Você está na página 1de 24

Y-ATA-OBÁ: Como nasce um documentário

O Processo

As coisas quase nunca acontecem como a gente determina ou na ordem em que


esperamos. Por isso, a divisão dos tópicos a seguir foi feita arbitrariamente, apenas para
facilitar a percepção do desenvolvimento do processo de realização de um vídeo-
documentário. Boa parte das atividades foram exercidas simultaneamente e discutidas
prolongadamente pela equipe. Sim, pois ninguém pode fazer ou aprender tudo sozinho. A
troca de experiências durante um trabalho em grupo é uma importante etapa do processo
cognitivo.
• Escolhendo do suporte:
Curiosamente, a primeira coisa a ser determinada neste projeto foi o suporte. Desde o 4º
período eu já havia resolvido que queria fazer um vídeo. Os motivos foram vários: a
linguagem, a técnica de execução e as possibilidades estéticas de um documentário sempre
foram de meu interesse. Paralelamente, era um tipo de exercício que tive poucas
oportunidades de desenvolver, pois a ênfase no curso de jornalismo é a mídia impressa e os
recursos do departamento são poucos para serem divididos entre as quatro habilitações. Além
disso, quis aproveitar esta oportunidade para experimentar, desenvolver um trabalho mais
autoral, sem que fosse necessário me cercear devido aos moldes deste ou daquele veículo de
comunicação.
Levando em consideração tudo isso, e o fato de estar me graduando em jornalismo,
resolvi fazer um documentário.
A utilização de equipamentos no formato digital não foi exatamente um escolha, foi quase
uma coincidência. Eu já havia escolhido em que sistemas não fazer o vídeo: VHS e S-VHS,
por causa da pouca qualidade da imagem produzida. Restaram 3 opções: high-8, betacam e
digital. Saí, então, literalmente em busca de equipamento.
O Betacam já era o sistema menos provável, por se tratar de equipamento profissional e
disponível em poucos lugares; além de apresentar outros problemas, o tamanho e peso. É o
sistema mais usada nas emissoras de televisão na atualidade, tendo excelente desempenho em
gravações de estúdio.
Dentre as várias pessoas que procurei, Sílvia Pinheiro, recém formada em Cinema de
Animação na Escola de Belas Artes da UFMG e proprietária de uma câmera digital da marca
Panasonic, foi a que mais se entusiasmou com a idéia da realização de um documentário.
Quando conversei com ela, o tema já havia sido determinado e o recorte do objeto já estava
quase pronto. O sistema digital apresenta qualidade de imagem semelhante ao Betacam,
sendo que na Rede Globo, no SBT e na Rede Record, já é utilizado um formato que é a união
destes dois – o Betacam Digital.
A “escolha” do digital foi determinante na edição, realizada em um computador
Macintosh G4, equipamento capaz de fazer edição não-linear (as imagens e os sons são
armazenados de maneira aleatória, podendo depois serem organizados um após o outro, assim
como fazemos no Word ou em qualquer outro software de texto). Mas isso, é outro tópico.
• Uma autora à procura de personagens:
Para fazer a escolha do tema, primeiro busquei definir os critérios que seriam levados em
conta para a decisão:
 O documentário trata de assuntos atemporais, diferenciando-se assim da reportagem
televisiva, que é datada, limitada a um fato no tempo;
 A linguagem videográfica valoriza visualmente produtos cuja beleza estética e simbólica
é mais evidente;
 Além disso, procurava realizar um projeto experimental cuja abordagem fosse mais
social, mais popular.
Determinados os critérios, comecei a fazer um levantamento dos possíveis temas, todos
eles ligados a área de cultura: teatro, dança, folclore e festas populares. A primeira idéia foi
fazer um vídeo sobre o Grupo Galpão, mas fui logo desencorajada, porque já existem vários
documentários sobre ele.
Outros grupos de teatro também apresentariam grandes dificuldades. O vídeo ficaria,
provavelmente limitado à peça a ser encenada, portanto datado, e principalmente, por ser uma
forma de arte muito particular (os grupos e formas de atuação variam imensamente entre si) e
por ser de difícil acesso ao público em geral.
Eliminada a opção teatro, alguns grupos de dança foram cogitados: Aruanda e Sarandeio.
O primeiro é de Itaúna, o que seria economicamente inviável para uma produção de tão
pequeno porte. O segundo, por ser da própria UFMG poderia indicar uma certa limitação de
temas e foi também abandonado.
No 31º Festival de Inverno da UFMG, um evento foi marcante para a: o encontro dos
congadeiros de Oliveira/MG e de Ouro Preto, que culminou com apresentação de Titane e
Maurício Tizumba. Cerca de 50 Irmandades de Nossa Senhora do Rosário desfilaram pelas
ruas do centro histórico da antiga Vila Rica.
Depois disso, não houve mais dúvidas, seria um documentário sobre congado. Este tipo
de manifestação da cultura popular, além de preencher todos os quesitos pré-determinados,
atuou como uma "busca das minhas próprias raízes". O Reinado é um dos eventos mais
importantes no calendário de Itapecerica/MG, terra natal de meu pai.
• Recortando do objeto:
Escolhido o assunto, era necessário determinar que aspecto e de que maneira ele poderia
ser abordado. Com certeza mais que absoluta eu não teria condições de tratar do congado em
Minas Gerais, por causa da minúscula infra-estrutura disponível e à falta de recursos. Optei,
então, por trabalhar com congadeiros de Belo Horizonte.
Através da Secretaria Municipal para Assuntos da Comunidade Negra, estabeleci contato
com a Federação Mineira de Congado. Foi acertado que eu iria à reunião do dia 25 de junho.
Enquanto isso, Mirian Chrystus e Anna Karina Bartolomeu já haviam aceitado o convite
para orientarem este projeto. Algumas conversas aconteceram e foi definido o tempo do
vídeo, no máximo 15 minutos. Essas discussões, mais uma interessante palestra com o
videoartista Lucas Bambozzi definiram o recorte do tema: um documentário sobre o grupo de
congado e não sobre a festa em si. O vídeo seria uma oportunidade de aproximação daquele
grupo, um pretexto para ouvir aqueles que não têm voz na mídia, suas experiências de vida.
Afinal de contas, todos sempre têm o que dizer, ao contrário do que propõe o jornalismo que
elege algumas fontes como privilegiadas e dotadas de credibilidade. A fala daquele que é
humilde, mais simples, pode não influenciar no andamento da política mundial, mas não
deixa de ser interessante e ter o seu valor.
Durante a pesquisa videográfica e as primeiras visitas, ficou evidente que era mesmo
impossível tratar da festa em um documentário no tempo proposto. O vídeo ficaria
superficial, chato e igual a muitos que já existem. Foi unanimidade que uma abordagem sobre
quem faz a festa e o que esta significa para eles era uma opção mais rica, inclusive no caráter
jornalístico. A pergunta principal seria: "Por que fazer o Reinado de Nossa Senhora do
Rosário?". Naturalmente, por trás dessa questão aparentemente simples, poderiam existir
implicações sociais, econômicas e religiosas. Era exatamente isso o que eu queria saber.
• Entre os vídeo e os livros
“Documentário, ou filme documentário: filme que tem a característica de um documento,
que se baseia em documentos. No formato que se conhece, no sentido cinematográfico, surge,
em 1914.”1
Para saber o que seria o meu documentário, precisei saber do que ele resultou, entender
como poderia ser feito e quais seriam as suas possibilidades. Não que eu tenha apreendido
uma carga de informações suficientes para dar uma aula, mas fui sensibilizada para novas
interpretações e percepções.
Parte da pesquisa bibliográfica já havia sido iniciada quando foi escolhido o suporte,
principalmente a relacionada a cinema (linguagem, história e crítica). Parti então em busca do
conceito de documentário e descobri que em português a literatura específica sobre o assunto
não é muito farta, sendo que as obras consultadas foram produzidas principalmente após
1984.
 O pré-documentário
Ainda hoje, existe uma enorme dificuldade em definir o documentário. Quando ele surgiu
e se firmou como um estilo cinematográfico, dizia-se que era uma oposição, ou contrário, do
cinema de ficção, pois supostamente tratava do real. Entretanto, estudos recentes tem
contrariado esta definição. "As relações entre a ficção e o filme documentário sempre foram
ambíguas (...). Existem numerosas coincidências e sobreposições que apontam para uma
indefinição de fronteiras."2
Desde seu surgimento, os chamados filmes documentários apresentaram enorme variação,
em todos os aspectos, inviabilizando a criação de conceitos ou modelos universalizantes. Mas
isso não impediu vários estudos de sugerirem ligações e interpretações sobre o seu
desenvolvimento do através dos tempos.
Tentativas documentais surgiram juntamente com o cinema. Os irmãos Lumière,
"inventores" do cinema, já em suas primeiras apresentações públicas exibiam cenas do
cotidiano (pessoas saindo das fábricas Lumière, um trem chegando em uma estação), que
podem ser consideradas esboços de um estilo que estava por vir, pois, apesar de seu caráter
experimental e despretensioso, buscavam retratar aquela época.
Depois disso, surgiram os denominados "filmes de viagem", em que exploradores
registravam sua passagem por lugares exóticos e desconhecidos. Mas a falta de uma

1
PASSEK Jean-Loup. (Org.). Dictionnaire du Cinéma. Paris: Larousse, 1995.
2
BARTOLOMEU, Anna Karina. O documentário e do filme de ficção: relativizando as fronteiras.
Belo Horizonte: EBA/UFMG, 1997. (Dissertação).
linguagem definida dificultava o entendimento para quem não fosse da família ou próximo ao
viajante.
 O novo gênero
Em 1913, o explorador Robert Flaherty foi convencido por Sir William Mackensie, seu
contratador, a levar uma câmera para registrar sua terceira expedição. Como resultado, quase
dez anos depois, em 1922, Nanook of the North, surgiu como o primeiro longa com uma
estética própria e capaz de manter uma linha narrativa. Repudiando os pseudo-documentários
que eram reconstituições em estúdio ou que tinham o próprio explorador como personagem
principal, Flaherty parte da observação para mostrar a vida de uma família esquimó. Seu
filme é considerado o "protótipo de um novo gênero".
Mas foi o escocês John Grierson, fundador da escola documentarista inglesa que começou
a formalizar e normatizar o documentário enquanto produto, atribuindo-lhe a função social de
instrumento de educação das massas e de formação da opinião pública. Grierson foi crítico,
teórico e produtor de documentários. Em seus artigos fundamentou o que hoje chamamos de
documentário clássico3. O filme Drifters, de 1929, fala sobre o trabalho dos pescadores de
arenque, é o único dirigido por Grierson.
Contemporâneo de Grierson, Dziga Vertov traçou um caminho quase oposto. Também
pudera, a revolução russa estava em andamento e era preciso criar novas obras de arte, para
expressar a nova ordem que nascia.
Para Vertov, o cinema também tinha a função social de educar, mas sua estética e
temática passavam a quilômetros de distância da proposta de Grierson. Enquanto o
documentário inglês era de propaganda do império, o cinema soviético, inspirado na arte
futurista, era um elogio a tecnologia. Se os ingleses eram de uma formalidade técnica, os
soviéticos tinham no improviso e na exposição da câmera sua marca. O "Cinema-olho" russo
era rigorosamente contra as encenações e dramatizações, toleradas e largamente utilizadas
por Grierson. Em O Homem da Câmera, realizado também em 1929, Vertov explicita sua
visão sobre o cinema.
 Aparato técnico
A evolução tecnológica foi essencial para transformar profundamente o panorama do
documentário, pois equipamentos mais leves aumentavam as possibilidades e potencialidades
da produção. Os filmes sonoros foram os passos seguintes.

3
O documentário clássico pode ser resumido nas seguintes características estruturais: imagens rigorosamente
compostas, fusão de música e ruídos, montagem rítmica e comentário em voz off despersonalizada.
Isso resultou, na França, no cinéma verité. Os adeptos a esta nova proposta acreditavam
poder captar a realidade, através do uso do som e imagens sincronizadas. Um dos
representantes deste movimento é Chronique d'un Été (Crônica de um verão), realizado em
1960, por Jean Rouch e Edgar Morin. Estudiosos e teóricos do documentário consideram
esse filme como protótipo do modo interativo de representação.
Já nos Estados Unidos, o avanço tecnológico fez surgir o chamado cinema direto, que
pretendia reduzir a realidade à visibilidade, à suas aparências visíveis. O objetivo era
"neutralização completa da equipe técnica" e uma observação pura, sem intervenção. Anna
Karina Bartolomeu cita como exemplo dessa proposta Salesman (Albert e David Maysles e
Charlotte Zwerin, 1968). Esse documentário produzido pelo grupo encabeçado por Robert
Drew, fala sobre um grupo de quatro vendedores de uma edição ilustrada e católica da Biblia.
Entretanto, não podemos esquecer que a história do documentário apresenta muitas e
variadas vertentes. Os exemplos que destaquei são considerados principais, mas não são os
únicos ou melhores representantes dessa vertente tão rica.
 1,2,3 e 4...
Sílvio Da-Rin4, citando Bill Nichols, um dos mais reconhecidos teóricos do cinema
documentário, enumera quatro modalidades de representação, segundo as principais
estratégias de "argumentação cinematográfica" assumidas pelos diversos grupos e
movimentos documentários.
O "modo expositivo" correspondente ao documentário clássico, onde um argumento é
veiculado por letreiros ou pelo comentário off, servindo as imagens de ilustração ou
contraponto. Até o início dos anos setenta, a imensa maioria dos documentários respeitava, a
grosso modo, este modelo. O modo expositivo adota um esquema 'particular-geral',
mostrando imagens exemplares que são conceituadas e generalizadas pelo texto do
comentário. O processo de produção é ocultado em nome da impressão de objetividade.
O "modo observacional" surgiu em reação ao modelo clássico e procurou transmitir um
sentido de acesso ao mundo, colocando o espectador na posição de observador ideal.
Defendeu a não-intervenção, suprimiu o roteiro e minimizou a direção, desenvolvendo
métodos de trabalho que davam a impressão de invisibilidade da equipe técnica. Evitava o
comentário, a música off, os letreiros, as encenações e as entrevistas.
O "modo interativo", surgiu quase ao mesmo tempo que o observacional, mas enfatizou a
intervenção do cineasta. A interação ente a equipe e os "atores sociais" fica em primeiro

4
DA-RIN, Sílvio Pirôpo. Espelho partido: tradição e transformação do documentário cinematográfico.
Rio de Janeiro: UFRJ, 1995. (Dissertação).
plano, na forma de entrevista ou depoimento. A subjetividade do cineasta e dos participantes
da filmagem é totalmente assumida.
O "modo reflexivo" surgiu como resposta ao ceticismo da possibilidade de representar o
mundo de forma objetiva e procura deixar explicito as convenções que regem o processo de
representação. Os filmes reflexivos apresentam no documentário o produtor e o processo de
produção, destacando o caráter de artefato do produto. Utilizam da ironia, da paródia e da
sátira, ao invés de transmitiram um "julgamento abalizado". Os filmes de Vertov, são
considerados representantes do modo reflexivo.
Para Da-Rin a classificação proposta por Nichols é resultado da sua concepção do
documentário enquanto uma instituição constituída por práticas variadas e contraditórias, que
interagem historicamente. Não devemos confundir essas definições com os movimentos já
citados, pois a reflexão de Nichols foi produzida recentemente através da observação da
história do documentário em sua totalidade.
 O documentário brasileiro
No Brasil, até o início dos anos 80, os documentários produzidos não eram frutos de uma
reflexão sobre sua função, ou sobre a intervenção do documentarista no ambiente a ser
registrado ou sobre a influência do aparato técnico. Seguiam religiosamente o modelo
clássico. As discussões limitavam-se à estética e não se aproximando da linguagem.
Exceção à regra é o cineasta Arthur Omar. No artigo publicado, em 1978, na Revista de
Cultura da Editora Vozes - Antidocumentário, provisoriamente - ele explica o que vem
fazendo na prática com seus filmes.
"Frente a esse campo irresistível não existe o filme documentário como linguagem autônoma,
isto é, o documentário tal como existe hoje é um subproduto da ficção narrativa, sem conter
em si qualquer aparato formal e estético que lhe permita cumprir com independência seu
hipotético programa mínimo: documentar.
(...)Seria o caso de se perguntar o que nós queremos ao fazer um filme e testar se o
documentário, como estrutura produtora de efeitos significantes, corresponde a essa intenção.
Nossa posição é que existem outras formas de tratar a realidade, e mesmo de tratar o
fotográfico, o qual extravasa o mero domínio do documentário, outras formas que seriam mais
pertinentes dentro de uma conjuntura como a brasileira."5

Além de Arthur Omar, o gaúcho Jorge Furtado com seu consagrado Ilha Das Flores
merece destaque na safra anos oitenta.

5
Revista de Cultura - Petrópolis, n. 6, 1978, ano 72. Vozes. p. 05 - 13.
Recentemente, nomes como Eduardo Coutinho (Santo Forte), Vladimir Carvalho
(Conterrâneos Velhos de Guerra), Sandra Werneck (Comunhão) e Tibico Brasil (Borracha
Para Panela de Pressão) tem realizado trabalhos interessantes na área do documentário.
 Vídeos e filmes
Depois de toda essa pesquisa sobre a história e a teoria do documentário, senti
necessidade de assistir a filmes. Os documentários escolhidos tem em comum o fato de não
serem biográficos, com exceção de Walter Franco, que se destaca pelo experimentalismo
estético. Procurei vídeos e filmes que apresentassem propostas diferentes do modelo clássico
e que tratassem de assuntos mais populares, ou menos restritos.
Aruanda, por exemplo, realizado em 1960, apesar de ser o que mais se aproximou da
escola britânica de documentários (e não podia ser diferente, devido ao momento histórico
em que o país de encontrava) trabalhas várias possibilidades visuais, através da textura e da
fotografia. Já o premiado Nós que aqui estamos por vós esperamos de Marcelo Masagão,
quase esgota os efeitos de edição e está numa linha muito tênue entre o documentário e a
ficção.
Assistindo a estes documentários, pude perceber todas as suas variações técnicas e
estéticas e assim definir o que seria o meu estilo, a minha estética.
Além de documentários, tive acesso a algumas reportagens sobre congado. Todas elas
tratavam do reinado como uma festa popular e mantinham seu foco principal na missa conga,
elemento que veio se integrar ao ritual só recentemente.
 Questões técnicas
Apesar de realizar um produto híbrido entre o jornalismo e o cinema, estudar as duas
linguagens seria a melhor forma de encontrar seus pontos de interseção.
A linguagem cinematográfica tem na luz e no som características essenciais na produção
de sentidos. A variação do posicionamento da câmera pode tornar a fala da personagem mais
ou menos dramática, com maior ou menor credibilidade. O som tem efeito cumulativo. Se é
captado inadequadamente, na finalização será "uma bomba". Durante a montagem, os efeitos
produzidos pelo ordenamento das cenas desta ou daquela maneira, e, é claro, os cortes.
Atrevo-me a dizer que, sem o conhecimento mínimo de como funciona o cinema, não é
possível realizar um vídeo com alguma qualidade.
No caso especifico deste projeto, o domínio das técnicas jornalísticas foi fundamental
para a definição do conteúdo e de como abordá-lo. Depois de feita a escolha do objeto do
documentário, comecei a apuração, processo em que se faz o levantamento dos dados e das
fontes a serem consultadas. De posse dos dados, pude fazer a pauta das entrevistas, quando e
é elaborada uma lista com as perguntas ou os tópicos a serem esclarecidos pelo entrevistado.
Depois disso, foram feitas as entrevistas. Apesar de ter sido parcialmente ocultada na edição,
a entrevista consistiu em perguntas curtas e objetivas elaboradas por mim. As técnicas são as
utilizadas na produção jornalística, pois enquanto jornalista, é a maneira que aprendi para
realizar práticas como esta. Inclusive o próprio roteiro está mais para uma reportagem, por ser
simples e apenas indicar que imagens devem ser gravadas.
 Reinados
Literatura sobre congado é algo difícil de se encontrar, principalmente quando a
biblioteca da universidade está de greve. Utilizei para este projeto alguns livros sobre
Reinado nos Arturos6, a dissertação de Glaura Lucas7 (professora da Escola de Música da
UFMG e mestre em Etnomusicologia) e Afrografias da Memória - O Reinado do Rosário no
Jatobá8, da professora Leda Martins, da FALE/UFMG, principal bibliografia deste projeto.
O livro da professora Leda resgata a história dos congadeiros do Jatobá desde a época dos
escravos até a atualidade, sob a capitania de João Lopes. As músicas, os instrumentos e a
dinâmica do Reinado são registrados com a sensibilidade de quem nasceu e cresceu no
congado.
Através da leitura de Afrografias da Memória, pude conversar com aquelas pessoas tendo
conhecimento da sua história, dos seus rituais, de suas músicas. Ao chegar na Irmandade, eu
já sabia onde estava pisando.
• Trabalho de campo (visitas)
O trabalho de campo propriamente dito iniciou-se no dia 13 de maio, quando fui aos
Arturos, tradicional comunidade negra de Contagem, para a gravação de um vídeo de alunos
da Escola de Belas Artes, como assistente de produção. Estava sendo comemorado o dia da
abolição da escravatura. Nos Arturos, pude acompanhar o desenvolvimento da festa e
perceber as principais características. É necessário destacar que, apesar de serem festas
distintas, a participação das guardas e das cortes traz uma semelhança entre o Reinado e as
outras festas realizadas pelas Irmandades de Nossa Senhora do Rosário.

6
GOMES, Núbia Pereira Magalhães & PEREIRA, Edmilson de Almeida. Negras raízes: os Arturos. Juiz
de Fora, Ministério da Cultura, /EDUFJF, 1988.
GOMES, Núbia Pereira Magalhães & PEREIRA, Edmilson de Almeida. Arturos: olhos do Rosário. Belo
Horizonte: Mazza, 1990.
7
LUCAS, Glaura. Os sons do Rosário: um estudo etnomusicológico do congado mineiro -
Arturos e Jatobá. São Paulo: ECA/USP, 1999.(Dissertação).
8
MARTINS, Leda Maria. Afrografias da memória: O reinado do rosário no Jatobá. São Paulo: Perspectiva,
1997.
Através da Secretaria de Assuntos para a Comunidade Negra, obtive o contato com
Solange Aparecida Neves dos Anjos, secretária da Federação Mineira de Congado, que
informou-me sobre as possíveis datas e pessoas a quem deveria procurar.
No dia 4 de junho, fui a reunião da Federação. Sabia que teria que realizar o projeto com
a maior antecedência possível, devido à demanda da ilha de edição no fim do semestre e a
maior dificuldade em conseguir equipamentos e amigos disponíveis a partir de setembro (por
ser integrante da Associação Mineira de Curta-metragistas, tinha conhecimento dos
cronogramas da maior parte dos vídeos e curtas a serem produzidos até o fim do ano).
Cheguei à reunião com uma data pré-determinada, precisava fazer um documentário sobre
um grupo de congado que realizasse sua festa no mês de agosto. Em Belo Horizonte só havia
um: a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá. Fui apresentada ao Sr. Matias da
Mata, capitão regente, que "convocou-me" para a próxima reunião da Irmandade, no dia 25
daquele mesmo mês.
No período que antecedeu a reunião, entrei em contato com Glaura Lucas. Em nossas
conversas, ela explicou a estrutura do reinado no Jatobá e sugeriu alguns possíveis
entrevistados e o livro Afrografias da memória.
A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá, entidade tombada pelo patrimônio
histórico municipal, realiza reuniões a cada último domingo do mês. No dia 25 de junho,
foram discutidos além de assuntos internos à Irmandade, os preparativos para o reinado a ser
realizado dali a 2 meses. Fui apresentada à diretoria da Irmandade e ao capitão-mor Sr. João
Lopes, que demonstraram grande interesse na realização do documentário e se colocaram à
disposição para o que fosse necessário.
Essa foi a primeira das várias visitas feitas à Irmandade de Nossa Senhora do Jatobá.
Nessa etapa, destaca-se a participação da diretora de fotografia, Lilian Marina Hodgson, da
produtora, Cybelle Mendes, e do capitão João Lopes, que foram decisivos para a definição
dos entrevistados e do formato que o documentário iria adquirir. Conversas com as
orientadoras evitaram alguns equívocos, tanto conceituais, como de conteúdo. O que estou
tentando dizer, é que por mais autoral que este projeto pareça, ele foi um trabalho de equipe,
pensado coletivamente, mesmo com a palavra final sendo minha.
• Definição da pauta das entrevistas
Através das visitas, pude observar um pouco da rotina daquelas pessoas e como a fé em
Nossa Senhora do Rosário aparecia na vida delas. O cronograma, a pauta e o roteiro das
entrevistas começaram a surgir. Definiu-se que as gravações seriam realizadas no período de
23 a 26 de julho e que o intervalo entre o fim das visitas e as entrevistas seria utilizado para
reuniões e leituras (feitas por mim).
Foram escolhidos alguns "personagens" que seriam "representantes" da Irmandade:
Flávio, jovem capitão do Moçambique (não apareceu no dia da entrevista. Foi "substituído"
por Daniel, também capitão do Moçambique e por Davidson, dançante de 6 anos.); Thiago,
dançante do Moçambique; D. Maria, 93 anos, mãe de João Lopes e mais antiga integrante da
Irmandade; e o capitão João Lopes, responsável pela manutenção das tradições na
comunidade.
Cada um dos entrevistados tem uma visão diferente do Reinado, de acordo com sua
experiência de vida. Busquei evidenciar isso nas imagens e em suas falas. O menino
Davidson, por exemplo, foi um "achado". Aparentemente é uma criança como qualquer outra,
mas quando começa a tocar sua caixa (espécie de tambor), adquire uma feição séria e
compenetrada. É impressionante a maneira como toca, suas baquetas tornam-se extensões de
seus braços. Para o menino, tocar é algo tão natural quanto falar e brincar, não se trata,
portanto, de uma criança imitando os mais velhos, (porque, inclusive, as tradições não são
ensinadas a todos indiscriminadamente, mas somente "pra quem a gente acha que tem
interesse"9).
Os dois rapazes, Daniel e Tiago, além de terem nascido e crescido dentro do Reinado, são
adolescentes e portanto sofrem influência da mídia, da moda e da sociedade, que espera que
se tornem trabalhadores e pais de família. Eles estão no limite, ou permanecem na Irmandade,
mantendo as tradições, eu levam uma vida "normal" com escola, emprego, etc.
Tanto Dona Maria, quanto seu filho, o capitão João Lopes, desde o início apareceram
como escolhas óbvias. A matriarca, de 93 anos, é a memória viva da Irmandade. Além de ser
esposa, mãe, avó e bisavó de vários capitães, dedicou toda a sua vida e vive a interessante
situação de ser mulher no Reinado.
João Lopes (cujo nome verdadeiro é Alcides André, mas recusa-se a ser chamado assim)
dispensa apresentações. Aos 68 anos, sendo capitão-mor desde os 43 (após a morte do pai) é
o guardião das tradições e autoridade durante o Reinado. Quase tudo o que os capitães e
dançantes sabem, foi ele quem ensinou.
Com estes cinco entrevistados, considerei esboçada a identidade da Irmandade de Nossa
Senhora do Rosário do Jatobá. Não era, e nunca foi, minha intenção fazer um retrato do
grupo. Necessitaria de algumas horas de vídeo e alguns anos de pesquisa para tal. A idéia é
apresentar essas pessoas e um pouco do que elas têm a dizer a quem não se dispõe a pegar o
9
João Lopes, dia 25/07/2000, trecho da entrevista mantida na edição.
ônibus 1141A e passar uns tempos no Jatobá. O vídeo é uma espécie de convite para que
todos queiram conhecer mais sobre o Reinado no Jatobá.
• Roteiro de gravação
O roteiro de gravação foi definido, principalmente, de acordo com a disponibilidade de
equipe. Preferi não realizar todas as entrevistas no mesmo dia, por ser desgastante para a
equipe e para o entrevistado. Além disso, a possibilidade de termos tempo "ocioso" nos
permitiu "encontrar" momentos ímpares na rotina da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário
do Jatobá.
Esse roteiro (vide anexos) surgiu da última reunião realizada em minha casa, cerca de
uma semana antes do período determinado para o início das gravações. Foi um momento de
escolhas, colocamos as imagens na ordem em que imaginávamos que seriam captadas, além
de especularmos sobre quais imagens-extras (além das entrevistas, imagens complementares
e planos detalhes, que serviriam para cobrir os offs) poderíamos fazer.
É preciso destacar o modelo de roteiro utilizado é absolutamente diferente do já
consolidado "Paradigma de Syd Fied"10 (que propõe marcações exatas de luz e ângulos de
câmera nas cenas, além de definir os momentos em que o roteiro devem sofrer uma virada,
alterando o ritmo da narrativa), aproximando-se da proposta de Jean Claude Carriere, que não
determina que o roteiro deva seguir este ou aquela forma e defende idéias menos ordenadas.
Mesmo conhecendo as locações, considerei que não seria adequado esboçar um roteiro
com as indicações de internas ou externas, ou enquadramentos, ou ângulos da câmera. Os
locais das entrevistas seriam decididos com e pelos entrevistados, e as imagens do cotidiano
deveriam contar com o inesperado, para aumentar sua beleza, simplicidade e naturalidade.
Tentar prever ou organizar a rotina seria transmitir um simulacro. Já é um recorte, se
planejado, passa a encenação.
• Luzes, câmera, gravação (1ª parte)
Uma coisa ficou muito claro para mim durante as gravações: um documentário não é
feito, ele se faz quase que "sozinho". Obviamente, chegamos ao momento das gravações com
um roteiro e com a pauta das entrevistas. Entretanto, as respostas inusitadas, os desencontros,
os olhares emocionados e os atrasos acabaram levando a resultados inesperados.
Mesmo após todas as leituras, reuniões, discussões e escolhas, o momento das gravações
está sempre além do que supomos. Você não está mais lidando com idéias, mas com pessoas,
equipamentos e acontecimentos inesperados. O roteiro, ao mesmo tempo ajuda - dando um

10
FIELD, Syd. Manual do roteiro. 3ª edição. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.
"rumo" para a produção, evitando com que se ligue a câmera e mire para onde o coração
mandar - e atrapalha, limitando a criatividade e a possibilidade de improviso.
A partir desse momento, minha formação jornalística, paralela a todas minhas
experiências e buscas do fazer videográfico, começaram a transparecer. A tradicional escola
do telejornalismo, consolidada pela Discovery Channel e pelo Globo Repórter, determinavam
enquadramentos perfeitos, bem iluminados e com o som impecável. Entretanto, as
experimentações da vídeo-arte e do novo documentário brasileiro11, juntamente com
Bernadet12, propunham menor interferência e maior liberdade e riscos.
Uma menor interferência não significa ligar a câmera e deixar o entrevistado falar "o que
der na telha". Nem que não se acendam as luzes ou não utilize um microfone. Quando você
liga a câmera no ambiente onde aquelas pessoas vivem, já está havendo uma interferência.
Além disso, é feito um recorte, pois nem a câmera, nem o olho, conseguem enxergar e
armazenar tudo, é necessário priorizar. Quando decidi 'não interferir', significa que eliminei a
figura do narrador, que poderia emitir juízos de valor sobre aqueles eventos e aquelas
pessoas, autorizando ou desautorizando discursos. Apesar de ter direcionado a entrevistas
fazendo as perguntas, não pedi que os entrevistados modificassem suas falas, ou falassem
mais alto ou repetissem esta ou aquela frase. Também durante a festa, a câmera portou-se
como quem observa, e não como quem mostra, isto é, mantendo uma distância e não
acrescentando nada que descaracterizasse o evento.
Tendo optado por um documentário menos jornalístico, e portanto mais livre, os
enquadramentos e as imagens complementares adquiriram uma atmosfera mais humana,
quase poética. As entrevistas atuaram como conversas, os entrevistados em momento algum
se dirigiam à câmera. Ao mesmo tempo, nem minha imagem ou minha voz foram mantidas
na edição final. Com isso, quis demonstrar que o importante é a fala, o momento de
expressão daquelas pessoas. Aqui tive que assumir certo risco: mesmo que a entrevista não
seja compreendida em sua totalidade, que nem todas as informações possam ser plenamente
apreendidas, o mais relevante é que aquelas pessoas estão se expressando, podendo contar
suas histórias e experiências à sua maneira. Tudo isso levou a uma abordagem, no mínimo,
diferente sobre a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá.
 Diário de bordo: No dia 23 de julho, estava previsto que iríamos entrevistar integrantes do
Moçambique, previamente convidados. Mas, atrasos nas gravação da capela da
Irmandade, fizeram com que desencontrássemos dos rapazes. Porém, quando fomos até o

11
GILL, Anne-Marie. Recent Documentary Filmmaking in Brazil. http://www.city.yagamata.jp/yidff/ff/box/en/
12
BERNADET, Jean-Claude. Cineastas e imagens do povo. São Paulo: Brasiliense, 1985.
local onde seriam feitas as entrevistas, encontramos o capitão João Lopes fazendo terços
com "contas de lágrimas" e o menino Davidson, de 6 anos, tocando de maneira
compenetrada sua caixa. Nada disso, foi combinado e, por isso mesmo, tais imagens
ficaram tão interessantes. Entrevistamos Davidson, Tiago e Daniel.
A entrevista com Dona Maria aconteceu no dia seguinte. Foram cerca de 35 minutos de
conversa, material suficiente para fazer outro documentário. Novamente, optei por não
interrompê-la, nem por repetir de maneira mais clara ou sucinta suas histórias. Dona Maria
abriu para a equipe, seu coração, sua sala, seu altar e seus álbuns fotográficos. A entrevista
seguinte seria com Flávio, capitão do Moçambique e sobrinho de João Lopes, mas o rapaz
não compareceu. Entretanto, João Lopes e José Apolinário cortaram couro de bode para fazer
artesanalmente as caixas.
No dia 25, fizemos a entrevista com o capitão-mor. Infortunadamente, o microfone de
lapela quebrou e tivemos que gravar o som diretamente na câmera. Entretanto, João Lopes já
está acostumado com entrevistas, vídeos e palestras e articula-se perfeitamente frente a
câmera e sua fala foi utilizada quase na íntegra.
Durante as gravações, eliminamos o dia 26 de julho, pois não teríamos câmera e nem
cinegrafista. Mas conseguimos finalizar a primeira parte no dia 25 sem perda de conteúdo.
• Luzes, câmera, gravação (2ª parte)
Terminadas as gravações da primeira fase, tínhamos cerca de uma hora e quarenta
minutos, somadas as entrevistas e imagens complementares (do cotidiano, das casas e sons).
O Reinado propriamente dito ocupou uma parcela pequena no vídeo, pois o foco principal
estava nas pessoas e no que a comemoração representa para elas.
A equipe tinha uma idéia do que iria acontecer, da ordem dos acontecimentos no Reinado,
mas mesmo assim foram grandes a surpresa, emoção e dificuldade para não sair gravando
tudo.
No Sábado, dia 26 de agosto, aconteceu o hasteamento dos Mastros de São Benedito e
Nossa Senhora do Rosário, apresentação das guardas (sem uniforme) e fogos de artifício e
barraquinhas.
As guardas uniformizadas saíram em cortejo no Domingo, pela manhã. Os reis e rainhas
foram conduzidos até o quartel-general, onde a corte se reuniu e caminhou rumo à Irmandade
para a celebração da missa conga. Algumas guardas de outros bairros, ditas convidadas,
estavam presentes e dançaram e cantaram antes da missa. E aqui terminou nossa gravação.
• Decupagem do material e elaboração do mapa de edição
Total das gravações: duas horas e vinte minutos. Tempo estimado para o documentário
até aquele momento: quinze minutos.
A decupagem13, também chamada minutagem, é uma lista detalhada da ordem e do
assunto das cenas. É um processo muito chato, mas muito importante por ser este o momento
em que é feita a seleção de quais cenas e quais sons serão aproveitados.
Tendo "sobrevivido" a isso, passei à elaboração do mapa de edição, ou seja, do roteiro das
cenas, dos sons e das músicas que seriam utilizado na ilha de edição. É neste momento que o
vídeo começa a se parecer com o que será realmente. Este documentário, por apresentar um
caráter diverso dos produtos jornalísticos tradicionais (que são mais simples e apresentam
uma forma narrativa mais linear e ritmada), acarretou num roteiro de edição mais complexo.
As imagens não poderiam ser ilustrativas, como nas reportagens televisivas. Por exemplo,
quando Dona Maria estivesse falando de como seu marido se tornou capitão não iríamos
mostrar uma foto do Capitão Virgulino, nem seu chapéu ou seu uniforme. Para tanto, foi feita
uma primeira minutagem das imagens e, em seguida, um detalhamento da localização e da
duração dos áudios mais importantes.
• Edição (áudio e vídeo)
A edição é a montagem do produto final. Neste caso, pude utilizar da edição não-linear,
ou digital, em que as imagens são capturadas pelo computador que monta o vídeo em
qualquer ordem possível. Uma vez montado, o produto pode ser desmontado e reeditado
indefinidamente, enquanto estiver na memória do computador. Processo semelhante ao deste
programa de edição de texto que estou utilizando, o Word. Já na edição chamada linear, ou
analógica, a cada nova montagem as imagens e sons precisam ser gerados pela máquina.
A captação e a montagem do vídeo na ilha não linear são processos muito simples, desde
que a minutagem e o roteiro de edição sejam bem feitas. Primeiro você grava no computador
as cenas e os sons sem os cortes definitivos, de preferência nomeando as seqüências de
maneira a indicar sua ordem na montagem. Depois, é só ir colocando as cenas uma atrás da
outra. Neste caso, montamos primeiro o áudio das entrevistas e, em seguida, colocamos as
imagens por cima.
Estando o vídeo montado, passamos à fase de finalização, onde fizemos os cortes e
emendas nos pontos exatos do áudio e das imagens e acrescentamos os efeitos (câmera lenta,
ou rápida, fusão e etc).
13
Do francês découper, ato de recortar. (WATTS, Harris. On camera: o curso de produção de vídeo e filme da
BBC. São Paulo: Summus, 1990.) Decupar a fita: assistir à fita inteira gravada e anotar a minutagem, isto é, em
quais minutos estão as melhores cenas, as entrevistas. (PATERNOSTRO, Vera Iris. O texto na TV: manual de
telejornalismo. São Paulo: Brasiliense, 1987).
O documentário estava quase pronto, na minha opinião, quando o professor Rodrigo
Minelli apareceu na ilha e destacou algumas características que eu não havia percebido: todas
as entrevistas haviam sido montadas sem nenhum ruído, quase como se os entrevistados
estivessem num estúdio. Tudo bem se fosse uma reportagem para TV, mas no caso deste
documentário ficou muito estranho, artificial. Perdia exatamente o caráter natural das
entrevistas. A solução foi colocar sons de fundo (músicas e o som ambiente).
Desde o início, este vídeo buscou ter uma identidade própria, para além do documentário
tradicional e diferente das reportagem televisivas. Para tanto, fiz algumas escolhas e assumi
alguns riscos. A maneira como as cenas foram ordenadas e como o som foi montado, a não
interferência em certos momentos (que pareçam estar muito escuros ou com uma carga
informativa pouco definida), certos trechos das entrevistas que não permitem compreensão
total, todas estas decisões foram tomadas em prol de uma identidade do vídeo.
• Enfim, o final
As pessoas me perguntam se eu gostei do resultado do meu projeto. Após toda essa
reflexão sobre como foi e por onde passei para chegar até aqui, posso responder: Sim, eu
gostei do resultado. Não é preciso nem dizer que o que resultou, está a quilômetros da idéia
inicial. Ainda bem; documentários se fazem quase que sozinhos, digo, é impossível prever o
que vai acontecer quando você começa a gravar. Eu parti para uma busca e gostei do que
encontrei, mesmo sendo diferente do que imaginei. Talvez por isso.
Y-ATÁ-OBÁ não é para mim só o vídeo. É todo o processo desde sua concepção, até
estas últimas linhas. Foi um grande aprendizado, em todas as áreas: pesquisa, apuração,
pauta, trabalho em grupo, linguagem cinematográfica e de vídeo e, é claro, para a vida.
Sobre o documentário, acredito que seja um bom começo. Nele estão plantadas as
primeiras sementes de uma busca que espero nunca terminar: a busca pelo outro, sua fala, sua
expressão e representação na mídia. É claro que o vídeo tem suas falhas e deficiências, porém
é o que fui capaz de fazer com os instrumentos que tenho a mão no momento. Gostaria de
acreditar que o tempo não faz só bons vinhos. Resumindo: é fazendo que se aprende. Espero
ter em minhas minúcias conseguido ao menos esboçar o caminho que segui para realizar este
documentário.
Desde o começo, busquei ter no projeto experimental a possibilidade de experimentar. Y-
ATA-OBÁ proporcionou-me a oportunidade de exercitar não só meus conhecimentos em
jornalismo, como também em ciências sociais e até cinema.
Se na literatura, no final das contas o autor acaba se escrevendo em seus textos, não há
como negar que neste vídeo há muito de mim. Não só as dores nas costas e as noites
"perdidas", mas o desejo de fazer do jornalismo uma prática social.

Grafia sonora (Crônica de um documentário)


Por que de tantos assuntos possíveis eu quis fazer justo sobre congado? Tenho aquelas
respostas prontas e de fácil compreensão, que satisfazem aos outros, mas não a mim.
Afinal, por que um documentário sobre congado? Bem, na verdade, a culpa é do meu pai.
Como assim? Lá na terra dele, Itapecerica, tem o Reinado. Quando eu estava lá pelo quarto
período e cismei que faria um vídeo ele logo disparou, "Faz sobre o Reinado.". Só que
Itapecerica é longe e eu não tinha dinheiro para ficar viajando, então arquivei a idéia.
Mas acabei fazendo sobre o Reinado mesmo, porque quando estava lá em Ouro Preto e
aquele monte de congadeiros passou na minha frente fazendo um barulhão, não teve outro
jeito. O coração disparou, os olhos marejaram e um arrepio subiu pela minha espinha. Já
estava decidido.
Engraçado, não me lembro de como é o Reinado lá em Itapecerica. Nada, nenhuma
imagem. Perguntei para o meu pai hoje, o que ele acha do congado e como eu reagia. Meu
pai simplesmente gosta, tá no sangue. "E você ficava pulando sem parar." Minha memória do
Reinado é puramente sonora, quando escuto a batida, o coração acompanha. Só me lembro
mesmo é das maçãs-do-amor, que fiz questão de comprar nas barraquinhas no dia do
levantamento dos mastros no Jatobá... Fazia anos que eu não comia uma. Nem sei quantos...
O meu vídeo é barulhento. É impressionante como a vibração da percussão marca a gente.
Vibra o chão, vibram os tímpanos e os gráficos dos canais de áudio da ilha de edição viram
quase um borrão.
É isso. O congado pra mim era um borrão barulhento com gosto de maçã-do-amor. Foi
por isso que eu fiz este documentário. Entendeu?
ANEXOS

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES
Atividades Meses Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro
Pré-produção e X X
Pesquisas
Produção X X X
Gravações X X
Finalização X X
(Edição e cópias)
Apresentação na UFMG X

ORÇAMENTO
Descrição Valor (em Reais)
3 fitas minidv 126,00
10 fitas vhs de 20 minutos 22,00
1 fita betacam de 1 hora 68,00
10 caixas para fitas vhs 15,00
Transporte 80,00
5 filmes asa 400 - 36 poses 25,00
Revelação dos filmes 70,00
1 MD 10,00
1 Cd regravável 3,00
Digitalização do MD 15,00
10 capas para fitas vhs (impressão 15,50
digital)
TOTAL 449,50

Cronograma
1ª fase: 23 a 26 de julho
2ª fase: 26 e 27 de agosto
Plano de gravação:
Dia 23, a partir das 14 horas: entrevista com a Guarda de
Moçambique e planos gerais.
Dia 24, a partir das 14 horas: entrevista Dom D. Maria,
matriarca da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá.
A partir das 17 horas: entrevista com Flávio.
Dia 25, a partir das 15 horas: Entrevista com João Lopes,
Capitão-mor.
Dia 26, a partir das 15 horas: planos detalhes e conjuntos do
que estiver faltando.
Obs.: Todos os dias, além das entrevistas, serão gravados
também os outros planos (detalhes, conjunto, geral), que
cobriram os trechos de off.

ROTEIRO - "Primeira idéia"(Pode mudar durante a edição)


Abertura com imagem de Nossa Senhora do Rosário no altar
• Entrevista 1 (Davidson, 6 anos, dançante do Moçambique)
voz em off; Davidson dançando no Moçambique, batendo caixa com
as meninas, conversando com o avô dele e cantando pra câmera
Imagens do cotidiano (cortando couro, fazendo rosário, catando
bolinhas, roupas no varal, pessoas sentadas na cruz)
Entrevista 2 (Integrantes do Moçambique)
• Daniel - Imagem da entrevista (rápido), dele segurando o
estandarte, do mastro subindo, dançando no Moçambique e do
Moçambique dançando no Domingo.
• Tiago - Fazendo colar, dançando no Moçambique, fogos de
artifício
Imagens do cotidiano
• Entrevista 3 (D. Maria, 96 anos)
Cenas da casa dela (sala), do altar da casa dela, e imagens da
D. Maria na Festa (voz em off)
• Entrevista 4 (João Lopes, 68 anos, Capitão-mor)
Cenas do cotidiano, do quarto do capitão, da festa com off
Imagens da festa, cenas abertas e planos detalhe. Termina com
a Imagem de Nossa Senhora do Rosário, abrindo pro altar
enfeitado.
Seq. Descrição Fita Time code Duração Observações Áudio

entrada saída Entrada saída


1 Imagem de Nossa 1 22'54" 23'04" 10" Música
Senhora do Rosário no
altar
2 Davidson dançando no 3 4'19" 4'23" 4" Voz em Off e som 3'00" 3'02"
Moçambique direto 1"
3 Davidson batendo 1 13'30" 13'58" 28" Voz em Off e som 1- 3'05" 1-3'11"
caixa com as meninas direto 7" 2- 6'04" 2- 6'06"
3- 6'08" 3- 6'09"
4- 6'12" 4- 6'19"
4 Davidson conversando 1 16'29" 17'00" 31" Som direto
com o avô dele
5 Davidson cantando 1 5'46" 6'01" 15" Som direto
6 Imagens de pessoas 1 1'18" 1'23" 5" Música
sentadas na cruz
7 Imagens das roupas no 2 15'19" 15'32" 13" Música
varal
8 Daniel e Thiago 1 7'26" 7'30" 4" Som direto
9 Daniel dançando no 3 05"15" 05'23" 8" Voz em off 8'26"
Moçambique
10 Daniel dançando no 2 57'10" 57'20" 10" Voz em off
Moçambique (de
costas)
11 O Moçambique dançando 3 7'50" 8'11" 21" Voz em off 9'03"
domingo
12 Monta e sobe o mastro 2 42'59" 43'30" 31" Voz em off 10'28"
13 Os mastros 2 37'04" 37'20" 16" Voz em off 11'06"
14 Daniel segura o 2 40'40" 40'54" 14" Voz em off 9'28"
estandarte no sábado
15 Pessoas com velas 2 39'12" 39'35" 23" Voz em off 9'51"
16 Tiago fazendo colar 1 2'32" 2'45" 13" Voz em off 9'05" 9'07"
17 Tiago dançando no 3 5'03" 5'14" 11" Voz em off 9'10" 9'20''
Moçambique
18 Plano aberto do altar 1 23'46'' 23'52'' 6'' Música
19 Fotos 2 26'00'' 26'18'' 18'' Música
20 D. Maria 1 24'31'' 24'43'' 12'' Som direto
21 Detalhe do altar com 1 22'20'' 22'30'' 10'' Voz em off 24'44'' 24'58''
coroas e foto do cap.
Virgulino (Não foi
utilizada devido à
qualidade da
gravação)
22 D. Maria acende velas 2 11'58'' 12'06'' 08'' Voz em off 25'16'' 26'09''
no altar
23 Altar da D. Maria 2 12'17'' 12'22'' 5'' Voz em off 26'19'' 26'27''
(pan)
24 Altar da D. Maria 2 12'23'' 12'28'' 5'' Voz em off 26'39'' 26'58''
(detalhe)
25 Altar da D. Maria 2 12'29'' 12'33'' 4'' Voz em off 27'47'' 28'20''
(detalhe)
26 Altar da D. Maria 2 12'34'' 12'38'' 4'' Voz em off 30'28'' 30'52''
(detalhe)
27 Sala da D. Maria 2 12'39'' 12'51'' 12'' Voz em off 54'59''
(detalhe)
28 D. Maria beijando o 2 44'14'' Voz em off 55'32''
estandarte
29 D. Maria dançando 2 47'05'' 3'31'' Voz em off 59'12'' 59'36''
perto do mastro
30 João Lopes e 2 12'07'' 12'47'' 40'' Música
Apolinário cortando
couro
31 Detalhe da mão de 1 2'06'' 2'16'' 10'' Música
João Lopes fazendo
rosário
32 João Lopes fazendo 1 2'17'' 2'27'' 10'' Música
rosário
33 João Lopes no quarto 2 16'33'' 16'48'' 15'' Voz em off 17'16'' 17'41''
olhando para os lados
34 João Lopes 2 19'02'' 19'46'' 44'' Som direto
35 Altar do João Lopes 2 25'59'' 26'04'' 4'' Voz em off 19'54''
36 Bastões 2 26'18'' 26'23'' 5'' Voz em off
37 Rosários no quarto do 2 25'11'' 25'25'' 14'' Voz em off
João Lopes
38 Tambores no quarto do 2 24'59'' 25'04'' 5'' Voz em off 20'41''
João Lopes
39 Campanhas sob os 2 25'13'' 25'18'' 5'' Voz em off 20'55'
tambores
40 João Lopes com as 2 15'09'' 15'51'' 42'' Voz em off
sementes
41 João Lopes e a corte 3 3'05'' 4'01'' 1'00'' Voz em off
42 João Lopes e o 3 6'47'' 7'43'' 56'' Voz em off 22'55"
Moçambique
43 Congo Masculino entra 3 Som direto
44 Congo feminino entra 3 Som direto
45 campanhas 3 Som direto
46 Altar enfeitado 1 Música (Imagem de
trás pra frente)
BIBLIOGRAFIA
AUMONT, Jacques. A imagem. Campinas: Papirus, 1995.
BARTOLOMEU, Anna Karina. O documentário e do filme de ficção: relativizando as
Fronteiras. Belo Horizonte: EBA/UFMG, 1997. (Dissertação).
BERNADET, Jean-Claude. Cineastas e imagens do povo. São Paulo: Brasiliense, 1985.
CARRIÈRE, Jean-Claude. Prática do roteiro cinematográfico. São Paulo: JNS, 1996.

COSTA, Flávia Cesarino. O primeiro cinema: espetáculo, narração, domesticação. São


Paulo: Scritta, 1995.
DA-RIN, Sílvio Pirôpo. Espelho partido: tradição e transformação do documentário
cinematográfico. Rio de Janeiro: UFRJ, 1995. (Dissertação).
FIELD, Syd. Manual do roteiro. 3ª edição. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.
GOMES, Núbia Pereira Magalhães & PEREIRA, Edmilson de Almeida. Negras raízes: os
Arturos. Juiz de Fora, Ministério da Cultura, /EDUFJF, 1988.
GOMES, Núbia Pereira Magalhães & PEREIRA, Edmilson de Almeida. Arturos: olhos do
Rosário. Belo Horizonte: Mazza, 1990.
LUCAS, Glaura. Os sons do Rosário: um estudo etnomusicológico do congado mineiro -
Arturos e Jatobá. São Paulo: ECA/USP, 1999.(Dissertação).
MACHADO, Arlindo. A arte do vídeo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1990.
MARTIN-BARBERO, Jesús. Os Métodos: dos meios às mediações. In: Os meios e as
mediações: Comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro: UFRJ, 1997.
MARTINS, Leda Maria. Afrografias da memória: o reinado do rosário no Jatobá. São
Paulo: Perspectiva, 1997.
PATERNOSTRO, Vera Iris. O texto na TV: manual de telejornalismo. São Paulo:
Brasiliense, 1987.
SQUIRRA, Sebastião Carlos de M. Aprender telejornalismo: produção e técnica. São Paulo:
Brasiliense, 1995
YORKE, Ivor. Jornalismo Diante das Câmeras. São Paulo: Summus, 1998.
WATTS, Harris. On camera: o curso de produção de vídeo e filme da BBC. São Paulo:
Summus, 1990.
PASSEK, Jean-Loup. (Org.) Dictionnaire du Cinéma. Paris: Larousse, 1995.
Revistas:
Projeto História - Revista do programa de estudos pós-graduados em história e do
departamento de História. São Paulo, n. 15, abril, 97. PUC-SP.
Revista de Cultura - Petrópolis, n. 6, 1978, ano 72. Vozes. p. 05 - 13.
GILL, Anne-Marie. Recent Documentary Filmmaking in Brazil.
http://www.city.yagamata.jp/yidff/ff/box/en/

VIDEOGRAFIA
A pessoa é para o que nasce (Roberto Berliner) 6' - 1998 - RJ.
Aruanda (Linduarte Noronha) 1960 - João Pessoa/PB. Comunidade negra e pobre do sertão
da Paraíba vive do artesanato com argila.
Borracha para panela de pressão (Tibico Brasil, Glauber Filho) 8'50". - 1994 - CE.
Documentário que retrata as dificuldades enfrentadas pelos camelôs nas ruas do centro de
Fortaleza.
Buena Vista Social Club (Win Wenders) 1h31' - 1999 - Alemanha. Inspirado no álbum do
músico Ry Coorder, o documentário inclui a participação de músicos cubanos lendários
como Ibrahin Ferrer, Rubén González e muitos outros.
Cine mambembe, o cinema descobre o Brasil (Laís Bodanzki e Luiz Bolognesi) 56' - 1999 -
SP. Do sul da Bahia aos confins da Amazônia, este documentário descobre um país que
assiste ao cinema e se vê na tela pela primeira vez, às vésperas do século 21.
Clones, bárbaros e replicantes (Kiko Goifman e Caco P. de Souza) 20' - 1992 - RJ/SP.
Hip Hop São Paulo (Francisco César Filho)11' - 1990 - SP. Documentário em que a
violência urbana de SP é vista através damúsica, da dança e dos grafites dos jovens negros
integrantes do HIP HOP.
Histórias de Avá - O povo invisível (Bernardo Palmeiro) 19' - 1998 - RJ. A história dos
índios Avá-Canoeiro que estão ameaçados de extinção e narra o esforço na tentativa de
preservar sua cultura.
Ilha das Flores (Jorge Furtado) 1989 - RS. O trajeto do tomate até chegar à Ilha das Flores,
onde os porcos tem preferência na cadeia alimentar que os homens, que não tem dinheiro
nem dono.
Moleque de rua (Márcio Ferrari) 10' - 1991 - SP. Documentário sobre a banda Moleque de
Rua, da periferia de São Paulo, que inventa instrumentos e sonoridades em um diálogo
permanente com a crise urbana.
Nelson Sargento (Estevão Ciavatta Pantoja) 22 ' - 1997 - RJ. Retrato biográfico do sambista
Nelson Sargento no Morro da Mangueira, Rio de janeiro.
Nós que aqui estamos por vós esperamos (Marcelo Masagão) 73' - 1999 - SP. Documentário
construído a partir de imagens de arquivo, selecionadas e editadas de forma bastante
inventiva e não-linear, o filme discute com sutil humor a questão da morte.
O Capeta Caribé (Agnaldo Siri Azevedo) 35' - 1996 - RJ. O filme é uma adaptação do livro
"O Capeta Carybé" de Jorge Amado, mostrando toda a baianidade do artista e sua obra.
Passante (Alexandra Lima e Landa Costa) 26' 1994 - Campinas. Documentário sobre as
personagens das estradas brasileiras: andarilhos, caminhoneiros, prostitutas, moradores e
etc.
Segunda-feira (Geraldo Sarno) 12' - 1975 - RJ. Documentário sobre as feiras livres do
nordeste, se significado e importância para a região.
Simião Martiniano, o camelô do cinema (Clara Angélica e Hilton Lacerda) 14' -1998 - PE.
A história do Sr. Martiniano, homem que divide seu tempo ente os ofícios de camelô e
cineasta.
Tereza (Kiko Goifman e Caco P. de Souza) 16' - 1992 - SP. Documentário sobre o tempo e
o espaço no cotidiano da prisão.
Terra da Lua (Anna Karina, Claudia Mesquita, Tânia Caliani) 16' - 1992 - MG.
Documentário que apresenta uma radiografia da cultura rural neste fim de século, através da
fala de 2 famílias da comunidade do Estouro, Zona da Mata mineira.
Uakti, oficina instrumental (Rafael Conde) 12' - 1987 - MG. Documentário sobre o grupo
musical Uakti, que cria seus próprios instrumentos a partir de materiais comuns como tubos
de PVC, vidro e cabaças, recriando os sons da natureza em estado puro.
Walter Franco Muito Tudo (Isabel Bechara e Sandro Serpa) 25' - 2000 - MG/SP .
Documentário poético, ou um vídeo-poema-documento, o vídeo propõe uma aproximação
com o universo poético do músico, misturando vozes, paisagens sonoras e imagéticas e
intervenções de diversos artistas de grande importância na cena musical e poética brasileira.