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Voto nº 10.279 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.030967-1


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 112 da Lei da Execução Penal;
arts. 5º, nº XL e 52, nº X, da Const. Fed.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei n º 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.280 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.037813-4


Arts. 14, nº II e 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 648, nº II, 654, § 2º e 659, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º da Const. Fed.
— Dos mais sagrados direitos do réu é ver-se processar, rigorosamente, nos prazos
que lhe assina a lei. Donde o haver fixado a Jurisprudência em 81 dias o prazo
legal máximo para a formação da culpa de réu preso. Esse é o marco miliário que
estrema a legalidade do arbítrio.
— Grave que lhe seja o crime e abjeto o caráter, nenhum réu decai nunca da
proteção da lei, que todos iguala (art. 5º da Const. Fed.).
— O escrúpulo de restituir à sociedade, sem julgamento, aquele de seus membros
que fundamente a agravou cede ao dever que tem o Juiz de cumprir a lei e
respeitar o direito, ainda que em seu titular pese acusação grave.
—“Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício ordem de habeas
corpus, quando no curso do processo verificarem que alguém sofre ou está na
iminência de sofrer coação ilegal” (art. 654, § 2º, do Cód. Proc. Penal).
–– Passa por iniqüidade manter preso, enquanto lhe tramita o processo, réu que poderá,
no caso de condenação, ter cumprido já a máxima parte de sua pena. Ao demais,
ninguém ignora que o cárcere é o pior lugar do mundo antes do cemitério, tendo-
lhe Dostoiévski chamado, com propriedade, a “casa dos mortos”.
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o
Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).
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Voto nº 10.281 — HABEAS cORPUS Nº 1.211.032-3/2-00

Art. 69 do Cód. Penal;


arts. 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
arts. 33 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária,
com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por
falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).
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Voto nº 10.282 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.030494-7
Art. 69 do Cód. Penal;
arts. 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, “caput”, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo
ou ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do
Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e
indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz
para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória
(art. 44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 10.283 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.032970-2


Arts. 312 e 659, do Cód. Proc. Penal.

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado
a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado
o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).

Voto nº 10.284 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.041372-0


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Arts. 29 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou
contestar a verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do
Supremo Tribunal Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões,
também, se fundamentam por si mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso”
(O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p. 347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do
juiz), primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência
no foro da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art.
310, parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave —
como é o roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 10.285 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.029610-3


Arts. 310, parág. único, 312 e 313, do Cód. Proc. Penal;
arts. 33, “caput” e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).

Voto nº 10.286 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.040253-1


Art. 311 da Lei nº 9.503/97 (Código de Trânsito Brasileiro);
5
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário,
máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— A argüição de nulidade por falta de apreciação de teses da Defesa não prevalece
contra a sentença cuja conclusão se mostre com elas inconciliável. É que “a
sentença precisa ser lida como discurso lógico” (STJ; REsp nº 47.474/RS; 6a.
Turma; rel. Min. Luiz Vicente Cernicchiaro; DJU 24.10.94, p. 28.790).

Voto nº 10.287 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.013771-4
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
arts. 12, 14 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 2º da Lei nº 9.296/96;
art. 35 da Lei nº 11.343/06.
—“Não é inepta a denúncia que proporciona ao acusado a plena defesa assegurada
pela Constituição Federal” (cf. STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 85, p. 70);
—“O princípio do contraditório impõe a regra de serem as testemunhas da
acusação ouvidas antes das da defesa. A inversão da prova, entretanto, só anula
a ação penal em caso de prejuízo para o réu”, que se não presume, aliás deve ser
comprovado “ad satiem” (cf. Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 319).
— Desde que acorde com os mais elementos de prova dos autos, a confissão policial
constitui prova idônea de autoria delituosa e justifica edição de decreto
condenatório.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A prova, obtida mediante interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça em
face de “indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal” (art.
2º da Lei nº 9.296/96), é lícita e, portanto, pode servir de fundamento a decreto
condenatório.
—“Não há invalidar o resultado obtido em decorrência de interceptações
telefônicas que foram realizadas mediante autorização judicial, nos termos da
Lei nº 9.296/96” (Rev. Tribs., vol. 854, p. 559; rel. Min. Felix Fischer).
— A causa de aumento de pena do art. 18, nº II, da Lei nº 6.368/76 (“decorrer de
associação”), já não subsiste e, pois, não pode ser reconhecida à luz da nova Lei
de Drogas (Lei nº 11.343/06), que previu a circunstância apenas como crime
autônomo (art. 35).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).
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Voto nº 10.288 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.032209-0

Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);


art. 112 da Lei de Execução Penal;
arts. 5º, nº XL e 52, X, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei n º 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).
7
Voto nº 10.289 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº
993.08.003829-5
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, “caput”, e 40, nº III, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.

— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo


a idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— Para autorizar decreto condenatório basta a confissão judicial do réu. Deveras, é
axioma de Direito que “a confissão da parte releva de outra prova” (cf.
Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar Jurídico, 1985, t. II, p. 530).
— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo constitui
solene despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cód.
Proc. Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas
penas da lei, donde a inépcia do raciocínio apriorístico de que o policial vem a
Juízo para mentir.
— A desclassificação do crime do art. 33 da Lei nº 11.343/06 para o tipo do art. 28
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo considerável quantidade de
substância entorpecente acondicionada em pacotes, apreendidos pela Polícia, pois
tais circunstâncias revelam que o tóxico se destinava ao comércio ilícito, e não
ao uso próprio.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007, atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90), no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento
de pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 33 da Lei nº 11.343/06), crime da
classe dos hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por
força do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

Voto nº 10.290 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.039801-1


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.291 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.041560-9


Arts. 14 e 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.
8
–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado
a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado
o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).

Voto nº 10.292 — embargos de Declaração Nº 993.08.003671-


3/5
Art. 619 do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 112 da Lei de Execução Penal.

— Os embargos de declaração não rendem ensejo a reapreciação de matéria já


decidida, pois não têm caráter infringente; armam só ao fim de desfazer
ambigüidade, contradição ou obscuridade do acórdão (art. 619 do Cód. Proc.
Penal).

Voto nº 10.293 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.039872-0


Arts. 86 e 90, do Cód. Penal;
art. 732 do Cód. Proc. Penal;
arts. 145 e 146, da Lei de Execução Penal.

–– É questão vitoriosa nos Tribunais que a revogação do livramento condicional


somente pode ocorrer durante o período de prova (art. 86 do Cód. Penal).
–– “Terminado o período de prova sem revogação, a pena privativa de liberdade
deve ser julgada extinta” (Julio Fabbrini Mirabete, Execução Penal, 11a. ed.,
p. 599).

Voto nº 10.294 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.037148-2


Art. 155 do Cód. Penal;
arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a


liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
–– É regra de direito positivo que o réu não pode apelar sem recolher-se à prisão
(art. 594 do Cód. Proc. Penal), por força do que estatui o art. 393, nº I, do
mencionado diploma legal, convém a saber: entre os efeitos da sentença
condenatória inscreve-se o de “ser o réu preso ou conservado na prisão”.
–– Se o réu carece dos requisitos subjetivos, não há dispensar-lhe o benefício do
apelo em liberdade, sem grave afronta ao Direito e à boa razão, sendo legítima a
sentença que o denega.

Voto nº 10.295 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.039168-8


Art. 16 da Lei nº 10.826/03.
9
–– Conforme a doutrina comum, o pedido de “habeas corpus” deve ser instruído
com as peças e documentos que comprovem as alegações do paciente.
–– O Colendo Supremo Tribunal Federal, em copiosos arestos, tem proclamado que
se não toma conhecimento do pedido de “habeas corpus” quando não está
devidamente instruído (José Frederico Marques, Elementos de Direito
Processual Penal, 1a. ed., vol. IV, p. 417).
–– “(...) a utilização adequada do remédio constitucional do habeas corpus impõe,
em conseqüência, seja o writ instruído, ordinariamente, com documentos
suficientes e necessários à análise da pretensão de direito material nele
deduzida” (STJ; Rev. Trim. Jurisp., vol. 138, p. 513; rel. Min. Celso de Mello).
––“O habeas corpus é via inadequada para apreciar o pedido de relaxamento de
flagrante quando não pleiteado inicialmente no juízo de primeiro grau, sob pena
de supressão de uma instância, até porque o seu indeferimento no juízo de
origem é passível de correção através do remédio heróico” (TACrimSP, HC nº
402166; 14a. Câm.; rel. Oldemar Azevedo; j. 26.2.2002).

Voto nº 10.296 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.07.007740-1
Arts. 202, 383, 384, parágrafo único e 617, do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 16, da Lei nº 6.368/76;
arts. 14 e 16, nº IV, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento);
arts. 28 e 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06 (Lei de Drogas);
arts. 5º, nº LXIII e 144, da Const. Fed.

— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para defender-se de


injusta acusação. Se permaneceu calado, ainda que direito seu garantido pela
Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo
adverso.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
–– A posse de arma de fogo com numeração raspada tipifica a infração do art. 16,
nº IV, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento), independentemente de
perigo concreto.
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos
policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de
policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU
7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 187).
— Com respeito aos policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples
condição de policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº
51.577; DJU 7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 185).
—“O Tribunal, câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts.
383, 386 e 387, no que for aplicável, não podendo, porém, ser agravada a pena,
quando somente o réu houver apelado da sentença” (art. 617 do Cód. Proc.
Penal).
—“Em apelação somente da Defesa, o Tribunal não pode agravar a situação do
réu” (cf. Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p.
497).
10
a
Voto nº 10.297 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.07.117070-4
Arts. 14, nº II, 29, 70 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal.

— Isto de permanecer calado no inquérito, conquanto direito seu, faz contra a


presunção de inocência do réu. A razão é que, se deveras inocente e limpo de
crime, tê-lo-ia já proclamado, como aqueles que são acusados sem causa, pois a
todos ensinou a Natureza a defender-se com a última força. Ordinariamente
falando, é o silêncio do réu pedra-de-toque de sua culpa.
— Nos casos de roubo, a palavra da vítima tem extraordinário valor e peso, pois
manteve contacto direto com seu autor, cuja punição unicamente lhe interessa,
não a de pessoa inocente.
— Há tentativa de roubo se o agente, logo perseguido e preso, não teve a posse
tranqüila da coisa subtraída, recuperada afinal pela vítima.
— Há concurso formal (art. 70 do Cód. Penal), e não crime único, se o agente, num
só contexto de fato, viola patrimônios de vítimas diferentes.
— O regime prisional fechado é, em linha de princípio, o que verdadeiramente
convém ao autor de roubo, sobretudo se manifesta sua propensão à vida de
crimes.

Voto nº 10.298 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.021038-1
Arts. 14, nº II, 17, 59 e 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 386, ns. III e VI, do Cód. Proc. Penal.

— A confissão judicial, por seu valor absoluto — visto se presume feita


espontaneamente —, basta à fundamentação do edito condenatório.
— Configura tentativa de furto, e não crime impossível, a ação do sujeito que, após
subtrair produtos de estabelecimento comercial, é detido à saída por agentes de
segurança. A existência de dispositivo eletrônico antifurto não afasta a ação dos
delinqüentes, apenas a dificulta. Ao demais, não dispensa a vigilância de
funcionários, e estes, ainda quando diligentes, podem falhar diante da astúcia ou
malícia dos criminosos.
— Na esfera dos crimes contra o patrimônio, cometidos sem violência a pessoa, tem
relevância apenas a lesão jurídica de valor econômico, pois segundo a velha
fórmula do direito romano, “de minimis non curat praetor” (Dig. 4,1,4).
— Aplicado inconsideradamente, o princípio da insignificância representa violação
grave da lei, a qual manda punir o infrator; destarte, subtrair a seu rigor o
culpado, sem relevante razão de direito, fora escarnecer da Justiça, que dispensa a
cada um o que merece. Em verdade, conforme aquilo de Alberto Oliva, “todo
homem deve saber do fundo de seu coração o que é certo e o que é errado”
(apud Ricardo Dip e Volney Corrêa de Moraes, Crime e Castigo, 2002, p. 3;
Millennium Editora).
11

Voto nº 10.299 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.028399-0
Arts. 202 e 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 28 e 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06.

— Tem lá seu valor a confissão do réu na Polícia, máxime se convicente e ajustada


aos mais elementos de prova dos autos.
—“A confissão do delito vale não pelo lugar em que é prestada, mas pela força de
convencimento que nela se contém” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 95, p. 564;
rel. Min. Cordeiro Guerra).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A desclassificação do crime do art. 33 da Lei nº 11.343/06 para o tipo do art. 28
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência
considerável quantidade de substância entorpecente acondicionada em pacotes,
apreendidos pela Polícia, pois tais circunstâncias revelam que o tóxico se
destinava ao comércio ilícito, e não ao uso próprio.
— Fator de esclarecida e humana individualização da pena, será bem reduzi-la ao
réu condenado por infração do art. 33 da Lei nº 11.343/06 (Lei de Drogas), que
satisfaça aos requisitos de seu § 4º.
— Temperar com a eqüidade o rigor da lei foi sempre timbre dos que distribuem
justiça, como advertiu o insigne Carlos Maximiliano: “Hoje a maioria absoluta
dos juristas quer libertar da letra da lei o julgador, pelo menos quando da
aplicação rigorosa dos textos resulte injusta dureza, ou até mesmo simples
antagonismo com os ditames da eqüidade. Assim, vai perdendo apologistas na
prática a frase de Ulpiano — durum jus, sed ita lex scripta est — duro Direito,
porém assim foi redigida a lei — e prevalecendo, em seu lugar, o summum jus,
summa injuria — do excesso de direito resulta a suprema injustiça”
(Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p. 170).
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 33 da Lei nº 11.343/06), crime da
classe dos hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por
força do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
12

Voto nº 10.300 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.022141-3
Arts. 14, nº II, 69, 146 e 158, § 1º, do Cód. Penal;
arts. 202, 381, 383 e 384, parág. único,do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 16, da Lei nº 6.368/76;
arts. 28, 33 e 40, nº VI, da Lei nº 11.343/06.

— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se


demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A desclassificação do crime do art. 33 da Lei nº 11.343/06 para o tipo do art. 28
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo, em pacotes apreendidos pela
Polícia, considerável quantidade de substância entorpecente, pois tal
circunstância revela que o tóxico se destinava ao comércio ilícito, e não ao uso
próprio.
— Reputa-se de bom quilate — e, pois, merece preservada dos tiros da crítica — a
sentença que, forte nas declarações da vítima e no testemunho policial, decreta a
condenação de autor de crime de extorsão (art. 158 do Cód. Penal).
— Embora crime formal, admite a extorsão tentativa, se o sujeito passivo, apesar de
constrangido, não realiza a conduta pretendida pelo agente. Esta doutrina
professam os penalistas de melhor nota: Nélson Hungria, Comentários ao
Código Penal, 1980, vol. VII, p. 77; Heleno Cláudio Fragoso, Lições de Direito
Penal, Parte Especial, 11a. ed., vol. I, p. 217; Damásio E. de Jesus, Código
Penal Anotado, 18a. ed., p. 610, etc.).

Voto nº 10.301 — agravo em execução Nº 1.173.692-3/8-00


Art. 83 do Cód. Penal.

–– Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento


condicional direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode negar
sem grave injúria da Lei e da Justiça.
–– O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de livramento
condicional ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade (necessariamente
longa). Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do benefício o registro de
falta grave (fuga), se, ao depois, revelou, por largo espaço de tempo, exemplar
conduta carcerária e notável dedicação ao trabalho, sinais inequívocos de sua
redenção.
13

Voto nº 10.302 —Recurso em Sentido Estrito Nº


993.07.011745-1
Arts. 29 e 121, § 2º, nº IV, do Cód. Penal;
arts. 408 e 589, do Cód. Proc. Penal.

— Segundo a comum opinião dos doutores, para a pronúncia não é mister mais que
a prova da realidade do crime e indícios da responsabilidade do réu (art. 408 do
Cód. Proc. Penal).
–– A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo
Júri o acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc.
Penal). Donde veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença
processual de conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a
acusação, para que esta seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de
Direito Processual Penal, 2a. ed., vol. III, p. 217; Millennium Editora).
–– As qualificadoras articuladas na denúncia apenas podem ser excluídas quando
manifesta sua inocorrência; do contrário, são os jurados os que sobre elas se
devem pronunciar, porque matéria de sua competência.

Voto nº 10.303 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.06.010367-9
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
arts. 12, 16 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
art. 35 da Lei nº 11.343/06.

— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo


a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A desclassificação do crime do art. 12 da Lei nº 6.368/76 para o tipo do art. 16
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência
considerável quantidade de substância entorpecente acondicionada em pacotes,
apreendidos pela Polícia juntamente com pedaços de plástico e fita adesiva, pois
tais circunstâncias revelam que o tóxico se destinava ao comércio ilícito, e não
ao uso próprio.
— A causa de aumento de pena do art. 18, nº III, da Lei nº 6.368/76 (“decorrer de
associação”), já não subsiste e, pois, não pode ser reconhecida à luz da nova Lei
de Drogas (Lei nº 11.343/06), que previu a circunstância apenas como crime
autônomo (art. 35).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos
(Lei nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de
cumprimento de pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 —
ou 3/5, se reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao
benefício (art. 2º, § 2º).
14

Voto nº 10.304 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.06.083303-0
Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal;
art. 36 do Código Criminal do Império.

— Se o réu nega veemente a imputação de larápio, que assenta em declarações


vagas e imprecisas, tem a Justiça de respeitar-lhe o direito de inculcar-se
inocente.
— No processo penal, unicamente a certeza é base legítima de condenação.
Dúvida, que não significa outra coisa que falta de prova da acusação, deve
interpretar-se em favor do réu: “In dubio pro reo”.
— O farol que deve orientar o Juiz na decisão da causa são as provas dos autos. Se
elas não indicam com segurança a culpa do réu, será força pronunciar o “non
liquet” e absolvê-lo.
—“Nenhuma presunção, por mais veemente que seja, dará motivo para imposição
de pena” (art. 36 do Código Criminal do Império).
— Mais que meras conjecturas acerca da culpabilidade do acusado, são
necessárias, para sua condenação, provas tão claras como a luz meridiana:
“probationes luce meridiana clariores” (cf. Giovanni Brichetti, L’Evidenza nel
Diritto Processuale Penale, 1950, p. 111).

Voto nº 10.305 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.025496-6
Arts. 213, “caput”, 224, alínea a, e 225, § 1º, nº I, do Cód. Penal;
art. 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal;
art. 36 do Código Criminal do Império do Brasil.

— Por simples presunção ninguém pode decair de seu estado de inocência.


—“Nenhuma presunção, por mais veemente que seja, dará motivo para imposição
de pena” (art. 36 do Código Criminal do Império do Brasil).
— Toda condenação penal, ainda se trate de acusado de abominável vida pretérita,
somente pode ser decretada em face de prova plena e cabal de sua
culpabilidade.
— O princípio geral de que toda a decisão condenatória deve assentar em prova
plena e cabal (não só da materialidade do fato criminoso senão também da
autoria e culpabilidade do agente) manda afastar da cabeça do réu o gládio da
Justiça, nos casos de dúvida invencível (art. 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 10.306 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.06.107566-0
Art. 155 do Cód. Penal.

— Merece confirmada, por fundar-se em prova boa, a sentença que condena


indivíduo filmado pelas câmaras fotográficas de segurança enquanto subtraía
coisa alheia. Contra a versão pueril e inverossímil do réu, larápio matriculado, é a
15
“imagem do furto” a que deve prevalecer (art. 155 do Cód. Penal).
— É argumento lógico irrefragável que a posse de coisa alheia sem justificativa
satisfatória induz à certeza de sua origem ilícita.

Voto nº 10.307 — gravo em a execução Nº


993.07.014124-7
Arts. 14, nº II, 29 e 121, § 2º, ns. II e IV, do Cód. Penal;
art. 18 da Lei nº 6.368/76;
art. 10 da Lei nº 9.437/97;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 112 da Lei da Execução Penal;
art. 14 da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento);
arts. 5º, nº XL e 52, nº X, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei n º 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.308 — gravo em a execução Nº


993.08.034703-4
Arts. 45, § 3º e 57 da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XLV, da Const. Fed.

––“São vedadas pela lei as sanções coletivas (art. 45, § 3º). Esse princípio decorre
do preceito constitucional segundo o qual nenhuma pena passará da pessoa do
delinqüente (art. 5º, nº XLV, da Const. Fed.)” (Julio Fabbrini Mirabete,
16
Execução Penal, 11a. ed., p. 136).
–– De toda a sanção é pressuposto a culpa.
––“Condenar um possível delinqüente é condenar um possível inocente” (Nélson
Hungria, Comentários ao Código Penal, 1981, vol. V, p. 65).

Voto nº 10.310 —Recurso em Sentido Estrito Nº


993.08.033327-0
Arts. 29 e 121, § 2º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 408 do Cód. Proc. Penal

— Para a pronúncia do acusado, segundo a generalidade dos autores de boa nota, a


jurisprudência dominante em nossos Tribunais e o teor mesmo da lei, basta que
se convença o Juiz da “existência do crime e de indícios de que o réu seja o seu
autor”.
— Muito de notar é o magistral escólio de Bento de Faria: “A freqüentes
naufrágios se arriscaria a Justiça, se a lei fizesse depender de convicção, quer
dizer, de prova plena, o ato provisório da pronúncia” (Código de Processo
Penal, 1960, vol. II, pp. 124-125).
–– A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo
Júri o acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc.
Penal). Donde veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença
processual de conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a
acusação, para que esta seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de
Direito Processual Penal, 2a. ed., vol. III, p. 217; Millennium Editora).
–– Salvo se manifesta sua inocorrência, não é de bom exemplo afastar, desde logo,
na fase da pronúncia, as qualificadoras do homicídio; ao Tribunal do Júri, como
a seu Juiz natural, é que, em princípio, cabe apreciá-lo (art. 121, § 2º, nº IV, do
Cód. Penal).

Voto nº 10.311 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.038876-8


Art. 155 do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de
réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).
—“Para a prisão preventiva não basta a inafiançabilidade do crime, nem a
presunção veemente da existência da criminalidade: é preciso, ainda, para
justificá-la, a sua necessidade indeclinável” (José de Alencar; apud João
Mendes de Almeida Jr., O Processo Criminal Brasileiro, 4a. ed., vol I, p. 333).
—“Liberdade provisória. Embora preso em flagrante por crime inafiançável, pode
o réu ser libertado provisoriamente, desde que inocorram razões para sua
prisão preventiva” (TJSP; Rev.Tribs., vol. 523, p. 376; apud Damásio E. de
Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 246).
17
— Já afirmou um discreto que “nunca o mundo é mais injusto que quando há
justiça para uns, e outros não” (Francisco Manuel de Melo, Apólogos
Dialogais, 1920, p. 269);

Voto nº 10.312 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.043104-3


Art. 647 do Cód. Proc. Penal.

–– Apenas a certeza do procedimento arbitrário ou ilegal da autoridade coatora, apto


a causar coação física ou moral ao paciente, pode autorizar-lhe a concessão de
“habeas corpus” preventivo, não o infundado receio de que futura decisão possa
contrariar-lhe interesse (art. 647 do Cód. Proc. Penal).
––“O habeas corpus preventivo só deve ser concedido quando estreme de dúvidas o
procedimento arbitrário e ilegal da autoridade coatora, importando em
sofrimento ou coação ilegal à pessoa do paciente” (TJDF; rel. Antônio
Honório; DJU 6.9.79, p. 6.650; apud Alberto Silva Franco et alii, Código de
Processo Penal e sua Interpretação Jurisprudencial, 1999, vol. I, p. 702).
–– Apenas a certeza do procedimento arbitrário ou ilegal da autoridade coatora, apto
a causar coação física ou moral ao paciente, pode autorizar-lhe a concessão de
salvo-conduto, não o infundado receio de que venha a ser preso e processado
criminalmente (art. 647 do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 10.313 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.029979-0


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 112 da Lei de Execução Penal;
arts. 5º, nº XL e 52, nº X, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
18
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que
novos argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.314 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.038302-2


Arts. 66, nº III, alíneas b e f, 197, da Lei de Execução Penal.

— Questões relativas à progressão de regime


prisional e a outros incidentes de execução da pena são da competência
originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da
Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o
reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e
estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter livramento condicional, pois se trata de matéria em que, por
previsão de lei (art. 66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.
— Ainda que instrumento processual de dignidade
constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
P. 2.561).

Voto nº 10.315 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.033656-3


Arts. 66, nº III, alíneas b e f, 197, da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Ainda que instrumento processual de dignidade
constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.

Voto nº 10.316 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.042168-4


Art. 61 da Lei nº 9.099/95;
art. 29, § 1º, nº III, da Lei nº 9.605/98;
art. 84, § 1º, da Const. Estadual.

— Se o processo tramitou perante o Juizado Especial Criminal, por ser a infração


de menor potencial ofensivo (art. 61 da Lei nº 9.099/95), será competente
19
(“ratione materiae”) para conhecer de eventual recurso o Colégio Recursal,
não o Tribunal de Justiça.
—“As Turmas de Recurso constituem-se em órgão de segunda instância, cuja
competência é vinculada aos Juizados Especiais e de Pequenas Causas” (art.
84, § 1º, da Const. Estadual).

Voto nº 10.317 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.039036-3


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 1º da Lei nº 2.252/54;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou
contestar a verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do
Supremo Tribunal Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões,
também, se fundamentam por si mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso”
(O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p. 347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do
juiz), primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência
no foro da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art.
310, parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave —
como é o roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 10.318 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.044044-1


Art. 83 do Cód. Penal;
art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
20
escopo de obter livramento condicional, pois se trata de matéria em que,
por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.

Voto nº 10.319 — HABEAS cORPUS Nº 1.179.651-3/5-00


Art. 659 do Cód. Proc. Penal;
art. 112 da Lei de Execução Penal.
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado
a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado
o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.320 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.029811-4


Arts. 71, 213 e 226, nº II, do Cód. Penal;
arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
— “O habeas corpus não é meio idôneo para
corrigir possível injustiça da sentença condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p.
242; rel. Nélson Hungria).
–– Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda contava
ser absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito subjetivo
depois de condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de sua
culpabilidade.
–– Segundo entendimento pacífico do STF, a disposição do art. 594 do Cód. Proc.
Penal não se aplica a réu preso em razão de flagrante ou preventiva (cf.
Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 474).
— A exigência de prisão provisória para apelar não ofende a garantia
constitucional da presunção de inocência (Súmula nº 9 do STJ).

Voto nº 10.321 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.043500-6


Art. 312 do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, “caput”, § 2º e 44, da Lei nº 11.343/06;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não
pode criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia
21
constitucional” (Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel.
José Dantas).
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do
Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e
indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz
para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória
(art. 44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 10.322 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.029509-3
Arts. 14, parág. único, 33, § 2º, alínea b, 59 e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal.

— Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da vítima são, pelo


comum, dignas de crédito; servem, pois, a lastrear condenação, máxime se em
harmonia com outros elementos do processo.
— A confissão, máxime a prestada em Juízo, vale como prova do fato e de sua
autoria, se não ilidida por elementos de convicção firmes e idôneos. Donde a
antiga parêmia: “A confissão judicial é das melhores provas; quem confessa,
contra si profere a sentença” (“apud” Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, 1985, t. II, p. 530).
— Não há proibição legal de que o Juiz conceda ao condenado não-reincidente a
pena inferior a 8 anos o benefício do regime semi-aberto; o Código Penal, o
que veda às expressas é que se conceda ele ao réu condenado a pena superior
a 8 anos (não importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena seja
superior a 4 anos (art. 33, § 2º, alínea b, do Cód. Penal).
— Embora seja o regime fechado o que, em linha de princípio, verdadeiramente
condiz com a gravidade do roubo e com o caráter maligno de quem o pratica, a
Lei não proíbe que o Magistrado defira ao condenado primário e menor de 21
anos o benefício do regime semi-aberto (art. 33, § 2º, alínea b, do Cód. Penal).

Voto nº 10.323 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.043681-9


Art. 69 do Cód. Penal;
arts. 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
art. 12, “caput”, da Lei nº 10.826/03;
arts. 33, “caput”, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não
22
pode criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia
constitucional” (Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel.
José Dantas).
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 10.324 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.036938-0
Arts. 33, § 2º, alínea b, 59 e 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal.

–– A confissão judicial, por seu valor absoluto – visto se presume feita


espontaneamente –, basta à fundamentação do edito condenatório.
— A palavra da vítima é a pedra angular do edifício probatório: se em harmonia
com os mais elementos dos autos justifica a procedência da pretensão punitiva e a
condenação do réu.
— Não há proibição legal de que o Juiz conceda ao condenado não-reincidente a
pena inferior a 8 anos o benefício do regime semi-aberto; o Código Penal, o que
veda às expressas é que se conceda ele ao réu condenado a pena superior a 8 anos
(não importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos
(art. 33, § 2º, alínea b, do Cód. Penal).
—“A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui
motivação idônea para imposição de regime mais severo do que o permitido
segundo a pena aplicada” (Súmula nº 718, do STF).

Voto nº 10.325 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.030872-1


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XL, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
23
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07;
DJU 19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.326 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.010979-6

Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);


art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XL, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei n º 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).
24

Voto nº 10.327 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.030853-5


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XL, da Const. Fed.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei n º 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.328 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.036270-0
Arts. 12, “caput” e 18, IV, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 33 da Lei nº 11.343/06.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— Para autorizar decreto condenatório basta a confissão judicial do réu. Deveras, é
axioma de Direito que “a confissão da parte releva de outra prova” (cf.
Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar Jurídico, 1985, t. II, p. 530).
–– “Se a ré trazia consigo a droga (cocaína) pretendendo introduzi-la na Casa de
Detenção, o delito previsto no art. 12 da Lei de Tóxicos se consumou,
independentemente da entrega” (STJ; REsp nº 188.986; rel. Min. Félix Fischer;
DJU 13.9.99, p. 94).
— A desclassificação do crime do art. 33 da Lei nº 11.343/06 para o tipo do art. 28
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência
considerável quantidade de substância entorpecente acondicionada em pacotes,
25
apreendidos pela Polícia, pois tais circunstâncias revelam que o tóxico se
destinava ao consumo de terceiro, e não ao uso próprio.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes hediondos (Lei nº
8.072/90), no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de pena.
Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente
— e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, § 2º).
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 33 da Lei nº 11.343/06), crime da
classe dos hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por
força do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

Voto nº 10.330 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.07.080732-6
Arts. 33, § 2º, alínea b e 126, do Cód. Penal;
art. 5º da Lei de Introdução ao Cód. Civil.

— Não repugna à consciência jurídica nem quebranta a vontade da lei a decisão que
defere a réu (mesmo reincidente) o regime aberto, se condenado a pena de curta
duração. Casado e chefe de família, os efeitos de sua prisão alcançariam também
pessoas inocentes (a mulher e os filhos); donde o prescrever o direito positivo
que, ao aplicar a lei, deve olhar o Juiz o bem da sociedade (art. 5º da Lei de
Introdução ao Cód. Civil).
— A prisão, conforme o alto pensamento de Magarinos Torres, “a prisão é um
contra-senso que não regenera ninguém, mas só revolta, por contrariar
flagrantemente a natureza humana, deturpando funções e, sobretudo, atingindo
inocentes, como são a esposa e filhos do criminoso, privados, sem culpa, de
subsistência e do convívio do chefe de família” (apud José Luís Sales, Da
Suspensão Condicional da Pena, 1945, p. 13).

Voto nº 10.333 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.030099-2
Art. 157, § 3º, 1a. parte, do Cód. Penal.

— A confissão, conforme os velhos praxistas, passa pela rainha das provas (regina
probationum), pois, como acentua o conspícuo Mário Guimarães, é contrário à
natureza alguém afirmar contra si fato que não seja verdadeiro (O Juiz e a
Função Jurisdicional, 1958, pág. 309).
— Na real verdade, que melhor prova da autoria do fato criminoso, do que havê-la
admitido espontaneamente o próprio réu?!
— Conforme iterativa jurisprudência dos Tribunais, a palavra da vítima, se ajustada
aos mais elementos do processo, justifica decreto condenatório.
— Se qualificado pela lesão corporal grave (art. 157, § 3º, 1a. parte, do Cód. Penal),
entende-se consumado o roubo, ainda que não tenha havido subtração
patrimonial.
— O regime fechado, no início, é o que unicamente se aproposita ao autor de roubo
26
(crime da última graveza e abjeção), que argúi em quem o pratica entranhada
rebeldia à disciplina social.

Voto nº 10.334 — agravo em execução Nº


993.07.070971-5
Art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XL, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei n º 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).
27

Voto nº 10.335 — agravo em execução Nº


993.08.014380-3
Art. 157, § 3º, do Cód. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XL, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos
crimes hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei n º
11.464, em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de
Execução Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j.
25.10.07; DJU 19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar
bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos
28
estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional
mais brando.

Voto nº 10.336 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.07.004878-6
Arts. 202, 563 e 566, do Cód. Proc. Penal;
art. 12, “caput”, da Lei nº 6.368/76;
arts. 38 e 41, da Lei nº 10.409/02;
art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06 – Lei de Drogas.

— A Lei nº 10.409/02 não revogou os arts. 12 e seguintes da Lei nº 6.368/76. É que


uma lei revoga outra, quando expressamente o disponha, ou quando, em relação à
lei nova, a anterior se torne antagônica e antinômica, gerando com ela
incompatibilidade.
—“O rito especial previsto na Lei nº 10.409/02 aplica-se apenas aos crimes nela
previstos, os quais, insertos nos arts. 14 a 26, que integram a seção única do
Capítulo III, foram integralmente vetados, por vício de inconstitucionalidade”
(STJ; HC nº 28.300-RJ; 6a. Turma; rel. Min. Paulo Medina; j. 16.12.2003; DJU
3.11.2004, p. 245).
—“Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a
acusação ou para a defesa” (art. 563 do Cód. Proc. Penal).
–– Só admite acusação em silêncio o que não crê na força da própria inocência.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para
logo a idéia de tráfico (art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06 – Lei de Drogas).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos
policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de
policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU
7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 187).
— O justificado rigor, com que a Lei nº 8.072/90 tratava os crimes denominados
hediondos, foi atenuado pela Lei nº 11.464/2007, que lhe introduziu modificação
no art. 2º, § 1º, para permitir a seus autores progressão no regime prisional
após o cumprimento, sob o regime fechado, de 2/5 da pena se primário, ou 3/5,
se reincidente.
–– No processo penal, unicamente a certeza é base legítima de condenação. Dúvida,
que não significa outra coisa que falta de prova da acusação, deve interpretar-se
em favor do réu: “In dubio pro reo”.

Voto nº 10.337 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.038176-3


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.
29
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.353 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.025060-0
Arts. 77, nº III e 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal.

— Está acima de crítica a decisão que condena por furto o sujeito que, réu confesso,
foi detido na posse do produto do crime (art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal).
— É argumento lógico irrefragável que a posse de coisa alheia sem justificativa
satisfatória induz à certeza de sua origem ilícita.
— Incorre na pena de furto consumado o sujeito que, tendo subtraído coisa alheia
móvel, mantém-lhe a posse tranqüila e desvigiada, ainda que por breve trato de
tempo (art. 155 do Cód. Penal).
— O “sursis” é direito público subjetivo apenas do réu que atende aos requisitos
legais; pelo que, se o aconselharem as circunstâncias do caso, pode o Juiz
denegar-lhe o benefício, ou aplicar-lhe pena alternativa, observado o critério da
necessidade e suficiência da reprovação e prevenção do crime (art. 77, nº III, do
Cód. Penal).

Voto nº 10.354 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.040182-9


Art. 148, § 1º, nº I, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 16, parág. único, da Lei nº 10.826/03;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no cárcere, a
verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
30
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento
ilegítimo por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez
que nem sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso
de força maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do
Cód. Proc. Penal).
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
na inquirição de testemunhas por precatória, que tem o caráter de força maior,
motivo de suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 10.355 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.025391-3


Arts. 14, nº II e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 647 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, LXIX, da Const. Fed.

— Se foi o advogado-impetrante quem a requereu, não há senão homologar a


desistência de “habeas corpus”, pela presunção de que obrara “secundum jus” e
à luz da ética profissional (art. 647 do Cód. Proc. Penal).
— Ao contrário do que passa com a apelação, não há mister poderes especiais para
desistir de “habeas corpus”. Se desnecessário o instrumento de mandato para
impetrá-lo, seria contra-senso exigir poderes especiais para dele desistir.

Voto nº 10.356 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.019540-4
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 156 do Cód. Proc. Penal.

— Muita vez, o silêncio do acusado é a mais clara das explicações.


— Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da vítima são, pelo
comum, dignas de crédito; servem, pois, a lastrear condenação, máxime se a
roborarem outros elementos do processo.
— Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve lapso de tempo, teve
a posse desvigiada da coisa subtraída à vítima mediante violência ou grave
ameaça.
–– Isto de álibi, “quem alega deve prová-lo, sob pena de confissão” (cf. Damásio E.
de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 163).
— É, por força, o regime prisional fechado o mais compatível com o autor de roubo,
sobretudo se indivíduo que ostenta copiosos traços negativos de personalidade e
se consagrou abertamente à vida fora da lei, de todo infenso às regras que
disciplinam a convivência humana.

Voto nº 10.357 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.035740-4


Arts. 14, nº II e 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.
31
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.359 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.000607-0


Arts. 14, nº II e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal.

–– Como lhe compete presidir as audiências e prover à instrução dos processos, não
será decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem,
no entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica
motivos de força maior, a cujo número pertence a necessidade de expedição de
carta precatória para o interrogatório do réu, termo essencial do processo e
franca oportunidade de obtenção de prova, imprescindível à busca da verdade
real.
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento
ilegítimo por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez
que nem sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso
de força maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do
Cód. Proc. Penal).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do
juiz), primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência
no foro da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art.
310, parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave —
como é o roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 10.360 — HABEAS cORPUS Nº 993.07.100570-3


Arts. 66, nº III, alíneas b e f, 112, da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Ainda que instrumento processual de dignidade
constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
32
P. 2.561).
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter livramento condicional, pois se trata de matéria em que, por
previsão de lei (art. 66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.

Voto nº 10.361 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.042762-3


Arts. 14, nº II e 171, “caput”, Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 89 da Lei nº 9.099/95;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

— O exame de provas no âmbito do “habeas corpus”, para a verificação da falta de


justa causa para a ação penal, tem sido pábulo de tormentosas disputas. Mas, a
inteligência que, de presente, prevalece a tal respeito, assim na Doutrina como na
Jurisprudência, é a que, embora incompatível o processo de “habeas corpus”
com o contraditório ou ampla indagação probatória, tem lugar o exame dos
elementos dos autos, “para avaliar-se da legalidade ou ilegalidade da ação
penal” (cf. Rev. Tribs., vol. 491, p. 375; rel. Min. Costa Lima).
—“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Isto de defender-se em liberdade é direito
somente do réu primário e de bons antecedentes, quando comprovada a
ausência de hipótese que autorize a decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).
— A tese do crime putativo (ou flagrante preparado), em que o autor “é apenas o
protagonista inconsciente de uma comédia” (cf. Nélson Hungria, Comentários
ao Código Penal, 1978, vol. I, t. II, p. 107), não tem lugar nem prevalece nos
casos de tráfico, porque a posse pretérita de substância entorpecente para
consumo de terceiro já aperfeiçoa o tipo do art. 12 da Lei nº 6.368/76.

Voto nº 10.362 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.028360-5
Arts. 14, nº II e 121, § 2º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
art. 593, III, d, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, ns. XXXVIII, alínea c, LXIII, da Const. Fed.
33
— Ainda que direito seu, consagrado pelo texto constitucional (art. 5º, nº
LXIII), causa perplexidade isto de não querer defender-se o réu como fazem as
pessoas inocentes, segundo lhes ensinou a voz da Natureza, pela palavra e até
pela força. Donde o prolóquio: “qui tacet, consentire videtur” (quem cala,
consente).
–– Para autorizar decisão condenatória não é mister prova perfeita e exuberante,
bastando a que dê ao Juiz o fundamento lógico suficiente para não cair em erro
crasso.
— Em face da soberania de seus veredictos, as decisões do júri (proferidas “ex
informata conscientia”) somente se anulam quando em franca rebeldia com a
prova dos autos, ou nos casos de comprovada corrupção ou prevaricação dos
jurados (art. 5º, nº XXXVIII, alínea c, da Const. Fed.).

Voto nº 10.381 — agravo em execução Nº 993.07.071670-


3
Art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.
— A despeito da nova redação que a Lei nº 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de
Execução Penal, subsiste a possibilidade de realização do exame criminológico,
“quando o entender indispensável o juiz da execução para a decisão sobre
progressão de regime” (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59).
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões do
convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que
assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos, sem atender ao
requisito do lapso temporal: 2/5 para o condenado primário, 3/5 para o
reincidente (art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes Hediondos).
–– Decisões contraditórias no seio da Justiça operam sempre como fator de
insegurança dos negócios jurídicos, em detrimento grave de seu nome e crédito.

Voto nº 10.382 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.032216-3
Arts. 33, § 2º, alínea b e 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal;
art. 5º da Lei de Introdução ao Cód. Civil.
— Está acima de crítica (e merece confirmada) a sentença que condena, por furto
mediante escalada, o sujeito que penetra em armazém rural pelo telhado e subtrai
coisa alheia móvel (art. 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal).
—“Álibi: quem alega deve prová-lo, sob pena de confissão” (Damásio E. de Jesus,
Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 163).
34
—“Escalada é o acesso a um lugar por meio anormal de uso, como v.g., entrar
pelo telhado, saltar muro, etc.” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado,
18a. ed., p. 573).
— Não repugna à consciência jurídica nem quebranta a vontade da lei a decisão que
defere a réu (mesmo reincidente) o regime aberto, se condenado a pena de curta
duração. Casado e chefe de família, os efeitos de sua prisão alcançariam também
pessoas inocentes (a mulher e os filhos); donde o prescrever o direito positivo
que, ao aplicar a lei, deve olhar o Juiz o bem da sociedade (art. 5º da Lei de
Introdução ao Cód. Civil).
— A prisão, conforme o alto pensamento de Magarinos Torres, “a prisão é um
contra-senso que não regenera ninguém, mas só revolta, por contrariar
flagrantemente a natureza humana, deturpando funções e, sobretudo, atingindo
inocentes, como são a esposa e filhos do criminoso, privados, sem culpa, de
subsistência e do convívio do chefe de família” (apud José Luís Sales, Da
Suspensão Condicional da Pena, 1945, p. 13).

Voto nº 10.383 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.038767-2


Arts. 6º e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal.

— Em linha de princípio, não é o “habeas corpus” meio idôneo para obstar o curso
do inquérito policial nem da ação penal, se o fato imputado ao réu constituir
crime e houver indícios suficientes de sua autoria.
— Ainda na esfera do “habeas corpus”, é admissível a análise de provas para aferir
a procedência da alegação de falta de justa causa para a ação penal; defeso é
apenas seu exame aprofundado e de sobremão, como se pratica na dilação
probatória (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— Para trancar a ação penal, ou impedir o curso de inquérito policial, sob o
fundamento da ausência de “fumus boni juris”, há mister prova mais clara que a
luz meridiana, a fim de se não subverter a ordem jurídica, entre cujos postulados se
inscreve o da apuração compulsória, pelos órgãos da Justiça, da responsabilidade
criminal do infrator.
–– No que respeita ao formal indiciamento do acusado, embora não o considerem
alguns arestos de nossas Cortes de Justiça constrangimento ilegal, argúi manifesta
violência ao “status dignitatis” do indivíduo, demais de acarretar-lhe danos de
vária ordem, por seu caráter indelével. Não se trata de fraqueza da Justiça
punitiva, senão cautela com que devem obrar seus agentes, em ordem a não deitar
a perder aqueles que, por insídia ou malícia, foram submetidos a formal
indiciamento, ato procedimental cujos estigmas persistem “ad aeternum” nos
registros dos órgãos da Polícia.
––“Segundo orientação pacífica desta Corte, a determinação de indiciamento
formal, quando já em curso a ação penal pelo recebimento da denúncia, é tida
por desnecessária e causadora de constrangimento ilegal” (STJ; HC nº 29.466-
SP); 5a. Turma; rel. Min. José Arnaldo da Fonseca; j. 4.3.2004).

Voto nº 10.384 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.034520-1
Arts. 107, nº IV, primeira figura, 109, nº VI e 155, do Cód. Penal.

— Não merece crítica senão louvor e confirmação a sentença que condena por furto
simples o sujeito que, após deitar a mão ao cão do vizinho que perambulava pela
redondeza, pretende vendê-lo a terceiro, mas intervém a Polícia e frustra-lhe a
transação irregular (art. 155 do Cód. Penal).
— De nada valem os protestos de inocência do réu, se o conjunto probatório o
incrimina implacavelmente. Aliás, em pontos de furto, deve receber-se com
reserva e cautela a versão exculpatória do réu, gatuno contumaz, que sabia
35
conjugar o verbo “rapio” em todos os seus tempos (art. 155 do Cód. Penal).
—“A terapêutica penal consiste numa regra de razoabilidade para efetiva
reintegração social (do infrator), que não se consolida com severidade em
excesso e muito menos num apego primário à letra fria da lei (...)” (Marco
Antônio Ferreira Lima, Promotor de Justiça).
— Na apuração da autoria de crime adotavam os romanos o judicioso critério:
“Cui prodest scelus, is fecit”. Aquele a quem o crime aproveita, esse o cometeu.
É a lógica a melhor das provas.
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do
exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
— Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

Voto nº 10.387 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.003009-4


Arts. 14, nº II e 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
— “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.388 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.041024-0


Art. 69 do Cód. Penal;
arts. 312, 563, 566 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
art. 1º da Lei nº 9.296/96;
art. 16 da Lei nº 10.826/2003;
arts. 33, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária,
com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por
falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
36
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
–– Nulidade de ato processual somente se declara em face de prova plena e
incontroversa de prejuízo das partes, ou se “houver influído na apuração da
verdade substancial ou na decisão da causa” (arts. 563 e 566 do Cód. Proc.
Penal).
–– “Só a nulidade evidente, prima facie, autoriza a fulminação do processo no Juízo
do habeas corpus” (Rev. Forense, vol. 148, p. 415).

Voto nº 10.389 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.046270-4


Arts. 33, 35 e 40, nº VI, da Lei nº 11.343/2006;
art. 105, nº I, alíneas “a” e “c”, da Const. Fed.

— É ao Colendo Superior Tribunal de Justiça que compete julgar “habeas


corpus” impetrado contra ato do Tribunal de Justiça, conforme o preceito do
art. 105, nº I, alíneas “a” e “c”, da Constituição Federal, explicitado pela
Emenda Constitucional nº 22, de 18 de março de 1999 (cf. HC nº 78.069-9/MG;
2a. Turma; rel. Min. Marco Aurélio; DJU 14.5.99).
––“O habeas-corpus, instrumento processual de dignidade constitucional destinado
a proteger o direito de locomoção, não é remédio próprio e idôneo para fazer
agilizar o julgamento de recurso interposto pela defesa” (STJ; HC nº 8.067-BA;
rel. Vicente Leal; 6a. Turma; DJU 5.4.99, p. 152).

Voto nº 10.390 — mandado de SEgUrança Nº


993.08.031107-2
Arts. 14, nº II e 155, §§ 1º e 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
arts. 47 e 499, do Cód. Proc. Penal;
art. 26, I, b e II, da Lei Complementar nº 75/90;
arts. 5º, nº LXIX e 129, ns. VI e VIII, da Const. Fed.

— Nos processos intentados em Juízo, como em tudo o mais, prepondera o princípio


da provocação da parte interessada.
–– A liberdade de requerer, escreveu o insigne Ministro Bento de Faria, “não
deve degenerar em abuso por forma a paralisar a marcha do processo, com o
propósito de retardar a administração da justiça ou de tumultuar a ordem
processual” (Código de Processo Penal, 1960, vol. II, p. 210).
–– Apenas a violação de direito líqüido e certo, pedra angular do instituto, autoriza
37
a impetração de mandado de segurança (art. 5º, nº LXIX, da Const. Fed.).
— Em obséquio à segurança jurídica — objetivo a que devem atender, por princípio,
todas as decisões da Justiça —, não há conceder mandado de segurança senão
em face de direito líqüido e certo, que, na expressão memorável de Hely Lopes
Meirelles, “é direito comprovado de plano” (Mandado de Segurança e Ação
Popular, 5a. ed., p. 16).

Voto nº 10.391 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.042862-0

Arts. 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;


art. 2º da Lei nº 8.072/90;
art. 44 da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária,
com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por
falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
38
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória
(art. 44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 10.392 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.036549-0


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, 648, nº I e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do crime, é
insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo;
apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do contraditório
(art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre
suas decisões, ninguém ainda ousou contestar a verdade destas palavras do
39
conspícuo Ministro Mário Guimarães, do Supremo Tribunal Federal,
grande sabedor da matéria: “Certas decisões, também, se fundamentam por si
mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso” (O Juiz e a Função
Jurisdicional, 1958, p. 347). Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz),
primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro
da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave — como
é o roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 10.393 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.044926-0

Arts. 69, 70 e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;


arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Não há averbar de falta de fundamentação a decisão que encerra base jurídica e
fática bastante a garantir-lhe a validade. Tratando-se de roubo, crime de extrema
gravidade, a necessidade e a conveniência da decretação da custódia cautelar
como que se presumem.
— Se preso em flagrante delito, é razão que o acusado aguarde, no cárcere, a
verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
40
autor de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao
benefício.
–– Pedido de desclassificação do fato criminoso não cabe na esfera angusta do
“habeas corpus”, onde não têm entrada questões de alta indagação, ou que
impliquem aprofundado exame da prova dos autos.

Voto nº 10.394 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.042193-5


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 112 da Lei de Execução Penal;
arts. 5º, nº XL e 52, nº X, da Const. Fed.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei n º 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.395 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.001104-9


Arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
arts. 14, 16, parág. único, nº IV, 17, 18 e 21, da Lei nº 10.826/03;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
— À luz da nova ordem constitucional instaurada no País, a regra geral é que se
defenda o réu em liberdade. Consectário do princípio do estado de inocência
(art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.), só por exceção deve o acusado responder preso
ao processo.
— Não há denegar liberdade provisória ao infrator do art. 14 da Lei nº 10.826/03
(porte ilegal de arma de fogo) se presentes os requisitos do art. 310, parág.
único, do Cód. Proc. Penal.
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de
réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).
41
—“Liberdade provisória. Embora preso em flagrante por crime inafiançável,
pode o réu ser libertado provisoriamente, desde que inocorram razões para sua
prisão preventiva” (TJSP; Rev.Tribs., vol. 523, p. 376; apud Damásio E. de
Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 246).
—“Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação
cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu. Ausentes razões de
necessidade, revela-se incabível, ante a sua excepcionalidade, a decretação ou a
subsistência da prisão preventiva (...)” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 180, pp.
262-264; rel. Min. Celso de Mello).
Voto nº 10.396 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.025711-6
Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 149 do Cód. Proc. Penal.

–– Ainda que o requeira a Defesa, não está obrigado o Juiz a ordenar seja o acusado
submetido a exame médico-legal, se não houver dúvida sobre sua integridade
mental nem alguma circunstância do processo lhe indique a necessidade da
realização da providência (art. 149 do Cód. Proc. Penal).
—“Cabe ao magistrado da instrução o juízo acerca da instauração ou não do
incidente de dependência toxicológica” (STF; HC nº 84.431-SP; rel . Min.
Carlos Britto).

Voto nº 10.397 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.024537-1
Art. 157, “caput”, do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal.

— Depõe ordinariamente contra o interesse do réu seu silêncio na quadra do


inquérito policial. Deveras, quando injusta a acusação, o inocente clama de
contínuo à face do mundo, não se retrai ao silêncio, refúgio natural dos culpados.
— A palavra da vítima é a pedra angular do edifício probatório: se em harmonia
com os mais elementos dos autos justifica a procedência da pretensão punitiva e a
condenação do réu.
— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo constitui
solene despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cód.
Proc. Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas
penas da lei, donde a inépcia do raciocínio apriorístico de que o policial vem a
Juízo para mentir.
— Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve lapso de tempo, teve
a posse desvigiada da coisa subtraída à vítima mediante violência ou grave
ameaça.
— O regime prisional fechado é o que, em princípio, convém ao autor de roubo, por
sua natural periculosidade, como sujeito infenso à ordem legal e destituído de
sentimento ético, sobretudo se reincidente, e pela notória gravidade do crime, que
intranqüiliza e comove a população honrada.

Voto nº 10.400 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.08.036998-4


Arts. 14, nº II, 29 e 157 § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal.

— A palavra da vítima de roubo, sobretudo quando em harmonia com outros


elementos de convicção do processo, pode justificar decreto condenatório.
Protagonista do fato criminoso, é pessoa a mais capacitada para dele discorrer e
indicar seu autor.
42
— Há tentativa de roubo se o agente, logo perseguido e preso, não teve a posse
tranqüila da coisa subtraída, recuperada afinal pela vítima.
— O regime prisional fechado é, pelo comum, o que mais convém à personalidade
do autor de roubo, de seu natural violento e refratário à disciplina social.

Voto nº 10.401 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.08.013174-0

Art. 202 do Cód. Proc. Penal;


art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 33 da Lei nº 11.343/06.

— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo


a idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo constitui
solene despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cód.
Proc. Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas
penas da lei, donde a inépcia do raciocínio apriorístico de que o policial vem a
Juízo para mentir.
— Com respeito aos policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples
condição de policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº
51.577; DJU 7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 187).
— A desclassificação do crime do art. 33 da Lei nº 11.343/06 para o tipo do art. 28
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo considerável quantidade de
substância entorpecente acondicionada em pacotes, apreendidos pela Polícia, pois
tais circunstâncias revelam que o tóxico se destinava ao comércio ilícito, e não
ao uso próprio.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007, atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90), no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento
de pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 33 da Lei nº 11.343/06), crime da
classe dos hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por
força do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
43

Voto nº 10.402 — agravo em execução Nº 993.08.042700-3


Art. 157, § 3º, do Cód. Penal;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
arts. 5º, nº XL e 52, nº X da Const. Fed.

— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei n º 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).
44

Voto nº 10.403 — agravo em execução Nº


993.08.036264-5
Arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 112, da Lei de Execução Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 5º da Const. Fed.

—“A progressão de regime de cumprimento de pena (fechado para o semi-aberto)


passou a ser direito do condenado, bastando que se satisfaça a dois pressupostos:
o primeiro, de caráter objetivo, que depende do cumprimento de pelo menos 1/6
da pena; o segundo, de caráter subjetivo, relativo ao seu bom comportamento
carcerário, que deve ser atestado pelo diretor do estabelecimento prisional”
(STJ; HC nº 38.602; 5ª. Turma; rel. Min.
— Salvo se lhe pende processo de expulsão do País, é possível deferir a condenado
estrangeiro o benefício da progressão no regime prisional, desde que atenda aos
requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal. Conclusão diversa implicava
tratamento discriminatório entre o condenado alienígena e o nacional, balda
gravíssima que a Constituição da República solenemente repele (art. 5º).
–– Sob o regime semi-aberto, o sentenciado estrangeiro estará sujeito, por força, a
restrições de vária ordem: não terá direito a “saída temporária” nem realizará
“trabalhos extramuros”, por não frustrar o cumprimento de eventual decreto de
expulsão.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido.

Voto nº 10.404 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.045788-3


Arts. 2º, 12, “caput”, 18, nº III, 1a. parte, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a


liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário,
máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
45

Voto nº 10.405 — embargos de declaração Nº 993.06.121144-


0/01
Arts. 14, parág. único, 33, § 2º, alínea “b”, 59, 106, nº VI, 107, nº IV, 109, nº
VI, 110, § 1º e 147, do Cód. Penal;
arts. 400, 475, 479 e 619, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90;
art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal;
art. 16, “caput”, da Lei nº 10.826/03.

— A argüição de nulidade por falta de apreciação de teses da Defesa não prevalece


contra a sentença cuja conclusão se mostre com elas inconciliável. É que “a
sentença precisa ser lida como discurso lógico” (STJ; Resp nº 47.474/RS; 6a.
Turma; rel. Min. Luiz Vicente Cernicchiaro; DJU 24.10.94, p. 28.790).
—“Os embargos de declaração — que possuem função processual específica,
consistente em integrar, retificar ou complementar a decisão proferida (RTJ
132/1.020) — não podem ser utilizados com a indevida finalidade de infringir o
julgado e fazer instaurar nova discussão em torno de matéria que já tinha sido
examinada, em sua integralidade, pelo Tribunal” (Rev. Trim. Jurisp., vol. 182,
p. 796; rel. Min. Celso de Mello).
— Os embargos de declaração não rendem ensejo a reapreciação de matéria já
decidida, pois não têm caráter infringente; armam só ao fim de desfazer
ambigüidade, contradição ou obscuridade do acórdão (art. 619 do Cód. Proc.
Penal).
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido.
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).

Voto nº 10.406 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.032922-2
Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal.

— Depõe ordinariamente contra o interesse do réu seu silêncio na quadra do


inquérito policial. Deveras, quando injusta a acusação, o inocente clama de
contínuo à face do mundo, não se retrai ao silêncio, refúgio natural dos culpados.
— A palavra da vítima é a pedra angular do edifício probatório: se em harmonia
com os mais elementos dos autos justifica a procedência da pretensão punitiva e a
condenação do réu.
— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo constitui
solene despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cód.
Proc. Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas
46
penas da lei, donde a inépcia do raciocínio apriorístico de que o policial vem
a Juízo para mentir.
— O regime prisional fechado é o que, em princípio, convém ao autor de roubo, por
sua natural periculosidade, como sujeito infenso à ordem legal e destituído de
sentimento ético, e pela notória gravidade do crime, que intranqüiliza e comove a
população honrada.

Voto nº 10.407 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.038423-1


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.408 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.04.024425-0
Art. 59 do Cód. Penal;
arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A causa de aumento de pena do art. 18, nº III, da Lei nº 6.368/76 já não
subsiste (e deve ser excluída), uma vez não consta da nova Lei de Drogas (Lei nº
11.343/06), que previu a circunstância apenas como crime autônomo de
associação para o tráfico (art. 35).
— Tratando-se de réu primário, e sendo-lhe favoráveis as diretrizes judiciais do
art. 59 do Cód. Penal, deverá sua pena-base aproximar-se do mínimo legal, não
se configure exagero punitivo.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº
8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de pena.
Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente
— e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, § 2º).

Voto nº 10.409 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.000692-4


Arts. 69, “caput”, 148, ns. I e IV, § 2º, 213 e 214, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de estupro incide na cláusula restritiva; pelo que não tem jus ao benefício.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
47
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).

Voto nº 10.410 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.04.024531-1
Art. 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal;
arts. 14 e 16, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento).

–– A posse irregular de “arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou


restrito” tipifica a infração do art. 16 da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do
Desarmamento), independentemente de perigo concreto.
–– Configura crime único (e não concurso de infrações) a posse ilegal de duas ou
mais armas de fogo, munições ou acessórios, porque um só o bem jurídico
ofendido: a incolumidade pública (arts. 14 e 16 da Lei nº 10.826/03).
— No caso de posse conjunta de armas de fogo, munições ou acessórios de “uso
permitido” e de “uso proibido ou restrito”, haverá apenas o crime mais grave
(art. 16 da Lei nº 10.826/03), que, pelo princípio da consunção, absorverá o
outro, menos grave (art. 14).
— Em obséquio ao princípio constitucional do estado de inocência, “não devem ser
considerados como maus antecedentes, prejudicando o réu, processos em curso”
(Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 209).

Voto nº 10.411 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.022.278-


3/1-00
Arts. 70 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal.

— Muita vez, o silêncio do acusado é a mais clara das explicações.


— Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da vítima são, pelo
comum, dignas de crédito; servem, pois, a lastrear condenação, máxime se a
roborarem outros elementos do processo.
— Considera-se consumado o roubo se o réu teve, ainda que por breve trecho, a
posse tranqüila e desvigiada da “res furtiva”.
— Impossível capitular de furto a subtração de coisa alheia móvel mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, pois são estas elementares do roubo (art. 157,
“caput”, do Cód. Penal).
— Há concurso formal (art. 70 do Cód. Penal), e não crime único, se o agente, num
só contexto de fato, viola patrimônios de vítimas diferentes.
— É, por força, o regime prisional fechado o mais compatível com o autor de roubo,
sobretudo se indivíduo que ostenta copiosos traços negativos de personalidade e
48
se consagrou abertamente à vida fora da lei, de todo infenso às regras que
disciplinam a convivência humana.

a
Voto nº 10.412 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.08.029185-3
Arts. 59, 70, “caput” e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal.

— A confissão policial, ainda que repudiada em Juízo, autoriza decreto


condenatório se em harmonia com outros elementos de prova, máxime o firme
reconhecimento do réu pela vítima.
—“A confissão do delito vale não pelo lugar em que é prestada, mas pela força de
convencimento que nela se contém” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 95, p. 564;
rel. Min. Cordeiro Guerra).
— No caso de roubo, tem a palavra da vítima extraordinária importância para
comprovar-lhe a materialidade e a autoria: parte precípua no evento criminoso, é
a que está em melhores condições de, à luz da verdade sabida, reclamar a punição
unicamente do culpado.
—“Responde por roubos em concurso formal o sujeito que, num só contexto de fato,
pratica violência ou grave ameaça contra várias pessoas, produzindo
multiplicidade de violações possessórias” (Damásio E. de Jesus, Código Penal
Anotado, 18a. ed., p. 591).
— O regime prisional fechado é, em linha de princípio, o que verdadeiramente
convém ao autor de roubo, sobretudo se manifesta sua propensão à vida de
crimes.

Voto nº 10.413 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.046201-1


Arts. 61, nº I e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

–– Não se conhece de “habeas corpus” que seja simples reiteração de pedido


anterior, com os mesmos fundamentos de fato e de direito. A razão é que,
satisfeita a prestação jurisdicional, não pode o Juízo ou Tribunal reapreciar a
matéria do litígio, senão mediante recurso ordinário.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se
deve outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, 1985, vol. II, p. 588).
—“Não se conhece de habeas corpus que seja reiteração de outro, já indeferido”
49
(Rev. Forense, vol. 158, p. 340).

Voto nº 10.434 — agravo em execução Nº 993.08.039040-1


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 112 da Lei de Execução Penal;
arts. 5º, nº XL e 52, nº X, da Const. Fed.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei n º 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.

Voto nº 10.435 — agravo em execução Nº


993.08.039461-0
Art. 112 da Lei de Execução Penal.

— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
50
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos
estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais
brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

Voto nº 10.436 — agravo em execução Nº


993.08.037899-1
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes Hediondos;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

— A despeito da nova redação que a Lei nº 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de
Execução Penal, subsiste a possibilidade de realização do exame criminológico,
“quando o entender indispensável o juiz da execução para a decisão sobre
progressão de regime” (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59).
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões do
convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que
assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos, sem atender ao
requisito do lapso temporal: 2/5 para o condenado primário, 3/5 para o
reincidente (art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes Hediondos).
–– Decisões contraditórias no seio da Justiça operam sempre como fator de
insegurança dos negócios jurídicos, em detrimento grave de seu nome e crédito.

Voto nº 10.437 —Recurso em Sentido Estrito Nº


993.08.029424-0

— Sentença condenatória torna despropositada e estéril toda a controvérsia a


respeito de eventual ilegalidade do despacho que, durante a instrução criminal,
51
indefere pedido de decretação da prisão preventiva do réu.
––“Cessa o interesse processual se decisão anterior apreciou a matéria deduzida”
(STJ; HC nº 7.294; 6a. T.; rel. Luiz Vicente Cernicchiaro; j. 19.8.98).

Voto nº 10.438 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.05.059082-8
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76.

— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo


a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos
policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de
policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU
7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 187).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— O justificado rigor, com que a Lei nº 8.072/90 tratava os crimes denominados
hediondos, foi atenuado pela Lei nº 11.464/2007, que lhe introduziu modificação
no art. 2º, § 1º, para permitir a seus autores progressão no regime prisional após
o cumprimento, sob o regime fechado, de 2/5 da pena se primário, ou 3/5, se
reincidente.

Voto nº 10.439 — agravo em execução Nº


993.08.039287-0
Arts. 76 e 116, parág. único, do Cód. Penal;
art. 181, § 1º, alínea “e”, da Lei de Execução Penal.

–– É maior de toda crítica a decisão que, por amor do princípio que rege o
cumprimento de penas nos casos de concurso de infrações (art. 76 do Cód.
Penal), somente suspende a pena restritiva de direitos (prestação de serviços à
comunidade), sem convertê-la em privativa de liberdade, a fim de que se execute
primeiro “a pena mais grave”.
52
––“Assim, o executado cumprirá a pena privativa de liberdade para, somente
depois, ter a possibilidade de prestar serviços à comunidade, devendo esta ser
suspensa enquanto cumpre aquela, em respeito ao art. 116, parág. único, do
Cód. Penal” (STJ; REsp nº 662.066-SC; 5a. T.; rel. Min. José Arnaldo da
Fonseca; DJU 1º.8. 2005; v.u.).

Voto nº 10.440 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.183.083-


3/7-00
Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal.

— A confissão, máxime a prestada em Juízo, vale como prova do fato e de sua


autoria, se não ilidida por elementos de convicção firmes e idôneos. Donde a
antiga parêmia: “A confissão judicial é das melhores provas; quem confessa,
contra si profere a sentença” (apud Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, 1985, t. II, p. 530).
— A palavra da vítima, nos crimes de roubo, tem inquestionável importância e
pode ensejar decreto condenatório, se em harmonia com as mais provas dos
autos. Sua força está na circunstância de ter saído dos lábios da pessoa que sofreu
a violência ou grave ameaça e, pois, está em melhor condição de identificar seu
ofensor.
— Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve lapso de tempo, teve
a posse desvigiada da coisa subtraída à vítima mediante violência ou grave
ameaça.
— Constitui a majorante do inc. I do § 2º do art. 157 do Cód. Penal a ameaça com
arma desmuniciada, se a vítima o ignorava, porque instrumento apto a intimidá-
la e, pois, render-lhe o ânimo.
— O regime prisional fechado é o que, de regra, mais convém ao autor de roubo,
sobretudo quando sua biografia revela práticas reiteradas de ilícitos penais
graves.

Voto nº 10.441 — agravo em execução Nº


993.08.013936-9
Art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 112 da Lei de Execução Penal.

— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
53
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar
bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

Voto nº 10.442 — agravo em execução Nº


990.08.006227-1
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

— A despeito da nova redação que a Lei nº 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de
Execução Penal, subsiste a possibilidade de realização do exame criminológico,
“quando o entender indispensável o juiz da execução para a decisão sobre
progressão de regime” (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59).
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões do
convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.

r
Voto nº 10.443 — ecurso de ofício Nº 993.07.118481-0
Art. 155, “caput”, do Cód. Penal;
art. 746 do Cód. Proc. Penal;
art. 197, da Lei de Execução Penal.

— Enquanto em vigor o art. 746 do Cód. Proc. Penal, da decisão que conceder
reabilitação criminal caberá recurso de ofício.
—“É preciso que a Justiça seja solícita em ouvir o seu reclamo (do ex-presidiário),
dando o primeiro testemunho de que tem ele direito à reintegração social. Não
se pode admitir que marcas de Caim o persigam até o túmulo” (João Baptista
Herkenhoff, Uma Porta para o Homem no Direito Criminal, 2a. ed., p. 196).
54
Voto nº 10.444 — agravo em execução Nº
993.08.028831-3
Arts. 213, 224, 225, § 1º, nº II, e 226, nº II, do Cód. Penal;
art. 112 da Lei de Execução Penal.

— Se o sentenciado satisfez ao requisito objetivo (lapso temporal), observou sem


quebra o código de disciplina do presídio e submeteu-se à laborterapia, tem jus à
progressão ao regime semi-aberto, porque esta é a vontade da lei (art. 112 da
Lei de Execução Penal). Somente fato grave, indicativo de personalidade
anômala e refratária aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança
para regime prisional mais brando.
— O argumento da pena longa não é poderoso a impedir a concessão do benefício
do regime semi-aberto ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade
(necessariamente longa).

Voto nº 10.445 — agravo em execução Nº


993.08.014334-0
Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 112 da Lei de Execução Penal;
arts. 5º, nº XL e 52, nº X, da Const. Fed.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos
crimes hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº
11.464, em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de
Execução Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j.
25.10.07; DJU 19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.447 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.06.043804-2
55
Art. 16, parág. único, nº IV, do Estatuto do Desarmamento;
art. 10, “caput”, da Lei nº 9.437/97;
arts. 5º, “caput” e 144, da Const. Fed.
— A confissão judicial, por seu valor absoluto – visto se presume feita
espontaneamente –, basta à fundamentação do edito condenatório.
— Incorre em crime e, pois, sujeita-se às penas da lei aquele que possui arma de
fogo com numeração raspada, sem justificá-lo (art. 16, parág. único, nº IV, do
Estatuto do Desarmamento).
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a
mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os
perigos que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que
existam controles ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das
Armas de Fogo, 1998, p. 107).
— Isto de alguém estar na posse de mais de uma arma de fogo, sem licença da
autoridade, não constitui concurso de crimes, senão crime único, pois que um só
o bem jurídico ofendido: a segurança pública (art. 10, “caput”, da Lei nº
9.437/97).
—“A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena
abaixo do mínimo legal” (Súmula nº 231 do STJ).

Voto nº 10.449 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.07.033916-0
Art. 44, § 2º, do Cód. Penal;
arts. 202, 563 e 566, do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
arts. 28, 33 e 44, da Lei nº 11.343/06.

— Nulidade de ato processual somente se declara em face de prova plena e


incontroversa de prejuízo às partes, ou se “houver influído na apuração da
verdade substancial ou na decisão da causa” (arts. 563 e 566 do Cód. Proc.
Penal).
— A confissão do réu na Polícia, ainda que repudiada em Juízo, pode justificar
decreto condenatório, se em harmonia com os mais elementos de convicção dos
autos; ao seu aspecto intrínseco é que se deve atender, não à circunstância do
lugar onde a presta o confitente.
—“Para os chamados penalistas práticos, a confissão do acusado se equiparava à
própria coisa julgada, como ensinava Farinácio: Confessio habet vim rei
judicatae” (José Frederico Marques, Estudos de Direito Processual Penal, 1a.
ed., p. 290).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A desclassificação do crime do art. 33 da Lei de Drogas para o tipo do art. 28
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo considerável quantidade de
substância entorpecente, que a Polícia apreendeu, pois tal circunstância revela
que se destinava ao comércio ilícito, e não ao uso próprio.
56
Voto nº 10.450 —Recurso em Sentido Estrito Nº
993.08.029357-0
Arts. 69, 107, nº IV, 109 e 171, “caput”, do Cód. Penal;
art. 67 da Lei nº 8.078/90.

— Não é de bom exemplo antecipar o exame do mérito à produção da prova com o


intuito de aferir prescrição virtual, que isto implica descaso pela obrigatoriedade
da ação penal e violação grave da primeira garantia de todo o acusado: ter
oportunidade de comprovar sua inocência (art. 107, nº IV, do Cód. Penal).
— Se a pena ainda não foi concretizada na sentença, não há reconhecer prescrição,
antecipadamente, com fundamento em juízo de provável condenação, visto como
pode suceder que o réu venha a ser absolvido, o que terá por benefício de maior
quilate que a extinção de sua punibilidade pela porta ampla da prescrição.
—“A maioria da jurisprudência não aceita a chamada prescrição virtual”
(Guilherme de Souza Nucci, Código Penal Comentado, 5a. ed., p. 469).

Voto nº 10.451 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.046988-1


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.452 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.027069-4


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).
57

Voto nº 10.453 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.006766-4


Art. 29 do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal;
art. 33 da Lei nº 11.343/06.

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).

Voto nº 10.454 — agravo em execução Nº


993.08.031734-8
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
arts. 5º, nº XL e 52, nº X, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
58
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos
crimes hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº
11.464, em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de
Execução Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j.
25.10.07; DJU 19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.455 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.031487-0
Arts. 24, 57 e 65, nº III, alínea “d”, do Cód. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 33 da Lei nº 11.343/06.

— A necessidade faz do homem o que quer, reza o aforismo jurídico: “necessitas


non habet legem”. Mas só constitui causa excludente de criminalidade se o
agente não podia conjurar o mal, exceto com o sacrifício do bem jurídico alheio
(art. 24 do Cód. Penal). A mera alegação de estreiteza de recursos,
desacompanhada de prova cabal e convincente, não basta para o reconhecimento
da descriminante legal, senão se converteria em razão universal de impunidade.
— A confissão judicial, por seu valor absoluto — visto se presume feita
espontaneamente —, basta à fundamentação do edito condenatório.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— Pela confissão espontânea do crime, é certo que o réu lavra contra si a própria
sentença condenatória, porém dá exemplo de grandeza moral: demonstra
aborrecer o vício da mentira e, talvez, se haja arrependido da transgressão à lei.
Não há ilegalidade, pois, em compensar-lhe a nota de reincidência com a
circunstância atenuante obrigatória prevista no art. 65, nº III, alínea d, do Cód.
Penal.
— A desclassificação do crime do art. 33 da Lei nº 11.343/06 para o tipo do art. 28
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência
considerável quantidade de substância entorpecente acondicionada em pacotes,
apreendidos pela Polícia, pois tais circunstâncias revelam que o tóxico se
destinava ao comércio ilícito, e não ao uso próprio.
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 33 da Lei nº 11.343/06), crime da
classe dos hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por
força do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
59

Voto nº 10.456 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.001406-4


Arts. 213 e 224, alínea “c”, do Cód. Penal;
arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal.

— Ainda que instrumento processual de dignidade


constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
— “O habeas corpus não é meio idôneo para
corrigir possível injustiça da sentença condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p.
242; rel. Nélson Hungria).
–– Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda contava
ser absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito subjetivo
depois de condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de sua
culpabilidade.
–– Segundo entendimento pacífico do STF, a disposição do art. 594 do Cód. Proc.
Penal não se aplica a réu preso em razão de flagrante ou preventiva (cf.
Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 474).
— A exigência de prisão provisória para apelar não ofende a garantia
constitucional da presunção de inocência (Súmula nº 9 do STJ).

Voto nº 10.457 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.010177-3


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.458 — HABEAS cORPUS Nº 1.224.250-3/7-00


Arts. 29, 69 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 563, 566, 594 e 647, do Cód. Proc. Penal.

— Condição fundamental da concessão da ordem


de “habeas corpus”, a liqüidez e certeza do direito alegado pelo paciente devem
estar comprovadas nos autos (art. 647 do Cód. Proc. Penal).
— Ainda que instrumento processual de dignidade
constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
––“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
–– Nulidade de ato processual somente se declara em face de prova plena e
incontroversa de prejuízo às partes, ou se “houver influído na apuração da
verdade substancial ou na decisão da causa” (arts. 563 e 566 do Cód. Proc.
Penal).
60
–– Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda
contava ser absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito
subjetivo depois de condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de
sua culpabilidade.
–– Segundo entendimento pacífico do STF, a disposição do art. 594 do Cód. Proc.
Penal não se aplica a réu preso em razão de flagrante ou preventiva (cf.
Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 474).
— A exigência de prisão provisória para apelar não ofende a garantia
constitucional da presunção de inocência (Súmula nº 9 do STJ).

Voto nº 10.459 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.029983-8
Art. 171 do Cód. Penal.

— Pratica o delito de estelionato em seu tipo fundamental (art. 171 do Cód. Penal)
o sujeito que, para pagamento de dívida, entrega ao credor cheque de terceiro
falsificado, embaindo-lhe a fé. A circunstância de ser a vítima pessoa ingênua
não desnatura o tipo penal nem serve de escusa ao réu, antes, por argüir maior
periculosidade, deve a Justiça atuar com especial rigor em relação àquele que,
sem princípios éticos, não escrupuliza em enganar, para obter vantagem indevida,
ainda os mais crédulos e simplórios.
—“A palavra da vítima é a viga mestra da estrutura probatória, e a sua acusação,
firme e segura, em consonância com as demais provas, autoriza a condenação”
(Rev. Tribs., vol. 750, p. 682).

Voto nº 10.462 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.046602-5


Arts. 14, nº II e 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado
a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado
o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).

Voto nº 10.463 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.026479-1


Art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33 e 44, da Lei nº 11.343/06.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
61
maior que obstam à realização do ato processual.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não
pode criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia
constitucional” (Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel.
José Dantas).
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).

a
Voto nº 10.464 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.06.106497-9
Arts. 61, 107, nº IV, 109, nº V, 110, § 1º, 115 e 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal.

–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de


prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

Voto nº 10.465 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.031676-7
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, 648, nº I e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Como lhe compete presidir as audiências e prover à instrução dos processos, não
será decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem,
no entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica
motivos de força maior, a cujo número pertence a necessidade de expedição de
carta precatória para a inquirição de testemunhas.
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento
ilegítimo por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez
que nem sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso
de força maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do
Cód. Proc. Penal).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do crime, é
insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo;
apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do contraditório
(art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
62
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do
art. 312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência
da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou
contestar a verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do
Supremo Tribunal Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões,
também, se fundamentam por si mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso”
(O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p. 347). Salvo casos especiais (ao
prudente arbítrio do juiz), primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação
lícita e de residência no foro da culpa não valem a autorizar a concessão de
liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele que,
acusado de crime grave — como é o roubo —, tem contra si a presunção de
periculosidade.

Voto nº 10.479 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.012285-7
Art. 121, § 2º, ns. I, III e IV, do Cód. Penal;
art. 155 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº XXXVIII, letra c, da Const. Fed.

— Decisão dos jurados não se anula, exceto se proferida contra a evidência dos
autos, pois tem por si a força do preceito constitucional da soberania dos
veredictos do Júri, que lhe assegura a imutabilidade (art. 5º, nº XXXVIII, letra c,
da Const. Fed.). “Manifestamente contrária à prova dos autos” é somente a
decisão que neles não depara fundamento algum, constituindo por isso
formidável desvio da razão lógica e da realidade processual.
— Embora já pertença à arqueologia jurídica — Deus seja louvado! — o argumento
de que a Polícia costuma extrair a confissão a infelizes juntamente com suas
fibras musculares, “a confissão perante a autoridade policial normalmente é
repelida, pela suspeita de coação” (Rev. Forense, vol. 226, p. 362).
— Dado que julgam “ex informata conscientia”, não há impugnar a decisão dos
jurados se depara um mínimo de fundamento na prova; que tal decisão já não
será manifestamente contrária à prova dos autos.
––“Se existem duas versões do fato e o júri aceita uma, que não se mostra
evidentemente falsa, não é possível reconhecer que a decisão tenha sido
manifestamente contrária à prova dos autos” (Rev. Forense, vol. 167, p. 412).
63
Voto nº 10.480 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº
993.08.037871-1
Arts. 28, nº II, 43, nº V, 44, § 2º, 46, § 3º, 47, nº IV e 155, § 4º, nº IV, do Cód.
Penal;
art. 156 do Cód. Proc. Penal.

— Não se exime da tacha de larápio (e, pois, cai sob o rigor da lei) o sujeito que,
tendo-se enfrascado em bebidas alcoólicas, entra em propriedade alheia, subtrai
animal (boi), que abate, e da carne faz churrasco para amigos e vizinhos.
— O argumento da embriaguez não aproveita ao infrator, exceto se completa e
involuntária. A embriaguez voluntária, dispõe a lei que não elide a
responsabilidade criminal do agente, porque não lhe exclui a imputabilidade (art.
28, nº II, do Cód. Penal).
— Ainda que do fato criminoso praticado na calada da noite não haja outras
testemunhas mais que as estrelas do céu, incensurável é a sentença que, baseada
em confissões extrajudiciais harmônicas e verossímeis, condena sujeitos
acusados de abigeato, ou furto de gado.
—“A confissão atendível é raio de luz que ilumina de jato todos os escaninhos dos
crimes ocultos, dissipa as dúvidas, orienta as ulteriores investigações e conforta
de um só passo os escrúpulos do juiz e as preocupações de justiça dos homens de
bem” (Hélio Tornaghi, Curso de Processo Penal, 1980, vol. I, p. 382).
— Em obséquio ao espírito da lei — que previne todo prejuízo à jornada normal de
trabalho do condenado (art. 46, § 3º, do Cód. Penal) —, é de bom exemplo, nos
casos urgentes, alterar medida substitutiva penal aplicada ao réu (prestação de
serviços à comunidade) para duas restritivas de direitos: interdição temporária de
direitos (proibição de freqüentar determinados lugares) e multa (arts. 44, § 2º,
43, nº V, e 47, nº IV, do Cód. Penal). Seria desarrazoado, com efeito, obrigá-lo a
prestar serviços gratuitos à comunidade em detrimento de sua própria
subsistência e da família.

Voto nº 10.481 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.020436-5


Art. 157, § 3º, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal.
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
na inquirição de testemunhas por precatória, que tem o caráter de força maior,
motivo de suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
––“Não constitui constrangimento ilegal o excesso de prazo na instrução,
provocado pela defesa”(Súmula nº 64 do STF).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por
excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz), primariedade, bons antecedentes,
prova de ocupação lícita e de residência no foro da culpa não valem a autorizar a
concessão de liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal)
àquele que, acusado de crime grave — como é o roubo —, tem contra si a
64
presunção de periculosidade.

Voto nº 10.482 — agravo em execução Nº


993.08.029667-7
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes Hediondos);
art. 93, nº IX, da Const. Fed.
— A despeito da nova redação que a Lei nº 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de
Execução Penal, subsiste a possibilidade de realização do exame criminológico,
“quando o entender indispensável o juiz da execução para a decisão sobre
progressão de regime” (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59).
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões do
convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode ser
realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que
cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o Magistrado com a
prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que
assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 8.072/90), crime da classe dos hediondos, crime da classe dos
hediondos, sem atender ao requisito do lapso temporal: 2/5 para o condenado
primário, 3/5 para o reincidente (art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes
Hediondos).
–– Decisões contraditórias no seio da Justiça operam sempre como fator de
insegurança dos negócios jurídicos, em detrimento grave de seu nome e crédito.

Voto nº 10.483 — gravo em a execução Nº


993.08.043527-8
Art. 112 da Lei de Execução Penal.

— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos
da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
65
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

Voto nº 10.484 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.005859-2


Arts. 157, § 2º, ns. I, II e V, 288, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— HABEAS CORPUS – Pedido de liberdade
provisória – Roubo praticado mediante concurso de agentes – Necessidade da
custódia cautelar – Ordem denegada.
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
–– Não há averbar de falta de fundamentação a decisão que encerra base jurídica e
fática bastante a garantir-lhe a validade. Tratando-se de roubo, crime de extrema
gravidade, a necessidade e a conveniência da decretação da custódia cautelar
como que se presumem.

Voto nº 10.485 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.07.031342-0
Arts. 157, § 2º, ns. I e II e 180, “caput”, do Cód. Penal;
art. 563 do Cód. Proc. Penal;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.
— A Constituição Federal, em seu art. 93, nº IX, estigmatiza de nula a decisão
não fundamentada, e com bem de razão, pois que os motivos lhe são
verdadeiramente a alma e a substância. Nenhum julgamento se satisfaz com
argumentação tíbia e evasiva. O despacho que recebe a denúncia, contudo, não
no considera a Doutrina ato decisório, senão mero juízo de admissibilidade da
acusação, estranho ao império do mencionado preceito constitucional.
— Nisto de nulidades, tem-se de atender ao ponto do prejuízo, que lhe serve de
pedra de toque: nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar
prejuízo para a acusação ou para a defesa (art. 563 do Cód. Proc. Penal).
— Responde por receptação o agente que recebe, em proveito próprio ou alheio,
veículo que sabia tratar-se de produto de crime (art. 180, “caput”, do Cód.
Penal).
— No crime de receptação (art. 180, “caput”, do Cód. Penal), impossível que é
66
desvendar os segredos da alma humana, somente as circunstâncias do fato
revelarão se o agente obrou, ou não, com dolo; delas apenas é que se poderá
inferir se lhe era do conhecimento a origem ilícita das coisas adquiridas em
proveito próprio.
— É preceito mais que soberano em Direito Penal que uma condenação, pelos
gravíssimos reflexos que deita à vida do acusado, unicamente poderá apoiar-se
em prova plena e incontroversa. Mais do que simples referência à materialidade
da infração penal, importa que a prova reunida na instrução faça esplender a
culpabilidade do réu. Em isto faltando, será imperiosa a absolvição, por amor
daquele princípio comum de interpretação da dúvida, recebido por todas as
civilizações que se regem segundo a Lei e o Direito: “In dubio pro reo”.

Voto nº 10.486 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.025513-0
Arts. 70 e 157, § 2º, ns. I, II e V, do Cód. Penal;
art. 386, nº IV, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
— O que é inocente afirma-o desde logo à autoridade policial; quem prefere o
silêncio à palavra, nisto mesmo se revela culpado; é que ninguém se subtrai ao
império da lei natural, que ordena ao indivíduo injustamente acusado de crime se
defenda com todas as forças. À imputação falsa de crime só o morto não
responde, porque tudo lhe é já indiferente.
— A palavra da vítima, nos crimes de roubo, tem inquestionável
importância e pode ensejar decreto condenatório, se em
harmonia com as mais provas dos autos. Sua força está na
circunstância de ter saído dos lábios da pessoa que sofreu a
violência ou grave ameaça e, pois, está em melhor condição de
identificar seu ofensor.
— Há concurso formal (art. 70 do Cód. Penal), e não crime único, se o agente, num
só contexto de fato, viola patrimônios de vítimas diferentes.
—“Responde por roubos em concurso formal o sujeito que, num só contexto de fato,
pratica violência ou grave ameaça contra várias pessoas, produzindo
multiplicidade de violações possessórias” (Damásio E. de Jesus, Código Penal
Anotado, 18a. ed., p. 591).
— O regime fechado, no início, é o que unicamente se aproposita ao autor de roubo
(crime da última graveza e abjeção), que argúi em quem o pratica entranhada
rebeldia à disciplina social.

Voto nº 10.487 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


990.08.025395-6
Arts. 14, nº II e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 647 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, LXIX, da Const. Fed.
— Se foi o advogado-impetrante quem a requereu, não há senão homologar a
desistência de “habeas corpus”, pela presunção de que obrara “secundum jus” e
à luz da ética profissional (art. 647 do Cód. Proc. Penal).
— Ao contrário do que passa com a apelação, não há mister poderes especiais para
desistir de “habeas corpus”. Se desnecessário o instrumento de mandato para
impetrá-lo, seria contra-senso exigir poderes especiais para dele desistir.
67
Voto nº 10.488 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº
993.08.009101-3
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06 – Lei de Drogas;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.
— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para defender-se de
injusta acusação. Se permaneceu calado, ainda que direito seu garantido pela
Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo
adverso.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06 – Lei de Drogas).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente
impõe-se demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram
à verdade ou caíram em erro de informação. É que, na busca da
verdade real — alma e escopo do processo —, “toda pessoa
poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc. Penal).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos
policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de
policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU
7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 187).

Voto nº 10.489 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.06.060758-8
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 16, da Lei nº 6.368/76.
—“A confissão do delito vale não pelo lugar em que é prestada, mas pela força de
convencimento que nela se contém” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 95, p. 564;
rel. Min. Cordeiro Guerra).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente
impõe-se demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram
à verdade ou caíram em erro de informação. É que, na busca da
verdade real — alma e escopo do processo —, “toda pessoa
poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc. Penal).
— A desclassificação do crime do art. 12 da Lei nº 6.368/76 para o tipo do art. 16
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência
considerável quantidade de substância entorpecente acondicionada em pacotes,
apreendidos pela Polícia juntamente com papel-alumínio, pois tais circunstâncias
revelam que o tóxico se destinava ao comércio ilícito, e não ao uso próprio.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº
8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de pena.
Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente —
e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, § 2º).

Voto nº 10.490 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.033754-3
Art. 121, § 2º, nº III, do Cód. Penal;
art. 5º, nº XXXVIII, letra “c”, da Const. Fed.

— Máxime quando produzida perante o Magistrado, “nada traz mais certeza da


68
autoria de um delito do que uma confissão livre, clara, sincera, sem
qualquer vício” (Hélio Tornaghi, Curso de Processo Penal, 1980, vol. I, p.
381).
— Decisão dos jurados não se anula, exceto se proferida contra a evidência dos
autos, pois tem por si a força do preceito constitucional da soberania dos
veredictos do Júri, que lhe assegura a imutabilidade (art. 5º, nº XXXVIII, letra
“c”, da Const. Fed.). “Manifestamente contrária à prova dos autos” é somente a
decisão que neles não depara fundamento algum, constituindo por isso
formidável desvio da razão lógica e da realidade processual.
— Dado que julgam “ex informata conscientia”, não há impugnar a decisão dos
jurados se depara um mínimo de fundamento na prova; que tal decisão já não
será manifestamente contrária à prova dos autos.
— Considera-se qualificado pelo motivo cruel o homicídio praticado por agente que,
após atrair a vítima a lugar ermo, cose-a a facadas e, entre sofrimentos atrozes,
põe-lhe termo à vida (art. 121, § 2º, nº III, do Cód. Penal).
— Emboscada é “a espera, por parte do agente, da passagem ou chegada da
vítima descuidada, para feri-la de improviso” (Julio Fabbrini Mirabete,
Manual de Direito Penal, 9a. ed., vol. II, p. 73).

Voto nº 10.491 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.020179-0
Art. 303 do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 16, nº IV, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento);
art. 144 da Const. Fed.

— A argüição de nulidade por falta de apreciação de teses da Defesa não prevalece


contra a sentença cuja conclusão se mostre com elas inconciliável. É que “a
sentença precisa ser lida como discurso lógico” (STJ; REsp nº 47.474/RS; 6a.
Turma; rel. Min. Luiz Vicente Cernicchiaro; DJU 24.10.94, p. 28.790).
— Excita estranheza isto de o réu inculcar-se inocente e, todavia, manter na Polícia,
a respeito dos fatos, obliterado silêncio. Aquele que é inocente não dilata nem
protela oportunidade de afirmá-lo; ao revés, tanto que se lhe depara ocasião de
repelir a acusação, no mesmo ponto pratica sua defesa. Esta, a razão por que,
ordinariamente falando, ainda que direito do réu permanecer calado, esse teor de
proceder não se compadece com o perfil do inocente, antes é o retrato moral do
culpado.
–– A posse irregular de arma de fogo com numeração suprimida
tipifica a infração do art. 16, nº IV, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto
do Desarmamento), independentemente de perigo concreto.
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a
mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os
perigos que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que
existam controles ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das
Armas de Fogo, 1998, p. 107).

Voto nº 10.494 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.010383-0
69
Arts. 107, nº IV, 109, nº VI e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 16, da Lei nº 6.368/76 (Lei de Tóxicos).

— A condenação pelo crime do art. 12 da Lei de Tóxicos – atenta a severidade da


pena e a espécie de regime prisional a que estará sujeito o infrator – pressupõe a
certeza do comércio nefando, e não sua simples probabilidade. Conjecturas com
base na elevada quantidade da substância entorpecente apreendida, por si só, não
podem supri-la. É que a dúvida, na Justiça Criminal, aproveita sempre ao réu:
“In dubio pro reo”.
— Ainda que considerável a quantidade de substância entorpecente apreendida na
posse do réu, é prudente o Magistrado que desclassifica para o tipo do art. 16 da
Lei nº 6.368/76 (Lei de Tóxicos) o crime previsto em seu art. 12, se a prova dos
autos lhe não revelou, acima de dúvida sensata, ser caso de tráfico.
–– Na dúvida se o acusado é traficante ou usuário de droga, deve prevalecer a
hipótese mais favorável do art. 16 da Lei nº 6.368/76 (Lei de Tóxicos), em
obséquio ao princípio “in dubio pro reo”, que preside soberanamente as decisões
da Justiça Criminal.
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

Voto nº 10.496 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.07.119187-6
Arts. 59 e 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal.

— A apreensão da “res” em poder do imputado, que o não saiba


justificar, basta a firmar-lhe a responsabilidade criminal, pois
de ordinário pertencem as coisas para a esfera de seu dono, que
não de estranhos.
— A sobrinha que subtrai objeto à residência da tia, onde
pernoitou, comete furto com abuso de confiança, por haver
quebrado o liame de particular afeição que a unia à vítima (art.
155, § 4º, nº II, do Cód. Penal).
— Na esfera dos crimes contra o patrimônio, cometidos sem
violência a pessoa, tem relevância apenas a lesão jurídica de
valor econômico, pois segundo a velha fórmula do direito
romano, “de minimis non curat praetor” (Dig. 4,1,4).
— Aplicado inconsideradamente, o princípio da insignificância
representa violação grave da lei, que manda punir o infrator;
destarte, subtrair a seu rigor o culpado, sem relevante razão de
direito, fora escarnecer da Justiça, que dispensa a cada um o
que merece. Em verdade, conforme aquilo de Alberto Oliva,
“todo homem deve saber do fundo de seu coração o que é certo
e o que é errado” (apud Ricardo Dip e Volney Corrêa de
Moraes, Crime e Castigo, 2002, p. 3; Millennium Editora).
70

Voto nº 10.497 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.08.038697-


8
Art. 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal.

—“Post confessionem rei, nihil amplius quaeritur” (Ulpiano). Em linguagem: após


a confissão do réu, tudo o mais é escusado.
— Comete furto com abuso de confiança e mediante fraude o funcionário
encarregado do departamento de pessoal de empresa que, após adulterar a folha
de pagamento, subtrai-lhe vultosas quantias, que deposita na conta bancária de
co-réu (art. 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal).
— Dois requisitos integram a qualificadora do abuso de confiança: haja o sujeito
abusado da confiança nele depositada pelo ofendido; tenha estado a coisa na
esfera de disponibilidade do sujeito ativo em razão dessa confiança (cf. Damásio
E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 570).
— Entre os direitos do assistente do Ministério Público não se inscreve o de
recorrer com o só fito de obter a exasperação da pena corporal do réu.

Voto nº 10.499 — agravo em execução Nº


993.08.034050-1
Art. 157, § 3º, do Cód. Penal;
art. 112 da Lei de Execução Penal.
— Se o sentenciado satisfez ao requisito objetivo (lapso temporal), observou sem
quebra o código de disciplina do presídio e submeteu-se à laborterapia, tem jus à
progressão ao regime semi-aberto, porque esta é a vontade da lei (art. 112 da
Lei de Execução Penal). Somente fato grave, indicativo de personalidade
anômala e refratária aos estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança
para regime prisional mais brando.
— O argumento da pena longa não é poderoso a impedir a concessão do benefício
do regime semi-aberto ao sentenciado, se já cumpriu dela a sexta parte,
(necessariamente longa).

Voto nº 10.500 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.045573-2


Arts. 66, nº III, alínea “b” e 118, nº I, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— O Juiz que determina a regressão do sentenciado ao regime fechado, em caso de
falta grave, não viola a lei, antes a cumpre com pontualidade. Sua decisão, por
isso, está ao abrigo de reforma na via excepcional do “habeas corpus” (art. 118,
nº I, da Lei de Execução Penal).
—“O retorno ao regime mais gravoso é poder geral de cautela do Juiz, e não
padece de ilegalidade, como dispõe o art. 66, nº III, alínea b, da Lei de
Execução Penal” (Rev. Tribs., vol. 745, p. 566; rel. Dante Busana).
— Ainda que instrumento processual de dignidade
constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
71
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso
ordinário não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda;
DJU 26.3.82, P. 2.561).

Voto nº 10.502 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.014237-8
Arts. 180, “caput”, 297 e 304, do Cód. Penal;
art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06.

— Mas, essa liberdade (de requerer) não se deve degenerar em abuso, por forma a
paralisar a marcha do processo, com o propósito de retardar a administração
da justiça ou de tumultuar a ordem processual (Bento de Faria, Código de
Processo Penal, 1960, vol. II, p. 210).
— Em se tratando de simples “emendatio libelli”, é força proceder à devida
correção, ainda que em Segunda Instância. Conforme o STF, pode o Juiz, se é
que o não deva, na sentença, corrigir o erro (Rev. Trim. Jurisp., vol. 79, p. 95;
apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 19a. ed., p.
278).
— Viola o art. 180, “caput”, do Cód. Penal aquele que adquire veículo automotor
sem documentação, pois ainda o sujeito de siso vulgar sabe que é essa a principal
característica da coisa de origem criminosa.
— Incorre nas penas do art. 304 do Cód. Penal aquele que usa de documento falso
como se verdadeiro.
— O réu inocente responde logo à injusta acusação, como o determina a própria
razão natural; não se chama ao silêncio, que este é o refúgio comum dos
culpados.
— No crime de receptação dolosa, é das circunstâncias mesmas do fato e da
personalidade do agente que se deve aferir o elemento subjetivo do tipo, de sorte
que nenhum valor têm os protestos de inocência do réu que adquire a estranho,
sem documentação regular, motocicleta. Aquele que assim procede, por força que
não pode ignorar se trata de coisa de origem ilícita, máxime se possui tormentosa
biografia penal (art. 180, “caput”, do Cód. Penal).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos
policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de
policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU
7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 187).
— O justificado rigor, com que a Lei nº 8.072/90 tratava os crimes denominados
hediondos, foi atenuado pela Lei nº 11.464/2007, que lhe introduziu modificação
no art. 2º, § 1º, para permitir a seus autores progressão no regime prisional após
o cumprimento, sob o regime fechado, de 2/5 da pena se primário, ou 3/5, se
reincidente.
72

Voto nº 10.503 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.007468-7


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 112 da Lei de Execução Penal;
arts. 5º, nº XL e 52, nº X, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.504 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.033499-4
Arts. 44, §§ 2º e 3º, 342, § 1º, do Cód. Penal.

— Incorre nas penas da lei (art. 342, § 1º, do Cód. Penal) a testemunha que, ao
depor em processo-crime, falta com a verdade acerca de fato juridicamente
relevante, com o intuito de favorecer o réu. A mentira não pode ter entrada no
templo da Justiça!
— Se exerce ocupação lícita e tem filhos menores, a mulher condenada por falso
testemunho, ainda que reincidente, faz jus à substituição de sua pena privativa
de liberdade por restritivas de direitos, medida socialmente recomendável (art.
44, §§ 2º e 3º, do Cód. Penal).
73

Voto nº 10.505 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.008384-8


Art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06.

— Como lhe compete presidir às audiências e prover à instrução dos processos, não
será decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem,
no entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica
motivos de força maior, a cujo número pertence a necessidade de expedição de
carta precatória para o interrogatório do réu, termo essencial do processo e
franca oportunidade de obtenção de prova, imprescindível à busca da verdade
real.
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento
ilegítimo por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez
que nem sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso
de força maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do
Cód. Proc. Penal).
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
na inquirição de testemunhas por precatória, que tem o caráter de força maior,
motivo de suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).]
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
33 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 10.506 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.003649-1


Art. 180, “caput”, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal.

–– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no cárcere, a


verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
–– Proclamou Saulo Ramos (e com assaz de razão) que “o receptador é o
empresário do crime” e o ladrão, “sua mão-de-obra barata e desqualificada”
(apud Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 690).
— Conforme a doutrina comum, o pedido de “habeas corpus” deve ser instruído
com as peças e documentos que comprovem as alegações do paciente.
— O Colendo Supremo Tribunal Federal, em copiosos arestos, tem proclamado que
se não toma conhecimento do pedido de “habeas corpus” quando não está
devidamente instruído (José Frederico Marques, Elementos de Direito
Processual Penal, 1a. ed., vol. IV, p. 417).
74

Voto nº 10.507 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.037679-4
Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
arts. 202 e 386, ns. II, IV e VI, do Cód. Proc. Penal.

— Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da vítima são, pelo


comum, dignas de crédito; servem, pois, a lastrear condenação, máxime se a
roborarem outros elementos do processo.
— A falta de apreensão da arma usada no roubo nada monta para a configuração
da qualificadora do art. 157, § 2o, no I, do Cód. Penal, se testemunhas fidedignas
ou a vítima lhe provaram, com firmeza, a existência.
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos
policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de
policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU
7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 187).
— É, por força, o regime prisional fechado o mais compatível com o autor de roubo,
sobretudo se indivíduo que ostenta copiosos traços negativos de personalidade e
se consagrou abertamente à vida fora da lei, de todo infenso às regras que
disciplinam a convivência humana.

Voto nº 10.508 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.020970-7
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
arts. 28, 33, § 4º e 35, da Lei nº 11.343/06 – Lei de Drogas;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.

— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para defender-se de


injusta acusação. Se permaneceu calado, ainda que direito seu garantido pela
Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo
adverso.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06 – Lei de Drogas).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos
policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de
policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU
7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 187).
— A desclassificação do crime do art. 33 da Lei de Drogas para o tipo do art. 28
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo considerável quantidade de
75
substância entorpecente, que a Polícia apreendeu, pois tal circunstância
revela que se destinava ao comércio ilícito, e não ao uso próprio.

Voto nº 10.509 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.001663-6


Arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 105, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário,
máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não é o “habeas corpus” via legal idônea para apressar decisões nem apreciar
pedido de progressão de regime prisional, por implicar análise detida de
requisitos objetivos e subjetivos, reservada à competência do Juízo da execução
(art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal).
— Não há que reparar na decisão que ordena a expedição de mandado de prisão
contra o réu condenado a cumprir, sob o regime semi-aberto, pena privativa de
liberdade: trata-se de forçoso pressuposto da execução da sentença penal
condenatória transitada em julgado. A lição de Julio Fabbrini Mirabete faz ao
caso: “Enquanto não ocorrer a prisão, não se pode expedir a guia de
recolhimento por falta desse pressuposto” (Execução Penal, 11a. ed., p. 302).

Voto nº 10.510 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.042694-5


Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
arts. 5º, nº XL e 52, nº X, da Const. Fed.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
76
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao
direito que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.511 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.003894-5

Art. 12, “caput”, da Lei nº 6.368/76;


arts. 66, nº III, alíneas b e f, 112, da Lei de Execução Penal;

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.

Voto nº 10.512 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.034324-1

Art. 2º da Lei nº 8.072/90;


art. 44 da Lei nº 11.343/06.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da ausência de testemunhas, se intimadas na forma da lei, pois não
está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força maior
que obstam à realização do ato processual.
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).
77

a
Voto nº 10.513 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.08.031433-0
Arts. 29, §1º, 33, § 2º, alínea b, 59 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 566 do Cód. Proc. Penal.

— A pesquisa da verdade real é o escopo de todo processo; não sofre o Direito, no


entanto, que matéria já vencida ou liqüidada seja objeto de indagação, com
notável dano para o interesse das partes ou da Justiça.
—“Mas, essa liberdade (de requerer) não se deve degenerar em abuso, por forma a
paralisar a marcha do processo, com o propósito de retardar a administração
da justiça ou de tumultuar a ordem processual” (Bento de Faria, Código de
Processo Penal, 1960, vol. II, p. 210).
—“Não será declarada a nulidade de ato do processo que não houver influído na
apuração da verdade substancial ou na decisão da causa” (art. 566 do Cód.
Proc. Penal).
— A confissão, máxime a prestada em Juízo, vale como prova do fato e de sua
autoria, se não ilidida por elementos de convicção firmes e idôneos. Donde a
antiga parêmia: “A confissão judicial é das melhores provas; quem confessa,
contra si profere a sentença” (apud Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, 1985, t. II, p. 530).
— A palavra da vítima, passa por excelente meio de prova e autoriza decreto
condenatório, se em conformidade com os outros elementos de convicção
reunidos no processado.
— Não se caracteriza a figura jurídica da participação de menor importância, se o
agente desempenha atividade relevante de sentinela do crime ou executor de
reserva (art. 29, §1º, do Cód. Penal).
—“A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos
desiguais, na medida em que se desigualam” (Rui, Oração aos Moços, 1a. ed., p.
25).
— Não há proibição legal de que o Juiz conceda ao condenado não-reincidente a
pena inferior a 8 anos o benefício do regime semi-aberto; o Código Penal, o que
veda às expressas é que se conceda ele ao réu condenado a pena superior a 8 anos
(não importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos.

Voto nº 10.514 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.001063-8


Arts. 386, nº VI e 659, do Cód. Proc. Penal;
art. 33, “caput”, e § 1º, nº II, da Lei nº 11.343/06 (tráfico de entorpecentes).

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
78
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.515 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.002948-7


Arts. 310, parág. único, 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX,da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz), primariedade, bons
antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro da culpa não valem
a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód.
Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave – como é o homicídio –, tem
contra si a presunção de periculosidade. A custódia cautelar, nesse caso,
representa não só garantia do processo, mas inexorável medida política de
prevenção da criminalidade e de defesa da ordem social, meta primeira do Estado
e aspiração permanente da Justiça.

Voto nº 10.516 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.029759-7


Arts. 312, 313 e 659, do Cód. Proc. Penal;
art. 16, parág. único, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento).

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).
79

Voto nº 10.517 — gravo em a execução Nº


990.08.023258-4
Arts. 126, § 3º e 127, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.

— Matéria de grande peso é a de que trata o art. 127 da Lei de Execução Penal —
o condenado que for punido por falta grave perderá o direito ao tempo remido...
—, pois obriga o Juiz a decidir contra a própria consciência, se quiser atender à
letra da lei.
— Justiça excessiva não é senão injustiça, proclamou com assaz de razão o
eloqüente Cícero: “Summum jus, summa injuria” (De Officiis, I, 10).
— A decisão que concede remição de penas é imutável após seu trânsito em julgado.
Portanto, desconstituí-la, salvo mediante revisão criminal, fora violar a
autoridade da “res judicata”, um dos principais dogmas em que assenta a ordem
jurídica (art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.).
— Frutos de seu trabalho e, pois, estipêndio do suor, os dias remidos do preso têm
alguma coisa de sagrado que os guarda do rigor do Juízo da execução penal.
—“É inadmissível a perda dos dias remidos por decisão judicial, em virtude de falta
grave cometida pelo sentenciado” (RJTACrimSP, vol. 39, p. 416).
— De presente, já não é lícito ao Juiz dar ao art. 127 da Lei de Execução Penal outra
interpretação que a literal restrita, por força da Súmula Vinculante nº 9, editada
pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, que mandou inscrever entre os dogmas
jurídicos a perda, para o condenado “que for punido por falta grave”, do direito
ao tempo remido pelo trabalho.

a
Voto nº 10.521 — PELAçÃO RIMINAL Nº c
993.08.029757-6
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 10 da Lei nº 9.437/97;
art. 12 da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento);
art. 33 da Lei nº 11.343/06;
arts. 5º, nº LXIII e 144, da Const. Fed.

— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para


defender-se de injusta acusação. Se permaneceu calado, ainda
que direito seu garantido pela Constituição da República (art. 5º,
nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo adverso.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do
acusado argúi para logo a idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº
11.343/06).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com
respeito aos policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso:
“A simples condição de policial não torna a testemunha
80
impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU 7.12.73, p. 9.372;
apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado,
22a. ed., p. 187).
— Medida salutar de política criminal, que visa a mitigar o rigor
punitivo, não faz jus à redução da pena do art. 33, § 4º, da Lei
de Drogas senão o réu primário e de bons antecedentes.
–– A posse de arma de fogo sem autorização legal tipifica a
infração do art. 12 da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do
Desarmamento), independentemente de perigo concreto.

Voto nº 10.522 — agravo em execução Nº


990.08.007782-1
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

— A despeito da nova redação que a Lei nº 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de
Execução Penal, subsiste a possibilidade de realização do exame criminológico,
“quando o entender indispensável o juiz da execução para a decisão sobre
progressão de regime” (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59).
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões do
convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar
bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos
estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional
mais brando.
–– Decisões contraditórias no seio da Justiça operam sempre como fator de
insegurança dos negócios jurídicos, em detrimento grave de seu nome e crédito.

Voto nº 10.523 — agravo em execução Nº


990.08.007027-4
Art. 112 da Lei de Execução Penal.

— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar
81
bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-
aberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos
estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional
mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

Voto nº 10.524 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.021192-2
Art. 71 do Cód. Penal.

— Quanto o mais o sujeito se aproxima da consumação menor deve ser a


diminuição da pena (1/3); quanto menos ele se aproxima da consumação maior
deve ser a atenuação (2/3)” (Código Penal Anotado, Damásio E. de Jesus, 18a.
ed., p. 55)
––“Instituto jurídico nascido da eqüidade”, na frase de José Frederico Marques,
“é o crime continuado uma fictio juris destinada a evitar o cúmulo material de
penas” (Curso de Direito Penal, 1956, vol. II, p. 354).
–– Segundo a jurisprudência do STF, o art. 71 do Cód. Penal admite a aplicação da
teoria da ficção jurídica (ou continuidade delitiva) aos crimes dolosos contra a
vida; pelo que, homicídios praticados nas mesmas circunstâncias de tempo, lugar
e “modus operandi”, impõem a pena de um só deles, aumentada até o triplo (cf.
Rev. Tribs., vol. 788, p. 515; 813/535 e 763/549).
— “Para a configuração do crime continuado não é suficiente a satisfação das
circunstâncias objetivas homogêneas, sendo de exigir-se, além disso, que os
delitos tenham sido praticados pelo sujeito aproveitando-se das mesmas relações
e oportunidades ou com a utilização de ocasiões nascidas da primitiva situação”
(Damásio E. de Jesus, op. cit. p. 260).

Voto nº 10.526 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.026857-0


Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
arts. 5º, nº XL e 52, nº X, da Const. Fed.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
82
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução
Penal: cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.527 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.027579-8


Art. 121, § 2º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
arts. 5º, nº XL e 52, nº X, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.528 — HABEAS cORPUS Nº 993.08.044383-1


Arts. 66, nº III, alínea b, 117, nº I e 197, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de


83
dignidade constitucional, próprio a tutelar a liberdade do
indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a
questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
P. 2.561).
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alínea “b”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 10.529 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.008210-8


Arts. 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, “caput” e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o
sofrimento, dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 10.530 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.017.323-5


Arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
84
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
–– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no cárcere, a
verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
— Conforme a doutrina comum, o pedido de “habeas corpus” deve ser instruído
com as peças e documentos que comprovem as alegações do paciente.
— O Colendo Supremo Tribunal Federal, em copiosos arestos, tem proclamado que
se não toma conhecimento do pedido de “habeas corpus” quando não está
devidamente instruído (José Frederico Marques, Elementos de Direito
Processual Penal, 1a. ed., vol. IV, p. 417).

Voto nº 10.531 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.005433-5
Arts. 107, nº IV, primeira figura, 109, nº V e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 10, § 1º, nº III, da Lei nº 9.437/97;
arts. 14 e 15, da Lei nº 10.826/03;
art. 144 da Const. Fed.

— Incorre nas penas da Lei nº 9.437/97 (art. 10, § 1º, nº III) quem efetua disparo de
arma de fogo em lugar habitado, ainda que a deflagração seja para o alto (“ad
astra”), pois se trata de “infração que prescinde de perigo concreto, real, à
incolumidade pública” (Damásio E. de Jesus, Crimes de Porte de Arma de Fogo
e Assemelhados, 1999, p. 61).
— À luz do princípio da consunção, não há reconhecer concurso material, senão
crime único, entre porte ilegal de arma de fogo e disparo em via pública, já
que este pressupõe a posse da arma, com que o realiza (arts. 14 e 15 da Lei nº
10.826/03).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

Voto nº 10.532 — agravo em execução Nº


993.08.042588-4
Arts. 118, nº I, 126, § 3º, 127 e 197, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.

— Não é pedra de escândalo decisão que determina o regresso do condenado a


regime de maior rigor no caso de falta grave, pois se funda em dado objetivo e
em razão lógica: a vontade expressa da lei (art. 118, nº I, da Lei de Execução
Penal).
— Matéria de grande peso é a de que trata o art. 127 da Lei de Execução Penal —
o condenado que for punido por falta grave perderá o direito ao tempo remido...
—, pois obriga o Juiz a decidir contra a própria consciência, se quiser atender à
letra da lei.
— Justiça excessiva não é senão injustiça, proclamou com assaz de razão o eloqüente
85
Cícero: “Summum jus, summa injuria” (De Officiis, I, 10).
— A decisão que concede remição de penas é imutável após seu trânsito em julgado.
Portanto, desconstituí-la, salvo mediante revisão criminal, fora violar a
autoridade da “res judicata”, um dos principais dogmas em que assenta a ordem
jurídica (art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.).
— Frutos de seu trabalho e, pois, estipêndio do suor, os dias remidos do preso têm
alguma coisa de sagrado que os guarda do rigor do Juízo da execução penal.
—“É inadmissível a perda dos dias remidos por decisão judicial, em virtude de falta
grave cometida pelo sentenciado” (RJTACrimSP, vol. 39, p. 416).
— De presente, já não é lícito ao Juiz dar ao art. 127 da Lei de Execução Penal outra
interpretação que a literal restrita, por força da Súmula Vinculante nº 9, editada
pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, que mandou inscrever entre os dogmas
jurídicos a perda, para o condenado “que for punido por falta grave”, do direito
ao tempo remido pelo trabalho.

Voto nº 10.533 — agravo em execução Nº


993.08.029313-9
Arts. 126, § 3º e 127, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.
— Matéria de grande peso é a de que trata o art. 127 da Lei de
Execução Penal — o condenado que for punido por falta grave
perderá o direito ao tempo remido... —, pois obriga o Juiz a decidir
contra a própria consciência, se quiser atender à letra da lei.
— Justiça excessiva não é senão injustiça, proclamou com assaz de razão o
eloqüente Cícero: “Summum jus, summa injuria” (De Officiis, I, 10).
— A decisão que concede remição de penas é imutável após seu trânsito em julgado.
Portanto, desconstituí-la, salvo mediante revisão criminal, fora violar a
autoridade da “res judicata”, um dos principais dogmas em que assenta a ordem
jurídica (art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.).
— Frutos de seu trabalho e, pois, estipêndio do suor, os dias remidos do preso têm
alguma coisa de sagrado que os guarda do rigor do Juízo da execução penal.
—“É inadmissível a perda dos dias remidos por decisão judicial, em virtude de falta
grave cometida pelo sentenciado” (RJTACrimSP, vol. 39, p. 416).
— De presente, já não é lícito ao Juiz dar ao art. 127 da Lei de Execução Penal outra
interpretação que a literal restrita, por força da Súmula Vinculante nº 9, editada
pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, que mandou inscrever entre os dogmas
jurídicos a perda, para o condenado “que for punido por falta grave”, do direito
ao tempo remido pelo trabalho.

Voto nº 10.534 — agravo em execução Nº


990.08.013634-8
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
arts. 5º, nº XL e 52, nº X, da Const. Fed.
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
86
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal
para suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev.
Tribs., vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei n º 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.536 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.010069-6
Arts. 109 e 155, “caput”, do Cód. Penal;
art. 12 da Lei nº 1.060/50.

––“A parte beneficiada pela isenção do pagamento das custas ficará obrigada a
pagá-las, desde que possa fazê-lo sem prejuízo do sustento próprio ou da
família” (art. 12 da Lei nº 1.060/50).
— A confissão judicial, por seu valor absoluto — visto se presume feita
espontaneamente —, basta à fundamentação do edito condenatório.
— É certo que não se ocupa de bagatelas o Direito Penal; na esfera dos crimes contra
o patrimônio, cometidos sem violência a pessoa, só tem relevância a lesão
jurídica de valor econômico. “De minimis non curat praetor”, já o proclamavam
os romanos, como a significar que se não devia dar peso à fumaça. Mas, aplicado
inconsideradamente, o princípio da insignificância é motivo e ocasião de
afronta grave à lei, que prevê a punição do infrator.

Voto nº 10.537 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.06.094908-0
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

—“A confissão do delito vale não pelo lugar em que é prestada, mas pela força de
convencimento que nela se contém” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 95, p. 564;
rel. Min. Cordeiro Guerra).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
87
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A desclassificação do crime do art. 12 da Lei nº 6.368/76 para o tipo do art. 16
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo considerável quantidade de
substância entorpecente acondicionada em pacotes, pois tal circunstância revela
que se destinava ao comércio ilícito, e não ao uso próprio.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).

Voto nº 10.538 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.06.049557-7

Art. 297 do Cód. Penal;


art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 10 da Lei nº 9.437/97;
art. 14 da Lei nº 10.826/03;
arts. 5º, nº LXIII e 144, da Const. Fed.

— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para defender-se de


injusta acusação. Se permaneceu calado, ainda que direito seu garantido pela
Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo
adverso.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos
policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de
policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU
7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 187).
— Com respeito aos policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples
condição de policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº
51.577; DJU 7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 185).
— Incorre em crime e, pois, sujeita-se às penas da lei aquele que, sem licença da
88
autoridade, mantém sob guarda arma de fogo, nada importando a
inexistência de perigo concreto (art. 14 da Lei nº 10.826/03).
—“A ratio legis reside exatamente nisso: para proteger direitos fundamentais do
homem, como a vida, o legislador antecipa a punição a fatos que, de acordo com
a experiência, conduzem à lesão de bem de valor supremo” (Damásio E. de
Jesus, Direito Penal do Desarmamento, 5a. ed., p. 44).
–– Para justificar o decreto absolutório basta a dúvida razoável, porque esta, como
a pedra que tomba do rochedo e muda o curso do rio, é apta a desviar da cabeça
do réu o gládio inflamado da Justiça Penal.

Voto nº 10.541 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.019807-1
Arts. 33, § 2º, alínea b, 59 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.

— Repugna à razão isto de alguém aguardar, com resignação de Jó, o momento do


interrogatório judicial, para só então lavrar seu eloqüente protesto de inocência.
O que prefere o silêncio — aliás, direito que a Constituição da República
assegura a todo o acusado (art. 5º, nº LXIII) — é certo que não confessa a autoria
do delito, mas também não a nega.
— Postergar a autodefesa é risco tão grande, que somente correm aqueles que, bem
cientes de sua culpa, nada ou pouco se lhes dá que a própria liberdade se deite a
perder. O homem inocente e que se acha em seu acordo e razão, esse não espera
pela undécima hora: apenas o acusem injustamente, logo se defende com todo o
vigor de sua palavra. Donde o haverem os romanos cunhado a sentenciúncula:
“qui tacet, consentire videtur” (o que, vertido em vulgar, soa: quem cala,
consente).
— Palavra de vítima, não há desprezá-la em princípio. Deveras, quem mais
abalizado para discorrer de um fato senão aquele que lhe foi o protagonista?
Exceto na hipótese (mui rara) de mentira ou erro, suas declarações bastam a
acreditar um termo de condenação.
— O aumento de 3/8 pela incidência de duas qualificadoras do roubo não se mostra
desarrazoado, pois tem por si copiosa jurisprudência dos Tribunais: se duas as
qualificadoras, “o aumento deverá ficar entre o mínimo e o máximo estipulado,
ou seja, em 2/5” (Rev. Tribs., vol. 734, p. 673; rel. Denser de Sá).
— Não há proibição legal de o Juiz conceder regime semi-aberto a condenado não-
reincidente a pena inferior a 8 anos (art. 33, § 2º, alínea “b”, do Cód. Penal); a
concessão de tal benefício unicamente é defesa ao réu condenado a pena que
89
exceda a 8 anos (não importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena
seja superior a 4 anos.

Voto nº 10.542 — agravo em execução Nº


993.08.042853-0

Art. 112 da Lei de Execução Penal.

— “O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a


concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº
12.453-SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da disciplina do
estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno, credenciar-se à outorga de
benefícios (art. 112 da Lei de Execução Penal).

Voto nº 10.543 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.036749-3
Arts. 65, nº III, alínea d, e 157, “caput”, do Cód. Penal.

— Depõe ordinariamente contra o interesse do réu seu silêncio na quadra do


inquérito policial. Deveras, quando injusta a acusação, o inocente clama de
contínuo à face do mundo, não se retrai ao silêncio, refúgio natural dos culpados.
— A palavra da vítima é a pedra angular do edifício probatório: se em harmonia
com os mais elementos dos autos justifica a procedência da pretensão punitiva e a
condenação do réu.
— Constitui violência, elementar do roubo, o soco desferido pelo agente no braço da
vítima, para intimidá-la e facilitar a subtração de seus bens.
— Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve lapso de tempo, teve
a posse desvigiada da coisa subtraída à vítima mediante violência ou grave
ameaça.
—“A simples confissão da prática de um crime não atenua a pena. (...). O que
importa é o motivo da confissão, como, por exemplo, o arrependimento sincero,
demonstrando merecer (o acusado) pena menor, com fundamento na lealdade
processual” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 245).
— O regime prisional fechado é o que, em princípio, convém ao autor de roubo, por
sua natural periculosidade, como sujeito infenso à ordem legal e destituído de
sentimento ético, sobretudo se reincidente, e pela notória gravidade do crime, que
intranqüiliza e comove a população honrada.

Voto nº 10.545 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.08.036424-9
90
Arts. 213, 214, 223, “caput”, e parág. único e 225, § 1º, nº I, do Cód. Penal;
arts. 1º, nº VI e 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

— Não há que reparar em sentença que condena réu com base em indícios, se fortes
e concordes, pois “o valor probante dos indícios e presunções, no sistema do
livre convencimento que o Código adota, é em tudo igual ao das provas diretas”
(José Frederico Marques, Elementos de Direito Processual Penal, 2a. ed.. vol.
II, p. 378).
— O STF, em Sessão Plenária, decidiu que “os crimes de estupro e de atentado
violento ao pudor, tanto nas suas formas simples (Cód. Penal, arts. 213 e 214),
como nas qualificadoras (Cód. Penal, 223, caput, e parág. único), são crimes
hediondos: Lei nº 8.072/90, redação da Lei nº 8.930/94, art. 1º, ns. V e VI” (HC
n º 81.288-1-SC; rel. Min. Carlos Velloso; j. 17.12.2001).
— O autor de atentado violento ao pudor, delito da classe dos hediondos, deve
cumprir sua pena sob o regime inicialmente fechado, por força do preceito do
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).

Voto nº 10.546 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.026640-3


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal.

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do


condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto
aguarda vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem
superior invencível, tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana:
todo o infrator sabe que, delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau
menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de
iludir o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados que
há mais tempo aguardam a efetivação da transferência para o estágio
intermediário, além de fazer injúria à própria sociedade, que tem o direito de
exigir do infrator a reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe
causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 10.547 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.005524-0


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado
a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado
o pedido de “habeas corpus”.
91
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante
a ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.548 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.026735-3


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal.

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do


condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto
aguarda vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem
superior invencível, tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana:
todo o infrator sabe que, delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau
menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de
iludir o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados que
há mais tempo aguardam a efetivação da transferência para o estágio
intermediário, além de fazer injúria à própria sociedade, que tem o direito de
exigir do infrator a reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe
causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 10.549 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.022304-6

Arts. 83 e 157, § 2º, ns. I, II e V, do Cód. Penal;


art. 66, nº III, alíneas b, e, f, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a


tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o
recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões
de alta indagação.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter livramento condicional, pois se trata de matéria em que, por
previsão de lei (art. 66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária
do Estado.
92
Voto nº 10.550 — HABEAS cORPUS Nº
990.08.003481-2

Arts. 14, nº II e 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal;


art. 594 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional,


próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a
“causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
–– Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda contava
ser absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito subjetivo
depois de condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de sua
culpabilidade.
–– Segundo entendimento pacífico do STF, a disposição do art. 594 do Cód. Proc.
Penal não se aplica a réu preso em razão de flagrante ou preventiva (cf.
Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 474).

Voto nº 10.551 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.025234-8


Art. 180, “caput”, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 313, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no cárcere, a
verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
–– Proclamou Saulo Ramos (e com assaz de razão) que “o receptador é o
empresário do crime” e o ladrão, “sua mão-de-obra barata e desqualificada”
(apud Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 690).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio
de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva
exige prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria.
Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do
réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— De presente, constitui a prisão provisória exceção; a regra geral é defender-se o
réu em liberdade, em obséquio ao princípio da presunção de inocência (art. 5º, nº
LVII, da Const. Fed.). A melhor exegese do texto constitucional, entretanto, é a
93
que o procura conciliar com a norma do art. 310, parág. único, do Cód.
Proc. Penal. Assim, por amor da segurança da ordem jurídica e cautela dos
direitos e interesses sociais, o réu preso em flagrante só poderá defender-se em
liberdade se afiançável seu crime e ausentes os motivos que autorizam a
decretação da prisão preventiva.

Voto nº 10.552 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.026484-2


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal.

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do


condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto
aguarda vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem
superior invencível, tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana:
todo o infrator sabe que, delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau
menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de
iludir o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados que
há mais tempo aguardam a efetivação da transferência para o estágio
intermediário, além de fazer injúria à própria sociedade, que tem o direito de
exigir do infrator a reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe
causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 10.553 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.07.070541-8
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 33, nº IV, da Lei nº 11.343/06;

— O inocente, quando vítima de infâmia, brada logo por justiça, com todas as forças
e incessantemente. O silêncio do réu, na Polícia, ainda que se não tenha por
documento formal de culpa, entende-se por estultícia desmarcada, pois era sua
primeira e melhor oportunidade de proclamar a inocência, e deitou-a a perder!
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06, Lei de Drogas).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos
policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de
policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU
7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 187).
— Em se tratando de réu primário, a “regra é partir da pena base no grau
mínimo” (TRF da 1a. R; Ap.nº 22.082; DJU 5.3.90, p. 3.233).
94
—“A justiça deve ser equânime; concilie, sempre que for possível, a retidão
com a bondade em toda a acepção da palavra” (Carlos Maximiliano,
Hermenêutica a Aplicação do Direito, 16a. ed., p. 170).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).

Voto nº 10.555 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


990.08.013683-6
Arts. 14, nº II e 155, § 2º, do Cód. Penal.

— A confissão judicial, por seu valor absoluto — visto se presume feita


espontaneamente —, basta à fundamentação do edito condenatório.
— Os sistemas de segurança dos estabelecimentos comerciais não são infalíveis:
pode-lhes não raro a malícia frustrar a eficácia e ensejar a perpetração de delitos.
Não se trata, pois, de crime impossível, mas de tentativa de furto, a ação do
larápio que, após subtrair coisas à empresa-vítima, é preso no local dos fatos.
— É aplicável o privilégio do § 2º do art. 155 do Cód. Penal, se primário o réu e de
pequeno valor a coisa furtada (como tal considerado o que não excede ao salário
mínimo).

Voto nº 10.556 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.08.034641-


0
Arts. 25 e 121, “caput”, do Cód. Penal;
art. 593, III, d, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº XXXVIII, alínea c, da Const. Fed.
–– Para autorizar decisão condenatória não é mister prova perfeita e exuberante,
bastando a que dê ao Juiz o fundamento lógico suficiente para não cair em erro
crasso.
— Em face da soberania de seus veredictos, as decisões do júri (proferidas “ex
informata conscientia”) somente se anulam quando em franca rebeldia com a
prova dos autos, ou nos casos de comprovada corrupção ou prevaricação dos
jurados (art. 5º, nº XXXVIII, alínea c, da Const. Fed.).
–– Àquele que invoca a descriminante legal de legítima defesa cabe demonstrá-la
acima de toda a dúvida, pois aqui a falta de prova faz as vezes de confissão do
crime (art. 25 do Cód. Penal).
–– Não é contrária à evidência dos autos decisão condenatória apoiada em laudo
pericial e nas palavras de testemunhas presenciais idôneas, antes se reputa bem
fundamentada, pois tem por si prova excelente.

Voto nº 10.557 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.05.039285-6
Arts. 157, § 2o, nº I e 386, nº VI, do Cód. Penal.

— Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da vítima são, pelo


comum, dignas de crédito; servem, pois, a lastrear condenação, máxime se a
95
roborarem outros elementos do processo.
— A falta de apreensão da arma usada no roubo nada monta para a configuração
da qualificadora do art. 157, § 2o, no I, do Cód. Penal, se testemunhas fidedignas
ou a vítima lhe provaram, com firmeza, a existência.
— É, por força, o regime prisional fechado o mais compatível com o autor de roubo,
sobretudo se indivíduo que ostenta copiosos traços negativos de personalidade e
se consagrou abertamente à vida fora da lei, de todo infenso às regras que
disciplinam a convivência humana.

Voto nº 10.558 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.020468-8


Arts. 12 e 14, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal;
art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06 (Lei de Drogas);
arts. 5º, nº LXVIII e 105, nº I, alíneas a e c, da Const. Fed.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional,
próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a
“causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— É ao Colendo Superior Tribunal de Justiça que compete julgar “habeas
corpus” impetrado contra ato do Tribunal de Justiça, conforme o preceito do
art. 105, nº I, alíneas “a” e “c”, da Constituição Federal, explicitado pela
Emenda Constitucional nº 22, de 18 de março de 1999 (cf. HC nº 78.069-9/MG;
2a. Turma; rel. Min. Marco Aurélio; DJU 14.5.99).

Voto nº 10.559 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.007681-7


Art. 155, § 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 580, do Cód. Proc. Penal;
art. 1º da Lei nº 2.252/54;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de
réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).
—“Para a prisão preventiva não basta a inafiançabilidade do crime, nem a
presunção veemente da existência da criminalidade: é preciso, ainda, para
justificá-la, a sua necessidade indeclinável” (José de Alencar; apud João
Mendes de Almeida Jr., O Processo Criminal Brasileiro, 4a. ed., vol.I, p. 333).
—“Liberdade provisória. Embora preso em flagrante por crime inafiançável, pode
o réu ser libertado provisoriamente, desde que inocorram razões para sua
prisão preventiva” (TJSP; Rev.Tribs., vol. 523, p. 376; apud Damásio E. de
Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 246).
— Já afirmou um discreto que “nunca o mundo é mais injusto que quando há justiça
para uns, e outros não” (Francisco Manuel de Melo, Apólogos Dialogais,
1920, p. 269);
96
Voto nº 10.560 —Recurso em Sentido Estrito Nº
993.08.043930-3
Arts. 29 e 121, § 2º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
art. 408 do Cód. Proc. Penal.
— Segundo a comum opinião dos doutores, para a pronúncia não é mister mais que
a prova da realidade do crime e indícios da responsabilidade do réu (art. 408 do
Cód. Proc. Penal).
–– A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo
Júri o acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc.
Penal). Donde veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença
processual de conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a
acusação, para que esta seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de
Direito Processual Penal, 2a. ed., vol. III, p. 217; Millennium Editora).
–– As qualificadoras articuladas na denúncia apenas podem ser excluídas quando
manifesta sua inocorrência; do contrário, são os Jurados os que sobre elas se
devem pronunciar, porque matéria de sua competência.

Voto nº 10.561 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº


993.07.006387-4
Arts. 70 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal.

— Muita vez, o silêncio do acusado é a mais clara das explicações.


— Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da vítima são, pelo
comum, dignas de crédito; servem, pois, a lastrear condenação, máxime se a
roborarem outros elementos do processo.
— Há concurso formal (art. 70 do Cód. Penal), e não crime único, se o agente, num
só contexto de fato, viola patrimônios de vítimas diferentes.
— É, por força, o regime prisional fechado o mais compatível com o autor de roubo,
sobretudo se indivíduo que ostenta copiosos traços negativos de personalidade e
se consagrou abertamente à vida fora da lei, de todo infenso às regras que
disciplinam a convivência humana.

Voto nº 10.562 — mandado de SEgUrança Nº


990.08.005782-0
Arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
art. 197 da Lei de Execução Penal.

— À luz da melhor orientação jurisprudencial, carece o Ministério Público de


legitimidade para impetrar mandado de segurança com o intuito de alcançar
efeito suspensivo a agravo em execução, que o não tem; falece-lhe a pertinência
subjetiva “ad causam”.
— A vontade mesma da lei é a que obsta à concessão de efeito suspensivo ao
agravo, como o dispõe o art. 197 da Lei de Execução Penal. Não se presumem,
na lei, palavras inúteis, conforme retrilhado aforismo jurídico. É para supor que,
nos casos sob o regime da Lei nº 7.210/84, como nos mais, decidam os Juízes
com acerto. “Os Juízes, por definição, não podem errar” (V. César da Silveira,
Dicionário de Direito Romano, 1957, vol. II, p. 588).
—“É uníssona a jurisprudência desta Corte no que tange à ilegitimidade do
Ministério Público em impetrar mandado de segurança para conferir efeito
97
suspensivo a recurso que não o contém, como é o caso do agravo em
execução” (STJ; HC nº 237.975-SP; 6a.Turma; rel. Min. Paulo Medina; j.
23.9.03; DJU 13.10.03).

Voto nº 10.563 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.023599-0


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal.

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do


condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto
aguarda vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem
superior invencível, tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana:
todo o infrator sabe que, delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau
menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de
iludir o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados que
há mais tempo aguardam a efetivação da transferência para o estágio
intermediário, além de fazer injúria à própria sociedade, que tem o direito de
exigir do infrator a reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe
causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 10.564 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.014201-1

Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
98
Estado.

Voto nº 10.565 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.033624-0

Arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;


arts. 33 e 40, nº V, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional,


próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a
“causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
–– Se o acusado respondeu preso ao processo-crime por tráfico de entorpecente, será
verdadeira abusão lógica deferir-lhe o benefício da liberdade provisória após
sua condenação, pois entre os efeitos da sentença condenatória recorrível inclui-
se precisamente o de “ser o réu conservado na prisão” (art. 393, nº I, do Cód.
Proc. Penal).
–– Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda contava
ser absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito subjetivo
depois de condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de sua
culpabilidade.

Voto nº 10.566 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.031489-0


Arts. 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária,
com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por
falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
99
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao
art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 10.567 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.01315-7


Art. 157, § 2º, ns. I, II e V, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, 321, 323 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— HABEAS CORPUS – Pedido de liberdade
provisória – Roubo praticado mediante concurso de agentes – Necessidade da
custódia cautelar – Ordem denegada.
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
–– Não há averbar de falta de fundamentação a decisão que encerra base jurídica e
fática bastante a garantir-lhe a validade. Tratando-se de roubo, crime de extrema
gravidade, a necessidade e a conveniência da decretação da custódia cautelar
como que se presumem.

Voto nº 10.568 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.009394-0


Arts. 69, 180, 297, 299 e 304, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal;
art. 14 da Lei nº 10.826/03.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.569 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.015993-3


Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
arts. 5º, nº XL e 52, nº X, da Const. Fed.
100
–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a
inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464,
em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução
Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU
19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).

Voto nº 10.570 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.022496-4


Arts. 70 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal;
art. 16, parág. único, nº IV, da Lei nº 10.826/03.
–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).

Voto nº 10.571 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.000698-3-


00
Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).
101

Voto nº 10.572 — agravo em execução Nº


993.07.098237-3
Arts. 2º, parág. único e 331, do Cód. Penal;
art. 12, “caput”, § 1º e § 2º, nº II, da Lei nº 6.368/76;
art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06 (Lei de Drogas);
art. 5º, nº XL, da Const. Fed.
— Por força do princípio da ultratividade da lei mais favorável (art. 2º, parág.
único, do Cód. Penal), é possível aplicar a diminuição de pena prevista no art.
33, § 4º, da Lei nº 11.343/06 (Lei de Drogas) aos casos de condenação pelo art.
12, “caput”, § 1º e § 2º, nº II, da Lei nº 6.368/76, mediante “recomposição
comparativa” das penas cominadas (cf. Vicente Greco Filho e João Daniel
Rassi, Lei de Drogas Anotada, 2007, pp. 201-202).
— Para ter direito à redução de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06
(Lei de Drogas), é necessário comprove o réu primariedade, bons antecedentes e
que não se dedica a “atividades criminosas”.

Voto nº 10.573 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.033332-1


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a


liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 10.574 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.035240-7


Art. 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06.
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os
Tribunais de Justiça do País que o prazo de 81 dias, para a formação da culpa de
réu preso, não é fatal nem peremptório: admite-se pequeno excesso à luz do
princípio da razoabilidade, pois não está nas mãos do Juiz, ainda o mais
diligente, prevenir ou remediar todas as dificuldades inerentes ao processo
criminal.
––“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
––“Não constitui constrangimento ilegal o excesso de prazo na instrução,
provocado pela defesa”(Súmula nº 64 do STJ).
— Por expressa disposição legal, não tem direito a liberdade provisória o acusado
de tráfico de entorpecentes, crime do número dos “hediondos” (art. 2º, nº II,
da Lei nº 8.072/90).
102
Voto nº 10.575 — HABEAS cORPUS Nº
990.08.021590-6
Art. 659 do Cód. Proc. Penal;
art. 33 da Lei nº 11.343/06 (tráfico de entorpecentes).
–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).

Voto nº 10.576 — HABEAS cORPUS Nº 990.08.030983-8


Art. 331 do Cód. Penal;
arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Se o réu respondeu solto ao processo (porque razões não havia que lhe
justificassem a custódia cautelar), e nenhum ato perpetrou no curso da instrução
que o fizesse decair do “status libertatis”, será mais conforme à comum opinião
dos doutores e ao magistério da jurisprudência dos Tribunais conceder-lhe o
benefício de apelar em liberdade (art. 594 do Cód. Proc. Penal).
–– Exceto na hipótese de necessidade cautelar, não é de bom exemplo (nem talvez
legítimo) condicionar o recebimento do recurso ao prévio recolhimento do réu à
prisão: “O princípio do duplo grau de jurisdição atribui ao réu o direito de ver
a sentença condenatória submetida à apreciação do tribunal, independentemente
da condição do recolhimento à prisão” (Damásio E. de Jesus, Código de
Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 473).
—“Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação
cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu. Ausentes razões de
necessidade, revela-se incabível, ante a sua excepcionalidade, a decretação ou a
subsistência da prisão preventiva (...)” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 180, pp.
262-264; rel. Min. Celso de Mello).