
prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf.
Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas
corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária, com
observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por falta de justa
causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro súbito de vista, a
atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art. 648, nº I, do Cód. Proc.
Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não contraditória e
que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis
Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
— Inimigo potencial da ordem jurídica e da sociedade, o autor de homicídio qualificado
não merece recobrar a liberdade primeiro que dê estritas contas à Justiça, ao termo do
devido processo legal.

Voto nº 7996 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 956.802-3/8-


00
Art. 121, § 2º, ns. I, II e IV, do Cód. Penal;
art. 112, 197 da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de homicídio qualificado
(art. 121, § 2º, ns. I e IV, do Cód. Penal), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“Não se estende aos demais crimes hediondos a admissibilidade de progressão no
regime de execução da pena aplicada ao crime de tortura” (Súmula nº 698 do
STF).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida" (Antão
de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).
— Considera-se prejudicado o agravo se, durante o seu processamento, o Juízo de
Direito da Vara das Execuções Criminais tiver já deferido ao sentenciado aquilo
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mesmo que fazia objeto do recurso, visto obtida a situação jurídica reclamada (art.
197 da Lei de Execução Penal).
Voto nº 7997 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 909.866-3/0-
00
Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 155, § 4º, nº III, do Cód. Penal;
arts. 6º e 112 da Lei de Execução Penal.

— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode ser
realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que
cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o Magistrado com a
prudência e o arbítrio do bom varão.
— Dois requisitos exige a lei para a progressão de regime: lapso temporal e mérito do
condenado; presentes que sejam, compete ao Juiz despachar de boa sombra a
pretensão, uma vez não pode recusar-se a praticar os atos de seu ministério.
— Não vá esquecer ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!
— O asserto de que o criminoso empedernido não conhece recuperação não é dogma
científico. Para honra da Humanidade, não são raros os casos em que, incentivados
por medidas penais salutares, condenados abjuraram a vida de crimes,
redimiram-se de suas faltas e retornaram à comunhão social, tornando-se cidadãos
prestantes.
— Opor-se à progressão de regime — direito que a lei assegura ao condenado em
condições de o merecer — fora mais do que obstar-lhe a reintegração social,
porque seria matar-lhe a esperança, que é o último remédio que deixou a natureza
a todos os males (Vieira, Sermões, 1682, t. II, p. 87).

Voto nº 7998 — HABEAS CORPUS Nº 1.048.092-3/2-00


Art. 121, § 2º, ns. I e IV,, do Cód. Penal;
art. 408, § 2º, do Cód. Proc. Penal;
arts. 1º, nº I, e 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90.

—“Pronunciado o réu, fica superada a alegação de constrangimento ilegal da prisão


por excesso de prazo na instrução” (Súmula nº 21, do STJ).
— O crime de tentativa de homicídio qualificado a lei considera hediondo e, pois, em
princípio, insuscetível de liberdade provisória (cf. arts. 1º, nº I, e 2º, nº II, da
Lei nº 8.072/90).
— Não tem direito de aguardar solto seu julgamento pelo Tribunal do Júri o réu que,
pronunciado como incurso nas penas do art. 121, § 2º, ns. I e IV, e art. 14, nº II,
do Cód. Penal, não comprovou possuir mérito pessoal que lhe justificasse a
outorga do benefício (art. 408, § 2º, do Cód. Proc. Penal).
— Escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 408 do Cód. Proc. Penal: “na hipótese,
dada a natureza do crime (doloso contra a vida), o legislador entendeu necessária
a prisão do acusado, a não ser que apresente as condições da primariedade e dos
bons antecedentes (§ 2º)” (Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 340).
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Voto nº 7999 — HABEAS CORPUS Nº 1.038.629-3/6-00


Arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
arts. 310 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 1º, nº I, e 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório. Trancamento de ação penal por falta de justa causa unicamente se
admite quando comprovada, ao primeiro súbito de vista, a atipicidade do fato
imputado ao réu, ou a sua inocência (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não contraditória
e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis
Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
—“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da culpa
decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou ao
Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
— Nisto de alegação de excesso de prazo, importa muito o princípio de razoabilidade.
Faz ao propósito a lição do competente Damásio E. de Jesus: “é admissível o
excesso em determinadas circunstâncias: a contagem do prazo não deve ser
rigorosa” (Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 560).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por
excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
— O crime de tráfico de entorpecentes a lei equipara a hediondo e, pois, em
princípio, é insuscetível de liberdade provisória (cf. arts. 1º, nº I, e 2º, nº II, da
Lei nº 8.072/90).
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Voto nº 8000 — HABEAS CORPUS Nº 1.039.861-3/1-00


Art. 121, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
arts. 310 e 312 do Cód. Proc. Penal;
arts. 1º, nº I, e 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90;
arts. 5º, nº LVII, e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado


na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão
preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo
Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar
a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração penal e
veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de
Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige
prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf.
Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Por expressa disposição legal, não tem direito a liberdade provisória o acusado de
homicídio qualificado, crime do número dos “hediondos” (art. 2º, nº II, da Lei nº
8.072/90).
— LIBERDADE PROVISÓRIA – Homicídio
qualificado – Proibição legal – Crime hediondo – Lei n° 8. 072/90.
— Do número dos crimes hediondos, o homicídio
qualificado (mesmo em sua forma tentada) é, por definição legal, insuscetível de
liberdade provisória (art. 1º, nº I, e 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90).
— Enquanto não demonstrada de forma cabal sua
inocência, a liberdade do réu argüido de homicídio qualificado representa
inconveniente conspícuo para os interesses da Justiça e da ordem social, à qual
repugna sempre a impunidade de autor de crime hediondo.
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Voto nº 8001 — HABEAS CORPUS Nº 1.046.543-3/7-00


Art. 155, § 4º, inc. II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, 313, 499 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

— Unicamente faz jus à liberdade provisória o preso que, havendo cometido delito
afiançável, reúna méritos pessoais; importa ainda não seja o caso de decretação de prisão
preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
— Inimigo potencial da ordem jurídica e da sociedade, o autor de furto qualificado não
merece recobrar a liberdade, primeiro que dê estritas contas à Justiça, ao termo do
devido processo legal.
— Prisão em flagrante apoiada em auto regular, lavrado com observância dos preceitos
legais, não se relaxa, fora os casos de injustificável excesso de prazo na formação da
culpa.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão cautelar, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de
Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige
prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf.
Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime (dolo),
é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas
cabe na instância ordinária, com observância da regra do contraditório (art. 648, nº I,
do Cód. Proc. Penal).
— Conforme a doutrina comum, o pedido de “habeas corpus” deve ser instruído com as
peças e documentos que comprovem as alegações do paciente.

Voto nº 8002 — HABEAS CORPUS Nº 1.034.095-3/9-00


Art. 155, § 4º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença condenatória”
(STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p. 16.585).
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Voto nº 8003 — HABEAS CORPUS Nº 1.030.960-3/8-00


Art. 1º, ns. I e II, da Lei nº 8.137/90.

— Em linha de princípio, não é o “habeas corpus” meio idôneo para obstar o curso da
ação penal, se o fato imputado ao réu constituir crime e houver indícios suficientes
de sua autoria.
— Ainda na esfera do “habeas corpus”, é admissível
a análise de provas para aferir a procedência da alegação de falta de justa causa
para a ação penal; defeso é apenas seu exame aprofundado e de sobremão, como se
pratica na dilação probatória.
— Para trancar a ação penal, sob fundamento da
ausência de “fumus boni juris”, há mister se mostre a prova mais clara que a luz
meridiana, a fim de se não subverter a ordem jurídica, entre cujos postulados se
inscreve o da apuração compulsória, pelos órgãos da Justiça, da responsabilidade
criminal do infrator.

Voto nº 8004 — MANDADO DE SEGURANÇA Nº 1.025.054-


3/1-00
Art. 197 da Lei de Execução Penal.

— À luz da melhor orientação jurisprudencial, carece o Ministério Público de


legitimidade para impetrar mandado de segurança com o intuito de alcançar efeito
suspensivo a agravo em execução, que o não tem; falece-lhe a pertinência subjetiva
“ad causam”.
— A vontade mesma da lei é a que obsta à concessão de efeito suspensivo ao agravo,
como o dispõe o art. 197 da Lei de Execução Penal. Não se presumem, na lei,
palavras inúteis, conforme retrilhado aforismo jurídico. É para supor que, nos casos
sob o regime da Lei nº 7.210/84, como nos mais, decidam os Juízes com acerto. “Os
Juízes, por definição, não podem errar” (V. César da Silveira, Dicionário de Direito
Romano, 1957, vol. II, p. 588).
—“É uníssona a jurisprudência desta Corte no que tange à ilegitimidade do
Ministério Público em impetrar mandado de segurança para conferir efeito
suspensivo a recurso que não o contém, como é o caso do agravo em execução”
(STJ; HC nº 237.975-SP; 6a.Turma; rel. Min. Paulo Medina; j. 23.9.03; DJU
13.10.03).
— Em obséquio à segurança jurídica — objetivo a que devem atender, por princípio,
todas as decisões da Justiça —, não há conceder mandado de segurança senão
em face de direito líqüido e certo, que, na expressão memorável de Hely Lopes
Meirelles, “é direito comprovado de plano” (Mandado de Segurança e Ação
Popular, 5a. ed., p. 16).
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Voto nº 8006 — RevisÃo CRIMINAL Nº 878.293-3/5-00


Art. 171, “caput”, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal.

— Fraude “é qualquer malicioso subterfúgio para alcançar um fim ilícito” (Nélson


Hungria, Comentários ao Código Penal, 1980, t. VII, p. 169).
— Incorre nas penas de estelionato aquele que, inculcando-se mediador entre as partes em
negócio imobiliário, causa-lhes prejuízo, por fraude e induzimento a erro (art. 171,
“caput”, do Cód. Penal).
— O pedido de revisão criminal, por isso mesmo que põe a mira em romper a coisa
julgada, somente se defere quando amparado em fundamento legal. É mister, pois,
demonstre o peticionário, além de toda a dúvida, que a sentença condenatória infringiu
de rosto a prova dos autos.
— Nisto de revisão criminal prevalece o entendimento de que ao peticionário incumbe
comprovar que a sentença contraveio aos elementos do processo ou infringiu a Lei e a
Justiça, aliás lhe será indeferida a pretensão por amor da autoridade da “res judicata”
(art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 8007 — RevisÃo CRIMINAL Nº 590.477-3/6-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal.

— Sem fazer tábua rasa do instituto da coisa julgada, deve o Juiz entrar no conhecimento
da causa que lhe é submetida, por prevenir (ou conjurar) possível erro judiciário, o
péssimo dos vícios de julgamento.
—“Errar é humano, e seria crueldade exigir do juiz que acertasse sempre. O erro é um
pressuposto da organização judiciária que, por isso mesmo, instituiu sobre a instância
do julgamento a instância da revisão” (Mílton Campos; apud João Martins de
Oliveira, Revisão Criminal, 1a. ed., p. 63).
— Nunca foram mais verdadeiras, do que naqueles casos em que o réu se obstina a pelejar
contra a evidência de sua culpa, estas palavras de Talleyrand, ministro de Napoleão: A
palavra foi dada ao homem para esconder o pensamento. “La parole a été donnée à
l’homme pour déguiser sa pensée” (apud Giuseppe Fumagalli, Chi l’ha detto?, 1995, p.
485).
— O réu que é deveras inocente não hesita em afirmá-lo desde o primeiro instante. Se, na
fase policial, preferiu remeter-se a obliterado silêncio, nisto mesmo deu a conhecer sua
culpa. É que ninguém, exceto se não estiver em seu acordo e razão, permanece calado,
quando devia falar para defender-se de acusação injusta e infame.
— A palavra da vítima, porque protagonista do fato delituoso, não se recebe geralmente
com reservas, senão como expressão da verdade, que só a prova do erro ou da má-fé
pode abalar.
— Tão-só a decisão que se aparte rudemente das provas incorre na pecha de contrária à
evidência dos autos, não a que as mete em conta e avalia segundo a luz da razão
lógica e as regras do Direito.
11
Voto nº 8008 — apelação CRiminal Nº 404.412-3/7-00
Art. 107, nº IV, primeira figura, 109, nº V, 110, § 1º, 115 do Cód. Penal;
art. 10, § 3º, nº IV, da Lei nº 9.437/97;
art. 12, “caput”, da Lei nº 10.826/03;
art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, caput, da Const. Fed.

–– A posse irregular de arma de fogo de uso permitido tipifica a infração do art. 12,
“caput”, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento), independentemente de
perigo concreto.
— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo constitui solene
despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cód. Proc. Penal) e
aquela que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas penas da lei, donde a
inépcia do raciocínio apriorístico de que o policial vem a Juízo para mentir.
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a mira o
legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os perigos que
acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que existam controles ou
regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das Armas de Fogo, 1998, p.
107).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).

Voto nº 8009 — HABEAS CORPUS Nº 1.049.796-3/2-00


Art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal;
arts. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.

—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime integralmente
fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior Tribunal de Justiça,
vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida" (Antão de
Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).
— O condenado por tráfico de entorpecentes (art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe
dos hediondos, deve cumprir sua pena integralmente em regime fechado, por força do
preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
— Cai a lanço notar que a constitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei dos Crimes
Hediondos já foi afirmada pelo Supremo Tribunal Federal.
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução
da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº
III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de
recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via
sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
12

Voto nº 8010 — HABEAS CORPUS Nº 1.044.850-3/3-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, e 288, parág. único, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento, dilatando os
dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que o prazo de 81
dias, para a formação da culpa de réu preso, não é fatal nem peremptório: admite-se
pequeno excesso à luz do princípio da razoabilidade, pois não está nas mãos do Juiz,
ainda o mais diligente, prevenir ou remediar todas as dificuldades inerentes ao processo
criminal.
— “Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por
excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
— Unicamente faz jus à liberdade provisória o preso
que, havendo cometido delito afiançável, reúna méritos pessoais; importa ainda não seja
o caso de decretação de prisão preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
— Inimigo potencial da ordem jurídica e da sociedade, o autor de crime de roubo não
merece recobrar a liberdade primeiro que dê estritas contas à Justiça, ao termo do
devido processo legal.

Voto nº 8011 — HABEAS CORPUS Nº 1.047.932-3/0-00


Arts. 310, parág. único, e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
arts. 33, 35 e 53, nº I, da Lei nº 11.343/06;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
arts. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

— A tese do crime putativo (ou flagrante preparado), em que o autor “é apenas o


protagonista inconsciente de uma comédia” (cf. Nélson Hungria, Comentários ao
Código Penal, 1978, vol. I, t. II, p. 107), não tem lugar nem prevalece nos casos de
tráfico, porque a posse pretérita de substância entorpecente para consumo de terceiro já
aperfeiçoa o tipo do art. 12 da Lei nº 6.368/76.
–– Por expressa disposição legal, não tem direito a liberdade provisória quem é acusado de
tráfico de entorpecentes, crime do número dos “hediondos” (art. 2º, nº III, da Lei nº
8.072/90).
–– Preso o réu em flagrante por delito inafiançável, estando o respectivo auto em forma
regular, não se lhe relaxa a custódia provisória, exceto se decorrido lapso de tempo
superior àquele que a Jurisprudência tem estabelecido como o máximo razoável para o
encerramento da instrução criminal.
–– Isto de defender-se em liberdade é direito somente do réu primário e de bons
antecedentes, quando comprovada a ausência de hipótese que autorize a decretação da
prisão preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
13

Voto nº 8012 — HABEAS CORPUS Nº 1.015.834-3/3-00


Arts. 393, nº I, e 600 do Cód. Proc. Penal.

–– Não se conhece de “habeas corpus” que seja simples reiteração de pedido anterior,
com os mesmos fundamentos de fato e de direito. A razão é que, satisfeita a prestação
jurisdicional, não pode o Juízo ou Tribunal reapreciar a matéria do litígio, senão
mediante recurso ordinário.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se deve
outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar Jurídico,
1985, vol. II, p. 588).
—“Não se conhece de “habeas corpus” que seja reiteração de outro, já indeferido”
(Rev. Forense, vol. 158, p. 340).

Voto nº 8013 –– apelação CRiminal Nº 924.918-3/8-00


Art. 107, nº IV; 109, nº V; 110, § 1º, 115 e 168, do Cód. Penal;
art. 386, nº III, do Cód. Proc. Penal;
art. 16 da Lei nº 6.368/76;
arts. 186, nº VII, 199 do Decreto-lei n° 7.661/45;
art. 2º, parág. único, da Lei nº 10.259/01;
art. 61 da Lei nº 9.099/95;
arts. 186, ns. VI e VII, 187, 188, ns. III e VIII, do Decreto-lei nº
7.661/45.

—“Não é inepta a denúncia que proporciona ao acusado a plena defesa assegurada


pela Constituição Federal” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 85, p. 70).
— À luz da jurisprudência do STF e do STJ, a Lei nº 10.259/01 — que instituiu os
Juizados Especiais Criminais no âmbito da Justiça Federal — tem aplicação aos
ilícitos penais de menor potencial ofensivo da competência da Justiça Criminal do
Estado. Pelo que, na esfera estadual, faz jus à transação penal o autor de infração a
que é cominada pena detentiva não superior a dois anos, pois o art. 2º, parág.
único, da Lei nº 10.259/01 revogou o art. 61 da Lei nº 9.099/95, ao modificar o
conceito de infração penal de pequeno potencial ofensivo (art. 61 da Lei nº
9.099/95; art. 2º, parág. único, da Lei nº 10.259/01).
— Inferência lógica imediata: não cabe a aplicação da Lei dos Juizados Especiais
Criminais às hipóteses de crimes a que a lei comine pena máxima superior a 2
anos.
— O lapso prescricional dos crimes falimentares é de 2 anos, contados da data do
trânsito em julgado da sentença de encerramento da falência; ou, na falta desta, de
4 anos, a partir da decretação da quebra.
— Em obséquio à maioridade senil, reduz-se de metade o prazo de prescrição se o
criminoso era, na data da sentença, maior de 70 anos (art. 115 do Cód. Penal).
— Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.
— Muita vez é mister dar de mão a certo escrúpulo e suprir pelo raciocínio lógico o
toque da evidência: à falta de prova plena, bastam indícios veementes, múltiplos e
concordes, para demonstrar a autoria do fato incriminado.
— Na apuração da autoria de crime adotavam os romanos o judicioso critério: “Cui
prodest scelus, is fecit”. Aquele a quem o crime aproveita, esse o cometeu. É a lógica
a melhor das provas.
14

Voto nº 8025 –– AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 977.058-3/5-


00
Art. 155, “caput”, do Cód. Penal;
arts. 112 e 197 da Lei de Execução Penal;
art. 16 da Lei nº 6.368/767;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

— A despeito da nova redação que a Lei nº 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de
Execução Penal, subsiste a possibilidade de realização do exame criminológico,
“quando o entender indispensável o juiz da execução para a decisão sobre
progressão de regime” (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59).
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões do
convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode ser
realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que
cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o Magistrado com a
prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— Se o sentenciado cumpriu inteiramente sua pena, carece de legítimo interesse o
pedido de reforma da decisão que lhe concedeu progressão no regime prisional.
Em conseqüência, agravo em execução interposto com essa finalidade está
prejudicado, visto perdeu o objeto (art. 197 da Lei de Execução Penal).

Voto nº 8026 –– MANDADO DE SEGURANÇA Nº 1.048.928-


3/9-00
Arts. 214, e 224, alínea a, do Cód. Penal;
art. 197 da Lei de Execução Penal.

— À luz da melhor orientação jurisprudencial, carece o Ministério Público de


legitimidade para impetrar mandado de segurança com o intuito de alcançar efeito
suspensivo a agravo em execução, que o não tem; falece-lhe a pertinência subjetiva
“ad causam”.
— A vontade mesma da lei é a que obsta à concessão de efeito suspensivo ao agravo,
como o dispõe o art. 197 da Lei de Execução Penal. Não se presumem, na lei,
palavras inúteis, conforme retrilhado aforismo jurídico. É para supor que, nos
casos sob o regime da Lei nº 7.210/84, como nos mais, decidam os Juízes com
acerto. “Os Juízes, por definição, não podem errar” (V. César da Silveira,
Dicionário de Direito Romano, 1957, vol. II, p. 588).
—“É uníssona a jurisprudência desta Corte no que tange à ilegitimidade do
Ministério Público em impetrar mandado de segurança para conferir efeito
suspensivo a recurso que não o contém, como é o caso do agravo em execução”
(STJ; HC nº 237.975-SP; 6a.Turma; rel. Min. Paulo Medina; j. 23.9.03; DJU
13.10.03).
15
16

Voto nº 8027 –– MANDADO DE SEGURANÇA Nº


1.034.905-3/7-00
Art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 197 da Lei de Execução Penal.

— À luz da melhor orientação jurisprudencial, carece o Ministério Público de


legitimidade para impetrar mandado de segurança com o intuito de alcançar efeito
suspensivo a agravo em execução, que o não tem; falece-lhe a pertinência subjetiva
“ad causam”.
— A vontade mesma da lei é a que obsta à concessão de efeito suspensivo ao agravo,
como o dispõe o art. 197 da Lei de Execução Penal. Não se presumem, na lei,
palavras inúteis, conforme retrilhado aforismo jurídico. É para supor que, nos casos
sob o regime da Lei nº 7.210/84, como nos mais, decidam os Juízes com acerto. “Os
Juízes, por definição, não podem errar” (V. César da Silveira, Dicionário de Direito
Romano, 1957, vol. II, p. 588).
—“É uníssona a jurisprudência desta Corte no que tange à ilegitimidade do
Ministério Público em impetrar mandado de segurança para conferir efeito
suspensivo a recurso que não o contém, como é o caso do agravo em execução”
(STJ; HC nº 237.975-SP; 6a.Turma; rel. Min. Paulo Medina; j. 23.9.03; DJU
13.10.03).
— Em obséquio à segurança jurídica — objetivo a que devem atender, por princípio,
todas as decisões da Justiça —, não há conceder mandado de segurança senão
em face de direito líqüido e certo, que, na expressão memorável de Hely Lopes
Meirelles, “é direito comprovado de plano” (Mandado de Segurança e Ação
Popular, 5a. ed., p. 16).

Voto nº 8028 –– HABEAS CORPUS Nº 1.040.444-3/1-00


Arts. 157, § 1º, § 2º, ns. II e V, 158, 158, § 1º, e 288, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

“HABEAS CORPUS” – Alegação de constrangimento ilegal por excesso


de prazo – Necessidade de expedição de carta precatória – Inexistência
de ilegalidade – Ordem denegada.
–– Como lhe compete presidir as audiências e prover à instrução dos processos, não será
decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem, no
entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica motivos de
força maior, a cujo número pertence a necessidade de expedição de carta
precatória para o interrogatório do réu.
–– Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento
ilegítimo por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez
que nem sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso
de força maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do Cód.
Proc. Penal).
–– Não há averbar de falta de fundamentação a decisão que encerra base jurídica e
fática bastante a garantir-lhe a validade. Tratando-se de roubo, crime de extrema
gravidade, a necessidade e a conveniência da decretação da custódia cautelar como
que se presumem.
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz),
primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro
da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310,
17
parág. único, do Cód. Penal) àquele que, acusado de crime grave – como é o
roubo –, tem contra si a presunção de periculosidade.
18

Voto nº 8029 –– HABEAS CORPUS Nº 1.047.413-3/1-00


Art. 155, “caput”, e § 4º, conjugado com o art. 14, nº II, do Cód. Penal;
arts. 500 e 647 do Cód. Proc. Penal.

— Remédio processual específico para a tutela das garantias e direitos fundamentais do


indivíduo, é o “habeas corpus” instrumento idôneo para o exame da existência de
justa causa para ação penal. Por seu rito sumário, entretanto, somente enseja o
trancamento de inquérito ou ação penal quando salte aos olhos, desde logo, a
atipicidade do fato argüido de criminoso ou a inocência do acusado (art. 647 do Cód.
Proc. Penal).
–– A apuração da responsabilidade criminal do réu é própria da instância penal do
contraditório; transferi-la para a via heróica do “habeas corpus” seria decidir questão
de mérito, atribuição privativa do Juízo da causa.

Voto nº 8030 –– HABEAS CORPUS Nº 1.029.389-3/9-00


Art. 157, § 2º I e II, do Cód. Penal;
art. nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal;

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do


condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto aguarda
vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem superior invencível,
tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana: todo o infrator sabe que,
delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de iludir o
rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados que há mais tempo
aguardam a efetivação da transferência para o estágio intermediário, além de fazer
injúria à própria sociedade, que tem o direito de exigir do infrator a reparação, em
forma de pena retributiva, do dano que lhe causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau
de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via
sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
19
Voto nº 8031 –– HABEAS CORPUS Nº 1.049.755-3/6-00
Art. 69 do Cód. Penal;
arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
arts. 33-36, 66, nº III, alíneas b, e, e f, da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução da


pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº III,
alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o
reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do
“habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo de
obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em que, por previsão de
lei (art. 66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve entender o Juízo de Direito
da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de suas atribuições e violação de
norma de organização judiciária do Estado.
–– O instituto do “habeas corpus”, em vista de seu rito sumaríssimo e natureza específica, não
se presta a aferir requisitos subjetivos para a concessão de regime prisional, tarefa em que
somente haverá entender o Juízo da causa ou das Execuções Criminais.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime integralmente
fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol.
105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida" (Antão de
Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).
— O condenado por tráfico de entorpecentes (art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe
dos hediondos, deve cumprir sua pena integralmente em regime fechado, por força do
preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

Voto nº 8032 –– HABEAS CORPUS Nº 1.045.354-3/7-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, conjugado com o art. 29, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 500, 648, nº I, 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 52, do STJ.

— Como lhe compete presidir as audiências e prover à instrução dos processos, não será decerto
o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem, no entanto, que lhe
excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica motivos de força maior, a cujo
número pertence a necessidade de expedição de carta precatória para o interrogatório do
réu, termo essencial do processo e franca oportunidade de obtenção de prova, imprescindível
à busca da verdade real.
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento ilegítimo por
excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez que nem sempre o pode
o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso de força maior, dispõe a lei que
“não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz),
primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro da culpa
não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód.
Penal) àquele que, acusado de crimes graves, tem contra si a presunção de periculosidade.
–– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no cárcere, a verificação
de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às condições de caráter
subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág. único, do
Cód. Proc. Penal).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do crime, é insuscetível de
exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas cabe na instância
ordinária, com observância da regra do contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— “Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por excesso
de prazo” (Súmula nº 152 do STF).
20

Voto nº 8033 –– HABEAS CORPUS Nº 1.043.150-3/1-00


Arts. 157, § 2º, ns. I, II e V, e art. 157, § 2º, ns. I e II, conjugados com o art.
29, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, 648, nº I, 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII, 93, nº IX, da Const. Fed.

— Como lhe compete presidir as audiências e prover à instrução dos processos, não será
decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem, no
entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica motivos de
força maior, a cujo número pertence a necessidade de expedição de carta precatória
para o interrogatório do réu, termo essencial do processo e franca oportunidade de
obtenção de prova, imprescindível à busca da verdade real.
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento ilegítimo
por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez que nem
sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso de força
maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do Cód. Proc.
Penal).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do crime, é insuscetível
de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas cabe na
instância ordinária, com observância da regra do contraditório (art. 648, nº I, do Cód.
Proc. Penal).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de
Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige
prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf.
Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas
decisões, ninguém ainda ousou contestar a verdade destas palavras do conspícuo
Ministro Mário Guimarães, do Supremo Tribunal Federal, grande sabedor da
matéria: “Certas decisões, também, se fundamentam por si mesmas. Insistir em
justificá-las, seria ocioso” (O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p. 347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz),
primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro
da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310,
parág. único, do Cód. Penal) àquele que, acusado de crime grave — como é o
roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.
21

Voto nº 8034 –– apelação CRiminal Nº 439.694-3/3-00


Art. 2º, parág. único, 44, § 2º, do Cód. Penal;
art. 10, § 3º, nº IV, da Lei nº 9.437/97;
art. 12, “caput”, da Lei nº 10.826/03;
art. 89 da Lei nº 9.099/95;
arts. 5º, caput, e 144 da Const. Fed.

— Feita em Juízo, tem a confissão do réu valor absoluto, porque estreme de eventuais
defeitos que a podiam viciar, como a coação moral. Rainha das provas (“regina
probationum”) chamavam-lhe os velhos praxistas, e tal apanágio ainda lhe
reconhece a jurisprudência dos Tribunais, pelo que autoriza a edição de decreto
condenatório.
–– A posse irregular de arma de fogo de uso permitido tipifica a infração do art. 12,
“caput”, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento), independentemente
de perigo concreto.
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a
mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os perigos
que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que existam
controles ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das Armas de
Fogo, 1998, p. 107).

Voto nº 8035 –– apelação CRiminal Nº 451.340-3/7-00


Arts. 107, nº IV, primeira figura, 109, parág. único, 109, nº VI, 110, § 1º, do
Cód. Penal;
art. 16 da Lei nº 6.368/76;
art. 82, da Lei nº 9.099/95.

— Merece confirmada, por sua base legítima, a sentença que condena como infrator
do art. 16 da Lei de Tóxicos o indivíduo preso em flagrante, naquelas
circunstâncias que a doutrina clássica denomina “certeza visual do crime”.
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
—“Aplicam-se às penas restritivas de direito os mesmos prazos previstos para as
privativas de liberdade” (art. 109, parág. único, do Cód. Penal).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.
— Se a ação instaurada contra o réu não foi decidida pelo Juizado Especial
Criminal, mas pelo Juízo comum, por força que falecerá competência à Turma
Recursal Criminal para julgá-la em grau de apelação (art. 82, da Lei nº
9.099/95).
22

Voto nº 8036 –– MANDADO DE SEGURANÇA Nº


1.042.756-3/00
Art. 213 do Cód. Penal;
art. 197 da Lei de Execução Penal.

— À luz da melhor orientação jurisprudencial, carece o Ministério Público de


legitimidade para impetrar mandado de segurança com o intuito de alcançar efeito
suspensivo a agravo em execução, que o não tem; falece-lhe a pertinência subjetiva
“ad causam”.
— A vontade mesma da lei é a que obsta à concessão de efeito suspensivo ao agravo,
como o dispõe o art. 197 da Lei de Execução Penal. Não se presumem, na lei,
palavras inúteis, conforme retrilhado aforismo jurídico. É para supor que, nos casos
sob o regime da Lei nº 7.210/84, como nos mais, decidam os Juízes com acerto. “Os
Juízes, por definição, não podem errar” (V. César da Silveira, Dicionário de Direito
Romano, 1957, vol. II, p. 588).
—“É uníssona a jurisprudência desta Corte no que tange à ilegitimidade do
Ministério Público em impetrar mandado de segurança para conferir efeito
suspensivo a recurso que não o contém, como é o caso do agravo em execução”
(STJ; HC nº 237.975-SP; 6a.Turma; rel. Min. Paulo Medina; j. 23.9.03; DJU
13.10.03).
— Em obséquio à segurança jurídica — objetivo a que devem atender, por princípio,
todas as decisões da Justiça —, não há conceder mandado de segurança senão
em face de direito líqüido e certo, que, na expressão memorável de Hely Lopes
Meirelles, “é direito comprovado de plano” (Mandado de Segurança e Ação
Popular, 5a. ed., p. 16).

Voto nº 8037 –– HABEAS CORPUS Nº 1.053.509-3/9-00


Art. 659 do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a ação,
a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min. Vicente
Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 8038 –– HABEAS CORPUS Nº 1.050.063-3/0-00


Art. 659 do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a ação,
a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min. Vicente
Cernicchiaro; j. 18.12.96).
23

Voto nº 8040 –– HABEAS CORPUS Nº 1.049.540-3/5-00


Art. 171, “caput”, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, e 312, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, ns. LVII e LXII, da Const. Fed.

— De presente, constitui a prisão provisória exceção; a regra geral é defender-se o


réu em liberdade, em obséquio ao princípio da presunção de inocência (art. 5º, nº
LVII, da Const. Fed.). A melhor exegese do texto constitucional, entretanto, é a
que o procura conciliar com a norma do art. 310, parág. único, do Cód. Proc.
Penal. Assim, por amor da segurança da ordem jurídica e cautela dos direitos e
interesses sociais, o réu preso em flagrante só poderá defender-se em liberdade se
afiançável seu crime e ausentes os motivos que autorizam a decretação da prisão
preventiva.
–– “Não foge, nem se teme a inocência da Justiça” (Antônio Ferreira, Castro, ato IV,
cena I, v. 27).
— Proclamou Saulo Ramos (e com assaz de razão) que “o receptador é o
empresário do crime”, e o ladrão, “sua mão-de-obra barata e desqualificada”
(“apud” Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 9a. ed., p. 630).

Voto nº 8041 –– HABEAS CORPUS Nº 1.032.800-3/3-00


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
arts. 66, nº III, , alíneas b, e e f, e 197, da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em
grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo
na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo de
obter livramento condicional, pois se trata de matéria em que, por previsão de lei
(art. 66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve entender o Juízo de Direito
da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de suas atribuições e
violação de norma de organização judiciária do Estado.
— Ainda que instrumento processual de dignidade
constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
P. 2.561).
24

Voto nº 8042 –– HABEAS CORPUS Nº 1.003.676-3/9-00


Arts. 29 e 69, do Cód. Penal;
arts. 12 e 14 da Lei nº 6.368/76;
art. 10, § 2º, da Lei nº 9.437/97;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

–– Inadmissível, no âmbito do “habeas corpus”, por suas características especiais e rito


sumaríssimo, discutir a injustiça de sentença condenatória quanto à fixação do regime
prisional. Questão que implica exame aprofundado dos autos da ação penal somente
poderá ser tratada na via ordinária da apelação ou da revisão criminal.
–– A finalidade precípua do “habeas corpus” é a tutela do direito deambulatório, segundo a
lição do eminente Pedro Lessa: “É exclusiva missão do habeas corpus garantir a
liberdade individual na acepção restrita, a liberdade física, a liberdade de locomoção”
(apud M. Costa Manso, O Processo na Segunda Instância, 1923, p. 390).
––“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— Conforme a doutrina comum, o pedido de “habeas corpus” deve ser instruído com as peças
e documentos que comprovem as alegações do paciente.
— O Colendo Supremo Tribunal Federal, em copiosos arestos, tem proclamado que se não
toma conhecimento do pedido de “habeas corpus” quando não está devidamente instruído
(José Frederico Marques, Elementos de Direito Processual Penal, 1a. ed., vol. IV, p.
417).

Voto nº 8043 –– HABEAS CORPUS Nº 1.052.564-3/1-00


Art. 180, “caput”, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 313 do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII, 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no cárcere, a


verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às condições
de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade provisória (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).
–– Proclamou Saulo Ramos (e com assaz de razão) que “o receptador é o empresário do
crime” e o ladrão, “sua mão-de-obra barata e desqualificada” (“apud” Damásio E. de
Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 687).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado na
Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão preventiva,
quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal: garantia
da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei
penal, desde que comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de
sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo
rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de
Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza
que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado,
21a. ed., p. 246).
— De presente, constitui a prisão provisória exceção; a regra geral é defender-se o réu em
liberdade, em obséquio ao princípio da presunção de inocência (art. 5º, nº LVII, da Const.
Fed.). A melhor exegese do texto constitucional, entretanto, é a que o procura conciliar
com a norma do art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal. Assim, por amor da
segurança da ordem jurídica e cautela dos direitos e interesses sociais, o réu preso em
flagrante só poderá defender-se em liberdade se afiançável seu crime e ausentes os motivos
que autorizam a decretação da prisão preventiva.
25
Voto nº 8044 — apelação CRiminal Nº 397.569-3/9-00
Arts. 107, nº IV, primeira figura, 109, nº V, e 110, § 1º, do Código Penal.
art. 10, § 3º, nº IV, da Lei nº 9.437/97;
art. 12, “caput”, da Lei nº 10.826/03;
arts. 5º, caput,, 144, da Const. Fed.

— Feita em Juízo, tem a confissão do réu valor absoluto, porque estreme de eventuais
defeitos que a podiam viciar, como a coação moral. Rainha das provas (“regina
probationum”) chamavam-lhe os velhos praxistas, e tal apanágio ainda lhe
reconhece a jurisprudência dos Tribunais, pelo que autoriza a edição de decreto
condenatório.
–– A posse irregular de arma de fogo de uso permitido tipifica a infração do art. 12,
“caput”, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento), independentemente
de perigo concreto.
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a
mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os perigos
que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que existam
controles ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das Armas de
Fogo, 1998, p. 107).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).

Voto nº 8045 — RevisÃo CRIMINAL Nº 495.821-3/4-00


Art. 621 do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 16, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo a


idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A desclassificação do crime do art. 12 da Lei nº 6.368/76 para o tipo do art. 16
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência
considerável quantidade de substância entorpecente, embalada em papelotes, que a
Polícia apreendeu, pois tais circunstâncias revelam que o tóxico se destinava ao
comércio ilícito, e não ao uso próprio.
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe
dos hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime integralmente fechado, por
força do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
— Àquele que intenta revisão criminal, ação constitutiva destinada a emendar
eventual erro judiciário, toca demonstrar o desacerto da decisão, à luz das
disposições do art. 621 do Cód. Proc. Penal, sob pena de lhe ser indeferida a
pretensão.
— Contrária à evidência dos autos é só aquela decisão proferida com total repúdio dos
elementos de prova.
26

Voto nº 8046 — HABEAS CORPUS Nº 1.048.965-3/7-00


Art. 171 do Cód. Penal;
art. 594 do Cód. Proc. Penal.

–– Não se conhece de “habeas corpus” que seja simples reiteração de pedido


anterior, com os mesmos fundamentos de fato e de direito. A razão é que, satisfeita
a prestação jurisdicional, não pode o Juízo ou Tribunal reapreciar a matéria do
litígio, senão mediante recurso ordinário.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se
deve outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, 1985, vol. II, p. 588).
—“Não se conhece de habeas corpus que seja reiteração de outro, já indeferido”
(Rev. Forense, vol. 158, p. 340).

Voto nº 8047 — HABEAS CORPUS Nº 1.054.239-3/3-00


Arts. 29, 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, 648, nº I, 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 52 do STJ;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo;
apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do contraditório (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— HABEAS CORPUS – Pedido de liberdade
provisória – Roubo praticado à mão armada e mediante concurso de agentes –
Necessidade da custódia cautelar – Ordem denegada.
— É universal o repúdio ao crime de roubo, visto como denota em quem o pratica
insigne desprezo do semelhante, demais de ousadia e maldade. Aliás, liberdade
provisória e roubo são termos que se implicam: dignos dela são unicamente os
que não apresentam o execrável labéu moral da periculosidade, comum aos autores
dessa espécie de crime.
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva (cf.
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o autor
de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora na
realização de ato processual no Juízo deprecado, que tem o caráter de força maior,
motivo de suspensão do curso dos prazos (art. 898, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por
excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
27
Voto nº 8048 — apelação CRiminal Nº 438.621-3/4-00
Arts. 12 e 16 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º , § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 202 do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.

— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para defender-se de


injusta acusação. Se permaneceu calado, ainda que direito seu garantido pela
Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo de
culpa.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo a
idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A desclassificação do crime do art. 12 da Lei nº 6.368/76 para o tipo do art. 16
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência
considerável quantidade de substância entorpecente, embalada em papelotes, que a
Polícia apreendeu, pois tais circunstâncias revelam que o tóxico se destinava ao
comércio ilícito, e não ao uso próprio.
— O justificado rigor, com que a Lei nº 8.072/90 tratava os crimes denominados
hediondos, foi atenuado pela Lei nº 11.464/2007, que lhe introduziu modificação
no art. 2º , § 1º, para permitir a seus autores progressão no regime prisional após
o cumprimento, sob o regime fechado, de 2/5 da pena se primário, ou 3/5, se
reincidente.

Voto nº 8049 — HABEAS CORPUS Nº 1.040.121-3/8-00


Art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 102, nº I, alínea l, da Const. Fed.

—“O habeas corpus, ação constitucional destinada a afastar coação ou violência ao


direito de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder, não é instrumento
processual próprio para ordenar urgência em julgamento de competência de
instâncias inferiores” (HC nº 3.555; rel. Min. Vicente Leal; DJU 11.3.96, p.
6.658).
—“Não pode o tribunal, por antecipação, declarar extinta a punibilidade pela
aplicação do princípio retroativo” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado,
17a. ed., p. 363).

Voto nº 8061 — HABEAS CORPUS Nº 1.056.702-3/1-00


Arts. 157 e 288, do Cód. Penal;
arts. 312 e 659 do Cód. Proc. Penal.

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença condenatória”
(STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p. 16.585).
28
Voto nº 8062 — MANDADO DE SEGURANÇA Nº 1.053.283-
3/6-00
Art. 197 da Lei de Execução Penal.

— À luz da melhor orientação jurisprudencial, carece o Ministério Público de


legitimidade para impetrar mandado de segurança com o intuito de alcançar efeito
suspensivo a agravo em execução, que o não tem; falece-lhe a pertinência subjetiva
“ad causam”.
— A vontade mesma da lei é a que obsta à concessão de efeito suspensivo ao agravo,
como o dispõe o art. 197 da Lei de Execução Penal. Não se presumem, na lei,
palavras inúteis, conforme retrilhado aforismo jurídico. É para supor que, nos casos
sob o regime da Lei nº 7.210/84, como nos mais, decidam os Juízes com acerto. “Os
Juízes, por definição, não podem errar” (V. César da Silveira, Dicionário de Direito
Romano, 1957, vol. II, p. 588).
—“É uníssona a jurisprudência desta Corte no que tange à ilegitimidade do
Ministério Público em impetrar mandado de segurança para conferir efeito
suspensivo a recurso que não o contém, como é o caso do agravo em execução”
(STJ; HC nº 237.975-SP; 6a.Turma; rel. Min. Paulo Medina; j. 23.9.03; DJU
13.10.03).
— Em obséquio à segurança jurídica — objetivo a que devem atender, por princípio,
todas as decisões da Justiça —, não há conceder mandado de segurança senão
em face de direito líqüido e certo, que, na expressão memorável de Hely Lopes
Meirelles, “é direito comprovado de plano” (Mandado de Segurança e Ação
Popular, 5a. ed., p. 16).

Voto nº 8063 — HABEAS CORPUS Nº 1.043.789-/7-00


Arts. 50, nº II e 66, nº III, alínea b, 118, nº I, da Lei de Execução Penal.

— Ainda que instrumento processual de dignidade


constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
P. 2.561).
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alínea “b”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em
grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo
na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Consoante orientação do STF (cf. Rev. Tribs., vol. 763, p. 485), não configura
constrangimento ilegal reparável por “habeas corpus” a decisão do Juízo de
Direito da Vara das Execuções Criminais que determina a regressão cautelar e
provisória do condenado, sem sua prévia audiência, em razão de falta grave (art.
50, nº II, da Lei de Execução Penal).
— O Juiz que determina a regressão do sentenciado ao regime fechado, em caso de
falta grave, não viola a lei, antes a cumpre com pontualidade. Sua decisão, por
isso, está ao abrigo de reforma na via excepcional do “habeas corpus” (art. 118,
nº I, da Lei de Execução Penal).
29

Voto nº 8064 — HABEAS CORPUS Nº 1.042.503-3/6-00


Arts. 14, nº II, 69, 180 e 171, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, 312 e 313 do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII, 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no cárcere, a


verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
–– Proclamou Saulo Ramos (e com assaz de razão) que “o receptador é o empresário
do crime” e o ladrão, “sua mão-de-obra barata e desqualificada” (apud Damásio
E. de Jesus, Código Penal Anotado, 9a. ed., p. 630).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Ato mais relevante do ofício do Juiz, a decisão deve ser fundamentada (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.), isto é, ao proferi-la deve dar as razões de seu convencimento. Mas
fundamentação percuciente, minuciosa e castigada só a requer decisão definitiva de
mérito, não a que impõe prisão preventiva ou indefere pedido de liberdade
provisória; esta se satisfaz com a indicação da necessidade e conveniência da
decretação da custódia cautelar, que se inferem da prova da materialidade da
infração penal grave e dos indícios veementes de sua autoria.
— Conforme a doutrina comum, o pedido de “habeas corpus” deve ser instruído com as
peças e documentos que comprovem as alegações do paciente.
— O Colendo Supremo Tribunal Federal, em copiosos arestos, tem proclamado que se
não toma conhecimento do pedido de “habeas corpus” quando não está
devidamente instruído (José Frederico Marques, Elementos de Direito
Processual Penal, 1a. ed., vol. IV, p. 417).
30
Voto nº 8065 — HABEAS CORPUS Nº 1.042.571-3/5-00
Arts. 14, nº II, 69, 180 e 171, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, 312 e 313, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII, e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no cárcere, a


verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).

–– Proclamou Saulo Ramos (e com assaz de razão) que “o receptador é o empresário


do crime” e o ladrão, “sua mão-de-obra barata e desqualificada” (apud Damásio
E. de Jesus, Código Penal Anotado, 9a. ed., p. 630).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da
infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Ato mais relevante do ofício do Juiz, a decisão deve ser fundamentada (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.), isto é, ao proferi-la deve dar as razões de seu convencimento. Mas
fundamentação percuciente, minuciosa e castigada só a requer decisão definitiva de
mérito, não a que impõe prisão preventiva ou indefere pedido de liberdade
provisória; esta se satisfaz com a indicação da necessidade e conveniência da
decretação da custódia cautelar, que se inferem da prova da materialidade da
infração penal grave e dos indícios veementes de sua autoria.
— Conforme a doutrina comum, o pedido de “habeas corpus” deve ser instruído com as
peças e documentos que comprovem as alegações do paciente.
— O Colendo Supremo Tribunal Federal, em copiosos arestos, tem proclamado que se
não toma conhecimento do pedido de “habeas corpus” quando não está
devidamente instruído (José Frederico Marques, Elementos de Direito
Processual Penal, 1a. ed., vol. IV, p. 417).

Voto nº 8066 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 1.002.292-3/9-


00
Arts. 83, 83, nº V, 121, § 2º, ns. I e IV, e 214 do Cód. Penal;
art. 1º, nº II, da Lei nº 8.072/90.

— Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento condicional


direito público subjetivo do condenado, que não se lhe pode negar sem grave
injúria da Lei e da Justiça.
— Segundo o entendimento comum dos Tribunais de Justiça, também o condenado
por latrocínio, crime do número dos hediondos (art. 1º, nº II, da Lei nº 8.072/90),
tem direito ao livramento condicional, se preenchidos os requisitos do art. 83 do
Código Penal: nem ao pior facínora quis o legislador negar oportunidade de
redimir-se dos graves erros passados e praticar ações verdadeiramente dignas da
espécie humana.
— Para que o condenado por crime hediondo faça jus ao livramento condicional,
deverá atender ao requisito indeclinável do cumprimento de 2/3 da sua pena (art.
83, nº V, do Cód. Penal).
31

Voto nº 8067 — HABEAS CORPUS Nº 1.053.124-3/1-00


Arts. 12, 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a


liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário,
máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 8068 — HABEAS CORPUS Nº 1.053.526-3/7-00


Arts. 39, ns. II e V, 44, 50, nº VI, e 197, da Lei de Execução Penal.

— O art. 50, nº VI, da Lei de Execução Penal, com ser norma penal em branco, permite a
inclusão de novas modalidades infracionais, v.g., a utilização de telefone celular por
preso, no interior da cadeia. Fator e ocasião de quebra da disciplina carcerária – visto
que, ao alcance de integrantes de organizações criminosas, o telefone celular serve a
fomentar rebeliões nos presídios, com risco da segurança pública e da ordem social –,
a proibição de seu uso, estabelecida pela Resolução nº 113/2003, da Secretaria da
Administração Penitenciária, é ao mesmo tempo útil e necessária. Sua inobservância
implica, sem dúvida, falta disciplinar grave, sujeita ao rigor da lei (art. 50, nº VI, e
39, ns. II e V, da Lei de Execução Penal).
— Ainda que instrumento processual de dignidade
constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
P. 2.561).
32

Voto nº 8069 — HABEAS CORPUS Nº 1.054.412-3/3-00


Arts. 121, § 2º, ns. II e IV, e 157, § 3º, 2a. parte, do Cód. Penal;
arts. 33-36, da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, ns. XLVI e XLIII, da Const. Fed.

— O autor de homicídio qualificado (art. 121, § 2º, ns. II e IV, do Cód. Penal), crime
da classe dos hediondos, deve cumprir sua pena integralmente em regime
fechado, por força do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida" (Antão
de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).
— Cai a lanço notar que a constitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei dos Crimes
Hediondos já foi afirmada pelo Supremo Tribunal Federal. (cf. HC nº 69.657-1-
SP; j. 18.9.92).
— O condenado por latrocínio (art. 157, § 3º, 2a. parte, do Cód. Penal), crime da
classe dos hediondos, deve cumprir sua pena integralmente em regime fechado,
por força do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

Voto nº 8070 — HABEAS CORPUS Nº 1.039.092-3/1-00


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 33-36, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, ns. XLVI e XLIII, da Const. Fed.

–– Não se conhece de “habeas corpus” que seja simples reiteração de pedido


anterior, com os mesmos fundamentos de fato e de direito. A razão é que, satisfeita
a prestação jurisdicional, não pode o Juízo ou Tribunal reapreciar a matéria do
litígio, senão mediante recurso ordinário.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se
deve outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, 1985, vol. II, p. 588).
—“Não se conhece de habeas corpus que seja reiteração de outro, já indeferido”
(Rev. Forense, vol. 158, p. 340).
33
Voto nº 8071 — HABEAS CORPUS Nº 1.036.487-3/2-00
Arts. 14, nº II, e 121, § 2º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 408, § 2º, do Cód. Proc. Penal;
arts. 1º, nº I, e 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90;
Súmula nº 21, do STJ.
— O crime de tentativa de homicídio qualificado a lei considera hediondo e, pois, em
princípio, insuscetível de liberdade provisória (cf. arts. 1º, nº I, e 2º, nº II, da
Lei nº 8.072/90).
— Não tem direito de aguardar solto seu julgamento pelo Tribunal do Júri o réu que,
pronunciado como incurso nas penas do art. 121, § 2º, do Cód. Penal, não
comprovou possuir mérito pessoal que lhe justificasse a outorga do benefício (art.
408, § 2º, do Cód. Proc. Penal).
—“Pronunciado o réu, fica superada a alegação de constrangimento ilegal da prisão
por excesso de prazo na instrução” (Súmula nº 21, do STJ).
–– “Não foge, nem se teme a inocência da Justiça” (Antônio Ferreira, Castro, ato IV,
cena I, v. 27).

Voto nº 8072 — HABEAS CORPUS Nº 1.030.539-3/7-00


Arts. 157, § 2º, ns. I, II e IV, e § 3º, 2a. parte, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 499, 648, nº I, e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90.
“HABEAS CORPUS” – Instrução criminal – Demora provocada pela
necessidade de expedição de carta precatória – Alegação de
constrangimento ilegítimo – Improcedência – Ordem denegada.
— Improcede a argüição de constrangimento
ilegal por excesso de prazo na formação da culpa, se a demora foi provocada pela
necessidade de expedição de carta precatória para inquirir testemunhas, pois se
trata de razão superior, que obsta ao curso regular dos prazos processuais; donde o
haver disposto a lei que, em caso de força maior,“não correrão os prazos” (art.
798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo;
apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do contraditório (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— HABEAS CORPUS – Pedido de liberdade
provisória – Roubo praticado à mão armada e mediante concurso de agentes –
Necessidade da custódia cautelar – Ordem denegada.
— É universal o repúdio ao crime de roubo, visto como denota em quem o pratica
insigne desprezo do semelhante, demais de ousadia e maldade. Aliás, liberdade
provisória e roubo são termos que se implicam: dignos dela são unicamente os
que não apresentam o execrável labéu moral da periculosidade, comum aos autores
dessa espécie de crime.
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva (cf.
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o autor
de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.
— Inimigo potencial da ordem jurídica e da sociedade, o autor de latrocínio (ainda que
na forma tentada) não merece recobrar a liberdade primeiro que dê estritas contas à
Justiça, ao termo do devido processo legal.
— Por expressa disposição legal, não tem direito a liberdade provisória o acusado de
(homicídio qualificado), crime do número dos “hediondos” (art. 2º, nº II, da Lei
nº 8.072/90).
34
r
Voto nº 8073 — ecurso em sEntido estrito Nº 477.658-3/8-
00
Art. 121, “caput”, do Cód. Penal.

—“A culpa consciente se diferencia do dolo eventual. Neste, o agente tolera a


produção do resultado, o evento lhe é indiferente, tanto faz que ocorra ou não. Ele
assume o risco de produzi-lo. Na culpa consciente, ao contrário, o agente não
quer o resultado, não assume o risco nem ele lhe é tolerável ou indiferente. O
evento lhe é representado (previsto), mas confia em sua não-produção” (Damásio
E. de Jesus, Direito Penal, 13a. ed., vol. I, p. 259).
— No dolo eventual a doutrina imprimiu sempre esta nota conspícua: não basta a
caracterizá-lo tenha o agente assumido o risco de produzir o resultado lesivo;
necessita que nele haja consentido.
— Contra aqueles que se afanam em submeter à barra do Júri todo homicida, sempre
colherá esta advertência de José Frederico Marques: “Crimes dolosos contra a
vida não são, portanto, todos aqueles em que ocorra o evento morte. Se esta
integra a descrição típica de um crime, nem por isso se torna este um crime doloso
contra a vida. Para que assim seja qualificado, é necessária a existência do dolo
direto, em que a vontade inicial e o evento se casaram, visando ambos à vida” (A
Instituição do Júri, 1963, pp. 130-131).

Voto nº 8074 — apelação CRiminal Nº 399.150-3/1-00


Arts. 14, nº II, 107, nº IV, 109, nº VI, 110, § 1º, 171, “caput”, e 304 do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

— A confissão, os juristas sempre a reputaram a rainha das provas (“regina


probationum”); se produzida em Juízo, é absoluto seu valor, visto se presume livre
dos vícios de inteligência e vontade, e pode justificar edito condenatório.
—“Se o réu é confesso, não há perder tempo em levar adiante o exame da prova.
Parte confessa é parte condenada” (Rui, Obras Completas, vol. XXIV, t. II, p.
270).
— É réu de estelionato quem, para obter vantagem ilícita, usa documento falso. O
“falsum”, no caso, faz as vezes de delito-meio e, pelo princípio da consunção, é
absorvido pelo estelionato. É a substância da Súmula nº 17 do STJ: “Quando o
falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este
absorvido”.
—“Em qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer extinta a punibilidade, deverá
declará-lo de ofício” (art. 61 do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 8075 — HABEAS CORPUS Nº 1.034.773-3/3-00


Art. 213 do Cód. Penal;
arts. 310 e 393, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90.

—Entre os efeitos da sentença condenatória inscreve-se o de ser o réu preso ou


conservado na prisão (art. 393, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— Por expressa disposição legal, não tem direito a liberdade provisória o acusado de
estupro (arts. 213 do Cód. Penal), crime do número dos “hediondos” (art. 2º, nº
II, da Lei nº 8.072/90).
35

Voto nº 8076 — HABEAS CORPUS Nº 1.003.811-3/6-00


Arts. 41, 361, 362 e 569 do Cód. Proc. Penal;
arts. 3º, parág. único, e 40 da Lei nº 9.605/98;
arts. 129, nº I, e 225, § 3º, da Const. Fed..

— Não é inepta a denúncia que permite ao réu o exercício do direito de ampla defesa.
Eventual preterição de requisito do art. 41 do Cód. Proc. Penal pode suprir-se até à
sentença final (art. 569 do Cód. Proc. Penal).
— “Se a denúncia narra fato que permite adequação típica, ela não é, formalmente,
inepta (art. 41 do CPP)” (STJ; Jurisprudência, vol. 105, p. 303; rel. Min. Félix
Fischer).
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
— A partícula aditiva e entre as palavras penais e administrativas (art. 225, § 3º, da
Const. Fed.) dá bem a conhecer o intuito do legislador: sujeitar os autores dos
delitos definidos na Lei do Meio Ambiente (Lei nº 9.065/90) – pessoas físicas e
jurídicas – a sanções penais e administrativas.
—“(...) a denúncia poderá ser dirigida apenas contra a pessoa jurídica, caso não se
descubra a autoria ou participação das pessoas naturais, e poderá, também, ser
direcionada contra todos. (...) Agora o Ministério Público poderá imputar o crime
às pessoas naturais e à pessoa jurídica, juntos ou separadamente. A opção
dependerá do caso concreto” (Vladimir Passos de Freitas e Gilberto Passos de
Freitas, Crimes contra a Natureza, 8a. ed, p. 70).

Voto nº 8077 — MANDADO DE SEGURANÇA Nº 1.032.336-


3/5-00
Art. 7º, § 1º, ns. I e XV, da Lei nº 8.906/94;
art. 5º, nº LXIX, da Const. Fed.

— Apenas a violação de direito líqüido e certo, pedra angular do instituto, autoriza a


impetração de mandado de segurança (art. 5º, nº LXIX, da Const. Fed.).
— O direito líqüido, certo e incontestável, objeto do mandado de segurança,
conforme os anais do Pretório Excelso, “é aquele contra o qual se não podem
opor motivos ponderáveis, e sim meras e vagas alegações cuja improcedência o
magistrado pode reconhecer imediatamente sem necessidade de detido exame”
(apud, Themistocles Brandão Cavalcanti, Do Mandado de Segurança, 1957, p.
128).
— Ainda que se haja de franquear autos de processo ou inquérito policial ao
advogado, em obséquio à majestade e importância de seu claro ofício, urge
atender a que tenha interesse jurídico na questão. O argumento de que, nos termos
do art. 7º, nº XV, da Lei nº 8.906/94 (Estatuto da Advocacia), tem direito de
“vista dos processos judiciais e administrativos de qualquer natureza”, não se
recebe “sine grano salis”. É que a sobredita regra geral sofre restrição expressa em
seu art. 7º, § 1º, nº I, “in verbis”: não se aplica o disposto nos incisos XV e XVI
“aos processos sob regime de segredo de justiça”.
—“O direito do advogado a ter acesso aos autos de inquérito não é absoluto, devendo
ceder diante da necessidade do sigilo da investigação, devidamente justificada na
36
espécie (art. 7º, § 1º, 1, da Lei nº 8.906/94)” (STJ; RMS nº 15.167-PR; rel. Min.
Felix Fischer; DJU 10.3.2003).

Voto nº 8078 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 995.541-3/1-


00
Arts. 121, nº IV e 155 do Cód. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 33-36 e 112 da Lei de Execução Penal;
art. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que
assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de homicídio qualificado
(art. 121, § 2º, nº IV, do Cód. Penal), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“Não se estende aos demais crimes hediondos a admissibilidade de progressão no
regime de execução da pena aplicada ao crime de tortura” (Súmula nº 698 do
STF).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).

Voto nº 8079 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 998.660-3/6-


00
Art. 12 da Lei nº 6.368/76;
arts. 33-36, e 112 da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que
assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 8.072/90), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida" (Antão
de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).

Voto nº 8080 — apelação CRiminal Nº 790.129-3/7-00


Arts. 65, nº III, alínea d, e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 386, nº VI, do Código de Processo Penal;
art. 19 da Lei das Contravenções Penais.
— Desde que acorde com os mais elementos de prova dos autos, a confissão policial
constitui prova idônea de autoria delituosa e justifica edição de decreto
condenatório.
— A palavra da vítima passa por excelente meio de prova e autoriza decreto
condenatório, se em conformidade com os outros elementos de convicção
reunidos no processado.
—“Quando grosseiramente inverossímil, a defesa do réu é mais um indício de sua
culpabilidade” (Nélson Hungria, in Jurisprudência, vol. 13, p. 236).
—“A simples confissão da prática de um crime não atenua a pena. (...). O que
37
importa é o motivo da confissão, como, por exemplo, o arrependimento sincero,
demonstrando merecer (o acusado) pena menor, com fundamento na realidade
processual” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 245).

Voto nº 8081 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 975.654-3/0-


00
Art. 12, § 1º, nº II, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
Súmula nº 698 do STF
art. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que
assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).

Voto nº 8082 — HABEAS CORPUS Nº 981.263-3/5-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 393, nº I, e 647 do Cód. Proc. Penal.
–– Inadmissível, no âmbito do “habeas corpus”, por suas características especiais e rito
sumaríssimo, discutir a injustiça de sentença condenatória quanto à fixação do regime
prisional. Questão que implica exame aprofundado dos autos da ação penal somente
poderá ser tratada na via ordinária da apelação ou da revisão criminal.
–– A finalidade precípua do “habeas corpus” é a tutela do direito deambulatório, segundo
a lição do eminente Pedro Lessa: “É exclusiva missão do habeas corpus garantir a
liberdade individual na acepção restrita, a liberdade física, a liberdade de
locomoção” (apud M. Costa Manso, O Processo na Segunda Instância, 1923, p. 390).
––“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
–– Instituto de natureza especial e rito sumário, o “habeas corpus”, segundo o comum
sentir dos juristas, não se presta ao exame de questões de alta indagação; pelo que,
em seus raios estreitos, somente pode aferir-se a ilegalidade manifesta “ictu oculi”, ou
ao primeiro olhar, senão impende recorrer à via ordinária, na qual o fato e suas
circunstâncias sejam analisados de espaço e profundamente (art. 647 do Cód. Proc.
Penal).
–– A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva (cf. art.
310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o autor de
roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.

Voto nº 8083 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 978.663-3/3-


00
Art. 121, § 2º, ns. II, III e IV, do Cód. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que
assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de homicídio qualificado
38
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).

Voto nº 8084 — HABEAS CORPUS Nº 1.045.285-3/1-00


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

r
Voto nº 8085 — ecurso em sEntido estrito Nº 479.027-3/3-
00
Arts. 14, nº II, e 121, § 2º, nº. II, do Cód. Penal;
art. 408 do Cód. Proc. Penal.

— A argüição de nulidade por falta de apreciação de teses da Defesa não prevalece


contra a sentença cuja conclusão se mostre com elas inconciliável. É que “a
sentença precisa ser lida como discurso lógico” (STJ; REsp nº 47.474/RS; 6a.
Turma; rel. Min. Luiz Vicente Cernicchiaro; DJU 24.10.94, p. 28.790).
— A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo Júri
o acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc. Penal).
Donde veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença processual
de conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a acusação, para que
esta seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de Direito Processual Penal,
2a. ed., vol. III, p. 217; Millennium Editora).
–– As qualificadoras articuladas na denúncia apenas podem ser excluídas quando
manifesta sua inocorrência; do contrário, são os Jurados os que sobre elas se
devem pronunciar, porque matéria de sua competência.

Voto nº 8086 — HABEAS CORPUS Nº 1.054.890-3/3-00


Art. 155, § 4º, ns. III e IV, do Cód. Penal;
art. 500 do Cód. Proc. Penal.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da ausência de testemunhas, se intimadas na forma da lei, pois não está
nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força maior que
obstam à realização do ato processual.
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
39
Voto nº 8087 — HABEAS CORPUS Nº 1.050.499-3/0-00
Art. 180, “caput”, do Cód. Penal;
art. 14 da Lei nº 10.826/03
arts. 310, parág. único, 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 1º da Lei nº 2.252/54;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de
Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige
prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf.
Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no cárcere, a
verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
–– Como lhe compete presidir as audiências e prover à instrução dos processos, não será
decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem, no
entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica motivos de
força maior, a cujo número pertence a necessidade de expedição de carta
precatória para o interrogatório do réu.
–– Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento
ilegítimo por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez
que nem sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso
de força maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do Cód.
Proc. Penal).

Voto nº 8088 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 989.702-3/8-


00
Art. 157, § 3º, do Cód. Penal;
arts. 33-36, e 112 da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de latrocínio (art. 157, § 3º,
do Cód. Penal), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida" (Antão
de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).
40
Voto nº 8089 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 986.935-3/9-
00
Arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).

Voto nº 8090 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 983.992-3/6-


00
Art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 33-36, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed;
Súmula nº 698 do STF.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).

Voto nº 8091 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 993.676-3/2-


00
Art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 33-36, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).
41
42
Voto nº 8092 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 976.125-3/4-
00
Arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 33-36, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).

Voto nº 8093 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 993.492-3/2-


00
Arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 33-36, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).

Voto nº 8094 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 974.206-3/0-


00
Art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 33-36, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
43
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).

Voto nº 8095 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 997.157-3/3-


00
Art. 121, § 2º, nº II, do Código Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 33-36, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, ns. XLIII e XLVI, da Const. Fed.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de homicídio qualificado
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).

Voto nº 8112 — recurso em sEntido estrito Nº 931.688-


3/3-00
Art. 121, § 2º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
art. 408 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº XXXVIII, letra d, da Const. Fed.

–– Salvo se comprovada a existência de causa objetiva de exclusão de crime que lhe


autorize a absolvição, o acusado de homicídio doloso deve ser julgado pelo
Tribunal do Júri, seu juiz natural e competente (art. 5º, nº XXXVIII, letra d, da
Const. Fed.).
–– A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo Júri
o acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc. Penal).
Donde veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença
processual de conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a
acusação, para que esta seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de Direito
Processual Penal, 2a. ed., vol. III, p. 217; Millennium Editora).

r
Voto nº 8113 — ecurso em sEntido estrito Nº 849.392-3/0-00
Arts. 23, nº II, 121, “caput”, e 121, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 408 do Cód. Proc. Penal.

— A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo Júri


o acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc. Penal).
Donde veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença processual
de conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a acusação, para que
esta seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de Direito Processual Penal,
2a. ed., vol. III, p. 217; Millennium Editora).
— Ainda que, em tese, possa absolver o réu com fundamento na legítima defesa, ao
Juiz da pronúncia não é lícito fazê-lo senão quando comprovada a descriminante
44
legal acima de toda a dúvida razoável (art. 23, nº II, do Cód. Penal).
45

r
Voto nº 8114 — ecurso em sEntido estrito Nº 850.022-3/5-
00
Art. 121, § 2º, ns. II, III e IV, do Cód. Penal;
art. 408 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº XXXVIII, letra d, da Const. Fed.

–– Salvo se comprovada a existência de causa objetiva de exclusão de crime que lhe


autorize a absolvição, o acusado de homicídio doloso deve ser julgado pelo
Tribunal do Júri, seu juiz natural e competente (art. 5º, nº XXXVIII, letra d, da
Const. Fed.).
–– A retratação singela de confissão extrajudicial não serve para embasar decreto de
impronúncia de acusado de homicídio, se outros indícios prestigiam a imputação.
Para a pronúncia não há mister certeza de autoria, basta-lhe a alta probabilidade
(art. 408 do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 8115 — apelação CRiminal Nº 484.644-3/0-00


Arts. 14 , nº II, 107, nº IV, 109, nº VI, 110, § 1º, e 171, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de


prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.

r
Voto nº 8116 — ecurso em sEntido estrito Nº 334.746-3/6-
00
Art. 14, nº II, 73, e 121, § 2º, ns. II e IV, do Cód. Penal.

–– As qualificadoras articuladas na denúncia apenas podem ser excluídas quando


manifesta sua inocorrência; do contrário, são os Jurados os que sobre elas se
devem pronunciar, porque matéria de sua competência.
46

Voto nº 8117 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 942.778-3/0-


00
Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 6º e 112 da Lei de Execução Penal.

— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode ser
realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que
cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o Magistrado com a
prudência e o arbítrio do bom varão.
— Dois requisitos exige a lei para a progressão de regime: lapso temporal e mérito do
condenado; presentes que sejam, compete ao Juiz despachar de boa sombra a
pretensão, uma vez não pode recusar-se a praticar os atos de seu ministério.
— Não vá esquecer ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!
— O asserto de que o criminoso empedernido não conhece recuperação não é dogma
científico. Para honra da Humanidade, não são raros os casos em que, incentivados
por medidas penais salutares, condenados abjuraram a vida de crimes,
redimiram-se de suas faltas e retornaram à comunhão social, tornando-se cidadãos
prestantes.
— Opor-se à progressão de regime — direito que a lei assegura ao condenado em
condições de o merecer — fora mais do que obstar-lhe a reintegração social,
porque seria matar-lhe a esperança, que é o último remédio que deixou a natureza
a todos os males (Vieira, Sermões, 1682, t. II, p. 87).

Voto nº 8118 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 921.608-3/1-


00
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 6º e 112 da Lei de Execução Penal;
arts. 93, nº IX, da Const. Fed.

— A despeito da nova redação que a Lei nº 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de
Execução Penal, subsiste a possibilidade de realização do exame criminológico,
“quando o entender indispensável o juiz da execução para a decisão sobre
progressão de regime” (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59).
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões do
convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode ser
realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que
cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o Magistrado com a
prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
47
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.

Voto nº 8119 — apelação CRiminal Nº 484.364-3/2-00


Arts. 44 e 171, § 2º, nº II, do Cód. Penal.

–– Legítima e justa é a condenação de quem, mediante fraude, dispõe de coisa alheia como
própria, por violar expressamente a lei (art. 171, § 2º, nº II, do Cód. Penal).

Voto nº 8120 — apelação CRiminal Nº 484.343-3/7-00


Art. 171 do Cód. Penal;
arts. 107, nº IV, 109, nº V, e 110, § 1º, do Cód. Proc. Penal.

–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de


prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.

Voto nº 8121 — apelação CRiminal Nº 484.667-3/5-00


Art. 107, nº IV, 109, nº V, e 110, § 1º, e 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal.

–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de


prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.

Voto nº 8122 — apelação CRiminal Nº 484.401-3/2-00


Art. 107, nº IV, 109, nº V, e 110, § 1º, e 171, “caput”, do Cód. Penal.

–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de


prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.

Voto nº 8123 — apelação CRiminal Nº 484.476-3/3-00


Art. 107, nº IV, 109, nº V, e 110, § 1º, e 171, “caput”, do Cód. Penal.

–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de


prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.
48
Voto nº 8124 — apelação CRiminal Nº 484.683-3/8-00
Art. 107, nº IV, 109, nº V, 110, § 1º, e 115, e 155, § 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal.

–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de


prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.

Voto nº 8125 — apelação CRiminal Nº 421.838-3/5-00


Arts. 16, e 19, parág. único, da Lei nº 6.368/76.
arts. 107, nº IV, 109, nº VI, e 110, § 1º, do Cód. Penal.

–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de


prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.

r
Voto nº 8126 — ecurso em sEntido estrito Nº 858.067-3/8-
00
Art. 163, parág. único, nº III, do Cód. Penal;
art. 43, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil.

— Não decai a Justiça de sua grandeza e confiança, antes se recomenda ao louvor dos
espíritos retos, se, aferindo lesão patrimonial por craveira benigna, rejeita
denúncia por delito de dano (art. 163, parág. único, nº III, do Cód. Penal). Ao
Juiz não esqueçam jamais aquelas severas palavras de Rui: “Não estejais com os
que agravam o rigor das leis, para se acreditar com o nome de austeros e ilibados.
Porque não há nada menos nobre e aplausível que agenciar uma reputação
malignamente obtida em prejuízo da verdadeira inteligência dos textos legais”
(Oração aos Moços, 1a. ed., p. 43).
— Nos casos de insignificante lesão ao bem jurídico protegido e mínimo grau de
censurabilidade da conduta do agente, pode o Magistrado, com prudente arbítrio,
deixar de aplicar-lhe pena (e ainda pôr termo à “persecutio criminis”). É que, nas
ações humanas, o Direito Penal somente deve intervir como providência “ultima
ratio”.
—“O Direito Penal não deve intervir quando a lesão jurídica é mínima, reservando-
se para as ofensas mais graves” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado,
17a. ed., p. 103).
49
r
Voto nº 8128 — ecurso em sEntido estrito Nº 830.738-3/6-00
Arts. 395 e 499 do Cód. Proc. Penal.

— Diretor do processo, toca ao Juiz aferir, com prudente arbítrio, da conveniência de


atender ou não a requerimento das partes. É que o princípio do livre
convencimento, que informa suas decisões, faculta-lhe dar de mão,
aprioristicamente, àquelas provas que saiba nada importarão ao desate do litígio,
sendo pois de nenhuma ou somenos valia (art. 499 do Cód. Proc. Penal)
— A liberdade que têm as partes de requerer na fase do art. 499 do Cód. Proc. Penal
“não deve degenerar em abuso por forma a paralisar a marcha do processo, com
o propósito de retardar a administração da justiça ou de tumultuar a ordem
processual” (Bento de Faria, Código de Processo Penal, 1960, vol. II, p. 210).

Voto nº 8129 — apelação CRiminal Nº 444.385-3/5-00


Art. 16 da Lei nº 6.368/76;
arts. 107, nº IV, 109, nº VI, 110, § 1º, e 115, do Cód. Penal.

–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de


prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.

Voto nº 8130 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 981.182-3/5-


00
Art. 127 da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.

— Justiça excessiva não é senão injustiça, proclamou com assaz de razão o eloqüente
Cícero: “Summum jus, summa injuria” (De Officiis, I, 10).
— A decisão que concede remição de penas é imutável após seu trânsito em julgado.
Portanto, desconstituí-la, salvo mediante revisão criminal, fora violar a autoridade
da “res judicata”, um dos principais dogmas em que assenta a ordem jurídica (art.
5º, nº XXXVI, da Const. Fed.).
— Frutos de seu trabalho e, pois, estipêndio do suor, os dias remidos do preso têm
alguma coisa de sagrado que os guarda do rigor do Juízo da execução penal.
—“É inadmissível a perda dos dias remidos por decisão judicial, em virtude de falta
grave cometida pelo sentenciado” (RJTACrimSP, vol. 39, p. 416).
50
Voto nº 8131 — RevisÃo CRIMINAL Nº 377.009-3/8-00
Arts. 213, 225, § 1º, inc. I, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621 do Código de Processo Penal;
art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal;
arts. 1º, nº V, e 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

— Os homens de circunspecção, persuadidos de não possuir o dom da inerrância,


desconfiam sempre do valor absoluto das decisões; não lhes faz abalo no espírito
reexaminar questão já sob o selo da coisa julgada, antes o reputam corolário do
sistema jurídico-filosófico da pesquisa da verdade real, adotado entre nós para o
processo.
— Nos casos de estupro, a palavra da vítima, como de quem teve papel precípuo no
evento delituoso, é de especial relevância para a identificação de seu autor;
destarte, exceto lhe prove alguém tenha obrado com erro ou malícia ao indicar o
culpado, já a vítima lhe está antecipando juízo de condenação, pois nela se
presume o interesse de não querer incriminar outrem que seu malfeitor (art. 213 do
Cód. Penal).
— Contrária à evidência dos autos é só aquela decisão proferida com total repúdio dos
elementos de prova.
— Na revisão criminal, é do peticionário o ônus da prova da erronia ou injustiça da
sentença condenatória, como o impõe a exegese do art. 156 do Código de
Processo Penal.

Voto nº 8132 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 972.006-3/2-


00
Art. 50, nº II, da Lei de Execução Penal;
arts. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.

— Justiça excessiva não é senão injustiça, proclamou com assaz de razão o eloqüente
Cícero: “Summum jus, summa injuria” (De Officiis, I, 10).
— A decisão que concede remição de penas é imutável após seu trânsito em julgado.
Portanto, desconstituí-la, salvo mediante revisão criminal, fora violar a autoridade da
“res judicata”, um dos principais dogmas em que assenta a ordem jurídica (art. 5º, nº
XXXVI, da Const. Fed.).
— Frutos de seu trabalho e, pois, estipêndio do suor, os dias remidos do preso têm
alguma coisa de sagrado que os guarda do rigor do Juízo da execução penal.
—“É inadmissível a perda dos dias remidos por decisão judicial, em virtude de falta
grave cometida pelo sentenciado” (RJTACrimSP, vol. 39, p. 416).
51
Voto nº 8133 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 998.128-3/9-
00
Arts. 33-36, e 121, § 2º, ns. II e IV, do Cód. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, ns XLIII e LXVI, da Const. Fed.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de homicídio qualificado
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).

Voto nº 8134 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 981.421-3/7-


00
Arts. 33-36, do Cód. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, ns XLIII e LXVI, da Const. Fed.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).

Voto nº 8135 — RevisÃo CRIMINAL Nº 372.966-3/8-00


Arts. 157, § 2º, nº I, 148, 213 e 214 do Cód. Penal;
art. 156 do Cód. Proc. Penal;
arts. 1º, nº IV, e 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

— Comete crime de roubo em concurso material com seqüestro o agente que, após
subtrair mediante grave ameaça pertences da vítima, priva-a da liberdade por
considerável espaço de tempo, com fins libidinosos (art. 157, § 2º, nº I, e 148 do Cód.
Penal).
—“A palavra da vítima é a viga mestra da estrutura probatória, e a sua acusação, firme e
segura, em consonância com as demais provas, autoriza a condenação” (Rev. Tribs.,
vol. 750, p. 682).
— É questão vencida que, em sede de revisão criminal, toca ao peticionário provar, com
firmeza, que a sentença condenatória contraveio à realidade dos autos. Na forma do
art. 156 do Cód. Proc. Penal, pertence-lhe o ônus da prova.
52

Voto nº 8137 — apelação CRiminal Nº 440.416-3/9-00


Arts. 2º, parág. único, 44 do Cód. Penal;
art. 89 da Lei nº 9.099/95;
art. 10, § 3º, nº IV, da Lei nº 9.437/97;
art. 12, “caput”, da Lei nº 10.826/03;
arts. 5º, caput, e 144 da Const. Fed.

— Feita em Juízo, tem a confissão do réu valor absoluto, porque estreme de eventuais
defeitos que a podiam viciar, como a coação moral. Rainha das provas (“regina
probationum”) chamavam-lhe os velhos praxistas, e tal apanágio ainda lhe
reconhece a jurisprudência dos Tribunais, pelo que autoriza a edição de decreto
condenatório.
–– A posse irregular de arma de fogo de uso permitido tipifica a infração do art. 12,
“caput”, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento), independentemente de
perigo concreto.
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a
mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os perigos
que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que existam
controles ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das Armas de
Fogo, 1998, p. 107).
— Tem lá seu valor a confissão do réu na Polícia, máxime se feita em presença de
curador e ajustada aos mais elementos de prova dos autos.
—“A confissão do delito vale não pelo lugar em que é prestada, mas pela força de
convencimento que nela se contém” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 95, p. 564; rel.
Min. Cordeiro Guerra).

Voto nº 8150 — HABEAS CORPUS Nº 1.046.070-3/8-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 5º, nº LXVIII, e 105, nº I, alíneas a e c da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a


liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
53

Voto nº 8151 — MANDADO DE SEGURANÇA Nº 1.044.563-


3/3-00
Art. 288 do Cód. Penal;
art. 118 e segs. do Cód. Proc. Penal;
art. 1º, nº I, da Lei nº 8.176/91;
art. 7º, nº III, e 12, nº I, da Lei nº 8.137/90;
arts. 56 e 60, da Lei nº 9.605/90;
arts. 5º, nº LXIX, da Const. Fed.

— À luz do art. 118 e segs. do Cód. Proc. Penal, os bens apreendidos somente
podem ser restituídos, se já não interessarem ao processo nem houver dúvida
quanto ao direito do reclamante.
— Apenas a violação de direito líqüido e certo, pedra angular do instituto, autoriza a
impetração de mandado de segurança (art. 5º, nº LXIX, da Const. Fed.).
— O direito líqüido, certo e incontestável, objeto do mandado de segurança,
conforme os anais do Pretório Excelso, “é aquele contra o qual se não podem
opor motivos ponderáveis, e sim meras e vagas alegações cuja improcedência o
magistrado pode reconhecer imediatamente sem necessidade de detido exame”
(apud, Themistocles Brandão Cavalcanti, Do Mandado de Segurança, 1957, p.
128).

Voto nº 8152 — HABEAS CORPUS Nº 1.053.568-3/7-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo;
apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do contraditório (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— HABEAS CORPUS – Pedido de liberdade
provisória – Roubo praticado à mão armada e mediante concurso de agentes –
Necessidade da custódia cautelar – Ordem denegada.
— É universal o repúdio ao crime de roubo, visto como denota em quem o pratica
insigne desprezo do semelhante, demais de ousadia e maldade. Aliás, liberdade
provisória e roubo são termos que se implicam: dignos dela são unicamente os
que não apresentam o execrável labéu moral da periculosidade, comum aos autores
dessa espécie de crime.
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva (cf.
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o autor
de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.
––“A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente os desiguais,
na medida em que se desigualam” (Rui, Oração aos Moços, 1a. ed., p. 25).
54
Voto nº 8153 — HABEAS CORPUS Nº 1.046.801-3/5-00
Art 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal;
arts. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em
grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na
via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não é o “habeas corpus” via legal idônea para apressar decisões nem apreciar
pedido de progressão de regime prisional, por implicar análise detida de requisitos
objetivos e subjetivos, reservada à competência do Juízo da execução (art. 66, nº
III, alínea b, da Lei de Execução Penal).

Voto nº 8154 — apelação CRiminal Nº 484.363-3/8-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal;
art. 36 do Código Criminal do Império.

— Na condição de seu protagonista, é a vítima a pessoa mais autorizada a narrar as


circunstâncias do fato delituoso; mas, para que sua palavra legitime decreto
condenatório, há mister receba apoio, ainda que mínimo, de outros elementos do
processo, v.g.: confissão do réu, apreensão da “res furtiva” em seu poder,
depoimento de testemunha etc.; se não, é força pronunciar o “non liquet” e mandar
o réu em paz, por insuficiência de prova da acusação (art. 386, nº VI, do Cód.
Proc. Penal).
— O reconhecimento do réu pela vítima de roubo é elemento precioso de indicação
da autoria, mas deve aferir-se à luz do conjunto probatório, pois facilmente se
engana o homem com as falsas aparências de verdade: “decipimur specie recti”
(cf. Horácio, Arte Poética, v. 25).
— O farol que deve orientar o Juiz na decisão da causa são as provas dos autos. Se
elas não indicam com segurança a culpa do réu, será força pronunciar o “non
liquet” e absolvê-lo.
—“Nenhuma presunção, por mais veemente que seja, dará motivo para imposição de
pena” (art. 36 do Código Criminal do Império).
— Mais que meras conjecturas acerca da culpabilidade do acusado, são necessárias,
para sua condenação, provas tão claras como a luz meridiana: “probationes luce
meridiana clariores” (cf. Giovanni Brichetti, L’Evidenza nel Diritto Processuale
Penale, 1950, p. 111).
— Muita cautela devem ter os órgãos do Poder Judiciário ao reexaminar processo em
que, na Primeira Instância, foi o réu absolvido. É que, mais próximo da causa e
em contacto direto com o réu e testemunhas, como que inspiram o Juiz notáveis e
puros influxos da Verdade. Donde a geral concepção de que, a assinatura do Juiz
em sentença absolutória deve interpretar-se por um novo e venerável testemunho
a favor da inocência do réu.
55

Voto nº 8155 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 943.940-3/7-


00
Art. 127 da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.

— Justiça excessiva não é senão injustiça, proclamou com assaz de razão o eloqüente
Cícero: “Summum jus, summa injuria” (De Officiis, I, 10).
— A decisão que concede remição de penas é imutável após seu trânsito em julgado.
Portanto, desconstituí-la, salvo mediante revisão criminal, fora violar a autoridade
da “res judicata”, um dos principais dogmas em que assenta a ordem jurídica (art.
5º, nº XXXVI, da Const. Fed.).
— Frutos de seu trabalho e, pois, estipêndio do suor, os dias remidos do preso têm
alguma coisa de sagrado que os guarda do rigor do Juízo da execução penal.
—“É inadmissível a perda dos dias remidos por decisão judicial, em virtude de falta
grave cometida pelo sentenciado” (RJTACrimSP, vol. 39, p. 416).

Voto nº 8156 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 984.387-3/2-


00
Art. 127 da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.

— Justiça excessiva não é senão injustiça, proclamou com assaz de razão o eloqüente
Cícero: “Summum jus, summa injuria” (De Officiis, I, 10).
— A decisão que concede remição de penas é imutável após seu trânsito em julgado.
Portanto, desconstituí-la, salvo mediante revisão criminal, fora violar a autoridade
da “res judicata”, um dos principais dogmas em que assenta a ordem jurídica (art.
5º, nº XXXVI, da Const. Fed.).
— Frutos de seu trabalho e, pois, estipêndio do suor, os dias remidos do preso têm
alguma coisa de sagrado que os guarda do rigor do Juízo da execução penal.
—“É inadmissível a perda dos dias remidos por decisão judicial, em virtude de falta
grave cometida pelo sentenciado” (RJTACrimSP, vol. 39, p. 416).
56
Voto nº 8157 — HABEAS CORPUS Nº 1 .043.460-3/6-00
Art. 121, § 2º, ns. I e IV, 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, 648, nº I, 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
arts. 14 e 16 da Lei nº 10.826/03;
arts. 5º, nº LVII, 93, nº IX, da Const. Fed.

— Como lhe compete presidir as audiências e prover à instrução dos processos, não será
decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem, no
entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica motivos de
força maior, a cujo número pertence a necessidade de expedição de carta precatória
para o interrogatório do réu, termo essencial do processo e franca oportunidade de
obtenção de prova, imprescindível à busca da verdade real.
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento ilegítimo
por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez que nem
sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso de força
maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do Cód. Proc.
Penal).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do crime, é insuscetível
de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas cabe na
instância ordinária, com observância da regra do contraditório (art. 648, nº I, do Cód.
Proc. Penal).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de
Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige
prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf.
Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas
decisões, ninguém ainda ousou contestar a verdade destas palavras do conspícuo
Ministro Mário Guimarães, do Supremo Tribunal Federal, grande sabedor da
matéria: “Certas decisões, também, se fundamentam por si mesmas. Insistir em
justificá-las, seria ocioso” (O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p. 347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz),
primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro
da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310,
parág. único, do Cód. Penal) àquele que, acusado de crime grave — como é o
roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 8158 — apelação CRiminal Nº 308.605-3/8-00


Arts. 107, nº IV, 109, nº V, 110, § 1º, e 180, “caput”, do Código Penal;
art. 10 da Lei nº 9.437/97.

–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de


prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.
57

Voto nº 8159 — apelação CRiminal Nº 438.862-3/3-00


Arts. 107, nº IV, 109, nº VI, 110, § 1º, e 115, do Cód. Penal;
art. 16 da Lei nº 6.368/76.

–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de


prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.

Voto nº 8160 — apelação CRiminal Nº 484.477-3/8-00


Arts. 44, § 2º, 171, “caput”, e 171, § 2º, nº VI, do Cód. Penal.

— Salvo prova em contrário, a cargo de quem o alegar, entende-se emitido como


ordem de pagamento o cheque, não garantia de dívida, pois aquela é sua
característica específica. Ele não garante, solve o débito. “É um quase-dinheiro,
que traduz uma ordem de pagamento que se exaure com o recebimento do seu
valor” (Paulo Restiffe Neto, Lei do Cheque, 1973, p. 39).
— Tratando-se de cheque sem fundos (art. 171, § 2º, nº VI, do Cód. Penal), somente
não haverá crime se provar o emitente que o recebedor sabia da inexistência de
fundos em poder do sacado.

Voto nº 8161 — apelação CRiminal Nº 484.548-3/2-00


Arts. 171, “caput”, e 386, nº VI, do Cód. Penal.

— Absolve-se o réu da imputação de estelionato (art. 171 do Cód. Penal), se a prova


não evidenciou ter procedido com dolo, isto é, com a vontade livre e consciente de
auferir vantagem ilícita mediante fraude.
— Sem prova plena e incontroversa de sua culpabilidade, não há decretar a
condenação do réu, ainda que de sombria nomeada nas expansões da
delinqüência.

Voto nº 8162 — HABEAS CORPUS Nº 1.050.580-3/0-00


Art. 312 do Cód. Proc. Penal;
art. 33 da Lei nº 11.343/06;
art. 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Não se conhece de “habeas corpus” que seja simples reiteração de pedido


anterior, com os mesmos fundamentos de fato e de direito. A razão é que, satisfeita
a prestação jurisdicional, não pode o Juízo ou Tribunal reapreciar a matéria do
litígio, senão mediante recurso ordinário.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se
deve outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, 1985, vol. II, p. 588).
58
—“Não se conhece de habeas corpus que seja reiteração de outro, já indeferido”
(Rev. Forense, vol. 158, p. 340).

Voto nº 8163 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 875.548-3/8-


00
Arts. 12 e 14 da Lei nº 6.368/76;
arts. 86 e 197 da Lei de Execução Penal.

–– Não se conhece de recurso, cujo objeto tenha sido já apreciado e decidido em ação de
“habeas corpus”. A razão é que, uma vez satisfeita sua pretensão, carece o réu de
legítimo interesse para recorrer.
–– Em conseqüência, agravo em execução interposto com essa finalidade está
prejudicado, visto perdeu o objeto (art. 197 da Lei de Execução Penal).
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se deve
outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar Jurídico,
1985, vol. II, p. 588).

Voto nº 8164 — apelação CRiminal Nº 429.466-3/5-00


Arts. 107, nº IV, 109, nº V, e 110, § 1º, do Cód. Penal;
arts. 12, 13, 14 e 16 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

— Tem lá seu valor a confissão do réu na Polícia, máxime se feita em presença de


curador e ajustada aos mais elementos de prova dos autos.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo a
idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A desclassificação do crime do art. 12 da Lei nº 6.368/76 para o tipo do art. 16
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência
considerável quantidade de substância entorpecente acondicionada em pacotes,
apreendidos pela Polícia juntamente com papel-alumínio, pois tais circunstâncias
revelam que o tóxico se destinava ao comércio ilícito, e não ao uso próprio.
— Não é o simples concurso de duas ou mais pessoas, no tráfico de entorpecentes, o
que caracteriza o crime do art. 14 da Lei nº 6.368/76, senão a associação com o
intuito de praticar os crimes definidos e punidos em seus arts. 12 e 13.
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe
dos hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime integralmente fechado, por
força do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).
— Cai a lanço notar que a constitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei dos Crimes
Hediondos já foi afirmada pelo Supremo Tribunal Federal. (cf. HC nº 69.657-1-
SP; j. 18.9.92).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
59

Voto nº 8165 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 974.412-3/0-


00
Arts. 6º e 112 da Lei de Execução Penal;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

— A despeito da nova redação que a Lei nº 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de
Execução Penal, subsiste a possibilidade de realização do exame criminológico,
“quando o entender indispensável o juiz da execução para a decisão sobre
progressão de regime” (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59).
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões do
convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode ser
realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que
cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o Magistrado com a
prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.

Voto nº 8166 — RevisÃo CRIMINAL Nº 373.055-3/8-00


Art. 329, “caput”, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

— Embora não deva ter a natureza de segunda apelação, é a revisão criminal


benefício instituído em prol do condenado, com o escopo de obviar erros em que
geralmente caem os Juízes, suposta a imperfeição do espírito humano. Ao demais,
última oportunidade que a Lei dá ao réu para provar sua inocência, não é bem
mandá-lo mal despachado sem primeiro ouvi-lo de sua justiça.
— Na revisão criminal inverte-se o ônus da prova, de tal arte que ao condenado, na
conta de autor, incumbe demonstrar que a sentença caiu em erro ou praticou
injustiça (art. 156 do Cód. Proc. Penal).
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).
60

Voto nº 8167 — HABEAS CORPUS Nº 1.050.882-3/8-00


Arts. 42, primeira parte, e 83, do Cód. Penal;
arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas
em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso
deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter livramento condicional, pois se trata de matéria em que, por
previsão de lei (art. 66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve entender
o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de
suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do Estado.

Voto nº 8168 — HABEAS CORPUS Nº 1.057.807-3/8-00


Art. 16, nº IV, da Lei nº 10.826/03;
arts. 310, parág. único, 312 e 313 do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII, e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de
Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige
prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf.
Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no cárcere, a
verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
61
Voto nº 8173 — HABEAS CORPUS Nº 1.057.176-3/7-00
Art. 158 do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII, e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de
Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige
prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf.
Código de Processo Penal Anotado, 21a. ed., p. 246).
-– Não tem jus à liberdade provisória o autor de extorsão, pela falta de requisito
intrínseco: inocorrência de hipótese que autorize a prisão preventiva (art. 310, parág.
único, do Cód. Proc. Penal).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas
corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária, com
observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por falta de justa
causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro súbito de vista, a
atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art. 648, nº I, do Cód. Proc.
Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não contraditória e
que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis
Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).

Voto nº 8174 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 912.208-3/5-


00
Arts. 121, § 2º, nº IV, 157, § 2º, ns. I, II e IV e 159, “caput”, do Cód. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 33-36, e 112 da Lei de Execução Penal;
arts. 5º, ns. XLVI e XLIII, da Const. Fed.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de extorsão mediante
seqüestro (art. 121, § 2º, nº IV, do Cód. Penal), crime da classe dos hediondos.
—“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida em regime
integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José Arnaldo; in Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 105, p. 403).
—“Não se estende aos demais crimes hediondos a admissibilidade de progressão no
regime de execução da pena aplicada ao crime de tortura” (Súmula nº 698 do
STF).
—“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que ser cumprida"
(Antão de Moraes, Problemas e Negócios Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).
62

Voto nº 8175 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 915.985-3/1-00


Art. 126 da Lei de Execução Penal.

— Não se conhece de agravo em execução, cujo objeto já tenha sido apreciado e


decidido pelo Tribunal.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se
deve outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, 1985, vol. II, p. 588).

Voto nº 8176 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 980.802-3/9-


00
Arts. 6º e 112 da Lei de Execução Penal;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

— A despeito da nova redação que a Lei nº 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de
Execução Penal, subsiste a possibilidade de realização do exame criminológico,
“quando o entender indispensável o juiz da execução para a decisão sobre
progressão de regime” (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59).
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões do
convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode ser
realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que
cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o Magistrado com a
prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
63
Voto nº 8177 — RevisÃo CRIMINAL Nº 376.733-3/4-00
Art. 121, § 2º, ns. I e IV do Cód. Penal;
arts. 156, 366 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal.

— No julgamento da revisão criminal, é dever do Juiz reexaminar a prova dos autos,


em ordem a prevenir os efeitos de decisão eventualmente proferida contra a lei e o
Direito.
— Não tem aplicação o art. 366 do Cód. Proc. Penal às infrações cometidas antes da
vigência da Lei no 9.271/96, em vigor a partir de 17.6.96, conforme a comum
opinião de abalizados processualistas, v.g.: Damásio E. de Jesus, Julio Fabbrini
Mirabete, etc.
–– Sem fazer tábua rasa do instituto da coisa julgada, deve o Juiz entrar no
conhecimento de causa que lhe é submetida, por prevenir (ou conjurar) possível
erro judiciário, o péssimo dos vícios de julgamento.
––“Errar é humano, e seria crueldade exigir do juiz que acertasse sempre. O erro é
um pressuposto da organização judiciária que, por isso mesmo, instituiu sobre a
instância do julgamento a instância da revisão” (Milton Campos; apud João
Martins de Oliveira, Revisão Criminal, 1a. ed., p. 63).
–– Não é contrária à evidência dos autos decisão condenatória apoiada em laudo
pericial e nas palavras de testemunhas presenciais idôneas, antes se reputa bem
fundamentada, pois tem por si prova excelente (art. 621, nº I, do Cód. Proc.
Penal).
—“Evidência é o brilho da verdade que arrebata a adesão do espírito, logo à
primeira vista” (Hélio Tornaghi, Curso de Processo Penal, 1980, vol. II, p. 360).
–– Na revisão criminal, é do peticionário o ônus da prova da erronia ou injustiça da
sentença condenatória, como impõe a exegese do art. 156 do Cód. Proc. Penal.

Voto nº 8178 — AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 994.310-3/0-


00
Arts. 2º, 4º, 8º do Dec. Pres. nº 5.295/04;
art. 50 da Lei de Execução Penal

–– Uma vez conspirem todos os requisitos legais para sua concessão, denegar ao
sentenciado o benefício da comutação de penas fora o mesmo que frustrar, em seu
espírito e forma, o Decreto do Presidente da República e, sobre isso, mentir ao
ideal de justiça.
— Ao condenado que satisfaz o requisito objetivo (lapso temporal) é bem se conceda
comutação de pena. Pequenas deficiências de cunho íntimo ou subjetivo, que
acaso apresente, deve supri-las o Juiz com o espírito mesmo que preside à outorga
do benefício do indulto: o nobre e generoso sentimento de compreensão humana,
com que, pelo Natal, o chefe de Estado sói amercear-se de todo o encarcerado, “o
mais pobre de todos os pobres”, na pungente expressão de Carnelutti (As
Misérias do Processo Penal, 1995, p. 21; trad. José Antonio Cardinalli).
— Quando claro, o texto legal escusa interpretação e, sobretudo, desautoriza a que
prejudicar o condenado: “In dubio pro libertate. Libertas omnibus rebus
favorabilior est. Na dúvida, pela liberdade! Em todos os assuntos e
circunstâncias, é a liberdade que merece maior favor” (apud Carlos
Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p. 261).
64

Voto nº 8179 — apelação CRiminal Nº 399.590-3/9-00


Arts. 107, nº IV, primeira figura, 109, nº V, e 115 do Código Penal;
art. 16 da Lei nº 6.368/76;
art. 579 do Cód. Proc. Penal;
arts. 61, 76, 82 e 89 da Lei nº 9.099/95;
art. 2º, parág. único, da Lei nº 10.259/01;
art. 129, nº I, da Const. Fed.

— Suposto seja a apelação o recurso próprio a impugnar decisão proferida em


processo instaurado sob o regime da Lei nº 9.099/95, por aplicação extensiva do
que preceitua seu art. 82 (cf. Caetano Lagrasta Neto et alii, A Lei dos Juizados
Especiais Criminais na Jurisprudência, 1999, p. 270), nada obsta se conheça de
espécie recursal outra, em obséquio ao princípio da fungibilidade consagrado pelo
art. 579 do Cód. Proc. Penal).
— Se conspiram todos os requisitos legais da transação penal ou da suspensão
condicional do processo, deve o Ministério Público formular a proposta,
conforme os arts. 76 e 89 da Lei nº 9.099/ 95. Em caso de recusa, ao Juiz tocará
fazê-lo de ofício.
— É questão superior a toda a dúvida que o Magistrado, com a prudência do bom
varão, pode temperar com a eqüidade o rigor da lei.
— A lei, na pontual expressão de uma das maiores glórias das letras jurídicas do País,
há de interpretar-se com a lógica do jurista, que é a lógica do razoável (Goffredo
Telles Jr., A Folha Dobrada, 1999, p. 161).
— À luz da jurisprudência do STF e do STJ, a Lei nº 10.259/01 — que instituiu os
Juizados Especiais Criminais no âmbito da Justiça Federal — tem aplicação aos
ilícitos penais de menor potencial ofensivo da competência da Justiça Criminal do
Estado. Pelo que, na esfera estadual, faz jus à transação penal o autor de infração a
que é cominada pena detentiva não superior a dois anos, pois o art. 2º, parág.
único, da Lei nº 10.259/01 revogou o art. 61 da Lei nº 9.099/ 95, ao modificar o
conceito de infração penal de pequeno potencial ofensivo (art. 61 da Lei nº
9.099/95; art. 2º, parág. único, da Lei nº 10.259/01).
—“Em função do Princípio Constitucional da Isonomia, com a Lei nº 10.259/01 —
que instituiu os Juizados Especiais Cíveis e Criminais no âmbito da Justiça
Federal — o limite de pena máxima, previsto para a incidência do instituto da
transação penal, foi alterado para 2 anos” (STJ; Conflito de Competência nº
36.545-RS; 3a. Seção; rel. Min. Gilson Dipp; DJU 2.6.2003).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.
65
Voto nº 8180 — MANDADO DE SEGURANÇA Nº 1.054.938-
3/3-00
Art. 1º, nº III, da Const. Fed.

— Mandado de segurança é “remédio judicial restrito à proteção daqueles direitos


cuja certeza e liqüidez sejam manifestos e que resistam a uma contestação
razoável” (Themistocles Brandão Cavalcanti, Do Mandado de Segurança, 1957,
p. 123).
–– Indiciado, em bom direito, é só aquele a quem se imputa, no inquérito policial, a
prática de ilícito penal (cf. Julio Fabbrini Mirabete, Processo Penal, 2a. ed., p.
88).
— Dar indiciado ao mero suspeito da prática de delito, sobre ser atecnia jurídica e
impropriedade vocabular, constitui violação grave do princípio da dignidade da
pessoa humana, que a Constituição Federal consagrou em seu art. 1º, nº III, pois
que ao referido termo é inerente a idéia aviltante de infrator. Apelidar alguém de
indiciado, portanto, será o mesmo que lhe dilacerar a reputação e detrair a honra,
da qual o portentoso Antônio Vieira afirmou que era “mais preciosa e mais
amável que a mesma vida” (Sermões, 1710, t. XIV, p. 121).
66

EMENTÁRIO
COM
INDICAÇÃO
DOS
ARTIGOS
DO
VOTO