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Voto nº 12.162 — HABEAS CORPUS Nº 990.09.165061-7


Art. 180, “caput”, §§ 1º e 2º, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter
já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
—“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a ação,
a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min. Vicente
Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 12.163— HABEAS CORPUS Nº 990.09.157631-0


Art. 312, do Cód. Proc. Penal;
arts. 33, “caput” e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado


na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão
preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo
Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a
aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração penal e
veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a decisão
definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc.
Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e indícios
suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a
condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art. 44 da
Lei nº 11.343/06).

Voto nº 12.164 — HABEAS CORPUS Nº 990.09.166190-2


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução


da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº
III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de
recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via
sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não é o “habeas corpus” via legal idônea para apressar decisões nem apreciar pedido de
progressão de regime prisional, por implicar análise detida de requisitos objetivos e
subjetivos, reservada à competência do Juízo da execução (art. 66, nº III, alínea b, da Lei
de Execução Penal).
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Voto nº 12.165 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.06.113009-2


Arts. 12 e 16, da Lei nº 6.368/76.

— A condenação pelo crime do art. 12 da Lei de Tóxicos – atenta a severidade da pena e a


espécie de regime prisional a que estará sujeito o infrator – pressupõe a certeza do
comércio nefando, e não sua simples probabilidade. Conjecturas com base na elevada
quantidade da substância entorpecente apreendida, por si só, não podem supri-la. É que a
dúvida, na Justiça Criminal, aproveita sempre ao réu: “In dubio pro reo”.
— Ainda que considerável a quantidade de substância entorpecente apreendida na posse do
réu, é prudente o Magistrado que desclassifica para o tipo do art. 16 da Lei nº
6.368/76 (Lei de Tóxicos) o crime previsto em seu art. 12, se a prova dos autos lhe não
revelou, acima de dúvida sensata, ser caso de tráfico.
–– Na dúvida se o acusado é traficante ou usuário de droga, deve prevalecer a
hipótese mais favorável do art. 16 da Lei nº 6.368/76 (Lei de Tóxicos), em obséquio
ao princípio “in dubio pro reo”, que preside soberanamente às decisões da Justiça
Criminal.

Voto nº 12.169 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.03.055076-6


Arts. 214, “caput”, 224, alínea a, 225, § 1º, e 226, nº III, do Cód. Penal;
art. 386, nº VII, do Cód. Proc. Penal;
art. 36 do Cód. Criminal do Império do Brasil.

— É de notável circunspecção o parecer da Procuradoria Geral de Justiça que, à conta da


fragilidade da prova reunida no processado, propõe a absolvição do réu, pois
unicamente na certeza deve assentar o decreto condenatório (art. 386, nº VII, do Cód.
Proc. Penal).
—“Nenhuma presunção, por mais veemente que seja, dará motivo para imposição de
pena” (art. 36 do Código Criminal do Império do Brasil).
—“O valor probante dos indícios e presunções, no sistema de livre convencimento que
o Código adota, é em tudo igual ao das provas diretas” (José Frederico Marques,
Elementos de Direito Processual Penal, 1965, vol. II, p. 378). Mas, para que
autorizem edito condenatório, devem ser concludentes e exclusivos de toda a
hipótese favorável ao acusado.
—“Os indícios não têm a necessária consistência e força persuasiva da verdadeira
prova, pelo que não bastam para justificar qualquer sentença condenatória” (Auto
Fortes, Questões Criminais, 1a. ed., p. 124)
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Voto nº 12.170 — ApelaçÃo CRIMINAL Nº 993.03.083178-1


Arts. 214, “caput” e 224, alínea a, do Cód. Penal;
art. 386, nº VII, do Cód. Proc. Penal;
art. 36 do Cód. Criminal do Império do Brasil.

— É de notável circunspecção o parecer da Procuradoria Geral de Justiça que, à conta da


fragilidade da prova reunida no processado, propõe a absolvição do réu, pois
unicamente na certeza deve assentar o decreto condenatório (art. 386, nº VII, do Cód.
Proc. Penal).
—“O valor probante dos indícios e presunções, no sistema de livre convencimento que o
Código adota, é em tudo igual ao das provas diretas” (José Frederico Marques,
Elementos de Direito Processual Penal, 1965, vol. II, p. 378). Mas, para que autorizem
edito condenatório, devem ser concludentes e exclusivos de toda a hipótese favorável
ao acusado.
—“Os indícios não têm a necessária consistência e força persuasiva da verdadeira prova,
pelo que não bastam para justificar qualquer sentença condenatória” (Auto Fortes,
Questões Criminais, 1a. ed., p. 124).
— Toda condenação penal, ainda se trate de acusado de abominável vida pretérita,
somente pode ser decretada em face de prova plena e cabal de sua culpabilidade.
—“Deve o juiz usar a lógica do jurista, que é, precisamente, a lógica do razoável e do
humano” (Goffredo Telles Jr., A Folha Dobrada, 1999, p. 162).
—“Nenhuma presunção, por mais veemente que seja, dará motivo para imposição de
pena” (art. 36 do Código Criminal do Império do Brasil).
— O princípio geral de que toda a decisão condenatória deve assentar em prova plena e
cabal (não só da materialidade do fato criminoso senão também da autoria e
culpabilidade do agente) manda afastar da cabeça do réu o gládio da Justiça, nos casos
de dúvida invencível (art. 386, nº VII, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 12.171— agravo em execução Nº 990.09.097078-2


Art. 83 do Cód. Penal.

–– Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento condicional


direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode negar sem grave injúria
da Lei e da Justiça.
–– O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de livramento
condicional ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade (necessariamente longa).
Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do benefício o registro de falta grave
(fuga), se, ao depois, revelou, por largo espaço de tempo, exemplar conduta
carcerária e notável dedicação ao trabalho, sinais inequívocos de sua redenção.

Voto nº 12.172— agravo em execução Nº 990.09.076452-0


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Art. 97, §§ 1º, 3º e 4º , do Cód. Penal.
— Averiguada por perícia médica a cessação da periculosidade do condenado, o Juiz, em
cumprimento da lei, determinará sua desinternação (art. 97, § 1º, do Cód. Penal).
— Se o reclamar o assunto, é forçoso que o julgador se louve no parecer dos expertos, que
detêm saber técnico especializado. Assim, nenhum escrúpulo deve ter em ordenar, com
base em perícia médica, a desinternação do condenado, se afirmada a cessação de sua
periculosidade. É o que dispõe a lei e estabelecem os princípios de justiça e respeito à
dignidade humana (art. 97, §§ 1º e 3º, do Cód. Penal).

Voto nº 12.173— agravo em execução Nº 990.09.131099-9


Arts. 112 e 127, da Lei de Execução Penal;
Súmula Vinculante nº 9, do STF.
— “O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a concessão
do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº 12.453-SP; rel. Min. Gilson
Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da disciplina
do estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno, credenciar-
se à outorga de benefícios (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— De presente, já não é lícito ao Juiz dar ao art. 127 da Lei de Execução Penal outra
interpretação que a literal restrita, por força da Súmula Vinculante nº 9, editada pelo
Colendo Supremo Tribunal Federal, que mandou inscrever entre os dogmas jurídicos a
perda, para o condenado “que for punido por falta grave”, do direito ao tempo remido
pelo trabalho.

Voto nº 12.174 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.149132-2


Art. 155, § 4º, nº II do Cód. Penal;
art. 648, nº I do Cód. Proc. Penal.
— Em linha de princípio, não é o “habeas corpus” meio idôneo para obstar o curso do
inquérito policial nem da ação penal, se o fato imputado ao réu constituir crime e houver
indícios suficientes de sua autoria.
— Ainda na esfera do “habeas corpus”, é admis-sível a análise de provas para aferir a proce-
dência da alegação de falta de justa causa para a ação penal; defeso é apenas seu exame
aprofundado e de sobremão, como se pratica na dilação probatória (art. 648, nº I, do Cód.
Proc. Penal).
— Para trancar a ação penal, ou impedir o curso de inquérito policial, sob o fundamento da
ausência de “fumus boni juris”, há mister prova mais clara que a luz meridiana, a fim de se
não subverter a ordem jurídica, entre cujos postulados se inscreve o da apuração
compulsória, pelos órgãos da Justiça, da responsabilidade criminal do infrator.
— Só é admissível trancamento de ação penal por falta de justa causa, quando esta se mostre
evidente à primeira face.
— “Se o fato atribuído ao paciente constitui violação da lei penal, existe justa causa para o
processo” (Rev. Forense, vol. 172, p. 426).

Voto nº 12.175 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.166194-5


Arts. 112 e 197, da Lei de Execução Penal.
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— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário,
máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário não
interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82, p. 2.561).
—“O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a
concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº 12.453-SP;
rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da
disciplina do estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno,
credenciar-se à outorga de benefícios (art. 112 da Lei de Execução
Penal).

Voto nº 12.177 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.07.080502-1


Arts. 213, 214 e 71, do Cód. Penal;
art. 226 do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 14, da Lei nº 10.826/03.
— Nisto de reconhecimento, o ponto está em que seja seguro. O exagerado apego ao rito
preconizado pelo art. 226 do Cód. Proc. Penal constitui, muita vez, escusado tributo ao
“frívolo curialismo”, que o sábio Francisco Campos mandava proscrever, de férula em punho
(cf. Exposição de Motivos do Código de Processo Penal, nº XVII).
— A palavra da vítima de atentado violento ao pudor tem importância
inquestionável na apuração das circunstâncias do fato criminoso e na
identificação de seu autor. Exceto se os elementos de prova dos autos
demonstrarem que a ofendida mentiu, suas palavras servem de carta de
crença e, pois, justificam a edição de decreto condenatório (art. 214 do
Cód. Penal).
— Com a entrada em vigor da Lei nº 12.015, de 7.8.2009 — que alterou o Título VI da Parte
Especial do Código Penal —, foi revogado o art. 214 do Cód. Penal, e a figura típica de que
tratava (atentado violento ao pudor) fundiu-se formalmente com a do art. 213, que define o
estupro, crime contra a dignidade sexual. As condutas que antes constituíam os delitos de
atentado violento ao pudor e estupro integram hoje um só e mesmo tipo penal, sob a rubrica de
estupro (art. 213 do Cód. Penal). Donde a inferência lógica imediata: praticadas nas
circunstâncias do art. 71 do Código Penal, as condutas do art. 213 configuram delito
continuado.
— O crime continuado, instituto nascido da equidade, é uma “fictio juris” destinada a evitar o cúmulo
material de penas (cf. José Frederico Marques, Curso de Direito Penal, 1956, vol. II, p. 354).
— No crime continuado, mais do que a unidade de ideação, prevalecem os elementos objetivos
referidos no art. 71 do Cód. Penal e a conveniência de remediar o exagero punitivo, que não
corrige o infrator, senão que o revolta e embrutece, por frustrar-lhe a esperança de realizar, em
tempo razoável e justo, o sonho da liberdade.
–– A posse clandestina de arma de fogo, acessório ou munição, no interior de residência, tipifica
a infração do art. 12 da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento), independentemente de
perigo concreto.
— O autor de estupro (art. 213 do Cód. Penal), crime da classe dos hediondos, deve cumprir sua
pena sob o regime inicial fechado, por força do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
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Voto nº 12.178— agravo em execução Nº 990.09.118536-1


Art. 112 da Lei de Execução Penal.

—“O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a


concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº 12.453-SP;
rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da disciplina do
estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno, credenciar-se à outorga de
benefícios (art. 112 da Lei de Execução Penal).

Voto nº 12.179— agravo em execução Nº 990.09.134399-1


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 159, § 1º, do Cód. Penal;
arts. 5º, nº XL e 52, X, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos), é
o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao pedido de progressão
de regime do condenado por crime hediondo cometido antes da promulgação da Lei nº
11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar de Direito Penal, a lei posterior mais
severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores intérpretes, “é
auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para suspender a sua
execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs., vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os condenados
por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para efeito de progressão,
caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal: cumprimento de 1/6 da pena e
bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464, em 29
de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal” (HC nº
88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito que é a fonte
da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da Justiça”
(Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p. 377).
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Voto nº 12.180— agravo em execução Nº 990.09.078886-0
Art. 83 do Cód. Penal.

–– Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento condicional


direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode negar sem grave injúria
da Lei e da Justiça.
–– O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de livramento
condicional ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade (necessariamente longa).
Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do benefício o registro de falta grave
(fuga), se, ao depois, revelou, por largo espaço de tempo, exemplar conduta
carcerária e notável dedicação ao trabalho, sinais inequívocos de sua redenção.

Voto nº 12.181 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 990.08.092573-3


Arts. 155, § 4º, nº IV, 180, “caput”, e 14, nº II, do Cód. Penal;
arts. 381 e 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal;
art. 36 do Cód. Criminal do Império do Brasil.

— A arguição de nulidade por falta de apreciação de teses da Defesa não prevalece contra
sentença cuja conclusão se mostre com elas inconciliável. É que “a sentença precisa
ser lida como discurso lógico” (STF; REsp nº 47.474/RS; 6a. Turma; rel. Min. Luiz
Vicente Cernicchiaro; DJU 24.10.94, p. 28.790).
— Por simples presunção ninguém pode decair de seu estado de inocência.
— Nenhuma presunção, por mais veemente que seja, dará motivo para imposição de pena
(art. 36 do Código Criminal do Império do Brasil).
— Toda condenação penal, ainda se trate de acusado de abominável
vida pretérita, somente pode ser decretada em face de prova plena e
cabal de sua culpabilidade.

Voto nº 12.182 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.06.138587-2


Arts. 157, § 2º, nº II, 14, nº II, e 33, § 2º, alínea b, do Cód. Penal.

—“A palavra da vítima é a viga mestra da estrutura probatória, e a sua acusação, firme e
segura, em consonância com as demais provas, autoriza a condenação” (Rev. Tribs.,
vol. 750, p. 682).
— O regime prisional fechado, no início, é o que melhor responde à natureza do roubo,
crime gravíssimo, e à personalidade de quem o pratica, infensa à disciplina social e
orientada para a delinquência violenta.
— Não há proibição legal de que o Juiz conceda ao condenado não-reincidente a pena
inferior a 8 anos o benefício do regime semi-aberto; o Código Penal, o que veda às
expressas é que se conceda ele ao réu condenado a pena superior a 8 anos (não
importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos (art. 33,
§ 2º, alínea b, do Cód. Penal).
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Voto nº 12.184 — embargos DE DECLARAÇÃO Nº
993.08.026956-4/5
Art. 71 do Cód. Penal;
art. 9º da Lei nº 8.072/90.
— O crime continuado, instituto nascido da equidade, é uma “fictio juris” destinada a
evitar o cúmulo material de penas (cf. José Frederico Marques, Curso de Direito
Penal, 1956, vol. II, p. 354).
— No crime continuado, mais do que a unidade de ideação, prevalecem os elementos
objetivos referidos no art. 71 do Cód. Penal e a conveniência de remediar o exagero
punitivo, que não corrige o infrator, senão que o revolta e embrutece, por frustrar-lhe a
esperança de realizar, em tempo razoável e justo, o sonho da liberdade.
— Se até os crimes contra a vida admitem a “fictio juris” da continuidade, não há razão
atendível para negá-la nas hipóteses de crimes contra os costumes praticados nas
circunstâncias do art. 71 do Código Penal.
—“Aplica-se a regra do crime continuado quando da aplicação da pena pelo delito de
atentado violento ao pudor se este foi praticado, embora contra várias vítimas, pelo
mesmo modus operandi” (Rev. Tribs., vol. 807, p. 592; rel. Celso
Limongi).

Voto nº 12.185— agravo em execução Nº 990.08.100088-1


Art. 50 da Lei de Execução Penal;
art. 8º do Decreto nº 6.294/07.
–– Uma vez conspirem todos os requisitos legais para sua concessão, denegar ao sentenciado o
benefício da comutação de penas fora o mesmo que frustrar, em seu espírito e forma, o
Decreto do Presidente da República e, sobre isso, mentir ao ideal de justiça.
— Ao condenado que satisfaz o requisito objetivo (lapso temporal) é bem se conceda
comutação de pena. Pequenas deficiências de cunho íntimo ou subjetivo, que acaso
apresente, deve supri-las o Juiz com o espírito mesmo que preside à outorga do
benefício do indulto: o nobre e generoso sentimento de compreensão humana, com que,
pelo Natal, o chefe de Estado sói amercear-se de todo o encarcerado, “o mais pobre de
todos os pobres”, na pungente expressão de Carnelutti (As Misérias do Processo
Penal, 1995, p. 21; trad. José Antonio Cardinalli).
— Quando claro, o texto legal escusa interpretação e, sobretudo, desautoriza aquela que
prejudicar o condenado: “In dubio pro libertate. Libertas omnibus rebus favorabilior est. Na
dúvida, pela liberdade! Em todos os assuntos e circunstâncias, é a liberdade que merece maior
favor” (apud Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p. 261).

Voto nº 12.186—Recurso em Sentido Estrito Nº 990.09.093422-


0
Art. 121, § 2º, ns. I, III e IV, do Cód. Penal;
arts. 408 e 413, “caput”, do Cód. Proc. Penal.
— Segundo a comum opinião dos doutores, para a pronúncia não é mister mais que a prova da
realidade do crime e indícios da responsabilidade do réu (art. 413 do Cód. Proc. Penal).
–– A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo Júri o acusado da
prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc. Penal). Donde veio a dizer José
Frederico Marques: “A pronúncia é sentença processual de conteúdo declaratório em que o
juiz proclama admissível a acusação, para que esta seja decidida no plenário do Júri”
9
(Elementos de Direito Processual Penal, 2a. ed., vol. III, p. 217; Millennium Editora).
–– As qualificadoras articuladas na denúncia apenas podem ser excluídas quando manifesta
sua inocorrência; do contrário, são os Jurados os que sobre elas se devem pronunciar,
porque matéria de sua competência.

Voto nº 12.187— agravo em execução Nº 990.09.092986-3


Art. 197 da Lei de Execução Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Considera-se prejudicado o agravo se, durante o seu processamento, o Juízo de Direito


da Vara das Execuções Criminais tiver já deferido ao sentenciado aquilo mesmo que
fazia objeto do recurso, visto que obtida a situação jurídica reclamada (art. 197 da Lei
de Execução Penal).

r
Voto nº 12.188 — ecurso DE oFÍCIO Nº 990.09.081418-7
Arts. 121, § 2º, nº III, 23, nº II, 25 e 29, do Cód. Penal;
art. 415, nº IV, do Cód. Proc. Penal.

— É maior de toda a censura a decisão que, reconhecendo a existência de causa excludente de


antijuridicidade — legítima defesa (art. 23, nº II, do Código Penal) —, absolve o acusado
nos termos da lei (art. 415, nº IV, do Cód. Proc. Penal). Em verdade, é lícito repelir a força
com a força: “vim vi repellere licet” (Ulpiano).
—“A justiça concede a todos repelir a força com a força” (Manuel Bernardes, Nova Floresta,
1726, t. IV, p. 207)
— Todo aquele que for injustamente agredido (ou estiver na iminência de sê-lo), poderá
afastar o ofensor, mesmo com violência, que o autoriza a lei. É a clara dicção do art.
23, nº II, do Cód. Penal. Matar, para não morrer, não é crime!
—“A defesa individual contra um ataque violento e sério é um direito, é mesmo um dever,
porque cada um tem não somente o direito, mas também o dever de velar pela sua
própria conservação” (Antônio Lemos Sobrinho, Legítima Defesa, 1925, p. 28).
—“Na minha casa, sem a minha autorização, só entra o Sol e ninguém mais!” (Velho brocardo).

Voto nº 12.189 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 990.08.088577-4


Arts. 155, § 4º, nº IV, 14, nº II, 29 e 71, do Cód. Penal.

— O acusado que admite, ainda que na Polícia, a autoria do fato criminoso e descreve, com
todas as circunstâncias, a atuação do cúmplice, depara ao Magistrado os subsídios
bastantes à edição de decreto condenatório, sobretudo se em harmonia com as mais
provas dos autos.
— Está acima de crítica a decisão que condena por furto o sujeito detido na posse do
produto do crime (art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal).
— A apreensão das “res furtivae” em poder do réu, sem que o justifique pronta e
satisfatoriamente, firma a certeza de sua culpabilidade, máxime se em harmonia com o
conjunto probatório.
10
— Ao renitente e empedernido autor de furtos, que se atira sem freios à estrada
tortuosa dos ilícitos penais, só o regime prisional semiaberto lhe servirá de
contenção do impulso criminoso e de forma de reparação do mal que causou à
sociedade.

Voto nº 12.190 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.05.027630-9


Arts. 155, § 4º, nº IV, 107, nº IV, 109, nº V, e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

—“A palavra da vítima é a viga-mestra da estrutura probatória, e a sua


acusação, firme e segura, em consonância com as demais provas,
autoriza a condenação” (Rev. Tribs., vol. 750, p. 682).
— Diz-se consumado o furto se o agente, ainda que por breve lapso
de tempo teve a posse desvigiada da coisa subtraída.
— O regime prisional fechado, no início, é o que melhor responde à
condição do réu, reincidente em crime doloso contra o patrimônio
e contumaz transgressor das regras que disciplinam a vida em
sociedade (art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal).

Voto nº 12.191 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.05.012389-8


Arts. 157, § 2º, nº I, 33, § 2º, alínea c, e 59, do Cód. Penal.

— Após a confissão do réu, tudo o mais é escusado: “post confessionem rei, nihil amplius
quaeritur” (Ulpiano).
— Pedra angular do edifício probatório, a palavra da vítima, nos crimes violentos contra o
patrimônio, é fonte valiosíssima de convicção e, se em harmonia com os mais
elementos dos autos, pode justificar a condenação do réu (art. 157 do Cód. Penal).
— Diz-se tentado o roubo se o agente, preso logo em seguida à subtração, não teve a
posse tranquila e desvigiada da coisa.
— Em caso de tentativa de roubo, se primário e de bons antecedentes
o réu, não é defeso ao Juiz, tendo consideração aos graves e notórios malefícios
do regime recluso, deferir-lhe o benefício do regime semiaberto (cf. art. 33, § 2º,
alínea “c”, do Cód. Penal).
— “A imposição de regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permite
exige motivação idônea” (Súmula nº 719 do STJ).

Voto nº 12.192 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.05.059344-4


Arts. 129, 157, § 2º, nº I e 14, nº II, do Cód. Penal.

—“A palavra da vítima é a viga mestra da estrutura probatória, e a sua acusação,


firme e segura, em consonância com as demais provas, autoriza a condenação”
(Rev. Tribs., vol. 750, p. 682).
11
— O regime prisional fechado, no início, é o que melhor responde à natureza do
roubo, crime gravíssimo, e à personalidade de quem o pratica, infensa à disciplina
social e orientada para a delinquência violenta.

Voto nº 12.193 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.05.016699-6


Arts. 157, § 2º, ns. I, II e V , e 307, “caput”, do Cód. Penal.

—“A palavra da vítima é a viga mestra da estrutura probatória, e a sua acusação, firme e
segura, em consonância com as demais provas, autoriza a condenação” (Rev. Tribs.,
vol. 750, p. 682).
— Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve lapso de tempo, teve a
posse desvigiada da coisa subtraída à vítima mediante violência ou grave ameaça.
— O regime prisional fechado, no início, é o que melhor responde à natureza do roubo,
crime gravíssimo, e à personalidade de quem o pratica, infensa à disciplina social e
orientada para a delinquência violenta.
— Até à mentira tem o réu licença de recorrer, como meio de defesa; não lhe é lícito,
entretanto, atribuir-se falsa identidade, que isto a lei define e pune como crime (art.
307 do Cód. Penal).

Voto nº 12.194— agravo em execução Nº 990.09.124648-4


Art. 112 da Lei de Execução Penal.

— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal — não
aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode ser realizado
se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que cometeu o
aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o Magistrado com a prudência e
o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto é,
“tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semiaberto. Somente
fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos da
recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os requisitos da
lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça Criminal, senão por
voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para o caminho do bem, de que
se desviara, a fim de que possa reintegrar-se, efetivamente, no convívio social (art. 112
da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à proteção
da Lei!
12

Voto nº 12.195— agravo em execução Nº 990.09.145546-6


Art. 112 da Lei de Execução Penal.

— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal —
não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode ser
realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que
cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o Magistrado com a
prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto é,
“tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semiaberto. Somente
fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos da
recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os requisitos da
lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça Criminal, senão por
voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para o caminho do bem, de que
se desviara, a fim de que possa reintegrar-se, efetivamente, no convívio social (art. 112
da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à proteção
da Lei!

Voto nº 12.196— agravo em execução Nº 990.09.127545-0


Arts. 112 e 127, da Lei de Execução Penal;
Súmula Vinculante nº 9, STF.

— “O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a


concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº 12.453-
SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da disciplina
do estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno,
credenciar-se à outorga de benefícios (art. 112 da Lei de Execução
Penal).
— De presente, já não é lícito ao Juiz dar ao art. 127 da Lei de Execução Penal outra
interpretação que a literal restrita, por força da Súmula Vinculante nº 9, editada pelo
Colendo Supremo Tribunal Federal, que mandou inscrever entre os dogmas jurídicos a
13
perda, para o condenado “que for punido por falta grave”, do direito ao tempo remido
pelo trabalho.

Voto nº 12.197—Recurso em Sentido Estrito Nº 990.09.130934-


6
Arts. 121, “caput”, e 14, nº II, do Cód. Penal;
arts. 408, “caput”, e 413, do Cód. Proc. Penal.

–– A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo Júri o


acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc. Penal). Donde
veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença processual de
conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a acusação, para que esta
seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de Direito Processual Penal, 2a. ed.,
vol. III, p. 217; Millennium Editora).
–– Não é ao Juiz da pronúncia, mas ao Tribunal Popular, juiz natural da causa, que
compete desclassificar tentativa de homicídio para lesões corporais, se não afastada de
plano a hipótese de haver o réu obrado com intenção homicida ao ferir a vítima em
região nobre do corpo.
–– Na dúvida sobre a desclassificação do crime para outro da competência do Juiz
singular, deve o Magistrado pronunciar o réu, na forma do art. 408, “caput”, do
Cód. Proc. Penal.

Voto nº 12.198 —Recurso em Sentido Estrito Nº


990.09.125024-4
Arts. 107, nº IV, e 109, do Cód. Penal;
arts. 579 e 581, nº VIII, do Cód. Proc. Penal;
art. 38 da Lei nº 9.605/98.

— Adequado para impugnar decisão que declara, antecipadamente, prescrição da


pretensão punitiva é o Recurso em Sentido Estrito, por força do preceito do art.
581, nº VIII, do Cód. Proc. Penal.
— Reza o art. 579 do Cód. Proc. Penal que, “salvo a hipótese de má-fé, a parte não
será prejudicada pela interposição de um recurso por outro. Consagra essa norma
o que Pontes de Miranda denomina de princípio da fungibilidade da interposição
dos recursos” (José Frederico Marques, Elementos de Direito Processual Penal,
1a. ed., vol. IV, p. 201).
— Não é de bom exemplo antecipar o exame do mérito à produção da prova com o
intuito de aferir prescrição virtual, que isto implica descaso pela obrigatoriedade
da ação penal e violação grave da primeira garantia de todo o acusado: ter
14
oportunidade de comprovar sua inocência (art. 107, nº IV, do Cód. Penal).
— Se a pena ainda não foi concretizada na sentença, não há reconhecer prescrição,
antecipadamente, com fundamento em juízo de provável condenação, visto como pode
suceder que o réu venha a ser absolvido, o que terá por benefício de maior quilate
que a extinção de sua punibilidade pela porta ampla da prescrição.
—“A maioria da jurisprudência não aceita a chamada prescrição virtual” (Guilherme
de Souza Nucci, Código Penal Comentado, 5a. ed., p. 469).

Voto nº 12.199 — agravo em execução Nº 990.09.153536-2


Arts. 157, § 3º, 14, nº II, e 83, nº V, do Cód. Penal.

–– Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento condicional


direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode negar sem grave injúria
da Lei e da Justiça.
–– O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de livramento
condicional ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade (necessariamente longa).
Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do benefício o registro de falta grave
(fuga), se, ao depois, revelou, por largo espaço de tempo, exemplar conduta
carcerária e notável dedicação ao trabalho, sinais inequívocos de sua redenção.

Voto nº 12.200— agravo em execução Nº 990.09.132402-7


Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 214 do Cód. Penal.

— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto é,
“tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom
comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime aberto. Somente fato
grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos da
recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução Penal
— não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual pode ser
realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que
cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o Magistrado com a
prudência e o arbítrio do bom varão.
— Dois requisitos exige a lei para a progressão de regime: lapso temporal e mérito do
condenado; presentes que sejam, compete ao Juiz despachar de boa sombra a
pretensão, uma vez não pode recusar-se a praticar os atos de seu ministério.
— O asserto de que o criminoso empedernido não conhece recuperação não é dogma
científico. Para honra da Humanidade, não são raros os casos em que, incentivados
por medidas penais salutares, condenados abjuraram a vida de crimes, redimiram-
15
se de suas faltas e retornaram à comunhão social, tornando-se cidadãos prestantes.
— Opor-se à progressão de regime — direito que a lei assegura ao condenado em
condições de o merecer — fora mais do que obstar-lhe a reintegração social, porque
seria matar-lhe a esperança, que é o último remédio que deixou a natureza a todos
os males (Vieira, Sermões, 1682, t. II, p. 87).

Voto nº 12.201 — RevisÃo CRIMINAL Nº 993.05.031075-2


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal.

— A história humana outra coisa não é que um oceano de erros, no qual triunfam, a trechos,
poucas e confusas verdades (César Beccaria, Dos Delitos e das Penas, § XVI).
— A confissão, os antigos já a reputavam documento de sumo alcance na pesquisa da
verdade real: “não é um meio de prova. É a própria prova, consistente no
reconhecimento da autoria por parte do acusado” (Vicente Greco Filho, Manual
de Processo Penal, 1997, p. 229).
— Nos casos de roubo, é a palavra da vítima a principal e mais segura fonte de
informação do Magistrado, pois manteve contacto com o seu autor e não se propõe
senão submetê-lo à Justiça. Pelo que, exceto lhe prove o réu que mentiu ou se
equivocou, suas declarações bastam a acreditar um decreto condenatório (art. 157, §
2º, ns. I e II, do Cód. Penal).
— Contrária à evidência, ao parecer comum da doutrina, é a decisão que se desabraça
inteiramente das provas dos autos, de tal sorte que entre ela e o conjunto probatório
não há mais que franca oposição lógica (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— No Juízo da Revisão Criminal cumpre ao condenado exibir provas cabais e
incontroversas da erronia ou injustiça da sentença, aliás nada poderá contra a força da
coisa julgada (art. 621, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 12.202 — RevisÃo CRIMINAL Nº 993.06.037099-5


Art. 621 do Cód. Proc. Penal;
art. 12, “caput”, da Lei nº 6.368/76;
Súmula nº 523 do STF.

— Última oportunidade que a lei defere ao condenado para a emenda de eventual injustiça ou
erro judiciário, não será de bom exemplo denegar-lhe, “in limine”, a súplica revisional,
exceto nos casos de total inépcia. Profundo conhecedor da natureza humana, advertiu o
grande Vieira: “nenhum homem é tão sábio, que não esteja sujeito a errar” (Sermões,
1959, t. IV, p. 13).
— A mera alegação do réu de ser viciado em entorpecente não obriga à instauração de
incidente de exame de dependência. Cumpre-lhe apresentar ao Magistrado
subsídios que o inculquem e justifiquem a providência (v.g.: atestado médico, guia
de internação hospitalar, testemunho idôneo, etc.), em ordem a não atalhar, sem
motivo plausível, o curso do processo, que é movimento dirigido para diante (cf.
16
Vicente de Azevedo, Curso de Direito Judiciário Penal, 1958, vol. I, p. 24).
— A mera dúvida sobre a higidez mental do réu ao tempo do fato criminoso não basta a
assegurar-lhe a procedência do pedido de revisão: há que prová-lo cumpridamente, no
processo autônomo da justificação criminal, sob a garantia do contraditório.
—“No processo penal, a falta de defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência
só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu” (Súmula nº 523 do STF).
— No Juízo da Revisão Criminal cumpre ao condenado exibir provas cabais e
incontroversas da erronia ou injustiça da sentença, aliás nada poderá contra a força da coisa
julgada (art. 621, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 12.203 — agravo em execução Nº 990.09.145619-5


Arts. 181, § 1º, alínea a, e 197, da Lei de Execução Penal.
arts. 180, “caput”, e 44, § 4º, do Código Penal.

—“A imposição de serviços à comunidade como condição da pena em


regime aberto implica inaceitável bis in idem, pois a restrição de
direitos possui caráter substitutivo da pena privativa de liberdade, não
podendo ser cumulada com esta, como condição especial daquele regime” (Rev.
Tribs., vol. 753, p. 730).
––“Conversão de pena restritiva de direito em privativa de liberdade,
porque o sentenciado não foi localizado para dar cumprimento ––
Regime aberto, sem fixação de condição especial consistente em
prestação de serviços à comunidade –– Possibilidade
— O descumprimento injustificado da pena restritiva de direitos
acarreta, obrigatoriamente, a conversão em pena privativa de
liberdade –– Inteligência dos arts. 44, § 4º, do Código Penal e 181, §
1º, alínea a, da Lei de Execução Penal –– Decisão mantida ––
Recurso improvido” (TJSP; Ag. Exec. nº 990.08.056459-5, 16a. Câm.
Criminal; rel. Newton Neves).
— Se o sentenciado cumpriu inteiramente sua pena, carece de
legítimo interesse o pedido de reforma da decisão. Em
consequência, agravo em execução interposto com essa finalidade
está prejudicado, visto perdeu o objeto (art. 197 da Lei de
Execução Penal).

Voto nº 12.204 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.168812-6


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal.

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do


condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto aguarda
vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem superior
invencível, tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana: todo o infrator
sabe que, delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto,
17
como forma de iludir o rigor da espera, será tripudiar sobre o
direito de outros sentenciados que há mais tempo aguardam a
efetivação da transferência para o estágio intermediário, além de
fazer injúria à própria sociedade, que tem o direito de exigir do
infrator a reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe
causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso
deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 12.205 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.149531-0


Art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal;
art. 83 do Cód. Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-
lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo
de obter progressão de regime, pois se trata de matéria em que, por previsão de lei
(art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve entender o Juízo de
Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de suas atribuições
e violação de norma de organização judiciária do Estado.

Voto nº 12.206—Recurso em Sentido Estrito Nº 990.09.129470-


5
Arts. 121, § 2º, ns. II e IV, 14, nº II, e 29, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, Const. Fed.

— À luz da nova ordem constitucional instaurada no País, a regra geral é que se


defenda o réu em liberdade. Consectário do princípio do estado de inocência (art.
5º, nº LVII, da Const. Fed.), só por exceção deve o acusado responder preso ao
processo.
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não sustente
em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-se
18
revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de réu,
quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310, parág.
único, do Cód. Proc. Penal).
—“Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação
cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu. Ausentes razões de
necessidade, revela-se incabível, ante a sua excepcionalidade, a decretação ou a
subsistência da prisão preventiva (...)” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 180, pp. 262-
264; rel. Min. Celso de Mello).
–– Passa por iniquidade manter preso, enquanto lhe tramita o processo, réu que poderá
até ser absolvido. Ao demais, ninguém ignora que o cárcere é o pior lugar do
mundo antes do cemitério, tendo-lhe Dostoiévski chamado, com propriedade, a
“casa dos mortos”.

Voto nº 12.207 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.167943-7


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 29, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, e 312, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado na


Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão preventiva,
quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal: garantia da
ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal,
desde que comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a decisão
definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal:
“A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de
autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf.
Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 253).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou contestar a
verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do Supremo Tribunal
Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões, também, se fundamentam por si
mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso” (O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p.
347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz),
primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro da culpa não
valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc.
Penal) àquele que, acusado de crime grave — como é o roubo —, tem contra si a presunção de
periculosidade.

Voto nº 12.208 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.05.006285-6


Art. 12, “caput”, da Lei nº 6.368/76;
art. 33 da Lei nº 11.343/06;
art. 202 do Cód. Proc. Penal.
19
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argui para logo a idéia de
tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos policiais, há
decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de policial não torna a
testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU 7.12.73, p. 9.372; apud Damásio
E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 185).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se demonstrar, além
de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em erro de informação. É que, na
busca da verdade real — alma e escopo do processo —, “toda pessoa poderá ser
testemunha” (art. 202 do Cód. Proc. Penal).
— O justificado rigor, com que a Lei nº 8.072/90 tratava os crimes denominados hediondos, foi
atenuado pela Lei nº 11.464/2007, que lhe introduziu modificação no art. 2º , § 1º, para
permitir a seus autores progressão no regime prisional após o cumprimento, sob o regime
fechado, de 2/5 da pena se primário, ou 3/5, se reincidente.
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 33 da Lei nº 11.343/06), crime da classe dos
hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por força do preceito do
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

Voto nº 12.209—Recurso em Sentido Estrito Nº 990.08.094647-


1
Arts. 121, § 2º, ns. II e IV, e 23, nº II, do Cód. Penal;
arts. 79, 408 e 413, “caput”, do Cód. Proc. Penal;
art. 14 da Lei nº 10.826/03.

–– A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo Júri o


acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc. Penal).
Donde veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença processual
de conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a acusação, para que
esta seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de Direito Processual Penal,
2a. ed., vol. III, p. 217; Millennium Editora).
–– Ainda que, em tese, possa absolver o réu com fundamento na legítima defesa, ao Juiz
da pronúncia não é lícito fazê-lo senão quando comprovada a descriminante legal
acima de toda a dúvida razoável (art. 23, nº II, do Cód. Penal).
–– Salvo se manifesta sua inocorrência, não é de bom exemplo afastar, desde logo, na fase
da pronúncia, as qualificadoras do homicídio; ao Tribunal do Júri, como a seu Juiz
natural, é que, em princípio, cabe apreciá-lo (art. 121, § 2º, ns. II e IV, do Cód. Penal).
––“Nos processos da competência do Júri o Juiz sumariante só deve arredar as
qualificadoras articuladas na denúncia quando for manifesta sua inocorrência” (Rev.
Tribs., vol. 577, p. 348; rel. Cunha Camargo).
––A conexão importa unidade de processo e julgamento (art. 79 do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 12.210 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.05.014190-0


Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
20
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argui para logo a
ideia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos policiais, há
decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de policial não torna a
testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU 7.12.73, p. 9.372; apud
Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 185).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se demonstrar,
além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em erro de informação. É
que, na busca da verdade real — alma e escopo do processo —, “toda pessoa poderá
ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc. Penal).
— Não tem direito à redução de pena do art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06 o sujeito
preso em flagrante na posse de grande quantidade de entorpecente, pois tal
circunstância está a demonstrar, “per se”, que se dedicava a atividade criminosa.
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 33 da Lei nº 11.343/06), crime da classe dos
hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por força do preceito
do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

Voto nº 12.215— aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.05.008751-4


Arts. 107, nº IV, 109, nº IV, 110, § 1º, e 115, do Cód. Penal;
arts. 61 e 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 33 da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.

— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para defender-se de injusta
acusação. Se permaneceu calado, ainda que direito seu garantido pela Constituição da
República (art. 5º, nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo adverso.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argui para logo a
ideia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao arguente impõe-se demonstrar,
além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em erro de informação. É
que, na busca da verdade real — alma e escopo do processo —, “toda pessoa poderá
ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc. Penal).
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos
hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por força do preceito
do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do exemplo
desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
21
Voto nº 12.216 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.08.048561-5
Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal.

—“A palavra da vítima é a viga-mestra da estrutura probatória, e a sua


acusação, firme e segura, em consonância com as demais provas,
autoriza a condenação” (Rev. Tribs., vol. 750, p. 682).
— Diz-se consumado o furto se o agente, ainda que por breve lapso
de tempo teve a posse desvigiada da coisa subtraída.
— O regime prisional fechado, no início, é o que melhor responde à
condição do réu, reincidente em crime doloso contra o patrimônio
e contumaz transgressor das regras que disciplinam a vida em
sociedade (art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal).

Voto nº 12.217 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.06.096928-5


Art. 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal.

—“A palavra da vítima é a viga-mestra da estrutura probatória, e a sua


acusação, firme e segura, em consonância com as demais provas, autoriza
a condenação” (Rev. Tribs., vol. 750, p. 682).
— A confissão, máxime a prestada em Juízo, vale como prova do fato e de sua autoria, se
não ilidida por elementos de convicção firmes e idôneos. Donde a antiga parêmia: “A
confissão judicial é das melhores provas; quem confessa, contra si profere a sentença”
(apud Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar Jurídico, 1985, t. II, p. 530).
— Diz-se consumado o furto se o agente, ainda que por breve lapso
de tempo teve a posse desvigiada da coisa subtraída.
— O regime fechado, ainda que da última severidade, é o que
unicamente se ajusta à personalidade do réu que faz do crime
profissão e desafia sempre o gládio da Justiça.

Voto nº 12.218 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 990.08.099362-3


Arts. 71, 107, nº IV, 109, nº V, e 110, § 1º, do Cód. Penal;
art. 580 do Cód. Proc. Penal;
art. 1º, nº II, da Lei nº 8.137/90;
art. 121, par. único, I, do CTN;
Súmula nº 497 do STF.

— Na apuração da autoria de crime adotavam os romanos o judicioso critério: “Cui


prodest scelus, is fecit”. Aquele a quem o crime aproveita, esse o cometeu. É a
lógica a melhor das provas.
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do exemplo
22
desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
—“Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena imposta
na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação”
(Súmula nº 497 do STF).

Voto nº 12.219— agravo em execução Nº 990.09.144122-8


Art. 83 do Cód. Penal.

–– Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento condicional


direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode negar sem grave injúria
da Lei e da Justiça.
–– O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de livramento
condicional ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade (necessariamente longa).
Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do benefício o registro de falta grave
(fuga), se, ao depois, revelou, por largo espaço de tempo, exemplar conduta
carcerária e notável dedicação ao trabalho, sinais inequívocos de sua redenção.

Voto nº 12.220— agravo em execução Nº 990.09.160713-4


Art. 50 da Lei de Execução Penal;
Decreto Presidencial nº 5.993/06.

–– Uma vez conspirem todos os requisitos legais para sua concessão, denegar ao
sentenciado o benefício da comutação de penas fora o mesmo que frustrar, em seu
espírito e forma, o Decreto do Presidente da República e, sobre isso, mentir ao ideal de
justiça.
— Ao condenado que satisfaz o requisito objetivo (lapso temporal) é bem se conceda
comutação de pena. Pequenas deficiências de cunho íntimo ou subjetivo, que acaso
apresente, deve supri-las o Juiz com o espírito mesmo que preside à outorga do
benefício do indulto: o nobre e generoso sentimento de compreensão humana, com que,
pelo Natal, o chefe de Estado sói amercear-se de todo o encarcerado, “o mais pobre de
todos os pobres”, na pungente expressão de Carnelutti (As Misérias do Processo
Penal, 1995, p. 21; trad. José Antonio Cardinalli).
— Quando claro, o texto legal escusa interpretação e, sobretudo, desautoriza aquela que
prejudicar o condenado: “In dubio pro libertate. Libertas omnibus rebus favorabilior
est. Na dúvida, pela liberdade! Em todos os assuntos e circunstâncias, é a liberdade
que merece maior favor” (apud Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do
Direito, 16a. ed., p. 261).

Voto nº 12.221 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.05.005263-0


Arts. 12, “caput”, 18, ns. III e IV, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 202 do Cód. Proc. Penal.

— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argui para logo a


23
ideia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao arguente impõe-se demonstrar,
além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em erro de informação. É
que, na busca da verdade real — alma e escopo do processo —, “toda pessoa poderá
ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc. Penal).
— A causa de aumento de pena do art. 18, nº II, da Lei nº 6.368/76 (“decorrer de
associação”), já não subsiste e, pois, não pode ser reconhecida à luz da nova Lei de
Drogas (Lei nº 11.343/06), que previu a circunstância apenas como crime autônomo
(art. 35).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº
8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de pena. Se
o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente — e
conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, § 2º).
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos
hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por força do preceito
do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

Voto nº 12.222 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.06.134388-6


Art. art.16, parág. único, nº IV, da Lei nº 10.826/03
art. 33, § 2º, alínea b, art. 44, § 2º, do Cód. Penal;
arts. 202 do Cód. Proc. Penal;
art.

–– Incorre em crime e, pois, sujeita-se às penas da lei aquele que, sem licença da
autoridade, traz consigo, em via pública, arma de fogo com numeração suprimida,
nada importando a inexistência de perigo concreto (art. 16, parág. único, nº IV, da
Lei nº 10.826/03 – Estatuto do Desarmamento).
— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo constitui
solene despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cód. Proc.
Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas penas da lei,
donde a inépcia do raciocínio apriorístico de que o policial vem a Juízo para mentir.
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a mira
o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os perigos que
acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que existam controles ou
regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das Armas de Fogo, 1998, p.
107).
— Esta é também a opinião do insigne Damásio E. de Jesus:“A ratio legis reside
exatamente nisso: para proteger direitos fundamentais do homem, como a vida, o
legislador antecipa a punição a fatos que, de acordo com a experiência, conduzem à
lesão de bem de valor supremo” (Direito Penal do Desarmamento, 5a. ed., p. 44).
— Não há proibição legal de o Juiz conceder regime semiaberto a condenado não
reincidente a pena inferior a 8 anos (art. 33, § 2º, alínea b, do Cód. Penal); a concessão
de tal benefício unicamente é defesa ao réu condenado a pena que exceda a 8 anos (não
importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos.
— Condenado à pena de 3 anos de reclusão por porte ilegal de arma de fogo (art. 16 do
24
Estatuto do Desarmamento), tem direito o réu à aplicação de medida alternativa (art.
44, § 2º, 2a. parte, do Cód. Penal).

Voto nº 12.223 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.159556-0


Arts.
art. do Cód. Proc. Penal.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução da
pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº III,
alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de recurso,
cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e
estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo
de obter livramento condicional, pois se trata de matéria em que, por previsão de
lei (art. 66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve entender o Juízo de
Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de suas atribuições
e violação de norma de organização judiciária do Estado.
–– Não é o “habeas corpus” via legal idônea para apressar decisões nem apreciar pedido de
progressão de regime prisional, por implicar análise detida de requisitos objetivos e
subjetivos, reservada à competência do Juízo da execução (art. 66, nº III, alínea b, da Lei
de Execução Penal).

Voto nº 12.224 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.177349-2


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.
— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do
condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto aguarda vaga
no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem superior invencível, tal
situação no entanto cai na esfera da previsão humana: todo o infrator sabe que,
delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto,
como forma de iludir o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito
de outros sentenciados que há mais tempo aguardam a efetivação
da transferência para o estágio intermediário, além de fazer injúria à
própria sociedade, que tem o direito de exigir do infrator a
reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe causou
com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau
de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via
sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
25

Voto nº 12.225 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.04.024385-8


Art. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art.
— Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da vítima são, pelo comum,
dignas de crédito; servem, pois, a lastrear condenação, máxime se a roborarem outros
elementos do processo.
— No geral, a palavra da vítima é a primeira luz que afugenta as sombras sob que se
pretende abrigar a impunidade.
— O regime prisional fechado é o que, em princípio, convém ao autor de roubo, por sua
natural periculosidade, como sujeito infenso à ordem legal e destituído de
sentimento ético, e pela notória gravidade do crime, que intranqüiliza
e comove a população honrada.

Voto nº 12.226 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.170583-7


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a liberdade
do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a
“causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas
em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-
lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 12.227 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.164342-4


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado na


Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão preventiva,
quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal: garantia
da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei
penal, desde que comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a decisão
definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc.
26
Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e indícios
suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a
condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 253).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou contestar a
verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do Supremo Tribunal
Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões, também, se fundamentam por si
mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso” (O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p.
347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz),
primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro da
culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág.
único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave — como é o roubo —,
tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 12.228 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.04.027981-0


Art. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art.

—“A palavra da vítima é a viga mestra da estrutura probatória, e a sua acusação, firme e
segura, em consonância com as demais provas, autoriza a condenação” (Rev. Tribs.,
vol. 750, p. 682).
— O aumento de 3/8 pela incidência de duas qualificadoras do roubo não se mostra
desarrazoado, pois tem por si copiosa jurisprudência dos Tribunais: se duas as
qualificadoras, “o aumento deverá ficar entre o mínimo e o máximo estipulado, ou seja,
em 2/5” (Rev. Tribs., vol. 734, p. 673; rel. Denser de Sá).
— O regime prisional fechado, no início, é o que melhor responde à natureza do roubo,
crime gravíssimo, e à personalidade de quem o pratica, infensa à disciplina social e
orientada para a delinquência violenta.

Voto nº 12.229 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.159142-4


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– É questão vitoriosa nos Tribunais que a revogação do livramento condicional


somente pode ocorrer durante o período de prova (art. 86 do Cód. Penal).
––“Terminado o período de prova sem revogação, a pena privativa de liberdade deve
ser julgada extinta” (Julio Fabbrini Mirabete, Execução Penal, 11a. ed., p. 599).
––“Não tendo sido suspenso, por medida cautelar, o livramento condicional durante o
período de prova, impõe-se a declaração de extinção da pena imposta, não se
mostrando possível a revogação do benefício, a teor do que disciplinam os artigos 90
do Código Penal e 145 da Lei de Execução Penal” (STJ; HC nº 53.572/RJ; rel. Min.
Hamilton Carvalhido; 6a. T.; DJU 2.4.2007, p. 309).
27

12.230

Voto nº 12.232 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.175744-6


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de


dignidade constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo,
não pode o “habeas corpus” substituir o recurso ordinário,
máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82, P.
2.561).
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução
da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº
III, alínea “b”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de recurso,
cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e
estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 12.233 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.160572-7


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade


constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus”
substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões
de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário não
interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82, p. 2.561).
—“O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a
concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº 12.453-SP;
rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da disciplina
do estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno, credenciar-se
à outorga de benefícios (art. 112 da Lei de Execução Penal).

Voto nº 12.234 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.175791-8


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.
28

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento, dilatando os
dias de sua permanência no cárcere.
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da culpa
decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou ao
Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora na
inquirição de testemunhas por precatória, que tem o caráter de força maior, motivo de
suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
––“Não constitui constrangimento ilegal o excesso de prazo na instrução, provocado
pela defesa”(Súmula nº 64 do STF).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado na
Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão preventiva,
quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal: garantia
da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei
penal, desde que comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a decisão
definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc.
Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e indícios
suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a
condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou contestar a
verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do Supremo Tribunal
Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões, também, se fundamentam por si
mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso” (O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p.
347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz),
primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro da
culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág.
único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave — como é o roubo —,
tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 12.235 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.172181-6


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do


condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto aguarda vaga
no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem superior invencível, tal
situação no entanto cai na esfera da previsão humana: todo o infrator sabe que,
delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau menor ou maior.
29
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de iludir o rigor
da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados que há mais tempo
aguardam a efetivação da transferência para o estágio intermediário, além de fazer injúria
à própria sociedade, que tem o direito de exigir do infrator a reparação, em forma de pena
retributiva, do dano que lhe causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução da
pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº III,
alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o
reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do
“habeas corpus”.

Voto nº 12.236 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.164764-0


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado


na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão
preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo
Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar
a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração penal e
veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do
Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e
indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para
a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 253).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do crime, é insuscetível
de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na
instância ordinária, com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação
penal por falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art. 648, nº I,
do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não contraditória e
que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis
Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).

Voto nº 12.237 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.074483-9


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento ilegítimo por
excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez que nem sempre o pode
o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso de força maior, dispõe a lei que
“não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
30
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora na
inquirição de testemunhas por precatória, que tem o caráter de força maior, motivo de
suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por
excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 12.238 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.156431-1


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do
Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e
indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz
para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 253).
— A custódia cautelar, nesse caso, representa não só garantia do processo, mas
inexorável medida política de prevenção da criminalidade e de defesa da ordem
social, meta primeira do Estado e aspiração permanente da Justiça.
— O exame de provas no âmbito do “habeas corpus”, para a verificação da falta de justa
causa para a ação penal, tem sido pábulo de tormentosas disputas. Mas, a inteligência
que, de presente, prevalece a tal respeito, assim na Doutrina como na Jurisprudência, é a
que, embora incompatível o processo de “habeas corpus” com o contraditório ou
ampla indagação probatória, tem lugar o exame dos elementos dos autos, “para
avaliar-se da legalidade ou ilegalidade da ação penal” (cf. Rev. Tribs., vol. 491, p.
375; rel. Min. Costa Lima).
—“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não contraditória e
que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis
Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
—“Havendo a competente autorização judicial para as interceptações telefônicas, e tendo
o magistrado de primeiro grau afirmado que as escutas se limitaram ao prazo legal,
não é possível, na via estreita do habeas corpus, afirmar serem ilícitas as provas
advindas desse procedimento, por demandar exame aprofundado das provas” (STJ;
RHC nº 17.535/RS; 6a. Turma; rel. Min. Paulo Gallotti; DJU 17.4.2006, p. 207).
—“Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação
ou para a defesa (art. 563 do Cód. Proc. Penal).
31
Voto nº 12.239— agravo em execução Nº 990.09.080300-2
Art. do Cód. Penal;
art. ...... do Cód. Proc. Penal;
art.

–– Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento condicional


direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode negar sem grave injúria
da Lei e da Justiça.
–– O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de livramento
condicional ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade (necessariamente longa).
Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do benefício o registro de falta grave
(fuga), se, ao depois, revelou, por largo espaço de tempo, exemplar conduta
carcerária e notável dedicação ao trabalho, sinais inequívocos de sua redenção.

Voto nº 12.240 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.05.068641-8


Art. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art.

—“A palavra da vítima é a viga mestra da estrutura probatória, e a sua acusação, firme e
segura, em consonância com as demais provas, autoriza a condenação” (Rev. Tribs.,
vol. 750, p. 682).
— Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve lapso de tempo, teve a
posse desvigiada da coisa subtraída à vítima mediante violência ou grave ameaça.
— O regime prisional fechado, no início, é o que melhor responde à natureza do roubo,
crime gravíssimo, e à personalidade de quem o pratica, infensa à disciplina social e
orientada para a delinquência violenta.

12.241

Voto nº 12.242 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 993.08.033575-3


Art. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art.
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do exemplo
desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal Brasileiro, 8a. ed., p.
154).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou deliberação.
32
12.243

Voto nº 12.244— agravo em execução Nº 990.09.147211-5


Art. do Cód. Penal;
art. ...... do Cód. Proc. Penal;
art.

— “O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a


concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº 12.453-SP;
rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da
disciplina do estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno,
credenciar-se à outorga de benefícios (art. 112 da Lei de Execução
Penal).
— De presente, já não é lícito ao Juiz dar ao art. 127 da Lei de Execução Penal outra
interpretação que a literal restrita, por força da Súmula Vinculante nº 9, editada pelo
Colendo Supremo Tribunal Federal, que mandou inscrever entre os dogmas jurídicos a
perda, para o condenado “que for punido por falta grave”, do direito ao tempo remido
pelo trabalho.

12.245
12.246
12.247
12.248

Voto nº 12.249— HABEAS cORPUS Nº 990.09.157637-9


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução da


pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº III,
alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de recurso,
cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e
estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo
de obter livramento condicional, pois se trata de matéria em que, por previsão de
lei (art. 66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve entender o Juízo de
Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de suas atribuições
e violação de norma de organização judiciária do Estado.
33
Voto nº 12.250 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.168428-7
Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Contra o parecer de notáveis juristas, que sustentam não ser o “habeas corpus” meio
apropriado a impugnar decisão de que caiba recurso ordinário, mostra-se de bom
exemplo conhecer da impetração, porque, em tese, passa pelo remédio jurídico-
processual mais célere e eficaz para conjurar abusos e ilegalidades contra o direito à
liberdade de locomoção do indivíduo (art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.).
— É razoável computar, no cálculo de liqüidação das penas do condenado, como de
pena cumprida, o tempo de remição pelo trabalho (art. 126 da Lei de Exec. Penal).
Dado que a Lei de Execução Penal é a tal respeito omissa, pode o Juiz guiar-se
pelo princípio comum que rege a solução dos casos controversos e optar pela
parcialidade mais favorável ao sentenciado: “Semper in dubiis benigniora
praeferenda sunt”.
—“O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, no processo MJ-
8.926/94, por unanimidade, entendeu que o tempo remido deve ser abatido da pena
não só para livramento condicional como também para indulto e progressão de
regime (DJU 2.12.94, p. 18.352)” (apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 663).

Voto nº 12.251 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.179678-6


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— À luz da nova ordem constitucional instaurada no País, a regra geral é que se defenda o
réu em liberdade. Consectário do princípio do estado de inocência (art. 5º, nº LVII, da
Const. Fed.), só por exceção deve o acusado responder preso ao processo.
— Não há denegar liberdade provisória ao infrator do art. 16 da Lei nº 10.826/03 (porte
ilegal de arma de fogo) se presentes os requisitos do art. 310, parág. único, do Cód.
Proc. Penal.
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não sustente em
indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-se revogada. Nesse
número merecem contados os casos de encarceramento de réu, quando ausentes os
requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc.
Penal).
—“Liberdade provisória. Embora preso em flagrante por crime inafiançável, pode o
réu ser libertado provisoriamente, desde que inocorram razões para sua prisão
preventiva” (TJSP; Rev.Tribs., vol. 523, p. 376; apud Damásio E. de Jesus,
Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 246).
—“Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação
cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu. Ausentes razões de
necessidade, revela-se incabível, ante a sua excepcionalidade, a decretação ou a
34
subsistência da prisão preventiva (...)” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 180, pp. 262-264;
rel. Min. Celso de Mello).

Voto nº 12.252 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.164711-0


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência do


condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto aguarda vaga
no semiaberto. Ditada por força maior ou razão de ordem superior invencível, tal
situação no entanto cai na esfera da previsão humana: todo o infrator sabe que,
delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto,
como forma de iludir o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito
de outros sentenciados que há mais tempo aguardam a efetivação
da transferência para o estágio intermediário, além de fazer injúria à
própria sociedade, que tem o direito de exigir do infrator a
reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe causou
com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau
de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via
sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 12.253 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.175716-0


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado na


Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão preventiva,
quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal: garantia
da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei
penal, desde que comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a decisão
definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc.
Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e indícios
suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a
condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 253).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou contestar
a verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do Supremo Tribunal
Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões, também, se fundamentam por si
mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso” (O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p.
35
347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz),
primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro da
culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág.
único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave — como é o roubo —,
tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 12.254 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.132168-0


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença condenatória”
(STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p. 16.585).

12.255

Voto nº 12.256 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.181125-4


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença condenatória”
(STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p. 16.585).

12.257
12.258
12.263
12.264

Voto nº 12.265 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.172941-8


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
36
art. da Const. Fed.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o pedido
de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a ação,
a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min. Vicente
Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 12.266 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.179709-0


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução da


pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº III,
alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de recurso,
cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita
do “habeas corpus”.
–– Não é o “habeas corpus” via legal idônea para apressar decisões nem apreciar pedido de
progressão de regime prisional, por implicar análise detida de requisitos objetivos e
subjetivos, reservada à competência do Juízo da execução (art. 66, nº III, alínea b, da Lei
de Execução Penal).

Voto nº 12.267 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.185295-3


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o elemento
moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório. Trancamento de ação penal por falta de justa causa unicamente se admite
quando comprovada, ao primeiro súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a
sua inocência (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não contraditória e que
não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis Ramalhete;
DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado na
Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão preventiva,
quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal: garantia da
ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal,
desde que comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art. 44
da Lei nº 11.343/06).
37

Voto nº 12.268— agravo em execução Nº 990.09.119485-99


Art. do Cód. Penal;
art. ...... do Cód. Proc. Penal;
art.

— Justiça excessiva não é senão injustiça, proclamou com assaz de razão o eloquente Cícero:
“Summum jus, summa injuria” (De Officiis, I, 10).
— A decisão que concede remição de penas é imutável após seu trânsito em julgado. Portanto,
desconstituí-la, salvo mediante revisão criminal, fora violar a autoridade da “res judicata”,
um dos principais dogmas em que assenta a ordem jurídica (art. 5º, nº XXXVI, da Const.
Fed.).
— Frutos de seu trabalho e, pois, estipêndio do suor, os dias remidos do preso têm alguma coisa
de sagrado que os guarda do rigor do Juízo da execução penal.
—“É inadmissível a perda dos dias remidos por decisão judicial, em virtude de falta grave
cometida pelo sentenciado” (RJTACrimSP, vol. 39, p. 416).
— De presente, já não é lícito ao Juiz dar ao art. 127 da Lei de Execução Penal outra
interpretação que a literal restrita, por força da Súmula Vinculante nº 9, editada pelo
Colendo Supremo Tribunal Federal, que mandou inscrever entre os dogmas jurídicos a
perda, para o condenado “que for punido por falta grave”, do direito ao tempo remido
pelo trabalho.

12.269
12.270
12.271
12.272
12.273

Voto nº 12.274 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.168384-1


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio


a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus”
substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça
da sentença condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel.
Nélson Hungria).
—“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples,
não contraditória e que não deixe alternativa à convicção do
julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p.
9.157).

Voto nº 12.275 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.187404-3


Arts. do Cód. Penal;
38
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento, dilatando os
dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois não está
nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força maior que obstam à
realização do ato processual.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não pode
criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia constitucional”
(Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel. José Dantas).
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da culpa
decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou ao
Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora na
inquirição de testemunhas por precatória, que tem o caráter de força maior, motivo de
suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por
excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 12.276 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.187117-6


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional,


próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa
petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça
da sentença condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel.
Nélson Hungria).
–– Por força do que estatui o art. 393, nº I, do Cód. Proc. Penal — convém a saber:
entre os efeitos da sentença condenatória inscreve-se o de “ser o réu preso ou
conservado na prisão” — não pode apelar em liberdade autor de crime hediondo
(art. 214 do Cód. Penal).
39
Voto nº 12.277 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.145637-3
Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Em linha de princípio, não é o “habeas corpus” meio idôneo para obstar o curso do
inquérito policial nem da ação penal, se o fato imputado ao réu constituir crime e houver
indícios suficientes de sua autoria.
— Para trancar a ação penal, ou impedir o curso de inquérito policial, sob o fundamento da
ausência de “fumus boni juris”, há mister prova mais clara que a luz meridiana, a fim de se
não subverter a ordem jurídica, entre cujos postulados se inscreve o da apuração compulsória,
pelos órgãos da Justiça, da responsabilidade criminal do infrator.

12.278
12.279
12.280

Voto nº 12.281—Recurso em Sentido Estrito Nº 990.09.141486-7


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. Const. Fed.

— Segundo a comum opinião dos doutores, para a pronúncia não é mister mais que a
prova da realidade do crime e indícios da responsabilidade do réu (art. 413 do Cód.
Proc. Penal).
–– A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo Júri o
acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 413 do Cód. Proc. Penal). Donde
veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença processual de
conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a acusação, para que esta
seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de Direito Processual Penal, 2a. ed.,
vol. III, p. 217; Millennium Editora).
–– As qualificadoras articuladas na denúncia apenas podem ser excluídas quando
manifesta sua inocorrência; do contrário, são os Jurados os que sobre elas se devem
pronunciar, porque matéria de sua competência.

12.282
12.283
12.284

Voto nº 12.290 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.129360-1


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o elemento
moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
40
sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório. Trancamento de ação penal por falta de justa causa unicamente se admite
quando comprovada, ao primeiro súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a
sua inocência (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não contraditória e que
não deixe alternativa à convicção do julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis Ramalhete;
DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado na
Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão preventiva,
quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal: garantia da
ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal,
desde que comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.

Voto nº 12.291 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.190127-0


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado


na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão
preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo
Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar
a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração penal e
veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do
Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e
indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para
a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 253).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do crime, é insuscetível
de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na
instância ordinária, com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação
penal por falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art. 648, nº I,
do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não contraditória e
que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis
Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).

Voto nº 12.292 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.172285-5


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.
41

— Contra o parecer de notáveis juristas, que sustentam não ser o “habeas corpus” meio
apropriado a impugnar decisão de que caiba recurso ordinário, mostra-se de bom
exemplo conhecer da impetração, porque, em tese, passa pelo remédio jurídico-
processual mais célere e eficaz para conjurar abusos e ilegalidades contra o direito à
liberdade de locomoção do indivíduo (art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.).
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução da
pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº III,
alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de recurso,
cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e
estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo de
obter progressão ao regime aberto, pois se trata de matéria em que, por previsão de lei
(art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve entender o Juízo de Direito da
Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de suas atribuições e violação de
norma de organização judiciária do Estado.

Voto nº 12.293 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.167408-7


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso
deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

12.294

Voto nº 12.295— HABEAS cORPUS Nº 990.09.156333-1


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento ilegítimo por
excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez que nem sempre o pode
o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso de força maior, dispõe a lei que
“não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois não está
nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força maior que obstam à
42
realização do ato processual.
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz),
primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro da
culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág.
único, do Cód. Penal) àquele que, acusado de crimes graves, tem contra si a presunção
de periculosidade.
–– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no cárcere, a
verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade provisória
(art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 12.296 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.168221-7


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais
(art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas
em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo
na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo
de obter progressão de regime, pois se trata de matéria em que, por previsão de lei
(art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve entender o Juízo de
Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de suas atribuições
e violação de norma de organização judiciária do Estado.

Voto nº 12.297— agravo em execução Nº 990.09.099310-3


Art. do Cód. Penal;
art. ...... do Cód. Proc. Penal;
art.

–– Uma vez conspirem todos os requisitos legais para sua concessão, denegar ao
sentenciado o benefício da comutação de penas fora o mesmo que frustrar, em seu
espírito e forma, o Decreto do Presidente da República e, sobre isso, mentir ao ideal de
justiça.
— Ao condenado que satisfaz o requisito objetivo (lapso temporal) é bem se conceda
comutação de pena. Pequenas deficiências de cunho íntimo ou subjetivo, que acaso
apresente, deve supri-las o Juiz com o espírito mesmo que preside à outorga do
benefício do indulto: o nobre e generoso sentimento de compreensão humana, com que,
pelo Natal, o chefe de Estado sói amercear-se de todo o encarcerado, “o mais pobre de
todos os pobres”, na pungente expressão de Carnelutti (As Misérias do Processo
Penal, 1995, p. 21; trad. José Antonio Cardinalli).
— Quando claro, o texto legal escusa interpretação e, sobretudo, desautoriza aquela que
prejudicar o condenado: “In dubio pro libertate. Libertas omnibus rebus favorabilior
43
est. Na dúvida, pela liberdade! Em todos os assuntos e circunstâncias, é a liberdade
que merece maior favor” (apud Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do
Direito, 16a. ed., p. 261).

Voto nº 12.298 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.171577-8


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o pedido
de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a ação,
a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min. Vicente
Cernicchiaro; j. 18.12.96).

12.299
12.300

Voto nº 12.301 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.154948-7


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução da


pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº III,
alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de recurso,
cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e
estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo de
obter progressão ao regime semiaberto, pois se trata de matéria em que, por previsão de lei
(art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve entender o Juízo de Direito da
Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de suas atribuições e violação de
norma de organização judiciária do Estado.

Voto nº 12.302 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.174724-6


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Contra o parecer de notáveis juristas, que sustentam não ser o “habeas corpus” meio
apropriado a impugnar decisão de que caiba recurso ordinário, mostra-se de bom
exemplo conhecer da impetração, porque, em tese, passa pelo remédio jurídico-
processual mais célere e eficaz para conjurar abusos e ilegalidades contra o direito à
44
liberdade de locomoção do indivíduo (art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.).
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de execução da
pena são da competência originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº III,
alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de recurso,
cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e
estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o escopo de
obter progressão ao regime aberto, pois se trata de matéria em que, por previsão de lei
(art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve entender o Juízo de Direito da
Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação de suas atribuições e violação de
norma de organização judiciária do Estado.

12.307

Voto nº 12.308 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.190901-7


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento, dilatando os
dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da ausência de testemunhas, se intimadas na forma da lei, pois não está nas
mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força maior que obstam à
realização do ato processual.
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por
excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

12.309

Voto nº 12.310 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.182858-0


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento, dilatando os
dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
45
decorrente da ausência de testemunhas, se intimadas na forma da lei, pois não está nas
mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força maior que obstam à
realização do ato processual.
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art. 44 da
Lei nº 11.343/06).

Voto nº 12.311 — HABEAS cORPUS Nº 990.09.188144-9


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão cautelar, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do
Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e
indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz
para a condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Ato mais relevante do ofício do Juiz, a decisão deve ser fundamentada (art. 93, nº IX, da
Const. Fed.), isto é, ao proferi-la deve dar as razões de seu convencimento. Mas
fundamentação percuciente, minuciosa e castigada só a requer decisão definitiva de mérito,
não a que impõe prisão preventiva ou indefere pedido de liberdade provisória; esta se
satisfaz com a indicação da necessidade e conveniência da decretação da custódia cautelar,
que se inferem da prova da materialidade da infração penal grave e dos indícios
veementes de sua autoria.

Voto nº 12.312 — RevisÃo CRIMINAL Nº 993.05.036086-5


Art. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art.

— É de bom exemplo ensejar ao sentenciado ocasião para trazer à luz pública, sempre que
o deseje, razões e argumentos em prol de sua inocência, ou que lhe sirvam a atenuar o
castigo. Pede-o a tradição do Direito, que incluiu entre os seus mais caros postulados o
da amplitude da defesa (art. 5º, nº LV, da Const. Fed.).
— A Instância Superior, quanto em si caiba, proverá que se repare o erro ou a injustiça
das decisões de primeiro grau de jurisdição, sem haja mister fulminar-lhes anulação,
pois é sempre matéria de grande repugnância anular processo penal, que isto representa
perda irreparável para a Justiça e resulta em seu descrédito.
–– Na revisão criminal inverte-se o ônus da prova, de arte que ao condenado, como seu
46
autor, cumpre demonstrar que a sentença errou ou cometeu injustiça; se não, impossível
será julgar-lhe procedente o pedido.
–– Não é contrária à evidência dos autos decisão condenatória apoiada em laudo pericial e
nas palavras de testemunhas presenciais idôneas, antes se reputa bem fundamentada,
pois tem por si prova excelente (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
—“Evidência é o brilho da verdade que arrebata a adesão do espírito, logo à primeira
vista” (Hélio Tornaghi, Curso de Processo Penal, 1980, vol. II, p. 360).
— A Lei nº 11.464/07 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90), no
que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de pena. Se o
sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram todos os requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, §
2º).
— Os homens de circunspecção, persuadidos de não possuir o dom da inerrância, desconfiam
sempre do valor absoluto das decisões; não lhes faz abalo no espírito reexaminar questão já
sob o selo da coisa julgada, antes o reputam corolário do sistema jurídico-filosófico da
pesquisa da verdade real, adotado entre nós para o processo.
— Nos casos de estupro, a palavra da vítima, como de quem teve papel precípuo no
evento delituoso, é de especial relevância para a identificação de seu autor; destarte,
exceto lhe prove alguém tenha obrado com erro ou malícia ao indicar o culpado, já a
vítima lhe está antecipando juízo de condenação, pois nela se presume o interesse de
não querer incriminar outrem que seu malfeitor (art. 214 do Cód. Penal).
— Não há crime único, senão concurso material entre estupro e atentado violento ao
pudor, se o agente, demais de constranger a vítima à conjunção carnal, submete-a a
toda a sorte de aberrações do instinto sexual (arts. 213 e 214 do Cód. Penal)
— Àquele que intenta revisão criminal, ação constitutiva destinada a emendar eventual
erro judiciário, toca demonstrar o desacerto da decisão, à luz das disposições do art.
621 do Cód. Proc. Penal, sob pena de lhe ser indeferida a pretensão.
— A confissão, os antigos já a reputavam documento de sumo alcance na pesquisa da
verdade real: “não é um meio de prova. É a própria prova, consistente no
reconhecimento da autoria por parte do acusado” (Vicente Greco Filho, Manual
de Processo Penal, 1997, p. 229).

Voto nº 12.313 — HABEAS CORPUS Nº 990.09.178134-7


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Não se conhece de “habeas corpus” que seja simples reiteração de pedido anterior,
com os mesmos fundamentos de fato e de direito. A razão é que, satisfeita a
prestação jurisdicional, não pode o Juízo ou Tribunal reapreciar a matéria do
litígio, senão mediante recurso ordinário.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se deve
outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar Jurídico, 1985,
vol. II, p. 588).
—“Não se conhece de habeas corpus que seja reiteração de outro, já indeferido” (Rev.
47
Forense, vol. 158, p. 340).

Voto nº 12.314 — HABEAS CORPUS Nº 990.09.196903-6


Arts. do Cód. Penal;
arts. do Cód. Proc. Penal;
art. da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência, consagrado na


Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da prisão preventiva,
quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal: garantia da
ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal,
desde que comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a decisão
definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc.
Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da existência do crime e indícios
suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a
condenação do réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).